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IM\ GSM & AÇÃO IM\GSM & AÇÃO

POEXÍLIO Brasília: 2012


Antonio Mirando

IMAGEM & AÇÃO e-magem

(poema-ensaio — um poema textual sobre o imagismo)

Vinhetas de A. M.

Texto produzido em Madri, Espanha, abril 2011.


Edição de vinte (vinte) exemplares: 2 para o autor, 2 para os editores, 1 para os poetas, críticos e bibliófilos Antonio Carlos Secchin, Elga Pérez-Laborde, Ésio Macedo Ribeiro, José Fernandes, Oto Dias Reifschneider, Sylvia Cyntrão, Zélia Bora, 9 para a Reserva Técnica da Editora e um e-book disponível no Portal de Poesia Iberoamericana www.antoniomiranda.com.br

POEXÍLIO Editores: Antonio Miranda Zenilton de Jesus Gayoso Miranda Brasília, 2012

Edição de e-book por Juvenildo Barbosa Moreira


RESUMO DA ÓPERA

ABAIXO O TEXTO COMO RODAPÉ DA IMAGEM!!! FIM DA IMAGEM ILUSTRANDO O TEXTO...

Um manifesto pela

animaverbivocovisualidade

...


IMAGENS em imagens, diluídas, planas, derrubadas.

Alamedas de sombras, em perspectiva. Invectiva do não-ser.

De onde vens, sem cor, transparente sobre superfícies de dissimulada presença? M o v e n d o - se

Submissa.

1


Pintura de sombra — esquigrafia, com que registra uma extensão oblíqua e ubíqua, inconforme e

.

2

rasa.


Silente, desconforme, dúbia, dublê, in visível, in corpóreo. Espaço-tempo inconsútil.

Poesia como presença e transparência de sombras.

Incorpórea. Incorpore-a!

3


Sombras sobrepostas, extensas, pretensas: significantes, no lugar do significado —

Pregnante: Implicante. Disssssuasivo.

Sombras de sombras.

4


LER AS IMAGENS Ao ver, as coisas é que me veem — vêm como coisas inteligíveis.

Eu as reconheço ao tentar conhecê-las!

Imago precedendo o logos. [

]

ortega y gasset, velho bruxo: ver não é algo que fazemos, é algo que nos acontece.

5


Não vemos com palavras mas elas nos circunscrevem. Corpo e circunstância, memória e percepção: a Esfinge decifrada.

Imagens que nos conformam.

Imagens gravadas na memória —sem palavras, sem referentes: entes, presentes enquanto ausentes distantes, permanentes. Mortos-vivos.

6


Poesia como objeto, em vez de texto. Pretexto para o inteligível. Poesia fora do texto, paratextual.

As imagens e não as palavras — as imagens são; as palavras, meios.

Com imagens, imagino.

Ler com imagens.

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SĂ“CRATES As i m a g e n s

das coisas ditas. De pois.

8


NIETZSCHE

destextualizar o mundo.

A vida ĂŠ.

9


PROIBIDO representar Deus pela imagem.

Deus ĂŠ textual.

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PIXELS Imagens

não-ser. do

Imagens de imagens. I m a g i n á v e i s. Virtualidadessssssss

ser. do

Per se. Percepção: O não. Imagem não é a coisa: Ir real.

Sim bo lo.

Memória do ser. 11


SIMULAÇÃO

Imagem: luz pura dissimul ação sub stantiva = apare Sendo, tradu

Sido.

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INCORPÓREA

Imagem incorpórea. Virtual. Desconstruindo o mundo, refazendo-o, mundo novo. Poesia de invenção. Imagem de imaginação. Baudrillard garante: as imagens assinam o mundo, deformam-no.

Outra coisa é a realidade inacessível. A imagem é um simulacro, arrepio, arremedo, impossível ver sem ela. Mas é a única forma de mundo ao nosso alcance. Cegos Dementes, com lentes enviesadas, deformadoras.

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SEMELHANÇAS

Desaparece o mundo pela visão. Torta. Imagens da caverna de Platão. Criando imagens à nossa semelhança. Realidade e representação em direções opostas. A linguagem é que tenta reaproximar as contrariedades. Confundidas na tessitura das formas e visões. Espectrais. Especulares. Estelares

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CÓPIA DE CÓPIA

Imagens homogeneizadas pela convenção. Padrão. Totalitárias, oficiais. Nada mais. Civilização do texto, da imagem condicionada, da câmera fotográfica democratizada: imagens de imagens. Todas iguais. Cópias de cópias. Massas uniformes, repetidas ao infinito. Reprodução.

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INSCRIÇÃO

Escritura como prótese mental. Objetivação. Palavra no mundo. Imagem textual, testemunho, testamento. Alegoria semântica. Reconhecível. Radi cal. Energia condensada, em letra de forma. Escritura como formação. Significante. Historiamente. Experiência de mundo.

Figurativa.

Demiúrgica.

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HOLOGRAMAS

O mundo no papel. / Na parede. No computador. / Na rede. / / Everywhere. Imagens replicadas, multiplicadas, aplicadas em camisetas, no cérebro, gravitação, grafitagem de luz, em outdoors. Não cabem no olho, abar cam a T O T A L I D A D E D O SER além de nós.

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VISUALIDADE E COGNIÇÃO

As palavras suportam as imagens. Levam ao entendimento das coisas. As coisas falam por si mesmas, além das palavras, auto-definidas, mas, e no entanto, porquanto. Imagens circunscritas, sem o código. Indescritíveis. Escopo da iniciação. Ver e conhecer sem intermediação. Mímese do real, ler com o corpo, imagem projetada na pele.

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Imagens mentais, amalgama Novos paradigmas. Sintagmas. Estigmas do ser. Universo cognitivo.

Lecto-escritura sem texto. Meios transcentrais, acidentais, ais. Exacerbação do pensamento. Aquele pensar sem pensamentos de Fernando Pessoa, impessoal.

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LITERATURA ERÓTICA Textos. Testículos. Imaginação. A palavra no lugar da coisa. A coisa. Rediviva. Festa. Manifestação. Fantasia. As palavras podem mais. Corpus textual. Ritual. É Freud! Potência do imaginário. Delírio.

Imagem sem corpo. Desrealização. Holografia do ser. Orgasmo. Real imaginário.

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REPRODUÇÃO

Obra de arte da reprodutividade técnica. Cultura tipográfica. Imagem exponencial. Xerox de xerox, reprografia de reprografia. Scanner! Programas deformadores, trans formadores, criadores de imagens sem origem . Tipografia como fetiche do racionalismo. Remodelação da imagem supra-real, que se instaura no mundo subvertendo, criando o real imaginário. Tecnologia.

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ARQUEOLOGIA DO ETÉREO Imagens únicas, instantâneas, de não mais ver. Mudando o modo de ver. Ver de novo. Verde negro. Cor em mutação, metamorfose. Imagem em translação. Ação do tempo sobre a imagem, oxidando a memória. Ver o novo no velho, o velho no novo. Ovo. Imagens em movimento. Minto. Imagens em rotação, nômades, luzes sobre luzes, em expansão. A imagem-tempo de Deleuze, hipermidiática, ubíqua, sem destino, em lugar-algum, em toda parte.

Arte.

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LEITURA DE MUNDO, MUNDO TEXTUAL

Imagens para o engano, palavras de despistamento. Porque o real também existe na representação, exaltação da imagem ainda como outra realidade. Imagem de imagem. Imagem interior. O mundo como texto. O texto como imagem. Ideoimago. Eidos. Complementariedade. Ad ver sidade. Letras. Letras. Traços. Traços-letras. Imagimundi. Grafitagem do mundo. Letrismo. Imagem do mundo. Mundo enquanto imagem.

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Disse Sรฃo Paulo: PERTRANSEAT

IMAGO

MUNDI ...

Imagem que compreende o mundo. Pensamento conceitual, pensamento imaginativo. Imagens como logo, ideogramas. Pensar com imagens, figurativa sem vozes, sem palavras,

mente, zen.

Tรกbuas da lei. Tabula rasa. Fรกbula.

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IMAGEM SUBLIME

Mundo figurado. Palavra como imagem. Visível. Inteligível. Apreensível: material. Mundo textual. Testemunho. Letramento. Imagem sublime, Palavra que redime.

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DESENHO COM LETRAS Escritura como simulacro, Mimesis. Desenho com letras, palavra-Ă­cone. Marca, sĂ­mbolo, objeto verbal. Discurso de reconhecimento, conhe cimento, mento, ente. Semente.

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PALAVRAS EM RELAÇÃO Narrativa. Ação. Movimento. Palavras em ação, animadas. Com unidades de relaciona mentos, palavras, imagens de palavras constitu entes, perfis, ardis, ardentes, mentes. Relação de palavras, gl ossários. Narr ativas. Eu criado em Nós. Redes. Constelações de imagens. Memória coletiva.

e-magem Poiesofia.

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POE.CIA Representação do mundo. Res. Representação. Present ação. Anima Ação.

Presa. Empresa. Retrato falado.

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PROPAGANDA Compreensão do mundo. Compressão. Forma representativa. De – form – ação. Afetivo. Efetivo. Indução. Persuasão. Emoção. Espetáculo. Sonho, Logos. Existo.

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FIGURAR

Dedicado a Escher

Outrora e agora se confundem. Memória do ser em transição. Existir: figuração. Imitação como reconhecimento. Re. Presença. Representação.

Continuum.

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HQ Mundo frio da palavra . Mundo quente da imaginação. Palavração.

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FABRICANDO IMAGEM

A ideia transformada em imagem. Imagem que se transforma em ideia.

Dedicado a Arcimboldo.

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PORNOGRAFIA / IMAGINAÇÃO Encarnação da vida. Encantamento. Mimetização. Figuração do sentimento. A imagem no lugar da coisa. Coisificação da ideia, mentalização. Excitar os sentidos, tecer imagens. Masturbação. Relaciona – mento. Natural – mente.

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IMARGENS

Passado grafado e passado gravado. Documento escritural ou imaginal. (O símbolo discursivo X simbólico – plástico.) Mas a imagem pode deformar, mentir! Regime escórpico: inconsciente ótico. Nosso modo de ver, de interpretar! Da cultura da imagem para a imagem da cultura... Ser e não ser, ver e não ver...

Así es se os parece. Pode ser que seja mas também pode ser que não seja...

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Performances, tatuagens. Despatrimonializar a arte, desautorizar a autoria. De todos para todos. Do privilégio à vulgarização. Arte pela arte x arte por toda parte. Todo mundo é artista, tudo é arte, é o fim da arte. Todo mundo é autor, fim da autoria.

Do valor da arte à arte sem valor. Da obra clássica à obra sem classe. Tudo é descartável. Tudo aceitável. Sem cânones, sem protocolo de interpretação. Sem intenção estética, morte de Narciso.

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O social sobreposto ao individual. O artesanal substituído pelo industrial. Consumo de massa, o útil pelo belo. Não!!!

Forma como formação, do elevado ao plano. Estética da seriação, barulho como música. Olho coletivo, homogêneo no lugar do gênio.

Galera, geleia geral, todos em tudo. Tutti frutti, homegeneização, x-tudo. Do museu para o shopping center, da galeria de arte para a praça pública, da livraria para a banca de revista, da biblioteca para a feira. Do objeto de arte para a arte sem objeto. Do objeto ao abjeto.

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IMAGINE

Samuel Beckett esperando nada. Tudo sobre nada no discurso de Sartre. Nada sobre tudo na tela em branco. Cummings transformando letras — O, U , M — em olhos, curvas, pernas. Ezra Pound > ideogramizando a paisagem interior, exteriorizando as camadas recônditas da visão. O invisível a olho nu. Aqui e agora. Lupa. Binóculo. Ágora.

Paisagens multiplicadas, seres clonados. Espetáculo. Lógica da ambiguidade. Hermenêutica do óbvio. Fotogramas. Comunidade digitalizada, extensa. Distanciamento imóvil. Horizontalidade. Protocolos remissivos.

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Marcas. Adesivos. Rótulos.

Clichês.

Leitura sem profundidade, plana, na superfície. O olho intacto. Lendo com os dedos. Apagando, registrando, arquivos comprimidos, interpretação em expansão geométrica, percepção por instrumentos, próteses, do ver em movimento, sedimentação. Camadas transparentes, entes supérfluos. Desmontáveis. Mil bocas, mil olhos. Tudo é cult, tudo é imediato. Interpretação antes da análise, análise antes da leitura, leitura pelo programas instalados< Estertores, projetores. Semiologia.

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Biblioclaustro. Fisiologismo. Literocracia. Imaginolatria. Derredor. Derrida. A Obra. Praxis do fluxo, fluxograma, do sentir, imagem em fuga, palavra dissuadida. Linguagem empática, performativa, eclética. Linguagem empática, figuração deletéria. Visual thinking, gestualidade do não-ser. Cognição do inativo, ausência homóloga. Informação do inconforme, deformação.

Mohology-Nagy previu o analfabeto de imagem.

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Dialética da imagem, olhar caolho, imagens traçadas, observação no escuro. Walter Benjamim e o olhar urbano, congestionado de imagens, imagética, estética da imagem em mutação, não.

Analfabetos digitais. Telas iluminadas, informação saturada, numa sucessão vertiginosa, interior-exterior de Lacan, abismos, consciência pervertida, eu-poliédrico.

Corpo em translação, homo videns, midiático. Fenomenologia. Teledirigismo. O que se vê (não é) o que se olha. O visível e o invisível de Merleau-Ponty. Discurso epistêmico, olhar anêmico, campo de visibilidade e da legibilidade:

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“L´é ronçable que se fait sur elle-même”, adverte Michel Foucalt.

É isso mesmo, ou não.

. 41


FORM AT O ATO FORMA

FÔRMA FORMA FORMA FORMA FORMA


IMAGEM & AÇÃO  

Antonio Mirando IMAGEM & AÇÃO e-magem (poema-ensaio — um poema textual sobre o imagismo) Vinhetas de A. M. Texto produzido em Madri, Esp...

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