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Congresso Nacional dos Hospitais

Coimbra dava apoio à Faculdade de Medicina.

e figura ímpar desta viagem histórica da Saúde

nistração dos hospitais das Misericórdias fosse tra-

Mas a situação na área da Saúde começava a

em Portugal e, particularmente, na criação das

balho de profissionais preparados. Longe ía o

dar sinais de alguma gravidade já que à evolução

condições que vieram permitir a inscituição da

tempo em que a proximidade das elites do poder

tecnológica e aos progressos científicos na área da

gestão hospitalar "infra-estrutura indispensável a

era credencial bastante que dispensava a exigên-

Medicina, que se acentuaram a partir do fim da

toda a acção médica (que) terá de desenvolver-

cia de outros atributos ou competências.

guerra de 39/45, fazia contraponto a incapaci-

-se de acordo com as técnicas próprias da vida

A Direcção Geral dos Hospitais prepara um

Honra, durante o Congresso

dade total das estruturas de Saúde, mormente dos

económica, embora subordinada aos objectivos

programa de formação intensiva de cerca de três

Nacional dos Hospitais, em

hospitais e da sua organização. Havia necessida-

sociais e humanos que prossegue"(preâmbulo

meses, procede a uma selecção de candidatos

Novembro passado, a

de urgente na introdução de reformas substan-

do Dec-Lei nº. 48.357, de 27 de Abril de 1968,

que se comprometem a frequentar o curso de

administradora hospitalar

ciais que transformassem a realidade atomista da

da sua autoria). Numa época e em condições

Administradores Hospitalares dentro de dois

Saúde num "sistema unitário, coordenado e fi.m-

políticas fechadas aos vemos da mudança, numa

anos e aceitar ser colocados, entretanto, em hos-

cionalmente integrado" (Estatuto Hospitalar

época do primado do "orgulhosamente sós", o

pitais das Misericórdias. Mais ainda, com a cola-

um trabalho sobre o Percurso

art0 • nº 1).

Prof. Coreolano Ferreira soube bem interpretar

boração da Cadeira de Administração Hospita-

de uma Profissão.

A acção reformadora do Estado vai, assim, desen-

o sentido da história acompanhando o que se

lar realiza-se um curso para atribuição da

Pela importância do tema e

volver-se num duplo sentido. Por um lado, defi-

melhor se fazia em termos internacionais na

categoria de Administrador Hospitalar, verifi-

nindo a linha dorsal das estruturas de Saúde, a sua

área da formação e da gestão dos hospitais. Ele

cados que fossem determinados pressupostos, a

hierarquização, integrando no sistema os hospi-

teve a consciência de que os hospitais eram, à

profissionais que já ocupavam nos hospitais car-

tais das misericórdias aos quais era garantido

época, a espinha dorsal do sistema de saúde e que

gos cujo conteúdo funcional tinha passado a

auxílio financeiro desde que respeitassem as

era necessário actualizá-los, programar a sua acti-

caber, exclusivamente, nas competências dos

direcrivas e se conformassem com as orienta-

vidade e geri-los profissionalmente.

administradores hospitalares. Os restantes pro-

O Percurso de uma profissão No decorrer do Porto de

Fernanda Dias apresentou

das palavras proferidas, publicamos na íntegra o estudo de Fernanda Dias.

P

ercurso, é sinónimo de andamento,

ao longo dos últimos 40 anos.

dade dos Hospitais e a sua administração.

ções superiormente definidas, sendo que o esta-

Para tanto era necessário proceder à formação de

fissionais em que não se verificavam estes pres-

decu~so, ,trajecto, es~aço per~orrido ...

Historicamente, a designação do administrador

Inicialmente instalados em antigos conventos

belecimento de planos gerais de actividade, a

gestores profissionais. A Organização Mundial de

supostos tiveram mesmo que frequentar o Curso

ou sep: e um conceito que incorpora

do hospital competia a quem detinha o poder, de

ou outros ediRcios mais ou menos adaptados, vie-

orientação, a coordenação e a fiscalização com-

Saúde (OMS) realiza estudos sobre formação

de Administração Hospitalar.

movimento, que parece ter definido um princí-

que essa designação era uma manifestação, e

ram a sofrer grandes obras de ampliação e remo-

petiam ao Estado através de serviços próprios.

em administração e patrocina programas inter-

Toda esta actividade formativa teve um objecti-

pio ou melhor, um ponto de partida, que com-

recaía sobre alguém que, independentemente

delação ou a ser substituídos por construções

Por outro lado, dando início a um processo de

nacionais em Edimburgo e Bruxelas. O primei-

vo: preparar tecnicamente pessoas para genrem

preende uma crajectória, um itinerário e que

de quaisquer atributos que pudesse possuir, per-

novas, de raiz, principalmente a partir da déca-

formação e de preparação técnica de profissionais

ro português diplomado em administração hos-

hospitais, acabar com o amadorismo mais ou

terá implícito um fim? Talvez, mas não me pare-

tencia às elites próximas do poder temporal ou

da de 50.

para o sistema de saúde. Particularmente, e no

pitalar é, provavelmente, um bolseiro que, em

menos bem intencionado, profissionalizar a

ce que seja desejável enquanto se mantiverem

eclesiástico e, isso sim, é que era a condição para

N ão obstante o Estado continuar a assumir que

que aos hospitais dizia respeito, era premente que

finais dos anos 50, frequente em Edimburgo

gestão.

válidos os pressupostos que determinaram o seu

se ser designado.

não tinha responsabilidade na área da Saúde e

a sua organização, administração e funciona-

um curso da OMS.

Ao mesmo tempo, e porque as regras do jogo

ponto de partida.

O Hospital Real de Todos os Santos, como a pri-

que só deveria actuar supletivamente onde fa-

mento fosse tarefa de profissionais com prepa-

A Direcção Geral dos Hospitais leva a cabo

estavam definidas e a designação para os lugares

E quais foram esse pressupostos? A necessidade

meira grande instituição hospitalar portuguesa,

lhassem as iniciativas privadas, foram subsídios

ração técnica adequada. A Direcção Geral dos

diversas acções de formação, muitas das quais

era feita na sequência de concurso público, aper-

de profissionalização da "administração dos hos-

foi criada sob a tutela do Rei que assumia ele pró-

ministeriais, verbas do Totobola, do Fundo de

Hospitais é o primeiro grande passo no sentido

orientadas por monitores franceses.

tava-se o espaço de manobra para o compadrio

pitais" e a consequente formação técnica de pro-

prio a responsabilidade pela sua subsistência e

Desemprego e até do Orçamento Geral do Esta-

da criação de estruturas profissionalizantes para

Em 1968 são atribuídas seis bolsas de estudo a

e o nepotismo.

fissionais simultanean1eme preparados para lide-

pela nomeação do administrador.

do que contribuíram para o financiamento des-

os hospitais.

técnicos superiores do Ministério para a fre-

Desde encão, o C urso de Administração Hospi-

rar a aplicação das melhores práticas de gestão e

Mais tarde, a administração do hospital vai tran-

tas

obras numa percentagem que se aproxima dos

A sua organização em "inspecções", dava bem a

quência do Curso de Director de Hospitais, na

talar tem funcionado com regularidade e mérito

para não esquecer nunca a especificidade do

sitar por Carta Régia para a Misericórdia de Lis-

50%. E foi esta a forma encontrada para efectuar

ideia de que a par da produção de directivas de

École N acionale de la Santé Publique, de Rennes

e todos os anos prepara para o mercado de empre-

meio em que é desempenhada a sua actividade.

boa. E passa a ser a Misericórdia a eleger um dos

a cobertura do país com uma rede de hospitais

organização e funcionamento, a sua acção se

e, no ano lectivo de 1970/ 1971, os primeiros alu-

go um grupo de profissionais capazes de enfren-

Considero ainda hoje que é no equilíbrio deste

seus membros para essa função.

que continuavam a ser administrados pelas mise-

desenvolvia no terreno, no apoio directo à acti-

nos iniciam a frequência do 1° C urso de Admi-

tar os desafios que os hospitais representam.

binómio que se encontrará a ch ave do sucesso.

Incentivado pelo Rei, o movimento de criação de

ricórdias, suas proprietárias.

vidade e na fiscalização do cumprimento de

nistração Hospitalar, criado em 1969 na Escola

Passaram 36 anos. E o que aconteceu entretan-

É óbvio que é uma opinião polémica, mas é a

Misericórdias foi-se expandindo nas principais

Directamente administrados pelo Estado havia,

directivas. O financiamento do Estado legiti-

Nacional de Saúd~ Pública.

to? Afinal o que mudou nos hospitais? Qual

minha opinião.

cidades. O s "compromissos" e o cumprimento

fundamentalmente, os hospitais militares, com

mava-lhe o exercício desta acção fiscalizadora e

Apesar de estar em funcionamento o C urso de

foi, de facto, o contributos dos adm~nistradores

Com esta intervenção, para além de fazer uma

das obras de Misericórdia, conduziram ao apa-

um estatuto e afectação específicos, os sanatórios

de intervenção.

Administração Hospitalar, a capacidade de for-

hospitalares? Faz sentido colocar a questão assim?

certa história da administração dos hospitais,

recimento dos hospitais. A assistência hospitalar

de tisiologia, construídos para dar resposta ao fla-

Desde o início desta exposição, eu tenho hesitado

mação era limitada pelo número de formandos

Pessoalmence, entendo que faz sentido.

pretende prestar uma homenagem aos adminis-

escava praticamente toda nas m ãos das Mise-

gelo da tuberculose, os hospitais psiquiátrico,

e tido dúvidas sobre como falar dão Prof. Coreo-

e pelo tempo de duração de cada curso.

Seja-me permitido que m e exprima desta manei-

tradores hospitalares e ao trabalho desempenhado

ricórdias. As Misericórdias detinham a proprie-

os hospitais civis de Lisboa e o hospital em que

lano Ferreira, como personalidade incontornável

E havia uma grande premência em que a admi-

ra: no início foi muito complicado!

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Gestão Hospitalar - Nº24  

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