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ESCOLA PORTUGUESA DE MOÇAMBIQUE - CENTRO DE ENSINO E LÍNGUA PORTUGUESA Ano VIII - N.º 69 | Março/Abril 2010 | DIRECTORA: Dina Trigo de Mira | Maputo - Moçambique

Solidariedade

desperta sorrisos Páginas centrais

entrevista

dia do pai MARA LOPES A presidente da Comissão de Finalistas evoca os 12 anos de permanência na EPM-CELP, elegendo as pessoas como o legado mais precioso P. 12 e 13

Pais e filhos juntam esforços na faina do “mar e da floresta”

P. 8 e 9


2 | PL | Março/Abril 2010 PÁTIO DAS LARANJEIRAS

Para ler nesta edição

EDITORIAL

Zelo e reflexão para educar melhor

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REFLEXÃO | Ensino de línguas estrangeiras procura base comum para o processo de ensino, tomando como referência proposta do Conselho da Europa

arço é, no ciclo do nosso ano escolar, o mês que assinala a saída dos alunos que atingirem o final do ensino secundário. O culminar de 12 anos de aprendizagens pressupõe que os alunos estejam em situação de prosseguirem os seus estudos de forma consciente e dotados das competências éticas, morais e sociais para o exercício, condigno, da cidadania no país de residência. A Escola é o espaço mais apropriado para o desenvolvimento de projectos de responsabilidade social. Por isso, os nossos alunos devem tomar conhecimento das necessidades e das problemáticas da sociedade em que vivem, de modo a tornarem-se pessoas que respeitem a diversidade, convivam com as diferenças e se comprometam com o futuro, reivindicando direitos e cumprindo obrigações, ou seja, participando activa e plenamente na vida científica, cultural, social e política do seu país e do mundo. O nosso papel é crucial. Os 12 anos de permanência dos alunos entre nós forjam as suas atitudes futuras face ao mundo e à sociedade. É, por isso, nosso dever zelar cuidadosa e claramente pelos pilares da Educação e Formação que sustentam o Projecto Educativo da EPM-CELP. Tal implica uma reflexão permanente, em todos os níveis de actuação, sobre o valor e adequação do nosso Projecto para viabilizar a identificação e implicação de todos e de cada um de nós. A interacção é vital para a construção da nossa identidade colectiva e individual em torno de um projecto comum. É imperativo da EPM-CELP avaliar, permanentemente, em que medida a formação ministrada aos nossos alunos contribui para a consolidação de uma sociedade mais aberta e digna. Promovemos, por isso, o envolvimento de todos e o trabalho colaborativo, permitindo-nos olhar para o futuro com o conforto de estarmos a contribuir para um mundo mais justo e seguro, que garanta a igualdade de oportunidades.

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BIBLIOTECA | Pais e encarregados de educação integram projecto de promoção da leitura e enriquecimento cultural

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EFEMÉRIDES | Floresta, teatro e Terra inspiraram actividades culturais de assinalamento de datas

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EVOCAÇÃO | Abril foi o mês de celebração do Dia Mundial do Livro e do Dia da Liberdade em Portugal, com programa conjunto na EPM-CELP

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DIA DO PAI | Pré-Escolar juntou pais e filhos para actividades em conjunto alusivas ao mar, floresta e reciclagem

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SOLIDARIEDADE | Projectos de solidariedade da autoria do 3.º ano do ensino básico e do 11.º C oferecem sorrisos de esperança a crianças da Munhuana e da Polana-Caniço

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ENTREVISTA | Mara Lopes, presidente da Comissão de Finalistas, partilha com o “Pátio das Laranjeiras” lembranças e emoções associadas ao percurso de 12 anos que já cumpriu na EPM-CELP

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FINALISTAS | “A valsa do adeus” anunciou a partida de mais uma geração de alunos rumo ao futuro

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“PSICOLOGANDO” | O consumo de drogas e a saúde men-

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A DIRECÇÃO

tal são objecto de atenção do Serviço de Psicologia e Orientação

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EPM-CELP | Aliar a funcionalidade à criatividade é a vocação da Oficina Didáctica ao serviço do acto educativo

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PALAVRA | Recomendações de leitura e de recursos informativos na rubrica “Palavra empurra Palavra”

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PUBLICAÇÕES | “Pátio das Sombras” juntou Mia Couto e Malangatana na inauguração da Colecção Contos e Histórias de Moçambique

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ESPECTÁCULO | Violinos da EPM-CELP ofereceram espectáculo anual no Centro Cultural Franco-Moçambicano

PÁTIO DAS LARANJEIRAS | Revista da EPM-CELP | Ano VIII - N.º 69 | Edição Mar/Abr 2010 Directora Dina Trigo de Mira | Editor António Faria Lopes | Editor-Executivo Fulgêncio Samo | Redacção António Faria Lopes, Teresa Noronha e Fulgêncio Samo | Colaboradores redactoriais nesta edição Alexandra Melo, Ana Catarina Carvalho, Graça Pinto, Janaína Melo, Judite Santos, Patrícia Silva, Grupo do Pré-Escolar, Lúcia Thomaz, Piedade Pereira, Edma Aleixo, Luísa Quaresma e Ana Castanheira | Grafismo e Pré-Impressão António Faria Lopes e Fulgêncio Samo | Fotografia Filipe Mabjaia, Firmino Mahumane e Ilton Ngoca | Revisão Graça Pinto e Teresa Noronha | Impressão e Produção Centro de Formação e Difusão da Língua Portuguesa/Centro de Recursos Educativos da EPM-CELP | Distribuição Fulgêncio Samo (Coordenador) PROPRIEDADE Escola Portuguesa de Moçambique - Centro de Ensino e Língua Portuguesa, Av.ª do Palmar, 562 - Caixa Postal 2940 - Maputo - Moçambique. Telefone + 258 21 481 300 - Fax +258 21 481 343. Sítio oficial na Internet: www.epmcelp.edu.mz - Endereço electrónico: patiodaslaranjeiras@epmcelp.edu.mz


Março/Abril 2010 | PL | 3 EPM-CELP

XV JORNADAS DE FORMAÇÃO

Novo modelo valoriza interacção s XV Jornadas de Formação para Professores do Sistema de Ensino Moçambicano, realizadas pela EPM-CELP entre 13 de Fevereiro e 20 de Março, inauguraram um novo modelo de formação, que pretende responder melhor às necessidades sentidas pelos docentes no exercício das suas funções. A EPM-CELP auscultou ao Ministério da Educação de Moçambique e, para a 15.ª edição das Jornadas de Formação, deu prioridade à Leitura e Escrita e à Matemática do 1.º Ciclo do ensino básico, bases importantes para o sucesso dos alunos. A planificação da acção assentou na observação de aulas dos professores, seguida da formação e da monitorização do trabalho para avaliar o impacto da mesma na actividade lectiva do professor. A ”Arte de Contar Histórias”, ligada a um projecto editorial de publicação de contos tradicionais recriados por escritores moçambicanos e ilustrados por artistas plásticos, foi, também, o novo módulo introduzido no plano de formação. O projecto pretende que os professores incentivem hábitos de leitura, valorizando, ao mesmo tempo, o património e raízes culturais moçambicanos. Saliente-se a disponibilidade do Ministério da Educação de Moçambique para articular as Jornadas de Formação com as escolas moçambicanas, garantindo a participação dos seus professores, de acordo com as necessidades e viabilizan-

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Professores de escolas moçambicanas trocaram experiências durante as XV Jornadas de Formação

do o acompanhamento das suas actividades lectivas pelos formadores. A eficácia das Jornadas de Formação depende, em grande medida, da proximidade entre formadores e formandos, só possível através de um modelo de formação em exercício, que permite uma reflexão conjunta ao longo de todo o processo. De facto, a formação não se limita às horas passadas na EPM-CELP, mas prolonga-se nas escolas dos forman-

dos, que, deste modo, ensaiam a implementação de novas estratégias e metodologias com o acompanhamento dos formadores. O Centro de Formação e Difusão da Língua Portuguesa (CFDLP) da EPMCELP acredita que, com esforço e optimismo, as sementes até agora lançadas darão os seus frutos. PIEDADE PEREIRA Coordenadora do CFDLP

EXPOSIÇÕES

Culturas entrecruzam-se na EPM-CELP Rita Oliveira revela “essência” exposição “Mozambique, A Multicul-

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tural Country”, patente no átrio da EPM-CELP de 22 a 26 de Março último, inspirou-se na “World Press Photo” que os alunos do 11.º ano visitaram na Fortaleza de Maputo, no âmbito da disciplina de Inglês. Através de entrevistas a residentes locais, os alunos exploraram o tema “Um Mundo de Muitas Culturas”, descobrindo os distintos ambientes culturais e as razões da escolha de Moçambique para viver pelos estrangeiros. Deste esforço resultou um painel variado de fotos e respectivas legendas alargadas.

Rita Oliveira, aluna do 12.º ano, ofereceu à comunidade da EPM-CELP uma exposição das suas fotografias sobre “A essência da Pérola do Índico”.


4 | PL | Março/Abril 2010

Agrupamento Escolas Dr Azevedo Neves

REGISTOS EDUCAÇÃO SEXUAL

REFLEXÃO

Governo de Portugal definiu conteúdos curriculares

Línguas estrangeiras procuram base comum

s conteúdos curriculares da Educação Sexual nas escolas do ensino básico e secundário foram publicados no Diário da República, de 9 de Abril, pelo Governo de Portugal, através das ministras da Saúde e da Educação. A Educação Sexual, integrada por lei na Educação para a Saúde, passou, assim, a estar regulamentada no meio escolar, através da Portaria 196-A/2010. Os conteúdos curriculares, que foram publicados em anexo à referida Portaria, são ministrados nas áreas curriculares não disciplinares, designadamente em Formação Cívica, e complementados nas áreas curriculares disciplinares, respeitando a transversalidade inerente a cada uma. A integração da Educação Sexual nos projectos educativos dos estabelecimentos de ensino ou agrupamentos de escolas é definida pelos respectivos conselhos pedagógicos e depende do parecer dos conselhos gerais, nos quais têm assentos os representantes dos professores, os pais e encarregados de educação, bem como dos estudantes, no caso do ensino secundário. Cabe ainda aos conselhos pedagógicos assegurar a audição dos pais e encarregados de educação em todas as fases de organização da Educação Sexual nas escolas ou agrupamentos. Foram definidos conteúdos curriculares para todos os níveis e anos de escolaridade, do 1.º ao 12.º anos. Por exemplo, para o 1.º Ciclo estão contemplados temas como as noções de corpo; de corpo em harmonia com a Natureza e o seu ambiente social e cultural; de família; das diferenças entre rapazes e raparigas e, por fim, da protecção do corpo e a noção dos limites, dizendo não às aproximações abusivas. A dimensão ética da sexualidade humana, por seu turno, começará a ser abordada no terceiro ciclo e prolonga-se até ao ensino secundário, o mesmo sucedendo relativamente aos métodos contraceptivos e as epidemiologias associadas à prática sexual. Cabe a cada estabelecimento de ensino adequar as suas práticas curriculares, de modo a garantir a leccionação dos conteúdos estabelecidos centralmente.

erca de 30 participantes estiveram envolvidos, no passado dia 17 de Abril, no workshop que analisou a aplicabilidade do Quadro Comum Europeu (QCR) de Referência para Línguas, um instrumento do Conselho da Europa que visa promover competências no ensino de línguas estrangeiras. A iniciativa pertenceu ao leitorado italiano e espanhol da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), à qual aderiu a Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP), que disponibilizou, nomeadamente, as instalações da Biblioteca Escolar José Craveirinha. Apesar da referência europeia, os promotores da iniciativa acreditam que a proposta é de grande utilidade para todos os agentes de ensino de línguas estrangeiras, independentemente da sua localização geográfica, sendo, por isso, transferível para o continente africano, uma região com uma grande variedade de línguas nativas. A diversidade marcou o desenvolvimento dos trabalhos, realizados em pequenos grupos, pela origem muito variada dos seus membros, permitindo uma troca enriquecedora de experiências, saberes e perspectivas. Estiveram representadas 11 escolas internacionais, que operam na cidade de Maputo, e os leitorados das línguas portuguesa, espanhola e italiana associados ao ensino superior.

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Anna Rizza relatou a experiência italiana

O QCR pretende, fundamentalmente, fornecer uma base comum para a elaboração de planos curriculares do ensino das línguas, descrevendo, para tanto, o que os alunos precisam de aprender para usar a língua com fins comunicativos. Define, ainda, os níveis comuns de referência, que classificam os alunos em utilizadores básicos, independentes e proficientes. Anna Rizza, leitora de italiano na UEM, foi a figura central desta iniciativa, não só por ter lançado o desafio como também pelo dinamismo que emprestou ao workshop. Registe-se, ainda, a presença de Afonso Muchanga, coordenador do Departamento de Francês da UEM. As conclusões do encontro vão ser apresentadas em seminário a realizar na UEM em Setembro próximo.

TOME NOTA

Inscrições de novos alunos estão abertas desde 1 de Maio

Pais e encarregados de educação obrigados a uso do cartão magnético

s pedidos de inscrição de novos alunos na EPM-CELP para o ano lectivo de 2010/2011 podem ser feitos desde 1 de Maio. Para a situação especial dos alunos oriundos de outros sistemas de ensino o prazo prolonga-se até 14 de Janeiro de 2011. A formalização das matrículas será feita de acordo com o seguinte calendário: Pré-Escolar – 28 e 29 de Junho; 1.º Ciclo – 30 de Junho e 1 de Julho; 2.º e 3.º Ciclos – 22 e 23 de Junho; 11.º e 12.º anos – 12 de Julho e 10.º ano – 14 e 15 de Julho.

s pais e encarregados de educação dos alunos da EPM-CELP estão obrigados ao uso dos respectivos cartões magnéticos individuais para acederem ao recinto escolar, garantindo-se, desta forma, o aumento da segurança de pessoas e bens, absolutamente indispensável para o normal desenvolvimento das actividades. Desta forma, quem ainda não possua o cartão magnético, poderá adquiri-lo nos serviços administrativos da EPM-CELP. Esta iniciativa foi concertada com a Associação de Pais e Encarregados de Educação da EPM-CELP.

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Março/Abril 2010 | PL | 5 REGISTOS BIBLIOTECA ESCOLAR

Pais vêm à Escola promover leitura s pais e encarregados de educação já iniciaram a participação no projecto continuado de promoção de hábitos de leitura e de enriquecimento cultural entre os alunos do Pré-Escolar e do 1.º Ciclo da EPM-CELP. A sua tarefa é, basicamente, deslocarem-se à Biblioteca Escolar José Craveirinha (BEJC) para interagirem com os pequenitos, lendo um livro, relatando uma experiência episódica ou contando uma história. O primeiro pai que iniciou a colaboração com a BEJC veio falar sobre aviões e a sua evolução tecnológica, no âmbito do projecto “Invente-se Inventores” que está a ser desenvolvido com todas as turmas do Pré-Escolar. A iniciativa é uma parceria estabelecida entre a BEJC e a Associação de Pais e Encarregados de Educação (APEE), na convicção de que o esforço articulado Escola-Família constitui um poderoso

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NATAÇÃO

Fábio Centeio foi “prata” na África do Sul

Fábio Centeio no pódio dos medalhados (1.º esq)

Fábio Centeio, aluno da EPM-CELP, classificou-se em segundo lugar na prova de 100 metros mariposa do Campeonato Nacional de Natação (nível dois-intermédio) da África do Sul, disputado em Durban. Em representação do Desportivo de Maputo, Fábio Centeio melhorou todos os seus tempos em piscina de 50 metros, tendo estado presente nas finais das quatro provas em que participou.

meio facilitador das aprendizagens básicas escolares e sociais e da adesão das crianças às práticas culturais mais activas e personalizadas.

Neste âmbito está em curso a formação de uma bolsa de contadores de histórias constituída por pais e encarregados de educação, com o apoio da APEE.

JUDO

EPM-CELP subiu ao pódio representação da EPM-CELP garantiu três lugares de pódio no Torneio de Abertura de Judo, realizado em 20 de Março último, nas instalações da Escola Americana, que se associou à Federação Moçambicana de Judo (FMJ) para a organização da competição. A EPM-CELP participou com oito alunos que praticam judo como actividade de complemento curricular e, pela primeira vez, entraram em competição. Excepção feita a Anderson Fulane que, com alguma experiência competitiva anterior, arrecadou o primeiro lugar na sua categoria. A «medalha de prata” foi conquistada por Maria Inês e a de “bronze” por Tomás Teixeira. Os restantes participantes foram Omar Vali, Elton Comé, Miguel Marques, César dos Santos e João Paulo. Os resultados alcançados deixaram os nossos judocas bastante satisfeitos e mais motivados para a prática. Sérgio Zibane, do Grupo Disciplinar de Educação Física e professor responsável pela prática do judo na EPM-CELP, considera a prestação dos nossos alunos bastante positiva, considerando que estiveram envolvidos na competição cerca de 200 praticantes.

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Zibane, que também é técnico nacional da FMJ, lançou, assim, um desafio aos alunos da nossa Escola para que experimentem a prática do judo, convidando-os a aparecerem nas aulas abertas a todos os interessados. O Torneio de Abertura de Judo contou com as participações da Escola Americana, Colégio Nhamunda, Colégio Nylia, Clube Naval e Clube EDM, para além, obviamente, da EPM-CELP. Parabéns aos nossos alunos.


6| PL | Março/Abril 2010 REGISTOS __ efemérides

DIA INTERNACIONAL DO TEATRO

DIA MUNDIAL DA FLORESTA

“Drama Week” promoveu arte e língua inglesa

“A Flora na EPM-CELP” catalogou espécies

Dia Internacional do Teatro, celebrado anualmente em 27 de Março, foi assinalado pela EPM-CELP através da iniciativa Drama Week, que mobilizou muitos alunos para variadas experiências dramatúrgicas com fins pedagógicos. No contexto da efeméride, o Grupo Disciplinar de Inglês promoveu, nos diferentes níveis de ensino, a aprendizagem da língua com recurso à encenação de pequenas peças de teatro que, posteriormente, foram apresentadas em dinâmica de interturmas ou em apresentações gerais dirigidas à comunidade educativa. O Drama Week serviu também para desenvolver competências associadas ao trabalho em equipa, à autonomia e à resolução de problemas, segundo uma metodologia didáctica promotora da criatividade em ambiente de representação dramática.

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LÚCIA THOMAZ DEPARTAMENTO DE LÍNGUAS

Flora na EPM-CELP” é o nome da obra produzida e lançada pelos alunos do 11.º ano do curso de Ciências e Tecnologias para comemorar o Dia Mundial da Floresta, assinalado no passado dia 21 de Março. Após o trabalho desenvolvido em ambiente de sala de aula, orientado pelos professores Ana Catarina Carvalho e Pedro Garcia, realizou-se uma actividade prática, referenciada pelo documento “Flora na EPM-CELP”, a qual consistiu na identificação das espécies constantes no catálogo nos jardins da nossa Escola. Na actividade de campo, realizada em 23 de Março último, os alunos, autores do projecto, orientaram os colegas mais novos do 4.º ano de escolaridade no sen-

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tido de os consciencializar para a variedade da flora existente na EPM-CELP e para os cuidados necessários para a sua preservação. Os grupos mistos de trabalho, constituídos por alunos dos dois níveis de ensino, procederam à identificação dos nomes comuns e científicos das espécies, bem como à sua localização nos espaços verdes escolares, com grande entusiasmo e alegria. A catalogação das espécies vegetais da EPM-CELP constitui um desafio para os anos vindouros e poderá ser alargado à fauna, reunindo num único documento a catalogação da biodiversidade no nosso espaço escolar. ANA CATARINA CARVALHO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXPERIMENTAIOS E EXATAS

DIA DA TERRA

Identificar ameaças e responsabilidades ambientais A palestra “Problemas Ambientais”, proferida por Heitor Guerra, engenheiro da empresa moçambicana MOZAL, e promovida pelo Grupo Disciplinar de Geografia/Economia da EPM-CELP, realizou-se no Dia da Terra, comemorado em 22 de Abril. Os destinatários preferenciais foram os alunos dos 8.º e 9.º anos do ensino básico com o objectivo de reforçar a sensibilidade relativamente às ameaças actuais que pendem sobre o planeta Terra.

A abordagem de Heitor Guerra caracterizou-se pela pluralidade, identificando as grandes questões actuais na área do Ambiente e contextualizando os problemas específicos de Moçambique na situação global do planeta. Referiu-se, também, às atitudes, práticas e responsabilidades sociais assumidas pela MOZAL relativamente à defesa e preservação da Natureza e dos equilíbrios naturais. Em simultâneo, Ana Besteiro, coordenadora do Departamento de Ciências

Experimentais e Exactas, lançou um desafio a todos os membros da comunidade educativa, convidando-os a uma reflexão sobre temas pertinentes, como: áreas protegidas, espécies em risco de extinção, alterações das paisagens, turismo ecológico, investigação científica, conhecimento tradicional, valor económico da diversidade biológica e riscos das alterações climáticas para a biodiversidade, que está a comemorar o seu Ano Internacional.


Março/Abril 2010 | PL | 7 efémerides __ REGISTOS

EVOCAÇÃO

Livro e liberdade reuniram em festa Livro pode conjugar com liberdade e 23 com 25 de Abril. Foi este o mote que inspirou o programa das comemorações, na EPM-CELP, do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor e do Dia da Liberdade de Portugal. As várias iniciativas promovidas exortaram a liberdade de leitura, de expressão e de criação, com a Biblioteca Escolar José Craveirinha (BEJC) no centro das operações, articulando entusiasmos de alunos e professores. ntre 19 e 23 de Abril, o livro e a liberdade passearam nos corredores, átrios e salas da EPM-CELP. O Manifesto da Liberdade, criado pelos alunos do 3.º ano do ensino básico em homenagem à autoria e à própria liberdade de expressão, marcou o tom. Os autores leram-no aos colegas e professores e ofereceram-lhes cravos que, em Portugal, simbolizam a liberdade conquistada em 25 de Abril de 1974. Escrita em 1961, mas proibida em Portugal até 25 de Abril de 1974, a obra “Felizmente Há Luar”, do português Luís de Sttau Monteiro, levou os alunos do 12.º ano a pegarem nos “Diálogos de Matilde” e a encenarem uma pequena peça de teatro, exibida no Pátio das Laranjeiras. A obra de Sttau Monteiro, que critica o regime de Salazar, proporcionou um momento cénico que, a um só tempo, homenageou a arte literária e a Liberdade. “Um Beijo Encantado” é o título do livro manuscrito, ilustrado e editado por alunos do 9.º ano do ensino básico, que permaneceu exposto na BEJC. O original foi lido aos colegas mais pequenos do 1.º Ciclo que, posteriormente, produziram algumas páginas para o livro infantil, cujo Dia Internacional foi comemorado em 2 de Abril último. Um convite explícito ao exercício da liberdade de expressão esteve patente na BEJC onde foi colocada a “Folha em Branco”, na qual qualquer pessoa era inteiramente livre de escrever e partilhar a sua ideia de Liberdade. E foi o que sucedeu. O Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor é um movimento internacional instituído pela UNESCO em 1995, seleccionando 23 de Abril como data de celebração.

Alunos do 3.º ano do ensino básico apresentam na BEJC o Manifesto da Liberdade da sua própria autoria

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MANIFESTO DA LIBERDADE “Sonha e serás Livre de espírito... luta e serás Livre na vida”. CHE GUEVARA

O que é a Liberdade?

Actuação dos alunos na peça “Diálogos de Matilde”

Tem a ver com o Dia 25 de Abril de 1974, porque, a partir desse dia, as pessoas passaram a viver em liberdade. (3.º A) Liberdade é nós não sermos obrigados a fazer o que não queremos. É voar na imaginação! (3.º B) A Liberdade é respeitar os mulatos, os negros, os brancos e não ser racista. A Liberdade é respeitar as outras culturas. (3.º C) É amar e ser amado. (3.º D)

O que é ser livre?

A “Folha em Branco” acolheu a expressão livre

É viver em liberdade, mas sem prejudicar os outros. (3.º A) É podermos escolher o que queremos fazer, mas sem fazer com que os outros não tenham liberdade e desde que não seja errado. (3.º B) É ter a oportunidade de dizer o que se pensa. (3.º C) É ser independente. (3.º D)

Somos livres porque... …a partir de 25 de Abril de 1974, já podemos falar livremente. (3.º A) …fazemos o que temos direito de fazer, mas cumprindo as regras e a lei. (3.º B) …temos a oportunidade de estudar, de trabalhar, de ajudar e de sermos solidários. (3.º C) …nós temos os nossos direitos. (3.º D)

Manuscrito do “Beijo Encantado” da autoria do 9.ºA

ALUNOS DO

3.º ANO


8 | PL | Março/Abril 2010

D ia d o P a i No Pré-Escolar da EPM-CELP o Dia do Pai é sempre comemorado de forma especial, com muitas actividades divertidas para filhos e pais. Conscientes de que o envolvimento dos pais, no processo de aprendizagem dos filhos, se reveste de grande importância para o enriquecimento do processo educativo, aproveitámos o Dia do Pai para, mais uma vez, envolver as famílias nas vivências escolares, procurando manter e construir pontes de afecto e confiança na fronteira casa-escola.

Pais e filhos trabalharam juntos no “mar”, reciclagem e “floresta” TEXTOS GRUPO DO PRÉ-ESCOLAR

ada criança do Pré-Escolar convidou o pai para passar consigo uma manhã muito animada e plena de alegria e partilha na Escola. Algumas mães não resistiram e vieram também, para tirarem fotografias. As actividades dinamizadas por cada turma foram preparadas de acordo com os temas dos respectivos projectos, mas

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RECICLAGEM

tendo sempre presente o mote do Projecto Pedagógico do Pré-Escolar para o corrente ano lectivo: “Os Pequenos Cientistas...aprendem com as suas experiências”. Privilegiando o contacto directo com a Natureza, os objectos e os materiais, é experimentando que se aprende e foi neste sentido que se proporcionou momentos de aprendizagem para todos os participantes na festa do Dia do Pai - os grandes e os pequenos.

Poesia e canções ritmaram reutilização criativa de materiais

s crianças das turmas D e F do Pré-Escolar passaram o dia 19 de Março a desenvolver actividades com os seus pais no parque do novo bloco do Pré-Escolar. Dada, então, a proximidade do Dia da Mundial da Árvore e do da Floresta, os temas foram ponto de partida para a dinamização de uma manhã dedicada às temáticas dos respectivos Projectos Currículares de Turma - “Ambiente e Reciclagem” e “Transformação de Materiais /Reciclagem”. Assim, cedo pela manhã, deu-se início à montagem de diversos ateliers, para desenvolver as actividades programadas. Filhos e pais, divididos pelos diversos ateliers, tiveram oportunidade de construir árvores com diversos materi-

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ais de desperdício; elaborar cartazes sobre a importância das árvores; fazer desenhos, pinturas, recortes, colagens e escrever algumas poesias sobre as árvores. As crianças prepararam e apresentaram algumas canções sobre as árvores e o ambiente e, antes do lanche-convívio que se seguiu, ofereceram aos pais a “prendinha” já preparada. Foi uma comemoração diferente, que, além de sensibilizar e incentivar a reutilização e reciclagem de material de desperdício, suscitou um envolvimento efectivo dos pais na vida escolar dos filhos. No final da manhã, pais e crianças espelhavam rostos de felicidade pelos momentos de autêntica partilha!


Março/Abril 2010 | PL | 9 PRÉ-ESCOLAR

MAR Sonhos feitos de água e areia s turmas C, E e H do Pré-Escolar comemoraram o Dia do Pai com uma visita de estudo ao Clube Marítimo de Desportos, em Maputo. O objectivo foi homenagear os pais, proporcionando-lhes um dia diferente junto dos filhos e provocando estreitamento de laços afectivos e familiares. A visita enquadrou-se no âmbito dos projectos curriculares das três turmas, relacionados com a Água e o Mar, e constituiu uma forma de sensibilizar e consciencializar as crianças e, através delas, as respectivas famílias para a importância da Água, do Mar e para a responsabilidade de cada um de nós na preservação do meio ambiente. Cada criança, na companhia do seu pai, explorou o espaço do clube e aprendeu um pouco mais sobre os diversos tipos de embarcações e os desportos nauticos praticados na baía de Maputo, o que realçou a importância da prática desportiva para a preservação da saúde. Por exemplo, os pequenitos viram como se aparelha um barco à vela e ficaram a conhecer os nomes de

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FLORESTA

Lançamento de horta pedagógica desafia habilidades agrícolas

om o Dia Mundial da Árvore e da Floresta no horizonte, as turmas A, B e G do Pré-Escolar direccionaram a comemoração do Dia do Pai para a exploração dos temas associados àquela efeméride. Preparou-se, assim, um programa diferente e especial: o lançamento do Projecto da Horta Pedagógica com a participação directa dos pais na companhia dos filhos. Cada par pai-filho contribuiu com algumas sementes de legumes ou de frutos, previamente escolhidos pelas crianças, e também com uma dose reforçada de boa disposição. Foi assim que crianças e pais mexeram na terra, semearam e regaram, partilhando cada um os seus saberes de «agricultor». Algumas mães também vieram assistir à solenidade do momento e tirar fotografias. Com muita alegria e entusiasmo inaugurou-se o novo espaço, que constituirá um recurso valioso na promoção de aprendizagens em áreas essenciais, tais como a Educação Ambiental e a Educação Alimentar. Desta forma as crianças tiveram a oportunidade de experimentar e investigar, mexer na terra e semear, para posterior observação do processo de germinação das sementes e do crescimento das plantas. Os pais foram igualmente convidados a realizar actividades de expressão plástica preparadas para a ocasião, em cada uma das salas: trabalhos a pares pai-filho sobre o Dia da Árvore, placares colectivos e um espantalho contruído com material de desperdício. Por fim, os pais também se envolveram na produção do livro intitulado “Memórias da Horta”, no qual cada turma registou a sua narrativa da principal actividade realizada no Dia do Pai: a

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algumas das suas peças. Aprenderam que o mastro segura a vela, o que é a retranca e que o volante do barco é o leme, sem esquecer que existem algumas regras de segurança a bordo, como o uso do colete salva-vidas. As construções na areia e as corridas na praia fizeram também parte da exploração do local, como não poderia deixar de ser. Por fim, também a incontornável entrega dos presentes aos pais constituiu um momento especial da manhã. Foi, ainda , realizado um pequeno lanche colectivo, durante o qual os pais saborearam os biscoitos preparados pelos próprios filhos - em forma de P, que é a primeira letra da palavra Pai.

inauguração da Horta Pedagógica. No livro serão registados os detalhes dos processos de germinação das sementes e de crescimento das plantas, bem como as actividades a desenvolver pelas restantes turmas integradas neste projecto. Depois de tanto trabalho, foi merecido o presente que cada criança ofereceu ao pai!


10 | PL | Março/Abril 2010

SORRISOS DE ESPERANÇA Para:

Escola Primária da Munhuana Com a amizade da EPM-CELP olidarizar primeiro entreportas e, depois, estender as mãos em conjunto para amigos mais distantes foi o que fizeram os alunos do 3.º ano da EPM-CELP, na companhia de alguns colegas do Pré-Escolar. Em conjunto, deram vida ao “Projecto Solidariedade”, envolvendo a Escola Primária Completa da Munhuana (EPCM), da cidade de Maputo. A jornada de convívio entre os alunos da EPM-CELP e da Munhuana desenrolou-se em dois dias consecutivos nesta última escola. A ansiedade dos visitantes e visitados, própria do entusiasmo que antecede o estabelecimento de novos laços, cedeu lugar à mistura espontânea dos miúdos da EPM-CELP e da EPCM numa única sala de aula. Os bancos chegaram sempre para mais um. O sumário da Matemática, já escrito no quadro preto, ficou suspenso perante os muitos “olá”, “como te chamas?”, “quantos anos tens?” e “onde moras?” que irromperam entre a garotada. Vieram depois as canções de boas-vindas mútuas, previamente preparadas. As contadoras de histórias da EPM-CELP, Tânia Silva e Ana Albasini, também participaram na iniciativa e, uma em cada dia das visitas, provocaram risos e despertaram olhares expectantes nas várias dezenas de miúdos, oferecendo um património comum de fantasia aos alunos de ambas as escolas. Por fim, a delegação da EPM-CELP distribuiu pelos alunos da Munhuana material didáctico que levava na bagagem. Este resultou da bem sucedida campanha de angariação promovida na EPM-CELP. Cada aluno da nossa Escola entregou a cada novo amigo da Munhuana um saco com diverso material escolar: canetas, lápis, cadernos, livros, borrachas e réguas. Um momento de grande significado entre as crianças, a quem o Mundo impõe diferenças que a Educação procura anular.

S

Aprender a solidariedade com os outros ma aprendizagem virada para o ser solidário foi a inspiração do “Projecto Solidariedade”,conceito só apreensível na relação com os outros.A interacção social foi, assim, o método por excelência utilizado no desenvolvimento da iniciativa. A ideia foi apresentada pelos alunos do 3.º ano do ensino básico aos colegas do Pré-Escolar. Juntos meteram mãos à obra: pintaram e colocaram nos lugares adequados os caixotes para a angariação do material didáctico, elaboraram cartazes na “Biblioteca Viva”, fizeram desenhos e, no final, procederam à recolha do produto da campanha dos caixotes colocados na primeira etapa do projecto. Desenvolver a sensibilidade para questões cívicas essenciais, compreender o significado e valor da solidariedade, bem como desenvolver competências pessoais, sociais e económicas foram, entre outros, alguns dos objectivos traçados para o “Projecto Solidariedade”.

U

A solidariedade é uma enorme sala de aula

Momento de partilha de atitudes e coisas simples


Março/Abril 2010 | PL | 11 SOLIDARIEDADE

Há muito a ser feito, há muito que pode ser feito. Uma pessoa de integridade pode fazer a diferença, uma diferença entre a vida e a morte. Enquanto houver uma criança com fome, as nossas vidas estarão repletas de angústia e vergonha. Elie Wisel Prémio Nobel da Paz (1986)

Semanalmente, sete crianças da Escola Primária Polana-Caniço B experimentam ser “alunos” da EPM-CELP, onde aprendem companheirismo, amizade, solidariedade e até constroem cumplicidades. Os mestres são os alunos do 11.ºC que, sensibilizados com a pobreza visível na cidade de Maputo e inspirados em Elie Wisel, Prémio Nobel da Paz em 1986, decidiram desenvolver o projecto “Sorriso de Esperança”, no âmbito da direcção de turma.

Aluna do 11.º C presta apoio à realização de trabalhos escolares a aluna da Escola Polana-Caniço

Olá, amigos da Polana-Caniço! projecto “Sorriso de Esperança” consiste em reunir semanalmente, às sextas-feiras à tarde, na nossa Escola, os alunos da EPM-CELP envolvidos na iniciativa e sete crianças da Escola Primária Polana-Caniço B, das terceira e quarta classes, e proporcionar-lhes acompanhamento nos trabalhos escolares, mas também no lazer e convívio. Na base do projecto está o conhecimento de que cerca de 57 por cento do milhão e 300 mil habitantes de Maputo é considerado pobre. Esta pobreza encontra-se diante dos nossos olhos e, por isso, qualquer ajuda, por mais pequena que seja, será sempre bem-vinda. A turma do 11.º C procura, com esta iniciativa, levar os alunos da Polana-Caniço B a reconhecerem a escola como um lugar de aquisição de conhecimentos, capazes de viabilizar um futuro melhor, a superarem algumas dificuldades de aprendizagem, diagnosticadas pelos respectivos professores e, ainda, a alterarem a mentalidade passiva marcada pelo descrédito no futuro. Para si própria, a referida turma estabeleceu alguns objectivos, como a valorização do estilo de vida demonstrado pelos alunos, o conhecimento de uma realidade dife-

O

rente, a promoção do espírito de solidariedade, a oferta às crianças de momentos de estudo e de lazer e, por fim, a troca de experiências, susceptível de produzir uma mudança de mentalidades que leve as crianças a acreditarem que o esforço recompensa futuramente. Após discussão do projecto nas aulas da Direcção de Turma, procedeu-se ao

levantamento dos recursos necessários para a concretização do mesmo, a sua apresentação à Direcção da EPM-CELP e, por último, o estabelecimento do contacto com o director da Escola Primária Polana-Caniço B, Tomás Agostinho, para a adesão das crianças e solicitação das autorizações dos respectivos encarregados de educação. Em Fevereiro último, iniciou-se, finalmente, o trabalho com as crianças.

Nota positiva para o empenho que os nossos alunos têm revelado na organização e execução das actividades semanais com as crianças, assumindo as responsabilidade do lanche, de preparar as actividades lectivas e lúdicas, constituindo as equipas semanais de trabalho, e demonstrando, ao mesmo tempo, elevado respeito pelo outro e consciência de cidadania. Conscientes da provável impossibilidade de resolverem o problema da fome e da falta de perspectivas futuras entre as muitas crianças de Maputo, os alunos do 11.º C acreditam, porém, que é possível desenvolver algum trabalho com as crianças da Polana-Caniço B ao longo do corrente e do próximo ano lectivo, oferecendo apenas um “Sorriso de Esperança”. Registo, ainda, para o pronto apoio concedido pela Direcção da EPM-CELP e pela Coordenadora do Ensino Secundário ao projecto, supervisionado pela directora de turma e participado por Sandra Macedo, professora do Grupo Disciplinar de Filosofia/Psicologia. LUÍSA ANTUNES DIRECTORA DE TURMA DO 11.º C


12 | PL | Março/Abril 2010

APÓS

12 ANOS

NA EPM-CELP

As pessoas são o mais importante Ao fim de 12 anos de permanência na EPM-CELP, a aluna finalista Mara Lopes revela ao “Pátio das Laranjeiras” as emoções e os desafios que marcaram o seu percurso escolar e balizam o final de uma etapa recheada de sonhos e ilusões. Já vive a ansiedade e os receios próprios de um desafio desconhecido que se aproxima , mas nem por isso deixa de aconselhar os colegas mais novos que estão mergulhados num mar de aspirações, dúvidas e incertezas. A ainda presidente da Comissão de Finalistas 2009/2010 não acredita em estratégias específicas que garantam sucesso na superação dos obstáculos, mas valoriza a experiência individual e o conhecimento de si próprio para desbravar a senda de cada caminhante. Recomenda, no entanto, organização, método, disciplina, cumprimento e respeito como algumas chaves para alcançar o sucesso.

ENTREVISTA CONDUZIDA POR

FULGÊNCIO SAMO

Como defines o teu perfil de estudante? Como idealizas o estudante perfeito? No geral acho que sou muito boa aluna, em termos de notas, apesar de ser uma estudante muito preguiçosa, infelizmente! Tenho uma boa memória, o que me ajuda muito até porque me distraio facilmente. Sou uma “estudante de véspera”. Raramente faço resumos ou esquemas, gosto mais de ler a matéria várias vezes. Tenho preferência pelos trabalhos em grupo, porque não gosto de trabalhar sozinha! Para mim o estudante perfeito é organizado, metódico, cumpridor e respeitador. É sempre solidário, prestando apoio aos colegas e não perturbando as aulas. Motivação e dedicação são as suas características básicas. Como avalias a interacção entre os alunos e entre estes e os professores na Escola? A interacção com os meus colegas e professores é muito relativa e varia consoante a maneira de ser e de estar de cada colega e de cada professor. Há colegas com os quais me relaciono melhor e que formam o meu grupo de amigos. Contudo, existem aqueles com quem temos mais em comum e outros com os quais, por vezes, temos alguns conflitos. Não sou excepção relativamente aos outros! No

entanto, todos convivemos bem e sabemos estar juntos, valorizando-nos mutuamente. No que diz respeito aos professores, nem todos têm as características que eu e a maioria dos alunos consideramos necessárias para uma boa interacção (ser compreensivo, respeitador, dinâmico, estimulador..). De qualquer maneira, há sempre uma relação de respeito mútuo. Quero mencionar, de forma particular, que, ao longo do nosso percurso escolar, aparecem professores que nos marcam, como é o caso de Ana Besteiro. Considero-a a melhor professora que já tive! Acima de tudo denota uma atitude de tolerância e apreço pelas pessoas, independen“É uma temente das diferenças.

sou hoje. Penso que, nesta ou noutra escola qualquer, as pessoas são o mais importante.

Há alguma vantagem particular em estudar numa escola multicultural? Nesta escola as culturas fundem-se no multiculturalismo e ninguém é mais do que alguém. Convivemos com várias culturas. A EPM-CELP integra indivíduos de muitas proveniências, constituindo uma grande fonte de enriquecimento pessoal dos alunos ao longo da sua experiência escolar. A vivência que tive proporcionou-me vários conhecimentos e valores, que não se encontram numa única sensação cultura, dos quais destaco o respeito e a tolerância missão cumpri - pelas outras culturas.

de da, de ansiedade por novos objec tivos (...) e ao mesmo tempo uma angústia por deixar algo para trás.”

O que te marcou nesta escola ao longo destes anos todos? Estou nesta escola desde o ensino Pré-Escolar. Por isso, a maioria das minhas memórias foram construídas nesta escola e torna-se difícil dizer o que me marca particularmente numa imensidão de recordações! Mas, uma coisa de que nunca me esquecerei, de certeza, são as pessoas que fui conhecendo ao longo do meu percurso académico! Amigos, colegas, professores… todos, por alguma razão, boa ou má, participaram na construção do que

Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas até agora? Para casos de insucesso escolar sugeres alguma estratégia de superação? Eu sou e sempre fui boa aluna, por isso enfrentei poucas dificuldades. Nunca chumbei e a única vez que tive negativa foi num teste de Matemática do 9.º ano. Já me correram mal alguns trabalhos de pesquisa, porque deixo sempre para a última hora. No fim, porém, acabo sempre por ter bons resultados. Não sei bem qual é a minha técni-


Março/Abril 2010 | PL | 13

ENTREVISTA ca de superação, pois nunca precisei muito, mas talvez seja a exploração dos meus pontos fortes, focalizando-me particularmente na oralidade. Não há nenhum “ingrediente secreto”! Não tenho nenhum método de estudo nem de organização, embora não aconselhe ninguém a ser assim. Comigo resultou, mas sempre ouvi dizer que não dá resultados!

PERFIL Mara Érika Rupia Lopes Aluna do 12.º ano - Turma C

Nasceu a 12 de Fevereiro de 1992 Interesses Música, dança, desporto Gostos Praia, piscina, verão e sol. Lazer Futebol, voleibol, piano e guitarra. Família Tem três irmãs

Que emoções sentes nesta recta final de conclusão do ensino secundário? Finalmente! É a palavra que melhor caracteriza o sentimento! É uma sensação de missão cumprida, de ansiedade por novos objectivos… muita curiosidade do que me espera e, ao mesmo tempo, uma angústia por deixar algo para trás.

“Para mim viver não tem sentido se for para perder”

Como projectas o teu futuro académico? Eu quero fazer o curso de Direito, na África do Sul. Neste momento tenho uma sensação de medo de ir para a faculdade! Aqui eu sempre fui boa aluna. E se lá não me der bem? Espero acabar o curso nos quatro anos previstos, tirar o mestrado e começar a trabalhar. Quero fazer lá amigos como aqui fiz. Inicialmente, a principal dificuldade vai ser a língua. Em contrapartida, a facilidade será estar perto de casa, o que me dá bastante conforto. Que conselhos dás aos alunos que ainda estão no caminho que estás prestes a concluir? Só tenho um conselho: habituem-se, porque a escola não faz sempre o que nós queremos e nem sempre há a justiça por nós idealizada. Por exemplo, as medidas correctivas tomadas relativamente ao comportamento dos alunos nem sempre vão ao encontro das sensibilidades particulares. Por vezes, não existe uma consciência real do que se passa no terreno. As visões de topo são parciais, o que, muitas vezes, limita a compreensão das situações por quem detém o poder.

MOMENTOS

De acordo com a tua experiência, que factores concorreram para o teu sucesso académico? No meu caso, o sucesso académico começou com a educação que os meus pais me deram. Desde pequena que eles me dão livros, estimulando em mim o gosto pela leitura. Nos primeiros anos estudaram comigo, sempre que precisava, e nunca deixaram de me incentivar a melhorar e a não me contentar com pouco! Acho que esse é o factor principal! Por outro lado, procuro manter-me informada sobre a actualidade, lendo constantemente livros e jornais e vendo televisão. Se por ironia do destino tivesses que ficar mais um ano…. Os meus pais matavam-me!

Mara Lopes desfila na última edição da Gala Jovem

No Baile de Finalistas com amigo de longa data


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A valsa do adeus A tradição já atravessou várias gerações e continua a cruzar diversas culturas. A “valsa do adeus”, típica do Baile de Finalistas, permanece como momento de grande significado para os alunos, professores e pais quando já se vislumbra a hora da despedida. Os alunos do 12.º ano da EPM-CELP ritualizaram, mais uma vez, o fim do percurso escolar com a habitual pompa e muita circunstância. Cederam amplo espaço à auto-estima, caprichando na apresentação, celebrando feitos garantidos e desenhando o futuro próximo. O jantar e os discursos de despedida, a valsa, a imposição das faixas e a coroação do rei e da rainha foram os momentos que marcaram o Baile de Finalistas 2010.

JANTAR E MENSAGENS DE DESPEDIDAS


Março/Abril 2010 | PL | 15 BAILE DE FINALISTAS

MENSAGEM

“Deixo-vos o que não tenho” celebração deste fim de ciclo de estudos, que está prestes a terminar, tem por detrás o esforço e dedicação dos nossos alunos finalistas, dos seus encarregados de educação e dos respectivos professores. Acredito que os nossos alunos, durante todos estes anos em que estiveram aqui integrados, tiveram a oportunidade de adquirir competências diversas, enfrentando a vivência da adolescência, processo que não é simples, e preparando-se para o prosseguimento de estudos e para o futuro. Quando faço referência às competências, pretendo frisar que elas só se desenvolvem se cada um de vós dedicar o tempo necessário e útil, de modo a interiorizá-las, tornando-se capazes de colocá-las em prática, ao longo da vida. Poderão questionar as razões da necessidade da aquisição e desenvolvimento de competências ou de aliar sempre a teoria à prática! A resposta está presente na sociedade em que nascemos e vivemos! De uma sociedade estável e estruturada, no passado, vivemos hoje numa cada vez mais dinâmica, mais competitiva e plena de desafios. É neste sentido que, cada vez mais, a nossa Escola, como instituição educativa, tem vindo a utilizar, no processo de ensino e aprendizagem, pedagogias diferenciadas, activas e cooperativas, onde a resolução de problemas, o desenvolvimento de projectos, tarefas e reptos complexos visam a mobilização dos conhecimentos dos alunos, bem como levá-los a complementar as aprendizagens. É com esta forma de estar na escola que pretendemos que cada um dos finalistas tome consciência da sua identidade, do seu projecto de vida, não esquecendo nunca a sua herança cultural, os valores da democracia e da solidariedade. E que, com espírito crítico, dedicação e entusiasmo os transmitam a outros. Gostaria de terminar, desejando a todos os finalistas sucessos e felicidades para o novo desafio que agora iniciam e lendo um poema de Manuel Alegre:

“A

Dança de emoções s emoções mais fortes estiveram reservadas para os momentos que rodearam a dança da valsa dos alunos finalistas. A consagração colectiva do termo de uma etapa de vida e a sua oferta à comunidade, especialmente aos pais e encarregados de educação, como forma de reconhecimento e agradecimento, era o momento mais ansiado. Nada podia falhar e tudo correu conforme previsto. A coroação do Rei e da Rainha do Baile de Finalistas marcou a distinção e a singularidade dos mais populares. Perante a aproximação da hora da partida e da natural dispersão de destinos, havia ainda que entregar a faixa reconhecedora da condição de finalista, para mais tarde recordar.

A

Para deixar-vos tenho o que não tenho/Que para vos deixar não tenho mais/Do que a escrita da vida e o eco estranho/De ritmos e sons e signos e sinais/Metáforas que têm o tamanho/Do mundo que vos deixo. E nada mais” DINA TRIGO DE MIRA Directora da EPM-CELP (discurso proferido no Jantar de Finalistas)


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albumsociedadeportuguesa.blogspot.com/

“PSICOLOGANDO” SAÚDE MENTAL E CONSUMO DE DROGAS

Resgatar sonhos perdidos s primeiro e segundo períodos escolares contaram com o grande envolvimento de um grupo de alunos do 12.º C Adil, Faiza, Maysa, Maida, Nurima e Yumna - na disciplina de Área de Projecto, orientada pelo professor António Moura, do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da EPM-CELP, na abordagem do tema “As Perturbações Mentais Desencadeadas pelo Consumo de Drogas”. O que motivou os alunos para esta escolha foi a observação directa do meio envolvente, nomeadamente o comportamento de muitos jovens e adolescentes que, devido ao consumo de substâncias tóxicas, mostram-se alterados e, gradualmente, fora do seu controlo. Os promo-

O

tores da iniciativa procuraram o Serviço de Psicologia em busca de uma orientação específica para o trabalho, uma vez que o tema integra as actividades do Gabinete de Saúde Escolar (Psicologia e Medicina). A toxicodependência tem sido assunto que nos tem movido, pela grande importância que assume na saúde dos alunos, das famílias e da própria Escola. Em conjunto com a Coordenação Pedagógica e a Direcção, o programa de prevenção da toxicodependência na Escola tem merecido muita da nossa atenção e envolvimento na esperança de obtenção de resultados positivos. Eliminar o consumo de drogas é o nosso grande sonho, minimizar as suas consequências é o nosso grande desejo!

O trabalho realizado pelos alunos do 12.º C foi de grande valia! Para além da notável recolha de informação, realizaram visitas ao Hospital Psiquiátrico do Infulene, bem como entrevistas a profissionais de saúde e a toxicodependentes. Ademais, organizaram uma palestra em duas sessões, sendo a primeira para apresentação do tema e a segunda para o debate no Auditório Carlos Paredes, com as presenças dos alunos dos 10.º e 12.º anos. Para o debate foram convidados dois psicólogos e quatro toxicodependentes adultos, em recuperação há alguns anos, que prestaram o seu grande testemunho. Os toxicodependentes contaram as suas histórias com elementos comuns: tudo começou durante a adolescência, numa idade compreendidade entre os 12 e os 14 anos; ao longo de muitos anos entregaram-se ao consumo de drogas que lhes tirou o auto-controlo e a consciência de quem eram e o que queriam da vida, até ao momento em que “caíram bem fundo”; já adultos tiveram a capacidade de pedir apoio, estando hoje todos em franca recuperação; no entanto, consideram-se ainda em permanente risco de recaída. A entrada na droga foi o pior que poderia ter acontecido aos rapazes de então. O conselho que deixam é de nunca experimentar a droga, pois, quase sempre, é uma viagem sem regresso. A morte, espreita, a vida será eternamente marcada! ALEXANDRA MELO PSICÓLOGA DO SPO

APOIO PEDAGÓGICO

Sucesso de Feira Gastronómica premeia cumprimento de tarefas m 25 e 26 de Março realizou-se, no Pátio das Laranjeiras, uma feira gastronómica organizada pelos alunos do 6.º D. Esta actividade insere-se no contexto das actividades desenvolvidas pelo Serviço de Psicologia e Orientação (SPO) junto de diversas turmas, incluindo as que integram o Projecto “+ Sucesso Escolar”. Tal como outras turmas, o 6.º D tem beneficiado de um projecto específico de apoio pedagógico, que promove diversas actividades de cumprimento de tarefas lec-

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tivas, como a organização dos cadernos diários e a realização de resumos das aprendizagens. Para além disso, os alunos beneficiam de um incentivo que consiste em actividades de aprendizagem lúdica, tais como visitas aos cinemas e passagem de noites na escola. Neste âmbito, a feira foi um sucesso e teve o objectivo de angariar fundos para o prémio de incentivo, que será outorgado no final do ano lectivo. JANAÍNA MELO

PSICÓLOGA DO SPO


Março/Abril 2010 | PL | 17 EPM-CELP

OFICINA DIDÁCTICA

Aliar a funcionalidade à criatividade quipamentos informáticos e recursos humanos adequados constituem elementos fundamentais da Oficina Diáctica, uma valência do Centro de Recursos Educativos aberta à Comunidade Educativa da EPM-CELP. Os recursos humanos e informáticos permitem a oferta de um variado leque de produtos e serviços de natureza diversa e a prestação de apoio especializado nas áreas do desenho gráfico, da edição e gestão de conteúdos impressos e online, do registo, captação e edição fotográfica e de vídeo e, finalmente, na reprodução e impressão documental, sem esquecer a distribuição de material informático e audiovisual móvel pelas salas de aula e, ainda, a disponibilização e operacionalização permanente do Auditório Carlos Paredes. A procura dos serviços prestados pela Oficina Didáctica é testemunhada pelos números apresentados em quadro, o qual regista a importância desta unidade operacional no desenvolvimento das actividades dos alunos, professores e funcionários. Uma vez que a Oficina Didáctica procura não só melhorar a qualidade dos serviços, mas também aumentar o leque da sua oferta, está, por isso, capacitada para apoiar as actividades dos alunos nos âmbitos da produção gráfica e multimédia. Assim, disponibiliza-se para a concretização de actividades e projectos, através de propostas dos docentes dos diversos grupos disciplinares, orientando os seus técnicos para o acompanhamento e apoio dos alunos nos processos de produção gráfica e de edição de vídeo, fotografia ou áudio. As ilustrações apresentadas pretendem dar a conhecer o trabalho realizado no primeiro trimestre de 2010, nos âmbitos da produção gráfica e multimédia, bem como da distribuição de equipamentos audiovisual e informático móveis.

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JUDITE SANTOS

Coordenadora do CRE EQUIPA DA OFICINA DIDÁCTICA

Criação Gráfica Luís Cardoso e Diana Manhiça Actividade Editorial António Lopes e Fulgêncio Samo Registo, Captação e Edição de Imagem e Vídeo Ílton Ngoca, Filipe Mabjaia e Firmino Mahumane Reprodução e Impressão Gráfica Ricardo Cavele e Alexandre Nhazilo A procura de leitores de CD e de “portáteis” reflecte as inúmeras actividades de música e dança, bem como a utilização das TIC nas 58 salas de aula, todas equipadas com projectores de vídeo

ACTIVIDADE PRODUTIVA

- JAN A MAR 2010

Produtos gráficos e multimédia (Jan-Mar 2010)

Distribuição de equipamento informático e audiovisual


18 | PL | Março/Abril 2010 TEXTO

p a l av r a EDIÇÃO

empurra

p a l av r a

...porque há sempre lugar para mais uma palavra!

Teresa Noronha

LITERATURA Um Amor em Tempos de Guerra

A Rapariga que Roubava Livros

de Júlio Magalhães Esfera dos Livros

de Markus Zusak Editorial Presença

evisitar a minha infância foi, talvez, o motivo que me levou a comprar o livro ”Um Amor em Tempos de Guerra”, de Júlio Magalhães. Nuvens negras pairam, ainda, no meu imaginário de criança, não se admirem, pois, que deseje, agora mesmo, que o vento as leve para bem longe do meu horizonte. Vejam: os meus tios, os dois mais novos, foram para o Ultramar; os filhos do meu vizinho foram “a salto para França”, para não cumprirem o serviço militar; a minha irmã foi “madrinha de guerra”, recebia e escrevia cartas num papel muito fininho, dizia-me que era para avião; a filha da ti Almerida, uma jovem casada, engravidou na ausência do marido e, coitada, quase não resistiu ao falatório e ao peso da vergonha. Afinal, perguntava eu, onde fica esse Ultramar que tantas inquietações trazia para aquela pequena aldeia, onde todos se cumprimentavam e, acreditem, até os mais novos pediam aos mais velhos a sua bênção. Será que nessa terra tão longínqua também era necessário pedir a bênção? Falavam em guerra, mas que guerra? Ninguém explicava. Melhor, ninguém podia explicar. Este livro permitiu, de facto, recordar as vivências da minha infância, as emoções despertadas pela intimidade de um mundo rural e, acima de tudo, relembrar que, mesmo em tempo de guerra, o amor pode sobreviver a tudo, como o mais nobre dos sentimentos humanos. «O romance que vai ler é uma longa notícia. Espero que goste.» É assim que Júlio Magalhães, jornalista, inicia a terceira edição da sua notícia na qual descreve, clara, objectiva, factual e comprovadamente, que há amores que resistem a todas as vicissitudes.

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GRAÇA NETO PINTO

Departamento de Ciências Sociais e Humanas

Holocausto visto pelo olhar inocente de Liesel, uma órfã alemã de nove anos que roubava livros. A descoberta da palavra escrita, o encanto da leitura para superar o horror e o poder supremo do amor aos livros. Comovente a oferta do livro “Mein Kampf ”, de Hitler, pintado como desenhos e transformado em livro infantil. A morte está sempre presente e é o narrador incansável deste livro. LUÍSA QUARESMA

Departamento de Línguas

Sinto Muito de Nuno Lobo Antunes Verso de Kapa

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final…os médicos também sofrem. Sofrem quando têm de informar os pais que o seu filho, de tenra idade, tem nove meses de vida. Sofrem com as perdas dos seus pacientes e sofrem com a sua impotência para salvar vidas. Sofrem quando criam empatia com os doentes e lhes atinge a alma as dores físicas dos outros. Renovei a minha esperança na classe médica e guardei a minha descrença no armário, depois de ler o livro de Nuno Lobo Antunes, “Sinto Muito”. Porque, afinal, os médicos também sofrem! É um livro que fala da dor, seguida da perda, descritas pelo autor, especialista em neuro-oncologia pediátrica. “Muitos me perguntam como era possível conviver diariamente com o des-

gosto. A resposta é simples: é um privilégio poder conhecer a humanidade no seu melhor…”, afirma Nuno Lobo Antunes no próprio livro. “Sinto Muito” é uma obra que “agarra” o leitor com uma linguagem acessível e repleta de sentimento. ANA CASTANHEIRA

Centro de Formação e Difusão da Língua Portuguesa

INTERNET Pordata www.pordata.pt das melhores bases de dados em língua portuguesa que encontrei até hoje na incontornável Internet. Todos nós pre cisamos, para este ou aquele efeito, de determinado tipo de informações que, só de pensar nelas, por vezes nos retira imediata mente o ímpeto ou o entusiasmo. Falo vos de estatís tica, por exemplo. Pois o sítio Pordata é uma poderosa fer ramenta de informação estatística sobre Portugal contemporâneo que, uma vez uti l izada, passa a ser nossa al iada. Nunca sabe mos quando vamos precisar, por exemplo, de conhecer a taxa de natal idade bruta de 1976 ou a taxa de feridos graves nas estradas portuguesas no período entre 1987 e 2001. Os mecanismos de pesquisa estão bas tante aprimorados e com elevado grau de detalhe, o que permite saber praticamente tudo. São 12 os grandes temas gerais que estruturam a base de dados criada pela Fun dação Francisco Manuel dos Santos. A possi bil idade de util izar os dados disponíveis para fazer os seus próprios cruzamentos de informação e obter indicadores mais especí ficos e, finalmente, poder exportar os dados para suportes digitais, torna o Pordata ver dadeiramente irresistível.

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ANTÓNIO LOPES

Centro de Recursos Educativo/Centro de Formação e Difusão da Língua Portuguesa


Março/Abril 2010 | PL | 19 REGISTOS

PUBLICAÇÕES

A sombra de Mia Couto e Malangatana lançamento do livro “Pátio das Sombras”, com texto de Mia Couto e ilustração de Malangatana, realizou-se no Instituto Camões, em 11 de Março último. A obra inaugura a Colecção Contos e Histórias de Moçambique da responsabilidade da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) e da Fundação Contes pel Món, de Barcelona (Espanha), que criaram uma parceria para o efeito. O projecto editorial e educativo, que visa a promoção de hábitos de leitura e da língua portuguesa, a partir das tradições moçambicanas, compreende o processo de recolha de histórias da tradição oral de Moçambique e a sua recriação e ilustração por escritores e artistas plásticos até à sua publicação em livro. Iniciou-se já a distribuição gratuita dos exemplares pelas escolas moçambicanas para a sua exploração pedagógica pelos professores da disciplina de Português.

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VISITA

Alunos da EPM-CELP “voam” na LAM m 22 e 25 de Março de 2010 as turmas 11.º A1 e A2 e a do 12.ºA realizaram visitas de estudo às oficinas das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), no Aeroporto Internacional de Maputo. No local os alunos observaram o funcionamento das áreas de administração e comércio, dos recursos humanos e a técnico-operacional, bem como os sectores dos Ensaios Não Destrutivos (END), da linha de montagem, logística e gestão de materiais, visitando, ainda, a Associação dos Transportes Aéreos (ATA).

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Estes também já começaram a receber formação adequada no âmbito da leitura e escrita a partir de histórias, que está a ser ministrada pela EPM-CELP e Fundação Contes pel Món. Teresa Noronha, coordenadora de publicações da EPM-CELP, é a Oriol Coll, Malangatana, Lourenço do Rosário, Mia Couto e Dina Trigo de Mira alma mater da Colecção Contos de Histórias de Moçam- presentes, para além de Mia Couto e bique, secundada por Luís Cardoso, Malangatana, o reitor da Universidade ilustrador e desenhador gráfico, bem como Politécnica e director do Fundo Bibliográpor Ruth Banon e Salut Renom, em repre- fico de Língua Portuguesa, Lourenço do sentação da Fundação espanhola. Rosário, e os directores da EPM-CELP e Na cerimónia de lançamento, a que da Fundação Contes pel Món, Dina Trigo assistiram inúmeras pessoas, estiveram de Mira e Oriol Coll, respectivamente.

EPM com vista para a Escola Francesa o contexto das comemorações da Semana da Francofonia, teve lugar na Escola Francesa, no dia do Pai, “La Journée Portes Ouvertes”, para a qual as turmas A, C e D do 9.º ano da EPM-CELP foram convidadas a participar. A iniciativa consistiu na realização de diferentes actividades organizadas em sistema de ateliers, nos quais os alunos testaram os seus conhecimentos de cultura geral em francês, assim como as suas habilidades físicas e linguísticas. A partici-

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pação nos diferentes ateliers, como por exemplo de desporto, de artes ou de exploração concretizouse através de equipas mistas compostas por alunos de todas as escolas participantes (Francesa, Portuguesa e Internacional). Os alunos da EPM-CELP destacaram-se no atelier de artes, interagindo com os colegas das outras escolas na partilha de experiências e saberes. EDMA ALEIXO DEPARTAMENTO DE LÍNGUAS

CONVÍVIO | No âmbito da disciplina de Área de Projecto, os alunos do 8.º D trocaram experiências com os colegas das escolas Americana e Francesa, numa jornada de aprendizagem, ensino, partilha de ideias, gostos e práticas culturais, assim como conhecimento de diferentes currículos escolares, em ambiente de amizade e convívio.


20 | PL | Março 2010 MASTERCLASS

O deslumbre dos violinos O concerto final da sétima edição do Masterclass de Violinos da EPM-CELP, realizado em 26 de Março, “desceu” ao centro de Maputo e, no Auditório do Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), voltou a deslumbrar a plateia. No palco, a composição harmónica de sons nas interpretações de temas clássicos e o “dueto” violinos-Coro da Escola provocaram o silêncio atento entre os muitos espectadores. pós semana de intensa preparação, orientada por Luís Santana, da EPMCELP, e por professores oriundos de Portugal e Espanha, o grupo “Os Pequenos Violinos” e mais alguns aprendizes da cidade revelaram os seus feitos no CCFM. Foi como de um ritual de iniciação se tratasse. A composição harmónica dos sons saídos de tantos violinos, em sincronia ou não, nas actuações em grupo, marcou fortemente o espectáculo e fez transparecer o esforço dispendido nos ensaios, recompensado pelos aplausos. Mas também a combinação das vozes do Coro com os sons do violino seduziram a plateia. Mais uma vez, o Masterclass ofereceu à cidade um evento que reforça o papel da EPM-CELP como instituição promotora da cultura ao serviço da formação integral do indivíduo.

Professores convidados

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OTTO PEREIRA (Portugal) Violinista profissional, integra a Orquestra Gulbenkian (Portugal) há três anos. Ultimamente, ensaia incursões no folclore e no jazz. Tinha um grande desejo de vir a África, nutrido pelo facto de ser descendente de pai angolano, sendo esta a primeira vez que estabeleço contacto com este continente. O trabalho realizado ao longo da semana de preparação do Masterclass foi espectacular. Foi satisfatório ver os alunos tocar, lendo a pauta. Gostei de conhecê-los, são interessantes e com personalidades diversificadas.

FRANCISCO REYES (Espanha) Concertino e solista na Orquestra de Cambra Eduard Toldrá (Espanha), tem dedicado igualmente atenção, nos últimos quatro anos, ao ensino de violino a crianças. A paisagem de Moçambique mistura luz e cores que despertam emoções vivas na sua gente. A EPM-CELP tem muita sorte em ter alunos que revelam muito interesse e motivação pela música, desde os mais pequeninos aos grandes, demonstrando também muita seriedade, o que constitui um bom potencial para o aparecimento de músicos.

“Nem me falta na vida honesto estudo/Com longa experiência misturado” - Luís de Camões


Patio das Laranjeiras