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1HOMEM E A AGRICULTURA Há cerca de 10 mil anos, à medida que aumentava a temperatura na outrora imensidão ártica e surgia a vegetação nos desertos que rodeavam o equador, criando bosques e pradarias ricos em recursos vegetais e animais, as camadas de gelo que tinham coberto grandes extensões da superfície da Terra começaram a se afastar. Graças a essa melhoria do clima os caçadores e coletores conseguiram se transferir para latitudes que durante milênios tinham sido absolutamente inabitáveis, e com isso as comunidades humanas do mundo pós-glacial foram obrigadas a desenvolver novas formas de aproveitamento dos recursos naturais. A mais importante destas novas adaptações, que transformaria a face da Terra, foi a adoção da agricultura como meio de vida. Os caçadores e coletores conheciam bem a forma de reprodução das plantas e dos animais, dos quais dependia o seu sustento. Freqüentemente tomavam medidas para proteger ou aumentar a produtividade natural, mediante atividades que de alguma maneira poderiam ser qualificadas de agrícolas. Por outro lado, eles jamais atacavam os animais jovens ou as fêmeas grávidas, preservando assim a continuidade do rebanho. Pode-se então dizer que o homem dessa época viveu em estreito contato com o seu meio ambiente natural, não precisando criar novos recursos porque dispunha do necessário para a sua sobrevivência. Porém, quando essas necessidades cresceram e não mais se tornou possível atendê-las através da caça e da coleta, foi preciso desenvolver uma nova estratégia de sobrevivência: a agricultura. O aprimoramento de técnicas agrícolas por parte do homem primitivo significou, em primeiro lugar, uma forma de entender e de se relacionar com o que existia ao seu redor, porque era necessário transformá-lo. É surpreendente como a agricultura se desenvolveu em diversas zonas do mundo tão distantes entre elas, e aproximadamente na mesma época (entre 8.000 e 6.000 a.C.). Em cada uma dessas áreas cultivavam-se plantas diferentes: o trigo, a cevada e as leguminosas no Oriente Médio e na Europa; o arroz e o sorgo no sudeste da Ásia; o milho, o feijão e as batatas na América. Além disso, de forma a garantir uma fonte de proteínas, foi desenvolvida a criação de animais: ovelha, cabras, porcos e gado bovino. Ainda mais: pelo valor de sua fibra, foi cultivado o linho, empregado numa incipiente produção têxtil. Com a chegada da agricultura e o aumento da população humana, se tornou necessário ocupar maiores extensões de terra para o cultivo das plantas. Porém, nem todas as terras de bom rendimento estavam disponíveis, o que obrigou as comunidades a empregar novas técnicas com a finalidade de produzir uma quantidade maior de grãos e, ao mesmo tempo, incorporar ao cultivo terras marginais não exploradas até então. Dentre as novas técnicas pode-se mencionar a escavação de canais para irrigação, e a construção de barragens para conduzir, acumular e distribuir as águas nas terras semi-áridas, próximas ao deserto. A escassez de terras trouxe como conseqüência a migração de algumas comunidades para novas terras férteis. O povoamento da Europa é um exemplo típico. Devido ao fato de que nela os primeiros habitantes não sofreram com a falta de água, o método para melhorar a produtividade não foi a irrigação - como no Oriente Médio -, e sim a introdução do arado por volta de 4000 a.C.. Este fato representou uma grande revolução técnica no cultivo, pois a partir de então as enxadas e paus foram superados por este invento movido por animais para revolver a terra fácil e rapidamente, possibilitando a ocupação de novas superfícies. A caça e a coleta não podiam, por si só, continuar sendo o sustento permanente da comunidade durante o ano todo, já que não existiam recursos naturais suficientes facilmente


atingíveis por ela. Os grupos humanos foram obrigados, então, a se deslocar com certa freqüência, consumindo os produtos de cada região dentro do ciclo anual. Ao mesmo tempo, os grupos humanos que começaram a depender de produtos como o arroz, o trigo e o milho, estabeleceram-se definitivamente em granjas e povoados. O tamanho maior e a permanência dos assentamentos agrícolas eram, em parte, o resultado direto de uma produtividade satisfatória das principais espécies cultivadas, suficientes para alimentar grandes concentrações humanas em períodos anuais. Também era necessário, para conseguir esta característica sedentária, que as plantas tivessem a suficiente capacidade para resistir à estocagem durante muitos meses, tornando possível que a comunidade ficasse num lugar e ali consumisse os produtos da safra anterior, enquanto a nova crescia e amadurecia. Além do sedentarismo, uma outra conseqüência importante marcada pelo início da agricultura foi o aumento geral na quantidade e variedade dos bens e equipamentos disponíveis. Durante o nomadismo, os mantimentos eram estocados num nível mínimo razoável, de forma a facilitar o transporte. As comunidades sedentárias que não tinham esta restrição foram capazes de produzir uma variada gama de artigos, alguns utilitários e outros de natureza ritual. Dessa forma, a cerâmica, um dos vestígios pré-históricos mais abundantes, foi usada extensivamente pelos povos sedentários. Era empregada em diversos tipos de usos: vasilhames de cozinha, copos para beber e potes para estocagem. O desenvolvimento e a difusão da agricultura trouxeram profundas conseqüências não somente na obtenção de alimentos e na dieta, mas também em todos os aspectos da vida humana. Desse modo, as condições favoráveis permitiram aos primeiros agricultores dedicar mais tempo e energia à construção de casas e outras estruturas, bem como utensílios de cerâmica, de ornamento, instrumentos de pedra e, finalmente, objetos de metal. A agricultura representou basicamente uma mudança na maneira de sobreviver, porém, as suas conseqüências foram enormes, chegando a transformar praticamente todos os aspectos do cotidiano das pessoas, ao mesmo tempo em que serviria de coluna de sustentação para os inumeráveis avanços que aconteceriam mais tarde.

A transição do homem caçador e nômade para o agricultor sedentário ocorreu de forma gradual, a partir de 10 mil a.C. Assim que a temperatura média da Terra aumentou, com o fim da Era do Gelo, o ambiente sofreu modificações. Ao adaptar-se às novas condições de vida, o ser humano descobriu que poderia controlar a produção de seu alimento. A prática da agricultura surgiu ao observar-se que sementes de determinadas plantas, como trigo, quando espalhadas pelo vento na terra, geravam um novo fruto. Acredita-se que os primeiros produtos agrícolas cultivados pela humanidade tenham sido o trigo, a cevada e a aveia. Esses cereais germinavam em abundancia e podiam ser estocados. Para garantir o suprimento alimentar, porém, era necessário cuidar do plantio e da colheita e, muitas vezes, conformar-se com as intempéries da natureza. As áreas mais procuradas para a agricultura na Ásia, na África e no sul da Europa eram as terras férteis próximas aos grandes rios, como o Nilo, no Egito.


Nessas mesmas regiões também foram domesticados os primeiros animais selvagens entre eles os porcos, ovelhas, cavalos, cavalos e bois, que forneciam carne e leite. Tecnologia de plantio No início, o solo era utilizado até o completo esgotamento, quando se buscava outras regiões para plantio. À medida que a agricultura tomava o lugar da caça predatória, as técnicas de plantio e colheita foram aperfeiçoadas. Para tornar o trabalho mais eficiente e produtivo, criou-se ferramentas de pedra e madeira para trabalhar a terra. A principal evolução técnica, no entanto, ocorreu graças aos métodos de irrigação e drenagem do solo, desenvolvidos por camponeses. Muitas regiões dependiam desses mecanismos para garantir a fertilidade da terra e, claro, o alimento. Em decorrência disso, a agricultura pôde ser adaptada a diversos climas. Divisão do trabalho A atividade agrícola transformou o modo de vida do homem primitivo, pois exigiu que ele se fixasse em um local para acompanhar sua produção. Quanto mais aprendia a lidar com a terra, melhor era o resultado da colheita. Com mais alimentos disponíveis, a densidade demográfica das aldeias cresceu. A partir disso, estabeleceu-se uma nova organização do espaço, com a formação de concentrações populacionais maiores que, futuramente, se transformariam em vilarejos, os quais originariam as primeiras cidades. Além disso, o trabalho agrícola também forçou o processo de divisão de funções entre aqueles que o realizavam, remodelando a organização social. Homens confeccionavam utensílios de pedra polida e mulheres cuidavam da coleta e do cultivo.


Carnaval rupestre.  

Principais características, do carnaval rupestre, e seus rituais tribais.

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