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Kéramica revista da indústria cerâmica portuguesa

Publicação Bimensal €8,00

Edição Março/Abril . 2018

nº351

DO DESIGN EXPERIMENTAL EM AMBIENTE ACADÉMICO ÀS PROPOSTAS E DESAFIOS PARA NOVOS PRODUTOS INDUSTRIAIS


CTCV parceiro tecnológico ao serviço da Indústria Cerâmica

CaracterizaÇao de materiais Microscopia electrónica de varrimento com sistema EDS O uso da microscopia eletrónica de varrimento (MEV) complementada com a técnica EDS, permite obter informação relevante quanto à composição química das superfícies dos mais diversos tipos de amostras, sendo um meio de caraterização bastante poderoso não só ao nível do controlo da qualidade de materiais e produtos, como também ao nível da Investigação e Desenvolvimento. É uma técnica que possibilita a caracterização de materiais sólidos, tais como a morfologia, microestrutura e topografia da superfície, podendo ser aplicada a diversos tipos de materiais, tais como cerâmicos, metais, compósitos e biomateriais, sendo também uma técnica utilizada na caracterização de defeitos e no despiste de outros fenómenos ou particularidades de sólidos.

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Index

Editorial . 04

Secção Jurídica . 28 Taxa sobre Contratos a Termo nas Empresas Pode Gerar 90 Milhões de Receitas

Destaque . 06

Economia . 31

Do Design Experimental em Ambiente Académico às Propostas e Desafios para Novos Produtos Industriais

Exportações de Cristalaria Cresceram 8,8% em 2017 e Alcançaram Novo Máximo Histórico

Design . 13

Notícias & Informações . 33

O Mundo Inteiro Cabe no ID Pool da Vista Alegre

Entrevista . 19 19 À Conversa com José Queirós e Raul Magalhães, sócios da Ceragni 25 À Conversa com Maria Ana Vasco Costa

Inovação . 22

33 Projeto Europeu BIM Clay 36 Conferência de Apresentação do Projeto “Ceramics Industry – The New Age” 38 Novidades das Empresas Cerâmicas Portuguesas 42 WEG Amplia a Gama de Conversores de Frequência CFW500 Destinada a Aplicações de Maior Potência 43 Indústria 4.0 - “Lean Sm@Rt Factory” de Acordo com as Abordagens da Indústria 4.0

Calendário de Eventos . 44

Workshop de Apresentação dos Manuais para a Gestão de Atividades de IDI e para a Gestão de Desenvolvimento de Novos Produtos

Propriedade e Edição APICER [Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e de Cristalaria] Direção, Administração, Redação e Publicidade Rua Coronel Veiga Simão, Edifício C 3025-307 Coimbra [t] +351 239 497 600 [f] +351 239 497 601 [e-mail] info@apicer.pt [internet] www.apicer.pt Diretor Carlos Hernández Editor e Coordenação Albertina Sequeira [email: Keramica@apicer.pt] Conselho Editorial Albertina Sequeira, António Oliveira, Marco Mussini, Paulo Lima e Sílvia Machado Capa José Luís Fernandes

Colaboradores Albertina Sequeira, António Oliveira, Ferreira Ramos, José Frade, Marta Fria Borges, Silvia Machado Paginação José Luís Fernandes Impressão Gráfica Almondina - Progresso e Vida; Empresa Tipográfica e Jornalistica, Lda Rua da Gráfica Almondina, Zona Industrial de Torres Novas Apartado 29 2350-909 Torres Novas [t] 249 830 130 | [f] 249 830 139 [e-mail] geral@grafica-almondina.com [internet] www.grafica-almondina.com Distribuição Gratuita aos associados e assinatura anual (6 números) ; Portugal €32,00 (IVA incluído) ; União Europeia €60,00 ; Resto da Europa €75,00 ; Fora da Europa €90,00 Notas Proibida a reprodução total ou parcial de textos sem citar a fonte. Os artigos assinados veiculam as posições dos seus autores.

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Publicação Bimensal nº351 . Ano XLIII . Março.Abril . 2018

Depósito legal nº 21079/88 . Publicação Periódica inscrita na ERC [Entidade Reguladora para a Comunicação Social] com o nº 122304 ISSN 0871 - 780X Estatuto Editorial disponível em http://www.apicer.pt/apicer/keramica.php

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José Luís Sequeira, Presidente da Direção

Editorial

Ocorreram no passado dia 19 de abril as eleições para os Órgãos Sociais do Centro Tecnológico da Cerâmica e Vidro, ato que decorreu com a pacatez habitual, e no calendário próprio fixado nos respetivos estatutos que determinam estas mudanças a cada ciclo de três anos. Do que se passou, resta uma ata para memória futura, em que ficam lavrados o encerramento do mandato para uns, e para outros o resultado de uma votação que os legitima para um novo triénio, com o merecido louvor para os primeiros, e os votos de muitas felicidades para os segundos. Tudo isto preenche os requisitos formais exigidos pelos estatutos, mas considero ser pobre e triste ficar por estes mínimos quando analisados os conteúdos destes mandatos, com os quais se mantêm vivas e sadias estas instituições que não sendo pertença de ninguém, são património dos setores da cerâmica e do vidro e até do País. Digamos que tudo o que seja feito em favor do reconhecimento do mérito é da mais elementar justiça. Porém, valha a verdade que remeter este reconhecimento apenas para uma ata, é não só demasiado curto e descolorido, como se escoa rapidamente da memória de todos os que não estiveram nem participaram do recente ato eleitoral. Por esta razão, e ficando por isso mais distantes do trabalho feito nos últimos três anos ao serviço do CTCV, ao serviço de todos os empresários da cerâmica e do vidro, ao serviço de setores que empregam mais de 23.000 trabalhadores, produzem 2 mil milhões de euros e exportam 1,3 mil milhões de euros para mais de 160 países em todo o mundo, ficando mais distantes de tudo isto como dizia, não se terão apercebido do que deu a Direção cessante, sem

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contrapartidas e sem outro retorno que não seja o de terem dado o que lhes foi pedido. Acresce que, tendo em conta as condições e dificuldades do mandato cessante, o que se lhes pedia era muito de tudo: uma direção muito eficaz e uma gestão estratégica muita atenta, muito empenhada e muito pragmática. É em nome desta dimensão que a APICER vos agradece, é em nome da força destes números e com o punho das pessoas que lhe dão sentido, que subscrevemos o nosso profundo agradecimento e o pedido de que continuem connosco. O resultado apresentado no Relatório e Contas aprovado no mesmo Conselho Geral eleitoral, e o que conhecemos com suficiente detalhe sobre o que foi feito e o que ficou projetado, permitem-nos dizer que se tratou de uma gestão irrepreensível, suportada na reversão da situação financeira que tinha herdado da crise, e orientada para a capacitação tecnológica do Centro, do qual se pede uma resposta adequada às necessidades de apoio à inovação e ao desenvolvimento dos setores da cerâmica e vidro. Parabéns pelo vosso exercício, e parabéns pela forma mobilizada e mobilizadora como o conduziram; Obrigado também pela vosso empenhamento pessoal com total espírito de missão, e obrigado nomeadamente ao Professor António Tomás da Fonseca por ter conseguido que a transição fosse pacífica para os recém- eleitos, nos quais confiamos para a continuidade de uma trajetória ascendente de muito rigor, como é apanágio aliás dos elementos que compõem o novo Conselho de Administração. Para este, e porque é importante a experiência na gestão, convidámos para a ele presidir o Engº Jorge Marques dos Santos, com formação académica em engenharia Químico-Industrial, ex administrador da SONAE, ex presidente do IPQ e ex presidente do IAPMEI. Como precisamos de competências técnicas e experiência profissional no setor de cerâmica, convidámos o Engº António Lamas, com formação académica em engenharia da Cerâmica e do Vidro, atualmente Administrador e Diretor de Operações da Aleluia Cerâmica, SA, Vice-presidente na Direção da Sociedade Portuguesa da Cerâmica e do Vidro, ex diretor da APICER, …. Entendemos por outro lado, que seria necessário nesta fase que fosse assegurada uma ponte para a ligação institucional da APICER e do CTCV, pelo que designamos para esse efeito a Dra Albertina Sequeira, Diretora Geral da APICER licenciada em Direito, Pós Graduação em Gestão e Estratégia Empresarial, há largos anos na APICER, que cessará funções naquele Conselho, logo que cumprido o objetivo de transição que lhe foi atribuído. Têm a nossa confiança! Obrigado a todos. José L uí s S e q ueira ( Presid ent e d a Di reç ã o da AP ICER)

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Olhar para o futuro

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Destaque

DO DESIGN EXPERIMENTAL EM AMBIENTE ACADÉMICO ÀS PROPOSTAS E DESAFIOS PARA NOVOS PRODUTOS INDUSTRIAIS

por José Frade, Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha, Instituto Politécnico de Leiria, jose.frade@ipleiria.pt

Com a globalização, onde os negócios, os mercados e os fabricantes operam à escala global, é evidente que o setor industrial cerâmico só tem sustentabilidade se se conseguir diferenciar pela inovação ou pelo design. A competição pelo preço está fora de questão, porque haverá sempre alguém que produzirá a um custo mais baixo do que os custos de referência portugueses [1]. Os materiais cerâmicos abrangem um largo espectro de materiais que vão desde os cerâmicos técnicos, de engenharia ou especiais, até à utilização deste material em artes plásticas [2]. Entre estes dois limites técnicos e artísticos, os graus de liberdade com que os designers podem projetar é necessariamente diferente. O ensino do design tem implícita a experimentação de processos e metodologias de projeto criativos. Por um lado, a cerâmica artística ou de autor oferece uma elevada liberdade formal aos designers que tem interessado explorar do ponto de vista pedagógico em metodologias de projeto criativo. Por outro lado, o projeto de produtos na áreas da cerâmica técnica orienta-se fundamentalmente para o cumprimento de requisitos que se relacionam em primeiro lugar com o cumprimento eficaz dos desempenhos funcionais, não permitindo na maioria das vezes testar por exemplo conceitos estéticos, simbólicos e percetivos dos materiais, conduzindo este tipo de projetos, na maioria das vezes, para o campo da engenharia. O caso concreto do design de produtos cerâmicos industriais tradicionais está enquadrado entre aqueles dois tipos limite de liberdade projetual devendo impor por isso um reforço da integração da engenharia no projeto global de design de produtos cerâmicos industriais. A Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha, do Instituto Politécnico de Leria, é considerada uma referência nacional, cujos cursos de design estão incluídos dentro das melhores escolas de design da Europa [3]. Esta escola para além de oferecer um curso de licenciatura em design de produto – cerâmica e vidro, ministra também um curso de mestrado em design de produto onde muitos projetos de tese de mestrado são desenvolvidos em

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torno de novas propostas de produtos cerâmicos como os que foram recentemente expostos, divulgados e discutidos com a comunidade no âmbito e com o apoio do projeto de investigação CP2S “cerâmica, património e produto sustentável – do ensino à indústria” [4]. Importa no presente artigo demonstrar que certos projetos de design experimental colocam desafios com potencial de exploração em ambiente industrial tendo em vista encontrar novas oportunidades de diferenciação e criação de valor de produtos cerâmicos industriais. É o caso do projeto DE CERÂMICA que se divulga neste artigo e que está incluído num trabalho mais vasto designado Terra – recolha e exploração de matéria, um trabalho de João Margarido [5], realizado no âmbito do curso de mestrado em design de produto, com a orientação do professor designer Fernando Brízio. No projeto DE CERÂMICA, segundo respetivo autor através de estudos sucessivos, explorou-se o potencial da terra como ferramenta, processo e propriedade para a concretização de objetos formalmente resultantes da atividade do designer tendo em conta a versatilidade técnica, plástica, sensorial e simbólica deste material [5]. Através de uma investigação prática pretendeu-se desenvolver estratégias e processos que permitissem a incorporação de diferentes tipos de terras selecionadas pelo designer em objetos, nomeadamente cerâmicos. Trata-se, portanto, de um trabalho exploratório que surge da tentativa de ‘replicar’ em peças cerâmicas, características próprias de cinco terras distintas com significado simbólico para o designer: terra proveniente do local das suas raízes familiares, onde viveu, onde estudou e locais de que gosta por razões pessoais - alentejo, pinhal novo, lisboa, caldas da rainha e salgado, que se apresentam na Figura 1. As cinco terras foram objeto de uma análise qualitativa conforme tabela 1, que demonstra a importância, ainda que percetiva, que é dedicada ao material no sentido de potenciar os resultados criativos do projeto. Neste contexto as terras foram apreciadas quando à sua plasticidade,

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Figura 1 – As cinco terras usadas no trabalho. DR - Direitos Reservados

Destaque

textura, grão, agrado ao toque no estado seco e húmido, cor, tipo de mistura e dados mineralógicos. A indisponibilidade de equipamento de análise específico não permitiu para já uma análise quantitativa de alguns destes parâmetros físicos e químicos. Estas terras foram utilizadas para diferenciarem superficialmente os produtos cerâmicos. As duas cozeduras para a faiança deram-se em ambiente oficinal com curvas de cozedura pré-definidas para este material em forno elétrico.

Plasticidade

Textura

Grão

Alentejo

5

5

Salgado

5

Caldas da Rainha

Agrado ao toque

Cor

Mistura

Particularidade

castanho escuro

homogénea

argilosa

verde acinzentado

esverdeado

homogénea

Muito argilosa

3

laranja avermelhado

laranja avermelhado

homogénea

arenosa

3

3

castanho acinzentado

acinzentado

heterogénea

calcária

5

3

acinzentado

castanho muito escuro

homogénea

Rica em húmus

seca

molhada

seca

molhada

4

5

5

castanho avermelhado

5

5

2

5

4

5

5

1

Lisboa

3

3

3

Pinhal Novo

2

2

1

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Destaque . Kéramica . p.7

Quadro I – Análise qualitativa das cinco terras de acordo com os critérios do autor (na escala de 1 a 5, considera-se 5 um valor superior/maior/melhor).

Terras

Os resultados visuais da experimentação do efeito da “contaminação” com estas terras sobre a textura e a cor de superfícies de azulejos em faiança nos estados verde, chacotados e vidrados cozidos apresentam-se nas figuras 2 a 6. A adição de terras fez-se no processo de conformação, tendo sido os produtos posteriormente chacotados e vidrados. Para a vidragem foi utilizado um vidrado transparente brilhante recomendado para faiança com a designação comercial LCV 3151.


Figura 4 – Peças em faiança contaminadas com terra do pinhal novo (da esquerda para a direita: verde, chacotada, vidrada). DR - Direitos Reservados

Figura 3 – Peças em faiança contaminadas com terra das caldas da rainha (da esquerda para a direita: verde, chacotada, vidrada). DR - Direitos Reservados

Figura 2 – Peças em faiança contaminadas com terra do salgado (da esquerda para a direita: verde, chacotada, vidrada). DR - Direitos Reservados

Destaque

Na figura 7, apresentam-se os resultados visuais da experimentação do efeito da “contaminação” de superfícies exteriores de contentores em faiança com as cinco terras utilizadas neste estudo sobre a textura e a cor dos produtos posteriormente vidrados cozidos. A “contaminação” propositada, ou melhor, a “adição” de diferentes tipos de terras sobre as superfícies de pe-

p.8 . Kéramica . Destaque

ças cerâmicas conformadas industrialmente promove objetos de carácter único, mesmo que conformados a partir de um mesmo molde, sendo impossível replicá-las. Um outro processo experimental consistiu na adição de 10% do mesmo vidrado LCV 3151 a cada suspensão aquosa de aproximadamente 50% volume de água:50%volume terra. Cada uma daquelas cinco misturas foram usa-

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Figura 7 – Contentores “contaminados” superficialmente com terras do salgado, Alentejo, caldas da rainha, lisboa e pinhal novo (da esquerda para a direita) vidrados com vidro transparente. DR - Direitos Reservados

Figura 6 – Peças em faiança contaminadas com terra de lisboa (da esquerda para a direita: verde, chacotada, vidrada). DR - Direitos Reservados

Figura 5 – Peças em faiança contaminadas com terra do alentejo (da esquerda para a direita: verde, chacotada, vidrada). DR - Direitos Reservados

Destaque

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Destaque . Kéramica . p.9


Figura 8 – Peças de faiança com engobes de terras do alentejo, caldas da rainha, lisboa, salgado e pinhal novo (da esquerda para a direita). DR - Direitos Reservados

Destaque

das para revestir a pincel a superfície de cinco taças previamente conformadas e chacotadas em faiança branca. Os resultados obtidos após cozedura são os que se apresentam na figura 8. Os resultados relativos às experiências das adições após conformação das várias terras às superfícies dos vários produtos de faiança (figuras 2 a 7) parecem revelar maior potencial pela textura do que pela cor induzida por cada terra, uma vez que as intensidades cromáticas não resultam visualmente intensas, contrariamente ao que acontece nos resultados da figura 8. Ao nível da cor, as experiências relativas à adição de 10% de vidrado à suspensão aquosa de terras parecem ter elevado potencial de exploração industrial nomeadamente pela sua simplicidade de execução e eventual automatização. Neste caso, as terras que melhores resultados apresentam são a do salgado, alentejo e caldas da rainha. As terras de lisboa e do pinhal novo parecem conferir menos cor aos produtos finais e menos texturas o que está de acordo com a menor granulometria comparativa com as restantes terras. Estas mesmas duas terras também foram as que conduziram a resultados mais sofríveis em termos de aderência da decoração ao corpo cerâmico, o que foi testado com fita cola (a aderência é tanto menor quanto maior for a quantidade de resíduo superficial que fica colado à fita cola). É expectável que o aumento da quantidade relativa

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de vidrado na mistura com cada suspensão aquosa de terra possa conduzir a melhores resultados de aderência entre a camada de revestimento da superfície e o corpo de cada produto final. Acresce que a continuação deste projeto potencia inúmeros ensaios com terras de diferentes locais, aplicados a peças desenhadas ao encontro de determinadas funções e espaços. Não foi objetivo do presente texto aprofundar cientificamente a relação entre as terras e os produtos finais assunto que deve merecer especial atenção no eventual estudo que se venha a realizar de validação de eventuais produtos industriais eventualmente produzidos com base em técnicas que reproduzam os resultados dos métodos usados no trabalho descrito neste texto. Apesar deste trabalho se tratar apenas de um projeto criativo de design de produto importa acrescentar que atende à importância da matéria e da experimentação material no projeto criativo. Esta estratégia a par da autoprodução parece ser uma forte linha da tendência atual no projeto de design de produto [6]. Enquanto a matéria e a experiência material potencia, na maioria das vezes, uma certa aproximação dos resultados dos projetos a um eventual interesse industrial, a autoprodução normalmente conduz os projetos para uma grande simplicidade, afastando-a daquela proximidade, o que não acontece no trabalho exposto neste artigo.

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Destaque

CONCLUSÕES Divulgou-se o trabalho de um designer cerâmico, João Margarido, que projetou e autoproduziu um conjunto de produtos cerâmicos que se destacam criativamente e que se podem integrar desde logo no setor industrial cerâmico decorativo. Por extrapolação, os resultados do trabalho referido anteriormente abrem oportunidades à diferenciação de outros produtos cerâmicos industriais a partir de materiais altamente disponíveis e de baixo custo como são as terras, desde que compatíveis com as normas aplicáveis a esses tipos de produtos. Acresce que algumas destas terras podem acrescentar certos significados aos produtos para certos consumidores, valorizando-os comercialmente de modo significativo. Um outro resultado interessante é o potencial de flexibilidade que um acabamento desta natureza pode conferir a linhas de produtos inclusivamente com a mesma forma, conferindo a cada um deles um caráter único mesmo que produzidos em ambiente industrial.

AGRADECIMENTOS Projeto de investigação CP2S - Cerâmica, património e produto sustentável – do ensino à indústria

p.12 . Kéramica . Destaque

(CENTRO-01-0145-FEDER-23517) com apoio FEDER Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, no âmbito do Programa Portugal 2020 – Programa Operacional Regional do Centro

REFERÊNCIAS [1] José Frade; Inovação e Design; Cerâmica Portuguesa tradição e inovação; pág 94-95; Edição APICER – Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e Vidro; 2016. [2] Michael Ashby e Kara Johnson; Materials and Design: The Art and Science of Material Selection in Product Design; 3ª Ed.; (2013). [3] Top 100 Escolas de arquitetura e Design da Europa; Domus magazine; (12/2014). [4] Exposição / Conferências 12 conversas em torno de 12 projetos em cerâmica, Projeto de investigação CP2S - Cerâmica, património e produto sustentável – do ensino à indústria (CENTRO-01-0145-FEDER-23517); Espaço das Artes; Caldas da Rainha; (fevereiro/março/abril 2018). [5] João Margarido; Terra – Recolha e exploração de matéria; Tese de Mestrado; ESAD.CR; (2017). [6] Vieira, J. W.; Frade, J. M.; Estratégias em design cerâmico: do design experimental e de autoria ao design industrial – Portugal; pág 63-70; Mix Sustentável; Vol 3 Nº 3; (2017).

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Design

O MUNDO INTEIRO CABE NO ID POOL DA VISTA ALEGRE Projeto de residências artísticas da Vista Alegre é incubadora de talentos e best sellers da marca

É numa das casas do centenário Bairro Operário da Vista Alegre, em Ílhavo, que está instalado o ID Pool – International Design Pool, o laboratório criativo da marca centenária portuguesa de porcelana, cristal e vidro, que, desde 2011, já atraiu centena e meia de criadores emergentes provenientes dos quatro cantos do mundo. É no âmbito deste programa de residências artísticas que têm nascido alguns dos best sellers da marca a nível internacional, e que a Vista Alegre, com quase 200 anos de vida, se reinventa diariamente através da excelência do design dos seus produtos, repetidamente laureado pelos mais prestigiados prémios internacionais do setor.

No Bairro Operário da Vista Alegre, em Ílhavo, cabe todo o mundo – a marca centenária portuguesa de porcelana, cristal e vidro é, desde 2011, ponto de encontro de jovens criadores emergentes provenientes dos quatro cantos do globo. Pelas ruas do complexo industrial visionário fundado em 1824 por José Ferreira Pinto Basto, da Vista Alegre, já passaram centena e meia de designers emergentes, oriundos de 26 países, tão equidistantes e culturalmente diversos, entre os quais a Crimeia, o Líbano, a Nova Zelândia, a Rússia, a Indonésia ou o Japão. Portugal atravessou-se no destino destes jovens talentosos graças ao programa de residências artísticas da Vista Alegre, o ID Pool (International Design Pool) que a Vista Alegre criou há sete anos, com o objetivo de instalar um laboratório criativo de desenvolvimento de novos produtos e leituras das matérias-primas fascinantes que são a porcelena, o vidro e o cristal, num permanente esforço de reinvenção e antecipação de tendências de mercado. Uma aposta ganha, já que alguns dos produtos que foram concebidos no âmbito deste ambicioso projeto são atualmen-

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te best sellers da marca, alcançando, inclusive, a distinção de alguns dos mais prestigiados prémios internacionais que premeiam a excelência do design, como Red Dot Design Award, German Design Award, Iconic Design Award, ou Wallpaper Design Award. Desde a sua génese que a Vista Alegre trabalha em diálogo artístico com criadores consagrados nas várias disciplinas artísticas. Essa ligação à arte e ao design foi intensificada após a aquisição da Vista Alegre, em 2009, pelo Grupo Visabeira, impulsionando o seu reposicionamento enquanto insígnia global de luxo e alavancando a expressiva expansão internacional da marca centenária que, no exercício de 2017, exportou 68% da sua produção, reportando um crescimento de dois dígitos nas suas vendas. A instalação do projeto ID Pool foi um passo natural – criar uma incubadora de talentos, promovendo uma reinvenção constante do negócio, e do lançamento de novos produtos. Para a Vista Alegre, que conta com uma equipa fixa de uma dezena de designers internos, cujo trabalho tem sido reconhecido nacional e internacionalmente, na conceção de coleções clássicas e contemporâneas que perpetuem o sucesso e prestígio internacional da marca, o “sangue novo” que chega a Ílhavo todos os meses, há sete anos esta parte, através do ID Pool, é uma mais-valia. Os jovens criadores chegam a Portugal cheios de

Design . Kéramica . p.13


Design

entusiasmo e trazem a bagagem a abarrotar de sonhos, novas ideias, vivências, tecnologias e culturas muito distintas – em linha com o posicionamento global da Vista Alegre. Em resultado, desafiam diariamente a fábrica e a linha de produção, apresentando renovadas visões artísticas do futuro da indústria cerâmica e vidreira mundial. No âmbito das residências artísticas do ID Pooll, que têm a duração de um a três meses, nos quais a Vista Alegre garante o alojamento e a alimentação dos designers convidados, estes acedem a todos os departamentos de produção das fábricas de porcelana, e de vidro e cristal, dotando-os de uma visão transversal da marca, dos seus valores, e de todos os estádios que envolvem a conceção de um novo produto. Para além dos projetos com os quais se candidataram, recebem briefings da marca e desenvolvem novos produtos. Se forem bem-sucedidos, os projetos ganham passaporte direto para as linhas de produção da fábrica e, daí, para as prateleiras das lojas. Em troca, os criadores recebem não só os “royalties”, como também publicidade no mercado com peças da Vista Alegre assinadas por si.

ARTE E DESIGN: UMA QUESTÃO DE ADN Ao longo da história da empresa, as peças da Vista Alegre transformaram-se e atualizaram-se de acordo com os padrões estéticos, refletindo uma preocupação continuada de modernidade e de adequação às linguagens e correntes artísticas. A Vista Alegre compreendeu a importância do design enquanto fator de diferenciação no mercado global, altamente competitivo, e tem vindo a reinventar-se, aliando as suas raízes clássicas à contemporaneidade. A Vista Alegre manteve alguns dos seus ícones, mas criou parcerias com designers que ajudaram no processo de internacionalização da marca. Exemplos dessa ligação

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estreita entre o design de excelência e a internacionalização são a parceria firmada em 2013 com a Christian Lacroix – que reforçou a posição da marca na Europa, a Oriente, no Brasil e nos EUA –; e a parceria com Óscar de la Renta, apresentada nos EUA, ou a ligação a nomes como Jaime Hayon ou Ross Lovegrove, com o qual a Vista Alegre surpreendeu o mercado, no início do ano, ao apresentar uma nova linha de iluminação em porcelana e cristal. Em todas as parcerias firmadas, os designers consagrados, e com a sua própria linguagem e assinatura criativa, compreenderam a essência tradicional da Vista Alegre e transformaram-na em contemporânea, não esquecendo as suas origens. Foi a pensar neste binómio design e internacionalização que foi criado o ID Pool. Integrando jovens

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Design

Matosinhos, a Universidade do Sul Catarinense, do Brasil, e a Faculty of Industrial Design em Varsóvia, Polónia. Os alunos estão a trabalhar num briefing para o desenvolvimento de uma caneca icónica. O vencedor de cada instituição terá entrada direta no ID Pool da Vista Alegre.

Transatlântica, by Brunno Jahara

OS BEST SELLERS DO ID POOL DA VISTA ALEGRE Transatlântica, by Brunno Jahara Brunno Jahara, um dos primeiros designers a frequentar o ID Pool, criou um dos best sellers da Vista Alegre, no segmento mesa: o serviço Transatlântica, que remete para uma travessia imaginária entre Portugal e o Brasil através do Atlântico, com preciosos detalhes em ouro. Líder de vendas, o Transatlântica foi destacado pelo The New York Times, em 2013, como símbolo de um intercâmbio cultural de 500 anos entre Portugal e o Brasil. Esta coleção recebeu, em 2016, uma nomeação para os German Design Awards. designers, artistas plásticos, arquitetos, fotógrafos e outros profissionais criativos de todo o mundo, o ID Pool constitui um laboratório artístico por excelência, onde são incentivados o intercâmbio de ideias e experiências entre os estagiários e os profissionais qualificados da Vista Alegre.

ID POOL ABRE-SE À ACADEMIA Recuperou-se um palácio antigo, para albergar os designers convidados, e criaram-se novas salas de trabalho junto à equipa interna de design. Mais recentemente, o ID Pool abriu-se à academia, firmando parcerias com universidades portuguesas e internacionais, como a Universidade de Aveiro, a Faculdade de Belas Artes de Lisboa, a ESAD

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Calçada Portuguesa, by Manoela Medeiros

Calçada Portuguesa é uma criação da designer brasileira Manoela Medeiros, também ela concebida no âmbito do programa de residências artísticas ID Pool da Vista Alegre. Composta por um conjunto de quatro chávenas de café, quatro pratos de sobremesa, um açucareiro, uma bandeja para tortas e um prato de bolo com pé grande, a coleção traça quatro percursos emblemáticos pela capital portuguesa e reproduz, com precisão e criatividade, o rendilhado a preto e branco que está na base dos mais refinados padrões, evocando simultaneamente a sua textura e relevo.

Design . Kéramica . p.15


Midnight, by Mendel Heit

Orquestra, by David Raffoul e Nicolas Moussallem

Carrara, by Coline le Corre

Calçada Portuguesa, by Manoela Medeiros

Design

Esta coleção foi uma das mais premiadas pelos mais importantes prémios internacionais de design durante o ano transato – recebeu um Red Dot Award Winner 2017 e um German Design Award Winner 2018.

Orquestra, by David Raffoul e Nicolas Moussallem

Criado pelos designers libaneses David Raffoul e Nicolas Moussallem, no âmbito do ID Pool da Vista Alegre, Orquestra é um serviço de mesa que conjuga diferentes padrões de linhas geométricas, recriando a complexidade da harmonia e dos ritmos musicais. Cada linha, na sua diferente direção e densidade, reflete a disciplina e excelência necessárias para executar uma sinfonia.

p.16 . Kéramica . Design

Esta é uma coleção premiada com um Wallpaper Design Award 2015, um Red Dot Design Award 2015 e o German Design Award Winner 2017.

Carrara, by Coline le Corre O encontro entre a porcelana e os desenhos inspirados no nobre mármore Carrara, numa abordagem geométrica muito refinada, cria a ilusão de que cada peça do conjunto pode transformar-se noutra. Uma coleção de mesa inesperada, da autoria da designer francesa Coline le Corre, que nasceu no ID Pool da Vista Alegre. Distinguida com uma menção honrosa pelo German Design Award 2017 e com um Red Dot Award Winner 2017.

Março . Abril . 2018


www.ceragni.com

Bilbao

Lanzarote Illusion

Aveiro

Lys

Viana

Zona Industrial de Viadores, Lote 23 3050-481 Pampilhosa Tel.: +351 231 948 332 Fax: +351 231 948 334 Email: comercial@ceragni.com Bombaim

Playground


Design

Kaleido, by Kevin Smeeing

design mais contemporâneo e técnicas decorativas inovadoras. As formas são inspiradas em peças clássicas e a decoração reinterpreta os desenhos do serviço de mesa Margão. Midnight une, de forma inventiva e tecnicamente complexa, técnicas utilizadas na porcelana e no cristal. Depois de produzidas e decoradas na fábrica de porcelana, as peças viajam até ao mundo do cristal, em Alcobaça, onde, através da gravação por jato de areia se obtém, entre o azul grande fogo, o relevo dos desenhos florais. Uma coleção distinguida pelo Iconic Design Award 2018, e nomeada para os German Design Awards 2017.

Kaleido, by Kevin Smeeing

Midnight, by Mendel Heit

A coleção Midnight, criada pelo designer alemão Mendel Heit, no âmbito do ID Pool da Vista Alegre, resulta da combinação entre a herança cultural da Vista Alegre, o

p.18 . Kéramica . Design

Fascinado pela longa tradição artesanal na lapidação do cristal, o designer Kevin Smeeing aproveitou a sua estadia no ID Pool da Vista Alegre para criar uma caixa inovadora e de enorme complexidade técnica, totalmente lapidada à mão pelos vidreiros altamente especializados da Vista Alegre, na sua fábrica localizada no Casal da Areia, em Alcobaça.

Março . Abril . 2018


Entrevista

À CONVERSA COM JOSÉ QUEIRÓS E RAUL MAGALHÃES, SÓCIOS DA CERAGNI

José Queirós e Raul Magalhães

Kéramica – A Ceragni é uma empresa com pouco mais de dez anos. Conte-nos a história da sua origem e dos seus fundadores? Ceragni – Sediada no Parque Industrial de Viadores, concelho da Mealhada, A Ceragni conta já com onze anos de história. Fundada por quatro profissionais, três dos quais com experiência no ramo da cerâmica, decidiram em 2007 arriscar e mover esforços para colocar novamente em laboração uma fábrica insolvente. As dificuldades dos primeiros tempos foram muitas havendo mesmo quem duvidasse da sustentabilidade do projeto. Chamaram-nos de malucos e que estaríamos condenados ao fracasso. Mas ainda cá estamos. Foi muito difícil arrancar, não só pela crise de 2008 e porque nos mercados onde queríamos estar, já lá estavam todos. O remédio foi pegar na mala e bater às portas. No

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final de 2009 já tínhamos quase toda a produção tomada. Às vezes, as crises são as melhores oportunidades. Kéramica – Como caracteriza a produção da Ceragni?- Que segmentos abrangem? Ceragni – Em contraciclo, a Ceragni evoluiu, aproveitando o nicho de mercado dos pequenos formatos, numa fase em que a moda, seguida por quase todas as fábricas, era o formato grande. Nós mantivemo-nos nos pequenos formatos como o 15x15 sendo o 20x30 o maior que produzimos. É um nicho de mercado que vale a pena continuar a explorar porque foi abandonado por muitos. Kéramica – Cada vez mais os consumidores pretendem personalizar os produtos que adquirem. Qual a resposta da Ceragni a esta realidade? Ceragni – Todos os anos a Ceragni ajusta o seu portefólio às tendências ditadas pelos mercados. Recorremos a alguns desenhadores para estudo de decorações e falamos com os clientes. É desta simbiose que resultam as nossas criações. Kéramica – A volatilidade e flexibilização do mercado, a aposta no Design técnico, a Qualificação de quem trabalha na Indústria … como encara estes desafios crescentes no contexto da empresa que atualmente gere?

Entrevista . Kéramica . p.19


Painel comemorativo 10 anos da Ceragni

Entrevista

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Ceragni – Dentro dos formatos que produz, a Ceragni consegue produzir produtos especiais. O objectivo é servir o melhor possível os clientes e ter a flexibilidade para se adaptarem às suas necessidades. Em nossa opinião o serviço é mesmo fator determinante para a conquista das oportunidades de negócio e fidelização de clientes. A dimensão da nossa estrutura produtiva potencia a flexibilização das operações Com uma equipa de 40 colaboradores, a Ceragni labora 24 horas por dia e 7 dias por semana. Temos uma equipa muito boa. As máquinas são importantes mas o fator humano é muito importante. A maioria dos colaboradores acompanham a Ceragni desde o início. Entendemos que a motivação e valorização da equipa é fulcral e reconhecemos que todos desempenham um papel. Somos uma verdadeira equipa.

MERCADO EXTERNO

Kéramica – A vertente da Internacionalização é uma prioridade da Ceragni? Para que mercados externos exportam atualmente e em que números?

p.20 . Kéramica . Entrevista

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Salon Careso 2018

Entrevista

Ceragni – No panorama internacional, que representa mais de 97% do volume de negócios, o preço é um fator importante mas não determinante, porque há sempre alguém que faça mais barato. Presente na Europa, África, América e Oceania, A Ceragni está nos mercados como uma alternativa de qualidade, na resposta célere a solicitações específicas e encomenda pequenas.

INVESTIMENTO

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Kéramica – Como projeta o futuro da Ceragni? Têm planos de investimento? Ceragni – Em constante desenvolvimento, a Ceragni tem investido na otimização da linha de produção. Em 2015 renovou todo o seu equipamento afeto à produção, o que lhe permite hoje atingir os 1,5 milhões de m2 por ano, aumentando assim a sua capacidade de produção em cerca de 50%. A aquisição de uma impressora digital, permite à Ceragni produzir decorações que há muito eram pedidas pelos clientes. Em 2019 está previsto a aquisição de um equipamento para produção de peças especiais, com maior valor acrescentado.

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Entrevista . Kéramica . p.21


Inovação

WORKSHOP DE APRESENTAÇÃO DOS MANUAIS PARA A GESTÃO DE ATIVIDADES DE IDI E PARA A GESTÃO DE DESENVOLVIMENTO DE NOVOS PRODUTOS por António Oliveira, Economista da APICER

(figura 1). O Manual para a Gestão de Atividades de IDI tem como principais objetivos: - Sensibilizar as empresas para a importância da inovação na competitividade empresarial, incluindo a certificação em Investigação, Desenvolvimento e Inovação (IDI). - Promover o desenvolvimento de processos internos de Investigação, Desenvolvimento e Inovação (IDI). Este Manual está estruturado em 7 capítulos: 1 – Enquadramento - apresentação e descrição das diferentes fases do projeto, objetivos e resultados esperados. 2 - Importância da gestão da inovação: identificação dos principais conceitos de inovação e os benefícios da implementação de um sistema de gestão de inovação. 3 - Implementação de Sistema de Gestão de Inovação: breve enquadramento sobre Normas Portuguesas de Gestão de IDI e uma descrição mais pormenorizada da NP 4457:2007. 4 - Processo de Certificação do Sistema de Gestão de Inovação: principais etapas do processo de certificação

Figura 1 – Marta Antas e Patrícia Cavaco, da PwC, na apresentação dos Manuais de IDI e DNP

No âmbito do projeto “CER++ (Cerâmica+Produtiva+Eficiente)”, que constitui uma medida SIAC-Qualificação cofinanciada pelo Programa Operacional Competitividade e Internacionalização (COMPETE 2020) no âmbito do FEDER - Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, foi concluída mais uma fase da atividade “Capacitação da Indústria Cerâmica Portuguesa - Ferramentas de Gestão de Inovação e de Desenvolvimento de Novos Produtos”, cuja execução está a ser implementada pela APICER com a colaboração da consultora PwC. Após a realização de um diagnóstico inicial e da auscultação das empresas, foram agora apresentados às empresas do setor os Manuais para a Gestão de Atividades de IDI e para a Gestão de Desenvolvimento de Novos Produtos. Esta apresentação foi efetuada durante um workshop que teve lugar no dia 18 de abril de 2018 no Hotel Dona Inês, em Coimbra com a presença de 40 participantes, e esteve a cargo de Marta Antas e Patrícia Cavaco, técnicas da PwC na área da Sustainable Business Solutions

p.22 . Kéramica . Inovação

Março . Abril . 2018


CTCV parceiro tecnológico ao serviço da Indústria Cerâmica

GESTAO DA INOVAÇAO A atividade de inovação e I&DT do CTCV inclui participação ativa em projetos de desenvolvimento tecnológico aplicado, enquadrados em diversos Programas nacionais e europeus de apoio à Investigação, Desenvolvimento e inovação (I+D+i). Contacte-nos para discussão de ideias, avaliação prévia de requisitos e enquadramento das ideias nos concursos em aberto: Indústria 4.0 (i4.0) • Internacionalização PME • Qualificação PME • Inovação Produtiva • Empreendedorismo Qualificado e Criativo

Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro iParque - Lote 7 3040-540 ANTANHOL | Portugal Victor Francisco T. +351 239499210 | Tm. +351 966490470 victor.francisco@ctcv.pt


Figura 2 – Victor Francisco, apresentando o case-study sobre a implementação de boas práticas de Gestão de Inovação no CTCV

Inovação

segundo a NP 4457:2007. 5 - Casos de estudo, que inclui a descrição de práticas de um organismo tecnológico de apoio à cerâmica e de uma empresa do setor. 6 - Ferramentas de apoio: secção com a identificação de um conjunto de formulários, ferramentas online e software que podem ser utilizados pelas empresas para a gestão das suas atividades de IDI. 7 - Fontes de informação: bibliografia utilizada para a elaboração do manual. O Manual para a Gestão de Atividades de IDI está disponível no site da APICER e pode ser consultado na plataforma digital ISSUU, em https://issuu.com/apicerceramicsportugal/docs/manual_de_gest_o_de_atividades_de_i O Manual para a Gestão de Atividades de Desenvolvimento de Novos Produtos (DNP) tem como principais objetivos: - Sensibilizar as empresas para a importância da inovação na competitividade empresarial, através do lançamento de projetos de desenvolvimento de novos produtos (DNP). - Promover a implementação de processos internos associados ao desenvolvimento de novos produtos, alicerçado em boas práticas nacionais e internacionais. Este Manual está estruturado em 6 capítulos: 1 - Enquadramento - apresentação do projeto e do Manual, objetivos e resultados esperados. 2 - Importância do desenvolvimento de novos produtos: o conceito de inovação de produtos e tipologias associadas, bem como os benefícios da implementação de um processo sistematizado de desenvolvimento de novos produtos. 3 - Boas práticas de desenvolvimento de novos pro-

p.24 . Kéramica . Inovação

dutos: conjunto de recomendações a adotar no processo de DNP. 4 - Casos de estudo, que inclui a descrição de práticas de duas empresas portuguesas que atuam no setor da cerâmica. 5 - Ferramentas de apoio: secção com a identificação de um conjunto de formulários e ferramentas que podem ser utilizados pelas empresas para a gestão das suas atividades de DNP. 6 - Fontes de informação: bibliografia utilizada para a elaboração do manual. O Manual para a Gestão de Atividades de Desenvolvimento de Novos Produtos (DNP) está disponível no site da APICER e pode ser consultado na plataforma digital ISSUU, em https://issuu.com/apicer-ceramicsportugal/ docs/manual_para_gest_o_de_atividades_de A apresentação de case-studies, que se seguiu, esteve a cargo do Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro, representado pelo Eng.º Victor Francisco, responsável pela área da Inovação e Desenvolvimento (figura 2). No âmbito da sua intervenção, efetuou a apresentação do CTCV, nomeadamente na vertente dos serviços de inovação, oportunidades, necessidades e desafios relacionados com a inovação. Abordou também as Boas práticas no âmbito de Gestão de Inovação e Desenvolvimento de Novos Produtos (DNP) e os procedimentos para gerir inovação e desenvolvimento de novos produtos. Referiu-se também a casos de sucesso de transferência de tecnologia e parcerias com empresas, e apresentou exemplos de inovação convertida em produto. Finalmente, abordou os riscos a considerar em processos de inovação, formas de mitigar esses riscos e os resultados e benefícios do envolvimento em processos de inovação.

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Entrevista

À CONVERSA COM MARIA ANA VASCO COSTA Arquiteta, ceramista vencedora de vários prémios internacionais, nomeadamente o prémio da Surface Design Awards (2016, 2017 e 2018)

Foto by Luis Silva Campos. DR - Direitos Reser vados

Kéramica – Conte-nos um pouco do seu trajeto no mundo da cerâmica. Atualmente identifica-se mais como uma ceramista ou uma arquiteta? Maria Ana Vasco Costa – Se tivesse de me identificar diria que sou artista, que utiliza a cerâmica como material de eleição, tirando partido de todas as suas possibilidades plásticas. Claro que a formação e experiência como arquitecta influência muito o meu trabalho, tendo contribuído também para uma metodologia de projecto e recurso a ferramentas muito relevantes nas minhas intervenções tanto no processo de concepção como na execução. A cerâmica veio trazer um carácter mais humano ao que faço, pois obrigou-me a “pôr as mãos na massa” e com isso querer criar novas coisas, sensações etc. De certo modo também me deu tempo para pensar em questões que são relevantes para mim. Kéramica – A maneira como trabalha a cerâmica, no design das peças, na conjugação das formas tridimensionais simples aplicadas à escala arquitetónica,

Foto by Kenton Thatcher. DR - Direitos Reser vados

fazem pensar que o seu trabalho será um trabalho mais artístico para projetos arquitetónicos ou de design de interiores? Maria Ana Vasco Costa – Diria que em termos de método, o meu trabalho aproxima-se mais ao campo das artes visuais (dentro da tradição dos “crafts” quando aplicados à arquitecura) do que ao campo de design. O trabalho surge da necessidade de experimentar as minhas ideias de cor, textura e padrão conjugando formas geométricas tridimensionais simples com a tradição de azulejos monocromáticos portugueses. Através da tridimensionalidade obtenho não só novas texturas e padrões como também novos reflexos e variações de cor que consignam aos edifícios uma relação original com as pessoas que os vivenciam na rua. Kéramica – O seu trabalho será sempre um «fato feito por medida» ou antevê que ele possa ganhar a dimensão da grande produção industrial? Maria Ana Vasco Costa – Não excluo essa possibilidade no futuro, mas para já interessa-me mais esta aten-

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Entrevista . Kéramica . p.25


DR - Direitos Reservados

Entrevista

ção autoral de cada intervenção e acompanhar o processo em todas as etapas. Chega a ser um luxo pois é difícil explicar por vezes o tempo e recursos empenhados numa intervenção. A presença da manualidade no meu trabalho, embora também recorra a alguns processos mecânicos, permite encontrar o imprevisto e o imperfeito, importantes para o processo de criação, e mesmo para o resultado final das intervenções. Kéramica – Portugal é também conhecido pelo patrimônio cultural exposto nas fachadas edifícios e monumentos, nomeadamente com os azulejos Acha que este patrimônio poderá estar em risco ou vê capacidade regeneradora em novos ceramistas e designers? Maria Ana Vasco Costa – Vê-se um pouco de tudo! Sem dúvida que o azulejo está a voltar à moda – o que potencia oportunidades e condições de trabalho que há muito tempo não se via nesta área (assistimos várias manufaturas em crise e a fechar as suas portas). Estas oportunidades de reinvenção trazem sempre bons e maus exemplos. Por um lado, temos novos criadores a interessarem-se, a pesquisarem e produzirem alternativas contemporâneas para este material, por outro tempos uma industria massificante que desenvolveu este material a nível técnico, sacrificando muitas vezes o seu potencial estético. Podemos observar isto

p.26 . Kéramica . Entrevista

por exemplo no trabalho dos vidrados, nos edifícios recentes onde têm sido aplicados azulejos onde há permanência da cor no caso do azulejo sem qualquer tipo de variação. Por vezes até simulam os defeitos artesanais através de processos mecânicos que em nada se assemelham com os processos manuais. No entanto felizmente foram algumas mantidas fábricas que ainda preservam a técnica e a sabedoria tradicional. Kéramica – Sendo Portugal um dos principais produtores de cerâmica na Europa, qual será o desafio da indústria cerâmica portuguesa na arquitetura portuguesa e mundial? Os arquitetos estão ainda afastados da cerâmica? Maria Ana Vasco Costa – Cada vez mais recorrem a este material nos revestimentos de fachada, especialmente na área da reabilitação – é um material com características extraordinárias, resistente, refletor, duradouro, asséptico, ecológico, isolante, e com potencialidades plásticas incríveis. O desafio será por ventura contrariar a tendência de que falei há pouco – onde o potencial estético é castrado pelo avanço técnico e pelo preço. Neste sentido acho que os arquitectos estão pouco informados das alternativas. Mas sem dúvida que há aqui

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DR - Direitos Reservados

uma janela de oportunidade de internacionalização e um olhar sobre Portugal no que toca à conjugação deste material com a arquitectura, logo, temos de dar o bom exemplo. Kéramica – Em 2017 aceitou o convite para ser artista-residente na Fábrica Viúva Lamego, uma fábrica mais que centenária e com uma vasta história e reputação. Na sua perspetiva, qual a importância desta ligação? O que poderá resultar dessa colaboração? Maria Ana Vasco Costa – Foi uma grande honra receber este convite! Tempos antes quando percorria quilómetros em condições precárias com peças no carro entre Lisboa e Alcobaça não sonharia que viesse a acontecer tão depressa! Quando emergi na cerâmica durante o curso no Ar.Co percebi rapidamente que iria necessitar de entrar no mundo das fábricas para concretizar o meu trabalho, pela necessidade de escala e de acesso a técnicos e possibilidade de produzir grandes quantidades para alguns projectos. Tive diversas experiências com manufaturas na zona de Alcobaça. A Viúva Lamego torna-se uma oportunidade extraordinária, logo à partida pela proximidade, mas mais importante pela sua história de ligação a artistas e o saber fazer trabalho técnico desta complexidade em cooperação. Ainda é cedo, mas o resultado começa a estar à vista, e o ganho é enorme, e, espero eu, mutuo! Kéramica – Como responsável pelo Departamento de Cerâmica na AR.CO, Centro de Arte Comunicação Visual, sente o crescimento do interesse dos jovens pela cerâmica? Qual o perfil do aluno que estuda/ trabalha este material? Acha que a formação existente em Portugal está adequada às necessidades? Maria Ana Vasco Costa – Sem dúvida que o interesse está a aumentar, isso vê-se logo à partida pelo número

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Foto by Luis Silva Campos. DR - Direitos Reser vados

Entrevista

de inscritos. As origens e motivações são variadas, não há um perfil definido. Em Portugal existe formação, mas no geral é muito técnica, faltando uma vertente mais artística ou plástica que acaba por levar as coisas para outros campos. No Ar.Co encontra-se esta vertente, como também um ensino vocacionado para o trabalho de autor, que, a meu ver, é o mais interessante de se explorar. Kéramica – Tendo intervenções premiadas no Surface Design Awards, no Reino Unido em 2016 e em 2017; mais dois prémios na Surface Design Awards em 2018, e um projeto nomeado para o prémio Obra do Ano ArchDaily, sente que o seu trabalho está a ter o devido reconhecimento em Portugal? Qual foi a obra que desencadeou esta projeção internacional? Maria Ana Vasco Costa – O primeiro trabalho premiado foi a intervenção no Restaurante Loco em Lisboa, do atelier João Tiago Aguiar Arquitectos. Realmente por vezes parece que o reconhecimento e interesse é superior no estrangeiro, mas em Portugal há muitas pessoas que me contactam espontaneamente entusiasmados com o meu trabalho, o que é muito gratificante e inesperado. O reconhecimento vem dessas pessoas, que me procuram para novos projectos, e de quem vai deixando comentários. Tenho tido muitas surpresas que possivelmente irão permitir que trabalhe em locais muito importantes seja no nosso país como internacionalmente. Vamos ver. Kéramica – Para terminar, identifique uma obra que pessoalmente a impressiona na arquitetura portuguesa, em que os elementos cerâmicos são claramente marcantes. Maria Ana Vasco Costa – Confesso que tendo de escolher apenas uma, escolho uma simples. Existe um prédio de esquina na Rua do Século (junto ao chafariz) cuja fachada é em azulejo biselado verde, com muita variação, que nunca me deixa de surpreender...

Entrevista . Kéramica . p.27


Secção Jurídica

TAXA SOBRE CONTRATOS A TERMO NAS EMPRESAS PODE GERAR 90 MILHÕES DE RECEITAS

por Ferreira Ramos e Marta Frias - FAF Advogados

Não se pode dizer que seja novidade. Desde há algum tempo que se acreditava firmemente que o Governo avançaria com o que tinha inscrito no seu programa de Governo: “Combater a precaridade e reduzir a segmentação laboral e promover um maior dinamismo na negociação colectiva”. Só não se sabia quando concretizaria uma alteração na contratação a termo, erigida como medida central nessa melhoria da qualidade do emprego. Ela aí está anunciada. Ainda como proposta aos parceiros sociais e, portanto, ainda coisa nenhuma para além da indicação de um potencial caminho. Como início de negociação haverá ainda muitos avanços e recuos, muitas trocas e muitas ameaças. Espera-se que, no final, ganhe o bom senso e a concertação. Aliás, esse é um ponto desde já a assinalar: a manutenção do espaço da Concertação Social como palco da negociação laboral. Não nos podemos esquecer que, ainda há pouco tempo, a esquerda parlamentar (BE e PCP) ameaçava avocar para a sede Parlamentar (com o desenho actual) a discussão destas matérias. E se se sublinha este esforço e esta decisão do Ministro Vieira da Silva, convirá também não esquecer a sua coerência e a sua tenacidade relativamente aquilo em que acredita. Ao que se sabe não acredita na razoabilidade de algumas das soluções incluídas no CT de 2003/2009 e acredita na generosidade da majoração de férias. Ou seja, até lá, até ao fim da legislatura haverá oportunidade de retomar estas matérias. Que, para a APICER não será problemática porque, em boa hora, manteve a postura negocial e compreendeu a relevância da negociação colectiva. Mas regressemos à contratação a termo. O Governo propõe, entre outras medidas:

p.28 . Kéramica . Secção Jurídica

• A redução de duração máxima dos contratos a termo certo dos atuais três anos para dois anos e alteração nas regras de renovação; • A redução máxima dos contratos de trabalho a termo incerto dos actuais seis anos para quatro anos; • Eliminar do CT a norma que permite a contratação a termo para postos de trabalho permanentes de jovens à procura de primeiro emprego; • Afastar a possibilidade de as convenções colectivas alterarem o regime legal de contratação a termo; • Clarificar que, no caso de as partes acordarem que o termo não está sujeito a renovação, se mantém o direito do trabalhador à compensação por caducidade; • Reduzir para quatro meses o prazo de garantia para acesso ao subsídio social de desemprego inicial para os trabalhadores cujo acesso tenha origem na cessação por caducidade de contrato de trabalho a termo. Aqui chegados é bom de ver que, como sempre, a pressão nas empresas vai ser no bolso. A troca, a negociação vai ser entre mais taxa ou menos motivos justificativos, entre mais custos laborais e maior facilidade de contração a termo, entre mais apoio a contratação de jovens e desempregados por tempo indeterminados com apoios e menos apoio no desemprego de ex-contratados a termo. No rigor do rigor, a não ser em determinados nichos de mercado (existentes também na cerâmica) e em

Março . Abril . 2018


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Secção Jurídica

sectores específicos (por exemplo conservas) esta pode não ser uma matéria sensível, perigosa, complicada para o dia a dia das empresas. Para a generalidade das empresas, aparentemente, para aquelas que contratam muitas vezes a termo com a perfeita consciência que o motivo justificativo é nulo, a alteração que vier a ocorrer, poderá ser um bom motivo para um reforço da sua política de recursos humanos. Dar uma maior atenção ao período inicial do contrato de trabalho, levar a sério o período experimental, criar métricas de avaliação do trabalho, dinamizar o trabalho a tempo parcial, entrar pelo teletrabalho pode centrar a contratação a termo naquilo que é a sua essência: situações extraordinárias e temporárias. Fica-se sempre com a ideia que o excesso de criatividade de alguns (a defesa de que o trabalhador é sempre descartável…) permite depois refluxos suscetíveis de prejudicar uma ampla fatia do tecido empresarial. Tecido esse que poderia centrar a defesa, na verdade, de um alargamento do período experimental. Talvez isso resolvesse definitivamente o dram de décadas da contratação a prazo, perdão, a termo.

p.30 . Kéramica . Secção Jurídica

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Economia

EXPORTAÇÕES DE CRISTALARIA CRESCERAM 8,8% EM 2017 E ALCANÇARAM NOVO MÁXIMO HISTÓRICO

por António Oliveira, Economista da APICER

As exportações portuguesas de objetos de vidro para serviço de mesa, cozinha, toucador, escritório, ornamentação de interiores ou usos semelhantes (cristalaria) atingiram os 89,6 milhões de euros no ano de 2017, o que constitui o valor mais elevado de que há registo (figura 1) e representa uma variação de 8,8% face ao período homólogo anterior (ano de 2016). O saldo da nossa balança comercial de cristalaria no ano de 2017 cifrou-se nos 45,1 milhões de euros e a taxa de cobertura das importações pelas exportações ascendeu a 202% (a taxa de cobertura média para o conjunto de bens foi de 79,9%). Os copos de vidro, com e sem pé, foram o produto de cristalaria mais exportado em 2017 (figura 2), com 51,2% do valor total das nossas exportações de cristalaria em 2017. Seguiram-se os objetos de vidro

para serviço de mesa ou de cozinha (33,8%), os objetos de vidro para toucador, escritório ou ornamentação (9,7%), os objetos de cristal de chumbo para toucador, escritório ou ornamentação (4,0%), os copos de cristal de chumbo, com pé e sem pé (0,7%), os objetos de vitrocerâmica para serviço de mesa e outros (0,4%) e, finalmente, os objetos de cristal de chumbo para serviço de mesa ou de cozinha (0,2%). Em termos de quantidades, as nossas vendas de cristalaria nos mercados internacionais no ano de 2017 alcançaram as 38.724 toneladas (35.665 toneladas em 2016). No ano de 2017 a cristalaria portuguesa chegou a 121 mercados internacionais. Para o conjunto de produtos cerâmicos, a Espanha foi o nosso principal mercado de destino, seguindo-se os Países Baixos, França, Alemanha e Estados Unidos (figura 3). Em termos de áreas de destino,

Comércio Internacional de Cristalaria 250%

100 000 000 90 000 000

Euros

70 000 000 150%

60 000 000 50 000 000

100%

40 000 000 30 000 000 20 000 000

Taxa de Cobertura

200%

80 000 000

50%

10 000 000 0

0%

Exportações

Março . Abril . 2018

Importações

Taxa de Cobertura

Economia . Kéramica . p.31

Figura 1 – Comércio Internacional Português de Cristalaria Fonte: INE - Estatísticas do Comércio Internacional de Bens (dados definitivos de 2000 a 2015, provisórios de 2016 e preliminares de 2017)

PORTUGAL


1%

4%

Exportações Portuguesas de Cristalaria em 2017 Por Meio de Transporte (em % do valor total) 1%

Copos de vidro, com pé e sem pé

10%

2% 20%

Transporte marítimo

Objetos de vidro para serviço de mesa ou de cozinha

Transporte rodoviário

Objetos de vidro para toucador, escritório ou ornamentação

Transporte aéreo

51% Objetos de cristal de chumbo para toucador, escritório ou ornamentação

34%

Outros e não aplicável

Outros

77%

Exportações de Cristalaria da UE28 em 2017 (em % do valor total)

Cristalaria

Mercados de Exportação de Portugal em 2017 14% 2%

12%

Espanha

22%

3%

França

3%

Alemanha

3%

3%

Estados Unidos

3%

Reino Unido

4%

República Checa

7%

17%

6%

Suíça

7%

Outros 10%

UNIÃO EUROPEIA (UE28) No ano de 2017 as exportações de cristalaria na União Europeia ascenderam a 3.155 milhões de euros, o que representa uma variação de 3,5% face ao ano de 2016. Os principais exportadores (figura 5) foram a França (20,0% do valor total das exportações da UE28 em 2017), Alemanha (14,9%), República Checa (9,4%), Itália (9,4%),

França Alemanha Rep. Checa Itália Países Baixos Polónia Áustria Espanha Bulgária Bélgica Portugal Outros

10%

8%

11%

76,4 % do valor total exportado em 2017 correspondeu ao mercado intracomunitário e 23,6% ao mercado extracomunitário. As nossas vendas de cristalaria aumentaram 10,2% para o mercado da União Europeia e 4,4% nos mercados extracomunitários. De entre os 20 principais mercados de destino das nossas exportações, as variações positivas mais significativas, em termos absolutos, ocorreram nos mercados dos Países Baixos, França, Dinamarca, Estados Unidos, Angola, Reino Unido, Itália, República Checa, Índia, Argentina, Bélgica e Cabo Verde. Em sentido inverso, as variações negativas mais acentuadas registaram-se nos mercados da Alemanha, Japão, Austrália, Brasil e África do Sul. Tendo em consideração o meio de transporte utilizado nas nossas exportações de cristalaria em 2017 (figura 4), predominou o transporte rodoviário (77,3%), seguido do transporte marítimo (19,5%). As exportações portuguesas de cristalaria representaram 0,16% das exportações totais de bens em 2017.

p.32 . Kéramica . Economia

15%

Angola Dinamarca

8%

20%

3%

Países Baixos

9%

Países Baixos (7,7%) e Polónia (7,3%). Portugal ocupava o 11.º lugar do ranking de exportadores da UE28, com 2,8% do valor total. Considerando os 10 maiores exportadores da UE28 em 2017, os que registaram um crescimento mais acentuado do valor das suas exportações, face ao ano de 2016, foram os Países Baixos (27,7%), Portugal (8,8%) e República Checa (8,6%). Em termos de volume, as quantidades exportadas pela UE28 em 2017 totalizaram 1.097.129 toneladas (1.093.830 toneladas em 2016). As exportações de cristalaria da UE28 representaram 0,06% das exportações totais de bens da UE em 2017.

MUNDO No ano de 2017 as exportações mundiais de cristalaria atingiram 7.212 milhões de euros, o que representa uma variação de -2,1% face ao ano de 2016. O líder das exportações mundiais de cristalaria é a China (36,8% do valor total), seguida da França (8,8%), Alemanha (6,5%), Turquia (4,2%) e República Checa (4,1%). Portugal posicionou-se no 14.º lugar do ranking mundial, com 1,2% do valor das exportações mundiais. As exportações mundiais de cristalaria representaram 0,05% das exportações totais mundiais de bens em 2017. Fontes: INE- Estatísticas do Comércio Internacional de Bens; Eurostat International Trade e ITC – International Trade Centre.

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Figura 4 – Exportações de Cristalaria em 2017, por meio de transporte Fonte: INE - Estatísticas do Comércio Internacional de Bens

Exportações Portuguesas de Cristalaria em 2017, por Produtos (em % do valor total)

Figura 5 – Exportações de Cristalaria por países da UE28 em 2017 Fonte: Eurostat – International Trade

Figura 3 – Exportações de Cristalaria em 2017, por mercados de destino Fonte: INE - Estatísticas do Comércio Internacional de Bens

Figura 2 – Exportações de Cristalaria em 2017 Fonte: INE - Estatísticas do Comércio Internacional de Bens

Economia


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PROJETO EUROPEU BIM CLAY

por Sílvia Machado, Ambiente e Assuntos Europeus na APICER

ral, por parte de Espanha, e ainda o iED, Instituto de Desenvolvimento de Empreendedorismo, da Grécia. Nesta reunião foram concluídas as primeiras tarefas do projecto relativas ao inventário regulatório de cada em cada um dos Estados-Membros e definição dos produtos e sistemas a considerar como objecto de estudo no âmbito deste trabalho. Foram igualmente realizados avanços quanto ao planeamento da próxima tarefa de levantamento dos valores de ACV típicos para os produtos considerados, além do trabalho administrativo associado às restantes obrigações inerentes á realização de um projecto deste tipo. Além do trabalho em rede que é desenvolvido de

2ª.reunião do projecto BIMClay, 11 de Abril de 2018, Coimbra

No passado dia 11 de Abril, decorreu em Coimbra, a segunda reunião do projecto europeu BIM Clay- Melhoria das Competências Técnicas e conhecimento em Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) dos instaladores de produtos cerâmicos, com o apoio de aplicações BIM- que está a ser desenvolvido com o apoio do programa Erasmus+. Este projecto é coordenado pela APICER e realizado por um consórcio que inclui o CTCV, o Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro, por parte de Portugal, o CTM, Associação Empresarial de Investigação do Centro Tecnológico do Mármore, Pedra e Materiais, e a Hispalyt, Associação Espanhola de Fabricantes de Cerâmica Estrutu-

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forma continuada, os parceiros irão encontrar-se mais duas vezes até ao final do projecto: em Janeiro de 2019 em Madrid e em Junho de 2019 em Coimbra novamente, onde esperamos apresentar os resultados finais. No decorrer das próximas etapas, e até concluir o desenvolvimento dos produtos finais, as várias entidades envolvidas têm previsto realizar aulas piloto e outro tipo de eventos que permitam que os recursos de formação desenvolvidos o sejam com o envolvimento dos futuros utilizadores e futuros destinatários dos conteúdos. No dia seguinte ao da reunião, sob organização do CTCV, realizou-se nas instalações do Loreto o primeiro workshop de apresentação pública do projeto. Do programa deste workshop fazia parte, para além de uma apresentação dos objetivos do projeto BIMClay e dos membros do consórcio efetuada pela APICER e pelo CTM, uma caracterização da situação no que se refere à Avaliação de Ciclo de vida na indústria cerâmica (efetuada pelo CTCV), nomeadamente ao nível das ferramentas (como são exemplo as DAPs – Declarações Ambientais de Produto). Seguiu-se uma mesa redonda na qual foi discutida a implementação de tecnologias de BIM e da ACV/DAP no sector cerâmico, a qual contou com a presença do Prof. Victor Ferreira do Cluster Habitat Sustentável, da Arqui-

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teta Cláudia Antunes da empresa Stratbond, especialista no desenvolvimento de soluções BIM e da Eng.ª Sandra Eichmann da empresa PAVIGRÉS. Nesta mesa-redonda foi abordada a relevância do desenvolvimento de objetos BIM para o setor, centrandose a discussão inicialmente em torno do conceito BIM e suas vantagens, que tipo de informação pode ser integrada, qual a importância para os fabricantes em disponibilizarem detalhes sobre os seus produtos e que empresas cerâmicas – – nacionais ou internacionais – já criaram ou pretendem vir a criar objetos BIM. Deste debate e dos comentários e intervenções dos presentes, ficou claro que existe potencial de desenvolvimento de objetos BIM para o setor, que pode ser potenciada a interligação destes objetos com conteúdos sobre a aplicação dos produtos e que este projeto poderá contribuir para o desenvolvimento de informação para BIM. Algumas empresas manifestaram inclusive que já tinham sido questionadas aquando da participação em concursos (obras) nas quais a disponibilização de informação sobre os seus produtos em formato BIM era um requisito. De referir por fim que, da análise ao contexto nacional e internacional, se concluiu que esta é também hoje uma ferramenta de marketing com interesse para as empresas do setor.

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CONFERÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DO PROJETO “CERAMICS INDUSTRY – THE NEW AGE”

por António Oliveira, Economista da APICER

O projeto “Ceramics Industry – The New Age” é promovido pela APICER e tem por objetivo reforçar a capacitação empresarial das empresas das indústrias da cerâmica e cristalaria e qualificar os seus recursos humanos em domínios considerados prioritários, induzindo incrementos na sua produtividade e promovendo a sua competitividade e internacionalização. Este projeto, cujo período de execução está compreendido entre 1 de abril de 2018 e 30 de março de 2020, é cofinanciado pelo COMPETE 2020 - Programa Operacional Competitividade e Internacionalização, no âmbito do Sistema de Apoio a Ações Coletivas “Qualificação”, e conta com um investimento elegível de 154.051,47 euros e um incentivo FEDER - Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional de 130,943,75 euros. A conferência de apresentação deste projeto teve lugar no dia 18 de abril de 2018 no Hotel Dona Inês, em Coimbra com a presença de 40 participantes (figura 1). A mesa que presidiu à sessão, e que correspondeu aos oradores que nela intervieram, incluiu José Sequeira (Presidente da Direção da APICER), Joana Dias (Magellan), Filipe Ribeiro (Magellan), Xavier Dias (Hop Consulting) e José Carlos Caldeira (membro do Grupo de Alto Nível MANUFUTURE e Presidente do seu Grupo Nacional e Regional de Plataformas Tecnológicas). As oportunidades identificadas no projeto permitirão incrementar o nível de conhecimentos financeiros das empresas (tendências politico-legislativas e de investimento), promover gestão circular de resíduos (em vez da atual gestão linear) e aumentar nível de cooperação entre as empresas (aproveitamento de sinergias potenciais). Os objetivos do projeto são os seguintes: – Reforçar capacitação das empresas, como forma de promover a inovação e internacionalização das empresas. – Qualificar os recursos humanos em domínios considerados prioritários. – Promover a competitividade e internacionalização e induzir aumentos na sua produtividade. – Disponibilizar informação relevante, que permita

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às empresas adquirir mais e melhor conhecimento. – Produzir ferramentas práticas que sirvam as empresas e as ajudem a tomar melhores decisões. – Promover o dinamismo e a cooperação, intra e intersectorialmente, de maneira a aumentar a competitividade das empresas. Os temas que correspondem às atividades a desenvolver incluem as oportunidades de financiamento (ferramentas de financiamento europeu, literacia financeira), a cooperação intersectorial (induzir efeitos de dinamismo em setores a montante e a jusante, mas também em outros setores com potencial de cooperação) e a economia circular (incentivar a valorização e promoção dos recursos naturais e da reutilização de resíduos), Estes temas serão concretizados através de ações no âmbito das seguintes temáticas:

Parcerias intersectoriais para a Inovação e Internacionalização Neste contexto, serão realizadas as seguintes atividades: 1 - Elaboração de um diagnóstico do setor no qual serão identificados os setores com potencial de complementaridade para realização e criação de parcerias intersectoriais que promovam a inovação. 2 - Conferência “Um novo olhar sobre o setor da

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Figura 1 – Aspeto geral da Conferência

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cerâmica portuguesa”, abordando temas como a “Cerâmica 4.0” e interações entre Cerâmica, Ambiente, Energia e Resíduos, o Design e a Moda, e aplicações da Cerâmica na Saúde. Este evento está previsto para novembro de 2018 e terá lugar em Coimbra.

Economia Circular Pretende-se com esta atividade avaliar e compreender estratégias que permitam valorizar e promover os recursos naturais e promover o “ecodesign” na conceção de novas soluções para reaproveitamento de resíduos e a sua ecoeficiência. Para o efeito, será realizado um workshop previsto para março de 2019 e que terá lugar no Porto.

Financiamento, Captação de Investimento e Capital e Literacia Financeira As atividades a implementar no âmbito desta temática têm por objetivo reforçar os conhecimentos dos empresários do setor da cerâmica e cristalaria no que diz respeito às oportunidades de financiamento existentes e formas de captação de investimento e capital. Pretende-se também analisar as principais oportunidades de financiamento (programas e instrumentos financeiros) para as empresas do setor, tanto a nível nacional como internacional. Para o efeito, serão concretizadas as seguintes atividades: 1 - Estudo sobre oportunidades de financiamento para o setor da cerâmica As oportunidades a analisar são, principalmente, as que se relacionam com a Indústria 4.0 e com a cooperação empresarial. 2 - Workshop Captação de Investimento e Capital, a realizar em junho de 2018 no Porto. 3 - Workshop Literacia Financeira para StartUp e PME, a realizar em Santarém no mês de setembro de 2019.

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Comunicação e disseminação de resultados Será disponibilizada, e atualizada permanentemente, informação pertinente sobre projetos desenvolvidos em áreas prioritárias. Serão elaborados boletins mensais com um conjunto de informação relevante relativa a financiamento, eventos e novidades de interesse para as empresas do setor da cerâmica e cristalaria. Os resultados do projeto serão também comunicados no âmbito da conferência final a realizar no 1.º trimestre de 2020. Após a apresentação dos objetivos e atividades a desenvolver no âmbito do projeto “Ceramics Industry – The New Age”, por parte de José Sequeira (APICER) e Joana Dias (Magellan), seguiu-se a intervenção de Filipe Ribeiro (Magellan) sobre oportunidades de financiamento. Referiu-se, nomeadamente, à Estratégia Europeia, Horizonte 2020 (Programa de financiamento para a investigação e inovação), Erasmus+ (Programa de Financiamento Europeu para as áreas da formação, educação, juventude e desporto) e LIFE ( instrumento de financiamento da União Europeia para o ambiente e a ação climática). A conferência prosseguiu com a intervenção de Xavier Dias (HOP Consulting) com a comunicação “Ciclo de Vida das Empresas no Portugal 2020”, referindo os instrumentos financeiros de apoio disponíveis para as empresas em cada fase do seu desenvolvimento; arranque, desenvolvimento, expansão, maturidade e revitalização. A intervenção final esteve a cargo de José Carlos Caldeira (Senior Consultant to the Board of INESC TEC, Chairman MANUFUTURE NRTP Group, EFFRA Board member), com o tema “A Importância do Conhecimento na Inovação Empresarial”. No âmbito da sua comunicação, referiu-se ao contexto e oportunidades, à inovação de iniciativa empresarial, fatores críticos de sucesso, abordagem integrada do ciclo de I&I e desafios.

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NOVIDADES DAS EMPRESAS CERÂMICAS PORTUGUESAS

por Albertina Sequeira, Diretora Geral da APICER

COBERT

o mercado. Os vencedores deste ano foram relevados na cerimónia de prémios que decorreu no dia 19 de abril na Casa da América Latina.

GRESTEL

Grestel colabora em projeto sobre o futuro da indústria na europa. A Grestel foi convidada pela Business Europe, entidade líder na defesa da competitividade da indústria europeia para participar num vídeo que reúne algumas das mais dinâmicas empresas da UE e onde se debatem questões sobre política industrial e estratégia para o futuro da indústria Este vídeo será apresentado, em Bruxelas, aos stakeholders da Comissão Europeia no âmbito do EU Industry Day. Empresas de destaque a nível europeu, nomea-

COBERT – Prémio Inovação na Construção 2018

GRESTEL – Projeto sobre o futuro da indústria na Europa

COBERT vence pelo 2º ano consecutivo o Prémio Inovação na Construção 2018. A Cobert venceu mais um ano o Prémio Inovação na Construção 2018, desta vez com uma nova solução para cumeeira ventilada – o PREMACLIC. A Cobert foi mais um ano a grande vencedora do Prémio Inovação na Construção 2018 na categoria de materiais e coberturas. O novo sistema técnico para telhados - TECTUM®-PRO, vencedor da mesma categoria no ano passado, dá agora lugar de destaque à nova solução para cumeeira ventilada – o PREMACLIC. Os prémios Inovação na Construção 2018, promovidos pela Anteprojectos e Projectista.pt, têm como objetivo distinguir os melhores trabalhos de boas práticas e soluções na construção. São dirigidos a todas as empresas que tenham desenvolvido Materiais, Equipamentos, Sistemas ou Produtos diferenciadores e uma “mais-valia” para

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PORCEL – Fortuna

damente a Solvay (França), Wienerberger (Áustria) e Hovmand (Dinamarca) juntam-se à Grestel que, em representação das empresas portuguesas, destaca a importância da mão-de-obra qualificada como fator de competitividade e de uma maior aposta da Europa em estratégicas de ensino técnico- profissional. Neste vídeo são também defendidas estratégias de tecnologia digital, de pesquisa e inovação, flexibilidade legislativa e de “single de market”. A participação da Grestel neste vídeo “é acima de tudo, uma oportunidade de dar voz às nossas preocupações, mas também de elevar a competitividade das empresas portuguesas e de levar mais longe o nome da Grestel, dos seus trabalhadores e do seu produto”, afirma Helena Ferreira, diretora financeira da empresa.

PORCEL Desenvolvida para celebrar o 30º aniversário da Porcel em 2017, Precious é uma coleção caracterizada por finas linhas e detalhes que envolvem no mesmo desenho o ouro e a platina, ambos os metais aparecem em perfeita harmonia delineando um entrançado fluído sobre a fina porcelana. A Porcel cumpre o desejo de oferecer uma nova e inovadora coleção que traduz na perfeição a identidade da marca e a atenção aos pormenores dedicada a cada peça nas várias etapas do processo de produção. A fusão única entre ouro e platina num padrão entrelaçado de delicadas linhas finas espelha a valiosa ligação entre inovação e tradição artesanal que tem vindo a definir a empresa desde 1987. Precious deseja tornar-se na escolha sofisticada dos clientes, em que o ouro e a platina se complementam de-

licadamente numa trama fluída e onde a brancura de cada peça é realçada com elegância e graciosidade. Fortuna foi desenvolvido com base numa mistura de inspirações, complementando a geometria árabe aos azuis do azulejo português adicionando padrões fluídos de cornucópias. Conhecido por ser o símbolo da fertilidade, a cornucópia tem conotações de prosperidade e abundância com raízes na mitologia grega, este elemento está presente em todas as peças e dá o nome à decoração. Esta fusão de inspirações culturais junta de forma coesa a união harmoniosa e apelativa que a Porcel deseja oferecer com as suas peças. Esta coleção é uma espécie de regresso aos clássicos da Porcel, reforçando o equilíbrio do azul índigo e do ouro brilhante de 24 quilates numa elegância intemporal, conferindo personalidade à porcelana. Ecléticos e inspiradores conjuntos de jantar, chá e café proporcionam aos clientes uma vasta seleção de elementos que permitem a composição de requintadas mesas.

ROCA

PORCEL – Precious

O Roca Lisboa Gallery ganhou prémio Inovação na categoria empresas. A 5º edição dos Prémios Inovação na construção aconteceu na Casa da América Latina, em Lisboa, onde foram distinguidos os melhores projetos e produtos referentes à inovação na construção e a entrega de prémios contou com a presença do embaixador da Argentina em Portugal, Oscar Moscariello. Empresas, Materiais e Produtos e Equipamentos foram as categorias premiadas. A Roca foi a grande vencedora na categoria Empresas, na qual o Roca Lisboa Gallery venceu o prémio inovação.

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ROCA – Roca Lisboa Gallery

VISTA ALEGRE – “Jardim” de Almada Negreiros

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Jorge Vieira, Managing Director da Roca em Portugal, recebeu o prémio e agradeceu à Anteprojectos: «Este prémio é, para a Roca, o reconhecimento e a valorização de toda a equipa que trabalha empenhadamente para oferecer um espaço cultural aberto à comunidade, com exposições e eventos de conteúdo relevante, sobretudo nas áreas da inovação, arquitetura e design. O Roca Lisboa Gallery representa a vontade da marca Roca em manter um diálogo constante com a sociedade, e especialmente com os profissionais com quem partilha a preocupação e o interesse em evoluir os espaços de banho.

VISTA ALEGRE

Vista Alegre apresenta “Jardim” de Almada Negreiros. A Vista Alegre apresentou em Ílhavo, no passado dia 10 de março, num evento exclusivo do Clube de Colecionadores da marca centenária de porcelana, cristal e vidro, a jarra Jardim by Almada Negreiros, uma peça exclusiva de edição limitada a 500 exemplares que comemora o 10ª aniversário do Projecto Artistas Contemporâneos (PAC) da Vista Alegre. Rita Almada Negreiros, neta do artista, afirmou durante a apresentação que “esta peça celebra os 125 anos de Almada”, sendo esta parceria com a Vista Alegre a forma ideal para o fazer. Sobre um fundo onde desabrocham flores exuberantes, Almada Negreiros, uma das figuras mais marcantes da cultura portuguesa do século XX, retrata dois dos seus temas preferidos: os saltimbancos e os bailarinos, captando os seus gestos e movimentos com a máxima expressividade. A energia do traço, a riqueza dos detalhes e a lu-

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minosidade das cores deste jardim, onde homem, animal e natureza se fundem numa teatralidade desafiante, traduzem o ideal de beleza e vitalidade modernistas na interpretação sempre particular de Almada, um dos maiores artistas plásticos portugueses de todos os tempos. Jardim é a 18ª peça do Projeto Artistas Contemporâneos da Vista Alegre, iniciado em 2008. Esta coleção lança anualmente duas edições anuais especiais numeradas e limitadas, desenvolvidas por artistas de renome nacional e internacional. O processo de escolha dos artistas nesta coleção ímpar da Vista Alegre é exigente e rigoroso e a concretização das mesmas é um procedimento extremamente complexo, que requer grande minúcia, de forma a respeitar plenamente a obra do autor na sua adaptação à arte em porcelana. Eduardo Nery, Manuel João Vieira, Pedro Calapez, Joana Vasconcelos, Oscar Mariné, Nadir Afonso, Malangatana, Portinari, Armanda Passos, António Ole, Cruzeiro Seixas, José de Guimarães, Graça Morais, Roberto Chichorro, Júlio Resende, Manuel Cargaleiro e Martins Correia são os artistas consagrados das primeiras dezassete peças desta coleção única e exclusiva da Vista Alegre

VISTA ALEGRE

Casa Alegre abre no El Corte Inglés de Gaia. A Casa Alegre, uma marca detida pelo Grupo Vista Alegre, inaugurou no final da semana passada, o seu novo espaço no El Corte Inglés de Gaia, num evento subordinado ao tema “Playground Table”, que contou com a presença de diversas figuras públicas do Porto, de entre as quais Joana Freitas, Diana Bouça Nova, Elsa Barreto, Rute Miranda, Domingas Leite de Castro, Carla D’Ascenção, Ana Viriato e

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VISTA ALEGRE – Casa Alegre

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Maria Cerqueira Gomes. Durante a inauguração foram apresentadas as coleções de 2018 da marca, das quais se destacam as irresistíveis linhas de grés Casa Alegre e a coleção Tropical Bliss da autoria da designer de interiores Maria Barros.

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O novo corner Casa Alegre no El Corte Inglés de Gaia disponibiliza peças em porcelana, grés, faiança e vidro, das mais de 50 coleções da marca, especialmente criadas para quem gosta de quebrar a monotonia e espicaçar os sentidos à mesa. As propostas Casa Alegre foram concebidas a partir da filosofia mix and match, que sempre caracterizou a marca. Assim nasce o conceito Playground Table da coleção 2018 da Casa Alegre, para que se divirta a variar e a misturar peças à mesa, combinando e recombinando, imaginando e concretizando mesas inesperadas sempre repletas de cor e brilho. Com uma diversidade inigualável de propostas para mesa, as peças Casa Alegre vão muito para além do seu carácter utilitário e funcional. Destaque para 15 irresistíveis coleções de grés Casa Alegre, cujo processo de vidragem manual confere tonalidades e texturas diferentes a cada peça, num resultado surpreendentemente vibrante. Das coleções de vidro sobressaem as cores vivas e gravações modernas. Na porcelana o enfoque está nas decorações e tons repletos de luminosidade, e as criações de faiança da marca apresentam propostas utilitárias e decorativas.

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W E G amplia a gama de conversores de frequência C F W 5 0 0 destinada a aplicações de maior potência

CFW500 possui um micro PLC integrado com macros pré -programadas e a possibilidade de posicionamento, temporização e aceleração. Pode ser programado no local através da IHM incorporada, ou externamente, através de um computador por intermédio de diversas interfaces, como RS232, USB ou RS485. Também é possível realizar o download do software de programação SuperDrive G2, de forma gratuita, através do site da WEG. Os conversores de frequência WEG são projetados para que a sua instalação seja rápida e a sua utilização seja simples. Os vários módulos com a funcionalidade plug-and -play são ideais para as diversas arquiteturas de automação e podem ser facilmente conectados a redes de comunicação, tais como Profibus DP, Profinet IO, Ethernet IP, DeviceNet, CANopen e Modbus RTU. As adaptações individuais aos requisitos específicos do cliente podem ser facilmente implementadas graças a módulos adicionais de extensão plug-in.

WEG

A WEG, um dos principais fabricantes mundiais de tecnologia de motores e de acionamentos, expandiu a sua gama de conversores de frequência CFW500, o que possibilita em aplicações de potência mais elevada maior eficiência energética. Os novos CFW500, com níveis de potência entre 18,5 kW e 22 kW, são ideais para aplicações na área da movimentação, elevação, bombagem e ventilação. A WEG como fabricante líder de motores elétricos, drives e componentes para automação, disponibiliza um conjunto de soluções capazes de abranger diferentes indústrias, permitindo oferecer o conjunto motor e conversor de frequência adequados a cada tipologia de aplicação. Estas soluções integradas poderão originar um aumento da eficiência energética e consequentemente uma redução dos consumos e dos custos associados à sua utilização. Com funcionalidade plug-and-play e um design funcional e intuitivo, a gama de conversores de frequência

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INDÚSTRIA 4.0 “LEAN SM@RT FACTORY” DE ACORDO COM AS ABORDAGENS DA INDÚSTRIA 4.0

Um mundo de novas possibilidades – incluindo produtos e serviços personalizados As características das revoluções sócio-industriais têm uma coisa em comum - o foco está sempre nas mudanças dos processos produtivos. Os objectivos destas revoluções são igualmente os mesmos - maior produtividade, aumento da flexibilidade e optimização da criação de valor. A Indústria 1.0 representou a transição da força física para a geração de energia utilizando vapor e água. A Indústria 2.0 foi o início da produção em massa utilizando a energia eléctrica. E a Indústria 3.0? Esta descreveu a fase da automação auxiliada por computador, que gerou o maior crescimento da produtividade e flexibilidade a partir da década de 1970. A Fábrica 4.0 abrange todas as novas oportunidades relacionadas com o processo produtivo em rede, tais como montagem, manutenção, reparação, marketing e vendas. Este novo processo inclui máquinas e componentes que já não estão apenas ligados em rede e controlados centralmente - como na Indústria 3.0 - mas também têm a capacidade de tomar decisões independentes de forma descentralizada, com base em informação digital, e, de seguida, incorporar informação válida no sistema de produção global. Ao longo dos próximos tempos, sistemas mais adaptativos irão surgir e redefinir muito do que nós consideramos como experimentado e testado. Paralelamente, enormes volumes de dados terão de ser armazenados e analisados em simultâneo, dando origem ao “Big Data”: tratamento de grande volume de dados, internet móvel e informação em nuvem.

NOVAS SOLUÇÕES - MUITO MAIS DO QUE MUDANÇAS NO PROCESSO PRODUTIVO Em 2015 a SEW-EURODRIVE inaugurou uma nova fábrica em Brumath, perto de Estrasburgo, para a qual projectou e concebeu as soluções que correspondem à nossa visão actual dos princípios da Indústria 4.0. O processo produtivo, desde a encomenda até à

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entrega do equipamento, ultrapassa em muito os modelos convencionais – todos os elementos e partes do processo estão digitalmente ligados e conectados. Essencialmente procurámos estreitar a colaboração entre pessoas e máquinas, com os humanos a serem os responsáveis pela criação de valor. Também a nossa fábrica de moto-redutores em Graben, na Alemanha, utiliza já soluções de robótica adaptativa e colaborativa com as pessoas que ocupam as múltiplas ilhas de montagem e sem recurso a qualquer documento impresso de suporte. Na feira de Hannover deste ano apresentámos uma amostra desta instalação no nosso stand, onde simulávamos todo o processo de montagem de um moto-redutor desde a recepção da ordem de montagem até ao seu envio para o cliente. Paralelamente, a SEW-EURODRIVE, enquanto líder de inovação, está também a desenvolver uma série de soluções de software inovadoras para os seus clientes, com base em análise de grandes volumes de dados. As ofertas em manutenção preditiva já são uma realidade, como é também o caso da configuração personalizada dos componentes de automação.

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Calendário de Eventos

THE BIG 5 NORTH AFRICA’2018 (Materiais de Construção) Anual – Casablanca (Marrocos) De 10 a 12 de Abril de 2018 www.thebig5constructnorthafrica.com

TEKTÓNICA’2018 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Lisboa (Portugal) De 9 a 12 de Maio de 2018 www.tektonica.fil.pt

HOTEL SHOW DUBAI’2018 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Dubai (EAU) De 16 a 18 de Setembro de 2018 www.thehotelshow.com

THE NEW YORK TABLETOP SHOW’2018 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Nova York (E.dos Unidos) De 10 a 13 de Abril de 2018 http://41madison.com/

ICFF’2018 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Nova York (Estados Unidos) De 20 a 23 de Maio de 2018 www.icff.com

100%DESIGN’2018 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Londres (R.U.) De 19 a 22 Setembro de 2018 www.100percentdesign.co.uk

CERAMITEC’2018 (Tecnologia Cerâmica) Trienal – Munique (Alemanha) De 10 a 13 de Abril de 2018 www.ceramitec.de

CERAMICS CHINA’2018 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Guangzhou (China) De 30 de Maio a 2 de Junho de 2018 www.ceramicschina.net

TECNARGILLA’2018 (Tecnologia Cerâmica) Bienal – Rimini (Itália) De 24 a 28 de Setembro de 2018 www.tecnargilla.it

EXPOBUILD CHINA’2018 (Materiais de Construção) Anual – Xangai (China) De 26 a 29 de Abril de 2018 www.expobc.com

TENDENCE’2018 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Frankfurt (Alemanha) De 30 de Junho a 7 de Julho de 2018 www.tendence.messefrankfurt.com

CERSAIE’2018 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Bolonha (Itália) De 24 a 28 de Setembro de 2018 www.cersaie.it

BUILDEXPO AFRICA’2018 (Materiais de Construção) Anual – Nairobi (Quénia) De 3 a 5 de Maio de 2018 www.expogr.com

INTERBUILD AFRICA ’2018 (Materiais de Construção) Anual – Joanesburgo (África do Sul) De 18 a 18 Agosto de 2018 www.interbuild.co.za

BUILD SHOW ‘2018 (Materiais de Construção) Anual – Birmingham NEC (UK) De 9 a 11 de Outubro de 2018 www.ukconstructionweek.com

INDOBUILDTECH ‘2018 (Materiais de Construção) Anual – Jacarta(Indonésia) De 2 a 6 de Maio de 2018 www.indobuildtech.com

FORMEX’2018 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Estocolmo (Suécia) De 21 a 24 Agosto de 2018 www.formex.se

FINNBUILD ‘2018 (Materiais de Construção) Anual – Helsínquia (Finlândia) De 10 a 12 de Outubro de 2018 https://messukeskus.com

BATIMATEC’2018 (Materiais de Construção) Anual – Argel (Argélia) De 3 a 7 de Maio de 2018 www.batimatecexpo.com

VIETNAM CERAMICS ’2018 (Cerâmica) Anual – Hanói (Vietnam) De 30 a 31 de Agosto de 2018 http://vietnamceramicsexpo.com

LONDON BUID ‘2018 (Materiais de Construção) Anual – Londres (UK) De 23 a 24 de Outubro de 2018 www.londonbuildexpo.com

COVERINGS’2018 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Atlanta (Estados Unidos) De 8 a 11 de Maio de 2018 www.coverings.com

MAISON & OBJET’2018 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Paris (França) De 7 a 11 Setembro de 2018 www.maison-objet.com

THE BIG 5 DUBAI’2018 (Materiais de Construção) Anual – Dubai (EAU) De 26 a 29 de Novembro de 2018 www.thebig5.ae

YAPI TURKEYBUILD’2018 (Materiais de Construção) Anual – Istambul (Turquia) De 8 a 12 de Maio de 2018 www.yapifuariistanbul.com

CERANOR’2018 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Porto (Portugal) De 7 a 10 Setembro de 2018 www.ceranor.exponor.pt

BAU’2019 (Materiais de Construção) Anual – Munique (Alemanha) De 14 a 19 de Janeiro de 2019 www.bau-muenchen.com

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SEW-EURODRIVE – Driving the world

Serviços especializados em Redutores Industriais A SEW-EURODRIVE Portugal é o centro de competência para a Península Ibérica, do Grupo SEW, em reparações especializadas de Redutores Industriais. Para tal dispõe de uma oficina dedicada e de técnicos com larga experiência em reparação de Redutores Industriais SEW, SANTASALO e redutores não SEW. Cada intervenção segue sempre um conjunto de tarefas que estão definidas de acordo com um procedimento de qualidade devidamente certificado. A SEW-EURODRIVE executa serviços de inspeção e manutenção, de redutores industriais, nas instalações do cliente.


Keramica nº 351  

Nesta edição é dada especial importância ao Design, com o tema de destaque “ Do Design Experimental em ambiente académico às propostas e des...

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Nesta edição é dada especial importância ao Design, com o tema de destaque “ Do Design Experimental em ambiente académico às propostas e des...

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