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PROPRIEDADE: CONVÍVIOS FRATERNOS * DIRECTOR REDACTOR: P. VALENTE MATOS * PRÉ-IMPRESSÃO E IMPRESSÃO: FIG - INDÚSTRIAS GRÁFICAS, S.A. 239 499 922 PUBLICAÇÃO BIMESTRAL - DEP. LEGAL Nº 6711/93 - ANO XXXIV- Nº 310 - JANEIRO/FEVEREIRO 2012 * ASSINATURA ANUAL: 10 EUROS * TIRAGEM: 10.000 EXS. * PREÇO: 1 EURO

NESTA QUARESMA… A PAIXÃO DE CRISTO EM NOSSOS DIAS

Mensagem do Papa Para a Quaresma

Cristo continua vivo , embora agonizando, em cada homem meu irmão, que sofre no corpo ou na alma o drama da dor causada por si ou pelo outro homem seu irmão!... Que na quaresma deste ano, cada um de nós ,jovens ,por uma autêntica conversão e por uma verdadeira doação aos outros , como Paulo , completemos em cada um de nós , o que ainda falta à PAIXÃO DE CRISTO.

A quaresma oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitária de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.

Porque acredito É porque a minha humanidade precisa de Alguém que a entenda, que a conheça e que a aceite. É uma dádiva, concordo. Mas é também uma necessidade. E não tenho problema algum em afirmá-lo. Acredito, porque preciso de acreditar. Porque me acho maior do que esta escuridão que vejo amiúde. Na verdade, acho-me maravilhosamente bem pensada ainda que, tantas vezes, pequena e miserável. Preciso de acreditar para que tudo possa ter um sentido, diferente do sentido material e fugaz que o engenho humano consegue desenhar. Quem vive à margem do infinito, talvez consiga ter dias mais alegres e vidas mais sossegadas. Viver para lá do aqui, implica sempre renúncia a algumas coisas. Mas eu não sei não acreditar. E se algum dia acontecer serme tirada essa dádiva, farei de tudo para recuperá-la, ainda que, para isso, a minha vida tenha de ser menos sossegada e os meus dias, menos alegres. É que a minha humanidade precisa desse Alguém que a entenda. E isso, ninguém o consegue em absoluto, a não ser O Absoluto em Quem eu preciso de acreditar. Fabíola Mourinho CF 833 Bragança-Miranda

A Esperança De facto, para um cristão é fundamental viver na profundidade da esperança, para que possa viver o presente projectando o olhar para o Reino futuro e absoluto. Mas para isso, é deveras relevante que essa perseverança seja forte e alicerçada nas raízes da fé para que não caiamos na esperança passiva, aquela que actua de uma forma disfarçada. Na Carta aos Hebreus, "Desejamos porém que cada um de vós mostre o mesmo zelo, mantendo intacta a sua esperança até ao fim" (Hb 6,11), está patente o anseio de uma esperança que introduz o compromisso na fé e o projecto de missão. Só mesmo uma pessoa de fé é capaz de viver a esperança cristã. Nádia Mofreita, CF 1119 - Bragança

VISITAS DE ESTUDO À COMUNIDADE TERAPÊUTICA Mais que nunca , ao sentir-se que cada vez mais alastra o consumo de drogas entre adolescentes e jovens , é preocupação dos educadores e famílias procurarem meios para melhor esclarecer os educandos sobre os malefícios e os danos causados pelo consumo de estupefacientes. Cont.paqg-1 J-A

OS CONVÍVIOS FRATERNOS COMO RESPOSTA À PASTORAL JUVENIL NAS DIOCESES Realizaram-se, em algumas dioceses Convivios - Fraternos no fim do ano 2011 e já no início deste ano, procurando, ser resposta para os problemas morais e religiosos dos nossos jovens. Dos seus resultados e de outras actividades do movimento encontram-se as notícias nas Pag 2,3 e 4 de J A-

Estatuto Editorial Há 39 anos que "Balada da União" era publicado mensalmente e agora bimestralmente como órgão oficial da Associação de Jovens Cristãos CONVÍVIOSFRATERNOS E DO "CENTRO SOCIAL DE APOIO A TOXICODEPENDENTES CONVÍVIOS FRATERNOS II", visando a sua formação integral. A sua publicação tem por objetivo apoiar todos os jovens, com maior incidência os que se encontram em situação de risco ou conflito social ou familiar, tais como toxicodependentes, alcoólicos e marginais, e colaborar na sua formação cultural, humana, cívica, religiosa e profissional, sendo elo de união entre todos os seus associados. Não tem fins lucrativos nem comerciais mas tão somente pedagógicos e preventivos de situações de risco. De acordo com o n°17 da Lei da Imprensa "comprome-tese a respeitar os princípios deontológicos de imprensa e a ética profissional, de modo a não prosseguir apenas fins comerciais nem abusar da boa fé dos seus leitores sem a deturpação da informação a que têm direito". Para além do seu Diretor não possui corpo redatorial próprio, estando aberto à colaboração de todos os jovens, como possibilidade de experiência jornalística. A associação existe há 39 anos a nível nacional e diocesano bem como a nível internacional, estando registada oficialmente, por Escritura Pública de 23 de Abril de 1998, como Instituição Particular de Solidariedade Social.

CONVÍVIOS RUMO AO FUTURO 23, 24 e 25 de Março de 2012 1182 - Casa do Clero, em Bragança, para jovens desta diocese 29, 30 e 31 de Março 2012 1183 - Na Casa ComVida , na praia de Quiaios, para a diocese de Coimbra 31 de Março, 1 e 2 de Abril de 2012 1184 - Em Eirol, Aveiro, para jovens da diocese do Porto Nos dias 2, 3 e 4 de Abril de 2012 1185 - No Seminário de Leiria, para jovens desta diocese 1186 - Na Casa das Irmãs de S. José de Clunny, em Torres vedras, para jovens da diocese de Santarém 1187 - No Seminário de S. José, Vila Viçosa, para jovens da Arquidiocese de Évora 1188 - No Seminário dos Passionistas, em Barroselas, para a diocese de Viana do Castelo. Nos dias 28,29 e 30 de Abril 2012 Convívio para casais 39- Para casais da diocese do Porto com encerramento no Salão Paroquial de Travanca ( Santa Maria da Feira).

O MEU AVIVAR DE COMPROMISSOS

Dificilmente morrerá por um justo; por um homem bom, talvez, alguém se resolva a morrer. Deus, porém, demonstra o seu amor para connosco, pelo facto de Cristo haver morrido por nós, quando ainda éramos pecadores. Se de facto, sendo nós inimigos, fomos recociliados com Deus mediante a morte do seu filho, com muito mais razão, depois de reconciliados, seremos salvos pela sua vida. E não é só isto; também nos gloriamos em Deus por Nosso Senhor Jesus (Rom, 7-11).


2 Nesta Quaresma a paixão de Cristo em nossos dias Vivemos num mundo cada vez mais egoísta e em que cada homem se fecha na concha do seu comodismo para não sentir nem ver os problemas dos outros. O homem de nossos dias insensibilizou-se frente ao sofrimento do seu semelhante. Como o fariseu ou o sacerdote da parábola passa indiferente ao drama de seu irmão. São muito poucos os que assumem a atitude edificante do bom samaritano!... O respeito pelo valor e pela dignidade da vida humana, desapareceu do seu coração. O homem tornou-se assim, objecto dos interesses mesquinhos dos outros homens reduzido apenas ao espaço material. Daqui ele converter-se no seu principal inimigo. O sentido da fraternidade que brotava da certeza dada pela Fé de que todos fomos criados por Deus à sua imagem e semelhança, esvaziou-se desta realidade frente ao materialismo de nossos dias. A fraternidade universal converteu-se em sociedade de consumo ou em máquina sócio económica em que os valores do amor, da caridade e da união foram substituídos pelo ódio, pelo egoísmo e pelos interesses particulares. Cada homem tornou-se em objecto dos interesses do outro

homem ou em peça da máquina económica montada pela sociedade. Assim a insegurança e a incerteza começaram a dilacerar o coração dos homens que vivem angustiados o seu egoísmo, o seu bem-estar. Deus neles, foi substituído pelos falsos ídolos do dinheiro, do prazer, da vaidade, da honra, do domínio, da opressão, etc, etc. O homem esvaziando-se do sobrenatural e do divino na sua vida, "endeusou-se". E é assim que ele insensível vê passar diante de seus olhos, nos écrans da sua televisão o drama dilacerante das guerras que polulam por toda a parte; a tragédia de crianças e velhos morrendo à fome; o sangue da destruição de tantas vidas humanas por atos de terrorismo; o desmoronar dos mais elementares valores que regem a moral e a família; a injustiça e a opressão a campearem por toda a parte!... O sofrimento, a angústia e a morte do homem seu "irmão" já nada lhe diz nem tão pouco o sensibilizam!... Foram apagadas do seu coração as palavras de Cristo: "TUDO O QUE FIZERDES AO MAIS PEQUENO DE VOSSOS IRMÃOS, É A MIM QUE O FAZEIS": Esta certeza da presença de Deus em cada homem não tem mais realidade!... É por isso que Cristo, como há dois mil anos, continua em cada homem de nossos dias a sofrer o seu isolamento, o seu sofrimento, a sua Paixão agonizante. Agoniza na criança ou no adulto que na Etiópia, no Biafra, em qualquer parte do mundo morrem à fome, enquanto tanta riqueza é desperdiçada!... Agoniza nos jovens que no Irão, no Iraque, nos países da América Latina ou do Médio Oriente caem trespassados pela metralha do outro homem seu irmão!... Agoniza na Paixão de nossos dias no jovem drogado, no oprimido e no que sofre injustiças sem possibilidade de libertação!...

BALADA UNIÃO Ele agoniza no patrão ganancioso e desumano como no operário que não recebe salário ou que é maltratado!... Ele agoniza em todos os homens que sofrem as consequências do egoísmo e das cobiças como em todos aqueles que os fazem sofrer, continuando a Paixão de nossos dias!... Ele continua vivo, embora agonizando, em cada homem meu irmão, que sofre no corpo ou na alma, o drama da dor causada por si ou pelo outro homem seu irmão.

JANEIRO/FEVEREIRO 2012 Que na QUARESMA deste ano, cada um de nós, jovens, por uma autêntica conversão e por uma verdadeira doação aos outros, como Paulo, completemos em cada um de nós, o que ainda falta à PAIXÃO DE CRISTO. António M. do 7.° Conv. Frat.

Reunião do conselho Nacional dos Convívios Fraternos em Fátima O Conselho Nacional dos Convívios Fraternos reuniu no dia 21 de Janeiro, em Fátima na casa de Nossa Senhora do Carmo para analisar a vida do movimento, bem como, projetar as atividades do ano de 2012, nomeadamente a peregrinação nacional de 8 e 9 de Setembro. Os representantes das quinze dioceses, presentes na reunião, inicialmente analisaram o Encontro Nacional ocorrido em Fátima em 2011, onde se destacou o constrangimento da não disponibilidade do Auditório do Centro Pastoral Paulo VI, por motivo de obras, para o momento do acolhimento e da celebração penitencial, tendo sido realizado no Convívio de Santo Agostinho, bem como do sarau que foi substituído pela vigília de oração na Basílica da Santíssima Trindade. Na generalidade a peregrinação aconteceu dentro da normalidade acontecendo um ou outro constrangimento que depois de analisado e escalpelizado será certamente ultrapassado em futuras peregrinações. Numa linha de fazer melhor, sabendo que todas as dioceses terão de fazer um ainda maior esforço de evangelização nas paróquias de forma a cativar os jovens para Jesus. A peregrinação nacional promove o encontro de jovens convivas das várias dioceses, sendo um testemunho jovem entre jovens, bem como um momento privilegiado de crescimento na fé. A peregrinação pode também despertar no seio de jovens não convivas, a vontade de realizar um convívio fraterno e integrar um grupo de jovens e assim evangelizar as nossas comunidades, por vezes poucos recetivas à Boa Nova. Numa linha de perseverança na fé é muito importante desenvolver os núcleos de jovens que trabalhem na paróquia e que assim cresçam na fé, convidando outros jovens para os grupos, sendo agentes de evangelização. Após a análise da peregrinação do ano de 2011 iniciou-se a preparação da peregrinação de 2012, a qual decorrerá nos dias 8 e 9 de Setembro em Fátima sendo a XXXIX peregrinação do Movimento Convívios Fraternos, presidida pelo Sr. Bispo D. Manuel Linda, Bispo Auxiliar de Braga. Em sede de reunião foram analisadas as várias cerimónias a implementar, bem como os locais em que se realizarão, tendose concluído pelo escalonamento abaixo referido: O acolhimento será no Centro Pastoral Paulo VI, pelas 14h30 organizado pela diocese de Setúbal, seguindo-se a celebração penitencial coletiva, organizada pela diocese de Bragança. Após esta celebração teremos a celebração individual da penitência. A festa da ressurreição ocorrerá no exterior do Centro Pastoral Paulo VI e será organizada pela Diocese de Vila Real. Às 16h45 ocorrerá a concentração na esplanada para o desfile que terá início a partir da Igreja da Santíssima Trindade, para a realização da Saudação e da Celebração a Nossa Senhora A Celebração a Nossa Senhora na Capelinha das Aparições será dinamizada pela diocese de Viseu às 17 horas. No que respeita à Celebração do Terço do Rosário foi considerado importante uma diocese se responsabilizar pela escrita de todos os textos, sendo assim garantida uma linha de continuidade nos escritos a apresentar em cada mistério do Terço do Rosário. Relativamente ao Terço de Sábado à noite a diocese de Leiria escreverá os textos, sendo que a leitura dos mistérios será pela seguinte ordem das dioceses; 1º Leiria, 2º Évora, 3º Guarda, 4º Porto (casais) e 5º Vila Real. No domingo os textos do Terço serão escritos pela diocese de Aveiro, sendo que a leitura dos mistérios será pela seguinte ordem de dioceses; 1º Aveiro, 2º Setúbal, 3º Bragança, 4º Viana do

Castelo e 5º Viseu. Pelas 21h15 ocorrerá a celebração do Terço do Rosário seguida da Procissão de Velas. No fim da Procissão de Velas acontecerá no Centro Pastoral Paulo VI o Sarau do Movimento dos Convívio Fraternos dinamizado pela diocese do Porto. No Domingo a manhã inicia-se com o Terço do Rosário seguido da Eucaristia solene presidida pelo senhor Bispo D. Manuel Linda, Bispo auxiliar de Braga. A festa da despedida, após o almoço, será dinamizada pela diocese de Braga no parque de estacionamento n.º2. O grupo de trabalho inventariou várias propostas de tema para a peregrinação, de seguida fez a análise e votação das mesmas, tendo optado pelo seguinte tema: "Leva-me mais longe…" No sentido de ousar ir mais além, sair dos nossos lugares de conforto e anunciar, evangelizar, tendo implícito o tema do santuário para este ano, que nos faz uma pergunta e nos lança um desafio; "Quereis oferecer-vos a Deus?" Ao que os convivas são convidados a responder; "Leva-me mais longe…." A elaboração artística da música e da letra do tema nacional "Leva-me mais longe…" será patrocinada pela diocese de Bragança, e a elaboração artística do cartaz será da responsabilidade da diocese de Santarém. Foi referida a importância de respeitar as datas, tendo-se estabelecido que o dia 30 de Junho será a data limite para a apresentação de todos os materiais. Todo este trabalho de planeamento radica na necessidade de motivar os jovens do movimento para participarem no encontro nacional, como expressão da festa e unidade conviva e da vivência do seu compromisso, em que os jovens usem as suas diferentes camisolas representantes das dioceses. Alguns dos representantes das dioceses presentes propuseram a realização de encontros convivas regionais, promovendo a dinamização conviva. Foi referido que o movimento se encontra em todas as dioceses nacionais exceto nos Açores e porventura adormecido em Lisboa, onde já esteve presente. Mas onde ultimamente não se têm realizado convívios fraternos. A diocese de Setúbal comprometeu-se a revitalizar o movimento em Terras de Lisboa. No exterior das fronteiras lusas, o movimento encontra-se a trabalhar na diocese de Paris para a comunidade imigrante da lusofonia, e em Moçambique onde conta com a participação muito ativa do recém-ordenado Padre Francisco Fumo que realizou o primeiro convívio de Moçambique. O Movimento já esteve presente em Angola e no Brasil, mas neste momento encontra-se com dificuldades. Para as comunidades imigrantes lusófonas da Suíça e do Luxemburgo já se realizaram convívios, mas ultimamente não tem sido possível. Há um projeto de levar o movimento a terras de S. Tomé e Príncipe, mas tem esbarrado com questões de logística, que talvez no futuro possam ser ultrapassadas. O projeto de levar o movimento até terras de Espanha, nomeadamente através das dioceses fronteiriças, poderá ser implementado num futuro próximo. António Silva


VISEU Testemunho VISITAS DE ESTUDO ÀS COMUNIDADES TERAPÊUTICAS

Ao tentar passar para o papel uma experiência tão fabulosa como aquela que vivi neste 3 dias de Convívio, senti imensa dificuldade. Todos nós sabemos que é impossível colocar o nosso coração à mostra, torná-lo disponível para todos, mesmo sabendo que seria muito bom e que provocaria um bem maior. Fui convidado por um amigo que, fazendo ecoar a vontade de JC, chegou até mim com um convite que logo me deixou com uma certa curiosidade. Na verdade, não sou pessoa de apostar às cegas em nada, gosto sempre de saber onde ponho os meus pés, mas desta vez tive de abrir uma excepção e deixar-me levar pelo coração que me dizia vai… tive de abdicar de muitas coisas, pois era o fim-desemana do Carnaval, havia muitas festas e convites, não foi nada fácil dar este primeiro passo. Mas depois de chegar ao Centro Pastoral, de conhecer algumas pessoas, nunca mais me lembrei do que tinha ficado para trás e o tempo só voltou a marcar a minha cabeça quando já estava no encerramento e comecei a pensar no amanhã.

Mais que nunca, ao sentir-se que cada vez mais alastra o consumo de drogas entre adolescentes e jovens .é preocupação de educadores e famílias procurarem meios para melhor esclarecer os educandos sobre os malefício e os danos causados pelo uso de estupefacientes. Assim com frequência alunos de escolas e associações civis e religiosas de jovens pedem para visitar as comunidades terapêuticas desta instituição que está sempre disponível para lhes abrir as suas portas e assim colaborar na difícil tarefa da prevenção da toxicodependênciaFoi assim que no dia 27 de Janeiro, da parte da tarde, 34 alunas do Curso Profissional de Técnica de Apoio Psicossocial e 3 professoras do Agrupamento Vertical de Escola de Castelo de Paiva, vieram em visita de estudo à Comunidade de Santa Marinha dos Convívios FraternosA visita teve início com uma exposição ao grupo sobre as consequências destruidoras da vida dos jovens pelo consumo de drogas e sobre o Programa Terapêutico ~ Reconstruir ,através do qual os terapeutas procuram ajudar os toxicodependentes a libertarem-se do consumo de drogas- Este Programa processa-se em 2 Fases de tratamento distintas mas complementares e em dois edifícios- . A Fase 1, nos primeiros 6 meses em ambiente protegido e com tratamento intensivo, e uma 2ª Fase também com a duração de 6 meses em tratamento já com reinserção social , profissional e familiar. Possui ainda um Apartamento de Reinserção para aditos que após o tratamento querem permanecer mais 6 meses acompanhados ou que no fim do tratamento não têm apoio familiar. Depois desta exposição os visitantes dividiram-se em dois grupos e, acompanhados por dois terapeutas, puderam visitar as diversas dependências da comunidade. Finalmente realizou-se um colóquio, no ginásio da comunidade, com a presença dos residentes . Após uma breve apresentação aos residentes dos visitantes e dos objectivos que os tinham trazido de tão longe a esta comunidade , as alunas da Técnica de Apoio Psicossocial , puderam escutar testemunhos de alguns residentes sobre os motivos que os levaram a iniciar o consumo de estupefacientes , sobre os destruidores efeitos na sua vida e as grandes dificuldades de deles se libertarem. Interessante foi constatar que " embarcados no mesmo drama " se encontravam lá jovens desde os 15 anos até adultos com perto de 50 anos. Foi proveitosa esta visita para todas as alunas que, naturalmente, no futuro irão encontrar no desempenho da sua profissão problemas deste género para melhor lidar com eles e para, como aconselharam alguns residentes, nunca experimentarem o uso de qualquer droga porque, iniciado o seu consumo, poderá acontecer que ele jamais termine.

Depois de algumas reservas, o começar do meu convívio 1179, foi muito cauteloso. Parecia-me nada que podia acontecer me marcaria muito. Sou um cristão com convicção, tenho uma certa certeza das minhas crenças e isso marcou o princípio do convívio. Foi bom descobrir-me melhor, saber que algo mais especial pode acontecer quando estamos com JC. Que Ele é uma enorme caixa de surpresas e que nada do que eu sonho poderá ser uma realidade sem que Ele esteja por perto. Hoje, tenho a certeza que com Ele, "sempre focados em Cristo" (este foi o lema do nosso convívio), poderei marcar de forma positiva a minha história, a minha sociedade e a Igreja de Jesus, da qual faço parte integrante. Passado pouco tempo senti que estas pessoas que me acompanhavam nesta experiência de Cristo já faziam parte de mim, éramos uma grande família disponível para nos entregarmos totalmente. Foi fácil aos poucos

dizer "amo-vos a todos", "o meu coração está cheio e pronto a amar cada vez mais", etc. O meu encontro com JC foi tão fascinante que me deixou de rastos. Senti a minha pequenez diante d'Ele, senti como Ele me queria fazer grande, senti que Ele me fazia importante, que me chamava a servi-LO nos irmãos. Senti que JC faz mesmo parte da minha vida, mesmo nos momentos mais difíceis, naqueles momentos em que duvida da sua presença junto de mim, do seu amor e do seu braço protector. Descobri porque Ele me desejava neste convívio, o porquê de tanta insistência… Eu faço falta a Cristo, mas somente se me entregar por inteiro. Só se for capaz de darlhe todo o meu coração, Ele conseguirá fazer algo de eternamente novo neste mundo. Agora, já a viver o meu 4º dia, quero dizer a todos os amigos convivias, a todos os jovens que encontrar no meu caminho, EU AMO DE VERDADE! EU AMO JESUS COM TODO O MEU CORAÇÃO, e quero continuar sempre assim, por isso rezem comigo para que esta chama acesa no coração dos jovens que neste fim-de-semana de carnaval realizaram o seu convívio fraterno, não somente em Viseu, mas em todo o país, nunca percam a coragem de ser cristão de verdade e de se assumir, que a chama do amor de JC nunca se apague nos nossos corações. Como um santo Agostinho, apetece-me dizer… "descobri-Te, Senhor, da forma mais radical que pode acontecer. Não sabia como era intenso o Teu amor por mim. Sinto-me feliz por Te ter junto a mim. Agora, ajuda-me a ser fiel ao Teu chamamento e a missão que reservaste para mim. Obrigado, Senhor!" A todos os amigos deste Convívio Fraterno 1179, a todos os convivas mais velhos da nossa Diocese de Viseu, ao nosso Bispo D. Ilídio, fica para sempre expressa a minha vontade de a todos ajudar a encontrar JC pelos caminhos desta vida. Sempre focados em Cristo seremos anunciadores da alegria de amar. Um participante do 1179

Convívio Fraterno 1179 diocese de Viseu


JOVENS EM ALERTA

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JANEIRO/FEVEREIRO 2012

PORTO "Fez-se Natal em Eirol" Nos dias 27, 28 e 29 de Dezembro de 2011, em Eirol, Jesus voltou a nascer no coração de 59 jovens que aceitaram fazer a experiência do Convívio Fraterno 1171. Enfrentando os seus próprios obstáculos, estes jovens tiveram a coragem e audácia de deixar o seu quotidiano e iniciar uma viagem de busca de respostas que completassem a sua existência e sobretudo que os levassem ao encontro de Deus. Ao longo dos três dias do convívio, cada um deles foi fazendo este caminho de descoberta, encontrando dificuldades mas, sobretudo, idealizando soluções deixando-se tocar pelo Espírito Santo. E o Espírito Santo actuou, transformando um grupo de pessoas que até aqui não se conheceria muito bem, numa família unida em Cristo e consciente do Amor de Deus que nos faz ser Igreja. A alegria e intensidade com que todos os momentos do convívio foram vividos, marcou quer estes jovens, quer quem com eles partilhou esta experiência. A "luz pequenina" que brilha, agora mais, nos nossos corações renova a esperança de que podemos viver a mensagem de Amor anunciada com o nascimento de Jesus. "Porque Deus amou ao

mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." João 3:16 E foi em Avanca que cada um destes novos profetas puderam começar a espalhar a Boa Nova. No encerramento, os novos convivas testemunharam a sua felicidade perante família e amigos e contagiaram com a força da sua Fé. Uma boa parte da festa de encerramento do Convívio Fraternos 1171 foi transmitida via skype para os Convivas radicados em Paris, o que nos deixou muito contentes. E quarto dia não se iniciou sem antes se realizar a grande celebração da Eucarística, perante uma casa cheia. E é neste ambiente de família conviva que somos convidados a deixar acontecer Natal nos nossos corações todos os dias. Deixar que Jesus renasça a cada dia na forma como nos entregamos aos outros e como nos relacionamos connosco mesmos, reconhecendo o projecto de felicidade que Deus tem para nós, é o desafio que nos foi lançado. E neste desafio não estamos sós pois, "Somos Um"! A equipa coordenadora

Convívios Fraternos Nº 1180 para a diocese do Porto

Convívio Fraterno Nº 1180 na diocese do Porto

Proposta de dinamização da Quaresma 2012 À semelhança do que aconteceu no Advento, o Movimento dos Convivios Fraternos, através da equipa de formação e evangelização, convida-vos a viverem a Quaresma em conjunto, celebrando estas semanas de forma muito particular. Para tal, enviamos em anexo um conjunto de materiais pensados para que cada núcleo possa dinamizar sessões de acordo com as reflexões que o evangelho de cada semana da Quaresma nos propõe. Esta é uma proposta que os Núcleos e grupos de jovens convivas podem gerir e trabalhar de acordo com o que lhes for mais conveniente e possível. Desde já, a Equipa de

Evangelização se disponibiliza a esclarecer alguma dúvida ou a complementar esta proposta. Gostaríamos de destacar a última semana da Quaresma para a qual esta equipa, a equipa de animação pastoral e de apoio espiritual estão a trabalhar no sentido de organizar um Encontro Final que termine com chave de ouro toda esta caminhada de trabalho e reflexão. O Encontro será no dia 30 de Março e sobre o qual será divulgada mais informação assim que possível. Um abraço em Cristo, A equipa de Evangelização e Formação."

Até sempre Sãozinha Convívios Fraternos Nº 1171 para a diocese do Porto

Senhor ensina-me a viver, a dar e receber.... Saídos de um mundo de agitação com imensos "ruídos" chegou a Eirol um grupo de jovens para participar numa experiência diferente. Pouco sabiam do que se tratava mas por ela ansiavam; tinham muitas questões e dúvidas e só uma certeza: vieram em busca de algo que os preenchesse, que os fizesse sentir felizes! Nem sempre é fácil identificar aquilo que necessitamos para preencher o vazio que está dentro de nós e por isso as escolhas que fazemos nem sempre são as mais corretas. Estes jovens tiveram a coragem de vir à procura da verdadeira razão da sua felicidade; muitos ainda não sabiam o que precisavam descobrir mas estavam dispostos a participar nessa aventura. Foi o que aconteceu aos 36 anos do Cf 1180 que resolveram fazer uma paragem nas suas vidas nos dias 18, 19 e 20 de Fevereiro 2012 em Eirol. Saíram da sua rotina e abriram o seu coração e descobriram que são únicos e especiais, portadores de um tesouro incalculável e que cada um faz a diferença neste mundo; descobriram que há pessoas apaixonadas por Jesus Cristo; descobriram que Deus é Amor e que nunca os abandona; e agora sabem o que significa "Quem não vive

para servir não serve para viver!. Foi com imensa alegria que se procedeu o Encerramento deste Convívio na Casa do Cruzeiro em Cesar - um bem-haja ao grupo de jovens de Cesar que preparou com muito carinho este Encerramento. A festa iniciou-se de imediato com a presença de familiares destes jovens e da família Conviva que os fez sentirem-se acolhidos e desta forma tornou-se mais fácil os seus testemunhos. Deram testemunho das suas descobertas e da sua Felicidade: sentem-se amados por Deus e isso torna as suas vidas mais intensas e completas; o vazio foi preenchido pelo imenso Amor de Deus. O auge desta festa celebrou-se na Eucaristia, acção de graças a Deus Pai. Os jovens Convivas do 1180 sabem que têm uma missão muito especial: testemunharem Jesus Cristo, presente nos seus corações, pois essa é a única maneira de viver Deus-Amor. "Sóis únicos e podeis fazer a diferença", por isso vamos lá, em "passo duplo e ritmos acelerado" levar cristo a todos, pois um conviva é assim mesmo (Oioai) Pela Equipa Coordenadora do CF 1180

A morte é sempre um absurdo, mais ainda quando se trata de uma jovem de 37 anos. Quando se trata da Conceição Meira Vieira, da Sãozinha, era assim que a maioria de nós a tratava. É um absurdo, porque ainda tinha tanto para dar com a sua presença sempre luminosa e sorridente, mesmo, quando as forças já eram poucas e o fim se aproximava. Foi sempre assim que conhecemos a Sãozinha e foi, por isso, que a sua partida nos tocou tanto. Por onde passou, por onde tivemos a oportunidade de partilhar da sua alegria, boa disposição e boa vontade, sempre nos deixou essa imagem de que é possível erguer, neste plano, um mundo mais solidário e fraterno. A inspiração foi buscá-la a Jesus Cristo, ao seu exemplo de Amor. Por Ele, participou, ativamente, num conjunto diversificado de movimentos cristãos. Desde logo, neste, que, agora, acolhe este artigo em sua memória, os Convívios Fraternos. Empenhada, levou muitos de nós, jovens como ela, a viver a experiência inesquecível que é fazer parte deste grupo, onde a fraternidade não é uma palavra vã, mas uma palavra que encarna na vida dos Homens, na vida daqueles que ainda estão no início do caminho. Os momentos que partilhámos nos encontros nacionais, em Fátima, vão sempre ficar no nosso espírito. Quanta alegria vivida nos anos Primaveris das nossas existências. Era também assim, no Grupo de Jovens da

nossa Paróquia, Perosinho, II Vigararia de Gaia. Nos "Caminhantes", assim se denominava o nosso querido grupo, como na Catequese, experienciámos, com ela, a satisfação e regozijo de fazer, verdadeiramente, parte da Igreja que Cristo fundou. Como jovem discípula do Mestre, em qualquer um destes palcos, onde se desenrolou a sua vida, mas também como filha, irmã, mais tarde, como esposa, mãe e profissional, a Sãozinha nunca desiludiu, nunca vacilou naquilo que acreditava. O seu exemplo de fidelidade, de coragem, de amor ao próximo não foi em vão. Fomos mais felizes ao partilharmos da sua presença. Marcou-nos e, por isso, vai ficar para sempre na nossa memória e nos nossos corações. Até sempre Princesa Até sempre Sãozinha


JANEIRO/FEVEREIRO 2012

JOVENS EM ALERTA

LAMEGO Como iremos querer erguer a nossa Igreja

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Cada Convívio é único Nos passados dias 26 a 29 de Dezembro de 2011 voltou a realizar-se na casa das irmãs de S. José de Cluny, em Torres Novas, mais um Convívio Fraterno da diocese de Santarém, o 1170, onde trinta e oito jovens partiram na aventura de descobrir Deus e o seu amor. Este convívio reflectiu em pleno o objectivo primeiro deste movimento, o de primeiro anúncio. No dia 26 chegaram a Torres Novas jovens que procuravam algo mais, que buscavam incessantemente este menino que nasceu para nos salvar. Foi com muita alegria, e rodeados de muitos outros convivas, que no dia 29 vimos o seu olhar brilhar e o seu

rosto transformado. Cada convívio é único, com manifestações diferentes deste amor de Deus por nós que é tão grande que nos aceita tal como somos, com as nossas fraquezas e fragilidades, estando sempre lá para nos amparar quando estamos a cair. Foram, sem dúvida, as maravilhas de Deus que se manifestaram nestes jovens, foi esta vontade de serem rosto e mãos de Cristo nas paróquias da Igreja de hoje que se tornou visível. Foi uma vontade de confiar em Cristo e de dizer o "Sim" incondicional de Maria que os levou para além dos muros daquela casa e os fez olhar para o mundo, para os irmãos de uma forma diferente.

Uma passagem de ano conviva Convívio Fraterno Nº 1173 diocese de Lamego "Oh Laurindinha, vem à janela!" E assim se iniciou o Convívio Fraterno 1173, na casa de S. José, no dia 27 e encerrou, com a presença do nosso Administrador Apostólico D. Jacinto, no dia 29 de dezembro. Com a Laurindinha, e com a apresentação daqueles que naquela primeira noite ainda eram "o X que veio arrastado por Y" ou "o A que não sabia bem o que estava lá a fazer" - como imaginar que em apenas três dias se tornariam mais do que nomes e caras, mas também a consciência de seres humanos, irmãos na grande família que o Pai nos deu? Sobre as atividades realizadas na Casa de S. José não irei contar: não, não é um segredo sepulcral, apenas não teria o devido sentido para quem nada mais fizesse do que as ler. Há situações que não se podem explicar, sentemse. E esta é sem dúvida uma delas. O que, exatamente, foi este "sentir"? Iniciei o Convívio com um estado de espírito quase que de sacrifício - já saberia que não teria praticamente tempo nenhum para mim… E esse foi o primeiro erro. Não tive tempo para nenhuma das atividades com que gosto de ocupar os tempos livres, mas tempo para mim, tive de sobra. A rotina, a pressa e os problemas do dia a dia frequentemente tornam-nos indiferentes, distantes, esquecidos… Estes três dias de afastamento e as atividades neles realizadas permitiram uma viagem interior, não apenas

a nós próprios, mas também ao âmago dos nossos companheiros - e amigos - convivas. Nesse âmago encontrava-se Deus. Foi-nos dada a oportunidade de relembrar e aprofundar o elo que a Ele nos liga, um elo até então algo empoeirado, mas sempre presente, que se alicerça em nada mais, nada menos do que no Amor que Ele nos devota e nos permite sentir e espalhar. Mas nem tudo se resumiu ao "redescobrimento" desse Amor - é impossível ter a consciência da sua existência, e não sentir o quanto a sua grandeza necessita que o apliquemos diariamente, nas orações para com o Pai e no tratamento para os nossos irmãos. Não se trata de algo meramente teórico, mas sim de algo prático, capaz de se exercer numa miríade de oportunidades, grandes e pequenas, contudo, todas de Valor. Existem muitas definições aplicáveis à Igreja. Aquela que mais se adequa será a que não esquece que a Igreja não são apenas as pedras de um monumento, os padres, o Vaticano… Aquela que tem consciência que cada cristão é a Igreja e esta torna-se naquilo que juntos, em comunidade, fazemos dela… Como iremos querer erguer a nossa Igreja? A todos os que permitiram e partilharam esta grande experiência em Deus, um muito obrigada.

Pela primeira vez, a Casa de Retiros das Irmãs S. José de Cluny, abriu as portas a uma passagem de ano diferente tendo-se reunido o já habitual grupo de jovens convivas que mais uma vez acarinhado pelas Irmãs puderam partilhar o jantar de fim de ano, preparado pelas próprias, e o serão de Adoração ao Santíssimo Sacramento que se seguiu. Este momento de Adoração foi uma ótima paragem de contemplação d'Aquele que se torna cada vez mais o centro das vidas de cada um de nós. A Adoração marcou a nossa passagem de ano de uma forma muito especial porque nos fez sentir ainda mais família

uns dos outros e das Irmãs que tão bem nos acolhem. À meia noite festejámos a chegada do novo ano, com karaoke e os costumes próprios da época, cientes de que no novo ano que se inicia, Ele continuará a renovar todas as coisas e continuará a fazer de nós Sua morada, tendo-nos como Seus filhos prediletos. Que o novo ano, nos traga cada vez mais esta alegria do amor em Cristo e uns pelos outros e a alegria de sermos Igreja no nosso dia-adia. Liliana Nabais Diocese de Santarém

ÉVORA Eu sinto Senhor, que Tu me amas

Inês Montenegro, CF 1173

SANTARÉM Cada convívio é único

Convívios Fraternos Nº 1172 Arquidiocese de Évora Acolhidos num espaço calmo e sereno do Alentejo, no seminário menor de Vila Viçosa, 34 jovens da diocese de Évora deram o seu sim para um verdadeiro encontro com Cristo, entre os dias 26 a 29 de Dezembro, no Convívio Fraterno nº 1172. Ao longo destes dias, os jovens do Convívio n.º 1172 foram convidados a ouvir, a reflectir, a silenciar, a deixarem-se olhar e moldar por Cristo, na certeza de que Ele nos ama e que nos propõe um verdadeiro Convívio fraterno Nº 1170 da diocese de Santarém

caminho de felicidade e santidade. Caminho este que temos a oportunidade de construir ao longo do nosso 4º dia, "passo a passo, grão a grão", estando dispostos a aceitar e a colocar ao dispor dos outros, todos os dons que Ele nos deu. É nesta consciência que devemos aceitar o desafio de tornarmos as nossas vidas lugares de beleza, acreditando "que Tu me amas, e que eu Te posso amar".


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JOVENS EM ALERTA

JANEIRO/FEVEREIRO 2012

BRAGANÇA "Como Grãos de Amendoeira… Sementes de Esperança"

BEJA

Convivio Fraterno Nº 1169 na diocese de Beja

Obrigado, Senhor! “...senti-me em paz, sentí-me bem, cheia de Jesus Cristo. (...) Tenho saudades de todos e nada nos separará no amor de Deus. Obrigada Senhor.” Foram estas as palavras de uma jovem de entre os 31 jovens que fizeram o Convívio Fraterno 1169, o 47° da Diocese de Beja. A noite chegara e, com ela, alguns chuviscos anunciavam um fim-de-semana de inverno, bastante frio. Por volta das 20h30m, nessa sexta-feira, 16 de Dezembro começavam a chegar os primeiros participantes para este encontro. Os Olhares desconfiados e alguma distância na primeira noite, deram lugar a uma entrega total e a uma verdadeira proximidade entre todos, no final do primeiro dia. Era o Senhor que fazia encontro com cada um dos jovens. À medida que o tempo passava cada coração ía enchendo do Amor de Deus e isso via-se nos olhares, sorrisos e palavras de cada um. É maravilhoso poder descobrir no rosto de cada irmão o rosto do próprio Jesus que nos fala, e convida a segui-Lo.

O encerramento realizou-se no dia 19 de Dezembro, no salão do Centro Pastoral, onde pudemos partilhar a Boa Nova da Ressurreição de Jesus. Foi neste momento que os novos convivas manifestaram a alegria desta descoberta e o desejo de não apagarem das suas vidas a presença do Senhor. O ponto alto do encerramento foi a celebração da grande festa da vida, a eucaristia, presidida peto Sr. D. António Vitalino Dantas, Bispo de Beja, e concelebrada por 6 padres desta diocese. Resta a certeza de um “4o. Dia” cheio de dificuldades na vivência desta experiência Iniciada no convívio, muito contrária ao mundo em que vivemos. O Pós-Convívio vai realizar-se no dia 26 de Fevereiro de 2012, pelas 09h30m, no Seminário de Beja, para o qual todos os convivas estão convidados. P’la Equipa Coordenadora Jorge da Mata

Convívios Fraternos Nº 1167 em Bragança No seu livro "O Grão de Amendoeira", D. José Cordeiro, Bispo da nossa Diocese, diznos que Amêndoa significa "aquele que vigia". A amendoeira é a árvore que tem a "coragem" de florescer ainda em pleno Inverno, tornando-se um sinal de vida e de esperança na Primavera que vai chegar! O tempo de Advento, tal como a amendoeira, também nos anuncia a esperança levando-nos a entender a importância de vigiar. Tal como a amêndoa que passa por várias fases até se tornar em fruto doce, também o Advento nos impele à mudança e conversão de vida. Assim como o grão de amendoeira que contém em si algo de bom, também nós quisemos encher o nosso coração de Jesus Cristo. Impelidos pela vontade de levar este Jesus, um grupo de jovens da Diocese de Bragança, preparou o Convívio Fraterno número 1167 e no dia 15 de Dezembro acolheu com alegria um grupo de cerca de 30 jovens que aceitou o desafio de três dias diferentes.

"Como Grãos de Amendoeira Sementes de Esperança", foi o tema que orientou este Convívio. Jesus nasceu e renasceu verdadeiramente no coração destes jovens e no meio do rigor do Inverno, surgiram sementes que contêm em si vida e esperança. A festa de encerramento aconteceu na cidade de Bragança, na Paróquia dos Santos Mártires com a alegria verdadeira de quem tem Jesus na sua vida. "Eis-nos aqui Senhor". Eis o nosso "sim" disponível. Que ele seja cada vez mais parecido ao sim de Maria, para que Tu nasças verdadeiramente dentro do nosso coração e para que, pelo teu nascimento possamos compreender melhor o mistério da tua Ressurreição Como grãos de amendoeira queremos ser sementes que anunciem que ainda há esperança. Que Tu és a nossa verdadeira Esperança. Vem Senhor Jesus! Pela equipa Fabiola Mourinho

BRAGANÇA Convivas de Bragança cantaram os reis A tradição do cantar dos reis faz-nos recuar ao tempo em que esta festa se cumpria com um ritual muito próprio que animava as noites frias de Janeiro um pouco por todo o pais. Grupos de pessoas mais ou menos organizados andavam de porta em porta desejando as boas vindas de ano novo. Tocavam pandeireta, tambor, acordeão, ferrinhos, viola… Inicialmente os reis eram cantados pelas pessoas mais desfavorecidas, que louvavam aos santos e aos donos da casa visitada que, de um modo geral, pertenciam às famílias mais abastadas e estas retribuíam com géneros alimentares ou dinheiro. Pouco a pouco esta tradição foi acarinhada por todos os outros estratos sociais, servindo como forma de desejar as Boas Festas e um Ano Novo feliz, e também como uma forma de convívio e

confraternização entre todas as pessoas envolvidas. A oferta que as famílias davam aos cantadores dos reis era sobretudo fumeiro e também filhoses, vinho e outros artigos que as famílias possuíam. As ofertas foram evoluindo com os tempos passando do fumeiro para os doces e até dinheiro. Esta tradição oral de saberes tem a sua origem no grande acontecimento que marcou a história da humanidade - o nascimento de Jesus Cristo. Os vários cantares feitos em quadras populares ecoam alguns dos episódios deste grande acontecimento trazendo à memória de todos os seus protagonistas: Maria, José, Jesus, os pastores, os reis magos, entre outros… Manifestações como estas vão desaparecendo com o passar dos anos… Graças à coragem de alguns grupos e associações estas memórias do passado podem tornar-se o elo

entre o passado esquecido e o presente do imediatismo que vivemos, de modo a que essas tradições se perpetuem como legado às gerações vindouras, de um povo rico em tradições e saberes. Os convivas de Bragança vivenciaram este costume ao longo do mês de Janeiro. O Inverno gelado que se tem feito sentir não dissuadiu o entusiasmo juvenil de afrontar o novo ano com esperança reavivada e de tudo fazer para que este mundo possa ser mais fraterno a maneira de Cristo. Na verdade a vida tem que ser encarada com esperança e em constante renovação. No encontro de Nicodemos com Jesus, este pergunta-lhe "Como pode um homem nascer sendo velho?" (Jo 3 1-21). Jesus fala da importância do nascer de novo, de renascer pela água e pelo Espírito. Também nós precisamos de

nascer novamente cada dia, cada Eucaristia, cada Reconciliação, cada ano… precisamos imprimir em todos os que nos envolvem a beleza da nossa preferência por Jesus. É importante acentuar que a transformação do mundo deriva também da nossa generosidade e dos nossos "pequenos nadas" que parecem acessórios mas que completam toda a diferença. O Festival de Cantares dos Reis do dia 7 de Janeiro dinamizado pelo Lions Club de Bragança foi o ponto de partida para o início desta imensa aventura. Seguiram-se as habitações de muitos convivas residentes na cidade de Bragança bem como em algumas zonas rurais circunvizinhas. Fica a promessa de em 2013 renovar a tradição. Pedro Castro C.F. 765 Bragança-Miranda


JANEIRO/FEVEREIRO 2012

BALADA DA UNIÃO

MOÇAMBIQUE O encontro com Cristo, nosso irmão e libertador! Nos dias 13, 14 e 15 de Janeiro de 2012 teve lugar em território moçambicano, concretamente no Seminário Cristo-Rei (Matola) o convívio fraterno número 1174. A realização deste convívio foi como o regresso do filho pródigo à casa do seu pai, pois lembro-me que foi esta casa que há 10 anos acolheu o primeiro convívio realizado em Moçambique. Realizaram o convívio 30 rapazes e raparigas, que à partida os seus rostos revelavam fome, uma fome espiritual, fome de Cristo. Este convívio foi um verdadeiro encontro com Cristo, pois, do primeiro dia ao último, os jovens participantes mostraram uma verdadeira entrega a Cristo Jesus, nosso irmão mais velho que assumiu a condição humana para nos libertar do pecado e, por intermédio d’Ele, caminharmos para casa do Pai. "Cristo veio ao nosso encontro e vive em nós, pelo que a nossa tarefa como jovens cristãos, agora convivas é aceitá-lo e vivermos

segundo os seus ensinamentos", diziam os jovens que durante o encerramento intervieram. Outros, aindam, dizam "renascemos, somos convivas, queremos seguir as pegadas do Redentor e espalhar os ideiais do amor em todo lugar por onde passarmos". Uma outra alegria escaldante que se viveu durante o convívio 1174 deveu-se ao facto de a família dos convívios fraternos em Moçambique contar, agora, com um sacerdote conviva, no caso o senhor Padre Francisco Valente Fumo, que celebrou a missa do encerramento. Oxalá os jovens participantes, depois do encontro com Cristo, sejam os verdadeiros construtores de uma sociedade mais humana, sã e justa. "Somos convivas de paz e de amor"

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PORTALEGRE - CASTELO BRANCO Somos especiais e únicos… Só Deus Basta!

Conviva Isaías Luís Convivio Fraterno Nº 1176 Portalegre Castelo Branco Entre os dias 17 e 20 de Fevereiro realizouse no Seminário dos Missionários do Preciosíssimo Sangue em Proença-a-Nova o Convívio Fraterno 1176, 57º da diocese de Portalegre e Castelo Branco. Com um serão animado e algumas gargalhadas, o convívio começou de forma descontraída e cada um foi convidado a deixar cair a sua máscara apesar da incerteza dos dias que se avizinhavam. À semelhança de um Ovo Kinder, percebemos que seriamos interpelados a "sair do embrulho" e caminhar para o encontro com a "surpresa": sermos autênticos na relação com os outros. A medo, ao longo do primeiro dia, as dúvidas foram surgindo e começaram a ecoar no nosso coração as razões da nossa existência. Fomos questionados sobre o amor que Deus tem por nós e percebemos

que Ele é uma constante na nossa vida, independentemente das nossas escolhas. Olhares tristes, rostos cansados, expressões de dúvida… Pelo perdão de Deus, estes rostos foram aos poucos sendo substituídos pelo olhar brilhante de quem confia e se sente imensamente amado, especial e único. Embalados e acolhidos no abraço do Pai, reacendemos a chama da nossa fé. Na certeza de que não somos super-heróis com poderes extraordinários, assumimos o compromisso de ser Igreja, na entrega total e gratuita às pequenas coisas que nos levam a ser Missão no nosso dia-a-dia e com a certeza que temos sempre a "capa" protectora que é Jesus Cristo. Pela equipa coordenadora.

Convivio Nº 1174 em Maputo, Moçambique

VILA REAL "Vinde e Vereis" Colocada no ponto de partida, "Onde moras?" foi a placa informativa que nos moveu e Jesus, como que a incitar à descoberta, deu de resposta a vinte jovens da Diocese de Vila Real: "Vinde e Vereis". E iniciou-se então o percurso Convívio Fraterno 1177. Fomos, seguimo-Lo e vimos, de facto, onde Ele mora. Moramos intensamente com Jesus durante os dias 18,19,20 de Fevereiro e percebemos que aquela casa, o seminário de Vila Real, bem que podia representar a imensidão do lugar onde Jesus habita. Ficamos com Ele para O podermos conhecer, experimentar e anunciar, tal como André e Filipe. Sem medo, deixamo-nos adentrar, imergimos em águas profundas. Ao contrário da escuridão que se poderia esperar do fundo de um mar, vimos claramente a três dimensões, porque não tememos entrar no

desconhecido. Nadamos dentro de nós mesmos, encontramos os outros e descobrimos a beleza de um mar, mergulhamos no Mistério de Deus. Deixamo-nos interpelar por aquele olhar sedutor e, porque queremos caminhar sempre com Ele ao lado, tirámos a "carta de condução" que nos permitirá não ficar para trás. De repente, Ele pára, faz-nos também parar de uma forma mais íntima e profunda, e reparamos então na placa que se encontra diante de nós e que indica a "Reconciliação". Absorvidos por um misto de ansiedade e, ao mesmo tempo, de esperança, não hesitamos e sentimo-nos amados infinita e perenemente por um Pai que nos espera também ansioso pelo reencontro. Eis que somos chegados então ao destino: à soleira de uma porta que dá para uma festa que reabastece o nosso depósito: a Eucaristia! Pela Equipa Coordenadora Marta Martins

Convívio Fraterno Nº 1177 diocese Vila Real


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BALADA DA UNIÃO

JANEIRO/FEVEREIRO 2012

Mensagem do Papa Bento XVI para a quaresma 2012

"Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras" (Heb 10, 24) Irmãos e irmãs! A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal. Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: "Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras" (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor "com um coração sincero, com a plena segurança da fé" (v. 22), de conservarmos firmemente "a profissão da nossa esperança" (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, "o amor e as boas obras" (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal. 1. "Prestemos atenção": a responsabilidade pelo irmão. O primeiro elemento é o convite a "prestar atenção": o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a "observar" as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objecto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a "dar-se conta" da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a "considerar Jesus" (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela "esfera privada". Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o "guarda" dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego,

infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é "bom e faz o bem" (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessarse pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de "anestesia espiritual", que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do

homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, "passam ao largo" do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de "prestar atenção", de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de "ter misericórdia" por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: "O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende" (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança "dos que choram" (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança. O facto de "prestar atenção" ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correcção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma

geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Lemos na Sagrada Escritura: "Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber" (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de "corrigir os que erram". É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Diz o apóstolo Paulo: "Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado" (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correcção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que "sete vezes cai o justo" (Prov 24, 16) - diz a Escritura -, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós. 2. "Uns aos outros": o dom da reciprocidade. O facto de sermos o "guarda" dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a actual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que "leva à paz e à edificação mútua" (Rm 14, 19), favorecendo o "próximo no bem, em ordem à construção da comunidade" (Rm 15, 2), sem buscar "o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos" (1 Cor 10, 33). Esta recíproca correcção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã. Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam.

Que "os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros" (1 Cor 12, 25) - afirma São Paulo -, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola - típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum - radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. Quando um cristão vislumbra no outro a acção do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16). 3. "Para nos estimularmos ao amor e às boas obras": caminhar juntos na santidade. Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 - 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior, "como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia" (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf. Ef 4, 13). Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de "pôr a render os talentos" que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 2428). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre actual, para tendermos à "medida alta da vida cristã" (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica. Papa Bento XVI

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