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PEREGRINAÇÃO

chama do beato Allamano aquece alma da consolata

FILME SOBRE ZAMBUJAL entregue ao papa Pág. 10 entrevista ao bispo da Suazilândia Pág. 16 trabalho feminino dá mais riqueza Pág. 18


CONSOLATA É CHEIA DE GRAÇA, POR DEUS AGRACIADA PARA LEVAR AO MUNDO A CONSOLAÇÃO DE JESUS. CONSOLADOS SÃO OS EVANGELIZADOS, PORQUE AMADOS DE DEUS. CONSOLAR É LEVAR A TODA A PARTE A CONSOLAÇÃO DE DEUS SALVADOR. COMO MARIA TORNAMO-NOS SOLIDÁRIOS COM TODOS. SOLIDARIEDADE É O OUTRO NOME DA CONSOLAÇÃO. COMO ELA SOMOS PRESENÇA CONSOLADORA EM SITUAÇÕES DE AFLIÇÃO. POR SEU AMOR COLOCAMOS A NOSSA VIDA AO SERVIÇO DO HOMEM TODO E DE TODOS OS HOMENS. ALLAMANO DEU-NOS MARIA POR MÃE E MODELO. POR ISSO CHAMAMO-NOS MISSIONÁRIOS DA CONSOLATA

NOSSA SENHORA DA CONSOLATA Apoie a formação de JOVENS MISSIONÁRIOS

Funde uma bolsa de estudos. A oferta é de 250EUR e pode ser entregue de uma só vez ou em prestações. Pode dar-lhe o seu próprio nome ou outro que desejar. São-lhes concedidos, entre outros, os seguintes benefícios: fica inscrito no livro de benfeitores dos Missionários da Consolata; participa nas orações e nos méritos apostólicos dos missionários; beneficia de uma missa diária que é celebrada por todos os benfeitores.

MISSIONÁRIOS DA CONSOLATA

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editorial

Consolar os corações dilacerados Quem não recorda os primeiros gestos do Papa Francisco? Na sua residência, no seu modo de vestir, na sua proximidade quotidiana junto das pessoas. Sem luxos nem adereços, com simplicidade e coerência, os gestos continuam e surpreendem o mundo. Um estilo diferente não para que vejam, mas por profunda convicção de quem sabe que é esse o caminho. Revi tudo isto à medida que fui lendo a mensagem do Papa para a Quaresma 2014, que parte precisamente desta verdade que “Deus não se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza”. Porque a Igreja, e portanto os cristãos, do Papa ao último fiel, terão que ser como Cristo “que, sendo rico, se fez pobre” para nos “enriquecer com a sua pobreza”. Não tenho dúvidas: é este o coração da mensagem. Ser como Cristo, não como os senhores do mundo. Não há “príncipes” na Igreja, há “servidores” dos filhos de Deus, que são todos. Não são os esplendores da riqueza humana a tornar credível o Evangelho, mas os esplendores mais luminosos da simplicidade, da humildade, do acolhimento de quem sofre e de quem vive na pobreza e na solidão. Francisco diz que este é o tempo do “despojamento da mundanidade” e ocasião propícia para uma renovação da Igreja e da sociedade em geral. “Far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza”, diz textualmente o Papa, avisando que “a verdadeira pobreza dói: não seria válido um

despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói”. É com este espírito que os cristãos são chamados “a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-se delas e a trabalhar concretamente para as aliviar”. Que misérias? Francisco resume-as a três tipos. A miséria material que “atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade”. A miséria moral, “que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado”, e que toca também os que se veem constrangidos “por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde”. A miséria espiritual “que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor”, ou quando julgamos que não temos necessidade dele. Francisco convida a Igreja a imitar Cristo, abrindo corajosamente “novas vias de evangelização e promoção humana”, tornando-se com Ele anunciadora da “mensagem de misericórdia e esperança” que console “os corações dilacerados” e dê esperança a “tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão”. Darci Vilarinho

Março 2014

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sumário Rua Francisco Marto, 52 Apartado 5 2496-908 FÁTIMA Nº3 Ano LX – MARÇO 2014 Tel. 249 539 430 / 249 539 460 Fax 249 539 429 geral@fatimamissionaria.pt redacao@fatimamissionaria.pt assinaturas@fatimamissionaria.pt www.fatimamissionaria.pt FÁTIMA MISSIONÁRIA Registo N.º 104965 Propriedade e Editora Delegação Portuguesa do Instituto Missionário da Consolata Contribuinte Nº 500 985 235 Superior Provincial António Jesus Fernandes Redação Rua Francisco Marto, 52 2496-908 Fátima Im­pres­são Gráfica Almondina, Zona Industrial – Torres Novas Depósito Legal N.º 244/82 Tiragem 25.200 exemplares Diretor Darci Vilarinho Diretor executivo Francisco Pedro Redação Darci Vilarinho, Francisco Pedro, Juliana Batista Colabora­ção Alceu Agarez, Ângela e Rui, Carlos Camponez, Cláudia Feijão, Elísio Assunção, Leonídio Ferreira, Luís Maurício, Lucília Oliveira, Norberto Louro, Patrick Silva, Teresa Carvalho; Diaman­tino Antunes – Moçambique; Tobias Oliveira – Roma; Álvaro Pa­­che­co – Coreia do Sul Fotografia Lusa, Ana Paula, Elísio As­sunção e Arquivo Capa e Contracapa Ana Paula Ilustração H. Mourato e Ri­car­do Neto Design e com­po­sição Happybrands e Ana Pau­la Ribeiro Ad­mi­nis­tração Cristina Henriques Assinatura Anual Nacional 7,00€; Estrangeiro 9,50€; Apoio à revista 10,00€; Benemérito 25,00€; Avulso 0,90€ Pagamento da assinatura multibanco (ver dados na folha de endereço), transferência bancária nacional (Millenniumbcp) NIB 0033 0000 00101759888 05 transferência bancária internacional IBAN PT50 00 33 0000 00101759888 05 BIC/SWIFT BCOMPTPL cheque ou vale postal (inclui o IVA à taxa legal)

TAREFAS PARA HOJE

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Trabalho feminino igual a mais riqueza

03 EDITORIAL Consolar os corações dilacerados 05 PONTO DE VISTA Francisco está para durar 06 LEITORES ATENTOS 07 HORIZONTES Mealheiro de valores 08 MUNDO MISSIONÁRIO Campeonato de futebol, tráfico humano

e religiosos do Brasil Turismo sustentável nova oportunidade no norte do Uganda No Paraguai cresce o número de crianças junto aos semáforos Possível visita do Papa suscita entusiasmo na Coreia do Sul 10 A MISSÃO HOJE Filme sobre missionários arranca sorriso do Papa 11 PALAVRA DE COLABORADOR Nunca paro 12 A MISSÃO HOJE Médico deixa Portugal para ajudar desfavorecidos 13 DESTAQUE Crianças vivem situação “indescritível” 14 ATUALIDADE Peregrinos reacendem chama missionária 16 ATUALIDADE “Não somos bispos de gabinete” 22 GENTE NOVA EM MISSÃO A mulher 24 TEMPO JOVEM Projetar a vida 26 SEMENTES DO REINO Tentado, mas não derrotado 28 O QUE SE ESCREVE 29 O QUE SE DIZ 30 GESTOS DE PARTILHa 31 VIDA COM VIDA Pequeno e apaixonado 32 OUTROS SABERES Gerir as preocupações 33 2014 ano allamano Uma missão mais vasta 34 FÁTIMA INFORMA Santuário mais visitado por coreanos e filipinos


ponto de vista

Francisco está para durar texto Paulo J. Agostinho*

O último ano foi atípico nas notícias sobre a Igreja Católica. De notícias de pedofilia, histórias de lavagem de dinheiro ou lamentos quanto à falta de abertura ao uso de preservativo ou mulheres ordenadas passou-se para uma relação quase idílica entre a Igreja e os media. A razão? Uns dizem que é o novo Papa. Eu direi mais: é uma nova Igreja. Porque num tempo em que o parecer é mais importante do que o ser, a forma como revelamos o que somos define a nossa identidade. O tempo dos homens não é o tempo de Deus, mas a Igreja também se move entre os homens. E o Vaticano II, como uma boa mancha de óleo, a pouco e pouco alastrou a toda a Igreja, exceto, curiosamente, à sua cúpula. A maior parte dos seus elementos preferiam falar entre si, com discursos e homilias quase em código, repetindo análises exegéticas de textos bíblicos. Ora, Francisco trouxe essa modernidade no discurso. Deixou de discursar na língua morta das figuras de estilo dos seus antecessores.

de café. Perante isto, o estado de graça mediático de Francisco está para durar. Enquanto existir, os jornalistas do mundo continuarão enamorados por ele. E aquelas ovelhas que estavam no limite do rebanho virão responder, a pouco e pouco, à voz do seu pastor. Num governo diz-se que o estado de graça dura a primeira metade do mandato (dois anos). Ora, numa Igreja com um peso de séculos, acredito que esse prazo inconsciente dado pelos media será ainda maior. Desde que não dê sinais de frustrar as expetativas dos fiéis, diria que Francisco terá latitude para introduzir as mudanças que considere necessárias na Cúria e na hierarquia. Porque foi esse discurso novo do primeiro ano que lhe garantiu margem de tolerância do mundo para os novos passos que irá dar. * Editor de Lusofonia e Mundo na agência Lusa

Faz piadas simples que todos entendem, como a referência às sogras no Dia dos Namorados. Leiloa ofertas de fiéis. Condena atentados em poucas horas. Torce por um clube de futebol. Prescinde de seguranças. Enfim, comporta-se como o convidado de sonho de um talk-show televisivo. E, pelo meio, vai dando outros sinais, como a anunciada reforma da Cúria. Mas o que fica, do seu primeiro ano, é um discurso novo. Hoje em dia, os católicos já não se sentem envergonhados na conversa do dia a dia com não-crentes. Nota-se o incómodo de alguns conservadores com as palavras quase desabridas, mas o entusiasmo de muitos que estavam desiludidos com a fé é evidente e sente-se nas conversas Março 2014

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leitores atentos

Renove a sua assinatura Faça o pagamento da assinatura através dos colaboradores, se os houver, ou nas casas da Consolata, ou através de multibanco, cheque ou vale postal. Ou ainda por transferência bancária: NIB 0033 0000 00101759888 05. Refira sempre o nú­­me­ro ou nome do assinante. Na folha on­de vai escrita a sua direção, do lado esquerdo, encontra o ano pago e o seu número de assinante. Agradecemos que os nossos es­ti­mados assinantes renovem a assinatura para 2014. Só as assinaturas atualizadas poderão beneficiar do pequeno apoio do Estado ao porte dos correios. Os do­­na­tivos para as missões são de­dutíveis no IRS. Se desejar recibo, deverá enviar-nos o seu número de contribuinte. Muitos leitores chamam à FÁTIMA MISSIONÁRIA “a nossa revista”. É bom que assim pensem e assim procedam. A revista é feita por muitas mãos e lida por mais de 100 mil leitores. Ela é mesmo nossa! Somos uma grande família.

Estatuto editorial Fátima Missionária assume-se co­mo uma publicação de informação geral com a missão de promover os autênticos valores humanos e cristãos, tais como a paz, a solidariedade, a justiça, a fraternidade e a defesa do ambiente. Fátima Missionária tem como objetivo informar os leitores sobre os mais diversos temas que dizem respeito sobretudo a Fátima e aos povos do Terceiro Mundo, nomeadamente aos de língua portuguesa. Pretende ser um veículo de notícias e iniciativas que circulam em ambos os sentidos. Fátima Missionária pretende chegar às cidades e às aldeias, dentro e fora do país; dirige-se a um público muito variado: crianças, jovens e adultos sem distinção de raça nem credo – usando para isso mesmo um estilo simples e acessível a todos. 6

Leio todos os pedacinhos Do cabelo às revistas

Do fundo do coração agradeço muito a revista. Não sei como fazem, mas está cada vez mais interessante e bonita. Leio todos os pedacinhos e depois vou metê-la na caixa do correio dos prédios. Porque é uma pena não conhecê-la. Toda ela é gira e digna de se ver, ler e reler. Desculpem o pouco que mando. Não posso dar mais, tenho que repartir. Obrigada. Maria Antónia

Abriram caminhos

Votos de bom ano. Que ele nos traga mais paz e amor, porque a ambição desmedida do ser humano traz muita fome e muito sofrimento. Somos tão poucos e tão pobres para ajudar quem tanto precisa, mas confiamos no Todo Poderoso, que possa transformar o nosso pouco em muito. Quero agradecer o livro do nosso saudoso padre Carreira, textos que foram publicados na revista e na altura não me dei conta. Lendo-os agora, admiro o trabalho destes irmãos e irmãs que abriram caminhos para semear a Palavra de Deus. Maria Natália

Fátima Missionária nasceu e mantém a sua sede na cidade de Fátima, cada vez mais um ponto de encontro de povos e cul­tu­ras, a nível mundial. Como o seu nome in­­dica, quer informar sobre a Missão em geral, desenvolvendo as potencialidades que o tema encerra: evangelização e promoção dos povos; di­­reitos humanos, incluindo a denúncia dos seus atropelos, violações e injustiças; relações entre o norte e o sul do planeta, batendo-se por uma justa cooperação entre as nações; cultura, usos e costumes dos povos, sociedade, religiões e missão da Igreja; divulgação de notícias de todo o mundo, com prioridade para os países menos desenvolvidos; formação para a mundialidade, e apoio a campanhas de solidariedade para com as minorias e grupos humanos mais desfavorecidos, designadamente refugiados e povos ameaçados de extinção.

Envio cheque para pagamento da minha assinatura. O resto é donativo, para ser usado onde mais for necessário. Que Deus abençoe o vosso trabalho. Peço a Deus pelo descanso eterno do saudoso padre Carreira. Conhecia-o só através da nossa revista que está sempre comigo. Digo isto porque costumo levar as revistas para o Lar da 3ª idade da Quinta das Camélias, onde vós já estivestes. Eles gostam de as ler. Vou lá um dia por semana cortar o cabelo aos utentes. Apesar dos meus 76 anos e os problemas de saúde, Deus vai-me ajudando. Rosa Maria

Grande revista

Um muito obrigado pela “grande” revista Fátima Missionária que todos os meses, sem nunca faltar, chega à nossa casa, com notícias nem sempre boas, mas que nos mostram a vida real que vai por esse mundo fora e o trabalho imenso dos missionários. Que Deus os abençoe e fortaleça nas dificuldades de cada dia. Natália

Fátima Missionária é propriedade da Dele­gação Portuguesa do Instituto Missionário da Con­so­lata. Não tem fins lucrativos, não tem vínculos partidários, nem é órgão oficial de qualquer instituição ou religião. Dirigida pelo seu diretor, equipa de redação e administrador, propõe-se colaborar com os órgãos de comunicação afins e com associações cujos objetivos sejam a defesa dos seus interesses e finalidades. Fátima Missionária compromete-se a res­­pei­tar os princípios deontológicos e a ética pro­fis­sional dos jornalistas, assim como a boa-fé dos leitores. Fátima Missionária é mensal e é distribuída por assinatura, vivendo exclusivamente da con­tri­bui­­­ção generosa dos seus assinantes, leitores e ami­gos.


horizontes

MEALHEIRO DE VALORES texto TERESA CARVALHO ilustração HUGO LAMI O avô Vicente balouçava-se no velho cadeirão em frente à lareira. Enquanto olhava a chama saltitante que lhe aquecia as pernas cansadas, revia histórias que não se gastavam com o tempo. – O senhor Vicente está em casa? – Fernando fazia-se anunciar enquanto entrava direto ao “cantinho do pai”. – Olha, olha! Uma visita surpresa! Vem aquecer-te à lareira! Ambos gostavam destes calorosos encontros que, sendo habituais, não deixavam de ser intensos. – Hoje vim de propósito pedir-lhe um conselho: precisei de ir ao mealheiro do Toninho. Não tenho coragem para lhe contar, mas tenho medo que ele descubra antes de conseguir repor os 100 euros.

personalidade sensível e solidária que todos lhe conhecem. Aí nasceu a certeza de que o maior valor do mealheiro era ajudar quem tinha valor: as pessoas. – Pai, tem razão! Este pode ser um momento importante para o Toninho. Mas ele está há tanto tempo a poupar para comprar a bicicleta... e conta aquele dinheiro vezes sem conta, que me falta a coragem de o ver sofrer. – Será que isso só dará dor ao Toninho? E se para além disso o teu filho puder sentir-se um menino orgulhoso por ter pago as refeições que vão ter na mesa nos próximos dias? O que vai ser inesquecível para o nosso menino, é que quando ele subir à sua bicicleta, vai saber que ele foi tão “salvador” como tu foste para nós quando eras menino.

É isso que vai formá-lo: não um menino feliz porque tem uma bicicleta – isso passa rápido – mas um menino feliz porque ama e sabe partilhar – e isso fica para sempre! Fernando olhou o pai ternamente agradecido. Aquele senhor que ele respeitava e amava não sabia ler letras, mas era um sábio na leitura do coração. A ele, Fernando, cabia-lhe agora a responsabilidade de ensinar o seu Toninho a preencher o mealheiro com os valores feitos de vida. Queria transmitir-lhe o quanto aprendera, muito pela mão daquele velhinho e os valores que ele descobria todos os dias, também pela mão do seu menino.

Vicente olhou o filho e viu o tamanho da tristeza que lhe escurecia os olhos. Num voltar a esquina da sua memória, reviu o dia em que a sua esposa estava muito doente e ele não tinha meios para pagar o tratamento. – Fernando, vou contar-te uma história – disse pensativo o velhinho: Era uma vez, naquele tempo antigo, um menino que descobriu que a sua mãe estava muito doente e não havia dinheiro para a tratar. Pegou no seu mealheiro e com a carinha mais feliz deste mundo entrou no quarto dos pais e anunciou: “ Mãe, eu tenho muito dinheiro. Vais ficar boa num instante!”. O brilho molhado do olhar de ambos mostrou a intensidade do momento passado: o pai aflito e o menino salvador. “Salvador” foi como Fernando se sentiu naquele dia em que era ainda menino. Esse feito ajudou-o a construir a Março 2014

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mundo missionário texto E. AssunçãO fotos LUSA

Campeonato de futebol, tráfico humano e religiosos do Brasil

Turismo sustentável nova oportunidade no norte do Uganda

“Jogar a favor da vida” é uma campanha que vai decorrer em todas as cidades que irão acolher o próximo campeonato do mundo de futebol. Mais de 30.000 religiosas, cerca de 8.000 sacerdotes e 2.700 irmãos religiosos preparam uma campanha destinada a sensibilizar a opinião pública para os problemas do tráfico de seres humanos e exploração sexual. De 18 de maio até final do campeonato mundial, a campanha dos sacerdotes e religiosos vai concentrar-se principalmente na “prevenção e informação”. Irão distribuir panfletos nos transportes públicos, nas estações dos autocarros, nos aeroportos e nos hotéis das cidades onde serão disputados os jogos. O comércio humano movimenta milhões de euros, constituindo uma ameaça para muitas crianças, jovens e adultos. O campeonato do mundo favorece um ambiente propício à prática destes crimes.

Durante mais de 20 anos, a guerrilha entre as forças armadas governamentais e os rebeldes, no norte do Uganda, colocou a região fora do circuito turístico internacional. Tendo alcançado, hoje, um clima de paz, o país está a tentar atrair os turistas, propondo-lhes as esplêndidas montanhas, em grande parte ainda por explorar, do norte do país. A natureza e a cultura ugandesas, aliadas a um razoável suporte de estruturas, podem transformar-se em fonte de rendimento económico, contribuindo para o desenvolvimento do país. Nos últimos anos, têm sido realizados centenas de projetos nos setores da saúde, da educação e no campo agrícola, além de iniciativas para combater a Sida, que contribuíram para uma melhoria da qualidade de vida da população. Atualmente as prioridades do país estão voltadas para a instrução e a formação profissional.

Papa Francisco ano dois

Tobias Oliveira, missionário da Consolata português em Roma

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Recordo que neste espaço, há um ano, narrei a emoção de um velhinho que na Praça de São Pedro pedia a Bento XVI: “Não vá embora! Fique connosco!”. E o meu voto era que o novo Papa viesse de facto a ser alguém que “está connosco partilhando as nossas alegrias e tristezas”. Agora que estamos prestes a celebrar o início do segundo ano do pontificado de Francisco, posso afirmar que a minha expectativa se realizou plenamente. Por palavras e obras o novo Pontífice tem demonstrado estar próximo de todos, especialmente dos mais fracos, pobres e abandonados. Na esfera política é habitual dar aos eleitos cem dias de


No Paraguai cresce o número de crianças junto aos semáforos

Possível visita do Papa suscita entusiasmo na Coreia do Sul

Crianças trabalhadoras posicionam-se nos cruzamentos das ruas da capital do Paraguai, com água e sabão nas mãos, prontas a lavar vidros dos carros, a vender fruta, rebuçados e outros artigos. Mesmo que ninguém lhes deixe umas moedas. O seu número junto dos semáforos cresce de dia para dia. Para enfrentar esta emergência, foi criada uma linha telefónica para denunciar casos de exploração e maus-tratos de menores da rua. É o programa «Abrazo», que nem todas as famílias utilizam, pois correriam o risco de perder a principal fonte de subsistência. Todavia, as estatísticas mostram que, em dezembro de 2013, foram socorridas 450 crianças. Durante as férias escolares, o fenómeno agrava-se. No Paraguai 32,8 por cento da população é pobre e 18,7 por cento vive em pobreza extrema.

“Uma visita apostólica do Papa Francisco à Coreia constituiria uma mensagem de esperança para todos os países da Ásia”, afirma o arcebispo de Seul. “Serviria também para dar uma grande motivação à Igreja coreana para continuar a trabalhar pela evangelização da Ásia”. Recorde-se que o porta-voz da Sala de Imprensa do Vaticano, Federico Lombardi, confirmou que “uma visita do Papa à Coreia está em estudo e poderá acontecer por ocasião do «Asian Youth Day», o encontro dos jovens católicos asiáticos, que terá lugar de 10 a 17 de agosto, em Daejeon”. Andrew Yeom Soo-jung, o arcebispo de Seul, recentemente nomeado cardeal pelo Papa, comenta esta provável viagem: “Sempre que é possível, o Papa Francisco sublinha a necessidade urgente da Igreja de hoje: a capacidade de curar as feridas e acalentar o coração dos fiéis”. E acrescenta: “A Igreja coreana vive o problema do fosso entre ricos e pobres e a diferença ideológica entre os partidos progressista e conservador. Estas divisões causam ânsia e caos na sociedade”.

tolerância antes de começarem as críticas, mas para o Papa Francisco depois de um ano continua bem alta a consideração e estima. Há por aí algumas vozes críticas que o consideram bom demais, “amigo de publicanos e pecadores”, mas isso não é de admirar, tendo em conta a palavra de Jesus: “Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro do que a vós me odiou a mim”. Neste seu primeiro ano o Santo Padre levantou bem alta a bandeira do amor e do perdão, daquela alegria que é prerrogativa de quem se sabe amado por um Pai que só sabe amar. Os nossos parabéns!

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a missão hoje

Filme sobre missionários arranca sorriso do Papa O Papa recebeu o documentário “O meu bairro”, que mostra o trabalho dos Missionários e Missionárias da Consolata no bairro do Zambujal, Amadora. O filme foi entregue pelas irmãs Inês e Daniela Leitão, responsáveis pelo trabalho, que conseguiram um sorriso e um abraço de Francisco texto JULIANA BATISTA foto DR O Papa Francisco recebeu, em mãos, o documentário “O meu bairro”. Com 34 minutos, o filme mostra o trabalho dos Missionários e Missionárias da Consolata, que vivem há dez anos no bairro do Zambujal, considerado um dos mais problemáticos da zona periférica de Lisboa. A oferta foi feita pelas responsáveis pelo documentário, as irmãs portuguesas Inês e Daniela Leitão, e aconteceu no Vaticano, durante uma audiência com o

Santo Padre, no passado dia 19 de fevereiro. Depois de ter estado com o Sumo Pontífice, Inês Leitão admitiu estar “muito feliz” e explicou como foi o momento. “Disse-lhe que éramos de Portugal e entregámos-lhe em mãos o documentário que dá conta do trabalho dos Missionários da Consolata no Bairro do Zambujal”, contou a profissional, adiantando que o Santo Padre sorriu, mostrando saber quem eram e ter conhecimento do trabalho que realizam. “Ele disse ‘Obrigado’ e eu pedi-lhe um abraço”. O pedido

Daniela e Inês Leitão foram ao Vaticano entregar o documentário, “O meu bairro”, ao Papa

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palavra de colaborador foi aceite pelo Sumo Pontífice, que abraçou cada uma das irmãs. “Foi um abraço profundamente carinhoso”, afirmou Inês Leitão, adiantando que este “foi um dos momentos mais felizes” da sua vida. A audiência das duas profissionais com o Santo Padre foi uma resposta à carta enviada por Inês Leitão no final do mês de janeiro. A notícia de que iria estar com Francisco foi dada à profissional através de uma chamada telefónica da nunciatura apostólica. O anúncio da Santa Sé deixou Inês Leitão emocionada ao perceber que a sua carta ao Papa tinha sido lida e que o documentário que enviou tinha sido visualizado. Além disso, para a profissional, esta resposta foi também uma demonstração de que o Vaticano aprecia a “inovação” dos seus trabalhos, com a introdução da “linguagem rap à história dos missionários”. Na carta enviada ao Sumo Pontífice, a profissional falou sobre os trabalhos que realiza com congregações religiosas, juntamente com a sua irmã. Além dos Missionários da Consolata, as profissionais também já trabalharam com as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, de que resultou o documentário “Mulheres de Deus”. Em declarações à FÁTIMA MISSIONÁRIA, Inês Leitão enalteceu as ações da Igreja Católica, “que trabalha e que está com os pobres”, que se “aproxima das pessoas” e que dessa forma “constrói pontes”, dando-lhes “esperança e alegria”.

“Disse-lhe que éramos de Portugal e entregámos-lhe em mãos o documentário que dá conta do trabalho dos Missionários da Consolata no Bairro do Zambujal”, contou a profissional, adiantando que o Santo Padre sorriu, mostrando saber quem eram e ter conhecimento do trabalho que realizam. “Ele disse ‘Obrigado’ e eu pedi-lhe um abraço”

Nunca paro texto DARCI VILARINHO “Passo todo o meu tempo livre ocupada na vida pastoral. Nunca paro”. É assim que resume a sua vida de cada dia a nossa colaboradora Lurdes Guarda, da Boa Vista, Leiria. Membro de uma família numerosa – a sua mãe teve 16 filhos –, reformada após 33 anos como rececionista num colégio, a Lurdes dedica o seu tempo fazendo o bem em atividades que a tornam uma mulher feliz e realizada. “Só peço ao Senhor que me dê mais alguns anos de vida para continuar a fazer o bem aos outros”. E o bem maior, neste momento, é o modo como se dedica à recolha das 43 assinaturas do seu rol. Encontra obstáculos neste serviço às missões? Pergunto, curioso. “Não. Toda a gente me acolhe bem. Nunca ninguém me disse que não”. Sem competir com outros, pelo modo como se exprime, concluo que tudo depende da maneira como nos aproximamos das pessoas, sabendo que, quando se fazem as coisas por amor, é Deus que abre as portas e toca os corações. A Fátima Missionária está-lhe muito agradecida.

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a missão hoje

médico DEIXA PORTUGAL PARA AJUDAR DESFAVORECIDOS Rui Teixeira fez uma pausa na sua atividade profissional em Portugal para apoiar os setores da saúde, educação e pastoral no Guiúa, em Moçambique, país africano que vive um clima de tensão político-militar texto JULIANA BATISTA foto DR Aos 26 anos, o médico Rui Teixeira quis fazer uma pausa na sua carreira profissional em Portugal e rumar para o Guiúa, província de Inhambane, em Moçambique. Neste país africano, o jovem português está a prestar apoio no centro de saúde local, e está também a ajudar os setores da educação e da pastoral. O voluntário partiu em missão através da AdGentes-Associação dos Leigos Missionários da Consolata, no início do mês de fevereiro, e permanecerá em terras africanas durante sete meses. Deixar a família e o emprego em Portugal foi uma decisão ponderada e muito ambicionada para poder ajudar os mais desfavorecidos.

FÁTIMA MISSIONÁRIA. Para o voluntário, os meses de missão no Guiúa serão uma oportunidade para “enriquecer os outros” com os seus conhecimentos, mas também para “viver e celebrar” a fé. Apesar de estar num local de missão considerado “calmo e tranquilo”, a complicada situação político-militar vivida em Moçambique faz com que o jovem, natural da Suíça, tenha “algum receio da insegurança”. As “doenças

Para que esta experiência missionária além fronteiras fosse possível, o médico, que trabalha em Lisboa, teve de realizar uma “formação exigente” em solo português, que considera ser uma “mais valia a nível pessoal”. Rui Teixeira admite que ser missionário era uma ambição. “Fazer missão fazia parte do meu projeto pessoal de vida”, contou. Para o voluntário, no mundo ocidental, onde se “vive a ‘mil à hora’”, as pessoas entendem que “nunca é a altura certa” para realizar uma experiência destas. Contudo, afirma sentir-se interpelado a realizar o trabalho. “Sinto que sou enviado”, disse.

No mundo ocidental, onde se “vive a ‘mil à hora’”, as pessoas entendem que “nunca é a altura certa” para realizar uma experiência destas

“Senti que tinha de ajudar os outros”, disse o médico em declarações à

Rui Teixeira vai estar sete meses em missão na diocese de Inhambane, em Moçambique

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endémicas” também preocupam o profissional, mas não o impedem de ajudar a população.


destaque

Fracasso das negociações sobre conflito sírio

Crianças vivem situação “indescritível” texto CARLOS CAMPONEZ foto LUSA Cerca de 11 mil crianças morreram em consequência da guerra civil na Síria que, em março, completará três anos de conflito. Num relatório divulgado no início de fevereiro, as Nações Unidas falam de ações onde as crianças são executadas, sujeitas a torturas ou mantidas em celas comuns, como forma de pressionarem ou levarem as famílias a entregarem-se às autoridades de Damasco. O documento refere casos de crianças utilizadas como escudos humanos em operações militares, e de serem sujeitas a todo o tipo de tortura como espancamentos, simulação de execuções, queimaduras de cigarros e violações. Num conflito em que as escolas e os hospitais têm sido alvo de ataques de uma forma considerada anormal, comparativamente a outras situações de guerra, o sofrimento causado às crianças por forças militares e rebeldes é descrito no relatório das Nações Unidas como “indescritível e inaceitável”. Estas conclusões, que agora surgem pela voz direta do secretário-geral

da ONU, Ban Ki-moon, não são muito diferentes das denúncias realizadas há meses quer por organizações não governamentais, quer por outras instituições ligadas à ONU, como o Alto Comissariado para os Refugiados e a UNICEF. Em setembro, a Rede Síria dos Direitos Humanos referia a existência de nove mil crianças em centros de detenção e, um mês antes, o número de crianças que tinham deixado o país era já avaliado em um milhão, 740 mil das quais tinham idades inferiores a 11 anos. O trabalho infantil, o casamento precoce, o tráfico e a exploração sexual são outras das consequências que estas crianças enfrentam, em resultado da sua situação de fragilidade.

“Abominações de uns, crimes de outros”

Os dados agora divulgados pelas Nações Unidas surgem numa altura em que António Guterres, Alto Comissário dos Refugiados, qualificou a situação da Síria como a pior tragédia humanitária do século XXI e em que as negociações

entre o governo e os rebeldes sobre o fim do conflito fracassaram. Duas razões são avançadas para explicar o arrastamento do conflito. Por um lado, o apoio que a Rússia e a China têm dado ao regime de Bashar al-Assad, impedindo inclusivamente a organização de uma grande operação humanitária capaz de fazer chegar a ajuda internacional aos cerca de 9,5 milhões de sírios, reféns das partes em beligerância. Por outro lado, a ausência de uma verdadeira alternativa política no conflito sírio. Às ações do exército de Damasco somam-se as operações não menos condenáveis dos diferentes grupos islamitas que combatem o regime de Assad: “Como se as abominações de uns neutralizassem os crimes dos outros, anestesiando as nossas consciências cansadas” – tal como referia recentemente o jornal francês Le Monde.

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atualidade

Os bispos Francisco Lerma (esq.) e José Ponce de Léon, e António Fernandes, Superior Provincial

Reflexão José Allamano”, e escutar as palavras de José Ponce de Léon, bispo de Manzini, na Suazilândia. Na Basílica da Santíssima Trindade, o prelado recordou que uma das primeiras perguntas que os jornalistas lhe fizeram quando foi nomeado, era se também pensava denunciar as injustiças, como tinha feito o seu antecessor. A resposta foi simples: “não nos podemos calar, perante a corrupção, a possibilidade da saúde e a educação para todos”. Jovens missionários exibem a tocha que veio de Itália e vai percorrer os quatro continentes

Peregrinos reacendem chama missionária O recinto do Seminário da Consolata, em Fátima, voltou a encher-se de fiéis na 24ª Peregrinação Missionária. Milhares de pessoas, de todo o país, escutaram José Ponce de Léon, bispo na Suazilândia, que pediu aos fiéis um “coração aberto ao mundo” texto JULIANA BATISTA fotos ANA PAULA A 24ª Peregrinação Missionária da Consolata reuniu milhares pessoas em Fátima. O beato José Allamano, fundador dos Missionários e Missionárias da Consolata, foi a figura central do encontro, contribuindo 14

para um maior conhecimento da sua santidade e com vista à sua canonização. Durante o dia, os peregrinos assistiram a dramatizações, realizaram uma via-sacra missionária, tiveram a oportunidade para visitar a “Sala de

Aos fiéis presentes na Cova da Iria, no passado dia 15 de fevereiro, José Ponce de Léon, disse que a vida de fé deve ser vivida no dia a dia, que no caso dele, é a realidade da Suazilândia, onde 69 por cento da população é pobre e um terço está infetada com o vírus da Sida. “Mas não nos podemos fechar nisto. Devemos ser sempre uma porta aberta ao mundo. Devemos sempre abrir os braços, o coração e a mente, à realidade do mundo”, alertou o bispo pedindo os “pés na terra”, envolvidos na realidade local, e o “coração aberto ao mundo”.

Tocha veio de Itália

Na abertura da peregrinação, António Fernandes, Superior Provincial dos Missionários da Consolata em Portugal, destacou a importância de uma Igreja cada vez mais missionária. “Queremos ser missionários para o mundo”, frisou.


A 24ª Peregrinação Missionária da Consolata reuniu milhares de pessoas em Fátima

Junto ao seminário, os fiéis assistiram a uma dramatização em torno das seis virtudes Allamanianas, interpretada pelos Jovens Missionários da Consolata do norte do país. “É preciso ter fogo para ser missionário”, cantaram os jovens, mostrando a tocha vinda de Itália, acesa a 21 de janeiro, data de nascimento do beato José Allamano.

convidando-os “à meditação”, segundo Gonçalo Cardoso, diretor do museu. O núcleo museológico, que pode ser visitado até 20 de abril, proporciona o contacto com imagens e variados documentos que dão a conhecer alguns pensamentos do beato. Além disso, tem exposta também a batina/relíquia de José Allamano. O novo espaço pretende marcar o

“Ano Allamaniano”, uma iniciativa do Instituto Missionário da Consolata que se estenderá até 7 de outubro de 2014, data do 24º aniversário da beatificação.

Via-sacra na natureza

A recordação da prisão, julgamento e condenação à morte de Jesus, através da via-sacra realizada nos Valinhos de Fátima, colocou os peregrinos em contacto com a natureza, o que assumiu especial importância para muitos deles. Inês Ferreira, de 17 anos, e Vânia Silva, com 16, já tinham visitado a Cova da Iria, mas esta foi a primeira vez que se deslocaram aos Valinhos. O local deixou as duas surpreendidas. “Este é um ambiente interessante e diferente. Realizar aqui a via-sacra em grupo torna-se acolhedor”, admitiu Vânia.

“Participo nas peregrinações Museu dedica sala a Allamano missionárias da A peregrinação da Consolata ficou Consolata há 24 ainda marcada pela abertura da anos. Gosto do “Sala de Reflexão José Allamano”, no Museu de Arte Sacra e Etnologia ambiente que se vive. (MASE), a qual recebeu “largas Esta é uma forma centenas” de visitantes só no para unir primeiro dia. Neste novo espaço, o povo de Susão” os cânticos gregorianos absorvem os visitantes logo à entrada,

“Realizar a via-sacra nos Valinhos é interessante e diferente. Torna-se acolhedor”

Vânia Silva, 16 anos São Mamede do Coronado, Trofa

“Gosto de realizar a via-sacra nos Valinhos de Fátima devido ao contacto com a natureza” Maria Caldeira, 67 anos Montemor-o-Velho

Paulo Sousa, 47 anos Susão, Valongo

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atualidade

José Ponce de Léon, bispo de Manzini, a única diocese da Suazilândia

“Não somos bispos de gabinete” Em mais de três décadas, José Ponce de Léon é o primeiro bispo branco de Manzini, a única diocese da Suazilândia, um pequeno país da África Austral, que faz fronteira com Moçambique e África do Sul. A democratização do acesso à escola e o combate à propagação da Sida são algumas das suas novas frentes de batalha texto FRANCISCO PEDRO foto ANA PAULA FÁTIMA MISSIONÁRIA A Igreja Católica na Suazilândia tem uma presença muito jovem. É um terreno fértil para evangelizar? José Ponce de Léon Os primeiros missionários católicos chegaram à Suazilândia há cem anos. Como 16

o país não nasceu católico, mas protestante, os católicos são apenas cinco por cento da população. Mas é uma Igreja respeitada pela quantidade de projetos que leva por diante. Temos umas 40 escolas católicas, um hospital que é dos melhores, sete clínicas, um

albergue para doentes terminais e com Sida e um centro de refugiados, financiado pela ONU, mas dinamizado em parceria com o governo. FM Como é a relação com as autoridades governativas? JPL Digamos que a Igreja Católica se mantém sempre como um local de encontro. A Suazilândia é uma monarquia. E o ano passado o rei definiu o sistema político como uma monarquia democrática. Porque não há partidos políticos – foram proibidos em 1973 – mas há eleições, e as pessoas propõem-se como candidatas e são eleitas para o parlamento. Mas sendo uma monarquia, o rei tem a última palavra sobre a legislação.


FM Há liberdade para a Igreja fazer o seu trabalho? JPL Sim e não. Em fevereiro do ano passado, por exemplo, um grupo de igrejas cristãs organizou um encontro de oração pela paz, na catedral católica. A polícia entrou no templo, disse que aquilo não era um encontro de oração, mas uma reunião relacionada com as eleições e mandou sair toda a gente. Ocasionalmente, também nos cruzamos com a polícia na rua, quando sabem que temos reuniões. Mas creio que houve um gesto muito significativo por parte do governo, na minha tomada de

propagação, porque há uma série de elementos culturais e pressões sociais, numa geração de famílias que cresceram sem pai.

FM Tendo em conta que 69 por cento da população vive no limiar da pobreza, tudo se torna mais complicado?

FM Segundo dados da ONU, o índice de mulheres infetadas, entre os 25 e 29 anos, atinge os 56 por cento.

JPL Claro. Seguindo uma tradição do meu antecessor, em janeiro, passei oito horas no gabinete, recebendo pessoas que iam pedir ajuda para pagar a escola. Dormiram na rua toda a noite, esperando para me ver às oito da manhã e contarem a sua história, geralmente relacionada com famílias que assumiram órfãos, filhos de parentes ou de vizinhos e agora não têm recursos para pagar a escola. Foi uma coisa que me impressionou muito, porque uma das nossas preocupações é fazer com que uma boa educação não seja privilégio dos que têm dinheiro.

JPL A mulher sofre mais do que o homem. Por exemplo, diz-se que a circuncisão reduz o risco de transmissão de Sida. E tem havido várias campanhas de circuncisão, que são importantes, mas têm originado outro problema: o homem pensa que já fez a sua parte e assume comportamentos

Quando fui nomeado bispo na África do Sul, nos primeiros dois anos visitei todas as capelas (75) e fiz-me presente. Agora estou a fazer o mesmo na Suazilândia. Creio que é este espírito que nos distingue. Não somos os típicos bispos de gabinete. Temos uma dimensão de administração que é inevitável, mas em geral, temos a vontade de ir e de nos fazermos presentes em cada lugar e as pessoas valorizam muito estes encontros posse como bispo. Todo o executivo estava representado. O delegado do rei, o primeiro-ministro e o ministro do interior. No final da missa, todos teceram grandes elogios ao trabalho da Igreja Católica, pela quantidade de projetos que desenvolve. FM O país regista a maior taxa de doentes com Sida do mundo. Falta prevenção ou há comportamentos de risco a mais? JPL Ao contrário do que acontece noutros países, na Suazilândia em 99 por cento dos casos, a transmissão é por via sexual. É um problema para o qual não existe uma varinha mágica, porque há uma cadeia de acontecimentos que torna muito difícil lidar com o tema. Por exemplo, agora acontece muito os homens de idade, com recursos económicos, saírem com raparigas jovens, sem recursos. Há preservativos por todo o lado, mas não consegue controlar-se a

sexuais de risco que aumentam a transmissão. Por outro lado, criou-se o mito que a Sida se cura tendo relações sexuais com uma mulher virgem. E isto significa pôr em risco muita gente.

Perfil José Luís Gerardo Ponce de

León, do Instituto Missionário da Consolata, tem 52 anos e é natural de Buenos Aires, Argentina. Foi ordenado sacerdote em agosto de 1986 e bispo em abril de 2009. Acumula o episcopado de Manzini com a administração apostólica de Ingwavuma, na África do Sul. É o responsável da Conferência Episcopal da África do Sul para a área da Sida.

FM Um bispo consegue continuar a ser missionário? JPL Eu dizia sempre que o Papa não devia fazer bispo um missionário da Consolata. Porque temos disponibilidade para ir para qualquer parte do mundo e um bispo tem que ter estabilidade num lugar. Mas é esta disponibilidade, este carisma, que nos dá sensibilidade para todas as situações de consolação. Quando fui nomeado bispo na África do Sul, nos primeiros dois anos visitei todas as capelas (75) e fiz-me presente. Agora estou a fazer o mesmo na Suazilândia. Creio que é este espírito que nos distingue. Não somos os típicos bispos de gabinete. Temos uma dimensão de administração que é inevitável, mas em geral, temos a vontade de ir e de nos fazermos presentes em cada lugar e as pessoas valorizam muito estes encontros.

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dossier

desigualdade Mulheres em minoria no mercado de trabalho


TRABALHO FEMININO IGUAL A MAIS RIQUEZA As mulheres são mais de metade da humanidade, mas constituem uma minoria quando se fala de força de trabalho. A realidade varia de país para país, e com algumas surpresas, mas a regra é as mulheres fazerem trabalho em casa que não conta para o PIB, empregarem-se de modo informal ou receberem menos do que os homens. Mas mais mão de obra feminina enquadrada na economia oficial poderia fazer a riqueza de países como o Egito crescer 34 por cento e mesmo a dos Estados Unidos uns 5 por cento, estima o FMI, pela primeira vez liderado por uma mulher texto Leonídio Paulo Ferreira* fotos LUSA Quem já percorreu a estrada que liga o aeroporto a Bombaim, a capital económica da Índia, viu ao longo do caminho mulheres franzinas, de sari colorido, a carregar tijolos à cabeça. Algumas até seguidas de crianças pequenas. Entre estas mulheres e a nova administradora-chefe da General Motors (GM), Mary Barra, existe um mundo de diferenças, a começar pelas poucas rupias que as operárias indianas recebem e o salário anual de 14 milhões de dólares (com prémios) que a gestora do gigante automóvel americano terá visto atribuir pelos acionistas. A comparação faz sentido porque a Índia, admirável democracia que já teve mulheres presidente e primeira-ministra, continua a ser classificada como um dos cinco piores países do mundo para se nascer menina. E porque Barra, que começou a trabalhar na GM quando ainda estudava, acaba de ser eleita pela revista ‘Fortune’ a mulher mais poderosa no mundo

dos negócios, esses em que os Estados Unidos lideram com vasta vantagem muito por culpa também de terem sido pioneiros a integrar a metade feminina da população no mercado de trabalho. A Índia é um bom ponto de partida para uma reflexão sobre o contributo das mulheres para a riqueza nacional. Um estudo divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no ano passado calcula que o aumento progressivo das mulheres trabalhadoras no país traria um crescimento do rendimento médio por habitante na ordem dos 10 por cento.  Ora, os mesmos cálculos aplicados a um país como o Egito significam um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de 35 por cento, com consequências no nível de vida da população e até na hierarquia das nações. O mais populoso dos Estados árabes, com 80 milhões de habitantes, tem um PIB de 220 mil milhões de dólares, o 40.o a nível

mundial, mas passaria para cerca de 300 mil milhões, ou 33.o, ultrapassando países como Portugal.  Segundo o FMI, que pela primeira vez tem uma mulher como diretora-geral, a francesa Christine Lagarde, a participação feminina na força de trabalho traz outras vantagens além do acréscimo de riqueza: recebendo salário, as mulheres ganham uma voz ativa nas decisões familiares e têm tendência a investir na educação dos filhos, o que acaba por beneficiar as meninas, muitas vezes vítimas de preconceitos culturais ou religiosos. Cria-se aqui um belo círculo virtuoso: mais educação significa mais possibilidade de encontrar trabalho, e estudos somados a  emprego resultam num adiamento da idade do casamento, com reflexos na natalidade. E controlar a explosão demográfica é prioridade para países como a Índia ou o Egito. Lagarde, num encontro em setembro de 2013 em Nova Iorque patrocinado pela Clinton Global Initiative, do ex-presidente americano, declarou-se favorável a uma entrada maciça das mulheres no mercado de trabalho. E, segundo o ‘Wall Street Journal’, a chefe do FMI considerou que se há uma questão de “iniciativa individual” também há uma “responsabilidade coletiva”. Uma frase que desafia os governantes mundiais, na sua maioria homens, ainda que na Cimeira do G20 em Sampetersburgo tivessem marcado presença quatro mulheres: a brasileira Dilma Rousseff, a alemã Angela Merkel, a sul-coreana Park Guen-hye e a argentina Cristina Kirchner. Um mapa da presença das mulheres Março 2014

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Se nos países pobres é o trabalho informal que mais afeta as trabalhadoras, no contexto do mundo rico há que apontar o dedo à sobrevivência de práticas discriminatórias, em especial no que diz respeito à maternidade na força de trabalho revela que esta é mais evidente na América do Norte, na Europa e em partes de África, o que coincide com o mundo desenvolvido, tirando a exceção africana ligada à agricultura. Aliás, tende a existir uma coincidência entre a percentagem de mulheres trabalhadoras e o rendimento por habitante. Uma situação curiosa é a do Japão, que tem menos mulheres ativas do que a China ou o Brasil.

O caso português A taxa de atividade das mulheres portuguesas é de 55 por cento (contra 66 por cento nos homens). Isso significa que dos 5,4 milhões de ativos, sejam mulheres 2,6 milhões, um pouco menos de metade, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos a 2013. É uma taxa que nos coloca acima do Japão e perto dos Estados Unidos, mas muito longe da Holanda, onde a taxa de atividade das mulheres é de 80 por cento, segundo o Banco Mundial. Portugal regista também um fosso entre o salário médio feminino e o dos homens, 808 euros contra 985, nas estimativas do INE, mas neste caso disponíveis apenas para 2011. Em termos de taxa de desemprego, os números para 2013 davam 16,4 por cento de desemprego feminino contra 16,1 por cento masculino.

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Com uma população envelhecida que dificulta o crescimento económico, o rico Japão poderá ter na sua população feminina uma arma secreta: o FMI calcula que, se a percentagem de japonesas empregadas igualasse a de homens, o PIB do arquipélago poderia crescer nove por cento. Voltemos aos Estados Unidos, de Mary Barra, que com a participação nas duas guerras mundiais viu as mulheres substituírem nas fábricas os homens chamados a combater. Tal como acontece no resto da OCDE (a trintena de países desenvolvidos), a participação feminina no mercado de trabalho passou a ser a regra (em especial nos serviços), o que não significa que não existam problemas, se bem que diferentes dos países em desenvolvimento. Se abundam os casos de profissionais bem remuneradas (ou até a nível milionário, como a número um da GM), a verdade é que continua a existir um fosso salarial na ordem dos 14 por cento, refletindo tanto pagamento diferenciado para trabalho igual como menos lugares de topo ocupados pelo sexo feminino. Aliás, entre os gestores

das mil maiores empresas dos Estados Unidos apenas cinco por cento são mulheres. Neste lado do Atlântico, a União Europeia preconiza a regra de 40 por cento de mulheres nas administrações, seguindo o exemplo da Noruega, entre os melhores países do mundo para se nascer mulher.  Se nos países pobres é o trabalho informal que mais afeta as trabalhadoras, no contexto do mundo rico há que apontar o dedo à sobrevivência de práticas discriminatórias, em especial no que diz respeito à maternidade. Falta mais legislação que proteja as mulheres que desejam constituir família, sendo que o alargamento das licenças e a sua partilha com os homens se têm revelado positivas. E isto num quadro, ao contrário do resto do planeta, em que o problema demográfico é a ausência de crianças. Com exceção dos Estados Unidos, da Irlanda e da França, as mulheres ocidentais ficam aquém dos dois filhos necessários para a renovação das gerações.  No atual contexto de desemprego nos Estados Unidos (6,6 por cento) e na União Europeia (11 por cento), parece haver pouco lugar para mais entradas no mercado de trabalho, neste caso de mão de obra feminina, mas a realidade é que qualquer ausência do sistema produtivo, involuntária

Sete verdades a ter em conta

1. Mulheres são mais de metade da humanidade 2. População ativa feminina é inferior à masculina 3. Mulheres são grande maioria daqueles que fazem trabalho não pago 4. Mulheres estão sobrerrepresentadas no setor informal  5. Salário médio feminino é inferior ao masculino 6. Presença de mulheres em posições de topo nas empresas é mínima 7. Maior presença de mulheres na força de trabalho aumenta a riqueza nacional


Com uma população envelhecida que dificulta o crescimento económico, o rico Japão poderá ter na sua população feminina uma arma secreta: o FMI calcula que, se a percentagem de japonesas empregadas igualasse a de homens, o PIB do arquipélago poderia crescer nove por cento ou voluntária, contribui para uma redução da riqueza potencial. Trata-se, neste caso, de um círculo vicioso. Por isso a estimativa do FMI de que com um reforço da presença feminina no mercado de trabalho, o PIB dos Estados Unidos poderia crescer cinco por cento. Curiosas são as recentes declarações de Alison Carwath, presidente do grupo imobiliário Land Securities, um gigante britânico, sobre as mulheres no trabalho. Ao ‘Financial Times’ defendeu que as empresas deem uma licença de maternidade que possa ir até seis anos. “Se alguém quiser gastar, digamos, seis anos a ter crianças e a mantê-las fora da creche antes de regressar ao trabalho a tempo integral, as empresas deveriam considerá-lo para não perderem a pessoa”, afirmou Carnwath, que não tem filhos e é uma das raras mulheres líder no mundo empresarial britânico.  Claro que a gestora se refere a quadros altamente qualificados, que as empresas deveriam fazer tudo para manter, mas a sua sugestão mostra como o debate sobre o papel da mulher no mercado de trabalho, e logo na sociedade, está longe de estar terminado. *jornalista do DN

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gente nova em missão

março Primavera da fé Olá amiguinhos missionários. Estamos em março, mês do carnaval e início da primavera. É tão bom pensar que dentro em breve vamos poder vestir menos roupa e andar a brincar mais à vontade. Neste mês celebra-se um dia que é muito importante, o 8 de março, Dia da Mulher. E porquê? Em todo mundo há milhões de mulheres que sofrem com injustiças várias, muitas vezes impostas pelas sociedades onde vivem. Os exemplos são inúmeros nos noticiários de cada dia texto ÂNGELA E RUI ilustrações RICARDO NETO

A mulher Toda a vida é um milagre, mas é à mulher, pela sua força moral e espiritual, que Deus confiou que cuide dos milagres diários. É no colo da mãe que encontramos a cura das nossas dores. Quando vocês estão doentes ou têm um dói-dói ou ainda estão tristes, quem é que vocês procuram? A mãe, pois claro; nela Deus colocou esta vocação especial. O Papa Francisco disse numa das suas reflexões que a mulher “tem uma sensibilidade particular pelas ‘coisas de Deus’, sobretudo no ajudar a compreender a misericórdia, a ternura e o amor de Deus”.

Dia 8 de março

A ideia de um Dia Internacional da Mulher surgiu no início do século XX, mas foi em dezembro de 1977 que este dia foi adotado pelas Nações Unidas, para lembrar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres. Atualmente, a cada dia 8 de março, a imprensa escrita e falada relembra todos os sofrimentos e abusos de que as mulheres são alvo nos vários locais do planeta.

Violência sobre as mulheres

Por todo o mundo uma em cada três mulheres é sujeita a uma das várias formas de violência. Por exemplo, 100 milhões de mulheres enfrentam dificuldades ao tentar 22

deixar os seus países e 500 milhões são analfabetas. Ao serem privadas da educação escolar, da sua infância e adolescência, desconhecem os seus direitos, e é mais fácil serem vítimas de injustiças. Elas são as principais vítimas de discriminação

no mundo por motivos religiosos. Sobretudo no Médio Oriente, onde é tão difícil assumir que se é cristão, como vocês todos sabem.


Sabias que

Em 2006 a campanha anual dos Missionários da Consolata foi em favor das mães solteiras de Isiro, na República Democrática do Congo. Como veem, a Igreja está na linha da frente pela defesa e promoção de uma vida digna para todas as mulheres.

Dois exemplos admiráveis

O meu momento de oração

Asia Bibi

Foi condenada ao abrigo das leis contra a blasfémia, no Paquistão, porque tocou em água que as suas colegas muçulmanas também bebiam. Ao tocar nesta água contaminou-a, apenas por ser cristã e por isso acabou por ser condenada à morte. Neste momento continua presa, sem que se saibam notícias dela. Dois políticos que tentaram agir pela sua defesa foram assassinados.

Malala Yousafzai

Em 2011, quando tinha apenas 14 anos, esta jovem paquistanesa foi alvo de um atentado do grupo extremista islâmico Talibã e levou um tiro no rosto por se opor aos que promovem a ignorância e por defender o seu direito à educação. “Os extremistas têm medo de livros e canetas”, disse esta corajosa adolescente no seu mais famoso discurso. De entre os vários prémios que recebeu, o mais sonante foi o prémio Sakharov de Liberdade e de Consciência atribuído pelo Parlamento Europeu. Malala contou que o primeiro pensamento ao acordar do coma, seis dias depois de ter sido atingida, foi agradecer a Deus por estar viva.

Meu Amigo Jesus exemplo de Filho e de Homem e minha Mãe Maria, exemplo de Mãe e Mulher para todas as meninas e mulheres Vós que me chamais a ser vosso missionário Ajudai-me a fazer parte deste grupo grande de pessoas que querem tornar este mundo melhor e mais seguro E abençoai todas as mulheres que sofrem E todos aqueles que arriscam a sua vida para as defender e proteger Comigo podem sempre contar para Vos levar no meu coração e na minha boca. Pai Nosso Ave Maria

O que podem fazer

Mais uma vez vocês, jovens missionários, ficam incumbidos de divulgar isto pelas vossas famílias e amigos e de promoverem nas vossas catequeses uma atividade bem gira acerca deste tema. Março 2014

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tempo jovem

Projetar a vida texto LUÍS MAURÍCIO fotos ANA PAULA Já pensaste alguma vez que a vida se constrói com base em pequenos e grandes projetos? Tenho um padre amigo que, perante as várias iniciativas que possam surgir no âmbito da realização de algo para o bem dos outros, insiste sempre na mesma frase que me ajuda antes de empreender um projeto: “Não po­demos viver como francoati­ra­ do­res”. Um francoatirador, apesar do seu treino e destreza, lançará sempre as suas setas ou balas de um modo aleatório e à sorte, não precisando de elaborar um plano de ação e avaliação. Com isto atrevo-me a afirmar que não basta ter objetivos na vida, é preciso um 24

plano tático e estratégico para o atingir, caso contrário corremos o risco de gastar tempo, energias e dinheiro à toa, fazendo o que nos ocorre à primeira, sem nada conseguir. Precisamos de construir pequenos ou grandes projetos para saber onde queremos ir, que objetivos atingir e quais os meios que vamos utilizar para realizar os nossos sonhos. Estes elementos permitir-nos-ão depois avaliar o nosso percurso no grande desafio de caminhar na vida com um projeto claro e concreto nas nossas mãos. Até aqui alguém poderia questionar que muitas vezes, apesar de todo o cuidado, quase metodológico, que possamos ter na maneira de conceber os projetos, nem sempre as coisas correm tal como as pensámos, refletimos e planificámos. Isto pode ser uma grande verdade. Quando gerimos as nossas vidas com projetos cheios de

táticas e estratégias mas carentes de “espírito” ou força geradora de vida, corre-se o risco de construir projetos de “sobrevivência” e não de “vivências” autênticas. É como escrever a nossa história com letras mortas, incapazes de mexer o coração do outro quando alguém nos lê nos olhos. Para evitar este desperdício de esforços, deixo-te os ingredientes necessários que devem condimentar qualquer projeto que empreendas na tua maravilhosa vida. Para o sucesso pessoal, qualquer projeto que decidas levar a cabo deve ter a capacidade por ele mesmo de: Persuadir: o teu projeto deve ser capaz de convidar os outros a querer experimentar aquilo que te faz bem e que te faz crescer. Inspirar: o teu projeto deve despertar nos outros a vontade de buscar e criar novos caminhos e formas de bem-estar.


O teu projeto deve mexer no coração dos outros, deve ter a capacidade do impacto, deve poder transformar a tua vida e o meio onde escreves a história da tua existência

Escutar: o teu projeto deve nascer de uma profunda necessidade tua, mas em benefício de uma necessidade de alguém. Comunicar: o teu projeto deve ser concreto e claro para ser interpretado e compreendido. Motivar: o teu projeto deve mexer no coração dos outros, deve ter a capacidade do impacto, deve poder transformar a tua vida e o meio onde escreves a história da tua existência. Março 2014

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sementes do reino

Tentado, mas não derrotado

terminada, Jesus era de verdade o filho de Deus, e tinha escolhido ser fiel ao Pai.

A Quaresma é, muitas vezes, “pintada” de cinzento. A proposta é exigente, requer decisões, e às vezes é uma tarefa difícil. De facto, hoje, adiam-se as decisões, mas quem não se decide dificilmente alcança a meta

Releia o texto, mas coloque-se no lugar de Jesus. Quais seriam as suas respostas? Está decidido como Jesus? Ainda não? A Quaresma é caminho de conversão à decisão.

texto PATRICK SILVA foto ANA PAULA

Leio a Palavra

Mt 4, 1-11 Tendo recebido o Espírito no Batismo, Jesus está apto para enfrentar a prova do deserto. O evangelista recorda que esta ida de Jesus é motivada pelo próprio Espírito que O move naquela direção. No deserto, local que recorda o tempo de prova do povo de Israel, Jesus vai ficar por bem 40 dias e 40 noites sem comer. No fim deste período de prova acontecem as tentações.

Saboreio a Palavra

O episódio relatado por Mateus parece uma peça teatral, em três atos. No primeiro, Jesus é confrontado com uma proposta aliciante para quem tinha ficado 40 dias sem comer. Era a resposta à sua fome: umas pedras transformadas

Rezo a Palavra

Vivo a Palavra em pão. Jesus, no entanto, recorda ao tentador: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. No segundo ato, temos a proposta de um show. Porque não realizar algo de extraordinário que fizesse com que todos admirassem este filho faminto de Deus? Para ser mais convincente, cita até a Escritura. Mas, com a mesma força de antes, Jesus rejeita a proposta: “Não tentarás o Senhor teu Deus”. O tentador acusa a derrota, mas volta a jogar mais uma cartada. A terceira proposta, ainda mais aliciante, é uma oferta extraordinária: todos os reinos do tentador, colocados nas mãos de Jesus. Não há hesitação em Jesus, a resposta é decidida: “Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto”. A prova estava

As três propostas feitas a Jesus, e por ele rejeitadas, são as mesmas de todas as pessoas. A primeira tentação é a de pensar que as coisas materiais são a única coisa fundamental na vida. Jesus recorda que o mais importante é fazer a vontade do Pai. A segunda é a da vida fácil, de pedir a Deus os milagres que resolvam problemas. Jesus convida a não tentar a Deus. Jesus não usa os dons de Deus para seu benefício. A terceira tentação é a escolha do poder, da força, da prepotência, mas Jesus escolhe o caminho do serviço, da humildade. As três propostas resumem-se numa única tentação: viver a vida sem Deus. Jesus é claro: viver pensando somente na realização pessoal é uma vida sem sentido; a verdadeira vida é a da fidelidade à vontade do Pai.

“Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto”

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intenção pela evangelização

A Palavra faz-se missão Março

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8º Domingo Comum Is 49, 14-15; 1Cor 4, 1-5; Mt 6, 24-34 Não vos inquieteis É a resposta de Jesus à fome de dinheiro e bens materiais que grassa no nosso mundo. O cristão não pode embarcar na atitude pagã de viver nessa obsessão. Ele trabalha e confia na providência de Deus. Não se desinteressa do progresso do mundo, mas vive noutra dimensão, buscando o essencial. “Procurai antes de mais o Reino de Deus e o resto vos será dado por acréscimo”. Que a tentação da riqueza, não destrua a nossa confiança no teu amor de Pai.

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1º Domingo da Quaresma Gen 2, 7-9; 3, 1-7; Rom 5, 12-19; Mat 4, 1-11 Viver da Palavra “Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. Vai certamente sair muita palavra da boca de Deus nesta Quaresma. Vão surgir muitos convites a mudar de vida, a procurar o essencial e a confiar no Senhor. Estou disposto a escutar e a mudar a minha vida? Que este tempo sagrado me renove e faça crescer na comunhão com Deus e os irmãos.

16 2º Domingo da Quaresma

Gen 12, 1-4; 2Tim 1, 8-10; Mat 17, 1-9 Um rosto cheio de luz É Jesus quem nos revela o rosto de Deus Pai. Se entrarmos em comunhão com Ele, receberemos luz para a nossa vida. “Este é o meu Filho muito amado; escutai-o”. Subir com Jesus ao monte e obedecer à sua voz é condição para sermos seus

discípulos. Não é só para a Quaresma, é tarefa de uma vida inteira. Ilumina-me, Senhor, com o teu Espírito, e ensina-me os teus caminhos.

23 3º Domingo da Quaresma

Ex 17, 3-7; Rom 5, 1-8; Jo 4, 5-42 Fonte de água viva “Se alguém tem sede, venha a Mim e beba”. É tempo de ir à fonte. Com o nosso cântaro vazio a precisar de uma água viva que nos mate a sede. Talvez andemos afogados em outras águas. Talvez bebamos águas sujas de cisternas rotas. Só Deus, fonte de água viva, pode saciar a nossa sede. Dá-me, Senhor, da tua água que refresque toda a minha vida.

30 4º Domingo da Quaresma

1 Sam 16, 1-13: Ef 5, 8-14; Jo 9, 1-41 “O Senhor ungiu os meus olhos” Também nós nascemos cegos e tivemos que lavar os olhos. A luz é um dos símbolos mais belos da Sagrada Escritura. “O Senhor é minha luz e salvação, de quem hei de ter medo?” Pelo batismo, o Senhor ungiu os nossos olhos, deu-nos a graça de sermos seus filhos e entregou-nos a enorme tarefa de rasgar as trevas do nosso mundo. Que a minha vida, Senhor, iluminada por ti, realize obras que deixem um rasto de luz. DV

Para que muitos jovens acolham o convite do Senhor a consagrar a vida ao anúncio do Evangelho

Jovens evangelizadores Que significa evangelizar? Responde o Papa Francisco: “Significa testemunhar pessoalmente o amor de Deus, significa superar os nossos egoísmos, significa servir, inclinando-nos para lavar os pés dos nossos irmãos, tal como fez Jesus”. Na conclusão da última Jornada Mundial da Juventude, em Copacabana, Rio de Janeiro, Brasil, o Santo Padre pediu aos jovens que, regressando às suas casas, não tenham medo de ser generosos com Cristo e de testemunhar o seu Evangelho, porque “partilhar a experiência da fé, testemunhar a fé, anunciar o Evangelho é o mandato que o Senhor confia a toda a Igreja, e também a ti”, sublinhou, rogando aos jovens que sigam o exemplo de Cristo que “não deu somente um pouco de Si, mas deu-se por inteiro”. Foi um forte convite vocacional direto aos jovens: “Este continente recebeu o anúncio do Evangelho, que marcou o seu caminho e produziu muito fruto. Agora este anúncio é confiado também a vós, para que ressoe com uma força renovada. A Igreja precisa de vós, do entusiasmo, da criatividade e da alegria que vos caracterizam”, disse o Santo Padre. DV

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o que se escreve Padre António Rocha Um mártir do século XX “Profeta de Deus e Discípulo de Cristo”

A Missão tem muito que contar Os Missionários da Consolata caminham com os povos

Este livro já não é novo, mas é sempre atual. É uma espécie de viagem por vários países para encontrar os missionários que percorreram os caminhos da evangelização e da promoção humana, contribuindo para o ressurgir de novas Igrejas locais segundo o estilo do beato José Allamano. Neste ano a ele dedicado, podemos assim avaliar toda a dimensão do seu projeto missionário. Vale a pena folhear esta síntese histórica que o autor narra com amor e admiração. Autor: Giovanni Tebaldi 368 páginas | preço: 7,50 € Editora Consolata

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Um missionário mártir é sempre um testemunho relevante na obra da evangelização. O padre António Rocha faz parte daqueles homens que souberam ir mais longe: um jovem sacerdote que se colocou ao serviço da humanidade mais esquecida. Foi morto numa emboscada da guerrilha, no dia 17 de janeiro de 1989, em Moçambique, na estrada de Pemba-Chiúre, perto de Metoro. Vale a pena conhecer a vida deste jovem apóstolo mártir. Autor: Carlos Manuel da Costa Gomes 264 páginas | preço: 10,00 € Editorial Missões – Cucujães

Encontrar o Mestre E vós, quem dizeis que Eu sou?

Este é o primeiro opúsculo de uma série de livrinhos escritos por um grande biblista, cardeal Gianfranco Ravasi, para a descoberta de Jesus de Nazaré, o Mestre que com as suas palavras, as suas ações e a sua vida ensina a cada homem como ser seu discípulo. Um livro que em poucas páginas diz muito sobre o mistério de Alguém que ao longo dos séculos apaixonou tanta gente. Autor: Gianfranco Ravasi 72 páginas | 4,00 € Paulus Editora

Introdução ao Evangelho segundo Mateus

Além de fornecer as chaves fundamentais que ajudam a uma melhor compreensão do Evangelho segundo Mateus, esta introdução de um grande biblista português apresenta muitos textos para facilitar o estudo e a leitura do evangelista do ano litúrgico A. O texto do Evangelho é sempre a filigrana ou a pedra preciosa que há que encontrar. As palavras desta breve introdução querem prestar o humilde serviço de ajudar a encontrar a filigrana. Autor: D. António Couto 112 páginas | preço: 9,00 € Paulus Editora

Liturgia diária júnior

É uma novidade pensada e criada especialmente para as crianças da catequese. Todos os meses vai sair esta pequena revista colorida e divertida com atividades, orações e a missa de cada domingo. É uma curiosa escola de fé com uma pequena catequese sobre temas relacionados com a liturgia. Tem um suplemento destinado aos educadores, pais e catequistas, para ajudar a entender os conteúdos. Ano 1 | nº 0 | abril 2014 68 páginas | preço: 2,00 € Paulus Editora


o que se diz Os Domingos da Quaresma Ano A

Aqui está mais um livro oportuno para entrar na Quaresma que tem início no dia 5 de março. É um conjunto de sugestões para a dinamização deste tempo litúrgico, desde a Quarta-feira de Cinzas ao Domingo de Ramos. As propostas são variadas e contemplam os diferentes momentos da celebração. O livro oferece ainda textos de apoio e formação e um esquema de celebração penitencial. Autor: Álvaro Ginel 196 páginas | preço: 8,50 € Edições Salesianas

Os Santos também usam calças de ganga

“Precisamos de santos sem véu ou batina. Precisamos de santos de calças de ganga e sapatilhas. Precisamos de santos que vão ao cinema, ouvem música e passeiam com os amigos” (João Paulo II). Aqui está uma excelente biografia de uma jovem há pouco beatificada que se enquadra neste tipo de santos dos nossos dias, capazes de cativar toda a gente, a começar pelos jovens. Um testemunho admirável de uma jovem de 18 anos, cativada por um ideal que não morre. Para ler e meditar. Autor: Franz Coriasco 132 páginas | preço: 6,00 € Editora Cidade Nova

Poema de vida e de amor “Escrever acerca da mulher, seu valor, sua dimensão afetiva e

maternal, mesmo que não seja mãe, seu talento, sua sensibilidade, sua arte e engenho, sua audácia e sua fé, é algo que encanta e que polariza o coração. Sem a sua colaboração, dedicação, ajuda, serviço, cultura, doação, nem a humanidade nem a Igreja seriam o que são. Pela sensibilidade feminina e pela capacidade de dom, a mulher é uma verdadeira catedral, um contínuo poema de vida e de amor”. Dário Pedroso | Mensageiro do Coração de Jesus | março 2014

Pessoas mais felizes “A geração atualmente ativa tem muito mais instrução que os seus

pais. E os que estão hoje nos bancos da escola preparam-se para ser mais habilitados do que os que hoje trabalham. Mas pelos vistos, segundo os entendidos da matéria, parece que temos andado a educar gente com prioridades erradas e que a excelência da técnica afinal não faz as pessoas mais felizes”. Sandra Simões | Ação Missionária | fevereiro 2014

Pela humanidade “Fátima é uma realidade imensa mas, ao mesmo tempo, cheia

de pequenos (enormes) pormenores que são incontornáveis para abrir o coração a Deus e O acolher, que são incontornáveis para compreender o que a Senhora e Mãe do Céu aqui deixou como mensagem e como pedido. A Mãe do Céu pediu… É impressionante o que o Céu faz pela comunhão com a humanidade e pela salvação do homem”. Emanuel Matos Silva | Voz da Fátima | 13-02-2014

Em defesa da família “Cabe a cada indivíduo, independentemente da sua vocação e

do seu modo de vida, mas também às instituições, à Igreja e ao Estado, o assumir de ações concretas em defesa da família. Embora esta não se esgote num único modelo, baseia-se sempre em princípios de comunhão, corresponsabilidade e transmissão de valores, tão necessários para o desenvolvimento harmonioso e justo da nossa sociedade”. Sérgio Fonseca | Missões Franciscanas | fevereiro 2014

Cristãos perseguidos “Apesar da prevalência de países muçulmanos, é a Coreia do Norte

comunista que lidera o ranking. «Em mais nenhum país do mundo os cristãos são perseguidos por causa da sua fé como na Coreia do Norte. Ser apanhado com uma bíblia é razão suficiente para ser executado ou passar a vida na prisão. Estima-se que 50 mil a 70 mil cristãos vivam em campos de concentração ou circunstâncias parecidas, no regime de Kim Jong-un» (Open Doors)”. Artur de Matos | Boa Nova | fevereiro 2014

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gestos de partilha

Costa do Marfim Mulheres Missionárias da Consolata de Mem Martins 900,00€; José Soares 40,00€; Carla Veríssimo 10,00€; Bárbara Silva 10,00€; Conceição Lucas 43,00€; Paulo Santos Fonseca 7,00€; Domingos Ferreira 12,00€; Eugénia Miranda 12,00€; Augusta Marques 20,00€; Fátima Matias 10,00€; Amália Santos 100,00€; José Mirra 10,00€; Alexandrina Gravito 15,00€; Mariana, Raquel, Maria Inês e António Pedro 33,00€. Total geral = 13.465,65€. Bolsa de estudo Gabriela Santos 250,00€. Crianças de Moçambique Teresa Marcelo 43,00€. Crianças do padre Paulino – Tanzânia Rui Ferreira 100,00€. Ofertas várias Manuel Castelão 40,00€; Maria Claudino 35,00€; Anónimo 40,00€; Anónimo 25,00€; Tomás Rebelo 250,00€; Etelvina Rodrigues 100,00€; Alda Sena 100,00€; Helena Torres 36,00€; Céu Gomes 40,00€; Luísa Barbosa 40,00€; Carmo Matias 36,00€; Amélia Tita 51,00€; Anónimo 193,00€; Anónimo 93,00€; Odília Teixeira 186,00€; Trindade Pereira 106,00€; Isabel Fonseca 36,00€; Rita Dias 36,00€; Alice Oliveira 63,00€; Casimira Vieira 43,00€; Lurdes Soares 39,00€; Emília Alves 33,00€; Emília Marques 86,00€; Ana Moreira 93,00€; Maria Rosário Magalhães 49,00€; Lourdes Quinaz 120,00€; Isabel Fiqueiredo 700,00€; Anónimo 50,00€; Albina Moreira 70,00€; Helena Barros 80,00€; Marcelina Santos 50,00€; Julieta Pereira 60,00€; Manuel Afonso 33,00€

Contactos Pode enviar a sua oferta para a conta solidária dos MISSIONÁRIOS DA CONSOLATA: NIB 0033.0000.45365333548.05 IBAN: PT50.0033.0000.45365333548.05 SWIFT/BIC: BCOMPTPL ou para uma das seguintes moradas: Rua Francisco Marto, 52 | Apartado 5 | 2496-908 FÁTIMA | Telefone 249 539 430 | fatima@consolata.pt Rua D.ª Maria Faria, 138 | Apartado 2009 | 4429-909 Águas Santas MAIA | Telefone 229 732 047 | aguasantas@consolata.pt Rua Cap. Santiago de Carvalho, 9 | 1800-048 LISBOA | Telefone 218 512 356 | lisboa@consolata.pt Quinta do Castelo | 2735-206 CACÉM | Telefone 214 260 279 | cacem@consolata.pt Rua da Marginal, 138 | 4700-713 PALMEIRA BRAGA | Telefone 253 691 307 | braga@consolata.pt Rua Padre João Antunes de Carvalho, 1 | 3090-431 ALQUEIDÃO | Telefone 233 942 210 alqueidao@consolata.pt Rua Estrada do Zambujal, 66 - 3º D | Bairro Zambujal | 2610-192 AMADORA | Telefone 214 710 029 | zambujal@consolata.pt Alameda São Marcos, 19 – 7º A e B |2735-010 AGUALVA-CACÉM |Telefone 214 265 414 |saomarcos@consolata.pt

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vida com vida

Padre Carlos Cremonesi

PEQUENO E APAIXONADO Pequeno de estatura, jovial e de sorriso cativante, apaixonado pelos estudos teológicos para aprofundar os mistérios da fé e compreender cada vez mais as perfeições dum Deus tão grande e tão bom como o nosso, deixando-se sempre guiar por uma fidelidade sem desvios ao magistério da Igreja – eis algumas das qualidades deste sacerdote e missionário autêntico texto Aventino Oliveira ilustração H. Mourato Nasceu em 30 de janeiro de 1918 e foi ordenado sacerdote no dia 8 de abril de 1944. Foi o Brasil o seu primeiro campo apostólico. Em 1951, encontramo-lo no Canadá concretizando a sua vocação sacerdotal em várias comunidades paroquiais. Em 1970 foi nomeado prior da paróquia da Consolata em Montreal. A paróquia tinha uma dívida enorme, e certos grupos fizeram tudo o possível para que tal dívida não fosse paga e a paróquia fosse desfeita. O padre Carlos sofreu imenso por causa de incompreensões, calúnias, intimidações… mas conseguiu resolver este grave problema. Dedicou todas as suas forças à formação de uma comunidade cristã responsável e consciente dos seus deveres sociais, religiosos e evangelizadores. Os suores, as lágrimas e os sacrifícios do padre Carlos e dos seus colaboradores deram vida a uma paróquia intensamente corajosa na vivência do Evangelho e num trabalho de grande atenção caridosa, especialmente para

com os mais pobres, os idosos, os doentes, os jovens e as crianças. A partir de 1982 a sua saúde foi declinando, obrigando-o a deixar o seu querido Canadá e a voltar para a sua terra de origem, a Itália. No momento do pôr do sol da sua vida, celebrou-se a Missa no seu quarto, recebeu os sacramentos e pediu que todos os presentes escutassem a sua renovação da profissão religiosa. Depois, com serenidade e coragem disse: “Ofereço a minha vida ao Senhor pelo Canadá e pelas vocações à vida missionária”.

todos, e duma vida de oração sem desvios. A sua imensa cultura teológica e o seu respeito pela Palavra de Deus excitavam-no. Desejava intensamente que outros continuassem, com a coragem e determinação que ele tinha, a anunciar o Evangelho de Jesus Cristo. Disso fui eu muitas vezes testemunha.

Às vezes, nas conversas com os confrades, parecia impetuoso. Na realidade era um irmão respeitoso e cheio de atenção para com Março 2014

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outros saberes

Gerir as preocupações texto NORBERTO LOURO foto ANA PAULA No mês passado recordámos algumas conclusões sobre o que a sabedoria humana foi catalogando acerca da importância de aproveitar e gerir bem o tempo como algo que se esvai e não volta mais, quase como uma engrenagem que nos tritura com os seus dentes. Seria uma interpretação errada. Viver obcecados pelo tempo, querer fazer tudo ao mesmo tempo, tira lucidez, provoca insónias, desgasta a resistência humana, encurta a vida, estraga as relações com os outros. Fraseando um salmo da Sagrada Escritura, alguém traduziu com certa beleza um versículo:

Viver obcecados pelo tempo, querer fazer tudo ao mesmo tempo, tira lucidez, provoca insónias, desgasta a resistência humana, encurta a vida, estraga as relações com os outros

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“Não é porque muito se madruga, que Deus ajuda”. O próprio Jesus disse que “não é por muito se assarapantar que se acrescenta um côvado à própria altura”. Basta gerir com calma as preocupações de cada dia, uma coisa de cada vez. Com a sabedoria popular e com quem utilizou criteriosamente o tempo, até nós próprios podemos concluir que “tudo tem o seu tempo e, com o tempo tudo se cura”. Pois “o tempo a tudo dá remédio”. Claro está que tudo tudo, mesmo

tudo, não. Porque outra experiência humana evidente nos lembra que “o tempo tudo cura, menos velhice e loucura”. Mas até nestas duas realidades humanas, com o domínio que se tem da ciência, já a idade do homem aumentou e a velhice ganhou com o bem-estar e o carinho recebidos. Até se curam ou abrandam muitos casos de loucura. É que “o tempo corre, mas muito se descobre”. E assim, pode-se concluir com outra sabedoria adquirida pela experiência positiva do tempo: “Sem o tempo, nada se faz; mas aproveita-o em paz”.


2014 ano Allamano

Uma missão mais vasta texto DARCI VILARINHO foto FM O beato José Allamano viu sempre o seu sacerdócio como um serviço: o sacerdote não é para si, mas para os outros. Impedido de partir para as missões, por motivos de saúde, permaneceu padre diocesano, sem que por isso se sentisse menos missionário. O serviço prestado na Igreja local, longe de lhe limitar os horizontes, abriu-lhos à dimensão do mundo. “A vocação missionária é de todos quantos amam sinceramente a Deus e desejam torná-lo conhecido e amado e estão dispostos ao sacrifício de si mesmos para conseguir tão nobre fim”, dizia Allamano. As suas raízes missionárias estão na obra do grande cardeal Massaia. A sua ação apostólica na Etiópia deixará em Allamano profunda admiração, grande paixão pelos povos distantes e sobretudo um fortíssimo desejo de continuar a sua obra. Através da leitura atenta das suas “Memórias”, José Allamano foi-se apercebendo das necessidades humanas, espirituais e pastorais daqueles povos. Este olhar sobre o mundo foi completado por outro sobre a Igreja local de Turim. Plenamente inserido na condução do santuário da Consolata, dedicado à formação dos sacerdotes jovens no Centro de Formação Pastoral, José Allamano pôde confrontar as duas realidades e descobrir o modo de responder à sua inquietação missionária. Na Igreja local de Turim o clero era de tal modo abundante que não se sabia como enquadrá-lo na diocese. Por isso dizia que “o clero diocesano tem possibilidades de ter uma missão mais ampla”, para além dos horizontes estreitos da Igreja local. Os seus contactos com sacerdotes jovens davam-lhe a oportunidade de sentir a aspiração de alguns à vida missionária. Escreve ao arcebispo de Turim, Agostinho Richelmy, seu condiscípulo de seminário: “Com a

experiência que adquiri em todos estes anos de formação do clero, devo admitir que às vezes encontro autênticas vocações missionárias”. Na pessoa deste pastor, Allamano encontrou alguém que sabia “elevar-se acima das ideias mesquinhas”.

Aqui ficam mais algumas pinceladas na figura do beato José Allamano (1851-1926), que ao longo deste ano a ele dedicado, queremos retratar. Para que seja mais conhecido e amado e a sua Em 1900, Allamano adoeceu gravemente. Quando tudo parecia vida exemplar seja para todos perdido, fez-se sentir a mão de Deus. estímulo e convite à invocação. O cardeal acorreu pressuroso à cabeceira do enfermo e perguntou-lhe pela fundação do Instituto. “Outros pensarão nela”, disse Allamano. “Não senhor! - retorquiu o cardeal – não morrerás e serás tu a fundar o Instituto”. Efetivamente, Allamano melhorou e viu nisso a vontade de Deus. Em 29 de janeiro

de 1901, o cardeal Richelmy assinava o decreto de fundação do Instituto da Consolata, que em 8 de maio do ano seguinte já podia enviar os primeiros quatro missionários para as Missões do Quénia.

A ação apostólica na Etiópia despertou a paixão em José Allamano pelos povos distantes

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fátima informa

Muitos dos peregrinos asiáticos veem de propósito a Portugal para visitar o Santuário de Fátima

Santuário mais visitado por coreanos e filipinos Aumento de peregrinos asiáticos reforça a importância que a mensagem de Fátima vai tendo nas comunidades cristãs espalhadas pelo mundo texto LUCÍLIA OLIVEIRA foto ANA PAULA Há um número crescente de peregrinos do Extremo Oriente a visitar o Santuário de Fátima. Entre os representantes de 68 nacionalidades que em 2013 visitaram o santuário mariano português, sobressai um aumento do número de fiéis, oriundos da Coreia do Sul e das Filipinas. No último ano, estiveram em Fátima 2.660 peregrinos da

Coreia do Sul, integrando 98 grupos organizados, um número substancialmente mais alto, comparativamente com 2009, em que se tinham registado apenas 34 grupos deste país, com 892 visitantes. Já das Filipinas vieram 62 grupos, em 2013, sendo um dos 10 países com maior número de peregrinos. Em 2009 tinham vindo apenas 45

Itinerário do peregrino

prefeito João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica é um dos oradores dos trabalhos que decorrem no Centro Pastoral Paulo VI.

O itinerário do peregrino inicia-se junto do Presépio do Recinto de Oração – onde estão disponíveis os guiões em sete idiomas – e prossegue em direção à Capelinha das Aparições, através do Recinto, culminando na Basílica da Santíssima Trindade. O novo percurso evoca a aparição de 13 de julho de 1917.

A arte de cuidar

De 1 a 4 de março decorre a XXIX Semana de Estudos sobre a Vida Consagrada, subordinada ao tema “A arte de cuidar na vida consagrada – cuidar de si mesmo, dos irmãos, da terra”. O cardeal 34

Não ofendam a Deus

“Não façam isso, que ofendem a Deus Nosso Senhor…” é o tema da conferência mensal integrada no ciclo de conferências “Envolvidos no amor de Deus pelo mundo”. A oradora é a professora da Universidade Católica Portuguesa Teresa Messias e a sessão decorre a 9 de março, às 16h00, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. A entrada é livre.

grupos com pouca expressão. O reitor do Santuário de Fátima salienta que “muitos destes grupos do Extremo Oriente vêm propositadamente a Fátima”. A explicação pode derivar do facto do cristianismo e a Igreja estarem a registar um grande crescimento no continente asiático, segundo o padre Carlos Cabecinhas. “Ficamos espantados pela distância, por serem lugares onde a presença eclesial e da Igreja é muito reduzida. O facto de se tornarem aqui presentes permite perceber precisamente a importância que a mensagem de Fátima vai tendo para tantas igrejas cristãs pelo mundo além”, explica o sacerdote.

Março em agenda 08/09 Retiro espiritual da Quaresma, Seminário da Consolata 15 Peregrinação da Família Carmelita 29 Peregrinação das Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus e dos Arautos do Evangelho


Rua Francisco Marto, 52 | Apartado 5 | 2496-908 FÁTIMA tel: 249 539 460 | geral@fatimamissionaria.pt www.fatimamissionaria.pt

OUTRA VISÃO

DO MUNDO

| un’altra visione del mondo | mwingine mtazamo wa dunis another view of the world | otra visión del mundo | inny pogląd na świat une autre vision du monde | wona wunyowani wa lapo eine andere sicht der welt | djobe mundu di oto manêra 다른 세계관

APENAS

7 EUROS

POR ANO


Nunca deixes de sonhar Ao sonhares um mundo novo Com mais justiça e amor, Estás a manter o fogo Que derrete o desamor. Quando sonhas a alegria De viver em comunhão, Despertas em cada dia Mais irmão do teu irmão. Ah! como é belo sonhar! Não importa a tua idade Pois quem sonha sabe amar Perdoando de verdade Se sonhas, a sã alegria Jamais te abandonará. Pois quem sonha noite e dia Sempre jovem ficará. Irmã Mª Rita Valente-Perfeito


FÁTIMA MISSIONÁRIA Março 2014