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Muitas profissões (as empregadas domésticas, por exemplo) não tinham direito à reforma. E os que tinham esse direito recebiam reformas muito baixas. Os funcionários públicos ganhavam pouco. Havia a necessidade generalizada de poupar para o futuro. De viver com contenção. Cultivavam-se valores como o trabalho e o dever, o ócio e o prazer não eram bem vistos. Muito do que hoje faz parte do nosso quotidiano era considerado um luxo: só se comia fiambre (dentro de pãezinhos de leite) em festas. Comer marisco, beber champagne ou vinho do porto, ou comer carne do lombo, só em momentos muito especiais. Não havia refrigerantes (nem cocacola, nem fanta, nem nada disso). A maior parte das marcas estrangeiras (de alimentos mas também de vestuário e outros produtos que hoje são corriqueiros) não chegava cá e as poucas que chegavam eram muito caras. Pouco antes de 74, quem tinha dinheiro para ir a Londres, enchia as malas com Lewis para os amigos.

Só uma minoria ia passar férias ao estrangeiro.

A Censura não se exercia só sobre livros e jornais, mas também sobre filmes e espetáculos em geral, que ou eram simplesmente proibidos ou violentamente cortados (muitos dos filmes que se viam lá fora não passavam nas nossas salas de cinema e muitos espetáculos não se realizavam e nem sempre a razão era política, bastava

Sabias que …?

que fossem considerados “ousados”, isto é, um bocadinho eróticos, por exemplo com cenas de nu parcial (o integral era impensável), ou de beijos “quentes” (Quem ia ao estrangeiro aproveitava para ver tudo quanto fosse filme e espetáculo “ousado”…). 

A mentalidade reinante era extremamente conservadora e preconceituosa. Nenhum par de namorados se atrevia a beijar-se na rua.

Na escola não se lia nem se falava do Canto IX de Os Lusíadas, por causa da Ilha dos Amores. Pela mesma moral dominante não se estudavam Os Maias, por causa do incesto. 

Havia palavras perigosas, liberdade era uma delas. E havia assuntos de que não se falava, homossexualidade ou aborto, por exemplo. 

Não havia escolas mistas e as femininas tudo faziam para evitar o contacto das suas alunas com rapazes, que estavam proibidos de entrar nas respetivas instalações. 

…e a lista podia continuar… (continua na página seguinte)

Curiosidades de História da cidade do Porto Já em 1919, na cidade “invicta”, as “senhoras elegantes” davam os seus passeios numa trotinete a motor, antepassada dos modernos “segway.” Tratava-se de um veículo a 4 tempos, com 155 cc e velocidade máxima de cerca de 30 km por hora, fabricado em primeiro lugar nos EUA. A forma de funcionamento era bastante simples, bastando empurrar a colina da direção para a frente para o veículo se mover, ou puxar para trás para travar. E podia ser dobrada na horizontal para ser facilmente arrumada ou transportada à mão.

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Jornalesas marco 2014 04 01 cores  

Jornal oficial da Escola Secundária/3 Aurélia de Sousa, Porto

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