a product message image
{' '} {' '}
Limited time offer
SAVE % on your upgrade

Page 11

10/11

EDITORIAL

CRONOVÍRUS A UNESCO deverá apreciar em Novembro a candidatura da Relojoaria suíça e francesa a Património Cultural Imaterial da Humanidade. Não deixa de ser uma ironia que isso ocorra em 2020, talvez o ano mais dramático para o sector, após a crise do quartzo, dos anos 1980. Nunca o tecido empresarial suíço esteve tão dividido. Num sector tradicionalmente conservador, fechado, mas que sempre se entendeu a nível patronal quanto a uma estratégia global de médio e longo prazo, os grandes grupos com interesses na relojoaria helvética andam há vários anos a digladiarem-se sem sentido. Primeiro foi a guerra que o Swatch Group moveu aos concorrentes, ameaçando deixar de lhes fornecer calibres e acusando-os de gastarem mais em marketing do que em investimento verdadeiramente industrial. Com a estagnação dos últimos anos, há calibres a mais e é o próprio Swatch Group que quer agora continuar a vender à concorrência. Entretanto, muitos grupos como o Richemont ou o Kering, investiram fortemente no fabrico de calibres de raiz, uma decisão que não será paga tão cedo. Depois, houve a guerra dos salões. Há 30 anos, o então Grupo Vendôme, hoje Richemont (dono da Cartier, entre muitas outras marcas) decidiu sair de Basileia, onde há mais de cem anos se realiza a maior feira do sector, para fazer o seu evento em Genebra. Pelo meio, surge um inimigo de tipo novo — o smart watch e a entrada em cena das gigantes electrónicas. Em 2019, só a Apple, vendeu mais relógios que toda a indústria relojoeira suíça. Baselworld teve a segunda grande machadada quando o Swatch Group anunciou que já não estaria na edição de 2019. Alegou preços demasiado elevados. E lançou o seu próprio salão — Time to Move. Muitas outras marcas foram deixando Baselworld, que se remodelou totalmente e preparava uma edição 2020 com nova roupagem. O principal mercado de destino dos relógios suíços, Hong Kong, está em ebulição há mais de um ano e as quebras no consumo de luxo são acentuadas. Entra em cena o novo coronovírus. E a situação de crise no consumo do luxo faz-se imediatamente sentir em mercados tão importantes como China continental ou Japão. Por razões de saúde pública, as edições 2020 de Time to Move, salão de Genebra e Baselworld foram canceladas. O coronovírus é assim um cronovírus ameaçador. Não seria tempo da indústria relojoeira suíça voltar aos princípios que a guiaram desde há séculos, tocar a reunir, e apresentar ao mundo respostas conjuntas e capazes de responder à sobrevivência de um sector que poderá vir a ser declarado Património Cultural Imaterial da Humanidade, mas que também corre o risco de passar definitivamente à História? Fernando Correia de Oliveira / Editor-chefe I allaworldontime@gmail.com

MARÇO 2020

FICHA TÉCNICA

Propriedade / Edição Projectos Especiais, S.A. Av. da República, 1910 lt 34 Quinta Patino - Alcoitão 2645-143 Alcabideche Director João Viegas Soares Editor chefe Fernando Correia de Oliveira Design gráfico José Gonçalves Marketing e Publicidade Mafalda Sanches de Baêna marketing@projectosespeciais.pt Tel.: 216 022 267 Redação Projectos Especiais Consultores de Comunicação, S.A. Av. Infanto Santo 23, 12º esq. 1350-177 Lisboa Tel.: 218 027 912 www.anuariorelogiosecanetas.com www.facebook.com/anuariorelogiosecanetas www.instagram.com/anuariorelogiosecanetas

Profile for Anuário Relógios & Canetas

Anuário Relógios & Canetas – Março 2020  

Edição mensal digital (Março de 2020) do Anuário Relógios & Canetas

Anuário Relógios & Canetas – Março 2020  

Edição mensal digital (Março de 2020) do Anuário Relógios & Canetas