Issuu on Google+

08 inwards design is destiny Pathways is a new media magazine for culture at the edge. Exploring different facets of the emerging paradigm, this zine traces the contours of a new world while offering a glimpse of the path ahead. Printed on 100% post-consumer recycled paper Pathways is freely distributed at the Boom and beyond. Design é destino

Pathways é uma nova revista dedicada à cultura emergente. Através da exploração de diferentes facetas do novo paradigma, esta revista traça os contornos de um novo mundo ao mesmo tempo que espreita o caminho que se segue. Impressa em papel 100% reciclado, totalmente fabricado a partir de papel usado, esta edição limitada da Pathways é distribuída gratuitamente no Boom.

1

pathways_final_july21.indd 1

7/25/08 8:37:57 AM


pathways contents 02

information 08 earth’s creative potential lucy legan

16 the big surprise mark pesce

22 permaculturing the future

orientation 01 inwards 02 contents 04 manifesto

DELVIN SOLKINSON

34 a new kind of festivaL

artur soares da silva

42 FLUX CAPACITY

D.T. MUZUKI

50 the festival is a seed

erik davis

destination 58 REsourcery 62 ONWARDS 64 GUILD

Cover art :

2

pathways_final_july21.indd 2-3

3

7/25/08 8:37:59 AM


at this crossroads humanity is transitioning into a new phase of growth integrating an awareness of our actions and their impact adapting with wisdom ut of ancient timelessness we evolved, like all of life, from the stuff of matter and have, over time, become much more than this we are consciousness with the capacity to transmit light across the ends of the known universe and back

O

and yet humanity is in an early phase of development still struggling with its relationship to power fighting over dwindling resources placing more value on maintaining the means to consume rather than on Life itself and so we are called to collectively re-examine and re-define our relationship to the energy we depend on or to continue along a poisoned path of suffering

4

pathways_final_july21.indd 4-5

strategies must be developed ones that seek solutions to transcend problems enabling us to heal the damage of history so that we can create a more sustainable future be gentle be kind to those around you, human, animal or Other honor the elements and the ground upon which you walk share what you have evolve your presence live authentically transformation begins from the inside out

5

7/25/08 8:38:02 AM


project

6

pathways_final_july21.indd 6-7

7

7/25/08 8:38:05 AM


Earth’s creative potential Mid May, lakeside Idanha-a-Nova, the earth is covered in wild lavender, daisies, dandelion, pennyroyal and fennel. Spiraling fish make ripples on the surface of the water. The beauty is breathtaking. Every year the natural history of this special place is the story of Earth unfolding. As Earthlings, our biological journey has been brief in the supposed 4.6 billion year history of planet Earth. Yet our journey has literally changed the face of the Earth. We have moved from continent to continent changing the flow of rivers, moving mountains and creating giant holes in the surface of the planet for the benefit of our species. And through our behaviors the world is being homogenized, ecosystems are being simplified, diversity

is declining, and variety is being lost. The Earth’s creative potential is being put at risk. We popularly call this time in history the “Information Age” but have we actually created what Don Gayton calls the “era of indifference”; that is, we know, but we don’t really care. There was a time when ecological ignorance could be claimed as an excuse for the damage we do to nature, habitats, and species, but not any longer. With faster technology we literally have the information at our fingertips, but do we care enough to modify any of our lifestyles using that information? As Earthlings, we need to care and now is the time for us to question the paradigm that “humans are the centre of the universe”.

O Potencial Criativo da Terra Estamos em meados de Maio e, nas margens da barragem de Idanha-a-Nova, o solo está coberto por lavanda selvagem, margaridas, dentes de leão e poejo. Os rodopios dos peixes formam ondas circulares na superfície da água. A beleza é de tirar o fôlego. Ano após ano, assistimos ao desenrolar da própria história da Terra através da beleza deste lugar especial. A nossa viagem biológica como terráqueos é curta quando comparada aos supostos 4.6 biliões de anos da história do planeta Terra. No entanto, o nosso curto percurso foi o suficiente para literalmente alterar a face do nosso planeta. Viajámos de continente em continente, alterando os cursos de água, movendo montanhas e criando gigantescos buracos na superfície do planeta, para benefício da nossa espécie. E, é através destes nossos comportamentos que o mundo tem vindo a ser homogeneizado e os ecossistemas simplificados, ao mesmo tempo a que assistimos a um declínio em termos

de diversidade e a uma perda de variedade. O potencial criativo da Terra está a ser posto em risco. Popularmente, damos a este período da história o nome de “Era da Informação” mas, não será que o que criámos, de facto, é aquilo a que Don Gayton chama de “Era da Indiferença”; isto é, apesar de sabermos, não queremos saber. Havia um tempo em que a alegada ignorância ecológica servia para justificar o modo como danificávamos a natureza, os habitats a as espécies, mas hoje em dia já não é desculpa. Com o avanço da tecnologia, a informação está-nos literalmente nas pontas dos dedos, mas será que nos incomodamos ao ponto de, com base nessa informação, modificarmos o nosso estilo de vida? Enquanto terráqueos, preocuparmo-nos necessariamente com estas questões e chegou o momento de questionarmos o paradigma vigente, que coloca os seres humanos no centro do universo.

Lucy Legan 8

pathways_final_july21.indd 8-9

www.ecocentro.org

9

7/25/08 8:38:08 AM


Times of confusion often precede the most surprising discoveries and transformations. The unfolding Ecocentric Ethic is just that. The Ecocentric Ethic questions what is fundamentally important - what do we as a species cherish and not want to lose? Stan Rowe says that the Ecocentric Ethic shifts the centre of values away from humans. So the sense of “we are one” is not the collective identity of the crowd that cancels out all selfhood. Nor is it a mystic merger into a single, cosmic self. Instead, it is a network of relationships between people and all living and non-living parts of the Earth. Everything on the earth is connected, each with an identity and integrity.

10

pathways_final_july21.indd 10-11

É já habitual que as mais surpreendentes descobertas e transformações sejam precedidas por tempos de extrema confusão. A ética Ecocêntrica emergente é isso mesmo, vem questionar o que é de importância fundamental; o que é que nós, enquanto espécie, realmente valorizamos e não queremos perder? Na opinião de Stan Rowe, a ética Ecocêntrica deixa de centralizar os valores de importância primordial nos seres humanos. A expressão “nós somos um” não diz respeito a uma identidade colectiva que não considera o indivíduo. Também não diz respeito a um tipo de unificação mística resultando numa única entidade cósmica. Refere-se antes a uma rede de relações entre as pessoas e todas as partes vivas e nãovivas da Terra. Tudo o que existe na terra está em inter-relação, e cada coisa tem uma identidade e integridade próprias.

Much wisdom has been offered to us by the Ngalapal Aboriginal Elders, many of who are no longer with us. The action “galtha” is translated as “to go forward to the next beginning”. Every galtha has a history, which we reflect on in deciding the direction for the next step. The reflecting and deciding are collective. To respect the Earth’s creative potential, our journey must start right here, the process of making change must begin within us. We, as Earth beings, are capable of manifesting unselfish attitudes and collective actions to nourish the Earth’s creative potential and for the sustainability of Earthlings to come.

Os anciãos aborígenes Ngalapal, muitos dos quais já partiram, deixaram-nos diversos ensinamentos. A acção “galtha” é traduzida como o “caminhar na direcção de um novo princípio”. Cada “galtha” tem uma história, sobre a qual devemos reflectir antes de decidirmos em que direcção dar o passo seguinte. As decisões e as reflexões são colectivas. Para respeitarmos o potencial criativo da terra, a nossa jornada deve começar agora mesmo. O processo de mudança deve começar dentro de nós mesmos. Enquanto seres terrestres, somos capazes de manifestar atitudes e acções colectivas que nutram o potencial criativo da Terra e que promovam a sustentabilidade dos seres terrestres que estão para vir.

11

7/25/08 8:38:10 AM


12

pathways_final_july21.indd 12-13

13

7/25/08 8:38:14 AM


organic study 3

www.android.net.au

andy thomas

organic study 1

andy thomas

14

pathways_final_july21.indd 14-15

15

7/25/08 8:38:17 AM


mark pesce

Terence McKenna once equated the impending end-of-everything to a ‘big surprise’ – something so unexpected that it throws everyone for a loop. As most of you know, he set a date for this surprise: 21 December 2012. For many years I’ve shied away from this prediction, because it seemed too neat, and because things seemed to be building too slowly for any Eschaton to come to fruition. The time has come for me to publicly admit the error of my ways, and make some amends. Five months ago, someone, somewhere in the world, bought a mobile. Unremarkable in itself, but, cumulatively, of enormous import. That individual became the halfway point between the half of humanity who, just a decade ago, had never even made a phone call, and the half of humanity who now own a mobile. The mobile has become an indispensable tool for improv-

ing human effectiveness – something far more evident in the fishing villages of the Kerala coast of India, or the maize fields of Kenya, than on the streets of Lisbon. The mobile has transformed daily life for the middle poor of humanity, those who earn anywhere from a thousand to a few thousand euros a year, and who now buy mobiles in ever-greater numbers. Two hundred years ago, the steam engine transformed human civilization, multiplying human and animal muscle power almost infinitely, giving birth to an industrial era of gigantic cities, titanic projects, and massive populations. Hopped up on our own strength, we thought big, and acted even bigger. Nothing seemed impossible, even reaching out to touch the nearest of the heavenly bodies. But gravity’s rainbow brought us crashing back to Earth.

A Grande Surpresa

The Big Surprise

Em determinada altura, Terence McKenna equiparou o “grande final de tudo” a uma “grande surpresa” – algo tão inesperado que deixaria a todos de boca aberta. Como a maioria de vocês sabe, ele atribuiu uma data a esta surpresa: 21 de Dezembro de 2012. Durante muitos anos procurei ignorar esta previsão, por parecer demasiado linear e por parecer também que a evolução dos acontecimentos se desenrolava de forma demasiado lenta para que qualquer Escatologia pudesse chegar a acontecer. Chegou a altura de admitir publicamente que errei e de fazer algumas correcções. Há cinco meses, alguém, algures no mundo, comprou um telemóvel. O objecto em si não tem qualquer característica especial mas, cumulativamente, assume uma enorme importância. Esse indivíduo passou a ser o ponto intermédio entre a metade da humanidade que, há uma década apenas, nunca tinha feito uma chamada e a metade da humanidade que agora possui um telefone. O telemóvel transformou-se numa ferramenta indispensável para melhorar a eficácia humana - aspecto este tão mais evidente nas vilas piscatórias na costa de Kerala, na Índia, ou nos campos de milho do Kenya, do que nas ruas de Lisboa. O telemóvel veio transformar as vidas de pessoas de pobreza média, aqueles que ganham uns poucos mil euros por ano, e que agora tendem a comprar cada vez mais telemóveis. Há duzentos anos atrás, o comboio a vapor transformou a nossa civilização, multiplicando a força muscular humana e animal quase infinitamente e dando início a uma era industrial composta por gigantescas cidades, projectos titânicos e enormes populações. Movidos pela nossa própria força, os nossos pensamentos foram grandes e as nossas acções ainda maiores. Tudo era possível, até mesmo estender o braço para tentar tocar um qualquer ser celestial. Mas a força da gravidade do nosso próprio arco-íris fez-nos aterrar de rompante na Terra.

andy thomas ‘coagulation’ www.android.net.au

16

pathways_final_july21.indd 16-17

17

7/25/08 8:38:23 AM


No momento em que nos apercebemos da finitude do nosso próprio crescimento e testemunhamos com os nossos próprios olhos os glaciares a derreter e as nossas cidades a serem inundadas, damos por nós a contar, cada vez mais, uns com os outros. A amplificação da nossa força deu-nos uma vida longa e um planeta moribundo. A nossa amplificação enquanto seres sociais - e somos, sem dúvida, a espécie compreensivamente mais social que alguma vez pisou este planeta – está-nos a empurrar no sentido de uma hiperconectividade, em que cada um de nós está directamente ligado a cada uma das restantes pessoas, em cada lugar do planeta.

Just as we reach the all-too-finite limits to growth, witnessing with our own eyes the melting of the icecaps and the inundation of our cities, we find ourselves reaching out, as never before, to one another. The amplification of muscle gave us long life and a dying planet. The amplification of our social being – and we are the most comprehensively social species who has ever walked the Earth – is hurtling us forward into hyperconnectivity, where each of us is directly connected with every other person, everywhere on the planet.

Não sabemos ainda como lidar com este novo tipo de poder. Sentimos a sua força periodicamente, a maior parte das vezes em alturas em que somos confrontados com grandes tragédias. Temos a sensação de que estamos unidos de uma forma extremamente profunda, que vai muito para além da relação de carne e osso que faz de nós descendentes da ancestral Eva, sete mil gerações atrás, e que faz com que estejamos, de certa forma, dentro das cabeças uns dos outros. Independentemente do lugar onde estamos, podemos ligar-nos, conectarmo-nos, partilhar, ensinar, aprender, escutar, brincar e relacionar. A hiperconectividade chegou mesmo a tempo de nos salvar do sucesso inesperado de toda a humanidade.

We do not yet know what to make of this new power. We feel it flicker into being periodically, most often in the face of great tragedies. We sense that we have become related in the most profound sense, not just the flesh-and-blood descendents of the ancestral “Eve,” seven thousand generations in our past, but that we are now somehow in each others’ heads. We can come together, connect, share, teach, learn, listen, play and relate, no matter where or who we are. Hyperconnectivity has arrived just in time to save us from all of humanity’s unexpected success. It took humanity fifty thousand years to learn the cultural software which led to the first flourishing of civilization. In the space of perhaps fifteen years, we are completely rewriting the operating system of the Human Network. We have deployed the hardware, now we simply need to put it to work for us, and learn from each other, as we reach out and connect. That has already set us on a trajectory which is changing everything. As we grow closer to this ultimate connection – this Eschaton – the Big Surprise reveals itself as Endless Wonder.

In the space of perhaps fifteen years, we are completely rewriting the operating system of the Human Network 18

pathways_final_july21.indd 18-19

andy thomas ‘luminous blackberry’

A Humanidade demorou 50 mil anos a aprender o software cultural que levou ao primeiro florescer da civilização. Num período de cerca de 15 anos, estamos a reescrever o sistema operativo da Rede Humana. Agora que já temos o hardware, só falta pô-lo a trabalhar para nós, aprendendo uns com os outros a usá-lo cada vez melhor, à medida que estendemos os braços e nos interconectamos. No momento em que nos aproximamos cada vez mais desta conexão final - desta Escatologia - a Grande Surpresa revela-se como um Espanto Infinito.

Num periodo de cerca de 15 anos, estamos a reescrever o sistema operativo da Rede Humana 19

7/25/08 8:38:27 AM


www.martinahoffmann.com

martina hoffmanN

detail

alien ascension

detail

20

pathways_final_july21.indd 20-21

ayahausca dream

ROBERTO www.venosa.com VENOSA 21

7/25/08 8:38:30 AM


Permaculturing the Future Planetary Culture Building in a World of Liminality

Permaculturar o Futuro Construção Cultural Planetária num Mundo Liminar

As gatherings like the Boom Festival inspire friendships between people from all over the world, a new kind of culture is being birthed. What were once small, isolated cultural pockets of people are now empowered to link with like minded groups in different places on the planet. Music, art, literature and cultural events can now include participants and contributors from people living great distances apart. The dynamic history of all cultures flows together, influencing and being influenced by everything that has come before. With a vaster knowledge base than ever dreamed possible, we are in a unique position to recraft the collective direction of human experience. Boom is the sound of unification, the music of our coming together as a world culture. In the new expanse of communications technology and web networking we are on the liminal brink of a whole new kind of consciousness. With the rise of industry and toxification of the biosphere, our civilization teeters at the edge of apocalypse. The emergence of world culture brings with it the promise of an integration and connectedness that will create a bridge for widescale positive change. This interconnectedness also brings with it the dangers of centralized power structures. It is with paradigms like permaculture, with its green technology, organic approach to agriculture, and locally focussed strategies for sustainable development, that the new world culture can establish a focus on healthy co-existence and work to produce a revitalized planetary ecology.

delvin solkinson WWW.ELVISM.NET

Encontros como o Boom Festival inspiram amizades entre pessoas provenientes do mundo inteiro, nascendo assim um novo tipo de cultura. O que em tempos foram, pequenos e isolados nichos culturais, são agora grupos empoderados por estabelecer a conexão entre pessoas de ideias e princípios semelhantes, em diferentes lugares no planeta. A música, a arte, a literatura e os eventos culturais podem agora incluir participantes e contributos de povos que vivem a grandes distâncias. A história dinâmica de todas as culturas flui contiguamente, influenciando e sendo influenciada por tudo que já aconteceu no passado. Com uma base de conhecimento mais vasta do que foi alguma vez sonhado ser possível, encontramo-nos numa posição única para redesenhar a direcção colectiva da experiência humana. O Boom é o som da unificação, a música da nossa congregação como uma cultura do mundo. Nesta nova expansão das comunicações, tecnologias e networking na Web encontramo-nos no limiar de toda uma nova consciência. Com a ascensão da indústria e libertação de tóxicos para a biosfera, a nossa civilização balança nas margens do apocalipse. O aparecimento desta cultura global traz consigo a promessa de integração e conexão que irá criar uma ponte em grande escala, para uma mudança positiva. Esta interconexão traz igualmente consigo os perigos das estruturas de poder centralizado. É com paradigmas como o da Permacultura, com a sua tecnologia verde, o da agricultura biológica, e de estratégias localmente focadas no desenvolvimento sustentável, que a nova cultura mundial pode estabelecer bases numa coexistência saudável e trabalhar para produzir uma ecologia planetária revitalizada.

pablo amaringo ‘hada de peronuga’ www.pabloamaringo.com

22

pathways_final_july21.indd 22-23

23

7/25/08 8:38:32 AM


A Permacultura é um exemplo de estratégia local que se tornou num movimento planetário. Com base nas Éticas da Terra, a Permacultura promove intencionalidade em todos os campos inerentes ao design e ao desenvolvimento. Através da observação atenta dos variados ângulos de uma situação, antes de tomada a decisão de como proceder, podemos ajudar a minimizar o impacto negativo nas vidas à nossa volta e proporcionar um futuro mais saudável. Reduzindo o consumo, conservando os espaços naturais que subsistem e iniciando o extenso trabalho de limpar o nosso ar, água e solo envenenados é uma tarefa massiva que só pode ser realizada se o mundo inteiro unir forças. A Permacultura procura unir as pessoas com as plantas e os animais, através de uma compreensão holística da natureza do nosso ecossistema planetário. A consciência, de que o nosso destino colectivo, está entrelaçado com o destino colectivo de toda a vida na Terra, conduz à aceitação de que a saúde dos seres humanos está intrinsecamente ligada à saúde do nosso mundo. O Boom demonstra as possibilidades de permaculturar a cultura do festival, imaginem se estas mesmas técnicas fossem aplicadas aos ambientes urbanos. O Boom é um reflexo de como a Permacultura planetária pode ser aplicada a todos os aspectos da nossa civilização, para o necessário processo de cura do mundo onde vivemos.

pablo amaringo ‘palacios espirituales’ www.pabloamaringo.com

Permaculture is an example of a local strategy turned planetary movement. Grounded in Earth Ethics, permaculture promotes intentionality in all areas of design and development. By carefully observing a situation from many angles before deciding how to proceed, we can help limit our negative impact on the life around us and create a healthier future. Reducing consumption, conserving remaining natural spaces and beginning the vast job of cleaning up our poisoned air, water and soil is a massive task which can only be accomplished if the world works together. Permaculture seeks to link people with plants and animals through an understanding of the holistic nature of our planetary eco-system. An awareness that our collective destiny is interwoven with the collective destiny of all life on Earth leads to an acceptance that the health of humans is intrinsically linked to the health of our world. Boom demonstrates the possibilities for permaculturing the festival culture, imagine if these same techniques were applied to urban environments. The Boom is a reflection of how a planetary permaculture can be applied to all aspects our civilization for the healing of our homeworld.

Permaculture seeks to link people with plants and animals through an understanding of the holistic nature of our planetary eco-system.

24

pathways_final_july21.indd 24-25

25

7/25/08 8:38:35 AM


OBSERVE : INTEGRATE : APPLY OBSERVE : INTEGRE : APLIQUE OBSERVAR : INTEGRAR : APLICAR OBSERVER : INTEGRER : APPLIQUER Beobachten Sie : Integrieren Sie : Wenden Sie an

ORGANIC COMPOSTING WITH WORMS COMPOSTAGEM ÔRGANICA COM MINHOCAS Hacer estiércol vegetal orgánico con lombrices LE COMPOSTE ORGANIQUE FAIT AVEC DES VERS Organische Kompostierung mit Würmern Create healthy fertilizer tea with a simple worm farm. Rain drips through a raised compost and into a bucket. Com um simples minhocário poderá criar uma infusão fertilizante saudável. Deixe a chuva passar através do composto para um recipiente. Crear un té de abono natural con una granja simple de lombrices. La lluvia gotear por el estiércol vegetal y hacia un balde. Créer un fertiliseur bon pour la santé des végétaux avec une colonie de vers. La pluie tombe à travers le composte surélevé dans un seau. Stellen Sie gesundes Düngemittel mit einem einfachen Wurmbauernhof her. Regen tropft durch einen Hügelkompost in ein Eimer.

01

02

Build a box that can fit a sink and drill small holes in the roof to let rain in. Construa uma caixa onde caiba um recipiente e faça pequenos furos na parte superior da caixa, para deixar passar a chuva. Construya una caja de un tamaño que puede convenir en un fregadero y haga perforaciónes pequeñas en la tapa para dejar entrar la lluvia. Contruire une boîte qui passe dans un lavabo et percer des petit trous sur le dessus pour permettre la pluie de passer à travers. Errichten Sie einen Kasten, in den ein Waschbecken passt und bohren Sie kleine Löcherin die Decke, um Regen hinnein zu lassen.

Put a bucket beneath the sink hole. Ponha um balde por debaixo do orifício do recipiente. Ponga un balde debajo del desaguadero. Placer un seau au dessous du trou d’évacuation. Stellen Sie einen Eimer unter den Waschbeckenabfluss.

26

pathways_final_july21.indd 26-27

Gather some newspaper, sticks, leaves or compost, a bit of dirt and some worms. Recolha algumas folhas de jornal, paus, folhas ou composto, um bocado de terra e algumas minhocas. Junte algunas periódicos, palitos, y hojas o estiércol vegetal, un poco de tierra, y unos lombrices (gusanos de tierra). Rassembler des journaux, brindrilles, feuilles ou composte, un peu de terre et quelques vers. Vermengen Sie Zeitungspapier, Stöcke, Blätter, Bioabfälle und einige Würmer.

03

04

Start with an empty sink. Comece com um recipiente vazio. Comienza con un fregadero vacío. Commencer avec un lavabo vide. Beginnen Sie mit einem leeren Waschbecken.

Add sticks for drainage. Coloque uns paus para ajudar o processo de drenagem. Ponga palitos para dejarlo desaguarse. Ajouter les brindilles pour aider l’évacuation. Fügen Sie Stöcke für die Entwässerung hinzu.

05

Add leaves or compost material for worm food. Adicione as folhas ou o composto como alimento para as minhocas. Ponga pedazos del periódicos rotos para reglar la humedad y tambien para alimentarlos lombrices. Ajouter des feuilles ou du composte pour alimenter les vers. Fügen Sie Blätter oder Kompostiermaterial als Wurmnahrung hinzu.

06

27

7/25/08 8:38:37 AM


07

08

09

10

28

Add torn damp newspaper to regulate moisture and for worm food. Adicione folhas de jornal humidificado rasgado, para regular a humidade e alimentar as minhocas. Añade hojas o otro material orgánico como desperdicios de los legumbres para alimentar los lombrices. Ajouter des journaux humides déchirés pour régler l’humidité et pour alimenter les vers. Mengen Sie feuchte Zeitungpapierstreifen dazu, die als Wurmnahrung dienen und die Feuchtigkeit regulieren.

Every six months spread out the contents of worm farm. De seis em seis meses espalhe o conteúdo que obteve do minhocário. Cada seis meses, esparza el contenido de la granja de lombrices en el jardín. Tous les six mois, étaler les contenus de votre colonie de vers. Leeren Sie alle sechs Monate den Inhalt des Wurmbauernhofes.

Wait for the worms to go to the bottom, away from the sun, then scrape off the top to sift into rich soil and put remaining worms back in a rebuilt worm farm. Espere que as minhocas se depositem no fundo da caixa, abrigadas do sol, de seguida raspe a parte superior e espalhe pelo solo para o enriquecer. Aproveite as minhocas excedentes para construir um novo minhocário. Espere para que los lombrices se bajen para escapar el sol, entonces juntar la tierra para el jardin y recoger los lombrices. Attendre pour que les vers aillent vers le fond, ne pas exposer au soleil, puis enlever la partie supérieure et tamiser pour garder le terreau. Les vers restant peuvent être ajoutés à une nouvelle colonie de vers.

Add dirt and worms to decompose the organic material. Adicione terra e minhocas para decompor o material orgânico. Ponga la tierra y los lombrices para descomponer el material orgánico. Ajouter de la terre et des vers pour décomposer le matériel organique. Mischen Sie das Kompostmaterial und die Würmer, um das organische Material zu zersetzen.

Feed worms with tender greens and nutrient rich plants. If the compost begins to dry out, add water. Alimente as minhocas com vegetais macios e plantas ricas em nutrientes. Se o composto começar a secar adicione água. Alimente as minhocas com vegetais macios e plantas ricas em nutrientes. Se o composto começar a secar adicione água. Nourrir les vers avec les légumes tendres et les plantes riches en nutriments. Si le composte commence à se secher, ajouter de l’eau. Füttern Sie die Würmer mit zartem Grün und nährstoffreichen Pflanzen. Wenn die Kompostiermischung anfängt auszutrocknen, geben Sie Wasser hinzu.

Mix the fertilizer created with an equivalent amount of water and use direct on gardens. Misture o fertilizante obtido com uma quantidade equivalente de água e aplique directamente nos jardins. Siga alimentando los lombrices con hojas tiernas y verduras nutritivas. Combine el te de abono con una cantidad igual de agua, y use para abonar las plantas del jardín. Mélanger le fertiliseur que vous avez créé avec un montant équivalent d’eau et utiliser directement sur le jardin. Mischen Sie den Dünger mit einer gleichwertigen Menge Wasser und verwenden Sie das flüssige Düngemittel direkt auf demGarten.

pathways_final_july21.indd 28-29

11

12

Warten Sie, bis die Würmer auf der Unterseite sind, weg von der Sonne, dann tragen Sie die Oberseite des Kompost ab, sieben den Humosboden und setzen die Würmer zurück in den wieder hergestellten Wurmbauernhof.

photos : poxin.org www.gaiacraft.com www.heartgardens.com www.permacultureguild.net www.ediblelandscapes.ca

gateways

temple gardens

Now you have a regular source of rich organic plant food in solid and liquid forms. Este processo permitir-lhe-á ter acesso a uma fonte rica e regular de plantas alimentares biológicas, tanto em forma sólida, como líquida. Ahora ya tiene un fuente regular de abono líquido y sólido, natural y nutritiva, para las plantas. Maintenant vous avez une source regulière d’alimentation riche et organique pour les plantes, dans un forme solide ou liquide. Jetzt haben Sie eine regelmäßige Quelle von nährstoffreichem organischen Pflanzendünger in fester und flüssiger Form. translation team: ARTUR SOARES DA SILVA, Marta Varatojo (Portuguese), Gayle Highpine (Spanish), Laurence Caruana (French) Anja Brinkmann (German)

29

7/25/08 8:38:38 AM


ONBEYOND METAMEDIA

30

pathways_final_july21.indd 30-31

31

7/25/08 8:38:40 AM


free 500,000 BC >> homo erectus harnesses the power of fire

6000 BC >> animal power is exploited during

the agricultural revolution in China

700 BC >>

wind power is utilized for transport by water

347 >> earliest known oil wells were developed 1846 >> modern history of petroleum begins 1850 >> coal energy is used to power trains 1875 >> coal and oil power plants utilized 1954 >> the first nuclear power plant was used to generate electricity to a power grid

1970 >> solar power begins to be used natural gas use is widespread

xavi

1990 >>

www.myspace.com/artbyxavi

with discovery of refining kerosene

32

pathways_final_july21.indd 32-33

33

7/25/08 8:38:41 AM


“If people can dance together they can live together” Mel Cherren

Festival visionário. Festival sustentável. Festival psicadélico. Evento singular. Definir um festival como o Boom faz jus à incapacidade das nossas terminologias verbais conseguirem alcançar as dimensões mais profundas dos fenómenos. E, afinal, é disto que se trata: um fenómeno, chamado Boom. E como todos eles podemos injectar-lhe as mais variadas concepções, sendo que a narrativa que se tem formado ao longo dos anos em torno do Boom passou por dois momentos: das concepções psicadélicas – entre a primeira edição em 1997 até à de 2002 – evoluiu-se para um discurso sobre práticas sustentáveis – de 2004 até ao presente. Entre ambas há um aspecto comum: é que o Boom manteve sempre a sua característica mais notável e menos mutável, a de atrair público de todo o mundo. Em 2006, por exemplo, estiveram presentes 20 000 pessoas de 80 países diferentes. Em 2008 foram vendidos bilhetes em pré-venda em 57 países, o website oficial do Boom (www.boomfestival.org) foi visto por 338 000 unique visitors de 182 países, com 1 644 706 page views entre 1 de Janeiro e 1 de Junho de 2008. O Boom está representado por uma rede mundial de 118 embaixadores em 47 países. São poucos os fenómenos com tamanha capacidade de atracção cultural. Talvez apenas os grandes

34

pathways_final_july21.indd 34-35

eventos desportivos. Mas o Boom dispõe de várias vantagens sobre eles, enquanto festival intercultural é um embrião de uma nova consciência, uma forma de incentivar à construção de uma sociedade de valores alternativos em que os sujeitos são actores de transformação e não meros espectadores, sendo a arte um mediador essencial nesta consciencialização.

A visionary festival. A sustainable festival. A psychedelic festival. A unique event. Any attempt to define Boom shows how limited our terminologies are in grasping the most profound dimensions of different phenomena. And this is what it’s about after all: a phenomenon named Boom.

Desde logo, no Boom, fomenta-se o conceito de participação, em oposição ao conceito de cidadão passivo e consumista, cultivado pela sociedade actual. O Boom é plural e aberto, por vezes libertino, oferece uma programação para ser vivida e partilhada pelo maior número de pessoas, acentuando o conceito de participação e promovendo o sentimento de pertença.

And like with all kinds of phenomena, we can try to inject it with a series of concepts. If we look at the narrative that has grown around Boom over the years we can observe two phases: the psychedelic conceptions from the first editions in 1997 until 2002, and those that then evolved into a debate on sustainable practices from 2004 until now. Both share a common aspect - that Boom has managed to hold on to its most notable and less mutable trait, the fact that it attracts people from all over the world. For instance, in 2006, there were 20,000 people from 80 different countries. In 2008, Boom is represented by a global network of 118 Boom ambassadors in 47 countries and early-bird tickets were

sold in 57 countries. Boom’s official website (www. boomfestival.org) was visited by 338,000 individual people from 182 countries, with 1,644,706 page views between the 1st of January and the 1st of June 2008. There are few phenomena with such a wide scope of cultural attraction. Perhaps only great sports events. But Boom has a number of advantages when compared to these: as an intercultural festival it is an embryo of a new consciousness, an incentive for the building of a new kind of society in which individuals are no longer mere spectators but agents of transformation, where art is the essential means for expressing this new consciousness. Boom aims to encourage the concept of participation from the very start - in contrast with the idea of a passive and consuming citizen promoted by current society. Boom is plural, open, sometimes libertine, offering a program that is to be experienced and shared by a great number of people, underlining the concept of participation and promoting the feeling of belonging.

35

7/25/08 8:38:43 AM


O Boom assume ainda um papel de promotor de entretenimento educativo, ao realizar projectos de sustentabilidade ambiental, promovendo uma cultura de consciência. Dá a conhecer soluções da Permacultura para problemas ambientais – como o uso óleo vegetal usado como combustível, casas de banho compostáveis, tratamento biológico da água, consciencialização ambiental. Estas actividades, alternativas aos paradigmas vigentes no mainstream e em conjunto com propostas artísticas, são concebidas para despoletar a educação e, mais importante, a cidadania ambiental. Num nível social, diferentes grupos étnicos contactam entre si no Boom. Durante os dias do festival existe um contacto próximo continuado entre pessoas de várias nacionalidades, por vezes íntimo, permitindo um conhecimento do “outro” mais profundo e vivencial. Através destas relações inter-pessoais os indivíduos criam condições para reduzir o preconceito e o estereótipo. Cria-se uma nova consciência do “outro”, do “diferente” oposta às narrativas da cultura dominante que tendem à oposição: Ocidente vs Oriente, branco vs negro, cristão

vs muçulmano, cidadão vs imigrante. Paralelamente ao contacto entre diferentes grupos étnicos, há ainda um clima de anti-status quo, sem hierarquia social rígida. Ou seja, as pessoas de diferentes etnias não estão divididas por estatutos, existe um contexto plano, igualitário, fundamental para se perceber o outro como idêntico a nós. E os comportamentos humanos mais genuínos surgem naturalmente: cooperatividade, partilha, geração de laços afectivos, aprender com o “outro” e, por fim, mudança, mudança de comportamento, alteração de atitude, nova noção do “eu” e do “outro”. A base de uma nova consciência. Poderemos definir um festival com as mais diversas conceptualizações, utilizando a imaginação para dar nomes ao que vivemos. Mas, no fundo, basta abrirmo-nos ao “outro” para percebermos que a experiência de um festival como o Boom é mais profunda do que o divertimento, pode ser a reinvenção das relações entre seres humanos e aí estamos a fazer algo nobre: a construir uma nova civilização, sem preconceito do “outro”.

Boom also takes on the role of promoter of educational entertainment by carrying out environmentally sustainable projects and promoting a culture of awareness. It presents new forms of energy such as recycled vegetable oil as well as other green initiatives like composting toilets, bio-treatment of water and environmental awareness programs. These activities are alternatives to the current mainstream paradigms and, together with other artistic activities, aim at boosting education and, more importantly, environmental citizenship. At a social level, different ethnic groups interconnect at Boom. During the festival, close, continuous, sometimes intimate, contact is made between different people of various nationalities allowing for a more profound and personal knowledge of the “other”. It is through these interpersonal relationships that individuals can begin to rid themselves of prejudices and stereotypes. A new awareness of “other” and of “different” emerges, in contrast with the the dominant cultural narrative’s tendency for opposition: west vs. east, black vs. white, Chris-

36

pathways_final_july21.indd 36-37

tian vs. Muslim, national vs. immigrant. Besides the contact between different ethnic groups, there is a climate of anti-status quo, without a rigid social hierarchy. That is, people from different ethnic groups are not divided by status; rather there is a flat, egalitarian context, which is a fundamental starting point for viewing self and other as the same. And then the most genuine of human behaviours begin to appear naturally: cooperation, sharing, creating affective bonds, learning from the “other” and, lastly, change; change of behaviour, change of attitude, a new notion of “I” and “other”. This forms a base for a new kind of awareness. We can define a festival in a number of ways and use our imagination to name what we experience. But, at the end of the day, if we just open up to the “other”, we will understand that the experience of a festival like Boom goes way beyond having entertainment, it can come to symbolize the reinvention of relationships between human beings and, if so, we are doing something noble: building a new civilization, without the prejudice of “other”.

37

7/25/08 8:38:44 AM


real world design solutions....

pathways_final_july21.indd 38-39

7/25/08 8:38:45 AM


blue - tokyo pathways_final_july21.indd 40-41

www.androidjones.com

andrew jones

40 40

41

7/25/08 8:38:47 AM


HUMANITY’S POWER STRUGGLE BY:

DT MUZUKI

With oil prices soaring to record highs, 2008 will be remembered as the year the civilized world started to feel the pressure of a system addicted to a finite and dwindling resource. As powerful elites of the World Government Inc. wage wars to secure the remaining global supplies, humanity has begun to recognize and examine the intricate nature of this dependency - one which has enabled the earth’s population to more than quadruple over the last 100 years. Com o aumento dos preços do petróleo a atingir recordes, 2008 será recordado como o ano em que o mundo civilizado começou a sentir a pressão de um sistema viciado num recurso limitado e em extinção. Com organizações poderosas como o FMI a desencadearem guerras para segurar os poços de petróleo restantes, a humanidade começou a identificar e examinar a natureza obscura desta dependência – que possibilitou a população da terra quadruplicar nos últimos 100 anos.

WORLD POPULATION 1800: 978 MILLION 1850: 1.2 BILLION 1900: 1.65 BILLION 1950: 2.5 BILLION 2000: 6 BILLION 2008: 6.7 BILLION

42

pathways_final_july21.indd 42-43

The carrying capacity of the planetary ecosystem has been pushed beyond its limits and, as a result, Homo sapiens face a unique and evolutionary predicament. Due to the over-consumption of fossil fuels and other natural resources, we have reached a point where our survival, and the survival of thousands of other species, depends on our ability to successfully co-create a new paradigm defined, in part, by renewable sources of clean energy. The so-called energy paradigm proceeds from the premise of sustainability. To consider the prospect of nearly 7 billion people living in ecological balance on the Earth implies a radical shift if we are to harmoniously co-exist in a symbiotic relationship with the planetary matrix. By utilizing the technical knowledge we’ve accumulated over time, we are currently able to access the vast potential of low impact, free energy inherent within the natural cycles of the ecocosm. As this new emergent paradigm begins to transform the old, humanity as a whole can slowly transition out of the competitive mode of scarcity and into one based more on cooperation where energy resources are abundant and equally shared.

A capacidade do ecossistema planetário foi levada para além dos seus limites e, como consequência, o Homo sapiens enfrenta uma adversidade inédita e evolucionária. Devido ao consumo desmedido de combustíveis fósseis e de outros recursos naturais, atingimos um ponto onde a nossa sobrevivência, e a sobrevivência de milhares de outras espécies, dependem da nossa habilidade de co-criar com sucesso um novo paradigma, definido, em parte, por fontes renováveis de energia limpa.   O chamado paradigma da energia surge da premissa da sustentabilidade. Ponderar a perspectiva de quase 7 biliões de pessoas a viver em equilíbrio ecológico na Terra implica uma mudança radical, isto se estivermos preparados a coexistir harmoniosamente, num relacionamento simbiótico com a matriz planetária. Utilizando o conhecimento técnico, acumulado por nós através dos tempos, podemos actualmente abraçar o potencial vasto das energias de baixo impacto, inerente aos ciclos naturais do eco cosmos. Enquanto o novo paradigma emergente comuta o antigo, a humanidade pode, em conjunto, e gradualmente transitar para fora do modelo de competição e escassez, baseando-se mais na cooperação, onde os recursos de energia são abundantes e compartilhados igualitariamente.

WORLD ENERGY PRODUCTION (CURRENT ESTIMATES) fossil fuels: 86% Hydroelectric: 6.3% Nuclear: 6.0% Other (geothermal, solar, wind, wood & waste): 0.9%

43

7/25/08 8:38:54 AM


Fueled by hydrocarbons, the rise of the technosphere has made possible discoveries and development that defy the imagination. As much as technological progress has opened up a realm of infinite possibility, it has also been a large scale, real-time experiment with no predictable outcomes. At this turning point in our history, we are able to better grasp the results of this experiment and to assess the culmulative ecological footprint of our actions. We can now begin to see, en masse, that a shift to sustainable energy sources is the only way forward - not only for ourselves but for the web of life that we are so intimately connected with.

Sustentada por hidrocarbonetos, a ascensão da tecnoesfera tornou possível o desenvolvimento e descobertas que desafiam a imaginação. O progresso tecnológico abriu portas a um mundo de possibilidades infinitas, mas permitiu também um aumento, em grande escala, de experiência em tempo real, com resultados totalmente imprevisíveis. Neste ponto de viragem da nossa história, existem condições para aperfeiçoar os resultados desta experiência e avaliar a pegada ecológica das acções acumuladas. Podemos agora começar a ver, em massa, que a mudança para uma abordagem sustentável às fontes de energia é o único caminho a seguir - não somente para nós mas para com a nossa relação com o todo.

FOSSIL FUEL ALTERNATIVES THERMODYNAMICS WIND SOLAR TIDAL GEOTHERMAL MICROHYDRO HELIUM 3 MICROBIAL ZERO POINT

44

pathways_final_july21.indd 44-45

45

7/25/08 8:38:56 AM


citadel of the self pathways_final_july21.indd 46-47

vibrata CHROMODORIS www.vibrata.com

46

www.galactivation.com

carey THOMPSON

detail guardian of the sky portal

47

7/25/08 8:39:07 AM


48

pathways_final_july21.indd 48-49

49

7/25/08 8:39:09 AM


THE FESTIVAL IS A SEED BY ERIK DAVIS The outdoor festival can be seen as many things: a party, a ritual celebration, a temporary escape from a society that manages to imprison us even as it spins out of control. The festival is all of these things. But the festival is also an experiment, an incubator of novelty, a Petri dish of possibility where future forms of community and consciousness are explored. We often think that our social pleasures are separate from the serious work of envisioning and implementing a more healthy, harmonious, and sustainable world. But the festival suggests that maybe our future lies in both directions at once, and that maybe you can have your cake and eat it too. There are enormous challenges to create a good outdoor festival, so much so that the festival can be seen as a microcosm of how to creatively and successfully design human life on the earth. Everyone needs to benefit and thrive: organizers, participants, artists, merchants, cleaning crews. But just as important is the environment where the festival takes place, the landscape of plants and animals that humans often ignore as they seek to satisfy their desires and ambitions. With the spread of environmental consciousness, festivals can no longer afford to ignore sustainable practices, which means that organizers face a wonderful challenge: how to design a temporary architecture of community that allows thousands of people to have deeply meaningful experiences, to form new connections and to dance their asses off, while at the same time respecting the ethical demand that all of us now face to live more lightly and intelligently on the earth. Because festivals are part of the world of money and media and technology, the greening of the festival also allows other sustainable businesses to thrive, not only by selling their wares but by having a supportive environment to show off their visionary innovations. At the same time, participants and organizers together are realizing that festivals are a perfect environment to spread knowledge and wisdom about the emerging world of visionary solutions—green energy, permaculture, urban survivalism, global alternative culture.

50

pathways_final_july21.indd 50-51

O Festival E uma Semente Um festival ao ar livre pode ser visto de diversas formas: uma festa, um ritual de celebração, um escape temporário de uma sociedade que nos consegue aprisionar, mesmo estando esta completamente fora de controlo. O festival é todas estas coisas, mas é igualmente uma experiência, um incubador de novidades, um prato Petri de possibilidades onde os modelos futuros da comunidade e da consciência são explorados. Pensamos frequentemente que os nossos prazeres sociais estão separados do trabalho sério de prever e executar um mundo mais saudável, mais harmonioso, e sustentável. O festival sugere que talvez o nosso futuro se encontre, simultaneamente, em ambos os lados, e que talvez seja possível ter o seu bolo e comê-lo também. Há desafios enormes para conceber um bom festival ao ar livre, de maneira a que este possa ser encarado como um microcosmo onde se pode alcançar, criativamente, o sucesso da vida humana no planeta terra. Todos precisamos de tirar proveito e prosperar: organizadores, participantes, artistas, comerciantes, grupos de limpeza, etc. Da mesma importância é o ambiente onde o festival decorre, a paisagem de plantas e animais que os seres humanos frequentemente ignoram, enquanto procuram satisfazer os seus desejos e ambições. Com a propagação da consciência ambiental, os festivais já não podem ignorar a importância do uso de práticas sustentáveis, isto significa que os organizadores se defrontam com um desafio maravilhoso: como projectar uma arquitectura provisória comunitária que permita a milhares de pessoas ter experiências profundamente significativas, dar forma a novas conexões, dançar que nem loucos, e ao mesmo tempo respeitar a demanda ética que enfrentamos nos dias que correm para conseguir viver num mundo mais “leve” e inteligente. Como os festivais são parte integrante do mundo capital, dos media e da tecnologia, a sustentabilidade existente no festival permite que outros negócios sustentáveis prosperem, não somente na venda dos seus produtos, mas na promoção de um ambiente de suporte que expõe as suas inovações visionárias. Ao mesmo tempo, os participantes e os organizadores estão a aperceber-se de que os festivais são um ambiente perfeito para disseminar o conhecimento e a sabedoria sobre o mundo emergente das soluções visionárias – energia verde, permacultura, instinto de sobrevivência urbana, cultura alternativa global.

51

7/25/08 8:39:11 AM


This doesn’t mean the festival is all about implementing logistics and learning information and designing new systems. The festival is also about chaos – but a special kind of chaos, a creative chaos where the normal habits do not apply, and therefore make space for new habits, or new ways of being, to emerge. This is what is meant by the word liminal – it is a space in-betwixt and in-between, a zone of shifting boundaries that inevitably gives way to a new definition, a new space. Part of the excitement of the festival, which you can feel even before you cross the threshold, is the sense that the normal rules that govern our behavior have begun to mutate and change, that a possible world is emerging, and that a new self is rising to greet it. In his book The Eternal Return, the historian of religion Mircae Eliade described how rituals can invite mythic time to erupt within mundane history. In particular, Eliade focused on annual tribal ceremonies that stage the recreation of the cosmos. The idea, which is found throughout primal societies, is that by ritually returning to the chaos at the beginning of things, and then re-enacting the emergence of our ordered world, the cosmos itself is renewed. This is why groups like the Kogi in the Columbian highlands, who are well aware of how little the rapidly changing world cares for their traditions, still insist on the value of their ceremonies. It is these ceremonies, they insist, that form the binding that keeps our planetary reality together.

52

pathways_final_july21.indd 52-53

Isto não significa que o festival seja todo sobre implementação de logística, aprendizagem de informação e de projectar sistemas novos. O festival é também sobre o caos - mas um tipo especial de caos, um caos criativo, onde os hábitos regulares não se aplicam, e consequentemente abrem espaço para novos hábitos, ou novas formas de ser, para emergir. Isto é o que a palavra “liminal“ significa - é um espaço dentro de um espaço, entre dois espaços, uma zona onde as fronteiras se transmutam e que, inevitavelmente, dão origem a uma nova definição, um novo espaço. Parte da euforia do festival, que se consegue sentir mesmo antes de cruzar os limiares deste, deve-se ao facto de que os hábitos que governam o nosso comportamento iniciam imediatamente o seu processo de mudança, e um novo conceito de ser surge para o cumprimentar. No seu livro The Eternal Return, o historiador das religiões, Mircae Eliade, explicou como os rituais podem convidar a era mítica a manifestar-se na história mundana. Mais especificamente, Eliade centrou-se nas cerimónias tribais anuais que anunciam a recreação do cosmos. A ideia, comum às sociedades primitivas, é de que o retorno ritualizado ao caos que está presente no início das coisas, seguido da encenação da emergência do mundo ordenado, provoca uma renovação do próprio cosmos. È por este factor que grupos como os Kogi, nas montanhas Colombianas, estão bem cientes do quão pouco esta mudança acelerada do mundo se importa pelas suas tradições, e persistentemente advogam a importância das suas cerimónias. São estas cerimónias, defendem eles, que formam o vínculo que mantém a nossa realidade planetária unida.

53

7/25/08 8:39:13 AM


www.crystalandspore.com

human-technology soft drive defrag at the crossroads of nature, technology and culture, a new consciousness emerges to address and meet the challenge of the modern world’s media overload.

Clearly something is happening to that binding today. Global reality seems to be loosening, even breaking down. The whole globe is going liminal. Whether a new network of planetary culture will form, or whether we face a rapid and potentially devastating unraveling, or whether some unimaginable future will weave together both fragments and fusions, remains to be seen. The experience of the festival is the experience of this in-between moment, but in the key of celebration rather than fear. Bridging ritual and party, nomad village and experimental future culture, the festival today is where dancing and design become one.

Nos dias de hoje é evidente que algo está a acontecer a este vínculo. A realidade global parece esvanecer-se, até mesmo desmoronar-se. O globo inteiro está em transição. Ou esperamos pelo aparecimento de uma nova rede de cultura planetária ou teremos que enfrentar um rápido e potencialmente devastador desfecho, ainda, podemos ser surpreendidos por um futuro inimaginável, que entrelaçará fragmentos e fusões, aguardamos para ver. A experiência no festival é uma experiência neste momento intermédio, mas num modo de celebração, mais do que de medo. Fazendo a ponte entre o ritual e a festividade, uma aldeia nómada e uma cultura futurista experimental, o festival é hoje o lugar onde a dança e o design se fundem num só.

data flow navigation >> contextualizing awareness sustainable development >> viable world culture whole system upgrade >> INTEGRATIVE EDUCATION we are all part of the media

www.techgnosis.com 54

pathways_final_july21.indd 54-55

55

7/25/08 8:39:16 AM


www.spectraleyes.com

LUKE BROWN

56

pathways_final_july21.indd 56-57

alpha centauri

satoshi sakamoto www.myspace.com/maxoputer

the venus house 57

7/25/08 8:39:17 AM


barbaramarxhubbard.com theresonanceproject.org higherglyphiks.com casa-indigo.com e-macrobiotica.com essenciadoser.net 4ventos.org erowid.org quantumconsciousness.org yoga.com mindlift.tv harmonychannel.com

58

pathways_final_july21.indd 58-59

ccolgacadaval.pt malaposta.pt oespacodotempo.pt zedosbois.org tranceculture.com mushroom-online.com eblips.net

yogajaya.com inspiralled.net podcollective.com realitysandwich.com tortuga.com cosm.org chaishop.com herdadedofreixodomeio.com montemariposa.pt rainbowcommunities.org cabecadomato.eco-gaia.net casadaribeira.no.sapo.pt portugraal.net frogwood.org amazonconvergence.com

lila.info artofimagination.org fantasmus-art.com imaginaryrealism.org imaginaryrealism.com visionaryrevue.com lightscience.ca elvism.net psygarden.be cabinodd.com suprarealism.ro/arta.html labyrinthe.com angeexquis.com castledream.free.fre/accueil.html ifaa.cc/ifaa/home.html beinart.org surrealartforum.com sensorium/com/usko cosm.org tribe13.com r6xx.com iamunified.com dreamingconnex.us zoeticart.com visionaryart.tribe.net metagallery.com alexandrefarto.com depthcore.com

59

7/25/08 8:39:18 AM


ecocentro.org tagari.com permacultureguild.net ecoliteracy.org permaculturenow.com permacultureportal.com ifoam.org prototista.org permacultura.org permaculture.org.au davidsuzuki.org permaculture.org.uk ediblelandscapes.ca biodynamics.com biodynamic.org.nz africaorganics.org mpt.pt ambientalistas.blogspot.com ecosferaportuguesa.blogspot.com ecovillagefindhorn.com ecologyasia.com tamera.org gaia.com

60

pathways_final_july21.indd 60-61

abusters.com indymedia.org mondediplo.com ted.com juxtapoz.com 4chan.com harmonychannel.com zuvuya.net michaeltsarion.com abovetopsecret.com redicecreations.com freewillastrology.com metahistory.org

postmoderntimes.com curiouspictures.com timeofthesixthsun.com earthpilgrims.com illuminated.com funginears.com whataboutme.tv entheogen.tv thespiritmolecule.com lunartproductions.com spiritofbaraka.com dancesofecstasy.com zeitgeistmovie.com lightriders.de storyofstuff.com jankounen.com thefederationofearth.com

ninjatune.net interchill.com somniasound.com greensamuraiclan.com thoughtlessmusic.com quest4goa.com c-e-m.org forumdanca.pt tribalharmonix.org intrance.in tranceaddict.com uktranceforum.com thetrancearena.com forum.isratrance.com trancefix.nl psytechforum.com tranceplanet.org psynews.org entheogenetic.com oemradio.org underecords.com.br tribe.art.br baladaplanet.com.br timecode.co.za

61

7/25/08 8:39:19 AM


outpath

>>onwards we are all A network of lives interconnected through the ground from which we all came and to which we all go. The present is a gateway, a liminal intersection of time and space, leading in countless ways along countless paths. Which path is yours?

Um rede de vidas interconectadas, através do solo do qual todos vimos e para o qual teremos necessariamente de ir. O presente é um portal, uma intersecção liminal onde o tempo e o espaço se cruzam, levando-nos de inúmeras formas, por inúmeros caminhos. E o teu caminho, qual é?

63

pathways_final_july21.indd 62-63

7/25/08 8:39:20 AM


guild Pathways was conceived, compiled and designed by:

Naasko Wripple : Invisible Productions : www.interchill.com Sijay James : Onbeyond Metamedia : www.onbeyondmetamedia.com Delvin Solkinson : Dew : www.elvism.net Translations:

Marta Varatojo Rita Belo Artur Soares da Silva Photography:

T贸 Martinho Andr茅 & Lisa Ismael Naasko Wripple Design support:

Tiago Machado

64

pathways_final_july21.indd 64-65

65

7/25/08 8:39:20 AM


100%post-consumerrecycledpaperPathwaysisfreelydistributedattheBoomandbeyond.designisdestinyPathwaysi