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Turismo, Arte & Cultura Turismo, Arte & Cultura Edição n° 9 - Ano 2 - abril / 2011

Funk-se!

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Dos anos 90 até hoje muita coisa mudou no funk. Mas os MC’s Junior e Leonardo continuam na luta a favor da cultura.


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MC Leonardo e MC Junior: Criados na Rocinha, filhos de músico conhecid

Fazendo parte da mú onhecer a história do funk na Rocinha é falar da dupla Mc Junior e Leonardo. Pioneiros do funk na década de 90 na região, o movimento cultural se iniciava, utilizando letras que ilustravam a realidade dos moradores. O “Rap das Armas”, funk conhecido como a vida do cotidiano nas favelas, conta sobre as incursões policiais nas comunidades, é de autoria da dupla que está nos palcos há mais de 20 anos. Hoje, além dos microfones, a dupla divide os horários entre as mixagens e a Associações dos Pro-

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fissionais e Amigos do Funk (APAFUNK). Criada em período turbulento, onde as opiniões divergem quanto ao principal movimento cultural das favelas. “O direito autoral do funk é altamente desrespeitado e você ouvir a classe artística é complicado demais. Com tanta perseguição ao funk durante todos esses anos, com tanto abandono, as pessoas ainda se acham inferiores. Precisamos informar ao artista do funk que ele é um promovedor de cultura, um produtor cultural. Ele divulga a cultura. Na legislação existe uma lei que o ampara, então o artista precisa ser informado disso. O APAFUNK sur-

giu para tirar a questão do funk da mão da polícia e colocar na mão da secretaria e ministério de cultura. Essa é a APAFUNK.” Filhos do forrozeiro Chico Mota, músico do Jackson do Pandeiro “O Rei do Ritmo”, Junior e Leonardo desde o início foram inspirados pelo forró pé-de-serra, baião, arrasta-pé... bem característico do nordeste brasileiro. Também do nordeste, veio no sangue a disposição e bravura para utilizar da música um grito de paz e liberdade. Duas coisas bem distintas no mundo do funk. “Com tanta perseguição ao funk esses anos todos, com tanto abandono, as pessoas se acham in-


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úsica popular carioca Por Leandro Lima feriores, assim como alguns negros se acham inferiores em relação aos brancos.” Exalta Leonardo. Na década de 90, assim como Junior e Leonardo, os MCs apareciam em programas específicos e também, em concursos de rap

“Precisamos informar ao artista do funk que ele é um promovedor de cultura, um produtor cultural.”

promovidos dentro das comunidades. Na época, o funk carioca era a voz dos moradores das favelas sendo utilizado para divertir o publico com letras irônicas ou histórias verídicas de violência urbana. Hoje, 20 anos depois, o funk tomou diversas vertentes. É comum encontrar em

bailes, músicas sobre sexo, ofensas entre comunidades e até, músicas ironizando as ações policiais nos morros cariocas. Leonardo explica: “Não há um controle que possa abraçar os artistas de hoje. Com a ajuda da tecnologia e um pouco de conhecimento técnico, você pode gravar uma música, colocar nas redes sociais e se a galera curtir, você pode ficar famoso em um instante. E não importa o conteúdo da letra, hoje vale o ritmo. Às vezes o funk nem letra tem. Uma frase e o resto, só mixagens. As grandes equipes de som hoje que trabalham com o funk não querem ser empresas. Não querem se responsabilizar com ações contratuais e medidas para orientar a cultura do funk. Ninguém quer cuidar do artista para que ele não seja processado ou ser alvo de preconceitos. O MC de hoje consegue ser famoso por um instante e ele fica satisfeito. Ele nem se considera um artista, não se dá valor porque ninguém dá valor a ele.” E o futuro do funk na Rocinha? Leonardo conta: Vai ser como toda e qualquer comunidade. Assim como o samba foi entendido pela cidade como bem cultural, o funk também tem que ser. Ele não é um dos maiores, ele é o maior. E ele não é maior pouca coisa, ele é maior muita coisa. Metade da população ativa do

Rio de Janeiro gosta de funk. Então ele precisa ser entendido se não ele fica brega, fica marginalizado. Quem empurrou o funk para a boca de fumo foi o Estado. Não foi ação de ninguém da favela. Se tivesse funk em tudo que é lugar, as pessoas não estariam condenadas a ficar esbarrando em fuzil dentro do baile. Há 15, 20 anos atrás existia baile funk

“Assim como o samba foi entendido pela cidade como bem cultural, o funk também tem que ser. Ele não é um dos maiores, ele é o maior”

em todo o canto da cidade. Barra, São Conrado, Leblon, Copacabana, Botafogo, no Meiér, na Tijuca. Todos os lugares! Irajá, Santa Cruz, Campo Grande... tudo tinha baile funk. Aí começou os alvarás alegando que tinha briga. Briga tem, ainda mais em um grupo de jovens, mas o Estado tem que policiar.”

Revista AM - Nº 9

do por todo Brasil, agora querem alçar vôos mais altos em favor do funk.


Revista AM No.9 - Matéria "Funk-se!"