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O autor não deseja impor a sua verdade. Deseja, apenas, encorajar outras pessoas a procurarem a sua própria verdade, sem fugirem de si mesmos. Espera, mais do que tudo, que as verdades que descobriu possam suavizar os caminhos do próximo.

Beijar? Beijar só porque sou bonita? E as feias? Não têm direito? O poeta foi muito infeliz quando disse: “As feias que me desculpem, mas beleza é fundamental”. E se você casar com uma pessoa bonita e houver um acidente e ela perder a beleza? O que tem dentro dela não vale nada? E as feias

que são lindas por dentro? E as lindas que são feias por dentro? Todos têm

Floriano Alves Borba

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iferente dos outros meus livros, esta obra não tem nenhum cunho eminentemente filosófico e de questões religiosas que lhe são característicos, mas revela, através de seus personagens, na verdade, aquilo que de religiosidade prática deveríamos todos viver.

sentimentos. As feias também querem ser amadas, querem amar, querem ter um filhinho que para elas será lindo. São como todo mundo, sentem como todo mundo. Homens podem ser feios desde que tenham dinheiro? Mulheres têm que ser bonitas? Não, eu não quero isso, não quero brincar. Há três anos não beijo ninguém e espero meu príncipe encantado. Se aparecer um sapo, quando eu beijá-lo ele ficará lindo.

O Dançarino

O aprofundamento na Psicologia o ajuda a respaldar algumas de suas opiniões, mas a graduação, mestrado ou doutorado não são vistos por ele como as coisas mais importantes. Segundo o autor, existe uma sabedoria espalhada pelo Universo que pode ser apreendida por qualquer um. Ninguém é mais do que ninguém, ninguém é menos do que ninguém. O estudo ajuda, mas a sensibilidade é fundamental. Em seus livros, Floriano procura transmitir ao leitor o que a sua sensibilidade conseguiu captar e vislumbrar.

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im. Eu não quero isso. Não quero brincar com sentimentos.

Floriano Alves Borba

Floriano Alves Borba formou-se em Odontologia em 1973, mas seu interesse maior sempre foi voltado para os assuntos ligados à filosofia, religião e a psiquê humana. Essa tendência levou o autor a se interessar pela Psicanálise. E, procurando suprir a necessidade de um conhecimento maior, busca agora a graduação em Psicologia.

O Dançarino

É uma história de superação do ser humano sobre si mesmo, caminhando para o lado do bem e, indiretamente, influenciando os outros à sua volta numa sucessão de eventos que vão se entrelaçando e influenciando uns aos outros. Parece uma novela simples, mas revela dramas existenciais que, por vezes, não percebemos. Espero que este singelo texto possa servir de alerta para nossas ações evitando perpetrarmos erros em situações simples do dia a dia magoando os que nos cercam. Em suma, é uma novela em que não há bandidos, mas somente mocinhos. Deliciem-se.

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O Danรงarino


Floriano Alves Borba

O Danรงarino


Copyright © 2011 by Floriano Alves Borba Todos os direitos desta edição reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida por qualquer processo eletrônico ou mecânico, fotocopiada ou gravada sem autorização expressa do autor. ISBN: 978-85-98792-29-3 CAPA | PROJETO GRÁFICO | DIAGRAMAÇÃO Aped - Apoio e Produção Editora Ltda. E-mail do autor: florianopacon@yahoo.com.br

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ B719d Borba, Floriano Alves, 1952O dançarino / Floriano Alves Borba. - 1.ed. - Rio de Janeiro : APED, 2011. ISBN 978-85-98792-29-3 1. Ficção brasileira. I. Título. 118324.

CDD: 869.93 CDU: 821.134.3(81)-3

08.12.11 09.12.11

Aped - Apoio & Produção Editora Ltda. Rua Sylvio da Rocha Pollis, 201 - bl. 04 - 1106 Barra da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ - 22793-395 Tel.: (21) 3183-0849/ 2498-8483 www.apededitora.com.br aped@wnetrj.com.br

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Dependemos um do outro, precisamos um dos outro. O mundo cria hierarquias, posiçþes diferenciadas, mas somos seres humanos com as mesmas aspiraçþes, os mesmos medos e sofrimentos na alma.


Dedicatória

Este livro é dedicado a todos aqueles que se encontram na mendicância. Sem sabermos o motivo pelo que sofrem e quais são valores que têm dentro de si, os julgamos pela aparência, sem termos a ideia da dimensão humana que trazem em seu interior. Que todos nós possamos ser mais solidários. A fronteira entre o desespero e a paz, às vezes é tênue. Poderíamos ser um de nós a estarmos lá.

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Apresentação

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Dançarino é um livro diferente dos outros livros do autor, pois não tem o cunho eminentemente filosófico e questões religiosas que lhe são característicos. Na verdade, revela, através de seus personagens, tudo aquilo que de religiosidade concreta deveríamos praticar e viver. Uma história que, a cada capítulo, demonstra a superação do ser humano sobre si, ao caminhar em busca do bem e, indiretamente, influenciando os outros à sua volta; numa sucessão de eventos que se entrelaçam. Este pequeno romance revela dramas existenciais que, muitas vezes, não percebemos ou deixamos passar despercebidos. Floriano Alves Borba alerta, através de uma narração simples, que podemos agir, evitando assim perpetrarmos erros em situações simples do dia a dia, evitando magoar as pessoas que nos cercam. Diferente de outros romances, não há bandidos, somente mocinhos. Deliciem-se.

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Sumário

Dedicatória Apresentação Capítulo 1 – Bar Capítulo 2 – Marina Capítulo 3 – O enterro Capítulo 4 – A noite Capítulo 5 – O dia Capítulo 6 – Trabalho Capítulo 7 – Cem reais Capítulo 8 – Esperança Capítulo 9 – A mansão Capítulo 10 – O casamento Capítulo 11 – Teschenchein Capítulo 12 – As aulas Capítulo 13 – O casamento na Igreja Capítulo14 – Ferdinand Capítulo 15 – O almoço Capítulo 16 – A verdade Capítulo 17 – Helena

7 9 13 17 21 25 29 33 39 43 51 57 61 65 69 75 79 83 87 O Dançarino • 11


Capítulo 18 – Koloscki Capítulo 19 – Flamenco Capítulo 20 – O concerto Capítulo 21 – Os casamentos Capítulo 22 – Sabrina Capítulo 23 – A escola de dança Capítulo 24 – Thais Capítulo 25 – O parto Capítulo 26 – Robson Capítulo 27 – Uma luz Capítulo 28 – Conversa íntima Capítulo 29 – A pizza Capítulo 30 – Sonhos Capítulo 31 – O mordomo Capítulo 32 – Paris Plaza Capítulo 33 – O almoço Capítulo 34 – À mesa Capítulo 35 – Namoro Capítulo 36 – Estreias Capítulo 37 – O aniversário de Sabrina Capítulo 38 – Os sem-esperança Capítulo 39 – Pendor Capítulo 40 – Maísa Capítulo 41 – Preparativos Capítulo 42 – Pré-festa Capítulo 43 – A festa Capítulo 44 – Fundação Koloscki

91 97 101 107 111 115 119 121 125 129 133 137 141 145 149 153 157 161 167 173 183 191 195 201 205 213 219


Capítulo 1 – Bar

– Dança, dança. – Grita a turba agitada. Rodrigo, bêbado, obedece. Sobe em uma mesa, como se fosse palco e começa a revolutear. Balança para um lado, balança para o outro e, por milagre, não cai da mesa. Alguém grita gargalhando. – Dança, dança que eu te pago outro copo. E ele segue gargalhando junto não se dando conta da zombaria. Marina, serviçal do bar, observava indignada sem nada poder fazer. Incomodava-se. Sabia que Rodrigo era boa pessoa, conhecia-o desde menina, quando ele ainda era adolescente. Sempre apreciara o amigo, era com quem costumava conversar na meninice. Rodrigo tinha uma carreira promissora na dança, afastou-se do bairro para se dedicar a carreira, ia indo bem, mas largou tudo por uma decepção amorosa e entregou-se à bebida. Satisfeita a galera, Rodrigo desce da mesa para receber seu prêmio, outro copo de cachaça barata. Ela aproveita o fato de servi-lo e pede para ele parar. Não tem resposta, o infeliz sorri e desmaia. Já são vinte e duas horas, hora em que o bar costuma fechar. Jogam-no na calçada. Marina vai para casa sem nada poder fazer pelo amigo, uma lágrima rola-lhe pela face.

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Rodrigo permanece ao relento sendo despertado pela manhã por Ernesto, filho do dono do bar, que o abria às seis e meia da manhã. Com fome pede um pão e uma cachaça. Ernesto, que não tolerava bebedeiras e por isso trabalhava no horário matutino até quatorze horas, responde. – Vai trabalhar vagabundo. Comigo aqui você não tem comida nem cachaça. Tem pobre tomando sopa de papelão para enganar a fome e você quer comida de graça? Se manda daqui. Rodrigo sai humilhado e cheio de dor de cabeça. A bebida lhe fazia falta, não demasiado, mas já fazia. Procura um lugar à sombra sob um viaduto e adormece outra vez. É verão, ele acorda às duas da tarde todo suado. A fome aperta. O suor lhe empurra para um banho, mas aonde? O desespero bate, lembranças lhe vem à mente. O teatro, as roupas finas, os musicais em que ele era o principal dançarino, o corpo asseado, o perfume que usava. Ele chora. Mas o que fazer? Agora só restava esperar a turba chegar para iniciar o espetáculo outra vez no bar do seu Manuel para pagarem alguma comida e bebida para aliviar a mente. Vivia da mendicância pelas cercanias do bar. Alguém, às vezes pagava uma comida, um salgado, um pão. Seis horas da tarde, sexta-feira, hoje é dia de regalo. Hoje todo mundo bebe, sobra mais para ele. Pode esquecer as angústias por mais um tempo. Às oito ele já está alto, é como a turba gosta de vê-lo dançar rodopiando como um pião e ela começa. – Dança, dança, que ganhas mais um copo. E o tolo sobe numa mesa e começa. – Música seu Manuel, música – Grita a pequena turba. A gargalhada é geral. Rodrigo começa a dançar, mas desta vez se desequilibra e cai. Bate com a cabeça, corta o supercílio que começa a sangrar profusamente. A brincadeira acabou. A maioria dos clientes paga a conta e vai embora. Marina, aflita, tenta estancar o sangue. Seu Manuel, por falta de opção, telefona para o filho que morava perto. Ernesto vem praguejando, mas obedece ao pai e leva Rodrigo para o hospital. Marina vai junto, liberada pelo patrão.


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– Eu não vou entrar no hospital, fala Ernesto, irritado. – Vou te largar na porta com ele. Te vira. Já chega a sujeira que ele está fazendo no meu carro. Vou ter de dar uma geral amanhã que não vai sair por menos de sessenta pratas. Depois tu largas ele no hospital e volta para casa. E assim fez. Marina adentra o hospital com Rodrigo sob olhares censurantes da maioria. Dificilmente alguém tem boa vontade de atender um integrante do chamado Povo de Rua. Mas um residente jovem se predispôs, limpa o ferimento e o sutura. Passa instruções para Marina e manda retornar no plantão da semana seguinte para a remoção dos pontos. Os dois saem do hospital, Marina não o abandona, leva-o para baixo do viaduto onde ele costumava ficar e vai para casa chorando. Rodrigo, zonzo, adormece. Nove horas da manhã, ele acorda. A cabeça dói. Ele pensa ser só da falta da bebida, mas quando toca no supercílio sente um inchaço e uma dor intensa. Só aí é que se dá conta do ferimento que até então nem sabia que tinha e, pela primeira vez, em muito tempo, se questiona da vida que está levando. O que acontecera que ele nem sabia? Como havia chegado a aquele ponto de não ter consciência dos acontecimentos?

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