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EXPERIÊNCIAS…

“DRAMÁTICAS” Coletânea de textos do 8ºA (Ano letivo 2012/2013)


No âmbito do estudo do texto dramático, os alunos foram convidados a redigir textos livres a partir de provérbios, imagens de filmes ou de temas do seu agrado. O resultado final está coligido nesta coletânea, que só integra os trabalhos que foram entregues em suporte digital.

A professora Ana Cristina Fontes


A audição

Mónica Rebelo


ComĂŠdia Representada em Hollywood, no dia 12 de outubro.

Personagens Tori Jade Damon Professor Alaric Cat Jeremy

Lugar da cena Hollywood


Ato I (No bar da escola)

Cena 1 Tori e Jade (Tori e Jade estão na esplanada do bar da escola falando sobre diversas coisas, enquanto esperam que toque para as aulas.)

Jade (curiosa) – Afinal, como é que a Cat entrou aqui para a escola? Tori – Eu não sei, mas é muito estranho, ela é um desastre. Jade – Sim… O Professor Alaric deve saber! Tori – O Professor Alaric? Falta-lhe neurónios. Jade – Bem… isso é verdade, mas ele era um dos “júris” das audições. Tori – Tens razão! Olha, vem aí o Damon (apontando).

Cena 2 Tori, Jade e Damon

Damon – (sentando-se) Olá, meninas! Tori e Jade – Olá, Damon! Damon – Então? Que se faz? Tori – Estávamos a falar sobre como é que a Cat entrou na escola. Nós não sabemos! Damon – Eu sei!


Jade (surpreendida) – A sério? Conta! Damon – Quando a Cat entrou no auditório para fazer a audição, um holofote caiu e bateu mesmo na garganta dela e a voz dela mudou naquele momento… para melhor. Jade – Isso é… Tori (interrompendo e terminando a frase de Jade) – Ridículo! Jade – E absurdo! Damon, onde ouviste isso? Damon – Bem, foi só uma hipótese que eu coloquei… Tori – Meu Deus! Jade – Olhem! O Professor Alaric vem ali! (fazendo uma cara esquisita) Porque é que ele anda sempre descalço e a beber o leite de um coco?! Tori – Como eu disse… falta-lhe neurónios… (soltando um pequeno riso)

Cena 3 Tori, Jade, Damon e o Professor Alaric

Professor Alaric – OLÁ, ALUNOS! Leite de coco? (esticando a mão que segurava o coco) Tori – (rapidamente) Não, obrigada! Damon – Não, não, obrigada! Jade – Não mesmo! Professor Alaric – (sugando o leite) É mesmo bom! Tori – (ironicamente) Sim, sim, claro! Professor – Vemo-nos na aula! (vira costas e sai) Tori – Vou andando. (sai)


Ato II Cena 1 Tori e Professor Alaric

Tori – (entrando na sala e sentando-se) Olá outra vez, professor! O que está a ler? Professor Alaric – (sem tirar os olhos do livro) Oh! Olá, Tori, eu estou só a ler um livro sobre como fazer leite de coco… Tori – (com ironia) Óbvio. Ah… Sabe como é que a Cat entrou para a escola? Professor Alaric – Claro! Eu posso con... (é interrompido pela Jade, Damon e Jeremy que entram)

Cena 2 Jade, Damon e Jeremy, no fundo da sala, e professor Alaric

Jade – Olá, Jeremy. Damon – Ei! Tu estavas no auditório quando a Cat fez a audição para entrar, sabes o que aconteceu, certo? Jeremy – Sim, sei. Jade – Conta! Jeremy – Eu acho que ela “drogou” (fazendo aspas com os dedos) os professores antes de fazer a audição. Damon – A Cat é… doida, no bom sentido, mas nunca fazia isso! Jade – O Damon tem razão, tu… (interrompida)


Professor Alaric – O que é que se passa aí, pessoas? Algum assunto que queiram partilhar? Jade – Por acaso, sim… Diga-nos como a Cat entrou para aqui! É uma espécie de mistério! Professor Alaric – É simples. Então… (novamente, alguém interrompe)

Cena 3 Cat, Jade, Prof. Alaric, Jade, Damon, Tori e Jeremy. Cat bate à porta e entra

Cat (cansada) - Desculpe o atraso, professor. Professor Alaric – (falando rápido) Posso continuar a explicar o que eu ia para explicar? (silêncio) Quando a Cat fez a audição, eu estava a beber um coco que estava estragado, e eu não sabia, por isso, quando a Cat estava a fazer a audição, eu tive visões por causa do leite. (dando uma pequena risada no fim) Jeremy – E fez com que a Cat parecesse talentosa. Cat – (indignada) O que é que queres dizer com isso? Eu sou talentosa! Jeremy – (com ironia) Nada! Claro que és talentosa! Damon – Mas, então, e os outros professores? Professor Alaric – Eles tinham saído da sala, porque havia uma confusão qualquer e só fiquei eu na sala. Por isso, aprovei a Cat por eles. Tori – Esta escola não é normal! Jade – Bem… Isso não é nenhuma problema (rindo) O normal é chato!


A AdolescĂŞncia

Miguel Marques


Pessoas Pai M達e Jo達o Marta Francisco

Lugar da cena Lisboa, Portugal


Ato I (Cenário de uma casa, dentro de um quarto de um adolescente.)

Cena I Pai e João (Entra em cena o João com uma mochila às costas e o seu pai.) Pai – Então filho, como é que foi a escola? João – Correu bem! (Tentando-se ir embora.) Vou para o computador. Pai – (Com voz alta e autoritária.) Alto aí! (Normal.) Primeiro tens de ir lanchar, depois vais fazer os teus trabalhos de casa e por fim é que vais para o computador! João – (Amuado) Ok. Vou fazer os TPC’s e depois vou lanchar. Pai – É como quiseres. (O pai sai.)

Cena II João e mãe (A mãe entra.) Mãe – Então, que cara é essa? João – O pai não me deixa ir para o computador. Mãe – E faz ele muito bem! Então, o que te posso arranjar para lanchar? João – (Alto.) Já sou crescido, mãe. Eu consigo tratar disso sozinho.


Mãe – Eu sei mas era apenas um pequeno mimo que te fazia querido filhinho. João – Ok. Podes-me trazer um pão com fiambre e um sumo, se faz favor? Mãe – (Em continência.) É para já! (A mãe sai.)

Cena III João, pai e mãe (O pai entra e a mãe também, porém, ela traz um tabuleiro com o lanche nas mãos.) Mãe – Aqui está o lanche! (Dá o tabuleiro ao João.) João – Obrigado. Pai – Olha, filho, nós queríamos falar contigo. João – Ai sim? Sobre quê? Mãe – Sabes, é que tens tido tão boas notas e nós queríamos recompensar-te com um presente. Portanto, queremos saber o que queres… João – (Admirado.) E a que propósito vem isto? Pai – É apenas um presente… Mas se não quiseres… João – (Entusiasmado.) Eu quero, eu quero! Sabem, se puderem, podiam-me comprar um novo telemóvel… É que o meu é muito antigo e os meus colegas têm umas engenhocas todas fixolas… Mãe – Nós trataremos disso mais tarde que temos de ir preparar o jantar. É às 20H. João – Ok.

Ato II


(Cenário de uma cozinha.)

Cena I João, pai, mãe e Marta (Sentam-se todos na mesa incluindo Marta, irmã de João.) Mãe – A comida está na mesa. Comecem a servir-se. (Tiram todos comida para o seu prato.) Pai – (Para a Marta.) Então, como é que correu a escola? Marta – Correm bem! Aprendemos o condicional. Mãe – A sério? Então diz lá o condicional de correr. Marta – Eu correria, tu correrias… (O telemóvel do João toca.) João – Com licença. Vou atender. (O João levanta-se e vai para o canto da cozinha.)

Cena II João e Francisco (O João atende.) João – Isto são horas?! Francisco – Eu sei, meu, mas era só para te perguntar quando é que vinhas cá a casa. João – É que és surdo! Já te disse que era às três. Francisco – Da manhã ou da tarde? João – És surdo e burro! Francisco – Estava só a brincar! Adeus. João – Adeus.


Cena III João, pai, mãe e Marta João – (Sentando-se.) Voltei! Marta – Quem era? João – Era o Francisco. Mãe – O que queria? João – Já agora não queres saber o tipo de canetas que uso! Pai – (Zangado.) Não fales assim para a tua mãe! João – Ok, desculpa. Mas também quero alguma privacidade nas minhas coisas. Mãe – Ai! Estas idades… Pai – Mesmo…


A ROSA VERMELHA

Leonor Correia


Pessoas Sara Laura Mรกrio Joรฃo Miguel

Lugar de cena Porto


Ato I (Sala de estar de uma casa burguesa, com uma grande porta e duas janelas. No interior dois cadeirões, cadeiras e uma mesa)

Cena I Sara, Laura (Ouve-se a porta de entrada da casa a abrir, Laura encontra-se sentada no cadeirão a ler uma revista aquando Sara, a sua filha, entra na sala)

Laura: Então, minha querida filha, que bom voltar a vê-la! Sara (Abraçando a mãe): Só estive fora 6 (seis) meses! E mesmo assim ía-mos trocando correspondência. Laura: Parecia uma eternidade. Sara: Mas não foi! Laura (A sorrir): Pronto minha filha! Já não está aqui quem falou. (Entra Mário, pai de Sara) Mário (Animado): Minha filha, chegaste! Sara: Pai! Está tudo bem consigo? Mário: Sim, filha. E como é o mundo fora de Portugal? Sara: Já conto tudo. Vou só arrumar a bagagem no meu quarto! (Sara sai de cena)

Cena II Laura, Mário

Laura (Num tom preocupado): Querido, achei-a diferente! Mário: É de não a veres há muito tempo. Laura: Pois, deve ser impressão minha. Está mais alta e o cabelo mais comprido.


Mário: As mulheres reparam em cada coisa! Laura: Não comeces a implicar marido. É minha filha é obvio que reparo nos pormenores. Mário: Eu só reparei que ela vinha feliz. Laura (Entusiasmada): Ótima altura para lhe mostrar o seu novo pretendente! Mário: Laura, qual novo pretendente qual quê! O rapaz é apenas um vizinho. Está a nossa filha a chegar e tu já queres vê-la a namorar. Nem com o tempo tu mudas! Laura: O rapaz é tão bem parecido, é certo e inteligência não lhe faltará! Mário: Sara é uma rapariga viajada. Nunca segue as regras de ninguém, faz o que quer, também nunca viste uma mulher tão viajada como ela. Ela tem um espirito livre. Não se vai prender a um gaiato qualquer que lhe apresentes! Laura: Caro marido, sempre tão pessimista. Ela tem que obedecer! Para além do mais ele é um rapaz de boas famílias. Mário: Como sabes? Laura: Perguntei a Dona Mena, quando me encontrei ontem com ela no café. Mas vamo-nos lá calar que a nossa filha vem aí.

Cena III Laura, Mário e Sara

Mário: Então, minha esbelta filha! Começa lá a contar como é esse novo mundo. Sara: Viajei até a França. Laura (tom de voz severo): Foste visitar a tua tia Felismina? Sara (aborrecida): Fui sim, mãe. Até foi ela que me acolheu carinhosamente na sua casa. Laura: Muito bem, filha! Sê simpática com os parentes, para depois no teu casamento estarem cá de bom agrado.


Sara (indignada): Senhora minha mãe, casamento? Eu ainda não escolhi o meu noivo, nem o pretendo fazer por agora. Laura (a tentar disfarçar) : Ninguém falou nisso, filha! Sara (irritada): Mãe! Que casamento? Mário (desfolhando o jornal sentado num dos cadeirões): Eu avisei-te, mulher! Sara (a andar de um lado para o outro): Minha mãe, por favor, fale! (Tocam a campainha, saem todos da sala e vão abrir a porta, saindo até à rua)

Ato II (No jardim do lado de fora de casa)

Cena I João Miguel, Sara, Laura, Mário

João Miguel (atrapalhado): Olá, Dona Laura e Senhor Mário. (Cumprimentando-os menos a Sara) Como vão os negócios? Mário (num tom severo): Bem, bem! O que é que veio cá fazer? Laura (olhando para Mário): Não seja maçador, Mário! Que lhe faz mal. Deixe o João Miguel falar. João Miguel: Deixe estar lá isso, Dona Laura. Que o que vim cá fazer é deveras mais importante. Sara: O que é que para si é deveras importante, para importunar a minha família neste momento. João Miguel: Desculpe a minha falta de educação perante a sua família e a menina, menina Sara Sara: Deixe lá a gentileza para me agradar, não estou para o aturar nesta altura. João Miguel: Desculpe mais uma vez, mas queria falar consigo a sós, menina Sara. Mário (indignado): Nem pense nisso, seu gatuno. Sara: Deixe pai, eu falarei com ele. Mário: Minha linda filha, tens a certeza?


Sara: Claro que tenho a certeza. João Miguel: Obrigada pela oportunidade.

Cena II Laura, Mário (Saindo do jardim, indo para casa)

Laura: Eles ainda vão ficar juntos! Mário: Aquele gatuno não vai ficar com ela. Laura: Vai sim, não viu como ele a olhava, com tanta paixão que até eu fiquei admirada. Mário: Também reparei nisso. Mas não pode ser. Laura: Pode sim! Eles vão apaixonar - se agora, como uma flor a desabrochar. Foram feitos para ficar juntos. Eles complementam-se. Tem o mesmo espirito jovem e as mesmas atitudes. Escolhi-o por isso. Ele vai-lhe mostrar o caminho mais bonito do mundo, o amor. Mário: Estás muito confiante. Laura: Eu já nasci confiante. Vai acontecer- lhes a mesma coisa que a nós. Assim que te vi, descobri que eras o homem da minha vida. Mário: E até agora estamos juntos! Laura: Correção, não é até agora, é para sempre.

Cena III João Miguel, Sara (No jardim)

Sara: Então, o que queria com tanta urgência falar comigo? João Miguel: Sara, minha querida Sara. Apaixonei-me por si, quando sua mãe me mostrou uma foto sua. Queria dizer-lhe isso. O que realmente sinto por si é um verdadeiro amor, que vai daqui até à lua.


Sara: Não diga palermices, e não lhe dei permissão para me chamar de Sara. João Miguel: Desculpe-me, é que o meu amor por si é tão grande que até me descontrolo. O que quero é passar o resto da minha vida ao seu lado. Sara: Que descaramento! Tem sorte de eu ter um espirito aventureiro e conhecer todo o novo mundo. Saiba que demonstrações dessas, já eu estou habituada a ver e a ouvir de homens apaixonados a apelarem aos corações das amadas. Mas na sua declaração não vejo qualquer amor, nem compaixão, apenas o vejo fazer isso por obrigação. Eu quero um homem que me aceite como eu sou, que me ame com todos os meus defeitos. Que ature a minha vontade de viajar e que me ajude a concretizar todos os meus sonhos. Não me parece que O Senhor João Miguel me ajude nestas tarefas. Eu não preciso de muito para me apaixonar, só preciso da compreensão e apoio do tal homem. Sonho com o dia em que ele aparece à minha frente, montado num cavalo branco a segurar uma rosa vermelha. Sim, vermelha, a cor da paixão eterna e a verdadeira demonstração do amor, como mostram os livros dos contos de fadas. Eu quero um príncipe encantado, aquele pelo qual todas as mulheres sonham serem amadas e amarem. João Miguel: Desculpe se não sou o príncipe que a senhorita ambiciona. Mas eu sou tal como sou. As suas palavras proferidas á pouco agora ecoam na minha cabeça. Talvez eu me consiga aproximar desse seu desejo ardente de amor eterno. Vejo como é apaixonada pelo mundo livre, os seus olhos mostram tamanha sinceridade e modéstia que até estou arrepiado. Eu gostava de ser como esse príncipe das histórias, de que tanto fala, assim, podia garantir que ficasse-mos os dois felizes para todo o sempre. Ó Sara, seu nome é como o canto dos pássaros pela manhã, a sua face faz- me lembrar os tons rosa da primavera. Tudo em si canta a melodia da paixão. Ó querida Sara se soubésseis quanto um homem pode amar uma mulher. É tanto que quando a vi aparecer à porta da casa, com os seus pais, meu coração parou, foi como cantassem os anjos e ficássemos só os dois. Entenda


agora o que sinto por si é maior que a própria força gravitacional do mundo. Sara: Que declaração! Mas o senhor é assim tão apaixonado pela minha pessoa? João Miguel: Sim eu amo-a com todo o meu ser. O que quero é casarme consigo! Se me permitir, é claro. Sara: Dê-me uma prova que me ama! João Miguel: Permita-me um minuto. Sara: Despache-se. João Miguel: Serei breve. (passado 1 minuto) João Miguel (João Miguel vinha montado num cavalo a segurar uma rosa): Cheguei! Sara (Admirada, pega a rosa vermelha): O que é isto? João Miguel: O seu conto de fadas.


O rapaz do pijama Ă s riscas

Francisco


Pessoas Rodrigo Vテュtor Harry Mテウnica

Lugar da cena Viena, テ「stria


Primeiro Ato (Planície verde com algumas árvores. Um campo de concentração. Uma grade de arame farpado a separar os dois rapazes.)

Cena I Rodrigo e Vítor Rodrigo (vê Vítor a aproximar-se da grade) – O que trazes aí? Vítor (senta-se) – Trago uma bola, para jogarmos voleibol. Rodrigo – O que é isso a que tu chamas de voleibol? Vítor – É um jogo com duas equipas, joga-se com as mãos, cada uma tem de marcar pontos mas esses pontos só são válidos quando a bola passa por cima da rede. Rodrigo – Esse jogo deve ser divertido! Vítor – Sim. Mas tenho de fazer as linhas do campo, eu faço deste lado e tu imitas desse lado. Pode ser? Rodrigo – Sim. Vítor – Vamos jogar. Rodrigo (a meio do jogo, confessa) – Gostava mesmo de sair daqui. Vítor (pensativo) – Vou arranjar maneira de saíres daí… Já sei! Vou buscar uma pá, cavo um buraco por baixo da grade e tu sais daí.

Cena II Mónica, Vítor Mónica (enquanto passeava perto da grade apanhava o filho o fugir com uma pá) – Vítor! Vítor – Sim, mãe. Mónica – Onde é que vais com isso? Vítor – Eu sei que não vais acreditar mas… vou salvar uma criança. Mónica – Claro, custa-me a acreditar.


Vítor – Não acreditas? Vem ver. Mónica – Ok. Leva-me lá.

Cena III Mónica, Rodrigo, Vítor Vítor (grita) – Rodrigo! (em tom normal) Voltei. Rodrigo – Quem é essa senhora? Mónica – Sou a mãe do Vítor, ele disse-me que ia salvar uma criança e eu quis ver pelos meus próprios olhos. Vítor – Mãe, posso tirá-lo dali? Mónica – Claro que podes. Vítor (enquanto cava o buraco) – Finalmente vou-te ver fora dessa grade. Rodrigo (já do outro lado da grade, feliz) – Agradeço-vos tanto, mas agora onde vou ficar se os meus pais estão lá dentro? Mónica – Com isso não tens de te preocupar, podes ficar em nossa casa. Vítor – E o pai? Será que concorda? Mónica – Sim. É uma boa causa. Há de concordar e, se não concordar, eu dou um jeitinho.

Segundo Ato (Na cozinha da casa de Vítor. Bancada no centro, forno e fogão à esquerda, porta à direita e televisão à frente da bancada)

Cena I Mónica, Vítor, Rodrigo, Harry Mónica (entra em casa pela porta da cozinha) – Vou preparar-vos um lanche. Harry (enquanto Mónica prepara o lanche ele entra na cozinha) – Mais um dia de trabalho. Mónica (em tom alto) – Meninos, venham lançar. Harry (estranha ao ver a roupa de Rodrigo) – Quem é o teu amigo?


Rodrigo – Eu… Mónica – Este rapaz vai ficar cá em casa, nós resgatámo-lo de um campo de concentração. Harry (com cara de sério) – Mónica, posso falar contigo, aqui e agora? Mónica – Sim, meninos, vão lanchar para a sala.

Cena II Mónica, Harry, Rodrigo Harry (irritado) – O que é que foste fazer? Mónica – Deixa-me explicar. Eu apanhei o nosso filho a correr com uma pá na mão, ele disse-me que ia salvar uma criança. Segui-o e vi que quem estava dentro das grades era uma criança, então tirámo-lo de lá. Harry – Aquelas grades é onde estão os judeus que vão ser condenados à morte. Mónica (intrigada) – Como é que sabes tanto sobre isso? Harry (confessa) – Eu sou o chefe deste campo de concentração. Mónica – E ias matar uma criança? Harry – É judeu, só deve existir uma religião, os cristãos, então todas as outras religiões devem ser exterminadas. (após isto sai de repente agarra em Rodrigo, em tom assustador) Tu agora vens comigo, vais de novo para o campo de concentração.

Terceiro Ato (À entrada do campo de concentração)

Cena I Vítor, Rodrigo, Harry Vítor (quando vê o pai a levar Rodrigo para o carro sai pensativo e a correr) – Se eu for por ali chego mais rápido. (chegado à porta do campo de concentração vê o carro do pai a estacionar e grita) – Pai! Harry – Diz rápido, as operações de morte estão a começar. Vítor – O que vais fazer com o Rodrigo?


Harry – Vai-lhe acontecer o mesmo que aos outros. Vítor – Tens a certeza? Harry – Sim. Vítor (em tom ameaçador) – Para onde ele for eu vou, se ele morrer eu morro. Rodrigo – Não faças isso, nós já estávamos conformados e além disso é o nosso destino. Vítor – Faço sim, porque não aceito a morte de crianças inocentes. Harry (sentido e já com a lágrima no canto do olho) – Então só há uma coisa a fazer… parar as operações e libertar todos os judeus. (Vítor corre até ao pai e abraça-o)


O rapaz do pijama às riscas (II)

Vítor


Pessoas: Inácio Margarida Hugo Marco

Ato I (Em cena, podem ver-se ao longe barracões. Dois amigos estão sentados no chão, separados por arame farpado. Hugo fugira de casa para visitar Marco, que estava preso no campo de concentração.)

Cena I HUGO E MARCO

Hugo (suspira de alivio) - Ainda bem que estás bem Marco. Tenho de arengar uma forma de te tirar daqui. Marco (triste) - Duvido, nunca vou conseguir sair daqui. Olha à tua volta. Estão há guardas sempre a vigiar. Hugo (não desiste persistindo no assunto) - Sim, mas não podemos desistir. Estive a pensar e tenho uma ideia que, de certeza não vai falhar. Marco (ansioso para saber a ideia) - Qual é? Hugo (com um ar de corajoso) - Na garagem de minha casa, tenho uma pá e consigo abrir um buraco suficientemente grande para que tu consigas sair por baixo do arame farpado. Às dez horas, vem para aqui. Vou conseguir tirar-te daqui.


Cena II HUGO,MARCO,MARGARIDA (Marco tenta fugir do campo de concentração com o Hugo.)

Hugo (chama Marco muito baixo) Marco, Marco, rápido. Já estou aqui. Tens de conseguir fugir por este buraco que escavei. Marco (assustado) - Espero bem que o plano resulte. Se o plano não resultar, os guardas vão matar-me. Hugo (aliviado) Vês. Correu tudo bem. Já conseguiste! Marco- Então e agora, para onde vou viver? Hugo - Tens de te esconder em minha casa. Marco- Boa ideia era fugir um outro país onde houvesse igualdade e não existissem campos de concentração! Hugo (fica a pensar na ideia, preparando-se para entrar em casa) Sim, é uma boa ideia. Mas para isso, é preciso dinheiro e nós não o temos. Por agora, ficas em minha casa naquela garagem. Quando eu estiver no meu quarto, e os meus pais já estiverem a dormir, venho à janela chamar-te e vais ficar numa cave que há em minha casa. Marco- Sim, pode ser.

Ato II (Em casa)

Cena I (Hugo cruza-se com a sua mãe) Margarida (preocupada) Olá, Hugo. Onde estiveste até estas horas?


Hugo (começa a ficar encarnado por estar a mentir) - Não foi nada demais. Apenas estive a dar uma volta no jardim e a andar de baloiço. Nem dei pelo tempo passar. Margarida- Está bem, vou acreditar. Agora vai-te deitar que já é tarde.

Cena II INÁCIO,MARGARIDA (entra Inácio, pai de Hugo)

Inácio (com um ar pensativo) – Margarida, anda cá. Preciso de falar contigo. Margarida- O que queres falar comigo? O que se passou? Inácio- Neste últimos tempos, desde que viemos para esta casa, o Hugo tem andado esquisito, parece que anda a esconder alguma coisa, Ontem chegou tarde a casa e, quando não chega tarde a casa, só vem almoçar e jantar. Margarida (já sem paciência) - Ai, homem lá estás tu com essas desconfianças. Deixa o rapaz. Ele sabe o que anda a fazer, se calhar arranjou algum amigo. Inácio- Tu e que sabes. Depois não digas que eu não te avisei. Olha que quem te avisa, teu amigo é!

Cena III MARCO,HUGO (Marco e Hugo tinham ouvido a conversa de Inácio e decidem que têm de fugir de casa durante a noite) Hugo (sussurrando) – Marco, acorda! Temos de ir. Marco - Sim, vamos, mas primeiro vou tirar o pijama e vestir outra roupa. Posso vestir uma roupa tua? Hugo -Sim, podes. Marco -Obrigada. Hugo - Enquanto te vestes, vou buscar dinheiro. Hugo - Já te vestiste?


Marco - Sim, já podemos ir. Hugo - (fecha a porta com muita força) Vamos, acho que está tudo pronto.

Cena IV (Inácio e Margarida ficam alarmados porque não encontram o seu filho em casa) Inácio (assustado a pensar que alguém lhe tinha assaltado a casa) – Margarida, acorda! Fui ao quarto do nosso filho ver se estava tudo bem, porque ouvi a porta a bater e o nosso filho não está no quarto! Margarida (admirada e ao mesmo tempo assustada)- Isso quer dizer que o nosso filho… Inácio- Sim, é mesmo isso. O nosso filho saiu de casa. Rápido, temos de fazer alguma coisa, antes que seja tarde. Margarida- O quê? O que vamos fazer agora? Inácio- Vamos para a estação de comboios. Quase de certeza que ele está lá, e não há como verificar. Margarida- Sim, tens razão. Vamos para a estação de comboios. Só espero que ele lá esteja.

Ato III

Cena I INÁCIO,HUGO,MARCO,MARGARIDA (Na estação de comboios) Inácio - (respirando de alivio ao ver o filho) Margarida, estão ali à frente! O nosso filho e outro rapaz qualquer. Quem será? Margarida - Vê-se logo que o que importa não é saber se ele está bem, mas descobrir quem é o outro rapaz. Vamos lá e cala-te! Inácio - (chama o filho muito alto) Hugo, Hugo. Hugo - Pai! O que estás a qui a fazer?


Inácio - Eu, como é óbvio, vim buscar-te. Já agora, quem é esse teu amigo que está aí ao pé de ti? Marco - (gozando) Olá, também para si. Deixe-me dizer-lhe que é muito simpático. Eu sou o Marco, e vim de um campo de concentração. O seu filho Hugo foi o único amigo que tive até hoje. Hugo (falando calmamente) - Pai, por favor liberta toda aquela gente que está presa naquela prisão ou lá como se chama. Pensa um bocado e imagina-te lá. Também não gostavas. Por favor, pai, faz isso por mim. Margarida- Sim, Inácio, o Hugo tem razão. Tu és o responsável podes tirá-los de lá.Lá dentro está imensa gente presa a sofrer. Para quê? Inácio (impondo respeito) -Muito bem, mas que fique bem claro que só vou fazer isto pelo meu filho e por ti Margarida. Marco- Muito obrigada. Hugo- Obrigada pai, sabia que ias perceber.

Ato III (O pai do Hugo está em sua casa a falar com o Marco sobre a escola)

Cena I INÁCIO,MARGARIDA,HUGO E MARCO Inácio – Marco, o que achas de eu te inscrever na escola? Marco- Sim, adorava! Hugo (fazendo troça) – Ahahah! Estás louco, Marco? A escola é uma seca, não queiras ir. Tens de estar carradas de tempo a ouvir os professores e fazer os trabalhos de casa. Marco- Tu só dizes isso porque já experimentaste, eu nunca frequentei a escola! Inácio- Sendo assim, vou inscrever-te na escola. A partir de agora, considera-te como meu filho. Margarida- E meu! Também te posso ajudar, sempre que quiseres.


Marco- Obrigado aos dois. Hugo- Tudo estรก bem, quando acaba bem!


O RAPAZ DO PIJAMA ÀS RISCAS (III)

Inês Perpétuo


Ato I (Em casa do Mick, a fazer as mudanças)

Cena I Mãe do Mick, Jack, Mick Mãe do Mick – A empregada leva-te até ao teu quarto! Mick (perguntando entusiasmado) – Fiquei com o maior? Mãe do Mick – Não, esse ficou para a tua irmã! Mick – Ok. (seguiu a empregada e dirigiu-se para o seu quarto) (Entretanto, no jardim) Mick - (jogando com a sua bola de futebol, chuta-a bola para o outro lado da vedação) Mãe? (gritando) A minha outra bola de futebol? Mãe - (dirigindo-se a ele) Não, porquê? Mick - (gaguejando, tentando despachá-la) - Nada... Podes voltar para a costura.

Ato II (Mick salta a vedação e deparou-se com um campo de recuperação, e viu um menino a jogar contra a vedação)

Cena I Mick – Hey?! (gritando) Essa bola, é minha! Como te chamas? Jack – Jack. Toma a bola! (atirando-a por cima da vedação)


Mick – Porque está com esse pijama? Jack – Tenho de usar... É do campo! Mick – Campo de férias? Jack – Não é bem. Como te chamas? Mick (sorrindo) – Mick. Posso brincar contigo? Jack (olhando para trás, receoso) Não por muito tempo.

Cena II (Mick continua a encontrar-se com Jack, sem os seus pais saberem)

Mick (jogando a bola para o outro lado) – Já encontraste o teu pai? Jack (com voz triste) – Não... Ajudas-me? Mick – Pode ser amanhã? Jack (colocando o seu dedo mendinho por entre a vedação) – Sim... Mas prometes? Mick (entrelaçando os seus dedos) – Prometo!

Ato III (De novo em casa de MIck)

Cena I Mick, Jack, Mãe do Mick, Pai do Mick

Mick – Mãe? O que é aquilo para lá da vedação?! Mãe do Mick (deixando cair o copo que segurava, com uma voz assustada) Foste lá? Mick (gaguejando) – N-Não! Só tenho curiosidade! Mãe do Mick – Ainda bem! Fico mais descansada... Vou falar com o teu pai.


Cena II (O pai e a mãe do Mick conversam) Mãe do Mick (Entrando no escritório) - Temos de falar! Pai do Mick (confuso)– Porquê? Mãe do Mick (revelando aflição)– O Mick veio-me perguntar sobre a vedação... Pai do Mick – Vou mandar pôr mais reforços no campo. Mãe do Mick (estupefacta) – Não estás minimamente preocupado?! Pai do Mick (mexendo na papelada, que se encontrava em cima da sua secretária) – Claro que estou!

Ato III (junto à vedação do campo de concentração)

Cena I Mick e Jack

Mick (sussurrando) – Jack? Jack (chegando-se perto dele) – Sim... Mick – Podemos ir à procura do teu pai? Jack (sorrindo) – Vens comigo? Mick – Sim! Jack (dando-lhe um “pijama” para ele vestir) – Toma! Tens de vestir isso! Mick (já vestido) - Por onde, entro? Jack – Há, ali um buraco na vedação! Podes passar por lá... Mick (junto a Jack) – Vá, vamos procurar o teu pai. Jack – Deve estar, onde está aquela gente toda!


Mick (dirigindo-se para o grupo de pessoas) – Vamos! Jack (entrelaçaram as mãos e ouviram a porta a fechar, e a cair um liquido para cima deles) – Dá-me a tua mão!

(Passados uns breves minutos os corpos começam a cair inanimados, cobrindo o chão do palco)


Ana Freire


Personagens: Antonieta (Patroa) Albertina (Empregada) Sr. Brito (Contabilista) Carlos Alberto (Gestor)

Ato I (Leiria, casa luxuosa, sala de estar)

Cena I Antonieta, Albertina (Antonieta acaba de chegar do shopping, cansada e carregada de sacos. Entra em casa.) Antonieta (gritando) - Albertina! Leva estes sacos ao meu quarto. Albertina- Sim minha senhora. Antonieta- Chegou alguma correspondência? Albertina- Sim, já lha trago. (Albertina leva os sacos ao quarto da patroa. Desce e entrega as cartas à Dona Antonieta que está deitada no sofá) Antonieta- Obrigada, pode ir. (comentando) Ai que são as contas da luz e da água! Nem me tenho lembrado de as pagar! E agora gastei o dinheiro que restava do meu ordenado em roupa no shopping! Vou ter de dizer à Albertina que este mês não lhe vou pagar! Ainda me resta algum dinheiro, mas não chega para pagar as contas, muito menos o ordenado da Albertina e eu ainda queria comprar o casaco de peles e pagar o casamento da minha filha Inês.) Albertina - Dona Antonieta, sente-se bem? Antonieta - Albertina, este mês não vou conseguir pagar-lhe. Lamento muito.


Albertina - Desculpe, mas não permitirei que isto aconteça, nem que faça um empréstimo. Ou me paga, ou eu me despeço. Antonieta- Pronto, então não se preocupe que eu faço o empréstimo e pagolhe tudo como deve de ser. Telefone ao meu gestor e diga-lhe para vir cá a casa o mais rápido possível. Albertina- É para já, Dona Antonieta.

Cena II Antonieta, Albertina e Carlos Alberto (Toca a campainha.) Antonieta - (gritando) Albertina! Tocaram à campainha, abra! (Albertina abre a porta e Antonieta põe-se de pé.) Entre, Sr. Carlos Alberto. Carlos Alberto - Com licença, como está. (Sentam-se ambos no sofá.) Antonieta (Determinada) - Chamei-o porque preciso de fazer um empréstimo. Carlos Alberto- Como assim? Estou confuso. A senhora Dona Antonieta sempre foi mulher de grandes posses! Antonieta- Sim, é verdade, mas desta vez descuidei-me e aconteceu. Carlos Alberto- Então, muito bem, assine estes papéis e amanhã será feita a transferência com a quantia desejada. (Antonieta assinou os papéis e apertou a mão ao gestor.) Antonieta- Muito obrigada e até outro dia. Passe bem.

Cena III Antonieta, Albertina e Sr. Brito

Antonieta (Suspirando e deitando-se no sofá) - Sabe tão bem ter tudo em ordem: as contas da luz e da água, o ordenado da Albertina, o meu novo casaco de peles e o casamento da Inês … (Toca a campainha.)


Antonieta (Gritando) - Albertina! Vá abrir! (Albertina abre a porta e Antonieta põe-se de pé.) Entre, Sr. Brito passa-se alguma coisa? Sente-se. Sr. Brito - Com licença, muito obrigado. (Sentam-se ambos e o Sr. Brito retira da sua pasta alguns papéis.) Parece que a senhora tem cerca de 7 meses de água e luz em atraso, mas como se isso não bastasse, deve no total de 1.378 euros a algumas lojas do shopping. A única solução para este grande problema é a penhora da sua propriedade e de todos os seus bens materiais, desde o carro, à roupa, ao telemóvel, tudo! Antonieta (Começando a chorar.) - É impossível, não me podem fazer uma coisa destas! Sr. Brito- Já para não falar nas dívidas que a senhora acumula no casino… (Antonieta desmaia.) Sr. Brito (Gritando, enquanto dá chapadas na cara à Antonieta) - Está mais alguém em casa? Albertina (Correndo para a sala de estar) - Diga, diga, Sr. Brito. Sr. Brito- Traga um copo de água rápido! (Albertina traz um copo de água e o Sr. Brito bebe a água. Entretanto, Antonieta acorda.) Antonieta- Ai, meu Deus, o que se passou? Albertina (Suspirando) -Oh! Pregou-me um susto! Sr. Brito - A Dona Antonieta desmaiou, assim que eu lhe dei as notícias das dívidas. Antonieta - Eu preciso de descansar, fora daqui! (Antonieta aponta para a porta.) (Sr. Brito sai.) Albertina - Bem, está na hora de eu ir embora, já acabei o serviço. Mas quero saber o que se passou aqui com o Sr. Brito. Venha a minha casa, vamos!


Ato II (Apartamento de Albertina, sala de estar) Cena I Antonieta e Albertina

Albertina - Entre patroa e sente-se, que eu vou fazer um chazinho! Antonieta - Estou muito espantada, nem sabia que tinhas um apartamento só teu, Albertina! Vejo que geres muito bem o teu dinheiro! (Albertina aparece com os chás e senta-se no sofá ao lado de Antonieta.) Albertina (Esboçando um sorriso) - Não me diga que pensava que eu era semabrigo. Mas agora conte o que se passou há pouco. (Antonieta começa a chorar) Antonieta - O Sr. Brito é o meu contabilista. Veio informar-me que a minha propriedade e todos os meus bens materiais, carro, telemóvel, roupa, vão ser penhorados. Vou ficar sem nada, Albertina! Nada! Albertina- Tenha calma patroa, tudo se resolve. Até encontrar habitação barata, pode ficar aqui no meu apartamento. Quanto ao transporte e outros bens, eu posso ajudar, e a roupa também pode utilizar da minha! Antonieta- Ai! Deus te pague Albertina, Deus te pague! (abraçam-se)

Cena II Antonieta e Carlos Alberto

(Antonieta está sozinha em casa de Albertina e o telefone toca. Antonieta atende. É o gestor.) Antonieta - Estou sim, diga.


Carlos Alberto - Telefonei para informar que a sua propriedade e os seus bens estão penhorados. Fiquei surpreendido por saber que ensacou todos os seus bens e os colocou no hall de entrada. Antonieta - Era só isso que queria, suponho. Então, boa tarde, passe bem.

Cena III Antonieta e Albertina (Albertina entra em casa sorridente)

Albertina - Bom-dia, Dona Antonieta. Antonieta - Bom-dia Albertina, telefonou mesmo agora o meu gestor, o Carlos Alberto.) Albertina - E então? Novidades? Antonieta- Era só para me informar que os meus bens e a propriedade já estavam penhorados e que ficou muito surpreendido por eu ter ensacado tudo e por ter posto no hall de entrada. Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida. Vou começar a poupar para comprar um apartamento, depois uma casa e, mais tarde, uma propriedade com uma casa luxuosa. Albertina- Mas tenha cautela patroa, espero que tenha aprendido a lição, “Quem Tudo Quer Tudo Perde”.


UM AMOR INESQUECÍVEL

Beatriz Morais


PESSOAS Beatriz João Carlos António

Iº Ato (Na sala de estar, cheia de móveis e sofás confortáveis em casa de João)

1ª Cena (João e Beatriz) João (sentado ao lado de Beatriz): Não quero que te sintas incomodada, quando quiseres levo-te a casa! Beatriz: Eu estou bem João, obrigada! João: Tenho reparado que nestes últimos tempos tens andado muito fraca e cada vez mais magra. Começo a ficar preocupado! Não tens nada para me contar? Beatriz (começando a chorar): Estou a morrer, João! João (por momentos fica calado sem reação, mas passados alguns segundos recomeça): O que se passa? O que tens? Beatriz (com uma voz meiga): Tenho leucemia, há mais de sete meses que descobri. Segundo o médico tenho pouco tempo de vida! João: Agora tudo se torna absolutamente claro! Beatriz (continuando a chorar): Tudo o quê? João: O facto de que este Natal tinha de ser tão especial, já não ires para a universidade com que sempre sonhaste e me ofereceres a tua bíblia!


2ª Cena (João e Beatriz)

Beatriz: Desculpa, João! Eu sei que já te devia ter contado antes, mas a minha confusão impediu-me de dizer fosse o que fosse! João (apertando-lhe a mão): Porque é que não me disseste nada? Eu podia ter-te ajudado! Beatriz: Essa era a única pergunta à qual eu não queria responder. Não dormi a noite toda, passei por sucessivos estados de choque, negação, tristeza e raiva, desejando que tudo isto fosse um pesadelo! João (abraçando-a com muita força): Nunca ninguém que me fosse próximo tinha morrido, pelo menos que me lembrasse. A minha avó morreu quando eu tinha três anos e não me lembro nada dela, ou do serviço religioso que seguiu. Tinha ouvido histórias, claro, contadas tanto pelo meu pai como pelo meu avô, mas para mim não passavam de histórias. E agora contigo, Bia. Tens apenas dezassete anos, és uma criança, quase uma mulher, a morrer e tão viva ao mesmo tempo. Eu estou com medo, mais do que alguma vez senti, não apenas por ti, mas por mim também! Beatriz: Desculpa. Eu amo-te, sabes? João (beijando-lhe a mão): Também te amo, e é por isso que hoje, aqui mesmo, vou fazer o pedido mais importante de toda a minha vida. Vou realizar o teu grande sonho, para que possamos ficar unidos eternamente. Bia, aceitas casar comigo? Beatriz (emocionada): Sim, meu amor!

2º Ato (Na igreja)

1ª Cena (Beatriz e o pai Carlos) Beatriz (entra na igreja de cadeira de rodas. Depois, com o auxilio do seu pai levanta-se muito trémula) – Obrigada, faz parte do meu sonho! Sabes não sabes, papá?


Carlos: Eu sei, minha bebé!

2ª Cena (Beatriz, João, Carlos, António) António (colocando a mão no ombro de João): Estou orgulhoso de ti, filho! João: Obrigado, pai! Também estou muito orgulhoso de ti, sabes? António (piscando-lhe o olho): Sim, adoro-te! João: Eu também papi! Beatriz (percorre o caminho até ao altar com um andar muito frágil e cansado, mas não desiste. Senta-se no altar : Voltei meu amor, obrigada por tudo! João: (senta-se também, para que possa ficar ao nível de Beatriz) Obrigado eu , por me fazeres tão feliz! Carlos (Já pronto para começar a cerimónia): Como pai, devia dar a minha filha mas não sei se sou capaz de o fazer! (Todos os presentes fazem silêncio) Carlos (pondo de lado a bíblia, e estendendo os braços deu inicio): Não posso dar a minha filha, assim como não posso dar o meu coração. Mas o que posso fazer é deixar que outra pessoa partilhe da alegria que ela sempre me deu. Que Deus vos abençoe aos dois!

3ª Cena (João e Beatriz) (Já casados, todos os convidados se sentem emocionados)

João: Este foi o momento mais maravilhoso de toda a minha vida! Beatriz (abraçando-o e com uma voz delicada e muito cansada): O meu também, sei que a minha hora está a chegar mas peço-te que nunca te esqueças de mim! (Beatriz morre dias depois)


Experiências Dramáticas