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Reunião Técnica - “ENOTURISMO – PRODUTO ESTRATÉGICO PARA PORTUGAL” - CONCLUSÕES Cartaxo, 30 de Junho de 2009 Na sequência da reflexão desenvolvida ao longo deste dia de trabalho, foi possível comprovar que Portugal dispõe dos requisitos básicos para competir no segmento da Gastronomia e Vinhos, havendo necessidade de actuar nos deficits enumerados ao nível da estruturação do produto, de modo a permitir atingir a prestação de um serviço de excelência.

1. A GASTRONOMIA E VINHOS É UM PRODUTO ESTRATÉGICO DO PENT A Gastronomia e Vinhos é um dos dez produtos prioritários do Plano Estratégico Nacional do Turismo (PENT) e tem um forte potencial de crescimento em todo o mundo. Em 2006, a procura primária de viagens internacionais de Gastronomia e Vinhos representava 600.000 viagens na Europa, enquanto a procura secundária se encontrava estimada em 20 milhões de viagens, prevendo as estimativas um crescimento na ordem dos 7% a 12 % / ano, pelo que o volume do mercado europeu em 10 anos poderá mais que duplicar. Para Portugal, o PENT prevê, numa visão a 10 anos, um crescimento da procura de GASTRONOMIA E VINHOS na ordem dos 10%, apostando nas regiões Norte, Centro e Alentejo como motivação principal de viagem e, nas restantes regiões, como produto complementar das restantes ofertas. A forte tradição vitivinícola, o aumento sustentado do reconhecimento da qualidade dos vinhos portugueses, aliados à gastronomia regional e a uma


crescente

aposta

das

empresas

turísticas

em

investir

numa

oferta

diferenciada e de qualidade ao nível deste produto, permitem acreditar que seremos capazes de trabalhar na estruturação desta oferta, de forma a ganhar competitividade junto dos mercados concorrentes e dos mercados emissores – destaque para Espanha, França, Itália. Este ano, o Turismo de Portugal já desenvolveu e apoiou várias iniciativas que visam dar visibilidade ao produto GASTRONOMIA E VINHOS, não só junto do mercado nacional como nos restantes mercados: - Forum Girona (Fevereiro) – apresentação de Portugal como país convidado, permitindo a mostra da gastronomia portuguesa e dos principais Chefes nacionais (acções de degustação, harmonização, showcookings) - Peixe em Lisboa (Abril) – iniciativa da ATL, onde a cozinha ao vivo, a harmonização, o taste & buy foram os principais motes - Jornadas Gastronómicas no El Corte Inglés (Junho), com a presença de 71 restaurantes - Allgarve Gourmet (Agosto), que reúne no mesmo programa gastronomia de autor e os Festivais populares da Sardinha e do Marisco

2. FACTORES CRÍTICOS NA ESTRUTURAÇÃO DA OFERTA DE ENOTURISMO O Enoturismo, enquanto segmento do produto GASTRONOMIA E VINHOS, caracteriza-se por envolver um conjunto de actividades que propiciam o contacto dos turistas com a actividade vitivinícola, com os produtos daí resultantes e com o património paisagístico e arquitectónico relacionado com a cultura da vinha e do vinho. Neste sentido, e conforme decorre do conjunto das intervenções havidas ao longo deste dia, podemos identificar alguns factores críticos para o desenvolvimento do Enoturismo:


- a melhoria das condições de visitação das infra-estruturas [adegas, caves, quintas] – zonas de acolhimento para grupos e visitantes individuais, pessoal

qualificado, horários flexíveis, informação multilingue, sinalização, abertura regular (em articulação com parceiros por forma a assegurar uma oferta permanente) - a criação de propostas especiais que permitam diferenciar a viagem, tanto ao nível das actividades proporcionadas (diferentes modalidades de visita à vinha, contacto com as actividades agrícolas, provas de vinho e degustação de outros produtos de excelência, cursos para especialistas e para “curiosos”, etc) como do alojamento e da restauração propostos (serviço diferenciado, reforçando as especificidades do contexto vitivinícola) e dos serviços

complementares

associados

(visitas

culturais,

passeios

na

natureza, eventos de GASTRONOMIA E VINHOS, compras em lojas tradicionais ou gourmet, etc) - o desenvolvimento de programas tailor-made e de pacotes que reforcem o sentido da experiência proporcionada aos turistas - a associação do vinho a outros produtos DOC, a produtos gourmets, à gastronomia regional e à de autor - a potenciação dos vinhos através de cross-selling, tanto numa lógica de destino (aproveitando a grande ou relativa proximidade de Lisboa, Porto ou Faro) como temática (aproveitando os turistas que se deslocam com a motivação do turismo cultural, do turismo de natureza, golfe ou saúde e bem-estar) - a concertação dos diferentes agentes ao nível da organização dos pacotes turísticos, sua promoção junto dos mercados prioritários e respectiva comercialização, com vista ao reforço da “massa crítica” e da notoriedade da

oferta

empresas

de

Enoturismo

produtores,

de

animação,

operadores

empreendimentos

turísticos,

entidades

turísticos, públicas


(municípios, comissões vitivinícolas), entidades regionais de turismo e agências regionais de promoção turística - o reforço da informação turística sobre a oferta de Enoturismo nos portais institucionais de turismo e nos postos de turismo - o desenvolvimento de critérios qualitativos de reconhecimento dos serviços associados à oferta turística de Enoturismo (a Carta Europeia de Enoturismo é um modelo interessante de boas práticas) - sensibilização dos profissionais de restauração e hotelaria para o serviço de vinhos associado à gastronomia regional - sensibilização das populações e comércio local sobre o potencial turístico associado à cultura do vinho e da vinha e a importância do bom acolhimento aos visitantes

3. O ENOTURISMO – UMA OPORTUNIDADE Tal como todas as entidades presentes reconhecem, o desenvolvimento da oferta de enoturismo é uma oportunidade para: - as empresas do sector do turismo (empresas de animação turística, empreedimentos turísticos, operadores) que terão, neste segmento, um motivo de diversificação / diferenciação dos seus serviços (ao longo de todo o ano), apostando em serviços qualificados e, sempre que necessário, “tailor made”; - as regiões vitivinícolas e produtores que beneficiarão, assim, do interesse crescente nos produtos da vinha como componentes indispensáveis da oferta turística, bem como do interesse crescente na preservação da paisagem vitivinícola e dos valores culturais a ela


associados, contribuindo, assim, para a viabilização económica da produção vitivinícola; - os agentes locais que deverão aproveitar esta oportunidade para valorizar e divulgar os saberes e sabores tradicionais, apostando na qualidade dos produtos e dos serviços (alojamento, gastronomia, artesanato,

produtos

regionais,

espaços

culturais),

facilmente

associáveis a programas de Enoturismo.

4. COOPERAÇÃO NA ACÇÃO A presença, nesta reunião técnica, de diferentes parceiros – entidades regionais de turismo, agências regionais de promoção turística, entidades gestoras de rotas de vinhos, quintas de enoturismo, operadores turísticos, municípios - , é um sinal do interesse de todos em trabalhar este segmento e aprofundar relações de cooperação com vista ao desenvolvimento de projectos e iniciativas que contribuam para que o Enoturismo se torne um produto de excelência em Portugal.

5. ENOTURISMO – PROPOSTAS DE ACÇÕES FUTURAS O

Turismo

de

Portugal

pretende

continuar

a

dinamizar

o

produto

Gastronomia e Vinhos e, nomeadamente o Enoturismo, colaborando com os diferentes stakeholders. Destacamos

alguns

dos

projectos

e

iniciativas

que

nos

propomos

desenvolver (2009-2010) em articulação com os parceiros: a) Levantamento das unidades de Enoturismo, incluindo Rotas de Vinhos, que proporcionam actividades regulares destinadas a turistas, com vista à sistematização da informação relevante para


operadores e agentes de viagens, numa óptica de promoção e comercialização de produtos de Enoturismo b) Realização de Workshop, na BTL 2010, sobre o potencial do Enoturismo em Portugal, cujo programa incluirá a apresentação dos primeiros resultados no referido levantamento c) Edição de Guia de Enoturismo dirigido a operadores e agentes de viagens d) Realização de acção de sensibilização para gestores e promotores de

Enoturismo,

abordando

temáticas

como

a

organização

e

comercialização de produtos de Enoturismo e) Concretização

de

um

calendário

nacional

de

eventos

de

gastronomia e vinhos, privilegiando aqueles que apresentam potencial para captar tráfego internacional


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