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KÉRAMICA revista da indústria cerâmica portuguesa

Publicação Bimensal €8,00

nº352

Edição Maio/Junho . 2018

NORMALIZAÇÃO


PRÉMIO

INOVAÇÃO NO SETOR CERÂMICO

Candidaturas até 27 de julho de 2018 O Regulamento está disponível em: www.apicer.pt/apicer/pt/projectos

A Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e de Cristalaria (APICER), em colaboração com a PwC, promove o Prémio Inovação no Setor Cerâmico que se destina a distinguir projetos inovadores no setor da cerâmica que possam dar resposta às oportunidades existentes no mercado e que possam alavancar o setor cerâmico a nível nacional e internacional. Será atribuído um 1º Prémio no valor de 1.000 €, um 2º Prémio de 500 € e uma menção honrosa a entregar em desetembro setembro2018. 2018. cerimónia a realizar em 12 12 de

Informações: 239 497 600 | info@apicer.pt

Podem candidatar-se Empreendedores, Investigadores, Alunos e Técnicos a título individual, residentes em território nacional, mediante a submissão de uma candidatura online em http://bit.ly/inovapicer.


Index

Editorial . 03

Economia . 31 Exportações Mundiais de Produtos Cerâmicos em 2017

Destaque . 04

Energia . 35

Normalização

EcoTermIP

Normalização . 10

Notícias & Informações . 37

10 A Normalização no Setor da Cerâmica e do Vidro 16 A Normalização e a Certificação – Indissociáveis e Distintas 19 O Mundo da Normalização

Entrevista . 25

37 Novidades das Empresas Cerâmicas Portuguesas 41 Novidades e Informações da WEG 42 Sacmi, Vendas acima de 1,4 Bilião de Euros

Calendário de Eventos . 44

Entrevista à Gerência de António Rosa Cerâmicas, Lda

Seção Jurídica . 29 O Tempora o Mores. Ó Tempos! Ó Costumes!!

Propriedade e Edição APICER [Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e de Cristalaria] Direção, Administração, Redação e Publicidade Rua Coronel Veiga Simão, Edifício C 3025-307 Coimbra [t] +351 239 497 600 [f] +351 239 497 601 [e-mail] info@apicer.pt [internet] www.apicer.pt Diretor Carlos Hernández Editor e Coordenação Albertina Sequeira [email: Keramica@apicer.pt] Conselho Editorial Albertina Sequeira, António Oliveira, Marco Mussini, Paulo Lima e Sílvia Machado Capa José Luís Fernandes

Colaboradores Albertina Sequeira, Ana Magalhães, António Oliveira, Conceição Fonseca, Ferreira Ramos, Gonçalo Ascensão, Marta Fria Borges, Marta Silva, Nuno Pargana, Suzete Sim-Sim, Paginação José Luís Fernandes Impressão Gráfica Almondina - Progresso e Vida; Empresa Tipográfica e Jornalística, Lda Rua da Gráfica Almondina, Zona Industrial de Torres Novas Apartado 29 2350-909 Torres Novas [t] 249 830 130 | [f] 249 830 139 [e-mail] geral@grafica-almondina.com [internet] www.grafica-almondina.com Distribuição Gratuita aos associados e assinatura anual (6 números): Portugal €32,00 (IVA incluído) União Europeia €60,00; Resto da Europa €75,00; Fora da Europa €90,00 Notas Proibida a reprodução total ou parcial de textos sem citar a fonte. Os artigos assinados veiculam as posições dos seus autores.

Índice de Anunciantes

APICER (Página 1) • CERTIF (Página 13 ) • INDUZIR (Verso da Contracapa) • PWC (Página 5) • SACMI (Verso da Capa) • SEW-EURODRIVE (Contracapa)

Publicação Bimensal nº 352 . Ano XLIII . Maio.Junho . 2018

Depósito legal nº 21079/88 . Publicação Periódica inscrita na ERC [Entidade Reguladora para a Comunicação Social] com o nº 122304 ISSN 0871 - 780X Estatuto Editorial disponível em http://www.apicer.pt/apicer/keramica.php

p.2 . Kéramica . Index

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Jorge Marques dos Santos, Presidente do Conselho de Administração do CTCV

Editorial

É uma honra aceitar o convite feito pelo Presidente da APICER, o meu caro amigo Dr. José Sequeira, para escrever o editorial deste número da Kéramica, por duas razões essenciais: ser a primeira participação pública como Presidente do Conselho de Administração do CTCV, após uma longa carreira, desenvolvida dois terços no setor privado e um terço no setor público; e ter este número como tema de destaque a Normalização, que me é muito querida pela intervenção ativa que nela tive, enquanto presidente do Instituto Português da Qualidade. A Normalização proporciona aos agentes económicos e sociais, através das Normas, uma ferramenta fiável, utilizável no mercado em situações de carácter repetitivo, facilitando a competitividade das organizações e a inovação em produtos e serviços, garantindo a interoperabilidade. Assistimos a uma mudança de paradigma na indústria e em toda a economia, com a invasão do mercado pelas tecnologias digitais. As Normas, serão a mais importante ferramenta, porque falam a mesma linguagem, ajudam a ligação a modos de comunicação seguros entre estruturas confiáveis tendo em vista a cooperação, a compatibilidade e a interoperabilidade. As primeiras três revoluções industriais tiveram como base a mecanização, a eletricidade e as tecnologias de informação. A quarta revolução industrial, conhecida como indústria 4.0, acrescenta os efeitos da Internet das Coisas. No futuro as empresas estabelecerão redes globais que integram as estruturas produtivas, armazenagem, lo-

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gística, em sistemas ciber-físicos que abrangem as máquinas inteligentes, sistemas de armazenagem e estruturas produtivas capazes de trocar autonomamente informação, despoletando ações e controlando-se independentemente. Isto facilita melhorias substanciais nos processos industriais envolvidos, utilização de materiais, gestão da cadeia de abastecimento e ciclos de gestão, levando a novas abordagens à produção, com interligação entre redes de empresas e cadeias de valor geridas em tempo real Mas estas colaborações e redes participativas, só são possíveis com um conjunto comum de normas e arquiteturas técnicas que permitam a sua implementação envolvendo a gestão de sistemas complexos, processos de gestão e procedimentos normalizados que assegurem a segurança, designadamente de sistemas de informação, organização do trabalho, formação contínua e desenvolvimento profissional, gestão eficiente dos recursos. Um inquérito feito a empresas na Alemanha, envolvendo empresas essencialmente ligadas à produção industrial, relativamente aos grandes desafios associados à implementação da indústria 4.0, identificou, destacadamente, como os três primeiros a normalização (53%), a organização e processos de trabalho (46%) e a disponibilidade de produtos (35%). Não restam dúvidas que o conhecimento e aplicação das normas associadas a uma determinada indústria, quer nos seus processos produtivos, quer nos sistemas de comunicação e informação ao longo da sua cadeia de valor são essenciais para que a empresa se possa abalançar para a digitalização dos seus processos. Digitalizar ou robotizar processos produtivos que não estão devidamente organizados, com garantias de segurança informática, com sistemas de gestão devidamente implementados e, eventualmente certificados, é seguramente um grande risco. Não é por digitalizar processos ineficientes que eles passam a ser executados eficientemente. Cabendo às associações profissionais e setoriais um papel fundamental para assegurar um fluxo estável de informação, trabalhando estreitamente com os parceiros sociais, a comunidade académica e científica e a sociedade, de forma a facilitar a implementação das metodologias da indústria 4.0 e digitalização das empresas associadas, é de felicitar a APICER por dedicar esforços de divulgação, em especial tendo em conta que as mudanças não se fazem apenas criando novas empresas digitais, mas integrando as novas tecnologias nas antigas (e vice-versa) atualizando os velhos sistemas para novos sistemas em tempo real. Esteja atento e não espere por amanhã, que pode ser tarde! Jor ge Ma rq ue s d os S a nt os ( Presid ent e d o Con se l h o d e A d m i n i st r a ç ã o d o C TC V )

Destaque . Kéramica . p.3


Destaque

NORMALIZAÇÃO A normalização foi criada com o objetivo de responder a uma questão fundamental: “Qual é a melhor maneira de fazer isto?”

por Suzete Sim-Sim, Diretora da Unidade de Gestão Operacional de Normalização do IPQ

A atividade de normalização, ao longo dos últimos 50 anos, tem-se caraterizado pela elaboração e edição de normas nos mais diversos domínios, tentando cobrir todos os aspetos da vida quotidiana, desde as roupas que temos vestidas, até as redes Wi-Fi que nos conectam de forma invisível uns aos outros, passando pelas normas de sistemas de gestão. A existência da normalização deve significar para os consumidores que podem confiar que os produtos que adquirem são seguros e de boa qualidade, para os reguladores e governos que podem desenvolver uma melhor regulação, sabendo que têm documentos de consenso resultantes do envolvimento de todas as partes interessadas e para as empresas que podem suportar a sua atividade numa ferramenta fiável, com metodologias consolidadas e reconhecidas que contribuem para a sustentabilidade e prosperidade do seu negócio.

A Normalização é a atividade destinada a estabelecer, face a problemas reais ou potenciais, disposições para utilização comum e repetida, tendo em vista a obtenção do grau ótimo de ordem, num determinado contexto. Consiste, de um modo particular, na formulação, edição e implementação de Normas. A Normalização busca a definição, a unificação e a simplificação. Definição, porque caracteriza qualitativa e quantitativamente todos os materiais e elementos utlizados na produção, bem como os próprios produtos finais. Unificação e simplificação, porque tem em vista a redução, ao mínimo, das variedades dos materiais, das ferramentas e operações do processo produtivo e ainda dos produtos acabados.

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UMA NORMA PODE MUDAR O MUNDO A importância da Normalização pode ser constatada nas mais diversas atividades por exemplo: 1. A utilização de formatos de papéis, normalizados internacionalmente, permite reduzir os desperdícios na produção de papel e aumentar a produtividade das indústrias tipográfica e de papelaria, etc. 2. A existência de normas para a construção, instalação e funcionamento de aparelhos elétricos industriais e domésticos, segurança no trânsito, de brinquedos, embalagens médicas tem-se revelado fundamental para a segurança de pessoas e bens e ajudam a tornar o mundo um lugar mais seguro. 3. A utilização da designação ISO (norma internacional) na caracterização da sensibilidade das películas, adotada mundialmente, entre outras normas respeitantes ao material fotográfico, facilita a atividade de muitos profissionais e utilizadores. 4. A normalização dos contentores de mercadorias, ao nível internacional, permite a todos os elementos de uma cadeia de transportes – instalações portuárias e aeroportuárias, caminhos-de-ferro, redes rodoviárias e embalagem – uma integração eficaz.

QUESTÕES MAIS FREQUENTES SOBRE A NORMALIZAÇÃO Apesar de as Normas serem amplamente utilizadas nos diferentes setores da economia e de estarem difundidas a nível mundial, existe ainda algum desconhecimento relativamente à atividade de normalização por parte dos agentes económicos e do público em geral. Estas são algumas das dúvidas mais frequentes.

O que são Normas e qual é o seu estatuto?

As Normas são documentos técnicos, de aplicação repetida e continuada, que fornecem requisitos, especificações, diretrizes ou características que podem ser usados consistentemente para garantir que materiais, produtos, processos e serviços sejam adequados ao seu propósito, trazendo assim benefícios para a comunidade.

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Olhar para o futuro

A PwC apoia a indústria da cerâmica e de cristalaria Em Portugal, somos cerca de 1.300 colaboradores, apoiados por uma rede global com cerca de 230.000 pessoas em 157 países, que partilham o objetivo de prestar serviços de qualidade em auditoria, assessoria de gestão, fiscalidade e formação para executivos. Conheça-nos melhor em www.pwc.pt Visite-nos nas redes sociais #PwC

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Destaque

Quem são os organismos de normalização reconhecidos? Os organismos nacionais de normalização

Em Portugal o Instituto Português da Qualidade (IPQ) é o Organismo Nacional de Normalização sendo o responsável pelo desenvolvimento da atividade de Normalização em Portugal e o representante nacional nos organismos europeus e internacionais de normalização, assegurando assim a possibilidade das entidades nacionais participarem ou acompanharem o trabalho de elaboração das normas europeias e internacionais.

Os organismos europeus e internacionais de normalização CEN – Comité Europeu de Normalização CENELEC – Comité Europeu de Normalização Eletrotécnica ETSI – Instituto Europeu de Normas de Telecomunicações ISO – Organismo Internacional de Normalização IEC – Comité Eletrotécnico Internacional

Quais são os benefícios das normas para as empresas?

As Normas são elaboradas com base em resultados consolidados da ciência, da tecnologia e da experiência, resultam de um consenso de todas as partes interessadas (stakeholders) e são aprovadas e editadas por um organismo de normalização reconhecido – os organismos internacionais, europeus e nacionais de normalização. As Normas são documentos de natureza voluntária tornando-se obrigatórias apenas se referidas em legislação ou contratos.

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1. Melhores produtos e serviços A partilha de melhores práticas, provenientes do trabalho normativo, leva ao desenvolvimento de melhores produtos e serviços. As normas consideram a resposta sustentada a um conjunto de preocupações nos domínios não apenas da qualidade, da segurança e da saúde, mas também do ambiente, da ética e da responsabilidade social e da inovação. 2. Atrair novos clientes. Aumentar as vendas As normas são um caminho consistente e sustentado para convencer potenciais clientes de que são amplamente respeitados níveis elevados de qualidade, segurança e fiabilidade resultando, o que se traduz certamente, no aumento de vendas. Os consumidores raramente são tentados a comprar produtos de qualidade questionável. Agregar qualidade a um produto ou serviço aumenta o nível de satisfação dos clientes e consumidores e é uma das melhores formas de mantê-los. 3. Aumentar a competitividade As normas conferem uma notória vantagem competitiva demonstrando, de forma relevante, que o fornecedor partilha os mesmos valores e exigências do cliente em áreas como o compromisso de trabalho sustentado, a prática de ética na organização, a qualidade e normas de produto.

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bilidade e a interoperabilidade dos seus produtos com outros componentes. 8. Facilita os atos contratuais A utilização de normas em processos de aquisição e contratos confere eficácia e torna mais clara a relação entre clientes e fornecedores, eliminando ambiguidades e incompatibilidades. 9. Facilita a entrada em novos mercados A garantia de que os produtos estão conformes com normas, facilita a entrada nos mercados nacionais e externos, uma vez que as normas são reconhecidas, compreendidas e respeitadas tanto nacional como internacionalmente também enquanto suporte das atividades da avaliação da conformidade. 10. Aumenta as hipóteses de sucesso Manter e motivar as pessoas essenciais ao sucesso do negócio é importante em qualquer empresa. As normas não são apenas importantes para evidenciar externamente a qualidade da empresa. Internamente poderão constituir um importante fator de motivação, pelo compromisso existente com a qualidade e com as melhores práticas.

As empresas podem participar no trabalho de elaboração das normas?

4. Sugere mais confiança ao negócio A utilização de normas pressupõe a aplicação, com rigor, das práticas nelas estabelecidas, conferindo ao cliente confiança redobrada, pois saberá de antemão o que esperar, quer a nível do serviço prestado, quer a nível do produto fabricado. 5. Diminui os erros Seguir uma norma implica cumprir metodologias e requisitos que foram analisados e ensaiados por peritos e que sugerem uma produção com menos erros de processo e menor desperdício de tempo. 6. Reduz os custos A utilização de uma norma, ao diminuir erros de processo, já está intrinsecamente a reduzir custos. No entanto estes custos poderão ainda ser mais reduzidos pelo facto de se evitarem despesas com desenvolvimento e inovação, seguindo-se exemplos existentes, previamente testados. Além disso, a utilização de normas no âmbito de um sistema de gestão da qualidade permite o desenvolvimento e a dinamização da empresa, tornando-a mais eficiente e rentável. 7. Compatibilidade entre produtos A aplicação das normas pode assegurar a compati-

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Não basta dizer às empresas que as normas são importantes para as suas atividades. As empresas deverão ser capazes de reconhecer a vantagem competitiva que as normas possam traduzir. E isso requer o seu envolvimento no processo da normalização ab initio para que percebam que as normas traduzem as melhores práticas e não prejudicam, nem a flexibilidade, nem a inovação. Esse envolvimento passa, não só pelo estarem informadas acerca das normas que estão a ser desenvolvidas quer a nível nacional quer europeu e internacional, mas também pela participação ativa no trabalho de elaboração dessas normas podendo assim influenciar o seu conteúdo. Em 2012, foi publicado o Regulamento Europeu 1025, sobre Normalização, que veio reconhecer e credibilizar a atividade de normalização no palco europeu, definindo os principais objetivos da atividade e reforçando a importância do papel que as normas desempenham no funcionamento do mercado interno. Paralelamente, veio fomentar e disciplinar a representação e participação adequadas das Pequenas e Médias Empresas (PME) no processo de normalização quer europeu quer nacional, por forma a poderem beneficiar plenamente da aplicação das normas, reforçando a coesão do sistema europeu de normalização, garantindo um acesso equitativo e transparente às normas europeias por todos os interessados no mercado da União. Não há soluções mágicas nem políticas autossuficientes que dispensem a intervenção dos principais interessados. Por isso, é indispensável que as PME acreditem na Normalização e percebam o quanto ela é um fator de desenvolvimento sustentável nas diferentes áreas, na me-

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Destaque

Como posso participar no trabalho de normalização?

As Normas sempre foram criadas pelas pessoas que as usam e esse trabalho desenvolve-se no âmbito das Comissões Técnicas de Normalização.

dida em que possa traduzir os seus interesses e as suas especificidades e não outras realidades ou visões. Isto é, ou as PME se envolvem diretamente no processo normativo procurando influenciá-lo positivamente, refletindo a sua visão e traçando responsavelmente o seu caminho, ou irão permitir que outros decidam por elas não atendendo às suas especificidades e pondo em causa a sua competitividade.

Como são desenvolvidas as Normas?

À semelhança de uma orquestra, para se desenvolver uma norma é preciso muita gente a trabalhar em conjunto. O papel dos organismos de normalização é semelhante ao de um maestro, a Comissão Técnica, tal como uma orquestra, é composta por especialistas técnicos indicados pelas entidades interessadas. São estes especialistas que elaboram as normas de acordo com as metodologias e os princípios instituídos e assegurados pelos organismos de normalização. Princípios-chave no desenvolvimento das Normas 1. As normas respondem a uma necessidade no mercado. Os organismos de normalização não decidem quando desenvolver uma nova norma, mas respondem a uma solicitação da indústria ou de outras partes interessadas, como grupos de consumidores. 2. Voluntariedade. A participação em processos de Normalização não é obrigatória, implica a cooperação voluntária de todos os representantes e depende de uma decisão voluntária dos interessados. 3. Representatividade. As normas são desenvolvidas através de um processo com múltiplos interessados. É preciso que haja participação de especialistas cedidos por todos os setores, fabricantes, organizações de consumidores, sindicatos, universidades, reguladores, associações representativas de pequenas e médias empresas, etc., de modo que a opinião de todos seja considerada na elaboração da norma. Para além disso, é preciso que a participação dos especialistas esteja equilibrada. Assim, deve-se procurar que seja assegurado o equilíbrio (paridade) das diferentes opiniões no processo de elaboração de normas. 4. Transparência. A todas as partes interessadas

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devem ser disponibilizadas as informações relativas ao controlo, atividades e decisões sobre o processo de desenvolvimento de normas técnicas. 5. As normas baseiam-se no Consenso. Para que a norma seja a melhor possível e com uma percentagem elevada de aplicação é necessário que haja equilíbrio das diferentes opiniões no processo de elaboração de normas. O consenso é um conceito dinâmico, que se traduz numa procura permanente de acordos coletivos nas decisões, não se repercutindo obrigatoriamente em unanimidade, mas numa aceitação geral ou numa ausência de firme oposição de um número relevante de partes interessadas quanto ao essencial de uma dada matéria.

ESTRUTURA DA NORMALIZAÇÃO EM PORTUGAL Organismo Nacional de Normalização Como referido, em cada país do mundo o trabalho de normalização é assegurado, coordenado e gerido pelo seu Organismo Nacional de Normalização que em Portugal é o Instituto Português da Qualidade. O Instituto Português da Qualidade numa decisão descentralizadora qualifica entidades, públicas ou privadas, representativas dos diversos setores da atividade económica, para desenvolverem a atividade de normalização, sob a sua coordenação e gestão. A decisão teve por base criar uma relação de maior proximidade entre a normalização e as partes interessadas dos setores.

Organismos de Normalização Setorial Para isso, foram criados no início da década de 90 os Organismos de Normalização Setorial (ONS) que têm como principais atribuições: – coordenar as Comissões Técnicas nacionais de normalização; – assegurar que o conjunto de normas existentes no seu domínio está atualizado e é relevante para o mercado;

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– acompanhar e participar na elaboração das normas que estão a ser desenvolvidas a nível europeu e internacional no âmbito da normalização da sua área; – Emitir pareceres sobre a aplicação das normas e sua relação com a legislação nacional e europeia.

Comissões Técnicas de normalização

As Comissões Técnicas (CT) trabalham não só no desenvolvimento das normas técnicas nacionais mas também participam ativamente na produção das normas europeias e internacionais do seu âmbito, garantindo que os interesses nacionais são devidamente assegurados. Nas comissões técnicas podem participar, em regime de voluntariedade, qualquer tipo de entidade que tenha interesses na área que se está a normalizar e que queira colaborar para garantir que as normas implementadas trazem benefícios efetivos para a atividade do seu setor e para o país. Os membros das comissões técnicas têm acesso a informação confidencial e privilegiada, a possibilidade de influenciar o conteúdo das normas e contacto direto com uma rede alargada de parceiros nacionais, europeus e internacionais.

Onde consultar a informação sobre a Normalização? Os sites dos Organismos nacionais, europeus e internacionais de Normalização disponibilizam para o público em geral um conjunto alargado de informação sobre as normas editadas e em processo de elaboração. Igualmente, toda a informação relativa às entidades e aos países que participam em cada uma das Comissões Técnicas está disponibilizada publicamente assim como o programa de trabalho de cada uma.

Destacamos, no site do IPQ: A disponibilização do Plano de Normalização 2018, que pode ser acedido através do link:

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Quem são os vogais das Comissões Técnicas de normalização?

São peritos provenientes de entidades, públicas e privadas: • dos diversos setores da atividade económica nacional, • da defesa dos interesses sociais, ambientais ou dos consumidores, • do ensino e investigação; – que trabalham voluntariamente na elaboração das normas técnicas portuguesas, europeias e internacionais, – contribuindo, com os seus conhecimentos e com a exposição e defesa dos interesses da entidade que representam, – para o aumento da competitividade das empresas portuguesas e para o aumento da qualidade de vida dos cidadãos.

http://www1.ipq.pt/PT/Normalizacao/ComissoesTecnicas/Pages/Plano_Normalizacao1.aspx Este Plano fornece uma visão geral das atividades de normalização que serão desenvolvidas durante o ano de 2018, sendo um precioso instrumento para todos aqueles que se interessam por esta temática a nível nacional podendo, eventualmente, vir a colaborar nesses trabalhos, pelo que sugerimos a sua consulta. A página com Ferramentas de apoio à implementação e utilização das normas pelas Pequenas e Médias Empresas: http://www1.ipq.pt/pt/normalizacao/ferramentaspme/Pages/Ferramentas-de-Apoio-%C3%A0s-PME. aspx

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Normalização

A NORMALIZAÇÃO NO SETOR DA CERÂMICA E DO VIDRO O C e n t r o Te c n o l ó g i c o d a Cerâmica e do Vidro (CTCV) como agente de Normalização por Conceição Fonseca, Responsável Gestão da Qualidade CTCV e Elemento de Ligação ONS/ /CTCV - IPQ Normalização é uma atividade que facilita a livre circulação de produtos e serviços, consistindo na elaboração, adoção e publicação de normas. O objetivo principal da normalização é a elaboração de normas no sentido de estabelecer soluções tecnológicas e económicas por consenso das partes interessadas, para assuntos com carácter repetitivo. A Normalização constitui uma ferramenta fundamental de autodisciplina para os agentes ativos dos mercados, na medida em que simplifica os assuntos e evidencia ao legislador a necessidade de regulamentação específica em matérias não abrangidas por normas.

IMPORTÂNCIA DA NORMALIZAÇÃO Conhecer as normas que regem um negócio é fundamental para sua manutenção e desenvolvimento. O não cumprimento da regulamentação pode prejudicar a empresa, por exemplo, impedindo a certificação ou a atribuição de certificados de qualidade. A normalização é uma ação fundamental que permite à empresa ser mais competitiva. O cumprimento das normas torna as rotinas das empresas mais seguras, estabelecem condições para competição no mercado, facilitam a implementação de novas tecnologias, estimulam a inovação, entre outros benefícios.

VANTAGENS DA NORMALIZAÇÃO Uma empresa que segue as normas consolida-se como referencial para o mercado. Além disso, abre portas para conseguir certificações que atestam a normalização da empresa, tornando-a mais competitiva e forte. A normalização também é fundamental para exportação dos produtos. Apenas aqueles que seguem a regulamentação podem ser apresentados a um mercado externo exigente. Seguir as normas vai melhorar a qualidade dos produtos ou serviços oferecidos pela empresa. Isso agrega valor à produção e promove o aumento dos ganhos, que podem ser investidos na melhoria e no crescimento do negócio.

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Normas são documentos resultantes de um consenso, aprovados por um organismo de normalização reconhecido, que estabelecem regras, guias ou características de produtos ou serviços, assentes em resultados consolidados, científicos, técnicos ou experimentais (ISO/IEC Guia 2:2004). As normas, consideradas referências idóneas do mercado a que se destinam, têm carácter voluntário, salvo se existir um diploma legal que as torne de cumprimento obrigatório.

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Normalização

ONN ONS

Organismo de Normalização Setorial

CT´s

Comissões Técnicas Portuguesas de Normalização

No quadro do Sistema Português da Qualidade (SPQ) e de acordo com o Decreto-Lei nº 142/2007 de 27 de abril, a atividade normativa nacional é coordenada pelo Instituto Português da Qualidade (IPQ), como Organismo de Normalização Nacional (ONN) podendo ser desenvolvida com a colaboração dos Organismos de Normalização Setorial (ONS) por ele reconhecidos para o efeito. Os ONS, para além da coordenação das Comissões Técnicas de Normalização (CT), têm atribuições de caráter geral, atribuições relativas à produção de documentos normativos, emitem pareceres, participam em reuniões europeias e internacionais, competindo-lhes ainda a elaboração do plano e relatório de atividades, do programa de Normalização (PN), bem como a divulgação das atividades normativas do seu setor. A Comissão Técnica de Normalização (CT) é um órgão técnico que visa a elaboração de documentos normativos e a emissão de pareceres normativos, em determinados domínios e, no qual participam, em regime de voluntariado, entidades interessadas nas matérias em causa, traduzindo, tanto quanto possível, uma representação equilibrada dos interesses socioeconómicos abrangidos pelo seu âmbito de atividade (RPNP-030/2014). As CT's têm ainda como atribuições remeter ao ONS o seu plano e relatório de atividades e o programa de normalização. A hierarquia ONN/ONS/CT pode ser representada como a seguir se indica na Figura 1. Os intervenientes no processo de normalização devem conhecer, perceber e aplicar os princípios da normalização. O desenvolvimento de normas rege-se pelos seguintes princípios: Voluntariedade – diz respeito à participação volun-

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tária no desenvolvimento de uma norma, quanto ao seu uso. Representatividade – refere-se à necessidade de participação de todas as partes interessadas (produtores, universidades, laboratórios, órgão do governo, organizações de consumidores, entre outros), de forma a que a opinião de todos seja tida em conta no estabelecimento da norma. Paridade – refere-se ao equilíbrio representativo dos diversos interesses envolvidos de todas as partes interessadas. Transparência – estabelece que o processo de normalização é aberto, público e previsível de modo a que os potenciais interessados possam dele tomar conhecimento e participar se assim o entenderem. Simplificação – estabelece que o processo de normalização deve ter regras e procedimentos simples e acessíveis, que garantam a coerência, a rapidez e a qualidade no desenvolvimento e implementação das normas. Consenso – assegura que haja o consenso entre todos os participantes na elaboração da norma, e que a norma apresenta a solução aceitável para todas as partes interessadas, sem que haja predominância de nenhum interesse em particular.

A ATIVIDADE NORMATIVA DESENVOLVIDA NO ÂMBITO DO ONS-CTCV O CTCV, na sua qualidade de Organismo de Normalização Setorial (ONS), participa ou acompanha trabalhos de normalização nacional, europeia e internacional com interesse para os setores da Cerâmica e do Vidro, que se enquadram na sua área de reconhecimento pelo IPQ. O ONS/CTCV constitui a interface entre as Comis-

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Figura 1 – A hierarquia ONN/ONS/CT

Organismo de Normalização Nacional


Normalização

sões Técnicas (CT´s) e o IPQ, cabendo-lhe a responsabilidade de coordenar e prestar todo o apoio logístico necessário ao funcionamento das CT´s. Desde a sua fundação o CTCV sempre considerou a normalização como uma atividade importante da sua missão. Desde 1990 que vigora um Protocolo assinado entre o IPQ e o CTCV, acreditando este Centro como Organismo de Normalização Setorial para a Cerâmica e para o Vidro. Neste contexto, têm sido diretamente acompanhados os trabalhos normativos em curso, a nível europeu e internacional, nos seguintes Comités Técnicos CEN: – CEN/TC 67 “Ceramic Tiles” (Ladrilhos Cerâmicos) • Plenary (Plenário) • WG1 Test Methods (Métodos de ensaio) • WG2 Specifications (Especificações) • WG3 Adhesives and grouts for tiles (Adesivos de colagem e juntas para ladrilhos) • WG5 Product category rules for ceramic tiles and installation products for ceramic tiles (Regras para as categorias de produtos para ladrilhos cerâmicos e produtos de instalação para ladrilhos cerâmicos) – CEN/TC 125 “Masonry” (Alvenaria) • Plenary (Plenário) • WG1 Masonry units (Unidades de alvenaria) • WG1 TG1Ceramic units (Unidades de cerâmica) • WG2 Mortar (Argamassa) • WG3 Ancillary componentes (Acessórios) • WG4 Test methods (Métodos de ensaio) • WG7 Dangerous substances (Substâncias perigosas) • WG8 Environmental product declaration (Declaração ambiental de produto) – CEN/TC 128 “Roof covering products for discontinuous laying and products for Wall cladding” (Produtos de revestimento para colocação descontínua e produtos para revestimento de paredes) • Plenary (Plenário) • SC3 Clay roofing tiles (Telhas cerâmicas) – CEN/TC 129 “Glass in building” (Vidro na construção) • Plenary (Plenário) – CEN/TC 163 “Sanitary appliances” (Aparelhos sanitários) • Plenary (Plenário) • WG3 Closet bowls, flushing cisterns, urinols, bidets and kitchen sinks (Sanitas, lavatórios, autoclismos, urinóis, bidés e pias de cozinha) • WG4 Baths (WPools) Shower trays (Performance testing) (Banheiras, bases de chuveiro – Teste de Desempenho) – CEN/TC 178 “Paving units and kerbs” (Unidades de pavimentação e lancis) – CEN/TC 184 “Advanced technical ceramics” (Cerâmica técnica avançada) – CEN/TC 187 “Refractory products and materials” (Produtos e materiais refratários) – CEN/TC 194 “Utensils in contact with food” (Utensílios em contacto com alimentos)

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• WG1 Cookware (Utensílios de cozinha) • WG8 Overwall migration (Migração global de substâncias químicas) – CEN/TC 246 “Natural stones” (Pedra natural) • Plenary (Plenário) • WG1 Terminology, classification and characteristics (Terminologia, classificação e características) • WG3 Product specifications (Especificações de produto) • WG4 Agglomerated stones (JWG 229246) (Pedra aglomerada) – CEN/TC 339 “Slip resistance of pedestrian surfaces – Methods of evaluation” (Resistência ao escorregamento de superfícies de pedestres – Métodos de avaliação) – CEN/TC 350 “Sustainability of construction works” (Sustentabilidade das obras de construção) • Plenary (Plenário) • WG1 Environmental performance of buildings (Desempenho ambiental dos edifícios) • WG3 Products level (Nível de produtos) • WG5 Social performance assessment of building (Avaliação do desempenho social dos edifícios) • WG6 Civil engineering works (Obras de Engenharia Civil) • WG7 Framework coordination (Coordenação de enquadramento) • WG8 Sustainable refurbishment (Reabilitação sustentável) A nível internacional acompanha o seguinte Comité Técnico ISO: – ISO/TC 189 “Ceramic tile” (Ladrilhos cerâmicos) • Plenary (Plenário) • WG1 Test Methods (Métodos de ensaio) • WG2 Product Specifications (Especificações de produto) • WG3 Products for installation (Produtos para instalação) • WG4 Thin Tiles (Ladrilhos de espessura fina) • WG6 Installation methods (Métodos de instalação) • WG7 Sustainability issues for ceramic tiling systems (Questões de sustentabilidade para sistemas de ladrilhos cerâmicos) • WG8 Antimicrobial properties of ceramic tile surfaces (Propriedades antimicrobianas de superfícies de ladrilhos cerâmicos) • WG9 Low modulus adhesives (Adesivos de baixo módulo de elasticidade) • WG10 Slip resistance (Resistência ao escorregamento) • WG11 Uncoupling membranes (Membranas de desacoplamento) Por delegação do IPQ o CTCV desempenha atualmente o papel de Organismo de Normalização Setorial (ONS) para vários domínios, assegurando a coordenação e o seguimento da atividade de seis Comissões Técnicas (CT) Nacionais de Normalização (Figura 2).

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Normalização

CT 189 – “Ladrilhos Cerâmicos” Normalização de pavimentos, revestimentos cerâmicos, adesivos de colagem, acessórios e regras de aplicação.

CT 176 – “Alvenarias” Normalização no âmbito dos produtos de alvenaria.

CT 139 – “Aparelhos Sanitários” Normalização no âmbito dos aparelhos sanitários. Normas funcionais e métodos de ensaio apropriados para todos os aparelhos sanitários, independentemente dos materiais de que são feitos. Características físicas e de higiene, normalização de cotas de ligação e ensaios sobre os materiais utilizados no fabrico dos aparelhos sanitários. Esta CT é responsável também pelos mecanismos de autoclismo, quando incorporados nos aparelhos.

CT 202 – “Louça Cerâmica Utilitária”

CT 118 – “Rochas Ornamentais”

CT 171 – “Sustentabilidade dos Edifícios” Normalização para avaliação integrada e comunicação da sustentabilidade dos edifícios, considerando o desempenho ao longo do seu ciclo de vida. Torres desenhadas pelo arquitecto italiano Stefano Boeri http://hiconsumption.com/2014/10/bosco-verticale-vertical-garden-apartments-in-milan-italy/

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Figura 2 – Comissões Técnicas (CT ) Nacionais de Normalização

Normalização no âmbito da louça utilitária e acompanhamento dos trabalhos a nível europeu e internacional.


Normalização

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CT-189 CT-139 CT-176

ONS CTCV

CT-202

CT-171 CT-118

CEN/TC 67 CEN/TC 339 ISO/TC 189

CT 189

CEN/TC 125

CT 176

CEN/TC 163

CT 139

CEN/TC 194

CT 202

CEN/TC 246

CT 118

CEN/TC 350

CT 171

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Figura 3 – CT's no âmbito da atividade do ONS/CTCV

ONS/CTCV e a interligação existente entre um Comité Técnico Europeu/Internacional e a Comissão Técnica Nacional.

Figura 4 – Interligação existente entre um Comité Técnico Europeu/Internacional e a Comissão Técnica Nacional

As CT's existentes no âmbito de atividade do ONS/ /CTCV surgem da necessidade de dar resposta a problemas de natureza técnico-industrial e da necessidade de maior informação e conhecimento sobre as normas vigentes nos vários Comités Técnicos do CEN e ISO por parte dos produtores, universidades, laboratórios, órgãos do governo, organizações de consumidores, entre outros. Para participar nestas CT's são convidados pelo ONS os fabricantes, e as entidades referidas, para que a partilha de informação e análise dos temas de interesse, possa resultar num maior conhecimento dos vários setores da cerâmica e vidro abrangidos. As CT's existentes reúnem na generalidade com periodicidade semestral, sendo realizadas duas reuniões/ /ano por cada uma das CT's. Nessas reuniões é analisada a informação vinda do CEN e ISO, nomeadamente os relatórios das reuniões realizadas a nível europeu e internacional, a informação trazida das reuniões pelos peritos dessas CT´s que participam nas reuniões do CEN. Nas reuniões são ainda compilados os pareceres de voto dos vogais das CT´s em resposta aos pedidos de votação enviados pelo ONS, os quais, uma vez constituído o parecer final da CT são enviados pelo ONS ao IPQ para votação formal no CEN. A participação dos vogais das CT's nas votações é de extrema importância, pois assim é possível defender com o consenso dos vários intervenientes a posição de Portugal quanto ao conteúdo técnico das normas. As Comissões Técnicas participam ainda no Plano de Normalização, ou seja o conjunto de intenções proposto anualmente pela Comissão Técnica de Normalização para a elaboração de documentos normativos portugueses. Desde a sua existência, o ONS e as CT's por si coordenadas têm tido um papel relevante, na elaboração de documentos normativos, podendo destacar-se a elaboração do “Manual de Alvenaria de Tijolo”, “Manual de Aplicação de Telhas Cerâmicas”, “Manual de Aplicação de Revestimentos Cerâmicos”. Mais recentemente é de destacar a elaboração da Norma Portuguesa NP 4555-1 – Louça Cerâmica Utilitária. Parte 1: Especificações. Esta norma, resultou da elaboração de um documento (anteprojeto de Norma Portuguesa) por parte da CT 202 – Louça Cerâmica Utilitária, que passou pelas fases de projeto, inquérito público e aprovação, até à obtenção de condições e procedimentos da normalização portuguesa. Depois de garantido que foram cumpridos os procedimentos aplicáveis, o ONN/IPQ aprovou o Projeto de Norma Portuguesa como NP, passando a integrar o acervo normativo nacional, o que ocorreu a 16 de janeiro de 2018. As Figuras 3 e 4 seguintes representam, respetivamente as CT's que funcionam no âmbito da atividade do


Normalização

A E – E

NORMALIZAÇÃO A CERTIFICAÇÃO – INDISSOCIÁVEIS DISTINTAS

por Marta Silva, Gestora de Processo da CERTIF – Associação para a Certificação

A NORMALIZAÇÃO E A CERTIFICAÇÃO DE PRODUTOS: UM MEIO DE DIFERENCIAÇÃO PARA COMPROVAR A QUALIDADE DO PRODUTO A normalização e a certificação estão juntas desde sempre, e não é possível dissociar uma atividade da outra. No entanto, existem diferenças entre ambas que importa destacar desde logo. Por definição, uma norma é um documento técnico aprovado por um Organismo de Normalização reconhecido, resultante de um processo que reuniu consenso, que fornece regras, linhas de orientação ou características

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aplicáveis a sistemas, produtos ou serviços, sob a forma de requisitos para uma utilização comum e repetida. O ponto de partida é baseado em resultados consolidados da ciência, da tecnologia e da experiência e visa a otimização dos benefícios para a comunidade em geral, face a problemas reais ou potenciais. São diversos os exemplos que encontramos no nosso quotidiano em como a normalização está presente, às vezes de forma impercetível, em aspetos tão simples como nas características dimensionais, por exemplo, de componentes elétricos e eletrónicos, de componentes para a indústria automóvel e aeronáutica, de eletrodomésticos e de cartões e de terminais de pagamento multibanco, em que os requisitos incluem, entre outros, permitir e assegurar uma utilização compatível, em qualquer que seja o seu destino de montagem ou utilização. Pela sua natureza, uma norma é um documento de aplicação voluntária pelos diferentes operadores. No entanto, pode tornar-se de cumprimento obrigatório se for referida num diploma legal ou num contrato entre parceiros. É justamente neste ponto, quer num contexto voluntário, quer num legal, que entra a atividade da certificação. Também por definição, a certificação é a atestação dada por um Organismo de Certificação, com base numa decisão decorrente de uma análise, que comprova que a conformidade de um sistema de gestão, de produtos, de serviços ou de pessoas com os requisitos especificados foi demonstrada, na maioria dos casos definidos numa norma. A certificação envolve uma avaliação da conformi-

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Normalização

dade, que inclui determinar, direta ou indiretamente, se um sistema, produto ou serviço cumpre com os aspetos técnicos relevantes aplicáveis. Pode incluir atividades como auditorias, inspeções, avaliações presenciais do desempenho, cliente-mistério e ensaios, numa avaliação sistemática, normalmente numa base anual, podendo ser reduzida ou alargada, em função do esquema de certificação. Esta avaliação da conformidade é efetuada por um Organismo de Certificação que é independente dos respetivos interesses da empresa e do utilizador e refletindo, assim, a certificação o desejo e a disposição da empresa em atingir um nível de qualidade e segurança reconhecido e aprovado. A certificação voluntária, nomeadamente a certificação de produtos, é um meio de diferenciação que promove a qualidade e o desempenho dos produtos utilizados no mercado. Destina-se, em especial, a criar a confiança essencial entre todas as partes interessadas no setor da construção. Vai além da mera conformidade com os requisitos regulamentares. Os trabalhos de construção devem ser adequadamente projetados, construídos de acordo com as regras estabelecidas e utilizar produtos e materiais selecionados usando critérios confiáveis. A certificação voluntária requer o envolvimento sistemático de uma organização de terceira parte. Dessa forma, garante a confiabilidade das características do produto, a sua adequação ao uso e fornece aos utilizadores, no sentido mais amplo (decisores, projetistas, designers, ou utilizadores finais), informações relevantes sobre os produtos e como eles devem ser usados em conjunto com outros produtos. No âmbito da certificação voluntária de produtos,

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o processo que leva à emissão de um certificado de conformidade de acordo com uma norma é uniforme, de modo a que, quando a marca de certificação é colocada num produto, significa que as mesmas regras foram seguidas. Para produtos certificados por Organismos de Certificação acreditados, como é o caso da CERTIF, a certificação voluntária pressupõe um processo de acompanhamento destinado a garantir que os níveis de desempenho certificados sejam mantidos após a certificação inicial. Cada Organismo de Certificação deve divulgar informações sobre os produtos que certifica, o que para além de permitir a verificação da autenticidade de um certificado, tranquiliza os compradores, e permite, também, que o desempenho dos produtos seja comparado numa base comum. O Organismo de Certificação que realiza a avaliação da conformidade/certificação também é, ele próprio, submetido a um processo de avaliação independente, pelo organismo de acreditação que verifica a sua conformidade com os requisitos correspondentes estabelecidos nas normas relevantes, tais como a EN ISO/IEC 17021-1, aplicável a organismos que procedem à auditoria e à certificação de sistemas de gestão, e a EN ISO/IEC 17065, aplicável a organismos de certificação de produtos, processos e serviços. A CERTIF está, atualmente, acreditada para a quase totalidade da sua atividade, nomeadamente para a certificação de produtos (onde se incluem as normas para as quais está notificada no âmbito do Regulamento dos Produtos de Construção), processos, serviços e sistemas de gestão da qualidade, ambiental, segurança alimentar e formação profissional. Por último, tendo por base as normas disponíveis, e dentro da diversidade da atuação dos diferentes Organismos de Certificação, tem sido possível celebrar acordos e obter o reconhecimento das atividades de certificação desenvolvidas. Em particular a CERTIF é membro do EUROCER-Building, Associação que agrupa os Organismos de Certificação europeus no sector da construção, membro do ETICS - European Testing Inspection Certification System, membro do IECEE - Worldwide System for Conformity Testing and Certification of Electrotechnical Equipment and Components, e é reconhecida como Empowered Body para a “Solarkeymark” – Produtos solares térmicos. Tem também acordos bilaterais em diversos países, designadamente Espanha, Brasil e Médio Oriente, que permitem aos fabricantes com certificação concedida pela CERTIF aceder a mercados internacionais.

SECTORES DE ATIVIDADE Desde o início da sua atividade a CERTIF assumiu o sector da construção como sendo de importância estratégica, tendo em conta a sua repercussão na economia nacional. Com recurso a um vasto leque de normas disponíveis,

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Normalização

a CERTIF tem uma larga gama de produtos da construção certificados, quer em Portugal quer no estrangeiro, sendo a sua certificação exigida em muitas situações. Com a aplicação do Regulamento dos Produtos de Construção em Portugal, Regulamento (UE) n.º 305/2011, muitas das empresas implementaram procedimentos para a avaliação e verificação da regularidade do desempenho e solicitaram a certificação do seu controlo da produção em fábrica de acordo com as normas harmonizadas disponíveis e publicadas no Jornal Oficial da União Europeia. Só desta forma lhes é possível emitir a declaração de desempenho e colocar a Marcação CE nos seus produtos e, desta forma, permitir a sua colocação no mercado de forma legal. A fim de garantir a fiabilidade e a exatidão da declaração de desempenho, o produto deve ser avaliado e a sua produção em fábrica deve ser controlada segundo um sistema adequado de avaliação e verificação da regularidade do desempenho. De acordo com o definido, podem ser escolhidos vários sistemas a aplicar a um determinado produto de construção a fim de ter em conta a relação específica de algumas das suas características essenciais com os requisitos básicos das obras de construção. A aplicação dos sistemas 1+, 1 e 2+ pressupõe o envolvimento de um Organismo Notificado. Neste contexto, em particular do Regulamento dos Produtos de Construção, a CERTIF está reconhecida como Organismo Notificado n.º 1328 para mais de 220 normas harmonizadas. É importante no entanto referir que, no contexto regulamentar, o fabricante assume a responsabilidade final pela conformidade do produto com os requisitos básicos e com as disposições do Regulamento (UE) n.º 305/2011, bem como com as normas harmonizadas a serem cumpridas. Destaca-se assim, uma vez mais, o importante papel da normalização na garantia da qualidade dos produtos, equipamentos e sistemas, na diminuição dos erros, na redução dos custos, em permitir que os fabricantes cumpram com a legislação europeia e nacional, facilitando a entrada em novos mercados. Neste patamar de exigência que a CERTIF tem vindo a apoiar as empresas, algumas delas evoluindo para a certificação voluntária, obtendo a Marca CERTIF – Produto Certificado, quer de forma direta, quer através das suas Associações representativas, oferecendo-lhes igualmente a possibilidade de certificarem os seus Sistemas de Gestão, numa lógica também de otimização dos seus processos e de organização interna dos seus recursos.

A PARTICIPAÇÃO DA CERTIF NAS COMISSÕES TÉCNICAS DE NORMALIZAÇÃO

associação de direito privado, sem fins lucrativos. Disponibiliza um conjunto alargado de serviços de certificação e avaliação da conformidade, nomeadamente na área da certificação de produtos, processos e serviços, certificação de sistemas de gestão e certificação de pessoas. É constituída por 27 associados, entre associações empresariais e laboratórios, representativos de diversos sectores económicos, nomeadamente a APICER – Associação Portuguesa da Indústria Cerâmica. Neste contexto, e como parte interessada no desenvolvimento e manutenção de normas, participa em diversas Comissões Técnicas de Normalização, promovidas pelo IPQ – Instituto Português da Qualidade, enquanto Organismo Nacional de Normalização em Portugal. A lista seguinte inclui exemplos de algumas das Comissões Técnicas de Normalização onde a CERTIF participa como membro nos trabalhos desenvolvidos. CT 012 – Aços e ferros fundidos CT 054 – Coletores solares CT 080 – Gestão da qualidade e garantia da qualidade CT 096 – Revestimentos de impermeabilização betuminosos CT 148 – Transportes - Logística e serviços CT 155 – Equipamento para estradas CT 169 – Atividades de Investigação, Desenvolvimento e Inovação (IDI) CT 171 – Sustentabilidade nos edifícios CT 189 – Ladrilhos cerâmicos CT 202 – Louça cerâmica utilitária O mais recente envolvimento da CERTIF manifestou-se na participação, desde o seu início, nos trabalhos da CT 202 – Louça cerâmica utilitária, presidida pelo CTCV, e que envolveu peritos do IPQ, do CTCV, da APICER, do CENCAL, Instituto Politécnico de Leiria e da Universidade de Aveiro. O objetivo foi definir os requisitos específicos para a louça cerâmica utilitária tendo em consideração as especificidades funcionais do produto (chama, forno e mesa), as especificidades do material (porcelana, grés, faiança e barro cozido), as normas internacionais aplicáveis e o nível técnico da indústria nacional. A norma desenvolvida e entretanto publicada, NP 4555-1:2018, define os requisitos da louça cerâmica utilitária para uso doméstico (louça doméstica) e de hotelaria (louça de hotel), podendo servir de base para a certificação de produto. Este exemplo, entre outros, realça o impacto da normalização como ferramenta estratégica ao serviço das organizações, e permite despertar para o envolvimento de todas as partes interessadas no processo de normalização. Afinal, tal como o próprio nome indica, todos somos parte interessada, de algum modo.

A CERTIF – Associação para a Certificação é um Organismo de Certificação Nacional, com o estatuto de

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Normalização

O MUNDO DA NORMALIZAÇÃO

por Nuno Pargana, Project Manager – Manufacturing - Standardization & Digital Solutions e Gonçalo Ascensão, Customer Service Specialist (CSS) – – Manufacturing – Standardization & Digital Solutions, Comité Europeu de Normalização (CEN) e Comité Europeu de Normalização Eletrotécnica (CENELEC)

Quão diferente seria a Europa se cada país usasse diferentes tipos de gasolina, se o seu cartão SIM não funcionasse do outro lado da fronteira na Espanha, se não pudesse ter a certeza que a sua casa era construída com material seguro, ou que a comida que comêssemos não contivesse substâncias químicas perigosos? Seria caótico para todos os cidadãos e a vida diária das empresas e dos consumidores seria muito mais complicada. As normas estão ao nosso redor, embora muitas vezes não o percebamos. Uma norma é um documento que define os requisitos para um item, material, componente, sistema ou serviço específico, ou que descreve em detalhes um teste específico ou procedimento específico. As normas facilitam o comércio internacional, garantindo a compatibilidade e a interoperabilidade de componentes, produtos e serviços. Um exemplo de uma norma amplamente utilizada é o tamanho A4 para folhas de papel, ou usando a mesma largura de linhas de comboio. Os benefícios das normas europeias para empresas e consumidores são numerosos. Com uma norma implementada em 34 países e outros mais, os produtos podem expandir seu potencial de mercado com menores custos de desenvolvimento e testes. Alguns exemplos do que as normas podem fazer por nós: • As Normas aumentam a segurança dos produtos • As Normas incentivam economias de escala • As Normas permitem que os fabricantes cumpram a legislação europeia • As Normas promovem a interoperabilidade de produtos e serviços • As Normas facilitam a compreensão da inovação no mercado • As Normas incentivam maior competição • As Normas facilitam o comércio diminuindo as barreiras comerciais • As Normas apoiam a sustentabilidade ambiental

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• As Normas refletem o resultado da pesquisa e do desenvolvimento • As Normas promovem o entendimento comum

ORGANIZAÇÕES EUROPEIAS DE NORMALIZAÇÃO O Comité Europeu de Normalização (CEN) e o Comité Europeu de Normalização Eletrotécnica (CENELEC) são organizações europeias de normalização (OEN) sem fins lucrativos, estabelecidas no direito belga, que reúnem os organismos nacionais de normalização (ONNs) de 34 países – incluindo todos os estados-membros da União Europeia (UE) e outros países que fazem parte do Mercado Único Europeu. Juntamente com o terceiro OEN, o Instituto Europeu de Normas de Telecomunicações (ETSI), o CEN e o CENELEC são oficialmente reconhecidos pela UE ao abrigo do Regulamento 1025/2012 relativo à normalização europeia e da Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA) como responsáveis pelo desenvolvimento e definição voluntários de Normas Europeias (ENs).

SISTEMA DE NORMALIZAÇÃO NA EUROPA O sistema de normalização na Europa baseia-se nos pilares nacionais, que são os Organismos Nacionais de Normalização (ONN) e os Comités Nacionais Eletrotécnicos (CNs), que são membros do CEN-CENELEC. Um ONN / NC é a porta de entrada para todas as partes interessadas e é o principal ponto de acesso ao sistema de normalização regional (Europeia) e internacional (ISO). Uma norma europeia (EN) é um documento que foi ratificado por um dos três OEN e que obriga à sua implementação como uma norma nacional idêntica e à retirada de normas nacionais conflituantes (nos diferentes membros). Portanto, uma EN torna-se automaticamente uma norma nacional em cada um dos 34 países membros do CEN-CENELEC. O Instituto Português da Qualidade (IPQ) é o membro português do CEN-CENELEC e é res-

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Normalização

ponsável pela distribuição e venda das normas europeias e pela retirada de normas nacionais conflituantes. O CEN e o CENELEC apoiam a normalização nos setores dos Produtos Químicos, Construção, Bens de Consumo, Defesa e Segurança, Sociedade Digital, Eletrotécnica, Energia e Utilidades, Alimentação e Agricultura, Prestação de Cuidados de Saúde, Saúde e Segurança, Eletrodomésticos, Máquinas, Mineração e Metais, Serviços e Transporte. Um número crescente de sectores está a ser tratado tanto pelo CEN como pelo CENELEC no âmbito das suas atividades conjuntas. Estes incluem acessibilidade, veículos elétricos, redes inteligentes, TIC, equipamentos médicos, segurança de máquinas e ferrovias. A sua rede envolve federações de negócios, organizações comerciais e de consumidores, grupos ambientais e outros stakeholders da sociedade. Mais de 60.000 especialistas técnicos da indústria, investigação, universidades e de outras origens estão diretamente envolvidos no trabalho do CEN e do CENELEC. O CEN e o CENELEC desempenham um papel crucial no mercado único europeu, colmatando o fosso entre as expectativas regulamentares e as necessidades do mercado, apoiando a livre circulação de mercadorias na UE e no Espaço Económico Europeu.

mais eficaz do que escrever leis detalhadas para garantir que os produtos e serviços atendam aos requisitos legais. As Normas são guiadas pela actividade comercial e elaborados por especialistas na área. Uma proposta pode ser apresentada por qualquer parte interessada – a maioria são os ONN e, no que diz respeito à legislação europeia, a Comissão Europeia (CE) e a EFTA. Na construção do consenso europeu, indústrias, federações de comércio, autoridades públicas, academias e representantes de ONNs são convidados a contribuir para o processo de normalização. É esta participação aberta, que representa a força da normalização europeia. Uma vez recebida uma proposta para uma EN, o Comité Técnico (CT) do CEN ou do CENELEC competente toma uma decisão sobre a adoção da proposta. Um projeto de normalização é distribuido a um dos Grupos de Trabalho para o esboço da norma. Se a proposta envolve um novo campo de normalização, o Conselho Técnico do CEN

COMO PODEMOS PARTICIPAR? Um vasto leque de stakeholders pode participar nas atividades de normalização a nível nacional e europeu. Estes stakeholders incluem representantes das empresas e da indústria (incluindo PME); organizações de consumidores; entidades profissionais; associações sectoriais; organismos de certificação, de teste e de inspeção; organizações ambientais e societárias; autoridades públicas e organismos de regularização, associações comerciais nacionais e europeias, sindicatos, estabelecimentos de ensino e organizações de investigação. A participação pode ser feita através de ONNs / NCs, como o IPQ, ou através de órgãos afiliados. A participação no processo permite que os stakeholders tenham uma palavra no conteúdo e antecipem quaisquer mudanças nas normas do seu setor. Os stakeholders podem influenciar o conteúdo das normas que apoiam a implementação de regulamentos e políticas europeias.

O PROCESSO DE NORMALIZAÇÃO As Normas são desenvolvidas e definidas através de um processo de compartilha de conhecimento e construção de consenso entre especialistas técnicos nomeados pelas partes interessadas e outros stakeholders – incluindo a indústria, empresas, consumidores e grupos ambientais, entre outros, dos 34 países membros. Muitas normas são desenvolvidas para apoiar a legislação da UE – referenciar as normas num texto legislativo é visto como um meio

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Normalização

/ CENELC toma a primeira decisão e depois encaminha o trabalho para um Comité Técnico (CT) novo ou existente. Depois do rascunho do EN estar preparado, será divulgado para comentários públicos, onde qualquer parte interessada (por exemplo, fabricantes, autoridades públicas, etc.) poderá comentar o rascunho. Estes comentários são analisados pela CT e, considerando os resultados desta análise, uma versão final é então elaborada e submetida aos membros do CEN-CENELEC para votação formal. Após a ratificação pelo CEN e pelo CENELEC, cada ONN adota a EN como norma nacional e retira qualquer norma nacional que entre em conflito com a nova EN. Portanto, uma EN torna-se a norma nacional em 34 países.

NORMAS HARMONIZADAS EUROPEIAS Uma norma harmonizada "é uma norma europeia elaborada com base num pedido da Comissão Europeia a uma Organização Europeia de Normalização reconhecida (CEN, CENELEC ou ETSI) para desenvolver uma norma europeia que forneça soluções para o cumprimento de uma disposição legal. Tal pedido fornece diretrizes, que devem ser respeitadas pelas normas, para atender aos requisitos essenciais ou outras disposições da legislação harmonizada da União Europeia. O cumprimento das normas harmonizadas permite presumir a conformidade com os requisitos correspondentes da legislação de harmonização. Os fabricantes, outros operadores económicos ou organismos de avaliação da conformidade podem utilizar normas harmonizadas para demonstrar que os produtos, serviços ou processos cumprem a legislação pertinente da UE.

O SETOR DA CONSTRUÇÃO Em termos do setor da construção, a maior parte do trabalho do CEN envolve o desenvolvimento de ENs harmonizadas para avaliar o desempenho de produtos de construção e desenvolver os requisitos dos testes e/ou cálculos necessários deles de acordo com o Regulamento de Produtos de Construção – RPC (Regulamento 305/2011) e cumprir os regulamentos nacionais de construção. Utilizando as ENs harmonizadas, o fabricante poderá fazer a declaração de desempenho (DdD) do seu produto conforme definido no RPC e fazer a marcação CE. Elas são, portanto, capazes de usar uma base mais ampla de fornecedores externos, e os clientes são mais propensos a aceitar um produto ou serviço em que possam confiar. O Regulamento dos Produtos de Construção (Regulamento 305/2011) substituiu a Diretiva dos Produtos de Construção a partir de julho de 2013. O presente regulamento estabelece expressamente no seu Artigo 4.º que, quando um produto de construção é abrangido por uma norma harmonizada, o desempenho deste produto deve

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ser avaliado antes de colocação do produto no mercado, emitindo uma “Declaração de Desempenho” (DdD). Cada fabricante tem de saber quais as características que são regulamentadas a nível nacional e que precisam de ser declarados na DdD para efeitos da marcação CE. A marcação CE, juntamente com a DdD associada, pode diferir de país para país, porque as características de desempenho regulamentadas são diferentes de país para país. A DdD tem de ser feita utilizando os métodos de avaliação incluídos nas normas europeias harmonizadas relevantes, em conjunto com o Anexo ZA (Anexo ZZ no caso das normas CENELEC). O anexo ZA das normas harmonizadas ao abrigo do RPC inclui as características essenciais que: • estão regulamentadas em pelo menos um Estado-Membro; • foram notificadas à CE pelos Estados-Membros; • foram identificadas num mandato; • e, portanto, têm que ser mencionadas no DoP. Estas disposições do RPC implicam que a utilização voluntária de normas harmonizadas é posta em causa e pode, em alguns casos, constituir um desvio do princípio da Nova Abordagem. No entanto, os requisitos de estabelecer uma DdD quando um produto de construção é abrangido por uma norma harmonizada estão sujeitos a isenções, conforme definido no artigo 5.º (Derrogações à elaboração de uma DdD) do Regulamento UE 305/2011 relativo a produtos de construção. Além disso, o artigo 37.º (para as microempresas) e o Artigo 38.1 (produtos fabricados individualmente ou feitos sob medida num processo não-série) do Regulamento n.º 305/2011 relativo aos produtos de construção preveem procedimentos simplificados que permitem a utilização de métodos diferentes daqueles contidos na norma harmonizada aplicável. Outras áreas de atividade no setor da construção são o desenvolvimento de métodos de avaliação para a libertação de substâncias perigosas que apoiarão o cumprimento dos Requisitos Básicos para Obras (RBOC) sob o Regulamento de Produtos de Construção (RPC - 305/2011). O CEN / TC 351 "Produtos de Construção – Avaliação da libertação de substâncias perigosas" continuará a desenvolver Especificações Técnicas abordando aspetos como a análise de substâncias inorgânicas. O CEN / TC 351 também continuará a validação dos métodos de teste para a lixiviação para o solo, águas subterrâneas e águas superficiais. Da mesma forma, o CEN / TC 350 'Sustentabilidade das obras de construção' irá rever ainda mais as suas Normas Europeias, que fornecem uma abordagem normalizada para a entrega de informações ambientais sobre produtos de construção, a avaliação do desempenho ambiental, social e económico de edifícios e obras de engenharia civil e, mais geralmente, o desempenho de sustentabilidade das obras de construção.

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Normalização

O trabalho será preparado em resposta à alteração do mandato M/350, e o foco durante 2018 será a finalização da EN 15804 "Declarações de produtos ambientais - Regras de categorias de produtos". Os principais stakeholders que dirigem o trabalho neste sector são os fabricantes, associações industriais nacionais / europeias, laboratórios e organismos notificadores, engenheiros, projetistas de estruturas, a comunidade científica e a Comissão Europeia.

NORMAS PARA A INDÚSTRIA CERÂMICA O CEN possui 12 Comitês Técnicos (CT's) que desenvolvem normas estabelecendo requisitos e métodos para testar o desempenho de produtos cerâmicos. Nestes CTs foram desenvolvidos aproximadamente 300 normas para a indústria cerâmica, incluindo EN harmonizada para produtos de construção cerâmicos. O CEN/TC 67 atua no desenvolvimento de normas para ladrilhos cerâmicos, bem como produtos para a instalação de revestimentos cerâmicos. O CEN/TC 88 / Grupo de Trabalho (WG) 10 é responsável pelos padrões de materiais isolantes, incluindo produtos agregados leves de argila expandida. O CEN/TC 125/WG 1 reúne especialistas para trabalhar em normas de unidades de alvenaria e unidades de cerâmica. O CEN/TC 128/Subcomitê (SC) 3 é responsável pelo desenvolvimento de normas para telhas cerâmicas e acessórios. Os especialistas do CEN/TC 163/WG3 estabelecem normas para os requisitos de desempenho e os métodos de teste para as sanitas, lavatórios, urinóis, e bidés das instalações sanitárias. Os especialistas do CEN/TC 165/WG2 preparam normas para tubos e conexões de argila vitrificada para sistemas de descarga, drenos e esgoto. O CEN/TC 166 é responsável pela normalização das chaminés e seus componentes com revestimento interno de argila / cerâmica. O CEN/TC 178/WG3 é ativo no desenvolvimento de normas de unidades de pavimentação e lancis. O CEN/TC 184 trabalha no campo da normalização da cerâmica técnica avançada. O CEN/TC 187 prepara a classificação, métodos de teste e amostragem para produtos e materiais refratários, incluindo produtos moldados e não-moldados e fibras cerâmicas. Os especialistas do CEN/TC 194/WG 3 desenvolvem principalmente normas de teste para utensílios de mesa não metálicos, incluindo artigos cerâmicos. No CEN/TC 297/WG 4 os especialistas estão envolvidos na normalização no campo de chaminés independentes para aplicações industriais e de serviços públicos.

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DIMENSÃO INTERNACIONAL A fim de atingir o objetivo de "uma norma, um teste, aceite em todo o lado", o CEN e o CENELEC apoiam ativamente a normalização internacional, cooperando estreitamente com a Organização Internacional de Normalização (ISO) e a Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC). Em março de 2018, o CEN incluiu no seu catálogo 16664 publicações, das quais 33% (5452 publicações) eram idênticas às publicações da ISO. Do lado do CENELEC, das 7276 publicações, 80% (5274 publicações) eram idênticas ou baseadas em publicações da IEC. Apoiando os seus objetivos de cooperação internacional, o CEN e o CENELEC estão envolvidos numa variedade de projetos que respondem a necessidades específicas e podem abranger atividades como o apoio ao desenvolvimento de uma infraestrutura regional de qualidade sólida, a promoção do Sistema Europeu de Normalização (ESS) e a melhoria dos diálogos estratégicos e técnicos relacionados com a normalização com os principais parceiros da Europa em todo o mundo. Por exemplo, no contexto do desenvolvimento do Comércio Livre da Área Africana Continental (CFTA), o CEN e o CENELEC continuam a trabalhar com a Organização Africana de Normalização (ARSO) e a Comissão Africana de Normalização Eletrotécnica (AFSEC) na finalização e implementação da sua estratégia de normalização. Isto visa fomentar o desenvolvimento económico em África, desenvolvendo uma infraestrutura de qualidade forte. Fora dos 34 países membros, os ONNs podem ter o estatuto de Afiliado, de Entidade Associada de Normalização (CSB) ou acordos de cooperação com o CEN e/ou CENELEC. Isso inclui países tão próximos quanto a Albânia e Marrocos, até a Suazilândia, Jamaica, Malásia e Nova Zelândia Através destas parcerias, o CEN e o CENELEC promovem a harmonização técnica através da adoção de normas idênticas e promovem a experiência bem-sucedida do modelo de normalização europeu noutras regiões. Em 2017, 6112 ENs foram adotados em todo o mundo A Figura 1 mostra o número de ENs para produtos cerâmicos de diferentes CEN / CT que foram adotados por ONNs fora do quadro de membros do CEN no final do primeiro trimestre de 2018. O CEN e o CENELEC também assinaram Memorandos de Entendimento (MoUs) com outras organizações regionais de normalização, onde ajudam a trocar boas práticas e reunir especialistas relevantes em torno de questões de interesse mútuo.

OLHANDO PARA O FUTURO… O CEN e o CENELEC delinearam as suas ambições para 2020, denominadas "Ambições 2020", em consonância com a Comunicação da Comissão Europeia "EUROPA

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Figura 1 –Número de ENs adotadas de productos cerâmicos pelos ONNs (fora do CEN)

Normalização

2020 – Uma estratégia para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo" (COM (2010) 2020). Ambições 2020 reflete o compromisso do CEN e do CENELEC de contribuir ativamente para o reforço do crescimento e da competitividade da Europa através de um sistema de normalização sólido e sustentável que cria valor acrescentado para a economia europeia O CEN e o CENELEC têm seis metas a alcançar até 2020: aumentar a influência global através de maior coerência e cooperação com a ISO e IEC, sendo os parceiros de normalização preferidos de negócios e indústria globalmente e estabelecendo parcerias estratégicas a nível internacional e regional com as principais contrapartes estrangeiras; relevância regional através do envolvimento dos stakeholders e do desenvolvimento de normas harmonizadas; maior reconhecimento pelos utilizadores, fabricantes, reguladores e pela sociedade, por meio do reconhecimento e desenvolvimento de acordo com as necessidades do setor; uma rede de excelência, fornecendo soluções e serviços de qualidade, bem como conhecimentos e experiência especializados; o apoio, pesquisa e desenvolvimento de inovação e crescimento; e um sistema de normalização sustentável por meio de modelos de negócios que evoluem dentro de um ambiente de rápidas mudanças. A digitalização de processos, os sistemas e cadeias

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de fornecedores estão a transformar a indústria europeia e a vida dos consumidores europeus. Setores tradicionais da economia estão a utilizar cada vez mais tecnologias digitais e isso significa que os stakeholders do setor do CEN e do CENELEC estão buscando apoio, incluindo soluções de normalização de fornecedores reconhecidos e confiáveis. Os stakeholders esperam soluções de normalização de fornecedores reconhecidos e confiáveis que lhes permitam integrar uma gama de novas tecnologias nos seus negócios. O CEN e o CENELEC continuam com projetos-chave, incluindo a liderança conjunta com o ETSI na Ação 14 "Normalização para apoiar a digitalização da indústria" da "Iniciativa Conjunta sobre Normalização" e no seguimento da resposta conjunta com o ETSI à Comunicação da CE sobre «Prioridades de normalização do TIC para o mercado único digital». Para garantir uma resposta flexível e atempada, apoiada pela normalização europeia, o CEN e o CENELEC adotaram um Plano Estratégico para a Transformação Digital com dois focos principais: • fazer normas para a economia digital • transformar digitalmente o CEN e o CENELEC Para atender às prioridades definidas no plano, projetos-piloto de apoio foram lançados em 2018: • Normalização on-line - envolvendo a ISO e a IEC

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Normalização

para desenvolver um ambiente comum, simples e fácil de usar para a criação colaborativa eficiente de normas, garantindo a entrega atempada ao mercado. • Normas de Conteúdos do século XXI – com base em iniciativas para fornecer normas de formato XML (nacional, europeu e internacional) para permitir a exploração flexível do conteúdo das normas, aplicativos definidos pelo cliente e atividades downstream, incluindo conformidade inteligente e marcação CE inteligente. • Transformação digital do CEN e do CENELEC – – adaptando os processos de tomada de decisão e de desenvolvimento para atender às mais recentes práticas comerciais, para dar aos stakeholders respostas de normalização ágeis e flexíveis com interfaces atualizadas, entrega de informação e canais de comunicação. • Estabelecer alianças estratégicas – identificação e parceria com organizações que podem apoiar a entrega

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de soluções de normalização para a indústria, incluindo plataformas nacionais (por exemplo, Industrie du Futur, Plattform Industrie 4.0) e parcerias público-privadas como a Aliança para Inovação da Internet das Coisas (AIOTI), a Organização Europeia de Segurança Cibernética (ECSO) e a Big Data Value Association (BDVA). • Explorar a inovação em código aberto – identificando oportunidades de normalização para apoiar a aceitação do mercado de "código aberto"; conectando atividades de normalização e código aberto para alavancar forças e sinergias complementares, maximizando a inovação e a eficiência e minimizando o tempo de lançamento no mercado. • Cativando a próxima geração – atrair especialistas digitais e nativos digitais para a normalização, trazendo novas tecnologias e inovações próximas do mercado, e apoiando o renascimento da indústria europeia.

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Entrevista

Kéramica – No ano em que a empresa comemora os 30 anos, conte-nos um pouco da sua história? Os seus fundadores, motivos de origem? ANTÓNIO ROSA CERÂMICAS – A António Rosa – Cerâmicas Lda. tem no seu nome a imagem indissociável do mestre ceramista António Rosa, que desde os anos 50 do Sec XX consolidou a sua mestria na pintura da louça de Alcobaça na empresa Raul da Bernarda. Nesses tempos áureos da cerâmica enveredou pela constituição da sua própria empresa em sociedade com dois sócios que em 1965 fundaram a Facerama – Cerâmica Decorativa. Em 1988 decide abandonar a sociedade e cria uma nova empresa juntamente com os seus três filhos: Noel Domingues, Fernando Henriques e Carlos Domingues. Nesse ano nasce a António Rosa – Cerâmicas Lda, com o nome que os seus filhos quiseram homenagear e perpetuar na consolidação dum nome e dum prestigio numa empresa de referência na região de Alcobaça. Num período onde proliferavam as empresas de cerâmica pela procura intensa de produto, a exportação para todos os mercados mundiais faziam da indústria cerâmica um setor altamente produtivo, em expansão e com nome e prestígio, mas de procura essencialmente de produto barato. Com o avançar dos anos e o aparecimento de novos países produtores de mão-de-obra mais barata, a cerâmica portuguesa começa a ressentir-se e o encerramento de uma grande percentagem de empresas devido a ausência de marca própria, à dependência de agentes dominadores e de clientes pouco fidelizados, originam o fim dos tempos áureos de anos anteriores. A António Rosa – Cerâmicas Lda. atenta a essa situação começa a delinear novas estratégias, iniciando um novo processo de valorização da sua imagem, do seu produto e de melhor conhecimento dos canais de distribuição, tentando eliminar a influência e dependência de agentes. A aposta no design e em novas técnicas de decoração é fundamental para um mercado cada vez mais exigente. No início do ano 2000 dá-se início a toda uma restruturação baseada numa análise interna profunda de

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António Rosa

ENTREVISTA À GERÊNCIA DE ANTÓNIO ROSA CERÂMICAS, LDA

melhoria da produtividade, e é definida como estratégia principal o desenvolvimento agressivo de linhas de acessórios de banho, de forma a liderar o mercado nesse tipo de produto e ser reconhecida internacionalmente como fabricante de referência. Essa estratégia fez com que ainda hoje a António Rosa seja reconhecida como tal. Na procura de novos mercados e novos clientes a empresa participa durante 3 anos em seis Feiras Internacionais de Frankfurt onde consegue alargar a divulgação dos

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Entrevista

António Rosa Cerâmicas – Zara Home

seus produtos em mercados tão diversos como o Dubai, Grécia e Estados Unidos em paralelo com os mercados europeus tradicionais. Mas a situação da cerâmica portuguesa, pela forte concorrência asiática, agrava-se, e a António Rosa sempre atenta ao oscilar das situações e num sentido constante de antecipação, decide nova estratégia, criando em 2002 a marca KONSENSUAL by António Rosa de forma a explorar o mercado nacional com venda direta às lojas, que até aí era ignorado pela maioria das empresas nacionais. Com a mesma marca e com o objetivo de alargar ao mercado francês a mesma comercialização mais directa, participa 3 vezes na Feira Maison et Objet de Paris, conseguindo um distribuidor que vende a nova marca em toda a França Na continuidade das incertezas e inseguranças que levam mais empresas ao encerramento ou redução de efectivos, a António Rosa define uma nova estratégia que se vai tornar crucial na manutenção da sua estrutura e passar incólume aos problemas do setor. Define que deve ter um grande parceiro de nível mundial, fidelizado, que garanta um mínimo de 30% da produção. Numa busca de mercado e análise aprofundada, a António Rosa consegue entrar na

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prestigiada marca Zara Home que desde 2004 tem assegurado cerca de 25% da produção, possibilitando a restante para clientes de mais valor acrescentado e possibilidade de introdução em nichos de mercado. Em 2009 cria uma nova marca, PORTUGAL CERAMICS, e novos produtos específicos para o mercado turístico das lojas de “souvenirs” principalmente do Algarve e de Lisboa. Com este produto colmata a falha dos clientes e mercados habituais contribuindo mais uma vez para a estabilidade da empresa. Mostrar o que se faz e principalmente quando se faz bem, contribui para o reforço da imagem duma empresa, duma cidade, dum país. Nova estratégia iniciada em 2011, em parceria com agências de viagens, permitindo a visita de turistas à fábrica. Toda a empresa é reestruturada para adaptar a perfeita visualização de todo o processo produtivo e dessa forma divulgar uma região, uma arte. O sucesso é o resultado, os visitantes ficam encantados ao lhes ser permitido ver as mãos hábeis e delicadas que tornam a terra em peças de arte. Na continuidade do empreendorismo que a caracteriza, e sempre no sentido de estar em sintonia com o desenvolvimento dos mercados, é definida uma nova estratégia em 2014 com a criação duma marca de luxo e de design para um segmento de mercado alto. Nasce a BYFLY. Com esta marca, pela exclusividade que representa, a António Rosa passa a exportar para outros mercados totalmente fora das rotas tradicionais. Mongólia, China, Libano são alguns exemplos. Kéramica - O facto da António Rosa Cerâmicas, ser uma empresa familiar constitui fator de dificuldade na gestão, ou a inclusão de novas gerações tem contribuído para adicionar novas aptidões, competências e mais-valias ao nível da gestão e da produção? ANTÓNIO ROSA CERÂMICAS – As mudanças numa empresa familiar são sempre situações de alguma insegurança e incerteza. A passagem de liderança a uma nova geração representa um desafio em que apenas os fortes sobreviverão. A capacidade familiar de ultrapassar inúmeras crises ao longo duma vida, criou as defesas próprias para que com toda a frontalidade e segurança esta nova fase seja apenas um pequeno momento da sua história e a continuidade duma vida prolongar-se-á seguramente por muitos mais anos. Kéramica – Quantas pessoas empregam atualmente? Como caracteriza a produção do António Rosa Cerâmicas? ANTÓNIO ROSA CERÂMICAS – Empregamos no momento 75 pessoas. Produzimos faiança: 95 exportação (40% linhas de banho, 30% acessórios para enchimento de cera, 20% decorativo, 10% linha turística). Kéramica – A empresa tem várias marcas, António Rosa, Konsensual, Portugal Ceramics e Byfly, o que as distingue?

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Entrevista

ANTÓNIO ROSA CERÂMICAS – ANTÓNIO ROSA: marca base de exportação, quantidade (acessório de banho); Konsensual: linha decorativa para exportação Portugal Ceramics: linha turística Byfly: marca de luxo e de design Kéramica – Em 2017 a Byfly foi premiada com dois German Design Awards. Estão a apostar no design, ou também na inovação técnica e na investigação de novos materiais? ANTÓNIO ROSA CERÂMICAS – Sempre no Design, inovação técnica sempre disponíveis, mas dependentes de fornecedores. Novas matérias: a introdução do fabrico de grés será um próximo desafio a considerar.

Kéramica – No universo e raio de ação da APICER, partilha a visão de que o associativismo poderá contribuir para a união de todo um setor da Indústria Cerâmica e da Cristalaria? ANTÓNIO ROSA CERÂMICAS – A mentalidade que caracteriza o Povo Português, difere do papel do associativismo. Apenas nas desgraças nos unimos. Ao longo dos anos, a nossa experiência no associativismo, resume-se a ter que conviver com imensos intelectuais que se autopromovem e que sabem tudo. Não se ouve, não se analisa, e as decisões quando tomadas, é tarde. Kéramica – Uma palavra sobre o papel da APICER? ANTÓNIO ROSA CERÂMICAS – Temos estado muito afastados. Não temos opinião. Kéramica – O que falta ainda fazer pela Indústria que representamos e, especificamente no subsetor onde atua? ANTÓNIO ROSA CERÂMICAS – Mais do que um setor, a preocupação é o País e toda uma estratégia que o deve caracterizar. Por vezes o nosso empreendorismo esbarra na indiferença, no desconhecimento e acima de tudo na falta de respeito por quem faz da vida um “fazer acontecer”. Se o País estiver bem, bem organizado e bem dirigido, tudo o resto estará seguramente bem. Infelizmente a gestão do País tem estado entregue a pessoas “pouco sérias” que o empreendorismo privado terá que alimentar.

MERCADO EXTERNO

Kéramica – Em 2017, as exportações de produtos cerâmicos alcançaram novo máximo histórico. O valor das exportações na Cerâmica ascendeu os 714 milhões de euros, o mais elevado de sempre. Mas para chegarmos até aqui houve um longo caminho que teve de ser percorrido. Como encara hoje estes números no que respeita ao setor da cerâmica utilitária e decorativa? ANTÓNIO ROSA CERÂMICAS – Acreditamos

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A n t ó n i o R o s a C e r â m i c a s – B y f l y, C i r c u s

ASSOCIATIVISMO

que esse valor se deve à mão-de-obra barata. Infelizmente existe escravidão salarial no nosso setor. Somos empresários e não temos problemas em dizer que o salário mínimo deveria ser de 700 euros já. Como é que um casal em que ambos trabalham numa fábrica sobrevivem com 2 salários mínimos? É uma vergonha. Gostaríamos de pagar mais, deveríamos pagar mais, mas deveríamos estar todos no mesmo setor com as mesmas regras. Um verdadeiro empresário, conseguiria ultrapassar as dificuldades de ter que suportar ordenados dignos. Claro que não poderíamos pagar a eletricidade aos preços que pagamos, por exemplo. Talvez que o Diretor da Edp começasse a ter um salário “normal” para o cargo que ocupa, por exemplo. Kéramica – A vertente da Internacionalização é uma prioridade da António Rosa? Para que mercados externos exportam atualmente e em que números? ANTÓNIO ROSA CERÂMICAS – Sem exportação não é possível a dimensão que a indústria cerâmica tem neste momento em Portugal. Esse é sempre o principal objetivo de estratégia comercial. Exportamos para toda a Europa Comunitária, e no caso da Byfly para China, Mongólia, Brasil, EUA, Líbano, Dubai, Tailândia, Rússia, etc.

Entrevista . Kéramica . p.27


António Rosa Cerâmicas – Konsensual, Florest

Entrevista

Kéramica – O mercado europeu e norte-americano têm possibilidade para aumentar as exportações de cerâmica portuguesa ou é necessário aumentar a aposta em novos mercados? ANTÓNIO ROSA CERÂMICAS – A aposta tem que ser constante. Mas hoje, os resultados são, infelizmente, dependentes de tantos fatores externos que não prevemos nem controlamos (políticos principalmente). Kéramica – Sentiram que o crescimento da procura de produtos nacionais resultou, em boa parte, da adoção do direito anti-dumping sobre a importação de artigos fabricados na China? ANTÓNIO ROSA CERÂMICAS – Mais na linha utilitário o que, por arrasto, atingiu também o sector decorativo.

INDÚSTRIA 4.0

Kéramica – Considera que o futuro próximo será mesmo caminharmos da produção de bens para a produção de serviços? ANTÓNIO ROSA CERÂMICAS – Não necessariamente. Portugal deve apostar na produção de serviços, até pelas características do país, em termos de clima, paisagens, alimentação... "Portugal está na moda" enquanto destino de férias, no entanto, nós, Portugueses também sabemos "fazer" e sabemos "fazer bem”! Na nossa opinião haverá sempre lugar para a produção de bens, para quem se atualizar, quem inovar, quer em termos de imagem da empresa/marca, quer em termos de produto, para quem respeitar o cliente, fornecedor e colaborador, para quem se tenta superar a cada dia! Aliás, para quem melhorar o seu "serviço" na venda do bem que "produz"!

SUSTENTABILIDADE E QUESTÕES ENERGÉTICAS

Kéramica - Continua a ser necessário reduzir o

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custo da energia para tornar a Indústria Cerâmica mais competitiva? ANTÓNIO ROSA CERÂMICAS – Sem dúvida. Recordo o que a classe política e governante nos “vendia” há alguns anos atrás: “o problema do nosso País é a enorme dependência da energia que tem que vir de fora” Hoje, 50% da eletricidade é das eólicas, e a Galp é a maior exportadora nacional. Nem vale a pena dizer mais nada. Recordo apenas, um cliente meu, da Dinamarca que foi condecorado pelo Rei pelos excelentes resultados que a sua empresa deu ao Pais. Esta empresa importava 100% do que vendia, mas a maioria era para exportação. Porque é que a nossa classe política continua a tomar-nos por burros? Kéramica – A António Rosa tem algum processo de fabrico sustentável assente na diminuição do consumo de energia e resíduos? ANTÓNIO ROSA CERÂMICAS – Não. Mas fazemos sim, uma gestão de resíduos interna, reincorporamos alguma da matéria-prima, reutilizamos a água, tentamos recuperar peças com pequenos defeitos, fazemos a separação dos diferentes resíduos dando o destino adequado. Kéramica – Sentem dificuldades para obter mão-de-obra para a vossa empresa/setor? ANTÓNIO ROSA CERÂMICAS – Sim. Cada vez mais, o "saber fazer" é mais difícil de encontrar, por exemplo nos Centros de Emprego. Na nossa empresa, como tem uma grande componente de mão-de-obra, seria ótimo que quem faz, fizesse bem, isto porque a mão-de-obra tem muito peso no custo de produção! Uma fábrica com os anos que a nossa tem, com muitos funcionários que estão connosco quase desde o início, temos tido alguma dificuldade em conseguir que a nova geração, embora aprenda a fazer, tenha o brio profissional dos mais antigos. E achamos que falta formação específica na nossa área.

FUTURO

Kéramica – Como perspetiva o futura da indústria cerâmica nacional, no subsector onde intervêm? ANTÓNIO ROSA CERÂMICAS – Acreditamos que o futuro será trabalhoso, um desafio, e que apenas os melhores sobreviverão! Teremos de nos atualizar diariamente, atuar na área digital em termos de marketing, principalmente. Esta era digital em que tudo está à distância de um clique, faz com que tenhamos de estar muito atentos às tendências dos mercados e devemos ter capacidade de oferecer ao cliente o que ele ainda não tomou consciência que deseja ter!

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Secção Jurídica

O TEMPORA O MORES Ó TEMPOS! Ó COSTUMES!!

por Ferreira Ramos e Marta Frias Borges - FAF Advogados

Quando foi proferida por quem a imortalizou, esta frase representava já uma declaração de derrota, em que os reacionários a confessavam, pela evolução dos tempos. A evolução dos tempos, naqueles tempos, a repetição é propositada, demorava séculos. Estavam no meio de uma mudança civilizacional, cheios de dúvidas, sem saber o que aí viria, e só sabiam que algo estava a mudar. Hoje, estamos no centro de uma mudança civilizacional, vemos o seu início e veremos, nós, com toda a certeza, o seu fim e, no meio da quântica, da inteligência artificial, da, por agora, Indústria.4, dos direitos das máquinas, somos surpreendidos numa velocidade incrível com o que não conseguiríamos prever. Uma dessas mudanças, uma dessas alterações é, na verdade, a igualdade de género, tembém em contexto laboral, e que, mais do que uma mudança, temos de considerar uma evolução civilizacional. A igualdade de género tem-se apresentado como um tema transversal nos dias que correm, estando presente quer no acesso ao emprego, quer no trabalho, quer no acesso a incentivos ao empreendedorismo, e justificando mesmo o surgimento de uma específica medida de apoio à contratação. Ao longo do Código do Trabalho, verifica-se a preocupação do legislador em evitar a discriminação no acesso ao emprego e no trabalho em todos os níveis hierárquicos, bem como em garantir que o género não é critério para fixação de retribuição (garantindo a máxima “a trabalho igual salário igual”) ou para seleção de trabalhadores a despedir. A Portaria n.º 84/2015, de 20 de março, veio criar a medida de Promoção de Igualdade de Género no Mercado de Trabalho, atribuindo ao empregador um apoio financeiro que visa incentivar a contratação de desempregados do sexo sub-representado em determinada profissão (i.e., o género que não tenha uma representatividade de 33,3% num determinado sector). Assim, os empregadores que procedam à contratação de desempregados do sexo sub-

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-representado, beneficiarão de uma majoração do apoio à contratação que tenha sido concedido até 30%. Por outro lado, a candidatura a determinados sistemas de empreendedorismo passa a exigir, cada vez mais, a avaliação da perspetiva de igualdade de género e oportunidades como pressuposto da concessão daquele apoio, implicando a exposição pela entidade candidata de que segue uma política de igualdade de oportunidades e de género. Todavia, esta política de apoios e incentivos condicionados pela igualdade de género no acesso ao trabalho poderá ter o efeito perverso de caminhar, ela própria, para uma indesejável situação de discriminação no acesso ao emprego, passando as entidades a demonstrar preferência pela contratação de pessoas do sexo sub-representado, por forma a beneficiarem daqueles apoios e, assim, a contrassenso, infringindo o disposto no artigo 30.º, n.º 1 e 2 do Código do Trabalho. Mas, helas, da leitura do CT ainda resultam alguns artigos em que não se poderia escrever trabalhad@r. Na verdade, alguma das protecções como a não prestação de trabalho nocturno ou suplementar (artigos 58º a 60º do CT) mantém-se exclusivas de trabalhadoras, do género feminino. E se se compreenderia que as grávidas tivessem sempre essa protecção (a evolução é o que é!) já é discutível se todos os progenitores não deveriam ter essa mes-

Secção Jurídica . Kéramica . p.29


Secção Jurídica

ma barreira em termos de igualdade de género para que pudessem, nesses primeiros tempos de uma nova realidade (a parentalidade), usufruir e desempenhar o papel parental. Lá chegaremos. Porventura na ligação surpreendente da igualdade de género com o combate ao In(f)verno Demográfico e ao estranho recuperar da Flexisegurança, em novas vestes, encontraremos maneira de conciliar a vida familiar com a vida profissional, desencantaremos a solução para a partilha do trabalho e percorreremos o caminho para o rendimento básico. Isto será o mundo ideal. Enquanto ele não chega preparemo-nos para a chegada do terceiro género. E dos robots, assexuados, por enquanto. Depois de resolvidos os conflitos constitucionais, as sequelas jurisprudenciais e as questões do dia-a- dia preparemo-nos para a discussão das questões, dos pormaiores, da integração de todos… E digamos, podemos dizê-lo, alto e em bom som o tempora o mores – agora não como esse grito desesperado de Cícero pela inexorabilidade de mudanças que o temor fez parecer medonhas – mas como um grito de esperança pela dignidade de todos os que vão pertencendo ao que resta desta espécie. Humana.

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Economia

EXPORTAÇÕES MUNDIAIS DE PRODUTOS CERÂMICOS EM 2017

por António Oliveira, Economista da APICER

Em termos de áreas de exportação mundial, a União Europeia representava 38,7% do valor das exportações mundiais de cerâmica em 2017, posicionando-se ligeiramente acima da China (38,0%). A evolução das exportações mundiais de produtos cerâmicos ao longo dos últimos anos evidencia vários aspetos relevantes. Desde a crise económica mundial de 2008-2009 que o valor das exportações mundiais de produtos cerâmicos tem vindo a crescer de forma regular. Excetua-se o ano de 2015, que corresponde a um crescimento atípico, devido a uma variação excecional das exportações com origem na China. Com efeito as exportações chinesas aumentaram mais de 40% em 2015 face a 2014, c0m a contribuição de praticamente todos os produtos cerâmicos, mas de forma mais acentuada na cerâmica de uso doméstico em porcelana, louça sanitária e cerâmica de uso doméstico não porcelana. Em 2016 as exportações chinesas voltaram aos níveis “normais”. Verifica-se também que a importância relativa da UE28 enquanto exportador mundial de cerâmica tem vindo a baixar desde o início deste século até à atualidade, inversamente ao que se tem verificado com a China (ver figura 3). No entanto, e se excetuarmos o ano de 2015, desde 2012 até 2017 as posições relativas

Figura 2 – Exportações Mundiais de Produtos Cerâmicos em 2017, por Áreas de Exportação Fonte: ITC – International Trade Centre

Figura 1 – Exportações Mundiais de Produtos Cerâmicos em 2017 Fonte: ITC – International Trade Centre

No ano de 2017, as exportações mundiais de produtos cerâmicos ascenderam a 46.621 milhões de euros, o que representa uma variação de 3,8% face ao ano de 2016. Os pavimentos e revestimentos cerâmicos correspondem ao material cuja importância relativa é mais relevante no contexto do comércio mundial de produtos cerâmicos (32,7% do valor total das exportações mundiais de produtos cerâmicos em 2017), seguido dos produtos para usos sanitários (15,2%), cerâmica de uso doméstico em porcelana (14,1%), cerâmica para usos técnicos (11,2%), produtos refratários (10,7%), estatuetas e objetos ornamentais (4,3%), tijolos e telhas (4,1%) e cerâmica de uso doméstico não porcelana (3,5%). Para o conjunto de produtos cerâmicos, a China foi o principal exportador mundial (38,0% do valor total das exportações mundiais de produtos cerâmicos em 2017), seguida da Itália (10,3%), Alemanha (7,0%), Espanha (6,9%) e Estados Unidos (3,7%). Portugal foi o 11.º exportador mundial de produtos cerâmicos, com 1,5% do valor total, e 0 5.º exportador da UE28 com 4.0%. Para efeitos comparativos, registe-se que, para o total de bens exportados, no ano de 2017 Portugal foi o 45.º exportador mundial (com 0,36% do valor das exportações mundiais) e o 18.º exportador da União Europeia (c0m 1,1% do valor das exportações da UE).

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Economia . Kéramica . p.31


Figura 3 – Evolução das Exportações Mundiais de Produtos Cerâmicos entre 2001 e 2017 Fonte: ITC – International Trade Centre

Economia

da UE28 e da China não têm sofrido oscilações significativas. De acordo com o índice da vantagem comparativa revelada (IVCR), que estabelece a comparação do peso das exportações de um sector/produto no total das exportações de um país, com o peso relativo das exportações desse mesmo sector/produto no mercado mundial, conclui-se que a cerâmica constitui um dos sectores mais especializados em Portugal. Se o IVCR é superior a 1, o país possui vantagem comparativa revelada para as exportações desse produto, ou seja, esse país encontra-se relativamente especializado na exportação desse bem. Por outro lado, se o IVCR é inferior a 1, o país possui desvantagem comparativa revelada para a exportação do produto. No ano de 2017 as exportações de produtos cerâmicos, face às exportações totais de bens, representaram 1,30% em Portugal, 0,35% na União Europeia e 0,30% no Mundo. Para a cerâmica portuguesa, e tendo como referência o ano de 2017, o IVCR apresentou o valor de 4,29, o que significa que o grau de especialização da cerâmica em Portugal representou 4,29 vezes o grau de especialização que a cerâmica apresentou a nível mundial. De resto, e apesar de Portugal ter sido o 11.º exportador mundial de produtos cerâmicos em 2017, registou o maior indicador de vantagens comparativas reveladas a nível mundial, à frente da Espanha (3,73), Itália (3,58), China (2,91) e Alemanha (0,85), nomeadamente os quatro principais exportadores mundiais de produtos cerâmicos.

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Após as considerações efetuadas para o conjunto de produtos cerâmicos, analisaremos seguidamente os produtos mais representativos, quer no contexto global, quer ao nível da sua importância para as exportações portuguesas.

PAVIMENTOS E REVESTIMENTOS CERÂMICOS Desde 01/01/2017, o conjunto dos pavimentos e revestimentos cerâmicos (vidrados e não vidrados) passou a ser representado, em termos de comércio internacional, pela NC 6907, deixando assim de existir a NC 6908. No ano de 2017 as exportações mundiais destes produtos ascenderam a 15.228 milhões de euros, o que representou uma variação de -6,4% face ao ano de 2016. O ranking dos exportadores mundiais em 2017 era liderado pela Itália (26,7% do valor das exportações mundiais), seguida pela China (26,6%), Espanha (17,6%), Índia (3,7%) e Turquia (3.2%). Portugal ocupava o 8.º lugar do ranking mundial, com 1,7%. O principal importador mundial foram os Estados Unidos, mercado responsável por 13,4% do valor das importações mundiais em 2017, seguido da França (6,8%), Alemanha (5,0%), Arábia Saudita (3,8%) e Reino Unido (3,0%). Os principais fornecedores dos Estados Unidos em 2017 foram a Itália (33,2% do valor das importações dos Estados Unidos), seguida da China (26,5%), Espanha (13,8%), México (10,6%) e Turquia (5,3%). Portugal foi o 9.º fornecedor dos Estados Unidos, com uma quota de 0,7%. A França, 2.º importador mundial, constitui o prin-

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Economia

cipal mercado de destino das exportações portuguesas de pavimentos e revestimentos cerâmicos. O principal fornecedor do mercado francês em 2017 foi a Itália (55,8% do valor das importações de França), seguida de Espanha (24.2%) e Portugal (6,6%). De entre os 10 principais mercados importadores mundiais, os que mais cresceram em 2017, face a 2016, foram a Rússia, Reino Unido, Canadá, República da Coreia e França. O mercado dos Estados Unidos estagnou, enquanto que a Austrália e a Alemanha reduziram as suas importações. A vantagem comparativa revelada no ano de 2017 para os pavimentos e revestimentos cerâmicos portugueses foi de 4,69.

LOUÇA SANITÁRIA No ano de 2017 as exportações mundiais de louça sanitária (NC 6910) atingiram os 7.093 milhões de euros, o que representou uma variação de 22,3% face ao ano de 2016. O ranking dos exportadores mundiais em 2017 era liderado pela China (56,1% do valor das exportações mundiais), seguida do México (5,8%), Alemanha (5,4%), Itália (3,3%) e Turquia (2,9%). Portugal ocupava o 7.º lugar do ranking mundial, com 2,2%. O principal importador mundial foram os Estados Unidos, mercado responsável por 20,3% do valor das importações mundiais em 2017, seguido da Alemanha (7,1%), Reino Unido (5,0%), França (4,7%) e Canadá (3,6%). Os principais fornecedores dos Estados Unidos em 2017 foram a China (45,3% do valor das importações dos Estados Unidos), seguindo-se o México (36,7%), Tailândia (5,4%), Índia (3,0% e Brasil (1,1%). Portugal foi apenas o 16.º fornecedor dos Estados Unidos, com uma quota de 0,3%. A Espanha, 7.º importador mundial, constitui o principal mercado de destino das exportações portuguesas de louça sanitária. Portugal foi também o principal fornecedor do mercado espanhol em 2017 (40,5% do valor das importações de Espanha), seguido de China (26,8%) e França (7,7%). No contexto dos principais importadores mundiais, os mercados que mais cresceram em 2017 face a 2016 foram a Alemanha, Espanha, França, Estados Unidos e Canadá. Em contração estiveram a Itália, República da Coreia, Reino Unido e Austrália. A vantagem comparativa revelada no ano de 2017 para a cerâmica portuguesa para usos sanitários foi de 6,14.

CERÂMICA DE USO DOMÉSTICO EM PORCELANA No ano de 2017 as exportações mundiais de cerâmica de uso doméstico em porcelana (NC 6911) ascenderam a 6.573 milhões de euros, o que representou uma variação de 4,9% face ao ano anterior.

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O ranking dos exportadores mundiais em 2017 era liderado, de forma destacada, pela China (75,0% do valor das exportações mundiais), seguida da Alemanha (4,5%), Reino Unido (1,8%), França (1,4%) e Tailândia (1,1%). Portugal ocupava o 14.º lugar do ranking mundial, com 0,8%. O principal importador mundial foi o Vietname, responsável por 9,9% do valor das importações mundiais em 2017, seguido dos Estados Unidos (9,6%), Alemanha (5,4%), Itália (3,9%) e Reino Unido (3,6%). Não está ainda disponível a informação relativa aos principais fornecedores do Vietname no ano de 2017. No entanto, é provável, e tendo em conta o respetivo histórico recente, que a China seja o grande fornecedor do Vietname, com uma quota superior a 90%. O principal fornecedor dos Estados Unidos foi a China (61,0% do valor das importações dos Estados Unidos), seguida da Indonésia (9,1%), Alemanha (4,9%), Reino Unido (4,7%) e Tailândia (4,6%). Portugal foi o 11.º fornecedor dos Estados Unidos, com uma quota de 1,2%. A Espanha, 13.º importador mundial, constitui o principal mercado de destino das exportações portuguesas de cerâmica de uso doméstico em porcelana. O principal fornecedor do mercado espanhol em 2017 foi a China (29,4% do valor das importações de Espanha), seguida de Portugal (13,3%) e Reino Unido (9,3%). No âmbito dos principais importadores mundiais em 2017, verificou-se a estagnação dos mercados de França e Alemanha e a contração dos Estados Unidos, Reino Unido, Japão e Turquia. Em crescimento encontramos a Itália, Vietname, Irão e Emirados Árabes Unidos. No ano de 2017 a vantagem comparativa revelada para a cerâmica portuguesa de uso doméstico em porcelana foi de 2,27.

CERÂMICA DE USO DOMÉSTICO EM GRÉS, FAIANÇA E BARRO COMUM No ano de 2017 as exportações mundiais de cerâmica de uso doméstico não porcelana (NC 6912) ascenderam a 1.643 milhões de euros, o que corresponde a uma variação de 3,7% face ao ano anterior. O ranking dos exportadores mundiais em 2017 era liderado pela China (23,4% do valor das exportações mundiais), seguida de Portugal (9,8%), Reino Unido (7,2%), Tailândia (7,1%) e Alemanha (5,3%). O principal importador mundial foram os Estados Unidos, mercado responsável por 31,5% do valor das importações mundiais em 2017, seguido da Alemanha (6,1%), Reino Unido (5,4%), França (4,8%) e Canadá (4,2%). De referir que os Estados Unidos constituem também o primeiro mercado de destino das exportações portuguesas. O principal fornecedor dos Estados Unidos foi a China (78,8% do valor das importações dos Estados Uni-

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dos), seguido de Portugal (4,8%), Tailândia (3,9%), México (2,7%) e Itália (2,1%). De entre os 10 principais mercados importadores mundiais, os que mais cresceram em 2017, face a 2016, foram a Rússia, Holanda, Alemanha e França. O mercados do Reino Unido e Canadá estagnaram, enquanto que a República da Coreia, Japão, Estados Unidos e Itália diminuíram as suas importações. A vantagem comparativa revelada no ano de 2017 para a cerâmica portuguesa de uso doméstico não porcelana foi de 27,42.

CERÂMICA ORNAMENTAL No ano de 2017 as exportações mundiais de estatuetas e objetos ornamentais (NC 6913) atingiram os 1.988 milhões de euros, o que representa uma variação de 1,3% em relação ao ano de 2016. A China lidera, de forma destacada, o ranking dos exportadores mundiais, tendo assegurado 66,3% do valor das exportações mundiais em 2017. Segue-se o Vietname (5,5%), Alemanha (5,2%), Holanda (3,7%), Espanha (2,4%). Portugal era o 6.º exportador mundial com 2,3%. O principal importador mundial foram os Estados Unidos, mercado responsável por 29,5% do valor das importações mundiais em 2017, seguido da Alemanha (8,3%), Holanda (6,4%), França (4,8%) e Reino Unido (4,0%). O maior fornecedor dos Estados Unidos foi a China (59,6% do valor das importações dos Estados Unidos), seguida do Vietname (12,8%), México (6,4%), Malásia (3,5%) e Itália (2,4%). Portugal foi o 7.º fornecedor dos Estados Unidos, com uma quota de 1,9%. A Alemanha, 2.º importador mundial, constitui o principal mercado de destino das exportações portuguesas de cerâmica ornamental. O principal fornecedor do mercado alemão em 2017 foi a China (66,2% do valor das importações da Alemanha), seguida da Holanda (13,5%), Vietname (5,4%) e Portugal (4,9%). No contexto dos principais importadores mundiais, os mercados que mais cresceram em 2017, face a 2016, fo-

ram a Holanda, França, Estados Unidos, Alemanha e Itália e, de forma mais moderada, a Bélgica e Japão. Em contração estiveram a Dinamarca e Reino Unido. A vantagem comparativa revelada no ano de 2017 para a cerâmica ornamental portuguesa foi de 6,49.

TELHAS CERÂMICAS No ano de 2017 as exportações mundiais de telhas cerâmicas (NC 6905) atingiram os 613 milhões de euros, o que representa uma variação de -1,0% face ao ano anterior. O ranking dos exportadores mundiais em 2017 era liderado pela Alemanha (28,5% do valor das exportações mundiais), seguida da França (11,5%), Espanha (6,5%), China (5,8%) e Hungria (5,2%). Portugal era o 10.º exportador mundial com 3,0%. O principal importador mundial foi o Reino Unido, mercado responsável por 7,7% do valor das importações mundiais em 2017, seguido da Polónia (7,3%), Bélgica (5,9%), Holanda (4,8%) e Roménia (4,2%). O principal fornecedor do Reino Unido foi a França (38,9% do valor das importações do Reino Unido), seguida da Polónia (19,9%), Alemanha (9,8%), Espanha (8,3%) e Turquia (5,7%), Portugal não consta entre os fornecedores deste mercado. O Líbano corresponde apenas ao 12.º mercado importador mundial mas é o principal destino das exportações portuguesas. De resto, Portugal é também o principal fornecedor do Líbano, tendo representado 51,1% do valor das importações daquele mercado em 2017. A França (19,8%) e Espanha (13,4%), foram os principais concorrentes de Portugal. No contexto dos principais importadores mundiais, os mercados que mais cresceram em 2017, face a 2016, foram o Reino Unido, Roménia, Holanda, Bulgária e França. Em contração estiveram a Áustria, Polónia, Bélgica, Alemanha e República da Coreia. No ano de 2017 a vantagem comparativa revelada para as telhas cerâmicas portuguesas foi de 8,44.

POSIÇÃO RELATIVA DE PORTUGAL NO CONTEXTO DAS EXPORTAÇÕES MUNDIAIS DE PRODUTOS CERÂMICOS EM 2017 2.º Exportador mundial de cerâmica de uso doméstico não porcelana 6.º Exportador mundial de cerâmica ornamental 7.º Exportador mundial de louça sanitária 8.º Exportador mundial de pavimentos e revestimentos cerâmicos 10.º Exportador mundial de telhas cerâmicas 14.º Exportador mundial de cerâmica de uso doméstico em porcelana

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Energia

ECOTERMIP

por Ana Magalhães, da INEGI

A Europa enfrenta atualmente importantes desafios energéticos que podem ser vistos de várias perspetivas: a estabilidade e previsão dos custos da energia; impactos ambientais e climáticos decorrentes da produção e consumo energético; segurança do fornecimento contínuo de energia no contexto político geoestratégico, relacionado com o controlo do fornecimento de energia; a capacidade de gerar investimento local e consequentemente, novos empregos; e privilegiar na inovação e nas tecnologias. Neste âmbito o desenvolvimento tecnológico para apoio à gestão de energia térmica assume um papel fundamental. De facto, existe a tendência de equacionar a energia através da eletricidade quando esta apenas representa menos de 25% do consumo final de energia na Europa. O aquecimento e arrefecimento renovável é, no setor energético, subestimado e este facto foi reconhecido em 2011 pelo European Renewable Energy Council (EREC) na sua publicação estratégica “RE-thinking 2050”, como setor, o aquecimento e arrefecimento mantém-se como o maior contribuidor para as necessidades energéticas em 2050. O mercado do aquecimento e arrefecimento renovável, que inclui as aplicações doméstica e industriais de biomassa e as aplicações solar térmico e geotérmico, vai-se desenvolver rapidamente. Em concreto, no caso de Portugal, a promoção da eficiência energética e a utilização de energia renovável endógena é de extrema importância uma vez que não existe extração/produção de combustíveis fósseis e como tal a balança comercial nacional neste setor apresenta-se bastante desequilibrada. Esta preocupação é, ainda, mais evidente no setor industrial onde, para além de problemas relacionados com as emissões poluentes, a fatura energética é, muitas vezes, demasiado pesada tornando-se inevitável agir no que diz respeito à racionalização do uso de energia e à utilização de energias de fontes renováveis. Assim, é fundamental otimizar e racionalizar a utilização da energia térmica nos processos térmicos industriais, promover a geração de energia térmica via fontes de

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energias renováveis (nomeadamente solar térmico e biomassa) e aplicar tecnologias inovadoras de recuperação de calor. Com base nestas considerações surge o projeto designado por EcoTermIP e que visa a promoção da Ecoeficiência dos Processos Térmicos para a Competitividade e Sustentabilidade da Indústria Portuguesa nos setores da metalomecânica, cerâmica, agroalimentar de laticínios e de fabricação de produtos à base de carne. Liderado pelo Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI) com a parceria do Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ) tem como seu principal objetivo efetivar a transferência do conhecimento científico e tecnológico detido pelos membros do consórcio, de boas práticas, tecnologias e metodologias para a promoção da ecoeficiência dos processos produtivos. O projeto apresenta assim grande relevância não só para os setores visados, mas também para toda a economia e para o público em geral. Embora o projeto vá priorizar o

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Energia

envolvimento de empresas dos setores mencionados, nomeadamente nas diferentes atividades de sensibilização e de transferência de conhecimento, os resultados do projeto, nomeadamente as recomendações com vista à promoção da utilização racional de energia térmica e integração de tecnologias com base em energias renováveis em empresas, são aplicáveis e relevantes para outros setores de atividade a nível nacional. O INEGI e o ISQ, com o apoio da AIMMAP, ANIL, APICER e APIC, irão desenvolver nos próximos dois anos um plano de ação que contempla quatro ações que, no seu conjunto, se constituem como uma estratégia sólida de modo a dar resposta aos fatores críticos e falhas de mercado identificadas no processo de reflexão. O projeto EcoTermIP integra na sua estrutura várias ações que se propõe realizar, começando por um diagnóstico referencial de partida e um mapeamento geral das principais tecnologias com impacto no consumo de energia térmica de cada setor visado. Sendo este um projeto de transferência do conhecimento científico e tecnológico ao tecido empresarial, estão previstas várias tipologias de intervenção. Serão realizadas iniciativas de interação e demonstração de conhecimentos

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tecnológicos com vista à valorização económica, ações de disseminação e difusão de novos conhecimentos e tecnologias gerados no âmbito da I&D, ações de valorização económica dos resultados de investigação e promoção de iniciativas que potenciem a obtenção e produção de informação relevante no contexto da valorização e transferência de tecnologia, nomeadamente roadmapping e vigilância tecnológica. A comunicação e disseminação do projeto já foi iniciada com a criação da identidade visual deste e a organização do evento de lançamento do projeto que ocorreu no passado dia 9 de abril. O projeto será ainda disseminado nos media e redes socias e com a participação em congressos e simpósios, estando também previsto para o final do projeto a realização de um seminário de encerramento. O consórcio do projeto EcoTermIP entende que este contribuirá para valorizar a indústria portuguesa, fomentando a inovação e a exploração de oportunidades tecnológicas, introduzindo novo conhecimento que contribuirá para a competitividade e sustentabilidade, devendo resultar num impacto económico positivo nos setores industriais visados, fomentando a emergência na indústria portuguesa de empresas intensivas em conhecimento.

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NOVIDADES DAS EMPRESAS CERÂMICAS PORTUGUESAS

por Albertina Sequeira, Diretora-Geral da APICER

ALELUIA – Scales

centenária de faianças portuguesa, que será composta por peças exclusivas e originalmente criadas por Raphael Bordallo Pinheiro, e que até hoje não estiveram acessíveis ao grande público. A nova coleção “Peça do Ano” da Bordallo Pinheiro prevê o lançamento anual de peças exclusivas e de grande valor artístico originalmente criadas por Raphael Bordallo Pinheiro, ou pelo seu filho, Manuel Gustavo Bordallo Pinheiro. Esta coleção reflete o trabalho contínuo da marca na preservação e valorização do legado artístico do seu fundador e implica uma análise pormenorizada da obra de Bordallo Pinheiro, do enquadramento artístico de cada peça, e da minuciosa recuperação dos moldes originais. A peça Paulo e Virgínia está disponível nas lojas Bordallo Pinheiro e Vista Alegre, Revendedores Autorizados e Loja Online Bordallo Pinheiro (www.bordallopinheiro.com).

ALELUIA CERÂMICAS

BORDALLO PINHEIRO – "Peça do Ano"

Scales Uma forma criativa de vestir paredes. Inspirada na pele que reveste a mítica carpa, símbolo de felicidade, prosperidade e perseverança, nasce a colecção Scales. Criada em 12 cores diferentes, criteriosamente selecionadas, a geometria destas peças de 14x14, associada à harmoniosa seleção cromática permite composições verdadeiramente únicas, de um realismo visual impressionante.

BORDALLO PINHEIRO As Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro reforçam o seu compromisso na recuperação do legado artístico visionário do seu fundador com o lançamento de uma nova coleção – “Peça do Ano”. Paulo e Virgínia, uma réplica em menor escala de uma escultura naturalista original de Bordallo Pinheiro, datada de 1889, é a primeira peça desta nova coleção da marca

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MERCURY A inspiração no xisto transporta-nos para um ‘planeta distante’. A CINCA apresenta a nova série MERCURY, com uma forte personalidade, diversificando a sua oferta na imitação de pedras e rochas. Ideal para pavimentos pela sua resistência ao tráfego e baixa absorção de água, este material tem qualidade certificada para quem procura soluções de longa duração. Disponível em cinco cores e quatro formatos retificados permite inúmeras conjugações entre ambientes mais rústicos ou modernos, interiores ou exteriores. A riqueza gráfica da aparência e as texturas únicas, conferem ao xisto uma atração singular. A sua natureza metamórfica origina diversidades densas e profundas. Enquanto rocha, a sensação de longevidade entranha-se em cada espaço como o peso das memórias. Ou como um lugar distante e soturno a conquistar. Mais do que uma tendência, a CINCA aposta nesta nova série como um clássico, naturalmente intemporal e genuinamente belo.

forçam a versatilidade desta imitação de pedra com acabamento de cimento ideal tanto para casa como para espaços públicos, com a garantia de segurança e resistência do produto.

PORCEL A Porcel, marca e produtora nacional de porcelana, lançou recentemente um vídeo oferecendo uma visão única dos vários momentos do processo de produção das suas peças. Durante todo o processo, de produção e decoração, cada peça viaja dentro da fábrica passando pelas mãos de grande parte dos funcionários. Com foco nessas mesmas

CINCA – Mercury

PORCEL – Momentos do processo de produção

BALANCE Imitação de pedra com acabamento de cimento, ideal tanto para casa como para espaços públicos. A linguagem e tendência arquitetónica contemporânea faz uma forte ligação ao mundo urbano e ao seu design, no qual a CINCA se inspirou para desenvolver a sua série BALANCE. Esta destaca-se pelo seu look marcadamente citadino e minimal, distintivo das novas tendências de decoração. Ideal para espaços criativos com efeitos surpreendentes pela união do seu estilo e versatilidade. Seis cores, cinco formatos e três acabamentos re-

CINCA – Balance

CINCA

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mãos, na precisão e na dedicação em cada momento de produção, a Porcel coloca quem visualiza o vídeo, numa posição de envolvimento e muito próxima das peças. Com este vídeo, a Porcel deseja dar a conhecer a beleza do processo e a relevância da tecnologia quando combinada com a interação manual em várias etapas de produção. É esta dinâmica que confere valor acrescentado às peças e personalidade às coleções. O vídeo vem reflectir o cuidado e a atenção ao detalhe que a Porcel dedica a cada peça, bem como a combinação de tradição e inovação tecnológica que tem vindo a definir a empresa desde 1987. Pode ver o vídeo em bit.ly/porcelvideo ou na página do Facebook em www.facebook.com/PORCEL.porcelanas/

REVIGRÉS

ROCA A Roca vem tornar ainda mais forte o compromisso da marca em melhorar a experiência de cada utilizador no seu espaço de banho, apresentando soluções diversificadas e adequadas às mais diferentes necessidades. E está tudo espelhado na nova revista para 2018/2019, Soluções de Banho. Ainda mais inspiradora, a nova revista da Roca para 2018/2019 vem comprovar que a marca continua incansável na busca de soluções inovadoras, elegantes e funcionais. Seja qual for o estilo ou a necessidade do cliente, há resposta neste verdadeiro compêndio de soluções para espaços de banho. O destaque vai para duas coleções: Beyond, a nova coleção da Roca a pensar no futuro e na aplicação do me-

REVIGRÉS – Showroom

ROCA – Roca One Day Design Challenge

Showroom Revigrés do Arq. Álvaro Siza Vieira com nova ala de ambientes. Na comemoração dos 41 anos, a Revigrés apresenta uma nova ala no showroom do edifício comercial da sede, em Águeda, um projeto original do Arq. Álvaro Siza Vieira – vencedor do primeiro Prémio Pritzker em Portugal – inaugurado há 21 anos. Em 1997, a Revigrés foi a primeira empresa a desafiar o Arquiteto para o desenvolvimento de um projeto nas suas instalações, para o qual Álvaro Siza Vieira criou um conceito diferenciador. Em 2018, o projeto de remodelação de interiores da sala de exposição foi desenhado pelo Arq. Dino Gonçalves, respeitando a personalidade e caráter forte do edifício do Arq. Álvaro Siza Vieira. Desenvolve-se a partir de um eixo criado em torno do centro, marcado pela claraboia, e integra a abertura de um novo espaço, com ambientes, onde a Revigrés apresenta as suas mais recentes coleções.

O espaço inclui ainda um ecrã digital com a App Revigrés que permite ao visitante consultar os catálogos Revigrés online, selecionar e comparar os seus produtos favoritos e escolher a solução que mais se adequa ao que procura. A App Revigrés está também disponível para smartphones e tablets a partir do Goople Play ou Apple Store. O showroom renovado da Revigrés foi apresentado num evento que contou com a presença de mais de uma centena de clientes e parceiros para visitar o novo espaço, comemorar o aniversário da Marca e conhecer a nova coleção Afyon, do segmento REVIGRÉS Living. Afyon, em grés porcelânico técnico, é inspirada numa pedra metamórfica de riqueza incomparável, permitindo a criação de espaços únicos. Disponível numa paleta de 4 cores e em 3 formatos – 30x60, 60x60 e 60x120cm – combina beleza e resistência, sendo adequada para revestimentos e pavimentos, áreas interiores ou exteriores e zonas residenciais ou públicas.

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VISTA ALEGRE – Ser viço de mesa Cannaregio

lhor design e das mais recentes tecnologias a produtos para espaços de banho; e a Carmen, uma coleção vintage que representa um tributo a um clássico da Roca. Com esta revista, não existem obstáculos à criação: independentemente do tamanho do espaço de banho ou do estilo, existe o móvel certo, a torneira que reúne funcionalidade e estética, aquele lavatório com a forma pretendida. E existem ainda as mais recentes soluções em smart toilets, para quem quer um espaço de banho inteligente. Uma verdadeira inspiração que pode pedir de forma gratuita em qualquer ponto de venda oficial da marca Roca.

VISTA ALEGRE

Vista Alegre galardoada com ouro e bronze nos European Product Design Awards. O design inovador e de excelência da Vista Alegre volta a ser reconhecido e galardoado internacionalmente, com Cannaregio, Hryb e os Copos de Bicos Bicolores a serem distinguidos nos European Product Design Awards. No último ano, o design da marca portuguesa de porcelana, cristal e vidro arrecadou 22 prémios no total. O júri dos European Product Design Awards premiou o Serviço de Mesa Cannaregio com bronze, na categoria de produtos de interior e tableware. Esta linha arrojada, baseada em intensos contrastes entre azul, preto e laranja, é inspirada em Veneza, uma cidade mágica, cheia de misticismo e esoterismo, ambos evidentes nas fachadas dos seus palácios e igrejas. Cannaregio encontrou inspiração nesse rico imaginário, misturando-o com formas pertencentes à herança da Vista Alegre e a motivos florais, criando assim uma relação romântica entre o passado e

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os tempos modernos, criando um serviço com um design contemporâneo. O candeeiro Hryb mereceu dois prémios de bronze, um na categoria de Iluminação e outro na categoria de Interiores. Hryb faz parte da inovadora linha de iluminação em porcelana e cristal da Vista Alegre, com assinatura do criador visionário Ross Lovegrove, tendo merecido destaque pelo seu design moderno, no qual combina porcelana de qualidade com iluminação led. O contemporâneo frasco de cristal Maya mereceu ainda uma menção honrosa na categoria de produtos de catering – especialidades tabletops.

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NOVIDADES E INFORMAÇÕES DA WEG

MOTORES WEG REFRIGERADOS POR MANTO D’ÁGUA

Motor WGM20

A WEG alargou a sua gama de motores de indução trifásicos arrefecidos por manto d’água com a atualização da linha WGM20. Deste modo, os motores WGM20 passaram a ser fabricados de forma mais compacta, de forma a possibilitar a instalação em espaços reduzidos. O sistema de refrigeração por manto d’água, possui um fluxo de água em circuito do tipo “zigue-zague” ao longo da carcaça, que facilita a manutenção e a limpeza dos canais. Este sistema de refrigeração apresenta um elevado grau de proteção podendo ser aplicado em ambientes extremos, fechados e com elevada temperatura ambiente. Como a troca térmica do motor não depende do ambiente, permite as mais diversas combinações de binário com rotação do motor, sem necessitar de kits de ventilação forçada. Este motor está apto a operar com água industrial tratada, assim como com várias temperaturas de entrada de água e diversos tipos de aditivos, sejam anticongelantes, anticorrosivos ou outros. Esta atualização da linha WGM20 visa reduzir as perdas e maximizar o rendimento, aliando motores mais compactos em altura e cumprimento a um baixo nível de ruído, de modo a garantir um excelente desempenho. Esta gama de motores pode ser aplicada na indústria naval, cimenteira, minas, papel e celulose, petrolífera e gás, entre outras.

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WEG PORTUGAL CERTIFICADA PELA NORMA ISO 9001:2015 A WEG Portugal atualizou no passado mês de maio a certificação para o novo referencial 2015 do Sistema de Gestão da Qualidade EN ISO 9001:2015, que atualiza o referencial de 2008. Com a mudança para esta nova norma a WEG assegura a sua aposta em desenvolver e criar produtos de qualidade e soluções integradas, através de ações de melhoria contínua. Esta certificação evidencia que a WEG tem implementado ao longo de todo o seu percurso os mecanismos de melhoria contínua mais atuais, que contribuem para a melhoria e notoriedade da organização, através do envolvimento de todos os seus colaboradores. A ISO 9001:2015 é a norma de Sistema de Gestão mais utilizada a nível mundial, constituindo-se como uma referência internacional para a Certificação de Sistemas de Gestão da Qualidade. A nova versão da ISO 9001:2015 foi publicada a 15 de setembro de 2015, e tem um período de transição de 3 anos, a partir do qual apenas estará em vigor a nova norma. A ISO 9001:2015 visa essencialmente a satisfação das necessidades e das expectativas dos clientes, contribuindo para a melhoria do desempenho global das organizações. Ao mesmo tempo, pretende fidelizar e captar novos clientes através do novo referencal que assenta no tratamento dos riscos e oportunidades identificadas, conferindo uma confiança acrescida aos produtos e serviços prestados pelas organizações. Esta nova diretiva adota a abordagem por processos, que incorpora o ciclo PDCA (PLAN - DO - CHECK – ACT) de melhoria contínua e integra o pensamento baseado em risco. Esta norma ISO 9001:2015 alavanca inúmeras oportunidades para as organizações melhorarem a sua performance a nível dos seus processos, produtos e serviços em sinergia com a sua orientação estratégica, o alcance dos seus objetivos e, sobretudo, as necessidades e expectativas das partes interessadas.

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SACMI, VENDAS ACIMA DE 1,4 MIL MILHÕES DE EUROS

Terceiro ano consecutivo altamente positivo para a Cooperativa. Somente na Cerâmica, o mercado italiano cresceu 23%. O Presidente Paolo Mongardi declarou: “Os principais ingredientes de nossa receita, orientada para o futuro, são investimento, serviço e governo 4.0”. A Demonstração Financeira de 2017 da SACMI Imola mostra vendas maiores e um aumento na margem operacional bruta em relação a 2016. Tal como a sua empresa-mãe, o Grupo como um todo fechou o ano melhorando o desempenho do ano anterior, com vendas de 1,434 mil milhões de euros; o resultado líquido consolidado foi superior a 35 milhões, também em alta em relação a 2016. Em apenas um ano, o número de trabalhadores aumentou de 4.239 para 4.305, sendo o aumento particularmente significativo na região onde a SACMI investiu mais fortemente em novos recursos humanos, instalações e unidades fabris. As exportações permanecem estáveis, representan-

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do 84% do volume total. Contra este cenário geralmente positivo, o enorme progresso feito pelo mercado italiano - mais de 23% no maior negócio do Grupo, a Cerâmica - é particularmente digno de nota. “Os impressionantes resultados em 2017”, destaca Paolo Mongardi, Presidente da SACMI Imola, “foram impulsionados pelo excelente desempenho da Divisão de

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Notícias & Informações

económico e financeiro, são os balanços patrimoniais de todas as subsidiárias, incluindo novas aquisições (EUROFILTER, B&B, sem contar a aquisição total da CMC, concluída em 2017 e envolvendo um ambicioso projeto de desenvolvimento técnico e logístico que também prevê a construção de uma nova sede na área de Casalgrande). O papel da SACMI, como parceiro principal das indústrias de cerâmica e de embalagens locais e um dos principais apoiantes das indústrias auxiliares, continua sendo estratégico. De facto, no ano passado, 570 milhões de euros foram gastos em compras de fornecedores regionais. "Esse valor impressionante", aponta o presidente, Paolo Mongardi, "resume todo o trabalho duro, relacionamentos excelentes, redes de negócios intrincadas e proezas industriais, culturais e sociais que tornaram nossa região tão rica". Em 2017, outro foco importante da estratégia da SACMI foi o investimento em formação: “Criamos e publicamos um novo site chamado SACMI CAREERS. Este último visa ligar a procura por trabalhadores qualificados das empresas com os mundos da educação e da universidade. Além disso, também fortalecemos o novo projeto do Laboratório de Inovação da SACMI. Além de trabalhar com as mais avançadas tecnologias 4.0, também tem a tarefa de treinar novos funcionários para que eles estejam prontos para ocupar posições estratégicas dentro da empresa”.

Cerâmica e da unidade de negócios Closures & Containers. O primeiro responde por cerca de 70% dos volumes produzidos pela SACMI Imola: em 2017, o crescimento ascendente voltou a acelerar, gerando resultados expressivos, superiores tanto à previsão orçamental quanto ao saldo final de 2016. Da mesma forma, a unidade de negócio Closures & Containers manteve o padrão de expansão, obtendo resultados significativos e uma forte carteira de clientes em mais de 60 países ”. Além do desempenho de setores empresariais individuais (as áreas não pavimentos também continuaram a obter resultados recordes, assim como a Special Pressing graças a maiores vendas de Powder Metallurgy), o ano foi, para a SACMI Imola e, consequentemente, todo o Grupo, caracterizado pela implementação de soluções de organização, produção e serviços que respondem aos requisitos da Indústria 4. Particularmente significativo, do ponto de vista

Maio . Junho . 2018

Notícias & Informações . Kéramica . p.43


Calendário de Eventos

FILDA’2018 (Feira Internacional) Anual – Luanda (Angola) De 10 a 14 de julho de 2018

INTERGIFT’2018 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Madrid (Espanha) De 12 a 16 de setembro de 2018 www.ifema.es/intergift_01/

SAUDI BUILD ‘2018 (Materiais de Construção) Anual – Riade (Arábia Saudita) De 25 a 25 de outubro de 2018 saudibuild-expo.com

INTERBUILD AFRICA ’2018 (Materiais de Construção) Anual – Joanesburgo (África do Sul) De 18 a 18 agosto de 2018 www.interbuild.co.za

HOTEL SHOW DUBAI’2018 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Dubai (EAU) De 16 a 18 de setembro de 2018 www.thehotelshow.com

LONDON BUID ‘2018 (Materiais de Construção) Anual – Londres (UK) De 23 a 24 de outubro de 2018 www.londonbuildexpo.com

FORMEX’2018 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Estocolmo (Suécia) De 21 a 24 agosto de 2018 www.formex.se

100%DESIGN’2018 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Londres (R.U.) De 19 a 22 setembro de 2018 www.100percentdesign.co.uk

THE BIG 5 DUBAI’2018 (Materiais de Construção) Anual – Dubai (EAU) De 26 a 29 de novembro de 2018 www.thebig5.ae

FACIM’2018 (Feira Internacional) Anual – Maputo (Moçambique) De 28 a 30 de agosto de 2018 www.facim.org.mz

TECNARGILLA’2018 (Tecnologia Cerâmica) Bienal – Rimini (Itália) De 24 a 28 de setembro de 2018 www.tecnargilla.it

BAU’2019 (Materiais de Construção) Anual – Munique (Alemanha) De 14 a 19 de janeiro de 2019 www.bau-muenchen.com

VIETNAM CERAMICS ’2018 (Cerâmica) Anual – Hanói (Vietnam) De 30 a 31 de agosto de 2018 http://vietnamceramicsexpo.com

CERSAIE’2018 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Bolonha (Itália) De 24 a 28 de setembro de 2018 www.cersaie.it

MAISON & OBJET’2019 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Paris (França) De 18 a 22 janeiro de 2018 www.maison-objet.com

AUTUMN FAIR’2018 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Birmingham (R.U.) De 2 a 5 de setembro de 2018 www.autumnfair.com

INTERCASA’2018 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Lisboa (Portugal) De 3 a 7 de outubro de 2018 https://intercasa.fil.pt

CEVISAMA’2019 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Valência (Espanha) De 28 de janeiro a 01 de fevereiro de 2019 cevisama.feriavalencia.com

MAISON & OBJET’2018 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Paris (França) De 7 a 11 setembro de 2018 www.maison-objet.com

BUILD SHOW ‘2018 (Materiais de Construção) Anual – Birmingham NEC (UK) De 9 a 11 de outubro de 2018 www.ukconstructionweek.com

AMBIENTE’2019 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Frankfurt (Alemanha) De 8 a 12 de fevereiro de 2019 ambiente.messefrankfurt.com

KAZBUILD‘2018 (Materiais de Construção) Anual – Almaty (Cazaquistão) De 94 a 6 de setembro de 2018 kazbuild.kz/en/

FINNBUILD ‘2018 (Materiais de Construção) Anual – Helsínquia (Finlândia) De 10 a 12 de outubro de 2018 https://messukeskus.com

ISH’2019 (Materiais de Construção) Anual – Frankfurt (Alemanha) De 11 a 15 de março de 2019 https://ish.messefrankfurt.com

CERANOR’2018 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Porto (Portugal) De 7 a 10 setembro de 2018 www.ceranor.exponor.pt

CERAMBATH ‘2018 (Materiais de Construção) Anual – Foshan (China) De 18 a 21 de outubro de 2018 en.cerambath.org

EXPOREVESTIR’2019 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Valência (Espanha) De 13 a 16 de março de 2019 cevisama.feriavalencia.com

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Maio . Junho . 2018


SEW-EURODRIVE – Driving the world

Serviços especializados em Redutores Industriais A SEW-EURODRIVE Portugal é o centro de competência para a Península Ibérica, do Grupo SEW, em reparações especializadas de Redutores Industriais. Para tal dispõe de uma oficina dedicada e de técnicos com larga experiência em reparação de Redutores Industriais SEW, SANTASALO e redutores não SEW. Cada intervenção segue sempre um conjunto de tarefas que estão definidas de acordo com um procedimento de qualidade devidamente certificado. A SEW-EURODRIVE executa serviços de inspeção e manutenção, de redutores industriais, nas instalações do cliente.

Kéramica 352  

Nesta edição a Normalização é o tema de destaque. E porque o Eng. Jorge Marques dos Santos, agora Presidente do CA do CTCV (Centro Tecnológi...

Kéramica 352  

Nesta edição a Normalização é o tema de destaque. E porque o Eng. Jorge Marques dos Santos, agora Presidente do CA do CTCV (Centro Tecnológi...

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