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Aventura em França II

Em busca das carpas recorde! Um dos artigos mais interessantes que publicámos em 2008 foi a narrativa de uma visita que da APCF fez a um dos maiores paraísos europeus da pesca às grandes carpas, em França. Como o que é bom não cansa, este ano a Associação voltou, em Junho, ao ‘local do crime’, para tentar recordes ainda maiores. TEXTO E FOTOS: Pedro

Martins (www.apcf-info.blogspot.com)

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A

pós um ano de preparativos, o grupo que organizou mais uma viagem a França pôs-se, finalmente, a caminho, numa sexta-feira de Junho, com as viaturas atulhadas de material e a alma preenchida por sentimentos de expectativa e excitação. O local escolhido foi um lago privado com pouco mais de três hectares, situado numa região francesa chamada Dordogne (Aquitânia). Chama-se agora Murphy’s Lake, uma vez que foi comprado e é gerido por um carpista inglês, John Murphy.

Chegada e reconhecimento do terreno

Após uma viagem extremamente cansativa de doze horas, chegámos ao nosso destino na manhã de sábado. Depois de uma simpática conversa com os donos acerca da pesca no lugar, começámos logo, apesar do cansaço e do sono acumulados, a descarregar material e iscos, a fim de nos distribuirmos pelos pesqueiros. A primeira impressão do lago foi positiva e superou as nossas expectativas. Mas sabíamos que a pesca em lagos privados, devi-


 O barco foi essencial, quer na engodagem, quer nas lutas

(a pescar num outro sector) e os donos do lago, que jantavam sempre com os pescadores, já nos esperavam para a primeira refeição da semana. Ainda no Sábado e após uma excelente refeição, as montagens com as suas apetitosas iscadas (boilies dumbell de atum, de 16 mm) foram cuidadosamente posicionadas. Obviamente, sem a ajuda dos companheiros franceses, tudo teria sido mais difícil.

Localização precisa

do à pressão contínua, é bastante exigente e técnica — um desafio, embora exista o aliciante de haver carpas bastante acima de 20 kg…

Estratégias de pesca e lições retiradas

Descarregado o material, começámos a montar canas, os espetos e os alarmes (já havia ‘bivvies’ e ‘bedchairs’, o que nos permitiu economizar espaço precioso nas viaturas). Depois, preparámos o engodo: pellets sortidos de peixe, boilies desfeitos, stick mix de atum e party blend (uma mistura seleccionada de sementes pequenas, que fica pronta a utilizar após demolha na água durante algumas horas). A etapa seguinte seria posicionar, com o barco, as montagens (mais umas mãos-cheias de engodo) nos melhores spots em cada pesqueiro. Não engodámos em demasia — para não saturar nem assustar os peixes, que, ao longo do ano, são bombardeados com iscos e engodos — privilegiando os iscos solúveis e desfeitos. Com tudo já preparado, decidimos jantar no ‘lodge’, antes de começar a pescar. O jantar, incluído num pacote apelativo de 100 euros semanais, era sempre servido por volta das 18h. Por isso, eu, o Mike, o Fred e o Pedro atravessámos de barco um braço do lago em direcção ao ‘lodge’, onde o Nigel e o Gary

 Recorde festejado de Pedro Ramos: 21.3 kg

A primeira impressão do lago foi positiva , mas a pesca em lagos

privados, devido à pressão, é exigente e técnica, embora com

o aliciante das carpas acima de 20 kg

Conseguir colocar as montagens no ponto exacto era, de facto, um aspecto decisivo. Uma montagem perfeita e com o melhor isco mas depositada no local errado (uma zona de lodo denso, por exemplo) seria improdutiva. Aliás, com lançamentos, seria difícil acertar nos locais quentes, embora não impossível. Aliás, depressa constatámos que as carpas seguiam rotas regulares e que, fora dessas, uma ferragem seria quase impossível. Além disso, as zonas de lodo eram dominantes em relação às de leito ‘duro’ (argila e/ou pedras/gravilha), presentes sobretudo nas margens, por vezes a profundidades inferiores a um metro, onde algumas capturas foram conseguidas. Conclusão: um lago pequeno com particularidades assim é suficientemente grande para errar a localização das montagens, às vezes por um dedo. Praticámos também pesca com obstáculos (snag fishing). A mon-

 Pormenor da paisagem de que desfrutámos durante a semana. Era importantíssimo que as montagens fossem discretas

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 Recorde pessoal, 17 kg — um peso mediano, em França

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A ABRIR

Nos meios carpistas, discute-se o conceito de «peixes educados»: estes, supostamente, ‘aprendem’ a comer as ofertas ‘livres’, da engodagem, e a evitar os iscos com anzóis tagem frente a obstáculos (raízes e árvores submersas) obrigava a usar o barco para extrair o peixe da zona perigosa. Em geral, a segurança e o sucesso da captura estariam garantidos se fizéssemos a luta do barco. Tratando-se, por vezes, de carpas de mais de 20 kg, lutar da margem implicava um risco mais elevado de desferragem — quer devido ao número de linhas presentes na água, quer devido à pouca profundidade das margens.

Os alarmes começam a cantar!

No segundo dia (Domingo) e após a captura decepcionante de peixes pequenos, além da perda dramática de um grande peixe que dobrou completamente um anzol Hayabusa nº 6 — o que nos levou a optar pelo nº 4, mais forte — a central do Pedro soou de novo e este correu para a sua cana, colocada a pouca profundidade e perto do seu ‘bivvy’, na margem de uma pequena baía. A luta, espectacular, foi travada de cima de um pontão, num espaço curto. Uma esplêndida comum de 47 lb (21.3 kg) foi, enfim, conduzida em segurança ao camaroeiro. Tinha chegado o recorde tão esperado do Ramos e o primeiro peixe decente da sessão! 62 O PESCADOR www.joeli.pt/pescador

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Ao terceiro dia (Segunda-feira), a actividade no mesmo pesqueiro continuou, com arranques, desferragens e capturas menores. Mas as restantes canas continuavam silenciosas (à excepção de ‘bips’ isolados). As dificuldades esperadas começavam a sentir-se. Era tempo de ensaiar novas tácticas, montagens e apresentações. Os iscos equilibrados foram um dos truques ensaiados. Em águas pressionadas, substituem, com vantagem, as montagens boneco-de-neve; aqui os peixes desconfiariam deste tipo artificial de apresentação: os pescadores usam-na frequentemente. Por isso, o kit Fox, de enxertos de cortiça, revelou-se útil. Consiste numa broca com diâmetro equivalente a um cilindro de cortiça incluído na embalagem, que se vai inserindo nos buracos criados nos iscos. Corta-se as sobras e ficamos com um isco perfeitamente equilibrado, que à mínima agitação se levanta e ondula.

O tempo avança

Na Terça-feira, o esforço do Mike compensou. Após uma sucessão frenética de arranques, desferragens e peixes pequenos

 A chuva, paradoxalmente, acabou por ser uma ajuda à pesca

 A espelhada arredondada de 27 kg, recorde da sessão


 A recompensa merecida para Mike: uma espelhada de 24 kg

nas suas canas, conseguiu, finalmente, uma boa captura, na Quarta-feira. Foi após uma trovoada, que contribuiu decerto para aumentar a actividade. Este exemplar veio a acusar 53 lb na balança (24.04 kg). Eu já quase desesperava quando uma das minhas canas, colocada perto do dique, arrancou, e saltei logo para o barco, tendo conseguido afastar a tempo o peixe dos obstáculos. Senti um peso considerável a puxar em direcção ao fundo: tratava-se de um peixe bom. Após uma boa luta, conduzi ao tapete uma linda espelhada, e ali estava decerto o meu recorde. A balança veio a revelar um peso relativamente modesto para esta água, ou seja, 37.6 lb (um bocadinho acima de de 17 kg). Pouco me importava, pois tratava-se do meu novo recorde! A chuva e a engodagem acumulada estavam a trabalhar em nosso favor, aumentando a confiança dos peixes nos nossos is-

cos. Não tardou muito até que o Nigel estivesse no barco a lutar com mais um bom exemplar. Após uma luta breve, conseguiu levar ao tapete uma espelhada enorme e redonda. A balança marcou o peso impressionante de 59 lb e 6 oz, ou seja, 27 kg! Era um recorde impressionante e uma grande conquista para o Nigel e para o grupo! Após algum tempo de espera, chegou, enfim, a vez do Gary, numa cana colocada numa zona de obstáculos. Ele reagiu de imediato e conseguiu puxar a carpa para fora, tendo-a conduzido até muito perto da margem, pois o barco estava indisponível. Quem estava por perto, naquele momento, garantiu que se tratava de uma das maiores carpas comuns do lago, a rondar os 24 ou 25 kg. No entanto, como o barco tardou, acabou por se desferrar nos baixios, o que todos lamentaram. Mas ainda havia duas noites e um dia de pesca…

Objectivos definidos

Os objectivos destas Aventuras que a APCF organiza são múltiplos: • levar os sócios a viver experiências diferentes de pesca; • ajudá-los a quebrar os recordes pessoais; • contribuir para o seu aperfeiçoamento técnico; • renovar o carp fishing nacional, através da partilha de conhecimentos e experiência obtidos no estrangeiro.

Eu já quase desesperava quando uma das canas, perto do dique,

arrancou, e saltei logo para o barco,

tendo conseguido afastar a tempo o peixe dos obstáculos

Velha conhecida

No dia seguinte, às 14h, o Gary ferra de novo um bom exemplar, não lhe dando tempo para se refugiar nos obstáculos: uma belíssima espelhada com mais de 20 kg, o seu novo recorde, missão cumprida! Às 8h 30m, o sol começou a pôr-se e a esperança também. Já estávamos no café quando a minha central apita…. No entanto, o peixe mete-se rapidamente num buraco. Com um pouco de sorte, acaba por fugir para águas livres, onde a luta é concluída rapidamente. Desta vez tratava-se de uma comum de bom tamanho. Reparámos, depois que se tratava de uma das Agosto 2009 O PESCADOR

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 O recorde pessoal de Gary — 20.4 kg

 O feitio especial da cauda desta carpa comum, de 17 kg, valeu-lhe uma notoriedade: chamam-lhe ‘The Hook’

mais famosas do lago: The Hook. Mas não consegui bater de novo o meu recorde, a balança não acusou mais de 17 kg, porque o peixe emagrecera. Fiquei felicíssimo à mesma, por conquistar mais um bom peixe, quase no fim da sessão.

Conclusão

O balanço a fazer desta viagem é, em conclusão, muito positivo. Foi um autêntico estágio de Carp Fishing avançado. Na vida, como na pesca, por mais que estudemos e pratiquemos, estamos sempre a aprender. Como já foi feito diversas vezes (e nunca é demais), os créditos destes resultados devem ser atribuídos, em primeiro lugar, aos nossos mestres e grandes companheiros de sessão, Mike e Fred, a quem dirigimos uma grande palavra de agradecimento e amizade. A APCF está de parabéns, uma vez mais!

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As montagens A apresentação das montagens foi outro pormenor de vital importância. A discrição era obrigatória, não só em termos de camuflagem. Os peixes já tinham ‘aprendido’, devido aos traumas das capturas, a evitar as montagens e a perceber o perigo de boilies ligados a ‘leadcores’, chumbadas, linhas, etc. Nos meios carpistas, discute-se o conceito de «peixes educados»: estes, supostamente, ‘aprendem’ a comer as ofertas ‘livres’, da engodagem, e a evitar os iscos com anzóis. Assim, tentámos aperfeiçoar ao máximo as montagens. Mas a forma como estas eram colocadas no fundo, para garantir

a sua colagem perfeita, também era crucial. Usando um flying backlead e um captive backlead, ao mesmo tempo, melhorámos um pouco a apresentação. De qualquer forma, a montagem in line foi a preferida nesta sessão, talvez porque gera uma ferragem mais eficaz e uma apresentação mais discreta. Para facilitar a ferragem, usámos estralhos curtos (8 cm), constituídos por entrançado revestido (Coretex, Snake Skin, Mantis, etc.) de 25 lb e equipados com fortes anzóis Hayabusa (nºs 4 a 6). Os leaders afundantes Safe Zone, da Korda, construídos num material sintético e translúcido,

mas com cores discretas camufladas, revelaram-se também um trunfo. No entanto, ligámo-los a um troço de leadcore, sugestão original do Mike. Um leader deste tipo, sendo demasiado curto, não se ‘cola’ tão bem ao fundo sem o leadcore.

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