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organizacionais na Alemanha não é só uma mudança dramática nas condições de produção do teatro e de seus artistas, mas também uma mudança estética e organizacional de grandes proporções. O “artista pobre” é um tema comum e, infelizmente, a realidade de uma grande parte dos praticantes de teatro alemão. Ainda que esses artistas recebam, em geral, uma boa educação, sua renda média pouco ultrapassa a linha da pobreza e é muito recorrente que eles tenham trabalhos não-artísticos para assegurar níveis mínimos de vida. Essas mudanças não são apenas causadas pelas mudanças nos gastos públicos, como também pelas escolhas dos artistas. O teatro independente, que geralmente é pouco financiado e tem poucas conexões com os teatros grandes, tornou-se cada vez mais significativo. Muitos artistas aceitam uma insegurança financeira em nome de uma maior liberdade artística. Porque apesar de ainda ser financeiramente seguro trabalhar para um teatro com amparo público na Alemanha, as inovações estéticas não foram feitas dentro dessas instituições recentemente. E os artistas de teatro seguem (talvez se antecipam) a condição de trabalho de muitos trabalhadores criativos, como na indústria de “Start-up” e da internet, onde é comum a perda da situação tradicional empregador-empregado e um aumento na flexibilidade e mobilidade. Quando em 2005 o “Podewil”, um dos poucos teatros que apresentou obras entre os gêneros tradicionais de dança, teatro, performance, música e videoarte foi fechado em Berlim, pa-

rece que a cidade perdeu seu lugar como centro do teatro alemão. Durante décadas, as mais de 60 casas e muitos outros espaços de performance na capital receberam financiamento público integral ou parcial e inspiraram uma cena rica e experimental de teatro na Alemanha. Mas em 2005, apenas alguns pequenos teatros não-tradicionais, que apresentavam obras fora do teatro ilusionista tradicional, permaneceram. Mas a mudança aconteceu rapidamente. Sete anos mais tarde, o “HAU Berlin” foi eleito o “Teatro do Ano” com um programa baseado em artistas e cooperações internacionais, com uma cena vívida de grupos livres de teatro, dentro e fora da cidade. O perfil programático do HAU foi muito além dos limites do que era tradicionalmente considerado teatro. “HAU” ainda parecia, para muitos, mais um exemplo do declínio do teatro alemão, quando três teatros conhecidos e famosos foram combinados em uma estrutura organizacional - com muito menos recursos. “Hebbel Theater”, o famoso “Theater am Halleschen Ufer” – pátria do “Schaubühne”, que tinha sido um dos grupos de teatro alemão mais influentes nos anos 70 e 80, e o “Theater am Ufer”, especializado em Teatro do Leste Europeu, tornou-se “HAU - Hebbel am Ufer”. Mas sob a curadoria genial de Matthias Lilienthal, um dos dramaturgos mais inovadoras na década de 90, o novo “HAU” logo se tornou em um espaço não só para o teatro (experimental), mas para discussões acadêmicas e artísticas, concertos, performances etc. Grandes produções não foram mais financiadas

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ANTRO POSITIVO ED. 10  

revista trimestral, com acesso livre, sobre teatro e políticas culturais. Editores: Ruy Filho e Patrícia Cividanes

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