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Um Novo Olhar sobre a Cerâmica Portuguesa Este suplemento faz parte integrante da Vida Económica nº 1761, de 23 de novembro 2018, e não pode ser vendido separadamente

JOSÉ LUÍS SEQUEIRA, PRESIDENTE DA DIREÇÃO DA APICER, AFIRMA

“Temos a energia mais cara da Europa” Energia e mão de obra pesam, no conjunto, mais de 50% nos custos das empresas das indústrias de cerâmica e cristalaria, revela José Luís Sequeira. “Temos a energia mais cara da Europa, condição que nos pesa e nos magoa sobremaneira”, acrescenta o presidente da Direção da APICER – Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e Cristalaria. Este será um dos temas em destaque na conferência “Um Novo Olhar Sobre a Cerâmica Portuguesa”, a realizar no próximo dia 28 de novembro, no Museu da Vista Alegre, em Íhavo. Páginas 4 e 5

JORGE MARQUES DOS SANTOS, PRESIDENTE DO CA DO CTCV, AFIRMA

“Descarbonização está no topo dos desafios da indústria cerâmica” Página 2

Cerâmica e cristalaria: duas indústrias com forte potencial exportador Página 3

Parcerias intersetoriais visam dinamizar inovação, internacionalização e digitalização Página 6

Falta de mão de obra qualificada é sentida por todas as empresas do setor Página 7


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Um Novo Olhar sobre a Cerâmica Portuguesa

sexta-feira, 23 de novembro 2018

JORGE MARQUES DOS SANTOS, PRESIDENTE DO CA DO CTCV, AFIRMA

“Descarbonização está no topo dos desafios da indústria cerâmica” “A fatura energética é o principal custo industrial de uma empresa cerâmica”, afirma Jorge Marques dos Santos, presidente do CA do CTCV – Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro. A proposta, por parte das equipas especializadas do CTVC, de planos de racionalização e de investimentos em equipamentos mais eficientes e de produção de energia renovável ou cogeração de energia térmica em simultâneo com energia elétrica tem permitido a poupança de “muitos milhões de euros” às empresas. Colocando a descarbonização no todo dos desafios futuros da indústria cerâmica, Jorge Marques dos Santos entende que, na atualidade, “a tecnologia deve ser protagonista, o setor deve ter a capacidade de criar empresas mais inovadoras, com produtos diferenciados ou processos de fabrico mais eficientes, mais flexíveis”. Vida Económica - Quais são os seus principais objetivos enquanto presidente do Conselho de Administração do CTCV? Jorge Marques dos Santos - O CTCV definiu um conjunto de ambições estratégicas que se propõe alcançar no quinquénio 20192023, e que assentam na relação de parceria com as empresas, reforçando-se o papel do CTCV como Centro de Interface e no estímulo da Vigilância Tecnológica e fomento da Inovação. Estas orientações contribuirão para o Reconhecimento Generalizado do CTCV e serão naturalmente desenvolvidas num contexto

“O setor deve ter a capacidade de criar empresas mais inovadoras”

de Sistema Sustentável, garantindo a manutenção da saúde das suas finanças e da qualidade e motivação dos seus Recursos Humanos. É fundamental que o CTCV seja uma referência para os setores com que trabalha e que os clientes vejam no CTCV um parceiro que aponte caminhos, que disponha de meios laboratoriais tecnologicamente avançados e competências técnicas e humanas adequadas e transfira para as empresas o conhecimento. VE - Até que ponto a Inovação e o I&D são determinantes para o setor cerâmico vencer os desafios da exportação e da internacionalização? JMS - A inovação é fundamental e o setor cerâmico não é exceção e algumas empresas do setor têm conseguido, destacar-se pela inovação. Na maioria dos casos as empresas mais

“A descarbonização da indústria é um desafio que se coloca ao setor”

“Estou ao serviço do CTCV para partilhar a minha experiência e desafiar para um desenvolvimento sustentado ao serviço das empresas”, afirma Jorge Marques dos Santos. inovadoras são as líderes de mercado e apresentam as maiores quotas de exportação. Há exemplos de sucesso na inovação em todos os subsetores da cerâmica, quer nos produtos, quer nos processos. A multifuncionalidade dos produtos como os revestimentos bactericidas para utilização em cozinhas ou em hospitais, os revestimentos fotocatalíticos que são autolimpantes e mitigadores do NOx, para aplicação em fachadas exteriores, as telhas termocrómicas que absorvem menos calor quando aumenta a temperatura, as telhas fotovoltaicas que produzem energia elétrica, os pratos resistentes ao risco metálico. No caso dos processos, a impressão digital que permite decorar os pavimentos e revestimentos com imagens fotorrealistas, a impressão digital também em peças tridimensionais como a louça utilitária, a preparação da pasta por processos a seco, com a consequente redução de energia e água. VE - A I&DI representa também um desafio para o próprio CTCV? JMS - O estímulo à inovação e à I&D é essencial para potenciar a resposta com sucesso aos atuais desafios sociais, económicos e ambientais. Desenvolvem-se melhores mecanismos de vigilância tecnológica, através do acesso a conhecimento novo, nomeadamente o que provém da ligação às entidades do Sistema de Investigação e Inovação (I&I), traduzindo-se num melhor acompanhamento do estado da arte e tendo como objetivo último a valorização económica dos resultados produzidos. O CTCV, pelo seu posicionamento junto das empresas de vários setores, apoia a capacitação tecnológica destas e o desenvolvimento de conhecimento em diversas áreas, incluindo processos de certificação, melhoria da qualidade, melhoria de eficiência na produção, apoio a atividades de inovação e novos modelos de negócio VE - Colocando a mão no “pulso dos empresários” do setor, como avalia a sua capacidade de inovação e de empreendedorismo? JMS - O tecido empresarial tem vindo a demonstrar claramente a sua capacidade de inovação. Esta capacidade baseia-se em atividades complexas que requerem um grande estímulo e envolvimento dos colaboradores das empresas e uma predisposição que tem vindo a crescer. Há muito que as empresas perceberam que esta é uma componente importante ou mesmo indispensável da sua atividade e um

fator preponderante da sua capacidade competitiva. Esta capacidade e esta vontade estão bem patentes quando vemos serem maioritariamente as empresas a colocar desafios e a apresentar oportunidades de desenvolvimento às entidades do Sistema de Inovação, cenário inverso do que se observava ainda há não muito tempo. Para isto muito contribuiu o acréscimo de quadros qualificados nas empresas, sobretudo PME, mas também a sua crescente visibilidade internacional que obriga, entre outros, a inovação nos produtos e melhoria contínua da eficiência dos processos.

CTVC ajuda reduzir fatura energética VE - Ao nível da Indústria 4.0, quais são as áreas prioritárias para o CTCV? JMS - A quarta revolução industrial é muito relevante para o CTCV. As áreas de intervenção são diversas, assumindo-se várias como prioritárias no que respeita à indústria 4.0, tais como a digitalização e engenharia inversa; impressão 3D robótica, rastreabilidade, recolha de informação dos parâmetros dos processos em tempo real, impressão digital. VE - Sendo a fatura energética um dos fatores que mais pesam nos custos das empresas, que contributo pode dar o CTCV para melhorar esta situação? JMS - A fatura energética é o principal custo industrial de uma empresa cerâmica. Para além disso, os preços têm vindo a subir conti-

nuamente e as empresas portuguesas pagam a energia mais cara da Europa. As empresas cerâmicas são grandes consumidores de energia e daí a importância do seu uso racional, bem como a utilização de fontes de energia renovável. O CTCV dispõe de uma equipa técnica especializada na área da energia, com experiência de 30 anos de atividade, que está em contacto permanente com as empresas cerâmicas, realizando diagnósticos e auditorias energéticas que avaliam as condições de utilização da energia elétrica e da energia térmica. Propõem planos de racionalização e de investimentos em equipamentos mais eficientes e de produção de energia renovável ou cogeração de energia térmica em simultâneo com energia elétrica. As empresas parceiras do CTCV na área da energia têm beneficiado do apoio técnico e estima-se em muitos milhões de euros as economias de energia que ajudou a poupar. A descarbonização da indústria está nos objetivos da União Europeia para 2030 e 2050. É um desafio que se coloca à indústria cerâmica, que passará por alterações profundas nos processos de fabrico e substituição de combustíveis por outras fontes menos carbónicas, como é o caso da energia elétrica produzida a partir de fontes de energia renováveis. VE - Que importância dá à conferência “Um Novo Olhar Sobre a Cerâmica Portuguesa” e que mensagem gostaria de ver sair deste encontro? JMS - Estas iniciativas são de extrema importância para o setor, não só para as empresas cerâmicas, mas também outras entidades, nomeadamente as universidades e centros de saber, entidades capazes de produzir conhecimento transferível para as empresas. Além de ser um momento de convívio, partilha de conhecimento e práticas, deve ser sobretudo um momento de reflexão sobre o que somos hoje e o que devemos ser amanhã, repensando as nossas estratégias e o nosso posicionamento, no sentido de criar um setor mais forte, com grande capacidade de inovação e diferenciais competitivos, seja ao nível do produto, processo ou modelo de negócio. Não descurando outras temáticas, a tecnologia deve ser protagonista, o setor deve ter a capacidade de criar empresas mais inovadoras, com produtos diferenciados ou processos de fabrico mais eficientes, mais flexíveis.

Desenvolvimento sustentado é um desafio para o setor Jorge Marques dos Santos exerceu funções de topo na Sonae, no IPQ e no IAPMEI. “Tive a felicidade na minha carreira profissional de ter estado em lugares de topo da gestão no setor privado e na administração pública, o que me permite entender perfeitamente esses dois mundos com as suas próprias idiossincrasias, tirando o máximo partido das suas fortalezas e superando as suas fraquezas. Acontece que os centros tecnológicos são organizações de caráter privado, mas que vivem na articulação permanente com o setor público. O CTCV tem na sua composição acionista, para além de uma maioria de capital de empresas e entidades privadas, participações importantes do IPQ e do IAPMEI. Não sendo uma função executiva, estou ao serviço do CTCV para partilhar a minha experiência e desafiar para um desenvolvimento sustentado ao serviço das empresas, procurando satisfazer as expectativas de suporte tecnológico e de inovação do setor da cerâmica e do vidro”, conclui o presidente do CA do CTVC.


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Cerâmica e cristalaria: duas indústrias com forte potencial exportador Cerâmica portuguesa

França foi o nosso principal mercado de destino, seguindo-se a Espanha, Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido.

critório ou ornamentação de interiores e semelhantes (exceto copos, embalagens, rolhas e semelhantes); • Outros produtos, n.e.

Exportações de cristalaria atingiram máximo histórico em 2017

As exportações portuguesas de cristalaria atingiram os 89,3 milhões de euros no ano 2017, o que representou um crescimento de 7,3% em relação ao ano de 2016 e constitui o valor mais elevado de que há registo.

Principais produtos A indústria de cerâmica corresponde à fabricação dos seguintes produtos: • Pavimentos e revestimentos cerâmicos (azulejos, ladrilhos, mosaicos e placas de cerâmica). • Cerâmica estrutural (tijolos, telhas, abobadilhas e outros produtos cerâmicos para a construção). • Artigos cerâmicos para usos sanitários. • Artigos cerâmicos de uso doméstico e ornamental (olaria de barro, fabricação de artigos de uso doméstico de faiança, porcelana e grés fino, fabricação de artigos de ornamentação de faiança, porcelana e grés fino e atividades de decoração de artigos cerâmicos de uso doméstico e ornamental). • Produtos cerâmicos refratários, isoladores e peças isolantes em cerâmica, fabricação de outros produtos em cerâmica para usos técnicos e fabricação de outros produtos cerâmicos não refratários.

Fonte: INE – Comércio Internacional de Bens, dados provisórios de 2017

As exportações portuguesas de produtos cerâmicos têm a sua principal origem nas regiões de Aveiro e Leiria Em 2017 a Região de Aveiro foi responsável por 44,3% do valor das nossas exportações de produtos cerâmicos, seguindo-se a Região de Leiria, com 17,6%, e o Oeste, com 11,5%. Exportações de Produtos Cerâmicos, por localização geográfica (NUTS 2013)

Fonte: INE – Comércio Internacional de Bens, dados definitivos de 2000 a 2016 e provisórios de 2017

Principais produtos de cristalaria exportados

Os copos de vidro, com e sem pé, foram o produto de cristalaria mais exportado em 2017. Seguiram-se os objetos de vidro para serviço de mesa ou de cozinha, os objetos de vidro para toucador, escritório ou ornamentação, os objetos de cristal de chumbo para toucador, escritório ou ornamentação, os copos de cristal de chumbo, com pé e sem pé, os objetos de vitrocerâmica para serviço de mesa e outros e, finalmente, os objetos de cristal de chumbo para serviço de mesa ou de cozinha.

Um setor predominantemente exportador As exportações portuguesas de produtos cerâmicos ascenderam a 711,4 milhões de euros no ano 2017, o que representou um crescimento de 1,3% em relação ao ano de 2016 e constitui o valor mais elevado de que há registo.

Fonte: INE - Estatísticas do Comércio Internacional de Bens, dados provisórios de 2017

Posição relativa de Portugal no contexto das exportações mundiais de produtos cerâmicos em 2017 Fonte: INE – Comércio Internacional de Bens, dados definitivos de 2000 a 2016 e provisórios de 2017

Pavimentos e revestimentos e cerâmica de mesa constituem os principais produtos cerâmicos exportados Os pavimentos e revestimentos foram os produtos que mais contribuíram para as nossas exportações de cerâmica em 2017, seguindo-se a cerâmica de mesa em faiança, grés e barro comum, a louça sanitária, a cerâmica de mesa em porcelana, a cerâmica ornamental e as telhas cerâmicas.

No ano 2017 as exportações mundiais de produtos cerâmicos atingiram os 46 576 milhões de euros. Para o conjunto de produtos cerâmicos, Portugal posicionou-se no 11.º lugar do ranking mundial. Considerando os diversos materiais cerâmicos, Portugal obteve o seguinte desempenho: • 2.º exportador mundial de cerâmica de uso doméstico não porcelana • 6.º exportador mundial de cerâmica ornamental • 7.º exportador mundial de louça sanitária • 9.º exportador mundial de pavimentos e revestimentos cerâmicos • 10.º exportador mundial de telhas cerâmicas • 15.º exportador mundial de cerâmica de uso doméstico em porcelana

Fonte: INE – Comércio Internacional de Bens, dados provisórios de 2017

As exportações portuguesas de cristalaria chegaram a 121 mercados internacionais em 2017

No ano 2017 as nossas exportações de cristalaria chegaram a 121 mercados internacionais. A Espanha foi o nosso principal mercado de destino, seguindo-se os Países Baixos, França, Alemanha e Estados Unidos.

Cristalaria Principais produtos

Fonte: INE – Comércio Internacional de Bens, dados provisórios de 2017

As exportações portuguesas de produtos cerâmicos chegaram a 169 mercados internacionais em 2017 No ano de 2017 a cerâmica portuguesa chegou a 169 mercados internacionais. Para o conjunto de produtos cerâmicos, a

• Copos (inclui copos de pé alto), exceto de vitrocerâmica, de cristal de chumbo, de colha manual; • Copos (exceto copos de pé alto e produtos de vitrocerâmica ou de cristal de chumbo), de vidro temperado; • Outros copos, exceto de cristal de chumbo e de vidro temperado; • Objetos de cristal de chumbo, de colha manual, para serviço de mesa, cozinha, toucador, escritório, ornamentação de interiores ou usos semelhantes (exc. copos); • Objetos de cristal de chumbo, de colha mecânica, para serviço de mesa, cozinha, toucador, escritório, ornamentação de interiores ou usos semelhantes (exc. copos); • Objetos de vitrocerâmica, para serviço de mesa, de cozinha, de toucador, de escritório, de ornamentação de interiores ou usos semelhantes; • Objetos de vidro, para serviço de mesa, cozinha, toucador, es-

Fonte: INE – Comércio Internacional de Bens, dados provisórios de 2017

Posição relativa de Portugal no contexto das exportações mundiais de cristalaria em 2017

No ano 2017 as exportações mundiais de cristalaria atingiram 7,372 milhões de euros. Portugal posicionou-se no 16.º lugar do ranking mundial, com 1,2% do valor das exportações mundiais.


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JOSÉ LUÍS SEQUEIRA, PRESIDENTE DA DIREÇÃO DA APICER, AFIRMA

“Temos a energia mais cara da Europa” Energia e mão de obra pesam, no conjunto, mais de 50% nos custos das empresas das indústrias de cerâmica e cristalaria, revela José Luís Sequeira. “Temos a energia mais cara da europa, condição que nos pesa e nos magoa sobremaneira”, acrescenta o presidente da Direção da APICER – Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e Cristalaria. Este será um dos temas em destaque na conferência “Um Novo Olhar Sobre a Cerâmica Portuguesa”, a realizar no próximo dia 28 de novembro, no Museu da Vista Alegre, em Íhavo. Em 2017, as exportações de cerâmica atingiram os 711 milhões de euros, devendo alcançar um novo recorde este ano. Apesar das contrariedades, “as indústrias de cerâmica e cristalaria são capazes de continuar a atrair jovens empresários e quadros criativos e ambiciosos”, conclui José Luís Sequeira. VIRGÍLIO FERREIRA virgilio@vidaeconomica.pt

Vida Económica - “Um Novo Olhar Sobre a Cerâmica Portuguesa” será o mote da próxima conferência do setor, a realizar no próximo dia 28 de novembro. Porquê a escolha deste tema e que expetativas estão reservadas para este encontro? José Luís Sequeira - Os desafios que temos lançado à indústria de cerâmica são sempre projetados para o futuro, até porque não faz sentido lançar desafios para o presente e muito menos para o passado. Naturalmente que os desafios se manterão sempre, mas para a conferência do dia 28 entendemos acrescentar-lhes um exercício: o de um novo olhar sobre a indústria de cerâmica, não para pôr em causa o que tem sido feito e pensado, mas para abrir novos horizontes que possam justificar algum reajuste na visão necessária para um setor com tradição. O pensamento que hoje se exige para fazer face aos desígnios da indústria 4.0, com tudo o que isso exige para renovação dos métodos e processos de fabrico; a criatividade que se reclama para conseguir novos produtos, otimizados na sua multifuncionalidade e versáteis no seu design; o apelo a um melhor ambiente que todos desejamos, conjugando-o com a reinvenção de matérias-primas para uma economia circular, e a necessidade de investir em recursos humanos, em mercados e em tecnologias mais sofisticadas e mais eficientes, conseguir tudo isto com menos recursos e com mais riscos, é tarefa que não se consegue sem um oportuno toque de despertar. Um novo olhar sobre a cerâmica portuguesa é por isso e não só um exercício de vi-

Micro cortes no fornecimento de energia elétrica em algumas zonas do país provoca prejuízos sérios

“O dossier mais complexo de gerir, dada a natureza, a distância e a variedade dos interesses em causa, é a questão da energia que não nos dá descanso”, adianta José Luís Sequeira.

As indústrias de cerâmica e cristalaria são capazes de continuar a atrair jovens empresários e quadros criativos e ambiciosos

são sobre o futuro, mas também um apelo aos sons do clarim que estimulem todos os sentidos, convidando-nos a uma aturada reflexão. Para nós, em termos de organização, a exigência do objetivo de conseguir esta reflexão está sobretudo na necessidade de procurar quem nos provoque, e no interesse de encontrar quem nos ouça. O primeiro objetivo cabe aos oradores que convidamos; o segundo papel é o dos empresários que procuramos atrair a esta conferência. VE - Esse “olhar” implica falarmos sobre os desafios que o setor enfrenta, não só no mercado internacional, mas

Exportações ultrapassam 711 milhões de euros A cerâmica portuguesa constitui uma indústria essencialmente exportadora. Os mercados internacionais absorvem mais de 60% do volume de negócios das empresas. Em 2017, as exportações portuguesas de produtos cerâmicos ultrapassaram os 711 milhões de euros, o que constitui um máximo histórico. “Perspetiva-se, face aos dados já conhecidos para os primeiros nove meses de 2018, que este ano possa ser alcançado um novo recorde nas exportações de cerâmica”, revela o presidente da APICER. De referir ainda a contribuição positiva dos produtos cerâmicos portugueses para o saldo da nossa balança comercial (mais de 554 milhões de euros em 2017) e a elevada taxa de cobertura das importações pelas exportações (452% em 2017). As exportações de produtos cerâmicos assumem maior relevância no caso dos pavimentos e revestimentos, na cerâmica de mesa em grés e faiança, na louça sanitária, na cerâmica de mesa em porcelana e na cerâmica ornamental.

sobretudo a nível interno. A burocracia é um dos maiores entraves ao desenvolvimento das empresas e do investimento ou existem outros? JLS - Não me parece que a burocracia seja o maior entrave. Esse é antipático e empobrecedor, mas vejo outros bem mais preocupantes. Ou porque não dependem de nós, ou porque dependendo de nós exigem um grande esforço de superação. Os que não dependem de nós têm a ver, ou com a falta de competências e de estímulos de outros de quem dependemos para a tomada de posições estratégicas, ou com a supremacia de poderes e interesses que relegam para terceiro plano as preocupações de quem tem que produzir, gerindo a imprevisibilidade de todos os fatores de ordem política, social e económica que a sociedade de hoje nos impõe. Nos que dependem de nós, destacaria a necessidade de nos capacitarmos melhor para os riscos do futuro, e de nos concentrarmos mais nas virtualidades da cooperação. Nos primeiros, nos que não dependem de nós, colocaria o quadro legal avulso e inconsistente que nos condiciona até nos objetivos mais nobres, nomeadamente o da responsabilidade social, para além de que a instabilidade dos mercados, fortemente influenciados por tudo e por mais alguma coisa, deixam com pouco sentido os apelos ao incremento das exportações. No fundo, trata-se de procurar colocar bens e serviços concretos, num mercado que tem tudo para ser abstrato. Nos segundos, insisto na necessidade de maior empenhamento nas soluções de cooperação interempresarial e intersetorial, considerando para isso fundamental o diálogo e o debate das ideias, sejam elas coincidentes ou divergentes. Em qualquer caso, o resultado será sempre enriquecedor, desde que sustentado na melhor informação disponível que cada um terá que carrear para o seu argumentário.

Microcortes de energia provocam problemas sérios VE - A energia é o fator que mais pesa nos custos das empresas ou existem outros? JLS - A energia é de facto o fator que mais pesa nos custos das empresas, sendo, por isso, um dos maiores constrangimentos dos setores da cerâmica e da cristalaria, quer no que respeita ao gás natural, quer no que respeita à energia elétrica, elementos necessários ao processo de transformação mineralógica associada à produção dos materiais. Mas não é só a nível dos preços e dos custos que representam entre 20% e 30% dos custos totais, variando consoante os subsetores. O problema é também delicado com a existência de microcortes no fornecimento de energia elétrica em algumas zonas do país, o que provoca prejuízos sérios na fabricação dos materiais cerâmicos que são extremamente sensíveis a qualquer interrupção mesmo que seja por lapsos de tempo muito curtos.

Neste campo as empresas só podem atuar na eficiência energética, área em que muito têm investido com resultados que no entanto não retiram a preocupação que manifestamos, por termos a energia mais cara da europa, condição que nos pesa e nos magoa sobremaneira, se tivermos em consideração que este nefasto primeiro lugar não é uma inevitabilidade. Muito se tem dito e escrito sobre os preços da energia, havendo sobre esta matéria um largo consenso sobre o seu peso na sociedade portuguesa, ainda que a tecnicidade do tema não favoreça o cabal esclarecimento das razões porque pagamos estes preços. Quando um ex-ministro da economia diz expressamente que a “fatura da eletricidade é uma vaca leiteira”, está não só a ser chocante por vir de quem vem, mas também por não referir que as maiores tetas dessa vaca não são impostos. Só em 2018, a CIEG (custos de interesse económicos gerais) representa mais de dois mil milhões de euros pagos pelos consumidores de eletricidade. E estes CIEG têm muito a ver com rendas excessivas, que não são impostos… Situação diferente é a que se passa com os combustíveis líquidos, relativamente aos quais a incidência fiscal tem o peso que todos nós bem identificamos. Outro dos custos relevantes sobretudo em empresas de subsetores mais de mão de obra intensiva são os custos com pessoal que representam, em termos médios, 25% dos custos totais das empresas.

Custos com pessoal representam, em termos médios, 25% dos custos totais das empresas

VE - Ser presidente da APICER significa assumir vários desafios e compromissos. Quais os que considera mais importantes e prioritários? JLS - Ser presidente da APICER é fazer parte de uma equipa que tem como principais compromissos os de cumprir com a Missão e a Visão estatutárias da associação. Julgo que estes deverão ser mesmo os únicos compromissos, pois que todos os outros que possa haver, ou estão na linha de atuação da Missão que a APICER definiu, ou estamos deslocados no cumprimento do mandato que os associados nos conferiram. Já quanto aos desafios, temos várias e grandes preocupações, a maior das quais será a de termos respostas adequadas para as questões de vária ordem, que os associados e o setor de cerâmica em geral nos colocam. Isto não é nada fácil, como se pode calcular!

Ou porque não dependem de nós, ou porque as questões assumem elevado grau de complexidade, ou ainda porque às vezes a resposta possível não é a que mais satisfaz o interessado, certo é que para uns casos e para os outros, temos que, ter as respostas que sejam claras e conclusivas, e se as não temos é preciso procurá-las. Este ou estes são os desafios que se nos colocam diariamente quer no que respeita às questões técnicas quer no que respeita às questões de representação institucional, tendo que lutar contra incompreensões, incumprimentos e ambiguidades, sendo necessário para isso doses grandes de bom senso e quantidades insaciáveis de persistência. A nossa falta de resposta nunca advém do cansaço ou da fraqueza, mas sim de outras faltas de compromissos que não conseguimos ultrapassar. O segundo grande desafio passará pela pro-

ximidade da associação com as empresas, alongando esta proximidade às empresas entre si. Estes desafios, no contexto de um associativismo sério como aquele que defendemos, também nos obriga a uma postura de maior credibilidade quando assumimos a defesa dos nossos dossiers. No saldo que apresentamos, temos vitórias e temos derrotas, mas, quer nuns casos quer noutros, os nossos interlocutores sabem com o que contam da nossa parte. O dossier mais complexo de gerir, dada a natureza, a distância e a variedade dos interesses em causa, é a questão da energia que não nos dá descanso.

VE - Que mensagem espera ver sair deste encontro? JLS - A mensagem que espero ver sair deste encontro é de que as indústrias de cerâmica e cristalaria são capazes de continuar a atrair jovens empresários e quadros criativos e ambiciosos, se nos unirmos no propósito do crescimento sustentado que está ao alcance de todos. Temos tecnologia, temos produto e temos mercado, mas também temos escolas, temos gente e temos empresas, com os quais é possível atingir o primeiro lugar na E++uropa e no mundo. “Um novo olhar sobre a cerâmica” tem que ser feito com os nossos olhos, pois é deles sobretudo que dependemos para o futuro. Este é um belíssimo cenário de oportunidades que deveremos aproveitar.


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APICER APRESENTA ESTUDO SETORIAL

Parcerias intersetoriais visam dinamizar inovação, internacionalização e digitalização Estudo é lançado no âmbito do projeto “Ceramics Industry – The New Age”.

CONFERÊNCIA 2018

Um Novo Olhar Sobre a Cerâmica Portuguesa 08h45 Receção dos Participantes 09h15 Boas Vindas 09h30 Um novo olhar sobre o setor da Cerâmica José Sequeira, APICER Jorge Marques dos Santos, CTCV Luís Pedro Silva, Arquiteto Alda Tomás, Designer Hélder Pais, Global Head Hunters

11h00 Coffee Break 11h15 Painel I: A Inovação e a Relação entre Empresas da Cerâmica e Unidades de I&D Gil Sousa, Induzir João dos Santos, ESAD.CR João Labrincha, Universidade de Aveiro Sofia Batista, Adelino Duarte da Mota Victor Francisco, CTCV Moderação: Eduardo Maldonado, ANI 13h00 Debate aberto à plateia

13h15 Almoço de Networking 14h30 Painel II: Parcerias Inovadoras com Sectores Complementares Apresentação Geral do Estudo de Parcerias Intersetoriais, Magellan Alzira Quintanilha, Centro Tecnológico da Cortiça Fernando Machado, Mobinov Cluster Automóvel Paula Vilarinho, Sociedade Portuguesa de Materiais Teodorico Pais, Vista Alegre Moderação: Miguel Goulão, ASSIMAGRA 16h45 Debate aberto à plateia

17h00 Encerramento Ricardo Monteiro, Speaker internacional João Correia Neves, Secretário de Estado da Economia

18h00 Cocktail de encerramento

28 de novembro, Museu da Vista Alegre Promotor:

Apoio:

Organização:

Patrocinadores:

A

APICER apresentará, na conferência “Um Novo Olhar Sobre a Cerâmica Portuguesa”, o estudo “Parcerias Intersetoriais”, elaborado no âmbito do projeto “Ceramics Industry – The New Age”. O estudo de parcerias intersetoriais pretende identificar os setores com potencial para a realização e criação de parcerias intersetoriais com a indústria da cerâmica e do vidro que promovam temas como a inovação, a digitalização, a qualificação e internacionalização das empresas do setor. Assim, é elaborado um diagnóstico do que têm vindo a ser as tendências de complementaridade desta indústria com outras, através de exemplos concretos, para que se lancem algumas conclusões acerca das parcerias que têm ou podem vir a ter mais eficácia na obtenção dos temas referidos.

O estudo faz uma análise às principais inclinações estratégicas a nível nacional e europeu O estudo faz também uma análise às principais inclinações estratégicas a nível nacional e europeu, tanto para o setor produtivo em geralcomo, especificamente, para esta indústria, para tentar perceber se as tendências verificadas se alinham com essas estratégias. A formação também é alvo de foco, nomeadamente a oferta ao nível do ensino superior daquelas que são as áreas mais prementes para as temáticas em análise. Examina-se ainda a situação da associação relativamente às suas congéneres intersetoriais nacionais e internacionais.

Parcerias institucionais são fator estratégico De forma mais esquemática, é então realizado um enquadramento do estudo no âmbito do projeto “Ceramics Industry – The New Age”, e uma breve caracterização do setor por diversos prismas. Identificam-se depois as parcerias institucionais mais representativas no setor, naturalmente identificando-se também aquelas que são intersectoriais. Perspetivam-se depois as principais tendências e as parcerias com mais potencial (já existentes ou não), nomeadamente em áreas de especial interesse como são o ambiente e economia circular, indústrias como a automóvel ou aeronáutica, a medicina, a energia, os novos materiais e cerâmica técnica, o design, e a valorização do património cultural, tentando perceber, dentro destes temas, quais são as iniciativas intersectoriais que possam constituir parcerias estruturantes dos novos desafios e oportunidades para o futuro no setor. Esta análise tem, como já foi referido, sempre o foco na inovação, internacionalização e digitalização, dando-se especial foco aos projetos nacionais e europeus (aqui envolvendo entidades Portuguesas ou não) desenvolvidos dentro destes trâmites. Os resultados preliminares deste diagnóstico serão lançados durante a conferência “Um Novo Olhar Sobre o Setor da Cerâmica”, cujos trabalhos irão por sua vez alimentar aquelas que serão as conclusões finais do estudo.


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ANA BICA, DIRETORA DO CENCAL, AFIRMA

Falta de mão de obra qualificada é sentida por todas as empresas do setor “Não é fácil conseguir pessoas com o perfil adequado para as exigências e expetativas das empresas”, afirma Ana Bica, diretora do Cencal – Centro de Formação Profissional para a Indústria Cerâmica. Vários fatores contribuem para esta situação. Um deles é “a redução progressiva do desemprego que tem levado a uma quebra acentuada de desempregados disponíveis para formação”. “Os problemas demográficos, a par de uma oferta educativa e formativa sobredimensionada e nem sempre ajustada às necessidades do mundo empresarial”, também. Inclusive os baixos níveis salariais que condicionam fortemente a atração de pessoas qualificadas para o setor cerâmico. VIRGÍLIO FERREIRA virgilio@vidaeconomica.pt

Vida Económica – Qual é a missão do Cencal e de que forma tem respondido aos desafios do setor da cerâmica e do vidro? Ana Bica - A missão do Cencal passa pela formação e consultoria no sentido da valorização dos recursos humanos e das empresas, em especial do setor cerâmico e do vidro. O Cencal tem tentado de forma sistemática a aproximação às empresas, de forma a que a sua formação se adeqúe o mais possível às necessidades sentidas pelas empresas. VE – Quais são as áreas de formação mais solicitadas por este setor? AB - Atualmente, constatamos que existem necessidades prementes de pessoal qualificado sobretudo ligado à área de produção industrial, nomeadamente operadores cerâmicos, técnicos de cerâmica e modeladores cerâmicos. O Cencal tem estado a desenvolver várias iniciativas no sentido de procurar dar

O Cencal tem tentado de forma sistemática a aproximação às empresas.

desenvolvimento de competências transversais, nomeadamente nas áreas de comportamento organizacional (liderança e trabalho em equipa), higiene e segurança no trabalho, produtividade e organização do trabalho, etc. Tem também havido solicitações para a formação na área de Madres e Moldes Cerâmicos e na área de Processo Cerâmico. VE – É sentida a falta de mão de obra especializada e a dificuldade no recrutamento de quadros? Concretamente, em que áreas é isto mais notório e de que forma o Cencal tem dado resposta a estas situações? AB - A falta de mão de obra qualificada é sentida de uma forma geral por todas as empresas do setor. As dificuldades de recrutamento de pessoas são especialmente sentidas na área da produção industrial e o Cencal confronta-se também com grandes dificuldades na captação de candidatos para os cursos integrados nesta área. A redução progressiva do desemprego tem levado a uma quebra acentuada de desempregados disponíveis para formação, não sendo fácil conseguir-se pessoas com o perfil adequado para as exigências e expetativas das empresas.

A redução progressiva do desemprego tem levado a uma quebra acentuada de desempregados disponíveis para formação

resposta a estas questões. Foi aberto um polo com um espaço oficinal em Alcobaça que está a desenvolver cursos de Modelação Cerâmica, Pintura Cerâmica e Técnico de Cerâmica, e está a operacionalizar um novo espaço oficinal no concelho de Vagos com o objetivo de vir a poder dar uma resposta de maior proximidade às empresas da região. No que respeita à formação dos colaboradores das empresas cerâmicas, verificamos que a maior parte das solicitações incide sobre o

Os problemas demográficos, a par de uma oferta educativa e formativa sobredimensionada e nem sempre ajustada às necessidades do mundo empresarial, também acentuam as dificuldades de recrutamento de jovens. É também importante que o setor no seu todo consiga, em termos de marketing e comunicação, passar e criar uma imagem de modernidade, realçando a sua capacidade tecnológica e de design, tornando-se atrativo para as camadas mais jovens. Ao nível das camadas jovens, há

que “trabalhar” vocacionalmente uma cultura industrial, sensibilizando e despertando os jovens para a relevância deste tipo de carreiras profissionais. Outra questão que continua a condicionar fortemente a atração de pessoas qualificadas para o setor cerâmico são os baixos níveis salariais, que acabam por ter dificuldade em competir com outros setores de atividade económica. Esta questão tem contribuído para reforçar as dificuldades de recrutamento até

Aprendizagem ao longo da vida é fundamental

VE – A utilização de tecnologias muito avançadas requer mão de obra industrial qualificada? Até que ponto o Centro Qualifica do Cencal tem conseguido responder a este desafio? AB - Naturalmente que a utilização de tecnologias avançadas requer cada vez mais

Existem necessidades prementes de pessoal qualificado sobretudo ligado à área de produção industrial

pelas implicações que coloca à potencial mobilidade geográfica. O Cencal tem estado a tentar implementar algumas estratégias, com o objetivo de tentar minimizar estas questões e que têm passado essencialmente por: - Envolvimento ativo das próprias empresas em colaboração com o Cencal e outros agentes formativos e educativos (atuando em parceria em processos de divulgação e pré-recrutamento); - Alargamento do campo de recrutamento a outros públicos-alvo, nomeadamente adultos passíveis de um processo de requalificação ou reconversão profissional; - Deslocalização da atividade formativa, numa lógica de criar maior proximidade com o meio empresarial e minimizar os condicionalismos da mobilidade geográfica. Enquadram-se nesta perspetiva o incremento da formação intraempresa, a consolidação de polos formativos (Alcobaça e Zona de Aveiro) e o estabelecimento de parcerias com outras entidades formativas e educativas ou mesmo empresas; - Reforço dos canais de comunicação, em articulação com outras entidades públicas e privadas, tentando promover uma imagem atrativa da atividade profissional desenvolvida no setor cerâmico.

pessoas qualificadas e com competências para lidar com essas tecnologias. Num mundo em profunda transformação e onde os processos de mudança decorrem a uma velocidade vertiginosa, a aquisição de novas competências é um processo vital quer a nível individual quer a nível organizacional. A consciencialização individual para a importância das aprendizagens ao longo da vida é fundamental para mudar este tipo de atitudes e é importante para uma gestão proativa da carreira profissional, podendo funcionar como um mecanismo preventivo para lidar com potenciais situações de desemprego. É um objetivo para o qual os Centros Qualifica poderão contribuir no âmbito dos processos de Orientação Profissional e de Reconhecimento de Competências que lhes são inerentes. Uma das vantagens dos processos de Reconhecimento e Validação de Competências adquiridas informalmente ao longo da vida é o seu contributo para incrementar a autoestima do indivíduo e a motivação para dar continuidade à sua formação. É uma forma que as empresas podem utilizar para valorizar os seus colaboradores e despertarem uma maior apetência pela própria formação profissional. No entanto, temos constatado que os processos de reconhecimento de competências, nomeadamente profissionais, ainda não encontraram grande recetividade no meio empresarial.


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