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Ponto a ponto… constrói-se um Conto

Histórias em parceria O recado do Sr. Vento (1º Ciclo) Autores: Adelaide Ferreira e alunos das EB1 da Chousa-Velha, Sª do Pranto, Sª dos Campos, Boavista, Gafanha de Aquém e Ílhavo Ilustradores: os mesmos alunos

Um dia na quinta (2º Ciclo) Autores: Adelaide Ferreira e alunos dos 5ºA, 5ºB, 5ºC, 5ºD, 5ºE, 5ºF, 5ºG, 5ºI, 5ºH, 6ºB, 6ºC, 6ºD, 6ºE e 6ºH 7ºA, 7ºB, 7ºC, 7ºD, 8ºA, 8ºB, 8ºC e 8ºD Ilustradora: Paula Agualuza

Uma promessa para Leonor (3º Ciclo) Autores: Adelaide Ferreira e alunos dos 7ºA, 7ºB, 7ºC, 7ºD, 8ºA, 8ºB, 8ºC e 8ºD Ilustradora: Paula Agualuza Ilustração da capa: Paula Agualuza

Actividade da Semana da Leitura de 2008 Histórias criadas pelos alunos em sala de aula, a partir de um começo original da autoria da Professora Adelaide Ferreira


O Recado do Sr. Vento EB1 da Gafanha de Aquém

As andorinhas que estavam a voltar de África ouviram o ruído e foram ver o que era. Quando se aproximaram perceberam que o vento estava a tentar falar. Ele estava  cada  vez  mais  agitado  e  forte.  Ouvia‐se  e  sentia‐se  o  seu  sopro  a  aproximar‐se.  Os  animais estavam a pressentir que viria alguma coisa muito forte.

 

‐ Vem aí Uuuuuhh! Psss...psss‐ falava o vento.  Nada se percebia, nada se entendia e maior era a inquietação. - Olha, já consigo entender melhor !- disse a andorinha Colorida ao seu bando. ‐ Afinal,  o vento está a dizer que vem lá a Primavera!   

Ao  ouvirem, as árvores e as flores dançavam, as crianças brincavam livremente, os  animais saltavam de tanta  alegria  enquanto o sol  se espreguiçava esticando os seus  pezinhos  e bracinhos.  Mas,  o  vento    continuava   a   soprar  cada   vez  mais  forte  .  Os  animais  ficaram   agitados,  muito  agitados  e  inquietos  .Foi   então que as pessoas começaram a perceber que algo mais se passava .               ‐ Será  um terramoto ?‐ dizia uma.   

         ‐ Se calhar é   um furacão .‐ falava outra.            Telefonaram  aos   meteorologistas   e em  cinco   dias   veio    a   confirmação  que se aproximava um furacão.

 


As pessoas  entraram  em pânico, as crianças choravam e corriam para dentro de  casa, os animais agitados escondiam‐se  nas suas tocas, o sol tapou‐se atrás das nuvens,  mas as pobres das árvores e flores já não  dançavam,  quase  que  voavam .   

Tudo  foi  muito  rápido!  No  entanto  ainda  houve  um  morto  e quatro feridos.  Todos  os  animais  correram  em   

segurança e felizes para os seus donos. O sol voltou a brilhar, as crianças  brincar, as pessoas a sorrir e as árvores e flores a renascer. As andorinhas  fizeram os seus ninhos cheios de esperança.   Mas havia algo que continuava a acontecer `` A Chegada da Primavera ´´.                                             E.B1 da Gafanha de Aquém                   

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O vento muito devagarinho foi ter com os seis passarinhos que estavam no ninho da árvore da floresta. Ele disse: - Pss… pss… passarinhos, passarinhos. Venho dar-vos um recado. Vai nascer uma flor perto do mar. Vão contar às joaninhas este segredo. Então os passarinhos foram todos contentes contar às joaninhas. Pelo caminho encontraram umas folhinhas que estavam a brincar.

Quando encontraram as joaninhas os passarinhos começaram a contar: - Vai nascer uma flor perto do mar! Mas, não deixem que este segredo se espalhe, porque há uma menina que gosta de coleccionar flores. A seguir as joaninhas foram contar as ovelhas.

Lá foram as joaninhas felizes pelo caminho até ao monte contar as ovelhas. Entretanto, pulou duma rocha um cabritinho que estava sozinha a comer uma deliciosa erva. As joaninhas disseram-lhe que tinham um segredo para contar às ovelhas, mas que não as encontravam. O


cabritinho disse-lhes que sabia onde elas estavam e levou as joaninhas até ao cimo do monte. Chegaram lá e as joaninhas disseram-lhes: - Sabem, vai nascer uma flor perto do mar. Agora, ao regressarem a casa vão encontrar cavalos e não se esqueçam de lhes contar!

De regresso a casa, ao som da flauta do pastor as ovelhas, os carneiros e os cabritinhos desciam pelos caminhos dos montes, quando foram interrompidos por uma joaninha, muito cansada e aflita que lhes disse: - As minhas amigas esqueceram-se de vos dizer que esta noticia tem que ser contada com cuidado, porque existe uma menina que vive na praia e que gosta de coleccionar flores. O rebanho muito pensativo continuou o seu caminho, até que ao longe avistou burricos e os cavalos, que muito cansados, desciam o monte carregados de sacos de farinha. Como estavam todos muito cansados, pararam junto de um regato, para beberem água fresca e foi aí que as ovelhas disseram aos cavalos: - Vamos dar-vos um recado. Perto do mar, numa praia longe daqui, vai nascer uma flor. Ela é muito rara, por isso devem ter cuidado. Dizem que uma humana gosta de as coleccionar. À noite, no estábulo, os cavalos reuniram-se em assembleia para decidir o que fazer. Depois de muita discussão acharam que seria boa ideia dar a notícia aos seus donos, habitantes da casa grande, porque afinal também eles eram humanos e saberiam o que fazer para resolver o problema.


Os donos dos cavalinhos tentaram pensar em alguma coisa e chegaram a uma conclus達o: aquele barulho queria dizer que essa bela flor tinha nascido.


Quando a sociedade daquela cidade soube que já tinha nascido e viram-na de perto, foram contar ainda a mais gente e quando a menina viu a flor de perto quis arrancá-la para depois a plantar no seu jardim para ter mais uma flor para a sua colecção. A partir desse dia a menina tornou a sua casa numa colecção de flores… Pois a menina foi começando a empenhar-se naquele plano. Os visitantes daquela cidade começaram a ir lá. A menina começou a utilizar a sua casa como uma quinta de colecções de flores. Tornou a sua cidade mais alegre. Era conhecida pela menina “Floribela” porque aquela flor muito especial para ela era a “Flor Bela”.

Um dia, a passear com o seu cão pela beira do mar, encontrou outra flor especial. Toda contente foi a correr para a apanhar mas, que surpresa, do mar surgiram, em grande correria, o polvo, a lula e a estrela-do-mar. Estes animais com os seus braços, agarraram-se ao caule da flor, impedindo que a menina a arrancasse. Das dunas começaram a aparecer o cavalo, os carneirinhos, as andorinhas com as joaninhas as costas, as borboletas e os burricos que se juntaram em volta da flor evitando assim que a menina se aproximasse. Nesse instante começou uma grande ventania levantando a areia e disse o vento muito zangado: - Pss… pss… pss… pss… hummm, menina estou desiludido contigo. Já arrancaste tantas flores para o teu jardim e ainda queres mais esta? Não sejas má para a Mãe Natureza! -


O vento tem razão – disse a Mãe Natureza. Se continuares a arrancar as flores que gostas, eu e a Primavera vamos ficar muito tristes. Sabes, não são só os humanos que gostam de admirar as flores, os animais também gostam. A menina ouviu atentamente o aviso do vento e da Mãe Natureza. Compreendeu que estava a proceder mal, não podia apanhar todas as flores bonitas que encontrava. Então, da conversa entre todos, decidiram que a menina seria avisada sempre que nascesse uma nova flor. Assim, a menina avisada pelo Senhor Vento ou animais da Natureza, iria ao local e tirava fotografias para a sua colecção. Desta forma a Natureza não era prejudicada mas preservada para TODOS.

                       


O Recado do Senhor Vento EB1 Senhora dos Campos

A Paula e o Rui, que tinham oito e nove anos, cochichavam no recreio. Eles eram irmãos e viviam com a mãe numa linda casinha branca, com janelas verdes. À volta da casa havia um grande jardim cheio de flores, rodeado por arbustos. Nas traseiras do jardim, numa velha árvore, de tronco grosso e retorcido, havia uma casinha de madeira, que o pai lhes tinha feito no Verão anterior. Ele estava a trabalhar em Espanha. Paula e Rui tinham muitas saudades dele.

Nessa manhã resolveram ir procurá-lo sem dizerem nada à mãe. É que estava perto do Dia do Pai e eles queriam muito estar com ele nesse dia. Saíram da escola e dirigiram-se à estação dos comboios. Ouviu-se novamente o vento a soprar: psss…psss…. Parecia que o vento lhes queria dizer qualquer coisa mas eles não ligaram. Com o dinheiro que tinham andado a poupar das suas mesadas, compraram dois bilhetes para Madrid. Tinham lido o nome desta cidade, numa carta que o pai tinha escrito à mãe. D. Isabel, a mãe deles, chegou do trabalho e estranhou não os ver em casa. Foi ao jardim, subiu dois degraus da escada suspensa da casinha da árvore e espreitou lá para dentro. Olhou à volta e só viu as flores e os arbustos do jardim. Onde estariam os seus filhos? Iam levar um raspanete quando chegassem a casa. Já os tinha avisado muitas vezes para não ficarem pelo caminho. De repente estremeceu. O vento soprava mais forte nesse momento: Psss…psss… Parecia querer dizer qualquer coisa.


Era isso mesmo!… O vento aprendeu a língua dos humanos e sussurrando ao ouvido da mãe disse-lhe: - Não se preocupe, os seus filhos estão a caminho de Madrid. A D. Isabel muito assustada e nervosa, com medo de perder os filhos, perguntou ao vento o que poderia fazer para ir ao encontro deles. O vento depois de pensar um pouco chamou a sua amiga nuvem para o ajudar. A mãe das crianças subiu para a nuvem, esta, subiu um pouco mais e o vento com muito cuidado foi empurrando, empurrando a nuvem que ia deslizando pelos céus.

Quando chegaram à estação já o T.G.V. tinha partido. O vento, rapidamente, com os seus longos braços elásticos conseguiu abrandar o movimento do comboio e chamou a nuvem para vir ao seu encontro. Quando já estavam por cima do comboio, a D. Isabel deu um pequeno salto e conseguiu entrar no comboio. Ao ver os seus filhos, chorou de alegria e deu-lhes um abraço muito apertado e falou-lhes dos perigos que tinham corrido.

Continuaram a viagem rumo a Madrid. Desembarcaram na estação. Qual não foi o seu espanto, quando viram ao longe o pai com as malas de viagem e alguns sacos de presentes. O pai estava com muitas saudades e tinha tido o mesmo pensamento. Também queria passar o Dia do pai com a família. Regressaram a Portugal e ao saírem do comboio todos sentiram no rosto um vento muito suave e fresquinho. Finalmente tinham percebido o que o vento lhes tinha tentado dizer: Estava a chegar a Primavera, o Dia do Pai, a estação das flores e das andorinhas, das cores e do AMOR.

Alunos da EB1 Senhora dos Campos e Professora Adelaide Ferreira


O Recado do Senhor Vento EB1 da Chousa-Velha

Era dia 21 de Março e a mamã Natureza queria recordar que a Primavera chegava… O vento continuava a soprar … psss… psss… Martinho, que vivia ali perto do pinhal, foi até lá passear o Tugas, que farejava os cogumelos acabadinhos de nascer e corria pelo chão verdinho das ervas tenrinhas. O Sol brilhou entre os ramos dos pinheiros, o vento soprou e um pinhão foi empurrado e caiu na cabeça do Tugas. Martinho admirado pegou no pinhão e…


UM DIA NA QUINTA!!!  2º ciclo Assim que os primeiros raios de sol começam a pintar a quinta, Tio Timóteo levanta-se, toma o seu banho, prepara o seu pequeno-almoço com todo o cuidado porque sabe que é importante comer bem de manhã para aguentar o seu dia de trabalho. Espreita pela janela da cozinha e gosta da paisagem que observa: ainda há sombras da noite mas a luz espalha-se devagarinho e vai alargando os seus braços por todo o vale, para lá da cerca branca da quinta. E também escuta os primeiros sons da Natureza: o galo já cantou duas vezes, os bezerros começam a agitar-se no curral, os cabritinhos já reclamam pela mãe para lhes dar o leite, as galinhas iniciam o cacarejo, o cavalo e o pónei relincham… até já o Pantufa levantou uma orelha! Tio Timóteo sorri ao olhar para o seu fiel amigo que foi levado para a quinta quando era bebé. Os netos ficaram doidos de alegria por verem um cãozinho tão cheio de pêlo amarelado. De tão fofo que era, chamaram-lhe Pantufa. E Pantufa ficou. E é ele que até hoje o acompanha sempre pela quinta. Ainda dormita junto à sua casota mas Tio Timóteo sabe que assim que abrir a porta da cozinha, o Pantufa dispara na sua direcção para o lamber, dando-lhe assim os bons dias. E não o larga mais! O cheirinho a café acabadinho de fazer, já se eleva no ar e as torradas estão prontas. Um pouco de doce de morango, um queijinho fresco e uma fruta para o final. Senta-se e, enquanto come, vai programando o dia: passar pelo curral para soltar os animais, revolver a palha, encher os bebedouros de água limpa e fresca, encher as taças da ração e ver como está a vaquinha Malhada que acabou de dar à luz um bezerrinho tão lindo. Se calhar, é melhor chamar o veterinário da vila para passar pela quinta ao fim do dia. Em seguida, terá de pegar nos cestos e ir apanhar as maçãs e as pêras que já deviam ter sido colhidas. Este ano tem boa fruta no pomar. Depois tem a horta por sua conta: cavar o terreno para a nova sementeira, revolvê-la muito bem e ver se está pronta para novos produtos ou se é preciso alimentá-la. Uma trabalheira, sim senhor. Ah! Mas vale a pena. Tem ar puro e sabe o que come. Está ocupado. Tem sempre que fazer e todos os dias descobre coisas novas a propósito de animais ou de plantas. Bem, o pequeno-almoço está no fim e já é hora de iniciar o seu trabalho. Lá fora já está mais claro. É melhor vestir o casaco grosso, não vá a frescura da manhã apanhá-lo de surpresa. Um último olhar para o relógio que está por cima do frigorífico. Cinco horas e dez minutos. Ora aí está uma bela hora para começar. Antes do mundo se levantar e iniciar o seu barulho e a confusão… Mal sabe Timóteo que hoje o dia lhe vai dar uma aventura na quinta… Maria Adelaide Ferreira


… Ao iniciar o seu caminho pela quinta reparou que no pomar algo de estranho se passava. Tinha um pomar com muitas árvores que lhe davam laranjas, limões, maçãs, ameixas, bananas, peras… As laranjeiras estavam junto das macieiras, as bananeiras ao lado dos limoeiros e as ameixieiras junto das pereiras. Por incrível que pareça, começou a ver novos frutos: as laranjas perto das maçãs deram frutos com casca de laranja e por dentro maçã; as bananas tinham casca de limões; as ameixas estavam com casca de pêra. Não era estranho?! Que se passaria ali? 5º A

“O que irei fazer?”, questionava-se. De repente ouviu um ruído. Era o seu vizinho que estava a lavrar a terra com o seu novo tractor. - Ó Manel! Ó Manel! Anda cá ajudar-me! - gritava o Timóteo, correndo e saltando a cerca , aflito. O Pantufa, ao ver o seu dono nervoso, corria e ladrava ao mesmo tempo. Assim que se aproximaram do vizinho Manel, Timóteo gritava, gesticulava e o pantufa ladrava. O Manel, ao ver aquela confusão, desligou o tractor. - O que é que se passa? - perguntou ele. - Porque é que estás a gritar tanto? - O meu pomar está virado do avesso! Anda comigo e vê com os teus próprios olhos! Quando o Ti Manel viu que os frutos estavam trocados exclamou: - Que desgraça! Isto é um caso para o meu amigo Octávio, que é investigador no Laboratório de Botânica de Lisboa. 5º E

- Mas o que é que esse teu amigo faz? - questionou o Ti Timóteo. - Será que ele pode cá vir? - Claro! Ele pode investigar casos como este. Ele estuda as plantas e faz experiências com elas. Eu vou já ligar-lhe. Anda comigo a minha casa. Foram os dois à casa do Manel e este telefonou ao seu amigo Octávio. - Estou? Octávio, és tu? Olha, aqui fala o Manel da quinta. - Sim, sou eu, o Octávio. Estás bom? Então, o que é que se passa? - Tens que cá vir o mais rápido possível. É difícil explicar-te ao telefone. O meu vizinho, agora de manhã, quando saiu de casa, viu que as suas árvores tinham os frutos trocados. As bananas têm casca de limão, as laranjas, que estão perto das maçãs, deram frutos com casca de laranja e por dentro maçã. Vês? E há mais… - O quê?! Será que o teu vizinho fez enxertos nas árvores? - Não. Elas ontem estavam normais. - Não se preocupem. Vou já para aí com a minha equipa de investigadores. Até já! 5º C


Enquanto aguardavam a chegada da equipa de investigação, o Timóteo foi mostrar os frutos ao seu vizinho. Este, quando viu aqueles frutos, ficou com vontade de os experimentar. Mas no momento em que estava para apanhar uma ameixa, o Timóteo chamou-o à atenção: - Cuidado! Não comas! Pode ser perigoso! É melhor esperarmos pelo teu amigo. Durante esta conversa agitada, não se aperceberam da aproximação do Pantufa. O cão, dando saltos contínuos, conseguiu apanhar uma maçã. Quando o Ti Manel se apercebeu, já era tarde de mais… 5º D

O Pantufa tinha comido a maçã e desmaiara. Ficaram pasmados por tal coisa ter acontecido. O tio Timóteo pegou nele ao colo e deitou-o num fardo de palha que estava no chão e foi telefonar ao veterinário da vila. Entretanto a equipa de investigadores chegou, juntamente com o veterinário. Eles nem queriam acreditar que o pomar tinha sofrido uma grande transformação e que o Pantufa tinha adoecido. 5º B

O Timóteo e o Ti Manel ficaram espantados ao ver tamanha barafunda: os investigadores usavam batas, máscaras, luvas e botas de protecção e começaram a tirar de uma carrinha dois computadores, quatro microscópios e grandes malas cheias de pinças, sacos para guardar amostras, lupas e frascos, preparando-se para analisar a transformação que tinha acontecido no pomar. Enquanto isso, o veterinário examinava o Pantufa. O Timóteo aproximou-se e perguntou-lhe: - Então, Doutor, passa-se alguma coisa com o meu cão? Diga-me! Estou muito preocupado! - Em tantos anos de trabalho nunca vi tal coisa! Não consigo perceber o que se passa… respondeu o veterinário. De repente ouviram um ruído semelhante ao miar de um gato. - Estranho!... Aqui não há gatos. - disse o Timóteo. Quando olharam em seu redor à procura do bichano, viram o Pantufa de olhos abertos. O Timóteo, não cabendo em si de tanta felicidade, aproximou-se do seu fiel amigo e exclamou: - Pantufa, meu velho, pregaste-me cá um susto! Estás bem? O Pantufa olhou o dono, abriu a boca e fez “Miau”. 5º F


- C’um caneco!!! - gritou o Timóteo, dando um salto para trás. - Como é que é possível?! - exclamou o veterinário. Ao ouvir o grito do Timóteo, o Manel e os investigadores foram a correr ver o que se passava. E qual não foi o espanto deles quando viram o Pantufa a comportar-se como um gato: miava, ronronava, roçava-se nas pernas do dono e, de repente, meio engasgado, cuspiu uma bola de pêlo. - Mas o que é isto?! - questionou o Octávio. - Temos de resolver o problema rapidamente, antes que mais alguém coma algum fruto afirmou o investigador Zé. 5º G

Dois investigadores, com as pinças, agarraram a bola de pêlo e puseram-na num frasco, enquanto os outros foram para o pomar apanhar a fruta misteriosa. O veterinário viu que o Pantufa não tinha febre e recolheu uma amostra de sangue para analisar. O Timóteo e o Manel continuavam espantados a olhar para o cão que andava numa azáfama: brincava com um novelo de lã, caçava ratos, corria atrás dos pássaros, atirava-se ao rabo da Malhada e tentava brincar com o bezerrinho. 5º H

Constatando que a sua equipa estava a levar a investigação com todo o cuidado e que o veterinário estava a tratar do Pantufa, o investigador Octávio aproximou-se do seu amigo Manel e do Ti Timóteo, que conversavam e, dirigindo-se ao dono da quinta, perguntou: - Sr. Timóteo, tem a certeza que mais ninguém comeu fruta do seu pomar? Pensativo e vago, o outro retorquiu-lhe: - Não… claro que não… Octávio insistiu: - Não parece estar seguro da sua resposta… É muito importante que nos dê a certeza. É uma questão de saúde pública que temos entre mãos! - Timóteo, por favor, não me digas que existe essa possibilidade! - exclamou o Ti Manel alarmado. - É que ontem vieram cá alunos de uma escola das redondezas fazer uma visita de estudo para conhecer o funcionamento da quinta. Mas a verdade é que, por falta de tempo, não chegámos a ir ao pomar. - Ah, bom… - disseram os amigos ao mesmo tempo, suspirando de alívio. - Só que, no final da visita, presenteei-os com um lanche caseiro, com produtos aqui da quinta. - acrescentou o Ti Timóteo. - Mas, quê, ofereceu-lhes fruta?! - indagou o investigador. - Sim, entre outras delícias… - E que frutos lhes deste, exactamente? - atalhou o vizinho Manel.


- A minha esposa, Matilde, preparou-lhes uma salada de fruta… que, por sinal, estava muito, muito saborosa… Completamente aterrorizado, o Ti Manel interrompeu-o: - Ai, Timóteo… afinal, tu também comeste… e, ainda por cima, salada de fruta! Fruta de toda a qualidade, toda misturada… - É verdade, comi… - confirmou. - Sentes-te bem, companheiro? - preocupou-se o Ti Manel. - Sim, até ao momento. - Se calhar - observou o investigador - não produz efeitos secundários nos humanos… 6º C

- Deus queira que não! - desejou o Ti Timóteo. O Ti Manel, intrigado, perguntou: - Mas como é possível a D. Matilde não ter reparado que os frutos estavam todos trocados quando os foi colher para preparar a salada de fruta? - Realmente, não tinha pensado nisso… Vamos já falar com ela! - anunciou o Sr. Timóteo. Dirigiram-se rapidamente para a casa principal da quinta. Ao entrar na cozinha, não ganharam para o susto. A D. Matilde estava sentada, com o seu rosto num estado lastimável: tinha o nariz da cor de uma azeitona e a pele rugosa como o tronco de uma árvore. - Tildinha! Que te aconteceu? Fala comigo, por favor! - suplicou o seu marido, morto de preocupação. Mas a bondosa senhora, por mais que se esforçasse, não conseguia pronunciar palavra. Foi então que os três homens se aperceberam que a língua de D. Matilde tinha aumentado de tamanho! Tinha inchado tanto, tanto, que mal cabia dentro da boca. Só acenava com a cabeça para mostrar que estava bem, dentro do possível, e descansar o marido. O investigador Octávio recomendou que ela se mantivesse calma e que escrevesse num papel se tinha notado alguma diferença na fruta, no dia anterior. Depois de muitas perguntas e respostas por escrito, concluíram que ela pensava que, aquela, era mais uma das invenções agrícolas do marido. Mencionou aquela que, dois anos antes ele tinha feito, quando, com adubos especiais, criou maracujás do tamanho de abóboras gigantes. Tanto o Ti Manel como o investigador olharam para ele com caras de “ponto de interrogação”. - Devia ter-nos contado isso desde o início! - reclamou o investigador. Com certeza, é essa a explicação para tudo! - Mas eu não voltei a fazer mais experiências! Já nem me lembrava disso! Se quiserem, vão à arrecadação do celeiro e analisem os restos de adubos que ainda lá tenho. Agora desculpem mas vou com a minha Tildinha ao hospital! - disse, muito enervado. - A minha equipa fará isso. Vou avisá-los e, de seguida, iremos todos levar a sua esposa ao hospital. Instalaram-se os quatro no velho jipe do Ti Timóteo e lá foram. 6º E


Durante a viagem foram surpreendidos pelo enorme estrondo dos sinos da igreja da aldeia, que tocavam a rebate! E, logo depois, o som igualmente estridente dos de uma aldeia próxima, e de outra, e outra, e outra… - Para tocarem assim os sinos e em tantas aldeias, deve ter acontecido alguma coisa gravíssima. - reflectiu o Ti Timóteo, levando as mãos à cabeça. Vinte minutos depois chagaram ao hospital da região e foi com grande dificuldade que conseguiram levar a D. Matilde para as Urgências porque, no local, estavam os meios de Comunicação Social que, entretanto, se amontoavam, literalmente, uns em cima dos outros, à entrada do hospital. É que, durante a noite, várias crianças tinham dado entrada no hospital da região com sintomas estranhíssimos: alguns com voz completamente alterada; outros, com a pele arroxeada ou cor de fogo; meninos penteando bonecas e meninas brincando com carrinhos de corrida; só para referir alguns… Enfim, um pandemónio, se acrescentarmos a preocupação dos pais que os acompanhavam. Mas, incrivelmente, alguns dos alunos que ali estavam - por precaução segundo os pais - tal como o Ti Timóteo, não apresentavam qualquer diferença no aspecto, na voz ou no comportamento. Por que razão, só alguns, pareciam estar de perfeita saúde?! Deixaram a D. Matilde ao cuidado dos médicos e regressaram à quinta, fugindo aos jornalistas que os queriam entrevistar. - Apre! Estava a ver que não nos largavam! Espero que não nos sigam. - desabafou o Ti Manel, que era quem conduzia o jipe. Chegados à quinta, o investigador declarou: - Estou a ver que temos um longo dia pela frente! Vou ter com os meus colaboradores. Até já, meus senhores. Uma hora mais tarde, por volta do meio-dia, voltou com uma proposta: - Senhor Timóteo, a minha equipa sugeriu que seria muito útil se pudéssemos dar ao Pantufa uma peça de fruta diferente, para ver o que acontece. Eu não costumo permitir este tipo de soluções; mas, como o seu cão, apesar de tudo, parece recuperado… O veterinário também concorda. Que me diz? Com o coração nas mãos, Ti Timóteo acabou por permitir a experiência. - Com as análises feitas, já podemos afirmar, com alguma certeza, que a maçã provoca aquilo a que chamamos “o oposto”: neste caso, cão com características de gato. O cão vai provar cada fruto e nós registaremos os efeitos. Agora, vamos dar-lhe um figo a comer. Dirigiram-se todos para o local da quinta onde tinha sido montado um autêntico laboratório. Entretanto, o investigador Octávio enviou uma outra equipa de investigadores para o hospital. Conjuntamente com os médicos, poderiam analisar os pacientes com mais rapidez e apurar mais dados. Mantinha-se em contacto permanente com o hospital.


E os jornalistas da imprensa, da rádio e da televisão, lá continuavam, ansiosos, à espera de novidades; tanto no hospital como agora, à entrada da quinta… 6º B

Quando o Ti Timóteo chegou à quinta já os investigadores tinham começado a experimentar os frutos e a ver como reagia o Pantufa. Como os frutos já deviam ter sido colhidos e já estavam muito maduros, alguns deixaram-se cair. No meio de tanta azáfama, um dos frutos acabou por ser pisado. Logo se espalhou pelo chão um líquido verde e viscoso. Timóteo chamou logo a atenção da equipa que foi de imediato analisar o líquido que não era normal num fruto. Mas que líquido seria aquele? 6º D

Uns dias depois, os investigadores descobriram que aquele líquido viscoso e verde não era senão uma pasta de dentes especial para animais que a Mãe Natureza lhes tinha oferecido através da mistura dos frutos. Este misterioso líquido, além de limpar os dentes dos animais, deixava-os com um hálito muito agradável e que proporcionava a quem com eles comunicassem, um estonteante aroma a frutos silvestres. Apesar de todos os problemas terem ficado resolvidos, numa certa tarde de Junho, apareceu uma estranha minhoca, que apresentava um olho azul, outro cor-de-laranja e ainda um nariz bem vermelho.

A vaca Milú bem tirou as medidas àquela estranha criatura sem conseguir chegar a nenhuma conclusão. Porém, uma estranha interrogação ficou no olhar impávido e sereno desta: - Quem será este estranho ser????????

6º H


…Realmente, este era sem dúvida a quinta das confusões e interrogações. Realizadas mais investigações chega-se à conclusão que afinal a minhoca esquisita tinha sido a causadora de todas as situações. A minhoca tinha vindo do espaço e trazia consigo um gene que alterava tudo em que tocava. 5º I

História dos Alunos do 2º CEB do ano lectivo 2007/2008


Uma promessa para Leonor 3º ciclo

Estendeu o olhar azul pela encosta amarelada que se abria à sua frente. Do autocarro que a levava à escola diariamente conseguia ver o mundo fechado que rodeava a vila onde nascera. Tão pouco! Agora que conhecia algo maior, nascido dentro do peito quando trocara olhares com o colega loiro e alto do 10ºD, desejava libertar-se daquele canto esquecido no fim da Terra e onde nada acontecia. Onde nem as folhas das árvores se agitavam. Leonor sonhou enquanto se enterrava no seu lugar na velha carreira que chiava indolente até ao centro para a largar mesmo em frente à entrada lateral da Escola Secundária, que era o único lugar a oferecer-lhe a promessa de um horizonte melhor e infinito. Uma incógnita, é certo para já, mas certamente melhor! Desejou continuar, ter uma viagem mais longa. Quis que o autocarro, naquele dia, não parasse ali. Sentiu-o travar e fechou os olhos, talvez para o impelir para a frente… para a estrada que a levaria, quem sabe, para uma vida totalmente nova. Quinze anos que sabiam a nada. E desejosos de tudo! Os colegas diziam-lhe tão pouco. Na família, as conversas eram escutadas a correr… E com ela, aquela descoberta de querer mais, muito mais do que tinha. Com quinze anos, quero dar o grito. De liberdade. De total e absoluta liberdade! Sonho, não sei o quê! Quero, sem saber por onde começar. Ando, sem rumo definido. Vou, para onde? Cá dentro, uma vontade enorme… para tudo. E, de repente, cai sobre todos a notícia do problema do Daniel do 10ºD…

Adelaide Ferreira


Este rapaz tinha perdido os pais num acidente e vivia com a tia. Ele já tinha tantos problemas, porquê mais um? 7ºA

Leonor tenta aproximar-se de Daniel, mas ele está a passar por uma fase difícil e recusa ajuda. Pobre rapaz! Depois de ter ficado órfão, agora corria o risco de perder a tia também. 7º B

Para mudar o rumo da sua vida, Leonor precisava ajudar aquele que seria o único que a poderia ajudar a mudar. Chega à escola, dá a mão a Daniel e uma lágrima cai. Sabia que tinha de o ajudar. Afinal, o seu tio, embora afastado, era neurocirurgião e podia mudar radicalmente a vida de Daniel e Natália, tia do jovem. 7º C

Natália já tinha atravessado um período de depressão. Não só pela morte da irmã, mãe de Daniel, mas também por este sofrer e pela quantidade de trabalho que tinha no seu próprio antiquário, onde vendia de tudo: quadros, jarros, peças chinesas e arte com muita qualidade. Embora tivesse aberto há pouco tempo, já lhe dava muito trabalho. Tinha conseguido arranjar muitos clientes, que, quase todas as semanas, lhe encomendavam peças. Andava sempre atarefada e com medo que algo falhasse, pois precisava muito daquele dinheiro. 7ºD

Apesar do sucesso aparente do negócio, Natália andava esgotada e sem saber o que fazer. Nem o próprio Daniel a conseguia animar… tudo sintomas do seu aneurisma. Consciente da gravidade da situação, à noite, quando chegou a casa, Leonor estendeu-se no sofá e tentou arranjar coragem para telefonar ao tio e contar-lhe a história da tia do amigo. Pegou no telefone e, a cada tecla que pressionava, um arrepio subia-lhe pelo corpo, até que ouviu uma voz grossa lá ao fundo. 8ºA

Ao ouvir a voz grossa do seu tio, Leonor ficou sem palavras. Demorou algum tempo até ganhar coragem e falar sobre o problema da tia do amigo. O tio ficou abismado com o relato e, após um momento de silêncio angustiante, concordou em ajudar. 8ºB


Logo pela manhã, Leonor sentia uma alegria tremenda que a levou até à escola para contar as novidades a Daniel, que passou o resto do dia desejoso para chegar a casa e poder contar à tia. Durante todo o dia, a alegria do jovem contagiava toda a gente e todos o viam como uma nova pessoa. No meio de toda essa alegria, Leonor sentiu-se cada vez mais próxima do rapaz e de conseguir o seu passaporte para um mundo de liberdade bem diferente daquele com que contactava diariamente. 8ºC Nesse mesmo dia, Daniel, mal entrou em casa, foi logo contar à tia que havia a possibilidade dela ser ajudada pelo tio da sua amiga Leonor. Natália, duvidosa, não sabia se havia ou não de concordar com a operação, pois se esta não corresse bem, podia fazê-la partir de um modo mais apressado. No fim, anuiu. Chegou então a altura de escolher a roupa que levaria para a Clínica e a esperança de deixar um “até logo”, naquela casa. Saiu com o coração apertado e embarcou na realização de todos os exames necessários. O diagnóstico foi possível através da TAC cerebral e de uma angiografia que permitiu a visualização do local de origem da hemorragia. Esta estava no cérebro. Passados dias, Natália entra no bloco operatório, acompanhada pela equipa médica. Olhou demoradamente para Daniel e, procurando refrear as lágrimas, atirou-lhe um beijo. Foi então que Leonor, sentindo o sofrimento de ambos, se aproximou dela e, num sussurro, murmurou: -Nós não sairemos daqui! Quando acordar, a sua primeira imagem será a do seu sobrinho! A promessa foi cumprida! Ainda com os sentidos adormecidos, quando abriu os olhos, viu a carinha chorosa de Daniel e, naquele momento, soube que tudo correria bem. Dois anos depois, Natália sentia-se mais viva do que nunca, dando, a este bem mais precioso, o seu devido valor. Dia de escola... Leonor, sentada no mesmo banco e no mesmo autocarro que sempre utilizara, em vez de sozinha, estava com Daniel e rodeada de amigos, a atravessar a pequena vila. Estendeu a mão e procurou a do amigo; encontrou um olhar intenso e soube, ali, que a vida lhes sorriria! 8ºD

História dos Alunos do 3º CEB do ano lectivo 2007/2008

Ponto a ponto... constrói-se um conto!  

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