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AMBIENTE

OBSOLÊNCIA PROGRAMADA

8 Produtos saem de fábricas prontos para quebrar mais cedo PRODUZIDO POR ALUNOS DE COMUNICAÇÃO DO CENTRO UNIVERSITÁRIO MÓDULO

EDIÇÃO IV

ANO 1

OUTUBRO DE 2010

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DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

É NOTÍCIA

Chegou a Hora, Brasil!

8Dia 31 de outubro escolheremos o Presidente da República. Saiba o que os nossos escolhidos deverão fazer a partir do dia 1º de Janeiro de 2011 SAÚDE 8EU, ELE E A ENFERMEIRA Uma entrevista exclusiva com a autora que viveu o drama da Anorexia

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LEITOR-REPÓRTER 8TEXTOS CAMPEÕES Veja os primeiros na etapa municipal da ONLP’2010

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SEU FUTURO 8VOCÊ ESTÁ PREPARADO?

Mudanças no mercado exigem muito mais do que apenas uma faculdade

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LEITOR-REPÓRTER Nesta edição, a página Leitor-repórter dá espaço aos textos feitos por alunos de nossa cidade e que foram classificados na etapa municipal da Olimpíada de Língua Portuguesa. Divirtam-se!

O Tenório resolveu aproveitar que estávamos nesta época do ano para nos pregar uma peça. Mal sabia ele o que estava por acontecer. O Tenório foi ao mato com uma máscara, para tentar assustar os outros garotos, que eram nossos amigos, e eu, fazendo um barulhão. O que ele não esperava é que nós já sabíamos o que ele estava aprontando e quem tomou o susto foi ele mesmo. Porque de repente apareceu um vulto no meio do mato e o Tenório começou a gritar: - “ socorro, socorro!”. Fomos ver o que era, e tinha um mostro levando o Tenório lá para o topo do morro, em seguida, não vimos mais nada... Passando um tempo o menino apareceu descendo o morro rolando. Fomos até ele para saber o que tinha acontecido.

Estações em Caraguá

Escola: E.E. Colônia dos Pescadores Aluna: Sandy Aniger Pontes Cavalhães Série: 6º Ensino Fundamental

Terra abençoada de beleza natural O melhor lugar para se habitar Aqui tem muitas praias E no verão o calor é de rachar

O vento no alto do morro Paraquedistas a se jogar Como um passarinho voando De uma das praias a flutuar

Os turistas vêm Em busca de diversão Aqui tem a Serra do Mar É uma grande sensação

Quando o sol se esconde E a chuva vem para ficar No período de inverno A cidade parece descansar Passado as chuvas, as praças a florescer Os artistas da cidade a criar Na feirinha de artesanato Esperam o turista voltar

Hummmm... e falando em sensação Existe também a sorveteria Crianças brincando e correndo Onde o sabor é uma alegria Há muitos lugares Para andar e visitar E na avenida da praia Paisagens bonitas de se admirar

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- Um monstro muito estranho me pegou e acho que ele estava me levando para o topo do morro, mas no meio do caminho, parou e começou a cavar. Aproveitei que ele me soltou e sai correndo, tropecei na raiz de uma árvore e desci rolando até parar aqui, - disse Tenório. - Como era o monstro? – perguntamos a ele. - Ah! Sei lá! Ele tinha uma perna só, o pé ao contrário e peludo, e a cor não deu para ver porque estava muito escuro – disse o Tenório. Depois disso, fomos todos levá-lo em casa. Contamos tudo a sua mãe que o acalmou. Fomos todos embora e chegamos à conclusão que era muito mais seguro ficar em casa vendo televisão do que ficar na rua até tarde, pelo menos nesta época do ano.

Sol, vento, flores, céu, mar Os caiçaras podem desfrutar Que privilégio nossa Caraguá! Lugar especial para mora e passear.

jornalantenado@modulo.edu.br

história que vou contar parece mentira, mas acredite, aconteceu de verdade. Tudo começou num dia comum, estávamos na quaresma e como os mais velhos dizem, em tempo de quaresma não se pode fazer um monte de coisa, como falar palavrão, desrespeitar os pais e dependendo do dia não pode nem comer carne que vai contra a religião, ou que a noite pode aparecer almas, monstros folclóricos e outros bichos. No bairro onde moro tem um morro famoso por acontecer coisas estranhas. Tem gente que acredita até ter visto alma de outro mundo. E é nesse bairro que mora o meu amigo Tenório.

Estamos esperando a sua carta para a próxima edição! Entregue para o seu professor ou mande-nos um e-mail:

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O Monstro do Bairro

CARTAS DO LEITOR

Escola: E.E. Benedita Pinto Ferreira Aluno: Rafael da Silva Cassiano Série: 1º. Ano Ensino Médio

xpediente

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Coordenadora do Curso de Comunicação Social: Prof. Ms. Taís Vargas Freire Martins Lucio Jornalista Responsável: Prof. Luciana Fuoco (MTB 42283/SP) Projeto Gráfico e Diagramação: Paulo Henrique Ferraz Publicidade: Agência Ícone Soluções Criativas (Alunos do curso de Comunicação Social - habilitação em Publicidade e Propaganda do Centro Universitário Módulo) Colaboradores: Alunos do curso de Comunicação Social - habilitação em Jornalismo - do Centro Universitário Módulo


É NOTÍCIA

Chegou a hora de escolher os melhores 8As eleições corporificam a democracia, indispensável ao desenvolvimento de um país Por José Mário Silva

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No Primeiro Turno: O trevo de entrada da cidade tomado de cartazes de candidatos: poluição visual, prejuízo à estética e risco a motoristas e transeuntes.

Para quem mora no eso dia 3 de oututado de São Paulo, o segunbro os brasileido turno das eleições – que ros cumpriram acontece no dia 31 de ouum compromisso com a democracia tubro – trará a missão de ao votar para escolher o escolher apenas ao futuro próximo presidente da Represidente do país, diferenpública, governador do Este de outros estados que tado, os deputados estadutambém terão de decidir ais, federais e senadores. seu futuro governador. Os eleitos falarão em nome de seus representaConheça um pouco do que os escolhidos irão fados e assim se cumpre o zer por você: disposto no parágrafo único do artigo primeiro da Presidente da RepúbliConstituição do País, sePierre mostra a cola que pretende utilizar nestas gundo o qual “todo o poca – Nomeia ministros de eleições: certeza do voto certo. der emana do povo, que Estado e com eles exerce a o exerce por meio de representantes eleitos...”. direção da administração federal; inicia o proCumpre-se também o princípio da alternância cesso legislativo; sanciona e publica as leis; veta de poder, que é a troca periódica de dirigentes projetos de lei; mantém relações com Estados políticos. estrangeiros; celebra tratados e convenções inForam tantos nomes e tantos cargos a seternacionais; decreta o estado de defesa, estado rem preenchidos que o eleitor poderia acabar de sítio e intervenção federal; concede indulto e se atrapalhando. Por isso, a grande sacada foi comuta penas; declara guerra; celebra a paz. levar uma “colinha”, devidamente consultada no Senador – Representa a federação; cada estamomento em que se esteve frente a frente com do possui três senadores, eleitos para oito anos a urna. de mandato, com renovação parcial a cada eleiFoi assim, colando, que o veterano eleitor ção. Propõe emendas constitucionais, fiscaliza as ações do governo e pode processar e julgar José Flávio de Araújo Pierre, 61, exerceu a sua o presidente da república e ministros. Revisa os cidadania. “Votei no mesmo candidato a deputado de outras eleições. Ele fez um bom trabalho e projetos aprovados na Câmara Federal. Total: 81 continua a merecer confiança”, garantiu. senadores. Pierre se lembra muito bem em que votou Deputado Federal – Representa a população em eleições passadas, diferente do que acontece dos estados; propõe leis e emendas constituciocom o comum dos eleitores, que simplesmente nais, fiscaliza as ações de governo; pode autori“apagam” da memória os nomes escolhidos e dezar a instalação de processos contra o presidenpois não têm como cobrar. te e ministros; permite a alteração e extinção de Se vamos ter bons ou maus políticos, isso só cargos; vota no orçamento da União e tratados depende do eleitor: se vota mal, a representação internacionais. Total: 513 deputados. política será péssima. Daí a responsabilidade na Governador do Estado – representa o Estado hora de apertar o botão da urna eletrônica. nas suas relações jurídicas, políticas e adminis-

trativas;  exerce com os Secretários de Estado, a quem nomeia, a direção da administração estadual; sanciona e publica as leis; veta projetos; provê os cargos públicos; nomeia dirigentes de autarquias; decreta intervenção nos municípios; inicia o processo legislativo.  Deputado Estadual – vota nas leis de orçamento e de organização administrativa e judiciária; dá posse ao Governador e fixa-lhe o salário; julga as contas da Assembléia Legislativa, do Governador e do Presidente do Tribunal de Justiça; permite a intervenção no município; fiscaliza atos do Poder Executivo; autoriza o referendo e o plebiscito; processa o Governador por crime de responsabilidade e cassa-lhe o mandato. Vices e suplentes – os vices do presidente da república, do governador de estado e do senador assumem temporariamente o cargo durante licenças e outros afastamentos do titular e definitivamente em caso de morte, extinção ou cassação de mandato dos respectivos titulares. Já os suplentes dos cargos do poder legislativo também suprem temporariamente a ausência do titular e sucedem-lhes em caso de vacância do cargo, em virtude de falecimento, extinção ou cassação de mandato. • O caso Tiririca – Quem votou no palhaço Tiririca como protesto pode ter se dado muito mal. Não se protesta desse jeito em eleições. Isto porque a forma de escolher os candidatos aos cargos legislativos é diferente da utilizada para eleger presidente, governador e prefeito. O voto excedente dado a um candidato a vereador, deputado estadual ou federal irá contar em favor de outro candidato do mesmo partido ou coligação. É a chamada eleição pelo sistema proporcional. Os votos “a mais” no Tiririca serão computados para eleger um candidato que renunciou no episódio do mensalão e assim fugiu da punição pelas suas “maracutaias”, por exemplo.

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SEU FUTURO

Exigências do mercado de trabalho não se limitam à boa formação 8Dominar segundo idioma é fundamental para uma carreira promissora

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Por Mayara Peixoto o you speak english? Essa é uma pergunta que você vai ouvir ao ingressar no mercado de trabalho. Com a competitividade em alta, é imprescindível que o futuro profissional es-

teja preparado para iniciar sua carreira e, para isso, aprender um segundo idioma é fundamental. A globalização trouxe a necessidade de saber comunicar-se com pessoas do mundo inteiro e se antes saber outro idioma era um diferencial, hoje, as empresas já têm feito essa exigência na hora da contratação. Segundo Cézar Tegon, presidente da Elancers, empresa de recrutamento e seleção online, saber uma segunda língua é item obrigatório. “Após a graduação, o idioma é o item mais relevante na avaliação de um currículo. Ele chega a ser mais importante que uma pós graduação. Por isso, minha dica é que, ao final da faculdade e antes de qualquer outro curso, é fundamental dominar outra língua”, explica. O inglês ainda é o idioma mais exigido, seguido do espanhol, mas para algumas áreas a necessidade de fluência em outras línguas é ainda maior. “Alguns segmentos como aviação, hotelaria e turismo, normalmente, exigem outro idioma além do inglês, os mais requisitados nos últimos anos têm sido alemão, francês e chinês”, conta Tegon. A estudante Gabriela Cusato de Paula está no 3º ano do ensino médio, mas não quis esperar muito para iniciar seu aprendizado em outros idiomas. “Quando eu estava no 1º ano do colegial, a professora de inglês da escola estava oferecendo o curso de inglês gratuito para alguns alunos, ao iniciar as aulas percebi a importância e as oportunidades que saber falar uma nova língua pode oferecer”, fala a estudan-

te.

Segundo Gabriela as aulas na escola estadual ajudaram bastante no entendimento da língua, mas a falta de aulas de conversação e a quantidade de alunos na sala de aula acabavam dificultando o aprendizado. Para aperfeiçoar o inglês ela resolveu procurar uma escola de idiomas. “Atualmente eu estou no nível pré-intermediário de inglês e terminando o primeiro livro do curso de espanhol. Acredito que saber falar outro idioma é importante para conseguir um emprego porque é uma forma de se comunicar com pessoas de outros países e, hoje em dia, quase todas as profissões exigem isso”, afirma.

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O inglês ainda é o idioma mais exigido, seguido do espanhol, mas para algumas áreas a necessidade de fluência em outras línguas é ainda maior.

Vantagens da segunda língua Ao dominar um segundo idioma, o profissional também aumenta o seu passe. “Esse é um fato, uma realidade estatisticamente comprovada, os profissionais que conhecem outro idioma têm remunerações superiores aos demais, em média de 20% a mais”, ressalta. Vale lembrar que os estudantes em busca de estágio não estão mais a salvo da exigência de uma segunda língua. Segundo Tegon, algumas empresas já buscam estagiários bilíngües. Com a concorrência acirrada, quanto mais cedo o profissional buscar o aprendizado de uma segunda língua, maior será sua fluência no idioma ao ingressar no mercado de trabalho. Aqueles que não podem freqüentar uma escola de idiomas podem encontrar na internet cursos gratuitos e apostilas de estudo. A influência americana no Brasil facilita o aprendizado, e os filmes, revistas e sites estrangeiros ajudam na hora de assimilar o idioma. Mas, independente de como ou onde você estuda, nada irá substituir sua dedicação, motivação e interesse.


AMBIENTE

Produtos saem das fábricas com tempo de validade reduzido

8A máquina de lavar roupa não dura mais 20 anos. O celular é reinventado a cada seis meses. O fenômeno tem nome e prejudica o meio ambiente Por Artur Bruzos

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a hora de comprar um aparato eletrônico, como um celular, um computador, ou uma memória digital, os famosos “pen drives”, você certamente já se questionou sobre o tempo de duração daquele bem. Afinal, os produtos se renovam a velocidade de um piscar de olhos, embora, na maioria dos casos, as mudanças sejam apenas estéticas, ou um aprimoramento mínimo da versão anterior. Até aí não contamos nenhuma novidade. Certo? Mas você sabia que este fenômeno possui nome e conseqüências? Isso mesmo. A obsolescência programada – como é denominado o evento – é um mal que, além de diminuir a qualidade dos produtos, causa danos ao meio ambiente, visto a quantidade de lixo eletrônico que produz. Com a revolução industrial e o surgimento das linhas de produção, os pontos mais importantes da criação de algum produto eram a durabilidade e qualidade do material. Com o passar do tempo, os empresários perceberam que essa não era a melhor tática de lu-

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O maior responsável por esse problema é o consumismo exagerado da população, em especial dos jovens, que tendem a comprar o que é denominado “da moda”.

cro, pois dificilmente algum cliente trocaria o serviço de manutenção pela compra de um produto novo. A “sacada” destes empresários foi fazer surgir objetos que se tornariam obsoletos, ultrapassados, com pouco tempo de uso. Cada vez mais a indústria cria novos produtos, com atualizações mínimas, com a intenção de estimular a compra desses bens. Com isso, o mercado seduz o cliente a optar pela aquisição de um objeto novo, em vez de permane-

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Erro Nosso!

cer com o antigo, mesmo que as diferenças técnicas sejam mínimas. Essa tática foi criada no início do século XX, nas décadas de 40 e 50, e impera fortemente nos dias de hoje, seja com celulares, computadores, aparelhos eletrônicos e até mesmo com os carros. Perda da qualidade Aposto que você já deve ter ouvido a frase: “não se faz mais carros como antigamente”. No caso dos automóveis, com aproximadamente três ou quatro anos o cliente já começa a ter gastos com manutenção, o que o desencoraja de continuar com o bem “obsoleto” e o estimula a comprar um novo carro. Apesar da perda de qualidade, esse caso não é tão prejudicial ao meio ambiente, pois os automóveis são negociados, mesmo que estejam antigos. Com os aparelhos eletrônicos, a história é bem diferente. Nesse caso, cada vez mais é gerado o lixo eletrônico, problema já abordado pelo Jornal Antenado em outra edição. Ao contrário de outros elementos, não é facilmente reciclado, tendo um alto custo nesse processo. Com isso, por muitas vezes, é acumulado em lixões, sem o devido cuidado, pois há a presença de inúmeras substâncias químicas, como resíduos de baterias, telas de cristal líquido, entre outros. Isso sem falar na queima desse lixo em incineradores, jogando na atmosfera altas substâncias nocivas ao homem. Consumismo estimula a obsolescência programada. O maior responsável por esse problema é o

consumismo exagerado da população, em especial dos jovens, que tendem a comprar o que é denominado “da moda”. Na busca por uma posição social em determinado grupo, o jovem vai na “onda” das propagandas e acaba comprando coisas sem necessidade. Apesar disso, fugindo dessa necessidade de enquadramento social, algo que não seja só a cópia de um estilo criado, há um grande número de pessoas que já não se deixa levar pela propaganda. “Eu já fui muito de comprar roupa de marca, aparelhos do momento. Quando percebi, eu estava querendo comprar um mp5, mp6... logo menos eu estaria na busca pelo ‘mp x+1’. Hoje eu vejo como é vazia essa busca de uma personalidade através de um bem material”, afirma a estudante do ensino médio, Mariana Cavalari. O mercado será sempre o mercado, que busca o lucro, ou seja, as vendas, usando qual seja o artifício. Mas é responsabilidade da nova geração de consumidores não se deixar levar pelo apelo comercial. Perceber que acima do ego, do “status” social, há um problema muito maior. 

Na edição passada (Edição 3 - Setembro’2010), a matéria “Aterro ou Incineração” foi escrita pela repórter Érica Mendag. Por algum erro o crédito não saiu. A repórter já processou o diagramador e disse que vai pegar ele na saída.


SAÚDE

Anorexia: uma doença silenciosa Divulgação

8Em livro, autora relata os obstáculos e as vitórias da sua luta contra o transtorno alimentar Por Rebecca Bonanate

vez, às vésperas dos meus 30 anos, é que tive o diagnóstico e a minha família entendeu o que estava acontecendo. Na época, não tínhamos a dimensão do que era a anorexia e que estava prestes a perder a minha vida. JA: E como foi o início do tratamento?

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u, ele e a enfermeira...na luta contra a anorexia, escrito por Fernanda do Valle, relata a vitória da autora contra a anorexia. O objetivo do livro é conscientizar e alertar as pessoas que em busca de um padrão de beleza submetem-se aos mais variados tipos de dietas e ultrapassam a tênue linha que separa o ideal da obsessão. Fernanda mora em Campinas, interior de São Paulo, e ocupa a maior parte de seu tempo ministrando palestras, para alertar os jovens sobre os problemas e os perigos da anorexia nervosa. Jornal Antenado: Quando você começou a rejeitar o seu corpo? Fernanda do Valle: Comecei a desenvolver um transtorno alimentar aos 12 anos – período em que menstruei e o meu corpo começou a ganhar formas de mulher. Rejeitava essas formas e tinha medo de ter um sobrepeso. Desde então, comecei a fazer todos os tipos de dietas, comprava todas as revistas com “fórmulas mágicas” para emagrecer. Contava calorias o dia todo e fazia atividade física sempre pensando em queimar o que tinha comido. Ao longo da minha adolescência passei por fases de compulsão (grande ingestão de calorias em um curto período de tempo), depois por culpa, o que levava à restrição (quase não comia para compensar o que havia ingerido), além de abusar das atividades físicas e remédios para emagrecer. JA: Como soube que sua obsessão se tratava de uma doença? FV: Convivi com esse inferno mental por 18 anos. Só quando perdi muito peso de uma só

FV: No final de 2007, fui orientada por um nutrólogo a iniciar uma nova dieta, devido a uma uma hipoglicemia, que mais tarde descobri que não possuía. Isso fez com que eu perdesse peso drasticamente. Minha mãe achou melhor pegarmos outra opinião médica e marcou uma consulta com uma endocrinologista. A nova médica me desarmou e comecei a contar todo o meu inferno interior, todos os meus pensamentos obsessivos. Estava no meu limite físico, psíquico e emocional. Mesmo assim a minha aceitação do tratamento foi muito difícil, pois há o ganho de peso e eu não aceitava isso no início, por isso precisei ser internada com urgência. Se não fosse a internação, com certeza teria

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...Resolvi escrever o livro para conscientizar as pessoas da gravidade da doença, que muitos acham que é frescura

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minha identidade, pois vivi anos atrás da minha anorexia. JA: Como surgiu a ideia do livro? FV: Durante a primeira internação, resolvi escrever o livro para conscientizar as pessoas da gravidade da doença, que muitos acham que é frescura. Ouvi várias vezes, e de pessoas bem esclarecidas: “Pare de frescura, abre a boca e come” ou “Olhe as criancinhas da África”. O livro foi a maneira que encontrei de mostrar a realidade dessa doença que mata pessoas de forma silenciosa, no mundo inteiro. JA: O título do livro tem algum significado especial? FV: O livro foi escrito em duas etapas. Uma parte na minha primeira internação (30 dias em um hospital psiquiátrico) e a outra durante a segunda internação (domiciliar: 60 dias, em um flat, na cidade de São Paulo). Na segunda internação, eu estava recémcasada e todos os programas que fazia com meu marido eram na presença de uma enfermeira. Refeições, passeios, teatro, cinema, enfim, vigilância 24 horas. Um dia, enquanto assistíamos a um filme no cinema, me vi no meio da multidão: “Eu, ele (o meu marido) e a enfermeira”. Foi o insight para o nome do livro.

perdido a minha vida.

JA: Aonde é possível buscar ajuda?

JA: Como foi a internação em um hospital psiquiátrico?

FV: O mais importante de todo o processo é aceitar ajuda e entender que sozinha não há como sair desse ciclo. Para tratar um transtorno alimentar é preciso um tratamento com uma equipe multidisciplinar especializada. Em São Paulo, é possível buscar ajuda no Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (AMBULIM), QUE oferece informações e tratamento gratuito. Hoje, também existe a Associação Brasileira de Transtornos Alimentares (Astral BR), que oferece aconselhamento para portadores de transtornos alimentares. •

FV: Foi um momento muito complicado. Estar de portas trancadas em um hospital psiquiátrico não é sonho de ninguém. O tratamento é bem rígido e precisa ser assim. Embora a minha família tenha me acompanhado de perto, me sentia muito sozinha nesse período. Vi coisas pesadas lá dentro. Meninas que não querem se curar e defendem a doença como um estilo de vida. Os momentos mais difíceis do dia eram as refeições, sempre um clima tenso. Muitas vezes, me alimentei chorando, pois me sentia agredida. Mas ao longo desse período parei para rever todos os meus conceitos e valores e costumo dizer que aprendi a ser gente ali dentro. Ao sair da internação, tive que reconstruir a

Título: Eu, ele e a enfermeira... na luta contra a anorexia Autora: Fernanda do Valle Preço: R$ 29,90

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antenado - 4ª edição - Outubro de 2010