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(pseudônimo de ANTONIO MIRANDA)

(com originais manuscritos dos poemas escritos entre setembro e outubro de 1958) Ilustrações de

ROLAND GRAU

Edição fac-similar 2017


[ MIRANDA, Antonio ] EROS, Da Nirham. Mar de horas. Brasília, DF: poexilio, 2017 p. ilus,. Ilustrações de Roland Grau (1958-1960)

“daenée”, diminutivo de Da Nirham Eros. Desenho de ROLAND GRAU, Rio de Janeiro, 1962


estão aqui contidas minhas primeiras incursões no campo da poesia moderna, se assim me permitem considerá-la foram coletadas num período de (aliás, quase) dois meses, setembro e outubro [de 1958] o que solicito é uma leitura consciente e uma crítica honesta e verdadeira, fator de grande valia, de incentivo para um jovem poeta mar de horas, portanto, é um trabalho de estreia, sem grandes pretensões


“ eu me sinto pequenino, pés descalços, peito nu, voando quintais de minha infância.”

eros - 1959


Apontamentos fora do texto original: Encontrei em meus guardados mais secretos, lá na Chácara Irecê, no município de Cocalzinho, em Goiás, manuscritos de vários livros que eu escrevi na minha juventude!!! Há décadas que eu não lia estes originais... Eu acabava de completar os dezoito anos de vida em 1958. Não pretendo julgá-los, nem modificalos. São de Da Nirham Eros estes poemas, meu pseudônimo na ocasião, que usei até o fim dos anos 60 do século 20. Quem me sugeriu esta denominação foi o meu amigo Roland Grau, um pintor chileno que morava em Copacabana naqueles tempos — era a época da inauguração de Brasília, da bossa-nova, das celebrações pelo campeonato mundial de futebol, do Cinema Novo e tantas outras modernidades. Roland lia, corrigia, traduzia para o castelhano, ilustrava meus poemas. [Um desses trabalhos em parceria com ele foi o livro-de-artista mar de horas, desdobramento destes manuscritos, que está reproduzido como livro-de-artista neste e-book]. Faço apenas uma publicação caseira, de apenas seis exemplares.

Brasília, setembro de 2017, 59 anos depois da produção dos originais que serviram de base para esta montagem.


DA NIRHAM EROS (Antonio Miranda), desenho de Roland Grau, Rio de Janeiro, 1959


nota:

há de perguntar o leitor: por que “mar de horas” ?. essa é a expressão que eu criei para definir o tempo e o meu trabalho dentro dele. antes de tudo, confesso que sou um autocrítico e o meu “produto” é vinculado de ideias novas e autênticas. às vezes sou descritivo, paisagista, e noutras a fantasia e o simbólico saltam aos meus olhos, e até mesmo a revolta íntima que possuo. nas sou sincero e retrato ideias minhas e tiro conclusões, ou faço considerações de um simples estado emocional, ou ainda me confesso como homem ou como ator (a arte não tem sexo) que me considero. da,nirham : eRos


ÍNDICE

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Transição Sonho arco-íris Homem tomando sol, lembrando a amada Conselho à Humanidade Divino Narciso Oração O Gato Tarde de Rock´n´roll Desintegração Lembrança Conselho Ode Tédio Jardim Juramento ao Surrealismo Meu gato elegante Meu bairro Um rio vazante na China Escultura Loucura Amada Distante Balada Ode à Tristeza Ouvindo Mozart Poema da Amada Nova o novo homem, i o novo homem, ii prece conselho ao jovem


Transição Morte negra e cintilante incenso de Hamlet olhos mefistofélicos gestos de sílfide. Esguia e marota... Dramática, triangular, etérea, galáxias e magia negra. Abraço de bruxa desdentada em noite escura, noite escura como as noites de divagação e tédio. Negra, triste, noite, tédio, morte. Triste. Mulher moribunda, cadavérica, desnuda como a própria alma... Teatro de formas, de luz, de reflexão. Mulher desgrenhada, volta para si Passado e presente. Só. Consciência? Consciência. Peso de pecados de cores, formas várias. Mar de pranto, sulco de lágrimas. Cântico de anjos: foi mãe. Silvo de cobras: foi cobra. Foi cobra e foi mãe.


Linha reta, traço de união. Assimetria de linhas de dor e medo, átomos e confusão de matéria. Aqui o presente. Lá... Foi cobra e foi mãe Traço de união — aqui o presente e lá... — entre o nada, a vida e nada, o além... Desintegração de células... Foi cobra e foi mãe.


Sonho

Sonho. Que é sonho? Metáforas... nuvem hipnótica, Transe e inconsciência... Efígies de mulheres muitas. Estado emocional imerso e imenso. Apocalíptico o flur do Olimpo? Ou reino de Satanás? Sonho: mulher. Mulher: sonho e pesadelo, fluídos magnéticos e transe. Sonho é teatro simbólico, onde os símbolos atuam em cenários múltiplos. Sonho é peso de estrelas, encarnação. Sonho: livro aberto de situações comuns estilizadas e acentuadas, montanhas de nuvem entre vida e morte, outra existência dentro de nós mesmos.


arco-íris vem vou mostrar-te com lentes de fantasia, as cores, dos píncaros da mais alta montanha de sonho, — a transparência etérea — o arco-íris. Tu me dirás: “tenho os olhos vendados” que é cegueira? Não é suplício, trevas de ignorância? que é amor? Não é conhecimento, centro de interesses? nas cem camadas de trevas, entre estátuas de mármore amarelo, o amor se refugiou. meu arco-íris é invisível aos teus olhos...


Homem tomando sol, lembrando a amada

Meu corpo é deserto que o sol incendeia com mil watts de energia, tostando a epiderme, salgando-a. ouvidos perscrutam melodia cantada por conjunto moderno, mesclada ao barulho do mar que imagino. O vento se volta contra a fortaleza que sou, meus cabelos se esvoaçam, tentando liberdade. Coração agita em tua lembrança. Voo até onde estás, estando inerte. O espelho aberto, o céu onde leio teus pensamentos. Dois fogos me rodeiam e queimam. Sou feliz.


Conselho à Humanidade A trilha é árdua e cansativa. Os homens arrastam o corpo entre as rochosas montanhas da imaginação, em busca de um bem comum. O sol é usina que derrete o ferro, que angustia o homem, rouba-lhe o suor precioso, minguando as forças que cozinha a erva, torna áspero o caminho. Os homens são fantoches sem vontade, sem esperança, em luta contra o fatalismos. A fome e a sede os acompanham A esta altura são feras lutando pela sobrevivência. Os bois lânguidos e os cavalos magros já não caminham, e os carros vão ficando atrás. O corpo é cascata de água viva, e égua de dor e desespero, de cansaço... Em vão se busca uma trilha nova, o horizonte é branco. Já não há razão, há medo, as forças se esgotam, pensam voltar, quando impossível.


O céu é azul e mau, resplandecente e abrasador. Todos os sentimentos se irmanam — num botim —, e pouco se faz por si e pelos outros... Não há por quê lutar. Os pés são feridas torturantes, como as dores da alma insana. São espectros em busca da felicidade quando esta com outros se encontra. Assim caminham continuarão assim sem que ninguém se compadeça, sem que se lhes ajude. Não é de vida que precisam, nem de pão, nem de água, é de salvação... Estão perdidos no deserto árido que são não há término... O sofrimento eterno. Talvez um sino toque um dia. Os sons irão envolvidos de perdão, voando sobre as escarpas rochosas, rejuvenescendo-as, dando-lhes capa nova e fresca. Quando será colocado


um espelho para que se pesem o Bem e o Mal, e se reencontrem. O Destino é o que se planeja, e a vontade, a super-vontade, a auto-sugestão solidificam. ....................................... Ainda pode haver botes para os náufragos e antídoto para o veneno da humanidade.


Divino Narciso

Não apenas pelo que tu és fisicamente... ......................................................... Amo estes teus olhos (mar de experiências) profundos, refletidos no espelho que sou Eu. Amo teus lábios sensuais que me inspiram, apetecem. Mas ainda é pouco porque te amo muito mais pelo que não vê o mundo e vejo eu, porque tu e eu somos um. Tu és um palco resplandecente, tua imaginação fértil cria todos os personagens que te agradam e que têm razão de serem criados.


É inesgotável, tesouro imenso, teu cérebro. Tu és a mais perfeita manifestação da natureza, por acreditas Sensível mais que a fina porcelana que virtuosos artistas chineses, em joias de perfeição transformam em objeto de arte, tu em viva sabedoria, incomparável e sublime. Pelo que tu és — principalmente — por tua versão interior eu te amo, Narciso...


Oração Tu, apenas tu, és Único, Incomparável, e em ti se alimentam as Sete Artes, os Sentimentos, os Ideais. Tu, apenas tu és mais profundo que Júpiter, mais belo que Apolo. És Sabedoria, Amor nada mais há além de ti. A tua morna silhueta viveu entre a nobreza e fausto da Grécia. Hoje, soberano Onipotente do Olimpo, da Terra e do Inferno. Teu sangue de ouro em pó e fortaleza há-de iluminar a Humanidade e criar novos rumos, despontar áureos horizontes, matar os chacais do deserto, irrigar a terra dando frutos gordos e corados, de pureza, de Verdade. A Perfeição é menos que tu, (origem das artes plásticas)


e ela nasceu contigo e a levarás ao Máximo. Hás de ensinar aos sábios a essência da Verdade que constituis, quando as colunas de mármore estiverem fincadas, e todos os deuses estiverem a teus pés. Beijarás a fronte de teus súditos fiéis dando-lhes colorido moderno e secando-os com teu calor interno., Serás múltiplo; em teu lugar elevarão teu nome acima do Evereste da Crença Humana, e serás o mais sincero e verdadeiro E dominarás na Terra e no Universo, em toda molécula de vida, de matéria, em todos os planetas já irmanados, onde fizeres falta, com teu regato de Amor e Sabedoria. Dentre os deuses, o verdadeiros, o Divino Poeta, serás Imortal.


O Gato

Vidraça de cristal resplandecente em noite escura, és mulher, e brincas com os novelos da vovó que dorme na cadeira de balanço; feliz, porque os problemas do mundo não são teus, e para ti não faz sentido a bomba de hidrogênio. Tens sete fôlegos, voas pelos telhados, e persegues o inimigo com voragem antropófaga. Teu arado corta o solo deixando a marca de tua traição, não precisas do mundo para banhar, por isso gostas dele. E Cleópatra, cansada de imitar, constrói monumento para guardar teus restos.


Tarde de Rock´n´roll

Tudo corria bem. O jovem de porcelana beijava a mulata na escada, em caracol e simbiose, e o beijo era veículo de sua vontade; o sexo dono deles. A garota chorava, lembrando o noivo, enquanto beijava o mais próximo, a histeria gargalhava em seu cofre, tesouro roubado, caixa de música tocando ritmo alucinante. Tudo corria bem. O bigode pequeno espreitava, ora dançava com o estilizado, requebrava na doença de São Vito. E tudo corria bem, enquanto a menina de circo fazia das suas, abrindo as pernas em horizontal, quando o pescoço falava, ou desejava o rapazola que contorcia no blusão enfeitado,


com olho escondido atrás os cabelos. A velha olhava sem nada enxergar e a criança sorria complexada. De repente o moço de porcelana quis ferir a mulata, o olho saiu dos cabelos e o abateu; a menina deixou de chorar, dançou música lenta com este e a do circo vestiu-se de ciúmes. O bigode desejou toma-la de suas algemas. Mas tudo corria bem, e os jovens mostravam os brilhantes, abrindo arcas, incendiando as cadeiras. O porcelana havia tirado as costeletas, prometeu não mais roubar lambretas, e sugeriu um afeto ao blusão bordado, que dançou com o estilizado, de nariz arrebitado e blue-jeans. Tudo correu bem: o moço de porcelana ficou bêbedo com o calor da mulata de calça cinza; o garoto do blusão enfeitado firmou contrato com a que era noiva e com o circo.


Desintegração

Ainda é cedo. depois o cemitério vestirá a manta negra e as catacumbas mergulharão no escuro, e brilhará o fogo fátuo. Cedo ainda só depois os vampiros sairão dos sarcófagos e vencerão o espaço em busca de suas vítimas; a caveira mostrará sorriso anêmico atrás as flores murchas e teias bordadas por aranhas pretas. O choro da velhinha atravessará a fria laje ressuscitando o neto cabelos negros passando indiferentes, carregarão outro que comprou passagem. O coveiro acenderá as velas, que chorarão acompanhando os parentes que velam a carne morta. Ainda é cedo para ouvir os gritos de clamor de salvação, para assistir a desintegração da Vaidade. Ainda é cedo. Só amanhã


seremos iguais debaixo do alimento do sol, debaixo o sal de outras lágrimas. Amanhã as toupeiras construirão um túnel em busca de um defunto fresco.


Lembrança

Viraste obra má da semente sã que plantei. O solo é branco e fugiste da rota preestabelecida, voas indiferente a fome é tua. O ventre de ouro gera monstros, embora não compreendas a metamorfose.


Conselho

Faze apenas o que te ordena a vontade, porque nem sempre o branco Ê branco o arrependimento câncer dos indecisos.

Consejo Haz apenas lo que te ordena la voluntad por que ni siempre el blanco es blanco El arrepentimiento cancer de los indecisos.

[TraducciĂłn de Roland Grau]


Ode

Primeiro vinha à sacada fria esquentá-la com coração colorido, porta de igreja aberta, cantar odes à divindade; os lírios deixaram esta terra, o poeta ficou sem sacada para sonhar pois a lua vestiu-se de preto.


Tédio

Vago de um lado a outro inerte vazio olhos fixos no nada meus sentidos nuvens que esfumaram não tenho vontade sonhar acordado realidade fantasia cansaço plantou bandeira no meu corpo o tédio turva meus olhos


Jardim

Meu jardim é monstro que abarca o universo nele plantei samambaias louras espécies várias junto aos monumentos fincados marco de momentos sublimes palco da vida. O tempo urge: preciso viver depressa serei jardineiro no Éden alimento de sabedoria. O mais será mito efígies, espectros ponto sem definição que passo indiferente.


Juramento ao Surrealismo

Concretizo Paul Éluard poeta divino que vive no reino dos versos sobre mitos doutrinando os medíocres, a revolta de Crevel, no meu cérebro, faço juramento de causa, levantando o pássaro surrealista até à altura de guia e adoração. Imortalizarei os meus sonhos, irei beber na inspiração na fonte dourada onde Éluard e Crevel encontraram No mar de horas pescarei o espontâneo, o moderno farei um poema pelos dois gênios.


meu gato elegante

meu gato tem olhos azul-amarelo-pretos é angorá porque acredito ser, pequeno como é, brigitte bebe leite em mamadeira improvisada acendendo fósforos tem as barbatanas imensas, cheias, finas tem ares de “dulce” felino às vezes, num ângulo, rato ladrão. acompanha-me a casa inteira de antena ereta mirando grácil e elegante pequeno como é, tem porte de modelo já viajou de trem, de bonde conheceu a cidade vindo do subúrbio agora montou palácio complexou o cachorro que era sultão (apanhou por ele, e o respeita então sem reagir) seu corpo é veludo de lã estrangeira com “donaire” e “glamour” fala em “hi fi”. muito breve estará no “café society” e na coluna do Ibrahim.


Meu bairro Bairro, baĂ­a de concreto armado, refletindo luzes no negro horizonte, desenhando linhas quebradas e curvas arranha-cĂŠus furados de anĂşncios luminosos recortam o panorama, azul, vermelho, branco e verde. Pedra grande, ilha, cĂŠu mural de estrelas.


Um rio vazante na China

(sobre uma tela do próprio Eros Da, Nirham)

O rio rasante em amarelo, sobre o solo roxo-vermelho-preto, na China, serpenteando, em desarmonia estética, visão plástica, autointerpretação, sinceridade espontânea, quando não há paz, há colorido na miséria, pois o pincel é mágico e há tinta e tela, inspiração para um autor surrealista.


Escultura

O mestre fez a mãe de aço, poliu, com as mãos voltadas para o céu, corpo nu, redondo, liso, com posição moderna e livre. Salta aos olhos, com vida e energia estilo e força de expressão vontade de acaricia-la e beijá-la porque ele é fria mas tem alma.

[porque también hay forma de alma fría. Tradução de Roland Grau ]


Loucura Loucuras é o ponto em que o inconsciente turva o consciente e o sistema nervoso foge ao controle, e o corpo queda tomado de novas emoções. São bonecas de pano, espantalhos horrendos e redondos, bruxas de preto e dente só. São espectros, mistério e nuvens de ingenuidade, há loucos tristes, alegres rancorosos, contemplativos, ingênuos, e todos eles, figuras brancas sem forma semi desintegradas longe desse mundo. Uma mulher sorri, descabelada e o coração também não corresponde e ama mil homens imaginários, que não vêm O ancião tem rosto chupado, fundo, olheiras pretas, quebra-cabeça incompleta, a alma, corpo magro, cadavérico arco triste e desumano. Velha conta e rosário sem mudar


a conta, por vezes ri, esquelética, rezando o neto que imaginou, e a criança grita e chora uma dor que não sente. Outro, é Hamlet (em sua versão séc. XX), e foi artista e agora é nada e cria situações que favorecem seus anseios. Um faquir acorrentado deita o corpo ósseo sobre a pedra, e derrete, olhos fixos num ponto além do muro, onde está o sonho e a realidade.


Amada Distante

Percorri meu pensamento, os labirintos, à tua procura, era areia movediça que engole as vítimas e as esconde. Minhas palavras onde estiveres captarás, teus lábios arderão, presença viva de meus beijos. Estás no altar que construí, onde venero e coloco flores, as manhãs são belas e a aurora inveja o teu sorriso.


Balada

Trem vence distâncias, busca o futuro em que estás, meu coração agita na proximidade. Revejo o caminho percorrido, só há estátuas de mármore, tua efígie, emblemas: Amor, Felicidade. A estação és, já me encontro nela, beijo é laço que nos une, que revigora e fortalece. Possuído de um frêmito desejo devorei teu corpo casto hipnotizou-me, teus olhos e compreendi que o mundo é belo e que és Vida. Os lábios tremem, incitando, choro convulsamente a alegria que é minha. Somos um arquipélago, minha bandeira oscilara ao vento marcando propriedade.


Ouvindo Mozart

Estavas tão junto a mim que não via mas sentia tua respiração. Dormias, meus braços eram um polvo, sentia ímpetos de beijar. Teu sorriso era sol que me esquentava e dançamos todo o outro dia matizando o tédio que é meu. Estarás comigo eternamente onde estiveres, mesmo que eu seja outro e tu também. Embora não confesse o verbo, compreendes o amor elegemos o platônico para nós.


poema da amada nova

embora não compreendas, eu te amo, castanha viva, os olhos ávidos, risonhos. meu coração perdeu peso em teu calor esquivei-me ante de conhecer-te e possuir teu corpo, porque moveu-me sentimento indeciso ante tua juventude suspirei, e sou vate moderno elevando odes à amada. és todo um poema magistral representativo e inconteste e sei que a água não ama o azeite mas se sobrepõem. construí um templo em teu louvor, e o mármore refletirá tua presença, não obstante voaremos plagas diversas no afã do entretenimento tirarás o véu que te encobre a solução morena, beberei do sangue de teus lábios distensão de mim, e me completarás, e um todo será feliz.


o novo homem, i

o homem nasceu da máquina controle remoto é o coração que dita movimentos. êle é a distensão do sábio pensa como êle age como como êle o determina, sem vida sua. é um céu de luzes de botões e fios de energia pelas cores fala. os sentimentos que eles representam. veio em auxílio do outro homem de matéria frágil criado por este quase eterno o super cérebro automático dicionário imediato corresponde sem fatigar não repousa e se alimenta de fluídos atômicos


de energia nuclear como o outro homem o pai planejou elemento preciso insubestimavel só faz pelo progresso ao contrário dos outros homens a memória é um arquivo precioso em que só cataloga o útil o verdadeiro nessa marcha de evolução não de chegar á emancipação. eles serão senhores da terra do universo os demais serão escravos


o novo homem, ii

ele figura recortada na estética moderna matéria sintética superou o outro homem como máquina raciocina com velocidade supersônica fórmula cifra cataloga emite conhecimentos estatística dá resultados exatos aos complexos números submetidos às operações entre elas força potencial incontestável robot é fonte viva cores ultravioletas vive para o trabalho o cálculo a serviço do outro homem enquanto não h o u v e r motim.


ó dentes sadios que espargis lampejos de frescura, trazei lume ao tédio voragem daninha no meu ser ó rosa abstrata concretizais anseios virgens onde a metafísica é marco preponderante trazei soltura e forma aos meus ideais é verdade plantai alicerces na minha sabedoria contra o vento e o tempo e trazei alimento do original e inédito e precioso para minhas criações amém

prece


Conselho ao jovem

ó jovem estilizado (colorido e risonho) sorbmem soa ocnort o satnujnocsed ao dançar edadrebil moc o rock and roll só acreditas o momento atual oãzar snet e amanhã serás coruja velha somsitamuer,seuqahca moc e dirás, apesar de tudo acuol é oãçareg avon a que que teu tempo era diferente. .oãzar snet e mundo em transição ,etse não deves viver com o passado eõporp es euq o azerpsed com despeito ohnimac uet o raiug a pois amanhã

aogám a sárarohc, sreezif missa es de não ter tido juventude


espucoerp et oãn se a plebe e os doutos te apontarem

,odiroloc uet contra eles, tua mocidade, sotiecnocerp sod sovarcse ri, se tiveres vontade, erohc uo, chegou a hora de tua e m a n c i pação.

FIM


Mar de Horas  

da nirham eRos (pseudônimo de ANTONIO MIRANDA) MAR DE HORAS (com originais manuscritos dos poemas escritos entre setembro e outubro de 1958...

Mar de Horas  

da nirham eRos (pseudônimo de ANTONIO MIRANDA) MAR DE HORAS (com originais manuscritos dos poemas escritos entre setembro e outubro de 1958...

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