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NUNO MARINHO*

PATRIMÓNIO ÚNICO E INIMITÁVEL A SSSOCIAÇÃO DE OURIVESARIA E RELOJOARIA DE PORTUGAL ACABA DE ELEGER UM NOVO PRESIDENTE. FALÁMOS COM NUNO MARINHO, 45 ANOS, SOBRE O FUTURO

– DESDE A INTERNACIONALIZAÇÃO À DIGITALIZAÇÃO. UM SECTOR QUE VALE MIL MILHÕES DE EUROS, DOS QUAIS APENAS 10 POR CENTO SÃO VALORES DE EXPORTAÇÃO. HÁ, POIS, AINDA MUITO PARA CRESCER. Movimentando-se no sector do Luxo, a AORP tem procurado incentivar o Design nacional e os objectos com marca. Mas ainda não há uma Marca portuguesa no sector das jóias que se saliente a nível internacional. O que falta fazer?

A AORP tem como missão a afirmação da marca “Portuguese Jewellery”, uma bandeira sob a qual se abriga toda a indústria, sejam produtores com marca própria ou que prestem serviços para terceiros. De igual forma, a marca alberga o setor de forma vertical, do segmento de luxo à chamada “day-to-day jewellery”. O objetivo é posicionar a joalharia portuguesa como um produto de qualidade, que alia a tradição da técnica, a arte da manualidade e a sofisticação do design. Este trabalho tem-se repercutido num claro reconhecimento internacional, que comprovamos nas nossas presenças em feiras e missões externas. Num mercado tão competitivo como o internacional, em que a joalharia portuguesa, apesar da sua longevidade em território nacional, dá ainda os seus primeiros passos, o nosso trabalho é o de abrir caminho às marcas nacionais e assegurar que a etiqueta “Portugal” favorece a sua entrada/ implantação nos mercados externos.

A internacionalização da produção nacional, ajudada pela redescoberta dos Métiers d’Art pelos grandes grupos e marcas de luxo, parece ter sido ajudada pela técnica da filigrana. Onde é que isso poderá levar? Há outros Métiers d’Art “portugueses”?

A joalharia portuguesa é riquíssima em técnicas artesanais, que atravessaram gerações e surgem agora re-

vitalizadas. Esta foi aliás a premissa que nos inspirou a criar a campanha “Portuguese Jewellery Legacy” – um regresso às origens, às técnicas tradicionais portuguesas, ao nosso legado. Para isso, contamos com a preciosa ajuda da Dra. Rosa Maria Santos, investigadora do CITAR - Centro de Investigação em Tecnologia das Artes da Universidade Católica, especialista em Ourivesaria Popular Portuguesa. Com o seu apoio, recuperamos as técnicas e desenhos que formam parte do nosso património, único e inimitável, e que dotam as nossas joias de um valor intangível que é necessário reconhecer, como o colar de grilhão, os brincos barrocos ou o fio de trancelim. Por detrás de cada peça há uma história de arte e tradição, que queremos dar a conhecer ao mundo. A AORP colabora anualmente com a Portojóia. Fale de projectos dessa parceria.

A Portojóia é um dos principais eventos de joalharia a nível nacional, tendo um papel muito importante não só na dinamização económica do setor, como também na partilha de conhecimento, criação de sinergias e na construção de uma cultura setorial, que muito louvamos. Nesse sentido, temos, ao longo dos anos, mantido o apoio institucional ao evento, aproveitando o momento para apresentar ao setor as nossas campanhas de promoção internacional e recolher o feedback das empresas e profissionais. Este ano, por exemplo, estivemos presentes com a exposição da nossa campanha “Portuguese Jewellery Legacy”.

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Anuário Relógios & Canetas – Novembro 2019  

Edição mensal digital (Novembro de 2019) do Anuário Relógios & Canetas

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