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CONTEÚDOS

06 Mensagem da Direção 07 A APDES em 2016 10 In People We Trust

11 Confiamos nos nossos beneficiários

14 Confiamos nos nossos técnicos

19 Confiamos nos nossos parceiros

20 Aprender a comunicar 25 Contas


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APDES

A APDES - Agência Piaget para o Desenvolvimento é uma ONG portuguesa que promove o desenvolvimento integrado das comunidades. Fundada em 2004, tem como propósito o acesso universal à saúde, ao emprego e à educação, sobretudo de comunidades e públicos em situação de vulnerabilidade. Trabalha a capacitação das pessoas e das instituições, em diversos territórios nacionais, europeus e africanos. Desde 2011, a APDES é reconhecida como Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) pelo Camões, I.P., beneficiando desde então do estatuto de utilidade pública.

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MENSAGEM DA DIREÇÃO 2016 foi o ano em que a APDES celebrou o seu 12º Aniversário. Apesar de todos os desafios que encontrámos pelo caminho ao longo deste ano, julgamos que 2016 não deixará de ser um marco para a nossa Agência. Será sempre recordado como um ano de profundas mudanças, mas também um ano em que a nossa organização inaugurou um novo modelo de gestão. Um modelo mais participado e, sobretudo, mais sustentável. Queremo-nos como um agente de transformação social, um interventor político responsável cuja voz procura ser o eco dos que não veem garantidos os seus direitos fundamentais. Por esta mesma razão, sentimos a necessidade de inaugurar um novo departamento que funcionasse como um canal de comunicação entre os decisores políticos e as comunidades de base. Falamos do departamento de Advocacy que milita pela defesa de princípios essenciais a uma Democracia saudável: a participação de todos e o acesso aos serviços básicos de saúde, educação e habitação que sustentam a Dignidade da pessoa. Olhemos para alguns dos números que espelham a atividade da nossa organização. Em território nacional, a APDES desenvolveu 16 projetos de intervenção e investigação relacionados com os mais variados fenómenos, desde o uso de drogas, passando pelo trabalho sexual, prisões até à institucionalização de crianças vítimas de violência. A nível internacional, distribuímos a nossa ação por 11 projetos diferentes; para lá das redes europeias em que participámos, mantivemos a nossa intervenção em diversas províncias de Angola focando o nosso interesse na intervenção comunitária e no acesso de todos à Educação. Entretanto, não podemos deixar de agradecer a todos os trabalhadores que, com o seu labor, imaginação, empenho e criatividade, têm feito desta casa aquilo que é agora. Uma casa respeitada e reconhecida pelos seus parceiros, pela academia, por decisores políticos, e acima de tudo, reconhecida e apreciada pelas comunidades com que trabalha – são elas que nos conferem sentido e razão de ser e serão quem nos fará ver o quão importante é a nossa atuação. 6


A APDES EM 2016

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33 Ações de formação / sensibilização

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29 Presença nos media

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26 Comunicações técnicas e científicas

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16 Projetos Nacionais

•••••••••• •

11 Projetos Internacionais

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14 Publicações científicas

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4 Manuais e publicações (autoria e coautoria)

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9 Projetos de Investigação 8


2015 J

F

M

A

M

J

J

A

S

O

N

D

• Apresentação do projeto “NPS in Europe” na International Harm Reduction Conference em Kuala Lumpur / Presença no Fórum Europeu da Sociedade Civil sobre Drogas, promovido pela Comissão Europeia

• Exposição itinerante de fotografia “O Corpo da Cidade” • “Learning to Care” - Manual de formação de cuidadores de crianças em risco

2016 J

F

M

• “Escola da Palankinha” selecionada pelo HABITAR PORTUGAL 12-14 / Seminário “Prisão Participada” / Participação no European Forum on Social and Solidarity Economy, na sede do Parlamento Europeu em Bruxelas

A

M

J

J

• Presença da APDES na UNGASS, em Nova Iorque, com apresentação de um estudo sobre o impacto da austeridade no modelo político português sobre drogas em Bruxelas

A

• Lançamento da compilação “Free Mind to Fly”

S

O

D

• Seminário “Safe!n Cais: noites seguras, noites de qualidade” / Participação do Departamento de Investigação no 1º Simpósio sobre Políticas para a Igualdade e Investigação em Direitos Humanos e Género

• Participação na campanha mundial “Support Don’t Punish” / “Escola da Palankinha” vencedora do “Energy Globe Award” 2016 • Manual de Instruções “Tudo aos Direitos”, projeto de promoção de cidadania e Direitos Humanos para crianças e jovens em casas de acolhimento / Seminário “Velhos e Novos Consumos de Álcool e Boas Práticas de Intervenção” / II Fórum de Finanças Éticas e Solidárias • 2º Concerto Solidário na Casa da Música, com There Must be a Place (Best Youth + We Trust) • Comunicação “Porto: Uma Sala de Consumo Assistido?” na Assembleia Municipal do Porto / Evento 10 Anos GIS: “Dilemas no Acolhimento: Participar Cá Dentro e Proteger Lá Fora”

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N

• Comunicação na Ryukoku University’s em Kyoto, Japão: “A RR em Portugal - Uma leitura para o Modelo de Descriminalização”

• 8º aniversário do Porto G / Presença no Fórum Europeu da Sociedade Civil sobre as Drogas


IN PEOPLE WE TRUST

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Confiamos nos nossos beneficiários

9082

Beneficiários

TIPO DE BENEFICIÁRIOS

(POR NÚMERO DE CONTACTOS)

Pessoas que usam drogas

57%

Crianças e jovens 19%

Profissionais da Educação 11%

Partygoers 9% Trabalhadores do sexo 3% Reclusos 1% 11


LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA (POR NÚMERO DE CONTACTOS)

• VILA NOVA DE GAIA / PORTO 51% • Angola 28% • setúbal 8% • lisboa 5% • VISEU 4%

• barcelos 3%

• guarda 1%

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Sérgio Rodrigues, Educador de Pares

Após 2 anos e 9 meses (2009) assinei um contrato e até à data exerço funções de Educador de Pares, para além de estar envolvido em várias ações: CASO; CLAT 5; Grupos de Discussão sobre o trabalho do GIRUGaia com os utentes; InPAR; “O Trabalho Primeiro”; Workshop “Práticas de Consumo”; raid fotográfico em Gaia, Barcelos e Setúbal; Fórum “Espaços de Abrigo, Espaços de Consumo”.

Conheci a APDES quando estava num centro de abrigo de baixo limiar de exigência, CASA VILA NOVA. Na altura, em 2008, soube que iria haver uma formação intitulada “Gestão de Associações de Utilizadores de Drogas e Trabalhadores Sexuais”, organizada pela APDES e realizada nas suas instalações em Arcozelo, Vila Nova de Gaia. Candidatei-me e finalizei a formação de 3 meses (em horário laboral e a tempo inteiro) com uma nota de 15 valores.

A APDES teve um enorme impacto a nível estrutural das relações com o meio laboral (horários, responsabilidade, trabalho em equipa, compromissos nas tarefas), mas também a nível pessoal, pois senti-me útil perante a sociedade e integrado no mundo laboral, com elevada autoestima. Os colaboradores da APDES aceitaram-me como um colaborador igual e senti que podia partilhar a minha experiência sem juízos de valor. Influenciou-me também em termos de responsabilidades sociais, como alugar uma casa, pagar contas de água e luz. Aumentei o meu conhecimento e competências nas áreas de redução de riscos e minimização de danos, educação de pares, ativismo e gestão de conflitos.

Fiquei também a conhecer a CASO (Consumidores Associados Sobrevivem Organizados) e envolvi-me ativamente neste movimento único em Portugal, de ativistas que defendem os direitos das pessoas que utilizam ou utilizaram drogas. Após a formação, a APDES “abriu as suas portas” e forneceu-me os meios necessários (acesso à internet e telefone) para apoiar a CASO. Depois, candidatei-me ao Programa Vida-Emprego para integrar o Projeto GIRUGaia como Educador de Pares, num período experimental de 9 meses, que foi depois prolongado.

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Confiamos nos nossos técnicos

50

trabalhadores (média anual)

39

11

mulheres

homens

3

educadores de pares

GRAU DE QUALIFICAÇÃO

16

licenciados

22

6

MESTRES

DOUTORADOS

14

6

outros


área de Formação PSICOLOGIA

38%

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ECONOMIA E GESTÃO

11%

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SERVIÇO SOCIAL

10%

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DIREITO

7%

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SOCIOLOGIA

5%

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EDUCAÇÃO DE PARES

3%

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OUTRAS

26%

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EQUIPA DA APDES

44 CONTRATADOS

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6 ESTÁGIOS PROFISSIONAIS

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19 prestadores de serviços

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22 VOLUNTÁRIOS

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3 Técnicos Pertencentes aos Órgãos Sociais

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Maria João Oliveira, Investigadora

que estavam já a decorrer. Não obstante, nunca deixando de participar nas reuniões de grupo, fui sentindo uma crescente satisfação com o meu trabalho e valorização do meu conhecimento. Como resultado, ainda a estagiar, foi-me atribuída a responsabilidade de ser investigadora de vinculação nos projetos de Cooperação e Desenvolvimento. Esse foi, sem dúvida, um momento decisivo. Por um lado, foi quando percebi que havia o interesse que o meu trabalho na APDES se prolongasse para além do período de estágio – o que culminou com a minha integração em agosto de 2015 como funcionária da APDES. Por outro lado, era o estímulo que eu precisava profissionalmente, numa altura em que o DI terminou os projetos que tinha. Além disso, foi estimulante porque na Cooperação e Desenvolvimento comecei a trabalhar numa área completamente diferente do que tinha feito até então e com uma muito maior articulação com o trabalho dos técnicos no terreno.

A primeira vez que ouvi falar da APDES foi ainda durante a minha formação em Sociologia, a propósito das metodologias de intervenção. Na altura, não imaginava que algum dia viria a trabalhar na organização. Quando soube da vaga para um doutorado em Sociologia no Departamento de Investigação (DI), tive a certeza que queria muito o lugar. Estava cansada da investigação pelo conhecimento em si mesmo, queria pesquisar para intervir. Quando integrei a equipa, tinha consciência das principais áreas de atuação da organização, mas não fazia ideia das áreas disciplinares do corpo de profissionais. Na verdade, eu sinto que faço parte de um processo em que a Psicologia, ainda predominante no DI e na APDES, tem cedido cada vez mais lugar a outras áreas; e que essa redefinição tem sido estimulante para mim. Trabalhar em interdisciplinaridade tem sido um desafio diário. Obriga-me a sair da minha zona de conforto e a ativar um processo de aprendizagem contínuo. Reconheço que esse processo nem sempre foi fácil de gerir do ponto de vista das minhas expectativas pessoais, sobretudo porque no início tive de integrar projetos

Atualmente, numa fase de candidaturas, ainda continuo à procura de uma maior definição do meu papel. Gosto de ir ao terreno de vez em quando para relembrar porque é importante o trabalho que desenvolvemos no gabinete e porque vale a pena continuar a tentar. 17


Teresa Castro, Voluntária

O Check-in não foi a minha primeira nem única experiência de voluntariado, mas foi sem dúvida aquela que me fez perceber em que área desejo trabalhar no futuro. Conheci este projeto há alguns anos, no Festival Paredes de Coura, e fiquei desde logo fascinada com o seu trabalho, pois não fazia ideia que a “redução de riscos” (ou, como preferimos dizer, “gestão de prazeres e riscos”) fosse algo que existisse, e muito menos aqui em Portugal. Inscrevi-me como voluntária assim que possível e já estou neste projeto há cerca de 1 ano e 4 meses. Ser voluntária do Check-in mudou a minha vida em muitos aspetos. Tal como seria de esperar, tornei-me uma pessoa muito mais informada relativamente a substâncias psicoativas, aprendi MUITA coisa e desmistifiquei alguns mitos nos quais acreditava, apesar de anteriormente considerar que já sabia bastante sobre o assunto. Este conhecimento acabou por afetar não só a minha própria vida, mas também a de amigos e conhecidos, que acabam por beneficiar desta informação. Outro aspeto no qual o Check-in foi importante para mim relaciona-se com o facto de me ter

ajudado a perceber em que área gostaria de trabalhar quando acabar o curso de Serviço Social. Sempre soube que queria trabalhar na área das drogas, mas desconhecendo a “redução de riscos”, e não sendo isso algo que nos ensinam nas aulas, encontrava-me um pouco confusa. Tinha a certeza que não queria trabalhar nas tradicionais áreas da prevenção ou tratamento, mas desconhecia a existência desta alternativa com a qual me identifico. Para além de todas estas coisas importantíssimas, através do Check-in conheci pessoas fantásticas; não só técnicos e voluntários, mas também pessoas que conheci em intervenções nos mais variados sítios. Tive a oportunidade de participar em conferências e formações muito interessantes e úteis e conhecer espaços de diversão noturna que desconhecia e adorei conhecer. Tive a oportunidade de ir à Eslovénia através de um intercâmbio no qual estou a participar, com voluntários de várias organizações da Europa Resumidamente, tem sido uma experiência 100% positiva, da qual não me arrependo nada e tenciono continuar a fazer parte durante muito, muito tempo.

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CONFIAMOS NOS NOSSOS PARCEIROS

20 11 61 276

REDES NACIONAIS

REDES INTERNACIONAIS PRODUTOS TRADUZIDOS (PT/EN) NUM TOTAL DE 102446 PALAVRAS

HORAS DE FORMAÇÃO DADAS

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APRENDER A COMUNICAR

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Nesta secção partilhamos exemplos em que os erros foram fonte de aprendizagem, levando-nos a uma comunicação que assegure transparência, relações de confiança com atores-chave e beneficiários e uma transmissão clara da natureza da nossa agência.

COMUNICAR PARA ENVOLVER TODOS GIS, EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE, CRIANÇAS E JOVENS EM INSTITUIÇÕES DE ACOLHIMENTO

O GIS intervém em casas de acolhimento desde 2007. Na nossa primeira intervenção junto de uma destas casas, foi implementado um projeto de prevenção do consumo de substâncias psicoativas, o “Pés no Chão, Cabeça no Ar”. No início da intervenção, como é hábito, fizemos uma apresentação do projeto à direção e à equipa técnica daquela instituição. Contudo, talvez pela falta de experiência e proximidade com esta realidade, não foi apresentado o projeto aos principais cuidadores das crianças e jovens: a equipa educativa. Assim, sentimos ao longo do ano a necessidade de envolver desde o início todos os elementos destas casas. No ano seguinte foi marcada uma reunião com todas as equipas para explicação e discussão do projeto. As mudanças foram visíveis e a comunicação começou a melhorar. Existem ainda “arestas por limar” e a relação de confiança demora sempre algum tempo a sedimentar, mas consideramos que esta foi uma boa aprendizagem de comunicação, que interiorizámos como boa prática em todas as intervenções posteriores.

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GERIR O QUE COMUNICAR

GIRU BARCELOS, SAÚDE, REDUÇÃO DE RISCOS E DIREITOS HUMANOS, UTILIZADORES DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS

Em Fevereiro de 2015, a Comissão de Acompanhamento do Programa Troca de Seringas solicitou que fosse feita a encomenda do número de “canecos” necessário para os nossos utentes. Justificaram o pedido com informação sobre um projeto-piloto de distribuição deste material para consumos fumados. Fizemos esse levantamento de necessidades dizendo aos utentes que iríamos disponibilizar esse material. A notícia foi recebida com muito agrado. Quase um ano depois os “canecos” ainda não chegaram e, todos os dias, os utentes perguntam pelo material e reclamam, dizem que somos como os políticos, que prometemos e não cumprimos. Criámos uma expectativa quando, simplesmente, poderíamos ter feito o levantamento sem afirmar que iríamos dispor do material. A relação de confiança, tão difícil de conseguir com esta população e tão essencial à intervenção, poderá ter ficado debilitada. É importante gerir a comunicação.

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COMUNICAR PARA ULTRAPASSAR BUROCRACIAS PORTO G, SAÚDE, REDUÇÃO DE RISCOS E DIREITOS HUMANOS, TRABALHADORES DO SEXO

No âmbito do rastreio em proximidade, o Porto G tem de assegurar uma referenciação atempada de todos os casos reativos para a rede hospitalar. Sendo um projeto de uma organização da sociedade civil, asseguramos esta referenciação através da formalização de protocolos onde são definidas as pessoas de contacto em ambas as entidades, de forma a garantir uma comunicação eficaz. Esta é considerada uma boa prática. No entanto, os centros hospitalares estão excessivamente burocratizados e garantir aquele que é um dever dos hospitais (acompanhar pessoas infetadas com doenças que coloquem a saúde pública em risco) não é uma tarefa fácil. A solução que alcançámos para contornar esta situação é dispendiosa em termos de tempo: “Bombardearmos” os serviços com telefonemas para perceber se já leram o nosso pedido, sensibilizarmos para a importância e necessidade de uma resposta célere e solicitar uma resposta. Disponibilizamo-nos para enviar a informação para diferentes locais (dentro do mesmo centro hospitalar) e para reunir com os Diretores de Serviço. Apesar dos consequentes atrasos do projeto de rastreio, não encontrámos uma forma mais ágil para lidar com a burocracia. Num próximo projeto contabilizaremos mais tempo para esta tarefa. 23


COMUNICAR ENTRE CULTURAS ESCOLA DA PALANKINHA, COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO, PROFESSORES

O processo de autonomização dos professores da Escola da Palankinha está aquém do desejado. O paradigma educacional/ pedagógico sobre o qual tentamos que reflitam é extremamente distante do tradicional, na sua forma de organização em termos de funcionamento prático. Ao ser pedida a sua opinião, dizem que concordam – e parecem genuinamente concordar – mas depois, no final do ano, mostram descontentamento porque não foram aumentados. O facto de estarem a cumprir melhor a sua função não está a ter o efeito de autorrealização que esperávamos. Está a faltar um fator de motivação externa: dinheiro. Na nossa perspetiva, este exemplo é a síntese de uma barreira comunicacional de foro cultural que nos limita a “leitura” das entrelinhas da comunicação verbal e não-verbal. O confronto com este paradoxo do “parece que sim, mas não” obrigou-nos a repensar a forma de comunicar com uma população que apesar da partilha da mesma língua - nos relembrou que, de facto, nos encontramos posicionados em culturas distintas.

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contas

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orçamento global

2016

1.449.944,28 €

2015

1.486.536,37 €

2014

1.472.578,18 €

financiamento público 59 %

privado 41%

nacional 57 %

internacional 43%

despesas

12 %

8% 1%

9%


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Interessado? Quer saber mais? Escreva-nos para: info@apdes.pt

Alameda Jean Piaget nยบ 100 Apartado 1523 4411-801 Arcozelo Vila Nova de Gaia Portugal Tlf: +351 227 531 106/7 Tlm.: +351 912 443 655/9 Fax: +351 227 533 046 www.apdes.pt


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Relatório Anual 2016  

Relatório Anual 2016

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