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Copyright © 2012 by Vanessa Orgélio Todos os direitos desta edição reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida por qualquer processo eletrônico ou mecânico, fotocopiada ou gravada sem autorização expressa do autor. ISBN: 978-85-98792-58-3 Projeto gráfico e editoração eletrônica: Aped - Apoio e Produção Editora Ltda. Revisão: Alessandra Angelo Capa: André Siqueira

Aped - Apoio & Produção Editora Ltda. Rua Sylvio da Rocha Pollis, 201 - bl. 04 - 1106 Barra da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ - 22793-395 Tel.: (21) 2498-8483/ 9996-9067 www.apededitora.com.br aped@wnetrj.com.br


Ă€ Sulamita e Carlos Alberto, pais amados.


AgrAdecimentos

Aos meus queridos pais, Carlos Alberto e Sulamita, que sempre acreditaram em meu potencial, e ficam orgulhosos a cada nova conquista. Tudo que sou devo a vocês. Às minhas irmãs amadas, Valéria e Sonia, por me incentivarem a sempre escrever. Ao meu esposo Rodrigo que me deu tantas dicas, que me apoia e me patrocina. Eu te amo meu amor, obrigado por acreditar em mim. Às minhas queridas amigas Indiára e Indiana pela paciência de ler e reler minhas linhas enquanto ainda as estou escrevendo. À minha amiga Joyce pelas críticas construtivas e por todo carinho depositado em mim. À Monique, minha amiga de infância, por ter lido e se emocionado, chorado e acreditado que esse livro um dia seria publicado. À Amanda Quintanilha, amiga para todas as horas, pessoa maravilhosa que admiro pelo caráter e talento. Sem você, minha foto no final do livro não ficaria tão bonita. À Roxane Norris, amiga escritora, por ter me encontrado, acreditado em mim e em minha obra e ter me dado a chance de realizar meu sonho! Você já se tornou uma pessoa mais que especial em minha vida! 7


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À Zélia, minha editora, por aguentar meus ataques de ansiedade com tanta paciência. Obrigada Zélia e Aped que foram os canais usados para transformar os sonhos de uma menininha em realidade. Obrigada a todos que sonharam comigo, acreditaram em mim e participaram, de alguma forma, na realização desse sonho. Se o seu nome não está escrito aqui, não se sinta menos importante. Apenas não haveria linhas suficientes para expressar a minha gratidão. Obrigada, de coração.

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sumário

Prólogo

11

cAPítulo i – minhA infânciA

13

cAPítulo ii – treinAmento

23

cAPítulo iii – sir mAxwell de mount’Alt

39

cAPítulo iV – A reVelAção

49

cAPítulo V – morfeu

61

cAPítulo Vi – A BuscA

75

cAPítulo Vii – o retorno

85

cAPítulo Viii – rose

95

cAPítulo ix – Amor

105

cAPítulo x – o PlAno

115

cAPítulo xi – A fugA

131

cAPítulo xii – esPerAnçA?

141

cAPítulo xiii – VidA noVA

153

cAPítulo xiV – de VoltA Ao PAssAdo

169

cAPítulo xV – destino

181

cAPítulo xVi – A BAtAlhA

195

cAPítulo xVii – o imortAl

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Prólogo

D

estino. Poucas pessoas conhecem o verdadeiro significado desta palavra cruel. Eu sou uma dessas poucas pessoas. Meu nome é Maxwell. Maxwell de Mount’alt, e sou imortal. Minha história não é nada feliz e você deve estar se perguntando por que digo isso, se a imortalidade é um dom que muitos gostariam de ter, mas nada nessa vida é de graça. Tudo tem um preço. E o meu foi alto demais. Gostaria de conhecer minha história? Então prepare-se para uma longa narrativa, mas de qualquer forma – que ironia! – Tenho toda uma eternidade para contá-la. No momento, quero apenas que saiba que escrevo essas linhas com as mãos ainda manchadas com o sangue do meu próprio pai. “A Colina do Refúgio”. Esse nome nunca fez tanto sentido para mim. Daqui vejo as ondas do mar quebrando aos pés do precipício, uma imagem linda e carregada de lembranças. O mar azul, até onde a vista alcança, encontrando-se com o azul claro do céu, que agora já recebe tons alaranjados do pôr do sol, as aves que voam sem destino... Hoje, sinto-me como elas, mas nem sempre foi assim. Olho para o céu, fecho meus olhos e sinto o vento soprar entorpecendo meu corpo com aquela deliciosa sensação de liberdade. Ah! Liberdade... Palavra esta que lembra minha infância... 11


cAPítulo i – minhA infânciA

T

enho poucas recordações de minha tenra infância. Lembro-me de quando tinha cinco anos. Morava numa cabana com minha mãe. Pouco me lembro de seu rosto, mas recordo-me de vê-la pentear os longos cabelos negros, perto de sua cama antes de dormir. Seu nome era Hannah e tinha longos cabelos... É tudo de que me lembro. Morávamos numa vila quase esquecida chamada Vanrod que significa “lugar de refúgio”. Diziam as velhas histórias que, na época em que os grandes e poderosos dragões voavam livres pelo nosso céu – quando eram os grandes imperadores de nossas terras, quando eram símbolo de orgulho para nossa nação, e desfrutavam de uma liberdade sem perseguições e perigos; que quando velhos, doentes ou cansados demais para sobreviver com os outros –, eles voavam até esse recanto da natureza para se curarem, e do mesmo modo como as águias velhas se refugiavam para se renovarem, eles faziam o mesmo e então voavam de volta à liberdade. Isto, claro, faz muito tempo, muito antes de minha mãe nascer, muito antes de meus avós paternos nascerem... Este sempre foi e até hoje é um lugar de muita paz e tranquilidade. Minha mãe tinha de cuidar de mim sozinha e tirava nosso sustento lavando roupas. Não era algo que rendesse muito dinheiro, mas era assim que mantinha nossa sobrevivência. 13


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Ela sempre me deixava ir ao rio com ela, éramos muito amigos e estávamos sempre juntos. Gostava de pular nas pedras, correr pelos prados, subir em árvores. E meu lugar preferido era esta colina. No final da tarde minha mãe sempre me trazia aqui para vermos juntos o pôr do sol. Consigo ainda sentir seu cheiro... Ela cheirava a jasmim, seu perfume favorito. Quando eu tinha sete anos, uma mulher estranha veio morar conosco. Minha mãe me disse que era uma velha amiga e que fora ela quem tinha me visto pela primeira vez, pois fora a parteira que tinha ajudado minha mãe a me trazer ao mundo. Ela era gentil e eu passei a gostar muito dela. Seu nome era Luna, uma mulher baixa e magra com cabelos castanhos, sem forma e sem brilho. Uma mulher comum, comum como qualquer camponesa sofrida que tinha de lutar para sobreviver. Um dia, porém, minha mãe ficou doente e já não podia mais lavar roupas. Vivemos, não me lembro quanto tempo, dependendo que Luna nos trouxesse comida e cuidasse de mim. Certo dia ao retornar para casa depois de colher ameixas, percebi que havia muitas pessoas em nossa pequena cabana. Lembro-me de que ao entrar, as pessoas olhavam pra mim com pena. Ao lado da cama de minha mãe, completamente desconsolada e triste, estava Luna de Mount’alt, a melhor amiga dela, aquela que havia cuidado de nós até o último instante; e na cama completamente pálido, jazia o delicado e frágil corpo de minha adorada mãe. – Pobre Max! – Era o que as pessoas diziam. – O que vai ser desse infeliz menino? Bastardo, e agora órfão! Eu não tinha compreensão do significado da palavra “Bastardo”, mas tinha uma leve impressão de que “órfão” era uma palavra horrível relacionada ao fato de que eu não veria mais minha mãe. E assim sucedeu. Ao mesmo tempo em que as pessoas olhavam pra mim com pena, ninguém se dignava a me fazer um 14


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afago. Naquela tarde corri para a colina, e chorei ao ver o pôr do sol, eu sabia que nunca mais o veria ao lado de minha mãe. Quando a noite já estava alta, ouvi uma voz chamando meu nome. Era Luna. Ela carregava trouxas com minhas roupas. Disse que iríamos embora e que cuidaria de mim dali pra frente. Então passei a chamar-me não apenas Maxwell, ou Max – como alguns me chamavam – mas Maxwell de Mount’alt. *** Viajamos para um lugar distante chamado Gilpin. Era um povoado perdido no meio de uma velha floresta de carvalhos em Walganus, o reino vizinho. O povoado era cercado com muros altos e as pessoas dali viviam da venda de produtos cultivados ali mesmo. Toda semana os produtos eram levados de carroça até a corte do rei Edward II, para serem vendidos na feira. Quando os camponeses voltavam, era sempre uma grande festa, pois voltavam com roupas e outros objetos necessários para nossa sobrevivência e, algumas vezes, para nossa diversão. Os primeiros meses com Luna foram muito difíceis. Ela era muito boa e nos entendíamos bem, mas eu sentia falta de minha mãe. Conforme o tempo foi passando, as lembranças dela ficaram cada vez mais distantes até chegarem ao ponto de eu não lembrar mais de seu rosto. Para todos naquela aldeia, Luna era minha mãe. E passou a ser pra mim também; acostumei-me a chamá-la assim. Ela tinha um carinho enorme por mim e tudo que eu podia fazer para recompensá-la pelo apoio que sempre me dera, eu fazia. Só uma coisa não mudou: as pessoas continuavam a chamar-me de bastardo. Certa vez perguntei à Luna o que aquela palavra significava. – Mãe, sempre ouço as pessoas dizendo que sou filho bastardo. Eu poderia pensar que é porque você não é minha 15


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mãe de verdade, mas nunca esqueci que também me disseram isso no dia em que minha mãe Hannah morreu. O que isso quer dizer? Por que sou bastardo? Ela olhou pra mim com ternura. Toda ternura que poderia existir numa pessoa. Afagou meus cabelos pretos passando o dedo por entre os cachinhos que ele formava, e disse. – Não importa o que essa palavra significa meu filho. Importa o que nós somos um para o outro. Você é meu filho. Eu sou sua mãe. Somos felizes assim, não somos? – Sim. – Respondi. – Então não importa o que as pessoas possam dizer, você é um garoto lindo. É esperto e muito corajoso. Um dia será um grande guerreiro! – Não quero ser um guerreiro mamãe, quero ser vendedor! Quero ir pra feira toda semana e trazer presentes pra você! Ela sorriu com doçura. – Tem razão. Você seria um ótimo vendedor, mas ser um guerreiro é muito melhor! Você teria muito mais honra, e me faria muito mais orgulhosa! – O que é honra mãe? – Você é um garotinho muito curioso! – Ela tocou seu dedo indicador na ponta do meu nariz em tom brincalhão. – Existem coisas que você vai aprender sozinho durante sua vida! Mas acredite, você será um homem muito honrado! Eu não sabia direito o que um guerreiro fazia. Eu era jovem e não víamos isso no lugar onde morávamos. Víamos os vendedores, e todas as crianças gostariam de ser como eles. Tampouco sabia o que era honra, mas acreditava no que Luna dizia. Eu seria um homem honrado! E se ser guerreiro era o que faria Luna feliz, era isso que eu seria! Um grande guerreiro! O melhor deles! *** 16


O Imortal – A Saga de Um Guerreiro

Eu era como qualquer criança ao nascer, exceto por uma peculiaridade: eu nasci com uma marca; um sinal em minha pele. Mas não era como uma mancha,era como um desenho. Algo tão bem feito que parecia que um artista a tinha desenhado com uma pena à tinta preta. No entanto era algo tão embutido em minha pele que realmente, apesar de fora do comum, fazia parte de mim. Desde quando eu morava com minha mãe Hannah eu mantinha minha marca em segredo, mas quando cheguei à idade dos nove anos, passei a reparar nela com mais atenção. Às vezes, eu passava horas imaginando aquela figura criando vida na pele do meu braço. Ela parecia uma espada e tinha um dragão ao redor dela. No começo ela era pequena, mas conforme fui crescendo, ela cresceu comigo e tomou toda parte interna do meu braço direito acima do cotovelo. Comecei a achá-la bonita e queria que todos a vissem. Uma vez, quando eu tinha dez anos, estava apaixonado por uma menina que cresceu brincando comigo. O nome dela era Mary. A gente saía para passear pela cidade e uma vez eu disse a ela que seria um grande guerreiro. Ela me disse: – Guerreiros são corajosos! Duvido que você tenha coragem de sair dos muros do povoado e se arriscar na floresta! Com meu orgulho de menino ferido, respondi: – Pois como não? É claro que tenho coragem! Vou até o riacho e volto sem nada me acontecer! – Pois essa eu quero ver! E quer saber mais? Vou junto com você! – Mas você é uma garota! Garotas não se arriscam em aventuras assim! – Não me diga o que não posso fazer! Vou com você e pronto! Já está decidido! E assim, quando ninguém estava olhando, no exato momento em que o vigia do portão foi vencido pelo sono, antes da troca de guarda, nós dois atravessamos os portões sorra17


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teiramente e sentimos a liberdade de estar do outro lado dos muros do povoado. Andamos por um tempo distraídos, conversando e brincando, mas depois Mary começou a ficar com medo. – Max, isso já está indo muito longe! Logo vai escurecer! Vamos voltar! – Está com medo Mary? Eu disse que iria até o riacho, e vou! – Mas nem sabemos se estamos indo para a direção certa! Quero voltar Max! Agora! – Aguente um pouco Mary, já posso ouvir o som do rio, já estamos chegando! Ela estava assustada, mas ao ouvir o som do riacho também, se acalmou. Andamos uns poucos minutos passando entre raízes escorregadias pelo limo e de repente vimos o sol aparecendo por entre os galhos altos dos carvalhos, e então chegamos ao rio. Mary deu um suspiro: – É lindo! – E sorriu, mas de repente ficou séria novamente. – Certo Max, você é corajoso! Eu sei que vai se tornar um grande guerreiro, mas agora vamos voltar está bem? – Eu ainda acho que deveríamos aproveitar. Sempre vivemos na vila e já que corremos o risco de virmos até aqui, por que não aproveitar para nos refrescarmos? – Hum... – E fez uma cara de reprovação. – Não sei se é uma boa ideia... – Vamos Mary! Que mal pode acontecer? Eu estou aqui para te proteger! – Disse me sentindo superior. – Só um mergulho e depois vamos embora! – Tudo bem. – Ela disse relutante. – Acho que está mesmo calor, e um banho no rio não vai fazer mal algum... Ela sentou-se numa pedra próximo à beira molhando apenas os pés, mas eu queria lembrar-me de como era bom nadar em águas correntes e tão cristalinas. Queria lembrar-me 18


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de Hannah e da minha liberdade em Vanrod e na Colina do Refúgio. Tirei minhas roupas ficando apenas com as roupas de baixo e pulei na água me sentindo como se fosse um peixe. Mergulhei bem no fundo e abri meus olhos. Eu gostava da visão embaçada num rio tão cristalino. O meu fôlego era muito bom e eu podia ficar muitos minutos lá embaixo sem me preocupar, mas de repente comecei a ouvir muito distante a voz de Mary me chamando e resolvi então voltar à superfície. Quando me viu, ela deu um suspiro de alívio e me chamou para sentar ao seu lado. Com a pele molhada, os cabelos caindo nos olhos e sentindo o calor do sol em contraste com a brisa leve e refrescante, eu não me importei em não colocar a roupa novamente. Sentei-me ainda pingando ao lado de Mary com o peso do corpo sobre os braços que estavam voltados para trás. Ela falou alguma coisa sobre ter ficado preocupada comigo e então notou minha marca. Primeiro ela fez uma expressão surpresa e depois disse. – Puxa Max! Que bonito! Quem desenhou isso no seu braço? Minha primeira reação foi ficar assustado, por ver que ela havia visto algo proibido, mas depois senti-me confortável e orgulhoso. – Você gostou? – Sim! – Ela estava com um olhar curioso. – Eu já nasci com ela e... CREC... – O que é isso? – Ela perguntou já bastante assustada. O barulho tinha vindo dos arbustos logo à frente. Pra ser sincero eu não sabia a que tipo de perigo nós estávamos expostos. Poderia ser um pequeno animal correndo nas folhas secas e quebrando algum galho pelo seu caminho, porém um medo repentino tocou meu coração e eu senti pela primeira vez aquela área do meu braço onde estava o desenho arder; arder como se eu tivesse me queimado no fogo e aquilo me 19


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assustou muito. Pra piorar, uma terrível sensação de que estávamos sendo observados fez um arrepio percorrer minha espinha. Eu levantei num pulo e Mary, não sei se por medo, fez um movimento tão rápido quanto o meu. – O que foi Max? – Ela perguntou. – O que você viu? – Não sei. – Para minha vergonha, minha voz estava cheia de medo. – Mas acho melhor irmos embora logo. Peguei as mãos de Mary e puxei-a pelo caminho de volta. Começamos andando apenas muito rápido, mas a sensação de que estávamos sendo observados aumentava a cada passo. De repente além de “sentir” aquela presença estranha eu também pude “ouvir”. Ouvi passos que não eram os meus nem os de Mary e ouvi sua respiração calma e uniforme em contraste com a nossa que estava rápida e entrecortada. Aquilo com certeza foi uma das experiências mais estranhas e assustadoras que já experimentei. De repente, eu comecei a ter meus sentidos muito mais aguçados. Eu “sentia” a presença de alguém, eu “ouvia” seus passos e respiração. Comecei a puxar Mary ainda mais rápido por entre as árvores e então comecei a sentir um cheiro... Um cheiro horrível que eu nunca havia sentido antes e que não podia ser de nenhuma flor exótica ou fruta podre e eu estava assim assustado e confuso quando vi um vulto por entre as árvores. O que quer que fosse não estava apenas nos observando, mas nos caçando e eu podia “sentir” suas intenções. Não podia dizer o que era, mas com certeza era algo cruel que desejava derramar nosso sangue, meu sangue... Eu podia “sentir”... Então comecei a correr puxando Mary mais rápido do que ela podia acompanhar. Minha marca ardia insistentemente embaixo da minha pele e quanto mais podia “sentir, ouvir e cheirar”, mais a dor no meu braço aumentava. Eu corria e gemia de dor, Mary gritava como louca. 20


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Eu via pelo canto dos olhos aquele vulto, aquela imagem fantasmagórica cada vez mais perto e mais esforço eu fazia para correr por entre as árvores e raízes, e então avistei os portões da aldeia. Corremos o mais rápido que pudemos e nos lançamos contra os grandes portões de madeira gritando e implorando para entrar. Eu sabia que fosse o que fosse que estivesse nos seguindo estava chegando muito perto. Eu ouvia o som da sua respiração, sentia seu cheiro desagradável. Eu estava quase me contorcendo de dor quando os vigias abriram os portões e nos puxaram para dentro. Mary estava muito assustada e apesar da dor estar mais fraca, eu ainda estava deitado no chão agarrado ao meu braço. Luna veio correndo em nossa direção com uma expressão aflita no rosto. – Onde estava Maxwell? – Ela me levantou do chão. Eu estava assustado demais para responder. Ela viu que meu sinal estava à mostra e de um preto bem vivo. Ela arregalou os olhos, cobriu-me com um manto, tomou minhas mãos e foi me guiando até chegar à pequena cabana que chamávamos de casa. – O que você pensa que estava fazendo Maxwell? Saindo da segurança da vila pra essa floresta perigosa levando Mary junto! Além de se arriscar ainda colocou aquela pobre menina em perigo? O que você estava pensando? Eu estava confuso e envergonhado, ouvindo tudo que Luna dizia sem olhar em seus olhos. – O que você estava fazendo sem sua roupa? – Ela perguntou com a voz mais amena. – Eu queria nadar no rio. – Falei sentindo os grandes olhos castanhos de Luna cravados em mim. – Mary quis ir comigo. Tirei a roupa pra nadar e de repente ouvimos um barulho e tinha alguém nos seguindo... – Eu estava aflito e Luna me abraçou. 21


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– O que aconteceu depois? – Ela estava com um tom bem mais doce. – Nós corremos. E eu ouvi! Ouvi coisas que eu não ouvia e senti um cheiro horrível também! Eu podia sentir que tinha alguém nos caçando! Depois eu vi um vulto pelas árvores e aí minha marca começou a arder como se estivesse pegando fogo! – Eu falava rápido e quase sem respirar, estava muito aflito. Ela olhou pra mim com uma expressão rude. – Você deixou alguém ver essa marca? – Mary viu. Aí ela explodiu: – Maxwell! Como você pode? Preste muita atenção nas minhas palavras: você não deve deixar NINGUÉM ver essa marca! Nunca mais! Você está expondo sua vida em perigo deste jeito! Nunca mais faça isso! Eu não podia entender a razão daquilo, mas eu estava assustado demais pra perguntar o por quê. – Está bem mãe. – Falei. – Me desculpe, não farei isso novamente. Ela suavizou a expressão do rosto, me abraçou com ternura e disse que me amava.

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Revisão: Alessandra Angelo Capa: André Siqueira Projeto gráfico e editoração eletrônica: Aped - Apoio e Produção Editora Ltda. ISBN: 978-85-...

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