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Quando Záyrha era pequena, ouvia Erha sentada no palanque, contando histórias para as crianças, de como as guerras haviam assolado os reinos. Erha contava essas histórias sempre com muita empolgação, tentando mostrar que, embora os acontecimentos passados tenham sido ruins, eles haviam sobrevivido a tudo. Erha acreditava, de fato, que os consolava depois dos consecutivos anos de guerras devastadoras, que lhes roubaram a esperança de um amanhã melhor.

O SEGREDO DA

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C Á LG A R A

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Nasceu no interior de Minas Gerais, Carmo do Cajuru, sob o signo de Aquário. Aos quatro anos mudou-se para Belo Horizonte, onde mora até hoje. Leitora voraz desde os cinco anos quando aprendeu a ler com uma de suas irmãs. Por volta dos seus nove anos, seu livro de paixão era O Pequeno Príncipe, de Antoine Saint-Exupéry, que considera ter marcado sua vida. Apaixonada por animais, passou a se dedicar a eles, em projetos ligados a proteção de animais e mantém em sua residência um abrigo para cães e gatos recolhidos da rua, juntamente com sua filha. Mesmo com todos os percalços, sentiu fluir a imaginação que lhe foi uma dádiva presenteada por Deus. Contando com apoio e incentivo da família, passou a colocar no papel suas ideias, e dedicou a escrever suas histórias nas horas vagas.

o ano de 1160, os habitantes da cidade de Heilland, desgastados pelos conflitos da época, depositaram suas esperanças no tão aguardado filho do Rei Alphonsus, embora muitos acreditassem que uma guerra ainda maior estava sendo travada no ventre da Rainha Arápia, grávida de gêmeos. Aqueles, que tiveram sorte de ser poupados pela guerra ou pela fome, conviveram com outro inimigo, ainda mais implacável, o sombrio futuro Rei. Com o nascimento das crianças, entraram em uma nova era, onde suas vidas foram marcadas pela dor, ódio, sangue e traição. Mortes e tramas misteriosas passaram a fazer parte da rotina dos habitantes do Castelo, restando ao mago e à futura Rainha Driadh procurarem por respostas. Mongho, buscando manter a paz entre os reinos, dividiu seu poder em caveiras, que controlavam os elementos: fogo, água, terra, ar. Porém, um mal maior surgiu. Usando toda a sua força, na busca de unir novamente esse poder, passou a eliminar todos aqueles que atravessaram seu caminho, tornando-se indestrutível, dominando a todos. Embarque nessa aventura cheia de mistérios e lutas pelo poder.

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Copyright © 2013 by Mallerey Cálgara Todos os direitos desta edição reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida por qualquer processo eletrônico ou mecânico, fotocopiada ou gravada sem autorização expressa do autor. ISBN: 978-85-8255-066-3 Projeto gráfico: Aped - Apoio e Produção Editora Ltda. Editoração eletrônica: Thiago Ribeiro Revisão: Aped - Apoio e Produção Editora Ltda. Capa: Adriana Brazil e Thiago Ribeiro

CIP-Brasil. Catalogação-na-Fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros – RJ Cálgara, Mallerey, O segredo da caveira de cristal : livro I / Mallerey Cálgara. - 1. ed. - Rio de Janeiro : APED, 2013. 220 p. : il. ; 21 cm. ISBN 978-85-8255-066-3 1. Ficção brasileira. I. Título. 13-04062

CDD: 869.93 CDU: 869.134.3(81)-3

15/08/2013 15/08/2013 Aped - Apoio & Produção Editora Ltda. Rua Sylvio da Rocha Pollis, 201 – bl. 04 – 1106 Barra da Tijuca - Rio de Janeiro – RJ – 22793-395 Tel.: (21) 2498-8483/ 9996-9067 www.apededitora.com.br aped@wnetrj.com.br

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Para a minha filha Nanda, a luz dos meus olhos.

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AGRADECIMENTO

Eu gostaria de começar agradecendo a todos os meus leitores, blogueiros, amigos, familiares, que apoiaram e acreditaram no meu trabalho. Estou mais agradecida do que seria possível escrever. Um agradecimento mais que especial a: Adriana Brazil, Célia Sanches, Claudia Valeria, Eleonor Hertzog, Evany Bastos, Giovanni Tiano, Janaina Rico, Letícia Pimenta, Lilian Reis, Luz Alves, Marcelo Friedlaender, Dr., Márcia Lopes, Monique Lavra, Nanda Sanches, Nizete Ribeiro, Ricardo Biazotto, Sandra Alvarenga, Suelisa Sanches, Vanessa de Cássia

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SUMÁRIO

AGRADECIMENTOS • 7 PRÓLOGO • 11 CAPÍTULO I • 17 CAPÍTULO II • 21 CAPÍTULO III • 43 CAPÍTULO IV • 59 CAPÍTULO V • 75 CAPÍTULO VI • 89 CAPÍTULO VII • 99 CAPÍTULO VIII • 105 CAPÍTULO IX • 111 CAPÍTULO X • 119 CAPÍTULO XI • 133 CAPÍTULO XII • 149 CAPÍTULO XIII • 163 CAPÍTULO XIV • 177 CAPÍTULO XV • 193 9

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PRÓLOGO

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alecs era um reino mágico, localizado sobre a colina de Qzar, que quando visto do aclive parecia ser tocado pela lua. Uma região rodeada de mistérios, criaturas invisíveis e, cheia de túneis recheados de tesouro segundo as lendas, fixadas de maneira muito firme nas mentes das gerações mais jovens. Os habitantes de Malecs, magos e bruxas, além de possuírem riquezas, eram dotados de um dom: podiam se transforma em qualquer criatura vivente no planeta, pessoas ou animais, e poder compartilhar de suas habilidades, por um determinado período. Além dessa façanha, tinham também o vigor delongado por muitas décadas. O tempo passava e fazia pouco efeito sobre eles, principalmente após os vinte anos Malecquianos, tornando-os invejados pela juventude prolongada. A sua maior fraqueza era o fogo, capaz de matar seus corpos, e mesmo assim, antes de serem consumidos por ele, os magos e bruxas mais habilidosos, transferiam a sua alma para qualquer corpo de animal, e passavam a viver nesta forma, por mais décadas. Isso acontecia graças à centelha mágica que os guardiões de Malecs implantavam em seus corações e nos de seus descendentes quando eram escolhidos para viver no reino. 11

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Uma das mais antigas histórias que se podia imaginar, contava como esse reino recebeu o controle da natureza e seus elementos: terra, fogo, ar e água. Reza a lenda que o primeiro mago surgido possuía muitos tesouros, mas nenhuma emoção. Cansado de sua vida vazia, pediu ajuda à Mãe Natureza, que controlava o tempo, para viver por um dia como os homens. Em troca, ofereceu suas maiores riquezas. O que ele mais desejava era sentir, mesmo que durante um breve momento, o prazer de o vento balançar seus cabelos, de a chuva molhar sua pele, o calor aquecer a sua alma, e a energia da terra adentrar em seu corpo pelos pés. Por ser um mago muito bondoso, a Mãe Natureza concedeu-lhe esse desejo, mas não aceitou nada em troca. Agradecido e satisfeito por ter experimentado esses prazeres, o mago fez um novo pedido: pediu que ela parasse o tempo, pois desejava ardentemente poder continuar vivendo como humano. Como a Mãe Natureza não pôde atendê-lo, e vendo-o muito triste por isso, arrumou uma maneira para que ele pudesse desfrutar dessas alegrias, porém um de cada vez. Em troca, pediu que ele levasse toda a sua riqueza e as ocultasse nas profundezas da terra. Sobre esse tesouro, a Mãe Natureza criou uma cidade mágica, e a escondeu da ganância dos homens, e deu-lhe o nome de Malecs. Dividiu o poder do mago em vários amuletos mágicos, e se materializou em cinco guardiões, que controlavam o tempo e as estações, tanto dentro quanto fora de Malecs; e fez do mago, Merlin, imortal, para que ele pudesse ser o guardião dos guardiões, e da cidade. Merlin não podia sair de Malecs, mas teve sua vontade realizada, levando uma vida quase humana, com emoções e sentimentos. Das altas torres do castelo de Malecs, ele vigiava os humanos fora da cidade, e para os que ganhavam sua confiança, fazia surgir o portão da cidade, permitindo sua entrada, e assim, passavam a habitar o reino mágico, tornando-se magos e bruxas. 12

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O Segredo da Caveira de Cristal O tempo não muda as pessoas, revela-as. — Livro i

Viveram em paz e prosperidade por longas eras, mas... Em um belo dia, quando comemoravam a chegada da primavera, a cidade foi tomada de surpresa ao se tornar visível para os humanos. Foi a ruína de Malecs. Ela não possuía soldados, apenas a magia lhe protegia, e seus pacíficos habitantes não foram capazes de enfrentar a ganância dos humanos. Saqueadores que muito almejavam seus tesouros escondidos e seus amuletos mágicos invadiram a cidade. Os reinos vizinhos, ao descobrirem sua localização, enviaram soldados em busca de suas preciosidades. Uma guerra, que parecia sem fim, tomou conta do reino de Malecs. Os humanos estavam em maior número e venceram, aniquilando o povo daquelas terras. Não conseguiram encontrar os tesouros escondidos nas entranhas da terra, retornando para seus reinos de mãos vazias. Os poucos habitantes que conseguiram fugir de Malecs salvaram alguns talismãs mágicos, e dentre eles estava um de poder sem igual, a Bola de Cristal. Porém, não satisfeitos com o resultado do saque à cidade mágica, alguns Reis continuaram a perseguição aos sobreviventes. Com isso, a guerra se alastrou. Os aldeões, cansados dessa luta sem sentido, através de guerras internas, com muita opressão e sangue, forçaram seus governantes a assinar um decreto de paz, no qual se comprometiam a abandonar a caça dos possíveis habitantes de Malecs e seus tesouros. Após o combate, as fronteiras entre os reinos estavam mudadas e, para manter o tratado de paz entre eles, cada rei aceitou limitar o seu poder, exercendo-o apenas dentro do território que lhe pertencia. A nova geografia seria respeitada.

Os habitantes do reino dos Drudtas são um povo discreto, pacífico, localizado ao leste de Heilland. Muito antigo, e mais numeroso outrora do que é hoje em dia. A paz e a prosperidade reinavam em suas terras. Povo simplório e místico. Recebiam constantes visitas de mercadores a procura de trabalho, abrigo e 13

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troca de mercadorias. Viviam e trabalhavam pela terra, compartilhando todos os alimentos recebidos da Mãe Terra. Não existia fome em seu reino. Amavam a paz e a tranquilidade, e uma boa terra lavrada bastava para alegrar seus olhos. Uma região campestre bem organizada e bem cultivada era seu refúgio favorito, com moinho de água e um tear manual. Embora, o seu antigo rei tenha participado da caça aos amuletos de Malecs, o seu povo nunca se interessou pelo estudo da magia, a considerando um risco, ou profanação. Acreditavam que a única magia existente, estava na terra. Adoram comer e festejar. Chegavam a fazer várias refeições diárias, sem se importar em engordar, já que passavam longos períodos trabalhando nas lavouras. Não caçavam, não comiam animais, mesmo tendo vários gados, mas que eram usados apenas para ajudar a arar a terra. Eram hospitaleiros e simples. Drudtas fazia divisa ao norte com os Hurgans, ao oeste com Heilland, ao sul com Menfhis e, ao leste, com as terras inabitadas.

Os Menfhis habitam nas proximidades da sombria Qzar e as florestas de Eiwood. Muitas pessoas cogitam a existência deles, e outros dizem que são os descendentes dos Malecs e guardiões dos seus tesouros e da floresta. Considerados, por muitos, apenas uma lenda. Algumas pessoas afirmam que são vistos apenas em ocasiões importantes e, mesmo assim, por pouquíssimo tempo. Pouco se sabe a respeito deles, por não serem sociáveis. Desconfiados, ágeis e poderosos como o vento.

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O Segredo da Caveira de Cristal O tempo não muda as pessoas, revela-as. — Livro i

Os Hurgans habitam a região ao norte de Heilland. Uma região perigosa por possuir muitos lagos e terras que engoliam pessoas. Mesmo pacíficos, possuíam guerreiros para sua defesa, caso necessitassem. Viviam da pesca e de tudo que o mar lhes oferecia. Os primeiros colonizadores desse reino vieram das longínquas terras além do grande rio. Conta uma de suas lendas que, há muitas e muitas eras, ao navegar pelo grande rio em busca de novas conquistas, foram pegos por uma forte tempestade com raios, trovões e redemoinhos. Parte de sua frota, composta por mais de cem barcos, naufragou, e os sobreviventes perderam o caminho de volta à sua terra de origem, Dwingen. Com o tempo, foram se habituando à nova região, mas os dialetos e canções antigas ainda são passadas de geração em geração. Falam várias línguas e, por terem vindo de outras terras, têm costumes diferentes. São considerados uma raça estranha. Vivem para cima e para baixo de barco naquele grande rio. Quando ancoraram pela primeira vez nessas terras, as riquezas trazidas de sua viagem os popularizaram, transformando-os numa lenda local. A lenda cresceu devido aos estranhos artefatos com figuras esculpidas, nunca vistas antes. Com essas riquezas, ergueram um castelo e uma cidade. Os primeiros colonizadores eram bárbaros. Não havia mulheres entre eles e, por medo da sua civilização ser extinta, começaram a busca por esposas entre as aldeias vizinhas. A mulher que não aceitasse tinha a cabeça decepada. Criaram um nome para a nova sociedade que surgia, Hurgans, mas nunca perderam as esperanças de voltarem para o verdadeiro lar, mesmo depois de quase quinhentos anos. Participaram na guerra contra os Malecs, pois achavam que se conseguissem um amuleto mágico, poderiam voltar para as suas terras. Com o tratado de paz assinado, as terras deles passaram a fazer divisa com Heilland ao sul, os Vúlcans a oeste, e os Drudtas a leste. 15

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Os Vúlcans, um povo hostil, não sorriam e não demonstravam nenhum tipo de reação a nada. Não se misturavam com nenhum outro povo. Viviam em região inóspita ao oeste de Heilland. Sabia-se pouco sobre o rei e os habitantes desta região, apenas que chegavam a guerrear entre si.

Heilland, um povoado que não possui muitas riquezas nem muitos guerreiros, mas que desempenhava um papel de grande importância, fazendo fronteira com todas as nações. Separando-as, mantinha a paz entre todos. Após o tratado de paz ser assinado pelos ancestrais, ninguém se atrevia a invadir Heilland, pois sabiam que teriam que enfrentar a fúria do exército das outras três nações. Assim, cada um se mantinha em seu território. O comércio era uma das suas fontes de riqueza.

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Degusta o segredo da caveira  
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