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Maria do Céu Machado à GH:

"O próximo Plano Nacional de Saúde deve ser diferente''


Sopra uma boa nova,

04 Editorial

Manuel Delgado vem a público defender a reforma do SNS. No editorial desta edição da GH, o presidente da APAH analisa as áreas críticas cuja discussão terá de ser feita: o financiamento público e os limites da prestação; a desfuncionalização dos profissionais de Saúde e a integração de cuidados. São assuntos tão actuais quanto polémicos, que merecem ser tidos em consideração em altura de mudança.

12 Entrevista

Maria do Céu Machado, Alta Comissária para a Saúde, é a entrevistada desta edição da GH. A responsável diz que só agora se começa a sentir à vontade no cargo que ocupa e explica porquê, dando ainda a conhecer as diferentes áreas da sua intervenção, referindo ainda que no novo Plano Nacional de Saúde a equidade de serviços deve ser o fio condutor. A pediatra afirma ainda que é uma grande defensora da gestão privada, deixando até um recado ao presidente da APAH: " Gostava de o ver mais ao lado da gestão privada" .

20 Análise

A nova campanha do Ministério da Saúde, para tentar controlar os enfartes e as tromboses, levou a GH a fazer um levantamento sobre os gastos, directos e indirectos, com estas duas patologias. Muito pode ser alterado se se tiver em conta o tempo em que

Aliámos a experiência e solidez de um grupo internacional, líder na sua área, ao maior e mais moderno complexo industrial farmacêutico português.

as situações ocorrem e, nesse sentido, há sinais de alerta a ter em consideração.

Escolhemos Portugal para ser o centro mundial de desenvolvimento e produção de medicamentos injectáveis da Fresenius Kabi.

26 Eventos

Investigação e formação avançada dos profissionais de saúde, na área do tratamento da leucemia marcaram o arranque de dois

(

projectos de parceria. A Associação Portuguesa Contra a Leucemia

Apostámos na qualidade, competência e formação dos nossos profissionais.

assinou dois protocolos nesse sentido. Um com a Fundação Ca louste Gulbenkian e outro com a empresa José de Mello Saúde. Sa iba as regras em que ambos assentam.

Acreditámos no seu apoio.

30 Negócios

Em Portugal, com portugueses, para o mundo.

A unidade de cefalosporinas da Labesbal, em Santiago de Besteiros, foi inaugurada pelo presidente da República,

~ LABESFAL

Cavaco Silva. Trata-se de um investime~.wMii;..a.ww.i.u1.-------... os 15 milhões de euros e que aument

Fresenius Kabi Caring

for

para 70 milhões de unidades por ano.

r-~~--1...;..;.;.~..;.:...--------~

naquele que foi o último evento públi como ministro da Saúde, António Corr a de Campos.

~~üt-c::___

Life

BIBLIOTECA


Em defesa do SNS as últimas semanas, e por razões bem conhecidas, têm sido muitas as vozes que surgem a defender publicamente o SNS. Umas, por meras razões tácticas, apresentam ao mesmo tempo medidas de privatização, novas formas de pagamento dos cuidados e a gratuitidade tendencial para os mais pobres. Não será difícil adivinhar as consequências de tais ideias: um sistema de saúde dual, constituído por um SNS empobrecido e segmentado para os pobres, por um lado, e um sector segurador - prestador florescente, segmentado para as classes sociais de mais elevados rendimentos, por outro. Seria a "Brasileirização" do SNS com todas as consequências que bem conhecemos em matéria de iniquidade. Outros, por convicções ideológicas bem sedimentadas, confiam incondicionalmente nas virtudes do actual modelo e pretendem, por isso,' manter o SNS tal como está: propriedade pública dos meios, financiamento por impostos, gratuitidade no ponto de utilização. Admitem apenas a introdução de regras que conduzam a melhor organização e maior disciplina por parte dos prestadores. Não se dão conta da entropia estrutural que o SNS apresenta, com muitas e comprometedoras falhas ao nível do acesso, má distribuição territorial dos recursos, baixa produtividade, dívidas acumuladas de milhões e uma procura de serviços de urgência digna do terceiro mundo. Sou dos que defendem a reforma do SNS e penso que só esta aposta permitirá mantê-lo por muitos e bons anos. Com as vantagens preciosas que hoje nos dá, como um sistema de saúde de acesso livre e aberto a todos, interclassista e, no essencial, com elevada qualidade técnica, a olhar para os excelentes indicadores de saúde que nestes últimos 30 anos o país consegue apresentar no contexto

N

Manuel Delgado Presidente da APAH

"Sou dos que defendem a reforma do SNS e penso que só esta aposta permitirá mantê-lo por muitos e bons anos"

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das nações mais desenvolvidas. Há três áreas críticas cuja discussão terá, mais tarde ou mais cedo, de ser serena e democraticamente, empreendida; a) o financiamento público e os limites da prestação; b) a desfuncionalização dos profissionais de saúde; c) a integração dos cuidados. Deixo apenas algumas sugestões: 1 - Já há muito tempo equacionei, como outros, um modelo de financiamento baseado num seguro público explícito, fora da lógica dos impostos, uma distribuição primária regionalizada dos recursos e a contratualização local dos prestadores. Seria interessante explorar de novo esta questão, associada a um pacote básico de cuidados de livre e equitativo acesso para todos. 2 - A gestão dos serviços públicos de saúde poderá acentuar as formas de empresarialização mais avançadas, designadamente nos modelos remuneratórios dos profissionais que poderão vir a basear-se mais na qualidade e volume do desempenho do que nas horas de trabalho. 3 - Os cuidados de saúde poderão ser integrados e a medicina familiar será o pivot de todo o sistema. Mas com formas mais variadas e flexíveis de organização e de prestação, reforço substancial do conceito de proximidade e promoção dos serviços domiciliários. Isto tudo num processo de ligação/ afiliação estreita com a medicina hospitalar e os serviços comunitários de reabilitação e de apoio social. E com a participação significativa de prestadores privados, que já existem, estão disponíveis e podem ser contratualizados, com transparência e rigor. Já alguns passos foram dados nalgumas áreas referidas mas falta um modelo que dê coerência à discussão, clarifique as opções e permita antecipar o futuro. Precisamos de uma estratégia reformadora. am


Grávidas

Prazo

Ma-is de dois cafés aumenta o risco de aborto

Abertas candidaturas aos Prémios "Hospital do Futuro" O

U

m estudo publicado na revista ''Ameri-

can Journal of Obstetrics and Gynecology" afirma que uma mulher grávida não deve beber café, mas, caso o faça, não deve ingerir mais de duas chávenas, cerca de 200 miligramas por dia. O risco de uma ingestão superior de cafeína é a duplicação do risco de aborto nos primeiros três a quatro meses de gravidez.

prazo para a entrega das candidaturas aos Prémios "Hospital do Futuro" ter-

O trabalho, levado a cabo por uma equipa da Kaiser Permanente, uma fundação sem fins lucrativos ligada à saúde, da Califórnia, teve como universo 1063 grávidas e decorreu entre 1996 e 1998, período durante o qual as mulheres foram questionadas quanto aos hábitos alimentares até às 20 semanas de gestação. rm

Colóquio

Linhas de alta tensão em estudo

CHLC promove colóquio com juntas de freguesia

A

muito alta tensão. O memorando de entendimento para a criação do Centro de Investimento Científico e de Inovação Tecnológica (CITEC) foi assinado entre a Faculdade, a REN - Rede Eléctrica Nacional e a EDP - Electricidade de Portugal, que co-financiam o projecto. Este centro irá ter um programa de estudos de longa duração que fará com que a informação seja construída ao longo do tempo. O novo centro de investigação da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa vai monitorizar populações durante, pelo menos 1Oou 20 anos, com o objectivo de fazer "estudos retrospecrivos e prospectivos, de forma a ver como essas linhas eventualmente afectam a saúde das pessoas". rm

Saúde; iniciativas do ensino da Saúde ou na formação dos Recursos Humanos nesta área; iniciativas na área da Gestão & Economia da Saúde; na área de articulação de cuidados primários, secundários e continuados; articulação entre sectores (Público, Privado e Social) , incluindo parcerias entre entidades nacionais e internacionais; organiza-

Inovação dos mesmos serviços; iniciativas do sector Público de Saúde, na área da Acessibi!idade e Atendimento aos utentes dos serviços de saúde públicos e na área da Inovação dos mesmos serviços; iniciativas do sector Social de Saúde; iniciativas no âmbito da prevenção da obesidade, ao nível das Instituições de Saúde e das Autarquias. rm

mina já no próximo dia 15 de Fevereiro e a cerimónia da entrega dos galardões está prevista para o mês de AbriL Estão a concurso candidaturas em diversas

Universidade

Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa vai estudar durante, pelo menos 1O anos, os eventuais efeitos na saúde dos campos electromagnéticos, como as linhas de

categorias como a contribuição aurárquica em Saúde; projectos de Telemedicina ou/e

ção reconhecida oficialmente por entidades competentes pela qualidade dos serviços prestados. E, também, nas áreas da Gestão da Qualidade e da Gestão da Qualidade e das Competências Técnico-Cienríficas; iniciativas do sector Privado de Saúde, na área da Acessibilidade e Acendimento aos mentes dos serviços de saúde privados e na área da

O

Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, promoveu recentemente o I Colóquio "Como melhorar os cuidados de Saúde". O objectivo da iniciativa conjunta com as juntas de freguesia de Lisboa foi aprofundar as relações entre o Centro Hospitalar e a comunidade que serve, apresentando as diversas inovações introduzidas no Serviço de Urgências e na área Cardiovascular, nomeadamente, através das Vias Verdes para os AVC e os enfartes. rm

Simpósio

Ecocardiografia e cuidados intensivos em debate

A

Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos vai organizar, no próximo dia 23 de Fevereiro, em Lisboa, um simpósio sobre o tema "Avanços da ecocardiografia aplicada aos

cuidados intensivos e emergência". A iniciativa tem como meta debater a aplicação prática da ecocardiografia em diversos meios e destina-se, sobretudo, a médicos internos. rm

SIMPOSIO ANUAL - 2008

800 mil portugueses

E

que revelou que esta doença atinge 10% das crianças, 4% dos adultos jovens e 7% dos

vacinadas num ano er~a d~ 19 m.il portuguesas, adquiriram a

pnme1ra vacina contra o virus que causa

o cancro do colo do útero desde que começou a ser comercializada, há precisamente um ano,

idosos. A doença tem vindo a aumentar nos países em desenvolvimento e desenvolvidos, como é o caso de Portugal, porque se relaciona muito com as condições de conforto. Uma das causas é a existência de um grande número de ácaros em todas as casas. DlD

19 mil mulheres

e

Asma aumenta em Portugal ntre 700 a 800 mil portugueses sofrem de asma, que tem vindo a aumentar em Portugal. Quem o diz é o director da Faculdade de Medicina do Porto, Agostinho Marques,

Cancro do colo do útero

Cursos Pré-Simpósio 9 a 11 de Maio de 2008

tendo gasto mais de nove milhões de euros neste medicamento. As mulheres que foram ou estão a ser vacinadas pertencem essencialmente a três grupos etários: 13 anos, 16/ 18 anos e 22/26 anos. rm

Sirup6sio Anual

6

11 a 13 de !l<laío de 2008

Hotel Grande Real Santa Eulália Albufeira

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Mutação genética

Bioética

Descoberta origem da leucemia infantil

UK autoriza embriões híbridos para fins terapêuticos O

U

m grupo de cientistas britânicos descobriu a mutação genética que origina a leucemia infantil, depois de seguir duas gémeas, uma afecrada pela doença e outra sã. O estudo foi publicado na revista "Science" - feito pela Un iversidade de Oxford, o hospital infantil Great Ormond Street, de Londres, e a associação de investigação médica Cancer Research - explica que o desenvolvimento do cancro das células sanguíneas na infância requer que um "reduzido, mas cru-

Estudo

Adolescentes

Colombo poderá ter propagado sífilis

Fumo ligado a problemas de audição O

O

navegador Cristóvão Colombo poderá

ter estado na origem da propagação da sífilis, revelou um estudo recente public~do pela revista de ciência norte-americana PLoS. Segundo uma equipa de investigadores da Universidade de Atlanta, Colombo terá trazido do continente americano uma bactéria que, por mutação, se transformou na bactéria portadora da sífilis. Os cientistas estudaram 26 famílias da bac-

Praia

téria Treponema dispersas pelo mundo e constataram que as mais próximas das da sífilis, que surgiu na Europa em 1495, eram as famílias encontradas na América do Sul responsáveis pela framboesia. Os investigadores explicam que a subespécie de bactéria na origem da framboesia, habituada ao clima húmido, teve de se adaprar ao clima temperado da Europa tranformando-se na subespécie portadora da sífilis. mD

Asma

Sol traz mais Dieta mediterrânea benefícios que riscos portege bebés

U

ma pesquisa publicada na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences" revela que os benefícios da luz solar podem superar os riscos de cancro da pele para algumas pessoas. No estudo chama-se a atenção para o facto da falta de luz solar poder prejudicar a produção de vitamina O, substância que ajuda na prevenção de vários tipos de cancro e doenças cardíacas, além de impulsionar o sistema imunológico. mD

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cial grupo de células" sofra duas mutações. A primeira produz-se durante o primeiro período de gestação, o que faz com que algumas células da medula óssea se conver, 1eucé m1cas . ". tam em "prePorém, para que a criança desenvolva a doença, é necessário que uma segunda mutação ocorra durante os primeiros meses de vida. Esta segunda modificação genética, provavelmente causada por uma infecção comum, como uma constipação, alteraria o estado das células pré-leucémicas para células malignas. mo

s adolescentes que fumam ou cujas mães fumaram durante a gravidez têm mais riscos de apresentar problemas de audição. Num estudo conduzido por especialistas da Universidade norte-americana de Yale, que realizou testes em 67 adolescentes, descobriu-se que os que haviam sido expostos à fumaça do cigarro tinham mais dificuldade para se

s mulheres grávidas que comem uma

concentrar e entender o que estava sendo dito a seu redor. A pesquisa, publicada na revista "New Scientist", ainda revelou que, entre esses adolescen-

dieta mediterrânea podem ajudar a proteger os seus bebés da asma e outras alergias. Uma equipa de investigadores de Universidade de Creta estudou 468 mães e as suas crianças durante seis anos e meio após o nascimento. Verificaram que a asma e outras alergias eram significativamente menos comuns nas crianças cujas mães comeram muitos vegetais, frutas, nozes e peixe durante a gravidez. mD

tes, a massa branca do cérebro - responsável pela transmissão de mensagens - tinha aumentado de tamanho. Estudos anteriores já haviam mostrado que crianças com esta parte do cérebro super desenvolvida têm problemas de transmitir e interpretar sons porque a massa branca ficaria fora de sintonia com o resto do cérebro. mD

A

órgão que regula as questões da bioética no Reino Unido anunciou ter dado autorização à criação de embriões híbridos de animais e seres humanos, destinado ao desenvolvimento de terapias para doenças neurodegenarativas. Após vários meses de consultas, a britânica Autoridade de Fertilização e Embriologia Humana (HFEA) concedeu autorização a dois

grupos de cientistas para aplicar esta pranca que, segundo os investigadores, pode ajudar a desenvolver tratamentos para curar doenças neurodegenarativas actualmente incuráveis, como o Alzheimer e Parkinson. Os investigadores pretendem criar embriões híbridos inserindo células humanas em óvulos de vacas mortas. rm

Pesquisa

Actividade e bebida em moderação prolongam a vida A s pessoas que bebem quantidades moderadas de alcoól e que são fis icamente activas tem menos riscos de sofrer de doen-

ças do coração. As pessoas que não bebem nem fazem exercício têm 30 a 49% mais hipóteses de sofrer doenças cardíacas.

A pesquisa, que foi publicada no "European Heart Journal", foi realizada entre 1981 e 1983 por investigadores dinamarqueses junto de 11.914 homens e mulheres de mais de 20 anos. · Durante os cerca de 20 anos de "follow-up" foram registados 1.242 casos fatais de doença isquémica e 5.901 doenças com causas variadas. mD

Cancro

Novo exame analisa saliva U

m grupo de cientistas americanos estão · a desenvolver um novo exame que poderá detectar a presença do cancro de mama por meio da análise da saliva das pacientes. De acordo com um estudo publicado na revista "Cancer Investigation", a presença do cancro da mama produz uma mudança na quantidade e nas características das proteínas encontradas nas glândulas salivares. O novo exame, que está sendo desenvolvido no Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, poderia identificar a quantidade de proteínas na saliva das pacientes para oferecer um diagnóstico precoce da doença. rm

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Em Fevereiro

EU assinala criação do 112 A

União Europeia assinala, pela primeira vez, o Dia 112. A Associação Número Europeu de Emergência (EENA) escolheu o dia 11 de Fevereiro para assinalar a data. O Dia 112 foi criado após a EENA ter conseguido, em Setembro último, reunir as assinaturas de 530 deputados ao Parlamento Europeu e, pela primeira vez desde 1991, foi assinalada a criação do número de emergência comum na União Europeia.

Segundo dados d ivulgados pela EENA, 66 por cento dos europeus desconhecem ainda o 1 12, pelo que a associação quer apostar na sua d ivulgação, bem como dar a conhecer as boas práticas. A criação dos prémios 112, a enuegar numa gala, é um dos meios a que a associação recorreu , para reconhecer o trabalho de "heróis do 1 12" e dos líderes políticos . mo

Bulgária

Depressão

Doenças raras em conferência

Mulheres que deixam religião têm mais risco de alcoolismo A

N

os próximos dias 1 e 2 de Março, a

Bulgária vai ser a anfiuiã da 3ª conferência europeia de Leste sobre doenças raras e medicamentos órfãos, subordinada ao tema "Doenças raras - prevenção, diagnóstico e tratan1en to".

A conferência é organizada pelo Centro de Informação das Doenças Raras e Medicamentos Órfãos, que é um projecto da Associação Búlgara para a Promoção da Educação e Ciência. am

s mulheres que abandonam suas actividades religiosas têm três vezes mais hipóteses de sofrer de ansiedade, depressão e alcoolismo, segundo um estudo conduzido por pesquisadores americanos. Os especialistas, da Universidade de Temple, na Filadélfia, analisaram 718 adultos e concluíram que entre as mulheres que haviam deixa-

do de frequentar a igreja, 21 % apresentaram sintomas de ansiedade, depressão e problemas relacionados ao excesso de bebidas alcoólicas. O mesmo, no entanto, não foi observado entre os homens. Para a equipa de investigadores, as mulheres sofrem mais ao se afastarem da rei igião porque também têm mais hipóteses de perder amigos e se afastar da "rede social da igrejà'. mD

Estados Unidos Robótica

Braço manipula medicamentos de quimioterapia

U

m braço robótica começará a ser uti-

lizado este mês, nos Estados Unidos, para manipular os componentes dos tratamentos de quimioterapia, eliminando erros humanos e protegendo os técnicos de fármacos altamente perigosos. O Hospital da Universidade de Colorado será pioneiro neste tipo de atribuição de funções ao CytoCare, que utilizará a mão robótica para pesar e misturar os componentes, sem lugar a erros, já que a máquina possui diversos testes de segurança. l!!D

IO

Primeiro embrião clonado a partir de humano

e

ientistas norte-americanos conseguiram produzir o primeiro embrião humano

clonado a partir de células humanas adultas, segundo uma pesquisa publicada recentemente no jornal "Stern Cells". Empregando a mesma técnica que deu origem à ovelha Dolly, cientistas da empresa californiana Stemagen Corporation utilizaram células da pele de dois homens adultos e os óvulos de três mulheres jovens (entre os 20 e 24 anos) que estavam a submeter-se a um tratamento de fertilidade. l!!D

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Maria do Céu Machado à GH

"Confundimos gratuitidade com Democracia" Só agora começa a sentir-se "confortável" no papel de Alta Comissária para a Saúde muito devido ao facto da necessidade de ajustar a perspectiva com que encara o mundo. Maria do Céu Machado, enquanto acompanha a implementação do actua l Plano Nacional de Saúde, promete que o próximo será completamente diferente. Gestão Hospitalar - Como se sente no pa-

GH - Que outras áreas tem o Alto Comis-

impossível, exactamente por serem programas tão

pel de Alta Comissária para a Saúde?

sariado?

diferentes, tão abrangentes e tão importantes.

Maria do Céu Machado - Fez um ano, no dia

MCM - O planeamento estratégico de toda a

Havendo um coordenador nacional que tem

13 de Novembro, que estou no ACS. Posso dizer

Saúde, os q uatro programas verticais prioritários,

um conhecimento enorme sobre a situação em

que, agora, me sinto confortável.

que são as Doenças Cardiovasculares, as Doen-

Portugal e as acções a desenvolver, a respon-

ças Oncológicas, a Infecção HIV/Sida e, recen-

sabilidade é partilhada embora a autorização

GH - O período de adaptação foi difícil?

temente, a Saúde Mental. Nestas áreas, foram

final pertença ao ACS.

MCM - Foi, por duas razões principais. Uma

escolhidos Coordenadores Nacionais de grande

Temos reuniões regulares e discutimos os planos.

delas foi a constituição da equipa. A Lei Orgânica

prestígio técnico.

Por exemplo, as Vias Verdes na área das cardiovasculares são um projecto que pode ser considerado

só foi publicada em Maio de 2007 e, no período

no âmbito do PNS.

intermédio, não era fácil estar a convidar alguém

GH - Áreas problemáticas e sensíveis ...

para Alto Comissário Adjunto ou para outro car-

MCM - Complicadas e muito diferentes umas

go, quando legalmente havia um vazio quanto

das outras! E ainda a missão da elaboração do

GH- Como?

aos colaboradores.

novo Plano Nacional de Saúde (PNS) para

MCM - O nosso acompanhamento do Plano

E é impossível cumprir a missão do ACS sem

2011-2016. Aqui a nossa responsabilidade inclui

Nacional de Saúde significa calcular os indica-

uma equipa multidisciplinar. Neste momento

a avaliação, acompanhamento e monitorização

dores - q ue são 122 - para saber como estão a

ainda não há uma equipa completa, mas tenho

do Plano. Temos uma Comissão de Acompa-

evoluir certas patologias e a mortalidade por

colaboradores da maior competência. Os Altos

nhamento do PNS, que até foi alargada. Era

determinadas causas. Percebemos, por exemplo,

Comissários Adjuntos, por exemplo, são de

constituída por organismos do Ministério da

que a mortalidade abaixo dos 65 anos de idade

áreas completamente diferentes da minha. A

Saúde e, como é a nossa convicção que a Saúde

por doença cardiovascular, seja por enfarte cardía-

Dr.ª Rita Magalhães Collaço é jurista e o Eng.º

é transversal e todos os m inistérios têm alguma

co seja por AVC, era bastante superior ao melhor

José Maria Albuquerque é engenheiro e vem da

responsabilidade, a nova Lei Orgânica alarga esta

área de qualidade.

comissão a outros ministérios como a Educação,

país europeu, embora esteja a baixar ... Fomos estudar as causas e percebemos que havia

A outra razão tem a ver com o facto de eu ser mé-

Ambiente, Trabalho e Segurança Social.

m uitas mortes pré-hospitalares. E também se sabe

dica. Apesar de ter sido directora de um grande

No âmbito da área internacional, a nossa missão

que a terapêutica a utilizar em caso de wn AVC,

hospital, de ser presidente da Comissão Nacional

inclui os assuntos europeus, os assuntos multila-

por exemplo, deve ser efectuada nas primeiras ho-

de Saúde da Criança e do Adolescente, a minha

terais como a Organização Mundial de Saúde, a

ras - a janela terapêutica - ou já não tem efeito.

visão era, necessariamente, uma visão micro.

Organização Pan-americana, as Nações Unidas e

Assim, nós identificámos que havia a necessi-

Tive de me adaptar a uma visão nacional, e até

a cooperação com a CPLP.

dade de organizar as Vias Verdes do Enfarte e do AVC e fazer uma campanha junto das po-

europeia dos problemas. A que acresce o facto da coordenação da área internacional do Ministério

GH - Não são áreas demasiado abrangen-

pulações sobre quais são os sinais de alarme. O

da Saúde estar também no Alto Comissariado. É,

tes, demasiado complicadas?

Professor Ricardo Seabra Gomes, Coordenador

afinal, uma visão macro que ultrapassa o país.

MCM - Como referi, os programas verticais têm

Nacional das D Cardiovasculares, considera que

um coordenador nacional, nomeado pelo sr. Mi-

todos os pontos de Urgência - mesmo as bási-

nistro, sob proposta do Alto Comissário e são mé-

cas - devem ter um equipamento que permita

>>>Na prevenção da SIDA gasta-se 10 milhões

dicos de prestígio. E isso é facilitador! Se não hou-

realizar electrocardiograma, com disfibrilhador

quando os tratamentos custam 150 milhões

vesse um coordenador nacional a minha tarefa era

acoplado e ligado ao CODU.


li

Falou com cada presidente das Administrações

de euros por ano mas, em medicamentos, gasta-se

que por definição são aventureiros, que se acham

GH - Voltando ao tema das campanhas, há

Regionais de Saúde (ARS), fez-se a lista de todo o

150 milhões por ano. O que significa que tem

invulneráveis. Como as universidades, os locais de

equipamento necessário e o ACS fez um protoco-

de se fazer mais prevenção. E, em Portugal, ainda

trabalho ou de recreio.

algum projecto em comum com a DGS ou as áreas estão separadas?

lo com cada ARS com financiamento específico

estão a subir o número de novos casos de SIDA,

Mas a incidência tem aumencado de forma

MCM - Tudo tem de ser em comum com a

sobretudo, entre os heterossexuais.

significativa em grupos de idade superior a

Direcção-Geral de Saúde. Primeiro, porque esta

55 anos pelo que as campanhas têm de ser

tem muitos programas - cerca de 40 na área do

abrangentes.

PNS - e o Alto Comissariado tem de perceber

para a aquisição deste equipamento. Começou-se no Algarve, em Agosto, no princípio de Outubro no Alentejo e, agora em Janeiro no Centro, Norte

GH - As campanhas não resultam?

e Lisboa e Vale do Tejo. Estão a decorrer campa-

MCM - São campanhas muito dirigidas à po-

nhas para a população, de forma satisfatória.

pulação vulnerável, que são os homossexuais, os

GH - Acha que a sua formação como pe-

bilidade da avaliação.

As Vias Verdes são um bom exemplo de um pro-

toxicodependentes ... não é o suficiente e, neste

Por exemplo, a comissão de acompanhamen-

grama vertical, se bem que os programas sejam

momento, não é a realidade portuguesa. Nestes

muito diferentes uns dos outros. Por exemplo, na

grupos praticamente não tem aumentado o nú-

diatra a está a ajudar no cargo? MCM - Acho que ajuda mais do que se eu tivesse uma especialidade mais específica. O pediatra é

área da SIDA, ainda há uma grande discrepância

mero de casos novos, e é preciso é trabalhar os

de certa forma um médico de família. Estamos

entre o que se gasta em prevenção e o que se gasta

outros grupos. Tenho falado com o Professor Henrique de Bar-

habituados a vários grupos etários, às crianças, aos

p residente da ARS fez o ponto de situação relativamence ao registo d o cancro, do rastreio e

adolescentes, aos jovens pais, aos avós que vão às

às listas de espera.

ros - o coordenador nacional para esta área - so-

consultas. O pediatra não trata só a doença, faz a

Um outro exemplo ... na área da SIDA surgiram

GH - Qual é a diferença?

bre a grande preocupação de que as campanhas

promoção da saúde e é muito frequente os pais e

os testes rápidos, de custo quatro vezes inferior

MCM - O orçamento para a prevenção é qual-

que existem nas escolas e liceus, também sejam

os avós pedirem conselhos, o que dá uma dimen-

aos anteriores, e na reunião . sobre esta temática

quer coisa como um pouco mais de 1O milhões

efectuadas nos locais frequentados pelos jovens,

são diferente.

percebeu-se que algumas regiões que ainda não

em medicação.

como estão a decorrer, porque temos a responsa-

to reúne mensalmente e estas reuniões são temáticas. A última foi sobre cancro e cada

"Sou uma grande defensora da ges tão privada" GH - Como vê o modelo de gestão dos

que os gastos que havia nos hospitais - e nos

acrescem pagamentos exrra conforme o núme-

co que não tenha formação em gestão.

hospitais EPE?

centros de saúde também - eram escusados,

ro de doentes a mais que se vêem.

Acho que num hospital ninguém devia ser

MCM - A resposta tem de ser dada à luz do

havia dinheiro mal gasto.

O problema que se colocou foi que a população

chefe de serviço - nem sequer director - sem

meu percurso profissional que passa pelos Hos-

Os progressos na Medicina são de tal forma que

da wna cresceu de tal maneira para além dos

ter uma formação em gestão hospitalar. E nin-

pitais Civis de Lisboa e pela Maternidade Alfre-

números previstos, que os quantitativos atingi-

guém formado em gestão devia ser adminis-

do da Costa, e aqui já como chefe de serviço,

estão sempre a aparecer eqwpamentos e medicamentos novos, que são caros, mas que salvam

dos pelos pagamentos extra foram uma loucura.

trador hospitalar sem ter alguma formação em

estavam a utilizá-lo. A ARS do Algarve mostrou

portanto, com funções de gestão. D epois traba-

vidas. E se nós queremos ter a certeza que é pos-

O Miniscério da Saúde achava que havia 400

Saúde e sem ter sensibilidade para a Saúde.

que a poupança tinha sido de mais de 300 mil

GH - Acidentes rodoviários, domésticos? MCM - Uma parte importante são acidentes

lhei 11 anos no Hospital Amadora-Sintra, que é uma unidade hospitalar pública de gestão pri-

sível tratar os doentes com esses equipamentos

mil habitantes e foi confrontado com 600 mil.

No Amadora-Sintra ninguém me disse que não

euros, nos hospicais e centros de saúde.

rodoviários, mas também as quedas das varandas

vada - a primeira e única, por enquanto - como

necessários. •

e medicamentos não poderá haver gastos des-

directora da Pediatria e um ano como directora

podia comprar um aparelho porque era caro,

A próxima comissão de acompanhamento será

- e daí a importância de estarem representados na

GH - Acha que o relacionamento entre

desde que eu justificasse a sua utilidade. Agora

sobre acidentes e a sua prevenção. Há um progra-

comissão o Ministério do Ambiente e o M inis-

gestores e profissionais de saúde é pre-

o hospital funciona das 8h da manhã às 8h da noite, não funciona só até à uma da tarde ...

ma nacional de prevenção de acidentes que é da DGS, que não escá ainda implementado, mas está

tério das Obras Públicas. Somos também o país onde há intoxicações gravíssimas porque se guar-

em fase final. E nesta área há muito que fazer.

dam produtos tóxicos em garrafas vazias de água.

clínica. Nunca trabalhei com funções de gestão

GH - E o modelo EPE não facilita isso?

judicado pela gestão pública e facilitado

num hospital EPE.

MCM - Acho que facilita mais que o modelo

Sou uma grande defensora da gestão privada,

anterior. Mas acho que a gestão privada ain-

pela gestão privada? MCM - N ão, acho que é uma questão de men-

do hospital público com gestão privada. Por-

da facilita mais. Considero que devia haver

talidade. Quando alguém é convidado para

GH - Esse é um das grandes vícios da Saúde?

Integramos uma organização europeia, q ue elabora, todos os anos, um relatório em que clas-

Também nos lembramos das mortes de jovens por acidente com balizas que não estão fixadas. O

que percebi rapidamente que as vantagens são

mais hospitais com o modelo de gestão do

director de serviço de um hospital com gestão

MCM - Acho que também já se alterou e,

sifica o país conforme a mortalidade e morbi-

número de acidentes em parques infantis públi-

inúmeras. O envolvimento entre directores de

Amadora-Sintra.

neste momento, os hospitais já têm consultas

lidade por acidente abaixo dos 14 anos, sejam

cos é uma loucura!

serviço e gestores hospitalares é enorme.

Mas esta gestão também precisa de ser burilada.

deste género fica logo mentalizado que a gestão vai ser completamente diferente.

até ao fim da tarde e o bloco operatório ...

rodoviários, domésticos ou de lazer. No relatório

Percebemos que temos de acruar. O programa é

N as reuniões que tenho tido, nas conversas

Houve imensos problemas na fase inicial, por-

neste caso aponta-se muito a culpa ao médi-

apresentado em Novembro, Portugal não estava

da DGS e propus que a próxima reunião da co-

com os colegas e pelo que se tem escrito, acho

que houve alguns problemas de comunicação entre entidades.

co. Os blocos só funcionam de manhã porque o cirurgião só está lá de manhã. Mas mesmo

muito bem colocado.

missão de acompanhamento alargada fosse sobre acidentes para falar dos contributos que cada mi-

que o cirurgião queira estar à tarde não é su-

GH - Porquê?

nistério e cada presidente da ARS pode dar para a

ficiente, se não houver anestesista, enfermeira instrumentista . . .

MCM - Quando comparados com outros países

prevenção de acidentes.

europeus, temos uma mortalidade elevada, por

O que dá uma noção do que é o Alto Comissaria-

acidente, na faixa etária abaixo dos 15 anos.

do, como serviço coordenador. Neste caso, há in-

que os EPE são um sistema intermédio entre

Os gestores têm uma frase - que eu não gosto nada! - que é 'os médicos têm de despir a batà. Eu digo ao contrário, digo que os gestores têm

público de gestão pública que, obviamente,

No caso do Amadora-Sintra, é pago à entidade gestora um valor para a prestação de cuidados

de vestir a bata para perceberem o lado dos médicos, dos enfermeiros e dos doentes. Ou seja,

precisa de afinações. Mas que é essencial, por-

relativo a um número de habitantes, a que

provavelmente não há nada pior que um médi-

hospital público de gestão privada e hospital

15


nos cuidados primários que se deslocam aos bair-

com gestão privada. Porque percebi rapida-

Nenhum médico deveria ser chefe de serviço

ros problemáticos. Exemplo de boas práticas é a

m ente que as vantagens são inúmeras. O envol-

ou director num hospital, sem ter formação

unidade móvel da Venda Nova que proporciona a

vimen to entre gestores hosp italarés d irectores

em gestão hospitalar. E ninguém formado em

vacinação, testes de Sida ou controlo d a TA, junto

dos serviços é enorme, com responsabilização

gestão devia ser administrador hospitalar sem

ao local de residência.

destes em todas as áreas como produtividade,

ter alguma formação em Saúde e sem ter sensi-

recursos humanos, humanização.

bilidade para a Saúde.

Pelo que tenho tido conhecimento, a gestão pú-

No HAS nunca me foi dificultada a compra de

GH - Está prevista a criação de mais unidades? MCM - Em Almada, o Hospital Garcia de Orta

blica também evoluiu n os últimos anos principal-

equipamento por ser caro, desde que sua utilida-

mente nos EPE, sistema intermédio entre hospi-

de fosse justificada. Mas esse equipamento tem de

também promoveu uma unidade destas. O ACS

tal público de gestão privada e hospital público de

funcionar das 8h da manhã às 8h da noite.

tem capacidade para financiar projectos a nível

gestão pública que, obviamente, precisa de afina-

das ARS e a nível local. O bviamente que tem d e

ções. Mas o que é essencial, é evitar o desperdício

GH - Esse é um das grandes vícios da Saúde?

ser feito tudo através das ARS.

seja qual for o tipo d e gestão.

MCM - Também já não é assim. As consultas e o

Por outro lado, há um grande trabalho a fazer

Os progressos da tecnologia médica são de tal

bloco operatório funcionam pelo menos 1Oh por

n a área da educação. Nestas famílias, podemos

forma onerosos que para o d oente beneficiar da

dia. Aponta-se muito a culpa ao médico pelo não

começar pelas crianças. Nas escolas, é preciso

inovação, não pode haver gastos desnecessários.

cumprimento dos horários. Mas para o cirurgião operar é preciso toda uma equipa, anestesista, en-

ter educação na área da promoção da saúde e da básico que é importante ir ao m édico durante a

GH - E o modelo EPE não facili t a isso? MCM - Facilita mais do que o modelo anterior.

gravidez, por exemplo, para que quando ela che-

Mas devia haver mais hospitais com o modelo de

gue a casa o diga à mãe que está grávida.

gestão do Hospital Amadora-Sintra (HAS).

prevenção da doença. Ensinar à criança no ensino

Mas este modelo de financiamento também tem de ser melhorado. Houve problemas na fase ini-

um terço das famílias n ão está registado em

GH - Isso já é o suficiente? MCM - Estamos a pensar q ue o próximo Pla-

nenhum centro de saúde. Aqui incluem -se os

no N acional de Saúde d eve ser diferente. O

No caso do HAS, é pago à entidade gestora um

cidadãos dos países de Leste, onde, por no rma,

plano actual foi desenvolvido segundo o ciclo

valor para a prestação de cuidados relativo a um

petência intersectorial e o ACS é responsável pela

os cuidados primários de saúde não estão muiro

da vida: n ascer saudável, crescer com seguran-

número de habitantes, a que acrescem pagamen-

coordenação.

desenvolvidos. E existem ainda os chineses que

ça, juventude à procura de um futuro saudável,

tos extra conforme o número de doentes extra.

nascem nos hospitais mas depois não aparecem

vida adulta produtiva, envelhecimen to activo,

O problema que se colocou foi que a popula-

m ais nos serviços de saúde.

m orrer com dignid ade.

ção da zona cresceu d e tal maneira para além

Se existem 28% das famílias que não estão regis-

No novo PNS, a equidade de cuidados d eve ser

dos números p revistos, pois os cálculos d o

tadas em nenhum centro de saúde isso significa

o fio condutor. Ou seja, identificar grupos vul-

Ministério da Saúde apon tavam para 350 mil

dicadores do Plano Nacional de Saúde em desvio

C hegámos também à conclusão que cerca de

relativamente a outros países da União Europeia, e é urgente alterar essa tendência. Os programas e acções a desencadear são de ~om­

cial, com ruído na comunicação entre entidades.

0

GH - Recentemente publicou um estudo sobre os cuidados de saúde materno-infantis da população imigrante. Como Alta Comissária pode fazer alguma coisa? MCM - 0 estudo foi feito no concelho da Ama-

que estas crianças nasceram no hospital mas não

neráveis cujos indicadores se desviem da m édia

habitantes e foi confrontado com 600 m il. Pa ra

se sabe onde estão nem se são doentes. Ou seja, o

nacional. Tanto pode ser a população imigrante

além das famílias imigrantes com enormes flu-

dora, que é a área em Portugal que tem a maior

facto do acesso ser universal não é suficiente.

na área suburbana de Lisboa como a população

tuações e sem controlo possível.

prevalência de população imigrante. Em duas mil

rural da Beira Interior.

meu percurso profissional: gestão pública - Hos-

GH - Acha que o relacionamento entre gestores e profissionais de saúde é prejudicado pela gestão pública e facilitado pela gestão privada? MCM - Não, acho que é uma questão de menta-

pitais Civis de Lisboa (8 anos) e Maternidade

lidade. Quem aceita um convite para director de

Alfredo da Costa (13 anos), aqui já como chefe

serviço de um hospital com gestão privada, perce-

de serviço e gestão privada - Hospital Amadora-

be imediatamente que as regras de gestão vão ser

-Sintra (11 anos). Neste é uma unidade hospita-

completamente diferentes.

lar pública de gestão privada - a primeira e úni-

Os gestores têm uma frase - que eu não gosto

ca, por enquanto, como directora da Pediatria e

nada! - que é "os médicos têm de despir a batà'.

como Directora C Unica. Nunca trabalhei com

Eu digo ao contrário, os gestores "têm de vestir a

funções de gestão num hospital EPE.

batà' para a compreensão inteligente dos proble-

Sou uma grande defensora do h ospital público

mas dos profissionais de saúde e dos doentes.

tos, 43% são filhos de imigrantes.

GH - O que é que o Alto Comissariado pode fazer? MCM - Temos de ser nós, serviços d e saúde, a ter

GH - Como vê o modelo de gestão dos hospitais EPE?

Um dos valores europeus nacionais d eve ser a

programas de proximidade. Equipas domiciliárias

MCM - A minha perspectiva é o resultado do

crianças nascidas no Hospital Fernando da Fonseca, correspondendo a seis m eses de n ascimen-

equidade no acesso aos cuidados ou seja igualdade de oportunidades. A lei portuguesa legitima o acesso universal aos cuidados de saúde e nós não perguntamos, nos nossos hospitais se os doentes estão documentados ou não. Mas os não documentados, e isso acontece em todos os países, têm um certo receio d e ir ao hospital ou ao centro de saúde. Habitualmente só vão numa fase mais tardia da doença, cm que já têm complicações ou é irreversível.

O facto do nosso serviço ser universal não é suficiente para a comunidade imigrante

fermeira instrumentista, maqueiro, e bloco a funcionar. Mu itas vezes, é aí que os serviços falham.

GH - Falou da inovação t e rapêutica. Os medicamentos são precisam ente uma das coisas que mais custos traz aos hos pitais. Concorda com as restrições à introdução em ambiente hospitalar?


11

MCM - Concordo, desde que haja uma Comissão de Farmácia no hospital, coordenada pelo Direcror Clínico que aprecie o pedido e as indicações e haja evidência científica para aquela situação. Ou seja, quando se diz que há restrições e que é preciso uma licença especial da comissão de far-

"No novo PNS, a equidade de cuidados deve ser o fio condutor"

mácia, é preciso não esquecer que quem lidera esta comissão é um médico.

GH - Que balanço faz das mudanças nas

Nós, os médicos, somos deslumbrados. Há um

carreiras médicas?

medicamento novo e queremos logo utilizá-lo,

MCM - As carreiras são péssimas! Tinham justi-

muitas vcres como último recurso. Por exemplo, o surfactante pulmonar com

ficação, quando foram criadas pois seria na altura

indicação científica apenas para bebés prema-

Porém, nos últimos 1Oanos não houve nenhum

turos. Se eu tiver nos cuidados intensivos uma

concurso que não fosse impugnado. Ao impug-

criança com uma pneumonia a adenovírus, com seis meses e que está a morrer, é lícito que

nar um concurso para Chefe de Serviço, impede-se que um director escolha quem vai ser o seu

seja prescrito esse medicamento pois é um últi-

colaborador de confiança.

mo recurso. E custa mil euros.

O director de serviço tem de ser responsabiliza-

a melhor maneira de organização.

do cada vez mais pelas consultas no seu serviço, GH - Como vê a polémica recente sobre a recusa de um medicamento a um doente

pelas cirurgias, pelos internamentos, número de exames pedidos, pelo número de médicos e enfer-

da área oncológica?

meiros que tem, número de actos médicos, pela

MCM - É ruído.

humanização, queixas, situações de risco. Por isso, os seus colaboradores directos têm de ser

GH - Com estas mudanças o Serviço Na-

da sua confiança.

cional de Saúde (SNS) é cada vez menos tendencialmente gratuito ...

GH - Que legado gostaria de deixar como

MCM - Nós confundimos gratuitidade do SNS

Alta Comissária?

e democracia. Achamos que é pouco democráti-

MCM - Gosto muito do acompanhamento do

co que não seja tudo gratuito. Eu acho que nada

PNS, tenho um grande entusiasmo pelo estudo

devia ser gratuito. E aí sou mais radical que o meu

dos indicadores, por perceber onde há desvios e

ministro da Saúde.

decidir quais as intervenções. Se o ACS conseguir

Por exemplo, no caso das seringas para os dia-

sensibilizar os outros dirigentes do Ministério da

béticos e as bombas para os asmáticos. Obvia-

Saúde no sentido de desenvolver acções que sejam

mente que são doenças crónicas com custos

específicas para situações que não correspondem

para a vida inteira. Mas quando temos algo

aos valores europeus, significa que fiz o necessário

gratuito nós gastamos exageradamente. Co-

para que a Saúde dos portugueses seja semelhante

nheço muitos asmáticos que, como a bomba

à dos outros países europeus.

é gratuita, têm cinco bombas (uma em casa,

Na área internacional, a cooperação é onde Por-

uma no trabalho, uma em casa dos pais, etc).

tugal tem uma responsabilidade como país euro-

Tudo devia ter o seu custo.

peu, porque a Saúde em África é, cada vez mais, a

A Saúde é uma área muito difícil e que afecta a todos. As reformas na Saúde, e concordo com a

Saúde da Europa. Estamos finalmente a pensar a cooperação de

maioria nunca são bem aceites.

uma forma diferente que é reforçar os serviços de

No século XXI, a população é mais informada e

saúde africanos e incentivá-los a terem também

gosra de perceber as razões. O acesso à informa-

um Plano Nacional de Saúde. Eilll

ção é completamente diferente. É nesta área que acho que o Ministério da Saúde tem de trabalhar

>>>Portugal tem uma mortalidade elevada, por

mais, na comunicação com as populações.

acidente, na faixa etária abaixo dos 15 anos


Seja mais rápido que ...

Quanto gasta o Estado e om Enfartes e Tromboses Anualmente morrem fora do hospital, em Portugal, em sequência de Acidente Vascular Cerebral (AVC) 10.180 pessoas. O Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM) provoca 4897 mortes ao ano. Em hospitais os números acompanham a tendência anterior, embora seja possível notar a diminuição: por AVC morrem, por ano, 4363 enquant o que o de EAM a redução é a inda ma ior: 1224 mortes a nua is.

e

arlos Gouveia Pinto, economista

da S a~de e professor ~o Instituto Supenor d e Economia e Gestão (ISEG) , da U niversidade T écnica de Lisboa, referiu que «OS custos totais por doente, durante o primeiro ano após o ataq ue é de 6200 euros no EAM e d e 6600 eu ros para o AVC. Nos anos seguintes os valores diminuem para 1000 euros no EAM e 300 euros para o AVC». «Relativam ente aos do-

SEJA MAIS RÁPIDO QUE UM AVC •falta de força num braço • boca ao lado • dificuldade em falar

LIGUE DE IMEDIATO 112

-..

20

Alto Comissariado da Saúde

~--~as '

CardtcYascularcs

* INEM

entes hosp italizados, falecidos no hospital, consideram-se apenas os custos de in tern am ento (GDH). São 6295 euros os custos referentes ao EAM e 17 50 euros ao AVC» salientou . Em análise aos dados, este especialista refe re q ue «morrem, em m édia, 17 ,8% dos pacientes no hospital por EAM e 15,59% por AVC» , acrescentando que «não existem valores sob re o número de pessoas vivas que já foram vitimas d estas d uas patologias, não sendo pois possível calcular quantas pessoas incorrem actualmente no custo d enomina-

Taxa de mortalida de padronizada por AVC a11tes dos 65 anos / 100 000 habita ntes

do de "anos seguintes". Por tal razão, não foi calculado o custo total e anual com estas doenças, apresen tando-se apenas os custos por doente». No que diz respeito aos gastos com a terapê utica associada a estas patologias, Carlos Gouveia Pinto realço u que «OS custos totais, após 10 anos, n o qu e diz respeito ao enfarte rondam os 11 m ilhões e meio de euros, en-

1

Mel hor valor da UE 15 (2004) (b )

1,6 17,9

Portugal (2001) (a) Po rtugal (2004) (e)

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'º'

PI

H1l11l li•I

1

1

1,6

Portugal {2005) (e)

de d esemprego e o sexo dos doentes q ue sofreram um EAM ou um AVC. «O bene-

Portugal (2004) (e)

fício líquido , ap ós 10 anos, tendo por base

Portugal (2005) (e)

as vítimas de enfa rte agudo do m iocárdio ou acidente vascular cerebral é semp re po-

I' 1113

JH"\I !

"" 1

quan to que na trombose os valores chegam aos 15 milhões e meio de euros». Os ganhos de produ tivid ade foram ponderados tendo por base a estrutura etária, taxa

12,0

~

Met a 201 O (a)

1 18,2

l lS,4

1

1

1

li

'14

t 16,2 1

1

o Feminino O Masculino

1

1

(a) Calculada pela DGS par a Portugal, incluindo Regiões Aut ónom as. Fo,nte: PNS 2004 - 2 010, Vol. 1, pág. 59 . (b) França, .EUROSTAT ( 2 007) . ( e) Calculada par a Portuga l Cont inenta l, Fonte: I NE (2 00 7 ). Elabor ado a part ir de informação d ispon ível e não :publicada.

sitivo. Ou seja, os ganhos de produ tividade compensam sempre os custos totais com a terap êutica », salienta o economista da Saúd e, acrescentando, no entanto, que «se fi -

de 11,6%, tendo diminuido 11,4% relativamente ao valor do ano anterior (13%). Ainde assim estas taxas sit uara m-se

zermos a an álise a cinco anos o resultado

bastante acima do melhor valo r europeu de 2004 (França: 5,6%). As taxas de mortalidde por género decresceram am-

d eixa perceber que já n ão h á compensação, u ma vez que o tratamento inicial é muito caro. Tem que haver uma sob revid a bastan-

bas, de 2004 para 2005 (variação relativa: -11,0%, para o género masculino; -11,9% para o feminino).

te alta para compensar os gastos, pois sob revive r tem também custos - com tratamentos e co nsultas, en tre outras actividades , ao longo do tempo ». «Em noven ta por cento dos casos as pessoas voltam a ter uma vida activa, por vezes até m elhor. Esta atitude fica a dever-se ao 'susto' qu e os doentes apanham quando sofrem um AVC ou um EAM» refere ainda.

Campanha de Sensibilização

>»Em 2005 a taxa de mortalidade padronizada por AVC, antes dos 65 anos, apurada para Portugal Contine ntal foi

Factor tempo é fundamental Cerca de 70% das mortes por acidente vascular cerebral e 80 % das mortes por enfarte

do tratamento adequado deve ser realizado nas primeiras três horas após os primeiros

agudo do miocárdio (EAM) acontecem fora

sintomas. A intervenção atempada con duz a uma diminuição do número de mortes»,

do hospital ou antes de lá chegarem. A razão para tal tem a ver com o facto de "os doentes desconhecerem ou desvalorizarem os sinais e, por isso, pedirem ajuda tarde demais - quando pouco se pode fazer para tratar e salvar", salienta Pedro Coelho dos Santos, responsável do INEM, acres-

salientou ainda. «Na prática, as Vias Verdes são estratégias que têm por objectivo melhorar as acessibilidades dos doentes, na fase aguda dos AVC e EAM, aos cuidados médicos adequa-

no acesso destes doentes ao hospital, através

dos» disse Pedro Coelho dos Santos em declarações à GH, afirmando ainda que «devem ser accionadas pelo cidadão, através do 112, e envolvem a intervenção do INEM

para a n ecessidade d e chamar, de imediato,

da implementação das Vias Verdes». Para este responsável, «o factor tempo é fundamental nestas duas situações de

no diagnóstico, eventual tratamento p ré-hospitalar e o adequado encaminhamento para os hospitais com unidades especializa-

para o 112.

emergência m édica, uma vez que o início

das no tratamento destas situações».

Desde 15 de Jan eiro qu e d ecorre, um pouco p or to do país, uma campanh a de sensibilização pública que visa informar a população sobre os sinais e sin tomas associad os ao en fa rte e ao aciden te vascular cerebral e

centando ainda que «estes valores demonstram a necessidade de aumentar a rapidez

21


Taxa de morta lidade padronizada por DIC

Na sequência da implementação nacional das Vias Verdes para o Enfarte Agudo do Miocárdio, esta iniciativa foi desenvolvida

antes dos 65 anos/ 100 000 habitant es Meta 201 0 (a)

.

11 ,0

10,0

Melhor valor da UE 15 (2004) (b)

116,1

Ponug al (2001) (a) Portugal (2004) (e)

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il1111 ,1, 11Ht

11 1 1111• •1 11 !i 11' li1J11"1<1i

12,0

Portugal (2005) (e)

25,2

Portuga l (2004) (e) Portugal (2005) (e)

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l!>,ti 1 ~9.7 H4,~

1

1

1

o Feminino o Masculino (Método directo: p-0pulação-padrão europeia) (a) Calculada pela DGS para Portugal, incluindo Regiões Autónomas. Fonte: PNS 2004-2010, Vol. 1, pág. 59. (b) Franc;a, EUROSTAT (~007). {e) Calculada para Portugal Continental. Fonte: INE (2007). Elaborado a partir de informação disponível e não publicada.

»>A taxa de mortalidade padronizada por DIC, antes dos 65 anos, para Portugal Continental foi de 12,0% em 2005 (variação de -20,0% relativamente ao valor de 2004), sendo superior ao melhor valor europeu /10,0% observado em França). As taxas de mortalidade para cada género, em 2005, aproximaram-se dos melhores valores europeus (apurados em França): para os homens obteve-se 19,7% sendo de 17,1% a taxa de mortalidade em França; para as mulheres obteve-se 4,9%, sendo de 3, 1% a taxa nesse país.

Sinais de alerta

<<A campanha destina-se a toda a população. Todas as pessoas devem ser conhecedoras dos

sintomas e sinais de alerta do EAM e do AVC. Não se pode perder tempo», destacou Seabra

Gomes. O coordenador nacional de doenças cardiovasculares do Alto Comissariado da Saúde salientou também que, «no caso do EAM, se a dor forte no meio do peito, acom-

panhada de suores e da sensação de náuseas e vómitos, não passar ao fim de 5 minutos, deve chamar o 112. No caso do AVC, a súbita dificuldade em articular palavras, falta de força de um braço e boca ao lado, deve chamar-se imediatamente o 112». O cardiologista afirmou ainda que «a população é avisada para não se dirigir pelos próprios meios para os serviços de urgêneia e, em vez disso chamar imediatamente o 112. O INEM enviará para o local os meios mais adequados e sabe o que fazer no transporte e no encaminhamento para os hospitais com os meios de diagnóstico e de tratamento mais adequados»

22

pelo Ministério da Saúde através da Coordenação Nacional para as Doenças Cardiovasculares do Alto Comissariado da Saúde, contando ainda com o apoio do INEM. Para Carlos Gouveia Pinto, «a campanha aumenta em vinte por cento o número de doentes que chegam vivos ao hospital, após um AVC ou um EAM, existindo assim uma eficácia acrescida quando são efectuadas acções deste âmbito». De facto, «a campanha tem por objectivo reduzir as mortes evitáveis por enfarte agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral» referiu Seabra Gomes, coordenador nacional de doenças cardiovasculares do Alto Comissariado da Saúde, salientando ainda que «a maior parte das mortes, que nas duas situações e em conjunto constituem a primeira causa de morte em Portugal, ocorre fora do hospital. No caso do EAM, presumivelmente, antes da chegada ao hospital» salientou. Para o principal responsável pelas doenças cardiovasculares, do Alto Comissariado da Saúde, «é necessário que os doentes sejam encaminhados para os hospitais mais adequados, que estão definidos pela Coordenação Nacional para as Doenças Cardiovasculares (CNDCV) em todo o país ». Para este especialista, «estes hospitais têm, no caso do EAM, unidades de intervenção coronária percutânea para a chamada angioplastia primária - e existem em apenas 13 hospitais nos grandes centros urbanos - e unidades de cuidados intensivos coronários ou unidades polivalentes com cobertura por cardiologis tas que existem em 33 hospitais e que podem fazer trombólise endovenosa ou receber os doentes em que estes tratamentos foram iniciados na fase pré-hospitalar, nas ambulâncias do INEM , nos serviços de urgência básica, nos centros de saúde ou até na residência dos doentes». Seabra Gomes diz ainda que é fundamental uma resposta rápida por parte do INEM , bem com a sua articulação com os hospi-

Prevencão :;,

«É indiscutivelmente pela prevenção, tão largamente difundida, com a cor-

recção atempada dos chamados factores de risco» que estas patologias podem ser prevenidas, refere Seabra Gomes q uando q uestionado sobre como fazer frente a estes problemas, afirmando ain da que «os factores de risco são semelhantes, tanto para o EAM como para o AVC : diagnosticar, tratar e controlar a hiperten são arterial; o aumento de colesterol e a diabetes; evitar o sedentarismo; não fumar e evitar o au mento de peso e a obesidade». Convém saber porque razão, não só em Portu gal como no utros países, estes factores de risco não são devidamente controlados, apesar de tantas campanhas d e prevenção. Para Seabra Gomes «uma d as explicação p ode estar na falta de cultura e de promoção de saúde que d everia fazer p arte do 'cu rriculum' o brigatório de todas as escolas , desde o ensino básico. Há certamente um papel muito importante a desempenhar pela população em geral - e por cada indivíd uo em particular - nos cuidados a ter com a saúde. A culpa não pode continuar a ser sempre "dos outros" » realçou o coordenador nacional para as Doenças Cardiovasculares do Alto Comissariado da Saúde.

tais de referência, para que os doentes sejam aceites nas unidades especializadas mais próximas e com vagas, sem atrasos nos serviços de urgência dos hospitais. A campanha inclui cartazes e 'outdoors'; distribuição de folhetos e ím anes de frigorífico, inserções no Multibanco e ainda 'spots' nas rádios e nas televisões. A fadista Mariza e o actor Ruy de Carvalho aliaram-se a esta causa e vão ser os rostos da campanha, na televisão. mD

SEJA MAIS RÁPIDO QUE UM ENFARTE •dor, peso ou queimadura no peito •suores frios• náuseas e vóm· os

LIGUE DE.~TIVIEDIATO 112 •

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Ana Cruz

23


1 11

Lançamento de livro

Investigação

Mais Informação, Mais Saúde

MSD contrata laboratório português

quais, M aria de Belém Roseira, ex-ministra da Saúde e presidente da Comissão Parlamentar de Saúde; Isabel do Carmo, médica endocrinologista; M aria do Céu Machado, pediatra e Alta Comissária para a Saúde; Irene Silveira, bastonária da O rdem dos Farmacêuticos; Clara Carneiro, da Comissão de ética para a Saúde; e Ana Escovai, ex-coo rdenadora da Unidade Operacional de Financiamento e Contratualização em Saúde na Administração Central dos Serviços de Saúde e professora na Escola Nacional de Saúde Pública, entre outras. As m ulheres desafiadas a participar neste projecto destacam-se pelo seu envolvimento na área da saúde e/ou da educação e expõem a sua visão sobre o papel da informação e da educação n uma melhor saúde para os cidadãos. Os textos foram escritos de uma forma livre e dentro da respectiva área de competências. Segundo a coordenadora e autora, Ana Beatriz Gaminha, este livro teve origem numa ideia simples: "mais info rmação dá origem a mais saúde". «O denominador comum das

F

oi apresentado ao público o livro "Mais Informação, Mais Saúde", no passado d ia 8 de Janeiro. Esta obra foi editada pela AJE- Sociedade Editorial, e contou com o apoio da revista "Farmácia Distribuição". Trata-se de um livro que reúne 17 reflexões de mulheres ligadas à educação e à saúde. O livro foi coordenado pela empresária Ana Beatriz Gaminha; pela jornalista e directora das publicações do grupo AJE, Carina Machado; pela directora de comunicação da APIFARMA, Dina Matos Ferreira e pela apresentadora de televisão, na área da Saúde, Marina Caldas. Esta obra conta ainda com textos de mulheres que se destacam na nossa sociedade, entre as

m ulheres que participaram neste projecto é o gosto pela comunicação» referiu esta especialista, acrescentando que «as mulheres vêm aumentando a sua acruação em posições de liderança nas empresas, nas instituições, e conquistando mais terreno no espaço público». «É o contexto actual do mundo moderno, a nível nacional e internacional, com milhares

de exemplos do seu papel mais interveniente na sociedade global» salientou. António Vaz Carneiro, médico e director do Centro de Estudos de Medicina baseada na Evidência da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa foi o orador convidado para fazer a apresentação desta obra. "Esta obra tem coisas interessantes mas também esquisitas'', afirmou em jeito de graça. Para este profissional da saúde trata-se de "um livro complexo" acrescentando que nele se reúnem "várias sugestões em prol de uma sociedade mais informada".

A

multinacional Merck Sharp & Dohme (MS D ) e a sua subsidiária

nos Es tados Unidos, M erck & Co., contrataram, recentemente, o Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica (IBET) para um projecto de inves tigação no cam po das vacinas, utilizando leveduras em vez de células animais para a produção de antico rpos. O IBET irá desenvolver culturas de um tipo de levedura, "Pichia pastoris", usando um controlo híbrido semi-paramétrico. O objectivo desta investigação é o desenvolvimento dum procedimento genérico e sistemático para a optim ização das condições de cultivo da levedura "Pichia pastoris" em bio-reacto res à escala piloto. Pretende-se optimizar a produção

A obra conta agora com a sua primeira ed ição e pode ser adquirido através do site da AJE www.aJe.pt.

"Coração Feliz"

de diversas estirpes de "Pichia pastoris" recom binante, da Merck & Co, q ue foram mod ificadas geneticamente para mimetizar a

Uma parte significativa das receitas das vendas revertem a favor da Associação Coração Feliz, uma associação que apoia crianças com doença cardíaca, constituída por pais, amigos e profissionais de saúde. Ana Branco, presidente da Associação Coração Feliz, na cerimónia de apresentação do livro, recebeu um cheque de 2.500 euros e confessou a sua surpresa aquando do primeiro contacto telefónico em que lhe foi dito que as receitas do livro reverteriam para esta instituição, à qual preside, afirmando que «por vezes associações como esta são, de certa forma, esquecidas». mo

glicosilação h umana de proteínas. A meta final é abrir as portas a uma revolução da tecnologia de prod ução de biofárm acos complexos, em particular anticorpos, actualmente do minada pela tecnologia de células animais. O projecto inclui ainda, como segundo objectivo, a caracterização detalhada do comportamento metabólico da levedura em condições de operação ind ustrial. A equipa de cientistas, encabeçada pelo investigador Rui Oliveira, será constituída por elementos da Faculdade de Ciência e Tecnologia/Universidade Nova de Lisboa, Rui Oliveira e João Dias, do IBET, Ana Teixeira e João C lemente, e do IT QB/IBET,

1

1

I.

l

António Cunha, em colaboração com investigadores da Merck & Co, John Aunins, Hari Pujar e Ned im Altaras. Recorde-se que o IBET vem, desde há largo tempo, a colaborar com Merck & Co., nomeadamente através do laboratório de Tecnologia de Células Animais, dirigido pela investigadora Paula Alves. Entre os proj ectos resultantes de parcerias

com a MSD, salienta-se o in iciado h á três anos para culturas tridimensionais de células de cérebro para ensaios de fármacos em neuro ciências. Mais recentem ente, esta estreita colaboração deu também origem a projectos de produção de anticorpos m onoclonais para fases de ensaio pré-clínico. A MSD é uma companhia m ultinacional líder na produção e comercialização de prod utos e serviços farmacêuticos. Esta com panhia investiga, através dos seus onze cen-

tros de investigação básica um grande número de moléculas com potencial inovador para melhorar a saúde h um ana e an imal. Portugal desde 1970, comercializa mais de 50 medicam entos de fabrico próprio para Cardiologia, Osteoporose, Infecções, Doenças reumáticas, Neurologia, O ftalmo logia, Doenças da próstata, Asma, VIH-SIDA, entre outras. Apenas nos últimos quatro anos, foram autorizados em Portugal 14 novos m ed icamentos de investigação MSD. mo


Protocolo

Luta contra eu cem .ia une instituições Investigação e formação avançada dos profissionais de saúde na área do tratamento da leucemia marcam o arranque de dois projectos de parceria.

blico como o Ministério da Saúde ou um dos seus órgãos. Foi possível, e continua a crescer, graças à energia e à capacidade civil que aqui está tão brilhantemente representada", salientou Correia de Campos. O primeiro transplante realizado em Portugal foi em 2003. Sempre que um doente com leucemia precisava de um transplante,

e não tinha um irmão compatível, tal só era possível no estrangeiro. Desde 2003, após o primeiro e único em Portugal nesse ano, o número começou a crescer. Este ano, já foram realizados 13 para Portugal e treze para o estrangeiro. "Daí a importân cia deste aco rdo para a formação clínica avançada", salientou Duarte Lima, fundador da APCL.

Associação Portuguesa Co ntra a Leucemia (APCL) assinou , a 11 de Janeiro , dois protocolos de parceria. O primeiro, com a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), para a Formação C línica Avançada no domínio das doenças hemaro-oncológicas e, o segundo,

A

com a empresa José de Mello Saúde tendo em vista a investigação científica na área das células mesenquimarosas, o qual conta ainda com a particip ação do Instituto de Biotecnologia e Bioengenharia do Instituto Superior Técnico, do Instituto Português de Oncologia de Lisboa e do Centro de Histoco mpatibilidade do Sul, da Lusotransplante, em Lisboa. Ambas as iniciativas visam a melhoria dos cuidados prestados aos do entes com leucemia. A cerimónia foi celebrada na sede da Fundação Calouste Gulbenkian e contou com a presença e apoio do então ministro da Saúde. "Congratulo-me com esta iniciativa da sociedade civil, à qual o Ministério da Saúde se associa enquanto força catalizadora", afirmou Correia de Campos. Referindo-se à APCL, o então responsável pela pasta da Saúde lembrou que a associação no final do Verão passado tinha então 65 mil dadores inscritos e que neste momento conta com 110 mil. "Em comparação com um país grande, como o Brasil, que tem 400 mil dadores, mas que tem vinte vezes mais população do que Portugal, este é um resultado que muito m e orgulha. Tal não seria possível, caso fosse tentado apenas por um sector do serviço pú-

Profissionais de excelência Isabel Mota, admin istradora da Fundação Calouste Gulbenkian, sublinhou a larga experiência da instituição no apoio à Saúde, em particular na área da oncologia e, neste caso, da leucemia. "Entendemos que o prestígio, solidez e motivação demonstradas pela APLC mais do que justifico u que a Fundação Calouste Gulbenkian desse o seu contributo para reforçar uma área fundamental - a da formação avançada dos profissionais que vão prestar cuidados de saúde aos doentes com leucemia e dos que devem investigar e aumentar o conhecimento neste domínio", reiterou Isabel Mota. "Celebra-

mos este acordo, o qual vai permitir que Portugal progrida no sentido de ter um conj unto de profissionais de excelência para lidar com esta doençà', declarou. O protocolo vai permitir que, durante quatro anos, médicos e enfermeiros portugueses possam fazer formação avançada em prestigiadas instituições internacionais. O segundo acordo, que resulta do ap oio da José de Mello Saúde, destina-se a desenvo lver o projecto de inves tigação científica na área das células mesenquimentosas. A iniciativa visa abrir novas possibilidades aos doentes que tenham so fri do complicações após serem submetidos a um transplante

medular. O projecto é ainda uma experiência pioneira na Europa, cujo objectivo é a optimização dos resultados em transplantes de medula óssea, método utilizado no tratamento de doenças como a leucemia. Em linguagem comum o que aco ntece, explicou Duarte Lima, "é aquilo que chamamos de fenómeno da rejeição - o organismo transplantado reconhece as células que lhe são infundidas como células estranhas - e, muitas vezes, quando a compatibilidade é mais baixa, a rejeição é muito violenta e provoca a morte". Segundo Duarte Lima o fenómeno afecta 50 por cento dos transplantados.


Viver. Não apenas sobreviver, mas viver. Com vontade de sorrir, amar e acreditar no futuro. A vida não acaba num diagnóstico e por isso, na Novartis Oncology, dedicamos todos os nossos conhecimentos e recursos ao desenvolvimento de terapêuticas inovadoras, seguras e eficazes que aumenta m e melhoram a vida de quem merece uma atenção especial. Salvar vidas

dos com infusões de células mese nquima-

q uantid ades necessárias para realizar um tra-

A José de Mell o Saúde, apostad a em contribuir para investigação clínica na área

tosas, que existem em quantidades muito pequenas na medula óssea normal.

tamento deste tipo, é complexo e necessita de um período de expansão celular que ronda as

oncológica e para o progresso técnico-científico na prevenção e tratamento destas doenças, vai contribuir com um valor acima

Segundo Duarte Lima, a experiência, pioneira em dois países (Suécia e Holanda), foi já realizada em Portugal. O resultado foi um sucesso, pelo que se justifica avançar. "Percebeu-se que

três semanas, em condições laboratoriais muito exigentes do ponto de vista técnico. Até aqui, as instituições que se associaram para desenvolver esta técnica, não d ispunham de

a co laboração do Instituto de Biotecnolo-

há conjunto de células que todos nós temos na medula óssea em pequena quantidade.

recursos suficientes dar continuidade ao trabalho. "Procurámos encontrar uma parceria

gia e Bioengenharia do Instituto Superior Técnico, do IPO de Lisboa e do Centro de

Depois de expandidas laborarorialmente, em condições de grande exigência, voltam a ser

e tivemos ·a disponibilidade da José de Mello Saúde para ajudar a Associação Portuguesa

Lusocransplante de Lisboa.

Contra a Leucemia, não com um subsídio

"Eu próprio tive essa doença, depois do

infundidas no doente. Esse procedimento permite curar a doença", descreveu Duarte

meu transplante , embora num grau limita-

Lima. O primeiro teste foi feito com uma do-

do e foi controlada. Mas existem muitas situações em que tal não acontece" , revelou

ente do IPO e o resultado foi muito positivo. "Provado o sucesso deste tratamento, verifica-se que se encontra aqui uma terapia adequa-

dos 150 mil euros, concedidos ao longo de três anos. O projecto vai contar com

Duarte Lima. Não existe, até à dara, um tratamento eficaz. Porém, estudos recentes demonstram que podem ser obtidos resul-

da para os casos mais graves, que evita a causa de morte", sublinhou o fundador da APCLa.

tados favoráveis, se os doentes forem trata-

O processo de obtenção destas células, nas

mas com um projecto com tradução concreta na vida dos doentes. Alocamos também uma parte substancial dos nossos fundos próprios e ternos muita esperança neste projecto, com uma expectativa muito grande no seu sucesso", afirmou Duarte Lima. mD

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Vocação exportadora

,..,,,,

Labesfal inaugura nova unidade d ·e prod uçao A unidade de cefalosporinas,

Unidade 4 - produção de cefalosporinas

Capacidade de Produção

O centro dos injectáveis A edificação no complexo industrial em Tondela de uma nova unid ade de produção de

da Labesfal, em Santiago de Besteiros, Tondela, foi

cefalosporinas visa adoptar um conceito de construção modular que permita uma fácil expansão no futuro. Com a inauguração da

inaugurada pelo presidente da República, Cavaco Silva, no final de Janeiro.

quarta unidade de produção, «Portugal passou a ser o centro dos injectáveis do grupo Frese-

Al

Um investimento que ronda os 15 milhões de euros. Com a

nius Kabi», destacou Francisco Braz de C astro, presidente do conselho de administração

entrada em funcionamento da

Capacidade Nominal

Capacidade Efectiva

Capacidade Efectiva

Ano 1

Ano 5

.

Formato

unidades / hora

%

Turnos

Dias /Semana

%

Turnos

Dias / Semana

10-15 mi

18.000

40

1

5

8.505.000

50

3

7

43.942.500

20ml

15.000

3

1

5

53 1.653

5

3

7

3.661 .875

50ml

10.000

40

1

5

4.725.000

35

3

7

17.088.750

100ml

7.500

17

1

5

1.506.094

10

3

7

Mix

Mix Total Ano Mix

..

~~

•:___T<_o_ta_ I u_n_id_ad_e_s_

c l ..:

Mercado Nacional:

20%

de produção da nova unidade de antibióticos

Exportação:

80%

3.661 .875

..

__Jc.__1_5_ . 2_67_.6_5_,61 1

da Labesfal, referindo ainda que «a capacidade

Total Ano Mix

• '

68.355.000 1

Total Unidades

Mercado Nacional:

7%

Exportação:

93%

se dedica maioritariamente à exportação. O

•4•

nova unidade, a Labesfal - do grupo Fresenius Kabi - aumenta a produção de 20 para 70 milhões de unidades por ano.

A

inauguração desta nova unidade fabril de antibióticos in-

>>> Presidente da República refere que «a Labesfal é uma unidade de referência na indústria farmacêutica»

jectáveis é relevante, não ape-

Estratégico Nacional (QREN) de forma a

tante, a criação de emprego qualificado.

nas para o concelho de Tondela, mas também para todo o Portugal», referiu Cavaco Silva, acrescentando que se trata de «uma unidade

apo iar a mobilização e o crescimento das nossas PME num quadro de concorrência

«Todos sabemos que o desemprego é um

<<

de referência na indústria farmacêutica, e o invesrimenro representa um dos maiores realizados no nosso país», tendo ainda acrescentado que a Labesfal fo i considerada empresa de excelência no ano 2000. «Só com vocação exportadora, elevado conteúdo tecnológico, aposta na inovação e nas parcerias com a comunidade científica é possível ir ao encontro do d esenvolvimenro que

pode alcançar taxas elevadas de crescimento económico sem o contributo muiro positivo destas empresas», destacou. O Presidente da República afirmou tam-

nológico, pela sua aposta na internacionalização, requerem trabalho altam ente qualificado, indo assim de encontro às

bém que «O crescimento da Eco nomia por-

preocupações dos jovens que possuem

tuguesa, de forma suste ntada, só é possível se o país dispuser de uma capacidade exportadora que não dependa excessivamente

qualificação adquiridas no ensino superior» disse, sustentando que «a Labesfal é,

dos c iclos económicos e das oportunidades

Câmara

d e facto, um exemplo a seguir». Carlos Marta, presidente da

rodas desejamos para Portugal» salien rou o Presidente da Repúb lica, reforçando que «O

pontuais. E neste tempo em que as perspectivas de crescimento económico dos nossos

Municipal d e Tondela, presen te n a cen-

nosso país só se poderá afirmar no palco internacional, caso se desenvolva e não ficar à

clientes internacionais não são as m ais positivas, a nossa capacidade exportadora vai ser

produção da Labesfal, salientou ainda «O grande invest im ento industrial criado vai

espera que as pequenas e médias empresas

posta à prova».

desapareçam. É com elas que Portugal pode recuperar um lugar entre os mais desenvolvi-

C avaco Silva, acompanhado pelo então

aumentar os postos de trabalho, na região e mesmo no p aís» . «Estamos a conseguir

dos na Europa comunitária» frisou, deixando ainda al guns recados : «Cabe aos poderes públicos utilizar o Quadro de Referência

30

que seja verdadeiramente jusro. O país não

problema que está, infelizmente, enraizado em Portugal , pelo que é legitimo aplaudir as empresas que, pelo seu conteúdo tec-

ministro d a Saúde, Antó nio Corre ia d e C ampos, feli citou o fa cro da Labesfal ser hoje uma empresa que se preocupa com a c riação de empregos e, n ão m enos impor-

mónia de inauguração da nova unidade d e

ati ngir os nossos objectivos, criando mais . . . em p rego, m ais n qu eza, mais rn vesttmento e mais oportunidad es, d e fo rma a valoriza r o co ncelho».

>>> Presidente do Conselho de Administração da Labesfal acom panha Cavaco Silva na inauguração da nova unidade da Labesfal

31


4 áreas de actuacão comercial ..:>

- Mercado hospitalar: o seu mercado natural, para o qual desenvolveu competências tecnológicas específicas e para quem oferece vantagens competitivas assentes em factores diferenciadores ao nível do serviço, do produto e da gama. A Labesfal é o maior fabricante nacional de medicamentos para os hospitais portugueses, sendo líder de mercado em vários produtos. - Mercado de medicamentos genéricos: com o lançamento, em Junho de 2003, da Labesfal Genéricos, suportada por uma importante gama de MG, a empresa ocupa uma posição cimeira entre as empresas que actualmente operam neste sector de mercado. - Mercado internacional: para onde exporta há mais de 20 anos e para onde intensificará a sua orientação, fruto do

>>>Cavaco Silva visita a unidade de cefalosporinas da Labesfal

mercado europeu representa acrualmente 90 por cento do valor total das exportações, com

associações empresariais» informou o presidente do conselho de administração da Labesfal, acres-

destaque para o alemão». Francisco Braz de Castro mencionou que «o Infarmed tem um papel fundamental neste

centando que «foram investidos mais de 400 mil euros pela empresa na formação de colaboradores. Em três anos, a Labesfal, aumentou as exportações em 285 por cento, que se deveu ao seu crescimento no mercado europeu». mD

projecto, uma vez que o registo dos produtos no mercado europeu ser condição essencial para o processo de internacionalização» . O presidente do Conselho de Adminisi:Tação da Labesfal salientou que «apesar da elevada competência técnica da equipa do Infarmed nos processos em curso ou já terminados, nutre uma profunda preocupação q uanto à optimização dos recursos para este projecto. A falta de disponibilidade desta instituição para iniciar mais processos irá, certamente, provocar atrasos significativos, com consequências directas no volume de exportações». «Em apenas três anos houve um aumento de 38 por cento relativamente ao número de empregados. Em Dezembro de 2004 contávamos com 309 funcionários e, hoje, comamos com 427. Passámos de 46 para 76 o número de licenciados, proporcionámos 14 estágios profissionais, dos quais 100 por cento terminaram em contrato de trabalho, facultando 54 estágios curriculares. E tudo isto se deve aos acordos existentes com sete universidades, quatro escolas profissionais, dois centros de formação profissional e 12 outras instituições, incluindo escolas politécnicas e

32

projecto de internacionalização em que encontra envolvida. A Europa é o seu principal mercado. - Produção para terceiros: a Labesfal produz actualmente para várias companhias nacionais e internacionais, em regime «Contract Manufacturing».

Texto:Ana Cru z Fotos: José Pinto

Labesfal - percurso histórico

•• •

1951

Farmácia Almiro

1

• 1976

Frenesius'!S~

Joaquim Coimbra_,'.~~'. 1980-90

Moçambique Angola Cabo Verde Guiné

1993-97

Cabo Verde Espanha Moçambique Angola

1998

2001

2002

2003

2004

Brasil

2005

2006

Internacionalização Gama

Novo. Come/ex.o lndustrial - Novas

Inauguração Unidade Antibióticos

Inauguração Unidade lnjectáveis

2007

Labesfal Comércios

Inauguração Unidade Sólidos Certificação

SGS

Centro Competências IV Druas Unidade 4 Cefalosocrinas

Governo

Saúde troca ministro mas mantém política

N

o passado dia 30 de Janeiro, tomou posse a nova ministra da

Saúde, Ana Jorge, substituindo no cargo Correia de Campos, que teria apresentado a sua demissão pouco tempo antes ao primeiro-ministro, José Sócrates. No dia da posse, o chefe de Governo assegurou publicamente que as reformas em curso na Saúde são para continuar e "ninguém vai voltar atrás em nada" . Foram as orientações que deu à nova titular da pasta,

os serviços de urgência e os blocos de partos juntaram-se a contestação do Partido Socialista (PS) e alguns casos mediáticos. Casos esses que, consideram alguns analistas, não poderiam ter ocorrido em pior altura e levaram muitos a reconhecer a manifesta dificuldade de Correia de Campos em lidar com a necessidade de

garantiu: "Manter as reformas e reforçar a confiança dos cidadãos no Serviço Nacional de Saúde (SNS)" . O primeiro-ministro reco nheceu que a saída de Correia de Campos foi feita pre-

explicar ao povo português as reformas do SNS. Para José Sócrates, não se

cisamente em "nome desse refo rço de confiança" no SNS posro em causa nos últimos

até do próprio interior do PS. Tratou-se sim de "com-

tempos, "especialmente com o aproveitamento com profunda demagogia de alguns

preender as pressões e de transmitir melhorias ao sis-

casos n a Saúde". Uma avaliação que é igualmente feita por muitos analistas da área da Saúde e da política. À contestação gerada publicamente e liderada por muitos autarcas contra o encerramento dos serviços de atendimento permanente,

tema". O certo é que muitos analistas consideram que a escolha do primeiro-ministro se traduz concretamente numa viragem à esquerda na política de Saúde do Governo, até

tratou de "ceder a pressões" que, assumidamente, vinham

agora mais alinhada ao centro. A nova titular da pasta é conotada com a ala esquerda socialista, de onde, precisamente, vieram as críticas mais acerbas ao independente Correia de Campos. Para as populações e, sobretudo, para os autarcas o que conta é mesmo a frase que o chefe de Governo proferiu durante a tomada de posse: "Não encerraremos mais urgências antes de existirem alternativas" . N este caso estão Vouzela e Anadia, que eram as duas únicas localidades em que não existia acordo com as respectivas câmaras municipais. Os restantes serviços de u rgência já têm data marcada para encerrar graças aos protocolos que Correia de Campos negociou com os autarcas. mD

33


A Pfizer dedica toda a sua pesq~i~a à saúde. ue ainda não nasceram ate as pessoas Dos q b mos que cada ·dade mais avançada. 8 a e ~e ode ter problemas específicos mas que ida ~ as idades é comum o desejo de uma ~i~~dl~nga, saudável e plen~. P~r is~o'. estamos uarda da investigaçao b1omed1ca, na van~ do e tratando cada vez mais doenças. prevenm ., d as Muitos sucessos foram lª alcança os, ~ muitos outros necessitam da nossa ded1c~ça~o e esforço. Para que as doenças faça~ pa e do e não do nosso futuro. Este e o nosso passa m·1sso consigo· juntos faremos o futuro. compro '

?e

DIÁRIO DA REPÚBLICA A GH apresenta a mais relevante legislação publicada em Diário da República entre os dias 12 de Novembro de 2007 e 18 de Janeiro de 2008

Ministério da Saúde

Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

Despacho n. 0 26951/2007, IIª Série, de 26 de Novembro Criação e constituição da Entidade de Verificação da Admissi bilidade da C olheita para Transplante

Portaria n. 0 1453/2007, de 12 de Novembro Cria o curso de pós-licenciatura de especialização em E nfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Leiria e aprova o respectivo plano de estudos

Despacho n. 0 27330/2007, IIª Série, de 3 de Dezembro Redução de preços na área convencionada de Patologia Clínica Despacho n. 0 27504/2007, IIª Série, de 7 de Dezembro Cria o C onselho Nacional para a Infecção VIH /Sida, o qual é o instrumento d e coordenação e acompanhamento das políticas públicas de prevenção e controlo da infecção VIH desenvolvidas sectorialmente Despacho n. 0 27717 /2007, IIª Série, de 1 O de Dezembro C riação da C omissão de Coordenação do Programa Nacional de Prevenção e C ontrolo da Diabetes e definição d a sua composição Portaria n. 0 1580/2007, de 12 de Dezembro C ria o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra

Portaria n. 0 1626/2007, de 27 de Dezembro Altera a Portaria n. 0 1001 / 2007, de 2 8 de Agosto (fixa as vagas para a candidatura à mat rícula e insc rição , no ano lectivo d e 2 007 -2008, nos cursos de pós-licenciatura de especialização em Enferm agem minist rados em estabelecimentos de ensino superior público)

Ministérios das Financas e da Administracão Pública e da Saúde " ,

Portaria n. 1584/2007, de 13 de Dezembro Aprova o Regulamento para o Fin anciamento de Proj ectos e Acções no Âmbito do Programa Nacion al d e Prevenção e Controlo da Infecção VIH/ Sid a - Programa ADIS

Portaria n. 0 1196/2007, IIª Série, de 27 de Dezembro Autoriza a repartição d a reali zação da despesa aprovada para a aqu isição de bens e serviços pela ERS, com vista à concepção e implementação do Sistema N acional de Avaliação em Saúde - SINAS, em ci nco an os

Despacho n. 0 28478/2007, IIª Série, de 18 de Dezembro C riação do grupo de an álise dos modelos de fun cionamento do s accuais meios human os e mat eriais do SNS dedicados à oftalmologia

Despacho Normativo n. 0 3/2008, IIª Série, de 15 de Janeiro Aprova o Regula men to Inte rno Organizativo d o INEM, I. P.

0

Aviso n.º 25274-A/2007, na Série, de 19 de Dezembro Mapa de vagas ao co ncurso de ingresso no in terna to médico - 2 008 Despacho n. 0 28941/2007, IIª Série, de 20 de Dezembro C ria o gru po de trabalho que operacionalizará os objcctivos contidos no Programa Nacio nal de C uidados Paliativos Decreto-Lei n. 0 292-B/2207 , de 28 de Dezembro Pro rroga, até 30 de Junh o de 2008, a majoração de 20 % estabelecida no n. 0 2 do artigo 6. 0 d o Decreto-Lei n. 0 270/20 02, de 2 d e Dezembro, para o preço de referência dos medicamentos adq uiridos pe los utentes do regime especial Portaria n. 0 1637 /2007, de 31 de Dezembro Accualiza as taxas moderado ras constantes da tabela anexa à Portari a n. 0 395-A/2007 , de 30 de Março Despacho n. 0 133/2008, na Série, de 03 de Janeiro Reduz os preços de algumas áreas convencionadas, a parcir de 1 de Dezemb ano P rtaria~:°'. 4 512008, de 15 d e J ei.ro A rova o R~g~ 1 ;o=i~n"~o do S.istema ntegrado de Gestão de Inscritos para C rurgia (SICJC). Revoga a Po rtari n. 0 1450/2004, de 2 5 de Novembro

34

Despacho n. 0 26970-D/2007, IIª Série, de 26 de Novembro Autori za o fun cionamento do ciclo de escudos conducente ao gra u d e mestre na especialidad e d e Neuropsicologia Clínica no Instituto Sup erio r de C iências da Saúde - N o rte

BIBLIOTECA

Ministérios da Economia e da Inovação e da Saúde Despacho n. 0 30135/2007 , IIª Série, de 28 de Dezembro Ap rova os preços d e referência dos grupos homogéneos de med icamen tos suj eitos ao sistema de referência

Ministério das Finanças e da Administração Pública Portaria n. 0 30-A/2008, de 10 de Janeiro Procede à revisão anual das remun erações dos fu ncio nários e agentes da administração ce ntral, local e regional e pensões de ap osentação e de sobrevivên cia a cargo da Caixa Geral de Aposentações (CGA)

Ministérios do Trabalho e da Solidariedade Social e da Saúde Despacho n. 0 1408/2008, IIª Série, de 11 de Janeiro Iden tificação das un idades que integram a RNCCI, com efe itos a 1 de Julho de 2007

Assembleia da República Lei n. 0 66-B/2007, de 28 de Dezembro Estabelece o sistema integrad o de gestão e avaliação do desempenho na admin istração pública Lei n.º 67-A/2007, de 3 1 de Dezembro Orçamento do Estado para 2008

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