Issuu on Google+

Civilização Egípcia


Mapa do Egipto


• Ao estudarmos a Civilização Egípcia temos sempre que ter em conta a sua componente geográfica. •

De facto, quando observamos um mapa do Egipto, verificamos que o Nilo percorre todo o Egipto, de sul para norte, sempre rodeado de desertos, uns de areias escaldantes, como o da Líbia, outros de montanhas áridas como as do Arábico; a sul o território do Egipto é separado do Sudão pelas agrestes montanhas da Núbia onde surge a primeira catarata do Nilo.


O Nilo possui várias cataratas, mas na Antiguidade distinguiam-se seis cataratas clássicas que estavam situadas entre Aswan e Cartum (Sudão) . A primeira catarata situa-se em Aswan, constituindo hoje em dia a única catarata do Nilo em território egípcio. Esta catarata era na Antiguidade a fronteira sul do Antigo Egito, pois a partir dali começava a Núbia.


• Pouco antes de desaguar no Mediterrâneo, este rio divide-se em vários braços, formando um delta alargado. A terra fértil do Egipto limita-se a um pequeno espaço com pouco mais de 10 Km de largura. São as águas do rio Nilo que tornam essa estreita faixa de terra fértil e habitável.


Mapa mostrando o “delta do Nilo�.


โ€ข Antigamente o rio Nilo estava sujeito a um regime de cheias periรณdicas que aconteciam milagrosamente nos meses mais quentes e mais secos; na verdade em Junho / Julho, as รกguas comeรงavam a subir lentamente fertilizando os campos com um lodo denso e rico.


As enchentes do Nilo formavam, ao longo de suas margens, uma área de "terra preta" rica e fértil para agricultura. Nas regiões não atingidas pelas enchentes, o solo era desértico, sendo conhecido como. “Terra vermelha"


• Como os egípcios não sabiam explicar a origem destas cheias consideravam-nas uma graça dos Deuses; o próprio rio era adorado e saudado quando a cheia principiava. •

Hoje sabemos a razão das cheias nessa época do ano; elas são sobretudo devidas às abundantes chuvas tropicais, que ocorrem nos lagos equatoriais onde o rio Nilo tem as suas nascentes.


A figura apresenta o perfil longitudinal e transversais do rio Nilo, da nascente Ă  foz.


• Os primeiros egípcios não encontraram uma terra preparada para a agricultura; as margens do Nilo, sobretudo as do delta, eram pantanosas, com densas matas de canas, bambus e papiros. • Para tirar o melhor proveito possível das condições naturais foi necessário fazer muitos trabalhos de limpeza, de drenagem, bem como de regularização da distribuição das águas através da construção de diques e canais.


Assim, conduzidos pelos seus chefes políticos e religiosos, os egípcios foram, ao longo do 6º e 5º milénio, construindo o seu país, onde se desenvolveu uma das mais interessantes CIVILIZAÇÕES.


• No começo do 4º milénio A. C., o Egipto era constituído por pequenos reinos dirigidos por reissacerdotes, aos quais os camponeses pagavam tributos. Pode-se explicar esta situação por duas razões: • A) – Há necessidade de existir alguém com autoridade capaz de dirigir os trabalhos hidráulicos e a distribuição das águas. • B) – Há um desejo de assegurar a proteção dos Deuses para a obtenção de boas colheitas.


Poucas civilizações foram tão impregnadas de religião como o Egito Antigo. Por isso, não é nenhuma surpresa que os sacerdotes tenham sido quase tão poderosos e reverenciados como os próprios reis. Eram nada menos do que mensageiros dos deuses na Terra. Os sacerdotes egípcios não se misturavam com o povo ou interferiam em suas vidas – os templos nem eram abertos ao público. Seu papel era servir aos deuses, realizando rituais diários nos templos para acordá-los ou enviá-los para o seu descanso. Eles se vestiam de branco, tinham a cabeça raspada e deviam se manter limpos constantemente. Também desempenhavam o papel de administradores do Estado – a fonte de seu poder. Em troca, recebiam uma ração diária de comida (os deuses comiam as “oferendas” apenas metaforicamente).


• Pouco a pouco, esses reinos foram-se unificando ou foram sendo conquistados por outros mais poderosos. Assim, no final do 4º milénio A. C., já só existiam no Egipto dois reinos: um ao Sul (ALTO EGIPTO) e outro ao Norte (BAIXO EGIPTO). Cerca de 3000 A. C. MENÉS, ou Narmer, rei do Alto Egipto, conquista o Reino do Norte unificando todo o território, tornando-se o primeiro faraó.


Menés, rei do Alto Egito, responsável pela unificação dos reinos do Vale do rio Nilo.


• A partir da unificação, o faraó tornou-se o símbolo do poder e da unidade do Egipto. • O faraó dirigia o Egipto como uma grande propriedade pessoal, governando o país a partir do palácio. Nomeava os governadores das províncias, mandava cobrar impostos, dirigia as obras hidráulicas, fazia a paz e a guerra, premiava os que o serviam e castigava os que o traíam, velava pela ordem em todo o Egipto. Era o Sacerdote Supremo, Administrador da justiça, Comandante do exército e Distribuidor da riqueza. Tinha poder absoluto.


Na civilização egípcia, os faraós eram considerados deuses vivos. Os egípcios acreditavam que estes governantes eram filhos diretos do deus Osíris, portanto agiam como intermediários entre os deuses e a população egípcia.


• O faraó era considerado um Deus Vivo, filho do Deus-Sol, Amón – Rá, ou Amón-Ré. •

Os faraós, conseguiram, com apoio dos Sacerdotes, transformar o seu poder num poder SACRALIZADO. A divinização do faraó explica a sua grande autoridade e o seu prestígio.

A Civilização Egípcia é uma Civilização agrária pois a maior parte da população dedicava-se à agricultura.


Graças a fertilidade do vale, a agricultura pode ser largamente desenvolvida, constituindo a base da economia egípcia.


• Nas margens do rio Nilo cultivavam-se principalmente cereais (trigo, centeio e cevada), linho e árvores de fruto. Colhia-se também papiro que além de ser usado para fabricar uma espécie de papel, tinha diversas utilizações como por exemplo: fabrico de barcos, de casas etc. Os campos eram regados através de canais ou elevando a água com uma espécie de picota, o “chaduf” .


A agricultura e a pecuĂĄria eram duas das mais importantes que os egĂ­pcios de dedicavam.


• A pecuária teve também alguma importância, criavam gado bovino e burros; além destas atividades havia as atividades artesanais como por exemplo: cerâmica, tecelagem, ourivesaria etc. A produção artesanal era de boa qualidade sendo comerciada e exportada tal como os excedentes agrícolas.


Pintura mostrando as vĂĄrias atividades dos egĂ­pcios.


• O rio Nilo era a grande via de comunicação interna, barcos de todo o tipo percorriam-no nos dois sentidos. Como os ventos dominantes sopravam normalmente de norte para sul, isso facilitava a subida do Nilo. O regresso era favorecido pela corrente. •

O Egipto exportava excedentes agrícolas e produtos artesanais e em troca importava madeira, metais e outras mercadorias.


Ainda, na atualidade, se veem barcos Ă  vela, aproveitando os ventos dominantes, a subir o Nilo.


• A Civilização Egípcia foi muito estável, isso

aconteceu devido às suas fronteiras geográficas e à forte autoridade dos sacerdotes e dos faraós.

O seu território, que se estende ao longo do rio Nilo; desde a primeira catarata até à foz, mantevese praticamente inalterável durante vários milénios.


Os deserto da Líbia, em cima, e o da Arábia, ao lado, são duas das fronteiras naturais que favoreceram o isolamento e a estabilidade da Civilização egípcia.


• A sociedade egípcia é muito hierarquizada; isto é, há muitos extratos sociais entre o Faraó e os Escravos. • Os Escribas, como eram dos poucos que sabiam ler e escrever, eram, nesta sociedade, um grupo muito importante. Acima deles, socialmente, só estavam os Nobres, os Sacerdotes, o Faraó e a sua família.


Um escriba egípcio sentado , pronto para executar o seu ofício.


• O Egipto é o exemplo máximo de um estado Teocrático, pois o seu governante, o Faraó, além de ser considerado um representante de Deus é mesmo considerado um Deus (Filho de Deus).


Os Egípcios foram considerados os mais religiosos dos Homens; isto porque tinham muitos Deuses (Osíris, Ísis, Horús, Set, Amón, Aton, o Faraó e o próprio rio Nilo eram apenas alguns desses Deuses), além disso foi o povo que deu mais importância à vida para além da morte.


Horús, filho de Ísis e Osíris, foi concebido por Ísis, quando Osíris já estava morto


• Os egípcios davam tanta importância à vida para além da morte que construíam as casas com materiais frágeis enquanto os túmulos eram construídos com material resistente – pedra. Eles acreditavam tanto numa vida para além da morte que desenvolveram muito a técnica do embalsamento pois acreditavam que a alma, depois de ter sido julgada no tribunal de Osíris, regressaria ao corpo, mas se este não estivesse bem conservado, a alma vaguearia para sempre à sua procura.


JULGAMENTO DE OSÍRIS


• A sua preocupação com a construção de habitações para a outra vida era tal que se pode dizer que existiam três tipos de cidades dentro das cidades egípcias: “cidade dos vivos”; “cidade dos mortos” e “cidade dos Deuses”.


Aspeto de uma cidade egĂ­pcia.


• Existiram três tipos de túmulos no Egipto: • PIRÂMIDES; MASTABAS e HIPOGÉUS. • As Pirâmides eram túmulos usados pelos faraós da Quarta Dinastia. A primeira pirâmide a aparecer foi a Pirâmide em degraus mandada fazer pelo faraó Djéser, esta pirâmide foi projetada pelo seu vizir Himoteph que mais tarde vai ser considerado um Deus. O faraó mandou-a construir para que se distingue-se das outras mastabas.


PIRÂMIDE DE DJÉSER


• As pirâmides mais famosas são as do planalto de

Gizé, onde se encontra também a famosa Esfinge, essas pirâmides foram mandadas construir pelos poderosos faraós: Quéops; Quéfren e Miquerinos. As Mastabas eram os túmulos mais vulgares; os Hipogeus eram túmulos escavados nas rochas com corredores, escadas e salas.


A ESFINGE E PIRÂMIDE DE KÉOPS


• Os Egípcios eram politeístas; isto é adoravam muitos Deuses, mas houve um curto período de onze anos em que um Faraó proclamou o culto do Deus Único – ATON ou o Disco Solar. Chamava-se esse Faraó Amenófis IV, tomando depois o nome de AKENATON.


AKENATON E O DISCO SOLAR

O Faraó Amenófis IV, que reinou por volta de1370 A. C. mudou a capital para a cidade de Amarna procedendo a profundas reformas a todos os níveis, principalmente de carácter religioso: Instituiu o culto do Deus Único, Aton, o Disco Solar, “mostrou-se” ao povo e disse que não era Deus.


• Todavia essas reformas eram tão contrárias ás tradições e aos interesses dos sacerdotes que estes promoveram uma contra revolução da qual resultou a morte de Akenaton (novo nome adotado por Amenófis IV). Após a sua morte, tudo volta ao normal.


AMENÓFIS IV – AKENATON


• O seu sucessor, o

jovem e fraco Tutankamon, foi obrigado a regressar ao Politeísmo, sob pressão dos sacerdotes, pondose assim fim ao “PERÍODO DE AMARNA“. A célebre máscara funerária de Tutankamon


• A Arte Egípcia destinava-se, sobretudo a glorificar

os Deuses e o Faraó. Por isso construíram belos templos e grandiosos túmulos, esculpiram estátuas e baixos-relevos, decoraram paredes com bonitas pinturas, fabricaram bonitas joias e belas peças de cerâmica.


Foto de um templo egĂ­pcio.


• O seu gosto pelo grandioso, o duradouro, o eterno, levou-os à construção de fantásticos templos de pedra que ainda hoje nos maravilham. Um dos elementos mais originais desses templos são as colunas de pedra. Elas foram criadas pelos egípcios e inspiram-se na natureza lembrando palmeiras, tamareiras, papiros e flores de lótus.


Foto onde são visíveis as colunas egípcias.


• Os arquitetos egípcios construíram também

fantásticos túmulos, onde, para dificultar os roubos e violações, fizeram complexos labirintos.

Tanto a escultura como a pintura atingiu no Egipto um desenvolvimento extraordinário. A estatuária é muito rica e variada: desde as estátuas colossais, solenes e rígidas, até às estatuetas de rosto expressivo e realista.


Duas imagens mostrando a estatuĂĄria egĂ­pcia.


• Quanto à pintura, esta encontra-se em grande parte nas paredes dos templos e dos túmulos; nela é aplicada sempre a “lei da frontalidade“; isto é, a cabeça e os pés aparecem de perfil e o tronco de frente. Só no período de Amarna esta “lei“ assim como as que regiam as construções dos templos não foram obedecidas.


Duas pinturas egípcias onde é evidente a “lei da frontalidade.


• Sob o aspeto científico, os egípcios desenvolveram bastantes conhecimentos na astronomia, cálculo, geometria e medicina. Não se tratava de um saber verdadeiramente científico era mais um saber prático, transmitido de geração em geração, por outro lado esse saber misturava-se com práticas religiosas e mágicas que ajudavam os sacerdotes a conservar o seu enorme poder e prestígio.


No antigo Egipto a prática da medicina era assegurada pela existência de duas academias onde eram ministrados estudos médicos com cariz regular, mas com uma função quase sacerdotal, inserida por tal no mundo restrito dos templos. O corpo de médicos surge organizado na dependência de um Supremo Chefe dos Arquiatros do Alto e Baixo Egípto, detentor de várias categorias. Eram desenvolvidas diversas atividades de tipo cirúrgico, tais como a circuncisão (obrigatória por motivos higiénicos), a castração, a cesariana e, muito provavelmente, a excisão de cataratas oculares e próteses dentárias.


• Quanto à escrita. A mais típica é a HIEROGLÍFICA, que aparece principalmente nas paredes dos templos e dos túmulos egípcios. Contudo, a escrita mais comum era a escrita DEMÓTICA que era utilizada na maioria dos documentos cujo material de suporte era o papiro.


Documento com escrita dem贸tica.

Documento com escrita hierogl铆fica.


• NOTA 1 – A esposa principal do faraó era a sua irmã; quando ela não existia era a filha do sacerdote principal. • NOTA 2 – Nas primeiras dinastias o faraó era sepultado junto com as suas esposas, criados e até amigos aquém era distribuído veneno a quando do encerramento do túmulo do faraó. Esse hábito vai deixar de existir, mas os nobres quando morrem gostam sempre de ter o seu túmulo junto do seu faraó.


Complexo tumular egĂ­pcio em Saqara


• NOTA 3 – Alguns dos Faraós mais famosos do

Egipto foram: MENÉS; DJÉSER; KÉOPS; KÉFREM; MIQUERINOS; TUTMÓSIS III; a Faroísa HATSHEPSUT e os famosíssimos AMENÓFIS IV ou AKENATON e RAMSÉS II e ainda a inteligente e sedutora CLEÓPATRA.


Cleópatra e Ramsés II, dois dos mais célebres faraós da Civilização Egípcia.



Civilização egípcia