Page 2

2 ponto de articulação do núcleo inicial da urbi ao norte e a sua expansão ao sul; era também aonde desembocava na parte alta da cidade a íngreme Ladeira da Conceição, então principal via de conexão entre a cidade alta e cidade baixa. Ao leste, na parte mais baixa da praça, a Ladeira da Barroquinha, dava acesso a uma área alagadiça que abraçava a inteira cidade ao nascente e que mais tarde veio a se constituir na animada Rua da Vala, atual Baixa dos Sapateiros, primeira avenida de vale da Cidade do Salvador. À maneira de um belvedere, o Largo está implantado ao fim da antiga Rua Direita, atual Rua Chile antes da depressão que dá início à Ladeira de São Bento. Assim o descreveu, em 1860, o príncipe Maximiliano de Habsburgo: Embaixo e ao redor, espalha-se a cidade, graciosamente. Em frente, encontra-se uma enseada transformada em ancoradouro, com os inúmeros navios mercantes agrupando-se em direção à margem e rodeado de embarcações de todo o tipo. [...] Embaixo concentrase a vida do porto, entre o interessante forte construído em meio às ondas, da enseada e o Arsenal, com a Casa da Alfândega, situada ao lado. [...]. (HABSBURGO, 1982, p. 88)

Do lado norte, a sobranceiro da praça, a mole amarelo-laranja do Teatro São João com seus 60 camarotes, 340 cadeiras dominava toda a paisagem. Segundo WERHERELL, vice-cônsul inglês que aqui viveu no período compreendido entre 1842 e 1857, A ópera é um belo edifício; com suas filas de camarotes perfeitamente distribuídas e tendo cada um uma pequena grade na frente. A totalidade dos espectadores pode assim ser vista de qualquer parte o que muito contribui para, aumentar a beleza e a aparência do teatro. As salas de espera como as de intervalo são muito boas, bem iluminadas e ricamente mobiliadas. O maior luxo prevalece ali e não se permite fumar em nenhuma parte do edifício. As famílias encontram-se e visitam-se nos camarotes. (WERHERELL, s/d, p. 79. Grifo nosso)

Inaugurado no dia 13 de maio de 1812 o teatro logo se tornaria o “centro convergente e de encontro da aristocracia e da riqueza baiana” (RUY, 1955, p.35), ainda que essa convergência se limitasse às noites nas épocas das temporadas líricas, quando então suas cocheiras ficavam repletas. Aí puderam ser assistidos espetáculos de canto lírico e óperas contratadas de companhias estrangeiras, cujas temporadas eram subvencionadas pelos cofres da província; aí, em 7 de setembro de 1867, Castro Alves foi ovacionado quando da

2011 Praca Castro Alves IGHBA CAPITULO - Copia  

A PRAÇA CASTRO ALVES: O LAMENTO DOS “CANTOS”. 1850 – 1888. Texto originalmente publicado em: DOURADO, Odete. Do lamento dos “cantos” à munda...

2011 Praca Castro Alves IGHBA CAPITULO - Copia  

A PRAÇA CASTRO ALVES: O LAMENTO DOS “CANTOS”. 1850 – 1888. Texto originalmente publicado em: DOURADO, Odete. Do lamento dos “cantos” à munda...

Advertisement