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ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE APOIO À MULHER JUNHO DE 2013 // NÚMERO 1

COM CANCRO DA MAMA

A IMPORTÂNCIA DA REABILITAÇÃO PÓS - CIRÚRGICA NO CANCRO DA MAMA (p. 20)

MAFALDA PINTO-COELHO um pouco mais sobre a nova diretora (p. 8)

APOIO PSICOLÓGICO: APÓS OU DURANTE A DOENÇA? Conheça a opinião de Lúcia D´Almeida Psicóloga Clinica e membro da Direcção APAMCM (p. 22)

TESTEMUNHOS de Maria Helena Abreu e Sylviane (p. 25/26)


APAM Cancro da Mama Newsletter Número 1 Assembleia Geral Presidente Alda Peres Frazão Pereira 1º Secretário Maria Cristina Pinto Barreiro Alves 2º Secretário Eduardo Nuno de Campos Pinto-Coelho Direção Presidente Mafalda Sofia Albuquerque Rufino D`Assunção Matos Pinto-Coelho Vice-Presidente Lúcia de Jesus Garcia Alves Tesoureiro Maria da Glória Resende Dias Vogais Patricia Monteiro Teixeira Lúcia Isabel Horta D´Almeida Suplentes Ana Sofia Cardoso Barata Pacheco Sandra Alves Campos Conselho Fiscal Presidente Anabela Dias Neto Vogais Maria de Fátima Resende Dias Dilma Celeste Spencer de Sousa Lobo Suplentes Maria Clara Gomes da Costa Nicolau Maria Manuela Matos Silva Heitor

“O Beijo”, Gustav Klimt 180x180 óleo sobre tela (1907-1908)


APAM Cancro da Mama O nosso lema

número 1

SEMPRE MULHER

Monumento esculpido Em pano de fundo feminino Corpo, corpo efémero Munido de alma e sentimento Energia tumultuosa, coração lavrado Para o destino Corpo, corpo efémero Repleto de razão e emoção Oh templo maternal A ausência do teu seio Não é nada junto à palavra

Estrela cintilante no escuro da vida Quando, enfim, te desnudas «sempre» Sempre incomparável Sendo afinal o que em ti exaspera O eterno do teu ser E não a ausência do teu seio Não grites«sempre» Sempre fonte de vida Água corrente nas veias Que sublimemente salpicam O Reencontro

Mafalda Rufino

-3-

«sempre» Sempre Mulher


APAM Cancro da Mama

Neste número pode ler...

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ÍNDICE

AÇÕES DESENVOLVIDAS

NOTÍCIAS

06 08 11 12 14 16 18

Editorial

Um pouco mais sobre a nova Diretora Mafalda Pinto-Coelho

Prémio Hospital do Futuro

CEFO - Centro Especializado em Fisioterapia Oncológica

Estrutura de Formação APAMCM

O tratamento do Cancro da Mama ao longo dos séculos

Tratamento não cirúrgico para o Cancro da Mama


índice

número 1

TESTEMUNHOS

Apoio Psicológico: após ou durante a doença?

Camapnha “Um Mundo Sempre Mulher”

Testemunho Maria Helena Abreu

Testemunho Sylviane

Protocolos

Próximas Ações

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20 22 24 25 26 27 28

A importância da reabilitação póscirúrgica no Cancro da Mama


APAM Cancro da Mama

Editorial

T

EDITORIAL T

Caro(a) Associado(a) da APAMCM, Esta revista foi concebida a pensar em si!

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Encontrará nela informações sobre a oferta dos nossos serviços, protocolos estabelecidos, diversas informações do seu interesse e, ainda, divulgação de alguns eventos agendados até ao final de 2013. A Associação nos seus primeiros dez anos de trabalho ofereceu uma panóplia de serviços inovadores que não existiam, na altura, nos centros de saúde e em alguns hospitais não especializados. Com o passar dos anos o Sistema Nacional de Saúde evoluiu e hoje em dia a nossa oferta já não é única. Assim sendo, verificouse no decorrer dos últimos anos uma diminuição da procura dos nossos serviços por parte dos associados e da comunidade em geral. Igualmente, se constatou que a maior procura, por parte dos utentes, tem sido o Centro Especializado em Fisioterapia Oncológica, o apoio psicológico e a consulta de ginecologia (ainda em projeto de abertura desde 2008). A razão desta procura fundamenta-se na existência de muitos hospitais sem serviço de Linfologia e de diversos centros de saúde sem Ginecologia.


por Mafalda Pinto-Coelho

Neste sentido, é nosso objetivo primordial no decorrer deste biénio:

T Lançar um Questionário de Levantamento das Necessidades do Utente a fim de reajustarmos a oferta da Associação às mesmas

número 1

A APAMCM prossegue os seguintes objetivos estatutários:

1. Valorizar a intervenção terapêutica do doente com patologia mamária e seus familiares; 2. Promover a intervenção social e Jurídica; 3. Facilitar a integração do doente com patologia mamária na sociedade civil;

T Alargar o Serviço de Fisioterapia a outras patologias na mulher com cancro da mama

4. Dinamizar espaços lúdicos/ocupacionais;

T Desenvolver o Serviço de Psicologia Estamos aqui para a/o Servir, para aumentar o seu grau de satisfação e melhorar a oferta dos nossos serviços, nunca esquecendo a missão que norteia esta IPSS com fins de saúde, sem fins lucrativos, e de utilidade pública. É nossa visão queremos ser uma Instituição de Saúde com uma oferta de serviços inovadores e especializados. A Associação assume-se como uma entidade de referência cuja missão se caracteriza pela prestação de cuidados de saúde, especializados, ao doente com patologia mamária, na prevenção do cancro da mama e no estímulo à formação no âmbito desta patologia.

5. Informar/ Sensibilizar a comunidade para o risco de cancro da mama e colo do útero; 6. Promover formação específica aos profissionais de saúde; 7. Implementar a criação de projetos multidisciplinares; 8. Promover a realização de exames complementares de diagnóstico; 9. Promover acordos de cooperação no âmbito da saúde. Os voluntários e profissionais desta Instituição regem-se pelos seguintes valores: Responsabilidade Social, Excelência, Inovação, Persistência, Ética e Enfoque no Doente.

Bem-haja e sempre ao seu dispor, Mafalda Pinto-Coelho

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T Abrir a Consulta de Ginecologia geral/rastreio, dirigida a toda a comunidade


APAM Cancro da Mama Sobre a atual Presidente da Direção

T PRESIDENTE DA DIREÇÃO T UM POUCO MAIS SOBRE A NOVA DIRETORA

Caso não me conheça, começo por me apresentar. Sou a atual Presidente da Direção desde 8 Maio 2013. Tenho 37 anos, sou casada, licenciei-me em Gestão de Recursos Humanos e Psicologia Organizacional em 1999 e pós-graduei-me em Gestão de Avaliação da Formação em 2006, no ISLA-Lisboa. Sou sócia-fundadora da Associação desde 1998.

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Em 1994 iniciei o meu percurso profissional no BCP – Credibanco SA, tendo em 1999 integrado a Direção de Recursos Humanos do Grupo Cortefiel. Em 2001 fui trabalhar para o Centro Formação Pluriprofissional do Instituto Português Oncologia de Lisboa. Na APAMCM, na qual, como voluntária de 2003 a 2005, exerci o cargo de Presidente da Mesa de Assembleia-geral e de organizadora de um ciclo de palestras mensais, efetuadas na FNAC Colombo, com ilustres Oradores, cujos temas abordaram desde a Saúde, a Ciência, Filosofia, Religião, Literatura, Musica e Poesia. Fui Vice-presidente da Associação no período de 2009 a 2013. Mafalda Pinto-Coelho

Desde Outubro de 2005 tenho trabalhado sempre na APAMCM, como Responsável pela sua Estrutura de Formação. Este Serviço tem por objetivo a oferta de formação de atualização/especialização na área da patologia mamária, bem como participa, igualmente, numa captação de fundos para sustentar, em parte, a autonomia financeira da Associação.


Mafalda Pinto-Coelho

número 1

De toda esta panóplia de atividades e projetos que a • Elaboração da candidatura do Centro Especializado em APAMCM desenvolveu, gostaria de partilhar consigo Fisioterapia Oncológica ao Premio de Boas Praticas em alguns que, ao longo destes últimos 8 anos, estiveram Saúde, promovido pelo Fórum Hospital do Futuro, tendo sob minha responsabilidade:

• Organização dos dois importantes Simpósios, realizados no Auditório Cardeal de Medeiros na Universidade Católica Portuguesa, ambos com cerca de 400 participantes, nos temas “O Linfedema Pós – Cirúrgico ao Cancro da Mama” (2007) e “HPV, Colo do Útero e Vulva” (2008)

• Criação da campanha de angariação de fundos TU PODES SER A SOLUÇÃO que angariou a verba de 100 mil euros, num espaço de 6 meses, com o intuito de ajudar na aquisição da nova Sede, aquando do término do protocolo de comodato com a Ordem das Doroteias (2009)

• Criação do pioneiro Curso Técnico de Inglês na Saúde dirigido aos alunos e profissionais de saúde (2007)

Apesar de ser funcionaria, tendo a meu cargo a atividade formativa, a elaboração de candidaturas financeiras públicas e privadas e a angariação de fundos para a prossecução de novos projetos de saúde, aceitei acumular funções de Gestão, de forma voluntária, assumindo, como Presidente da Direção, a responsabilidade desta Associação, cuja dinâmica é de uma enorme complexidade e responsabilidade.

• Protocolo estabelecido com o ISLA Lisboa, efetuado em 2007 e ainda ativo, que permite aos associados e seus familiares diretos beneficiarem de descontos nas propinas das licenciaturas, mestrados e ações de formação

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sido este serviço contemplado, em Abril de 2007, com • Criação da Estrutura de Formação em Outubro de 2005, o importante Premio de Serviço Privado na categoria de com inscrição e pedido de acreditação na Direção Geral Acessibilidade e Atendimento. do Emprego e das Relações no Trabalho / Ministério da • Elaboração da candidatura ao Alto Comissariado da Segurança Social (projeto da pós-graduação) Saúde para aquisição de uma carrinha para a Associação, • Acreditação da Estrutura de Formação pela D.G.E.R.T. tendo a mesma sido aprovada (2008) em Dezembro 2006 (projeto da pós-graduação) • Angariação de fundos para a aquisição dos equipamentos • Angariação de fundos efetuada para a abertura do Centro necessários para a montagem da Consulta de Ginecologia Especializado em Fisioterapia Oncológica em 2006 projetada (2008).


APAM Cancro da Mama

AÇÕES DESENVOLVIDAS 11 Prémio Hospital do Futuro

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12 CEFO 14 E.F.- APAMCM


Prémio Hospital do Futuro

número 1

T PRÉMIO HOSPITAL DO FUTURO EM BOAS PRÁTICAS EM SAÚDE: “SERVIÇO PRIVADO – ACESSIBILIDADE & ATENDIMENTO”

T 16 de abril 2007

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< Jornal de Notícias, 18 Junho 2007, textos de Isabel Teixeira Mota

> Prémio Hospital do Futuro, 2006/2007


APAM Cancro da Mama

Centro Especializado em Fisioterapia Oncológica

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O Centro de Fisioterapia (CEFO) tem por objetivo prestar tratamentos específicos de fisioterapia na área oncológica. Após consulta médica com a Fisiatra Dra. Sofia Cláudio, para prevenir ou tratar algumas das complicações decorrentes das terapias oncológicas, o Centro de Fisioterapia desenvolve a sua atividade nas seguintes áreas:

• Reabilitação no pós-operatório da cirurgia da mama e reconstrução mamária; • Prevenção e Tratamento do Edema (DLM + Pressoterapia + Bandas Multicamadas) • Exercícios de Mobilização; • Cinesioterapia respiratória; • Correção postural • Outras Os Tratamentos são prestados por fisioterapeutas oncológicos especializados:

2ª a 6ª Feira das 9:00 às 18:00

Ações desenvolvidas


CEFO

nĂşmero 1

A

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algumas imagens do espaço e dos tratamentos feitos no Centro


APAM Cancro da Mama Ações desenvolvidas: E.F.- APAMCM

Estrutura de Formação (E.F.- APAMCM)

• Formação especializada e de atualização no âmbito oncológico aos profissionais de saúde através de cursos exclusivos e de âmbito nacional; • Formação de Línguas em contexto hospitalar dirigidos aos profissionais e estudantes da área da saúde nacionais e estrangeiros em Portugal; • Simpósios Anuais direcionados aos profissionais de saúde e à comunidade; • Ações de Sensibilização/Informação no âmbito da patologia mamária (Prevenção no Cancro da Mama; Ensino do Autoexame da Mama; Fatores de Risco e Sinais de Alerta) ao longo do ano por todo o país dirigidas à comunidade. Estas ações são prestadas pela equipa voluntária constituída por médicos e enfermeiros. Horário: 2ª a 6ª feira (9h00 / 18h00)

<>

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A Estrutura de Formação é uma entidade formadora acreditada pela DGERT-Direcção Geral do Emprego e das Relações no Trabalho, desde 5 de Dezembro de 2006, que tem por Missão promover a formação/ atualização especializada aos profissionais e estudantes de saúde ligados à problemática oncológica no âmbito da patologia mamária e ginecológica. Igualmente, promover informação/educação à comunidade.

auditório onde se realiza a formação


número 1

NOTÍCIAS 16 Testemunho da médica cirurgiã Zacharoula Sidiropoulou

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18 Hospital japonês testa tratamento não cirúrgico para cancro da mama


APAM Cancro da Mama

Testemunho

T TESTEMUNHO T

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O TRATAMENTO DO CANCRO DA MAMA AO LONGO DOS SÉCULOS

Zacharoula Sidiropoulou Cirurgiã Geral Mestre em Senologia Médica voluntaria na APAMCM

O tratamento do cancro da mama está intimamente ligado à cirurgia. Pois esta está relacionada com a nossa visão e conhecimentos sobre a doença. A primeira descrição “científica” do tratamento da doença da mama encontra-se num papiro Egípcio de 1600 A.C., onde estão descritos 8 casos de tumores da mama tratados com cauterização (queimadura). Com a famosa descrição de doença “que não tem tratamento” e a descrição de Hipócrates em 460 A.C. de “uma doença dependente dos humores” inicia-se uma época onde o cancro é considerado uma doença sistémica (de todo o organismo) e cada tratamento é orientado na tentativa de extrair do organismo os “humores” (fluidos) cujo desequilíbrio provocava a doença, ou corrigir as suas alterações. Esta visão de doença sistémica, juntamente com a raridade do cancro da mama na antiguidade (não podemos esquecer que estamos a falar de um período onde a expectativa média de vida rondava os 40 anos) e a alta mortalidade dos procedimentos cirúrgicos resultou na tendência de tratamentos farmacológicos até o século 17 embora a primeira mastectomia date de 548 D.C. Esta visão de doença sistémica durou até 1680 quando começaram a ser colocadas as primeiras dúvidas. Com a introdução dos antibióticos, da anestesia, da melhoria das condições de assepsia cirúrgica, dos conhecimentos anatómicos e com o aumento da expectativa de vida, que permitiu identificar mais casos de cancro e começar a trata-los numa maneira menos dolorosa e mais eficaz, chegamos em 1882, ano em que começam a ser realizadas as mastectomias radicais modificadas com a intensão de curar o cancro da mama tratando-o como uma doença local da mama e da axila.


Zacharoula Sidiropoulou

número 1

O tempo passa e os conhecimentos acerca da doença melhoram, desenvolve-se a hormonoterapia, a radioterapia e a quimioterapia.

Estamos hoje no século 21, muito longe da cura do cancro da mama, mas com muito mais conhecimento e possibilidades de tratamento. Com um “arsenal” mais poderoso, eficaz e com menos efeitos indesejados, estamos a tratar uma doença sistémica e crónica. Voltámos a ter a visão da época de Hipócrates (doença sistémica)e depositamos a esperança nos avanços da ciência. A medicina faz o seu papel tentando tratar e curar uma doença cuja grande complexidade reside nos inúmeros factores genéticos, ambientais e sociais que a condicionam. Cabe a cada mulher um papel fundamental, a ajuda no diagnóstico precoce, a vigilância e o rastreio. A mulher portuguesa faz o seu papel?

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Chegamos em 1950, ano em que George Crile, cirurgião americano, advoga que o cancro da mama não é uma doença local mas sim sistémica, com a capacidade de espalhar-se a todo o corpo e que não é necessário retirar nem toda a mama nem todos os gânglios da axila. Em 1976, Bernard Fischer publica resultados que indicam que a cirurgia conservadora da mama, juntamente com a radio e quimioterapia têm iguais senão melhores resultados do que a mastectomia radical modificada. Estamos numa época onde na Europa existem cada vez maior número de mulheres dedicadas na área de oncologia e cirurgia, sensíveis aos efeitos mutilantes da mastectomia.


APAM Cancro da Mama

Notícia:

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TRATAMENTO NÃO CIRÚRGICO PARA O CANCRO DA MAMA T Uma oncologista japonesa anunciou ter iniciado o primeiro teste clínico mundial de uma poderosa radioterapia de curta duração que não requer cirurgia para o tratamento do cancro da mama.

O Instituto Nacional de Ciências Radiológicas começou o teste usando uma «radioterapia com iões pesados», que emite radiação precisa e pode ser dirigida com exactidão às células malignas, afirmou Kumiko Karasawa, oncologista especializada em cancro da mama. Este tipo de radioterapia demonstrou ser eficaz na luta contra outros tipos de cancro não estendidos, disse Karasawa. «Podemos realizar este teste porque entendemos bem quais os tipos de cancro da mama que podem beneficiar deste tratamento preciso», explicou Karasawa. O desenvolvimento de equipamentos médicos que mantêm imóvel o tecido mamário suave também ajudou, acrescentou a médica. O tratamento mostrou-se eficaz noutros tipos de cancro, como o da próstata e o de pulmão, noticiou a agência Kyodo News, porém nunca foi usado no cancro da mama. A radioterapia convencional utiliza raios X e raios gama, que são muito potentes na superfície do corpo, mas perdem força à medida que penetram o tecido. As partículas de iões pesados mantêm a sua força a uma profundidade.

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Durante o teste, Karasawa tratará um total de 20 pacientes com pelo menos 60 anos e pequenos tumores que não se espalharam. As pacientes serão submetidas a uma hora diária de tratamento por quatro dias, um período muito menor do que um tratamento com radiação convencional, que pode durar meses, disse Karasawa. O teste acompanhará as pacientes durante cinco anos para avaliar o resultado, concluiu.


número 1

TESTEMUNHOS 20 A importância da reabilitação pós-cirúrgica 22 Apoio psicológico

25 Testemunho Maria Helena Abreu 26 Testemunho Sylviane

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24 Campanha “Um Mundo Sempre Mulher”


APAM Cancro da Mama

Testemunho

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A IMPORTÂNCIA DA REABILITAÇÃO PÓS - CIRÚRGICA NO CANCRO DA MAMA T

A Medicina Física e de Reabilitação é uma especialidade médica responsável pela prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação do individuo com patologias incapacitantes, tendo como objectivo a promoção da máxima funcionalidade. A Reabilitação não se centra apenas na doença, mas principalmente em minimizar a incapacidade por ela causada. Pretende-se assim a participação nas actividades quotidianas e a melhoria da qualidade de vida. No contexto do Cancro da Mama esta especialidade é de extrema importância, uma vez que abrange a reabilitação no pós- operatório da cirurgia da mama e reconstrução mamária, a reabilitação no contexto de complicações dos tratamentos para o cancro de mama (por exemplo radioterapia) e a prevenção e tratamento do Linfedema.

Sofia Cláudio Medica Fisiatra no Centro Fisioterapia APAMCM

A existência de um Centro Especializado em Reabilitação Oncológica permite uma abordagem mais específica e dirigida, contando para tal com uma equipa multidisciplinar centrada na melhoria da funcionalidade da Mulher com Cancro de Mama.


Sofia Cláudio

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imagens de alguns tratamentos de reabilitação pós-cirúrgica.


APAM Cancro da Mama

Artigo de Opinião

T ARTIGO DE OPINIÃO T

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APOIO PSICOLÓGICO: APÓS OU DURANTE A DOENÇA?

Lúcia D´Almeida Psicóloga Clinica e membro da Direcção APAMCM

O apoio e acompanhamento psicológico visam alcançar uma proximidade terapêutica, num ambiente de partilha e confiança, capaz de aceder à história de vida e realidade dos pacientes, no sentido de pensar o funcionamento psíquico e o devido processo terapêutico. O trabalho psicológico utiliza e aplica diferentes formas e técnicas de intervenção de acordo com as necessidades, características e dificuldades particulares do paciente, sendo que pode ser planeado de forma individual, ou de grupo. Pretende propiciar um modo de estar favorável perante as dificuldades inerentes à patologia oncológica, ver alterados padrões comportamentais nocivos ao bem-estar emocional e psíquico, contribuir para um maior conhecimento e interpretação das manifestações do sujeito psicológico. Ambiciona ainda reduzir os estados depressivos, facilitar a adaptação à condição patológica, às mudanças na dinâmica familiar, e muito importante, pensar em estratégias facilitadoras de organização e comunicação com outros profissionais de saúde, e de fidelização aos tratamentos. A definição e preparação estratégica da intervenção psicológica devem ser pensadas o mais cedo possível, para que o impacto da doença seja diminuído. Acredito, enquanto profissional, que o apoio psicológico deve surgir durante a doença, preferencialmente desde que se recebe o diagnóstico. Assim, poder-se-á considerar


Lúcia D´Almeida

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desde o início a reorganização de expectativas e o reconhecimento dos limites da doença. Com o início do apoio psicológico, a adaptação às (in)capacidades e o planeamento do tratamento serão fundamentados nas reais necessidades do paciente, promovendo a aceitação, a auto-estima, a confiança e novos significados para a vivência patológica.

O reconhecimento do valor do apoio psicológico é necessário e deve ser plenamente comunicado, para que todos os pacientes oncológicos, assim que possível, sejam acompanhados por um método e prática clínicos, que serão ajustados a necessidades particulares, e contribuirão para o melhoramento do estado emocional e psíquico.

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O apoio psicológico é uma importante ferramenta ao serviço da desmistificação da doença e comportamentos disfuncionais, providenciando um conhecimento ajustado sobre a realidade, que será transformado em competências emocional e psíquicas. Nas circunstâncias da doença oncológica, onde a crise e sofrimento dominam, o bem-estar mental do indivíduo assume importância fundamental, é inestimável, donde é imperativo o apoio psicológico - que se debruça sobre os factores psíquicos, familiares e sociais, no sentido de esbater as perturbações associadas ao cancro.


APAM Cancro da Mama Campanha “Um Mundo Sempre Mulher”

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CAMPANHA “UM MUNDO SEMPRE MULHER” T

A APAMCM em parceria com a Mundisocial está a organizar uma campanha de angariação de fundos intitulada “Um Mundo Sempre Mulher”. Esta campanha nacional iniciou a 2 de Janeiro de 2012 e termina a 31 Dezembro 2013 e tem como objectivo sensibilizar a população em geral para a problemática do cancro da mama e importância da prevenção precoce. São várias as entidades, públicas e privadas de Norte a Sul do país - que têm colaborado na cedência gratuita de espaço para as acções de solidariedade Queremos agradecer a todos os nossos parceiros: - Sonae (incluindo Sonaesierra), Chamartin, Mundicenter, Multi-Mallmanagement, Globalshopping, Visabeira, Sogecaec, Staples Office Center, Lusomundo, Cinemacity, Galp, Clínica Tallon, Clínica Fernando Póvoas, Grupo Essaude, Hospitais e Agrupamentos de Saúde Portugueses, Farmácias Portuguesas - sempre disponíveis para acolher esta causa, Moviflor, Intermarché, E. Leclerc, Sport Lisboa e Benfica, Sporting Clube de Portugal, Geurbana, Egeac, Virgin Active, Taguspark, NewCar, Ginásios M Fit, Euromedic, entre outros! Agradecemos ainda a ajuda do vasto público abordado que contribuiu com o seu donativo para a causa!

Bem hajam!


Testemunho

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T TESTEMUNHO T MARIA HELENA ABREU de espera pela análise em que não consegui ir trabalhar; a atitude do meu marido que não soube estar à altura do meu sofrimento. O facto de ter ficado com uma mama mutilada, não me afectou grandemente. Dois anos depois de estar oficialmente curada separei-me do meu marido (a clássica aluna da idade da filha mais velha entrou em cena), o meu irmão suicidou-se, no ano seguinte, e o meu pai morreu, um ano depois. O cancro teve um efeito benéfico quando o meu marido saiu de casa. Decidi racionalmente que não podia ter uma recaída por causa dele. Quando o meu irmão partiu, impus a mim mesma que quando os jacarandás florissem eu já teria saído do túnel. Sai. A recusa do cancro deu-me força. Não gosto de revisitar esses anos, mas continuo a gostar da estação dos jacarandás.

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Tive um cancro de mama há 16 anos. Eu tinha 52 anos e estava a passar por um período muito feliz. O meu oncologista (Dr. Carlos Santos Costa) foi muito importante para mim. Foi-me aconselhado pela minha ginecologista (Dra Purificação Araújo). Lembro-me que, a primeira vez que o vi, ele se parecer as gravuras dos médicos da iconografia psiquiátrica do final do século XIX. Deu-me uma enorme segurança e tratou-me sempre como um ser pensante com direito a ser esclarecida. Também a minha psicoterapeuta teve enorme relevância pois percebeu que, naqueles momentos, o que eu precisava era que me escutassem e apoiassem e não de grandes interpretações esclarecedoras. As minhas filhas e muitos dos meus amigos foram imprescindíveis no decorrer daquela fase. O que me causou mais dor? O desaparecimento de alguns amigos; as tentativas de consolação de algumas pessoas; as conversas das mulheres na sala de espera do consultório onde ia fazer radioterapia; o mês


APAM Cancro da Mama

Testemunho

T TESTEMUNHO T SYLVIANE Como uma sobrevivente de cancro de mama que sou com 47 anos e que, também, sofri de Linfedema pós-cirurgico, foi de suma importância encontrar um lugar credível para efectuar o meu tratamento de drenagem linfática terapêutica, semanalmente. Mudei-me para Lisboa há dois anos, não falo português e a procura do lugar certo foi muito angustiante para mim. Fiquei muito grata por ter encontrado a APAMCM. A localização é muito conveniente (perto de Santa Apolónia), a Associação é limpa e confortável e as pessoas são muito profissionais e gentis. Além disso, tem sido para mim importante inserir-me numa comunidade nova através de passeios históricos, almoços e outros apoios organizados e oferecidos por esta Associação. Por último, mas não menos importante, a minha Fisioterapeuta é extremamente competente e tornou-se numa amiga pessoal.

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Eu recomendo, definitivamente, a APAMCM a qualquer sobrevivente de cancro!

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PROTOCOLOS (obriga à apresentação do seu cartão de sócio)

FARMÁCIAS 10% de desconto em toda a gama de produtos e medicamentos nas seguintes farmácias: AFRICANA Rua Bernardino Costa, nº 43, Lisboa Tel. 213469120

GUILHERME DIAS Lg. 1 Dezembro, nº 30 e 31- R/C, Portimão Tel 282417646

ORIENTAL Rua D. João II, Lt.4.45.01 Lj.S4,S5 e S7– Parque das Nações

RIBEIRO LOPES Rua Garrett nº 22 Lagos; tel. 282762830

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BARRAL R. Augusta 225, Lisboa; tel 213476141

AMOENA desconto de 20% na aquisição de próteses, soutiens e fatos-de-banho

CLÍNICA MILÉNIO desconto de 10% nas especialidades clínicas e 15% de desconto na estética

ISLA descontos nas matrículas dos exames ad-hoc; licenciaturas, pós-graduações e acções de formação;

FERNANDO SEABRA E SANTOS, Lda. apoia associados com carcinoma da mama, na especialidade médica psiquiátrica, através de atendimento no seu consultório sendo o valor da consulta variável de acordo com as posses de cada utente

REGULARIZE A QUOTA ANUAL (12 € / ano): efectue uma transferência bancária, no valor de 12 €, para o NIB do BPI 0010-0000-2260202 0001-65 e envie um e-mail para info@apamcm.org a indicar a data da mesma juntamente com o nome complet.o


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VISITE-NOS Largo Dr. Bernardino António Gomes Nº 177-E, 1100-209 Lisboa // Campo Santa Clara // Junto ao Hospital da Marinha

Aberto ao Público de 2ª a 5ª Feira (das 9 às 13 horas, das 14 às 18 horas) www.apamcm.org

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