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ANO LVII – N.º 7 JULHO 2011 ASSINATURA ANUAL | Nacional 7,00 € l Estrangeiro 9,50 €

Um dia vou conseguir partir | Comunicar afirmativo | Campeão dos pobres eleito no Peru | “Férias para mães” com filhos deficientes


Nossa Senhora da Consolata Consolata é cheia de graça, por Deus agraciada para levar ao mundo a consolação de Jesus Consolados são os evangelizados, porque amados de Deus Consolar é levar a toda a parte a consolação de Deus salvador Como Maria tornamo-nos solidários com todos. Solidariedade é o outro nome da consolação Como Ela somos presença consoladora em situações de aflição Por seu amor colocamos a nossa vida ao serviço do homem todo e de todos os homens Allamano deu-nos Maria por mãe e modelo. Por isso chamamo-nos Missionários da Consolata

Apoie a formação de jovens missionários Funde uma bolsa de estudos. A oferta é de 250€ e pode ser entregue de uma só vez ou em prestações. Pode dar-lhe o seu próprio nome ou outro que desejar. São-lhes concedidos, entre outros, os seguintes benefícios: 8 fica inscrito no livro de benfeitores dos Missionários da Consolata; 8 participa nas orações e nos méritos apostólicos dos missionários; 8beneficia de uma missa diária que é celebrada por todos os benfeitores

MISSIONÁRIOS DA CONSOLATA

Rua Francisco Marto, 52 – Ap. 5 – 2496-908 FÁTIMA | T. 249 539 430 | fatima@consolata.pt Rua D.a Maria Faria, 138 – Ap. 2009 – 4429-909 Águas Santas MAI | T. 229 732 047 | aguas-santas@consolata.pt Quinta do Castelo – 2735-206 CACÉM | T. 214 260 279 | cacem@consolata.pt Rua Capitão Santiago de Carvalho, 9 – 1800-048 LISBOA | T. 218 512 356 | lisboa@consolata.pt Rua da Marginal, 138 – 4700-713 PALMEIRA BRG | T. 253 691 307 | braga@consolata.pt


Ciganos no coração

da Igreja

Um povo humilde, rico de vida e de fé foi em peregrinação a Roma, por ocasião do 75º aniversário do martírio do beato Zeferino Giménez Malla, um cigano mártir da fé, de origem espanhola. Era membro de um povo de ciganos, que hoje conta cerca de 36 milhões em todo o mundo: 18 milhões na Índia, 15 na Europa e mais de dois milhões no continente americano. A 11 de Junho, o Papa recebeu no Vaticano, pela primeira vez na história da Igreja, mais de dois mil ciganos, de diversos países europeus. Foi um gesto histórico e altamente simbólico, que testemunha que a Igreja quer que os “rom”, os “sinti” e todos aqueles que se identificam como povo cigano, sejam reconhecidos como uma minoria europeia com direitos e deveres. O facto é tanto mais significativo, quanto se multiplicam pela Europa fora episódios de rejeição dos ciganos. Ao mesmo tempo, revela que o próprio povo cigano manifesta uma vontade crescente de integrar-se nas comunidades onde vivem. Com este gesto o Papa pretendeu acentuar a mudança em curso na história deste povo.

Na sua simplicidade, os mais de dois mil ciganos entraram

São valores como a centralidade da vida familiar, a atenção aos filhos, o sentido do acolhimento e a não-violência, que Bento XVI indicou também à Europa cristã

na sala Nervi, do Vaticano, reluzentes de alegria, adornados de várias cores, sob o olhar atento e estupefacto dos guardas suíços. Numerosas mães com seus filhos nos braços eram um sinal de vida pujante numa Europa envelhecida e de baixa natalidade. Viam-se homens e jovens de rosário ao pescoço, sem algum complexo. Finalmente o Papa entra na sala e seguem-se testemunhos eloquentes. Uma idosa austríaca lembra o massacre esquecido de Auschwitz, que dizimou meio milhão de rom; uma religiosa eslovena sublinha o valor do acolhimento na Igreja; uma mãe exprime preocupação pelo futuro dos seus filhos; um jovem de 18 anos manifesta o desejo de ter trabalho e uma casa. Bento XVI escuta e responde com um discurso histórico. Apela à urgência de colocar os ciganos, hoje considerados os “últimos”, no primeiro lugar do amor da Igreja, não nas margens, mas no coração da Igreja. Convida as Igrejas locais a cultivar este lugar de fé e caridade, investindo meios e pessoas para que os ciganos não se sintam sós e longe da Igreja.

Em seguida o Papa referiu-se ao genocídio de meio milhão de ciganos, vítimas do nazismo, que iniciou com o sacrifício de 2.500 crianças. Um pecado grave da Europa cristã, do qual João Paulo II já pediu perdão: “Nunca mais o vosso povo seja objecto de vexames, de desprezo e de rejeição”. Nunca mais, como acontece muitas vezes, na escola, no trabalho, onde quer que seja, mas sobretudo nos corações egoístas e discriminadores. Por fim, o Santo Padre convidou os ciganos, seguindo o exemplo do beato Zeferino, a não responderem ao mal com o mal, mas com o bem. Perante o desprezo, a injustiça, o ódio, a violência, é importante reagir com o melhor da própria história, da própria cultura e da própria religiosidade. São valores como a centralidade da vida familiar, a atenção aos filhos, o sentido do acolhimento e a não-violência, que Bento XVI indicou também à Europa cristã. EA juLho 2011

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FÁTIMA MISSIONÁRIA


Matteo Petinari, missionário da Consolata, em Madrid, na organização da Jornada Mundial da Juventude

Rua Francisco Marto, 52 Apartado 5 2496-908 FÁTIMA Nº 7 Ano LVII – Julho 2011

Tel. 249 539 430 / 249 539 460 Fax 249 539 429 geral@fatimamissionaria.pt assinaturas@fatimamissionaria.pt www.fatimamissionaria.pt FÁTIMA MISSIONÁRIA Registo N.º 104965 Propriedade e Editora Delegação Portuguesa do Instituto Missionário da Consolata Contribuinte Nº 500 985 235 Superior Pro­vin­cial Norberto Ribeiro Louro Redac­ção Rua Francisco Marto, 52 2496-908 Fátima Im­pres­são Gráfica Almondina, Zona Industrial – Torres Novas Depósito Legal N.º 244/82 Tiragem 28.100 exemplares Director Elísio Assunção Redacção Elísio Assun­ção, Manuel Carreira Conselho de Re­dac­ção António Marujo, Elísio Assunção, Manuel Carreira Colabora­ção Alceu Agarez, Ângela e Rui, Carlos e Magda, Carlos Camponez, Cristina Santos, Darci Vila­ri­nho, Leonídio Ferreira, Luís Mau­rício, Lucília Oliveira, Norberto Louro, Teresa Carvalho; ­Diaman­tino Antunes – Moçambique, Tobias Oliveira – Quénia, Álvaro Pa­­che­co – Coreia do Sul Fotografia Lusa, Ana Paula, Elísio As­sunção e Arquivo Capa e Contra-capa Ana Paula Ilustração H. Mourato, Mário José Teixeira e Ri­car­do Neto Com­po­sição e Design Ana Pau­la Ribeiro Ad­mi­nis­tração Joaquim Bernardino e Cristina Henriques

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Um dia vou conseguir partir

Assinatura Anual

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Nacional 7,00€ Estrangeiro 9,50€ De apoio à revista 10,00€ Benemérito 25,00€ Avulso 0,90€

Rostos novos à frente da Consolata

(inclui o IVA à taxa legal)

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Repressão tenta estancar «Primavera síria»

Pagamento da assinatura

multibanco (ver dados na folha de endereço),

transferência bancária nacional (Millenniumbcp)

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NIB 0033 0000 00101759888 05 transferência bancária internacional IBAN PT50 00 33 0000 00101759888 05 BIC/SWIFT BCOMPTPL cheque ou vale postal

Campeão dos pobres eleito no Peru 03 EDITORIAL Ciganos no coração da Igreja 805 PONTO DE VISTA JMJ Jornadas Missionárias da Juventude 806 LEITORES ATENTOS 808 MUNDO MISSIONÁRIO

Tem a sua assinatura da revista atrasada? Com ape­nas 10

euros 2011 Porque continua à espera? pode actualizá-la para

Não perca tempo! FÁTIMA MISSIONÁRIA

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Mulheres são 70 por cento dos pobres do mundo | Febre do ouro não cura a pobreza em Madagáscar | “Regime brutal e antidemocrático” na Suazilândia | Mais de 48 milhões de crianças em trabalhos perigosos | Angola cresce mas o povo permanece pobre | Jovens nas Nações Unidas preparam JMJ de Madrid 07 HORIZONTES Até onde? 811 Aventuras Pipo tem ideias 812 Apóstolos Modernos No Brasil há 20 anos 822 GENTE NOVA EM MISSÃO 824 TEMPO JOVEM Comunicar afirmativo 826 SEMENTES DO REINO Três convites de Jesus 828 O QUE SE ESCREVE 830 O QUE SE DIZ 831 VIDA COM VIDA Multidões acorriam a ouvi-lo 832 OUTROS SABERES Viver é sempre melhor 833 A MISSÃO É SIMPÁTICA Moçambique no coração 834 FÁTIMA INFORMA “Férias para mães” ����������� com filhos ����������� deficientes

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JMJ Jornadas Missionárias da Juventude Estou convencido de que a dimensão missionária é a chave de leitura do fenómeno que representam as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ). Elas não são um grande «woodstock» católico, mas uma verdadeira experiência de anúncio de Jesus Cristo aos crentes e aos não crentes. Ninguém duvida da paixão missionária de João Paulo II – que percorreu o globo de lés-a-lés e que levou como mágoa as visitas impossíveis à Rússia e à China. A criação das JMJ foi mais um capítulo desse ardor que, um dia, o levou a escrever que «a missão de Cristo Redentor, confiada à Igreja, está ainda bem longe do seu pleno cumprimento. No termo do segundo milénio, após a sua vinda [de Cristo], uma visão de conjunto da humanidade mostra que tal missão está ainda no começo e que devemos empenhar-nos com todas as forças no seu serviço» (Redemptoris Missio, 1). Com todas as forças e com toda a originalidade, e uma e outra – força e originalidade – são apanágio da juventude. Identificados os elementos e os construtores de uma tão grande obra – a Missão – como não dar-lhes todo o fôlego possível?

A escolha de Madrid como cidade

e Igreja anfitriã deste magno evento não é casual, antes pelo contrário, é deveras eloquente. Uma das metrópoles mais simbólicas e capital de um país mergulhado numa onda de laicismo e de anti-cristianismo, torna-se autora e destinatária de cinco dias intensos de evangelização para e com jovens de todo o mundo, e centro da Igreja, Roma transportada para aí onde está e estará o Papa. A Espanha é o primeiro país a organizar pela segunda vez a JMJ. Em

texto Pablo Lima* foto Ricardo Perna/Família Cristã

1989, foi em Santiago de Compostela, curiosamente também com António Rouco, como arcebispo anfitrião; em 1985, em Roma, ainda não foi bem uma jornada como ocorreu depois novamente em 2000. É também o único país, até hoje, que assim recebe por três vezes a visita de Bento XVI. O Papa espera que esta seja para a Espanha – que tantos e tão grandes missionários e santos deu à Igreja – e, através dela, para a Europa e para todo o mundo, uma bela página da história do anúncio do Evangelho, que traga renovados frutos de fé e santidade.

A confirmar este objectivo

missionário, temos o primeiro parágrafo da Mensagem de Bento XVI para a XXVI Jornada Mundial da Juventude, onde podemos ler: «Gostaria que todos os jovens, quer os que partilham a nossa fé em Jesus Cristo, quer todos os que hesitam, que estão na dúvida ou não crêem n’Ele, possam viver esta experiência, que pode ser decisiva para a vida: a experiência do Senhor Jesus ressuscitado e vivo e do seu amor por todos nós». Creio,

porém, não interpretar mal o sentir da Igreja sobre as Jornadas se disser que elas não valem por si, nem pelos cinco dias de encontro, mas pelos antecedentes e pelas consequências. A caminhada feita e o trabalho desenvolvido até este momento pelas dioceses, congregações e movimentos são os que tornam frutuosos os dias do Encontro em oração, convívio, testemunho e conversão. E o esforço após as Jornadas de continuar a levar os jovens a Jesus Cristo, de os envolver no anúncio e de os tornar não apenas destinatários, mas autores da pastoral juvenil em Portugal, será isso a marcar o verdadeiro fruto das Jornadas. De 16 a 21 de Agosto, em Madrid, colocaremos a cereja em cima do bolo e cortaremos a fita de uma nova e contínua corrida no serviço e amor a Jesus e à Igreja. O lema foi dado pelo Papa, recorrendo a Cl 2,7. E é tanto uma realidade já viva desde o baptismo como um projecto: «Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé». *Director do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil Texto conjunto da Missãopress

«Gostaria que todos os jovens, quer os que partilham a nossa fé em Jesus Cristo, quer todos os que hesitam, que estão na dúvida ou não crêem n’Ele, possam viver esta experiência, que pode ser decisiva para a vida: a experiência do Senhor Jesus ressuscitado e vivo e do seu amor por todos nós» Bento XVI juLho 2011

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Renove a assinatura Agradecemos que os nossos estimados assinantes renovem a assinatura para 2011. Só as assinaturas actualizadas poderão usufruir do pequeno apoio do estado ao porte dos correios. Na folha on­de vai escrita a sua direcção, do lado esquerdo, poderá verificar o ano pago e o seu número de assinante. O pagamento da assinatura poderá ser feito através dos colaboradores, se os houver, ou nas casas da Consolata, ou através de multibanco, cheque ou vale postal. Ou ainda por transferência bancária: NIB 0033 0000 00101759888 05 Importante Refira sempre o número ou nome do assinante. Os do­­na­tivos para as missões são de­dutíveis no IRS. Se desejar recibo, deverá enviar-nos o seu número de contribuinte. Muitos leitores chamam à FÁTIMA MISSIONÁRIA «a nossa revista». É bom que assim pensem e assim procedam. A revista é feita por muitas mãos e lida por mais de 29 mil assinantes. Ela é mesmo nossa! Somos uma grande família.

Caridade sem fim

Caríssimos amigos, Apresso-me a vir junto de vós para lhes dizer que nesta data procedi ao envio do meu cheque para assinatura da FÁTIMA MISSIONÁRIA e ainda para ir ao encontro do vosso projecto de angariação de fundos para que na Paróquia de Gurué, Moçambique, o centro de acolhimento a doentes e acompanhantes possa vir a ser um sonho tornado realidade. No meu coração continuais todos a ter um lugar especial, já que desde Outubro de 2002 tenho a alegria de acompanhar o vosso trabalho missionário que o Senhor abençoa e fortifica numa caridade que não tem medida. Carlota

Grupo de peregrinos

Caros missionários da Consolata, Aqui envio um cheque de 50,00€. 42,00€ são para o projecto Gurué, é apenas uma migalha que eu consegui angariar num grupo de peregrinos da nossa peregrinação de 19 de Fevereiro. Não

deixámos passar ao lado as vossas palavras. É verdade, nós estamos mal, mas se pararmos um pouco para pensar e olhar para o lado ainda há quem esteja muito pior do que nós. O resto que sobra é, da minha parte, para as missões e que Nossa senhora e o Beato Allamano interceda por todos vós para conseguirem ir junto de todos os mais necessitados. Adília

revista até junto de nós. Eu cá vou vivendo com os meus 82 anos e apesar das minhas dificuldades não tenho pressa para morrer! Será quando o Senhor entender. Vou enviar 100,00€ para pagar a revista, o resto nem lhe digo onde o hão-de aplicar, há tantas necessidades; farão o que entenderem. Um grande abraço para todos. Maria

Ajuda a reflectir

Rev.mo Senhor Padre, Com os meus respeitosos cumprimentos envio um cheque para pagar a revista FÁTIMA MISSIONÁRIA. Na verdade é uma revista que nos ajuda a reflectir sobre o mundo que é tão diferente do que nós imaginamos! Cada vez admiro mais os missionários! Quem me dera ter a fé que eles têm. Nossa Senhora os acompanhe. Maria

Amor pela revista

Desejo que se encontrem bem todos os membros da Consolata para que continuem a fazer chegar a

NR Outro abraço para si em louvor dos seus 82 anos e da generosa partilha que faz com as missões.

O nosso bem-haja

Começo por desejar muitas prosperidades para a nossa revista. Que ela continue a ser aquela revista que nos deixa felizes e em paz, depois de a lermos. Junto um cheque para pagamento da minha assinatura e o restante para ajudar-vos, pelas inúmeras obras cheias de caridade que praticam. Que Nossa Senhora de Fátima interceda por todos nós diante de Deus! Com eterna gratidão aqui fica um abraço fraternal e um bem-haja para toda a vida. Albertina

DIÁLOGO ABERTO Venho saudar-vos e dizer que durante o mês, lentamente, vou lendo e vivendo o conteúdo de cada artigo da nossa revista. Ela torna-me mais atenta a tanto sofrimento de fome, doença e perseguições pelos mais variados motivos. E também da fé dos que, apesar dos perigos, se mantêm fiéis a Cristo. A provação sublima o amor! Agora falo um pouco sobre mim: Nasci e vivi em Moçambique onde a carência é grande. Por isso retiro da minha pensão de reforma a importância referida no cheque. Depois de pagar a minha assinatura, peço que encaminhem o resFÁTIMA MISSIONÁRIA

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tante para Gurué, outrora a próspera terra do chá, chamada então, Vila Junqueiro. Convosco recordo duas grandes datas na vida do Beato Allamano – 29 de Janeiro e 16 de Fevereiro. Estarei presente em oração, que também peço. A 29 meu marido foi chamado para o Pai e a 16 farei eu 80 anos de idade. Amélia

Comentário A senhora Amélia vem confirmar o que se costuma dizer em África: Quem lá esteve apanha a doença de lá ter estado, que consiste numa saudade que não tem cura. É o mal de África! Para mais ela esteve no Gurué,

uma zona onde cresce o melhor chá. E nestes últimos meses temos falado muito desta terra por causa do projecto que a FÁTIMA MISSIONÁRIA e os missionários da Consolata em geral estão a promover durante este ano e, graças a Deus, com óptimos resultados. Mas a senhora Amélia, na sua carta fala ainda de outros pormenores interessantes e de algumas coincidências de datas na sua família que parecem feitas de propósito para a gente não se esquecer delas. Assim faremos, porque a caridade é circulante e chega a todos os lados. MC


Até

onde? – Até onde vão vocês? Um dia descobrirei para onde ir! De braços debaixo da nuca, estirado de costas sobre o tapete de feno macio, Daniel comungava da imensidão da natureza. Não se fixava no solo. Olhava as nuvens serenas, em desenhos caprichosos e contínua transformação

texto TERESA CARVALHO ilustração MIGUEL CARVALHO

Envolvido pelo verde e deliciado com o cantar dos passarinhos e com o cheiro do rosmaninho, Daniel refugiava-se aqui para se encontrar consigo mesmo e tentar descobrir o seu lugar na história. Nos intervalos das aulas e entre os amigos, “o que fazer” depois do 12º ano era tema recorrente. O diálogo enchia conversas e sonhos de tantos jovens, desejosos de criarem um espaço próprio e seguro. Daniel tinha dificuldade em identificar-se com os desejos de riqueza, de projecção social ou de poder, que os seus colegas procuravam. Até se riam dele e ele ajudava à festa. Mas não deixava de confirmar a sua sensibilidade e atenção aos sem-abrigo que via na rua ou às pessoas que encontrava no autocarro com olhar triste, cansado, em evidente sofrimento. Preocupavam-no as guerras e os refugiados de longe, de onde nem sabia qual a cor da terra. Sentia-se minúsculo num mundo imenso e, ao mesmo tempo, invadido por um tipo de certeza desconhecida que o impelia a não ser de lugar nenhum nem de ninguém. Sentia que queria dedicar-se a todos. Mas como? Até se imaginou diplomata, gerindo conflitos internacionais e trazendo a paz a locais massacrados pela guerra; ou missionário, levando uma nova proposta de vida e criando evolução em povos esquecidos e em sofrimento. Imaginou-se enquadrado num grupo de jornalistas que percorriam o mundo a denunciar o que destrói a vida e a apregoar o que de construtivo se desenvolve todos os dias, em silêncio. Houve dias em que considerou que poderia

utilizar o seu gosto de investigar em projectos científicos de exploração de novas soluções para doenças ainda fatais; ou seguir uma carreira política para mudar o sistema de liderança e de aproveitamento dos recursos comuns. Estaria a ser loucamente ambicioso? Alguma vez teria capacidade para realizar algo que constituísse contributo para alguém? O seu principal receio era passar todo o seu tempo numa vida monótona, confortável, distraído com o “é normal”, sem descobrir o seu lugar ou sem realizar o que lhe é pedido. Um trabalho de grupo de Filosofia veio colocá-lo num mundo de realidades “tocáveis”: o grupo deveria retratar a vida de um dia vista pelo olhar de uma criança de uma instituição de acolhimento. Daniel e os colegas tiveram oportunidade de estar com os miúdos, de manhã até à hora de deitar. Não escreveu quase nada, mas viu e sentiu muito. Tanto que, antes de sair da instituição, garantiu à directora que voltaria como voluntário. E não queria vir sozinho, porque havia muito a fazer. Viria ajudar com alguém da escola ou do grupo de amigos. Hoje, ao olhar as nuvens, Daniel já revia as carinhas das crianças à espera. Começou a sentir que encontrara um lugar onde a sua ambição de “ser cidadão do mundo” era preenchida. Já não precisava de procurar nas nuvens. Encontrou “o possível hoje” e havia que realizá-lo. Levou outros consigo e, juntos, enfeitaram as vidas destas crianças-à-espera. Quando, ao fim do dia, regressavam a casa, traziam um sorriso do tamanho do Universo que querem transformar e abraçar. juLho 2011

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Mulheres são 70 por cento

dos pobres do mundo As mais recentes estatísticas revelam que 70 por cento dos pobres do mundo inteiro são mulheres. Em condições de desvantagem em vários sectores da vida, estão mais sujeitas aos riscos da pobreza e da fome. A sistemática discriminação que sofrem em quase todos os sectores da vida privada e social, no trabalho, na saúde, no controlo das actividades, na participação, na sociedade são âmbitos onde se regista a discriminação. Submetidas a um estado de pobreza permanente, correm graves riscos de violência, sobretudo em zonas de conflito, onde muitas vezes as principais vítimas são mulheres. É urgente uma mudança de mentalidade para defender este enorme grupo humano, de modo a conseguir o terceiro objectivo do programa «Millenium», para 2015. As Nações Unidas reconhecem que o crescimento e o desenvolvimento dos povos mais pobres só poderão ser alcançados quando todos, mulheres e homens, meninos e meninas, conseguirem uma total participação nas questões da vida que lhes dizem respeito. Quando as mulheres têm poder económico, toda a comunidade inteira beneficia. Saúde e bem-estar melhoram. A um maior nível de instrução feminina corresponde melhor saúde materno-infantil, mais elevada taxa de sobrevivência das crianças. Em certas zonas do mundo, as mulheres garantem mais de 70 por cento do trabalho agrícola e produzem mais de 90 por cento da alimentação. Na África subsariana a produção alimentar aumentaria mais de 20 por cento, se as mulheres tivessem melhor acesso a alfaias agrícolas e a sementes e fertilizantes.

Febre do ouro não cura a pobreza em Madagáscar A pobreza e a febre do ouro juntaram-se em Ankavandra, uma pequena aldeia do Oeste do Madagáscar, no sopé do planalto central. Os rapazes andam no pastoreio do gado, mas meninas, dos 8 aos 15 anos, abandonam a escola para irem à descoberta de pepitas de ouro. Passam seis e mais horas a carregar cestos de barro para lavar nas águas do rio. São 10 horas de trabalho, por vezes sem comida, à descoberta de uns grãozinhos de ouro para ganhar à volta de 10 euros em seis dias de trabalho por semana. Cerca de 70 por cento dos 20 milhões de habitantes de Madagáscar vive com menos de um euro por dia. FÁTIMA MISSIONÁRIA

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“Regime brutal e antidemocrático” na Suazilândia O grito de alarme vem do cardeal Wilfrid Napier, arcebispo de Durban e porta-voz da conferência dos bispos da África do Sul, Suazilândia e Botswana, depois de uma visita à Suazilândia. No país está em vigor o estado de emergência “imposto a 12 de Abril 1973, quando o rei Sobhuza II usurpou o poder legislativo, administrativo e judiciário com um decreto real”. Com os partidos políticos proibidos e os cidadãos privados dos direitos fundamentais, são frequentes as violações dos direitos humanos. O cardeal cita a repressão violenta da manifestação de 12 de Abril deste ano, com a morte “em circunstâncias misteriosas” de dois activistas presos pelas autoridades. A Suazilândia enfrenta uma gravíssima crise económica e social.

Mais de 48 milhões de crianças em trabalhos perigosos

Em todo o mundo, são 115 milhões de crianças, das quais 48 na região do sul da Ásia e Pacífico. “É um número alarmante”, afirma a Organização Internacional do Trabalho. Mais que os adultos, estão sujeitas a acidentes de trabalho que lhes podem causar ferimentos ou até a morte. A maioria trabalha na agricultura e nas pescas, sectores em que absorvem produtos tóxicos cerca de duas vezes mais que os adultos, em situações idênticas. Pelo carácter clandestino do trabalho, “os inspectores nem sempre têm condições para identificar o trabalho infantil”. A pobreza é o principal factor que lança as crianças nestes trabalhos perigosos.

Angola cresce mas o povo permanece pobre O deputado angolano Lopo do Nascimento, do MPLA, partido do governo, considerou “normal” as pessoas manifestarem-se quando as coisas estão mal. Na capital angolana, desde Março passado, têm surgido manifestações públicas de contestação a várias situações que incomodam a população, nomeadamente a liberdade de expressão e a pobreza extrema. A economia angolana regista um desenvolvimento notável, que não beneficia a população em geral.

Jovens nas Nações Unidas preparam JMJ de Madrid

Convocados para o Palácio de Vidro, de Nova Iorque, 500 jovens, entre os 16 e os 30 anos, dialogaram sobre temas actuais, em vista da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), de Madrid. Presentes o arcebispo Francis Chullikatt, da delegação da Santa Sé e outros diplomatas, os jovens discutiram temas sobre as dificuldades da vida com o cantor José Feliciano. O evento foi organizado pela fundação «Jovens Idente», de vários países, raças, e credos religiosos, para a formação do parlamento universal dos jovens, que aspiram tornar-se faróis de cultura e esperança no mundo ameaçado de morte.

Tobias Oliveira, NAIROBI, Quénia

Os dias são maus

Na missa de acção de graças pela sua eleição como superior geral dos missionários da Consolata, o padre Stefano Camerlengo teceu algumas considerações sobre o mundo e os tempos em que vivemos comentando as palavras de São Paulo aos Efésios (5, 15-17), “os dias são maus, tratai portanto de compreender qual é a vontade de Deus”. Não é difícil, para nós missionários no Quénia, confirmar que os dias não são lá muito bons. Não há dia em que não se noticiem desgraças de toda a espécie: pessoas assassinadas pela fúria popular ou pela própria polícia; milhões de euros desaparecidos misteriosamente do erário público; enriquecimento ilícito de alguns, enquanto devido às fracas chuvas se prevê fome e até mesmo morte para pessoas e animais, e a ladainha das lamentações não tem fim. Nem sequer a Igreja católica está isenta desta onda de negativismo devido a alguns “escândalos religiosos” verdadeiros ou fictícios. Falando para todos os missionários da Consolata o padre Stefano parecia estar a dirigir-se em particular aos missionários do Quénia. Nos dias que correm, com eleições presidenciais e legislativas já no horizonte, vendo desaparecer muitos dos pilares, e entre eles a segurança económica, em que em tempos melhores se apoiava a missão e a formação de futuros missionários, torna-se cada vez mais urgente o convite do apóstolo acerca da fidelidade à vontade de Deus, convite que o padre Stefano define como mãos levantadas para Deus em súplica e estendidas para os irmãos em serviço missionário. juLho 2011

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Um dia vou conseguir partir Natural de Água Longa, Santo Tirso, “é uma pessoa honesta, muito sincera, às vezes, de tão sincera pode ser um bocadinho dura”, é assim que se autodefine Maria José Guimarães. “Muito exigente, tento ser coerente com os meus princípios, com a minha maneira de ser, com a educação que recebi e com a fé que tenho”. Com 49 anos “fresquinhos”, tem um sonho. Gostaria de partir em missão. “É um sonho que sempre tive, mas que me obrigou a aprender a ser missionária cá dentro, pela impossibilidade de ir para fora. Estou convencida que um dia ainda vou conseguir partir” Maria José Guimarães, em Catrimani, Brasil, entre os Yanomami

onheço os Missio­ nários da Conso­ lata há 34 anos. Tinha então 15. Como os conheceu? Vinham e ainda vêm à mi­ nha paróquia colaborar com o pároco. Com eles, aprendi o dom da consolação. O que é que entende por dom da consolação? É estar ao lado do outro e consolá-lo. É dar um pouco de disponibilidade, de cari­ nho, de atenção, de modo que o outro, quando está comigo, sinta que estou ali para ele. Como vive a consolação no seu dia-a-dia? A consolação na minha vida de cada dia está muito pre­ sente até, pelo meu trabalho. Qual a sua profissão? Sou enfermeira. Lido com pessoas que sofrem. Neste momento até nem é com a presença física, mas trato de casos, onde posso, de uma maneira mais discreta – ac­ tualmente até muito de reta­ FÁTIMA MISSIONÁRIA

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guarda – ajudá-los no alívio do seu sofrimento. É uma área muito pouco conheci­ da e compreendida. Estou a trabalhar numa Equipa de Coordenação Local da Rede dos Cuidados Continuados. É um serviço espectacular que temos no nosso país que tem crescido e evoluido, direccio­ nado a pessoas com perda de autonomia temporária ou definitiva. Quem bate à sua porta? São “pessoas virtuais”! Com a minha equipa, avalio os processos de pessoas re­ ferenciadas para a Rede dos Cuidados Continuados. Pessoas com perda de auto­ nomia de muitos tipos, dos 18 anos em diante. Pessoas que deixaram de ter a ca­ pacidade de se gerirem a si próprias. Estão completa ou parcialmente dependentes dos outros. Que faz para lhes transmitir a consolação? Até há dois anos era fácil,

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texto E. Assunção foto Ana Paula

pois lidava directamente com pessoas. Era fácil es­ tar ao lado e passar a con­ solação. Quando mudei de serviço, tive de encontrar o meu espaço de ser conso­ lação. Envolvo-me com os episódios que me chegam. Apenas conheço as pessoas pelo que está escrito de­ las. Mas esforço-me mui­ to para que, eu e a minha equipa, tentemos resolver com o máximo de brevida­ de possível a situação da pessoa que está no meio hospitalar ou no seu do­ micílio, numa fase em que precisa de cuidados médi­ cos, de enfermagem ou de cuidados sociais. Lidamos com pessoas em situações muito graves de saúde, que pre­cisam que o processo seja célere. Penso que aí sou consolação. No mundo, ainda haverá lugar para a missão? Cada vez mais! A nossa casa é o campo de missão mais difí­

cil. Depois vamos alargando a um vizinho que pode estar triste ou doente; a outro que ficou desempregado e que até tem vergonha e não diz que precisa de alimentos, de dinheiro para um transporte para uma consulta. Como se sente missionária no seu dia-a-dia? Sinto-me missionária da con­ solação, tentando estar ao serviço dos outros. Sinto que sou missionária no meu ínti­ mo e na minha profissão. Quais os seus hobbies? Adoro ler. A minha leitura é muito específica, de aprofun­ damento espiritual. Gosto muito de ler. De momento, tenho uns tan­tos livros co­ meçados. Mas, todos os dias, leio sobre a espiritualidade de José Allamano. Também gosto muito de conduzir e ouvir música clássica. Quan­ do estou em espaços verdes, a música e a natureza elevam-me a outro patamar. Gosto de estar com os amigos.


Reunidos em Roma, de 8 de Maio a 20 de Junho de 2011, missionários e missionárias da Consolata elegeram, nas assembleias gerais, chamadas capítulos, os seus superiores para os próximos seis anos: Stefano Camerlengo e Simona Brambilla

Rostos novos à frente da Consolata

uando entrei para a congregação, era um jovem que desejava apenas viver a missão com simplicidade e morrer num lugar perdido da África. Agora devo aceitar ser o superior geral”, exclamou Stefano Camerlengo, ao ser eleito. “Desejo formar uma comunidade que saiba dialogar, ouvir e trabalhar em equipa”, afir-

mou o novo superior, de 55 anos. Com o seu conselho, jurou fidelidade na função de conduzir o instituto nos próximos seis anos, junto ao túmulo de São Paulo, o “Apóstolo dos Gentios”, em Roma. Nessa ocasião, recordou os povos com os quais os missionários trabalham e saudou “com carinho os benfeitores, amigos, colegas e leigos que colaboram na mesma missão”. Desde 2005, Stefano Camerlengo, era o vice-superior. Nas­cido em 1956 em Macerata, Itá­lia, estudou teologia na Uni­versidade Gregoriana de Roma e foi ordenado sacerdote, em 1984, na República Democrática do Congo, onde trabalhou em diversas áreas.

imona Brambilla, de 46 anos, é o rosto da no­va superiora geral das Missionárias da Consola­ta. Vai agora dirigir a sua congregação que está presente em 20 países de quatro continentes. Nascida no norte de Itália, Brianza, andava, já pelos 20 anos quando sentiu desejo de ser missionária. Em 1991, fez a sua pri­meira profissão

religiosa, no instituto das Mis­sionárias da Consolata. Inteligente e aplicada aos estudos, formou-se em enfermagem e psicologia. Em 2009, defendeu a sua tese de doutoramento: “Evangelizar o coração”, na Universidade Gregoriana de Roma. Como missionária, esteve em Moçambique onde colheu dados precisos para a sua tese de doutoramento. Em Portugal, a irmã Simona Brambilla não é de todo uma pessoa estranha. Há menos de um ano, esteve em Fátima no congresso da família missionária. Vimo-la muito interventiva, dinâmica e jovial, prerrogativas que agora se evidenciam com a eleição para superiora geral do seu instituto.

Pipo tem ideias texto Carreira Júnior ilustração H. mourato

– Ó Pipo, andas acelerado! Levas alguma fisgada. Que é? – Ando muito contente. Como é sabido está cá um missionário a passar férias. Numa conversa que ouvi entre ele e o nosso pároco percebi que eles andam a planear fazer uma geminação entre a nossa paróquia e a missão dele. Eu não entendi bem o que é a geminação. Fui perguntar ao chefe dos escuteiros e ele explicou-me que fazer a geminação de duas paróquias significa torná-las gémeas, como se fossem irmãs. De maneira que uma ajuda a outra, conforme as suas posses e necessidades. Ao ouvir isto eu pensei logo no museu que existe no nosso centro social. Há lá muito artesanato da nossa terra, mas ainda lá cabiam umas peças de arte africana onde trabalha o missionário. Se ele as trouxer para cá, eu ofereço-me para fazer propaganda delas, para que o povo as venha visitar. Depois eu ponho na sala um mealheiro grande e as pessoas colocam lá as suas moedas que revertem a favor das missões. – Pipo, tu és formidável! Ideias não te faltam. Acho que fazes bem em oferecer-te para as realizar. As missões agradecem!

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No Brasil há 20 anos Terra de missão? Uns dizem que sim, outros afirmam que não. Trabalhei em dois estados, os mais populosos e também os mais bem organizados: São Paulo e Paraná

tive envolvido, são apóstolos activos em vários países do mundo. Acompanho sempre essa presença, como se fosse um pouco de mim a estar envolvido com a actividade de cada um deles. Isso faz-me ser agradecido e orante a Deus. Nunca imaginei que uma vocação amadurecida já na idade adulta, como a minha, pudesse viver 33 anos de vida sacerdotal e consagrada à missão. Apesar das mazelas, sinto que ainda tenho, diante de mim, caminho para percorrer.

Apoio à missão

texto MÁRIO SILVA foto E. ASSUNçÃO

omparando os estados do Brasil uns com os outros, as diferenças são enormes. Não há um só Brasil; são vários. O Brasil real, olhado por dentro, no seu conjunto, é bem diferente do Brasil das estatísticas, visto de fora. Por tudo o que já vi e sei, considero o Brasil terra de missão. Trabalhei quinze e mais anos na área da formação de novos missionários. Nesses anos, os meus fins-de-semana eram dedicados à pastoral de conjunto. Foi um trabalho descontinuado, com muitos altos e baixos, mas que me deu muita alegria. Tive sempre a impressão de ser bem acolhido  e considerado. Nas muitas comunidades que servi, aparecia sempre alguém que vibrava com o meu sotaque, sobretudo os

Presentemente, o meu trabalho pode considerar-se de apoio à missão. Sou o coordenador da casa provincial dos descendentes de portugueses. Foram Missionários da Consolata, em São muitas as manifestações de carinho e Paulo. Além das 20 pessoas permanenapreço, talvez atávico e saudoso, do tes que formam a comunidade religiosa, país que foi a sua origem. chegam continuamente a esta casa missionários vindos de todos os cantos do Brasil. Vêm para encontros, para tratar Frutos saborosos O trabalho de formação obrigou-me assuntos burocráticos ou para tratasempre a ler e a estudar a actualidade  mento médico ou hospitalar e  outras para prestar um serviço qualificado aos actividades. Dedico-lhes o meu tempo e jovens que me eram confiados. Olhan- a minha atenção para lhes proporcionar do para trás, hoje vejo com alegria que, uma boa estada. A experiência que eles além de ter sido um tempo muito rico comunicam é óbvia: o Brasil é terra de  para mim e que me ajudou, os frutos missão. É uma Igreja irmã que carece foram muitos e se multiplicaram. Diver- muito de servidores qualificados para sos missionários, em cuja formação es- anunciar o evangelho de Jesus.

Sou o coordenador da casa provincial dos Missionários da Consolata, em São Paulo

Aspecto da cidade brasileira mais populosa: São Paulo é o principal centro económico da América Latina FÁTIMA MISSIONÁRIA

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Refugiados sírios gritam slogans contra o presidente Bashar al-Assad, num campo do Crescente Vermelho, em Hatay, Turquia

Protestos generalizam-se

Repressão tenta estancar «Primavera síria» texto CARLOS CAMPONEZ foto LUSA

Os protestos generalizaram-se na Síria, exigindo liberdade e democratização do regime. As forças de segurança ripostam com violência contra os manifestantes e o exército ataca os centros populacionais de maior contestação. Na vizinha Turquia, acumulam-se os refugiados e a pressão internacional cresce sobre Damasco. Em meados de Junho, estimava-se que as manifestações em defesa de reformas políticas, económicas e sociais tenham provocado mais de 1300 mortos, 10 mil presos políticos e idêntico número de refugiados. Depois das esperanças que marcaram a sua chegada ao poder, em 2000, o presidente Bashar al-Assad assume-se cada vez mais como a figura da continuidade do regime autoritário que herdou de seu pai: um poder fortemente concentrado, um poderoso sistema de segurança e de controlo social, uma economia em benefício do clã familiar, que domina o poder desde 1970.

Ciclo de protestos e violência

A contestação ao regime surgiu, pela primeira vez, a 4 de Fevereiro, tendo por base um apelo lançado pelas redes sociais, na internet. Apesar da sua pouca expressão inicial, novas manifestações

sucederam-se a 17 de Fevereiro e 15 de Março, contestando a violência policial e exigindo a libertação de presos de opinião. O rastilho da contestação surge, então, quando as autoridades detiveram 15 crianças com idades entre os 10 e 15 anos por terem escrito nas paredes da cidade de Deraa, junto à Jordânia, palavras de ordem da «primavera árabe», dos movimentos que levaram à queda do poder na Tunísia e no Egipto. A partir daí, os acontecimentos precipitaram-se num ciclo imparável de protestos, repressão, mortes e perseguição política.

Liberdade e democracia

A questão que se coloca hoje ao presidente da Síria tem a ver com a sua capacidade de evitar que os protestos cheguem a um ponto de não retorno político, como aconteceu no Egipto, na

Tunísia, na Líbia e no Iémen. A radicalização das manifestações e da violência das forças de segurança contra civis fazem recordar os acontecimentos de 1982, quando Hafez Al-Assad abafou a revolta sunita num massacre calculado em 10 mil mortos, na sua maioria civis. Mas os tempos mudaram: a geo-política não é a mesma, a começar desde logo pelo que se passa no mundo árabe. Numa versão já vista na Tunísia e no Egipto, o actual presidente Bashar al-Assad prometeu reformas de última hora: decretou o fim do estado de emergência que vigorava desde 1963 e o combate à corrupção. Mas essas promessas surgem tarde e num contexto de descredibilização política, perante as vozes que exigem direitos que o regime já demonstrou não estar disposto a conceder: liberdade e democracia.

A questão que se coloca hoje ao presidente da Síria tem a ver com a sua capacidade de evitar que os protestos cheguem a um ponto de não retorno político, como aconteceu no Egipto, na Tunísia, na Líbia e no Iémen juLho 2011

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Campeão dos pobres eleito no Peru Foi só depois de trocar o venezuelano Chávez pelo brasileiro Lula como modelo que Ollanta Humala começou a ser visto como potencial Presidente do Peru. O país tem sido um caso de sucesso económico, mas continua a exibir grandes desigualdades sociais. Graças aos votos dos pobres, mas também à aversão de muitos eleitores a Keiko Fujimori, o ex-militar conseguiu agora vencer as eleições

texto LEONÍDIO PAULO FERREIRA fotos LUSA

s peruanos estiveram prestes a dar início a mais uma dinastia política, mas no último momento preferiram não ir por esse caminho. E assim Keiko Fujimori, filha de um ex-presidente preso por violação de direitos humanos e corrupção, perdeu no dia 5 de Junho a segunda volta das eleições presidenciais apesar de ser a preferida dos meios empresariais. De pouco lhe valeu ser a candidata da continuidade, prometendo manter o mesmo caminho do Presidente cessante Alan Garcia e assim garantir políticas económicas que resultaram num crescimento médio de 5,5 por cento na última década e de 8,9 por cento em 2010, um valor melhor mesmo que o do Brasil, o líder regional.

O vencedor acabou por ser Ollanta Humala, que depois de ter perdido as eleiFÁTIMA MISSIONÁRIA

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ções há cinco anos conseguiu agora chegar a Presidente à segunda tentativa. Este ex-militar golpista assusta os meios empresariais, mas cativa as classes mais desfavorecidas. É que o sucesso económico não chegou a todos os sectores peruanos e se na última década a população a viver abaixo do limiar da pobreza diminuiu de 48 por cento para 31 por cento o certo é que há muito ainda por fazer num país onde as desigualdades sociais são gritantes, como aliás é regra na América Latina. Sobretudo os peruanos de origem indígena, descendentes desses incas que os conquistadores espanhóis derrotaram no século XVI, vêem em Humala um campeão da defesa dos seus direitos. Uma das leis que propõe o novo chefe de Estado é transformar o actual direito de consulta das comunidades índias sobre a exploração mineira e de gás natural nas suas terras ancestrais num verdadeiro direito de veto, o que explica

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Presidente Ollanta Humala

porque os meios de negócios o olham com desconfiança.

Mas os votos dos mais

pobres não chegavam para fazer Humala vencer. Na primeira volta foi o mais votado, mas com apenas 31 por cento. A sua sorte acabou por ser a eliminação precoce dos três candidatos centristas, o que o deixou frente a frente com Keiko, filha desse Alberto Fujimori que fez na década de 1990 as reformas liberais que permitiram modernizar a economia, mas é lembrado também pela forma autoritária como governou. Acusado de corrupção e de ter ordenado massacres de camponeses suspeitos de apoiar a guerrilha do Sendero Luminoso, o político co-

nhecido como ‘El Chino’ acabou por exilar-se no Japão, terra de onde emigraram os seus pais, e depois acabaria preso no Chile e extraditado para o Peru, onde cumpre pena de prisão. Durante a campanha, Keiko foi acusada de preparar o regresso ao poder de muitos dos aliados do pai e de estar mesmo a preparar a sua libertação, o que a candidata sempre negou ser verdade.

Perante a escolha entre

um candidato de esquerda, de tom nacionalista, e uma candidata de direita com ligações a um velho regime autoritário, o eleitorado dividiu-se quase ao meio, mas Humala acabou por vencer com uma vantagem de 3 por cento. Valeu-lhe o apoio de figuras como o ex-presidente Alejandro To­ledo, um dos centristas afastados na primeira volta, e até de um homem conhecido por ser de direita como Mário Vargas Llosa, Prémio Nobel da Literatura no ano


Ritual da boa sorte, realizado pelos xamãs, antes dos resultados das eleições presidencias peruanas de 2011

passado e uma voz muito respeitada no seu país.

Contudo, decisivo para

o sucesso de Humala foi também a sua transformação nos

últimos cinco anos e sobretudo agora da primeira para a segunda volta. O ex-militar abandonou as referências ao líder venezuelano Hugo Chávez e apostou antes em

colar-se à imagem do brasileiro Lula da Silva. Conseguiu assim posicionar-se numa esquerda latino-americana mais moderada e sobretudo com melhores resultados

Um Nobel muito político Autor de livros como ‘Conversa na Catedral’ e ‘A Festa do Chibo’, Mário Vargas Llosa, de 75 anos, obteve o Prémio Nobel da Literatura de 2010, confirmando-o como um dos grandes escritores latino-americanos. Mas se vários dos seus romances são políticos, e ainda mais os artigos que publica na imprensa internacional, to­do ele é uma figura comprometida com a luta pelos valores da democracia. Em tempos chegou a namorar com a Cuba de Fidel Castro, mas cortou cedo com o comunismo à moda das Caraíbas. Corajoso, denunciou também sem hesitações a ditadura militar argentina, que durou entre 1976 e

1983. Este combate político atingiu o seu auge em 1990 quando se apresentou como candidato às presidenciais peruanas, perdendo para Alberto Fujimori. Receoso que este lhe retirasse a nacionalidade, Vargas Llosa pediu a cidadania espanhola para evitar ficar apátrida. Claro que festejou a queda do seu rival tornado inimigo e a sua condenação por corrupção e violação dos direitos humanos, mas assustou-se quando viu a filha, Keiko Fujimori, surgir como favorita na segunda volta das presidenciais deste ano. Confrontado com a ameaça de um regresso da ditadura, disse-o sem hesitar, apoiou Ollanta Humala, apesar de

económicos. É que enquanto a Venezuela depende da cotação do petróleo para não entrar em recessão, o Brasil é uma potência emergente que em 2010 viu a sua economia crescer 7,5 por cento.

Humala, de 49 anos,

Mário Vargas Llosa

desconfiar deste. Aliás, na primeira volta, o Nobel da Literatura chegou a dizer que escolher entre Humala e Keiko era como escolher entre o cancro e a sida. A recente conversão de Humala a uma versão mais humanista da esquerda também facilitou a tarefa de Vargas Llosa, cuja notoriedade internacional fez deslocar os holofotes para o Peru, prejudicando as ambições de Keiko.

terá agora de imitar a fórmula do ex-presidente brasileiro: assegurar condições aos meios empresariais para que a economia prospere e ao mesmo tempo assegurar que a redistribuição da riqueza vai pouco a pouco eliminando as desigualdades sociais. É que se boa parte dos seus eleitores escolheram-no para evitar um regresso do autoritarismo à Fujimori, outra boa parte vê nele um campeão das causas sociais. O facto de a sua aliança de esquerda ter apenas 41 assentos num par­lamento de 130 obr­iga-o também a negociações, sobretudo com o partido de Toledo, o que pode acabar por ser bom para o Peru. *Jornalista do DN

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Avenidas largas, praças amplas, parques e jardins verdes são o palco do grande encontro que poderá juntar cerca de dois milhões de jovens em Madrid. De 16 a 21 de Agosto, a capital espanhola acolherá a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2011. Nas ruas já são visíveis os sinais dirigidos aos jovens católicos de todo o mundo. Anúncios publicitários apresentam a JMJ nos diversos meios de comunicação. Cartazes, ambientação dos templos e colégios vão preparando a cidade para a grande festa da fé. As várias autoridades madrilenas dão as mãos à Igreja para colaborar na JMJ, pondo de lado querelas ainda recentes texto Elísio Assunção fotos ANA PAULA FÁTIMA MISSIONÁRIA

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Estado e Igreja em Espanha de “mãos dadas” Menos de um ano depois de ter estado em Santiago de Compostela e Barcelo­ na, em Novembro de 2010, Bento XVI volta a Espanha pela terceira vez. A primeira foi em Valência, em 2006. Encontrará um país tradicionalmente católico e, ao mesmo tempo, “profun­ damente anticlerical” e secularizado, no dizer de Francisco Cañestro, o sacerdote de Madrid, que está à frente da prepara­ ção da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que cita, a propósito, o políti­ co e escritor espanhol, Manuel Azaña: “Los españoles siempre van detrás de los curas o con velas o con palos”, isto é, “os espanhóis andam sempre atrás

dos padres ou com velas ou com paus”. Estado e Igreja têm andado de “can­ deias às avessas”, mas as relações à volta da JMJ “são extremamente cordiais e boas, porque é do interesse de Espanha e dos próprios peregrinos”, no dizer do mesmo sacerdote, director da pasto­ ral juvenil de Madrid. Ambas as partes souberam, “em prol de um bem maior”, superar dificuldades de entendimento, devido a “leis que são agressivas contra a vida, com uma legislação um pouco beligerante”. Na presente legislatura, “o próprio governo é o maior problema”. Estabeleceu-se um diálogo de surdos: “A Igreja sabe dizer ao governo o que

não aprova, mas também é verdade que o governo não faz caso das recomenda­ ções da Igreja em matéria de legislação”, afirma o sacerdote. “Pelo bem de Espa­ nha e da Igreja sabe-se transcender. A JMJ é um exemplo”.

Igreja em Espanha

“Gostaria que os jovens e todos os que trabalhamos com eles recuperássemos o valor autêntico do que é a juventude”, augura Raúl Tinajero, director da pas­ toral juvenil de Toledo. A sociedade de hoje como que os adormeceu. “A JMJ terá que ser um reactivar da realidade juvenil”, a começar pela Igreja, para que

Vindo das suas cinco entradas, um jovem de cada continente será acolhido pelo Papa Bento XVI a abrir a JMJ de Madrid

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“lhes dê mais importância, mais responsabilidades, mais protagonismo”. No dizer do Papa aos jovens, na sua mensagem para a JMJ, “necessitamos da vossa caridade criativa, necessitamos de rejuvenescer as nossas comunidades”. Uma Igreja estática, a contemplar o seu passado, por mais rico que seja, não se compagina com o presente. “Quem melhor nos pode mostrar as dificuldades e as necessidades deste tempo, para lhe responder a partir do Evangelho, são os jovens”. Raúl Tinajero recusa que a Igreja esteja “envelhecida”, mas por vezes, “pôs o pé no travão ou acelerou pouco”. A sociedade espanhola “é muito laicista, há muito secularismo, por vezes aos jovens cristãos custa-lhes mostrar a sua fé devido ao ambiente que os rodeia”. E aponta o caminho à Igreja: “Tem de continuar a caminhar, tem de abrir horizontes que os jovens colocam, tem de escutar”.

JMJ em Madrid

Madrid receberá para a JMJ de um a dois milhões de jovens. A organização calcula que terá de alojar mais de 600 mil peregrinos. “Neste momento temos mais alojamentos que pedidos”. Serão alojados em colégios do Estado, dos religiosos, em polidesportivos, em espaços das paróquias e nas famílias que se oferecem e aceitam. “Em Espanha não estamos acostumados a alo-

jar gente em nossas casas. As famílias mostram-se reticentes e são relativamente poucos os lugares oferecidos”. Mais de metade dos jovens que participam JMJ não se inscreve, ou porque residem nos arredores de Madrid ou porque têm meios de transporte, com acessos fáceis aos locais da JMJ. Um bom número só participa num ou em vários actos, mas não se inscreve. É o caso da grande maioria dos cidadãos de Madrid, que poderá participar no acolhimento ao Papa, em Barajas, na Nunciatura, pelas ruas, nas celebrações ou na via-sacra. Espera-se mais de um milhão e meio de pessoas em Madrid. Segundo Francisco Cañestro, “todo o trabalho que comporta a JMJ, arrasta uma força de comunhão que contagia até os não-crentes”. E acrescenta: “É muito bonito ver que as autoridades dos diferentes partidos, diante deste acontecimento, mantenham uma colaboração total e estreita com a Igreja, para que a Espanha inteira esteja disponível”. Governo da nação, do município, da comunidade de Madrid deram ordens “para que todas as delegações do governo de Espanha” colaborem. O visto de entrada no país é oferecido aos peregrinos de fora da União Europeia, assim como transporte para todos os peregrinos é gratuito, tanto o metro como o autocarro, durante os dias da JMJ.

Conhecer outras culturas “Gosto de ler, de passear, de enfiar-me dentro de um autocarro e ir para onde me levar”, revela Célia Gonçalves, dos Jovens Missionários da Consolata (JMC), da zona centro. De Santa Catarina da Serra, Leiria, 20 anos, estudante de radioterapia, é uma das felizardas que estará na JMJ, em Madrid “Além de me divertir, gosto de conhecer outros jovens de outros países, conhecer as suas culturas, trazer toda essa riqueza comigo, para partilhar por cá aquilo que lá vou aprender” são expectativas de Célia Gonçalves sobre a JMJ. “É muito interessante poder conhecer e também mostrar um pouco da nossa cultura”. O encontro com os jovens da Consolata de outros continentes “vai ser uma óptima oportunidade FÁTIMA MISSIONÁRIA

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para comparar o que eles fazem com o que nós fazemos”. A grande multidão de jovens que estará em Madrid não a assusta, apesar “de nunca ter saído de Portugal”: “Receios!? Só se me perder no meio de tantos jovens. Acho que não. Vai ser muito interessante”. Do seu grupo de duas dezenas de jovens, oito estarão em Madrid. Os outros “não podem porque têm trabalhos de Verão, ou outras actividades combinadas com

a família”. Mas todos colaboram em angariar fundos para cobrir as despesas. “Fomos animar algumas missas dominicais em igrejas das redondezas de Fátima. Depois da missa, tínhamos uns bolinhos, um chazinho e um café para vender, criámos os nossos símbolos: canetas, porta-moedas, porta-chaves, que fizemos à mão para vender e arranjar algum dinheirinho. Fomos bem recebidos e as pessoas ajudaram-nos”.


“Há beira de um ataque de nervos” “Hoje, temos uma juventude muito mais escassa, muito menos praticante, muito menos militante. Como avançar no caminho da pastoral juvenil?”, pergunta Francisco Cañestro, responsável pela organização da JMJ ão podemos contentar-nos com oásis. Temos que olhar para o conjunto da pastoral: os seminários fecham, as ordens e os movimentos não têm jovens, em suma, nas paróquias não vemos esses jovens, muitos deles formados nos colégios católicos. São jovens que nos lançam muitas perguntas e se dão metas de esperança”. Como está a preparação da JMJ? Estamos quase-quase à beira de um ataque de nervos! Um ritmo de trabalho muito elevado, prestes a receber os jovens. Estamos a preparar tudo para que os peregrinos se encontrem em Madrid como em sua própria casa. Se fosse um jovem, que mais gostaria de ver na JMJ? O próprio ambiente, o clima que se cria, um espaço único de Igreja. Ver gente de diferentes raças, diferentes línguas, professando a fé única, ver a catolicidade da Igreja centrada e personificada no Papa, que significa a comunhão, com a diversidade dos continentes. Se fosse jovem, isto é, mais jovem, e viesse de um país longínquo, gostaria de ver os actos culturais, os teatros ou obras de diferentes santos. São espectaculares! Gostaria de ver a via-sacra, mas a vigília com o Papa tem sempre um lugar especial. Não saberia qual escolher. Que dificuldades estão a prever? A primeira é o calor. Nem todos os peregrinos vêm de zonas em que estão preparados para este calor. A segunda é dos alojamentos. Toda a gente quer estar alojada no centro. E estarão alojados no centro, mas da Península! Não da cidade! Que recomendações faz aos jovens? Que se animem a vir! Não percam este acontecimento da Igreja, mesmo que

não estejam muito convencidos na sua fé. Aproveitem ao máximo as várias opções de formação e de encontro da JMJ. Há umas 300 acções culturais, 300 catequeses, muitos lugares de adoração, muitas possibilidades. Há a feira vocacional, por exemplo, para apresentar as dúvidas mais profundas. Venham e aproveitem para soltar as inquietações que os afligem no seu coração. Que frutos espera a Igreja de Espanha da JMJ? Que os jovens renovem a «ilusão» de serem cristãos, de serem crentes. Que recuperem a sua esperança, que a Igreja saiba corresponder, ajudar e dar alento às suas esperanças. Até nós, os próprios pastores, necessitamos deste impulso que uma JMJ nos oferece sempre. Os jovens, às vezes, vivem de forma envergonhada, com pouco entusiasmo a sua própria fé. Padre Francisco que espera da JMJ? Que acabe!... Espero poder servir o melhor possível, como sempre procuro fazer. Gostaria de ver compensado o

Francisco Cañestro define-se “um humilde colaborador da JMJ, um sacerdote ao serviço dos peregrinos a partir do trabalho oculto em várias tarefas, um entusiasta da juventude, das jornadas e, evidentemente, da Igreja. Um pobre pecador, porém en­tusiasta de Cristo”. De 42 anos, estudou no seminário de Madrid desde os 18 anos, onde se ordenou sacerdote em 1996. Trabalhou sempre com jovens na pastoral paroquial e, muito cedo, assumiu a coordenação da pastoral juvenil. trabalho, vendo o rosto dos jovens em adoração, no festival do perdão, na vigília ou a celebrar a Eucaristia.

11 países já acolheram a JMJ Acontecimento religioso e cultural mais internacional da Igreja Católica, a JMJ reúne jovens de todo o mundo, de três em três anos, durante uma semana. O Papa convoca os jovens do planeta, escolhe o local e o tema da JMJ. Já foram organizadas JMJ em 1985 em Roma; em 1987, em Buenos Aires; em 1989, em Santiago de Compostela; em 1991, em Czestochowa; em 1993, em Denver; em 1995, em Manila; em 1997, em Paris; em 2000, em Roma; em 2002, em Toronto; e em 2005, em Colónia. A última, em Julho de 2008, foi em Sydney, onde Bento XVI convocou os jovens para a próxima JMJ em Madrid, de 16 a 21 de Agosto de 2011 com o tema “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé”. Os Jovens Missionários da Consolata participam em grupo, pela primeira vez, na JMJ de Madrid. Serão cerca de 150 peregrinos provenientes do Brasil, Argentina, México, Quénia, Tanzânia, Espanha, Polónia, Itália e Portugal. juLho 2011

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Sementeira de esperança

Situada à borda do Tejo, a diocese de Toledo vai acolher mais de 15 mil jovens estrangeiros, para a preparação da JMJ, como todas as dioceses de Espanha. A 12 de Agosto, inicia a preparação com os jovens toledanos. “Está a ser um acontecimento de graça, desde há quase três anos”, explica Raul Tinajero, director da pastoral juvenil da diocese ais de 100 paróquias vão acolher jovens; mais de 2.000 voluntários estão já a trabalhar para preparar os dias de acolhimento, cerca de 80 por cento dos peregrinos irão ficar em famílias”, resume o sacerdote Raul Tinajero. “É uma sementeira de esperança!”. Exclama, lançando um olhar para o futuro: “Vai ter uma repercussão importante nos jovens de Toledo. Temos a esperança de que surjam no-

vos grupos de jovens nas paróquias, bem organizados, com uma presença viva e activa, que se sintam co-responsáveis”. E acrescenta: “Hoje em dia, Espanha precisa desse empurrão”. Os 15 mil jovens estrangeiros, que vão chegar a Toledo, serão repartidos por diversos lugares da diocese, que é muito vasta e rural. “No nosso programa é a família, a paróquia que acolhem, para darem testemunho de como se vive a nossa fé”. Juntam-se-lhe os jovens toledanos.

Raul Tinajero conta 12 anos de companheirismo com os jovens: “Desde que me ordenei sacerdote”. Mas já antes esteve ligado à pastoral juvenil, “na paróquia e com jovens que não estavam tão perto da Igreja”. Há dois anos, assumiu a pastoral da juventude da diocese de Toledo, com iniciativas inéditas, como um campeonato de futebol entre equipas de jovens católicos, festivais da canção e do cinema. “Já estão inscritos mais de 2.000, mas esperamos que se inscrevam muitos mais”. A organização está a ser cuidadosamente preparada. “Estamos muito organizados. Tudo será coordenado por grupos. Em cada um, haverá um sacerdote, um seminarista. São uns 60 sacerdotes, 70 seminaristas maiores, e 35 religiosos, tudo coordenado de modo que cada grupo com a sua própria realidade de trabalho participe nas catequeses, nas reuniões de formação, nas eucaristias”.

Revitalizar Igreja envelhecida

José Matias, missionário da Consolata

ntes de chegar a Madrid, a 16 de Agosto, os jovens preparam a JMJ nas várias dioceses de Espanha. É uma boa oportunidade para revitalizar uma Igreja envelhecida, FÁTIMA MISSIONÁRIA

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onde “a participação dos jovens é quase nula”, explica José Matias, que dirige o seminário maior da Consolata na capital espanhola. “Não se vêem jovens nas paróquias, ao menos, entre as que eu conheço. Poucas têm grupos de jovens”. Como se explica? Talvez seja devido a um relativismo crasso da sociedade, um permissivismo grande em que cada um faz o que quer e chama liberdade ao que é libertinagem. A nível de clero, a Igreja está envelhecida e não encontra respostas para os jovens de hoje. Que impacto a JMJ terá na Igreja de Espanha? Espero um impacto bom, positivo, mas estamos com algum receio. Não se nota ainda muito entusiasmo na

juventude espanhola. Mas, ao aproximar-se a jornada, tudo irá correr bem. O cardeal de Madrid, Roco Varela, é um dos impulsionadores da JMJ e está a trabalhar muito com os seus bispos auxiliares. Há muita informação. Na diocese de Toledo sei que há muito entusiasmo. Os jovens da Consolata vão beneficiar da JMJ? Eles já têm uma caminhada bastante aprofundada e não vão chegar a Madrid desarmados. A sua participação na JMJ vai robustecer a sua fé, com tantas possibilidades que cada jovem terá. Vai haver música, concertos, danças, catequeses, um pouco de tudo. As actividades vão desenrolar-se por grupos de línguas.


É a terceira JMJ Jovem italiano, missionário da Consolata, de 29 anos, é sacerdote há poucos meses. Tem “um desejo grande de viver e partilhar o Evangelho com todos” atteo Pettinari participou em duas JMJ: de Paris, em 97, “recordo-me da alegria, no meio dos jovens de todo o mundo”; de Roma, em 2000, um mês antes de entrar no seminário, “lembro, sobretudo, as palavras que me tocaram o coração, em relação ao passo que ia dar. Experimentei que a Igreja é uma comunidade de todos os povos, que procura ser evangélica”. Que significa para ti a terceira JMJ? Marca-me de uma maneira muito diferente. Antes, participei como peregrino; agora estou na organização e preparação, um longo caminho de dois anos. Tens apoiado a participação de dioceses italianas? Antes de vir para Madrid, os jovens da minha diocese disseram-me: Já que vais para lá, pensa em nós. Inseri-me no bairro da Ventilla, a norte de Madrid, com os missionários da Consolata, e propus uma “irmandade” entre duas dioceses italianas e as nossas cinco paróquias do bairro. Ficaram encantados e começámos um caminho, que ainda não acabou e que não é fácil. Um caminho de animação das comunidades do bairro, das paróquias, das famílias. O nosso sonho é que os 500 jovens que virão das duas dioceses italianas possam entrar na casa destas famílias. Que outros aspectos te marcam?

Ser missionário da Consolata trouxe-me muito mais trabalho. Os jovens da Consolata [de África, América e Europa] quiseram participar na JMJ, pela primeira vez, como grupo. Dei-lhes a minha disponibilidade para informar e colaborar. Favorecemos os contactos com a diocese de Toledo, onde irão viver os dias de preparação da JMJ, para se conhecerem uns aos outros e partilharem experiências. Depois da JMJ partirás para a Costa de Marfim? Cheguei há dois anos à Espanha e já me preparo para dizer adeus, dentro de alguns meses. Estou desejoso de partir, embora quando se vive num lugar, criam-se relações bonitas, fazem-se amizades com as pessoas que se encontram. É sempre difícil partir, tanto mais quando se vive com intensidade. É vida missionária! A única coisa certa é que Deus nos acompanha onde e quando só Ele sabe. Estar preparado para partir é uma maneira de amar, depois de partilhar uma experiência linda de fé, de vida e de amizade. Que dirias aos jovens da JMJ? Essencial não é vir à JMJ, mas encontrar-se com Cristo e viver o seu Evangelho. Entre as maneiras de o fazer, a JMJ é mais uma. Não tenhais medo, não penseis que seguir a Jesus vos tira alguma coisa. É o mais belo que vos pode acontecer na vida.

Missionário da Consolata, Matteo Pettinari está envolvido na terceira JMJ

Braulio Plaza, arcebispo de Toledo

“Apóstolos entre os jovens” A JMJ começa por ser missionária entre os jovens, e deverá ser seguida por uma etapa catequética. “Eles têm que ser apóstolos entre os próprios jovens”, afirma o arcebispo de Toledo, Braulio Plaza, um madrileno de 67 anos, muito próximo da juventude. “Em Toledo, há um grupo, não muito grande, mas muito expressivo, de «chabales» e jovens muito dedicados que, não vivendo apenas a fé cristã, são agentes muito activos da pastoral juvenil”. É um desafio imenso dos pastores, pois “há momentos em que os jovens se sentem desencantados ou que as influências exteriores podem mais que a força da sua fé”. Ser bispo é estar “muito em contacto com a sua gente. Não posso ser cristão se não sou bispo. O que eu gosto é de ser cristão. Sem o povo de Deus, o bispo não seria nada. Não posso senão visitar, ver, partilhar e viver constantemente entre a minha gente”. juLho 2011

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Olá pequenos missionários, Julho já chegou e com ele o oitavo princípio da Carta Universal dos Direitos da Criança. Este diz assim: “Seja numa emergência ou acidente, ou em qualquer outro caso, a criança deverá ser a primeira a receber protecção e socorro dos adultos”. Aproveitem as férias para reflectirem sobre todos os princípios que já aprenderam aqui. Boas férias, com segurança! texto ÂNGELA E RUI ilustrações RICARDO NETO

Pais sentem-se mais seguros quando os filhos estão seguros Ana é uma menina com dez anos que vive na cidade de Tomar, terra dos templários e de um dos monumentos mais bonitos de Portugal, o Convento de Cristo. Tal como as outras meninas na sua idade, gosta muito da escola,

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dos amigos e da catequese, mas como é muito esperta, também começou a gostar de desafiar a autoridade dos pais. Já se acha muito crescida para se sentar na cadeirinha do carro e usar cinto. Assim como já não quer que a mãe a oriente

para atravessar a rua ou a aborreça com as regras de segurança em geral. “Já sou uma adolescente, já não preciso disto tudo, isto é para os bebés” refila cordialmente, mas em vão, pois os seus pais estão cientes do que é melhor para Ana e


esta fica frustrada por não conseguir levar as suas pequenas teimosias avante. A melhor amiga de Ana é a Mariana. Conhecem-se desde o jardim-de-infância e andam juntas na escola e na catequese. Mariana é a mais velha de três irmãos, ela e mais dois rapazes. Nas férias as famílias de Ana e Mariana rumam para a praia onde todos os anos se divertem muito, apesar das brigas entre as duas raparigas mais velhas e os dois rapazes mais novos. Quando, finalmente, chega o dia de par­ tir, as raparigas nem dormiram de noite. Ajudam os pais a colocar tudo nas malas dos carros e partem de manhãzinha, pela fresca. A meio do caminho, há um carro que vem em contramão e bate no carro da família da Mariana. As ambulâncias chegaram num instante. As crianças tinham prioridade. Não foi um acidente muito aparatoso. Os pais e os irmãos da melhor amiga de Ana apenas têm arranhões, no entanto Mariana fica bastante mais magoada, pois embateu no vidro do carro. É então levada para o hospital onde fica internada.

Ana sofre com o que aconteceu à sua melhor amiga, não sabe o que há-de fazer. Mas logo a sua mãe que, sentada na sua cama, lhe afaga o rosto e os cabelos lhe diz que a melhor coisa que podem fazer é rezar, a ferramenta mais poderosa do cristão. E rapidamente se cria uma corrente de oração pelas famílias

O meu momento de oração Querido Jesus: Eu sei que os pais existem para nos proteger dos perigos. Ajuda-me a compreender sempre os meus pais e a cumprir as normas de segurança. E que todos trabalhemos para que, no futuro todos os meninos estejam protegidos dos acidentes e possam ser sempre socorridos e salvos pelos médicos, enfermeiros e bombeiros. E possam brincar de forma segura! Pai-nosso

dos amigos da escola, da catequese, familiares da Mariana e vizinhos. Rezam uma dezena a Nossa Senhora todos os dias às 22h, sem falhar. Ao fim de duas semanas, Mariana começa a melhorar, regressa a Tomar e Ana já a pode visitar. Não cabia em si de feliz e na noite anterior agradeceu ao seu amigo Jesus por ouvir as suas orações. Desde que Ana chegou, nunca mais se calaram as duas tagarelas. No meio da animada conversa, Mariana confessa a Ana que a culpa de o acidente ter sido tão grave foi dela, pois tinha desapertado o cinto para apanhar o seu telemóvel que tinha caído. À noite, ao jantar, Ana diz aos pais que eles têm sempre razão, quando se preocupam com a sua segurança e que, a partir, daquele dia não iria mais contrariá-los.

Soluções do número anterior

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Comunicar afirmativo texto LUÍS MAURÍCIO foto LUSA

uma formação sobre o modo como melhorar as relações interpessoais, um participante questionou-me: “Li numa revista que Jesus era um homem assertivo. Que quer isso dizer?”. De repente, tive a sensação que o jovem professor queria pôr-me à prova. A resposta à pergunta poderia estar no texto que ele lera. Por outro lado, embora a assertividade pudesse estar ligada ao tema da formação, de facto, não me tinha prepaFÁTIMA MISSIONÁRIA

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rado para fazer essa abordagem. Fosse como fosse, senti-me na obrigação de ir ao seu encontro. Recorri à conhecida técnica de responder com outra questão: Que significa para vocês a palavra assertividade? Uma chuva de respostas inundou a sala com afirmações como estas: assertividade significa dizer o que se pensa sem nenhum tipo de medo, é a capacidade de julgar bem os outros, modo de evitar conflitos e críticas, é ser passivo perante divergências de outrem e muitas outras. Uma vez mais, confirmei que, frequentemente, usamos palavras sem conhecermos o seu significado, tornando-se um verdadeiro obstáculo na arte de comunicar e de relacionar-se com os outros. Segundo os meus conhecimentos, a palavra assertividade tem pequenas va-

riantes de idioma para idioma. Na língua latina, assertividade deriva do acto de afirmar ou dar por certo um facto; para os ingleses “assert” mais que afirmar, significa “exprimir com força e segurança”; na minha língua materna, o espanhol, tem a ver com saber lidar com problemas ou conflitos.

A falta de assertividade

A base de um bom relacionamento interpessoal depende muito do modo de comunicar. Raramente avaliamos o nosso modo de transmitir uma ideia, uma emoção ou um ponto de vista. É bom ter consciência que há formas assertivas e não assertivas de comunicar. Eis três modos de comunicação não assertiva que, no meu entender, fazem parte das nossas conversas e atitudes quotidianas: Comunicação submissa: quando a pes-


características da pessoa assertiva ou afirmativa

Exprime o que pensa, sente e quer com grande liberdade. Comunica de maneira fácil, aberta, directa e franca com qualquer pessoa. Conhece-se e aceita-se a si próprio, reconhecendo os seus limites e os seus valores. Tem clareza no que quer, determinação no agir, radicalidade e firmeza na decisão. É dotado de capacidade de mudança e de adaptação. É capaz de comunicar as emoções sem agressão e sem ofender os outros. Sem temor do fracasso, está sempre disposta a rever os objectivos e a recomeçar.

Capacidade de comunicar as emoções sem agressão e sem ofender os outros. Sem temor do fracasso, sempre disposta a rever os objectivos e a recomeçar

soa teme ser julgada, criticada ou abandonada pelos outros, acaba por aceitar cegamente a opinião e o poder do outro sobre os próprios direitos, pensamentos e sentimentos. Dizemos que há uma grande perda da auto-estima. Comunicação violenta: surge de uma forte necessidade de fazer valer as próprias ideias e sentimentos. A pessoa coloca-se num plano de superioridade em relação aos outros e acaba por menosprezar e desvalorizar qualquer opinião ou atitude contrária à sua. Não só comunica com palavras arrogantes, como mantém uma postura altiva, um tom de voz elevado, um olhar fixo e invasivo, uma violência verbal e mesmo física, gestos ameaçadores, expressão facial zangada e controladora. Comunicação manipuladora: é a mais difícil de detectar. Apresenta-se sempre camuflada. Quem manipula, normal-

mente joga com os sentimentos e opi­ niões do outro, usando ironia, sarcasmo, comunicação indirecta e vitimização, de modo a levá-lo a concordar. Atrás de tanta desonestidade, esconde-se uma grande carga de ressentimentos e inveja.

Eis o Homem assertivo!

Jesus foi uma pessoa assertiva no seu modo de pensar, falar e proceder. Livre perante a forte influência da sociedade e cultura do seu tempo, soube fazer valer e respeitar a sua própria individualidade. Com liberdade e franqueza, não deixou de denunciar e desmascarar os cinismos e a hipocrisia do seu tempo. Sem ofender, anunciou com agressividade, coragem e radicalidade, a possibilidade de um mundo novo, de igualdade e amor. Sabia o que dizia e ensinava. Estava consciente da dureza da sua

missão, mas sobretudo conhecia o final feliz desta grande história. O Homem assertivo e coerente, não hesitou em deixar-nos o segredo para construirmos a nossa assertividade: “Seja este o vosso modo de falar: Sim, sim; não, não. Tudo o que for além disto procede do espírito do mal.” Mt 5,37. Neste contexto, o “espírito do mal” significa desnorteamento e confusão.

Se queres ser assertivo… Observa sem fazer julgamentos Dá sem criar dependências Convida sem forçar Deixa sem te sentires culpável Critica sem ferir, Ama sem procurar possuir. juLho 2011

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Três convites de Jesus São cada vez mais os cristãos que as aproveitam como “tempo do Espírito”. Ou como espaço sagrado de comunhão, para comunicar experiências de vida e celebrar a alegria de viver. São uma oportunidade para aprender a dar autenticidade às nossas relações e compromissos, iluminando-os com a maneira de pensar e de viver de Cristo. A liturgia do primeiro Domingo de Julho traz-nos três convites de Jesus que encaixam nesta reflexão:

1

Vinde a Mim todos os que andais cansados e oprimidos: Eu vos aliviarei. Trata-se de retirar de cima das costas os pesos que nos esmagam e deixar que a mente, o coração e o espírito respirem à luz da Palavra de Deus que oxigena a nossa vida. Trata-se de encontrar no silêncio apaziguador, na intimidade com Deus e na comunhão com as pessoas, a luz nova que ajude a sair dos labirintos em que por vezes nos enfiamos. Há problemas que

Não esqueças nunca que as pessoas que rezam são os pulmões da humanidade

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Vêm aí as férias! Para quem as puder gozar, naturalmente. Em casa, na montanha ou no mar. Não faltam espaços verdes ou azuis, para a nossa vida super-agitada, que necessita de repouso físico, intelectual e espiritual texto DARCI VILARINHO foto Piero Albanesi

se resolvem ouvindo a voz do Senhor e comunicando com Ele e com os outros. “Eu vos aliviarei”. Jesus não é um demagogo. Não é um político que promete o que não poderá cumprir. O que Jesus promete acontece. Basta abrir o coração e fazer esta divina experiência.

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Tomai sobre vós o meu jugo que é suave: Jesus refere-se à impossibilidade de cumprir, no dia-a-dia, os 613 mandamentos da Lei escrita e oral, que criavam consciências pesadas e atormentadas, e aprisionavam em lugar de libertar. Afastava os homens de Deus, em lugar de os conduzir para a comunhão com Ele. Jesus veio libertar-nos desse jugo. A única Lei que liberta e torna as pessoas felizes é a lei do amor.

3

“Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração”. Aprender a rezar com o seu coração de Filho, a amar com a sua compaixão todos aqueles que vivem à margem destas reali-

dades, a anunciar o seu reino, lá onde outras forças tentam sufocar o coração das pessoas. Aprender a mansidão e a humildade, porque são as virtudes que abrem as portas de outros corações. Aprender a ser verdadeiros filhos de Deus e irmãos uns dos outros. A nossa vida e as férias, em particular, podem ser ocasião propícia para este exercício divino e humano. Um grande mestre de oração, Jean Lafrance, dizia a propósito das férias: “Após algumas semanas de ar livre, de descontracção e de sol, voltas pacificado e unificado. Vês as pessoas e os acontecimentos de outra maneira. Não podes dizer como se operou essa ressurreição, mas é real e bem palpável. Se expuseres o teu ser profundo ao sol e ao amor de Deus, numa cura de oração, purificarás o ar que respiras e reencontrarás uma paz profunda. Não esqueças nunca que as pessoas que rezam são os pulmões da humanidade. Se a oração viesse a desaparecer da tua vida e da vida dos teus irmãos, ficaríamos ameaçados de asfixia”.


A palavra faz-se missão EM JULHO

14º Domingo Comum Zac 9, 9-10; Rm 8, 9-13; Mt 11, 25-30

“Vinde a mim todos”

É um convite a entrar no coração de Cristo e procurar essa paz que não tem preço. São largos e ternos os braços e o coração de Deus. A dor imensa de milhões de pessoas cabe no seu amor infinito. De que serve dobrar-nos sobre nós mesmos ou sobre as nossas próprias mágoas? Elas entram todas no seu coração de Pai. Vinde a mim! Aprendei de mim! Ensina-nos, Senhor, a estrada do teu coração para sermos acolhidos e para acolhermos com semelhante amor. 15º Domingo Comum Is 55, 10-11; Rm 8, 18-23; Mt 13, 1-23

Deus semeia sempre

Deus continua a semear no terreno do nosso coração. Jesus não renuncia à sua missão de semear a Palavra. Aposta sempre no nosso terreno, apesar dos nossos fracassos e recusas, do nosso egoísmo ou indiferença. Toda a vida de Jesus foi semear misericórdia e perdão. Do alto da Cruz foi ainda capaz de dizer: “Pai, perdoa-lhes, que não sabem o que fazem”. O seu “hoje estarás comigo no paraíso” foi o fruto precioso da sua misericórdia. Ajuda-me, Senhor, a cultivar o meu terreno, para que cada Palavra que em mim semeias produza frutos abundantes 16º Domingo Comum Sab 12, 13-19; Rm 8, 26-27; Mt 13, 24-43

O trigo e o joio

Há situações no mundo com as quais podemos não concordar. Jesus indicou-as no seu tempo e pediu aos discípulos que estivessem atentos para discernir o que é recto, justo e santo. Não concordo, mas respeito, dizemos tantas vezes. E está certo. Deus não

é radical. Ai de nós se o fosse. Ser paciente é o seu jeito de amar, porque não quer a morte do pecador, mas que viva e cresça. “Não condeneis e não sereis condenados”. Concede-me, Senhor, a tua capacidade de respeitar, compreender e amar a todos sem nunca impor nada a ninguém. 17º Domingo Comum 1Re 3, 5-12; Rm 8, 28-30; Mt 13, 44-52

Como um tesouro escondido

Um tesouro escondido num campo. O protagonista da parábola do Evangelho não é o agricultor ou o negociante, é o tesouro: Cristo e a plenitude de humanidade que Ele nos veio trazer. Do tesouro encontrado nasce a alegria. É por esta alegria que o homem decide agir, vendendo tudo para comprar aquilo que mais vale. É a alegria de ter encontrado que o faz decidir. Mas não há alegria nem tesouros sem renúncia. Ó Pai, fonte de sabedoria: Tu nos revelaste em Cristo o tesouro escondido da nossa vida. Que o saibamos estimar e, por ele, a tudo renunciar.

Para que as irmãs religiosas que trabalham nos territórios de missão sejam testemunhas da alegria do Evangelho e sinal vivo do amor de Cristo

O bem

bem feito

Nós que temos a graça de nos poder saciar com os dons de Deus, será que sentimos compaixão por todos aqueles que não conhecem nem recebem esses dons? Venha o teu reino, rezamos nós. Mas, o que é que eu faço concretamente para que germinem as sementes deste reino? Fome de pão e fome de Deus. Cristo manda que sejamos nós a dar de comer a quem tem fome. Senhor, que o teu pão partido e multiplicado sacie a fome do nosso mundo e nos reúna a todos à volta da mesa do nosso Pai.

À primeira vista pode parecer fácil mostrar um sorriso quando se faz qualquer coisa boa em favor dos outros, algo que os possa tornar felizes. Fazer isto uma vez ou duas não custa nada, mas proceder assim todos os dias e com todas as pessoas já é mais difícil, se não mesmo impossível. O nosso fundador, o beato José Allamano, era adepto do sorriso e dizia assim: “O próprio bem, para ser mesmo bom, tem de ser bem feito” e possivelmente, com sorriso nos lábios. Como quem diz: “Se fazemos uma boa acção façamo-la inteira, com bons modos”. O Papa na intenção missionária deste mês pede às religiosas que dêem provas da sua alegria em serem cristãs e em anunciarem uma boa notícia que é o Evangelho de Jesus Cristo. As irmãs religiosas já fazem isto habitualmente quer por serem mulheres felizes, com a vocação que têm, quer por virtude, um exercício que é necessário sobretudo nos momentos mais difíceis que o apostolado comporta. Aqui entra também a virtude da paciência que está na linha do Evangelho: “Não devemos apagar o pavio que ainda fumega, nem quebrar de todo a cana fendida. É sempre útil dar às pessoas mais uma oportunidade e dizer-lhes que o amor de Cristo é para todos e dura toda a vida.

DV

MC

18º Domingo Comum Is 55, 1-3; Rm 8, 35-39; Mt 14, 13-21

Dai-lhes vós de comer

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As mulheres de Wojtyla Do sentido de ser cristão

Lutador

Ao abordarmos este livro somos levados a pensar que se trata da biografia de algum jogador de boxe ilustre ou de algum guerreiro de faca e calhau à moda antiga. Puro engano! O que aqui se escreve são outras vidas. São 708 frases, em forma de axioma que dão para ler e meditar uma e muitas vezes. O autor diz, e bem, que se trata de ajuda para a oração mental. Coisa para se ler devagarinho e para meditar. Ao alcance de todos. Autor: José Ribeiro da Costa 216 páginas preço: 13,00€ Editora Diel

Ouvir, dizer, escrever

Já falámos aqui outras vezes nestes temas, mas hoje apresentamos uma colecção de três blocos de letras num só volume. Estão aqui mencionadas as letras TND, LR, KQCRG. Livro destinado a crianças até ao final do primeiro ciclo e aos seus respectivos educadores, professores, pais e outros.

Um título um tanto provocatório. Mas ninguém se escandalize porque, neste caso, “mulher” não quer dizer esposa, mas simplesmente mulher e já não é pouco. João Paulo II trouxe para a ribalta um bom punhado de mulheres todas de primeira categoria, a começar pela sua própria mãe, indo por aí adiante até à exaltação da grande mulher que foi a Madre Teresa. Tudo isto sem contar a maior de todas que é a mãe de Jesus. Óptimo para os homens e ainda melhor para as mulheres. Autora: Annalisa Borghese 142 páginas | preço: 9,80€ Paulinas Editora

Autoria: Joana Rombert Leonor Fontes Mafalda Caeiro 96 páginas | preço: 12,50€ Editora Papa-Letras

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Ousar a bondade

“Para comigo e para com os outros”, diz-se em subtítulo. Será mesmo necessário vir alguém de fora estimular-nos para sermos bons para connosco próprios? Não será isso orgulho, vaidade ou narcisismo? O autor responde que não. E justifica: “Quem não é bom para si também não será bom para os outros”. O que é indispensável é o bom senso: Não exagerar nem para um lado nem para o outro. Qualquer leitor, ao ler, se identificará com várias passagens aqui descritas.

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Autor: Marc-Yvan Coulombe 160 páginas preço: 10,80€ Paulinas Editora

Relativamente pequeno, o livro compõe-se de três homilias (sermões) proferidos na catedral de Munster pelo actual Papa quando ele era apenas o professor Ratzinger. Os temas tratados são os seguintes: Estamos salvos?; A fé como serviço; Acima de tudo, o amor. É claro que estes três grandes capítulos estão, depois subdivididos em vários subtítulos. Trata-se de uma temática teologicamente bastante erudita que não agradará nem estará ao alcance de todos os leitores.

Autor: Joseph Ratzinger 88 páginas | preço: 8,55€ Princípia Editora

Escolinha de inglês

Diz o ditado que o saber não ocupa lugar. Por isso aqui temos um livro dedicado às crianças da pré-escola. São pequeninas mas já podem começar a aprender inglês através de desenhos e propostas que despertam curiosidade e fazem rir. No meio de tudo isto alguma coisa fica para poderem aproveitar quando forem grandes. Pais e professores ajudam. Autora: Marta Cancela 32 páginas | preço: 4,80€ Editora Papa-Letras

São Francisco e Santa Clara de Assis

Um livro, todo ele a respirar franciscanismo. Aqui fala-se destes dois santos, dois gigantes – Francisco e Clara de Assis – que trouxeram para o século XIII aquilo que o Evangelho tem de mais humano e mais divino. Remar contra ventos e marés para evitar que o carisma autêntico, inspirado a Francisco, fosse de qualquer forma desvirtuado. Embora de leitura agradável, e simples, tem ligamentos que nem todos conseguirão alcançar logo à primeira. Autora: Maria Vitoria Triviño, osc 128 páginas | preço: 7,50€ | Editorial Franciscana

Se Cristo amanhã bater à tua porta

O título, para ser completo, falta-lhe a palavra «reconhê-lo-ás?».Um livro de fogo. Não pode ser lido por toda a gente. Ele queima como brasa. Nem todos aguentam. É interpelativo, frontal, descobre mazelas e põe a nu aquilo que nos apetece esconder. Quem tiver coragem para ler, que leia. Ao princípio é amargo, mas depois torna-se doce, faz pensar e talvez faz mudar de vida. Autor: Raoul Follereau | 156 páginas | preço: 5,00€ Editorial Aparf


Domingo é dia de festa

O autor tenta explicar os vários momentos da celebração eucarística, a missa, tornando-a mais acessível e compreensível aos fiéis, que a ela “assistem”, ou melhor, nela participam. Haverá cristãos que vão à igreja, ao domingo, só por rotina, respondem às orações do celebrante, mas não sabem o sentido das palavras. Pois então adquiram este opúsculo e ficarão a saber. É útil até para os sacerdotes quanto mais para os fiéis! Autor: Vincenzo Paglia 64 páginas | preço: 7,05€ Editora Lucerna

O herói de Molokai

Um livro em banda desenhada, próprio para crianças e adolescentes. Pode ser que alguns jovens também ainda gostem de refazer a vida deste herói e missionário que é o padre Damião Veuster. Originário da Bélgica, o padre Damião entrou nos missionários dos Sagrados Corações e, num gesto de doação, tornou-se missionário dos leprosos em Molokai. Contraiu a doença e dela morreu. Autor: R. Y. Quintavalle e G.T. Sorgini 144 páginas preço: 3,00€ Editorial Aparf

Cristão portador de esperança

“Sublinho, para remate, que o cristão é portador de uma especial e irrenunciável responsabilidade neste tempo de grande exigência. O cristão é, por mandato e por missão, portador de esperança; do mesmo passo que a Igreja que, para ser verdadeiramente Ecclesia, tem de ser profética. Compete-nos, pois, dar testemunho vivo e inequívoco sendo «sal da terra» e «consciência» profética da sociedade em que labutamos e vivemos”. Roberto Carneiro | Agência Ecclesia | Junho 2011

Fátima universal

“Dentro do Santuário de Fátima, o contacto com as multidões ajuda-nos a compreender a dimensão universal, constituída por homens e mulheres de todos os povos e línguas. Conhecemos a sede de Deus que habita o coração da humanidade e, ao mesmo tempo, as suas dificuldades e problemas espelhados na face e nas palavras dos peregrinos”.

Virgílio Antunes Fátima Luz e Paz | Maio 2011

Relações humanas

“As relações humanas são de tipos muito diversos, segundo elas são fundadas sobre o parentesco, a camaradagem, a amizade, o desporto…Cada uma tem a sua característica, a sua própria qualidade. Há ainda outro tipo de relações humanas, estas especificamente cristãs. O que faz a sua qualidade excepcional, é o valor daquilo que é posto em comum”. Henry Caffarel Equipas Nossa Senhora Fev./Mar./Abril 2011

Quanto antes

“Se estamos nesta escola chamada Terra, é para usarmos o tempo que aqui temos, é para nos tornarmos seres melhores,

mais próximos de nossa luz. Por isso, não o podemos desperdiçar com inseguranças e medos. Portanto, queridos amigos, irmãos ardinas, entendam que precisamos de aprender a ser felizes… quanto antes! O tempo passa, as oportunidades passam”. Paulo Emanuel O Ardina | Abril/Junho 2011

Intervenção na política

levar por diante o que aparentemente constituía um «embaraço»”. Paulo Rocha Valentes | Junho 2011

Eliminar privilégios

“Os próximos anos representam uma importante oportunidade de reestruturação. Se os portugueses retomarem uma atitude mais produtiva, austera e dinâmica, se souberem preservar os equilíbrios sociais, eliminar privilégios injustificados e direitos exagerados, criaremos uma economia e sociedade mais flexíveis e energéticas, e Portugal deixará de perder décadas”.

“Penso que hoje não basta o empenho dos católicos nas variadas áreas sociais e do voluntariado. É preciso que os católicos se empenhem também numa participação mais directa na política, para ajudarem a gerir o bem comum e a «coisa pública», dando João César das Neves especial atenção aos Correio Coimbra | Junho 2011 mais desfavorecidos, que aumentam cada vez mais”. Papel da mulher José Carlos Nunes “A literatura africana, Família Cristã | Junho 2011 como muitos outros aspectos da vida do Compromissos Continente Negro, “Diante de um permanece desconhecida. compromisso, a melhor Um breve percurso sobre atitude que se pode ter a literatura africana no é procurar cumpri-lo feminino revela como o melhor que se sabe as autoras se revêem e pode. Para além do e retratam o papel da resultado ser muito mulher na sociedade, a positivo e acontecerem sua vocação pacificadora e quase milagres quando solidária, num continente por determinação se caracterizado pela encara com optimismo violência e dureza da vida”. o que «tem de ser feito», Bibian Pérez Além-Mar | Junho 2011 constrói-se felicidade ao

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Gurué, Moçambique

Donativos de apoio ao Centro de Acolhimento Projecto 2011

Gurué

Acolhimento a doentes e acompanhantes Paróquia do Gurué, Moçambique Imagine-se doente, a dormir ao relento, ou ter um filho hospitalizado e não poder estar perto dele. Isso acontece na diocese de Gurué, que tem dois milhões de habitantes e apenas um hospital. O bispo da diocese, Francisco Lerma, missionário da Consolata, pretende construir um centro de acolhimento para doentes e acompanhantes.

porta 25 euros

telhas 10 euros tijolo 1 euro pregos 5 euros viga de madeira 20 euros

sacos de cimento 15 euros

Luísa Ferreira e amigos (Valongo) – 205,00€; Alzira Loureiro (Valongo) – 20,00€; Paróquia de Valongo – 253,45€; Grupo Coral da Consolata (Águas Santas) – 100,00€; Joaquim Crespo – 13,00€; Anónimo – 500,00€; Anónimo – 40,00€; Conceição Barbosa – 30,00€; Paula Guimarães – 10,00€; João Afonso – 63,00€; Amélia Sampaio – 25,00€; Fátima Matias – 10,00€; Filomena Lopes – 500,00€; Maria Anjos Lopes – 11,00€; Joaquim Penas – 13,00€; Lisete Belo – 11,00€; Alzira Borrêcho – 10,00€; Maria Céu Borrêcho – 20,00€; João Sousa – 13,00€; Anónimo – 13,00€; Mulheres Missionárias da Consolata (Mem Martins) – 500,00€; Dulce Ribeiro – 15,00€; Marília Oliveira – 20,00€; Joa­ quim Curado – 100,00€; Clinifátima, Lda – 43,00€; Eliseu Águia – 10,00€; Francisca António – 2,00€; Anónimo – 1,00€; Anónimo – 250,00€; Adelaide Domingos – 10,00€; Luís Ferraz – 50,00€; Anónimo – 10,00€; Padre Geraldes – 1.500,00€; Mulheres Missionárias da Consolata (Lisboa) – 2.000,00€. Total geral = 34.219,60€.

Solidariedade vários projectos Bolsas de Estudo Noémia Canavarro – 20,50€; Anónimo – 250,00€; Francisco Policarpo – 75,00; Ricardo Gonçalves – 250,00€; Orlanda Gonçalves – 250,00€; Idalina Vieira – 250,00€; Anónimo – 250,00€; Helénia Ribeiro – 250,00€; Emília Abrantes – 250,00€. Crianças de Moçambique Francisco Santos – 43,00€; Anónimo – 200,00€; Marcelina Santos – 100,00€. Crianças de Mecanhelas – Moçambique José Viana – 50,00€; Manuel Vilar – 500,00€. Padre Rogelio Alarcón – Mecanhelas – Moçambique Mulheres Missionárias da Consolata (Lisboa) – 500,00€. Padre Simão Pedro – Mecanhelas – Moçambique José Maciel – 50,00€. Inês e Gisela – Mecanhelas – Moçambique Leigos Missionários da Consolata (Sul) – 325,00€. Padre Ângelo Tavares – Namarrói – Moçambique Associação Amigos de Raoul Follereau – 1.000,00€. Padre Diamantino Antunes – Guiúa – Moçambique Mulheres Missionárias da Consolata (Lisboa) – 1.500,00€. Padre José Salgueiro – Moçambique Mosteiro Pio XII (Fátima) – 112,26€. Padre Manuel Magalhães – Moçambique Familiares do padre Manuel Magalhães – 100,00€. Padre Manuel Tavares – Moçambique Mulheres Missionárias da Consolata (Lisboa) – 5.000,00€. Irmãs da Divina Providência – Entre Lagos – Moçambique Associação Amigos de Raoul Follereau – 2.000,00€. Missão Guiúa – Moçambique Luís Víctor Rosa – 480,00€. Missões de Moçambique Dom António Silva – 50,00€. Padre João Felícia – Brasil Luís Miguel Ferraz – 480,00€. Calungá – Roraima Presentes Solidários (Natal 2010) – 1.860,00€. Padre Tobias Oliveira – Quénia Georgina Duarte – 300,00€. Bairro Deep Sea – Nairobi – Quénia Cândida Barros – 100,00€; Bárbara Silva – 20,00€; Madalena Pereira – 10,00€; Vítor Fernandes – 9,20€. Sanza – Tanzânia Anónimo – 200,00€. Ofertas várias Isilda Simões – 145,50€; Emília Santos – 43,00€; Grupo de Ferreira do Zêzere – 55,00€; Abaulina Caçador – 27,00€; Estela Barroso – 40,00€; José Carvalho – 50,00€; Peregrinação da 3º Idade da Paróquia da Fiães VFR – 192,20€; Isabel Pacheco – 25,00€; Anónimo – 50,00€; Abel Pinto – 25,00€; Manuel Elísio – 100,00€; José Ferreira – 10,00€; Anónimo – 100,00€.

8 Rua Francisco Marto, 52 | Apartado 5 | 2496-908 FÁTIMA | Telefone 249 539 430 | fatima@consolata.pt 8 Rua D.a Maria Faria, 138 Apartado 2009 | 4429-909 Águas Santas MAI | Telefone 229 732 047 | aguas-santas@consolata.pt 8 Quinta do Castelo | 2735-206 CACÉM Telefone 214 260 279 | cacem@consolata.pt 8 Rua Cap. Santiago de Carvalho, 9 | 1800-048 LISBOA | Telefone 218 512 356 | lisboa@consolata.pt 8 Rua da Marginal, 138 | 4700-713 PALMEIRA BRG | Telefone 253 691 307 | braga@consolata.pt FÁTIMA MISSIONÁRIA

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João Baptista Bertolino nasceu a 4 de Março de 1898 em Cúneo – Itália. Entrou na Consolata em 1923, já sacerdote diocesano. Partiu para o Quénia em 1924. Regressou a Itália em 1937 e trabalhou em vários seminários da Consolata. Faleceu em 5 de Novembro de 1955 texto MANUEL CARREIRA ilustração H. MOURATO

Sob os olhares da avó Era natural de Cúneo, uma terra já nossa conhecida por tantos missionários que ali nasceram. Cúneo em português soa a modos que mal, mas em italiano quer simplesmente dizer «cunha». Por certas anedotas que lhe aplicam é comparável com o nosso Entroncamento. Diz-se, por exemplo, que um dia, querendo os seus habitantes requalificar a cidade, pediram a Roma a devida autorização. Roma exige que lhe mandem a planta da cidade. E que faz o presidente da câmara? Arranca a maior árvore (planta) que havia no meio da praça, carrega-a num camião e manda-a para Roma, em vez da planta em papel. Mas o nosso caso é bem diferente. Não se trata de um fenómeno qualquer. Trata-se das vocações missionárias que em Cúneo proliferaram abundantes logo desde os primeiros tempos da fundação do nosso instituto. Hoje apresentamos o padre Bertolino com o seu queixo bem guarnecido por uma barba farta e um bigode discreto

algo menos. Nasceu em 1898 na aldeia de Monastero – Vasco, pertencente ao distrito de Cúneo. Teve a pouca sorte de perder o pai e a mãe ainda muito novinho. Foi a avó que tomou cuidado dele e logo que chegou aos 12 anos o encaminhou para o seminário diocesano. Lá estudou, lá se ordenou padre e de lá saiu para ser coadjutor numa paróquia. Pouco tempo aguentou porque a vocação missionária começou a luzir-lhe nos olhos apresentando-lhe um campo de apostolado mais vasto onde ele se poderia espraiar mais à vontade. Entrou na Consolata em 1923, fez o noviciado à pressa e em 1924 já partia para o Quénia. Tudo à pressa, porque a missão era urgente e não se compadecia com delongas. O padre Bertolino, generoso e activo como era, trabalhou em vários sectores e localidades: Limuru, Gaicianjiro, Kieni, Mekindori, até que em 1926 se fixou em Imenti onde permaneceu até 1939, altura em que regressou à Itália a fim de participar

no Capítulo Geral dos missionários da Consolata. Já não voltou para a África, porque a saúde começou a dar alguns sinais negativos e os superiores atribuí­ ram-lhe vários cargos nos seminários e nas paróquias dos arredores. Era jocoso e brincalhão e todos gostavam de estar ao pé dele para ouvirem algumas das suas patacoadas. Um dia nasceu-lhe a ideia de se fazer monge trapista, abraçando um género de vida contemplativa. Chegou mesmo a fazer esse pedido ao seu superior. Eram arroubos momentâneos que logo se esbatiam perante as risadas dos jovens que o rodeavam. Era muito devoto de Nossa Senhora e nas suas pregações dizia frequentemente ao povo: “Peçamos à Santíssima Virgem que nos faça morrer ao sábado, porque sábado é o seu dia e ela vai ao Purgatório buscar as almas que lá encontrar e leva-as para o céu”. Coisas lindas do padre Bertolino! Morreu em Benevagiena a 5 de Novembro de 1955. juLho 2011

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Quatro provérbios, quatro mensagens. Dizem-nos que não devemos desanimar, mesmo nas dificuldades; dizem-nos que a humildade é uma grande virtude e com ela se vencem batalhas; também nos dizem que os maus hábitos se combatem logo de pequenos

Viver é sempre melhor

texto MANUEL CARREIRA foto ÁLVARO PACHECO

O bichinho mil-pés sabe que com falinhas mansas se pode viver mesmo num formigueiro

Apoio à compreensão Este provérbio trazido da África Ocidental, fala-nos de um milípede, também chamado mil-pés. É um bichinho rastejante, tímido e repugnante, vive nos currais e por vezes também entra nas casas. É tímido e mal sente o perigo enrola-se todo como morto. Imaginemo-lo a entrar num formigueiro daqueles que há em África e onde as formigas devoram tudo quanto apanham. O melhor para ele é não se mexer.

África Ocidental

Quem rouba uma agulha, A morte é um abano que depressa se torna ladrão de bois refresca a todos

Apoio à compreensão A interpretação é fácil e a conclusão é lógica. No Evangelho corresponde-lhe o seguinte: “Quem não é fiel no pouco também o não será no muito”. E em português pode aplicar-se-lhe estoutro: “Quem faz um cesto faz um cento”. A experiência diz-nos que qualquer vício que não se reprime ao princípio, cresce com a idade. Têm razão os sábios ao recomendarem a caça que se deve fazer ao defeito dominante em qualquer pessoa para se poder combater enquanto se é pequeno.

Coreia

Apoio à compreensão Se dizemos que a vida é o melhor que temos, porque sem vida não pode haver mais nada, a morte deverá ser considerada como a pior coisa que podemos ter. Encontramos aqui os dois extremos: o princípio e o fim, o melhor e o pior. A partir daqui podemos filosofar: se a nossa vida é feliz apetece-nos vivê-la; se ela for de sofrimento e angústia, então perdemos-lhe a vontade. Neste caso o abano (a morte) resolveria todos os problemas. Nós, cristãos, vamos pela positiva e dizemos: viver é sempre melhor que tudo. África Ocidental

A caça ao defeito dominante deve-se fazer enquanto se é pequeno, dizem os sábios FÁTIMA MISSIONÁRIA

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Se cais sete vezes, levanta-te oito

Apoio à compreensão Muitas vezes, somos pessimistas e dizemos: “Não vale a pena, está tudo perdido!”. Este provérbio puxa por nós para tentarmos sempre mais uma oportunidade e que esta nunca seja a última. Cristo fala de 70 vezes sete, como quem diz «sempre». É assim no lado espiritual e deve ser assim também no âmbito material: na família, nos negócios e no convívio com os amigos. No sentido de que “Quem porfia sempre alcança”. Japão


Moçambique no coração texto NORBERTO LOURO ilustração MÁRIO JOSÉ TEIXEIRA

Há tempos, inesperadamen­ te, foi-me apresentada a eventualidade de poder re­ gressar a Moçambique, de­ pois de largos anos que lá passei de vida missionária. Caída do céu, tal possibi­ lidade despoletou em mim uma enorme avalanche de sentimentos que dificilmen­ te consegui controlar. Preva­ leceu em mim o antegozo do prazer que semelhante visita me iria proporcionar, sem no entanto, descartar de todo a probabilidade de algumas surpresas desagradáveis. A previsão do encontro emo­ cionante com companheiros de missionação e amigos, para quem decidi levar al­

guns presentes originais, misturava-se com o receio de tudo ficar retido na alfân­ dega. A visita a lugares en­ cantadores, impossíveis de esquecer, ofuscava-se com o receio de me poder embater com resquícios da inseguran­ ça durante a maior parte do tempo de duas guerras que lá vivi. O sabor das celebrações e festas cadenciadas pelo rit­ mo frenético de tambores e duma alegria esfusiante con­ trastava com mostras duma pobreza triste, embora ves­ tida de dignidade. Imaginei o que seria embalar-me naque­ las viagens intermináveis por estradas impossíveis e as sen­ sações incomparáveis senti­

das nas caçadas nocturnas. O receio da demora na obten­ ção de documentos esvaiu-se com presteza. Desfeitos os possíveis entraves dependen­ tes de outros, começaram os meus. Tive que passar pela atrapalhação embaraçosa de ter esquecido toda a docu­ mentação em casa. Valeu-me morar perto e poder regressar ao aeroporto, rés-vés a tempo de embarque. Doutra forma, teria sido a maior desilusão da minha vida. Embarquei e olhei, sorratei­ ramente, para os rostos dos companheiros de viagem. Pareceu-me descobrir que na alma de todos pululavam os mesmos sentimentos que iam na minha. Bom pressá­ gio para a viagem! Calhou-me, quem sabe lá porquê, viajar em primeira classe

por a outra estar cheia. Tan­ tos sentimentos amontoados não me deram bom sono. Passei a noite a rodar a ca­ beça e o corpo sem atinar na posição certa. No pouco que dormi, várias vezes a hospe­ deira veio acordar-me por ressonar tão alto. Enfim, de mais nada me lembro a não ser de sonhos desconexos entre cá e lá. Chegámos ao destino. Tudo foi mais fácil do que tinha imaginado, a não ser que os presentes ficaram mesmo na alfândega por falta de factu­ ra. Ninguém me esperava, pois tinha-me esquecido de prevenir a minha chegada. Uma chusma de crianças, como nos tempo em que lá vivi, zaragatearam para le­ var a minha mala, à gosma de gorjeta. Levei-a eu, pois estava mais leve. Entrei num táxi e tentei atar conversa. Mas não pegou. Era noite e o motorista ainda devia es­ tar com sono. Chegámos. Ti­ rei a mala e, quando ia para pagar, o taxista sacou-me a carteira com dinheiro e do­ cumentos, com um safanão brusco. O estremeção foi tão grande que só então acor­ dei. Incrédulo, esfreguei os olhos, pois tudo não passava de um sonho. De facto, tinha estado em vis­ ta uma viagem minha a Mo­ çambique para participar na ordenação de um bispo que tinha sido meu noviço. Teria tido nisso um gosto inexpri­ mível. Os sonhos são a resso­ nância dos sentimentos pro­ vocados pela vida. Aí está a explicação! Moçambique não sai da minha vida.

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“Férias para mães” com filhos deficientes

Proporcionar um momento de descanso às mães que cuidam dos filhos com deficiência, ao longo de todo o ano, é o objectivo desta iniciativa texto LUCÍLIA OLIVEIRA

urante uma semana, as mães podem dedicar-se a outras áreas da sua vida, deixando os seus filhos entregues aos cuidados do Santuário de Fátima», adianta a instituição. Mas também podem optar por ficar com eles durante esses dias. Um grupo de 15 crianças, 45 adolescentes e jovens beneficiou desta iniciativa do Santuário de Fátima, em 2010. Através do movimento Mensagem de Fátima e com a colaboração de um grupo de voluntários, realiza-se pela sexta vez consecutiva, este ano, e decorre no Centro de Espiritualidade Francisco e Jacinta Marto, dos Silenciosos Operários da Cruz, na Estrada de Torres Novas, na freguesia de Fátima. «O programa contempla momentos de celebração da fé e de formação sobre a Mensagem de Fátima e momentos lúdicos, de passeio e de confraternização», explica o Santuário de Fátima. As pessoas com deficiência, de idades entre os 7 e 20 anos, dispõem de dois períodos de 1 a 7 e de 24 a 30 de Agosto; e para as pessoas entre 21 e 40 anos de 1 a 7 de Setembro. As férias são gratuitas para os participantes, sendo o custo suportado pelo Santuário de Fátima.

Ordenação de D. Virgílio

Virgílio Antunes receberá a ordenação episcopal a 3 de Julho, na igreja da Santíssima Trindade, em Fátima. A celebração terá início às 16h30. O ex-reitor do Santuário de Fátima foi nomeado bispo de Coimbra e entra na diocese a 10 de Julho.

“Conta-me uma história”

O Museu de Arte Sacra e Etnologia de Fátima tem um programa especial para os mais novos, dinamizado por Kátya Rafael. Até final de Julho, às quartas-feiras há “Conta-me uma história no museu”, às 10h. Os livros escolhidos são: a 6 de Julho, FÁTIMA MISSIONÁRIA

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“Frederico”; a 13 de Julho, “Avós”; a 20 de Julho, “Vamos à caça do urso” e, a 27 de Julho, “O pintor de sorrisos”. Exige-se marcação prévia para participar.

Itinerário do peregrino

Nos meses de Verão, ao sábado, um capelão do Santuário de Fátima acompanha o programa “Itinerário do peregrino”, que inicia às 10h, em frente à igreja da Santíssima Trindade. O programa inclui o percurso pelos três locais das aparições do Anjo, em 1916. A iniciativa visa responder aos apelos feitos pelo Anjo da Paz em Fátima: oração, penitência e conversão.

Julho em agenda

01 Peregrinação da Brigada de Trânsito da GNR 02/03 Peregrinação da família missionária espiritana 16/17 Movimento da Mensagem de Fátima 19/20 Peregrinação de idosos 25/29 Encontro nacional da liturgia 30 Peregrinação da família comboniana


un’altra visione del mondo mwingine mtazamo wa dunia another view of the world otra visión del mundo inny pogląd na świat une autre vision du monde wona wunyowani wa elapo eine andere sicht der welt djôbe mundu di oto manêra

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Apenas euros por ano MISSIONÁRIOS DA CONSOLATA | Rua Francisco Marto, 52 | Ap. 5 | 2496-908 FÁTIMA Telefone 249 539 430 | 249 539 460 | geral@fatimamissionaria.pt | www.fatimamissionaria.pt


Férias Férias férias férias férias tempo de alma e coisas sérias tempo de ver monumentos tempo de boa leitura e de fundos pensamentos tempo de alta fantasia e tempo de poesia de desporto e convivência de reflexão e oração tempo de contemplação tempo de mundividência tempo de fraternidade e solidariedade. Adelino Pereira, OFM

Jornada Mundial da Juventude Madrid 2011  

Em Agosto Madrid não vai de férias

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