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Todo tempo que o cĂŠu abrigar O encanto de uma lua cheia E o pescador afirmar Que ouviu o cantar da sereia E as fortes ondas do mar Sorrindo brincarem com a areia A chama nĂŁo vai se apagar Candeia Luiz Carlos da Vila


Material coletado de publicações de terceiros, 2015

Designer Luís Fernando Couto


Carta capital Os 80 anos de Candeia, um defensor do samba-enredo 16 de fevereiro de 2015 Quando era adolescente, a cantora e compositora Teresa Cristina só queria saber de ouvir o som negro americano. Em seu toca-discos revezavam-se fazedores de sucessos da Motown, como Barry White e Diana Ross. Tempos depois, estudante de Literatura Brasileira, viveu uma epifania quando um amigo lhe trouxe o CD Samba de Roda, de Candeia. Ao colocar o disco, foi invadida por uma onda de emoção. “Conhecia todas as músicas, pois meu pai ouvia muito Candeia. Foi uma sensação mística, uma conversão. No mesmo momento tive vergonha por não ter prestado atenção numa obra tão rica e me veio uma voz que dizia: ‘Você tem de mostrar para seu pai que entendeu o Candeia’.” A intérprete, então com 25 anos, iniciava-se na profissão e o reencontro com a obra de Antonio Candeia Filho (1935-1978), ardoroso defensor do samba tradicional e autor de obras-primas imortalizadas por Cartola e Clara Nunes, foi definidor. “Minha carreira se divide entre antes e depois de Candeia.” Teresa seguiu o chamado. Procurou o biógrafo do compositor, João Baptista Vargens, foi atrás da Velha-Guarda da Portela, de Monarco, Tia Surica. Com o grupo Semente, começou a cantar Candeia. Mergulhou nos sambas de terreiro, recebeu de Cristina Buarque fitas com bambas como Zé Ketti e Clara Nunes. “A partir dessas pessoas incríveis construí minha base musical.” Leia Mais Leci Brandão: Carnaval não combina com violência e discriminação Neste ano em que o compositor completaria 80 anos, Teresa vive nova grande emoção. Com Moacyr Luz e Cláudio Russo compôs o samba-enredo que o Grêmio Recreativo e Escola de Samba Renascer de Jacarepaguá, do grupo de acesso, leva à passarela do samba carioca neste sábado de Carnaval, Candeia! Manifesto ao Povo em Forma de Arte. “O dia que recebi o convite foi mágico. Um desses pequenos milagres que passamos a não prestar atenção.” Ela relembra que estava em casa quando decidiu ir ao Samba do Trabalhador, que Moacyr Luz promove às segundas-feiras. Lá, o carnavalesco da Renascer, Jorge Caribé, dizia ao dono da festa que pretendia convidá-la para a missão de participar da composição do samba-enredo. “Achei que não saberia fazer, ainda mais com o andamento louco de hoje. Mas a questão é que não se tratava de qualquer tema, era para falar de um amor meu. Topei na hora.” Em duas reuniões letra e melodia estavam prontas. A fortalecer o agosto de 2015 - Candeia 80 Anos – 3


sortilégio, Teresa diz que acabara de escrever um verso e correu para mostrar aos parceiros quando teve outra surpresa. “Eles tinham criado a mesma frase, que diz assim: ‘Antonio, filho da flecha certeira’, uma referência a Oxóssi, de quem era filho espiritual. Candeia tem muita força, ele sobrevive, era um líder iluminado.” A alegria da compositora neste ano de homenagens a Candeia – além do samba da Renascer, o selo Discobertas, do pesquisador Marcelo Froes, acaba de lançar parte da obra do compositor na caixa de cinco CDs Sou Mais o Samba – talvez amenize a tristeza que a invadiu quando idealizou aquele que considera o show mais importante de sua carreira. Teresa Cristina Canta Candeia tem um recorde ao avesso, três apresentações. “Não consegui patrocínio da Natura ou da Petrobras. Candeia não foi suficiente para nenhuma dessas marcas. Nem para a Prefeitura do Rio de Janeiro, ninguém quis. Para esses ‘mecenas’, Candeia ainda não é um nome.” Das três únicas récitas, em 2013, duas ela pagou do próprio bolso. A outra foi bancada por Paulo Jobim. “Em 14 anos de pires na mão para mostrar Candeia, essa voz ainda muito necessária, aprendi que só querem dar dinheiro a quem já tem, homenagear alguém que todo mundo conhece. A impressão é de que esse dinheiro de patrocínio está sempre nas mesmas mãos. Quem é amigo vai e pega.” Para Teresa, o convite da Renascer mostra uma compreensão de sua conexão com o portelense que se recusou a aceitar certas “modernidades”, entre as quais o surgimento da figura do carnavalesco, “pois antes quem escolhia o tema eram integrantes da escola”. Em resposta ao que considerou um processo de descaracterização do samba autêntico, em 1975 Candeia criou o Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo. “Ele começou a perceber que as escolas não estavam mais voltadas à tradição, às danças de porta-bandeira e mestre-sala, aos sambas de terreiro”, conta Selma, de 55 anos, filha do sambista e atual presidente do grêmio. Seu pai dirigia a ala de compositores da Portela quando escreveu um manifesto contra o desvirtuamento das tradições, recebido com desinteresse pelos dirigentes portelenses. Afastou-se da escola e passou a dedicar-se ao centro de preservação da arte negra que fundou no subúrbio de Acari. “Ele percebeu que o negro precisava ter um espaço. Sambista sempre foi perseguido, considerado ladrão, maconheiro. Ele sofreu na pele esse tipo de perseguição e então tentou modificar o cenário. Meu pai era filho único, de família pequena, começou a estudar, fez concurso para a Polícia Civil. Era linha-dura, totalmente xerife, foi durão comigo também.” Com quase 2 metros de altura, corpo domado pela atividade física e voz de comando, sofreu muito ao ficar paraplégico em 1965, numa briga de trânsito. Enquanto discutia com um motorista de caminhão que fechou seu carro, o colega deste desferiu cinco tiros, um dos quais se alojou na coluna. “Eu tinha 4 anos e lembro como ele sofria, não se adaptava à cadeira de rodas. Àquela altura tinha discos gravados, 4 – agosto de 2015 - Candeia 80 Anos

participava de programas de rádio e tevê. O crescimento maior dele como sambista deu-se a partir desse momento.” Amigos da Velha-Guarda ajudaram Candeia a superar a tristeza. Chegavam do samba às 5 da manhã e continuavam a festa na varanda da casa do sambista. “Era uma casa de malucos. Pão com mortadela e samba rolando”, diverte-se Selma. “Minha música de ninar era samba. Festa de aniversário era samba. Tudo era samba.” Froes, que pesquisa a obra de Candeia desde 2010, acha que ainda falta reconhecimento ao artista, que morreu aos 43 anos, deixou poucos discos, mas um repertório rico e atemporal, com músicas que circulam há 50 anos. “Ele é um dos pilares do samba dos anos 1960 e 1970, a base de tudo que se fez no gênero nessas últimas décadas.” Na caixa recém-lançada estão os três primeiros discos do sambista, Candeia (1970), Seguinte... Raiz (1971) e Samba de Roda (1975). Os outros dois CDs trazem raridades, como A La Orilla del Mar, a versão em espanhol de O Mar Serenou, interpretada por Martinha. Filho de mãe beata, Candeia teve de se submeter a contragosto às vontades devocionais da matriarca e foi coroinha na Igreja de São Luiz Gonzaga, em Madureira. “Depois percebeu as raízes, caiu no samba e no candomblé, tinha o maior orgulho de ser filho de Oxóssi e Oxum”, revela Selma. Entre as memórias primeiras, lembra-se do pai em pleno processo criativo. “Ele não me deixava ir brincar na rua antes de anotar os versos. Levantava com o samba na cabeça, me chamava e dizia ‘Pega lá a caneta e escreve pro papai’. Era espontâneo, tinha de ser anotado na hora para não perder. Ficava solfejando e eu ali, doida para ir rolar bolinha de gude e peão com os meninos. Meu irmão mais velho, Jairo, era mais desligado, a tarefa de copiar era minha.” Moacyr Luz, que tinha 20 anos quando conheceu Candeia, afirma que a liderança do compositor era nítida. “Ele numa cadeira de rodas, dando o tom das músicas, craques como Wilson Moreira no prato e faca, todos na mesma roda, um sonho.” Ele destaca a composição Me Alucina e considera Pintura sem Arte e Dia de Graça manifestos fundamentais do samba. “Em conversa com Guinga, soube que Prece ao Sol foi feito na primeira fase de recuperação do acidente. Acabei gravando esse desabafo em 2001.” Para o compositor, o samba da Renascer, inspirado no sucesso O Mar Serenou, é sua contribuição, de Teresa e Russo por tanta inspiração. E é categórico: “Não tenho dúvidas em afirmar que, se uma roda de samba não tocar nada de Candeia, eu desconsidero...” por Ana Ferraz, repórter de cultura da Carta Capital


Instituto Brasilidades A cultura popular brasileira é direito de todo o cidadão, para compreensão e reflexão de sua história A História não contada de Candeia A História oficial sobre o brasileiro Antônio Candeia Filho retrata-o como um homem simples com algumas realizações. As narrativas são, no geral, sobre sua vida cotidiana. Das brigas e do jeitão truculento que o colocou numa cadeira de rodas, à criação do GRAN Quilombo num período efervescente do carnaval carioca. Da Filosofia do Samba ao Axé!. Da vida à morte em muitos sentidos. Entretanto, a trajetória de Mestre Candeia é uma mitologia esquecida, quase apagada. Ele foi, talvez, o maior ícone da cultura popular brasileira na década de 70 e figura até hoje entre os maiores heróis de nossa história cultural. Negro, pobre, favelado e depois deficiente. Tudo o que não passa na novela das oito o faz representar, ao mesmo tempo, diversas categorias de um mesmo povo excluído e marginalizado. Porém, tal qual aqueles que lutam pela consolidação dos direitos mais básicos que possam existir para o exercício da cidadania, Candeia não foi um homem à frente de seu tempo, ele foi um homem que lutou contra o seu tempo. Por isso mesmo há uma história velada sobre o herói.

30 de setembro de 2012 A afirmação de direitos básicos e fundamentais, bem como dos direitos humanos é resultado de um processo constante de luta popular. Depende de um compromisso ético fundamental e intransigente em relação à causa. O seu avanço é diretamente proporcional ao surgimento de diferentes movimentos sociais e, também, de líderes que se doam para a efetivação desses direitos. Dentro disso, destaca-se a importância do reconhecimento das diversidades como forma de criar-se uma consciência coletiva de tolerância e não violência. Assim, não há espaço para o preconceito e a discriminação, uma vez que reconhece-se o outro como um igual. O samba é um movimento popular (espontâneo) na sua gênese. É um instrumento em si mesmo. É a afirmação da Declaração Universal da Diversidade Cultural da ONU. É a própria diversidade que fala, canta, dança e se comunica. E Candeia com isso? A História que não se conta sobre Mestre Candeia é a de sua trajetória na militância pela efetivação dos direitos sociais no Brasil. É a do reconhecimento de um povo oprimido por um sistema desigual que luta para ser ouvido por meio da arte e que faz, da própria arte, sua arma pela expressão de seus problemas. Sambas como os que Candeia gravou são sinônimos de crítica social sobre um sistema falido mas que ainda hoje se faz presente distribuindo desigualdades país afora. Quando o Mestre grava Ouro Desça do Seu Trono de outro Mestre, Paulo da Portela, no disco Axé! de 1978, escancara a o seu descontentamento e desentendimento sobre os rumos do carnaval, cada vez mais “midiático” e do “capitalista” e cada vez menos popular, do povo, mesmo. O interessante é que a sua leitura não é individual, ele é o representante “estridente da revolução democrática da cultura”, tal qual descreve Florestan Fernandes. Aliás, outras gravações do Mestre (e quase todas, pra falar a verdade) trazem a leitura de um povo sofrido e oprimido em meio a um contexto de luta por emancipação, é o caso, por exemplo de O Invocado, gravada também em 1978. Ora, “o crioulo no morro está invocado, o crioulo no morro está no miserê, desce o morro, não encontra trabalho, nem encontra feijão pra comer... Se subires lá no morro e ver o crioulo invocado, podes crer que o irmãozinho se acha desempregado”. Portanto, a mitologia (poética) de Mestre Candeia revela a trajetória da militância dos direitos humanos no Brasil e traz consigo elementos de uma memória que parece sofrer um processo de enfraquecimento via o não reconhecimento dessa luta, por meio de um samba que não se faz mais e através de uma história contada pelos que venceram, até então, a contenda que continua a ser travada. Instituto Brasilidades (Texto distribuído na última roda de samba, integrando o projeto Compondo a História) agosto de 2015 - Candeia 80 Anos – 5


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A Cor da Cultura.org.br ANTONIO CANDEIA FILHO (1935 – 1978)

Cantor, compositor e ativista de movimentos sociais, Candeia nasceu em 17 de agosto de 1935, no Rio de Janeiro (RJ). O pai, Antônio Candeia, era tipógrafo, flautista e integrante de comissões de frente de escolas de samba. Desde os seis anos de idade frequentava as rodas de samba e de choro organizadas por seu pai, sambista e boêmio, amigo de Paulo da Portela e João da Gente, Claudionor Cruz e Zé da Zilda. Aprendeu a tocar violão e cavaquinho, passando a participar das reuniões de sambistas na casa de Dona Ester, em Oswaldo Cruz. Também era frequentador dos terreiros de candomblé, das rodas de capoeira e da Escola de Samba Vai Como Pode, que deu origem à Portela. Começou a compor aos 13 anos. Seu primeiro samba-enredo para a Portela foi em 1953, "Seis datas magnas", em parceria com Altair Marinho. Com esse samba a escola foi campeã no carnaval daquele ano, obtendo nota máxima em todos os quesitos. Ainda neste período fundou a Ala da Mocidade da Portela, e mais tarde integrou a Ala dos Impossíveis, considerada por Paulo da Portela como a ala que mais deu frutos para a escola. No início dos anos 60, dirigiu o conjunto Mensageiros do Samba. Em 1957, aos 22 anos, entrou para a Polícia Civil, assumindo o cargo de Investigador. Policial severo, vivia prendendo prostitutas e malandros. Certa vez, em uma sinuca, chegou a pedir documentos a um certo rapaz que mais tarde seria conhecido como Paulinho da Viola. No dia 13 de dezembro de 1965, após abordar um caminhão e esvaziar o revólver nas rodas do veículo, foi surpreendido pelo motorista que lhe desfechou cinco tiros. Um deles alojou-se na medula óssea,

deixando-o paralítico. Logo depois, aposentou-se da polícia e passou a dedicar-se exclusivamente à carreira artística. Sua vida e sua obra transformaram-se completamente. Dono de uma personalidade rica e forte, Candeia foi líder carismático, afinado com as amarguras e aspirações de seu povo, articulando-se a várias entidades do Movimento Negro. Fiel à sua vocação de sambista, cantou sua luta através da música. Como compositor sempre defendeu a comunidade negra, coerente com seus ideais. Em 8 de dezembro de 1975 fundou o Grêmio Recreativo de Arte Negra Escola de Samba Quilombo, que deveria carregar a bandeira do samba autêntico. O documento que delineava os objetivos da nova escola dizia: "Escola de Samba é povo na sua manifestação mais autêntica! Quando o samba se submete às influências externas, a escola de samba deixa de representar a cultura de nosso povo". Tinha como objetivo o desenvolvimento de um centro de pesquisa voltado para o estudo da arte negra. Por meio da escola, a comunidade assistia todos os fins de semana, em sua quadra, a grupos de capoeira, maculelê, afoxé e apresentação de artistas como Clara Nunes, João Nogueira, Guilherme de Brito, Paulinho da Viola, entre outros. No carnaval de 1977, além de desfilar pelas ruas de Coelho Neto e Acari, encerrou os desfiles das campeãs com seus 400 componentes, entre os quais Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Xangô e Clementina de Jesus. Publicou juntamente com Isnard Araújo, em 1978, o livro “Escola de Samba, Árvore que Esqueceu a Raiz” pela Editora Lidador/Seec. Faleceu em 16 de novembro de 1978, no Rio de Janeiro. agosto de 2015 - Candeia 80 Anos – 7


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Candeia: Samba e Resistência Candeia foi um dos principais expoentes de uma geração de sambistas da Portela que surge na década de 1950. Filho de Seu Candeia, portelense antigo com livre trânsito por todos os cantos de Oswaldo Cruz, Candeia (o filho) conviveu com o samba desde criança. Ele lembrava, em seus depoimentos, da tristeza que sentia em seus aniversários. Enquanto nas festas das outras crianças havia bolo e sorvete, na dele tinha era feijoada, caipirinha, partido alto, e a grande maioria dos convidados era gente adulta, amiga de seu pai. A frustração só não era maior porque quando batia 10 horas da noite e ia para cama, Candeia ficava acordado tentando entender tudo aquilo que era cantado pelos mestres portelenses e convidados. Com essa bagagem musical, ingressou cedo na Portela, à revelia do pai. Aos 14 anos participou de seu primeiro desfile, fantasiado de mecânico. Três anos depois, em 1953, compôs com Altair Prego o samba-enredo que concorreu com o samba de Manacéia, principal compositor de samba-enredo da Portela. Candeia ganhou e seu samba levou a Portela ao campeonato daquele ano com nota dez em todos os quesitos. Ainda compôs mais cinco sambas-enredos vitoriosos na Portela. Além de sua vida na escola de samba, Candeia começou a trabalhar na polícia. Policial durão, era severo até com os próprios sambistas e amigos. Contavam que uma prostituta, após ter sido esbofeteada por ele, o rogou uma praga. No dia seguinte, Candeia foi baleado, por causa de uma discussão de madrugada no trânsito, e nunca mais andou. Essa fatalidade, ocorrida em dezembro de 1965, mudou definitivamente seu comportamento e o rumo de sua vida. Depois de um longo período tentando se recuperar física e psicologicamente do acidente, Candeia reinicia sua obra, na cadeira de rodas que o acompanhou até sua morte. É notável o quanto se ampliou o horizonte de seus objetivos no samba e de sua música. Na década de 1970, o movimento de resistência à descaracterização das escolas de samba no Rio de Janeiro encontrou em Antonio Candeia Filho seu principal líder. Juntamente com Paulinho da Viola, Carlos Monte, André Motta Lima e Cláudio Pinheiro, formulou um longo documento endereçado ao presidente da Portela, Carlos Teixeira Martins, em março de 1975, em que fazia diversas críticas às mudanças ocorridas na Portela e propondo uma série de mudanças, que iniciava da seguinte forma: “Escola de samba é Povo em sua manifestação mais autêntica! Quando se submete às influências externas, a escola deixa de representar a cultura do nosso povo. (...) Durante a década de 60, o que se viu foi a passagem de pessoas de fora, sem identificação com o samba, para dentro das escolas. O sambista, a princípio, entendeu isso como 8 – agosto de 2015 - Candeia 80 Anos

uma vitória do samba, antes desprezado e até perseguido. O sambista não notou que essas pessoas não estavam na escola para prestigiar o samba. E aí as escolas de samba começaram a mudar. Dentro da escola, o sambista passou a fazer tudo para agradar essas pessoas que chegavam. Com o tempo, o sambista acabou fazendo a mesma coisa com o desfile. (...) Consideramos que este é o momento de fazer a única evolução possível, com o pensamento voltado para a própria escola. Ou seja, corrigindo o que vem atrapalhando os desfiles da Portela, que tem confundido simples modificações com evolução. É preciso ficar claro que nem tudo que vemos pela primeira vez é novo. (...)” E o documento continuava, discorrendo ponto a ponto sobre as mudanças necessárias para o prosseguimento da escola de samba como manifestação genuinamente popular. As propostas não foram sequer discutidas dentro da Portela. A insatisfação dos sambistas era evidente. Mas o que fazer? Faltava uma proposta que pudesse dar forma a uma atitude coletiva e representasse os reais interesses dos sambistas e a retomada da linha evolutiva que vinha sendo traçada nas escolas antes da descaracterização. Mas essa proposta não tardou a chegar, e surgida dentro do próprio meio do samba. Após ver ignoradas as críticas feitas ao funcionamento de sua Portela, Candeia passou a nutrir a idéia de fundar uma nova escola. Dizia ele ao jornalista seu amigo Juarez Barroso: “Uma escola em que tudo fosse feito pelo povo. As costureiras do lugar fazendo as fantasias. Não ia ter esse negócio de figurinista de fora não. As alegorias também, tudo de lá, escolhido lá. (...) Ia ser uma escola muito bonita. Sei lá, é uma idéia”. “Estou chegando... Venho com fé. Respeito mitos e tradições. Trago um canto negro. Busco a liberdade. Não admito moldes. As forças contrárias são muitas. Não faz mal... Meus pés estão no chão. Tenho certeza da vitória. Minhas portas estão abertas. Entre com cuidado. Aqui, todos podem colaborar. Ninguém pode imperar. Teorias, deixo de lado. Dou vazão à riqueza de um mundo ideal. O amor é meu princípio. A imaginação é minha bandeira. Não sou radical. Pretendo, apenas, salvaguardar o que resta de uma cultura. Gritarei bem alto explicando um sistema que cala vozes importantes e permite que outras totalmente alheias falem quando bem entendem. Sou franco atirador. Não almejo glórias. Faço questão de não virar academia. Tampouco palácio. Não atribua a meu nome o desgastado sufixo –ão. Nada de forjadas e mal feitas especulações literárias. Deixo os complexos temas à observação dos verdadeiros


intelectuais. Eu sou povo. Basta de complicações. Extraio o belo das coisas simples que me seduzem. Quero sair pelas ruas dos subúrbios, com minhas baianas rendadas sambando sem parar. Com minha comissão de frente digna de respeito. Intimamente ligado às minhas origens. Artistas plásticos, figurinistas, coreógrafos, departamentos culturais, profissionais: não me incomodem, por favor. Sintetizo um mundo mágico. Estou chegando...” (Manifesto escrito por Candeia)

Candeia e Martinho da Vila Candeia foi reunindo os sambistas para a sua idéia. Com sua capacidade de liderança, conseguiu formar as bases iniciais para fundar a nova escola. No dia 8 de dezembro de 1975 foi inaugurado o Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo. Suas cores: branco, dourado e lilás. Esse primeiro encontro dos sambistas se realizou num terreno baldio da Rua Pinhará, em Rocha Miranda, sede que logo foi substituída. Já em janeiro de 1976 a escola se mudou para Coelho Neto, onde fez sua sede no Esporte Clube Vega, que estava em ruínas e fizera um acordo com a diretoria da Quilombo possibilitando a utilização do clube pelos “quilombolas”. Uma grande festa foi feita para inaugurar a nova sede. Lá estavam sambistas para se incorporar à Quilombo ou somente prestar seu apoio. A satisfação era geral pela concretização do espaço onde o sambista pudesse desenvolver livremente sua arte. Chegavam para se juntar a Candeia gente como Elton Medeiros, Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Nei Lopes, Wilson Moreira, Guilherme de Brito, Monarco, Casquinha e outros integrantes da Velha Guarda da Portela, Mauro Duarte, Clementina de Jesus, dona Ivone Lara, Beth Carvalho, Clara Nunes, Nelson Sargento e outros. Juarez Barroso, jornalista do Jornal do Brasil na época, bastante ligado à música popular e amigo de Candeia também aderiu à Quilombo. Na inauguração da nova escola, assim iniciava uma matéria de página inteira chamada Quilombo, nasce uma nova escola: “As escolas de samba agigantaram-se, deformaram-se à medida que se transformaram (ou pretenderam se transformar) em shows para turistas. O tema é polêmico, tratado como sempre em tom passional. Deformação ou evolução? Seria possível o retorno à pureza, ao comunitarismo dos anos 30, quando essas escolas se consolidaram? O sambista Candeia, liderando outros sambistas descontentes com a situação, prefere responder de modo objetivo. E responde com a fundação de uma nova escola de samba, Quilombos, escola que terá sede em Rocha Miranda e irá para a Avenida mostrando como era e como deve ser o samba.” Como explicava Candeia, mais do que uma escola de samba, a Quilombo seria uma escola de sambistas, que pudesse servir de alerta

às outras, assim como de referência. E nenhum de seus integrantes precisava abandonar as escolas a que pertenciam, a Quilombo não exigia exclusividade. Nei Lopes, já em 1980 no programa da TVE Tudo é música especial sobre escolas de samba – apresentado por José Ramos Tinhorão –, sintetizava: “A maioria das pessoas que estão aqui, como eu, o Martinho [da Vila], o Wilson [Moreira], a gente não deixou nossa escola de origem. A gente está pensando inclusive em levar a filosofia do Quilombo para nossas escolas de origem”. Outro fato importante era o de que a Quilombo não era somente uma escola de samba. Candeia não cansava de explicar: “É Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba. Quilombo é jongo, é capoeira, é lundu, é maracatu”. A Quilombo se propunha a resgatar a cultura negra, a cultura dos morros e subúrbios do Rio de Janeiro, a cultura trazida, transformada e recriada pelos negros do Brasil, antepassados daqueles sambistas que ali se reuniam. Havia vários grupos de danças de origem negra (jongo, maracatu, maculelê, caxambu, afoxé, samba de lenço, samba de caboclo, lundu e capoeira). Chamaram para o grupo de jongo a vovó Teresa de 113 anos, mãe de Mestre Fuleiro, que morava no Morro da Serrinha, em Madureira. A sede da Quilombo era utilizada também para encontros culturais, como as conferências sobre a contribuição negra na formação cultural do Brasil, que chegava a reunir duzentas pessoas, além de atividades que buscavam integrar ainda mais a comunidade e a escola. Numa matéria publicada na Última Hora/Revista, Candeia e Elton Medeiros definiam os objetivos da escola: “1. Desenvolver um centro de pesquisas de arte negra, enfatizando sua contribuição à formação da cultura brasileira. 2. Lutar pela preservação das tradições fundamentais sem as quais não se pode desenvolver qualquer atividade criativa popular. 3. Afastar elementos inescrupulosos que, em nome do desenvolvimento intelectual, apropriam-se de heranças alheias, deturpando a pura expressão das escolas de samba e as transformando em rentáveis peças folclóricas. 4. Atrair os verdadeiros representantes e estudiosos da cultura brasileira, destacando a importância do elemento negro no seu contexto. 5. Organizar uma escola de samba onde seus compositores, ainda não corrompidos ‘pela evolução’ imposta pelo sistema, possam cantar seus sambas, sem prévias imposições. Uma escola que sirva de teto a todos os sambistas, negros e brancos, irmanados em defesa do autêntico ritmo brasileiro”. Em 1976, a escola ainda não tinha estrutura para desfilar. Mas um animado bloco sem fantasia pôde ser visto no carnaval pelas ruas do subúrbio de Coelho Neto e Acari. Já em 1977, mesmo com muitas dificuldades, a escola desfilou nas ruas do subúrbio e fechou o carnaval na Presidente Vargas no desfile das campeãs. Sua presença agosto de 2015 - Candeia 80 Anos – 9


foi a grande novidade do carnaval e um grande sucesso segundo a imprensa. A Quilombo não se preocupava em filiar-se a entidades nem em participar de desfiles oficiais. Também não disputava campeonato. Aceitava o convite da Riotur para se apresentar na Avenida, mas não deixava de desfilar também nas ruas do subúrbio. E foi assim que em 1978 e 1979, com os enredos Ao povo em forma de arte e Noventa anos de Abolição, respectivamente, ambos os sambas compostos pela dupla Wilson Moreira e Nei Lopes, a Quilombo mais uma vez apresentou um desfile da maior qualidade e comprovava que as tais “inovações” no samba não eram necessárias para se fazer um belo carnaval. Depois do carnaval de 1978, o dinheiro que sobrou do desfile, sem ostentação, foi utilizado para comprar uniformes escolares para as crianças pobres do bairro onde ficava a sede da escola. Em 16 de novembro de 1978, Candeia morria no Hospital Cardoso Fontes, por causa de crise renal-hepática. Sua morte foi um baque na luta intensa em defesa das raízes das escolas e do samba. Houve um grande vazio na comunidade “quilombola” pois Candeia era o principal líder e organizador. O contrato com o Esporte Clube Vega foi rompido e a escola ficou sem sede. Por iniciativa de várias pessoas a sede pode voltar a existir na Fazenda Botafogo, em Acari. A escola continuou existindo na década de 80, embora com menor destaque. O legado de Candeia permanece cada vez mais vivo, na lembrança das ruas, nas rodas de samba, nas regravações de suas músicas e em espetáculos como “É samba na veia, é Candeia”. Para ouvir um pouco de sua obra genial, sugerimos começar por Axé! Gente Amiga do Samba (1978), disco em que Candeia reúne sambistas da Velha Guarda da Portela, além de Clementina de Jesus e Dona Ivone Lara para fazer uma das obras-primas do samba brasileiro. Outro registro importante é o documentário Partido Alto, de Leon Hirzman, curta-metragem finalizado em 1982, com cenas raras das rodas de samba comandadas por Candeia em sua cadeira de rodas. Recentemente, o grupo paulista Terreiro Grande se uniu a Cristina Buarque para uma emocionante homenagem em forma de shows

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(já realizados em São Paulo e no Rio de Janeiro), trazendo a obra do mestre. Outra importante homenagem a Candeia foi o premiado espetáculo É samba na veia, é Candeia. O musical, encenado inicialmente no CCBB, onde venceu concurso de dramaturgia Seleção Brasil em Cena 2007 concorrendo com cerca de 300 trabalhos inscritos, vem colecionando prêmios, reconhecimento e carinho do público (escolhido o melhor espetáculo de 2008 pelos leitores do JB). Trouxe a vida e as principais composições de Candeia também em memoráveis apresentações no Teatro Casa Grande e Sesc Tijuca (no Rio de Janeiro).

É samba na veia, é Candeia Fontes: ABRIL CULTURAL. Candeia / Elton Medeiros. Nova História da Música Popular Brasileira. Abril Cultural, 1978 AQUINO, João de et al. Eterna Chama. Candeia 20 anos de memória. Rio de Janeiro: Perfil Musical, 1998 (encarte) ARAGÃO, Diana. Quilombo, uma escola de sambistas. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20 jan 1978 BARROSO, Juarez. Quilombos, nasce uma escola de samba. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 dez 1975 CABRAL, Sérgio. As escolas de samba do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: IPLANRIO/Jorge Zahar Ed., 1996 TINHORÃO, José Ramos. Tudo é música: samba se aprende na escola. Especial Quilombo. Rio de Janeiro: TVE, 1980 (Programa de TV) VARGENS, João Baptista M. Candeia: luz da inspiração. Rio Bonito (RJ): Almadena, 2008 (3ª Edição)


Sambadatenda.musicblog.com.br/ Matéria com Selma Teixeira Candeia filha do grande Mestre Candeia "Preciso lançar uma caixa, uma coletânea com os cinco LPs de meu pai em formato de CD. Todos me cobram isso, porque não acham os registros dele. Você não acredita: já fui até roubada em casa, e várias vezes! Pego a capa, e, quando vou ver, cadê o disco? É uma loucura!", declara com humor Selma Teixeira Candeia, filha de Antônio Candeia Filho, ou apenas e sonoramente, Candeia. Dá para acreditar, sim. Seus três primeiros LPs de carreira, Candeia (1970, Equipe), Raiz (1971, Equipe) e Candeia, samba de roda (1974, Tapecar) foram relançados em CD pelo selo ABW, com a ressalva de que os dois primeiros tiveram seus nomes alterados para Samba da antiga e Filosofia do samba, respectivamente. Mesmo assim, é difícil encontrá-los em loja... Os dois últimos LPs, Luz da inspiração (1977) e Axé! Gente amiga do samba (lançado postumamente, em 1978, pela WEA), absolutos clássicos do gênero, nem mesmo saíram do formato bolacha. Para ouvir a voz de Candeia cantando suas palavras, é mais fácil mesmo "consultar" a casa da D. Selma. Como Candeia virou sambista? Este "virou" nunca fez sentido para o compositor: "Posso dizer que sou nascido e criado no samba. Nasci (em 1935) bem perto da escola de samba Portela. A casa de meus pais era um reduto de sambistas. Em meio a composições de partido-alto, sambas de terreiro, samba-canções e chorinhos. Meu pai (Antonio Candeia) tocava flauta e tinha como companheiros Paulo da Portela, Claudionor Cruz, grande violonista; Luperce Miranda, do bandolim; e Zé com Fome, marido de Zilda (...). Num meio de tanta gente ligada à nossa música popular, não encontrei dificuldades em assimilar o que já era do meu gosto", auto-biografa à revista UH, em janeiro de 1973. Apesar nascer sambista, sua história na música teve, sim, alguns marcos. Compositor desde os 12 anos, aos 14 seu pai o levou à Portela para ingressar como sócio. E foi para esta escola que, aos 17 anos, ele fez o samba que o tornou conhecido no círculo dos compositores: em 1953, os portelenses desfilaram na Praça Onze ao som de "Seis datas magnas", seu e de Althair Prego, abocanhando todas as notas máximas possíveis. Mas o campeonato da escola não foi sinônimo de sucesso imediato para Candeia. Apenas em 1965, ele veria uma música sua na boca do grande público. Foi quando Elizeth Cardoso gravou "Minhas madrugadas", parceria dele com Paulinho da Viola. E só em 1970 conseguiria gravar seu primeiro disco solo, Candeia - em 1966, já havia passado por estúdio, na Philips, como integrante do conjunto Mensageiros do Samba. Segundo ele próprio, a seca do inicio dos anos 60 era o ônus de se concorrer com a febre da jovem guarda. A partir dos primeiros anos da década de 70, no entanto, Candeia já representava referência para quem era do meio. Não é à toa que a sala

de sua casa cultivava uma significativa fila de espera. Segundo Selma, era comum que consagrados e iniciantes passassem horas o esperando levantar da cama para mostrar novas músicas, conhecer suas composições inéditas ou apenas trocar idéias musicais. E para isso não tinha dia útil ou inútil, sol ou madrugada: "Às vezes, às 4 da manhã, a gente ouvia barulho de tantan, cavaquinho no portão... Começava um corre-corre pra trocar roupa de cama, tirar a bagunça da sala e abrir a porta. Era uma vida muito engraçada", diverte-se a filha, hoje com 47 anos. Pensando o samba Candeia não era só de fazer e cantar samba; era de pensar o samba como manifestação cultural, como fenômeno em torno do qual é possível se construir uma teia social. Por isso, a partir de um determinado momento, começou a questionar a forma como se vinham configurando as organizações máximas de execução e convivência em torno do gênero: as escolas. Para ele, elas passavam por um processo de agigantamento que as fazia esquecer suas raízes, suas comunidades, suas particularidades e que as retirava seu caráter de brasilidade e de real popularidade: "Quando fazia os carros alegóricos, aquele Tiradentes vinha de cabeça de lado, meio torto, meio esquisito, mas o cara era pedreiro, estivador, e ele fazia aquilo por necessidade de se expressar. Ele retratava-se ali, era ele próprio. Quando a gente tira esse elemento e botamos o cara que faz museu, escola de belas-artes, e teve aula de aspecto visual, de cores, nem sei que, nós, em vez de estarmos incentivando a arte popular, estamos matando", refletiu em maio de 77, em entrevista à Revista Jose. Homem de ação que era, a queixa de Candeia não ficaria apenas no plano da especulação. Em dezembro de 1974, reuniu em sua casa algumas pessoas com idéias afins e o resultado pôde ser visto em no ano seguinte: na sede de um antigo clube em Coelho Neto, passou a funcionar o Grêmio Recreativo de Arte Negra e Samba Quilombo. Um de seus objetivos primordiais era o resgate de nossa origem africana - além do samba, cultivava-se jongo, afoxé, maculelê, capoeira. Preocupado com a questão racial, e sempre a pensando dentro do contexto social brasileiro, Candeia demonstrava a preocupação de que o negro tivesse sido libertado, mas continuasse marginalizado. A Quilombo foi fundada sob a liderança de Candeia e por dissidentes de outras escolas que, no entanto, não abandonaram suas organizações de origem. O próprio Candeia continuou freqüentando a Portela, e assim foi com Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Martinho da Vila e tantos outros. Avessos ao esquema comercial que tomava de assalto as escolas de samba, eles compraram a briga de passar por duras penas financeiras, o que fez com que a Quilombo chegasse a desfilar sob a batida de calota de carro, panela, pedaço de madeira. "Não importa que objeto esteja na mão de quem saiba bater", declarou certa vez. agosto de 2015 - Candeia 80 Anos – 11


Sobre uma cadeira de rodas Difícil acreditar que grande parte dessa história aconteceu sobre uma cadeira de rodas. Mas o fato ficou para o final justamente porque Candeia faria tudo o que fez "de qualquer maneira". Afinal, como dizia ele, "o homem não é só as pernas". Mulato alto (de quase dois metros), forte (praticante de ginástica), saudável (bebia e fumava pouco - "só pra tirar onda", diz Selma), fez um concurso para a Secretaria de Segurança e tornou-se detetive. Com os filhos, nem comentava a antiga profissão. Selma justifica: "ele só queria transmitir coisas boas para a gente. Já era sambista em uma época difícil e, ainda por cima, policial?!" Mas, diferente do que se pode supor, não foi a atividade na Polícia o que o levou à paralisia física. Dizem que ele era um pouco "esquentado". Esquentado, não, retruca a filha: "Ele tinha opinião". Seja como for, irritou-se quando, em 1967, um caminhão o fechou no trânsito, e chamou o motorista para briga. Após ter saído vitorioso em alguns golpes, a covardia permitiu que o oponente disparasse três tiros quando ele virou às costas. Durante alguns meses, esteve em coma. Apesar ter três anos apenas quando o incidente aconteceu, Selma lembra ainda que "como era muito pequena, não podia subir ao quarto do hospital para visitá-lo. Mas ficava lá de baixo, vendo ele de longe". Além de Selma, Candeia teve outros dois filhos, mais velhos do que ela. O do primeiro casamento, Edinho, nasceu quando o compositor tinha ainda 17 anos, e morreu um ano antes do pai, em 1977, decorrência de um acidente de trânsito. O outro filho, Jairo, foi fruto de sua segunda união, assim como Selma, e - coincidência ingrata - também foi vítima de um tiro, em 1979, mas ficou bem. O casamento dos pais durou pouco. Mesmo assim, Jairo e Selma mantiveram proximidade com Candeia desde a infância. Durante toda a adolescência, estiveram a seu lado, pois se mudaram para sua casa com o objetivo de auxiliar em seus cuidados. "Na época, eu estava tão perto dele que não tinha noção da grandiosidade do meu pai. Eu vivia aquilo, cantava os sambas dele, mas não sabia de tudo o que representava. Agora, que sou consciente do que ele fez, quero mais é preservar e divulgar sua obra. "Parte do acervo de Candeia está em posse de seus filhos, ainda que eles o tenham confiado a João Baptista Vargens (amigo do sambista e autor da biografia Candeia: a luz da inspiração, editada pela Funarte/ Martins Fontes, em 1987). Outra parte está sob responsabilidade de sua terceira e última mulher, Leonilda, que cedeu alguns itens para um Ciep em Acari que leva o nome do compositor. Mesmo que a seqüela do tiro não tenha impedido uma vida tão ativa e cheia de brilhantismos, foi ela a responsável por sua precoce morte, aos 43 anos, uma vez que detonou uma insuficiência renal e hepática. Candeia foi enterrado no Cemitério Jardim da Saudade, em Marechal Hermes, em um túmulo ao lado do de Natal da Portela. No dia 16 de novembro de 1978, 300 pessoas cortejavam cantando "Dia de Graça", e ouvindo o batuque da bateria da Quilombo. Nem no enterro 12 – agosto de 2015 - Candeia 80 Anos

de Candeia faltou samba e partido alto.


Revista Música Brasileira (Veja.com/Blog Passarela) Memória Candeia: há 75 anos nascia um mestre Por Julio Cesar de Barros - 17/8/2010 Antonio Candeia Filho nasceu no dia 17 de agosto de 1935 e morreu no dia 16 de novembro de 1978 na cidade do Rio de Janeiro. Filho de um tipógrafo que tocava flauta, o menino Candeia cresceu no meio de músicos, nas festas que seu pai promovia ao som do choro e do samba. Jovem dinâmico, Candeia tocava violão e cavaquinho, jogava capoeira e frequentava terreiros de candomblé. Vítima de uma fatalidade, foi parar numa cadeira de rodas, seguiu em frente e se tornou mentor e mito entre os sambistas. Compôs em 1953, aos 17 anos, seu primeiro samba-enredo, Seis Datas Magnas, com Altair Marinho, o Prego, levando a Portela ao título com notas dez em todos os quesitos. Foi a primeira de seis vitórias no concurso interno de samba-enredo da escola. Compôs também Festas Juninas em Fevereiro (com o irmão Valdir 59), de 1955, classificando a escola em terceiro lugar no desfile. Em 1957, o samba-enredo Legados de D. João VI (também com o irmão), levou a escola a novo título. Voltou a vencer em 1959 com Brasil, Panteão de Glórias (com Casquinha, Bubu, Valdir 59 e Picolino) e a Portela obteve mais um título no carnaval carioca. No ano do IV Centenário do Rio de Janeiro, o samba Histórias e Tradições do Rio Quatrocentãodeu à agremiação de Osvaldo Cruz a terceiro colocação. Seus sambas-enredo, no entanto, não fizeram o mesmo sucesso que seus partidos-altos, cujos refrões são cantados até hoje nos terreiros de samba de norte a sul do país. É o caso de Filosofia do Samba, gravado por Paulinho da Viola: Vem sambar Iaiá Vem sambar ioiô Iaiá, Ioiô Essas letras animam as rodas em que os cantores improvisam versos, que intercalam com o refrão. Candeia era também um mestre improvisador. Alguns de seus versos improvisados se tornaram tão famosos que foram gravados junto com refrões de terceiros, como se fizessem parte da música original. Seus dotes de partideiro foram imortalizados em três álbuns denominados Partido em 5, lançados entre 1975 e 1977, com a participação de outros quatro sambistas. No início dos anos 60, Candeia dirigiu o conjunto Mensageiros do Samba e participou do movimento de revitalização do samba promovido pelo Centro Popular de Cultura, CPC. Mas o que poderia dar em militância política gorou em 1961, quando ele entrou para a polícia. Foi um policial truculento, que acabou se afastando do convívio dos antigos companheiros. Várias vezes interrompeu rodas de samba por perturbação da ordem pública, estranhando os amigos e sua origem. Contam que certa vez chegou a prender o próprio irmão, Valdir. Certo dia enquadrou o ainda desconhe-

cido Paulinho da Viola, que jogava sinuca num bar. Numa discussão de trânsito, em 1965, desceu do carro e descarregou o revólver contra o motorista de um caminhão, que revidou, acertando-lhe um tiro na coluna vertebral. Candeia ficou paraplégico. A tragédia transformou sua vida. Ou o devolveu às suas origens. Na letra de seus sambas se podem notar os reflexos de seu sofrimento: Se eu tiver que chorar Choro cantando Pra ninguém me ver sofrendo E dizer que estou pagando E foi cantando que ele chorou. Mas Candeia ergueu a cabeça e firmou-se como líder entre os grandes sambistas cariocas. Passou a reunir a fina flor do samba em sua casa para memoráveis pagodes de fundo de quintal. O compositor e partideiro estava em plena forma e encantava a todos com bons sambas de melodia rica. Tirá-lo de casa, no entanto, foi tarefa difícil. Em cadeira de rodas, temia que sentissem pena dele. Até que um dia os amigos conseguiram fazê-lo se reencontrar com o público. Foi numa noite, no Teatro Opinião. A casa cheia de amigos e convidados, ele entrou em sua cadeira de rodas e foi cantando um samba novo, De Qualquer Maneira, ao som de um violão: Sentando em trono de rei Ou aqui nesta cadeira Eu já disse, já falei Que eu canto de qualquer maneira Quem é bamba não bambeia Digo com convicção Enquanto houver sangue nas veias Empunharei meu violão De qualquer maneira meu amor eu canto De qualquer maneira, meu encanto Eu vou cantar Poucos conseguiram conter as lágrimas. A peça É sangue na veia, é Candeia, de Eduardo Rieche, vencedora do concurso nacional de dramaturgia promovido pelo CCBB, em 2007, mostrou a cena. Candeia lutou contra a melancolia até o fim da vida, mas ela não o abandonou. Nos versos de Preciso Me Encontrar (gravado por Cartola e mais recentemente por Marisa Monte), a sombra da tragédia pessoal: Deixe-me ir, preciso andar Vou por aí a procurar Sorrir pra não chorar Quero assistir o sol nascer Ver as águas do rio correr Ouvir os pássaros a cantar agosto de 2015 - Candeia 80 Anos – 13


Eu quero nascer, quero viver Deixe-me ir, preciso andar Vou por aí a procurar Sorrir pra não chorar Em 1970 lançou seu primeiro LP, Autêntico, Samba, Original, Melodia, Portela, Brasil, Poesia, Candeia e, em 1971, um segundo disco, Seguinte…Raiz Candeia, no qual se destaca Quarto Escuro, de tom romântico e melancólico: Não acende a luz dentro do quarto Volto para os teus braços aceso de amor Deixei lá fora os meus fracassos Meus lábios contaram-me os segredos Verdade do amor sem medo A melancolia e o tom soturno dos sambas líricos de Candeia reaparecem naquele que é apontado como seu melhor disco, Axé, de 1978. Na faixa Pintura Sem Arte, ele chora: Me sinto igual a uma folha caída Sou o adeus de quem parte Para quem a vida é pintura sem arte Outra faixa desse disco, Amor Não é Brinquedo, pinta com cores fortes velhas cicatrizes: (…) Se estás procurando distração O romance terminou mais cedo Peço por favor Pra não brincar com meu segredo Verdadeiro amor não é brinquedo (…) Aos jovens que o procuravam para mostrar seus sambas, sempre dava conselhos: “Estude, sem estudo você nunca será nada na vida”. Respeitado no morro e no asfalto, Candeia foi um militante negro avesso ao preconceito de mão invertida. Jamais fez distinção entre negros e brancos, que ele sabia estarem igualados na luta pela vida. Aos cultores de africanismos e americanismos ele contrapunha estes versos: Eu não sou africano Nem norte-americano Ao som da cuíca e pandeiro Sou mais o samba brasileiro Sem radicalismos, cantou as desigualdades sociais, exaltou o samba e a cultura negra, cultuou os orixás. Mesmo não chamando para si uma missão, virou um mito, líder de uma resistência que se confundia com a oposição à ditadura militar. Mas sua preocupação maior era cultural. Convencido de que a escola de samba era uma “árvore que perdeu a raiz”, deixou a Portela, que julgava descaracterizada, e com um punhado de companheiros fundou, em dezembro de 1975, o Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo, sob a bandeira do “samba autêntico”. Candeia chegou a escrever um livro 14 – agosto de 2015 - Candeia 80 Anos

com suas críticas à forma como as escolas se apresentavam àquela altura e, de modo saudosista, indicando como saída a retomada de tradições antigas, que os sambistas por motivos os mais variados haviam abandonado. Trata-se de Escola de Samba – Árvore que Esqueceu a Raiz, Antônio Candeia Filho e Isnard Araújo, Editora Lidador, 1978. A saga da criação da Quilombo foi mostrada no documentário Eu sou o povo (2008), de Bruno Bacellar, Luiz Fernando Couto e Regina Rocha. Doce ilusão. Candeia morreu e com ele a escola, que desfilando fora das passarelas oficiais saiu pela última vez em 2003. Um núcleo remanescente ainda realizou até recentemente rodas de samba na sede, na Fazenda Botafogo, em Coelho Neto, bairro da Zona Norte carioca, e movimentou um vagão no Trem do Samba, que todo ano, por ocasião do Dia Nacional do Samba (2 de dezembro), sai da estação da Central até Osvaldo Cruz carregado de sambistas. A face dura e militante e as emboscadas do destino não conseguiram esconder o homem afável, justo e de grande sensibilidade no qual Candeia se transformou. Mais conhecido por seus sambas de partido alto, Candeia deixou uma vasta coleção de sambas líricos, menos conhecidos. Em sua curta existência de 43 anos, ele amou e soube como poucos cantar esse sentimento.


Biografia Compositor. Cantor. O pai, Antônio Candeia, era tipógrafo, flautista e integrante de comissões de frente de escolas de samba. Quando criança, na data de seu aniversário, o pai promovia uma roda de samba para os amigos adultos, regada à cachaça e a feijão. Desde os seis anos de idade, freqüentava as rodas de samba e choro, organizada por seu pai, sambista e boêmio, amigo de Paulo da Portela, João da Gente, Claudionor Cruz e Zé da Zilda. Aprendeu a tocar violão e cavaquinho e passou a participar das reuniões de sambistas na casa de Dona Ester, em Oswaldo Cruz. Por essa época, conheceu e fez amizade com vários compositores como Luperce Miranda. Também era freqüentador dos terreiros de candomblé, das rodas de capoeira e da Escola de Samba Vai Como Pode, que deu origem à Portela. Começou a compor aos 13 anos. O primeiro samba-enredo para a Portela foi "Seis datas magnas", em parceria com Altair Marinho. Com esse samba, em 1953, a escola foi campeã no carnaval daquele ano, obtendo nota máxima em todos os quesitos. Por essa época, com alguns amigos, fundou a Ala da Mocidade da Portela. Mais tarde, integrou a Ala dos Impossíveis, considerada por Paulo da Portela como a ala que mais deu fruto para a escola.

Em 2007 o texto "É samba na veia, é Candeia", de Eduardo Rieche, foi o vencedor do "Seleção Brasil em Cena 2007", concurso nacional de dramaturgia promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil. No ano seguinte o texto foi levado ao palco do CCBB com direção cênica de André Paes Leme e direção musical de Fábio Nin. Estrelado pelo ator Jorge Maya, a peça sobre a obra e a vida do compositor ficou em cartaz por vários meses, atraindo um público de cinco mil espectadores e acumulando prêmios, tal como "Melhor Espetáculo de 2008", pelo júri do Jornal do Brasil, sendo também indicado ao "Prêmio Shell 2008" nas categorias de "Melhor Texto" e "Melhor Direção Musical". No ano de 2009 a peça foi levada ao palco do Centro Cultural Veneza, em Botafogo e posteriormente estreou temporada no teatro Ôi Casa Grande, no Leblon, no Teatro Villa-Lobos, em Copacabana, ambos os bairros na Zona Sul do Rio de Janeiro. Em 2011 foi finalizado o documentário "Candeia - Sangue, Suor e Lágrimas", dirigido por Felipe Nepomuceno. Neste mesmo ano sua filha Selma Candeia (Presidente do Grêmio Recreativo de Artes Negras Quilombo) deu início à pesquisa de um livro sobre o compositor, trabalho no qual vários familiares e amigos prestaram entrevistas sobre o sambista.

Em 1957, aos 22 anos, entrou para a Polícia Civil, assumindo o cargo de Investigador. Policial severo vivia prendendo prostitutas e malandros. Certa vez, em uma sinuca, chegou a pedir documentos a um certo rapaz que mais tarde seria conhecido como Paulinho da Viola. No dia 13 de dezembro de 1965, após abordar um caminhão e ao esvaziar o revólver nas rodas do veículo, foi surpreendido pelo motorista que lhe desfechou cinco tiros. Um deles alojou-se na medula óssea. Logo depois, já paralítico, foi obrigado a afastar-se da profissão e passou a dedicar-se exclusivamente à carreira artística. Em 1978, em parceria com Isnard, lançou o livro "Escola de Samba - A Árvore que Esqueceu a Raiz", pela Editora Lidador/Seec. De acordo com o crítico Mauro Ferreira: "Tal qual Zumbi dos Palmares, Candeia era o Zumbi dos terreiros cariocas, desbravando caminhos e lutou para manter erguida a bandeira dos partidos mais altos e do orgulho negro.". Em 1987 foi publicado pela Funarte, em co-edição com a Martins Fontes, o livro "Candeia: luz da inspiração", de João Batista M. Vargem. Em 2002 foi lançado o livro "Velhas Histórias, memórias futuras" (Editora Uerj) de Eduardo Granja Coutinho, livro no qual o autor faz várias referências ao compositor. Sua vida e obra também foram temas de dois documentários em longas-metragens: "Eu sou o povo!", de Bruno Bacellar, Luís Fernando Couto e Regina Rocha) e "É Candeia", dirigido por Márcia Waltzl. agosto de 2015 - Candeia 80 Anos – 15


Dados Artísticos Iniciou a carreira artística na Portela, levado pelo compositor Alvaiade, responsável por seu lançamento e apresentação na ala dos compositores da escola. Aos 17 anos, em 1953, compôs o samba-enredo "Seis datas magnas" em parceria com Altair Marinho, sendo este o primeiro samba na história do carnaval a conseguir a nota máxima do júri. Ainda na Portela, com Valdir 59, compôs mais dois sambas-enredos. Um deles, "Festas juninas em fevereiro", de 1955, classificou a escola em terceiro lugar. No ano de 1957 compôs com Valdir 59 o samba-enredo "Legados de D. João VI" , com o qual a escola foi campeã. Neste mesmo ano, teve gravada em um 78 rpm por Luís Bandeira a sua primeira música, "Samba sincopado". O cantor ouvira a samba por acaso, nos estúdios da gravadora Sinter. No ano de 1959 compôs com Casquinha, Bubu, Valdir 59 e Picolino, o samba-enredo "Brasil, panteão de glórias", com o qual a escola se classificou no carnaval daquele ano em primeiro lugar. No início da década de 1960 participou do movimento de revitalização do samba, promovido pelo CPC (Centro Popular de Cultura) em parceria com a UNE (União Nacional dos Estudantes). Por essa época, ao lado de Picolino e Casquinha, organizou o conjunto Mensageiros do Samba que, a partir de 1964, passou a apresentar-se no Zicartola, chegando a gravar um LP pela Philips. No ano de 1965, no aniversário dos 400 anos da cidade do Rio de Janeiro, compôs com Valdir 59 "Histórias e tradições do Rio Quatrocentão", com o qual a Portela se classificou em terceiro lugar no desfile daquele ano. Neste mesmo ano, Elizete Cardoso, no LP "Elizete sobe o moro", interpretou de sua autoria "Minhas madrugadas" (c/ Paulinho da Viola). No ano seguinte, Paulinho da Viola regravou a composição. Em 1970 lançou o LP "Candeia", o primeiro disco individual, no qual interpretou de sua autoria "Samba da antiga", "Viver", "Chorei, chorei", "O pagode", "Prece ao sol", "A volta", "Paixão segundo eu", "Dia de graça", "Outro recado" (c/ Otto Enrique Trepte "Casquinha"), "Sorriso antigo" (c/ Aldecy), "Coisas banais" (c/ Paulinho da Viola) e "Ilusão perdida" (c/ Otto Enrique Trepte "Casquinha"). No ano seguinte, pela mesma gravadora, lançou o LP "Raiz". No disco incluiu de sua autoria "Filosofia do samba", "Vem é lua", "A hora e a vez do samba", "Quarto escuro", "Regresso", "Saudação a Toco Preto", "De qualquer maneira", "Imaginação" (c/ Aldecy), "Minhas madrugadas" (c/ Paulinho da Viola), "Saudade" (c/ Arthur Poerner), "Vai pro lado de lá" (c/ Euclenes) e ainda "Silêncio tamborim", de autoria de Anézio e Wilson Bombeiro. Em 1972, juntamente com Hiram Araújo, foi o autor do enredo "Ilu Ayê - A Terra da Vida". A Portela se classificou em terceiro lugar com o samba-enredo do mesmo nome, de autoria de Cabana e Norival Reis. Em meados da década de 1970, afastou-se da Portela. No ano de 1974, Clara Nunes gravou "Sindorerê". Neste mesmo ano, o crítico Ricardo Cravo Albin incluiu seu samba "Dia de graça" no oitavo e último LP da série "MPB - 100 Anos - Ao Vivo", contando a história da MPB, gravado ao vivo na Rádio MEC. O samba foi interpretado por Elza Soares, acompanhada de Abel Ferreira e seu conjunto. Ainda em 1974, Elizete Cardoso, no LP "Feito em casa", incluiu de sua autoria "Peso dos anos", parceria com Walter Rosa. Em 1975, pela gravadora Tapecar, lançou o LP 16 – agosto de 2015 - Candeia 80 Anos

"Samba de roda", no qual adaptou e interpretou diversos motivos folclóricos da Bahia, entre os quais "Capoeira: Ai, Haydê", "Paranauê", "Maculelê: Sou eu, sou eu", "Não mate homem", "Olha hora Maria", "Candomblé: Deus que lhe dê" e "Salve! Salve!", além da faixa-título "Samba de roda: Porque não veio", também um desses motivos baianos. No disco também incluiu composições de sua autoria, entre elas "Brinde ao cansaço", "Alegria perdida" (c/ Wilson Moreira), "Sinhá dona da casa" (c/ Netinho), "Acalentava", "Samba na tendinha", "Não tem veneno" (c/ Wilson Moreira), "Eskindôlelê" e ainda "Já clareou" (Dewett Cardoso), "Conselhos de vadio" (Alvarenga) e "Camafeu" (Martinho da Vila). Neste mesmo ano participou do disco "Partido em 5 - volume 1", ao lado de Joãozinho da Pecadora, Anézio, Wilson Moreira, Velha e Casquinha. Ainda em 1975, ao lado de Hélio Nascimento, Anézio, Velha, Casquinha e Wilson Moreira, gravou o LP "Partido em 5 volume 2", no qual foram incluídas de sua autoria "Batuque feiticeiro", "História de pescador" e "Luz da inspiração". Participou também do LP "Partido de primeira", no qual interpretou "Samba na tendinha", "Já clareou" e "Olha a hora, Maria". Neste mesmo ano, Clara Nunes gravou um sucesso de sua autoria, "O mar serenou", e Alcione, no LP "A voz do samba", incluiu duas composições de sua autoria, "História de pescador" e "Batuquei no feiticeiro". Em 1977 Clara Nunes gravou no LP "As forças da natureza", a composição "PCJ - Partido da Clementina de Jesus", interpretada em dueto com Clementina de Jesus. Neste mesmo ano, ao lado de Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Elton Medeiros, gravou o disco "Os Quatro grandes do samba", no qual foram incluídas de sua autoria "Expressão do teu olhar", interpretada pelo autor e ainda "Não vem" (assim não dá), interpretada junto com Elton Medeiros, Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho e uma terceira faixa, "Sou mais o samba", cantada em dueto com Dona Ivone Lara. Com o sucesso do LP, foi montado o show homônimo no Teatro Clara Nunes, também com grande sucesso. Neste mesmo ano lançou o disco "Luz da inspiração" interpretando de sua autoria "Olha o samba sinhá", "Vem menina moça", "Nova escola", "Luz da inspiração", "Cabocla Jurema" e "Falso poder", além de outras composições em parceria, tais como "Me alucina" (c/ Wilson Moreira), "Era quase madrugada" (c/ Casquinha), "Riquezas do Brasil" c/ Waldir 59) e ainda "Pelo nosso amor" (Cartola), "Maria Madalena da Portela" (Aniceto do Império) e "Já curei minha dor", de Padeirinho da Mangueira. No ano de 1978 lançou o que foi considerado seu melhor disco, "Axé! Gente amiga do samba". No LP, com arranjos de João de Aquino, incluiu "Vivo isolado do mundo", composição de autoria de Alcides Malandro Histórico, geralmente creditada a autoria a Candeia, dado ao enorme sucesso da música naquela época. No disco também interpretou "O invocado" (Casquinha), "Beberrão" (Aniceto do Império e Mulequinho), "Ouço uma voz" (Nelson Amorim) e "Ouro desça do seu trono", de Paulo da Portela. Ainda no LP, incluiu de sua autoria as faixas "Dia de graça", "Gamação", "Pintura sem arte", "Mil reis" (c/ Noca da Portela), "Amor não é brinquedo" (c/ Martinho da Vila), "Zé Tambozeiro" (c/ Vandinho), "Peixeiro granfino" (c/ Bretas) e "Vem amenizar", em parceria com


Waldir 59. Neste mesmo ano, Beth Carvalho interpretou "Você, eu e a orgia", parceria com Martinho da Vila. No ano seguinte, em 1979, no LP "Clementina e convidados", Clementina de Jesus gravou "Tantas você fez", em dueto com Cristina Buarque. A cantora Renata Lu no LP "Tô voltando" regravou "Mil-réis". Alcione, neste mesmo ano, regravou "Dia de graça" no LP "Gostoso veneno", gravada anteriormente por Elza Soares. Clara Nunes, no disco "Esperança", incluiu duas composições suas em parcerias com Jaime: "Ê, favela" e "Minha gente" e, em 1980, interpretou no LP "Brasil mestiço", duas outras composições de sua autoria: "Dia a dia" (c/ Jaime) e "Regresso". Em 1981Alcione regravou "Pintura sem arte". Dois anos depois, em 1983, Beth Carvalho gravou "Sabão"(c/ Alvarenga) no disco "Suor no rosto". No ano seguinte, em 1984, Alcione interpretou "A luz do vencedor", parceria com Luiz Carlos da Vila. Foi homenageado pela Escola de Samba Unidos do Jacarezinho em 1986, com o enredo "Candeia, luz de inspiração", com o qual a escola foi promovida para o grupo principal. No ano seguinte, em 1987, Cristina Buarque gravou "Morro do sossego" (c/ Arthur José Poerner). Neste mesmo ano de 1987 o escritor, pesquisador e ex-diretor da Escola de Samba Portela João Batista M Vargens lançou o livro "Candeia: Luz da inspiração" (Rio de Janeiro: Editora Martins Fontes/Funarte. Coleção MPB volume 20), livro no qual perpassou a vida e a obra do compositor, listando, também, algumas composições inéditas do sambistas, entre as quais "Apoteose musical" (c/ Walter Rosa), "Cruel decepção" (c/ Walter Rosa), "Celeiro de heróis" (c/ Casquinha), "Atendendo o apelo" (c/ Casquinha), "Data maravilhosa" (c/ Casquinha e Waldir 59), "Vou partir" (c/ Casquinha), "Fim de romance" (c/ Casquinha), "Estado da Guanabara" (c/ Catoni), "Rio de Janeiro I" (c/ Catoni), "Rio de Janeiro II" (c/ Catoni), "Samba livre" (c/ Wilson Moreira), "Magna beleza" (c/ Waldir 59), "Sem razão" (c/ Waldir 59), "Não é bem assim" (c/ Waldir 59), "Meu ser" (c/ Waldir 59), "Por que não vens?" (c/ Waldir 59), "Lamento de uma raça" (c/ Waldir 59), "Mera ilusão" (c/ Altair Prego), "Cansaço" (c/ Paulinho da Viola), "Faz de conta", "Miragens do deserto" e "Amor não é pecado". Em 1988, aos dez anos de seu falecimento, a Funarte prestou-lhe homenagem lançando um disco com 11 composições suas: "O último bloco", "Anjo moreno", "Criança louca", "Testamento de partideiro", "Réu confesso" (c/ Casquinha e Davi do Pandeiro), "Indecisão" (c/ Casquinha), "Seis datas magnas" (c/ Altair Prego), "Peso dos anos" (c/ Walter Rosa), "Quero estar só" (c/ Wilson Moreira), "Portela é uma família reunida" (c/ Monarco), "Não vou te perdoar" (c/ Wilson Moreira) e "Morro do Sossego" (c/ Arthur Poerner). Beth Carvalho também lhe prestou homenagem no LP "Alma brasileira", interpretando de sua autoria "Olha a hora, Maria" e "Gamação". No ano de 1993 a gravadora Warner Music lançou pela coleção "Mestre da MPB" o CD "Candeia", no qual foram compilados alguns de seus sucessos, entre os quais "Dia de graça", "Pintura sem arte" e "Amor não é brinquedo", parceria com Martinho da Vila. No disco também foram incluídas algumas de suas interpretações para composições de amigos: "Maria Madalena da Portela" (Aniceto do Império), "Vivo isolado do mundo" (Alcides Malandro Histórico), "Ao povo em forma de arte" (Wilson Moreira e Nei Lopes) e "Beberrão", de Aniceto do Império e Mulequinho. No ano de 1995 Martinho da Vila, no CD "Tá delícia, tá gostoso", o homenageou com

o pot-pourri "Em memória a Candeia", interpretando "Dia de graça", "Filosofia do samba", "De qualquer maneira", "Peixeiro grã-fino" e "Não tem vencedor". No ano seguinte, Zeca Pagodinho e a Velha-Guarda da Portela, no disco "Deixa clarear", prestaram uma homenagem ao mestre, cantando o samba "Vivo isolado do mundo", de autoria de Alcides Dias Lopes (Alcides Malandro Histórico). No ano posterior, em 1996, Paulinho da Viola, no disco "Bebadosamba", interpretou "O ideal é competir" (c/ Casquinha). No ano seguinte, em 1997, Mart'nália, no disco "Minha cara", incluiu de sua autoria a composição "A flor e o samba". Dois anos depois, o disco "Homenagem Eterna chama/ Candeia", trouxe as parcerias de Marquinhos de Oswaldo Cruz e Candeia na música "Luz de verão", resgatada de uma fita cassete gravada por Cristina Buarque na casa de Candeia, na década de 1970. O CD "Eterna Chama/Candeia", ainda destacou a participação especial de João de Aquino, que fez a direção musical e atuou como violonista, e de Cristina Buarque na faixa " Vem pra Portela" (c/ Coringa). Neste mesmo disco outros intérpretes lhe prestaram homenagem: Beth Carvalho ('Pintura de arte' e 'O mar serenou'), Zeca Pagodinho ('Expressão do teu olhar'), Martinho da Vila ('Eterna paz', em parceria com o homenageado), Dona Ivone Lara ('Peixeiro grã-fino'), Nelson Sargento ('Peso dos anos'), Monarco e a Velha-Guarda da Portela ('Portela, uma família reunida') e Zé Luiz Mazziotti, em "Preciso me encontrar", canção composta por Candeia a pedido do falecido jornalista e escritor Juarez Barroso. Esta mesma canção foi gravada com grande sucesso pela cantora Marisa Monte, filha Carlos Monte, ex-diretor da Portela. Em novembro de 1998, no Canecão, foi lançado o CD em homenagem a Candeia com a presença de amigos, parceiros e admiradores de sua obra. No ano 2000, a cantora Dorina regravou "Me alucina" no disco "Samba.com". Neste mesmo ano o parceiro Casquinha lançou o primeiro disco, no qual incluiu a música "Tantos recados", parceria de ambos, com participação especial de Aldir Blanc. Ainda neste ano, Luciana Mello, no disco "Assim que se faz", pela gravadora Trama, incluiu "O mar serenou" e seu parceiro Waldir 59 participou do disco "Ala de Compositores da Portela", CD no qual foi incluída uma de declamação de Waldir 59 de parte da letra do samba-enredo "Riquezas do Brasil" (Candeia e Waldir 59). No ano de 2001 o sambista Agrião (Jorge Fernando Ribeiro Trindade) incluiu "A volta", de sua autoria, no disco "Samba vadio". No ano posterior, em 2002, Zeca Pagodinho no disco "Deixa a vida me levar", incluiu de sua autoria "Riquezas do Brasil". Ainda em 2002, o grupo Fundo de Quintal gravou o disco "Cacique de Ramos e convidados", no qual foram incluídas de sua autoria "Samba da antiga", "Olha o samba, Sinhá" e "A flor e o samba", todas com participação especial de Zeca Pagodinho. Ainda neste ano, Teresa Cristina incluiu "Coisas banais", parceria com Paulinho da Viola, no disco "A música de Paulinho da Viola". Em 2003 Alcione, no disco "Alcione ao vivo 2", incluiu de sua autoria "Profecia". Neste mesmo ano, "O mar serenou" foi interpretada por Wilson Moreira no disco "Um ser de luz - saudação à Clara Nunes". No ano seguinte, em 2004, a cantora Tereza Gama lançou o CD "Aos mestres com carinho" (Selo Rio Fonográfico), no qual interpretou de sua autoria "Gamação". No ano de 2005, em São Paulo, vários amigos lhe prestaram homenagem em show no Sesc Pompeia, entre os quais Paulinho da Viola e Wilson agosto de 2015 - Candeia 80 Anos – 17


Moreira. Por essa época a gravadora Warner relançou em CD dois elepês do compositor. No ano de 2009 Cristina Buarque e Terreiro Grande, apesentaram-se no Espaço FECAP, em São Paulo, no qual fizeram homenagem ao compositor carioca Candeia. Na ocasião foi lançada a terceira edição do livro "Candeia, luz da inspiração" (Editora Almádena, aumentada e contendo um CD com mais de duas dezenas de músicas inéditas), de João Batista M. Vargens. O espetáculo foi gravado ao vivo e no ano seguinte, em 2010, foi lançado o CD "Terreiro Grande e Cristina Buarque cantam Candeia" em show no Bar do alemão, reduto do samba e choro da cidade de São Paulo. No CD foram incluídas várias composições inéditas, entregues pelo próprio Candeia à cantora anos antes, e algumas regravações, destacando-se as faixas "Canção da liberdade", "Falsa inspiração", "Os lírios", "Que me dão para beber", "Vida apertada" (c/ Casquinha), "Miragens do deserto", "Já sou feliz", "Não é bem assim" (c/ Waldir 59), "Magna beleza" (c/ Waldir 59), "Amor oculto" (c/ Picolino), "Não se vive só de orgia" e "Deixa de zanga". Do encarte do disco, escrito por João Batista M. Vargens, destacamos o seguinte trecho: "Entre os seletos compositores da Música Popular Brasileira, está, sem dúvida, Antônio Candeia Filho. Versátil, Candeia explora, com maestria, as três grandes vertentes da música das escolas de samba do Rio de Janeiro: o partido-alto, o samba de terreiro e o samba-enredo, além de enveredar, com reconhecida competência, por outras searas de matizes afro-brasileiros, como o jongo, o caxambu, o maculelê, o afoxé, o samba-de-roda e por aí afora". Lançado no ano de 2011 pelo Selo Discobertas, do pesquisador Marcelo Fróes, em convênio com o Selo ICCA (Instituto Cultural Cravo Albin),, o box "100 Anos de Música popular Brasileira" é integrado por quatro CDs duplos, contendo oito LPs remasterizados. Inicialmente os discos foram lançados no ano de 1975, em coleção produzida pelo crítico musical e radialista Ricardo Cravo Albin a partir de seus programas radiofônicos "MPB 100 AO VIVO", com gra-

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vações ao vivo realizadas no auditório da Rádio MEC entre os anos de 1974 e 1975. Paulinho da Viola interpretou no CD volume 7 "Filosofia do samba" (Candeia) e "Minhas madrugadas" (Paulinho da Viola e Candeia) e Elza Soares no mesmo CD (volume 7) gravou a faixa "Dia de graça", também de autoria de Candeia. Neste mesmo ano de 2011 o Selo Discobertas, do pesquisador Marcelo Fróes, relançou em CD três elepês emblemáticos da obra do compositor: "Autêntico - Samba original melodia Portela Brasil poesia - Candeia" (1970), "Raiz" (1971) e "Candeia, samba de roda" (1975). Ainda em 2011 o compositor foi homenageado, pela passagem de seus 76 anos, no projeto "Música na Arlequim", da Livraria Arlequim, no Paço Imperial, na Praça XV, no Rio de Janeiro. Da homenagem prestada fizeram parte uma mesa redonda, com depoimentos sobre a vida e obra do autor, composta por Adelzon Alves, Noca da Portela, Marcelo Fróes, Waldir 59 e Aglaise Silva e Souza como mediadora. Foi exibido o filme "Partido Alto", dirigido por Leon Hirszman (1974), apresentação da cantora Nina Wirtti, acompanhada pelo violonista de sete cordas Rafael Mallmith, além do show com a cantora Selma Candeia (filha do compositor), acompanhada pelo grupo o grupo Roda de Samba do Quilombo de Candeia, integrado por Luiz Henrique (violão), Alan Rocha (cavaco e voz), Márcia Moura (percussão e voz), Sílvia Drufieyer (percussão e voz), Peterson (surdo) e as pastoras Wilma Boss e Vânia Araújo. No ano de 2014 a cantora Teresa Cristina estreou no Circo Voador, no Rio de Janeiro, o espetáculo "Tributo a Candeia", apresentado na Arena Carioca Fernando Torres, no Parque de Madureira, onde se fez uma roda de samba em homenagem ao compositor, cuja renda foi direcionada ao Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo, que teve alagada sua sede no ano anterior. O grêmio foi presidido por sua filha Selma Candeia. Neste mesmo ano de 2014 Paulinho da Viola também lhe prestou homenagem desfilando com o Bloco Carnavalesco Timoneiro executando somente composições do homenageado.


Obra

• A flor e o samba • A hora e a vez do samba • A luz do vencedor (c/ Luiz Carlos da Vila) • A paz no coração (c/ Davi do Pandeiro) • A volta • Acalentava • Alegria perdida (c/ Wilson Moreira) • Amor não é brinquedo (c/ Martinho da Vila) • Amor não é pecado (inédita) • Amor oculto (c/ Picolino) • Anjo moreno • Apoteose musical (c/ Walter Rosa) inédita • Atendendo o apelo (c/ Casquinha) inédita • Batuquei no feiticeiro • Brasil, panteão de glórias (c/ Valdir 59, Casquinha, Bubu e Picolino) • Brinde ao cansaço • Cabocla Jurema • Canção da liberdade • Candomblé: Deus que lhe dê (Folclore - Adpt. Candeia) • Cansaço (c/ Paulinho da Viola) inédita • Capoeira: Ai, Haydê (Folclore - Adpt. Candeia) • Celeiro de heróis (c/ Casquinha) inédita • Chorei, chorei • Coisas banais (c/ Paulinho da Viola) • Criança louca • Cruel decepção (c/ Walter Rosa) inédita • Data maravilhosa (c/ Casquinha e Waldir 59) inédita • De qualquer maneira • Deixa de zanga • Dia a dia • Dia de graça • Ê, favela (c/ Jaime) • Era quase madrugada (c/ Casquinha) • Eskindolelê • Estado da Guanabara (c/ Catoni) inédita • Eterna paz (c/ Martinho da Vila) • Expressão do teu olhar • Falsa inspiração • Falso poder (Ser ou não ser) • Faz de conta (inédita) • Festas juninas em fevereiro (c/ Valdir 59) • Filosofia do samba • Gamação • História de pescador • Histórias e tradições do Rio Quatrocentão (c/ Waldir 59) • Ilusão perdida (c/ Otto Enrique Trepte "Casquinha") • Imaginação (c/ Aldecy) • Indecisão (c/ Casquinha) • Já clareou • Já sou feliz • Lamento de uma raça (c/ Waldir 59) inédita

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• Legados de D. João VI (c/ Valdir 59) • Luz da inspiração • Luz de verão (c/ Marquinhos de Oswaldo Cruz) • Maculelê: Sou eu, sou eu (Folclore - Adpt. Candeia) • Magna beleza (c/ Waldir 59) • Me alucina (c/ Wilson Moreira) • Mera ilusão (c/ Altair Prego) inédita • Meu dinheiro não dá (c/ Catoni) • Meu ser (c/ Waldir 59) inédita • Mil reis (c/ Noca da Portela) • Minha gente do morro (c/ Jaime) • Minhas madrugadas (c/ Paulinho da Viola) • Miragens do deserto • Morro do sossego (c/ Arthur José Poerner) • Não é bem assim (c/ Waldir 59) inédita • Não mate, homem (Folclore - Adpt. Candeia) • Não se vive só de orgia • Não tem veneno (c/ Wilson Moreira) • Não vem (assim não dá) • Não vou te perdoar (c/ Wilson Moreira) • Nova escola • O ideal é competir (c/ Casquinha) • O mar serenou • O pagode • O último bloco • Olha hora Maria (Folclore - Adpt. Candeia) • Olha o samba sinhá (Samba de roda) • Os lírios • Os partideiros • Outro recado (c/ Otto Enrique Trepte "Casquinha") • Paixão segundo eu • Paranauê (Folclore - Adpt. Candeia) • PCJ (Partido Clementina de Jesus) • Peixeiro grã-fino (c/ Mano Bretas) • Pelo nosso amor • Peso dos anos (c/ Walter Rosa) • Pintura sem arte • Por que não veio (Samba de roda - adaptação) • Por que não vens? (c/ Waldir 59) inédita • Portela é uma família reunida (c/ Monarco) • Prece ao sol • Preciso me encontrar • Profecia • Quarto escuro • Que me dão para beber • Quero estar só (c/ Wilson Moreira) • Regresso • Réu confesso (c/ Casquinha e Davi do Pandeiro) • Rio de Janeiro I (c/ Catoni) inédita • Rio de Janeiro II (c/ Catoni) inédita • Riquezas do Brasil (Brasil poderoso) (c/ Waldir 59) • Sabão (c/ Alvarenga) • Salve! Salve! (Folclore - Adpt. Candeia) 20 – agosto de 2015 - Candeia 80 Anos


• Samba da antiga • Samba de roda: Porque não veio (Folclore - Adpt. Candeia) • Samba livre (c/ Wilson Moreira) inédita • Samba na tendinha • Samba sincopado • Saudação a Toco Preto • Saudade (c/ Arthur José Poerner) • Seis datas magnas (c/ Altair Marinho "Prego") • Sem razão (c/ Waldir 59) inédita • Sindorerê • Sinhá dona de casa (c/ Netinho) • Sorriso antigo (c/ Aldecy) • Sou eu, sou eu (Adaptação do maculelê) • Sou mais o samba • Tantas você fez • Tantos recados (c/ Casquinha) • Testamento de partideiro • Vai de saudade (c/ Davi do Pandeiro) • Vai pro lado de lá (c/ Euclenes) • Vem amenizar (c/ Valdir 59) • Vem é lua • Vem menina moça • Vem pra Portela (c/ Coringa) • Vem, menina- moça • Vida apertada (c/ Casquinha) • Viver • Você, eu e a orgia (c/ Martinho da Vila) • Vou partir (c/ Casquinha) inédita • Zé Tambozeiro [Tambor de Angola] (c/ Vandinho)

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Discografia • • • • • • • • • • • • • • • • •

(1998) Eterna chama/Candeia • Perfil Musical • CD (1997) Candeia, Aniceto do Império, Mestre Marçal e Velha-Guarda da Portela • Funarte/Atração Fonográfica • CD (1997) Raiz - Filosofia do samba • Copacabana Discos • CD (1997) Candeia - Samba da antiga • Copacabana Discos • CD (1993) Mestre da MPB - Candeia • Warner Music • CD (1988) Candeia • Funarte • LP (1978) Axé! Gente amiga do samba • Atlantic/WEA • LP (1978) Candeia e Elton Medeiros. Coleção Nova História da Música Popular Brasileira • Abril Cultural (1977) Luz da inspiração • Atlantic/WEA • LP (1977) Partido em 5 volume 3 • Tapecar • LP (1977) Quatro grandes do samba (c/ Elton Medeiros, Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho) • RCA Victor • LP (1975) Samba de roda • Tapecar • LP (1975) Partido em 5 volume 1 • Tapecar • LP (1975) Partido em 5 volume 2 • Tapecar • LP (1971) Raiz • Gravadora Equipe • LP (1970) Autêntico - Candeia • Gravadora Equipe • LP (1964) Mensageiros do Samba • Gravadora Philips • LP

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Candeia  
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