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04 Editorial

Pedro Lopes, presidente da APAH, fala sobre o jantar-debate organizado pela associação. Este encontro foi realizado num período pré-eleitoral, com a intenção de discutir propostas dos partidos mais representativos no nosso espectro politico.

12 Entrevista

Eduardo Sá Ferreira foi o primeiro presidente da APAH. A GH falou com ele sobre a criação da associação, fazendo uma análise ao panorama actual. Este administrador hospitalar recorda que gerir estabelecimentos hospitalares é um grande desafio em que o gestor tem de ter uma preparação adequada. " Se as reformas necessárias não forem feitas e as entidades que devem regular não funcionem, aí sim, vai-se verificar uma degradação do SNS e o consequente avaço do sector privado" refere.

22 Ciência

" Análise comparativa entre tuberculose multirresistente e tuberculose extensivamente resistente - epidemiologia e factores preditivos" . Um trabalho da autoria de Ana Sofia Vilariça, Carlos Gomes e Jaime Pina foi o vencedor do Prémio Melhor Publicação Científica 2008, organizado pelo Hospital Pulido Valente, de Lisboa.

30 Equipamentos

A Carestream Health tem vindo a implementar-se no mercado português dos equipamentos e soluções de radiologia e apresenta algumas soluções inovadoras que permitem facilitar a prestação de cuidados de saúde. Um dos maiores projectos desta empresa foi a implementação do projecto PACS no Hospital Nossa Senhora do Rosário no Barreiro, que passou a ser uma unidade hospitalar totalmente digital.

32 Novidades LU I ~

MAlOS

1SAS~l

o livro " Balanced Scorecard em Hospitais" da autoria de Luís Matos e Isabel Ramos foi lançado recentemente e pretende

RAMOS

MEDIR PARA GERIR

o Balanced

scorecard •

em

Hospitais

funcionar como uma ferramenta de medição da performance das organizações e em particular dos os~;~"" assenta no princípio que as organizaç es actu i mais sucesso quanto melhor consegui os seus bens intelectuais e os conheci ao longo do tempo.

BIBLIOTE


A Pfizer dedica toda a sua pesq~i~a à saúde. Dos que ainda não nasceram ate as pesso~s de idade mais avançada. Sabem.?_s que ca a idade pode ter problemas espec1f1c?s mas que todas as idades é comum o des~JO de uma ~ida longa, saudável e plen~: P~r is~º·. estamos van uarda da investigaçao b1om~d1ca, ~~evenfndo e tratando cada vez mais doenças. Muitos sucessos foram já alcançados, ~as muitos outros necessitam da nossa de ic~ça~o e esforço. Para que as doenças faça~ pa e do e não do nosso futuro. Este e o nosso ~~:;romisso consigo; juntos faremos o futuro.

Eleições ,~ .. ~, ..:

.~ Pedro Lopes Presidente da APAH

11

As principais medidas propostas assentam na continuação da Reforma dos Cuidados Primários, na antecipação da Rede de Cuidados Continuados Integrados e finalmente na dinamização da prevenção da Saúde."

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em sido prática corrente no desenvolvimento do projecto intitulado "jantares-debate", da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, a realização de uma sessão, em período pré-eleitoral, cuja intenção é a discussão das propostas eleitorais dos partidos políticos mais representativos do nosso espectro político. Foi neste contexto que no passado dia 18 de Setembro reunimos no Porto, numa unidade hoteleira situada em Vila Nova de Gaia, aproximadamente 100 pessoas. A grande afluência que contribuiu de forma clara para o êxito da realização leva a Direcção da nossa Associação a cumprimentar e agradecer aos colegas e demais personalidades presentes, do Norte do país, que quiseram estar connosco. Foi um momento grande no qual tivemos a oportunidade de ouvir e inquirir os responsáveis designados para representar os cinco maiores partidos políticos que disputaram as recentes eleições legislativas, Partido Socialista (PS), Partido Social Democrata (PSD), Coligação Democrática Unitária (CDU), Bloco de EsqU;erda (BE) e Centro Democrático Social/ Partido Popular (CDS/PP). A coordenação das intervenções foi da responsabilidade de uma jornalista do canal televisivo SIC do Porto, que proporcionou um debate dinâmico, profissional e esclarecedor. Com mais esta realização a Direcção da APAH dá, mais uma vez, cumprimento aos seus estatutos e aos seus compromissos assumidos para o presente mandato. No dia 27 de Setembro do corrente ano os portugueses foram chamados a exercer o seu direito cívico de voto para eleição dos deputados à Assembleia da República, tendo resultado a vitória do Partido Socialista com uma maioria relativa. Daqui resulta que a próxima legislatura será caracterizada por uma produção legislativa e

T

uma governação na linha das propostas eleitorais apresentadas pelo partido vencedor. Não sendo do nosso conhecimento, ainda, o programa do futuro governo, podemos lançar mão, para já, das propostas eleitorais do Partido Socialista, para conjecturar sobre o seu conteúdo. O programa eleitoral do Partido Socialista que não partilha das medidas de cariz mais liberal apresentadas pelos partidos situados mais à direita do seu posicionamento político (PSD e CDS/PP), nem das medidas de pendor fortemente público apresentadas pelos partidos situados à esquerda do seu posicionamento político, propõe medidas situadas na linha da sua anterior produção legislativa e governação, ou seja, numa linha de continuidade. As principais medidas propostas assentam na continuação da reforma dos Cuidados Primários (as Unidades de Saúde Familiares deverão abranger até 2013 todo o território nacional), na antecipação do prazo de concretização da rede de Cuidados Continuados Integrados (antecipação para 2013 da concretização das metas previstas para 2016) e finalmente na dinamização da prevenção da saúde (medidas a integrar no novo Plano Nacional de Saúde). De salientar a posição assumida quanto ao papel dos dois sectores da saúde, público e privado, no sistema de saúde, ao referir, de forma clara, o papel de complementaridade do sector privado. Quanto aos hospitais a menção à reforma da organização interna dos hospitais, bem como a criação de unidades locais de saúde. Finalmente uma referência quanto ao financiamento da saúde assente em práticas que levem a uma maior eficiência e ao combate ao desperdício, bem como à clara opção pelo Orçamento do Estado como fonte de financiamento. Resta-nos aguardar pelo próximo elenco governativo e pelo programa que nos irá apresentar. 1!11


Em Portugal

Farmácias hospitalares

Alzheimer afecta 90 mil

Ordem suspeita de medicamentos contrafeitos

doença de Alzheimer afecta 90 mil portugueses, número que deverá duplicar nos próximos 30 anos, alertou a Associação

A

do comportamento e da capacidade motora. Esta doença limita a vida dos doentes, tornando-os gradualmente dependentes dos cuidados dos outros. ''A sociedade civil em geral tem uma opinião bastante informada sobre a doença de Alzheimer. No entanto, é uma doença que nos continua a surpreender a partir do momento em que nos atinge directamente", comentou Oliveira e Costa,

entanto, o principal problema é o diagnóstico tardio. "Os primeiros sinais e sintomas continuam

Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer (APFADA), considerando que é tempo de "transformar a demência numa prioridade de saúde pública e política social". As estimativas apontam que existam 153 mil pessoas com demência em Portugal, 90 mil das quais com doença de Alzheimer, revelou o direcror executivo da APFADA, António Oliveira Costa. A doença é degenerativa, incapacitame e tem uma

comparando-a a "um labirinto em que a pessoa entra e não encontra a saídà'. Para o responsável,

a confundir-se com os sinais de envelhecimento, mas, muito embora a idade seja o maior factor de risco, não é a causa da doença'', justificou. Oliveira Costa defendeu a criação de um plano nacional para a doença de Alzheimer: "Pensar

ainda há muito a fazer para ajudar os doentes e familiares. "Há problemas ao nível do acesso à

quantos doentes temos, que recursos existem, o que é prioritário e como é que vamos preparar-

evolução progressiva, durante a qual se verificam alterações ao nível da memória e orientação, da linguagem, da capacidade cognitiva, do humor e

medicação, da intervenção, dos apoios domiciliários, centros de dia e equipamentos construídos de raiz para pessoas com esta problemática''. No

nos para esta doença que em Portugal atinge 90 mil pessoas e que se estin1a que, até 2040, venha a atingir 180 mil ou mais", frisou. DID

Para pessoal não-médico

Prevenção

Desfibrilhadores em espaços públicos SPAT distribui DVD

O

s espaços públicos, como estádios e centros comerciais, vão poder ter aparelhos desfibrilhadores para utilização por pessoal não-médico, de forma a socorrer mais rapidamente vítimas de paragem cardíaca. O decreto-lei que estabelece a utilização do Desfibrilhador Automático Externo (DAE) por pessoal não-médico devidamente formado já foi publicado no Diário da República e entrou em vigor no início de Setembro. Os estádios de fute-

só é útil se usado num tempo curto, nomeadamente em caso de paragem cárdio-respiratória. O diploma salienta que as doenças cardiovasculares representam "a principal causa de morte em Portugal", a maioria dos casos de urgência "ocorre fora dos hospitais e que a experiência internacional permite aferir que "a utilização de DAE em ambiente extra-hospitalar por pessoal não médico aumenta significativamente a probabilidade de sobrevivência das vítimas". DID

bol, centros comerciais e espaços de espectáculos são recintos que podem dispor deste equipamento e de equipas de técnicos para o operar, embora seja da responsabilidade de quem gere estes espaços a aquisição do equipamento. Com estas regras o Governo pretende aumentar o uso do DAE, tendo em conta que este aparelho

Carreiras médicas

Governo e sindicatos assinam acordo

O

Governo assinou com os sindicatos que representam os médicos, a FNAM e o SIM, o acordo relativo à contratação colectiva da carreira médica. Na mesma ocasião foi assinado o acordo colectivo de trabalho entre os representantes dos conselhos de administração dos

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Hospitais EPE e os referidos sindicatos. O acordo de contratação colectiva da carreira médica, que culmina com sucesso uma negociação iniciada há vários meses, reforça o papel desta carreira na revitalização do Sistema Nacional de Saúde e na garantia da qualidade dos cuidados de saúde

em escolas e clubes

A

Sociedade Portuguesa de Artroscopia e Traumatologia Desportiva (SPAT) vai patrocinar um DVD, para distribuição gratuita em escolas e clubes, com um conjunto de exercícios físicos para prevenir lesões nos membros inferiores. A informação foi revelada no decorrer do IX Congresso da SPAT que recentemente terminou, tendo juntado especialistas em ortopedia de rodo o mundo. O DVD incluirá exercícios, muito simples e que devem ser executados duas vezes por semana, com a duração de 20 minutos por sessão, e que podem reduzir em 50 por cento as lesões nos membros inferiores. DID

que, como tem sido assumido, é uma prioridade deste Governo. Um dos pontos fundamentais do acordo é o alargamento da carreira médica a todas as instituições e estabelecimentos integrados no SNS, independentemente da sua natureza jurídica, marcando assim uma adequação do trabalho médico às novas realidades e desafios assistenciais e um contributo indispensável para a qualificação e satisfação profissional da classe médica. DID

s proprietários de farmácias hospitalares contestaram veementemente as "afirmações gravíssimas" da bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Elisabete Faria, que afirmou recentemente só ser possível ás

O

farmácias" e "abalar a confiança da população". "São afirmações gravíssimas", disse Paulo Diogo, também director técnico da farmácia de Lisboa, acrescentando que "não se percebem, vindo de quem vêm".

farmácias hospitalares darem ma~gens de 30 % às unidades se recorrerem a meios ilícitos, como venda de medicamentos contrafeitos. A Bastonária acusou mesmo as farmácias instaladas em hospitais de "concorrência desleal". "Como é possível (as farmácias) darem margens (aos hospitais onde estão instaladas) na ordem dos 30%, mais a renda", questionou Elisabete Faria. A bastonária foi mais longe e defendeu que as autoridades, como o lnfarmed, deviam investigar como estas farmácias "conseguem cumprir ou oferecer estes valores". "Como é possível que a nossa margem de lu-

''A nossa bastonária está fora da realidade das

cro seja inferior a 19 por cento e estas farmácias (nos hospitais) ofereçam percentagens que chegam aos 30 por cento? Vendem medicamentos contrafeitos?", interrogou. "Os medicamentos contrafeitos são mais baratos e eu não vislumbro outra forma de obter lucros desta ordem", sublinhou. Confrontado com estas declarações, o concessionário da farmácia instalada no Hospital de Santa Maria considerou-as "gravíssimas", sublinhando que pretendem "prejudicar estas

farmácias comunitárias", disse, acrescentando que "não há qualquer farmácia que tenha lucro de 18 ou 19 %",e recordando que a acusação de que há concorrência desleal é antiga. "Realmente, somos privilegiados em termos de localização, mas foi feito um concurso público e as pessoas foram livres de concorrer", declarou, acrescentando que a criação de farmácias de venda ao público nos hospitais é uma "medida política, que foi negociada com o sector" e visou "facilitar o acesso aos medicamentos". O responsável explicou que os principais clientes da farmácia do Hospital de Santa Maria são os utentes do serviço de Urgência, que "manifestam contentamento por poderem completar o tratamento na farmácià'. Paulo Diogo admitiu que no caso da farmácia de que é concessionário "em termos de facturação corresponde a cerca de 15 farmácias médias nacionais" , acrescentando que "esta farmácia, ao fim de dois meses, tem 18 por cento do movimento das farmácias de Lisboa". DID

Gripe A

Agência Europeia autoriza duas vacinas

A

Agência Europeia de Medicamentos (EMEA) recomendou a autorização de duas vacinas para a pandemia de gripe H 1N1: Focetria (Novartis) e Pandemrix

(GlaxoSmithKline). Em comunicado, a agência justifica a celeridade com a necessidade de disponibilizar as vacinas antes do início da época gripal, nos meses de Outono e Inverno. Para breve está a decisão da Comissão Europeia relativa à autorização de comercialização. As estratégias de vacinação deverão ser decidi-

das por cada Estado-membro, tendo em conta a informação da EMEA relativa a cada vacina. A Comissão recomenda, actualmente, que a vacina seja tomada em duas doses, com um intervalo de três semanas, para adultos, incluindo grávidas, e crianças a partir dos 6 meses. Reconhece, no entanto, que dados preliminares sugerem que uma dose seja suficiente no que toca aos adultos. A recomendação poderá, pois, ser alterada, de acordo com a informação produzida pelos estudos clínicos em curso. DID

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Países mediterrânicos

Genética

Mortalidade diminui depois das férias

Todos os humanos "são mutantes"

U

m novo estudo publicado no "Canadian Medical Association ]ournat' revela que a mortalidade em vários países mediterrânicos diminui em Setembro. E associa este facto ás ferias de Verão. As estatísticas avaliadas referem-se à Grécia, Chipre, Itália, França e Espanha. O risco de morte aumenta com o calor ou o frio extremo, refere tabém o estudo. Os investigadores do Alfa Institute of Biomedical Sciences, na Grécia, sugerem que

se trata do efeito fisiológico do aumento da síntese da vitamina D, combinado com os benefícios do alívio do stress do tempo de

U

m estudo britânico e chinês sugere

que cada ser humano possui p elo menos 100 mutações genéticas no DNA. Este estudo recente, publicado na revista "Current Biology", recorreu às novas tecnologias de sequenciação genética para apurar uma taxa de mutação considerada fiável.

férias, que contribui para estes números mais baixos da mortalidade. Nos países da América do Norte e na Suécia, é o mês de Agosto que regista a mortalidade menos elevada, enquanto no Japão é o mês de Julho e, na Austrália, é o mês de Março, que equivale a Setembro, no hemisfério Sul. 11111

Os cientistas aplicaram a tecnologia ao estudo dos cromossomas "Y" de dois homens chineses. Os pesquisadores sabiam que os

dois eram parentes distantes e partilhavam de um antepassado comum que nascera em 1805. Ao analisar as diferenças genéticas entre os dois homens e o tamanho do genoma humano, os cientistas concluíram que as novas mutações genéticas podem chegar a 100 e 200 por pessoa. As novas mutações podem, ocasionalmente, levar ao desenvolvimento de doenças graves, como o cancro. 11111

Estudos

Leis antifumo reduzem ataques cardíacos D

ais estudos americanos revelam que as leis antifumo tiveram um impacto bem maior do que o esperado na prevenção de ataques cardíacos . Os estudos apontam que o número de ataques cardíacos na Europa e América do Norte foi reduzido em um terço após a introdução das leis que proíbem o fumo em locais públicos. O primeiro estudo, realizado pela Universidade do Kansas, realizou uma revisão

Pesquisa

Medicamento da diabetes contra o cancro

U

ma pesquisa publicada no site "Cancer Research" revela que um medicamento usado contra a diabetes reduz tumores rapidamente e prolonga a remissão em ratinhos usado em conjunto com a quimioterapia, aparentemente, atacando as células estaminais cancerígenas. Esta descoberta adiciona-se a um conjunto de

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provas preliminares de estudos em ratinhos que indicam que a metformina, usada para controlar a diabetes, melhora os resultados nos pacientes com cancro da mama. A metformina parece funcionar, neste caso, independentemente da sua capacidade de melhorar a sensibilidade à insulina e açúcar no sangue. 11111

HIV/ SIDA

Vacina reduz risco de infecção

sistemática de 1O relatórios de 11 reg10es diferentes nos EUA, Canadá e Europa que adotaram as leis antifumo. Os resultados, publicados na revista científica ''journal ofthe American College of Cardiology", indicam que o número de ataques cardíacos diminuiu até 26% por ano depois da adopção das leis. De acordo com os cientistas, os benefícios cardíacos aumentam conforme o tempo de vigência das leis. 11111

U

ma vacina experimental contra a SIDA diminuiu, pela primeira vez, o risco de infecção pelo vírus HIV, afirmam cientistas. A vacina- uma combinação de duas vacinas

"

experimentais já testadas - foi administrada a 16 mil voluntários na Tailândia, no maior teste já realizado com uma vacina contra esta doença. Os pesquisadores concluíram que a vacma reduziu em quase um terço o risco de contrair o vírus H IV. O resultado está sendo visto como um avanço científico significativo, embora uma vacina global esteja ainda distante. O estudo foi realizado pelo Exército americano com o governo da Tailândia e durou sete anos. Todos os voluntários - homens e mulheres com idades entre 18 e 30 anos - não eram portadores do HIV e viviam em algumas das regiões mais afectadas da Tailândia. Entre os voluntários que receberam a vacina, o risco de infecção pelo HIV foi 31,2% menor do que entre os que tomaram o p lacebo. 11111

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21° lugar

na

1ores

Uma organização de consumidores sueca - a Health Consumer Powerhouse (HCP) - deu o 21 º lugar a Portugal no índice europeu que avalia alguns parâmetros da saúde em 33 países, divulgado recentemente em Bruxelas.

A

organização sueca que, originalmente atribuíra o 25° lugar ao sistema de saúde de Portugal corrigiu a avaliação após ter detectado alguns erros, passando o nosso país para 21° lugar. E este lugar, num ranking que engloba 33 países, deve-se aos ele-

vados tempos de espera e à falta de acesso rápido ao médico de família. Neste índice europeu do consumidor e dos cuidados de saúde elaborado pelo Health Consumer Powerhouse, com o apoio da Comissão Europeia, Portugal não foi além dos 574 pontos em mil possíveis, o que o colocava atrás de países como a Macedónia, a Croácia ou a Espanha e á frente de países como a Polónia, Malta, Eslováquia, Lituânia, Albânia, Roménia e Bulgária O estudo foi feito a partir de 38 indicadores de qualidade, nos quais os países podem obter bom, médio ou insuficiente, distribuídos por seis categorias: os direitos dos pacientes e a informação, e-Saúde, o tempo de espera por tratamento, os resultados do tratamento, a variedade e alcance dos serviços prestados e o acesso à medicação. No que se refere aos tempos de espera, Portugal é o único país que não cumpre a meta europeia de menos de sete dias para aceder ao especialista de um determinado trata-

IO

uro

menta, necessitando em média de até duas semanas para o concretizar. Portugal tem ainda má nota no acesso ao médico de família no próprio dia e nas cirurgias programadas que demoram mais de três meses, bem como no acesso a novos medicamentos para as doenças oncológicas. A nota é média no que respeita à comparticipação do Estado no valor dos medicamentos.

Boa nota Portugal só colhe boa classificação no que respeita a redução da taxa de mortalidade infantil e o número de transplantes de rins por milhão de habitantes. Noutro indicador, Portugal aparece bem classificado pelo facto de "quatro milhões de pessoas na região de Lisboa" poderem marcar consultas via Internet. De resto, "há um contínuo declínio" no sistema de saúde português, bem como no espanhol e no grego, nota a organização que elaborou o estudo. No topo da tabela aparece a Holanda, seguida da Dinamarca e da Islândia, sendo que, no caso dos dois primeiros, são lugares que repetem, já que no ano passado tinham obtido a mesma apreciação. A organização diz que o seu objectivo é "tentar medir e avaliar o desempenho dos sistemas de saúde do ponto de vista do consumidor". Este ano até houve uma ligeira melhoria, mas nem isso terá sido suficiente para convencer os autores do estudo, que se mostram muito críticos relativamente ao desempenho do sistema português. Com 574 pontos em mil possíveis, Portugal tem "um desempenho absoluramente insuficiente", consideram. "Desde que começámos as nossas comparações h á cinco anos, Portugal tem-se mantido em estagnação em relação a outros sistemas

de cuidados de saúde que têm melhorado", defende Ame Bjornberg, responsável pelo índice. "É um país que necessita de uma profunda reforma dos cuidados de saúde. Portugal tem o desempenho mais ineficaz da Europa Ocidental. Esta situação difícil poderá até piorar com a crise financeira", avisa.

Ministério não comenta O Ministério da Saúde recusou-se a comentar os resultados do relatório e os responsáveis por dois movimentos de utentes de saúde consideraram que estas conclusões

não correspondem à realidade nacional ou são, no m ínimo, exageradas. "Não tenho indicações de que estes indicadores estejam tão maus", diz Castro Hen riques, do Movimento de Utentes dos Serviços de Saúde. "Rejeito essa classificação. Tomara muitos países do m undo terem um Serviço N acional de Saúde como o nosso", corrobora Santos C ardoso, do Movimento de Utentes de Saúde. A HCP adverte também que é necessário interpretar estes dados com cautela, até porque há problemas n a qualidade da inform ação trabalhada. rm

II


Eduardo Sá Ferreira à GH:

"Numa época de grande convulsão social também nos envolvemos em movi mentas de contestação Eduardo Sá Ferreira foi o primeiro presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH). Desde a sua criação, até aos dias de hoje, este administrador hospitalar recorda momentos relevantes da APAH. Gestão Hospitalar - O Doutor Eduardo Sá

diversas formas de associativismo e qual a for-

nistros, pese embora a opinião crítica da APAH

Ferreira foi o primeiro presidente da APAH.

ma que se deveria adaptar. Venceu a da criação de uma Associação com fins sindicais. As razões

a qual não foi tida em consideração; admissão da APAH como membro de pleno direito na

pelas quais esta opção venceu ligam-se ao facto de, não só se tratar de uma nova carreira que

AEDH; acções de reciclagem e participação em Congressos e Encontros internacionais; realiza-

primeiro se deveria impor, tornar-se visível e ne-

ção do 5° Congresso daAEDH no Porto.

cessária, mas também por se tratar de um grupo profissional reduzido sem grande poder negocial ou de pressão.

Produziu-se um grande trabalho de fortalecimento da nossa classe profissional, que passou a ser vista com outros olhos. E quanta dificuldade foi

Criada a APAH e empossada a 1ª Direcção, a

necessário ultrapassar para se conseguir algo de

cia da "Association Européenne dés Directeurs d'Hôpitaux" (AEDH), sediada em Strasbourg,

que tive honra de presidir, fez-se um trabalho

positivo. Desejo referir que fui um felizardo porque tive a sorte, a honra e o prazer de trabalhar

a qual integrava, como membros activos, as Associações de Directores ou Administradores

de grande convulsão social, também nos envolvemos em movimentos de contestação, porque nos considerarmos uma classe mal tratada pelo

cal. Refiro-me Moreno Rodrigues, João Urbano,

Poder Central (deficiências na estruturação e gestão da carreira; regime remuneratório abaixo

Jorge Varanda, Júlio Reis, Santos Cardoso, Lopes Martins, Fernanda Dias, Reis Oliveira, Janeiro da

do que se entendia justo; tomadas de posição denunciando a colocação de administradores ao arrepio da carreira, etc). Assim nos seus

Costa, Gil Barreiros, Marina Silva.

Desde então, até agora, como considera que tem evoluído a Associação?

Eduardo Sá Ferreira - A resposta à pergunta que coloca obriga-me a falar um pouco das razões pelas quais se criou a APAH. Em 1971, já como Administrador Geral do Hospital de S. João do Porto, tive conhecimento, através da revista "Gestion Hospitaliére" da existên-

Hospitalares de diferentes países europeus, admitindo, no entanto, membros passivos a título individual. Pedi a minha admissão que foi aceite em 1973. Comecei a participar nos Congressos e Assembleias Gerais da AEDH. Mesmo antes

que eu considero de elevado nível. Numa época

com profissionais de grande categoria quer na Direcção, quer na Assembleia Geral e Conselho Fis-

Em 1988 e após a entrada em vigor do DR

do 25 de Abril, a AEDH pressiona-me para a criação de uma Associação em Portugal, que pudesse ser inscrita como membro activo. Sur-

primeiros tempos a APAH privilegiou aspectos sindicais. Contudo não descurou os temas mais

3/88 há um período que considero negativo na vida da administração hospitalar e da APAH. Os lugares de Administrador Delegado foram

ge assim um movimento de Administradores

técnicos da gestão hospitalar, dentre os quais

um isco que levou a que ninguém contestasse

Hospitalares que trabalha no associativismo da

quero salientar: a criação e publicação da Revista

o diploma porque todos estavam na esperança

classe, o que na altura era complicado. Após o 25 de Abril os Administradores reúnem-se várias vezes para discutir assuntos de interesse

"Gestão Hospitalar"; tomadas de posição sobre a reestruturação da SES e nomeação de novos Directores Gerais por se entender que esse não

de serem contemplados, o que possibilitaria o salto por cima dos lugares da carreira. Penso

da gestão hospitalar e da classe. Discutiram-se

era momento oportuno (transição governamental); conferência de imprensa para contestar as-

»> "Nos primeiros tempos a APAH privilegiou

pectos negativos de dois diplomas que visavam a reforma da organização interna dos Hospitais e

aspectos sindicais"

agendados para aprovação no Conselho de Mi-

que a APAH deveria ter tido urna atitude mais enérgica junto do Poder Central na contestação do diploma. O topo da carreira tinha sido decepado. O que se verificou é que foram admitidos muitos gestores com "perfil adequado" que não eram da carreira o que a meu ver não trouxe

13


à sua criação. Tudo começa nos anos 60 com as

reformas da gestão hospitalar que implicaram uma qualificação dos quadros da área da gestão hospitalar. O grande mentor destas reformas foi o Prof Coriolano Ferreira, então Director Geral dos Hospitais, e que começou pela reestruturação da própria Direcção Geral. Criou Departamentos específicos (chamados de Inspecções Superiores), Direcções de Zona (Sul, Centro e Norte) e mais tarde o SUCH, onde se implementaram sectores de Informática e de Organização e Métodos, técnica de que se falava muito na época. Os quadros destes serviços foram reforçados com técnicos (apelidados na altura Técnicos de Organização e Administração) que tinham funções de análise económico-financeira, de intervenção na organização de serviços e dos quadros de pessoal dos Hospitais públicos

tribuídos pelos Hospitais. Assim foi. Em 1972 é publicada a nova Carreira de Administração

Direcções e o próprio Poder Central, reclamam a presença de AH nos órgãos de gestão. Mas temo

Hospitalar, o que correspondeu a um triunfo e ao reconhecimento da nossa formação.

que esta atitude, por uma razão ou outra, possa vir a esbater-se e que os cursos de gestão normal

Rapidamente os Directores dos Hospitais Cen-

continuem a ter peso nos Hospitais, e até porven-

trais e Provedores das Misericórdias que geriam estabelecimentos hospitalares, perceberam que nos seus Hospitais a gestão, para mudar as ro-

tura aumentar esse peso.

tinas e aplicar as novas regras, deveria integrar administradores hospitalares mas diplomados com o curso de AH. Não só aplicavam métodos condizentes com as novas obrigações de gestão, mas também, e isso entendo como muito importante, possuíam uma mentalidade diferente e muito recepciva aos aspectos ligados à humanização. Foi um período de grande desenvolvimento da nossa profissão, que lhe deu prestígio,

AH que ocuparam os diversos sectores da ad-

nistração hospitalar deveria pertencer ao nosso grupo profissional Atingiram-se muitos objectivos, e a verdade é

A DGH procurou dar formação a estes quadros

ministração dos hospitais tiveram êxitos consi-

em muitos casos, bem pelo contrário. A criação dos lugares de Administrador Delegado parece

acesso às funções mais elevadas da administração, e não simplesmente com vista a serem utili-

(incluindo os Dirigentes) nas mais diversas va-

ter sido uma encomenda da "clientela eleitoral". Terá sido? Tenho essa impressão. Muitos desejam e afirmam serem capazes de di-

zados na gestão de serviços dos apoio. Contudo,

deráveis, cuja acção proporcionou um notável desenvolvimento do sistema hospitalar. Foi pena que o prestígio conseguido com muita

rigir Hospitais. Mas gerir estabelecimentos hos-

opinião tem sido tendencialmente positiva.

opinião este foi o período negro da nossa carreira e da nossa Associação, porque foi o mçmento da machadada e onde a APAH não teve uma posição de forre contestação, como lhe competia. Hoje verifico que a presença de profissionais de carreira é mais reclamada pelos Órgãos de Ges-

ESF - A resposta a esta pergunta leva-me de novo a abordar os tempos do arranque da APAH, para se perceber as razões que levaram

tão dos Hospitais e penso que aí a APAH tem tido, e deve continuar a ter, uma intervenção importante. Pelo que li no programa da nova Direcção, a afirmação dos administradores hospitalares é um dos seus primeiros objectivos, bem como o da revisão da carreira. Parece-me fundamental que a carreira dê um passo mais à frente no sentido de que o "perfil adequado" aponte expressamente como primeira opção a nomeação de pessoal com formação na área administração hospitalar. É evidente que a carreira tal como está concebida parece já não ter cabimento. Aos profissionais e à APAH compete o estudo

lências através de acções monitoradas por técnicos estrangeiros e que eram realizadas geralmente em instalações do Hospital de Santa Maria. Lembro-me de ter assistidos acções sobre, Contabilidade e Plano de Contas Hospitalar Francês, Planeamento, Financiamento, Estatística e Aprovisionamento Hospitalar, Organização e

ministrador Delegado "gestores de reconhecido mérito, vinculados ou não à função pública com

vez mais exigente quanto à: - forma, como os Hospitais deviam apresentar os dados para análise económico-financeira que ser-

tras áreas profissionais, alguns deles certamente com valor, mas sem a preparação específica para gerir um estabelecimento com tantas diferenças nos recursos, nos aspectos humanos e sociais como são os Hospitais. O lugar de Administrador Delegado era apetecí-

- aplicação de esquemas normalizados na organização dos seus quadros de pessoal; - alteração da estruturas física do hospital, etc.

vel para as clientelas eleitorais e assim o "currículo adequado" para gerir Hospitais deu rapidamente

Em 1968 a DGH oferece 6 bolsas para a obtenção do diploma de Director de Hospital na Escola Nacional de Saúde Pública de Rennes,

que notei não foram grandes. O que noto é que, por razões de compromissos partidários, os meios

em França. Destes 6 bolseiros, um tinha o com-

diferente do que era no meu tempo, em que havia lutar e muito, para se obterem financiamentos,

promisso de no regresso ser o responsável pela criação e implementação da Cadeira de Administração Hospitalar na Escola Nacional de Saúde Pública de Lisboa, dando assim início à formação na área da AH. Os outros seriam dis-

que a AH conseguiu prestígio. Os administra-

sido fortemente abalado pela abertura à possibilidade legal de recrutar para o cargo de Ad-

currículo adequado às funções ... ". Abriram-se as portas à entrada de gestores dou-

viam de suporte aos cálculos do financiamento;

Prof. Coriolano Ferreira e do Dr, Augusto Mantas. que acreditavam e defendiam que a admi-

luta, muito empenho, e muito interesse, tenha

Métodos, Informática, Gestão Hospitalar e Sistemas de Saúde. Criou-se assim um "staff cada

- necessidade de aplicarem uma contabilidade patrimonial e de custos;

"Muitos desejam e afirmam serem capazes de dirigir Hospitais. Mas gerir estabelecimentos hospitalares é um grande desafio"

privilegiados para realizar a gestão de serviços de saúde. Para o efeito deram-se passos imponantes Convirá no entanto referir que essa acção de

abrangia o planeamento, as instalações e equipamentos, e até medicina e enfermagem. de uma nova carreira, que deverá possibilitar o

Gestão Hospitalar - E a carreira de Administrador Hospitalar? Pensa que ganhou prestígio e consideração ou, pelo contrário, está a ser absorvida pelo curso de gestão normal?

trabalho para consolidar a nossa profissão no sentido de nos apresentarmos como parceiros

consolidação teve apoios fundamentais. Falo do

melhorias aos Hospitais. Na minha perspectiva,

pitalares é um grande desafio em que o gestor tem de ter uma preparação adequada. Na minha

ESF - O futuro da carreira de administração hospitalar será o que os administradores quiserem. Como referi no início houve um grande

e que durou até 1988. É evidente que nem tudo correu bem. Houve casos em que o sucesso não foi grande, mas na maioria os profissionais de

e das Misericórdias, e não só, já que intervenção

globalmente e, ressalvando aquele período que considero negativo, a acção da APAH na minha

Gestão Hospitalar - Como vê o futuro da carreira de administração hospitalar?

lugar a outros critérios. Confesso que as vantagens

postos à disposição dessas Administrações é bem

autorizações, etc. E não tínhamos as mordomias que hoje existem. Felizmente que me parece que este menosprezo pelos AH diplomados está lentamente a inverter-se e que, cada vez., mais, as

15


.•

dores hospicalares tinham grande audição nos

Mancas, nem me parece que hajam substiruros.

gestão de uma qualquer empresa. Definição

hospitais. As outras classes profissionais ouviam

Os profissionais e a APAH têm de demonstrar

de objectivos, elaboração de planos de acção,

esta é uma posição muito concreta que a APAH

muito a opinião dos administradores. Viveu-se

muito bem a raz.ão de ser e para que serve a nossa

aplicação de modelos de controlo da gestão,

tem de tomar e que, tenho a certeza, vai tomar.

uma época de grande impacto, apesar de sermos

profissão, e a parrir daí defenderem uma nova car-

de recursos humanos, de aprovisionamento e

um grupo reduzido. Não foi por acções externas

reira em que o AH seja a figura central da gestão

económico financeiro. Porém, a administração

que conseguimos o interesse dos hospitais em

hospicalar. Reforço a ideia de que a acrual carreira

nos integrar nas equipas de Direcção. Era por-

escá ultrapassada. Julgo que rapidamente deve ser

dos hospitais vai para além disso. Desde logo os actos de gestão exigem uma acenção muico espe-

que se sabia que com a integração desces profis-

esrudada urna nova carreira, construída de forma

cial para a área da produção de um bem muito

Gestão Hospitalar- Pensa que os alunos dos cursos de gestão hospitalares deixam as escolas preparados para o que vão encontrar nos hospitais portugueses?

sionais roda a organização era alterada, melhora-

a viabilizar o acesso aos lugares de topo da hie-

específico: cuidados de saúde.

ESF - Penso que sim. É evidente que isto tam-

da e tornada mais eficiente.

rarquia hospitalar não por critérios "de perfil ade-

A nossa função tem de se centrar, não só nos

bém depende de muita coisa, nomeadamente

M as nem todos pensavam assim. Houve sem-

quado" mas sim de "preparação adequada"

aspectos atrás referidos dado o volume de negó-

das razões pelas quais o aluno foi para o curso de

cios envolvido, mas cambém, ter uma atenção

AH. Para ganhar algum? Só para conseguir um

muito especial sobre os consumos resultantes

emprego? Porque ouviu falar e vai experimentar?

da prestação dos serviços, sem perder de vista a

Se não frequentar o curso mentalizado para

sua qualidade e os fins a que se destinam. Por outro lado, a diversidade de áreas profissionais

apreender as técnicas da AH, dificilmente será um bom administrador. Mas quero crer que na

pre por parte de variadas pessoas e classes um

de ter qualquer sentido. Mais uma vez refiro que

existentes na saúde, o facto do nosso trabalho

sua grande maioria os alunos, muito embora

Tenho a sensação que há algum tipo de inveja

Gestão Hospitalar - Considera que há diferenças reais num hospital gerido por um administrador hospitalar com curso e carreira específica, e outro hospital onde o gestor não tenha cursado a Administração Hospitalar? Porquê?

visar uma população especial que é o doente ou

possam iniciar o curso com uma mentalidade

que faz com que a Administração Hospitalar

ESF - Logicamente não entendo que ser diplo-

potencial doente, para o qual é necessário um

menos positiva, rapidamente são absorvidos

tenha de ser abatida. Mas se assim é, então para

mado em AH é condição necessária e suficiente

atendimento humano muito especial, a organi-

pela perspectiva de uma área profissional muito

que existe o Curso de AH? Para que se estão adi-

e única para que os Hospitais sejam bem geri-

zação complexa e diversificada dos serviços, leva,

bonita, absorvente e preenchida.

plomar técnicos? Para gerir o Aprovisionamento,

dos. Admito que hajam alguns Hospicais bem

a meu ver, a que a sua administração deva com-

o sector Financeiro ou o de Recursos Humanos?

geridos por gestores sem o curso de AH. Não

petir a técnicos com uma preparação especifica,

Para isso haverá necessidade deste curso? É aqui

vou a esse radicalismo. Mas penso que os diplo-

a qual, para já, só vejo ser facultada nos cursos de

que a APAH tem uma função determinante e

mados em AH estão em melhores condições

AH, seja de que estabelecimento for.

um longo e difícil caminho a percorrer. Já não existem, infelizmeme, o Prof Coriolano e o Dr.

para gerir serviços de saúde.

Exige-se a gestão por profissionais habilitados

Gestão Hospitalar - A gestão dos hospitais mudou muito, em pouco tempo. Considera que os hospitais estatais portugueses estão bem geridos?

A gestão de Hospitais cem muito do que é a

para o efeiro e não por um qualquer "pára-

ESF - Acho que na generalidade têm bons re-

quedistà', isto para utilizar um termo que um

sultados. Os índices e estatísricas publicadas

Chefe de Gabinece de um dos Ministérios da

apontam para uma boa gestão na maioria dos

Saúde utilizou ao referir-se à nossa classe. N a

casos. Os Hospitais estão hoje bem equipados

altura para ele os "p ára-quedistas" éramos nós.

e bem preparados para responder a muitas das

Mas o facto de se conseguir o diploma não im-

necessidades da população. É justo reconhecer

plica forçosameme um bom desempenho na administração do serviço. H á AH excelentes,

que o SNS tem tido uma boa prestação: - Formaram-se e qualificaram-se recursos

bons, e medíocres. Mas também nos gestores

humanos;

com o curso normal acontece o m esmo. Há

- Melhoraram-se os sistemas de financiamento; - Atribuíram-se verbas vulruosas para constru-

mal estar contra a nossa classe. Estranhamente, no meu entendimento, a classe profissional dos administradores hospitalares nunca foi apoiada por elementos que estiverem nos Ministérios da Saúde, e são desta área profissional.

excelentes, bons e medíocres. O que é preciso é comparar dentre os excelentes e os bons

nhecimento tocal da realidade actual, mas quer-

que devem ser o barómetro de avaliação do cur-

quem está na "pole posirion" para arrancar com

-me parecer que o curso de AH continua a dar

so de AH e dos AH.

ção e recuperação de estrururas; - Possibilitaram-se grandes investimentos em

uma boa administração. E entre 2 maus qual

uma formação de muita qualidade, e totalmente

Um facto é que o Curso de AH português era no

equipamento de avançada tecnologia;

o que fará menos mal. Por isso considero que

condizente com as necessidades dos sistema de

meu tempo, e parece que continua a ser, classi-

- Foram racionalizados serviços que tinham me-

à partida os AH estão melhor preparados para

saúde e que continua a ser reconhecido no país

ficado como um dos melhores. Mais uma nota

nor rentabilidade, etc.

gerirem bem os hospitais.

e até no estrangeiro. Os profissionais que saem do curso tinham, e julgo continuam a ter, uma

neste ponto. Os diplomados são preparados

Todas as melhorias do SNS possibilitaram

para gerir Hospitais. Será má utilização de recur-

certam ente aos Hospitais bons resultados.

Gestão Hospitalar - Que imagem tem do curso de gestão e administração hospitalar da Escola Nacional de Saúde Pública? Fazia alguma alteração ao curso em questão?

preparação de nível elevado.As notícias que te-

sos aproveitá-los só para áreas de apoio e onde

Haverá excepções, mas no grosso do conjun-

nho são altamente abonatórias das capacidades

não podem aplicar todos os seus conhecimen-

to hospitalar parece-me ser evidente, e justo

dos profissionais que saem do Curso e estão no

tos. Se se continuar a entender que basta um

reconhecer, que houve melhorias nos resulta-

terreno. É evidente que poderão sair diplomados

"perfil adequado" para os órgão de gestão dos

dos. Mal era se assim fosse. No entanto, está

ESF - Como se sabe estou há anos em situação

menos bons, menos capazes. Mas isso passa-se

hospitais, sem cuidar de saber como esse perfil

por demonstrar se não teriam melhores resul-

de aposentado e certamente que não tenho co-

com todos os cursos. Não são esses menos bons

é determinado, temo que o Curso de AH deixe

tados se tivessem sido adoptadas medidas di-

17


ferentes na constituição dos órgãos de gestão. Penso que, para uma correcra resposta à questão que me formula, há ainda um trabalho muito importante a fazer no âmbito da avaliação dos

rentes, podendo ser até antagónicas, mas que normalmente se resolvem com diálogo e explicação das posições de cada uma das partes. Tive a honra de trabalhar com médicos de ele-

CN.s. Só a partir daí se poderá ter uma ideia muito concreta da forma como estão a ser ge-

vada craveira científica e profissional, muitas

ridos os Hospitais estatais. Cumpriram com os objectivos estabelecidos e de acordo com as

senti qualquer posição de "guerra" por parte da classe médica. No final de contas os objec-

orientações recebidas e fins do estabelecimento? Os resultados foram os previstos? Como exerce-

tivos que procuram os administradores, m édicos ou outra qualquer classe são os mesmos,

ram a função e a custo de quê?

ou seja, que o Hospital funcione bem e com aproveitamento máximo dos recursos. Po-

vezes defendendo posições contrárias e nunca

Tenho conhecimento de que se constituiu uma Comissão para estudar, se é que já não estudou, os critérios a que deve obedecer a avaliação dos

derão ser diferentes os caminhos apontados, mas, a meu ver, nada que um diálogo franco,

CN.s. Só com base nessa avaliação será possível saber se a gestão é bem ou mal feita. Neste mo-

aberto e muitas vezes ousado não resolva, sem se chegar à necessidade da "guerrà'.

mento, como simples observador, parece-me poder afirmar que tem havido, em grande parte dos hospitais, melhorias na sua gestão. Mas com a ressalva feita atrás.

Gestão Hospitalar - Considera que o poder político, na generalidade, olha para o administrador hospitalar como um parceiro, ou ainda o vê como um elemento que o vai ajudar a cortar nas despesas?

ESF - Parece-me realmente que da parte do

l

Gestão Hospitalar - A necessidade de contenção orçamental, na Saúde, traz problemas para os hospitais? A que níveis? ESF - É sabido que os gastos na saúde têm crescido acima do crescimento económico em todos os países da UE, representando uma percentagem muito considerável do PIB desses países. Portugal não é diferente. As razões são por demais conhecidas sendo as principais:

nio errado, que é muitas vezes assimilado pelas Direcções dos estabelecimentos. Haverá porven-

- O crescimento económico que conduz a um acréscimo dos encargos de saúde; -A evolução da tecnologia e o seu efeito gerador do aumento da procura

gastos consideráveis e evitáveis;

tura intervenientes políticos ou outros que não

- As exigências cada vez maiores das populações,

- Continuação de medidas na área do consu-

pensarão assim. M as tenho a sensação que na maioria dos casos não se pretende retirar do AH as capacidades da sua formação, mas pretende-se

que hoje conhecem muito bem os seus direitos.

mo do medicamento, na sequência de algu-

A contenção deste constante aumento dos gastos em saúde, tem sido feita, sobretudo, com o

m as já tomadas. M as isto tem a ver com a força política e o

somente que seja "um corta despesas". Alguém

recurso a uma sub-orçamentação.

entendimento que os diversos sectores da

tem de reduzir encargos, então que seja o AH. Que seja ele o mau da fita.

Julgo deverem ser tomadas medidas para que situação, não digo termine porque é difícil admi-

sociedade possa ter sobre o interesse em t ornar sustentável ou não o SN S. Sem medidas

tir este cenário, mas pelo menos para conter os

agressivas no sistema, julgo que os Hospitais

desperdícios que sabemos existirem. Estou-me a lembrar de:

vão sofrer a todos os n íveis d e funcionamento com as restrições das verbas que lhe são atribuídas. Se continuamos a exigir tudo dos

Poder Político tem havido sempre um raciocí-

Gestão Hospitalar - A "guerra" entre médicos e administradores é algo intrínseco e que vai continuar ou é possível estabelecer regras com vista ao bom entendimento entre ambos? ESF - Eu não diria que há uma "guerrà' entre médicos e administradores e muito menos que é algo de intrínseco. Exerci muitos anos a profis-

- Medidas de racionalização da rede que em determinada altura avançaram, mas que logo foram retiradas por razões conhecidas;

Hospitais do SN S sem nada se fazer, é forçoso

- M aior controlo na gestão dos recursos; - Maior recurso à figura de hospital de dia ou à cirurgia ambulatória;

dades do país e alguém tem de pagar. As op ções políticas têm de ir no sentido do corte dos desperdícios, in trodução d e n ovos

são, estive à frente de Hospitais importantes, e

- Uma intervenção forte no âmbito do planea-

métodos d e gestão, um melhor aproveita-

nunca senti que existisse guerra entre os médicos (ou outra classe qualquer) e os administradores.

mento, programação e coordenação dos serviços em ordem a evitar duplicações nos equipamentos e na realização de exames donde derivam

men to dos recursos, uma boa racionalização dos consumos clínicos e dos m edicamentos,

Eu diria que muitas vezes as posições são dife-

que h aja financiamentos acima das possibili-

como atrás referi.

Gestão Hospitalar - A evolução tecnológica diária que a Saúde atravessa obriga a que o gestor de um hospital tenha de estar mais atento a problemas clínicos e a inteirar-se da realidade médica? Como se pode fazer essa formação? ESF - É uma evidência os grandes avanços tecnológicos dos últimos anos e os enormes benefícios que trouxeram à vida de cada um. O s H ospitais não podem fugir a esta regra, e têm sido dos grandes beneficiários desses avanços. Já nem falo da tecnologia nos serviços de gestão. Refiro-me sobretudo ao avanço tecnológico na medicina. Basta referir o que se passa nos meios complementares de diagnóstico e terapêutica e muito particularmente na imagiologia. Mas não só. Podemos mencionar dentre outras a área da endoscopia digestiva, a cirurgia laparoscópica e robótica, etc. Não se pode de forma nenhuma comparar os meios que os Hospitais tinham no

meu tempo com os que têm agora, É adquirido que esta transformação teve repercussões no volume das prestações, na diversificação das áreas profissionais e dos serviços e, obviamente, nos resultados. Comparando com o meu tempo, hoje os problemas e exigências que se põem aos gestores dos hospitais são completamente diferentes e evoluem muito rapidamente. Os gestores têm de estar preparados para acompanhar a mudan-

ça de forma a saberem muito claramente qual uso que se dá a estas novas tecnologias, sobretudo nos aspecros ligados à sua rentabilidade, à utilização dos dados clínicos das observações ou da investigação científica. Como deve ser feita essa formação depende de muitos factores. Mas há sempre espaço para formação de acrualização, participação em eventos, troca de experiências com colegas nacionais e estrangeiros, discussões de casos com profissionais do seu ou doutros esrabelecimemos.

19


Esta questão leva-me de novo à pergunta sobre a "guerra com os médicos", porque rudo isto exige do gestor uma grande capacidade de diálogo e bom senso nas decisões. A gestão feita por uma só cabeça terminou. Hoje a gestão do hospital pertence a uma equipa pluridisciplinar, onde o administrador tem uma importante função de exigência, análise, moderação e bom senso.

Gestão Hospitalar - Considera que o SNS tal como o conhecemos tem condições para continuar a existir, ou pode vir a ser engolido pelo sector privado? Porquê? FSF - Julgo que nunca virá a acontecer uma situação tão radical, que não é desejada por ninguém e nem por qualquer Governo que esteja no Poder. Estou convicto que no sistema hospi-

"Hoje a gestão do hospital pertence a uma equipa multidisciplinar, onde o administrador tem uma importante finção de exigência, análise, moderação e bom senso."

- Melhorar o quadro regulamentar no sentido de conceder maior autonomia aos hospitais; - Recentrar o lugar do hospital no sistema de saúde tendo em conta as alterações da oferta e da procura; - Escudar sistemas de financiamento que tenham não só em conta a produtividade, mas também o grau de satisfação dos utentes; - Ter em conta o grau de envelhecimento e de recursos das populações em ordem a um melhor e maior acendimento social; - Tomar os hospitais mais humanos e onde as populações se sintam bem e sem medo de lá entrarem; - Aumento da tecnologia que favoreça o diagnóstico; - Incremento dos sectores ambulatórios; - Uma atenção muito especial ao atendimento das crianças e grávidas.

talar português haverá sempre lugar para o SNS. Admito no entanto que se o SNS não for objecto de grandes reformas que ultrapassem as reac-

Gestão Hospitalar - Como gostaria que fosse o hospital do futuro?

ções que daí possam advir, poderá perder posição face a um sector privado cada vez mais forte. Quero crer que os Governos sempre terão o

FSF - Claro que o que eu gostaria mesmo era que o Hospital do futuro fosse aquilo porque lutámos e não conseguimos ainda atingir: um local de alta

FSF - Que nos seus locais de trabalho procurem

SNS como uma bandeira e que não se intimidarão em fazer as reformas necessárias, muito embora saibamos, até por experiências bem

tecnologia capaz de satisfazer as necessidades dos utentes, no mais curto espaço de tempo, com excelentes resultados sem prejuízo de um atendi-

demonstrar todas as capacidades para que foram formados, que apoiem a Direcção da APAH no sentido de fonalecer o sentimento de grupo,

recentes, que algumas dessas reformas implicam o fim ou a redução de interesses instalados provocando reacções muitas vezes difíceis de

mento personalizado e humaniz.ado. Agora a sua pergunta não é de fácil resposta porque a evolução dos hospitais é tão grande

e a forcem ao cumprimento do seu programa eleitoral, porque desse cumprimento resultarão vantagens para a carreira, para a formação, para

controlar pelo Poder.

que hoje o que se diz, amanhã pode estar ul-

a inovação da AH e no fim de contas para o Sis-

Só mais uma nota sobre a privatização da gestão de alguns hospitais. Parece-me que seria oportu-

trapassado. Emitir uma opinião sobre "como gostaria que fosse o hospital do futuro" po-

tema de Saúde. Queria aproveitar esta oportunidade para afumar

no e conveniente, diria mesmo imprescindível,

der-me-ia colocar numa situação falsa resul-

que foi para mim uma grande honra e um privi-

haver um bom sistema regulador da activida-

tante do facto de ter dado um parecer que rapidamente seja ultrapassado. No entanto, e

légio ter sido Presidente da APAH, ser um dos seus sócios fundadores e sócio nº 1, ter trabalhado com colegas de elevada craveira pessoal e profis-

de das empresas que gerem hospitais públicos, acompanhado de um bom sistema de avaliação. Pelo que sei a ERS não tem feito muitas intervenções neste capítulo. Nem talvez a sua área

para não ficar em branco este ponto, farei algumas considerações sobre o que perspectivo quanto aos pontos a que o hospital do futuro tem de acender.

Gestão Hospitalar - Que mensagem deixa para os sócios da APAH?

sional e ter representado uma grande classe.

da sua actividade, e se isto é bom para os árbitros do futebol, já não o é nestes casos. Em conclu-

As premissas são sempre as mesmas: eficiência,

Gestão Hospitalar - E para os alunos de Administração Hospitalar?

qualidade técnica e satisfação dos utentes. Os

FSF - Aos alunos quero desejar-lhes muita sor-

são, se as reformas necessárias não forem feitas e as.entidades que devem regular não funcionem,

poderes públicos devem tirar os ensinamentos

te, que assumam inteiramente a profissão, que não a vejam como mero meio de vencer um

dação do SNS e o consequente avanço do sector

das reformas realizadas, privilegiando a concertação, a redefinição do níveis de intervenção, da contratualização, da avaliação e da mudança das

privado. Vamos esperar que não.

boas práticas. Para além disto parece-me de ter

>>>"Se as reformas necessárias não forem feitas

em atenção mais os seguintes aspectos: - Reorganização interna dos hospitais, com

seja ex:actamente essa. Não se houve falar muito

aí sim, possivelmente vai se verificar uma degra-

e as entidade que devem regular não funcionem, aí sim, vai verificar-se uma degradação do SNS"

a mobilização do pessoal, e o diálogo interno como forma de desenvolver o trabalho colectivo;

salário, mas que a ela se dediquem totalmente, porque vão ter uma profissão absorvente, em que não há rotinas porque c-.d a dia é diferente do anterior, onde o espírito de equipa é fundamental e em que muitas vezes a resolução de problemas graves está dependente do seu saber e da sua capacidade de decisão. am

21


Prémio Melhor Publicação Científica 2008

Hospital Pulido Valente di,stingue trabalhos sobre Tuberculose e Doen ça Card.iovascular O

vencedor do Prémio Melhor Publicação Científica 2008, organizado pelo Hospital Pulido Valente, de Lisboa, coube ao trabalho sobre ''Análise comparativa entre tuberculose multirresistente e tuberculose extensivamente resistente - epidemiologia e factores preditivos", da autoria de Ana Sofia Vilariça, Carlos Gomes e Jaime Pina. Este prémio, criado pelo Departamento de Pneumologia do Hospital Pulido Valente com o apoio da farmacêutica nacional Bial, atribui cinco mil euros ao melhor artigo aos vencedores cujo trabalho foi publicado em revista científica durante o ano de 2008. No estudo, é feita a comparação entre doentes com tuberculose extensivamente resistente (TBXDR) e outros perfis de tuberculose multiresistente (TBMR) relativamente às características demográficas e epidemiológicas, factores etiopatogénicos e evolução no internamento. O trabalho incidiu em doentes internados no Serviço de Pneumologia III do Hospital Pulido Valente, entre Abril de 1999 e Junho de 2007, tendo sido contabilizados 132 doentes com TBMR, dos quais 52% com TBXDR. De salientar que a TBXDR foi classificada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma emergente e grave ameaça à saúde pública e ao controlo eficaz da tuberculose, assumindo os contornos de uma autêntica pandemia em algumas regiões do globo. As principais conclusões do trabalho de investigação apontam que os doentes com TBXDR apresentam maior prevalência de retratamentos, maior duração media dos tratamentos anteriores e elevada coinfecção VIH/Sida e de mortalidade. A TBXDR traduz as insuficiências dos mecanismos de luta antituberculosa, nomeada-

22

mente no que concerne ao diagnóstico precoce e preciso da resistência e à implementação de regimes terapêuticos eficazes adequadamente supervisionados.

Menção No âmbito do Prémio Melhor Publicação Científica 2008 foi também atribuída uma menção honrosa ao trabalho realizado por José Pedro Boléo Tomé e Sara Salgado intitulado "Prevalência de doença cardiovascular numa população de doentes com síndrome de apneia obstrutiva do sono". Neste estudo re-

trospectivo os autores analisam a prevalência das patologias cardiovasculares e a sua relação com os vários graus de gravidade da síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS) . O trabalho envolveu o estudo de 305 doentes com diagnóstico de SAOS de gravidade variável. Os resultados demonstram uma prevalência de doenças cardiovasculares de 76,7%, sendo a hipertensão arterial a mais frequente seguida da cardiopatia isquémica. A prevalência de hipertensão arterial é de 60% pelo que os autores alertam para que num doente com diagnóstico de hipertensão seja avaliada a existência de SAOS.

O objectivo deste prémio é incentivar e premiar a investigação científica na área médica e a consequente publicação de artigos de um dos mais conceituados e representativos serviços de Pneumologia do país. O júri deste prémio integrou Maria João Marques Gomes, professora catedrática da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa e Chefe de Serviço do Hospital de Santa Marta; Manuel Fontes Baganha, professor catedrático de Pneumologia da Faculdade de Medicina de Coimbra e Director do Departamento de Ciências Pneumológicas e Alergológicas do Hospital da Universidade de Coimbra (HUC) e Ramalho de Almeida, Membro Efectivo e Representante Português do ADMIT (Aerosol Drug Management Improvement Team). O apoio da Biala este prémio insere-se na forte aposta da empresa em investigação, que se traduz no investimento em investigação e desenvolvimento de novos fármacos, que já está a dar os primeiros resultados com o lançamento do antiepiléptico Zebinix, e também no apoio a actividades de investigação científica. D1D

23


Reuniões científicas em Lisboa

Guidelines junta peritos de todo o mundo As duas reuniões que vão decorrer em Lisboa, contam com vários workshops e apresentações sobre como adaptar as guidelines, como as

Vão decorrer entre os dias 30 de Outubro a 4 de Novembro, em Lisboa, duas reuniões

implementar e dão ainda indicações sobre as

científicas internacionais sobre

regras que se devem ter para as implementar. Para António Vaz Carneiro, "os clínicos não

guidelines. A primeira acontece

seguem as guidelines tanto quanto seria desejável.Trata-se de uma metodologia relativamente nova e a sua implementação é ainda muito variável no mundo inteiro. Em Portugal, há muitas pessoas que escrevem estes documentos. A

nos dias entre 30 a 31 de Outubro; a segunda entre 1 e 4 de Novembro. Estes encontros são organizados

Direcção Geral da Saúde (DGS) tem guidelines sobre vacinação, que são obrigatórias. Os mé-

pelas duas e únicas redes internacionais de guidelines.

O

dicos têm que estar em dia com estes conceitos, mas há situações em que tal não se aplica. As guidelines para o tratamento da hipertensão,

primeiro encontro é da responsabilidade do organismo ibérico (Iberi-

ca GPC), e vai ter como ponto de partida para a análise os guias Ibero Americanos nos países que falam português e castelhano (Portugal, Espanha e toda a América central e do sul). O segundo encontro, tem como organizador o Guidelinle Internacional Network (GIN), que tem uma vertente anglosaxónica e que neste momento integra cerca de 40 países.

da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, por exemplo, só são seguidas por quem quiser. As guidelines, em princípio, não devem ser obrigatórias; elas devem ser vistas como um

encontrar-se com pessoas do mundo inteiro que fazem investigação pública, disseminam

sede em Espanha e presidência espanhola, o segundo tem sede na Escócia e presidência escocesa'', referiu à GH António Vaz Carneiro, director do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência da Faculdade de Medicina de Lisboa, acrescentando: "Consegui

mo: para apoiar. Elas ajudam e dão informação sintetizada para os médicos; ajudam os sistemas de saúde a perceber um pouco melhor o respectivo funcionamento e ajudam os próprios gestores a estarem conscientes da realidade sobre uma determinada área, no ponto de vista do diagnóstico e terapêutica. Até para os políricos de saúde as guidelines são importantes para saber qual é ponto de situação numa área clínica qualquer. Mas o grande objectivo das normas de orientação clínica

e implementam este tipo de instrumento de qualidade que, como imagina, são extremamente úteis. Não é para uma área específica; há coisas de oncologia, há coisas de pediatria, há coisas de saúde pública. No fundo, estamos a olhar para a metodologia de escrita, de investigação e de como se põe tudo em práticà'. Ainda de acordo com o responsável, "a população alvo para estas reuniões, são os profis-

negociar conciliar estas duas reuniões e trazê-las para cá, na mesma altura, apesar de terem reuniões independentes uma da outra". De acordo com o clínico, estas reuniões "vão abranger o mundo das guidelines. Hoje em dia, as guidelines são instrumentos de qualidade. São primordiais. São normas de orientação clínica, que são igualmente muito importantes na gestão e administração em Saúde. Uma pessoa tem que saber como se trata o cancro do cólon. Estas normas servem para isso mes-

é apoiar directamente a decisão clínica. São instrumentos de qualidade para tratar doentes", acentuou Vaz Carneiro, acrescentando que estas reuniões vão "abranger todas as área. Não nos vamos debruçar tanto sobre esta ou aquela área mas sim sobre o instrumento. Portanto, qualquer pessoa em Portugal qualquer médico, farmacêutico, enfermeiro ou fisioterapeuta - que esteja interessado neste instrumento, nestes documentos e nestes textos, tem uma grande oportunidade de vir

sionais de saúde que estejam interessados em saber mais sobre guidelines ou porque as escrevem, e têm essa função; ou porque estão encarregues de as propagar, de as disseminar; ou, ainda, porque estão encarregues de as implementar. No fundo, destinam-se a profissionais que estejam interessados em saber mais sobre esta metodologia. Hoje, não há revista científica de qualidade que não apresente guidelines. E elas servem para qualquer pessoa interessada nesta área, porque é muito vasta".

''A organização do primeiro encontro tem

instrumento de apoio à decisão. Apesar de os analistas referirem que os doentes são diferentes uns dos outros, a verdade é que estes são menos diferentes do que os médicos querem fazer parecer. Não se pode, por exemplo, seguir uma guideline sobre um medicamento a que um doente é alérgico". Depois, referiu-nos ainda o responsável pela organização destes eventos em Portugal, "há alguns processos intermédios, dependentes dos sistemas de saúde; dos responsáveis que as elaboraram e de onde são utilizadas: no centro de saúde; no hospital; se abrangem uma região ou não. No fundo, trata-se de documentos que hoje em dia estão presentes em tudo o que são organizações de saúde modernas. Daí que esta seja uma oportunidade única que os profissionais de saúde deveriam ter e conhecer. Se alguém estiver interessado, deve vir às nossas reuniões para poder aprender ou actualizar-se com todos os profissionais que vão estar no nosso País" acrescentou. Ana Cruz lllD


Comparação IV

,

au e euro A

GH continua a publicação doestudo comparativo entre alguns dos mais importantes aspectos dos vários sistemas de saúde em vigor nos 27 Estados-membros da EU, como o financiamento, a gestão, o número de profissionais de saúde, o número de hospitais. As características do financiamento, da cobertura da população e da forma de gestão são apenas alguns dos pontos em que os mais novos e os m ais antigos membros da União Europeia divergem, diferenças essas ditadas até pela própria dimensão dos países. Nesta edição, apresenta-se a comparação entre Dinamarca, Estónia, Hungria, Irlanda e Itália.

Os dados foram compilados pela HOPE - European Hospital and Healthcare Federation. am

. . varias ve oc1 ,

Países Sistemas % de financiamento

Dinamarca

Estónia

5,4 milhões de habitantes

1,3 milhões de habitantes

82,6%

76%

Impostos

Seguro de saúde obrigatório (68 %)

público Financiamento

e impostos (12 %)

público Cobertura

Cobertura universal e quase gratuita

Cobertura universal baseada na residência,

93 o/o da população abrangida

da população Público/Privado

Coexistência de hospitais públicos e privados

Coexistência de hospitais públicos e privados

N° de hospitais

67 hospitais

51 hospitais

N° de camas

16.800 camas de cuidados agudos

5.700 camas de cuidados agudos

Camas

96 o/o camas públicas;

89,9 o/o camas públicas;

públicas/ privadas

4 % camas privadas

1O,1 o/o camas privadas

Duração da estadia

3,4 dias

6,2 dias

Listas de espera

Notáveis

s.d.

Administração

Hospitais públicos são geridos e pertencem às cinco

Hospitais públicos são da propriedade do Estado

e gestão dos hospitais

regiões ou à Corporação dos Hospitais de Copenhaga

ou das autoridades locais

Entidades

Hospitais públicos financiados pelas regiões. Os hospitais

A Segurança Social e os hospitais negoceiam

financiadoras

da Corporação de Hospitais de Copenhaga são financiados

os contratos anuais que estipulam os serviços

pelos municípios de Copenhaga e Frideriksberg

fornecidos, capacidades e preço dos actos

Despesas hospitalares

870 dólares por habitante;

s.d. por habitante;

(públicas e privadas)

30, 1 o/o do total das despesas de saúde

32,5 o/o do total das despesas de saúde

Profissionais de Saúde

96.400 funcionários do sector da saúde e da segurança social.

s.d.

e Acção social

70.900 funcionários no sector hospitalar

Médicos hospitalares

14. 060 médicos hospitalares

2.180 médicos hospitalares

Remuneração e estatuto São assalariados. Especialistas recebem uma taxa por cada

São assalariados. O Estado define uma remuneração

dos médicos hospitalares acto médico realizado

mínima e cada administração hospitalar fixa o montante do salário

N° de equipamentos

MRI: 10,2

por milhão de habitantes Radioterapia: 6,3 Scanners: 14,6

MRI: s.d. Radioterapia: s.d. Scanners: s.d.

s.d. - sem dados

27


P' ruses Sistemas o/o de financiamento

Hungria

Irlanda

Itália

10, 1 milhões de habitantes

4,3 milhões de habitantes

58,9 milhões de habitantes

71,8%

78,5 o/o

76,4%

Fórum sobre Gestão do Medicamento em Meio Hospitalar

Doenças crónicas e ensaios clínicos em análise

público Financiamento público Seguros de saúde obrigatórios e impostos Impostos

Impostos

Cobertura

Cobertura universal

Cobertura universal

35% tem acesso a cuidados gratuitos; 65% participam no pagamento dos

da população

-

Coexistência de hospitais públicos

Coexistência de hospitais públicos

Coexistência de hospitais públicos

e privados

e privados

e privados

N° de hospitais

179 hospitais

179 hospitais

1.296 hospitais

N° de camas

'59.600 camas de cuidados agudos

11 .900 camas de cuidados agudos

20 1.400 camas de cuidados agudos

de Outubro, o li Fórum Nacional

constrangimentos sobre os ensaios clínicos em Portugal estão relacionados com a morosidade na

Camas

97,3 o/o camas públicas;

públicas/privadas

2,7 o/o privados

Duração da estadia

6,5 dias

6,5 dias

6,7 dias

Listas de espera

Existem para algumas patologias

Notáveis: 28.000 pacientes

Notáveis

em Meio Hospitalar, no Hotel Tivoli Oriente. Um evento organizado

-

s.d.

Segundo o presidente do Infarmed, "os principais

sobre Gestão do Medicamento

cuidados ou têm um seguro voluntário Público/Privado

Decorreu no passado dia 16

77 o/o camas públicas; 23 o/o camas privadas

em lista de espera Hospitais são propriedade das

aprovação a nível hospitalar; com as dificuldades de recrutamento; com o conflito entre protecção de dados individuais e requisitos técnicos e, ainda, com a escassez de incentivos, apoio e reconheci-

pela APAH e que teve como principais temas em analisae

mento à investigação, em especial à académica", salientou o presidente do Infarmed. Vasco Maria

os ensaios clínicos e as abordagens

realçou na sua intervenção no evento da APAH,

da gestão da doença crónica.

que "as oportunidades em Portugal estão interligadas com a experiência adquirida, de acordo com o enquadramento vigente. Tem que existir

diabetes", deu a conhecer Luís Campos, direc-

uma consistência na identificação de constrangimentos e partilha de interesses por parte dos

São Francisco Xavier, neste fórum. Isto significa que "as doenças crónicas estão a aumentar numa

Estados europeus, cerca de 20% dos ensaios são suportados por outros promotores que não a Indústria Farmacêutica, o que não acontece em Por-

agentes envolvidos", uma vez que "existem me-

percentagem de um por cento ao ano, em geral, subindo esse número para 2,5% se se analisar o grupo com mais de 65 anos". De acordo com

'' E

m Portugal o número de ensaios clínicos, de fase 1 é menor do que na União Europeia. Nos

didas propostas pelo Infarmed - nomeadamente o incremento da simplificação e transparência e

tor do serviço de Medicina Interna do Hospital

Administração

colectividades locais, desde 1990, com

HSE (Health Services Executive)

Hospitais autónomos são propriedade

e gestão dos hospitais

excepção dos hospitais universitários

gere os hospitais públicos

das regiões. Os restantes são geridos

tugal. O número de ensaios submetidos por ano, em Portugal, tem-se mantido constante", referiu

pelas Unidades Locais de Saúde (ASL)

na ocasião Vasco Maria, presidente do Infarmed.

comunicação; análise das condições e exequibilidade para avaliação acelerada de pedidos de ensaios fase 1 e a promoção de acções de formação".

Segundo este responsável, "em 2008 foram ins-

''A epidemiologia das doenças crónicas em Por-

das na perspectiva do doente. Cada estrutura foi pensada independente das outras - como o caso dos cuidados continuados; os ACES e, mesmo,

peccionados 21 centros de investigação e alguns não estavam em conformidade com o que man-

tugal aponta para que existam 4 milhões de pessoas com cárie dentária; 2,5 milhões com rinite;

as urgências", acrescentando que para os doentes crónicos o futuro pode vir a ser ainda mais

dam as regras, no que diz respeito a procedimen-

2 milhões com depressão; 1,8 milhões com hi-

complicado, uma vez que "em 2013, 50% da

tos, recepção, armazenamento, dispensa e rastreio

pertensão; 1,5 milhões com obesidade; 1 milhão com artroses; 1 milhão com asma e 700 mil com

população portuguesa passa a estar sem médico de famílià'. Ana Cruz IBD

e de cuidados especializados que se mantém na posse do Estado O HSE financia os hospitais, que Entidades

Hospitais têm contratos com

recebem verbas também dos seguros

financiadoras

Segurança Social

privados e do co-pagamento

O Estado e as regiões

dos medicamentos experimentais". dos utentes Despesas hospitalares

320 dólares por habitante;

(públicas e privadas)

29 o/o do total das despesas de saúde

Profissionais de Saúde

100.800 funcionários no sector

124.500 funcionários do sector da

1, 1 milhão de funcionários do sector da

e Acção social

hospitalar

saúde e da segurança social; 68.700

saúde e da segurança social; 660.600

funcionários do sector hospitalar

funcionários do sector hospitalar

s.d.

131.590 médicos hospitalares

Remuneração e estatuto São assalariados. A remuneração varia

Os especialistas dos hospitais públicos

Os m édicos dos hospitais públicos

dos médicos hospitalares em função da experiência e qualificação

são assalariados

são assalariados

N° de equipamentos

MRI: 2,6

MRI: s.d.

MRI: 10,2

por milhão

Radioterapia: 2,7

Radioterapia: s.d.

Radioterapia: 4, 1

de habitantes

Scanners: 6,8

Scanners: s.d.

Scanners: 20,6

Médicos hospitalares

s.d. - sem dados

14.690 médicos hospitalares

s.d.

1.010 dólares por habitante; 44, 1 o/o do total das despesas de saúde

este internista, "as estruturas não foram pensa-


Carestream Health

são a Siemens, Phillips e General Electric, con-

Tecno o A Carestream Health tem vindo a implementar-se no mercado português dos equipamento~ e soluções de radiologia e apresenta algumas soluções inovadoras que permitem fa~ilitar a prestação de cuidados de saúde.

A

empresa surgiu em Maio de 2007, na sequência da compra da Kodak

Health Group pelo grupo ONEX, fundo de investimentos canadiano presente

em várias indústrias. A Carestream Health é uma companhia multi-nacional, representada em 150 países. A Carestream Health Portugal, está, sobretudo, vocacionada para o mercado da radiologia, focando-se em todos os produtos que se relacionam com a imagem , a sua produção, captura, distribuição e impressão, a n.!vel hospitalar e clínico, para clientes privados e públicos, cobrindo todo o Portugal. Um dos maiores projectos realizados por esta empresa - no valor de 750 mil euros - foi a implementação do projecto PACS no Hospital Nossa Senhora do Rosário no Barreiro, que passou a ser uma unidade hospitalar totalmente digital, sem impressão em película ou papel. Em fase de implementação está o projecto que prevê a interligação de várias unidades de saúde e que será "o maior projecto privado de Saúde do AJgarve", revela o director com ercial da Carestream H ealth, Mário Garcia. É um projecto 'multi-site' que engloba a interligação digital e a distribuição de imagem por várias clínicas e hospitais: o Hospital Particular de Faro será ligado a outras

30

e anta na Ra

10

vamento de imagens dentro das unidades de saúde. Estas soluções permitem tambem a partilha dos exames entre vários centros, potenciando assim um diagnóstico remoto, conceito base da Teleradiologia. A Carestream Health, para além da parte m édica, fornece produtos em duas outras áreas distintas. No âmbito da imagem molecular, tem disponíveis radioisótopos e equipamento para o estudo precoce de doenças, sendo o diagnóstico molecular uma das apostas principais para a medicina do futuro. Além disso, distribui também películas e produtos específicos para testes não destrutivos de equipa-

instalações em Portimão e Alvor. Já no ano passado, a renovação e a digitalização de 13 centros de saúde nos Açores ficou a cargo desta empresa. Estes são alguns exemplos da actividade da Carestream que, conforme aponta Mário Garcia, conta ainda com clientes como o Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio, Unidade Local de Saúde do Alto Minho, Litoral Alentejano, Norte Alentejano, os Hospitais da Universidade de Coimbra, Grupo IMI, IPO do Porto e de Lisboa, entre muitos outros. A Carestream tem desenvolvido e colocado

mentos para o mercado industrial.

no mercado uma vasta gama de produtos, tanto na parte de soluções de software como nas de radiologia digital directa. Um dos produtos mais inovadores - o DRXl - é um detector que permite converter uma sala de raio-x convencional numa sala digital. A imagem de raio-x é enviada directamente, via wireless, para um posto de trabalho, sem qualquer passo intermédio e sem que seja necessário modificar o espaço ou instalar mais do que este sistema de radiologia digital directa. O que permite, também, um ganho substancial, já que fica cerca de 70 por cento

mais barato do que equipar e montar toda uma sala de radiologia digital directa .. Um outro produto comercializado com sucesso pela Carestream são os sistemas PACS (Picture Archiving and Distribution System) , soluções de software que facilitam todas as funções em torno da radiologia ao proporcionar uma maior acessibilidade na transmissão e arqui-

Centros de suporte A Carestream Health está organizada por todo o mundo em "clusters". O "clusters" da Europa do Sul incorpora o Ibérico, constituído por Portugal e Espanha, e também a França, Itália, Bélgica e Grécia. Os outros "clusters" são os da Europa do Norte, Estados Unidos, Ásia, América do Sul e Mercados Emergentes. No âmbito do software, a Carestream Health providencia ainda um amplo e importante serviço de apoio. Existem vários centros de investigação, desenvolvimento e supo~e que permitem fornecer esse serviço de apoio, por exemplo, à radiologia (teleradiologia) 24horas por dia, sete dias por semana. Para a Europa, o centro de investigação e suporte localiza-se na Itália. Estes centros procuram criar novos produtos inspirados pelas necessidades do mercado da imagiologia, tendo actualmente desenvolvido uma solução de software de distribuição de imagem adaptada à área da cardiologia.

o

Crescimento de 25% em 2008 De acordo com Mário Garcia, d irector comercial da Carestream H ealth, a empresa comercializa cerca de 65% de produtos e equipamentos de software e 35% em produtos de consumo associados à impressão, como películas. Vendas que resultaram num volume de ne-

tra quem já ganhámos vários concursos públicos", aponta Mário Garcia. No ano de 2009 será mais difícil atingir os valores do ano transacto, não só devido à crise económico-finan ceira, mas também devido à quase paralisia do investimento público. "Em termos públicos não tem havido concursos com volumes que sejam significativos". O inves timento nesta área tem estado assegurado, sobretudo, pelos quatro grandes grupos privados de saúde que, considera o d irector comercial da Carestream, "continuarão a apostar neste mercado" . Mário Garcia faz, porém, uma ressalva, referindo-se às parcerias público-privadas. Os novos hospitais que serão lançados

gócios de 7,652 m ilhões de euros no ano de 2008, "só na parte de Medical Imaging", e que representaram um crescimento de 25% da Carestream nesse mesmo ano, quando, em 2007, já tinha crescido 23% . "Estamos gradualmente a inrroduzirmo-nos

a curto e m édio p razo assegurarão boas oportunidades comerciais, embora se possa considerar que a maioria do investimen-

no mercado radiologia dos três grandes, que

to é privado. 1111


Reflexão

Lançamento de livro

Jantar Debate da APAH

"O Balanced Scorecard em Hospitais"

A

22 de Setembro, na FNAC

Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) ,

Norte Shopping,

prossegue várias finalidades, conforme determinação estatutária, sendo uma delas a "discussão alargada de temas" da área da Saúde.

em Matosinhos, o livro "Balanced Scorecard em Hospitais", da autoria

Tem sido neste contexto que a Associação tem levado a cabo várias sessões, nas quais se enquadram os jantares-debate, que mais não são do que um momento de reflexão sobre assuntos da Saúde, tornando-se ao

de Luís Matos e Isabel Ramos.

MEDIR PARA GERIR

O Balanced Scorecard em Hospitais

como uma ferramenta de medição da performance as organizações e em

Reactivando esta tradição, a actual direcção da APAH realizou mais um jantar-debate,

particular dos hospitais.

no dia 18 de Setembro do corrente ano, na região Norte do país, em Vila Nova de Gaia, no empreendimento turístico Quinta da Boeira.

CC T

rata-se de um estudo elaborado por mim e pela Professora Doutora Isabel Ramos, da Universidade do Minho, sobre a possibilidade de

O jantar-debate teve como tema a apresentação dos conteúdos dos programas eleitorais dos cinco maiores partidos políticos portugueses e respectiva discussão. Assim, estiveram presentes o Partido Socialista, representado pelo médico e acrual Secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro; o Partido Social Democrata, · representado pela farmacêutica, Clara Car-

LUIS MATOS . ISABEL RAMOS

Esta obra pretende funcionar

mesmo tempo num encontro dos seus profissionais.

neuo; a Coligação Democrática Unitária, representada pelo médico Sérgio Vinagre; o Centro Democrático e Social/Partido Popular, representado pelo Solari Allegro e, finalmente, o Bloco de Esquerda, representado pelo médico João Semedo. As intervenções foram conduzidas por Lúcia Gonçalves, jornalista da cadeia televisiva SIC, do Porto, que proporcionou um debate dinâmico, profissional e esclarecido. Houve um primeiro momento, no qual os representantes dos partidos políticos, acima referidos, fizeram a leitura das suas propostas políticas para a próxima legislatura e posteriormente abriu-se o debate a todos os presentes transformando-se num momento de grande interactividade. Foi extraordinário o número de inscritos para o evento, cerca de 120 pessoas, bem como o número de presenças que rondaram os 100 participantes.

t

de enaltecer o trabalho desenvolvido pelo colega de direcção, Victor Herdeiro, o verdadeiro responsável pela organização e lo-

32

Foi lançado, no passado dia

gística da realização. Uma nota para referir o facto de o jantar-debate ter contado com as mais diversas personalidades representativas da região Norte do país, designadamente ARS, Hospitais e respectivos Conselhos de Administração, Centros de Saúde, ACEs, etc., bem como do resto do país, Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, representante da APDH, Presidente da APFH, presidente da APEGSaúde, etc., que permitiram uma alargada e multidisciplinar participação dos vários stackholders do sistema de saúde português. Perdoem-me o atrevimento mas não posso deixar de referir o prazer que foi ter encontrado antigos colegas administradores hospitalares, bem como outras personalidades da área dà saúde que há tanto tempo não tinha o prazer de contactar. Uma menção final para o nosso resistente colaborador Fresenius/Kabi-Labesfal, que desde sempre tem partilhado connosco este projecto vencedor. llD

aplicação do Balanced Scorecard a um hospital público português, como instrumento para medir os resultados das políticas de gestão. O análise foi realizada tendo por base uma revisão da bibliografia sobre o método bem como o estudo de casos internacionais de aplicação do método no sector da saúde. O mesmo foi levado a cabo numa unidade hospitalar portuguesa e teve como objectivo compreender a viabilidade da aplicação do Balanced Scorecard a dois serviços dessa unidade hospitalar", referiu à GH Luís Matos, autor do

a ideia da preponderância dos resultados financeiros, como única forma de medir a performance, interligando com os outros 3 vectores. É uma metodologia que mede o que se pretende fazer, para onde estamos a ir e não o que já fizemos".

hospital numa perspectiva sistémica. "Por outro lado, pretendemos desmistificar a ideia de "mais e mais tecnologià'. Os péssimos resultados desta estratégia, se é que lhe podemos chamar isso, estão á vista de todos (não só na saúde como nas organizações em geral) e não são bonitos". Segundo o autor da obra, "a ideia surgiu de uma coincidência de crenças com a professora Isabel Ramos, segundo a qual o BSC é uma metodologia com grandes potencialidades e que a sua aplicação poderá traduzir-se em ganhos efectivos para as organizações. A aplicação a hospitais apareceu naturalmente pelo facto de eu ser Administrador Hospitalar e ter a noção que, nos nossos hospitais, a medição do que fazemos e a existência de informação relevante, fiável e atempada para a tomada de decisão deixa muito a desejar. Contrariamente à opinião de alguns, os nossos hospitais estão a abarrotar de dados e informação. O problema é que a sua utilização para a tomada de decisão, é muitas vezes diRcil, confusa e infelizmente dos

livro. Segundo o autor da obra, a "metodologia Balanced Scorecard (BSC) assenta no princípio que as organizações actuais têm tanto mais sucesso quanto melhor conseguirem investir e gerir os seus bens intelectuais e os conhecimentos ad-

Com esta obra, salienta ainda, "pretende-se apresentar uma ferramenta de medição da performance, em particular dos hospitais. A medição da performance é algo da maior importância, que tem sido alvo da atenção de muitos com resultados ainda insatisfatórios. O BSC afigura-se como um instrumento que pode, de uma forma simples, resolver esta questão. Assumindo como inquestionável que só se pode gerir o que se mede, os nossos hospitais têm procurado desenvolver diferentes métodos para medir os seus resultados, sem ter encontrado um meio satisfatório para todos os stakeholders da organização". Ainda segundo Luís Matos, os diferentes métodos utilizados (e muitas vezes rapidamente abandonados), não têm sido credíveis e têm mantido

mesmos dados obtemos informações diferentes e muitas vezes contraditórias". Para o administrador hospitalar Luís Matos, os nossos hospitais "necessitam de uma metodologia para medir os seus resultados que seja, fácil, abrangente e .fiável. Entendemos que o BSC é essa metodologià'. O livro destina-se, pois a todos aqueles que têm funções de gestão no hospital, nomeadamente administradores hospitalares, médicos em funções de chefia e de gestão, enfermeiros chefe e todos os profissionais que dirigem serviços no hospital. Por outro lado, é também destinado a alunos e investigadores, que encontrem no BSC um tema de

quiridos ao longo do tempo. Pela ligação entre a missão, a visão e estratégia da organização é uma

o afastamento, artificial, entre prestadores de cuidados e gestores do hospital, acrescentando que

do BSC e são apresentados casos práticos de aplicação desta metodologia em diferentes hospitais.

ferramenta de medição do desempenho que evita erros comuns, garante a interligação entre quatro vectores essenciais de cada organização (clientes, financeiro, processos internos e aprendizagem e crescimento), contribuindo por isso decisivamente para o sucesso da implementação das estratégias organizacionais. Esta metodologia abandona

"sendo a prestação de cuidados o nosso desígnio, não podemos tentar medir os resultados sem incorporar claramente a prestação de cuidados nos nossos modelos de avaliação e na informação que usamos para tomar as nossas decisões". O método apresentado no livro, afigura-se como a ferramenta ideal para medir a performance do

Abordamos ainda a questão da automatização do BSC. Que aplicações, quais as razões que devem presidir à escolha da aplicação e s:uais os erros a evitar. Abordamos ainda a questão do investimento em tecnologias de informação e comunicação, que não sendo o foco do livro, terá sempre que estar nas nossas preocupações. am

estudo e estejam dispostos a pormenorizar algumas das questões que o livro levanta. Ao longo do livro é abordado todo o enquadramento teórico

33


MAIS QUE UM SERVIÇO DE ALUGUER ••• DIÁRIO DA REPÚBLICA A GH apresenta a legislação mais relevante publicada em Diário da República de 13 de Agosto a 25 de Setembro.

Ministério da Saúde

Portaria n. 0 982/2009, de 02 de Setembro

Decreto-Lei n. 0 241/2009, de 16 de Setembro

Altera o plano de estudos do curso de pós-licenciatura de especialização em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediatria na Escola Superior de Saúde do Vale do Sousa do Instituto Politécnico de Saúde do Norte, aprovado pela Portaria n. 0 255/2007, de 9 de Março

Estabelece o regime de instalação, abertura e funcionamento de farmácia de dispensa de medicamentos ao público nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde e as condições da respectiva concessão por concurso público e revoga o Decreto-Lei n. 0 235/2006, de 6 de Dezembro

Decreto-Lei n. 0 221/2009, 8 de Setembro Decreto-Lei n. 0 242/2009, de 16 de Setembro Dispensa a obrigatoriedade de atestado médico para efeitos de comprovação da robustez física e do perfil psíquico exigidos para o exercício de funções profissionais, públicas ou privadas, e revoga o Decreto-Lei n. 0 319/99, de 11 de Agosto

Portaria n. 0 1065/2009, de 16 de Setembro Aprova o Regulamento do Ciclo de Estudos Especiais em Epidemiologia

Decreto-Lei n. 0 247/2009, de 22 de Setembro Estabelece o regime da carreira de enfermagem nas entidades públicas empresariais e nas parcerias em saúde, bem como os respectivos requisitos de habilitação profissional e percurso de progressão profissional e de diferenciação técnico-científica

Decreto-Lei n. 0 248/2009, de 22 de Setembro Estabelece o regime da carreira especial de enfermagem, bem como os respectivos requisitos de habiliração profissional

Altera o reconhecimento de interesse público do Instituto Superior de Psicologia Aplicada de escola universitária não integrada para instituto universitário e a sua denominação para ISPA- Instituto Universitário de Psicologia Aplicada

Ministérios do Trabalho e da Solidariedade Social e da Saúde Portaria n. 0 965/2009, de 25 de Agosto Estabelece as regras de articulação entre as unidades de saúde e os serviços da segurança social e os instrumentos a milizar, considerando o enquadramento desta matéria no âmbito da lei de protecção de crianças e jovens em perigo e do despacho n. 0 31292/2008, publicado no Diário da República, 2. ª série, n. 0 236, de 5 de Dezembro de 2008

Ministérios da Economia e da lnovacão e da Saúde "' Portaria n. 0 1047/2009, de 15 de Setembro

Decreto-Lei n. 0 253/2009, de 23 de Setembro

Assembleia da República

Aprova o Regulamento da Assistência Espiritual e Religiosa no Serviço Nacional de Saúde

Lei n. 0 81/2009, 21 de Agosto

Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior Portaria n. 0 969/2009, de 26 de Agosto

Institui um sistema de vigilância em saúde pública, que identifica situações de risco, recolhe, actualiza, analisa e divulga os dados relativos a doenças transmissíveis e outros riscos em saúde pública, bem como prepara planos de contingência face a situações de emergência ou tão graves como de calamidade pública

Acompanhamento familiar em intern

Portaria n. 0 970/2009, de 26 de Agosto

Lei n. 0 111/2009, 16 de Setemb.op.r...__S_A_ú_D_E_P_u_ · B_L_l_C_A_ __.

Cria o curso de pós-licenciatura de especialização em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal e aprova o respectivo plano de estudos

Procede à primeira alteração ao Estat to da Ordem dos Enfermeiros, aprovado pelo Decreto-Lei n. 0 104/9 de 21 de Abril

Cria o curso de pós-licenciatura de especialização em Enfermagem de Saúde Materna e Obstetrícia na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Bragança e aprova o respectivo plano de estudo

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Cria o curso de pós-licenciatura de especialização em Enfermagem Médico-Cirúrgica na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal e aprova o respectivo plano de estudos

Portaria n. 0 981/2009, de 02 de Setembro

ALUGAMOS EMOÇÕES!

Terceira alteração à Portaria n. 0 1016-N2008, de 8 de Setembro, que reduz os preços máximos de venda ao público dos medicamentos genéricos

o.,.....,o.coo•9111h

Lei n. 0 106/2009, 14 de Setembro

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Região Autónoma da Ma e1ra Assembleia Legislativa Decreto Legislativo Regional n.2 12~~/ ,t_! ~

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