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Foi-se o tempo em que videogame, desenho animado, livro infantil e parque de diversão eram coisas de criança. Está cada vez mais comum vermos marmanjões por aí que não fazem questão nenhuma de abandonar as brincadeiras de adolescente. Guilherme Rampazo


Adultos que assumem comportamentos infantis, uma mistura de adulto com adolescente. Quando chega ao extremo, esse comportamento pode se tornar extremamente prejudicial e recebe o nome de “síndrome de Peter Pan”, referindo-se ao garoto da história infantil que quer ser jovem para sempre.


O cara só usa bermudão e camiseta tipo skatista, fala gíria e masca chiclete sem parar, mora com os pais, se nega a assumir o relacionamento com a “ficante” oficial há mais de um ano, e, para completar, acha que previdência não é assunto que lhe deva despertar interesse. A mina se comporta como a donzela que não pode ser contrariada, qualquer movimento estranho... corre pra mamãe, age como a vítima do mundo, usa roupas desajeitadas ou minissaia para parecer mais jovem. Há alguns anos, tal descrição certamente seria referente a um rapaz ou uma moça de 18 anos. Acontece que as fronteiras etárias se tornaram nebulosas: atualmente o perfil acima também corresponde a muitos homens e mulheres de 35 ou 40 anos. Eles fazem parte de uma turma que anda com uma certa dificuldade – para não dizer aversão – de encarar a vida adulta.


• Antigamente as opções de estilo eram restritas (mulheres educadas para o casamento e homens para serem chefes de família) o fugisse disso causava certa indignação, hoje são permitidas outras escolhas, que não são mais marginalizadas;


• Antigamente, havia uma senha para ingressar na idade adulta, inclusive para os de classe econômica mais privilegiada: o fim dos estudos (e a conseqüente entrada no mercado de trabalho), quando o cidadão passava a ganhar seu próprio dinheiro e se sustentar sozinho. Isso acontecia, em geral, no fim da faculdade. Agora, a vida escolar pode se alongar até as pósgraduações e os cursos de extensão, que podem esticar a fase de estudos e a dependência financeira até por volta dos 27 anos.


• Outro fator é que, biologicamente falando, no ser humano a adolescência tem idade certar para começar, a entrada da puberdade, mas não tem idade para terminar.


O x da questão é: amadurecer, virar gente grande, não precisa ser algo obrigatoriamente chato, como todo mundo pensa. Claro que pode usar bermuda e jogar videogame com os filhos. Mas existe uma diferença do ponto de vista emocional – é ele que conta. "Uma pessoa que passou da fase adolescente para a fase adulta é aquela que adquiriu a capacidade de tomar conta da própria vida, de responsabilizar-se por si mesma e por aqueles que precisam dela", afirma Maria Tereza. O que importa de verdade não é a aparência, muito menos a escolha do estilo de vida. O que vale é a maturidade emocional. E isso um surfista ou roqueiro pode ter muito mais do que um bemsucedido empresário.


Álvaro Novaes Costa / 5105214 Daileon Daniel Siqueira / 5108838 Flávio Batista Tristão / 5108783 Malu Vieira Marquez / 5108407 Tcharlysson S. A. Macedo / 5105618

Adultecentes  

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