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Digitalizado por: jolosa


Tradução do original em alemão: “Gebet und Erweckung” publicado pela Editora “Mittemachtsruf”, Zurique, Suíça Tradução: Ingo Haake

Obre Missionária Chamada da Meia-Noite Rua Ereehlm, 978 - R Nonoai Porto Alegre-RS/Brasil ISBN: 1 11810 0714 N ú m m para pedidos: 19329

impraaao am oficinas próprias r “Mae, A meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! sai ao seu encontro” (Mt 25.6). A “Obra Missionária Chamada da Meia-Noite^’ é uma missão sem fins lucrativos, que crê em toda a Bíblia como infalível e eterna Palavra de Deus (2 Pe 1.21). Sua tarefa é alcançar todo o m undo com a mensagem de salvação em Jesus Cristo e aprofundar os cristãos no conhecimento da Palavra de Deus, preparando-os para a volta do Senhor.


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7 introdução.............................................................. Para que somos chamados? ....................................... 9 Sete aspectos da oração........................................... 12 Como é preparado o caminho para a oração vitoriosa? ... 16. As condições para que a oração possa ser ouvida 21 O que o Senhor quer v e r .......................................... 25 É a oração em angústia sempre atendida? .................... 28 O que significa orar com perseverança?...................... 31 Contradições na Palavra de Deus? ............................... 35 Resistências na oração............................................... 38 A oração em nome de Jesus ...................................... 42 45 Orar a partir do conhecimento de Deus....................... O louvor é importante?............................................. 51 O altar restaurado.................................................... 55 . Quer Deus dar mesmo um despertamento? ................. 61 As leis divinas básicas para um despertamento............. 70 78 O caminho para um despertamento............................ Como começa um despertamento?............................. 85 Três níveis do despertamento..................................... 93 'Despertamento entre o povo de Deus......................... 96 Uma solene condamação ao despertamento................ 106


Introdução A base deste livro é a expressa promessa de Deus em sua Palavra de que ele está disposto a dar despertamento e o fato de que repe­ tidamente, pela graça de Deus, pudemos ver e experimentar a rea­ lização da sua promessa divina. Mesmo assim evitamos conscien­ temente relatar experiências de despertamento na vida pessoal ou em reuniões e campanhas, pois o relato de experiências de des­ pertamento é sempre subjetivo. Em outras palavras: nosso Deus é onipotente e convém-lhe fazer grandes coisas, pois ele é grande em sua ilimitada multiplicidade. Ele nunca se repete! Por isso, re­ latos sobre despertamentos podem ser inspiradores, agradáveis e revigorantes, sim, um estímulo para buscá-los, mas considero que também nesse aspecto a própria Escritura tem o maior sig­ nificado. Pois se nos firmarmos somente na Palavra de Deus, e com base nessa Palavra insistirmos diante da face de Deus por -um despertamento, evitaremos o perigo da imitação. Deus quer reve­ lar-se em tua vida bem individualmente, de uma maneira gloriosa e nova, como nunca antes. Por isso é nosso pedido sincero a Deus, do qual Jesus Cristo disse que “Ele não é Deus de mortos, e sim, de vivos”, que através dessas simples explanações seja produzi­ do um movimento em direção ao Senhor em muitos corações, para que o nome do Senhor ainda seja louvado através de um desper­ tamento nestes tempos finais. 0 presente livro foi montado com pregações que transmiti em reu­ niões. Por isso, certas afirmações da Sagrada Escritura são ilu­ minadas sob diferentes pontos de vista nos diversos capítulos. *

Pfâffikon (Zurique) / Su^íça, fevereiro de 1972.


Para que somos chamados? “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade: porém não useis da liber­ dade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Am arás o teu pró­ xim o com o a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos ou­ tros, vede que não sejais m utuam ente destruídos. Digo, porém: A n d a i no Espírito, e jamais satisfareis à concupiscência da carne Porque a carne milita contra o Espírito, eoEspírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o queporventúra seja do vosso querer. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei” (G15.13-18). Oração e despertamento estão inseparavelmente ligados. Onde ocorre des­ pertamento, lá se orou, e onde se ora em espírito e em verdade, lá necessa­ riamente acontece despertamento. Se esse não é o caso, então não se orou direito. Se acontece um despertamento que não produz frutos perm anen­ tes, então não se trata de um despertamento genuíno. Se lermos Gálatas 5.13 atentamente, então a pergunta: para que somos cha­ mados, já está respondida. Para que somos, portanto, chamados como fi­ lhos de Deus? Para a liberdade! O apóstolo Paulo igualmente diz isso: “a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8.21). Uma pessoa que nasce de novo, fica liberta da escravidão do pecado e do jugo da lei, e alcança a maravilhosa li­ berdade dos filhos de Deus. Eles são livres da pressão e da maldição dalei, livres da culpa, filhos e filhas livres do Deus vivo. Mas Paulo indica também o perigo do abuso dessa liberdade, pois essa liberdade em Cristo Jesus po­ de realmente ser muito mal utilizada: ".. porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne” (G15.13). O que devemos então fazer com essa m ara­ vilhosa liberdade no Senhor Jesus? Podemos simplesmente viver a nós mes­ mos? Não! Nessa passagem nos é dada uma' clara resposta a essa pergun­ ta. A liberdade que temos através do Senhor e no Senhor, deve estar subor­ dinada ao Espírito de Deus. “Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei” (G15.18). Portan­ to, não somos nós que dispomos livremente da nossa liberdade, mas o Es­ pírito de Deus. Se bem que isso é dito rapidamente, para nós é claro que pre­ cisa acontecer também na prática. Tòdos nós, sem excessão, somos em nossa carne pertinazes adversários do controle do Espírito Santo sobre nossa vida. 9


O que temos, esse tabernáculo corporal, é somente pecado. A Bíblia chamao de carne: “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que porventura seja do vosso querer” (G15.17). N a nossa vida domina ou o Espírito ou a carne. Por que com alguns filhos de Deus demora tanto até acontecer um a clara tom ada de posse do Espírito Santo? N a política encontram os m ate­ rial m uito esclarecedor para entender isso. Muitos povos têm dificulda­ des de governo, porque não existe um partido político que disponha de maioria. N a vida de muitos filhos de Deus nunca acontece um a clara tom a­ da do poder pelo Espírito Santo, porque no coração de tantos nunca acon­ tece um a decisão da m aioria pelo Espírito de Deus. Essa é então também a razão dos constantes altos e baixos, da divisão interior. Sentimentalmente sempre existem altos e baixos. A respeito disso nada podemos fazer, pois estamos expostos a diferentes influências, como, por exemplo, o tempo. Mas que nos deixamos determinar por isso é porque o Espírito de Deus não nos governa. Tua divisão interior existe porque diferentes poderes, como orgu­ lho, inveja, teimosia, bisbilhotice ou outras obscuras paixões tentam sempre novamente tom ar o poder em tua vida. O Espírito Santo não domina à for­ ça! Ele quer governar, mas se nós duvidamos, ele retira-se. Se o Espírito San­ to não pode governar no coração de um filho de Deus, isso tem por conse­ qüência não somente divisão interior, mas também exterior. Filhos de Deus espirituais e carnais não combinam, e um dia tem que acontecer um a sepa­ ração: “Se vós, porém, vos mordeise devorais uns aos outros, vede que não sejais m utuam ente destruídos” (G15.15). “M order e devorar” pode acon­ tecer tam bém em pensamentos, através de rancor, crítica e desconfiança. Desse modo, porém, a vida na fé é uma canseira constante. É o que se vê com muitos filhos de Deus. O discipulado de Jesus torna-se um grande esforço para eles, e isso é justamente o contrário de Gálatas 5.18: “Mas, se sois guia­ dos pelo Espírito, não estais sob a lei’.’ Se o Espírito de Deus pode governarnos, não existe obrigação nem canseira no discipulado de Jesus, mas m a­ ravilhosa bem-aventurança. Se nos governa o Espírito, também nos governa o Senhor: “Ora o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade” (2 Co 3.17). // \ U m hom em cujo coração é governado pelo Espírito Santo tem a maravi­ lhosa liberdade de ir até ao trono de Deus em oração. Justam ente aí temos um a indicação até que ponto o Espírito de Deus realmente domina em nós. Muitos oram carnalmente; eles procuram por palavras bonitas e acham que ^ se orarem por longo tempo, será ainda mais bonito. ^ % Alguns outros acham que devem oral-em palavras especialmente piedo­ sas. M as se o Espírito de Deus dom ina em nosso coração, torna-se verda10


deiro o que diz Romanos 8.26: porque não sabemos orar com o con­ vém, mas o m esm o Espírito intercede p o r nós sobremaneira com gemidos inexprimíveis”. Nossa vida de oração diante do trono de Deus tem força de penetração e autoridade na m edida em que o Espírito de Deus nos do­ mina. Assim como existe um espírito de medo, que nos arrasta para bai­ xo, há um espírito de liberdade, que através do sangue de Jesus nos eleva e conduz à presença de Deus. “Porque a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te livrou da lei do pecado e da m orte” (Rm 8.2). Existem duas leis: a lei do pecado e da m orte em meus membros, o m au “eu”, que sempre me arrasta para baixo, e a lei do Espírito, que vivifica em Cristo Jesus. Qual . lei é mais forte? Repito: isso depende a quem entregamos o domínio, a quem damos voluntariamente o governo. Desse modo, não é nosso esforço que é decisivo, mas quem nos governa, a quem damos o poder em nossa vida. U m a oração sem o domínio do Espírito Santo em nossa vida per­ manece sempre paralisada, sem força e egocêntrica. Tal oração não pode romper o “eu”, pois o “eu” continua assentado no trono. Mas quando do­ m ina o Espírito de Deus podemos orar sacerdotalmente. Então podemos enfrentar o inimigo de m aneira real e chegar-nos diante do Pai como fi­ lhos e filhas de Deus; esquecemos nosso “eu” e fazemos aquilo que Ju ­ das diz em sua epístola: oramos no Espírito Santo. Talvez ficaste paralisado. Pois esse é o objetivo do diabo. N ão queres ex­ perimentar de maneira completamente nova o poder da oração? Pois que­ remos orar fiel e perseverantemente. Se fizermos isso, Deus abre o céu e m ostra-nos coisas, das quais ainda não sabíamos nada: “Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei cousas grandes e ocultas, que não sabes” (Jr 33.3). Se começamos a orar por algo bem concreto no Espírito Santo, en­ tão o Senhor m ostra o atendimento em um a medida tão maravilhosa, da qual não tínham os noção. Falo do que sei e experimento. Por isso estou convencido que o Senhor tem bênçãos preparadas, das quais não temos a menor idéia, pois Deus nunca se repete. Por esse motivo nunca devemos com parar histórias de despertamentos umas com as outras, dizendo: “O despertamento lá foi assim e assim, conseqüentemente tem que ser assim tam bém conosco!’ÍDeus nunca faz duas vezes exatamente a mesma coi­ sa, pois sua misericórdia renova-se todas as m anhãs] Nossa única preo­ cupação deve ser que oremos no Espírito Santo, que o Espírito Santo te­ nha o domínio em nossa vida. Se realmente quiseres isso, então realiza uma clara entrega do poder: não eu, mas Jesus Cristo, não a carne, mas o Es­ pírito. Não o diz somente com os teus lábios — isso é muito fácil, mas não interessa ao Senhor — , mas com atos no dia-a-dia, diante dos teus parentes e colegas.

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Sete aspectos da oração “Responde-me quando clamo, ó Deus da minha justiça; na angústia m e tens aliviado; tem misericórdia de m im e ouve a minha oração” (SI 4.1). Davi pede ao Senhor que o ouça no m omento em que ele clama. Ele cer­ tamente não sabia que o Senhor faz ainda mais, pois está escrito: an­ tes que clamem, eu responderei” (Is 65.24). Devemos conscientizar-nos que o Senhor já tem preparado o atendimento aos nossos pedidos, antes mes­ mo que eles estejam em nosso coração. Se realmente é verdade que o Es­ pírito Santo ora através de nós (Rm 8.26), então não se trata de pedidos nossos, mas de assuntos de Deus, que ele gostaria de realizar. Se, portan­ to, o Espírito Santo pode orar através de nós, então o atendimento é ga­ rantido. Por essa razão nunca pode-se falar o suficiente a respeito do que a oração realmente é. Observemos sete aspectos da oração:

1. A disposição de aceitar “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; por­ que não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26). O Espírito San­ to transmite-nos, portanto, aquilo que Deus quer dar-nos. Conseqüente­ mente, devemos estar dispostos a receber o Espírito Santo. Muitos repli­ carão, que já temos o Espírito Santo. Isso está correto, desde que sejamos renascidos, pois ninguém pode chamar Jesus de Senhor, a não ser pelo Es­ pírito Santo. Mas não estamos cheios do Espírito Santo. Por isso é neces­ sária sempre novamente a disposição de aceitar uma nova plenitude do Es­ pírito Santo, que Deus tem preparada. Como manifesta-se essa disposi­ ção? “Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, estando entre elas Maria, m ãe de Jesus, e com os irmãos dele” (A t 1.14). Essa é a base, a disposição, para podermos receber o Espírito Santo. Es­ tar interiormente receptivo, esse é o princípio.

2. A disposição para a completa veracidade Não tem sentido realizar reuniões de oração, se todos não estiverem dis­ postos a serem completamente verdadeiros, “aproximemo-nos com sin­ cero coração..!’ (Hb 10.22). Também o apóstolo João cita isso: “Filhinhos, não am em os de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade. E nisto conheceremos que somos da verdade, bem como perante ele (em oração), tranqüilizaremos o nosso coração” (1 Jo 3.18-19). O apóstolo quer dizer 12


o seguinte com isso: se estamos completamente na verdade e vivemos e fa­ zemos aquilo que dizemos crer, então podemos tranqüilizar nosso cora­ ção diante dele em oração. Chegaremos então ao descanso nele, que é a verdade, e somos capazes de perseverar na oração e no combate. Muitos filhos de Deus não conseguem entrar no santuário interior, porque a porta está fechada para eles. Sem bem que conseguem dizer sua oração, eles fi­ cam aliviados quando podem dizer “amém”. H á algo bloqueado em ti, porque não estás disposto à veracidade completa?

3. A disposição para crer “Crer” é hoje um conceito que soa muito gasto, porque se vê fé em tão pou­ cos crentes. E mesmo assim ela é algo vivo, pois pela fé pode-se alcançar tudo. “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessá­ rio que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6). Isso está intimamente ligado com a disposição para a veracidade. Se não existe a disposição para a ver­ dade em meu coração, tenho correspondentemente pouca fé, pois a fé em meu coração tem a mesma intensidade do que a verdade em mim. Tam­ bém em Hebreus 10.22 vê-se essa relação: “aproximemo-nos, com since­ ro coração, em plena certeza de fé..!’ Em outras palavras: somos incapa­ zes de crer, se não somos verdadeiros. Se eu procuro o Senhor e realmen­ te quero encontrá-lo de todo o coração, mas meu coração ainda está pre­ so em outras coisas, porque aquilo que digo em m inha oração não é ver­ dade, então essa oração não tem poder de penetração, pois se sou um men­ tiroso não posso crer. Ainda há grandes áreas adiante de nós, que pode­ ríamos ocupar, pois tudo é possível ao que crê. Como podemos apropriarnos delas? N a oração! Não é muitas vezes interessante: oramos por des­ pertamento e muitas outras coisas, e quando se dá o atendimento, conti­ nuamos incrédulos? Vemos isso bem claramente também com a primei­ ra igreja. “Pedro, pois, estava guardado no cárcere; mas havia oração in­ cessante a Deus p o r parte da igreja a favor dele” (A t 12.5). Suas súplicas por Pedro foram ouvidas. Como eles reagiram a isso? “Quando ele bateu no postigo do portão, veio uma criada, chamada Rode, ver quem era; re­ conhecendo a voz de Pedro, tão alegre ficou, que nem o fez entrar, mas vol­ tou correndo para anunciar que Pedro estava junto ao portão. Eles (a igreja em oração) lhe disseram: Estás louca ” (A t 12.13-15). Aí vê-se a medida da fé! Eles simplesmente não podiam crê-lo. “Então disseram: É o seu anjo” (A t 12.15). Aí está a razão porque não avançamos. Em todo o país existem tantas reuniões de oração e mesmo assim não há despertamen­ to, não há ruptura, porque falta a disposição de receber, a disposição pa­ ra a completa veracidade e a disposição de ter fé. Esses três fatos estão li­ gados como um a corrente e acrescenta-se ainda um quarto: 13


4. A disposição de deixar-se julgar Esse é um ponto um pouco delicado. Não existe nada que prove mais o co­ ração do que a oração. Posso dizer isso por experiência própria. Quando oramos, vamos para a santa presença de Deus e somos iluminados até ao íntimo. Tudo é revelado, e se existe um empecilho, Deus não aceita que so­ mente digamos: “Senhor, se houver algo..!’ Essa é um a desculpa barata.» Se existe algo, o Senhor põe seu dedo em cima e m ostra-nos a razão por­ que não podemos avançar. É o que vemos em Josué 7: “Então Josué ras­ gou as suas vestes, e seprostrou em terra sobre o seu rosto perante a arca do Senhor até à tarde, ele e os anciãos de Israel; e deitaram p ó sobre as suas cabeças” (Js 7.6). Devemos estar dispostos a deixar-nos julgar. “Então disse o Senhor a Josué: Levanta-te; p o r que estás prostrado assim sobre o teu rosto?” (Js 7.10). Quando saimos do palavreado piedoso, da conversa pie­ dosa, e avançamos, então haverá tam bém a disposição de nos deixarmos julgar. É preciso que em m inha vida sejam julgados orgulho, inveja, ciú­ mes, ódio ou caráter irreconciliável? Não tem sentido freqüentar um a reu­ nião de oração, se não existe essa disposição. Verdadeira oração é dispo­ sição de ser julgado.

5. A disposição para a reconciliação Uma característica do cristão dos tempos finais é seu caráter irreconciliável (2 Tm 3.3). Se não perdoarm os de todo o coração às pessoas que têm al­ go contra nós, então o Senhor fechará o céu sobre nós. A respeito ele fa­ lou claramente a nós. Se não estamos dispostos a perdoar outras pessoas, deveríamos parar de orar. Tens algo contra alguém injustamente? Podese ter algo contra um a outra pessoa e mesmo ser culpado. Também pode-se ter algo contra alguém por antipatia, então se é culpado. Mas se reajmente tens algo contra alguém que te causou alguma injustiça, e oras, então per­ doa-o. “E, quando estiverdes orando, se tendes alguma cousa contra al­ guém, perdoai, para que vosso pai celestial vos perdoe as vossas ofensas” (Mc 11.25). Temos que conscientizar-nos que o padrão com o qual medi­ mos as pessoas, tam bém é aplicado a nós: “e perdoa-nos as nossas dívi­ das, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (M t 6.12). Não tem sentido orar por despertamento, se não estivermos dispostos a avan­ çar até ao cerne, de modo que o Senhor vivo possa revelar-se, derramar seu Espírito e dar despertamento. Devemos dedicar-nos completamente, se­ não ficamos mornos, e nossas reuniões de oração transformam-se em pie­ dosa associação de oração. O m undo procura por pessoas como eram os discípulos: pessoas cheias do Espírito Santo, que são claras e verdadeiras, de fé firme e reconciliadas. Então podemos orar, e o Senhor responderá: “Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da im ­ 14


piedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e des­ pedaces todo jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e se vires o nu, o cu­ bras, e não te escondas do teu semelhante? Então romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda; então clamarás, e o Senhor Çeres­ ponderá; gritarás p o r socorro, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o dedo que ameaça, o falar injurioso” (Is 58.6-9). Aqui nos é mostrado o caminho para o despertamento. Estamos disposto a segui-lo?

6. A disposição de receber Mas não podemos simplesmente receber. João acrescenta ainda alguma coisa: “E aquilo que pedimos, dele recebemos, porque guardamos os seus m andam entos e fazem os diante dele o que lhe é agradável” (1 Jo 3.22). Com isso ele não diz nada mais que: o im portante é a obediência. Esses diferentes aspectos estão intimamente relacionados; na verdade eles são um todo: disposição de aceitar, para a verdade, para a fé, para ser julga­ do, para a reconciliação. Então fazes o que Ele te pede. A vida de uma pes­ soa que é obediente e ora dessa maneira, fica indizivelmente rica, e ela di­ rá com Davi: “m eu cálice transborda”, e pode jubilar com Paulo: “Ben­ dito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (E f 1.3). Nós pedimos muito, mas não recebemos. Por que não temos poder para receber? Ficou Deus tão duro, é seu braço muito curto, de modo que não pode ajudar? Não, não! Mas tu não fazes o que ele diz! Tu não queres obedecer, tu não queres vir para a Verdade completa, tu não queres per­ doar e por isso não podes estar firme na fé.

7. A disposição para uma tarefa bem nova, mundial, gloriosa Lembro aquilo que o Senhor disse ao seu servo Ananias, quando enviou-o a Saulo de Tarso: “Então o Senhor lhe ordenou: Dispõe-te, e vai à rua que se chama Direita e, na casa de Judas, procura por Saulo, apelidado de Tar­ so; pois ele está orando” (A t 9.11). Quando esse homem orou, Deus teve condições de dar-lhe a tarefa que tem seus resultados mundiais até ao dia de hoje. Após sua conversão, Saulo de Tarso deve ter orado de todo o co­ ração, pois ele disse: “Senhor, que queres que faça?” (A t 9.6; Ed. Rev. e Corr.), e entregou completamente sua vontade ao Senhor. Também para nós o Senhor tem um a nova tarefa, se orarmos assim e ma­ nifestarmos nossa disposição. 15


Como é preparado o caminho para a oração vitoriosa?

“De onde procedem guerras e contendas, que há entre vós? De onde, se­ não dos prazeres que militam na vossa carne? Cobiçais, e nada tendes; m a­ tais e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras. Nada * tendes, porque não pedis; pedis, e não recebeis, porquepedism al, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tg 4.1-3). Para filhos de Deus que se reunem regularmente com outros renascidos para a oração, é importante.provar um a vez bem sóbria e objetivamente se es­ sa reunião de oração realmente tem sentido. H á mesmo alguma promes­ sa para tal célula de oração ou reunião de oração? O Senhor ouve e tam ­ bém responde? Com base na Palavra de Deus, eu diria que toda promessa na Palavra de Deus também tem uma chave. Essa chave chama-se obediência de fé. Antes de fazermos outra coisa, temos que utilizar essa “chave da obediência de fé”. Portanto, essa chave não se chama somente fé, mas obediência de fé. Acabamos de ler: “pedis, e não recebeis”. Por que essa impotência, essa incapacidade de receber? O apóstolo João exclama em sua primeira epís­ tola: “e aquilo que pedimos, dele recebemos” (1 Jo 3.22a). Temos, portanto, de maneira bem prática o poder de receber na fé. Mas em Tiago 4 é dito algo bem diferente: “pedis, e não recebeis”. E por que não? Porque o m o­ tivo do coração não é puro e claro: “porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres’.’ Em outras palavras: o motivo do coração de vocês não é Jesus e Jesus somente! Olhemos somente quatro coisas que necessariamente devem ser removi­ das, se filhos de Deus querem orar juntos em harm onia interior e unani­ midade, de modo que possam ser ouvidos e que aconteça algo para a honra e glorificação do Senhor. Que pequeno grupo de discípulos era aquele que junto com as mulheres e os parentes orava num cenáculo em Jerusalém antes de Pentecoste! Creio que eram somente poucos, mas o lugar tremeu e Deus respondeu m ara­ vilhosamente. Por quê? Porque eles haviam removido todos os empecilhos. 16


Creio que o espaço que ainda é ocupado pela nossa carne, pelo nosso “eu”, tem que ser preenchido com Cristo. É o que vemos pelo final do terceiro versículo de Tiago 4: “ .. para esbanjardes em vossos prazeres”. Teorica­ mente todos conhecemos bem o estar crucificado com Cristo. Também sa­ bemos que está escrito em Gálatas 2.19-20: “Porque eu, mediante a pró­ pria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse vi­ ver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, quem eam ou e a si mesmo se entregou por m im ’.’Mas se esse “estou crucificado com Cris­ to” não é um fato bem prático e efetivo em nossa vida, então nunca po­ deremos pedir de modo que recebamos. Pois então nunca poderemos pedir com autoridade para que o Senhor nos ouça. O Senhor procura pessoas que realmente perseveram na oração. Isso não quer dizer que se deve’orar muito tempo num a reunião de oração. Podes fazer isso no quarto. Mas ele procura aqueles que se apresentam diante dele na fé de tal maneira que ele possa responder imediatamente. Se lermos atentamente o livro de Atos, en­ tão vemos que aquelas reuniões de oração tiveram resultados bem dife­ rentes do que as nossas: “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo..’.’ (A t 4.31). É esse o caso conosco? Visto de modo geral, não é o caso. Não há despertamento. Cul­ pados disso não são o m undo m au e os tempos ruins, mas nosso ser inquebrantado: “Cobiçais, e nada tendes; matais e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras!’ E a conseqüência? “Nada tendes, porque não pedis” (Tg4.2). Portanto: primeiro aceitar Gólgota, primei­ ro estar realmente crucificado com Cristo. O “eu”, nosso próprio ser, é o inimigo interior que tem que ser vencido. Em segundo lugar: “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7). Penso que devemos começar primeiro em nós mesmos, com nossa carne pecaminosa, e somente depois falar no inimi­ go exterior. Atribuím os ao diabo muitas coisas que se devem à carne, ao m au caráter e ao ser pecaminoso. Mas isso é errado. Primeiro nosso ser precisa ir para a cruz! Somente então podemos reconhecer o que e quem é o inimigo. Pois o inimigo somente vem quando nos dedicamos totalmen­ te. Mas a Palavra de Deus nos exorta: “resisti ao diabo”! Ou, em outras palavras: resiste à obsessão. Obsessão não é a mesma coisa que posessão. Obsessão significa que um a pessoa é envolta por poderes das trevas, que lhe instilam maus pensamentos blasfemos. Trata-se de poderes que, por exemplo, deixam um filho de Deus sempre cansado ou aparentam cansaço, quando ele quer orar. Não enfrentas toda vez um a luta para ir à reunião de oração? Não precisas toda vez vencer-te quando queres orar com per­ severança em teu quarto? Não encontras sempre um a desculpa, que estás sendo muito atacado, que és indigno, que estás te sentindo mal ou que tra17


balhaste demais, ou ainda tens muito a fazer? Tem-se tantas desculpas plausíveis, que finalmente descuida-se da oração. És tal pessoa que ora es­ poradicamente? Deus olha para a fidelidade! É Satanás que está atrás de todas essas desculpas e quer afastar-te da oração. Vejo isso também em mi­ nha vida de oração pessoal, como o inferno movimenta tudo para que de m odo nenhum eu ore com perseverança. Posso fazer tudo mais: pregar, ler, ditar, prestar assistência espiritual. Mas o que não posso é orar! Mas quando não oramos, entramos no círculo vicioso de muito trabalho — can­ saço — não orar — ainda mais trabalho — ainda mais cansaço — orar ain­ da menos. Se pelo contrário nos voltamos em 180 graus e oramos mais, então isso tem por conseqüência que temos mais força e menos trabalho. Repentinamente tudo corre esplendidamente. Por quê? Esse era o segre­ do do profeta Elias: “Tão certo com o vive o Senhor, Deus de Israel, pe­ rante cuja face estou...” (1 Rs 17.1). Elias não era fanático. Se m ontarmos um a biografia sua com base na Bíblia, veremos que esse homem apare­ cia raramente. Portanto, ele fez pouco quantitativamente, mas qualitati­ vamente ele realizou coisas grandiosas, de modo que aparece como um a coluna no Plano de Salvação. Não é em vão que justamente ele aparece­ rá mais um a vez com Moisés. Por quê? Ele era um homem de oração, e isso também podia ser percebido, pois ele tinha autoridade. Nesse contexto lembro de algo que nunca mais esquecerei. No ano de 1948 eu estava na Escola Bíblica Beatenberg (Suíça), onde se realizava a 1! Con­ ferência M undial de Jovens para Cristo Internacional. Com 400 outros americanos veio também um homem mais idoso. Esse homem era dos Gideões, mas esqueci-me do seu nome. Mas a ele mesmo nunca mais esque­ cerei. Se bem que nunca o ouvi falar em público, mas quando se batia à sua porta para chamá-lo para o chá, ele respondia: “I’m sorry, I’m praying” (Desculpe, estou orando). Q uando se passava pelo corredor junto ao seu quarto, não se ouvia nada, m as percebia-se a sagrada presença de Deus. Ele era visto muito pouco, mas sua personalidade impressionou-me, pois ele era um homem de oração. Não deve acontecer algo novo tam bém em tua vida? Não deve haver um a limpeza também em tua vida, pára que estejas em condições de resistir ao inimigo? Se o coração não está purificado, se o “eu” não foi entregue na morte de Jesus, então não temos autoridade. Mas a Palavra de Deus exorta: “resisti ao diabo”. Resiste à obsessão, resiste a essas más influências do mundo invisível. Se resistimos a Satanás, então logo fica livre o caminho para a oração: “... resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus e ele se chegará a vós outros’.’ Portanto, a seqüência não é: chegai-vos a Deus e ele se chegará a vós, resisti ao inimigo, e ele fugirá de vós. Não! Pri­ meiro temos que resistir vitoriosamente ao Maligno em nome de Jesus, e 18


somente então ele foge. Mas então terás poder de penetrar até no Santuário interior. O terceiro ponto que eu gostaria de citar são as pedras. Lemos dessas pe­ dras em Isaías 62.10: “Passai, passai pelas portas”. O que significa isso? N ada mais que: passem pela porta, para o Santuário. Mas imediatamen­ te é acrescentado: “preparai o caminho ao povo”. Quem passa pelas por­ tas, prepara o caminho ao povo, para que chegue ao Senhor! “aterrai, ater­ rai a estrada, limpai-a das pedras, arvorai bandeira aos povos!” Que indizível plenitude está oculta nesse versículo! Primeiro a exortação à ora­ ção: passa pela porta, passa pela porta da vitória para o santuário, para a Jerusalém superior. Mas ao mesmo tempo: prepara o caminho ao po­ vo. Somente poucos filhos de Deus são verdadeiros preparadores do ca­ minho para o povo, somente poucos são capazes de orar vitoriosamente. Se numa reunião de oração não existe um poder compacto de oração, então não se pode esperar que acontecerá algo. Finalmente preparemos o cami­ nho para o “povo”, para nosso próximo, pela oração, para que sejam des­ pertados. Sempre achamos que eles somente são despertados se nós dis­ tribuímos folhetos. Se bem que atividade é bom e muito necessária, mas como é o resultado quando não oramos? “Pedi, e dar-se-vos-á”, prometeunos o Senhor, “aterrai, aterrai”, isso significa: não fica tu mesmo impe­ dindo o caminho! Talvez tu, esposa crente, és justamente o empecilho para teu marido incrédulo, a razão porque ele não pode chegar à fé. “Limpaia das pedras”. Nesse contexto lembro o Salmo 84.5, onde é dito tão m a­ ravilhosamente: “Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados. ” Deixa-me fazer-te a per­ gunta concreta: há caminhos aplanados em teu coração para a oração vi­ toriosa? Ou tropeça-se sobre teu caráter duro como pedra? Retira as pedras do orgulho, da hipocrisia, da impureza, e deixa haver caminhos aplanados em teu coração. O Senhor quer deixar fluir sua bênção através de nós! Quando passamos pela porta, preparamos o caminho para as pessoas à nossa volta e retiramos as pedras, então finalmente estaremos também em condições de arvorar um a bandeira aos povos. Isso também está escrito nes­ se versículo de tão rico conteúdo, em Isaías 62.10: “... arvorai bandeira aos povos!” Isso não significa nada mais que: realiza missão mundial! Encontramos o quarto ponto no versículo 12 de Oséias 10: “... arai o cam­ po...” É um fato profundam ente abalador, que muitos filhos de Deus não querem fazer um a nova aração. As velhas pedras das faltas permanecem no coração e não são tiradas pelo arado nem expostas à luz. Pois quem hoje é capaz de dizer “Perdoa-me” ou “Não foi correto de m inha parte”? Quem tem ainda hoje o poder de reconciliar-se? Fala-se e passa-se por cima das coisas, e as pedras permanecem no coração e não são arrancadas pelo ara­ do! 19


Esses quatro pontos são tão importantes, que no final vamos recapitulálos rapidamente: 1. A carne tem que ser levada para a cruz, pois carne e sangue não podem herdar o reino de Deus. 2. Resiste ao inimigo, e ele fugirá de ti, chega-te a Deus, e ele se chegará a ti. 3. Faz com que haja caminhos aplanados em teu coração! 4. Ara o campo de novo! O Senhor te dê graça para fazer isso agora, para que possa atingir seu al­ vo contigo e através de ti, e possa vir um despertamento!

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As condições para que a oração possa ser ouvida prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu D eus” (A m 4.12b). Se pensarmos a respeito do que realmente significam os dois conceitos “oração e despertamento”, podemos resum ir a definição em um a frase: eles significam encontro com o Deus vivo! Justamente disso necessitamos tanto, pois o encontro com o Deus vivo através da oração, em si já é des­ pertamento, isto é, despertamento pessoal. Quanto mais intenso é esse encontro com o Senhor, tanto mais esse despertamento pode espalhar-se. Para um encontro com Deus são necessárias três condições: primeiro, tens que tomar tempo. Sofremos dé crônica falta de tempo, pois nossa vida é tão cheia. Mas tem os que tomar o tem po para a oração, mesmo quando tudo se opõe a isso. Pois normalmente é assim que justamente no momento em que queremos orar, lembramos de algo importante, que deveríamos fazer primeiro. Possivelmente algo im portante deve ser deixado em favor do tempo de oração. Mas nunca será algo tão im portante quanto o tem­ po que passas diante do Senhor! Q uando alguém começa a orar seriamente e a buscar a face de Deus, ele é pressionado por poderes invisíveis a dizer “amém” o mais rapidamente possível e a parar. Mas aí lembro a palavra deEclesiastes8.3: “N ão te apresses em deixar a presença dele”. Se realmente quisermos chegar até diante da face de Deus, toda nossa vida de fé con­ siste de “deixar”, sacrificando-se sempre o importante pelo ainda mais im­ portante. Já na vida prática diária observamos quantas pessoas desper­ diçam seu tempo com coisas secundárias e deixam de fazer o essencial. Se o fizermos em nossa vida espiritual, isso é ainda m uito mais trágico. Falo por experiência própria, pois me encontro no meio dessa luta. É grande o perigo de desperdiçar tempo e forças, possivelmente até em coisas espi­ rituais, de maneira que o principal fica ameaçado de não ser feito: o en­ contro com o Deus vivo. Somente posso viver, servir e pregar, se sempre novamente encontro o Deus vivo. Se esse não é o caso, fico correndo em ponto-morto. Se tu não encontras teu Deus, também acabas em ponto-m orto, e ficas mal hum orado e desanimado. Se juntássemos todos aqueles que já freqüentaram nossas reuniões de oração, há muito tempo não teríamos mais lugar em nosso salão. Mas muitos desses irmãos per­ deram o entusiasmo e o espírito do primeiro ampr, porque não tinham mais um encontro real e essencial com Deus. Mas agradecemos a Deus pe­ 21


los novos que vieram orar em seu lugar. Se quisermos exercitar-nos na ora­ ção vitoriosa, devemos diariamente tomar tempo para retirar-nos a um lu­ gar silencioso. Tomar tempo não significa ficar deitado até que se esteja completamente acordado, e então ainda ler rapidamente um versículo bí­ blico e orar. Não, tomar tempò significa permanecer durante tanto tem­ po diante da face do Senhor, até que possas dizer: Eu O encontrei, ou seja, Ele me encontrou. O Senhor prometeu: “Buscar-me-eis, e m e achareis, quando m e buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós..!’ (Jr 29.13-14a). A segunda condição para um encontro com Deus é um lugar bem deter­ minado. Naturalmente podes orar em qualquer lugar, por exemplo, na co­ zinha, na rua, no ônibus, no automóvel, etc. Mas é muito importante um lugarzinho determinado, onde vais orar regulafmente. Encontramos a pro­ va bíblica em Mateus 6.6, onde o Senhor Jesus diz, entre outros: “Tu, p o ­ rém, quando orares, entra no teu quarto..!’; portanto, não em qualquer quarto, mas no teu quarto. E então: “... e, fechada a porta, orarás a teu Pai que está em secreto!’ A porta fechada é de eminente importância espiri­ tual. Pois a porta fechada tem duplo efeito: ela exclui e encerra. É preciso estar realmente sozinho para experimentar que nunca se está só. Na m as­ sa, no falatório e nas conversas, no correr e no apressar-se, tornam o-nos solitários e como crateras queimadas. A conseqüência disso é um a terrível solidão espiritual. Mas se tivermos a coragem de fechar a porta, então o Senhor revela-se a nós. Em Gênesis 32.24 está escrito algo importante de Jacó: “ficando ele só; e lutava com ele um h om em ”. Antes Jacó sempre estava junto com sua mulher, com seus filhos e filhas, com os servos e o gigantesco rebanho, e tudo era sempre movimentado. Mas quando veio en­ tão a aflição sobre ele, ele ficou sozinho, e no mesmo momento, quando ficou sozinho (neotestamentariamente: quando fechou a porta atrás de si), lutava com ele um homem. Aí ele teve um encontro decisivo com Deus. Somente naquele momento o Senhor pôde revelar-se a ele. Quer sejas idoso ou moço, nunca é muito tarde para um encontro com o Senhor. Ele faz tudo novo, pois assim está escrito no Salmo 103.5: “quem farta de bens a tua velhice, de sorte que-a tua mocidade se renova com o a da águia!’ Tal encontro com o Senhor é algo m uito precioso. É im portante que para es­ se encontro nos afastemos das pessoas e proctiremos um lugar silencio­ so. Quanto mais pudermos afastar-nos das pessoas, tanto mais experimen­ taremos a presença de Deus e tanto mais nos tornarem os capazes de ou­ vir a sua voz. É como quando telefonamos: dois irmãos falavam ao tele­ fone, e apesar da ligação estar perfeita, um deles queixava-se sempre no­ vamente que não entendia o outro. Então esse lhe disse: “Fecha a porta da sala, então poderás entender-me.” — Pensa nesse exemplo, se procu­ ras um encontro com o Senhor, pois a porta fechada é essencial. 22


Uma terceira condição para poder encontrar a Deus é: em tua oração nunca descuida da Palavra de Deusl Nunca podes orar vitoriosamente, nunca chegar até diante da face de Deus, se antes não O. ou vires falar. Não po­ demos simplesmente falar a êsmo quando oramos. Pode ser que tenhas primeiro que ficar em silêncio por meia hora, para ler a Palavra. Em Isaías 55.2-3a lemos: “Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão: e o vosso suor naquilo que não satisfaz..!’ Em outras palavras isso quer dizer: vo­ cês se lançam sobre o trabalho, mas mesmo assim não ficam interiormente satisfeitos. O que temos que fazer então? O Senhor diz: “Ouvi-me aten­ tamente, comei o que é bom, e vos deleitareis com finos manjares, Incli­ nai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá.” Por­ tanto: primeiro ouvir a Palavra e somente então falar. Na verdade nossos olhos são nesse caso nossos ouvidos, pois nós lemos a Palavra. “Fala Se­ nhor, porque teu servo ouve”, sempre novamente disseram e praticaram os homens de Deus na Bíblia. Eles ouviam primeiro o que o Senhor que­ ria dizer-lhes: “O Senhor Deus m e deu língua de eruditos, para que eu saiba dizer boa palavra ao cansado. Ele m e desperta todas as manhãs, despertam e o ouvido para que eu ouça com o os eruditos. O Senhor Deus m e abriu os ouvidos, e eu não fui rebelde, não m e retraí” (Is 50.4-5). Não precisa­ mos de língua de eruditos somente para dar testemunho e para falar com os cansados, mas também na oração, para que possamos orar com auto­ ridade. Somente tens autoridade se deixaste que Deus “despertasse” teu ouvido, se ele pôde falar-te. A Bíblia nos fala sobre algumas poderosas pes­ soas de oração que foram escolhidas pelo Senhor. Penso em Daniel e Noé, mas também naqueles homens que o Senhor cita em Jeremias 15.1 dian­ te do profeta e aos quais atribui um predicado único: “Disse-me, porém, o Senhor: A inda que Moisés e Samuel se pusessem diante de m im , meu coração não se inclinaria para este povo; lança-os de diante de m im , e saiam!’ Moisés e Samuel haviam sido extraordinários homens de oração, que tiveram muitos atendimentos. Moisés teve que aprender durante qua­ renta anos no silêncio do deserto a ouvir a voz do Senhor. Quando ele che­ gou então ao ponto de poder ouví-la, e deixou que Deus lhe falasse, ele pô­ de trabalhar para o Senhor com poder. Samuel também foi tal homem de Deus. Já como criança ele tinha aprendido a distinguir a voz do Senhor das outras. Pois crianças são m uito receptivas para a voz de Deus. O que crianças ouvem e vêem em nossas famílias, é de enorme significado para todo o resto das suas vidas. Samuel ainda era um menino pequeno, quando já dorm ia no santuário e aprendeu a distinguir a voz do Senhor daquela do seu superior. No princípio ele havia achado que Eli o chamava, e por isso dirigiu-se a ele algumas vezes quando ouviu o chamado “Samuel, Sa­ muel!” Finalmente Eli, o sumo sacerdote, lhe disse: “Vai deitar-te; se al­ guém te chamar, dirás: Fala, Senhor, porque o teu servo ouve” (1 Sm 3.9). O resultado foi que depois todo o Israel, de Dã a Berseba, reconheceu que 23


Samuel era um homem com quem Deus falava; e o resultado de Moisés ter ouvido o Senhor, foi que todo o Israel tremia diante desse homem. Esses homens da Bíblia nada mais fizeram do que ouvir e então falar com Deus, eles dialogaram com Deus. O Senhor falava com Moisés como um ho­ mem fala com seu amigo, isto é, face a face, e por isso ele tinha grandiosa autoridade. Um encontro com o Deus vivo torna-nos realmente indepen­ dentes das ondas do dia-a-dia, que pretendem jogar-nos para o alto e pa­ ra baixo. Alcançamos um a tranqüilidade elevada, de modo que a paz de Deus domina em nossos corações. Um encontro com Deus produz um des­ pertamento real em teu e em meu coração, e espalha-se rapidamente. Quan­ to mais intenso é o encontro com Deus, tanto m aior é o efeito.

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O que o Senhor quer ver “Pois ele está orando” (A t 9.11b). Essas quatro palavras são de conteúdo muito rico. O próprio Senhor as disse a Ananias, quando lhe ordenou que fosse a Saulo de Tarso. Ele lhe descreveu também onde poderia encontrá-lo, isto é, na rua chamada “Di­ reita”. Lá estava o Saulo cego, do qual o Senhor diz: “... ele está orando!’ Essa indicação clara e concreta do Senhor deixa-nos reconhecer como a oração é importantíssim a aos olhos de Deus. E com esse “... ele está oran­ do” o Senhor também já invalidou todas as objeções que Ananias apre­ sentou depois. Paulo é um a prova de como orações podem m udar idéias e pessoas. O Senhor bem sabia que Ananias e todos os cristãos em Damas­ co tinham medo de Saulo. Ele sabia também que Saulo era culpado da morte de muitos, e que havia ajudado a m atar Estêvão. Mas ele diz dele: “... ele está orando”. Não devemos, entretanto, deixar de considerar que não se trata da oração em si, pois existem orações e orações. Ananias fica admiradíssimo quando recebe a ordem de ir a Saulo de Tarso porque es­ se está orando, e objeta: “Ananias, porém, respondeu: Senhor, de m uitos tenho ouvido a respeito desse hom em , quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém; e para aqui trouxe autorização dos principais sacer­ dotes para prender a todos os que invocam o teu nom e” (A t 9.13-14). Em outras palavras: como podes enviar-me a tal pessoa? Ananias está tão ame­ drontado por Saulo de Tarso, que até contrady: ao Senhor. Mas se o Se­ nhor diz: "... ele está orando”, então isso significa: agora tudo ficou dife­ rente. Na verdade ele quer dizer com isso: Saulo ora de tal m odo que sua oração chegou até diante de mim. Portanto, não importa somente que ora­ mos, mas que oramos de tal maneira que nossas orações realmente che­ guem até diante da face de Deus! Somente assim elas terão um efeito po­ deroso. A oração muda tudo, mas também aquele que ora verdadeiramente é mudado! Saulo de Társo era originalmente morto espiritualmente, mas seu testemunho futuro revela-nos o caminho para a oração vitoriosa. O que ele escreve mais tarde aos filipenses sobre si mesmo, explica porque esse homem orou de tal maneira imediatamente após sua conversão, que o próprio Senhor agiu: “Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível” (Fp 3.4-6). “Circuncidado ao oitavo dia” — aqui ele refere-se à tradição religiosa — “da linhagem de Israel” — ao orgulho nacional — “da tribo de Benjamim” — ao orgulho 25


l.imili.ii "hcbicu dc hcbreus'’ — ao orgulho dos antepassados — “quan­ to à lei, fariseu” — à justiça própria religiosa — “quanto ao zelo, perse­ guidor da igreja” — isso significa que ele estava bem intencionado e era zeloso por Deus — “quanto à justiça que há na lei, irrepreensível” — Po­ demos dizer, portanto, que Saulo “merecia” ser perdoado por Deus. Mas nos versículos 7-8 ele diz então: “M as o que para m im era lucro, isto con­ siderei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como per­ da, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus meu Se­ nhor: por amor do qual, perdi todas as cousas e as considero com o refu­ go, para ganhar a Cristo’.’ Três, quatro vezes Paulo repete que considera tudo como refugo, para ganhar a Cristo. A partir dessa posição ele podia orar. Ele tinha sucumbido completamente em seu próprio ser, também em sua religiosidade. Mas estou convencido que no mesmo momento em que Paulo orava, ainda oravam milhares e milhares de pessoas em todo o m un­ do. Mas o Senhor diz somente desse Saulo a Ananias: “ .. ele está oran­ do”. Por quê? Por que ele não cita nenhum outro? O que tinha a oração de Paulo de especial para ser ouvida? Primeiro, sua oração vinha de todo o coração. “Porque, quanto ao Senhor, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aque­ les cujo coração é totalmente dele” (2 Cr 16.9). Isso, portanto, quer dizer praticamente que os olhos de Deus vêem todos os crentes que oram, e pro­ curam aqueles que oram de todo o coração e o buscam de todo o coração: “Buscar-me-eis, e m e achareis, quando m e buscardes de todo o vosso co­ ração. Serei achado de vós..!’ (Jr 29.13-14a). O segundo motivo porque Paulo, em contraste com muitos outros, podia logo orar de maneira a ser ouvido, era seu coração contrito. Pensamos em Isaías 57.15: “Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternida­ de, o qual tem o nom e de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos’.’ Paulo estava tão quebrantado em seu próprio ser, que o Senhor lhe era presente. Ele somente precisa­ va abrir a boca, para orar de tal maneira que Deus lhe respondia. O terceiro motivo foi que sua oração procedia de sagrado respeito e até mes­ mo de tem or diante da Palavra de Deus. Paulo conhecia agora pessoal­ mente a Palavra. Apesar de tê-la estudado durante toda a vida, pois ele era um estudioso da Escritura; agora a Palavra havia descido subjetivamen­ te do céu ao seu coração: “Saulo, Saulo, por qu em e persegues? Ele per­ guntou: Quem és tu Senhor? E a resposta foi: Eu sou Jesus, a quem tu per­ segues” (A t 9.4b-5a). Saulo temia por causa dessa Palavra, que havia fi­ cado viva em seu coração, de maneira que tornou-se um daqueles de quem 26


o Senhor diz através de Isaías: "Forque a minha mao fez todas as cousas, e todas vieram a existir, diz o Senhor, mas o hom em para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito, e que treme da minha palavra” (Is 66.2). Por isso o Senhor podia ouví-lo.injediatamente. Em quarto lugar, a oração de Saulo foi o grito de um homem em grande aflição, de modo semelhante a seu povo Israel, ao qual ele pertencia de cor­ po e alma, e do qual o Senhor disse a Moisés: “Certamente vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhes o sofrimento, p o r isso descia fim de livrá-lo da m ão dos egípcios...” (Êx 3.7-8a). Israel estava em grande aflição. Mas também para o futuro vale que Israel como povo será ouvido pelo Senhor, e isso no segundo em que começar a clamar por ele. Isso ainda está para acon­ tecer. Se analisarmos o futuro de Israel, então reconheceremos pela últi­ m a palavra profética do Antigo Testamento, Zacarias 12.10, onde se en­ contra a origem dessa oração verdadeira e que alcança o objetivo: “E so­ bre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espí­ rito de graça e de súplicas; olharão para mim, a quem traspassaram; pranteálo-ão çomo quem pranteia por um unigênito, e chorarão por ele, como quem chora amargamente pelo prim ogênito” Qual é, portanto, a origem desse espírito de oração que Saulo tinha? Ele não se encontra em nós, mas no próprio Deus. Com isso também já está respondida a pergunta que provavelmente te surgiu agora, pois posso ima­ ginar que muitos perguntam em seu coração: como posso chegar à mes­ ma disposição interior como Saulo, de mane*ira que o Senhor possa dizer também de mim: “... ele está orando” ? Lembremos que tudo vem do al­ to, do Pai das luzes, também o espírito de oração. Se bem que Deus en­ controu em Saulo um homem que trazia uma condição decisiva: ele esta­ va disposto a receber esse espírito de oração. Aí está também o segredo. Donde sabemos isso? Imediatamente depois que o Senhor havia m ostra­ do seu caráter obstinado com as palavras: “Saulo, Saulo, po r que m e persegues?... Duro épara ti recalcitrar contra os aguilhões (A t 9.4b,5b Ed. Rev. e Corr.), ve-se a pronta e completa subordinação da sua vontade à vonta­ de de Deus. Isso é singular em Saulo. Pois ele diz imediatamente: “Senhor, que queres que faça?” (A t 9.6a, Ed. Rev. e Corr.). Por isso sua conversão foi tão completa, porque ele alcançou não somente perdão dos pecados, mas compreendeu imediatamente: essa minha vontade pertence agora ao meu Senhor. E por entregar-se assim incondicionalmente, o Senhor pô­ de também responder imediatamente à sua oração.

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É a oração em angústia sempre atendida? “Invoca-me no dia da angústia: eu te livrarei, e tu m e glorificarás” (SI 50.15). Um a coisa devemos mais um a vez ver claramente, ou seja, que a “invoca­ ção” deve ser feita de todo o coração. Em meio ao pedir e orar, na adora­ ção e intercessão, é citada a invocação. A invocação do nome do Senhor é algo bem ousado. Somente aquele que está profundam ente consciente da sua fraqueza e impotência, pode invocar o nome do Senhor. Essa invoca­ ção do nome do Senhor é expressão da mais profunda dependência. Quan­ do lemos o Salmo 50.15, tendemos a ler essa palavra egocentricamente: “Invoca-me no dia da angústia”. Achamos que já temos motivos para an­ gústia quando temos problemas físicos, dificuldades no matrimônio, com as crianças ou problemas financeiros. Mas essas não são no fundo as afli­ ções mais profundas, mas tribulações que servem para que sejamos fir­ mados no Senhor. Talvez até nós mesmos as causamos, de modo que po­ dem ser afastadas por humilhação e arrependimento. Existe uma outra afli­ ção, um a angústia espiritual, que o Espírito de Deus coloca sobre nosso coração: a consciência de que não podemos m udar as coisas, que elas per­ manecem como são. Pois nós mesmos não podemos produzir um desper­ tamento, em nosso caráter carnal nem ao menos somos capazes de crer fir­ me e perseverantemente. Se isso nos angustia, falta somente um passo pa­ ra que façamos o que diz o salmista: “Invoca-me no dia da angústia: eu te livrarei”. Em outras palavras: se tu me invocares, vou manifestar-me em ti e através de ti. A invocação do Senhor é algo direto, algo imediato. Não invoco qualquer coisa, mas a Ele, o Senhor de todos Os senhores! Porque isso é tão direto, ele também garante imediatamente o atendimento: “Ele m e invocará, e eu lhe responderei; na sua angústia eu estarei com ele” (SI 91.15). Aqui temos algo grandioso: no m omento em que o invocarmos em angústia interior, ele está conosco! Muitas vezes nem estamos conscientes desse fato. Quando M aria se encontrava em angústia desesperadora por causa da ausência do Senhor Jesus — pois ela acreditava que o corpo de Jesus havia sido rou­ bado — devido ao seu chôro ela não percebeu que o Senhor estava com ela. Q uando começamos a invocá-lo em tal angústia, então ele está pre­ sente: “Perto está o Senhor de todos os que o invocam” (SI 145.18). Não está escrito que o Senhor vem vagorosamente, mas que ele está perto no 28


momento em que começamos.a invocá-lo. Onde está o Senhor, já há o atendimento a todos os nossos pedidos. Por isso, é muito melhor procu­ rar a Ele, do que o atendimento dos possos pedidos. Pensemos um a vez em Jabez: “Foi Jabez mais ilustre do que seus irmãos; sua mãe chamoulhe Jabez, dizendo: Porque com dores o dei à luz. Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oxalá m e abençoes e m e alargues as fronteiras, que seja comigo a tua m ão e m e preserves do mal, de m odo que não m e sobreve­ nha aflição! E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido” (1 Cr 4.9-10). Se compreendemos que ele está conosco e nos ouve quando o invocamos, então entendemos também que o inimigo tenta de tudo para asfixiar em germe essa invocação do Senhor. É exatamente igual como quando em al­ gum lugar penetra um ladrão para roubar, mas a m oradora da casa acor­ da e começa a gritar. Então o ladrão pode fazer duas coisas: ou fugir sem presa, ou, se for brutal, tentar asfixiar os gritos de socorro. Pode aconte­ cer até mesmo um assassinato, principalmente se para o ladrão existe o pe­ rigo de que os altos gritos da vítima serão ouvidos. Desde esse ponto de vista, a invocação do Senhor é muito importante: o inimigo é colocado em fuga. Se invocamos o nome do Senhor na fé, mostram-se fortes resistên­ cias, e começa um a violenta luta de oração. O inimigo tenta asfixiar tua satisfação para a oração vitoriosa. Ele aproxima-se de ti com increduli­ dade, problemas físicos, dores, talvez com maus pensamentos ou distra­ ção, de m odo que não consegues concentrar-te. Ele tentará de tudo para te distrair, com o único objetivo que não possas invocar vitoriosamente o nome do Senhor. Foi o que o inimigo tentou também com Jabez, mas quando lemos atentamente, vemos como Jabez resistiu à distração do ini­ migo: “... e a tua m ão for comigo, e fizeres que do m al não seja aflito!..!’ (1 Cr 4.10, Ed. Rev. e Corr.). Ou, em outras palavras: “O mal existe, mas agora não pode afligir-me. Por favor, ajuda-me para que ele não me ven­ ça, pois quero invocar-te!’ E então lemos: “E Deus lhe concedeu o que lhe tinha perdido.” Teoricamente cremos tudo que a Bíblia diz, cremos também que o Senhor nos responde quando o invocamos: “Invoca-me, e te responderei: anunciarte-ei cousas grandes e ocultas, que não sabes” (Jr33.3). Se tudo isso é rea­ lidade, por que não o invocamos então mais freqüentemente? Porque nos deixamos surpreender espiritualmente pelo inimigo! Talvez digas: tudo isso está certo, mas não tenho condições de afastar a distração do inimigo. Sim, tu o podes, pois tens uma âncora. Pois, a quem invocas? Jacó era fraco e miserável, mas ele invocou o nom e do Deus de Israel, depois de ter edi­ ficado um altar: “E levantou ali um altar, elhe chamou: Deus, o Deus de Israel” (Gn 33.20). Aí está todo o segredo. Se o altar está edificado na tua e na minha vida, se a cruz é um a realidade e nós aceitamos a crucificação COMI Cristo, então podemos avançar. Pois não invocamos a qualquer um, 29


mas o nome do forte Deus de Israel! A invocação do nome do Senhor pro­ duz uma ligação entre tua miserável fraqueza e a sua ilimitada onipotên­ cia. Se bem que essa promessa está condicionada a um a chave. Se não a utilizas, não consegues entrar. A invocação do Senhor tem que acontecer num a determinada mentalida­ de: “Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o in­ vocam em verdade” (SI 145.18). Essa é a chave! “M uito pode, p o r sua efi­ cácia, a súplica do ju sto ” (Tg 5.16). Toma um a vez o tempo para ler o pro­ feta Oséias, o profeta do amor, no contexto. Ele fala muito ternamente. Se bem que fala do juízo de Deus sobre o seu povo, ele o faz amorosamente. Oséias é inspirado pelo Espírito Santo, e o Senhor lam enta algumas ve­ zes através dele que o povo não o invoca, porque não o conhece: “Todos eles são quentes com o um forno, e consomem os seus juizes; todos os seus reis caem; ninguém há entre eles que m e invoque” (Os 7.7). O povo dei­ xou de invocar a Deus, porque o Senhor tinha-se tornado um conceito es­ tranho para ele. E o Senhor continua lamentando: “Ouvi a palavra do Se­ nhor, vós filhos de Israel, porque o Senhor tem uma contenda com os ha­ bitantes da terra; porque nela não há verdade, nem amor, nem conheci­ m ento de D eus” (Os 4.1). Em outras palavras: vocês têm tão pouca comu­ nhão comigo, que também não me invocam mais! Com o se pode invocar alguém que não se conhece, cujo poder salvador não se experimenta? O Senhor queixa-se também de um a invocação sem poder. Se bem que mui­ tos invocam o nome do Senhor de alguma maneira, mas não há efeito, não há atendimento. Por que não? “Não clamam a m im de coração ” (Os 7.14). A í está todo o problema! Provemos nossos corações, se eles tornaram-se m ornos e indiferentes. O Senhor quer revelar-se, ele quer dar despertamen­ to! Ele espera por aqueles que começam a invocá-lo de todo o coração. Está escrito: “Porque, quanto ao Senhor, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele” (2 Cr 16.9). Aceita e atende a isso. O Senhor responderá maravilhosamente!

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O que significa orar com perseverança? “Porque não estou desfalecido p o r causa das trevas, nem porque a escu­ ridão cobre o m eu rosto” ( J i 23.17). Pode estar escuro em nós, e pode haver trevas especialmente quando co­ meçamos a orar. A oração m uda todas as coisas, pois sabemos que pela oração são movimentados os braços de Deus. Acontece freqüentemente que no m omento em que um filho de Deus começa a orar, poderes de in­ credulidade, poderes das trevas se apossam dele. Isso pode ser por diferentes razões: Em primeiro lugar eu gostaria de citar os pecados pessoais não "perdoa­ dos. O Senhor Jesus não disse em vão: “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali telembrares de que teu irm ão tem alguma cousa contra ti, dei­ xa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta’’ (M t 5.23-24). Disso conclui-se cla­ ramente, que é impossível penetrarm os no santuário, enquanto ainda ti­ vermos qualquer rancor contra alguém em nosso coração. Se não perdoa­ mos de coração, então há trevas. Outra espécie de trevas é determ inada pòr poderes herdados, incorpora­ dos. Essa linha de maldição vai freqüentemente até à terceira e quarta ge­ ração. Trata-se dos pecados ocultos, não reconhecidos, de pais e antepas­ sados, que ainda não foram trazidos à luz. Sempre novamente encobremnos então, essas trevas, quando se quer penetrar no Santo dos Santos pe­ lo sangue de Jesus. Assim, pode acontecer — e muitos filhos de Deus já se queixaram disso a mim — que o crente, quando quer ir para diante de Deus, tem repentinamente terríveis pensamentos de blasfêmia. Filhos de Deus que desconhecem o assunto, são abalados de tal m aneira por isso, que imaginam ter cometido o pecado contra o Espírito Santo. Mas não é assim. Também nesse caso não se trata de possessão, mas de obsessão. Tais pessoas continuam sendo perseguidas por poderes das trevas herda­ dos dos pais e antepassados. Elas deveriam falar a respeito com um con­ selheiro espiritual e vir à luz, confessando: “Senhor trago-te também os pecados de abominação não reconhecidos dos meus pais e antepassados, declarando-me liberto em nome de Jesus de qualquer ligação com as tre­ vas!’ Então eles poderão orar até conseguirem penetrar no santuário. 31


Mas existe ainda um a terceira espécie de trevas, pelas quais, porém, não és responsável. Eu gostaria de esclarecer o seguinte a respeito: quando que­ remos orar e está escuro em nós, isso é por um lado um a tentativa de Sa­ tanás de nos tornar incapazes de orar, mas por outro lado Deus o permi­ te, para nos ensinar a sermos príncipes de oração. As trevas pretendem fazer que fiquemos resignados e desistamos. A permissão de Deus, por sua vez, deve demonstrar até que ponto o reconhecemos como Senhor dos senhores e Rei dos reis, de m odo que não fiquemos resignados e não desistamos. Jó é o melhor exemplo. Ele lamentou que as trevas não queriam acabar. A aflição simplesmente não termina, um a coisa após a outra vem sobre ele. Apesar de estar claro, está escuro nele: “...a luz é com o a escuridão” (Jó 10.22b, Ed. Rev. e Corr.). Isso quer dizer que ele não pode mais alegrarse com sua vida. Jó foi um homem que buscou o Senhor de todo o cora­ ção, e o próprio Senhor lhe conferiu o testemunho de que ninguém era tão íntegro quanto ele. Mas justamente esse homem foi levado para dentro das maiores trevas. Assim ele se queixa, por exemplo, que sua oração notur­ na perseverante não é mais respondida: “Mas, se eu aguardo já a sepul­ tura por m inha casa, se nas trevas estendo a minha cama” (Jó 17.13). Es­ sa é um a situação desesperadoramente aflitiva. Mas o Senhor conhece seu servo e ama-o! N o caso de Jó estava muito em jogo. Todo o m undo invi­ sível assistia perguntando: ele desistirá ou não? Sua própria mulher veio a ele para convencê-lo a am aldiçoar tudo. A honra do Senhor estava em jogo! Com relação a Jó, Deus ousou muito e confiou muito nele, deixandoo por longo tempo em trevas e não respondendo mais às suas orações. Mas ele confiou em Jó, que apesar de tudo não pecaria. Se oramos e ansiamos por um a transformação, mas não recebemos res­ posta às nossas orações, apesar de termos confessado nossos pecados co­ nhecidos e desconhecidos, de modo que a razão das trevas não está em nós mesmos, e se apesar disso fica escuro, isso é perm itido por Deus. Então o diabo espera que digas: nada disso adianta, vamos acabar com isso! Mas também o Senhor aguarda; ele espera para saber se persistirás, pois se persistires haverá um a maravilhosa vitória! Porque a mentalidade de Jó era íntegra, ele alcançou um a poderosa vitó­ ria de oração. Essa vitória de oração é manifestada naquela frase, que du­ rante os séculos foi um fortalecimento para milhões e milhões de pessoas, tam bém na hora da morte: “Porque eu sei que o m eu Redentor vive” (Jó 19.25). Se Jó não tivesse experimentado essas trevas, ele poderia ter dito no máximo: “Sim, sim, claro que eu creio!’ Mas agora seu testemunho é tão poderoso, porque nasceu das trevas! Um outro exemplo é Daniel. Em Daniel 10.2-3 está escrito: “Naqueles dias eu, Daniel, pranteei durante três semanas. Manjar desejável não comi, nem 32


carne nem vinho entraram na minha boca, nem me untei com óleo algum, até que passaram as três semanas inteiras!’ Por que Daniel‘estava tão tris­ te? Com base na Palavra, ele tinha compreendido que os setenta anos do exílio de Israel estavam chegando ao fim: “no primeiro ano do seu reina­ do, eu, Daniel, entendi, pelos livros, que o número de anos, de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, em que haviam de durar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos. Voltei o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum , pano de saco e cinza” (Dn 9.2-3). Ele orava, portanto, em concordância com a Palavra de Deus pela libertação do seu povo, mas não recebeu resposta. Então ele estabeleceu um tempo de jejum e orou durante três semanas. Durante esse tempo ele absteve-se de todas as coisas supérfluas, de todas as coisas desejáveis, co­ mendo o mínimo necessário. Apesar de orar com perseverança, ele esta­ va triste. Por quê? Porque Deus ficava calado. Mas esse homem, Daniel, nunca pensou em desistir. Essa era sua grandeza. Mas como é conosco? Como somos fracos! H á muito teríamos um despertamento, se não de­ sistíssemos de orar, pois a respeito oramos dentro da vontade de Deus. Se não nos responde e deixa nossa alma ficar em trevas, então somente para que a vitória fique depois tanto mais gloriosa. Depois Daniel também re­ cebeu resposta, mas primeiro teve um a visão das trevas atrás da sua luta de oração, pois o príncipe angélico lhe disse: “Daniel, hom em muito ama­ do, está atento às palavras qug te vou dizer, e levanta-te sobre os pés; por­ que eis que te sou enviado. A o falar ele comigo esta palavra, eu m e pus em pé tremendo. Então m e disse: N ão temas, Daniel, porque desde o primeiro dia, em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e por causa das tuas palavras é que eu vim. M as o príncipe do reino da Pérsia m e resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um'dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia” (Dn 10.11-13). Com outras pala­ vras: Daniel, apesar de teres ficado durante três semanas nas trevas, o Se­ nhor já tinha ouvido há muito! Isso vale também para ti, quando oras de acordo com a vontade de Deus: apesar de continuares não percebendo um atendimento visível das tuas orações, o Senhor já te ouviu. Não é isso m a­ ravilhoso? Se clamaste ao Senhor por algo bem determinado, na certeza de que se trata da vontade de Deus, e continuas em trevas sem receber res­ posta, mesmo assim ele te ouviu desde o primeiro dia! Mas o que tens que fazer é perseverar. Justamente por isso os filhos de Coré podiam orar tão poderosamente na fé, do que seus salmos são um testemunho comovente. Os filhos de Coré procediam de um a família lom prom etida, mas temos deles os mais maravilhosos salmos. Seus antepassados, todo o grupo de Coré, desceram vivos ao abismo, porque se rebelaram contra o Senhor. Mas em um dos salmos dos filhos de Coré lemos as palavras proféticas: “Saber33


se-ão as tuas maravilhas nas trevas, e a tua justiça na terra do esquecimen­ to?” (Si 88.12). Os descendentes de Coré foram, portanto, libertados da maldição do pecado de seus pais. Existe uma libertação completa para to­ dos que ainda sofrem sob ligações obscuras herdadas, pois Jesus é vencedor! Como último exemplo eu gostaria ainda de citar um homem que teve que passar por coisas terríveis: o rei Davi. Apesar das suas muitas orações — dá-te um a vez ao trabalho de ler os Salmos — nos primeiros anos em que ele havia sido ungido rei, acontecia sempre o contrário daquilo que ele pe­ dia. Parecia como se Deus ficava calado, como se tivesse esquecido sua Pa­ lavra, e ignorasse o fato dele mesmo ter m andado ungir Davi como rei. Quantas vezes ele lamenta aproximadamente com as seguintes palavras: “Senhor, estou caído na cova, não escutas meus altos gritos?”, até que che­ gou ao magnífico reconhecimento: “até as próprias trevas não te serão es­ curas: as trevas e a luz são a mesma cousa” (SI 139.12). Aqui Davi disse algo, que deveria ser lembrado por todos aqueles que têm que lutar com trevas! Nosso abençoado Salvador, Jesus Cristo, o maior de todos os homens de oração, passou ele mesmo pelas mais profundas trevas. Da hora sexta até a hora nona houve grandes trevas sobre toda a terra e Jesus clamou em alta voz: “Deus meu, Deus meu, p or que m e desamparaste?” (M t 27.45-46). A essa pergunta ele não recebeu mais resposta. Mas justamente essa falta de resposta de Deus levou à mais maravilhosa vitória de todos os tempos, que é válida eternamente! Ai de nós se temos tão pouca fé, que ficamos resignados e desistimos quando há trevas e resistências. Pois se desistimos de orar, apesar da vitória estar iminente, jogamos tudo fora. Por isso, ape­ sar de todos os sentimentos negativos, persiste na oração, lembrando as palavras de Isaías 50.10: “Quem há entre vós que tema ao Senhor, e ouça a voz do seu servo que andou em trevas sem nenhuma luz, e ainda assim confiou em o nom e do Senhor ese firm ou sobre o seu Deus?” Jesus vive!


Contradições na Palavra de Deus? “E será que antes que clamem, eu responderei” (Is 65.24). ”... chamei-o, e não m e respondeu” (Ct 5.6). Temos aqiii duas afirmações bíblicas contraditórias. Da nossa vida de fé pessoal também podemos dizer que há duas experiências contraditórias. Todos nós experimentamos alguma vez que o Senhor, antes que tivessemos expressado a oração, já tinha interferido: “... antes que clamem, eu responderei”. Pediste por algo ou por alguém, e já o Senhor tinha respon­ dido, repentina e maravilhosamente. Possivelmente experimentaste isso al­ guma vez quando tinhas grandes preocupações. Pensavas a respeito de co­ mo poderias vencer o problema, e quando foste confrontado com ele, ele tinha desaparecido. Trata-se de preocupações semelhantes àquelas que as mulheres tiveram na m anhã da Páscoa: “E m uito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do sol, foram ao túmulo. Diziam umas às ou­ tras: Quem nos removerá a pedra da entrada do túmulo? E, olhando, vi­ ram que a pedra já estava revolvida; pois era m uito grande” (Mc 16.2-4). Essas mulheres foram para procurar o corpo do Senhor Jesus no sepul­ cro, mas o sepulcro estava vazio! O Senhor estava vivo, mas elas ainda não o sabiam. Seu problema era a grande pedra, da qual sabiam que não po­ diam removê-la. Elas foram à sepultura com essa grande preocupação no coração, e enquanto ainda gemiam a respeito, o objeto da sua preocupa­ ção já tinha desaparecido. É o que também experimentamos: "... antes que clamem, eu responderei” (Is 65.24). Podes, por exemplo, estar suportan­ do variadas cargas e problemas. Mas tão logo tomares tempo para derra­ mar teu coração diante do Senhor na fé, e a citar as coisas pelo nome, perceberás em meio a esse falar com Deus, que tua carga repentinamente é lançada sobre ele. Essa é a aplicação prática da Palavra: “... lançando so­ bre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pe 5.7). A pedra está removida. E quando praticamente ainda não conseguimos agradecer-lhe, o Senhor já fez outro milagre. Quando o Senhor ouve ora­ ções, ele sempre atende completamente, de modo abrangente e de forma que quase não conseguimos acreditá-lo. Isso está claramente descrito na epístola aos Efésios: ele faz mais do que tudo quanto pedimos ou pensa­ mos (cap. 3.20). Mas agora o contrário: quando Deus se cala, quando ele não responde? O calar de Deus pode ter diferentes razões. Freqüentemente seu silêncio 35


é a resposta mais profunda. Recentemente alguém me disse que não sentia nada da presença do Senhor. Essa pessoa disse que lutava desesperadamen­ te para permanecer em Jesus, mas o Senhor estaria muito longe. H onra­ mos o Senhor especialmente quando o tomamos pela palavra, tam bém quando ele aparentemente se distancia de nós, quando não nos dá resposta. Essa é a prática de Isaías 50.10: “ .. que andou em trevas sem nenhuma luz, e ainda assim confiou em o nom e do Senhor e se firm ou sobre o seu Deus!’ Se as trevas te envolvem, se há escuridão, se és pressionado, justamente en­ tão tens que honrar o Senhor! Agradece-lhe, firma-te em suas promessas e, sem sentir, edifica sobre a rocha da fé. Mesmo que os sentimentos di­ zem mil vezes “não”, sua Palavra é mais certa. Eu gostaria de citar duas razões porque Deus não responde, retarda sua resposta à nossa oração, ou mesmo a limita. A primeira razão é a relação interrompida com Deus o Senhor! Muitas pes­ soas que vêm à assistênia espiritual dizem que está escrito: “Pedi, e darse-vos-â... e tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis” Mas is­ so não seria verdade, porque Deus simplesmente não lhes responderia. Es­ sas pessoas têm toda a razão, mas isso é somente a metade da verdade. Se Deus não responde, então está interrompida a relação com ele, não da sua parte, mas por parte daquele que apresenta a queixa. Seu silêncio corres­ ponde então à afirmação do Senhor sobre Israel em Isaías 1.15: “Pelo que, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; sim, quan­ do multiplicais as vossas orações, não as ouço!’ Ou: “Eis que a mão do Se­ nhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ou­ vido, para não poder ouvir. M as as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça. Porque as vossas mãos estão contaminadas de san­ gue, e os vossos dedos de iniqüidade; e os vossos lábios falam mentiras, a vossa língua profere maldade” (Is 59.1-3). Através disso é destruída a re­ lação com o Senhor. Quantas vezes temos que provar nosso coração até às maiores profundezas diante da face de Deus, para que não haja nele algo que não combina com Sua santa vontade e interrom pe a relação. Isso es­ tá escrito também nos salmos: “Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não m e teria ouvido” (SI 66.18). O pecado interrompe, portan­ to, a relação com Deus. Isso não é nada surpreendente, todos sabemos disso. Mas é de admirar que normalmente não pensamos nisso e não somos mais profundam ente abalados por esse fato; que nossa consciência não é mais sensível e nós não prestamos mais atenção a esse princípio divino. Podemos dizer também assim: pela oração começamos um a relação com Deus — mas o pecado novamente a interrompe. Não esqueçamos um a coi­ sa: pecado, qualquer que seja, é um golpe na face de Deus. Como pode­ mos então querer falar intensivamente com Deus, se fazemos algo tão abo­ 36


minável. No fundo, oração é colaboração com o Deus eterno, e por isso é necessária um a relação clara com ele. A Escritura diz que somos colabo­ radores de Deus. Por isso temos que provar como são nossas relações com ele. A segunda razão é exatamente o contrário: trata-se das relações estabele­ cidas com o inimigo. Em nossa vida podemos estabelecer relações com o inimigo através de coisas que o Senhor não deseja. Para outros talvez não sejam pecados, mas de ti o Mestre deseja que não as faças. O Senhor o disse claramente a ti, mas tu sempre resististe a essa voz suave e meiga do Espí­ rito Santo. Através disso interrompes a relação com o Senhor e estabe­ leces relações com o inimigo. Tua vida de oração é paralisada. Entremos no santuário e digamos: “Senhor Jesus, querido Pai no céu, onde estão prejudicadas minhas relações contigo?” Podes ter certeza que Satanás tem grande alegria quando demonstramos impotência na oração. Pois isso im­ pede que perdidos sejam salvos e o despertamento é retardado. Cuidemos para que a comunhão, a relação íntim a com o Deus vivo através de Jesus Cristo, seja ordenada!

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Resistências na oraçao “Naqueles dias eu, Daniel, pranteei durante três semanas. M anjar dese­ jável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem m e untei com óleo algum, até que passaram as três semanas inteiras... levan­ tei os olhos, e olhei, eeis um hom em vestido de linho... Ele medisse... Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia, em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e por causa das tuas palavras é que eu vim. M as opríncipe do reino da Pérsia m e resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos pri­ meiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia. Agora vim para fazer-te entender o que há de suceder ao teu povo nos últimos dias’’ (Dn 10.2-3,5,ll,12-14a). Quando Daniel começou a orar seriamente, imediatamente começaram também as resistências! Nunca devemos esquecer: se nos aproximarmos e começarmos a orar com mentalidade purificada — e como diz Hebreus 10.22 — purificados e com sincero coração, então causamos um a movi- > m entação no m undo invisível. Começa um a luta, pois temos que passar pelo m undo dos demônios. Daniel orou por vinte e um dias, ou seja, du­ rante três semanas, mas somente no último dia ele foi ouvido. Mas o prín­ cipe angélico que vem a ele, assegura-lhe: “... desde o primeiro dia, em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, fo ­ ram ouvidas as tuas palavras; e p o r causa das tuas palavras é que eu vim ” (v. 12). Com isso ele constata que a orientação do coração de Daniel esta­ va correta, porque ele queria de coração encontrar o Senhor, que tinha pro­ metido: “Buscar-me-eis, e m e achareis, quando m e buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós..!’ (Jr 29.13-14). Mas o atendimento não foi imediato. Era preciso ter perseverança. Se elevamos nossos corações a Deus em nome de Jesus e oramos de todo o coração, então já fomos ouvidos, isto é: o atendimento já começou, mes­ m o que ainda não o vejamos. Mas, por favor, observa bem a expressão: “... desde o primeiro dia, em que aplicaste o coração...” Essa é, portanto, a condição — e então começam as resistências do m undo invisível. Pois Satanás sabe muito bem que pessoas que oram com persistência são in­ vencíveis. Somente a tenaz resistência do inimigo e o silêncio de Deus ensinam-nos que o atendimento já aconteceu: “antes que clamem, eu res­ ponderei”. Mas somente pessoas de orientação espiritual podem com­ preender isso, somente aqueles semelhantes a Daniel, somente aqueles que são capazes de renunciar, que não estão presos nas coisas terrenas: “N a­ 38


queles dias eu, Daniel, pranteei durante três semanas. Manjar desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem m e untei com óleo algum..’.’ (w . 2-3). O príncipe do reino da Pérsia personifica a resistência de fora, a resistên­ cia do mundo invisível. Mas existe ainda uma segunda espécie de resistência quando queremos orar. Trata-se da resistência de fora, do m undo visível. Ela torna-se perceptível de maneira bem real quando decides orar vitorio­ samente. Quer queiras fazê-lo sozinho ou em um grupo de oração, não faz diferença. O inimigo começa então a usar nosso ambiente: nosso traba­ lho e freqüentemente também nossa família. Ele pretende distrair-nos, para que de m odo nenhum cheguemos a orar com persistência. Ele quer darnos uma desculpa, para que possamos dizer: “Preciso adiar a hora que previ para a oração”. Pois vivemos por tão pouco tempo, mas se realmente orarmos, ele é transform ado em valores eternos. Mas ele é transform ado * em valores eternos somente na m edida em que não damos mais ouvidos ao inimigo, que pretende iludir-nos, para que pensemos não ter agora nem tempo nem forças para a oração. Não é verdade, quando queres orar, começas a lembrar de todas as coisas possíveis que ainda tens que fazer. Mas aquilo que realizas às custas do tem po de oração é ruim e freqüente­ mente nem dá ce rta Verdadeira oração significa luta, independentemen­ te do fato de orarmos em casa no quarto ou em um grupo de oração. Em terceiro lugar eu gostaria de citar as resistências que procedem de den­ tro de nós. Não falamos agora do inimigo, mas das resistências que exis­ tem em nós. Para que possa orar vitoriosamente, é de significado decisi­ vo a constituição interior de um filho de Deus. Por natureza somos indo­ lentes. Mas o funesto é que o Mentiroso desde o princípio, o pai da men­ tira, apresenta um a outra razão para nossa indolência do que a verdadei­ ra. Normalmente procuramos num falso nível a razão da indolência de não querer orar. Oh, se os filhos de Deus reconhecessem um a vez qual é a ver­ dadeira razão de sua indolência para orar! A conclusão falsa sobre nossa indolência, sobre nossa incapacidade, sempre consiste da constatação: “Es­ tou muito cansado!” Mas a Bíblia mostra-nos algo diferente que é respon­ sável pela nossa indolência: “Portanto, também nós, visto que temos a ro­ dear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todopeso, e do pecado que tenazmente nos assedia” (Hb 12.1). Entre parên­ teses: que testemunhas são essas? Trata-se dos nossos que dormiram no Senhor. E eles ainda participam do que acontece conosco? Não. Mais exa­ tamente: eles não participam mais das dores, intrigas e de tudo aquilo que é terreno, mas participam das nossas vitórias de fé. Toda vitória de fé que obtemos nesta terra, é observada por eles. Eles venceram e agora têm a m a­ ravilhosa aptidão de registrar tudo que é vitória em nossa v id a . Mas nunca 39


se deve orar por aqueles que faleceram, também não no sentido de “Oh, Senhor, ele está agora contigo..!’. Não, isso já é espiritismo. Mas os que dor­ miram no Senhor pertencem à nuvem de testemunhas, que observam se nós vencemos, se nós vencemos também a indolência. Leiamos mais uma vez atentamente Hebreus 12.1: “Portanto, também nós, visto que te­ mos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso, e do pecado que tenazmente nos assedia”. Aí temos o m oti­ vo! Não queremos aqui falar agora sobre pecados determinados, pois creio que no caso a Escritura fala do pecado em si. O que nos assedia? Davi diz no Salmo 119.25: “A minha alma está apegada ao pó: vivifica-me segun­ do a tua palavra!’ Em outras palavras: somos de carne e sangue, tudo é so­ mente pecado e de modo nenhum piedoso. “Porque eu sei que em m im , isto é, na minha carne, não habita bem nenhum” (Rm 7.18). Mas o que tor­ nou-se novo foi o espírito. Esse é sem mancha, justo, santo, sem pecado. Mas a carne é pecado. Por isso o apóstolo exorta a desembaraçar-nos do pecado, para que possamos orar! Nosso homem natural é muito astucio­ so e sempre novamente encontra desculpas. Ele não é capaz de elevar-se a Deus o Senhor, estando sujeito à lei do pecado e da morte. Ocorre o mes­ mo que com a lei da gravidade. Isso pode-se demonstrar melhor com qual­ quer objeto. Se tal objeto pudesse pensar, sentir ou querer, então ele po­ deria ficar parado em determinada altura, de acordo com sua vontade, sem ser sustentado por uma mão. Mas um objeto inanimado, quer seja um li­ vro, um pedaço de madeira ou de ferro, não pode pensar nem querer, e por isso está sujeito à lei da gravidade. Por isso ele jam ais pode elevar-se, mas somente cair. Assim também nós em nossa natureza carnal, somos sujei­ tos à lei do pecado e da morte. Sempre somos arrastados para baixo. O que diz a Palavra de Deus a respeito? Deves desembaraçar-te de tudo que te ar­ rasta para baixo. Onde deves colocá-lo? Sobre a cruz de Gólgota! Aqui re­ tornam os novamente ao ponto que já acentuamos no terceiro capítulo: crucificados com Cristo. O utra espécie de resistência interior é produzida por um a enorme perda: a perda do primeiro amor! Isso deve ser dito muito claramente. Somente podemos orar vitoriosamente e de coração, se nos encontramos no primei­ ro amor. Se esse não é o caso, então a oração, por mais piedosa que possa parecer, é um a encenação. Se somos interiormente indiferentes, é impos­ sível orarm os com persistência até que venha um despertamento. Se um a reunião de oração representa somente uma espécie de dever religioso, en­ tão ela nada mais é do que um teatro cristão. Se meus familiares fossem à reunião de oração somente por educação, eu lhes pediria que não vies­ sem mais. Eu preferiria orar com dez a quinze irmãos que se encontram no primeiro amor, do que com cem que somente vêm porque uma vez por semana deve-se ir à reunião de oração. Se não te encontras no primeiro 40


amor, então recebes uma bênção em tal reunião de oração, mas não tra­ zes bênção! Tu roubas então algo que Deus quer transmitir a outros. Se te deixares levar de volta ao primeiro amor em arrependimento, então tua constituição interior será de tal maneira, que quase não conseguirás esperar até à próxima reunião de oração. Então és realmente abençoado. Mas se vais por obrigação ou educação, mas estás interiormente abatido ou sobreestimas teu trabalho diário, de maneira que simplesmente não gostas de ir à reunião de oração, então pertences àqueles que impedem um des­ pertamento. Oração e despertamento são duas coisas, ou seja, razão e efei­ to. Se a razão não é clara e a oração não procede de coração puro e ardente, como pode haver efeito? Então não podemos esperar despertamento. Na oração ficou claro para mim que podemos lamentar e reclamar por mui­ to tempo sobre falta de despertamento, mas no fundo nós mesmos temos o despertamento nas,mãos, pois Deus é um Deus de despertamento. Deus não é Deus de mortos, mas de vivos. Se o Senhor Jesus tem que dizer-te agora: “Tenho contra ti que abandonaste o teu primeiro amor”, então eu gostaria de dizer-te: arrepende-te ago­ ra sinceramente e pede ao Senhor para dar-te novamente o primeiro amor, para que possas vir a ele com coração purificado. O m undo procura — in­ conscientemente — por pessoas que oram no poder do Espírito!

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A oração em nome de Jesus “E m verdade, em verdade vos digo, se pedirdes alguma cousa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome. A té agora nada tendes pedido em meu no­ me; pedi, e recebereis, para que a vossa alegria seja completa” (Jo 16.23b-24). “...a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo con­ ceda’’ (Jo 15.16b). Quando o Senhor começa suas palavras com “em verdade, em verdade”, ele sempre expressa uma verdade da salvação, por exemplo: “Em verda­ de, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). A Pedro ele disse: “E m verdade, em verdade te digo que, quando eras mais moço, tu te cingias a ti m esm o e andavas por onde querias; quando, porém, fores velho, estenderás as tuas mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres” (Jo 21.18). Agora o Senhor diz aqui um a outra verdade da salvação, ou seja: quando nos aproximamos do Pai, nunca devemos esquecer de pedir em nome de Jesus. É fácil dizer “agora pedimos em nome de Jesus e Deus vai ouvir-nos”, mas pensemos um a vez no que significa orar em nome de Jesus. Se eu peço ao Pai em no­ me de Jesus, isso nada mais significa do que minha concordância com seu comportamento, seu caminho, seu ser, seu objetivo e seus anseios. Isso é extremamente importante. Com o queremos, como devemos comportarnos? Assim como andou o Senhor Jesus: “aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” (1 Jo 2.6). Seu an­ dar era expressão da sua fé. Ele firmava-se nAquele que não via, como se o visse. Por isso o Senhor permanecia sempre tranqüilo e podia orar na fé. Mas não trata-se somente do mesmo andar, mas também do mesmo caminho. Quem ora em nome de Jesus, esse é hipócrita e não diz a verda­ de diante de Deus, se não está disposto a seguir exatamente o mesmo caminljo que Jesus seguiu. Em Apocalipse 14.4 lemos: “São eles os segui­ dores do Cordeiro por onde quer que vá’.’ Seguir o mesmo caminho, isso é ainda mais concreto. Com o é esse caminho? O caminho é apertado e a porta é estreita, isto é: no caminho estreito, após Jesus, são grandes as pos­ sibilidades de se desviar. Pois é fácil desviar-se de um caminho estreito. Mas o Cordeiro vai adiante. Não seguimos o caminho estreito, mas o Cordei­ ro por onde quer que vá. Esse caminho, no qual o Cordeiro vai adiante, é um caminho que foi preparado pela sua morte. Ele leva, portanto, sem­ 42


pre pela morte, mas conforme Hebreus 10.19 leva também ao santuário interior: “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos San­ tos, pelo sangue de Jesus!’ Principalmente na oração mostra-se até que ponto já seguimos o mesmo caminho. A unidade interior com o Cordei­ ro faz-nos avançar no caminho. Isso se percebe imediatamente quando al­ guém ora. N a medida em que seguimos o mesmo caminho que Jesus, so­ mos capazes também de orar e de entrar no Santo dos Santos. Mas a condição para a oração em nome de Jesus não é somente a aceita­ ção do andar e do caminho do Cordeiro, mas também a identificação com o seu ser. O Cordeiro foi obediente até à morte. Mas nós empacamos e tão rapidamente gostamos de rebelar-nos: “Não quero mais!” Quando lemos Hebreus 5.8-9, então reconhecemos como o Senhor Jesus Cristo apren­ deu obediência como homem, como jovem: “embora sendo Filho, apren­ deu a obediência pelas cousas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o A u to r da salvação eterna para todos os que lhe obedecem”. Como Jesus aprendeu obediência? Através de sofrimento! Ele não era um gritador, mas permanecia quieto. Aquele que ora verdadeiramente não faz muitas palavras; ele não é um tagarela. O Cordeiro permaneceu silencio­ so no sofrimento. Quanto mais falas sobre teu sofrimento, e quanto me­ nos te aquietas, tanto mais afastas-te do caminho apertado após Jesus. O caráter do Cordeiro decide nossa vida de oração. Nesse contexto também queremos ler ainda atentamente 1 Pedro 2.21-25: “Porquanto para isto m esmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em nosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca, pois ele, quando ultraja­ do, não revidava com ultraje, quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente, carregando ele mesmo em seu cor­ po, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos aos peca­ dos, vivamos para a justiça; p o r suas chagas fostes sarados. Porque está­ veis desgarrados como ovelhas; agora, porém, vos convertestes ao Pastor e Bispo das vossas almas!’ O caminho após o Cordeiro é um caminho preparado, mas trata-se de um caminho de humildade. Hum ildade não era um a virtude do Senhor Je­ sus, mas característica básica do seu ser. Por isso ele disse: “... sou., hu• milde de coração” (M t 11.29). Hum ildade é expressão de caráter apa­ gado. O Senhor não era nem duro nem sentimental, ele não era nem or­ gulhoso nem tinha complexos de inferioridade. Em um coração humilde, no qual dom ina a mentalidade do Cordeiro, há amplo espaço. Talvez digas agora: “ Não tenho essa mentalidade, não sou como Jesus, e por isso tam bém não posso orar assim!’ Eu gostaria de apresentar-te um 43


exemplo bíblico, que é muito animador. Quando novo, Moisés era um ho­ mem muito colérico, mas quando ficou velho, lemos dele: “Era o varão Moisés m ui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a ter­ ra” (Nm 12.3). Por isso justamente Moisés tinha um coração tão largo e tão grande capacidade de suportar, e por isso seu poder de calar era ao mes­ mo tempo seu poder de orar: ele pôde ficar quieto diante de Deus por qua­ renta dias. A conseqüência foi que ele tornou-se manso. O que nos irrita, excita e agita são as influências de fora, que querem novamente revivificar nosso “eu”. Através dessas influências exteriores perdemos a mentalida­ de de Jesus e com isso também o poder de orar.

Orar em nome de Jesus significa: ter o mesmo objetivo do que ele. Que objetivo teve oSenhor Jesus? Isso revela-se em sua oração: “Recomendoulhe Jesus: Não m e detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos, e dize-íhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso D eus” (Jo 20.17). Com isso ele quer dizer: nós dois te­ mos o mesmo objetivo — o Pai no céu! Com isso chegamos à relação mais íntima: os mesmos anseios. Quando nós temos os mesmos anseios que nos­ so Senhor Jesus, então tudo acaba bem. E qual era sempre seu maior an­ seio? A honra do Pai! Quando os discípulos lhe pediram: Senhor, ensinanos a orar” (Lc 11.1), ele os ensinou e apresentou-lhes o maior anseio: “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, faça-se a tua vontade..!’ Em outras palavras: não eu, mas tu, não m inha vontade, não meu objetivo, não eu sou o objetivo, mas tu. Na oração sa­ cerdotal o Senhor começa a falar imediatamente sobre si mesmo ou so­ bre seus discípulos? Não, sobre seu Pai: “Tendo Jesus falado estas cou­ sas levantou os olhos ao céu, e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glori fique a ti; assim com o lhe conferiste auto­ ridade sobre toda a carne..!’ (Jo 17.1-2). O único objetivo da sua oração era a glorificação do seu Pai e não ele mesmo ou seu ambiente. O mesmo acontece hoje na palavra profética: a ênfase da ação de Deus não está so­ bre os povos, mas sobre a pequena cidade de Jerusalém, na qual o Senhor se revelou e revelará. Sobre os povos lemos: “Eis que as nações são consi­ deradas por ele como um pingo que cai dum balde, e com o um grão de pó na balança” (Is 40.15). Os gentios são citados em uma curta frase, enquanto que encontramos capítulos inteiros sobre a cidade do Pai, do grande Rei. Se ele somente é o alvo, então sobre nossa vida é refletida a glória celes­ tial. Foi o que Jesus nos revelou. Se queremos tornar-nos como Jesus, então poderemos também orar como Jesus. Vamos orar mais, pois nunca um homem orou tanto quanto ele; ele permaneceu noites inteiras em oração diante de Deus. 44


Orar a partir do conhecimento de Deus “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (M t 6.9-10). ,

Através da oração — todos sabemos disso mais ou menos bem — deve ser realizada a vontade de Deus. Assim disse Jesus no “Pai Nosso” : “faça-se a tua vontade, assim na terra com o no céu’.’ Não está dito, portanto, que primeiro vêm nossos assuntos e depois os assuntos de Deus, mas o con­ trário. Não é isso então uma contradição com aquilo que Jesus diz em João 15.7? Lá não está escrito nada a respeito de que devemos pedir que acon­ teça a vontade de Deus, mas exatamente o contrário: “Sepermanecerdes em m im e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito!’ Como se pode agora unificar a santa vontade de Deus com a tua e a m inha vontade? Se formos bem honestos, temos que confessar que nós em nossa natureza, em nosso caráter, temos sempre no­ vamente a tendência de impor nossa própria vontade ao invés da vonta­ de de Deus. Quem ainda não reconheceu isso, ainda não conhece a si mes­ mo. Até mesmo em nossa vida de oração somos tão egocêntricos, que mui­ tas vezes acham os que nossos pedidos correspondem à vontade de Deus, mas na realidade eles procedem da nossa própria vontade. Existe uma cha­ ve para o entendimento dessas duas afirmações aparentemente contradi­ tórias do Senhor Jesus: “faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” e “Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o quequiserdes, e vos será feito’.’ A resposta é m uito evidente. A chave para essa promessa é a condição que Jesus cita: “Sepermanecerdes em m im e as minhas palavras permanecerem em vós!’ Isso é o principal. O permanecer nele não é um esforço, mas um deixar-se cair em seus for­ tes braços. Conforme João 15.4, o permanecer em Jesus tem dois lados: “permanecei em mim, e eu permanecerei em vós..!’ Se o Senhor'diz: “per­ manecei em m im ”, então temos que lembrar que agora ele não está mais fisicamente na terra, mas encontra-se assentado à direita do Pai em seu cor­ po de glória e ao mesmo tempo habita em nossos corações através do Es­ pírito Santo: “e assim habite Cristo nos vossos corações, pela fé..!’ (E f 3.17a). Antes do Senhor ter ido para a cruz, acontecia o contrário. Então ele andava na terra em seu corpo m as seu Espírito estava continuamente com o Pai. É o que diz João 3.13: “Ora, ninguém subiu ao céu, senão aque­ le que de lá desceu, a saber, o Filho do hom em que está no céu.” Ele esta45


va na terra mas ao mesmo tempo também no céu. Então ele foi à cruz e morreu por nós, foi sepultado e ressuscitado, e finalmente subiu ao céu, onde está agora assentado à direita de Deus (Ef 1.20). Dali ele exerce to­ do o domínio e poder, não somente neste mundo, mas também no futu­ ro. Portanto, sua posição no céu é um a posição de vitória inconteste. E mes­ mo assim ele habita ao mesmo tempo em nossos corações! Se o Senhor diz: “permanecei em m im , e eu permanecerei em vós”, onde nós estamos então? Estamos aqui na terra em nosso corpo pecaminoso, m ortal, mas nosso espírito renascido está no céu: “Pois a nossa pátria es­ tá nos c é u s.” (Fp 3.20). Não está dito que nossa pátria será no céu, mas está no céu, já aconteceu. Efésios 2.6 diz: “... com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus..!’ Justamente por isso, porque no dia a dia estamos com os dois pés no chão, precisamos ter essa certeza, que apesar do nosso corpo estar aqui na terra, nosso espírito es­ tá em Jesus Cristo. Se, pois, o Senhor diz: “permanecei em mim, e eu per­ manecerei em vós”, então ele quer que permaneçamos com ele nessa po­ sição de vitória incontestada, isto é, ressuscitados com ele, assentados com ele nos lugares celestiais. Com as palavras: “... e eu permanecerei em vós”, ele nos exorta que através do Espírito Santo lhe entreguemos o domínio completo em nosso coração. Então estamos em constante relação vital com ele, e através dessa circulação vital explica-se então que podemos pedir o que nós queremos, pois nossa vontade estará então sincronizada com a san­ ta vontade de Deus. Mas não é só isso. Se temos essa relação vital com o Senhor Jesus, se permanecemos nele e podemos pedir o quç queremos e o que o Senhor nos inspira, então rece­ bemos ainda mais. Pois é m uito importante que observemos o seguinte: se formamos um a unidade orgânica com o Senhor Jesus, alcançamos o conhecimento do Pai como Jesus o tinha. Então seu poder é nosso poder, sua vitória é nossa vitória, seu amor é nosso amor, sua paciência é nossa paciência e sua disposição de sofrer é também nossa— tua e minha — dis­ posição de sofrer. Isso refere-se à nossa pessoa, mas recebemos também aquilo que ele tinha em conhecimento: seu conhecimento do Pai que a tudo excedia. Para podermos orar vitoriosamente, também nós precisamos co­ nhecer Aquele a quem oramos! Esse é todo o segredo. Por isso o Senhor Jesus diz: “Portanto, vós orareis assim: Pai n o s s o .( M t 6.9). “Pai nos­ so”, isso expressa um a relação profunda e íntima com o Senhor. Através do conhecimento do Pai, nossas orações ficam bem diferentes, muito mais concretas, e são expressão da mais profunda certeza de fé. Se oramos no conhecimento de quem, como e o que Deus é como Pai, então sabemos também com certeza que ele ouve. Mas então sabemos ainda mais: quando oramos, ele já nos ouviu! Isso não é exagerado? Não! Encontramos a prova 46


bíblica em Mateus 6. Lá está escrita um a palavra importante para aque­ les que sempre acham que na reunião de oração precisam orar bonito e im­ pressionar com palavras escolhidas. Tais orações não são orações vitorio­ sas. O Senhor Jesus diz: “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu m uito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que ten­ des necessidade, antes quelhopeçais” (M t 6.7-8). Aí vem então o racio­ cínio lógico e argumenta que nesse caso nem precisaríamos orar. Ah sim, pois justam ente através da oração na fé somos preparados interiormen­ te, para que a bênção de Deus, que ele já queria ter dado há muito, possa «fluir em e através de nós. Esse é o conhecimento do Pai, como Jesus o ti­ nha. Em João 11.41 está escrito: “Tiraram, então, apedra. E Jesus, levan­ tando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque m e ouviste!’ Quando Jesus orou assim, Lázaro ainda estava morto, pois ele já estava há quatro dias na sepultura. Mas o Senhor tinha um conhecimento tão pro­ fundo do Pai, que nunca temia e podia dizer mesmo diante do Lázaro mor­ to: "... graças te dou porque m e ouviste”. Essa é um a oração cheia de po­ der, que vence tudo. O conhecimento do Pai faz-nos orar objetivamente e nos dá um a certeza interior, que ninguém pode tirar-nos. Então nem nos deixamos mais im­ pressionar por aquilo que vemos, mas deixamos determinar-nos por aquilo que Deus tem preparado em sua glória. Mas ainda mais: quando come­ çamos a orar assim no conhecimento de Deus, poderemos também orar na fé. Então compreenderemos tam bém a exigência de Jesus: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (M t 5.48). Isso é uma exigência impossível para nosso raciocínio, pois como podemos ser per­ feitos como o Pai no céu? Por que Jesus tinha então tal autoridade de fé na oração? Porque ele conhecia tão bem o Pai. Mas por que ele conhecia tão bem o Pai? Porque ele era completamente um com o seu Pai. Agora talvez alguém pode objetar: “Naturalmente, o Senhor Jesus era um com seu Pai desde a Eternidade!’ Isso está certo, justamente por isso ele veio, para nos levar de volta a Deus — como disse Paulo — sim, para introduzirnos em Deus. É o que lemos em Colossenses 3.3: a vossa vida está oculta juntam ente com Cristo, em D eus’.’ Para quê? Para que nos tornemos ver­ dadeiros pais e mães em Cristo. O Senhor descreve de m aneira comoven­ te seu am or por Sião: “A casopode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não m e esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas m ãos te gravei..!’ (Is 49.15-16a). Isto é amor de mãe! E com o Salmo 89.26 podemos dizer: “Tu és m eu pai!’ Es­ se é o Pai amoroso. Quanto mais conhecemos o Senhor, tanto mais nos assemelhamos ao seu ser e tanto antes tornam o-nos pais e mães em Cris­ •17


to. Então acaba a canseira na oração, e aprendemos a orar sem cessar. Se estivermos em constante ligação com o Senhor, tornam o-nos semelhan­ tes ao seu ser, e vem sobre nós uma grandiosa paz, de modo que podemos dizer: “Pai, graças te dou porque m e ouviste!’ Então sabemos do poder da paternidade espiritual. O apóstolo João, ele próprio um pai em Cris­ to, mostra-nos quatro níveis dos filhos de Deus: filhinhos, filhos, jovens e pais. Cada nível tem suas próprias características. Os filhinhos, os bebês, dão sempre tanto trabalho. Em uma família, sempre temos que ocupar-nos primeiro com eles. Em 1 João 2.12 está escrito des­ ses filhinhos: “Filhinhos, eu vos escrevo, porque os vossos pecados são per­ doados, por causa do seu nome!’ O círculo dos bebês ainda é bem peque­ no: ele consiste de dar mamadeira, trocar fraldas, deitar na cama e tirar novamente. Esse é seu mundo; além disso eles ainda não vêem nada. Dor­ mir e mamar, esses são seus únicos anseios, todo o resto lhes é indiferen­ te. Também com bebês em Cristo é semelhante: para eles, o mais impor­ tante é terem o perdão dos pecados. Eles ainda não sabem orar, somente gritar. Eles ainda não conseguem dizer “Aba, Pai”, mas somente m urm u­ rar. Eles também são muito instáveis, pois podem estar aparentemente in­ consoláveis e no próximo momento rir novamente. Esses são os cristãos bebês, que podem estar profundam ente ofendidos, e no dia seguinte está tudo novamente bem. Esses são os bebês na Igreja de Jesus, que dão muito trabalho. É preciso sempre “trocar suas fraldas”, dar-lhes a alimentação com a colher, pois de modo nenhum suportam alimento forte. Tais bebês precisam ser sempre evangelizados, porque necessitam de leite. Eles não querem — como diz a Epístola aos Hebreus — deixar-se “levarpara o que éperfeito”, mas lançar “de novo a base do arrependimento de obras mortas, e da fé em Deus..!’ (Hb 6.1b). É bonito quando nascem bebês, mas se eles permanecem bebês, isso é terrível. Então João diz no versículo 13: “Eu vos escrevo, filhos, porque conhecestes o Pai” (Ed. Rev. e Corr.). A diferença entre bebês e filhos consiste em que filhos conhecem seus pais, enquanto um bebê praticamente não conhece seus pais e também os esquece imediatamente. Mas um a criança que já tem quatro, cinco, seis, sete ou oito anos, tem ura relacionamento com os pais. Ela conhece o pai e tem comunhão*com ele, mas ainda não é um apoio, uma verdadeira ajuda na família. Uma criança ainda deve ser tratada muito paternal e maternalmente. Mas então vem o terceiro nível. João cita-o duas vezes, porque ele é m ui­ to im portante na Igreja de Jesus. E mesmo assim, é ruim quando filhos de Deus ficam parados nesse nível, pois assim ainda não são pessoas de oração: “Jovens, eu vos escrevi, porque tendes vencido o maligno... Jovens, 48


eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o maligno” (1 Jo 2.13b, 14b). E quem são os jovens espi­ rituais na Igreja de Jesus? Trata-se de mulheres e homens, meninas ou ra­ pazes, que vivem das experiências, pois João diz a essa equipe jovem: “Vo­ cês são forte, vocês venceram o maligno. A palavra de Déus permanece em vós. Vocês experimentaram a vitória de Jesus. Vocês experimentaram aten­ dimentos às orações”. Esse já é um belo passo adiante, não é mesmo? De maneira geral, a Igreja de Jesus consiste de duas espécies de crentes, mais concretamente, inicialmente de dois extremos: uma grande maioria de be­ bês e um m enor número de jovens. Esses jovens louvam o Senhor, dizen­ d o que o Senhor os ouviu maravilhosamente e lhes respondeu gloriosa­ mente. Eles falam da vitória que puderam experimentar no dia-a-dia. É esse o objetivo final de Deus com seus filhos? Não! Devemos crescer no conhecimento do Pai, e isso conduz à paternidade e maternidade espiri­ tual. Tal reconhecimento têm aqueles que têm autoridade na oração e por isso são os que menos se esgotam na oração. Isso pode ser provado com base na Palavra. João diz duas vezes: “Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que existe desde o princípio” (1 Jo 2.13a). Isso, portanto, é mui­ to, muito mais profundo. Os pais espirituais reconhecem Deus em seus ca­ minhos e em seu ser. Por isso procede uma paz sublime de pais e mães es­ pirituais, e quando eles deixam de comparecer à reunião de oração, há um grande vácuo. Eles são os que falam menos, mas têm o m aior poder ju n ­ to a Deus. Mas infelizmente eles são um a minoria minúscula na Igreja de Jesus. Lembremos um a vez o ataque de Amaleque a Israel em Êxodo 17. Lá o jovem Josué lidera o povo de Israel e luta junto. Mas sua vitória depende da oração de um a pai espiritual, que nada faz além de orar: Moisés. “Quando Moisés levantava a mão, Israel prevalecia; quando, porém, ele abaixava a mão, prevalecia A m aleque” (Éx 17.11). Orem com e por nós, para que permaneçamos orando, pois nossos braços freqüentemente que­ rem ficar cansados. O mais im portante é que na oração perseveremos no conhecimento de Deus. Quando não se reconhece o Senhor, desperdiçase muito poder de oração, e tndo é cansativo. Mas o conhecimento do Se­ nhor dá poder de geração espiritual. Que autoridade tinha Abraão, que em Romanos 4 é chamado sete vezes pai? O que ele disse ao rei de Sodoma? “Levanto minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o que possui os céus e a terra, e jüro que nada tomarei de tudo o que te pertence, nem um fio, nem uma correia de sandália, para que não digas: Eu enriqueci a Abraão” (Gn 14.22-23). Esse era seu poder. Ele reconheceu Deus em seu ser. Como era com Elias? Toda vez que vou ao Carmelo, tenho que pen­ sar no momento crítico quando Elias — cercado por milhares e milhares de israelitas e pelos sacerdotes de Baal — disse uma oração bem curta: “Ó 49


,scnlun, Deus de A b r i u to, de Isac/uc c de Israel, íique h o /c subi do que tu

és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que segundo a tua palavra fiz todas estas cousas. Responde-me, Senhor, responde-me, para que este povo saiba que tu, Senhor, és Deus..!’ (1 Rs 18.36-37). Elias deve ter estado muito seguro de si! Como ele teria se envergonhado, se Deus não tivesse respon­ dido! Elias tinha tal conhecimento do Pai, que ele mesmo era como o Pai .e por isso nem duvidava da resposta do Senhor. Quando ele subiu então ao céu, Eliseu gritou atrás dele: “M eu pai, m eu pai" (2 Rs 2.12). Ou pen­ semos em Paulo, que repreende os coríntios e corrige-os quase ironicamen­ te por causa das difamações contra ele, e então repentinamente diz bem meiga e paternalmente: “N ão vos escrevo estas cousas para vos envergo­ nhar; pelo contrário, para vos admoestar com o a filhos meus amados... pois eu pelo evangelho vos gerei em Cristo Jesus” (1 Co 4.14,15b). Homens e mulheres na presença de Deus crescem no conhecimento de Deus, e a par­ tir desse conhecimento tornam-se pessoas de oração sempre mais pode­ rosas, que perseveram até que o Senhor responde. Eles oram na certeza que ele já respondeu e somente esperam que o atendimento se torne visível.

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O louvor é importante? “... Matanias, este e seus irmãos dirigiam os louvores” (Ne 12.8b). Existem muitas funções e cargos, e aqui na Bíblia é citada a função de lou­ vor. É interessante que essa expressão só aparece um a vez nessa forma em toda a Bíblia. Dos homens que haviam retornado da Pérsia, de Babel, Neemias tinha investido um que tinha a função de louvar. Sabemos que agra­ decer é um a expressão da fé, mas dificilmente sabemos ou imaginamos quanto o Senhor espera nosso louvor. Pois acontece que Deus reage ime­ diatamente, e isso de maneira visível, perceptível e poderosa, quando lhe agradecemos de todo o coração, pois com isso testemunhamos que cre­ mos. Todas as lamentações e queixas, no fundo são incredulidade ingra­ ta e atrevida, também a lamentação sobre o excesso de trabalho, pois te­ mos um a fonte de poder que nunca seca. Friso mais um a vez que o Senhor reage imediatamente, e que acontece algo no m undo invisível, quando em nossa situação começamos a louvar. Então estala algo, então o poder do inimigo é quebrado. Tomemos o exemplo de 2 Crônicas 20. Quando Je­ rusalém estava sitiada e o rei Josafá não sabia mais o que fazer, pois os fi­ lhos de M oabe e Amom vinham para lutar contra ele, ele confessou ho­ nestamente ao Senhor o seu temor. Pois tinham-lhe avisado: “Grande mul­ tidão vem contra ti dalém do mar e da Síria” (v. 2). Na verdade deveríamos dizer: o homem não teve grande fé. Mas justamente aqui está o segredo da fé, em dizermos tudo sobre nós claramente ao Senhor, sem enfeitar na­ da. Josafá confessa, por exemplo, a sua impotência: “A h ! Nosso Deus, aca­ so não executarás tu o teu julgam ento contra eles ? Porque em nós não há força para resistirmos a essa grande m ultidão que vem contra nós ” (v. 12). Ele confessa também sua perplexidade: “ ... e não sabemos o que fazer” (v. 12b). Sim, e o que o Senhor pode fazer com tais pessoas impotentes e perplexas? Um a coisa, porém, Josafá podia: orar! Ele sabia orar ao Se­ nhor, pois diz: “... os nossos olhos estão postos em ti” (v. 12b). Ele irrom­ pe para a fé, e lança toda a cqrga dos filhos de Amom e de Moabe e do exér­ cito de milhares sobre o Senhor, de modo que anuncia a todo o povo: “Credeno Penhor nosso Deus, e estareis seguros ” (v. 20b). A fé de Josafá é tão contagiante, que surge um movimento de fé, e todo o povo expressa sua fé no Senhor. Israel não crê mais nesse grande exército, que está tão amea­ çador diante de Jerusalém, mas crê no Deus invisível. Essa fé vitorio­ sa do povo expressa-se no-versículo 22: “Tendo eles começado a can­ tar e a dar louvores, pôs o Senhor emboscadas contra os filhos de A m om e de Moabe, e os do monte Seir que vieram contra Judá, e foram desba­ ratados!’ Israel precisou somente assistir como o Senhor interveio, pois os 51


inimigos destruiram-se a si mesmos: “Porque os filhos deA m om e de Moabe se levantaram contra os moradores do m onte Seir, para os destruir e ex­ terminar; e, tendo eles dado cabo dos moradores de Seir, ajudaram uns aos outros a destruir-se” (v. 23). O povo de Israel, portanto, nem precisou lu­ tar, mas somente fazer uma coisa: louvar. O inimigo ameaça, atorm enta e aflige, mas também na tua vida ele está vencido, se ousas começar a louvar e então agradeces até ao despertamento. Não é de admirar que o salmista diz: ‘‘Bom é render graças ao Senhor” (SI 92.2). Por quê? Quando com base na tua fé começas a louvar porque crês no Senhor invisível, Deus tem a possibilidade de tirar-te da opressão para a amplitude. Então ele tira-te da limitação do teu dia-a-dia e te dá grandiosas perspectivas. Quando se começa a agradecer, percebe-se co­ mo se é estúpido e míope. Vê-se somente a própria escrivaninha, a própria cozinha, o próprio dia-a-dia, sente-se somente as próprias dores. É inte­ ressante, mas sempre de novo, repentinamente, algo pode obscurecer-nos completamente a visão da fé, de maneira que se fica preso pelas pequenas coisas que nos ocupam. Mas quando te esforças para louvar, então a oni­ potência de Deus irrompe em tua fraqueza e abate o inimigo, e o Senhor mesmo abre-te perspectivas bem novas, das quais até agora não tinhas ne­ nhum a idéia. É o que quer dizer a conhecida palavra: “Oferece a Deus sa­ crifício de ações de graça... O que m e oferece sacrifício de ações de gra­ ça, esse m e glorificará; e ao que prepara o seu caminho, dar-lhe-ei que veja a salvação de D eus” (SI 50.14a,23). Em outras palavras: quem ousa pas­ sar dos pedidos, orações e adorações ao louvor, a esse Deus mostra um ca­ minho completamente novo. Vamos aplicar isso bem pessoalmente: sabes o que Deus te mostra então? Ele mostra-te então o caminho para agrade­ cer por coisas pelas quais naturalmente não estarias disposto a agradecer, mas que rejeitarias decididamente. Nesse sentido já observei muitas vezes diferentes pessoas. Elas estavam amarguradas por algo que lhes sobreveio e que as feria, e então “encerravam o expediente”. Mas o Senhor quer que agradeçamos por isso. Por que devemos agradecer? O Salmo 118.21 nos diz isso claramente: “Render-te-ei graças porque m e acudiste, e foste a m i­ nha salvaçãol’ Essa é a m inha experiência pessoal e a experiência de m ui­ tos servos e servas de Deus, que podem dizer com Davi: “ .. com fidelida­ de m e afligiste” (SI 119.75). Se és humilhado — por exemplo, pela tua vi­ zinha, pelo teu colega de trabalho, pelas autoridades — sendo feita algu­ ma injustiça a ti e sendo afetada a tua personalidade, então deverias agra­ decer por isso. Quem conhece o caráter de Deus, tam bém pode realmen­ te agradecer por isso, pois já começou a agradecer antes. Quem agradece penetra mais profundam ente no caráter de Deus, e o Senhor lhe mostra o caminho da salvação. “Não conhece o meu caminho” (SI 95.10), lamenta o Senhor sobre o povo de Israel. Se ele agora permite que sejas desconsi­ 52


derado e ainda mais profundamente humilhado pelos que estão à tua volta, então ajoelha-te e diz: “Agradeço-te por que me hum ilhas”. Davi diz em outro lugar: “ .. a tua clemência m e engrandeceu” (SI 18.35b). Esse é o ca­ minho de Deus! Outra coisa pela qual se aprende a agradecer, são os irmãos no Senhor. Sei que muitos crentes desperdiçam seu poder de oração, contando como têm dificuldades com esse ou aquele, enumerando todo o mal. Mas se tu começas a conhecer o Senhor no louvor, então agradeces por todos os irmãos. É o que diz Paulo, um homem que não exagerava, pois era de poucas pa­ lavras. Ele escreve aos Filipenses: “Dou graças ao meu Deus por tudo que recordo de vós” (cap. 1.3). Os filipenses eram filhos de Deus maravilho­ sos, de orientação clara e fiéis, que se colocavam ao lado de Paulo. Por isso pode-se retrucar que era fácil dar graças por eles, segundo o lema: se és bom comigo, sou bom contigo. É fácil agradecer pelos irmãos bons e amáveis. Mas Paulo agradeceu também pelos difíceis e incômodos: “Sempre dou graças a m eu Deus a vosso respeito, a propósito da sua graça, que vos foi dada em Cristo Jesus” (1 Co 1.4). Os coríntios quase ainda não tinham crescido em sua vida de fé. Paulo tinha muito trabalho com eles e teve que advertí-los seriamente. Mas ele começou agradecendo por eles. Por que ele podia fazê-lo? Havia tantas divisões, contendas, ciúmes e difamações na igreja dos coríntios, e ela havia atacado Paulo. Por que, então, ele po­ dia agradecer? “Sempre dou graças a m eu Deus a vosso respeito, a pro­ pósito da sua graça’.’ Também no mais difícil dos crentes encontramos ain­ da o melhor: a graça de Deus. Sempre se tem motivos para agradecer pe­ lo privilégio dele ter experimentado a graça, mesmo que depois se tenha que dizer-lhe a verdade. Nisso justam ente está a autoridade de Paulo, e o motivo porque esse homem, apesar de tudo, não desanimou, mas conti­ nuou firme. Pois ele também era um homem de carne e sangue, e um dia poderia ter dito: “Agora estou cheio..!’ Mas ele ficou firme até ao fim, por­ que orava continuamente. É o que ele escreve aos Tessalonicenses: “Da­ mos sempre graças a Deus por todos vós, mencionando-vos em nossas ora­ ções, esem cessar.” (1 Ts 1.2). Aqui já temos novamente essa fonte de poder de louvar, e desse louvor nasce então a intercessão efetiva. Nesses dias aconteceram-te diversas coisas desagradáveis? O Senhor quer de nós que não agradeçamos somente pelos bons tempos, mas também pe­ los maus, pelo positivo e pelo negativo. Sobre isso lemos em Efésios 5.20 algo que é impossível para o hòmem natural: “dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nom e de nosso Senhor Jesus Cristo!’ Deve­ mos agradecer pela noite e pelo dia, pelo animador e pelo entristecedor. Se fizeres isso, então penetrarás cada vez mais no caráter de Deus. O Se­ nhor abre-te então nível após nível da sua glória, e leva-te às suas câma­ 53


ras do tesouro. Ele reflete em ti a alegria da eternidade, porque te tornaste um filho de Deus que louva. Então já estás em meio ao despertamento; então o despertamento na tua vida já é um fato. Isso tem então efeito tão contagiante, que milhares serão atingidos. Pensemos mais um a vez em Jo­ safá. Primeiro ele era pequeno, desanimado e abatido, e não sabia mais o que devia fazer, mas então na oração elevou-se ao louvor, porque rece­ beu a Palavra de Deus. Isso teve efeito tão contagiante, que toda Jerusa­ lém ficou em condições de enfrentar vitoriosamente a massa dos inimi­ gos, pois os seus habitantes começaram a cantar e louvar ao Senhor. Va­ mos fazer o mesmo? Temos todos os motivos para isso!

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O altar restaurado “Então disse Elias a todo o povo: Chegai-vos a mim. E todo o povo se che• goua ele; Elias restaurou o altar do Senhor, que estava em ruínas. Tomou doze pedras, segundo ò número das tribos dos filhos de Jacó, ao qual viera a palavra do Senhor, dizendo: Israel será o teu nome. Com aquelas pedras ' edificou o altar em nom e do Senhor; depois fez um rego em redor do al­ tar tão grande com o para semear duas medidas de sementes” (1 Rs 18.30-32). O altar restaurado foi o cerne do juízo de Deus sobre o Carmelo, o início de um a revelação completamente nova de Deus a Israel. A conseqüência foi chuva refrescante, que derramou-se sobre a terra seca e tórrida. Isso pre­ tende dizer-nos que nunca pode haver um novo início ou um novo desper­ tamento, antes que restauremos o destruído altar do Senhor em nossos co­ rações e èm nossos lares. Observemos que Elias restaurou o altar do Se­ nhor, quando tinha acabado o clamor ao ídolo: “Passado o meio-dia, pro­ fetizaram eles, até que a oferta de manjares se oferecesse; porém não houve voz, nem resposta, nem atenção alguma. Então Elias disse a todo o p o ­ vo: Chegai-vos a m im ” (1 R s 18.29-30a). O povo afastou-se, portanto, de Baal, voltando-se a Deus o Senhor, chegando-se a Elias, e Elias restaurou o altar do Senhor, que estava em ruínas. Todos nós desejaínos um novo derramamento do Espírito de Deus. Mas pergunto-te: quando estás pronto a rejeitar o anseio por ídolos e a vaidade, para que possas voltar-te comple­ tamente para o Deus vivo? Por que o altar do Senhor era e é tão importante e decisivo também aqui em 1 Reis 18? “Altar” significa “alto sublime, lugar sublime”. Em primeiro lugar, o altar era o único lugar onde Deus encontrava e abençoava seu povo, através do^acrifício substituto que era oferecido a Ele sobre o altar. Deus, o Santo, sempre encontra o pecado somente no sacrifício substituto. A s­ sim foi tam bém no Sinai, quando o povo começou a fugir diante da voz de Dèus e da sua santa Majestade. Então o Senhor disse a Moisés: “Um altar de terra m e farás, e sobre ele sacrificarás os teus holocaustos, as tuas ofertas pacíficas, as tuas ovelhas, e os teus bois; em todo lugar onde eu fizer celebrar a mem ória do m eu nome, virei a ti, e te abençoarei” (Êx 20.24). O Senhor diz, portanto, expressamente que Moisés deve fazer um altar e oferecer sobre ele um holocausto e um a oferta de gratidão. Deus prometeulhe também vir a ele nesse lugar e que o abençoaria. Que maravilhosa fi­ gura de Gólgota, onde Deus encontra o pecador no sacrifício substituto do Senhor Jesus Cristo! O m aior anseio de Elias era trazer de volta para 55


o Senho r

o

povo desviado. Por isso, era essencial restaurai o altar d o S e ­

nhor, que estava em ruínas. Se anseias por um novo encontro com o Deus vivo, então dirige-te ao altar e não continues contornando o único lugar onde o Senhor pode encontVar-te e quer abençoar-te: Gólgota! O altar era sempre novamente a primeira coisa que os homens da Bíblia edificavam, quando encontravam a Deus ou queriam encontrá-lo. O pri­ meiro altar foi edificado por Noé: “Então disse Deus a Noé: Sai da arca, e, contigo, tua mulher, e teus filhos, e as mulheres de teus filhos” (Gn 8.15-16). Quando Noé colocou novamente seus pés sobre a terra julgada por Deus através do dilúvio, lemos desse novo começo no Plano de Sal­ vação: “Levantou N oé um altar ao Senhor, e, tomando de animais limpos e de aves limpas, ofereceu holocaustos sobre o altar” (Gn 8.20). É realmente comovente como o Senhor, em virtude da atitude de Noé, promete sua gra­ ça a centenas de gerações: “E o Senhor aspirou o suave cheiro, e disse con­ sigo mesmo: N ão tornarei a amaldiçoar a terra p o r causa do homem, por­ que é mau o desígnio íntim o do hom em desde a sua mocidade; nem tor­ narei a ferir todo vivente, com o fiz. Enquanto durar a terra não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite” (Gn_ 18.21-22). É como se o Deus santo quisesse dizer: vou satisfazer-me com o sacrifício substituto, que será oferecido pelo pecado dos homens. Sabe­ mos que Deus mesmo ofereceu esse sacrifício, entregando seu Filho unigênito. Ou pensemos em Abraão, que edificou quatro altares para o Senhor: o pri­ meiro foi levantado em Siquém, após sua entrada na terra de Canaã. “A p a ­ receu o Senhor a Abraão, e lhe disse: Darei à tua descendência esta terra. A li edificou Abrão um altar ao Senhor, que lhe aparecera” (Gn 12.7). O último altar foi edificado ao Senhor, quando ele se dispôs a entregar seu único filho (Gn 22.9). Assim vemos através de todo o Plano de Salvação, como Abraão, Isaque e Jacó levantaram novos altares ao Senhor. O altar do holocausto, que foi erguido no pátio do templo, era praticamente a por­ ta para o Santuário. Ninguém podia ir ao Santuário, a não ser que pas­ sasse pelo altar do holocausto. Finalmente Deus mesmo, por sua próprij iniciativa, fez erguer um altar e sacrificou o que mais amava: ele deu Je­ sus, seu próprio Filho, como Holocausto, para que nós novamente pudés­ semos encontrá-lo, a Ele, o Santo. É o que quer dizer Amós, quando fala ao povo no capítulo 4.12: "... prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus!’ No Novo Testamento nos é dito: “Possuímos um altar” (Hb 13.10). Que altar? Gólgota! A cruz! O Senhor crucificado foi oferecido*como holocausto sobre este altar, para que tu e eu novamente pudéssemos encontrar a Deus. 56


Depois que vimos o grandioso significado do altar como local de sacrifí­ cio, como al^o sublime, como lugar de encontro entre Deus e o homem através do sacrifício substituto, compreendemos melhor a m udança pro­ funda que se realizou sobre o Carmelo, quando o profeta Elias restaurou o altar do Senhor, que estava em ruínas. Analisemos agora as diferentes leis dcTreino de Deus, cujo cumprimento leva o Deus fiel a responder in­ dubitavelmente com fogo do céu. Ou, em outras palavras: perguntemonos agora o que devemos fazer para que o poder do fogo do Espírito Santo possa incendiar-nos e incandescer-nos. Ou: como recupero o primeiro amor? • De Elias lemos: “Com aquelas pedras edificou o altar em nom e do Senhor; depois fez um rego em redor do altar tão grande com o para semear duas medidas de sementes. Então armou a lenha, dividiu o novilho em peda­ ços, pô-lo sobre a lenha” (1 R s 18.32-33). O altar do Senhor que foi res­ taurado por Elias, conforme 1 Reis 18.31, consistia de 12 pedras: “ .. segun­ do o número das tribos dos filhos de Jacó, ao qual viera a palavra do Se­ nhor, dizendo: Israel será o teu nom e” Com isso Isaías figuradamente res­ tabelece a unidade desfeita de Israel, e isso através da restauração do altar. Nesse contexto lembro 1 Coríntios 10.18, onde se fala da participação do altar. Lá está escrito: “Considerai o Israel segundo a carne; não é certo que aqueles que se alimentam dos sacrifícios são participantes do altar?” Sim, meus prezados amigos, não é Gólgota nosso altar e não é Jesus Cristo aquele que nos une? “Participação do altar” significa neotestamentariamente: Igreja de Jesus. Ter participação do altar significa: m anter a ver­ dadeira unidade da Igreja de Jesus e a obediência de fé. Sem unidade in­ terior não existe fogo do alto. Se dois ou três são completamente unidos em Jesus, então eles são dom inadores do mundo, porque Deus o Senhor faz queimar em seus corações as labaredas do Espírito Santo. Comecemos hoje, agora, a exercer essa unidade orgânica, à qual pertencemos como pes­ soas renascidas. Somos um a com unhão de sangue! Por que deixas que o diabo consiga separar-te do teu irm ão e da tua irmã por causa de um a ba­ gatela? Através do seu ato, Elias mostrou do que consiste a unidade do po­ vo de Deus: do altar restaurado! Com isso ele anunciou aquela lei do rei­ no de Deus que tem validade por todos os tempos até ao dia de hoje, ou seja: que a unidade entre os filhos de Deus é a base e condição essencial para a revelação da glória de Deus! M uitos de nós vivem um a vida muito isolada! Eles estão ocupados demais com sua própria pessoa e preocupa­ dos com sua própria alma e não se ocupam do dia-a-dia, da Igreja de Jesus. Vejamos agora um a outra lei do reino de Deus, que é necessário observar, se quiseres ficar novamente cheio do fogo do primeiro amor. Está escrito 57


no versículo 32 de 1 Reis 18: “Com aquelas pedras edificou o altar em nome do Senhor; depois fez um rego em redor do altar tão grande como para semear duas medidas de sementes!’ Por que essa atitude incomum? Não respondamos intrometida e apressadamente. Existem algumas razões ocul­ tas porque Elias cavou um rego como para semear duas medida de semen­ tes na terra seca em volta do altar. Primeiramente: como limitação. Com isso Elias deixava claro que a participação do altar, ou seja, todo o povo que se havia chegado, não tinha nada, mas nada mesmo, a ver com a par­ ticipação do altar dos servos dos ídolos. Havia um a separação, pois que com unhão tem a luz com as trevas? Não permitas mistura em tua vida! Se quiseres que Deus responda aos teus clamores por despertamento em tua alma, então estabelece um a clara limitação! Além disso, esse rego em volta do altar significa tam bém um aprofunda­ mento. É como se Elias quisesse dizer: para a profundidade! Os que estavam em volta primeiro nem compreenderam do que se tratava. Eles não sabiam que Elias queria restaurar não somente o altar visível, mas tam ­ bém o invisível no coração do povo. Do Antigo Testamento, sabemos que havia dois altares. Um, do qual se fala em Êxodo 27, encontrava-se fora no pátio, sob o céu aberto. Nesse eram oferecidos os diferentes sacrifícios, que apontavam todos para Jesus Cristo. Mas havia também um altar pe­ queno, o altar do incenso, do qual fala Êxodo 30, que estava oculto no San­ tuário e era coberto de ouro. O incenso da oração subia ao Senhor sem­ pre novamente entre duas noites. A preocupação de Elias era o coração do povo! É o que ele também diz em sua oração: “Responde-me, Senhor, responde-me, para que este p o ­ vo saiba que tu, Senhor, és Deus, e que a ti fizeste retroceder o coração de­ les” (1 Rs 18.37). Junto ao altar no interior do Santuário havia silêncio. Junto à luz do Espírito Santo era a mesa dos pães da proposição, o pão da vida, diante da face de Deus. Deus não tem interesse que deixemos as coisas exteriormente em ordem e restauremos nosso altar somente para que tudo volte aos trilhos certos. Não, não! O Senhor quer mais. Ele quer que a cruz seja erguida em teu coração. Esse também é um profundo signifi­ cado do rego que foi feito em volta do altar. Mas ainda outra coisa nos cha­ m a a atenção: Esse rego tinha que ser enchido. Com quê? Elias diz: “E n ­ chei de água quatro cântaros, e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha. Disse ainda: Fazei-o segunda vez; e o fizeram. Disse mais: Fazei-o terceira vez; e o fizeram terceira vez. De maneira que a água corria ao re­ dor do altar; ele encheu também dágua o rego” (w . 34-35). Esse rego ti­ nha que ser, portanto, enchido com água clara, que quase não existia mais naquele tempo. Aí mostra-se um a importante lei do reino de Deus: Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito (comp. Zc 4.6). Que m a­ 58


ravilhoso, claro e duplo significado tem aqui essa água, que se tornara rara, no rego que Elias havia feito em torno do altar: — Ela representa a clara Palavra de Deus, que se tornou rara. Pois renas­ cemos por meio da lavagem de água pela palavra (comp. Ef. 5.26). — Essa água em volta do altar, que excluia de antem ão qualquer realiza­ ção própria — também o sacrifício preparado foi m olhado com água — , tornava o fogo próprio ineficaz, de modo que a honra cabia exclu­ sivamente a Deus. O fogo próprio apaga e é incapaz de consumir o próprio ser! Quantas ve­ zes levantaram-se em ti as labaredas estranhas, mas tratava-se somente de ■ um entusiasmo sentimental, que não produziu nada. Realizações senti­ mentais, religiosas, não produzem nada para a Eternidade. H á sempre no­ vamente pais crentes preocupados, que insistem para que seus filhos ou­ çam a Palavra, participem de retiros de jovens ou deixem-se batizar, mas tudo isso não adianta nada. Não podes acender com teu fogo sentimen­ tal a água da Palavra, que está disponível. O fogo tem que vir do alto! Cum­ pre as condições e restaura o altar em tua vida. Deus responderá com fo­ go do alto! Aqui revela-se ainda outra lei do reino de Deus. Depois que o altar em ruí­ nas havia sido reedificado e a lenha havia sido preparada, está dito de Elias: “... dividiu o novilho em pedaços, pô-lo sobre a lenha” (v. 33). Todos nós sabemos que dos cinco diferentes sacrifícios do Antigo Testamento, o ho­ locausto tinha a característica especial de que tinha que ser oferecido com­ pletamente ao Senhor. Também aqui fala-se de um holocausto: “e disse: Enchei de água quatro cântaros, e derramai-a sobre o holocausto” (v. 34). Tratava-se, portanto, de um a entrega completa. Falamos disso com pra­ zer e apressadamente, mas freqüentemente damos 9/10 ao Senhor e que­ remos ficar com pelo menos 1/10 para nós mesmos! Pois esquecemos que •o sacrifício completo não era oferecido como um todo, mas dividido. Tra­ tava-se de um sacrifício despedaçado. Essa era a prova de que o holocausto era genuíno. Podemos falar e cantar muito do holocausto e da entrega com­ pleta, mas um holocausto, para ser aceito por Deus mesmo, tem que ser despedaçado. ‘‘Então armou a lenha, dividiu o novilho em pedaços, pôlo sobre a lenha’.’ N ada é tão inteiro, um todo em si mesmo, como nosso “eu”, nossa personalidade. Temos um a tendência natural em nós: a autoafirmação. Ela tem a maior prioridade em nossa vida em todas as circuns­ tâncias. Mas pergunto agora com santa seriedade: queres realmente ser incandescido de maneira nova com o fogo do primeiro am or do alto? En­ tão agradece a Deus pelo processo de despedaçamento no teu dia-a-dia! Toda injustiça que sofres em tua vida e toda humilhação, fazem parte desse processo de despedaçamento. 59


O momento desse acontecimento sobre o Carmelo foi e é da maior impor­ tância, pois ele é de significado profético: “N o devido tempo para se apre­ sentar a oferta de manjares, aproximou-se o profeta Elias, e disse: Ó Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, fique hoje sabido que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, eq u e segundo a tua palavra fiz todas es­ tas cousas. Responde-me, Senhor responde-me, para que este povo saiba que tu, Senhor, és Deus, e que a ti fizeste retroceder o coração deles. E n ­ tão caiu fogo do Senhor” (1 Rs 18.36-38a). Deve-se observar aqui duas coi­ sas: isso ocorreu no tempo para se apresentar a oferta de manjares, e isso era no começo da noite. “Passado o meio—dia, profetizaram eles, até que a oferta de manjares se oferecesse” (v. 29). Quando chegou a hora de apre­ sentar a oferta de manjares, quando o sol se punha e começava a ficar noite, Elias começou a orar. Que isso é aqui citado duas vezes, m ostra a impor­ tância do momento, pois a oferta de manjares era o único sacrifício sem sangue. Ela consistia de fina farinha, azeite e incenso, e apontava para a vida santa, sem m ancha do Senhor Jesus. Quando era urgente realizar a santificação, foi oferecido o sacrifício completo e restaurado o altar. Com isso realizou-se a entrega completa. Aqui a oferta de manjares e o holo­ causto coincidem, pois verdadeira santificação é ao mesmo tempo verda­ deira entrega. Quando? À noite! Com solene seriedade temos que cons­ tatar que já está ficando noite! Vem a noite, quando ninguém pode tra­ balhar! Aqui tinha ficado muito tarde na História de Israel, e o juízo esta­ va às portas. Mas mais um a vez foi restaurado o altar, mais um a vez o Se­ nhor revelou-se de maneira maravilhosa. Pois ele queria tanto revelar-se ao seu povo, pois ele o amava. Ele disse através do profeta Oséias: “Atraíos... com laços de amor” (Os 11.4). Não percebes e não vês, que a noite dos tempos finais veio sobre nós? Não queres agora restaurar o altar, que es­ tá em ruínas na tua vida, na tua família, no teu coração? A noite já está chegando! Mas Deus o Senhor está pronto a queim ar tudo que não pres­ ta em teu coração com seu fogo sagrado. Tu possuis a Palavra de Deus, tens a água, mas ela deveria ser acendida pelo fogo do alto. Estás pronto para isso, ou perderás também essa últim a oportunidade? É urgentemente necessário que te deixes santificar, pois a escritura adverte: “sem santificação ninguém verá o Senhor” (comp. H b 12.14). Por isso: entrega-te completamente a ele! A oferta de manjares e o holocausto coin­ cidem. Não deves continuar esperando e capengando de ambos os lados, pois: “... ainda dentro de pouco tem po aquele que vem virá, e não tarda­ rá” (Hb 10.37). O Senhor Jesus, nossa oferta de m anjares e holocausto, virá em breve! Quero dizê-lo com outras palavras: a constelação do Pla­ no de Salvação está muito claramente revelada, a oferta de m anjarei e o holocausto coincidem. Ou, dito de m odo ainda diferente: a santidade e glória de Jesus Cristo vão revelar-se em breve nos seus santos! Restaura ago­ ra teu altar, antes que seja muito tarde. 60


Ouer Deus dar mesmo um despertamento? Essa é um a pergunta que ocupa muitos filhos de Deus, e sobre a qual há diferentes opiniões. Mas leiamos o que diz a Palavra de Deus: “Se eu cerrar os céus de m odo que não haja chuva, ou se ordenar aos ga­ fanhotos que consumam a terra, ou se enviar a peste entre o meu povo; se >o meu povo, que se chama pelo m eu nome, se humilhar, orar e m e buscar, ' e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (2 Cr 7.13-14). Existem crentes excelentes e santificados, que acham que o Senhor atual­ mente não dá mais despertamento. Mas eu creio de todo o coração, que a única preparação correta da Igreja para a volta do Senhor Jesus é um des­ pertamento. Mas temos algum motivo para achar que realmente é a von­ tade de Deus, dar um despertamento? É decisivo conhecer a vontade de Deus, também para a própria vida, pois uma pessoa somente pode ser feliz se vive no âm bito da vontade de Deus. Pode-se perder o melhor de Deus, quando nos retiramos da sua vontade por desobediência. Agora talvez al­ guém pergunte: como Deus nos revela sua vontade? Deus nos revela sua vontade de três maneiras: 1. Através da direção do Espírito Santo. O Senhor Jesus disse que o Espí­ rito Santo nos guiaria a toda verdade. Todos aqueles que realmente que­ rem deixar-se guiar, sempre sabem claramente o caminho. O Espírito de Deus nos dirige. Falei muitas vezes com crentes que se encontravam em di­ visão interior e se perguntavam: “Será esse o caminho para mim, ou não? Não sei se é a vontade do Senhor!’ M as isso é completamente errado. Pois se cumpres aquela um a condição — eu quero fazer a vontade do Senhor a qualquer preço — , então nunca podes errar, então o Espírito de Deus guia-te a toda verdade. Se então em tua miopia mesmo assim acabares num caminho errado, o Senhor te traz de volta a tempo e diz: “N ão deves pas­ sar aqui, mas lá!” 2. Mas ele nos revela sua vontade^ambém pelas circunstâncias. Ele pode colocar-nos em um a determinada situação, através da qual podemos re­ conhecer claramente sua vontade. 3. Ainda mais claramente, reconhecemos sua vontade em sua Palavra. Deus revelou-nos sua vontade em sua Palavra. Assim conhecemos, por 61


‘ \e1111' K>, ,i \i)iiiad c dc D eus com relação à salvação de to d o s os hom ens. Sc nos p erg u n ta rm o s: “ Q u er D eus que to d o s os h o m e n s sejam salvos?”, e en tão ab rirm o s 1 T im ó teo 2.4 , en tão receberem os a resposta: “o qual de­

seja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimen­ to da verdade!’ Aqui já temos um a ampla visão da vontade de Deus. Deus quer salvar todas as pessoas. Se alguém acha que não pode ser salvo por causa do seu grande pecado, isso é um a insinuação do inimigo, pois em Jesus Cristo, que derramou seu sangue na cruz de Gólgota, Deus am a o pecador. O que te separa de Deus são teus pecados. Mas se os confessas diante do Senhor, então podes saber: o sangue de Jesus Cristo purifica de todo pecado e leva-te para o âmbito da vontade de Deus.

Também conhecemos a vontade de Deus com respeito à nossa santifica­ ção: “Pois esta éa vontade de Deus, a vossa santificação” (1 Ts 4.3). O quê, afinal, significa “santificação”? Santificação é a tom ada de posse pessoal da redenção realizada por Jesus. Isso não se refere somente ao perdão do pecado, mas também à renovação da nossa vida. Em outras palavras: san­ tificação é um passo além de perdão do pecado. Perdão do pecado signi­ fica “afastar-se do pecado”, e santificação significa “dirigir-se a Jesus”. Quem não vive na santificação, já retira-se da santa vontade de Deus. O inevitável é que também em nossa vida como crentes há sempre um a ne­ cessidade de escolha. Ou vivemos no âmbito da vontade de Deus e somos felizes, abençoados e tranqüilos, ou estamos no âmbito da vontade de Sa­ tanás. É o que está escrito em 2 Timóteo 2.26: “... dos laços do diabo, ten­ do sido feitos cativos p o r ele, para cumprirem a sua vontade!’ Muitos s ã o ^ dom inados não pela vontade de Deus, mas pela vontade de Satanás. Ele? são obrigados a fazer coisas que não querem fazer. Por exemplo, tens que atender aos teus vícios, apesar de não ser a tua vontade; mentir, apesar de que queres dizer a verdade; ser impuro, apesar de que gostarias tanto de ser puro. Então és dom inado pela vontade de Satanás. A razão disso # é a tua desobediência. Isso é porque nunca ainda te decidiste a ir para o âmbito d a vontade de Deus. Faze-o hoje! Mas agora voltemos à nossa pergunta: “Quer Deus dar um despertamen­ to?” Existem na Bíblia dois símbolos que indicam despertamento: água e fogo. Pensamos primeiro em Ezequiel 47, onde sai um rio de águas vi­ vas do templo do Senhor e inunda a terra. No versículo 9 lemos que surge vida nova em todos os lugares por onde passa este rio. Isso lembra Êxo­ do 17, onde o povo estava m orrendo de sede e Moisés feriu a rocha, e de­ la sairam águas vivas. A conseqüência: Israel despertou para nova vida. Essa é um a figura do despertamento! O próprio Senhor Jesus também fala em João 7.38 de portadores de despertamento: “Quem crer em-mim, co­ m o diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva!’ 62


Também fogo é um a figura de despertam ento. Isso se. conclui de Atos 2, onde é descrito o m aior despertam ento de todos os tempos. Pois o que se via sobre as cabeças daqueles que pregavam o evangelho com au­ toridade? Chamas, línguas como de fogo! Com respeito à água e ao fo­ go, a Bíblia nos revela claramente a vontade de Deus. Em Isaías 44.3 Deus promete com relação à água: “Porque derramarei água sobre o sedento, e torrentes sobre a terra seca!’ Com relação ao fogo, Jesus diz em Lucas 12.49: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder!’ Como nos é mostrada claramente a vontade de Deus com respeito a despertamento! Mesmo assim muitos crentes objetam: “Mas vivemos hoje nos tempos finais?!” Também no que se refere aos tempos finais, o Senhor Jesus revelou sua vontade. No profeta Joel está escrito de m odo tão comovente: “Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e converteivos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, egrande em benignidade, e se arrepende do mal... Cho­ rem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o pórtico e o altar, e orem: Poupa o teu povo, ó Senhor, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que as nações façam escárnio dele..!’ (J12.13-17). És tu um sacerdote do Senhor? Como crentes neotestamentários, nós o somos. Então lê a m a­ ravilhosa promessa em Joel 2.23: “Alegrai-vos, pois, filhos de Sião, rego­ zijai-vos no Senhor vosso Deus, porque ele vos dará em justa medida a chu­ va; fará descer, como outrora, a chuva temporã e a serôdia!’ Em que tem­ po? Resposta: “Eis que naqueles dias, e naquele tempo, em que mudarei a sorte de Judá e de Jerusalém, congregarei todas as nações e as farei des­ cer ao vale de Josafá; e ali entrarei em juízo contra elas p o r causa do meu povo, e da minha herança, Israel, a quem elas espalharam por entre os p o ­ vos, repartindo a minha terra entre si” (J13.1-2). Esse é nosso tempo atual! Pois vemos com o o Senhor novamente abençoa Judá e Jerusalém e leva seu povo à terra dos seus pais, e observamos também como começa o juí­ zo sobre as nações por causa do seu povo. Esses tempos finais têm, por. tanto, a promessa da chuva serôdia, de modo que podemos dizer: Deus quer dar um despertamento. Crês isso? Se Deus quer dar um despertamento, por que ele ainda não ocorre? Para responder a essa pergunta, precisamos primeiro saber o que realmente é um despertamento. No fundo, isso é m uito simples: ser despertado signi­ fica acordar. A necessidade de um despertamento pressupõe, portanto, um a situação de sono. Por isso q^póstolo Paulo exclama em Efésios 5.14: “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te ilu­ minará!’ • Sucumbiste ao mortal sono espiritual? Isso se mostra se reconheces a afli­ ção da Igreja, a aflição do mundo e choras “entre o pórtico e o altar”. Mui63


los crentes pegaram 110 sono e não percebem o que acontece à sua volta;

eles são figuradamente cegos e surdos. Em termos bíblicos; eles se torna­ ram ricos e abastados. É o que diz o Senhor ressuscitado em Apocalipse 3.17; “pois dizes: Estou rico e abastado, e não preciso de cousa alguma, enem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego enu!’ Acorda! Ser despertado significa ver seus pecados assim como Deus os vê, e isso é ter­ rível. Pois então acontecem quebrantam ento e arrependimento, mas a is­ so segue o próprio despertamento. Oh, se acordásses, pois teu ambiente, tua cidade, tua igreja necessitam de despertamento! Mas precisamos também saber o que um despertamento não é. Um des­ pertamento não é um milagre de Deus. Muitos filhos de Deus acham que um despertamento é um a interferência milagrosa de Deus. Se esse fosse o caso, nem precisaríamos preocupar-nos a respeito. Pois então nem te­ ríamos responsabilidade, pois tudo dependeria de Deus. A esse respeito sempre encontramos uma citação bíblica distorcida: “Mas está escrito que o Espírito sopra onde quer..!’ Isso, entretanto, não está escrito em lugar nenhum da Bíblia, mas algo bem diferente: “O vento sopra onde quer, ou­ ves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito” (Jo 3.8). Jesus utiliza essa figura do vento para um renascido. Deus quer dar um despertamento, mas não através da der­ rubada de todas as leis da natureza. Não, Deus dá um despertamento quan­ do nós estivermos dispostos a utilizar os meios dados para isso. Se ainda não estás despertado, isso é porque no fundo rfem o querias. Existem mui­ tos crentes que nem estão conscientes disso, pois ainda nem conhecem seu coração desobediente. Mas com o coração acontece o mesmo que com um campo: O solo tem que ser lavrado, antes que se possa colher no outono. Pode um agricultor ficar simplesmente sentado na primavera, olhandç» sua terra inculta e dizendo: “Agora simplesmente esperò até que Deus faça um milagre e faça crescer algo”? Se bem que Deus tem que dar o crescimen­ to, o agricultor também tem que fazer a sua parte. Ele tem que arrancar ervas daninhas, arar, semear e trabalhar no suor do seu rosto. Se ele fizer tudo isso, Deus 0 abençoará, dando-lhe chuvas temporãs e serôdias, cres­ cimento e frutos. Aqui se encontra o ponto sensível, pois isso não se deseja mais ouvir atual­ mente em círculos piedosos. Mas já o profeta Jeremias exorta no capítu­ lo 4.3: “Lavrai para vós outros campo novo, e não semeeis entre espinhos!’ O Senhor quer que nos provemos diante da sua santa face. Ele quer ilu­ m inar nosso coração com sua santa luz, para que as pedras sejam retira­ das e nós novamente levemos a sério o pecado e a desobediência. Impres­ sionou-me profundam ente o que o profeta Oséias diz a respeito: “arai o campo depousio; porque é tem po de buscar ao Senhor, até que ele venha 64


e chova a justiça sobre vós” (Os 10.12). A responsabilidade por um des­ pertamento na família, na Igreja, repousa sobre ti e sobre mim, sobre ca­ da um pessoalmente. Deus quer dar um despertamento. A pergunta é se nós queremos, ou se não queremos. Por que necessitamos tão urgentemen­ te de um despertamento? Conforme meu reconhecimento, há seis razões porque tem que vir um despertamento em nosso tempo: 1. Porque única e exclusivamente um despertamento pode novamente fazer da ressurreição de Jesus uma realidade diante do mundo. Pois, através de que Jesus provou que realmente é o Filho de Deus? É o que lemos em Ro­ m anos 1.4: “e foi designado Filho de Deus com poder, segundo o espíri­ to de santidade, pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nos­ so Senhor!’ A Páscoa é a prova de que Jesus Cristo é Filho de Deus. C o­ mo provamos ao mundo, que Jesus Cristo realmente ressuscitou? Na me­ dida em que também nós mesmos ressuscitamos, isto é, somos desperta­ dos, sendo que a vida de Jesus torna-se realidade através de nós. Não existe nada mais terrível, paralisador e maldito do que um cristianismo morto. O Senhor prefere tratar com pagãos do que com cristãos meio moles, mor­ nos. Desses ele tem verdadeiro horror, pois diz deles: “Assim , porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca” (A p 3.16). Por isso é tão obrigatoriamente necessário que a vida de Jesus comece a manifestar-se através de ti. Isso é despertamento, através do que provamos ao m undo que Jesus vive. Quem está despertado, repen­ tinamente faz “meia-volta”. Uma pessoa despertada não procura mais a si mesma, mas a Jesus Cristo. “Buscar-me-eis, emeachareis, quando m e buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós..” (Jr29.13b-14a). 2. Porque somente um despertamento verdadeiro realmente transform a­ rá novamente em fato a unidade, pela qual o Senhor Jesus orou em João 17. Pois, estar despertado significa também que amamos nossos irmãos e nossas irmãs através do Senhor Jesus. 3. Porque somente um despertamento pode prolongar o tempo da graça e adiar o juízo ameaçador. Tenho que dizer sempre novamente: é muito mais tarde do que pensas! Nuvens escuras de juízo encontram-se amea­ çadoras sobre o mundo, e a qualquer momento podem descarregar seu conteúdo. Mas também sobre a Igreja de Jesus encontram-se nuvens de juízo ameaçadoras. Tanto sobre as igrejas como sobre as congregaçõesândependentes paira um terrível Juízo, que pode ser afastado somente atra­ vés de um despertamento. Isso fica abaladoramente claro para nós quando lemos Apocalipse 2.5: “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te, e vol­ ta à prática das primeiras obras; e se não, venho a ti e moverei do seu lu­ gar o teu candeeiro, caso não te arrependas.” Aí o Senhor Jesus coloca a Igreja diante da escolha: ou despertamento, ou juízo. O Senhor chama ao 65


arrependimento, ao despertamento, mas se tu não queres, preferindo per­ manecer em tua velha vida desleixada, então ele virá em breve e moverá do seu lugar o teu candeeiro. Com horror vemos quantas igrejas — gra­ ças a Deus existem excessões — estão desmoronando do ponto de vista es­ piritual. Pois de que outro modo a maldita teologia m oderna poderia ter penetrado em nossas igrejas? Ou não crês que é obra dos demônios, se hoje há pessoas nos púlpitos, que pregam, apesar de não crerem mais que a Bí­ blia é a Palavra de Deus, e que negam a ressurreição de Cristo? Achas que é por acaso que já ficamos com sono antes de entrar em algumas igrejas e comunidades? Esse é o terrível juízo, porque o Senhor removeu o can­ deeiro, porque não havia e não há arrependimento. Isso é assim também nas famílias. Em muitas famílias “crentes” há hoje profundas trevas es­ pirituais. Os filhos vão para o m undo e não querem saber mais nada da Palavra de Deus. Por quê? Porque os pais não se deixaram levar ao arre­ pendimento mais profundo. Por isso exorto-te: arrepende-te, para que pos­ sa vir um despertamento! A Palavra de Deus é tão séria! Pensemos somente uma vez nas palavras de Jesus em Mateus 5.13: “Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos hom ens’.’ Não tens a im­ pressão que esse é o caso hoje? Evangeliza-se trazendo-se “especialistas”, pretendendo-se que eles reanimem a vida da igreja, mas não existe poder para o renascimento. Se bem que algumas pessoas se “convertem” elas logo retrocedem. Por quê? Existem poderes de morte, que impedem a Igreja de Jesus de gerar filhinhos espirituais. O Senhor Jesus falou a respeito em João 8.21: “De outra feita lhes falou, dizendo: Vou retirar-me, e vós meprocurareis, mas perecereis no vosso pecado!’ Atualmente o Senhor é muito procurado (Is 58.2), mas há pouco poder para o renascimento. A última parte da afirmação de Jesus é abaladora: "... perecereis no vosso pecado”. Devemos começar a encarar toda a verdade! O que precisamos não são no­ vos métodos nem salões e igrejas renovados. Tudo isso não traz nova vi­ da. Taflhbém não necessitamos de adaptação a conceitos mais modernos, mas um despertamento bem antiquado! Quando acontece um desperta­ mento, então são despertadas pessoas de oração espiritualmente podero­ sas, que começam a clamar a Deus, de modo que as trevas são enxotadas. Quando há despertamento, então há purificação do pecado e desapare­ ce a paralisação. Quando há despertamento, então a maldição é transfor­ m ada em bênção. Deus quer dar-nos alegria, se nos deixarmos despertar. Se bem que podes discordar e rejeitar essa mensagem, mas então deves sa­ ber que és uma maldição na Igreja de Jesus. Mas se disseres “sim” e te humilhares sob isso, se disseres “sim, meu Deus, estou atrapalhando, aban­ donei o primeiro amor, mas quero lavrar campo novo”, então em respos­ ta começará em ti um despertamento, através do qual serão despertadas também outras pessoas. 66


4. Porque somente um despertamento pode novamente transformar a Pa­ lavra de Deus em cheiro de vida para os ímpios. Não te chamou ainda a atenção que o m undo fica cada vez mais indiferente diante de um folheto ou de um a mensagem? Não percebeste ainda que fica cada vez mais difí­ cil transmitir o evangelho? Antigamente isso ainda era bem diferente; em nosso tempo fica cada vez mais difícil. Por quê? Responde-se com muita facilidade: as pessoas endurecem-se cada vez mais. Isso é muito generali­ zado. A resposta precisa tem que ser: nós nos endurecemos cada vez mais. Quanto mais o despertamento é atrasado pela desobediência, tanto mais , *sem poder fica nosso testemunho. Se um filho de Deus não experimenta períodos de profundo abatimento, mais profundo arrependimento e pu­ rificação, então ele já está endurecido e encontra-se no cristianismo de no­ me, e seu testemunho fica sem poder. Hoje o m undo ri dos crentes. Por que as pessoas riram sobre Ló quando ele disse: “Levantai-vos, saí deste lugar, porque o Senhor há de destruir a cidade. Acharam, porém, que ele gracejava com eles” (Gn 19.14)? Em primeira linha porque Ló era endu­ recido e um homem cheio de compromissos. Ele não era despertado. Por que os teus filhos não se convertem? Por causa da escola, por causa do ter­ rível espírito deste tempo...? Não! Mas porque tu não estás despertado. Os filhos de vocês não se convertem por meio de meditações de calendários. Eles também não se convertem porque vocês lêem fielmente as Senhas Diá­ rias ou os obrigam a ir para as reuniões. Mas eles se converterão se vocês ficarem despertados, quando virem Jesus em vocês e a atmosfera ficar car­ regada com o Espírito Santo. 5. Porque somente um despertamento pode fazer que prossigas na santi­ ficação. Existem tantos crentes que estão encalhados em sua vida de fé. Se bem que eles querem crer de alguma maneira, eles também oram, es­ cutam a Palavra, mas não progridem na santificação. Eles permanecem assim como são. Essa é a tristeza. Quando permanecemos como somos, se não somos santificados mais profundamente, então somos pessoas que aceitam a Palavra de Deus com o raciocínio ou sentimentalmente, sem en­ tretanto assimilá-la em espírito através de mais profunda humilhação e pu­ rificação. A conseqüência é um a situação de saturação. O crente fica en­ tão “cheio” de pregações. O próprio Senhor também fala a respeito, la­ mentando através do profeta: “Porque o meu povo é inclinado a desviarse de mim; se é concitado a dirigir-se acima, ninguém o fa z” (Os 11.7). Mas quem é despertado, torna-se disposto a ser quebrantado e a penetrar na obediência profunda. Então Jesus pode penetrar mais profundamente em seu ser, de m odo que ele progride na santificação. 6. Porque a volta de Jesus é apressada por um despertamento. Se ocorrer um verdadeiro despertamento entre os crentes — e isso tem que começar 67


contigo e comigo, pois a Palavra de Deus diz que o julgamento começa com a casa de Deus —, então repentinamente também serão atingidas pes­ soas que ainda não haviam aceitado o evangelho. Então não é mais difí­ cil evangelizar. Então também não será mais preciso chamar evangelistas, pois os próprios crentes evangelizarão. Isso era assim também em Atos dos Apóstolos: os crentes eram de tal maneira cheios do Espírito Santo, que iam aos vizinhos e os obrigavam a vir para Jesus. Deve-se fazer isso? Le­ mos em Lucas 14.23: “Saipelos caminhos e atalhos e obriga a todos a en­ trar”. Isso significa, em outras palavras: convence-os do fato de que pre­ cisam de Jesus. Tão logo vem um despertamento, aum enta muito o nú­ mero dos renascidos, e com isso será alcançada mais rapidamente a ple­ nitude, pois Jesus somente vai voltar quando a plenitude da Igreja for um fato. A Igreja de Jesus tem um número bem exato de membros, da mes­ ma maneira como as estrelas são um número exato: “Conta o número das estrelas, chamando-as todas pelos seus nom es” (SI 147.4). No momento em que acontece o fato maravilhoso de se converterem muitos, a volta de Jesus é acelerada. Deus tem tudo preparado, e suas ações apressam-se para o alvo. Roma­ nos 11.25 diz que veio endurecimento em parte a Israel, até que haja en­ trado a plenitude dos gentios. Isso significa que Israel será cego para seu Messias, até que o último dentre os gentios se tenha convertido! Vemos hoje o restabelecimento de Israel. Muitos israelitas começam a ler o Novo Tes­ tamento; sua cegueira começa a desaparecer. Tudo está preparado para a volta de Jesus. Somente um a coisa ainda falta: as outras ovelhas. Por quê? Porque ainda não há despertamento. As outras ovelhas, das quais Jesus fala em João 10.16, ainda não foram conduzidas: “Ainda tenho outras ove­ lhas, não deste aprisco; a m im m e convém conduzí-las; elas ouvirão a m i­ nha voz; então haverá um rebanho e um pastor!’ Tudo espera por um des­ pertamento, tudo espera por Jesus. Por isso, a im portante pergunta deste capítulo é: Se Deus quer um despertqmento, quando poderemos então es­ perá-lo? Podemos esperar um poderoso despertamento em prazo curtís­ simo, se acontecerem três coisas: Primeiro: se os filhos de Deus finalmente se dispuserem a ser um sacrifí­ cio completo. O que significa ser um “sacrifício completo” ? Paulo fala a respeito em Romanos 12.1: “Rogo-vos, pois... que apresenteis os vossos cor­ pos p o r sacrifício vivo, santo e agradável a D eus”. Isso significa: tudo — mãos, pés, olhos, ouvidos, coração, caráter, tempo, forças, face — tem que ir para o altar, completa e incondicionalmente. A amarga aflição em no§so tempo é a entrega desvalorizada a Jesus, a entrega teórica a ele. Existem somente bem poucos filhos de Deus, que realmente se colocaram comple­ tamente sobre o altar. Tu cantas: “Quero amar-te, m inha força” e “Aqui está meu coração, Senhor, entrego-o a ti”, mas trata-se de hipocrisia diante 68


de Deus e dos homens, pois ocultas no teu coração coisas que não queres deixar por preço nenhum. Não sei do que se trata no teu caso, mas tu o sa­ bes e Deus o sabe. “O hom em vê o exterior, porém o Senhor, o coração” (1 Sm 16.7c). Talvez há coisas em tua casa, em teu poder, que não queres deixar. Então és um hipócrita, e isso sempre tem por conseqüência a morte espiritual. Ananias e Safira também eram tais hipócritas (At 5). Eles de­ positaram suas ofertas aos pés dos apóstolos, mas o apóstolo Pedro teve que dizer-lhes: “Ananias, p o r que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? Conservando-o, porventura, não seria teu? E, vendido, não estaria em teu p o ­ der? Como, pois, assentaste no coração este desígnio? N ão mentiste aos homens, mas a Deus. Ouvindo estas palavras, Ananias caiu e expirou” (w. 3-5a). Mas o que esse homem fez? Pois ele deu um a boa coleta!? Sim, mas ele foi hipócrita! Ele fez como se se fosse entregar tudo ao Senhor, mas na realidade não era assim. Muitos crentes de hoje fazem o mesmo, e isso impede o despertamento! Com palavras, comportamento e atos é aparen­ tado algo que não corresponde à realidade. És tu tal hipócrita? Não és um sacrifício completo? Segundo: Quando são oferecidos sacrifícios completos, então poderemos ver como virá rapidamente um despertamento. Então tu, como vimos no início deste capítulo, chorarás entre o pórtico e o altar, entre o Santuário e a cruz, sobre a situação do povo de Deus e sobre a aflição de um m undo perdido. E então finalmente vais orar, lutar e exclamar: “N ão te deixarei ir, se m e não abençoares!’ Não se pode produzir esse chorar diante dele, mas se fores obediente em tua própria vida, o Senhor o dará a ti. Se nun­ ca ainda choraste sobre os pecados do povo de Deus e sobre pecadores per­ didos, então tu mesmo ainda não estás despertado. Terceiro: poderemos esperar um despertamento dentro de curtíssimo pra­ zo, se tu, justam ente tu (!), te tornares disposto no mais profundo do teu ser a não continuar resistindo à verdade. “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar e m e buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (2 Cr 7.14). Diria Deus alguma coisa e não a faria? Ele diz: “Se tu queres, eu também quero, se te humilhas, e começas a orar, então ou­ virei do céu!’ Ele vive, nosso Deus vive! Vais confessar-lhe teu pecado? Vais entregar-lhe aquilo que já devenas ter entregado há tanto tempo? Queres romper com os pecados com os quais já deverias ter rom pido há muito? Vais fazê-lo agora? Se não, então aplica-se a ti a séria palavra do Senhor: “moverei do seu lugar o teu candeeiro

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As leis divinas básicas para um despertamento O que é despertamento? Despertamento nada mais é do que a ação do Deus triúno, isto é, quem age é Deus o Pai. O próprio Senhor Jesus diz do seu Pai, que ele não é um Deus de mortos, mas um Deus dos vivos. Já na Criação vemos como Deus o Pai cria vida. Mas também Deus o Filho cria vida. Vemos isso quando se ouviu: “O Senhor verdadeiramente ressusci­ tou!” Através da sua morte vicária na cruz da Gólgota e através da sua res­ surreição, Jesus Cristo produziu um despertamento eternamente válido, pois ele diz: “porque eu vivo, vós também vivereis” (Jo 14.19). Isso vale no sentido exato da palavra. Mas também Deus o Espírito Santo produz vi­ da, pois ele é o Espírito do despertamento. É o que vemos em Pentecoste. Naquele tempo o Espírito Santo veio visivelmente sobre os discípulos, e o resultado foi um despertamento. Aí também nós podemos somente im­ plorar: “Espírito da vida, assopra, assopra poderosamente sobre o cam ­ po da morte!’ Que é tarefa do Espírito Santo agir dessa maneira, concluise de Ezequiel 37. Quando os ossos de Israel tinham-se ajuntado, e tinham crescido carnes e tendões sobre eles, o vento do álto assoprou sobre eles e surgiu vida. Mas já na criação vemos o Deus triúno unido produzindo despertamento. Lá o Deus vivo fala no plural: “Façamos” (Gn 1.26), e en­ tão está escrito: “Criou D eus”. Esse é o Pai (v. 27), estando escrito ainda: “E disse D eus” (v.29e mais oito vezes no primeiro capítulo), esse é o Fi­ lho, pois ele é o Verbo desde o Princípio. “E o Espírito de Deus pairava por sobre as águas”, revela a ação do Espírito Santo como terceira pessoa da Trindade na criação. Essa criação por parte do Deus triúno nada mais era do que despertamento. Toda a criação é uma obra do Deus triúno e des­ se modo despertamento de Deus. Todos nós conhecemos o resultado: luz, vida, calor, frutos. Todas as obras de Deus são vida e despertamento! Tam­ bém nós, que dizemos ser renascidos, conforme Efésios 2.10, somos “fei­ tura dele”, e conseqüentemente somos destinados para a vida. As conclu­ sões desses fatos básicos e monumentais, com os quais somos confronta­ dos hoje, são as seguintes: Primeiro: Onde não há despertamento, não age mais o Senhor, mas nós mesmos. Podemos produzir muitas coisas, também no âmbito religioso, mas onde nós agimos ao invés de Deus, não irrompe a vida do alto. En- f tão realizamos, como diz Hebreus 9.14, “obrasmortas”. Como é necessário estar convencido que as palavras do Senhor Jesus em João 15.5 valem ain­ da hoje: “sem m im nada podeis fazer”. Em outras palavras: sem vèrdadeira 70


relação vital com ele, tudo o que fazemos escorre na areia. Como carac­ terística vale o que já citamos: onde não há despertamento, lá agimos nós ao invés de Deus, o Senhor, lá trata-se da nossa atividade religiosa e essa é sem poder. Nessa situação assemelhamo-nos a Sansão, que se levantou contra seus inimigos, e do qual está escrito o abalador em Juizes 16.20: “porque ele não sabia ainda que já o Senhor se tinha retirado dele!’ Isso, porém, é o mais terrível, quando agimos, trabalhamos e lutamos, em volta de Jesus, mas o próprio Senhor não age mais. Então tudo fica vazio e oco, sim, sem sentido. Já Moisés compreendeu isso, e por isso ele negou-se a prosseguir sem o Senhor. Ele sabia que nesse deserto vazio e terrível so­ mente haveria vida se o Senhor estivesse com eles. Assim ele exlamou: “Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar” (Êx 33.15). Um a segunda conclusão séria é que onde não há despertamento aconte­ ce o contrário terrível: a morte. Com o o Senhor elevado teve que acusar á Igreja: “Conheço as tuas obras, que tens nom e de que vives, e estás mor­ to” (Ap 3.1). Essa é a descrição de um a religião cristã sem verdadeira subs­ tância de vida: trata-se de um envelope que ao invés de cédulas está cheio de papel picotado. Igrejas, comunidades e associações, que não têm mais despertamento, estão desligadas da fonte da vida, do próprio Senhor. Elas são sem conteúdo e sem alvo. Com essa constatação chegamos à terceira conclusão: onde não há des­ pertamento, não habita a verdade, mas sim a mentira. O próprio Senhor Jesus advertiu seriamente contra esse desvio: “Qual a razão porque não compreendeis a minha linguagem ?É porque sois incapazes de ouvir a m i­ nha palavra. Vós sois do diabo, queé vosso pai, e quereis satisfazer-lhe aos desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firm ou na verda­ de, porque nele não há verdade. Quando ele profere a mentira, fala do que lhe épróprio, porque é mentiroso ep a i da mentira” (Jo 8.43-44). A men­ tira é, portanto, o caráter de Satanás. Existem pouquíssimos crentes que permanecem na verdade e amam a verdade até ao fim, isto é, a verdade da Palavra de Deus, até que ela irrompa. É muito significativo quando o Se­ nhor Jesus diz: “Quando ele profere a mentira, fala do que lhe é próprio..’.’, pois o crente ègocêntrico mente sempre, pois ele fala do Senhor e, mesmo assim, no fundo procura a si mesmo. Quem precisa, afinal, ser despertado? Não os não-convertidos, não os per­ didos, esses tem que ser salvos. Não, despertados devem ser aqueles que já eram um a vez despertados, isto é, os filhos de Deus. O despertamento tem que começar em teu e em meu coração. Na Escritura Iemos e ouvimos o lamento do Senhor, por exemplo, em Isaías 1.2-3: “Ouvi, ó céus, e dá ou­ vidos, ó terra, porque o Senhor é quem fala: Criei filhos, e os engrandeci, 71


mas eles estão revoltados contra m im . O boi conhece o seu possuidor, e o jum ento o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimen­ to, o m eu povo não entendei’ É como se o Senhor quisesse dizer: “Tenho filhos que, apesar de serem renascidos, crêem, vivem, oram e cantam ao largo de mim. Eu os criei, abençoei-os e guardei-os, mas eles afastaramse de mim, eles desviaram-se de mim!’ Não se trata aqui da apostasia ex­ terior, mas da apostasia interior. Em Jeremias 15.6 o Senhor diz choran­ do: “Tu m e rejeitaste, diz o Senhor, voltastepara trás; por isso levantarei a m inha m ão contra ti, e te destruirei; estou cansado de ter compaixão’.’ Em nosso tempo atual encontramo-nos mundialmente diante da alterna­ tiva: despertamento ou juízo. Isaías 40.28 diz que o Deus eterno não se can­ sa nem se fatiga. Mesmo assim ele lamenta aqui: “estou cansado de ter compaixão’.’ Onde em conseqüência da endurecida desobediência dos seus filhos Deus não pode agir e não pode dar despertamento, ele fica cansa­ do. Encontramo-nos em meio à apostasia, e corre-se adiante em ativida­ de religiosa, mas os homens não sabem que o Senhor retirou-se deles. Co­ mo se expressa o cansaço de Deus? Encontramos a resposta em Isaías 1.5: “Por que haveis de ainda ser feridos, visto que continuais em rebeldia?” No m undo cristão desperdiça-se muitas forças, muito tempo e muitos meios, que o Senhor não aceita. Isaías 1.13-14 comprova essa afirmação: “N ão continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para m im abominação, e também as luas novas, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene. A s vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já m esão pesa­ das: estou cansado de as sofrerl’ E através do profeta Amós ele exclama: “Aborreço, desprezo as vossas festas, e com as vossas assembléias solenes não tenho nenhum prazer” (A m 5.21). E: “Afasta de m im o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas liras” (v. 23). Ve­ mos, portanto, claramente que existem feriados sem sentido, reuniões cris­ tãs vãs e cânticos de corais vãos. O Senhor fecha seus ouvidos, porque falta a obediência de fé interior, e por isso ele não pode dizer seu “amém” e não pode dar despertamento. Com o acontece que crentes que viviam em des­ pertamento, que eram ardentes pelo Senhor, perdem o despertamento? A razão é o pecado, e existem três deles que impedem e interrompem o des­ pertam ento de maneira especial:

O pecado dos olhos Nós o encontramos, por exemplo, em Davi, que era extraordinariamente abençoado e confirmado pelo Senhor, sendo um rei de despertamento. Mas o despertamento foi apagado pelo pecado da concupiscgncia dos olhos: “Uma tarde, levantou-se Davi do seu leito, e andava passeando no terraço da casa real; daí viu uma m ulher que estava tom ando banho; era

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ela mui formosa” (2 Sm 11.2). Com isso foi interrompido o despertamento. Sempre quando o crente começa a basear-se naquilo que vê, a ação do Es­ pírito é interrom pida pelo pecado. Cada um que crê naquilo que é visível e não no Invisível, forçosamente pecará. Quantos crentes “viram” e tom a­ ram sua decisão com base naquilo que viram, com o resultado de que tornaram-se incapazes de crer. Vemos isso também com Eva, pois também o seu pecado começou com o olhar: “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer..”'(Gn 3.6). Ela tom ou sua decisão de acordo com aquilo que tinha visto. Assim, a ação de Deus foi interrompida também com ela. Mais tarde Ló fez exatamente o mesmo: “Levantou Ló os olhos, e viu to­ da a campina do Jordão” (Gn 13.10). Sua decisão baseava-se igualmente no que tinha visto, e com isso ele saiu da corrente do despertamento. Ou Acã, ainda mais tarde. Que maravilhoso despertamento houve lá em Je­ rico! Aconteceram coisas nunca vistas: pela fé de todo o povo de Israel os muros de Jericó ruiram e cairam com estrondo. Mas repentinamente es­ se despertamento foi interrompido, e na pequena cidade de Ai houve uma derrota. Por quê? Porque entre eles havia um que tinha pecado. E como havia começado seu pecado? Acã mesmo confessou-o em Josué 7.21: “Quando vientreosdespojos uma boa capa babilônica, e duzentos sidos de prata, e uma barra de o u ro .” Esse é, portanto, o pecado de ver, que eu gostaria de citar como primeira razão, porque através dele o despertamento começçu a apagar também na vida de muitos crentes. Começaste também a apoiar-te no que é visível? Tu te tornaste um homem materialista, unia pessoa que confia em dinheiro, bens e honras? Então és culpado que o.despertamento morreu em tua família e à tua volta.

O pecado do coração O pecado do coração é muito pior que o dos olhos, pois o m aior interesse de Deus é pelo teu e pelo meu coração. Ele ajudou maravilhosamente e deu despertamento a muitos como, por exemplo, ao rei Uzias: “Preparou-lhe Uzias, para todo o exército, escudos, lanças, capacetes, couraças e arcos, e até fundas para atirar pedras. Fabricou em Jerusalém máquinas, de in­ venção de hom ens peritos, destinadas para as torres e cantos das mura­ lhas, para atirarem flechas e grandes pedras; divulgou-se a sua fama até muito longe; porque foi maravilhosamente ajudado, até que se tornou for­ te. M as havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração para a sua pró­ pria ruína, e cqmeteu transgressões contra o Senhor, seu D e u s .” (2 Cr 26.14-16). Até quando ele foi ajudado? “ .. até que se tornou forte”, até que cometeu o pecado do coração. “M as havendo-se já fortificado, exaltouse o seu coração para a sua própria ruína”, e assim foi interrompido o despertamento. 73


Em espírito vejo igrejas inteiras, às quais o Senhor ajudou maravilhosa­ mente e as abençoou, de maneira que houve movimentos de despertamen­ to. Mas então, quando elas tornaram-se espiritualmente poderosas, o seu coração exaltou-se, e elas ficaram orgulhosas e ao mesmo tempo um ob­ jetivo em si mesmas. Com isso essas igrejas começaram a desmoronar, e o despertamento foi interrompido. É da vontade de Deus dar-nos um des­ pertamento, se nos arrependermos não somente com os lábios, mas com o coração. Também teu coração exaltou-se? O orgulho é um a abominação diante do Senhor e m ata sua ação e rompe o rio de vida do alto. Não somente Uzias, mas também o maravilhoso rei Salomão é um exemplo da­ quilo que tem por conseqüência o pecado do coração. N a Antiga Alian­ ça não houve rei maior nem mais glorioso do que ele. O próprio Senhor o amava, e sua fam a era conhecida até muito longe, até à Etiópia. Mas en­ tão ele cometeu o pecado do coração. Ao invés de dar todo o seu am or ao Senhor, que o amava, a Bíblia diz dele: “amou Salomão muitas mulheres estrangeiras” (1 R s 11.1). Os resultados foram funestos. Salomão, o servo d e p e u s glorioso, poderoso, tornou-se um idólatra em sua velhice: “Sen­ do já velho, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era de todo fiel para com o Senhor seu Deus, com o fora o de Davi, seu pai” (1 Rs 11.4). Duas vezes é utilizada a palavra “coração”, porque tratava-se do pecado do coração. É realmente abalador ler no versículo 9: “Pelo que o Senhor se indignou contra Salomão, pois desviara o seu coração do Senhor Deus de Israel, que duas vezes lhe a p a re ce ra Muitos servos e muitas servas do Senhor podem perguntar-se porque não acontece mais através do seu trabalho. Talvez ores muito e lutes por despertamento, por mais frutos, e mesmo assim não acontece nada. Por quê? Porque cometeste o pecado do coração. No que te prendes além do Senhor? O que faz teu coração inclinar-se para deuses estranhos? Vê, o Senhor indighou-se contra Salomão e teve que levantar um adversário contra ele (1 Rs 11.14), e o despertamento acabou. Seu reino foi dividido e permaneceu assim até hoje. ,

O pecado da língua O pecado da língua é um dos piores pecados, pois os resultados desse pe­ cado são tão abaladoramente sérios, que somente os cito com temor. Em Tiago 3.4 fala-se de grandes navios que são dirigidos por um pequeníssi­ mo leme, e então está dito nos versículos 5-6: “Assim também a língua, pe­ queno órgão, se gaba de grandes cousas. Vede com o uma fagulha põe em brasas tão grande selva! Ora, a língua é fogo; é m undo de iniqüidade; a língua está situada entre os mem bros de nosso corpo, e contamina o cor­ po inteiro e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como é posta ela mesma em chamas pelo inferno!’ E em Tiago 4.11 êncon74


tramos a advertência: “Irmãos, não faleis m al uns dos outros!’ Quantos filhos de Deus sucumbiriam chorando amargamente, se pudessem ver a amplitude e as conseqüências dos seus pecados da língua! O que produz o pecado da língua, nos é mostrado, por exemplo, com M iriã e Arão, a ir­ mã e o irmão de Moisés: “Falaram Miriã eA rão contra Moisés, por causa da mulher etíope, que tomara; pois tinha tomado a m ulher cusita” (Nm 12.1). Qual foi o efeito? Esse falar de Miriã contra o servo de Deus foi cas­ tigado, sendo que ela tornou-se leprosa, e então lemos no versículo 15: “A s ­ sim M iriã foi detida fora do arraial p o r sete dias; e o povo não partiu, en­ quanto M iriã não foi recolhida!’ Que tragédia: centenas de milhares de crentes foram detidos em sua m archa para a terra prom etida Canaã, por­ que um a mulher tinha pecado com a sua língua. Vês agora porque não acontece um irromper do Espírito de Deus em teu coração, em tua famí­ lia e em tua igreja? Porque pecaste com a tua língua. Talvez mentiste e en­ ganaste a Deus, como fizeram Ananias e Safira. Eles cairam mortos e por causa deles o despertamento foi interrompido.' O pecado dos olhos, o pecado do coração, o pecado da língua, essas são as causas que interrompem a ação de Deus e impedem um despertamen­ to. Aí apresenta-se um a pergunta: Deus quer mesmo dar ainda um des­ pertamento? Como é consolador que podemos responder a pergunta com “sim”. O Senhor diz em Ezequiel 36.26-27: “Dar-vos-ei coração novo, e p o ­ rei dentro em vós espírito novo... e farei que andeis nos meus estatutos!’ Observemos que nesse versículo é frisado que o Senhor o quer. O Senhor quer renovar teu coração completamente, se tu o quiseres. Ele quer dar seu Espírito em teu coração, para que fiques cheio do Espírito Santo. A questão é sé o Senhor quer recuperar também um solo espiritualmente seco. Tam­ bém nesse caso a resposta da Sagrada Escritura é “sim”, pois a respeito te­ mos a vontade de Deus claramente expressa em Isaías 44.3: “Porque der­ ramarei água sobre o sedento, e torrentes sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção sobre os teus des­ cendentes!’ Pode Deus mentir? Diria ele alguma coisa sem a fazer? A Bí­ blia diz que Deus não é homem para que minta. Quer o Senhor realmen­ te acender o fogo do Espírito em nós e à nossa volta? O próprio Senhor Jesus dá a resposta em M cas 12.49: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder!’

Quais são as leis divinas básicas de um despertamento? 1. Elimina as coisas condenadas Mais um a vez voltamos ao acontecimento em Josué 7. Acã, que tinha-se baseado nas coisas visíveis, agindo e pecando de forma correspondente. 75


tinha trazido a condenação ao povo de Israel. Quando houve então a der­ rota em Ai e Josué começou a orar e a lamentar “Oh, Senhor, por que fi­ zeste isso?”, o Senhor lhe diz no capítulo 7.10: “Levanta-te; por que estás prostrado assim sobre o teu rosto?” E no versículo 12 lemos: “Pelo que os filhos de Israel não puderam resistir aos seus inimigos: viraram as costas diante deles porquanto Israel se fizera condenado; já não serei convosco, se não eliminardes do vosso meio a cousa roubada’.’ Eu gostaria de acen­ tuar muito essas palavras, pois elas valem para cada um de nós pessoal­ mente. Os filhos de Israel não puderam resistir aos seus inimigos, enquanto as coisas condenadas estavam em seu meio. Também tu não podes no diaa-dia resistir vitoriosamente ao inimigo, nunca terás despertamento, en­ quanto ainda houver coisas condenadas em teu coração. Então vale a pa­ lavra do Senhor: “já não serei convosco, se não eliminardes do vosso meio a cousa roubada!’

2. Humilha-te sob a julgadora Palavra de Deus Para esclarecer isso, voltamos à história de Davi, cuja falta de desperta­ mento começou com a concupiscência dos olhos. Então veio a ele a pala­ vra do Senhor através do profeta Natã, e Davi é atingido pessoalmente pe­ las palavras que Natã lhe lança no rosto: “Tu és o ho m em ” (2 Sm 12.7). E qual foi a reação de Davi? Ele poderia ter-se esquivado e ficado irado, como fizeram muitos reis depois dele. Mas não, Davi humilhou-se sob a palavra que o atinge, e reconhece: “Pequei contra o Senhor” (2 Sm 12.13), e depois dessa confissão em verdadeiro arrependimento, o despertamen­ to recomeçou. Todos nós somos mestres em esquivar-nos como as serpen­ tes e em escapar, mas o Senhor diz: “Tu és o homem! Tu difamaste, tu pecaste com teus olhos, tu mentiste, tu foste orgulhoso!’ A lei divina básica de um despertamento, em oposição a isso, é que tu pessoalmente te humi­ lhes sob a julgadora palavra de Deus e confesses: “Eu pequei!” Assim che­ gamos à última lei básica:

3. Humilha-te em teu íntimo Não se trata portanto de comportamento exterior cheio de humildade, mas de seres humilde em teu íntimo’ O Senhor Jesus o era, pois diz de si mes­ mo: “... sou manso e humilde de coração” (M t 11.29). Estou convencido que o Senhor está imediatamente disposto a dar um despertamento em tua vida, se te tornares humilde de coração. Trata-se no caso da humildade que abrange todas as áreas da vida, pois a humildade do teu raciocínio le­ va à fé viva; a humildade da tua vontade leva à obediência satisfeita e a humildade do teu coração leva a um poderoso despertamento! O Senhor diz em 2 Crônicas 7.14: “Se o m eu povo, que se chama pelo m eu nome, se hu­ milhar, orar e m e buscar, e se converter dos seus m aus caminhos, então 76

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eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra!’ Temos suficientes exemplos na Escritura, que Deus deu um despertamento àque­ las pessoas e povos que observaram e seguiram suas leis de despertamen­ to. Todo o livro de Atos comprova isso, mas também a história de Jonas em Nínive prova que irrompe um poderoso despertamento, quando todos humilham-se. E tu? Não podes esquivar-te da clara e convincente Palavra de Deus. As leis divinas básicas de um despertamento valem agora para ti. Lembra, o Senhor quer dar um despertamento, se tu quiseres!

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O caminho para um despertamento “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te ilu­ minará” (E f 5.14). Um a curta história do Antigo Testamento apresenta-nos figurada e pro­ feticamente o caminho para um despertamento: “Certa mulher, das m u ­ lheres dos discípulos dos profetas, clamou a Eliseu, dizendo: M eu mari­ do, teu servo, morreu; e tu sabes que ele temia ao Senhor. É chegado o cre­ dor para levar os m eus dois filhos para lhe serem escravos” (2 Rs 4.1). Era um a triste situação em que se encontrava essa viúva. Seu marido, um obrei­ ro no reino de Deus, tinha morrido, e agora ela não conseguia mais pa­ gar suas dívidas. Por isso chegou o credor, e queria levar seus dois filhos como escravos. Isso era possível naquela época. Em 2 Reis 4.2-7 lemos o diálogo entre essa mulher e Eliseu: “Eliseu lhe perguntou: Que te hei de fazer? Dize-me q u e é o que tens em casa. Ela respondeu: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite. Então disse ele: Vai, pede empres­ tadas vasilhas a todos os teus vizinhos; vasilhas vazias, não poucas. E n ­ tão entra, e fecha a porta sobre ti, e sobre teus filhos, e deita o teu azeite em todas aquelas vasilhas; põe à parte a que estiver cheia. Partiu, pois, dele, e fechou a porta sobre si e sobre seus filhos; estes lhe chegavam as vasilhas, e ela as enchia. Cheias as vasilhas, disse ela a um dos filhos: Chega-me aqui mais uma vasilha. Mas ele respondeu: N ão há mais vasilha nenhuma. E o azeite parou. Então foi ela e fez saber ao homem de Deus; ele disse: Vai, vende o azeite, e paga a tua dívida; e t u e teus filhos vivei do resto” O texto no Novo Testamento: “Desperta, 6 tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará”, diz três'coisas. H á em primeiro lugar o poderoso chamado para o despertamento, que é atualmente mais neces­ sário do que nunca. “Desperta, á tu que dormes”! Deus faz hoje passar esse chamado pelo mundo. Quando vemos o que acontece atualmente no Oriente Médio, esses são os chamados de Deus aos corações dos homens. Toda a situação lá se assemelha a um barril de pólvora, que tem que incendiar-se, se Deus não interferir. Mas este é o cham ado a nós: “Des­ perta, ó tu que dormes"! Jesus vem! Quem lê os jornais e ouve as notícias, esse sabe do que se trata. Em segundo lugar, nesse texto nos é apresentada a situação dos que dor­ mem espiritualmente: “levanta-te de entre os m ortos”. 7X


N ão devemos esquecer que aqui Paulo escreve aos efésios, a crentes. “Levanta-te de entre os m ortos” significa: “levanta-te de entre os espiri­ tualmente m ortos”. Paulo fala a pessoas que têm o nome’de que vivem, mas na verdade estão mortos. E em terceiro lugar essa palavra contém uma grandiosa promessa. Se qui­ sermos ouvir o chamado ao despertamento, se quisermos levantar-nos de entre os mortos e deixar-nos acordar, então Cristo nos iluminará. Toda a Bíblia está cheia de promessas a respeito. Agora o mesmo chamado ao despertamento nos é apresentado profeti­ camente na curta história de 2 Reis 4. Ali vemos um a mulher. É interes­ sante que freqüentemente a Bíblia nos apresenta uma mulher. Por que será? A mulher é o vaso mais frágil do que o homem. É como se o Senhor qui­ sesse dizer que manifesta seu poder através da fraqueza. Essa mulher ti­ nha um a tríplice aflição, que reflete três aspectos do sono de morte espi­ ritual, d a fa lta de despertamento em nossos dias. Havia em primeiro lugar essa terrível aflição da viuvez. Ela diz a Eliseu no versículo 1: “M eu marido, teu servo, morreu” Isso era sempre algo ter­ rível em Israel, pois tinha um significado profético negativo. Tal mulher não tinha mais possibilidades de dar à luz ao Messias. Mas a maior espe­ rança de um a mulher judia era tornar-se a mãe do Messias. Passando a ser viúva, ela era colocada figuradamente de lado. Essa é a aflição primária da Igreja'de Jesus, a respeito do que fui convencido justam ente hoje em oração: q,Igreja de Jesus não tem mais verdadeira revelação da glória de Deus. Onde a Igreja de Jesus revela atualmente a glória, a realidade e a pre­ sença do Senhor Jesus Cristo? Pois ele disse: “... onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (M t 18.20). Pode então a Igreja de Jesus fazer por Israel aquilo que ela já deveria ter feito há muito? O que ela deveria fazer? Revelar Jesus, para que Israel fique enciumado (Rm 11.11). Podefcrael, se olhar para os cristãos aqui, converter-se? Não! Não há revelação do Messias. Onde podem eles encontrar Jesus?! Alguém enviou-me um artigo com o título: “Perguntas ao pastor reformado” pu­ blicado no jornal “Die Tat”. Quando se lê isso, compreende-se que a Igreja de Jesus está atualmente enviuvada. Entre outros, dizia-se: “ Parece-me que uma das mais importantes questões para os cristãos é o equilíbrio entre a fé e o conhecimento. Sei que muitos cristãos vivem e pensam em mão dupla. Quando eles lêem artigos ou ouvem reportagens sobre viagens ao espaço, então existe para eles somente o espaço frio, inimigo da vida, um vácuo, um vazio mortal. Mas na igreja eles cantam de um céu habitado por multidões de anjos e falecidos bem-aventurados. A longo prazo essa duplicidade dos cristãos não poderá ser mantida. Não 79


seria o melhor eliminar quietamente o conceito de “céu” e acabar com seu uso eclesiástico?”

E a resposta do pastor reformado foi, entre outros: “ Nenhum teólogo que tenha estudado com seriedade irá contrapor a his­ tória da criação do primeiro casal à teoria da evolução (leia-se: teoria dos macacos. NR) e a lenda da ascensão corporal de Cristo às descobertas da moderna astronomia. O céu evidentemente não é mais no alto e a es­ pécie humana é aparentada com os macacos. Querer incutir às crianças na esoola (tive que ouvir algo assim de uma aula de religião) que simples­ mente temos que crer que a Terra foi criada em seis dias, é pura bobagem.”

Até aqui esse pastor. A Igreja de Jesus está atualmente enviuvada, e Deus revelâ-se em Israel. Podemos formulá-lo assim: o problema da Igreja de Jesus é que acabou a presénça do Senhor. O segundo problema desta mulher era que ela tinha um a grande dívida. Ela diz em 2 Reis 4.1: “M eu marido, teu servo, morreu... É chegado o cre­ dor”. Em outras palavras: meu m arido foi embora, e agora vem o inimi­ go. Essa é a situação da Igreja de Jesus em nossos dias. Se o poder, a pre­ sença real, a vitória de Jesus, desapareceram da tua vida pela morte espi­ ritual, então vem o credor, então vem o inimigo. Onde Jesus falta, o dia­ bo está presente. Mas onde Jesus está, ele foge! Assim será no arrebatamento. O que atualmente torna-se visível em um juízo de decisão na Igreja de Jesus, ou seja, a falta de despertamento, a chegada da morte espiritual e com isso o afastamento do Senhor dentre os cristãos, isso ficará repen­ tinamente revelado no aspecto positivo e negativo por ocasião do arrebatamento. Enquanto a Igreja de Jesus, os verdadeiros filhos de Deus, os des­ pertados, serão arrebatados, Satanás será atirado sobre a terra, e o credor virá. Isso é profecia, comp. Apocalipse 12, a p a rtir do versículo 7. Se ob­ servamos hoje os filhos de Deus, então notamos que esse direito do cre­ dor é perceptível na Igreja de.Jesus, pois muitos tornaram -se servos dos seus pecados. Tais crentes são obrigados — como Israel em tempos anti­ gos — a pagar tributo ao inimigo. Ele está hoje impondo seu direito so­ bre os filhos de Deus através da falta de despertamento na Igreja de Jesus. É um a terrível tragédia, que sou incapaz de expressar em palavras, que a vida que temos de Deus e que deve penetrar no mundo, é engolida pela exi­ gência do inimigo. Não há despertamento, mas falta de despertamento. Na dívida cada vez maior, pela qual a Igreja de Jesus tem que pagar ju ­ ros ao inimigo, vemos esse duro credor. Quão rapidamente pecam os cren­ tes do nosso tempo! Com horror vetifiquei como crentes vieram sob a Pa­ lavra e sob a influência do Ijspírito Santo, a Palavra penetrou nos seus co­ rações, mas eles retornaram ao dia-a-dia, e logo estavam novamente dis­ postos a pecar através de difamação, rebelião contra exortações, conde­ 80


nação dos outros e mentiras. Muitos mentem sem se preocuparem. M ui­ tos crêem rapidamente no mal, cedem rapidamente ao tentador, quando ele chega, e não têm reserva de fé. Como Êxodo 32 é sério! Enquanto o Se­ nhor está abençoando o povo, e enquanto ele ainda fala com Moisés so­ bre o monte, para dar-lhe-a Lei, Israel afasta-se dele. Deus interrompe a si mesmo em Êxodo 32.7-8. Moisés certamente esperava que viria outra pro­ messa, outra maravilhosa afirm ação do Senhor, mas o Senhor diz: “E n­ tão disse o Senhor a Moisés: Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste sair do Egito, se corrompeu, e depressa se desviou do caminho que lhes havia eu ordenado; fizeram para si um bezerro fundido, e o adoram, e lhe sa­ crificam, e dizem: São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito!’ O povo desviou-se rapidamente, ainda enquanto o Senhor es­ tava abençoando-o. O Senhor está muito próximo, para abençoar-nos. A salvação do poder do pecado está à mão, também na tua vida. O Senhor está trabalhando por ti; o Espírito Santo quer irromper, a Palavra quer ser um poder reno­ vador em teu coração — mas tu és mais rápido com teus pecados. Estou convencido que também em tua vida já poderia ter acontecido um pode­ roso impacto, se tu não tivesses sido mais rápido. Com que? Com tua lín­ gua má, com teus pensamentos ruins, com tua fantasia impura. O que po­ deria ter acontecido se ao invés disso tivesses te firmado persistentemen­ te em Jesus e permanecido em oração! A endurecida falta de despertamento revela-se justamente no terceiro as­ pecto da aflição daquela mulher em 2 Reis 4.1. Ela não somente estava en­ viuvadas endividada, mas também escravizada: “É chegado o credor para levar os meus dois filhos para lhe serem escravos”. Aqui vemos o direito do inimigo. Com o filhos de Deus não podemos justificar-nos sempre la­ mentando e dizendo que somos muito provados e muito fracos. É melhor que digas a v^dade: estou sob o poder do inimigo, estou escravizado. Pois és obrigado a pensar mal, és obrigado a esbravejar, és obrigado a odiar, és obrigado a ser falso, és obrigado a pensar impurezas. Isso é escravidão, a expressão da falta de despertamento. Mas sou indescritivelmente grato a Deus porque aqui não preciso colocar um ponto final. Com essa mulher, que representa profeticamente a situação da igreja de Jesus, também ve­ mos a grande mudança. Quando essa mulher passou do vazio para a ple­ nitude,'da escravidão para a liberdade? No momento em que ela fez uma coisa: “Certa mulher, das mulheres dos discípulos dos profetas, clamou..!’ (2Rs4.1). Esse é o segredo! Eu o experimentei econfirmei! Quando o hálito de morte espiritual quer vir sobre ti, quando o inimigo te mantém afasta­ do da oração, da pesquisa na Escritura e da obediência na fé, então há ameaça de endurecimento e obstinação e lentamente és escravizado pelo


inundo presente. Mas o despertamento do teu coração começa com teu cla­ mor: “Oh, meu Deus, aqui estou; não posso mais! Estou diante de um mu­ ro; fiquei desleixado e tornei-me escravo do pecado. Tem que acontecer um despertamento!” A quem clamou essa mulher? A Eliseu. O nome Eliseu significa: “Deus é salvação”. O que faz Eliseu quando ouve o clamor dessa mulher? Ele lhe faz- duas perguntas. A primeira pergunta é: “Que te hei de fazer?” Isso é graça. Figuradamente, ele mostra toda a sua plenitude, que é ilimitada. Es­ sas palavras lembram o que o Senhor disse a Salomão, quando lhe apa­ receu em sonho: “Pede-me o que queres que eu te dê” (1 R s 3.5). Ou pen­ semos no rei Assuero. Quando Ester estava preocupada com a aflição do seu povo, indo a ele e tocando o cetro, ele lhe perguntou: “Que é o que tens, rainha Ester, ou qual é a tua petição? A té metade do reino se te dará” (Et 5.3). Que maravilhoso! Se em nossa aflição, em nossa sequidão e em nosso desespero, começarmos a clamar, então nos dirigimos ao endereço certo. Então clamamos a Deus através do Senhor Jesus Cristo, e então ele abre a porta e pergunta: o que queres? Está tudo preparado para ti! “Pedi, e dar-se-vos-á”, foi o que ele prometeu. A segunda pergunta que Eliseu fez foi: “Dize-me que é o que tens em ca­ sa” (2 R s 4.2). Então revela-se toda a pobreza dessa mulher. Por um lado ela vê as possibilidades ilimitadas de Eliseu, pois ele é um homem de Deus, mas por outro lado também vê que ela mesma não possui nada: “Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite!’ O que continua acon­ tecendo então é um a figura de como o Senhor confronta o abismo do nos­ so vazio e da nossa pobreza com sua maravilhosa plenitude, a plenitude da sua riqueza. O que tinha essa mulher? Nada além de uma botija de azei­ te (v. 2). Ou seja, o mesmo que tu tens! Ela não tinha, portanto, nada além de um recipiente de azeite quase vazio. Nele havia somente pouco óleo. Mas justamente isso foi usado como ponto de partida pelo Senhor. Também contigo ele começa a partir daquilo que ainda tens, pois não apaga a tor­ cida que fumega. Se és um filho de Deus, então tens o Espírito Santo. Tal­ vez o entristeceste, de modo que ele afastou-se. Mas se tens no coração o testemunho de que és um filho de Deus, então ainda tens bem escondida essa botija de azeite, mas nada mais. Observa agora a poderosa conclamação ao despertamento no versículo 3. Quando Eliseu ouviu que ainda havia um a botija de azeite, ele disse: “Vai, pede emprestadas vasilhas a to­ dos os teus vizinhos; vasilhas vazias, não poucas!’ Onde estão as vasilhas vazias? Se há somente ainda um poucô de azeite, mas teucoração está cheio de inveja, ciúmes, críticas, implacabilidade e mentalidade materialista, en­ tão eu gostaria de dizer-te agora na presença de Deus: busca vasilhas va­ zias e deixa que tua vasilha seja esvaziada de pecado e maldade, para que 82


o Senhor possa começar a partir daquilo que ainda existe. Com o pouco azeite ele fez coisas grandiosas e isso tem significado profético: enquan­ to a vasilha está disponível, não acaba a plenitude do Espírito que o Se­ nhor nos dá. Mas tão logo o azeite pára, acaba: “E o azeite parou’.’ Quando o azeite pára, então não há mais nada, mas enquanto corre, ele nós glorifica Jesus Cristo. Eliseu dá um a ordem bem clara a essa mulher. Ele não somente lhe diz que deve buscar muitas vasilhas vazias, mas dá um a or­ dem quadrupla: “entra” (v. 4), esse é o princípio. “... fecha a porta”, é a con­ tinuação. “... sobre teus filhos”, é a terceira coisa. “... deita o azeite’’, é a quar­ ta parte. “Entra” significa: entra na presença de Deus! “Tendo, pois, ir­ mãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus... aproximemo-nos (Hb 10.19,22a). “Fecha a porta”, çontém a exortação: decide-te agora, neste momento, a resistir a todas as influências do credor, do diabo. Com “teus filhos”, isto é, em harm onia interior com todos os teús. “Deita o teu azeite” significa: tom a posse agora na fé da plenitude do Espírito Santo. O azeite parado, mas existente, repentinamente foi mul­ tiplicado, enquanto havia vasilhas vazias.

O azeite, o Espírito Santo, está em teu coração, mas bem escondido. Tua vasilha está, entretanto, cheia de maldade, inveja, incredulidade e coisas escuras. Por isso não acontece nada, por isso ele não irrompe. Jesus não é glorificado, enquanto tua vasilha não for esvaziada desses pecados. N o­ tavelmente, essa mulher precisa ir aos seus vizinhos. Freqüentemente é ne­ cessário escrever um a carta, manter um diálogo ou pedir perdão, para que a vasilha fique vazia. Aí acontece então com essa mulher o momento de crise, mas que se transforma para o bem, pois ela obedece. Está escrito cla­ ramente no versículo 5: “Partiu, pois, dele, e fechou a porta sobre si e so­ bre seus filhos; estes lhe chegavam as vasilhas, e ela as enchia’.’ Então veio o despertamento. Quando lemos na Bíblia sobre despertamento, ele sempre veio quando os crentes novamente obedeceram à Palavra de Deus, quan­ do não somente permaneceram conhecedores da Escritura, mas aceitaram a Escritura. Pensemos, por exemplo, no rei Josias e em Esdras. Quando o poycfbuviu a leitura da lei, das exigências de Deus, ele começou a cho­ rar, aceitou a palavra — e houve um despertamento. Estou convencido que atualmente Israel espera inconscientemente por um despertamento en­ tre os cristãos gentios. Em 2 Reis 4 o azeite continuou correndo enquan­ to havia vasilhas vazias. Os rios de vida do alto correm também agora atra­ vés do Espírito Santo, enquanto houver vasilhas vazias disponíveis. Há uma advertência na curta frase do versículo 6: “E o azeite parou”! Por quê? Não havia mais vasilhas vazias. A mulher disse a um dos seus filhos: “Chega-me aqui mais uma vasilha. M as ele respondeu: Não há mais va­ silha nenhuma!’ 83


Podes fazer agora três coisas diferentes: — Podes tom ar conhecimento desta mensagem, avaliando-a negativa ou positivamente, e voltar à rotina. Então nada acontece. — Podes receber esta mensagem e deixar que imediatamente o inimigo ins­ pire teus pensamentos. Como? Se raciocinares que esta mensagem serve ma­ ravilhosamente para esta ou aquela pessoa. Também então não acontecerá nada em tua vida. — Podes agora compreendê-lo, como aquela mulher. Começa então a cla­ m ar ao Senhor e confessa-lhe: “Senhor, isso vale para mim. Eu quero ir ao santuário; quero esvaziar m inha vasilha de pecados!’ Escolhe a última, pois um despertamento não começa grande, mas em teu coração!

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Como começa um desper tamento? “Tinha Josias oito anos de idade quando começou a reinar, e reinou trinta e um anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Jedida, e erafilha de Adaías, de Bozcate. Fez ele o que era reto perante o Senhor, andou em todo o ca­ minho de seu pai Davi e não se desviou nem para a direita nem para a es­ querda N o décimo oitavo ano do seu reinado o rei Josias mandou o escri­ vão Safã, filho de Azalias, filho de Mesulão, à casa do Senhor, dizendo: Sobe a Hilquias, o sumo sacerdote, para que conte o dinheiro que se trou­ xe à casa do Senhor, o qual os guardas da porta ajuntaram do povo; que o dêem na mão dos que dirigem a obra e têm a seu cargo a casa do Senhor, para que paguem àqueles quefazem a obra que há na casa do Senhor, pa­ ra repararem os estragos da casa... Então disse o sumo sacerdote Hilquias ao escrivão Safã•Achei o Livro da Lei na casa do Senhor. Hilquias entre­ gou o livro a Safã, e este o leu. Então o escrivão Safã veio ter com o rei e lhe deu relatório, dizendo: Tèus servos contaram o dinheiro que se achou na casa, e o entregaram na mão dos que dirigem a obra e têm a seu cargo a casa do Senhor. Relatou mais o escrivão Safã ao rei, dizendo: O sacerdo­ te Hilquias me entregou um livra E Safã o leu diante do rei. Tendo o rei ouvido aspalavras do Livro da Lei, rasgou as suas vestes” (2 Rs 22.1-5,8-11). “Oração do profeta Habacuque sob a form a de canta Tenho ouvido, ó Se­ nhoras tuas declarações, e me sinto alarmado; aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos, e no decurso dos anosfaze-a conhecida; na tua ira, lembra-te da misericórdia” (Hb 3.1-2). Existe uma grande falta de clareza com relação àquilo que um desperta­ mento lealmente é. Por isso, é importante que analisemos o tema com muito cuidáío. Em primeiro lugar, apresenta-se a pergunta: que tipo de pessoas precisa ser despertado? Quem assimilou bem a oração de Habacuque, sa­ be a respeito. Trata-se de uma oração por aqueles que já fazem parte da obra de Deus. Não podemos deixar de considerar esse fato. Um despertamento não co­ meça com os pecadores, com as pessoas do mundo, mas com aqueles que se tomaram justos pela fé em Jesus Cristo, que foram lavados pelo sangue do Cordeiro. Por essas pessoas, ou seja, pelos crentes, o profeta Habacu­ que ora: “aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos.” 85


N a verdade sabemos de tudo que um despertamento traz consigo. Sabe­ mos que multidões de pecadores perdidos chegam-se a Jesus. Sabemos exa­ tamente que onde há despertamento, as pessoas são dominadas pela reali- , dade de Deus, pela sua Santidade e sua Majestade e que quando irrompe um despertamento, os crentes recebem uma visão completamente nova, uma nova revelação do Cordeiro de Deus, e isso de maneira real, que pessoas co­ meçam a gritar: “Senhor, tem misericórdia de mim pobre pecador! O que devo fazer para ser salvo?“Esses são os resultados de um despertamento. Não devemos achar de maneira nenhuma que conferências abençoadas ou grandes evangelizações são sempre despertamentos. Se bem que elas po­ dem ser realizadas nesse contexto, então acontece algo diferente. Existe des­ pertamento onde o Espírito Santp assume o controle e onde filhos de Deus retom am ao primeiro amor, de modo que muitos renascem. Sabemos de tudo isso, mas saber de algo ainda não significa que “o” possuímos. Mui­ tos dizem que são salvos, e não o são. Cantamos emocionados “Preciso de ti constantemente”, mas mesmo assim fazemos tudo sem Ele. Ele, Jesus Cristo, não está presente em nossas igrejas com todo o seu poder e toda a sua glória. A conseqüência é que vegetamos espiritualmente. Mas onde há despertamento em nosso país? Ele não existe. Qual a razão disso? Isso acontece porque esperamos e ansiamos pelo despertamento de outros e até mesmo condenamos crentes momos, mas excluímos o próprio coração. Mas a respeito a Escritura diz: "Portanto és indesculpável quando julgas, ó ho­

mem, quem quer que sejas; porque no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas aspróprias cousas que condenas” (Rm 2.1). Eu re­ pito: Habacuque orou pelos “justos” ! Pois qual é a razão porque Deus não ouve tuas orações por um despertamento? H á pecados ocultos. Em 2 Reis 22 lemos sobre o despertamento sob o último rei de despertamento, Josias. Esse despertamento em Judá foi o último; foi como se mais um a vez Deus quisesse procurar seu povo misericordiosamente. Então chegou o fim. Então apresenta-se outra pergunta:, será que um estado de falta de desper­ tamento é perigoso? Ele é extremamente perigoso! Para ser ainda mais claro: falta de despertamento em filhos de Deus é um perigo mortal. Por quê? A resposta é dada por 2 Reis 22. A Igreja de Jesus continua sem compreender qual é a única alternativa para o despertamento. A alternativa para o des­ pertamento é obrigatoriamente o juízo. O rei Josias, que era filho do ím­ pio rei Manassés, subiu ao trono com oito anos e governou em Jerusalém durante trinta e um anos. Ele foi um homem de despertamento, a última exceção no reino de Judá. Deus pôde utilizá-lo para despertar seu povo pela última vez, antes que viesse o juízo. Tão ímpio quanto era o rei anterior, Manassés (2 Rs 21), tão decididamente crente e obediente foi o rei Josias. Essa foi a última chance para Judá, depois que o juízo já tinha sido deci­ dido por Deus. 86


Quando falo de despertamento, então eu gostaria de insistir que o juízo de Deus sobre a cristandade é um a questão decidida. Não podemos esca­ par do juízo sobre o atual m undo cristão, pois ele vem sobre nós com todo o desenvolvimento político mundial. Apesar disso, Deus quer dar um des­ pertamento em meio ao juízo. Quando Josias ouviu a Palavra de Deus, ele tremeu e ficou abatido. Tinha-se trazido o Livro da Lei para ele, e agora ele enviou alguns homens para procurarem um instrumento de Deus. Quan­ do Deus não encontra homens, ele também pode utilizar mulheres. Por is­ so Josias finalmente envia seus homens à profetisa Hulda. Ele sabe muito bem: por vivermos na impiedade, por não termos despertamento e porque fomos desobedientes, virá o juízo. Em outras palavras: Josias compreende imediatamente a única alternativa para o despertamento: “Ide, e consultai

o Senhorpor mim, pelo povo e por todo o Judá, acerca das palavras deste livro que se achou; porque grande é o furor do Senhor, que se acendeu contra nós, porquanto nossos pais não deram ouvidos às palavras deste livro, pa­ ra fazerem segundo tudo quanto de nós está escrito” (2 Rs 22.13). Josias reconhece as conseqüências da desobediência à Palavra de Deus em toda a sua extensão, de modo que fica abalado diante do fato de que a ira de Deus está acendida contra ele e seu povo. Deveríamos conscientizar-nos que a ira de Deys acendeu-se contra a Igreja de Jesus, contra nós, porque não obedecemos mais à Palavra de Deus, e por isso o juízo tem que vir. Josias reconheceu isso e por essa razão enviou seus homens à profetisa Hulda: “Então o sacerdote Hilquias, Aicão, Acbor, Safã e Asaías foram ter com a profetisa Hulda... Ela lhes disse: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel Dizei ao homem que vos enviou a mim: Assim diz o Senhor: Eis que trarei males sobre este lugar, e sobre os seus moradores, a saber, todas as pala­ vras d ó livro que leu o rei de Judá. Visto que me deixaram, e queimaram incenso a outros deuses, para me provocarem à ira com todas as obras das suas mãos, o meufuror se acendeu contra este lugar, e não se apagará" (2 Rs 22.14a, 15-17). Deus lhes confirma exatamente aquilo que Josias ouviu com base na Palavra. Quem reconheceu um a vez quão santo nosso Deus é, quão a sério ele leva a sua palavra, e quem vê a leviandade de muitos filhos de Deus, esse fica assustado. Como crentes, não podemos escapar da alter­ nativa: ou começámos lentamente a nadar junto com a corrente, ou nada­ mos contra a colrente e não descansamos até que venha um despertamen­ to. Mas também nos é mostrado — e isso é algo comovente — que em meio ao juízo decidido sobre seu povo, Deus quer dar despertamento a alguns: “Porém ao rei de Judá, que vos enviou a consultar o Senhor, assim lhe direis: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel, acerca daspalavras que ouviste' porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante o Senhor, quando ouviste o que falei contra este lugar, e contra os seus moradores, que seriam para assolação e para maldição, e rasgaste as tuas vestes, e choraste perante mim, também eu te ouvi, diz o Senhor” (2 Rs 22.18-19). Isso 87


é juízo e graça. Essas são as maravilhosas, fascinantes perspectivas em meio à apostasia dos nossos dias. Àqueles que se humilham, o Senhor quer ou­ vir e dar-lhes despertamento. Podemos reconhecer com Josias como co­ meça um despertamento - se estivermos dispostos a isso:

1. Não retroceder! A primeira característica que nos chama a atenção neste jovem é sua fir­ meza: “Fez ele o que era reto perante o Senhor, andou em todo o caminho

de seu pai Davi e não se desviou nem para a direita nem para a esquerda” (2 Rs 22.2). Precisamos um a vez imaginar o que isso significava para esse jovem. Todo o país estava contaminado pela idolatria e pela impureza, pois um espírito de prostituição alastrava-se em meio ao povo de Israel. Então repentinamente alguém levantou-se e disse: “Oponho-me a isso em nome do meu Senhor!” Em nossos dias, quase todos retrocedem. Mas em Hebreus 10.38 está escrito: “Se retroceder, nele não se compraz a minha al­ ma”. E o que o rei Josias fez contra essa apostasia? Ele acabou com as ca­ sas de prostituição que se encontravam junto à casa do Senhor. Isso é mui­ to atual! Em 2 Reis 23.7 lemos algo digno de nota a respeito de Josias: “Tam­ bém derribou as casas da prostituição-cultual que estava na casa do Se­ nhor, onde as mulheres teciam tendas para o poste-ídolo”. Através dessas breves palavras, percebe-se que a prostituição estava próxima do santuário. Em nossos dias, o espírito de prostituição na casa do Senhor tem caminho livre através da m oda desavergonhada, provocante. O pior é que os crentes — e também muitos pregadores — retrocedem. Eles não ousam mais abrir a boca, e dobram-se à imposição diabólica da moda. Isso é algo terrível. Ex­ traio o seguinte do testemunho de um irmão: “Mulheres vestindo calças ou saias justas e muito curtas, o que lhes dá aparência desavergonhada e imo­ ral especialmente quando se sentam de determinadas maneiras, apresentamse freqüentemente como “obreiras, ou seja, instrumentos de Deus”, parti­ cipando de corais ou de outras atividades na igreja. Em um a grande evangelização promovida por um grupo missionário, as muitas cantoras pare­ ciam realizar um espetáculo de desavergonhado nudismo!” Hoje deixa-se tais vestimentas desavergonhadas escondidas debaixo de uma cobertura, aparentando que tudo está em ordem. Isso é profunda hipocri­ sia. Mulheres e moças vestidas desavergonhadamente não devem participar do coral como “servas do Senhor”. Vocês não sabem que essa m oda femi­ nina degenerada e desavergonhada, no corte dos cabelos e nas vestimentas, é um demonismo satânico marcado pelo sexo? O mais triste, entretanto, é que as próprias mulheres não se defendem. Elas deixam-se aviltar pela im­ posição diabólica da moda e cedem às suas pressões, ó u , como diz Paulo:

“.. a glória deles está na sua infâmia” (Fp 3.19).


Um a missionária da índia escreve a um a revista cristã, entre outros: “É sa­ bido que os homens são fortemente atraídos e tentados por coisas que vêem. 'O diabo, que certamente é o principal criador da m oda feminina, sabe que pode levar milhares de moços para o hospício ou prematuramente para a se­ pultura através da sensualidade e da imoralidade. E isso somente pela exi­ bição indecente do corpo feminino. Será que nós mulheres cristãs não po­ demos fazer nada contra isso? Não deveríamos dizer: como minha roupa indecente ofende e seduz os homens, não vou mais vestir-me assim? Quero dizer algo a vocês: Vocês homens, não permitam que as suas filhas andem vestidas de tal maneira! O u será que vocês não têm mais autorida­ de sobre seus filhos, sendo incapazes de resistir ao espírito da prostituição? Vocês pregadores, abram a boca e não sejam — como diz o profeta Isaías no capítulo 56.10 — “cães mudos”, que não podem corrigir. Vocês mães, cuidem para que seus filhos não sejam arrastados por esse terrível espírito de prostituição na casa do Senhor”. Até aqui essa citação. •

O rei Josias estava totalmente decidido: ele não retrocedeu! Esse foi o pri­ meiro passo para o despertamento. Creio que não podemos evitar esse passo. Precisamos voltar à Bíblia! Temos que aprender novamente a obedecer à Pa­ lavra de Deus. Precisamos novamente tremer diante da Palavra de Deus, levála a sério e não desviar-nos dela, mesmo quando haja tensões e quando se ri de nós compassivamente. Ilido isso não importa, pois Jesus é Vencedor! Uma coisa temos que ver claramente: onde nós como crentes retrocedemos, retrocede também o espírito do despertamento, lá retrocede o Espírito Santo. Ele retira-se, e o espírito de prostituição irrompe tanto mais poderosamen­ te. Então todas as orações por despertamento não adiantam, e todas as con­ centrações de massa não produzem nada. Eu gostaria de apresentar a per­ gunta: Vamos tomar uma decisão prévia fundamental para o despertamento (isso ainda não é despertamento!), comprometendo-nos a não retroceder mais? Sêra que ainda temos autoridade divina? Será que ainda conseguimos firmar nossa posição? Tenho somente um apoio e uma autoridade para esta mensagenjp “Está escrito..., assim diz o Senhor..!’ Vamos tom ar essa deci­ são preliminar. Em nome de Jesus, peço que vocês rejeitem a imposição dia­ bólica da m oda de prostituição, pois ela é um dos piores males.

2. Luta contra a raiz de todo mal Josias não somente fez destruir todos os ídolos, mas também arrancou a raiz de todo o mal: a avareza! Em 2 Reis 22.4-7 lemos como Josias exterminou a avareza. Ele disse a Safã, o escrivão: “Sobe a Hilquias, o sumo sacerdo­

te, para que conte o dinheiro que se trouxe à casa do Senhor, oqualosguardas da porta ajuntaram do povo; que o dêem na mão dos que dirigem a obra 89


e têm à seu cargo a casa do Senhor, para que paguem àqueles quefazem a obra que há na casa do Senhor, para repararem os estragos da casa: Aos car­ pinteiros, aos edificadores e aos pedreiros; e comprem madeira e pedras la­ vradas, para repararem os estragos da casa Porém não se pediu conta do di­ nheiro que se lhes entregara nas mãos, porquanto procediam com fidelida­ de.” Em outras palavras, Josias diz: Milhares, sim, milhões são escraviza­ dos pelo demônio da avareza. Esse dinheiro devia ser utilizado para embe­ lezar e reparar a casa do Senhor. Vocês não vêem como ela está abandona­ da, somente porque vocês ficam assentados sobre o dinheiro ou o dedicam ao demônio da avareza em coisas sem utilidade e passageiras? Josias ordena entregar todo o dinheiro que foi trazido à casa do Senhor, e desse modo a • avareza foi eliminada e a casa do Senhor foi edificada. A casa do Senhor na Nova Aliança somos nós; a Igreja de Jesus, “..xicrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (At 2.47). Isso é missão mundial. Vamos dedicar tudo e dar tudo ao Senhor, para que sua casa seja edificada rapida­ mente. Creio que o primeiro passo é que entre os sacerdotes, entre os santi­ ficados, que usam sobre a testa a lâmina de ouro com a inscrição “Santidade ao Senhor”, seja eliminada a avareza. Para dizê-lo de maneira clara: Nun­ ca deves perguntar: “Quanto do meu dinheiro devo dar ao Senhor?”, mas: “Quanto do dinheiro do Senhor posso ficar para mim?” Este é o cerne da questão: nós somos somente administradores. O que tudo poderia ser fei­ to na casa do Senhor! Seria um passo decisivo para o despertamento, se essa raiz de todo mal, a avareza, fosse arrancada da tua vida! Queres eliminar as casas de prostituição, as vestimentas de prostituição? Queres acabar com a avareza? E então? Então Josias deu outro passo.

3. De volta à Bíblia Trata-se de uma descoberta notável: quando eles buscaram o dinheiro, quan­ do o dinheiro ficou livre para a casa de Deus, eles reencontraram de maneira completamente nova a Palavra do Senhor! O sumo sacerdote Hilquias, que teve que trazer o dinheiro, disse ao escrivão Safã: “Achei o Livro da Lei na casa do Senhor” (v. 8). Interessante: eles reencontraram a Bíblia! Mas eles não conheciam a Bíblia? Pois eles eram judeus, sumos sacerdotes, que vi­ viam com a Bíblia. Como é possível que eles morassem em Jerusalém, on­ de a Bíblia foi escrita, e que agora o sumo sacerdote tinha que dizer: “Achei o Livro da Lei na casa do Senhor”? Resposta: enquanto não andas nos ca­ minhos do Senhor, enquanto ficas ilegalmente com o dinheiro do Senhor para ti, a Bíblia permanece um livro fechado para ti. Talvez ainda consigas compreender algumas meditações, talvez ainda encontres algo consolador nos salmos, mas — sê sincero! — a Bíblia permanece um livro estranho para ti. M as tão logo andares decididamente no caminho do Senhor e retirares. 90


os ídolos da tua vida — talvez um a pessoa, um livro ruim, algum vício se­ creto ou o poder da avareza — como Josias, encontrarás um a nova Bíblia. Concretamente: somente encontrarás um a nova Bíblia quando começares a*obedecer! Talvez pensa-se que na casa do Senhor se encontra ao próprio Senhor. Mas isso não é assim. A quem aceita a Palavra na obediência de fé, o próprio Senhor se revela através da Sua Palavra. * Precisamos observar um a vez a palavrinha “mais”: "Então o escrivão Sa­

fã veio ter com o rei e lhe deu relatório, dizendo: Teus servos contaram o di­ nheiro que se achou na casa, e o entregaram na mão dos que dirigem a obra e têm a seu cargo a casa do Senhor. Relatou mais o escrivão Safã ao rei, di­ zendo: O sacerdote Hilquias me entregou um livra E Safã o leu diante do rei” (2 Rs 22.9-10). Vês essa relação entre obediência e redescoberta da Bí­ blia? Apesar de teres a Palavra de Deus, por que teu coração não é ardente pelo Senhor? Por que falta o despertamento? Não porque a Bíblia não se­ ja verdadeira ou não seja a Palavra de Deus, mas porque tu retrocedeste e perseveras no pecado. Estás preso à avareza. Pára de orar por despertamento e pela salvação dos teus filhos, se tu mesmo não queres obedecer! Por que será que Judá inteiro seguiu a linha de Manassés sem refletir? Judá e Ben­ jam im inteiros serviam aos ídolos, porque o rei o fazia. O povo não conse­ guia mais distinguir, pois tinha abandonado a Palavra e não a escutava mais. Quando não ouvimos mais a Palavra nadamos junto na corrente, tomandonos sonolentos e instrumentos de Satanás. Desse modo, Judá entregou-se à prostituição e à idolatria. Eles perderam a visão de fé para a Palavra viva. Mas então segue algo maravilhoso: Não somente que Israel redescobriu a Bíblia e começou a obedecer, mas torna-se visível um a nova bemaventurança que irrompe repentinamente: eles ouvem a Palavra assim co­ mo o‘Senhor quer que a ouçamos. Não é esclarecedor como o rei reage?: “E

Safã o leu diante do rei. Tendo o rei ouvido aspalavras do Livro da Lei, ras­ gou as suas yestes” (vv. 10c-ll). Essa foi a expressão de susto, de arrependi­ mento, de sentimento e tristeza, um a confissão do rei: “Nós pecamos. A ira de Deus repousa sobre nós!’ De repente ele via seus pecados assim como Deus os vê. Naturalmente ele já tinha visto seus pecados antes, mas não da mesma madeira como Deus. Na Palavra de Deus começas a ver teus peca­ dos assim como Deus os vê, e isso é assustador. “Tendo o rei ouvido aspalavras do Livro da Lei, rasgou as suas vestes.’' Mas então o Senhor concede a Josias o maravilhoso testemunho do despertamen­ to. Trata-se de um testemunho tríplice: Primeiro: “Porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhasteperan­ te o Senhor, quando ouviste o quefa lei” (v. 19). Que também tu deixes en91


temecer teu coração pelo Senhor! A Palavra de Deus quer mostrar-te que o espírito de prostituição tomou conta de ti em tua fantasia, em tua aparên­ cia, que avareza te domina e que permites a existência de ídolos em tua vi­ da. Reconhece que a ira de Deus permanece sobre ti e deixa enternecer teu coração. Esse pode ser o começo de um poderoso despertamento, não so­ mente em tua vida, mas também em tua família e na tu a igreja. Segundo: “.. e te humilhasteperante o Senhor, quando ouviste o quefalei»” (v. 19). Josias humilhou-se e disse: “O h Deus, tu tens razão, é verdade!” Terceiro: “.. e chorasteperante mim” (v. 19). O poderoso rei, o homem de vontade férrea, que foi capaz de nadar contra a corrente, também chorou. Ele tinha feito coisas más e também estava corrompido, mas deixou enter­ necer seu coração, humilhou-se e chorou diante do Senhor. Por isso o Se­ nhor disse: “.. também eu te ouvi” O despertamento teve, portanto, três conseqüências, que mais um a vez fi­ zeram resplandecer claramente o Cordeiro de Deus em meio à apostasia, pois o resultado foi que o cordeiro da páscoa tomou-se novamente visível: “Deu

ordem o rei a todo o povo, dizendo: “Celebrai a páscoa ao Senhor vosso Deus, como está escrito neste livro da aliança Porque nunca se celebrou tal páscoa como esta desde os dias dos juizes que julgaram a Israel, nem du­ rante os dias dos reis de Israel, nem nos dias dos reis de Judá. Corria o ano décimo oitavo do rei Josias quando esta páscoa se celebrou ao Senhor em Jesuralém” (2 Rs 23.21-23). A posição de Josias é destacada com um grandioso predicado. Em todo o Antigo Tèstamento não li nada semelhante de qualquer outro rei: “A ntes dele

não houve rei que lhefosse semelhante, que se convertesse ao Senhor de todo o seu coração, e de toda a sua alma, e de todas as suasforças, segundo to­ da a lei de Moisés; e depois dele nunca se levantou outro igual” (v. 25). Por isso o Senhor o ouviu. Encontramo-nos em uma situação maravilhosa, mas também muito perigosa. Um a situação maravilhosa, porque vale para nós a palavra: “Buscai o Senhor enquanto sepode achar, invocai-o enquanto está perto” (Is 55.6). Isso é maravilhoso, quando o aceitas, quando te deixas des­ pertar. Reconhece teu pecado, para que em tua vida como filho de Deus co­ mece algo novo. A situação perigosa é que ficarás ainda mais endurecido se agora disseres “não”, pois quando então dirás “sim”? É um a visitação mi­ sericordiosa do Senhor, se atualmente ele ainda fala a nós, por isso: Ó terra, terra, terra! ouve a palavra do Senhor” (Jr22.29)... “Quem temouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.”


Ifês níveis do desperta mento "Então Elias, o tesbita, dos moradores de GUeade, disse a Acabe: "Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos segundo a minha palavra” (1 Rs 17.1). Quando o profeta Elias disse essas palavras a Acabe, começou a terrível seca que durou três anos. Mas justamente nesse período de sequidão (neotestamentariamente poderíamos dizer, “nesse tempo sem despertamento”, pois vivemos atualmente em sequidão espiritual) nos são mostrados três níveis para o despertamento: — o caminho para o despertamento pessoal, — o despertamento que se transmite a outros, — o irrompimento de um despertamento geral. Depois que Elias tinha transmitido a Acabe a mensagem "nem orvalho nem chuva haverá nestes anos segundo a minha palavra”, ele recebeu uma no­ va tarefa de Deus. Enquanto o juízo da falta de despertamento abateu-se so­ bre o povo, ele mesmo encontrava-se em meio ao despertamento: "Veio-lhe a palavra do Senhor, dizendo: Retira-te daqui, vaipara a banda do çriente, e esconde-tejunto à torrente de Querite, fronteira ao Jordão.” Somente assim é possível ser despertado e permanecer nesse estado em meio à falta de despertamento: oculta-te, assim como o Senhor Jesus ocultou-se em meio a uma grande rejeição: "mas Jesus se ocultou e saiu do templo” (Jo 8.59). Para onde ele foi e para onde foi Elias antigamente? Jesus desapareceu, en­ tregando sua vida. Mas isso teve por conseqüência um despertamento mun­ dial’, eternamente válido. "Esconde-te7 , pois no estar oculto, no não que­ rer mais destacar-se; na desistência de afirmação do “eu”, começa a bênção do despertamento do Senhor. Para Elias, tratou-se de água: uma seca intensa abateii-se sobre a terra, homens e animais sofrem indescritível sede, e em meio a essa sequidão, Elias encontra a torrente citada por Deus. Por que jus­ tamente Elias? Porque ele não tinha qualquer outro apoio senão a Palavra do Senhor. Assim está prometido: "Bendito o homem que confia no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. Porque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízespara o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a suafolha fica verde; e no ano de sequidão não se perturba nem deixa de darfruto” (Jr 17.7-8). Ninguém diga que não acredita em desper93


lamento na nossa época. Quem está enraizado junto à torrente, quem be­ be do rio da vida, quem tem comunhão vital com o Senhor, esse é um ho­ mem de despertamento em meio à falta de despertamento. Outra ordem do Senhor a Elias foi mais um passo adiante: “.. e ordenei aos corvos que ali mesmo te sustentem” (1 Rs 17.4). Conforme o Antigo Testa­ mento, os corvos eram animais impuros, e Elias, que era zeloso pela Lei de Deus, tinha que receber agora seu alimento de corvos. Que humilhação, que abatimento! Mas justamente aí está o segredo, pois está escrito: “Porque as­ sim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o co­ ração dos contritos” (Is 57.15). Elias, o poderoso homem de Deus, teve que esconder-se, mas ao mesmo tempo abriu-se a fonte da vida para ele Enquan­ to bebe dela, ele é humilhado e abatido cada vez mais. Ele é identificado com esses corvos impuros. Em 1 Reis 17.5 está escrito: “Foi, pois, efe z segundo a palavra do Senhor”, e por isso ele foi revigorado. Elias era um homem de despertamento, cercado por falta de despertamento. Essa é a mensagem para nossa época. Se estiveres disposto a desaparecer na morte do Senhor, vão abrir-se as fontes para ti. Serás humilhado e abatido, mas ao mesmo tem­ po receberás alimento celestial. t Então vem o segundo nível do despertamento, ou seja, a transmissão a pes­ soas com a mesma mentalidade. Que pessoas são essas? Trata-se também de pessoas que nada têm. No caso de Elias foi uma viúva gentia. Nesse ca­ so Elias agiu novamente baseado unicamente na Palavra do Senhor. Quando ele tinha passado pela primeira prova, veio uma nova tarefa: “Então lhe veio a palavra do Senhor, dizendo: Dispõe-te, e vai a Sarepta, que pertence a Sidom, e demora-te ali, onde ordenei a uma mulher viúva que te sustente” (1 Rs 17.8-9). Portanto, por força da Palavra do Senhor, é possível transmitir a outros a bênção que recebemos do Senhor. Deus nunca exige algo de nós que seja impossível de realizar na prática. O Senhor Jesus diz: “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interiorfluirão rios de água viva” (Jo 7.38). Isso é possível também em meio à falta de despertamento. Até é as­ sim que, quando a realização prática das promessas de Deus tomou-se im­ possível aos nossos olhos, Deus já começou a cumpri-las. Que mulher era essa, à qual Elias tinha que ir? Ela não somente era uma viúva gentia, mas uma que tinha que dizer: ".. nada tenho”! Lá onde ficamos vazios de nós mesmos e convencidos do fato de que nada podemos e nada temos, irrom­ pe a plenitude, desde que haja a obediência de fé Em 1 Reis 17.14 ouvimos Elias dizer por ordem do Senhor: “Porque assim diz o Senhor Deus de Is­ rael: A farinha da tuapanela não se acabará, e o azeite da tua botija nãofal94


• tará, até ao dia em que o Senhorfará chover sobre a terra.” Isso é desperta­ mento em meio à falta de despertamento. Ao despertamento pessoal segue, portanto, o despertamento que se trans­ mite a outros. Disso resulta, em terceiro lugar, o despertamento geral. De que consistiu esse despertamento geral? De fogo que caiu do céu? Não! Da acei­ tação geral por parte dos israelitas através da exclamação “O Senhor é Deus”? Também não! De Elias está dito: “.. encurvadopara a terra, meteu o rosto entre osjoelhos” (1 Rs 18.42% Isso significa que ele humilhou-se dian­ te do Senhor. O resultado final dessa oração de arrependimento, desse lu­ tar diante da face de Deus, é descrito em 1 Reis 18.45: “Dentro em pouco os céus se enegreceram, com nuvens e vento, e caiu grande chuva.”

Em nosso coração há um profundo anseio, para que o Senhor possa dar essa grande chuva também em nossos dias. Ele quer fazê-lo, se te deixares des­ pertar pessoalmente, se tua vida tornar-se uma bênção para teu próximo e te humilhares ainda mais profundamente — de maneira vicária por outros. Dessa maneira, conforme sua promessa infalível, o Senhor dará um pode­ roso despertamento geral.

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Despertamento entre o povo de Deus Quando lemos 2 Crônicas 29, podemos dar a esse capítulo o título “Desper­ tamento entre o povo de Deus”. O despertamento é necessário, para que co­ mo filhos de Deus nos tomemos novamente ardentes e fiquemos cheios do Espírito Santo. Um despertamento entre o povo de Deus trará a solução de muitas perguntas e problemas. A questão da evangelização estaria resolvi­ da de um só golpe, pois então o povo de Deus, cada um individualmente, começaria a evangelizar. A questão da unidade, a questão da vitória no diaa-dia, seriam respondidas por despertamento em teu coração.

Onde começa esse despertamento O despertamento entre o povo de Deus começa individualmente Aqui em 2 Crônicas 29, ele começou com o rei Ezequias, de 25 anos de idade Esse homem tinha uma preocupação por despertamento, uma visão do proble­ ma do povo de Deus. Por que ele tinha essa preocupação? A resposta nos é dada pelo versículo 2, onde constata-se a respeito dele: “Fez ele o que era reto perante o Senhor, segundo tudo quantofizera Davi seu p a i” Ele come­ çou a ser obediente ao Senhor na prática. Seus olhos interiores foram abertos cada vez mais para a má situação do povo de Deus. Analisemos os sete as­ pectos da obediência de Ezequias:

1. Ele foi obediente ao Senhor Dele está escrito: “Fez ele o que era reto perante o Senhor” (v. 2). TU tam­ bém o fazes?

2. Ele tinha um santuário aberto “Abriu as portas da casado Senhor” (v. 3), e isso não somente depois de ter governado por muito tempo, mas “no ano primeiro do seu reinado, no pri­ meiro mês.” Meu irmão, minha irmã, teu corpo é um santuário; ele deve ser um templo do Espírito Santo. Está esse santuário aberto para o Senhor? Po­ de ele entrar? 96


3. Ele reparou as portas “Abriu as portas da casa do Senhor, e as reparou” (v. 3). Ele não somente abriu as portas em um ato de obediência, mas também as reparou. Aqui te­ mos uma expressão de obediência estável, de obediência persistente. O di­ zer “sim” impulsivo, sentimental, ao Senhor, que na tua vida diária transforma-se finalmente em “não”, no final das contas não tem valor. Se somos obedientes somente em nossos cultos, cqntando junto, orando jun­ to, ouvindo e aceitando tudo, e voltarmos então para casa e fecharmos as portas, de modo que em nós e à nossa volta tudo fica novamente sem san­ tidade, pertencemos àqueles que dizem “Senhor, Senhor”, mas não fazem a vontade do Pai, como diz o Senhor Jesus em Mateu 7.21. Por isso, o ter­ ceiro aspecto da obediência de Ezequias é tão importante. Ele reparou as por­ tas que tinha aberto. Também nosso Senhor Jesus testemunhou de si mes­ mo: “.. eufaço sempre o que lhe agrada (ao Pai) ” (Jo 8.29). Isso é obediência persistente.

4. Ele trouxe os sacerdotes e os levitas para dentro “Thouxe os sacerdotes e os levitas, ajuntou-os” (v. 4). Os sacerdotes e levi­ tas daquela época tinham esquecido sua elevada posição. Observa: “Trou* xe...”! Ém outras palavras: ele os levou para outra posição. A razão era a si­ tuação despertada de Ezequias. Mas o efeito dessa causa foi que todos os sacerdotes e levitas foram reunidos e levados para dentro do santuário. Que maravilhosa mensagem. Se abro completamente as portas do meu santuá­ rio, do meu coração, diante do Senhor, recebo autoridade para trazer tam­ bém outros sacerdotes, outros crentes, a uma nova posição.

5. Ele os reuniu “Trouxe os sacerdotes e os levitas, ajuntou-os na praça oriental” (v. 4b). O lado do oriente é o lado do nascimento do sol. Quem tem ouvidos, ouça! Algo novo deve começar! Ezequias ajuntou os sacerdotes e os levitas e mostrou-lnes novas perspectivas. Figuradamente, ele os levou de maneira no­ va ao encontro do Senhor. Veja, meu irmão, minha irmã, aquele que tem preocupação pelo despertamento é capaz de fazer isso. Tens essa preocupa­ ção? Ela te aflige? Quero testemunhar: nos últimos tempos ela me aflige for­ temente Tomemos as mãos uns dos outros e nos reunamos na praça oriental, ou seja: olhemos para Jesus e desembaracemo-nos do peso do pecado, que tenazmente nos assedia! 97


6. Ele revelou os erros Através da pregação da Palavra, Ezequias revelou os erros. Ele lhes disse a razão da sua situação sem despertamento: “Porque nossos pais prevarica­

ram efizeram o que eral malperante o Senhor... Pelo que veio grande j/a do Senhor sobre Judá e Jerusalém” (w. 6,8). No versículo 5 ele os exorta à san­ tificação: “Ouvi-me, ólevitas! Santificai-vos agora, esantificai a casa do Se­ nhor, Deus de vossospais.” Ele, portanto, não somente ajuntou os sacerdotes e levitas, ele não somente os levou para dentro do santuário, mas também revelou sem consideração seus erros, seus pecados.

7. Ele queria estabelecer uma nova aliança com o Senhor “Agora estou resolvido a fazer aliança com o Senhor, Deus de Israel, para que se desvie de nós o ardor da sua ira” (v. 10). Será que isso é atualmente necessário? Sim, pois também a Nova Aliança do sangue de Jesus Cristo foi profanada por muitos. Essa é a razão da mornidão e da inéfcia. Podemos resumir em uma palavra os sete aspectos da obediência do rei Eze­ quias: fazer! Ele fez o que agradava ao Senhor! O que o Senhor te ordenou fazer? Pára de orar, de lanjentar, de chorar e faze agora em nome de Jesus o que o Espírito Santo ordena! Assim diz o Senhor: “Por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?” (Lc 6.46). E em Tiago 1.22 lemos: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.” E o que devemos fazer? Exatamente aqui­ lo que o Senhor te ordena: “Pois esta éa vontade de Deus, a vossa santifi­ cação”! Ezequias fez o que era reto perante o Senhor. Depois que o jovem rei tinha ajuntado os sacerdotes e levitas na praça orien­ tal, ele mostrou-lhes seis pecados. Trata-se também dos seis pecados ocul­ tos dos crentes de hoje, que são aqui representados exteriormente: Ezequias cita o primeiro pecado no versículo 6: “Porque nossospais preva­ ricaram e fizeram o que era malperante o Senhor nosso Deus, e o deixaram.” Temos que entender bem isso: exteriormente os israelitas continuavam is­ raelitas, exteriormente eles continuavam sendo o povo de Deus, mas em seu coração começaram a procurar os ídolos. e o deixaram”. Aqui e ah apa­ receram imagens, que eles adoravam além do seu culto nortnal. Não é esse o pecado de muitos filhos de Deus, que exteriormente continuam sendo fi­ lhos de Deus e pertencendo à igreja dos crentes, mas no coração o deixaram? Aí ouço como o profeta Azarias adverte a Asa: “O Senhor está àonvosco, 98


enquanto vós estais com ele; se o buscardes, ele se deixará achar; porém, se o deixardes, vos deixará” (2 Cr 15.2). Se teu coração está cheio de outras coi­ sas, que não a sua glória, então o deixaste. Tklvez já sentes há tanto tempo que ele também teve que deixar-te entristecido. O segundo pecado é citado por Ezequias no versículo 6b: “.. desviaram os seus rostos do tabemáculo do Senhor, e lhe voltaram as costas.” Compreen­ des isso? Eles tinham mudado a direção dos seus olhares, voltando as cos­ tas ao santuário, onde Deus habitava. Com coração entristecido verifiquei que crentes antes ardentes voltaram as costas ao santuário de Deus. Nada mais é mudado para o bem. Se tua fé não cresce mais, porque te afastaste do santuário, se não és mais profundamente convencido, purificado e san­ tificado, então tudo se encolhe, então te assemelhas ao homem de Tiago 1.23: ".. que contempla num espelho o seu rosto natural;pois a si mesmo se con­ templa e se retira, epara logo se esquece de como era a sua aparência.” Ele volta as costas ao espelho da Palavra de Deus. Esse homem representa a mas­ sa dos crentes inconstantes dos nossos dias, que ainda ouvem quando a Pa­ lavra de Deus é pregada, que ainda ficam de alguma maneira comovidos, mas tão logo é dito o “amém” eles voltam as costas à exigência de Deus, à reivindicação total de Deus sobre suas vidas, passando para a “ordem do dia” e esquecendo como era sua aparência interior. O terceiro pecado que Ezequias aponta, é descrito no versículo 7: “também fecharam asportas do pórtico.” O culto foi suspenso, e por comodidade as portas foram fechadas. O templo ficou escuro e os sacerdotes não entravam e saiam mais. Se partimos de 1 Coríntios 6.19, de que nosso corpo é um tem­ plo do Espírito Santo, que temos da parte de Deus e que não somos de nós mesmos, porque fomos comprados por preço elevado, então compreende­ mos com abaladora clareza o que o Espírito Santo quer dizer aqui: “tam­ bém fecharam asportas do pórtico”! Que isso é citado expressamente, prova o quanto tal procedimento ofendeu o coração do Senhor. As portas do seu santuário estavam fechadas. Tenho que dizer isso bem alto e com grande in­ sistência: estamos atualmente cercados por crentes, que em sua intensa ati­ vidade, em seu ritmo de vida agitado, em sua corrida atrás de coisas mate­ riais e da satisfação dos prazeres, fecharam as portas do seu coração ao Se­ nhor. Em sua vida, como na dos sacerdotes e levitas, tudo transformou-se somente numa farsa, em zombaria. Exteriormente eles eram sacerdotes e le­ vitas, mas a verdadeira vida, a essência, a entrega do coração tinha desapa­ recido. Hoje é assim que muitas pessoas são cristãs, mas na verdade elas fe­ charam seus corações diante de Jesus. Quando encosto meu ouvido à Bí­ blia, ouço o lamento do Senhor pelo afastamento do coração dos filhos de JDeus. Assim diz o Senhor: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu 99


coração está longe de mim” (Mt 15.8). Oh, se eu pudesse tomar a vocês cris­ tãos sem Cristo pelos braços, sacudir-vos e exclamar: Desperta, tu que tens nome de que vives e está morto! r O quarto pecado citado por Ezequias também é descrito no versículo 7: "... apagaram as lâmpadas.” O Senhor tinha dado a ordem a Moisés, que as lâm­ padas do candelabro de ouro tinham que estar sempre acesas. Os sacerdo­ tes entravam regularmente para fazer a verificação; os pavios eram limpos e acrescentava-se azeite. Somente essa luz iluminava o santuário, pois não havia janelas. Depois que as portas do santuário foram fechadas, a escuri­ dão era total. Quando se entrava, batia-se no candelabro. Ele transformavase em maldição, ao invés de bênção. Podia-se machucar-se nele, tropeçar so­ bre ele, porque suas lâmpadas não iluminavam mais. Digo mais uma vez: no santuário não existia luz natural, mas somente a luz das lâmpadas ali­ mentadas pelo azeite. Hoje encontramo-nos diante do fato abalador, de que impera escuridão total em muitas igrejas e comunidades. Se bem que exis­ te luz — luz de entendimento, luz de cultura, luz de teologia — mas o que falta é a luz da lâmpada que é alimentada pelo Espírito Santo; a luz do al­ to, que convence, que penetra tudo e revela o interior do coração. Jesus disse com profunda insistência: “Vós sois a luz do mundo” (M t 5.14) e ".. brilhe também a vossa luz diante dos homens” (Mt 5.16). t Queremos perguntar-nos mais uma vez: que luz é essa? A resposta nos é dada bem claramente em Apocalipse 21.23: “A cidade nãoprecisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cor­ deiro éa sua lâmpada.” Somente aquele que segue ao Cordeiro, que se tor­ na um com o Cordeiro, faz o que é reto perante o Senhor. Mas — eles apa­ garam as lâmpadas! Ó terra, terra, terra! ouve a palavra do Senhor. Apesar da tua atividade religiosa, ficou espiritualmente escuro em tua igreja, em tua família e de modo geral em tua vida. Retoma, retorna, tu que te desviaste!

Também o quinto pecado revelado por Ezequias é encontrado em 2 Crônicas 29.7: ".. não queimaram incensa” Aqui tenho que falar mais uma vez so­ bre o grande mistério da oração. O incenso era queimado sobre o altar do incenso de ouro, que se encontrava no santuário, justamente diante do véu que estava diante do Santo dos Santos, a presença de Deus. Esse incenso é uma maravilhosa representação das orações dos santos. No Apocalipse is­ so nos é explicado duas vezes: “.. e, quando tomou o livro, os quatro serès ^ viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, ten­ do cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as omções dos santos... Veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar, com um incensário de ouro, e foi-lhe dado muito incenso para oferecê-lo com as ora­ 100


ções de todos os santos sobre o altar de ouro que se acha diante do trono; e da mão do anjo subiu à presença de Deus o fumo do incenso, com as ora­

ções dos santos” (Ap 5.8 e 8.3-4). Que as orações dos santos produzem coisas grandiosas, pode ser visto em Apocalipse 8.5: “E o anjo tomou o incensário, encheu-o do fogo do altar e o atirou à terra. E houve trovões, vozes, re­ lâmpagos e terremoto,” Esse é o poder da oração, que nos é mostrado aqui. Mas ao mesmo tempo nos é mostrado através da boca de Ezequias também o terrível pecado de omissão dos crentes: “.. não queimaram incenso” (2 Cr 29.7)1

Antes analisamos o quarto pecado de omissão dos filhos de Deus: “.. apa­ garam as lâmpadas”. Falamos da qualidade da luz, alimentada pelo azeite do Espírito Santo, e que ela apagou-se nos corações e nos olhos de muitos crentes, porque eles fecharam as portas do seu santuário e apagaram as lu­ zes. Onde o candeeiro foi removido, falta também o incenso da oração. Uma coisa está relacionada com a outra. Em última análise, trata-se de uma ques­ tão de amor ao Senhor. O Senhor elevado diz à igreja em Éfeso: “Tenho, po­ rém, contm ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de on­ de caíste, arrepende-te, e volta à prática das primeiras obras; e se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas” (Ap 2.4-5). Aí é que está! Falta o movimento de arrependimento, que produzi­ ria um despertamento, as lâmpadas apagadas e a falta de incenso são expres­ são da indisposição ao arrependimento. Onde estão hoje aqueles que oram? Não temos nem idéia daquilo que Deus pode fazer e quer fazer, se nós orar­ mos. O Senhor Jesus disse muito claramente: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á” (M t 7.7). Mas tuas asas de oração estão paralisadas, não é mesmo? Tua oração é apressada e sem efeito. Oh, se soubesses o que pode produzir a oração procedente de um coração purificado! O sexto pecado é citado por Ezequias no final do versículo 7: nem ofe­ receram holocaustos nos santuários ao Deus de Israel!’ Sabemos que o ho­ locausto, em contraste com outros sacrifícios, era uma oferta completa, uma expressão da entrega completa de quem realizava o sacrifício. Tudo tinha que ser oferecido ao Senhor; nada podia ficar para trás. Entendemos que com a frase: “.. nçm ofereceran^holocaustos nos santuários ao Deus de Israel”, Ezequias qüeria dizer: “Entre vocês não há mais entrega completa. Vocês ficaram momos!’ É notável que Ezequias faz referência justamente ao ho­ locausto e não a qualquer um dos outros sacrifícios como, por exemplo, a oferta pelo pecado, a oferta pela culpa, o sacrifício pacífico ou a oferta vo­ luntária. Por quê? Porque o Senhor quer somente uma entrega completa. Tudo o que é em parte é uma abominação para ele. 101


Esses seis pecados dos crentes revelam seu estado de falta de despertamen­ to. Ezequias mostra insistentemente ao povo as conseqüências desse esta­ do. Thita-se das mesmas quatro conseqüências que vemos atualmente:

1. “Feio que veio grande ira do Senhor sobre Judá e Jerusalém ” (v. 8) Obstinada desobediência, momidão e indiferença acendem a ira do Senhor. Mesmo que ele seja, como diz a Escritura, tardio em irar-se, vemos atual­ mente com pavor, como a ira de Deus se acende sobre a igreja dos cristãos, através do fato dele retirar suas mãos abençoadoras.

2. ‘é os entregou ao terror, ao espanto” (v. 8) O resultado da falta de despertamento do povo de Israel foi a sua dispersão. A respeito, o comentário sobre a nossa época é supérfluo. Apesar de todos os esforços de unificação, que são completamente errados, porque a unidade da Igreja de Jesus não pode ser produzida por organização, os filhos de Deus estão mais dispersos e divididos do que em qualquer outra época.

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3. “e aosassobios, como vóso estais vendo com os vossospróprios olhos” (v.8) Trata-se das afrontas sofridas por parte do mundo, e isso não por causa do discipulado de Jesus, mas porque o mundo diz dos crentes: “Seus atos fa­ lam tão alto, que não ouvimos suas palavras!’ O mundo afronta o povo de Deus.

4. “Forqueeis quenossospais caúamàespada, eporisso nossosfilhos, nos­ sasfilhas e nossasmulheresestiveram em cativeiro”(v. 9) A quarta conseqüência fala, portanto, de guerra e perigo de guerra. Quem tem ouvidos, ouça; quem tem olhos, veja! Sobre a Igreja de Jesus paira um juízo espiritual, e também o mundo está ameaçado por um terrível juízo através da guerra. E a razão? A falta de despertamento entre o povo de Deus! O mundo clama por soluções políticas. Mas somente existe uma solução es­ piritual, que é o despertamento entre o povo de Deus. Mas, quero frisar mais uma vez: esse despertamento começa individualmente, contigo e comigo. Queres agora humilhar-te e abrir a porta do teu coração, para que haja no­ vamente luz, para que seja queimado incenso e estejas novamente entregue ao Senhor de maneira completa? Então o despertamento também será trans­ mitido através da tua vida para teu ambiente. Mas qual a razão das conse­ qüências negativas acima citadas? Porque devido ao pecado dos crentes da­ 102


quele tempo, como também hoje, aconteceu algo terrível. É o que percebe­ mos pela insistente conclamação de Ezequias no versículo 5b: “.. tirai do san­ tuário a imundícia”! Com isso ele revela o maior problema do povo de Deus. Ele diz: no santuário interior acumularam-se imundíde e sujeira, porque vo­ cês fecharam as portas, apagaram as lâmpadas e não queimaram incenso. Essa é exatamente a situação. Porque fechaste as portas diante do Senhor e ele não pôde mais entrar, acumularam-se pecado e imundíde no interior do teu templo. Quanto bicharedo e quanta imundíde podem ficar acumu­ lados nos escuros porões da nossa alma! As conseqüências são melancolia, falta de poder, resignação e até dúvida sobre a realidade da redenção. Essa é a razão da conclamação: “.. tirai do santuário a imundícia”!

Depois que Ezequias convenceu o povo do seu pecado e lhe mostrou o ca­ minho do despertamento, ele sente que os sacerdotes e levitas ficam em um perigoso vácuo, pois agora é decisiva a pergunta: irão eles obedecer à Palavra do Senhor ou não? Podes ouvir a exortação à santificação, podes dizer “foi abençoado, foi poderoso e foi dito a verdade?’ — e então voltar à “ordem do dia”. Isso é terrível. Ezequias deve ter percebido esse perigo, pois repentina­ mente ele exclama: ‘‘Filhos meus, não sejais negligentes; pois o Senhor vos escolheu para estardes diante dele para o servirdes, para serdes seus minis­ tros e queimardes incenso” (v. 11). Repito estas palavras para todos os filhos de Deus, onde quer que estejam: não sejam negligentes, pois o Senhor es­ colheu a vocês para serem seus ministros e queimarem incenso! Jesus Cristo diz: eu vos escolhi a vós outros, e vos designei para que vades e deis fru­ tos” (Jo 15.16). És um filho de Deus? Dizes “sim”. Então Deus te escolheu, predestinou, para seres uma pessoa despertada! Percebo em espírito, que agora chega o ponto perigoso: será que aceitarás a exigência de Deus, ou não? Quando acompanhamos a história de 2 Crônicas 29, então podemos dizer agradecidos: eles a aceitaram! “Então se levantaram os levitas.” (v. 12), citando-se a seguir uma série de nomes. Sentimos como Deus leva isso a sé­ rio. Ele conhece as pessoas pelo nome, aquelas que se dispõem a aceitar sua Palavra em obediência de fé. Mas veigonhoso é o fato citado no final do ver­ sículo 34: os levitas foram mais retos de coração, para se santificarem, do que os sacerdotes” No que se refere ao seu ministério, os levitas eram in- [ feriores, e também tinham que realizar o trabalho inferior. Os sacerdotes per- 1 tenciam às pesloas melhores, aos mais piedosos, mas justamente eles foram menos zelosos para se santificarem. Naquela época e atualmente vale a pa­ lavra do Senhor: “muitosprimeiros serão últimos; e os últimos, primeiros” (Mt 19.30). Exorto agora a ambos, tanto aos primeiros como aos últimos: 1 o essencial é um despertamento! O despertamento começará quando nós fi­ zermos aquilo que os levitas, e depois também os sacerdotes, fizeram: levantar-nos, e: “Congregaram a seus irmãos, santificaram-se e vieram se­ 103


gundo a ordem do rei pelas palavras do Senhor, para purificarem a casa do Senhor” (v. 15). O despertamento não irrompeu imediatamente, mas somen­ te quando os sacerdotes e levitas deram determinados passos em direção a ele. Não adiante nada orarmos por despertamento, sem que estejamos/iispostos a cumprir as condições. A condição era e continua sendo para todos nós a limpeza minuciosa do nosso santuário. “Começaram, pois, a santi­ ficar no primeiro dia do primeiro mês; ao oitavo dia do mês vieram ao pór­ tico do Senhor, e santificaram a casa do Senhor em oito dias” (v. 17). Eles ficaram dezesseis dias ocupados com a purificação e santificação de si mes­ mos e do santuário. Muita imundícia que se tinha acumulado tinha que ser posta para fora.

Estou profundamente convicto que justamente agora o Senhor quer come­ çar esse despertamento em teu coração, onde quer que estejas, se quiseres deixar-te purificar. Toma tua Bíblia e lê 2 Crônicas 29.16. Lá está escrita uma palavra de grande significado: “Os sacerdotes entraram na casa do Senhor”. Eles entraram na casa do Senhor, para limpar e tirar toda a imundícia que tinha sido encontrada no templo do Senhor. Os levitas a tomaram e levaram ao ribeiro Cedrom. Olha, assim como naquela época os sacerdotes reabri­ ram as portas do santuário deixando entrar a clara luz do sol, tornando vi­ sível toda a sujeira e começando com o trabalho, também o Sumo Sacerdote celestial, Jesus Cristo, quer que agora, neste momento, estejas disposto a fa­ zer o essencial: abrir as portas do teu santuário. Ele está diante da porta do teu coração e espera, pois também atualmente ainda diz: “Eis que estou à porta, e bato” (Àp 3.20). Se abrires, ele entrará. Ele quer iluminar as partes mais profundas, as dobras mais escondidas do teu coração, levando à luz to­ do o orgulho acumulado, toda sensibilidade, a impureza escondida, a em­ pedernida avareza, a indisposição de reconciliar-se e o caráter teimoso. “Os sacerdotes entraram na casa do Senhor”. Temo freqüentemente que muitas pregações passam sem efeito e sem deixar vestígios em muitas pessoas. Tàmbém esta mensagem será em vão, se não permitires a Jesus Cristo que en­ tre no interior do teu saiáuário, do teu coração. Mas quem permite isso ao Senhor, esse é despertado e através dele também outros! Como irrompeu o despertamento no tempo de Ezequias? O primeiro sinal de despertamento foi que o cordeiro morto ficou no centro, e isso de todo o Israel: “Mandou trazer... sete cordeiros_ como oferta.. Os sacerdotes os ma­ taram, e com o sangue fizeram uma oferta pelo pecado ao pé do altar, pa­ ra expiação de todo o Israel” (w. 21,2224). O primeiro poderoso sinal do despertamento é que Jesus, o Cordeiro, fique novamente grande em nosso meio. 104


Então toda a congregação adorou, e esse é o segundo sinal de despertamen- t to: “Tbda a congregação seprostrou” (v. 28). Lemos que também o rei, e to­ dos que com ele estavam, se inclinaram e adoraram (v. 30). j

O terceiro sinal de despertamento, foi o irromper de grande alegria entre o ; povo. O Senhor deu o despertamento subitamente: “Ezequias e todo o povo í ’ se alegraram por causa daquilo que Deus fizera para o povo, porque subi­ tamente se fez esta obra” (v. 36). Jesus espera diante da porta do teu coração, que está fechada.

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Uma solene condamação ao despertamento "Calai-vosperante mim, ó ilhas e ospovos renovem as suasforças, cheguemse, e então falem; cheguemo-nos e pleiteemos juntos” (Is 41.1). Essa condamação de Deus ao despertamento é declaradamente dirigida aos gentios. Os povos são exortados a calar-se diante dele, com vistas àquilo que ele faz em Israel. Nos versículos 5-7 de Isaías 41 faz-se referência à ido­ latria vã dos gentios, e lemos então no versículo 8: “M as tu, ó Israel, servo meu, tu Jacó, a quem elegi, descendente de Abraão, meu am iga.” A pala­ vra em Isaías 41.1 é muito atual para nós, pois se ela é dirigida aos gentios então se refere também aos cristãos gentios: “Calai-vosperante mim, ó ilhas”. Há uma controvérsia, um conflito, entre o Deus eterno e os homens dentre os gentios, e ele lhes diz que se calem. Pára também tu de contradizê-lo! Ele, o Supremo, o Deus eterno e santo, ao qual adoramos e honramos, or­ dena que nos calemos, pois o que revela atualmente através do vermezinho de Jacó deveria ter-se tomado visível há muito de forma éspiritual na Igre­ ja de Jesus, formada dentre judeus e gentios. Ele ordena-nos que calemos a respeito da nossa dogmática, pois freqüentemente temos a doutrina, mas a vida falta. Os senhor quer que nos aquietemos diante dele e renovemos as nossas for­ ças. Outra tradução diz: “fortaleçam-se”. Ouvimos como no passado ele derramou seu Espírito Santo e sabemos de despertamentos poderosos. Ou­ vimos o som como de um vento impetuoso do Espírito em Israel... e co­ nosco? Onde está o despertamento?! Que o Espírito Santo possa convencernos hoje e gravar profundamente em nossos corações a solene conclamação ao despertamento! *

1. Cala-te! “Calai-vosperante mim, ó ilhas...” No Salmo 46.10 está escrito: “Aquietaivos, e sabei que eu sou Deus.” Ele é Aquele diante de quem treme o Uni­ verso. Ele é o Senhor, para quem mil anos são como um dia. Ele é o Oni­ potente, pois governa! Mas uma coisa eu gostaria de adiantar: o que quer que lhe digamos, em santa confiança de fé, isso nunca pode ser em apressada e vulgar intimida­ 106


de, pois ele realmente é nosso Pai, mas nosso Pai no céu, e nós estamos na terra! Ele é nosso amigo, mas ao mesmo tempo é também o nosso Juiz. Ele é misericordioso, mas ao mesmo tempo é também santo e justo! Por isso ele diz: “Calai-vosperante mim, ó ilhas”. De início, calamo-nos enver­ gonhados e perplexos: por que Isaías 41.15 ainda não tomou-se uma reali­ dade conosco? E o que está escrito lá? Lê, pois em Israel isso é atualmente visível: “Eis que farei de ti um trilho cortante e novo, armado de lâminas duplas; os montes trilharás e moerás, e os outeiros reduzirás a palha.” Não podemos desculpar-nos com nossa fraqueza, pois no versículo anterior Is­ rael é descrito como pequeno e fraco: “Não temas, ó vermezinho de Jacó” (v. 14). Mas, eis que o Senhor revelou seu poder em e através da miséria e da fraqueza de Israel. Por que não há então despertamento entre nós? Por que há um conflito entre Deus e tua alma? Lemos em Amós 3.3: “Andarão doisjuntos, se não houver entre eles acordo?” Cala-te diante dele, pois se fugiste dele, ele tam­ bém retirou-se de ti. É o que está escrito em 2 Crônicas 15.2: “O Senhor está convosco, enquanto vós estais com ele; se o buscardes, ele se deixará achar; porém se o deixardes, vos deixará.” Temos todos os motivos para calar-nos diante de Deus! Certamente, até ao dia de hoje ele abençoou a ti e a nós, mas não fico muito admirado porque ele não deu mais ainda. O que me admira, entretanto, é que apesar da nossa miséria ele nos deu tanto, apesar de tantas vezes sermos infiéis e falharmos. Cala-te diante de­ le e pensa a respeito! Vivemos em um século de cristãos tolos, nos quais não há espírito de ora­ ção perseverante, nem fé ativa. Por isso também não temos despertamento duradouro. Mas Deus quer um despertamento e hoje ele nos conclama so­ lenemente a isso. Pode ser que estás orando a respeito, mas agora cala-te! Pois a pergunta é: será que tu estás realmente preparado se o Senhor der em nossos dias um poderoso movimento do Espírito e um despertamen­ to? Estarás então também disposto a cuidar e tratar das muitas criancinhas em Cristo que nascerão, a ir ao seu encontro amavelmente, ao invés de passar por elas de coração frio? Oras por graça? Então pergunto-te: fazes uso da graça que obtiveste, ou a recebeste em vão? Queres mais poder, mas o que acontece com o poder de Cristo que habita em ti? Pensa seriamente a respeito dessas perguntas e cala-te meditando sobre elas! Lembra ^também o que o Senhor já poderia ter feito através de ti, e o que ainda não pôde por causa da tua desobediência. Se pensares a respeito, ve­ rás e reconhecerás que Deus está disposto e pronto a fazer aquilo que está escrito em Efésios 3.20: “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinita­ mente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós.” Podemos dividir esse versículo em quatro par­ 107


tes, ou seja: 1 — Ele pode. 2 — Ele pode tudo. 3 — Ele pode mais. 4 — Ele pode infinitamente mais! Esse é o poder que opera em nós, Jesus Cris­ to! © que há com esse poder, onde ele está? Por que falta o irrompimento? Entendes agora por que o Senhor te diz que te cales? Tfens realmeiite o de­ sejo de receber aquilo que pedes e do que falas? Muitos falam e cantam de Jesus com fogo, mas eles cantam, oram e pre­ gam excluindo o próprio coração orgulhoso! Cala-te diante dele! Nunca podes esperar que ele te ouça, se não estiveres disposto a escutá-lo. Cala-te diante dele, pois Deus quer falar hoje a ti! O profeta diz “.. ouvirei o que diz o Senhor.” É importante calar-se agora diante dele, pois se ouvires sua voz em teu coração, constatarás que não existe voz que seja como a sua. Sua Palavra tira todo o teu orgulho escondido, tua obstinação, teu egoís­ mo e tua falsidade, para que Jesus seja glorificado. Ele quer agora falar-te, para que sua Palavra produza espírito e vida. Cala-te também em teu ínti­ mo, submetendo-te a ele completamente. Necessitas do Espírito Santo, pois deves ser uma carta legível de Jesus Cristo, que tenha o seu carimbo. Quando uma carta é selada, precisa-se de cera maleável para gravá-lo. Mas muitos cristãos se assemelham a metal duro e não a cera mole. O que é que o Se­ nhor quer fazer em tua vida? Que Jesus tome forma em ti! Cala-te enquanto Gálatas 4.19 e Romanos 8.29 não puderem ser realizados em tua vida. Paulo diz aos Gálatas: “meus filhos, por quem de novo sofro as dores de parto, até ser Cristoformado em vós” Se calado te reconheceste e humilhaste, então dá o segundo passo, que está descrito em Isaías 41.1:

2. Renova as tuas forças! “Calai-vos perante mim, ó ilhas e os povos renovem as suas forças” Receberás de Deus novas forças, novas forças do Espírito Santo, se te ajoelha­ res calado aos seus pés e te humilhares. Se vier à luz toda a verdade sobre ti e revelar-se toda a tua situação miserável, então dá razão a Deus, e ele renovará as tuas forças. Como se dá a renovação das tuas forças? — Reconhece que apesar de teres falado muitas coisas piedosas, faltava o poder do Espírito Santo, o poder daquele diante de quem agora estás cala­ do. Existem pessoas que têm uma colossal tendência para falar. Elas fa­ lam e falam, mas freqüentemente trata-se somente de palha, pois todo o palavreado é sem poder! Cala-te e deixa que Jesus te fale! Deixa que suas chagas te falem, pois elas são uma realidade. Que sua morte e sua ressur­ reição possam comover teu coração. Deixa que o sonido de trombeta da sua volta, que já hoje podemos ouvir, faça estremecer a tua alma! Isso tu­ 108


do são realidades, e de maneira tão real o Senhor quer renovar as tuas for­ ças. O Deus eterno está contigo, mas tu não fazes uso do seu poder, por­ que dás ouvidos a qualquer voz, somente não à sua. Até mesmo nossa pró­ pria voz nos prejudica, pois ela é muito ouvida sem que tenhamos tido an­ tes um encontro com o Senhor. Por isso está escrito em 1 Coríntios 14.8: “Pois thmbém se a trombeta der som incerto, quem se prepararápara a ba­ talha?” Não percebeste ainda que teu testemunho não tem poder, que se trata das tuas próprias palavras e que tuas forças não foram renovadas? TUdo isso acontece porque não te calaste diante dele. Pois o que podemos falar dele às pessoas, se antes não o deixamos falar a nós? Por isso cala-te diante dele e deixa que ele renove as tuas forças. Então o Senhor fará arder nossos corações, que estão frios, e nos espantará em nossa letargia mortal. Ele quer renovar tuas forças espirituais de tal maneira, que nos próximos tempos deverão fluir rios de água viva de cada um de nós. Que rio de bên­ ção se derramará então em tua família, em tua igreja! Nesse rio, as pessoas terão que nadar, quer queiram ou não queiram. Provavelmente Ezequiel nem estava com vontade de nadar quando vadeava esse rio da vida, cujas águas lhe chegavam inicialmente até aos artelhos, depois até aos joelhos e então até aos lombos, e finalmente ficaram tão profundas que ele teve que confessar: “.. águas que se deviam passar a nado, rio pelo qual não se podia passar” (Ez 47.5). Essa é a coerção do alto, à qual os pecadores não conseguem resistir. Eles são obrigados a lançar-se no rio da salvação. Que o poder do Espírito Santo se derrame sobre nós e através de nós, que multidões de pecadores sejam obrigados a se converter! Nosso SenhorJesus prometeu: “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu inte­ riorfluirão rios de água viva” (Jo 738). Como acontece isso? Cala-te diante dele e renova as tuas forças, lembrando-lhe as promessas. Isto é o maravi­ lhoso: quando reconhecemos e confessamos nossos pecados em humilda­ de, então vem sobre nós o poder de Deus, o poder da fé, e tomamo-nos capazes de lembrar-lhe as promessas, por exemplo, uma das milhares: “Por­ que derramarei água sobre o sedento, e torrentes sobre a terra seca; derra­ marei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes” (Is 44.3). Isso vale para a tua família, para tua igreja, para ti pessoalmente! Mas é preciso observar mais uma coisa, através da qual se renovarão as tuas forças: — Desiste da tua própria força, da tua própria sabedoria.

Posso assegurar-te que nunca estou tão cheio do Espírito Santo como quan­ do eu mesmo estou vazio. Nunca fui tão forte como na mais extrema fra­ queza. A razão da nossa fraqueza pecaminosa é nossa própria força. A ra­


zão da nossa tolice pecaminosa é nossa sabedoria natural, humana. Aí so­ mente podemos orar: “Senhor, ajuda-nos a calar diante de ti e a obter no­ vas forças!’ Somente então somos capazes de fazer a terceira coisa.

3. Chega-te! “Calai-vosperante mim, ó ilhas e ospovos renovem as suasforças, cheguemse, e então falem; cheguemo-nos e pleiteemos juntos.” * Estás convidado a chegar-te, quando te humilhaste, calaste e renovaste tuas forças. Chega-te agora, como fez Abraão, quando ouviu sobre as intenções do Senhor com Sodoma e Gomorra: '% aproximando-se a eleJ' (Gn 1823). Como ele fez isso? Ele conscientizou-se de quão próximo já estava de Deus. Conscientiza-te de quão próximo também tu, como filho de Deus, já estás dele! “Mas agora em Cristo Jesus, vós que antes estáveis longe, fostes apro­ ximados pelo sangue de Cristo” (Ef2.13). Estamos ocultos com Cristo em Deus. Assim podes agora aproximar-te na fé. Lembra a quem te estás che­ gando. Estás aproximando-te do teu Pai. Que preciosa palavra do Senhor, de que o próprio Pai nos ama. ".. Cheguem-se"! Lembra, à medida que te aproximas dele, que também ele quer aquilo que tu queres. O que tu sentes, também ele sente. Lutamos e oramos por muitas almas, para que elas se decidam. Através disso não somente é favorável para nós o ouvido do Rei, mas também seu coração! Apela para sua Palavra: “Senhor, tu disseste”, e ele te ouvirá. Então podes também fazer o último:

4. Agora fala! ".. Cheguem-se, e então falem.” Então podes falar em adoração agradeci­ da e em humilde liberdade: “Senhor, está em tempo de agires. O que dirão os inimigos, se agora formos derrotados? Não, isso não pode acontecer! Tfeu nome tem que ser glorificado!’ Fala-lhe assim, quando realmente lhe tiveres entregado teu ser. Conjuro-te a não lhe mentir, dizendo-lhe: “Se­ nhor, aqui me tens completamente”, quando na verdade nem lhe trazes tu­ do. Tb, moço, moça, homem de negócios, mãe, pai: dá tudo ao Senhor, para que lhe pertenças completamente! Essa é a solene condamação de Deus ao despertamento. Ela vale também para ti!

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O Dr. W im M algo nasceu em 1922 em M aassluis (Holanda). Ele é fundador e diretor internacional da “ Obra Missionária Chamada da M eia-Noite” e presidente da “A ssociação Beth-Shalom para Estu­ do Bíblico em Israel” . Suas conhecidas publicações mensais “ Cha­ mada da M eia-Noite’’ e ‘‘N otícias de Israel’’ são editadas em 6 idio­ mas e lidas por um número crescente de pessoas em mais de 80 paí­ ses . Ele é também autor de mais de 35 livros, nos quais destaca o cum­ primento das milenares profecias bíblicas em nossos dias, e a conse­ qüente necessidade e urgência de santificação dos cristãos e sua pre­ paração para a breve volta do Senhor. Oração e Despertamento é um livro essencial para nosso tem po. Sa­ bem os que o despertamento deve ser o estado normal do crente. Sa­ bem os que a vontade de Deus é dar despertamento. M as vem os que na realidade a maioria dos cristãos e das igrejas vegeta espiritualmente. £

Quais as. razões?

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O que falta?

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C om o com eça um despertamento?

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Quais as condições para que nossas orações sejam atendidas?

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Oração e despertamento são duas coisas inseparáveis.

O autor diz: “ Onde ocorre despertamento, lá se orou, e onde se ora em espírito e em verdade, lá necessariamente acontece despertamento.,. N ão que­ res experimentar de maneira Completamente nova. o poder da oração? Se fizermos isso, Deus abre o céu e mostra-nos coisas, das quais ain­ da não sabíam os nada: “Invoca-me e te responderei; anunciar-te-ei cousas grandes e ocultas, que não sabes ” (Jr 33.3)” .

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Oraã§ã£o e despertamento wim malgo  

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