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US$3 | NÚMERO 2 | ANO 1 | OUTUBRO DE 2007

CAFÉ, NOSSO OURO NEGRO, E KÁTIA SANTANA, SUA MELHOR EMBAIXADORA /COFFEE, OUR ‘LIQUID GOLD’ AND KÁTIA SANTANA, ITS BEST AMBASSADOR

UMA REVOADA DE DÓLARES

COMO AS ENTIDADES FINANCEIRAS ESTÃO ENTRANDO DE CABEÇA NAS REMESSAS DOS BRASILEIROS NOS EUA, UM NEGÓCIO DE US$ 7 BI /FLYING DOLLARS: HOW FINANCIAL ENTITIES ARE GOING DEEP INTO MONEY TRANSFERS FROM BRAZILIANS IN THE US, A US$ 7 BI BUSINESS

COMÉRCIO DA SAUDADE DELÍCIAS TUPINIQUINS ABASTECEM MERCADO AMERICANO /NOSTALGIC COMMERCE: DELICACIES FROM BRAZIL FILL IN THE AMERICAN MARKET

CRÉDITOS DE CARBONO UMA COQUELUCHE MUNDIAL QUE PEGOU NO BRASIL /CARBON CREDITS: A GLOBAL TRADE THAT HAS HIT BRASIL


carta ao leitor /letter to readers

NILZA BARROS

editora

O FUTURO É AQUI E AGORA Gerenciar os negócios não está sendo tarefa das mais fáceis para a comunidade empresarial. Muitos se vêem à beira da loucura para continuar sobrevivendo em meio à crise do mercado imobiliário norte-americano. Os imigrantes ainda enfrentam outro obstáculo, que é a reforma das leis de imigração, por conta da falta de consenso entre democratas e republicanos. Mas o momento atual deve ser encarado como um desafio para quem quiser se manter nos negócios. Muitos imigrantes, talvez nunca pensaram que um dia teriam chance no mercado americano. E hoje, além de impostos, geram qualidade de vida para muitas famílias, a exemplo dos US$ 7 bilhões enviados em remessas ao Brasil no ano passado. Competir nos EUA eleva o nível das empresas e pode trazer recompensas que vão bem além de financeiras. O “futuro” começa sempre com o “hoje”. Temos que ser mais sensíveis e preocupados com nosso desenvolvimento social. O momento exige, mais do que nunca, otimismo e força de vontade. Em geral, pouco se conhece da nossa cultura aqui nos EUA - e muitos só conhecem o Brasil pelo noticiário, ou seja, só as coisas ruins. Em nossas páginas, você encontra um Brasil positivo, nossas adversidades econômicas, que podem se tornar modelo para o mundo. Para ilustrar esse ponto de vista, mostramos a Masa da Amazônia, a melhor empresa para se trabalhar no país. Também destrinchamos uma nova modalidade econômica com preocupação ambiental - a venda de créditos de carbono. E não esquecemos de fazer uma reflexão sobre a política, num desabafo do teólogo Leonardo Boff. Tem mais! Você também encontra um Brasil dentro dos EUA, representado por brasileiros que não se intimidaram em terras distantes e hoje são a imagem de nosso país aqui. A exemplo, Kátia Santana, que arreagaçou as mangas para apresentar o nosso café aos americanos; Werner Batista, que atua no mercado de importação de produtos brasileiros; Jota, que imprime “o jeitinho brasileiro” no atendimento em sua empresa de transporte; Moriz Namur, um dos pioneiros no setor de remessas para o Brasil em Newark; além da cantora Vanessa da Mata e do cineasta Neville de Almeida, que apresentaram a cultura brasileira em Nova Iorque. Boa leitura! Um abraço, Nilza Barros.

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The future is right here, right now

Business management has not been an easy task for entrepreneurs lately. Many businesspeople are on the verge of going crazy to stay alive amidst the American real estate market crisis. Immigrants face yet another obstacle: the immigration law reform with the lack of consensus between democrats and republicans. But the current picture should be faced as a challenge to whomever wants to stay in business. Many immigrants might have never thought that one day they would have any chance to succeed in the American market. But today, besides tax revenue, they generate life quality for numerous families, as observed with the US$ 7 billion in remittances to Brazil last year. Competing in the US elevates the level of companies and can bring rewards that go farther than financial stability. The “future” always starts with “today”. We must be more sensitive and worried about our social development. It’s more than ever time for optimism and will power. Usually, little is known about our culture here in the US – and many have only heard of Brazil through the news broadcasts, that is, they only hear the worst things. Throughout our magazine, you will find a positive Brazil, our economic adversities, which could turn into a world pattern. To illustrate this point of view, we will show you Masa da Amazônia, the best company to work for in Brazil. We also slice and dice a new economic trend that cares about environmental protection – the sale of carbon credits. And we could not forget to meditate about politics, in a passionate speech from theologist Leonardo Boff. And there’s more! You will also find a Brazil within the US, represented by Brazilians who were not intimidated by the distance from their origins, and today they are a reflection of Brazil here. As an example, Kátia Santana, who rolled up her sleeves to introduce our coffee to Americans; Werner Batista, who works with Brazilian imports; Jota, who etches the “Brazilian way” into his transportation company’s customer relations; Moriz Namur, a pioneer in money orders to Brazil in Newark; plus singer Vanessa da Mata, and movie director Neville de Almeida, both responsible for introducing the Brazilian culture in New York.

Enjoy your reading! Best Regards, Nilza Barros.

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FOREIGN NEWS

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OUTUBRO DE 2007


/ índice Summary

20 capa:

OS BRASILEIROS ENVIARAM US$ 7 BILHÕES DOS EUA ANO PASSADO, AGORA SÓ FALTA SUPERAR OS MEXICANOS

44 brasil:

“DESPOLUIR” NÃO É MAIS PAPO DE ECOLOGISTA. AGORA É TAMBÉM UM ÓTIMO NEGÓCIO, COM O BRASIL NA PRIMEIRA FILA

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setor:

seções

DE PÃO-DE-QUEIJO A GUARANÁ, O “COMÉRCIO DA SAUDADE” ENTRA COM TUDO NAS PRATELEIRAS AMERICANAS

4 Carta ao leitor 6 Pontuando 16 Perfil: João Abussafi 26 High-Tech 28 Agenda de Negócios 30 Mercado Imobiliário 40 Exportação 50 Gastronomia 52 Turismo 56 Cultura 59 Agenda Cultural Vitrine 62 Gente Fina

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entrevista: CONHEÇA ULISSES TAPAJÓS E A HISTÓRIA DA MASA DA AMAZÔNIA, A MELHOR EMPRESA PARA TRABALHAR NO BRASIL

colunas & artigos 18 Empreenda A arte de vender está mudando, por Sergio Dal Sasso

38 Dinheiro e Você A importância da auto-avaliação para saber se o negócio vai ou não vai, por Anibal Badim

66 Leonardo Boff A vergonha na cara, tão estimada por Benjamin Franklin e presente em muitas culturas, tem que voltar a fazer parte da política brasileira


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40 contra 35 a favor e seis abstenções: esse foi o placar que livrou Renan Calheiros da cassação

R$27 milhões

foi o que a Skincariol pagou pela fábrica de refrigerantes do deputado Olavo Calheiros (PMDBAL), irmão de Renan

Valter Campanato/ABr

GORJETAS PARA AS EMPRESAS FALTA CASSAÇÃO

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), cumprimenta o senador Almeida Lima (PMDB-SE), relator do processo contra ele no Conselho de Ética /Senate's president Renan Calheiros, greets Senator Almeida Lima

LICENÇA FORÇADA O senador Renan Calheiros, que conseguiu escapar da cassação no Senado, acabou cedendo à pressão e selicenciou da presidêcia da Casa por 45 dias. Condenado pela opinião pública, Calheiros foi convencido por emissários do Palácio do Planalto de que era melhor afastar-se, já que a cassação, nos outros quatro processos em andamento contra ele, poderia ser inevitável. A licença aconteceu na mesma semana em que o país pôde conferir na revista “Playboy” as curvas de Mônica Veloso, ex-amante do A NOVELA AINDA senador e detonadora do NÃO ACABOU escândalo. Renan Calheiros Renan ainda responde a três foi acusado, no primeiro outros processos: um sobre a processo por quebra de decocompra de duas rádios e um ro parlamentar, de pagar jornal em nome de laranjas, pensão à filha que teve com outro que se refere à suposta Mônica com dinheiro da coleta de propina em ministéempreiteira Mendes Júnior. rios comandados por peemedebistas e, por fim, é acusado de diminuir multas impostas à Schincariol. Alguém duvida de uma pizza tamanho famiglia no final?

6 | FOREIGN NEWS | OUTUBRO DE 2007

“O importante é que o Conselho de Ética vote com seriedade” SENADOR RENAN CALHEIROS

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Leave of absence, by force Brazilian Federal Senator Renan Calheiros has licensed himself from the presidency of the senate for forty five days after having escaped from having his term taken away from him after a scandal thamarred his image in the face of public opinion. This temporary hiatus happened on the same week that the Brazilian Playboy magazine published their photo essay with Mônica Veloso, the senator's exmistress who caused the scandal. Calheiros was accused of breaking parlamentary decorum when he paid child support (to the child he had with Veloso) with money given by a contracting company, Mendes Júnior.

THE MELODRAMA ISN'T OVER YET Renan still faces three other charges: one about the acquisition of two radio stations and a newspaper under the names of scapegoats; another that refers to supposed bribery in ministries headed by PMDB party members and, he is also accused of lowering fines that were inflicted on Schincariol beer company. Does anybody still doubt that impunity will prevail once again?

Desde o ano 2000, apenas 623 mandatos políticos foram cassados, aponta levantamento feito pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE). Não foram considerados na pesquisa, os políticos que perderam cargos por causa de condenações criminais. Das cassações registradas desde 2000, quatro são de governadores e vice-governadores (Flamarion Portela (RR) e Cássio Cunha Lima (PB)), seis são senadores e suplentes (João Capiberibe (AP) e Expedito Júnior (RO), por exemplo), oito deputados federais, 13 deputados estaduais, 508 prefeitos e vice-prefeitos, e 84 vereadores. O ranking dos partidos é liderado pelo Democratas (ex PFL), com 69 casos (20,4%). Em seguida estão o PMDB (19,5%) e PSDB (17,1%). O PT ocupa a décima posição, com dez ocorrências (2,9%). O estado que mais foi atingido pelas cassações foi o de Minas Gerais, com 11,39% do total de casos.

OCEANAIR NA ROCINHA De olho na população da favela da Rocinha, a OceanAir vai inaugurar uma loja para vender passagens em até 36 parcelas para cerca de 100 mil nordestinos que moram no local, segundo pesquisa de mercado feita pela empresa aérea. “As classes C e D do Brasil desconhecem o meio de transporte avião. Com o aumento da renda, queremos mostrar que o avião é tão barato quanto o ônibus'', afirmou o vicepresidente de marketing da OceanAir, Omar Perez, ao Estadão. A pesquisa da companhia comprovou que 90% dos moradores da Rocinha nunca viajaram de avião e que muitos trabalhadores autônomos da Rocinha têm renda mensal de cerca de R$ 2 mil. Encravada entre áreas nobres da cidade, a favela, que existe há mais de 80 anos, tem população estimada entre 62 mil (segundo o censo oficial) e 150 mil pessoas, pelos dados dos próprios moradores.

Stock.xchnge

brasil

/points of interest

MORE POLITICAL RECALLS, PLEASE Since the year 2000, only 623 political mandates have been voided, according to a research by the Movement Against Electoral Corruption (MCCE, in Portuguese). Politicians who have lost their seats due to criminal sentences were not taken into account. Of all recalls registered since 2000, four have fired governors and vice-governors (Flamarion Portela (RR) and Cássio Cunha Lima (PB)), six senators and substitutes (João Capiberibe (AP) and Expedito Júnior (RO), for instance), eight federal deputies, 13 state deputies, 508 mayors and vice-mayors, and 84 city councilmen. The Democratas party (former PFL) ranks first, with 69 cases (20.4%). Ranking second and third are: PMDB (19.5%) and PSDB (17.1%). PT ranks 10th, with ten occurrences (2.9%). The state with the most political recalls is Minas Gerais, with 11.39% of the total cases.

OCEANAIR AT ROCINHA FAVELA Eyeing people from Rocinha shantytown, OceanAir will open a store that sells airline tickets in up to a 36 monthly payments, serving up to 100,000 Northeasterners who live at that slum, according to a market research done by the airline. “Classes C and D in Brazil are not familiarized with airplanes. As their income goes up, we want to show that planes are as cheap as buses'', stated OceanAir's marketing vice-president, Omar Perez, to Estadão newspaper. The company's survey proved that 90% of Rocinha's inhabitants have never flown an airplane, and many self-employed workers at Rocinha have a monthly income around R$ 2,000 (US$ 1,000). Wedged between Rio's noble areas, the over 80-yearold favela has an estimate population of 62,000 (according to official figures), and 150 thousand people, by its dwellers own accounts.

O Projeto de Lei 252/07, aprovado pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, determina que as empresas poderão reter até 20% do valor arrecadado com gorjetas pelos funcionários para cobrir encargos sociais e previdenciários dos empregados. O relator da proposta é o deputado Laerte Bessa (PMDB-DF). O próximo passo é a análise em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

A ALMA DO NEGÓCIO Os brasileiros são os que mais acreditam em publicidade, segundo uma pesquisa realizada em 47 países pela consultoria Nielsen. Dois em cada três brasileiros (67%) disseram confiar em propagandas mesmo percentual de filipinos e pouco mais que de mexicanos (66%). A pesquisa, feita por internet com cerca de 24,5 mil pessoas, teve como objetivo medir a credibilidade de cada meio utilizado para fins publicitários.Na outra ponta da lista, os dinamarqueses se mostraram os mais desconfiados em relação a anúncios (apenas 28% confiam), seguidos pelos italianos (32%), lituânios (34%) e alemães (35%).

ATÉ QUE A MORTE AS SEPARE O juiz Luiz Artur Rocha Hilário, da 27ª Vara Cível de Belo Horizonte (MG), reconheceu a união estável entre duas mulheres, concedendo direitos patrimoniais a uma delas. As mulheres viveram juntas por 15 anos até a morte de uma delas, em maio de 2003. A outra companheira entrou com ação para garantir seus direitos em relação aos bens comuns – um carro e parte de um imóvel. Como é decisão de primeira instância, ainda cabe recurso ao Tribunal de Justiça de Minas e ao Superior Tribunal de Justiça. O STJ, aliás, está prestes a se manifestar sobre o mesmo assunto, ao analisar um recurso de um casal gay de São Gonçalo (RJ). OUTUBRO DE 2007 | FOREIGN NEWS | 7


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Ricardo Stuckert/PR

NOVO EXAME PARA CIDADANIA Em 27 de setembro o governo americano aprovou 100 novas perguntas para o teste que deve passar todo imigrante interessado em se naturalizar.. O primeiro exame foi criado em 1986 e desde então nunca havia sido revisto. Além de tudo, era considerado “fácil” pelos grupos conservadores. O que se comenta do outro lado é que o teste para a cidadania irá se tornar mais “assustador” a partir de 2008.

NOVOS, PORÉM ENCALHADOS

O presidente Lula cumprimenta o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, durante encontro na sede da ONU /President Lula shakes hands with US President George W. Bush

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LULA E A RIO+20

25% é o que pretende reduzir a Califórnia em gases de efeito estufa até 2020

150 países estiveram representados na reunião sobre a mudança climática na ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso na reunião de alto nível sobre a mudança climática, na Organização das Nações Unidas (ONU), defendeu ações urgentes para o combate às mudanças climáticas e propôs a realização, em 2012, de uma nova conferência das Nações Unidas com foco em meio ambiente e desenvolvimento, a Rio + 20. O presidente ressaltou que os países industrializados precisam dar o exemplo imediatamente. "É imprescindível que cumpram os compromissos estabelecidos pelo Protocolo de Quioto. Necessitamos de metas mais ambiciosas a partir de 2012. E devemos agir com rigor para que se universalize a adesão ao protocolo." Na foto, o encontro com o presidente George W. Bush, onde foram discutidas negociações agrícolas da Rodada de Doha.

“O Brasil não abdica, em nenhuma hipótese, de sua soberania nem de suas responsabilidades na Amazônia. Os êxitos recentes são fruto da presença cada vez mais e mais efetiva do Estado brasileiro na região.” PRESIDENTE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

8 | FOREIGN NEWS | OUTUBRO DE 2007

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Lula and Rio+20 Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva, in a speech at the United Nations General Assembly, defended urgent action to combat climate changes and proposed, for 2012, a UN conference focusing on the environment and development, to be called Rio +20. The president noted that industrialized nations must become role models immediately. "It is imperative that they keep their commitment with the Kyoto Protocol. We need more daring goals after 2012. And we must act rigorously so that adhesion to the protocol is universal." The picture shows the meeting with President Bush, where they discussed the farm trade of the Doha Round.

CAIXA VISITS NASDAQ On September 24, the Caixa Economica Federal inaugurated its first business office in Jersey City in the US. The process of internationalization of the bank began in 2004 in Japan where the first office was inaugurated in Hamamatsu, in the province of Shizuoka. In the picture, the opening ceremony of NASDAQ with the president of the Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, the director of NASDAQ Jeff Kaplan, Flavio Petro, and Nei Cristofolini, superintendents of the bank, and Sueli Bonaparte, from the Chamber of commerce Brazil-USA.

As vendas de imóveis novos nos EUA caíram 8,3% em agosto, para o nível anual sazonalmente ajustado de 795 mil unidades, o menor em sete anos, informou o Departamento do Comércio. A retração superou a previsão dos economistas, que era de uma queda de 4,6%. Em julho, o número de vendas de novas residências subiu 3,8%, para a taxa anual de 867 mil unidades. Originalmente, o governo havia informado elevação de 2,8% nas vendas, para 870 mil. As vendas de imóveis novos caíram 21,2% em agosto em comparação a agosto do ano passado. A média de preço caiu 8% em relação a agosto de 2006, passando de US$ 317,3 mil para US$ 292 mil.

NEW CITIZENSHIP EXAM On September 27, the American government approved 100 new questions for the test applied on every immigrant interested in the naturalization process. The first exam was created in1986 and had never been reviewed since then. Besides, it was considered "easy" by conservative groups. The word is out that the citizenship exam will become more "frightening" in 2008.

NEW, BUT AT A HALT Home sales in the US dropped 8.3% in August, to the seasonally adjusted level of 795 thousand homes, the lowest in seven years, said the Department of Commerce. The shrinkage has exceeded economists' predictions, which had forecast a reduction of 4.6%. In July, new homes sales went up 3.8%, to the yearly rate of 867 thousand homes. Government had originally released an increase of 2.8% in sales, to 870 thousand. Sales of new homes fell 21.2% between Aug. 2006 and Aug. 2007. The average price fell 8% compared to Aug. 2006, from US$ 317.3 thousand to US$ 292 thousand.

Divulgação

EUA

/points of interest

GLOBO POR CABO EM NJ A TV Globo Internacional iniciou parceria com a Comcast, no mês de setembro, para lançar em Nova Jersey a TV Globo Internacional através do sistema de cabo. Lançado em 1999, o canal já tem transmissão via satélite com tecnologia de ponta digital, com programação 24 horas direcionada para brasileiros e lusófonos que vivem fora da terrinha. Hoje o sistema já conta mais mais de 420 mil assinantes em 104 países. Na foto, Meredith Black, diretora de marketing da Comcast, e Marcelo Spínola, diretor de distribuição internacional da emissora.

RIVERSIDE, CIDADE-FANTASMA

© 2007, The Nasdaq Stock Market, Inc.

Segundo uma reportagem do New York Times, Riverside, em Nova Jersey, está se tornando uma "cidade-fantasma". O motivo é o “êxodo” dos latino-americanos. Com apenas 8 mil habitantes, a cidade sofre hoje com o fechamento de dezenas de restaurantes, salões de beleza e outros comércios atendidos por imigrantes latinos, depois da campanha contra os ilegais. O conselho municipal havia aprovado há um ano uma série de sanções contra quem contratava imigrantes sem documentação no país ou aos que lhes alugassem moradias. "Sempre existiram bodes expiatórios", disse Regina Collinsgru, responsável por um jornal local. "Primeiro eram os alemães, depois houve problemas com a chegada dos italianos, então os causadores se tornaram os poloneses. É a natureza das pequenas cidades", criticou.

CAIXA VISITA NASDAQ A Caixa Econômica Federal inaugurou em 24 de setembro, o primeiro escritório de negócios em Jersey City, nos EUA. O processo de internacionalização do banco teve início em 2004 com pontapé no Japão, onde foi inaugurado o primeiro escritório em Hamamatsu, na província de Shizuoka. Na foto, a cerimônia de abertura da NASDAQ com a presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, o diretor da NASDAQ Jeff Kaplan, Flávio Petró e Nei Cristofolini, superintendentes do banco, e Sueli Bonaparte, da Câmara de Comércio Brasil-EUA. OUTUBRO DE 2007 | FOREIGN NEWS | 9


pontuando

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mundo

/points of interest

200 monges

Creative Commons/Flickr

MORTE À PENA DE MORTE O Comitê dos Ministros do Conselho da Europa, apesar do voto contra da Polônia, decidiu proclamar um dia europeu contra a Pena de Morte, que será comemorado todo 10 de outubro. O Comitê dos Ministros, que reúne 47 países, manifestou através de um comunicado, a esperança de que a União Européia se una o quanto antes para esta iniciativa. "O dia europeu contra a pena de morte marcará a ocasião do lançamento de um debate com os cidadãos de nossos 47 países membros, explicando porquê um castigo tão desumano e degradante está equivocado, porquê foi abolido e porquê deveria continuar assim", destaca o secretário-geral do Conselho,Terry Davis, segundo a Ansa.

PAZ VIRTUAL Monges em protesto na Birmania /Monks protesting in Burma

A REBELIÃO DOS MONGES Monges budistas, apoiados pela população civil, ganharam o noticiário mundial por seu protesto pacífico pela democracia em Mianmar (antiga Birmânia). As manifestações, entretanto, têm sido violentamente reprimidas. Ninguém sabe exatamente o número de mortos e feridos, e tem sobrado até para os estrangeiros e membros da ONU. Um jornalista japonês foi morto em um dos protestos. O Dalai Lama, líder espiritual budista, pediu o apoio da opinião pública internacional. A Secretaria Geral das Nações Unidas mandou emissários para o terreno. Nos últimos protestos, em 1998, 3 mil pessoas foram mortas.

e civis teriam sido mortos durante os protestos em Mianmar, segundo grupos dissidentes

400

mil refugiados da etnia Karen vivem na vizinha Tailândia, expulsos pela ditadura

10 | FOREIGN NEWS | OUTUBRO DE 2007

GENERAIS CONTRA A NOBEL DA PAZ A figura central nos protestos pela democracia é a ativista Aung San Suu Kyi, Prêmio Nobel da Paz em 2001. Mantida em prisão domiciliar nos últimos 12 anos, Suu Kyi recebeu os monges que iniciaram os protestos. A partir daí, começou a onda de manifestações e repressão. Com a repercussão negativa, o líder da junta militar que governa Mianmar, general Than Shwe, admite a possibilidade de encontrar-se com Suu Kyi.

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Monks' rebellion Buddhist monks, supported by the civil population, have made headlines for their peaceful protest for democracy in Myanmar (former Burma). The protests, albeit peaceful, have been violently repressed. Nobody knows for sure the number of dead or injured, and even foreigners and UN members have been hit. A Japanese journalist was killed in one of the protests. Dalai Lama, the buddhist spiritual leader, askethe international public opinion's support. United Nations General Assembly has sent out people to the region. During the 1983 protests, 3,000 people were killed.

GENERALS AGAINST THE PEACE NOBEL The main person in the protests for democracy is activist Aung San Suu Kyi, Peace Nobel in 2001. Kept in home arrest for the past 12 years, Suu Kyi received the monks that initiated the protests. Then, a wave of protests and repression began. With the negative repercussion, the military leader that governs Myanmar, General Than Shwe, admits the possibility of meeting with Suu Kyi.

Os líderes da Coréia do Norte e da Coréia do Sul assinaram uma declaração conjunta pedindo um acordo de paz permanente. Mas tecnicamente, Roh Moo-hyun, presidente sul-coreano e Kim Jong-il, líder norte-coreano, ainda continuam em guerra, porque não assinaram formalmente o acordo de paz. As negociações devem envolver EUA e China. Em tempo, a Guerra da Coréia ocorreu entre 1950 e 1953 e acabou com a divisão do território.

DEATH TO DEATH PENALTY The European Council Ministers Committee, albeit the vote agiainst Poland, has decided to establish an European day against capital punishment, to be commemorated on Oct. 10. The Ministers Committee, which has 47 countries, has expressed its hope that the European Union joins this initiative very soon. "The European day against death penalty will mark the start of a debate with the citizens of our 47 participating nations, explaining why such an inhumane and degrading punishment is wrong, why it has been abolished and why it should stay like that", points out the council's general secretary Terry Davis, according to Ansa.

CHAOTIC SEARCH FOR MADELEINE In a plot twist only seen in soap operas, the English doctor couple Gerry and Kate McCann were considered suspects by the Portuguese police to have accidentally killed their fouryear-old daughter Madeleine. The girl has been searched for everywhere since her disappearance in May, in Praia da Luz, Portugal. The accusation against her parents was based on an alleged blood stain, found in the couple's rental car weeks after the disappearance. McCanns' lawyer, however, claims that the proof is not even 60% reliable, which is considered a poor level of reliability in many countries. In early October the police chief Gonçalo Amaral was dismissed from the investigation, and even a British psychic, barber Gordon Smith, has been trying to find the little girl. Divulgação

CAOS NA PROCURA POR MADELEINE Em uma reviravolta digna de folhetim, o casal de médicos ingleses Gerry e Kate McCann foram considerados suspeitos pela polícia portuguesa de terem matado, acidentalmente, sua filha Madeleine, de quatro anos. A menina tem sido procurada pelos quatro cantos, desde que desapareceu, em maio, na Praia da Luz, em Portugal. A acusação contra os pais se baseou em uma suposta mancha de sangue da menina, encontrada em um carro alugado pelo casal semanas depois do desaparecimento. Os advogados dos McCann, entretanto, afirmam que a prova não chega a ter 60% de confiabilidade, nível considerado baixo em vários países. No começo de outubro o chefe das investigações, Gonçalo Amaral, foi afastado do caso, e até um vidente inglês, o barbeiro Gordon Smith, entrou em cena para tentar encontrar a garotinha.

SEM CHE, MAS COM FIDEL O líder cubano, Fidel Castro, homenageou e expressou agradecimento ao revolucionário argentino Ernesto "Che " Guevara para marcar o 40º aniversário de sua morte na Bolívia, em 8 de outubro. Castro, que está afastado do poder há 14 meses devido a graves problemas de saúde, celebrou o companheiro em um artigo no jornal cubano "Granma". Segundo o ditador, Che foi "uma flor arrancada prematuramente do caule".

SOCO NO ORGULHO FRANCÊS Cinco pessoas invadiram o Museu D'Orsay, um dos principais de Paris, e danificaram com um soco o quadro "A Ponte de Argenteuil", pintado em 1874 pelo mestre impressionista Claude Monet. O crime aconteceu durante a noite do sábado 6 de outubro, quando milhares de pessoas se divertiam pelas ruas da cidade, cheias de atrações culturais, e comemoravam a vitória da equipe francesa de rúgbi sobre a Nova Zelândia. A ministra da cultura, Christine Albanel, pediu ao governo que endureça as penas para crimes contra bens culturais.

DNA PARA IMIGRANTES O senado francês aprovou em 03 de outubro um polêmico projeto de lei que prevê o uso de testes de DNA em imigrantes que querem entrar na França alegando ter parentes morando no país. A proposta do governo, que já foi aprovada pelos deputados, prevê que pessoas com mais de 16 anos que desejam emigrar para a França, façam testes de DNA em seu país de origem. O projeto agora volta para a Câmara dos Deputados antes de virar lei DNA FOR IMMIGRANTS French senate approved Oct. 3 a polemic law project that would apply DNA tests on immigrants who want to enter France saying they have relatives there. The government's proposal, which has been approved by legislators, states that anyone over 16 who wishes to emigrate to France must take a DNA test in their countries of origin. The project will now go back to the Chamber of Deputies before it becomes effective.

OUTUBRO DE 2007 | FOREIGN NEWS | 11


economia - setor /economy - sector

PRODUTOS TÍPICOS DO BRASIL DISPUTAM MERCADO AMERICANO

“gostinho brasileiro”

TEXTO | VANIA CARVALHO FOTOS | AMAURI AGUIAR

A forma preferida do imigrante brasileiro de matar as saudades da terrinha ainda é esbaldando-se à mesa. Comer pão de queijo, preparar uma feijoada ou ainda ir a uma churrascaria faz parte da programação mensal ou mesmo semanal de todo brasileiro saudoso da rica culinária verde e amarela. Esse apego da comunidade imigrante ao paladar de sua origem ajudou a criar um negócio que vem se consolidando a cada dia - a importação de produtos típicos “made in Brazil”. O “comércio da saudade”, como foi chamado esse tipo de negócio, tem hoje uma 12

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FOREIGN NEWS

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OUTUBRO DE 2007

estrutura bastante profissional e alcança praticamente todas as cidades norte-americanas que tem um contingente razoável de brasileiros. A lista de produtos trazidos para os Estados Unidos é extensa e inclui itens como bombons, palmito, guaraná, massa de pão-de-queijo, goiabada, arroz, feijão e até pequi em conserva. Um detalhe importante é que o consumidor imigrante valoriza as marcas que são líderes no mercado brasileiro. Esse consumidor compra bombom Sonho de Valsa, Guaraná Antarctica e Café Do Ponto. Marcas ditas “genéricas” não são valorizadas pelo brasileiro que vive no exte-

rior. Ele quer as marcas tradicionais, tidas como uma referência de qualidade. O perfil exigente e, principalmente, o poder de compra do imigrante está levando grandes redes de supermercados a passar a oferecer esses os produtos. As padarias, armazéns e lanchonetes de propriedade de brasileiros ganharam concorrentes de peso. Produtos brasileiros podem ser encontrados nas prateleiras da Publix, cadeia de supermercados da Flórida, PriceChopper, uma das líderes do setor em Massachusetts, e no Path Market, em New Jersey. Para cativar o novo consumidor, algumas lojas instaladas em bairros com mais brasileiros instalaram gôndolas só com produtos importados do país. MERCADO HISPANO - Essa presença nas grandes redes faz os empresários do setor sonharem com um mercado maior, o mercado étnico americano. Essa faixa do varejo é a que mais cresce nos Estados Unidos, apoiado na expansão da população hispânica. Dados do último Censo americano apontam um crescimento de 58% no número de hispanos no período de 1990 a 2000, totalizando 43,7 milhões de pessoas. O poder de compra dessa população teve uma alta ainda maior nesse mesmo período, passando de US$ 208 bilhões para US$ 542 bilhões, um crescimento de 160%. Para atingir esse público, as importadoras apostam em eficientes canais de distribuição e ações de marketing. “Não estamos fazendo nada de novo, estamos copiando o que os outros já fizeram antes e tiveram sucesso”, diz Werner Batista, sócio da Brex América. Ele afirma que não basta trazer o produto do Brasil, é preciso “trabalhar” a marca com ações efetivas nos pontos de venda para o consumidor. Sua empresa foi criada em outubro de 2003, com um investimento de US$ 2 milhões. Além de Werner, filho de Eliezer Batista, ex-presidente da Companhia Vale do Rio Doce, a Brex tem como sócios o economista Roberto Giannetti da Fonseca, que trabalhou na área de comércio exterior no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e a Brasif, empresa proprietária das lojas Duty Free nos aeroportos brasileiros. A Brex América atua em 26 estados americanos e conta com três armazéns na Flórida, Massachusetts e New Jersey. Sua lista de itens importados do Brasil, que inicialmente era de 200 produtos, agora já chega a 600. A experiência de Werner Batista com o mercado de importação de produtos brasileiros é anterior a Brex. Durante 12 anos, ele administrou a International Specialties Imports, também localizada em Miami.

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Typical brazilian products compete in the US market Brazilian immigrants are constantly homesick, and one of the ways they deal with it is by splurging at the table, either by consuming enormous amounts of pão de queijo (cheese bread), preparing a feijoada (black bean stew with smoked pork) or simply by heading out to their local churrascaria, which has become a usual part of the daily routine for Brazilians who appreciate their rich culinary. Such an affection has helped create a business that has considerably grown – the import of typical Brazilian products. The “saudade” (an untranslatable word that means “yearning”) commerce, as this is known, now has a very professional structure and reaches almost every U.S. town that has a Brazilian community. The list of products is extensive, going from chocolates, hearts of palm, guaraná (the national soft drink), pão-de-queijo dough, guava paste, rice, beans and a variety of other goods. Brazilian products can be easily found in the shelves of supermarkets such as Publix in Florida , PriceChopper in Massachusetts, and even at Path Mark in New Jersey; some of these have included entire sections of Brazilian products in order to attract nearby residents from that country into their premises. THE HISPANIC MARKET - The presence of ethnic populations around large supermarket chains have caused businesspeople from the sector to work into expanding their market to meet immigrants' needs, and that has become one of the fastestgrowing portions of that market mostly thanks to the incredible growth of the

Para ele, o mercado de produtos para brasileiro imigrante já foi consolidado. O grande desafio é conquistar o mercado latino e americano em geral. Ele cita o exemplo da cerveja mexicana Corona que desembarcou no mercado americano há quase 20 anos como produto para imigrante e se tornou um caso de sucesso, alcançando o consumidor de modo geral . Para Werner, os produtos brasileiros têm potencial para se transformarem em sucesso de venda, como a própria Corona ou mesmo a água francesa Perrier. DIVULGAÇÃO - A percepção dessa potencialidade de internacionalização das marcas brasileiras tem levado a novos passos na área de divulgação para o comércio exterior. Pela primeira vez, o Brasil participou da Hispanic International and Specialty Foods, a maior feira do setor de alimentação voltada para o mercado étnico nos Estados Unidos, que aconteceu em Dallas (Texas) em agosto. Quinze empresas brasileiras mostraram seus produtos típicos, como paçoca, açaí e tapioca, para as maiores redes de supermercados do mundo. O grupo tinha como meta

Divulgação

“Promovemos um evento em Miami e obtivemos resultados excelentes, com uma importante inserção de empresas brasileiras no mercado norte-americano” Ricardo Santana, da Apex /Ricardo Santana, from Apex, Brazil's government export agency


economia - setor /economy - sector

MAIS EXPORTADOS

Divulgação

Amauri Aguiar / Foreign News

Café, chá, mate e especiarias; preparações de produtos hortícolas, carnes, peixes ou crustáceos; frutas, cascas de cítricos e melões; açúcares e produtos de confeitaria; bebidas, líquidos alcoólicos e vinagres são os alimentos mais exportados

US$ 24 bilhões

US$ 3 bilhões

MOST EXPORTED

“Para vender, você precisa se adaptar ao mercado”

As empresas brasileiras que desembarcam seus produtos em solo americano enfrentam um outro desafio: a adaptação às regras e diferenças culturais. “Para vender, você precisa se adaptar ao mercado”, afirma o vicepresidente da Yoki e responsável pela área de vendas externas, Gabriel Cherubini. A Yoki começou a exportar sua linha de farinhas, polvilho e industrializados em 1996 e teve de adaptar suas embalagens e composição dos produtos às normas da FDA (Food and Drug Administration), agência governamental americana responsável pelo setor de alimentos e medicamentos. O esforço trouxe resultados. As exportações respondem por 9% da produção da empresa e os produtos Yoki chegam a 40 países. Os Estados Unidos respondem por 35% das vendas externas. Cherubini diz que a empresa tem como meta um crescimento anual de 10% nas exportações. Para ele, a comunidade brasileira é uma poderosa aliada para o crescimento de vendas da Yoki. “Graças às churrascarias, nossa farofa e pão de queijo têm cada vez mais procura”, afirma.

da porcentagem total de exportação de produtos alimentícios prodzidos no Brasil

Rússia

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FOREIGN NEWS

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OUTUBRO DE 2007

Reino Unido Mercosul

EUA

11,6% 5,4% 2,7%

2%

Fonte: Apex-Brasil

US$ 24 billion was the net volume exported from Brazil to the US in 2006 The 10 largest groups of food and drink reached a total of approximately US$ 3 billion.

11,6

5,4 5,4

14 29,7

Oriente Médio

Rússia

EUA

Tigres Asiáticos

3,3 2,9 Japão

Comunidade Andina

2

Mercosul

25,7

União Européia

Y Y

/ Gabriel Cherubini, vice president of Yoki

PATICIPAÇÃO NO 1º SEMESTRE DE 2007

Among the most commonly products exported to the US are coffee, tea (including mate) and spices; preprepared agro-industrial products, meat, fish and crustaceans; fruit and citric peels; sugar and pastry products; alcoholic beverages and vinegars.

Y

Gabriel Cherubini, vice-presidente da Yoki

event to finalize the deal,” says Ricardo Santana, of Apex, The Brazilian Agency for the Development of Exports. ADAPTATION - Amilcar Lacerda, an economist from Abia (Brazilian Association for The Food Industry) says that to find a consumer is an important step in this development, but there are several difficulties to be faced. “US authorities enforce many restrictions to the import of foods, and Brazil loses a lot from that,” he says. One of those is the fact that churrascarias in America are not allowed to import picanha (rump cover) from Brazil; at present, only industrialized Brazilian meats can be brought into the US. Almeida explains that the pão de queijo dough took a long time to be approved in the US because its composition included several ingredients that were unknown to Americans, such as polvilho (fermented cassava starch, a staple in various African countries) “We could only import the frozen pre-prepared dough, which made costs rise significantly,” he remembers. Brazilian companies willing to sell their products in the US also face many other challenges: The adaptation to the rules and to the cultural differences. “To sell your product here, you have to adapt to the market,” says Yoki vice-president Gabriel Cherubini. Yoki, which specializes in grain-based products, began to export their flours in 1996 and was forced to change their products and packaging to meet the requirements of the Food and Drug Administration. The hard work eventually paid off – The exports now represent 9% of the company's production and the Yoki products reach 40 countries worldwide, sales in the us US alone mean 35 percent of that income. Cherubini says that the company plans to increase their total exports in 10 percent annually.

Outros

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Os 10 maiores grupos de alimentos e bebidas exportados atingiram, juntos, a cifra de aproximadamente

foi o volume exportado do Brasil para os Estados Unidos em 2006

PRINCIPAIS DESTINOS Exportação de alimentos industrializados jan/jun 2007

Y

realizar negócios imediatos de US$ 2,5 milhões e mais US$ 12,5 milhões ao longo dos doze meses posteriores ao evento. A feira de Dallas tem um formato diferenciado de negociação.Os empresários brasileiros participaram de reuniões pré-agendadas com os grandes compradores das principais redes mundiais, principalmente dos Estados Unidos. Durante o pré-evento, compradores e vendedores se conheceram por meio de um sistema informatizado de matchmaking. “Isso significa que boa parte de um processo de negociação foi antecipada, deixando para o momento do evento apenas a formalização do pedido”, explica Ricardo Santana, da área de Eventos Internacionais da Apex (Agência de Desenvolvimento às Exportações), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Brasil. “Promovemos um evento semelhante em nosso Centro de Distribuição em Miami no ano passado e obtivemos resultados excelentes, com uma importante inserção de empresas brasileiras no mercado norte-americano de alimentos e bebidas”, diz. A Apex planeja agora levar uma comitiva de empresários do varejo americano até o Brasil para conhecer de perto as indústrias brasileiras e realizar uma rodada de negócios. Para Santana, a principal dificuldade para as vendas de produtos típicos é fazer o vendedor encontrar o comprador. Com essas ações, ele afirma que o caminho entre as duas pontas é bem menor. ADAPTAÇÃO - O economista da Abia (Associação Brasileira da Indústria Alimentícia), Amílcar Lacerda de Almeida, afirma que encontrar o comprador é uma etapa importante mas existem outras dificuldades no caminho do produtor brasileiro. “As autoridades americanas aplicam uma série de restrições às importações de alimentos e o Brasil perde muito com isso”, aponta. Essa dificuldade, por exemplo, impede que as churrascarias nos Estados Unidos importem a típica picanha brasileira. Atualmente, as autoridades sanitárias americanas só permitem compra de carne industrializada vinda do Brasil. Almeida afirma que a massa de pão de queijo demorou para conseguir ser liberada nos Estados Unidos porque em sua composição continha itens desconhecidos dos americanos, como polvilho. “Só era permitido entrar o pão de queijo congelado, que tinha um custo de transporte altíssimo”, lembra.

Hispanic population. According to the last Census, there was 58 percentile increase in the number of Hispanic residents between 1990 and 2000, which means about 43.7 million people whose buying power has, by the way, also increased from US$ 208 billion to 542 billion – a whopping 160 percentile growth. Importers are counting on efficient distribution channels and good marketing actions in order to reach this new audience. “We aren't doing anything new,” says Werner Batista of Brex America, a company created in October 2003. Brex America is now present in 26 U.S. states and owns three warehouses in Florida, Massachusetts and New Jersey. Their initial product list, which started out with 200 items now reaches as many as 600. To Werner, Brazilian products have the same potential of reaching mainstream customers in the same manner that Mexican-produced Corona beer or French-made Perrier bottled water have in recent years. ADVERTISING - The perception of the potential of internationalizing Brazilian brands has led to new stategies when it comes to advertising in the US. Only for the first time ever, Brazilians participated in the Hispanic International and Specialty Foods Fair, the largest ethnic foods event in the US, which took place last August in Dallas, TX. Fifteen Brazilian companies showcased various typical products, such as paçoca (a crunchy peanut-based treat), açaí (a cousin of cocoa, believed to have energetic properties) and tapioca (different from the Thai drink, it is a starch-based flour used to make several dishes in Northeastern Brazil) to the largest supermarket chains in the country. The group had as its goal to create immediate business opportunities on a US$ 2.5 million dollar range and more than US$ 12 million in the following 12 months. The Dallas event's format is different from other fairs in the way that business owners participate in pre-scheduled meetings with buyers from large corporations around the world. “This means that we could anticipate the negotiation process, leaving the

em%

do total da participação setorial


empresário do mês

/businessperson of the month

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JOTA: COM ELE MIAMI NÃO TEM SEGREDO

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FOREIGN NEWS

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Manuel Guimarães

Aos 42 anos, João Geraldo Abussafi, mais conhecido como Jota, já foi inspiração para um personagem de novela, lançou o guia turístico "Dicas do Jota" e, mais recentemente, assumiu uma consultoria para a revista Caras Internacional em Miami. Mas o interessante é que ele conquistou tudo isso através de uma jornada de 15 horas diárias com a One Way Transportation, empresa que oferece um exclusivo serviço de choffeur para empresários e celebridades brasileiras na Flórida. Nascido em Londrina, no Paraná, Jota viveu a maior parte do tempo em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Depois de várias tentativas no Brasil, decidiu passar uma temporada nos EUA, em 1994, e nunca mais voltou. “Cheguei na Flórida com US$ 400 no bolso e comecei a lavar pratos no mesmo dia”, relembra o empresário. Depois de 11 meses, aceitou um convite de um cliente do restaurante para trabalhar como motorista de van, e em um ano e meio chegou à gerência da companhia de transporte de turistas. De repente, uma crise. “Costumávamos receber entre 600 e 800 passageiros todos os meses. De uma hora para outra esse número caiu para 15”. Num momento em que quase todas as indicações eram desfavoráveis, Jota resolveu empreender. Abriu sua própria empresa com algumas economias e descobriu um nicho de mercado diferenciado. Passou a atender executivos em viagens de negócio. “Pedi informações na Câmara de Comércio Brasil-EUA, entreguei meus cartões e comecei a trabalhar”. “Meu segredo é a pontualidade. Chego sempre 30 minutos antes do combinado”. Atualmente Jota possui uma frota de 14 carros de luxo e emprega 12 funcionários que atendem cerca de três mil pessoas na alta temporada. O faturamento da empresa chega a US$ 700 mil ao ano, atendendo uma clientela de classe média alta e ricos. “Também aprendo muito com meus clientes. Com a Hebe (Camargo), aprendi a ter alegria de viver; o Faustão me ensinou a manter os pés no chão, e o empresário Roberto Haberfeld, a pensar no futuro”. Segundo Jota, uma história de sucesso começa pela jornada de trabalho. “Quanto do seu tempo você está disposto a investir em seu negócio? A jornada tem que ser dura, você tem que servir o cliente, estar sempre disponível e

perfil da empresa:

One Way Transportation Faturamento anual de US$ 700 mil Frota de 14 carros de luxo Emprega 12 funcionários Atende cerca de 3 mil turistasna alta temporada

gostar do que faz. Estaria mais feliz, se pudesse dedicar cerca de 30% do meu tempo comigo mesmo. No futuro, quem sabe?”. O livro “Dicas do Jota”, da Editora Letra Livre, está entre os 20 mais vendidos no Brasil. Tratase de um roteiro de viagens em Miami, com dicas de restaurantes, lojas e atrações culturais. Sua consultoria para a revista Caras em uma publicação especial sobre a Flórida que vendeu 87 mil revistas. (NILZA BARROS)

OUTUBRO DE 2007

Jota: your man in Miami

At 42 years of age, João Geraldo Abussafi (best known as “Jota,”a nickname that loosely translates as “J”) has been the inspiration for a telenovela character in Brazil, and has also released “Dicas do Jota” (Jota's Tips), his self-penned guide of the city of Miami. More recently, he began a consulting job with the Caras International Magazine in Miami, FL. What is really amazing about this is that he accomplished all this while working a15-hour shift with One Way Transportation, which offers limo service for Brazilian businesspeople and celebrities in the Sunshine State. “I arrived in Florida with four hundred dollars in my pocket and began washing dishes that same day,” he remembers. Eleven months later, he received an invitation from a client at the restaurant he worked in to work as a van driver, just a year and a half after that he was managing the company. Suddenly there was a crisis in the sector. “We used to have an average of 800 passengers every month, and all of a sudden the number went down to 15.” At a moment when everything looked unfavorable, Jota decided to strike out on his own. He started a business with his meagre savings and discovered a new niche in the market, when he began assisting executives on business trips. “My secret is the punctuality. I always arrive thirty minutes before the scheduled time, and the customers say, “You are early,” to which I respond, “I can wait, but my customers can't.” Today Jota owns a fleet of 14 luxury cars and employs twelve people who serve a client list that reaches three thousand people during high season. His company makes US$ 700 thousand in gross receipts annually, serving a clientele of high middle class and also the very rich. “I also learn a lot from my clients. With (TV show host) Hebe Camargo I learned how to be happy with my life. (TV star) Faustão (AKA Fausto Silva) taught me how to remain grounded, and businessman Roberto Haberfeld taught me about preparing for the future. According to Jota, a success story begins by how many hours you put into it. “How much time do you want to invest in your business? The hours can be demanding, and you have to make yourself available and you have to like what you do. I would be happier if I could take 30 percent of my time for myself. Maybe that could happen in the future.” / One Way Transportation | Gross Receipts: US$ 700 thousand | Fleet of 14 luxury cars | 12 employees | 3 thousand clientsduring high season


/ entrepreneur

empreenda

Fica difícil manter aquele corpinho de bailarino espanhol, mas perdas físicas devem ser compensadas pela modernização e esclarecimentos que somente o amadurecimento propicia.

MUTAÇÕES NA ARTE DAS VENDAS

Sergio Dal Sasso Sergio Dal Sasso é consultor gestão de negócios, sócio diretor da NCM Soluções Empresariais (www.ncm.com. br ) e um dos principais palestrantes em desenvolvimento profissional e empresarial do Brasil. Seu site: www.sergiodal sasso.com.br.

A evolução do nosso potencial é facilmente lembrada, quando nos colocamos em situações que quando comparadas com similares do passado, lamentamos o fato de termos o conhecimento atual, sempre com acréscimos de frase tipo “como seria viver o que já aconteceu mas com a experiência e vivência atual”. Estar em evolução é se sentir mudado e conectado, mantendo o que a atividade física propicia e compensando-a com um entendimento evolutivo e mental cada vez mais atual. Por outro lado a produção do sucesso vem da profundidade e insistência em sobrepor o óbvio, do que hoje existe, procurando assim ser um cientista não só na arte da pesquisa, mas com formulações que combinam, caso a caso, com um complexo versátil e crescente junto às variáveis e mutações do mercado. O pulo do gato vem do uso de uma política própria adquirida, vinculada e comunicativa aos modelos de acesso ao usuário, mas sempre tendo em vista que o ponto ideal da ação se diferencia pelo surpreender com convites e convencimento a mudanças ao próprio consumidor, onde a qualidade e segurança do que se oferece (produto + articulação consultiva) devem estimular a substituição ou adição para o uso à validade do que se está procurando ofertar. Nossa condição de vendas antes se resumia a receber

Sergio Dal Sasso is a consultant in business administration, founder and director of NCM Business Solutions (www.ncm.com.br) and one of the main speakers in professional development from Brazil. His web: www.sergiodalsasso.com.br.

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FOREIGN NEWS

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OUTUBRO DE 2007

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Mutations in sales It is hard to keep that Spanish balletdancer type of body, but the body's slow downfall must be compensated with modernization and enlightenment that only maturity can provide. The evolution of our potential is easily remembered when we are in situations that liken previous ones. We lament the fact that only now we have the knowledge, and we often add sentences like "I wish I could relive the past with the experience and wisdom I have now". On the other hand, success emerges from the insistence and depth with which you overcome what's obvious, what exists today, looking forward to being a scientist not only in the art of research, but with elaborations that combine with a versatile and increasing complex along with the market's mutations. The ways to skin the proverbial cat comes from the use of your own acquired politics, linked to and communicating with the user's access patterns, but always keeping in mind

that the ideal point of action is different for it surprises consumers with invitations to change themselves. Creating the new, even for survival and swiftness, we would have to have something briefer, complete and that necessarily invests in technique and competence of its supporters for its full performance. Earnings start to depend on more flexible, less bureaucratic actions, with amplified knowledge, in such a way that the ease of decisions is generated by the supporters' homogeneous abilities, not by their duties, creating knowledge diversification and action enhancement. Sales professionals are no longer isolated beings that only carry out goals, but they are the information link about the mutation study of a fast and ever changing market. Their vision must include a mix of the variables that form similar businesses and new techniques to be implemented in the study of opportunities. The sales business, when mirrored in a competitive market, must focus on the study of the market, therefore creating the vision that the whole internal process in organizations and the construction of responsibilities depend on everyone's knowledge that sales are not only immediate achievements of clients. Sales are also the daily power to keep clients through a productive contact, so the latter are present and connected with what we are.

metas e procurar cumpri-las para garantir um equilíbrio entre o que se produzia e seu escoamento. Tal situação, de certa forma, não valorizava ou até menosprezava a importância de vendas e seus representantes. Com a competitividade (hoje com o próprio reconhecimento da importância das modificações da era Collor), um sistema antes sucatado e acomodado obrigou-nos a mudanças que inevitavelmente romperão o velho do novo, reforçando o conceito de que competência não mais se forma pelo tempo de serviços, mas pela intensificação e reunião de talentos, que garantam ações inovadoras junto com a construção de modelos que tenham foco nas respostas objetivas. No novo, até por questões necessárias à sobrevivência e agilidade, teríamos que ter algo mais enxuto, completo e necessariamente que investisse na técnica e na competência dos seus colaboradores para seu pleno aproveitamento. Ganhos de escalas passam a depender de conjuntos não tão fixos, tão departamentais, mas mais celulares, de conhecimentos mais ampliados, de tal forma que as facilitações das decisões sejam geradas pelas capacidades homogêneas dos colaboradores, não pelas funções, mas pela diversificação do conhecimento e

enriquecimento das ações. De repente o que tem importância no cenário não é mais ter a visão de um grande produto a ser lançado, mas de uma grande potencialidade humana no sentido de construí-lo e demonstrá-lo nos mínimos detalhes em relação às suas qualificações e diferenças adicionais. Ainda hoje apanhamos muito com isso, pois treinar pessoas, mas do que passar o conhecimento , depende do introduzi-las, para que estejam no seu melhor dentro da utilidade participativa do meio aonde atuam. O profissional de vendas não é mais um ser isolado, de simples condução de metas, mas o elo informativo sobre a ciência de mutações de um mercado rápido e constantemente exposto a mudanças. Sua visão deve incorporar um "mix" das variáveis que compõem negócios similares e as novidades a serem capitalizadas nos estudos de oportunidades para ditar os motivos e mutações do público consumidor. Clientes, como nos casamentos, são cada vez mais dependentes dos valores que propiciam cumplicidade e sustentação a sua própria atividade. Os negócios de vendas, quando espelhados num mercado competitivo, devem estar focados no estudo e no próprio conhecimento do mercado, incluindo aí a visão de que todo o processo interno por parte das organizações e a construção das responsabilidades, dependem do reconhecimento da parte que lhe cabe para garantir que vendas não sejam apenas conquistas imediatistas de clientes, mas a potencialidade diária de retêlos diante de um contato produtivo e orientativo para que se façam presentes e conectados com o que somos.

EXPEDIENTE

DIRETORIA

Nilza Barros e Flávia Falcão EDITORA Nilza Barros DIRETORA COMERCIAL Flávia Falcão SUB-EDITORA Patu Antunes EDITOR DE ARTE Marcos Silva Santos REPORTAGEM Camila Viegas-Lee, Ernest Bartelds, Flávio Falcão, Gustavo Guimarães, Nilza Barros, Patu Antunes e Vânia Carvalho FOTOGRAFIA Amauri Aguiar, Cláudio Versiani, Fernando Donasci e Vera Reis REVISÃO Patu Antunes TRADUÇÃO

Ernest Bartelds e João Paulo Pereira COLUNISTA Anibal Badim ARTICULISTA

Leonardo Boff e Sergio Dal Sasso PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO

Marcos Silva Santos com Márcio Freitas ILUSTRAÇÃO Alexandre Affonso, Denilson Albano e Visca AGRADECIMENTO especial a Emilio Damiani e Jair de Oliveira COLABOROU Fernanda Giulietti TRATAMENTO DE IMAGENS Gilmara Ruas DEPARTAMENTO DE VENDAS

Esther Silva e Flávia Falcão IMPRESSÃO Concept Press Inc. TIRAGEM 20.000 exemplares CONTATOS Foreign Entrepreneur Corporation / 76 Prospect St Newark

New Jersey 07105 / (973) 230-7935 (973) 690-2971

CONSELHOS ÚTEIS:

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Competência não mais se forma pelo tempo de serviço, mas pela intensificação e reunião de talentos que garantam ações inovadoras

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O que tem importância no cenário não é mais ter a visão de um grande produto a ser lançado, mas de uma grande potencialidade humana no sentido de construí-lo e demonstrá-lo nos mínimos detalhes

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Clientes, como nos casamentos, são cada vez mais dependentes dos valores que propiciam cumplicidade e sustentação a sua própria atividade

foreign@foreign-news.com ou www.foreign-news.com

FOREIGN NEWS é uma publicação bimestral editada em New Jersey Artigos assinados não expressam a opinião da publicação


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remessas bilionárias OS IMIGRANTES BRASILEIROS QUE MORAM NOS ESTADOS UNIDOS ENVIARAM CERCA DE 7 BILHÕES DE DÓLARES PARA O PAÍS NO ANO PASSADO. ESSE MONTANTE CHEGA A 1% DO PIB, SOMA DE TODAS AS RIQUEZAS DO PAÍS. OS NÚMEROS DO BID MOSTRAM QUE O BRASIL JÁ É O SEGUNDO PAÍS NA AMÉRICA LATINA QUE MAIS RECEBE REMESSAS DE IMIGRANTES.

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FOREIGN NEWS

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OUTUBRO DE 2007

VÂNIA CARVALHO | TEXTO

Os números do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) são baseados em levantamento feito junto às autoridades monetárias dos países. Esses dados não refletem o dinheiro que é enviado por meios informais de remessas, como o transportado por familiares, amigos e redes de câmbio não-oficiais. No caso do Brasil, as autoridades estimam que aproximadamente US$ 4 bilhões foram remetidos informalmente no ano passado. Em muitos países em desenvolvimento hoje, mais dinheiro vem das remessas do que da assistência exterior, do investimento estrangeiro ou até das exportações tradicionais. Na América Central, o impacto das remessas é dramático. No Haiti, país que enfrentou recentemente uma guerra civil, as remessas respondem por 35% do PIB. Em Honduras, a participação é de 23% e, na Nicarágua, 19%. Pelos cálculos do BID, o país onde as remessas mais contribuíram para o PIB foi a Guiana - os US$ 270 milhões enviados por seus imigrantes respondeu por 37% da riqueza do país em 2006. O fenômeno das remessas como agente de

Money away

Brazilians send a fortune back home, sparking the interest of traditional financial companies. Like many of their Latin American counterparts, Brazilian immigrants that reside in the US sent as much as 7 billion US dollars to their home countries last year. That amounts to about one percentile of Brazil's GBP for that year. According to numbers published by the Inter-American Development Bank, Brazil ranks second, only behind Mexican immigrants, who sent more than USD 23 billion in 2006. Altogether, Latin American and Caribbean immigrants have sent more than USD 50 billion to their families back home. The bank's numbers are based on data obtained by monetary authorities from those countries and do not reflect informal transactions, such as money taken in cash by friends, family and unofficial exchange places. In the case of Brazil, it is estimated that about USD 4 billion were send informally last year. DOWN WITH POVERTY- Don Terry, the head of BID's Multilateral Fund, says that without the monies sent abroad, approximately 10 million Latin American families would live under the line of poverty. “Those transactions are the largest program against poverty in many countries in the region. The challenge now is how to transform this flux of money into economical development,” he says. , Data from the bank states that 50% of Latin Americans who send money from the US do not have bank accounts there. On the other side, about 90 percent of receivers do not use banking services. On the other hand, immigrants do want to invest in their countries of origin. A third of those interviewed by BID's survey have been able to make investments, specially in real estate, particularly Brazilians, who invest about 54 percent of their funds into that market. Hondurans, in comparison, invest 16 percent, while Salvadorans only use 16 percent in that direction. Brazilians also send larger amounts than their fellow Latinos. On average, Brazilian immigrants remit USD 500, while other nationals send about USD 300. US$ 7 billionwas the total sent by Brazilians in 2006 through official channels; it is calculated that another US$ 4 billionreached the country informally. Mexicans top the list: US$ 23 billionin 2006. 10 million people in Latin America are spared from poverty thanks to money received from abroad

distribuição de renda não se circunscreve às Américas. No Líbano, Sérvia e Albânia, as remessas geram mais recursos do que todas as exportações somadas nesses países. De acordo com levantamento mais recente do Banco Mundial, os imigrantes enviaram para os países em desenvolvimento US$ 298 bilhões, um valor sete vezes maior do que em 1990. A estimativa, incluindo o dinheiro enviado informalmente, é que as remessas mundiais foram de US$ 298 bilhões. ABAIXO DA POBREZA - O chefe do Fundo de Investimento Multilateral, agência do BID que monitora as remessas, Don Terry, calcula que sem as remessas dos imigrantes aproximadamente 10 milhões de famílias na América Latina viveriam abaixo da linha de pobreza. “Essas remessas já são o maior programa contra a pobreza em diversos países da região. O desafio agora é transformar esse fluxo de dinheiro numa grande ferramenta para o desenvolvimento econômico”, afirma Terry. O executivo do BID diz que se todo o dinheiro enviado pelos imigrantes passasse pelo sistema financeiro formal seria possível criar um histórico de crédito desses imigrantes e as instituições poderiam oferecer empréstimos para pequenos negócios ou financiamento para compra de imóveis. Dados do banco informam que 50% dos latino-americanos que enviam dinheiro dos Estados Unidos não têm conta em banco. Na outra ponta, a dos que recebem, 90% não usam serviços bancários. Por outro lado, os imigrantes querem inves-

tir em seus países de origem. Um terço dos entrevistados numa pesquisa do BID já conseguiu fazer investimentos, principalmente em imóveis. Os brasileiros são um caso particular. Cerca de 54% das remessas são utilizadas em investimentos, comparado com 16% de El Salvador e 23% de Honduras. O brasileiro também envia remessas de valor maior do que os outros latino-americanos. Na média, os imigrantes brasileiros fazem remessas de US$ 500, enquanto, que os latinos ficam na faixa de US$ 300.

de pessoas 10 milhões

na América Latina estão acima da linha da pobreza graças ao dinheiro recebido do exterior

US$ 7 bilhões

foi o total enviado por brasileiros em 2006 através dos canais oficiais

US$ 4 bilhões entraram no país informalmente

Mexicanos ocupam o topo da lista com

US$ 23 bilhões em 2006


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“O importante é que o cidadão brasileiro seja atendido. Somos agente de política pública”

COMPETIÇÃO ENTRE BANCOS BARATEIA ENVIO O mercado bilionário e a disposição do brasileiro imigrante de investir tem despertado o interesse das grandes instituições financeiras, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. A competição cresce a cada dia com a chegada de novas companhias para esse mercado.Os Correios, que já operam remessas para imigrantes em outros países, anunciou no mês passado que está em negociações para atuar também nos Estados Unidos. O efeito mais visível dessa competição tem sido a guerra de tarifas entre as empresas. De acordo com dados do BID, na metade dos anos 90, o custo de enviar US$ 200 dos Estados Unidos para a América Latina era de US$ 30 (ou 15%). Em 2001, esse custo caiu para US$ 20 (10%) e para US$ 12 (6%) em 2005. Mas, hoje, é possível fazer remessa para o Brasil, por exemplo, sem pagar taxa alguma. Os bancos e agentes que estão no mercado ressaltam os benefícios da competição do que reclamar da redução de taxas. “O importante é que o cidadão brasileiro seja atendido. Somos agente de política pública”, diz o diretor da Caixa Econômica Federal, Nei Cristofolini. A Caixa, junto com seu parceiro Millenium Bcpbank, estão fazendo uma promoção de tarifa zero para remessas até 31 de outubro. MERCADO CRESCE APESAR DE RESTRIÇÕES DE SEGURANÇA O crescimento do mercado de remessas tem ocorrido apesar dos obstáculos criados pelo governo americano após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Uma nova regulação mais rígida foi estabelecida para acompanhar as remessas numa tentativa de barrar a lavagem de dinheiro e o financiamento de grupos terroristas. Qualquer transação superior a US$ 10 mil exige a elaboração de um “relatório de atividade suspeita” por parte dos agentes. “Depois do 11 de setembro, o governo passou a exigir muito”, afirma Moriz Namur, da Namur Travel. Ele afirma que a partir de US$ 3 mil, as remessas só podem ser feitas por meio de cheque bancário certificado. Essas restrições têm encarecido os custos das remessas de dinheiro. Apesar disso, a expectativa é de que as remessas continuem cres22

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FOREIGN NEWS

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Nei Cristofolini, superintendente regional da Caixa /Nei Antônio Cristofolini, from Caixa

cendo em torno de 10% ao ano no médio prazo, de acordo com a unidade de migração e remessas do Banco Mundial.

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Competition makes service cost-effective

The billion-dollar market and the will that the Brazilian immigrant has to invest has sparked the interest of big financial institutions such as Banco do Brasil and Caixa Econômica Federal, two state-owned institutions in the country. Competition has grown so much that the Brazilian postal services have announced that they are in negotiations to begin doing business in the US, a country that they have strangely not tapped into yet. The most visible effect of that competition has been the war between the companies that handle this kind of business. According to BID, in the mid-90s the cost of sending $ 200 from the US to Latin America was about about 30 dollars. In 2001, the price was lowered to $ 20 and then $ 12 in 2005. Today, however, it is possible to send money to Brazil at no cost at all. Banks and agencies in the marked state that the benefit of this kind of competition instead of kvetching over the reduction of tariffs. “The important thing is to provide a service to the Brazilian citizens,” says Nei Cristofolino of Caixa Economica Federal. “ We are public service agents.” The bank, which has begun a partnership Millennium Bcpbank (a Portuguese-owned bank with subsidiaries in New York and New Jersey) to create a zero tariff promotion until October 31st . The market grows despite restrictions The money order market has grown even with the restrictions enforced by the US gov-

OUTUBRO DE 2007

CORREIOS TENTAM PARCERIA O Ministério das Comunicações negocia um acordo com o governo americano que vai possibilitar a entrada da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) no mercado de remessas de imigrantes brasileiros nos Estados Unidos. A intenção é firmar uma parceria com os US Postal Service, os correios americanos, que colocariam sua rede à disposição para receber os depósitos enviados pelos brasileiros. Na outra ponta, as remessas seriam pagas às famílias dos imigrantes por meio do Banco Postal, instituição administrada pelo Bradesco que utiliza a estrutura de mais de cinco mil pontos de atendimento dos correios brasileiros. O público-alvo dessa investida dos Correios nos Estados Unidos são os imigrantes que ainda usam meios informais para enviar recursos para o Brasil. De acordo com dados do ministério, existem aproximadamente US$ 4 bilhões enviados anualmente pelos brasileiros por meios informais, transportados por familiares, amigos e redes de câmbio sem registro governamental. Para conquistar esse mercado, o ministério negocia com os correios americanos um acordo semelhante ao concedido ao México. Os mexicanos podem usar o sistema de “money order”, que oferece ao remetente a possibilidade de anominato ao enviar pequenas quantias. A avaliação é de que muitos imigrantes ilegais ainda preferem os meios informais, mesmo pagando mais caro, porque têm medo de serem identificados pelo governo americano. O projeto dos Correios também prevê o sigilo para o recebedor do dinheiro no Brasil. Mas, a proposta encontra uma forte resistência do Banco Central, que regula o setor. O BC não aceita a possibilidade de deixar de

ernment following 9/11. New, more rigid regulations were created to curb money laundering and the financing of terror organizations. Any transaction over ten thousand US dollars requires a report of “suspicious activity” from agents. “After the attacks, the government began to demand a lot ”, says Moriz Namfur of Namur Travel. He says that money orders for more than US$ 3 thousand can only be made with a certified check. Such restrictions have raised the cost of such orders. In spite of that, the expectation is that the market will keep on growing on the rate of 10 percent a year, according the World Bank's migration and remittance unit.

reconhecer o receptor da remessa pelo CPF, justificando com o risco de evasão fiscal e lavagem de dinheiro. As negociações entre o Ministério das Comunicações e o governo americano começaram em janeiro, quando o ministro Hélio Costa visitou Washington. Ele pretende voltar à capital americana ainda nesse mês de setembro. A expectativa é fechar o acordo ainda este ano. CAIXA AMPLIA SERVIÇOS PARA IMIGRANTES A Caixa Econômica Federal vai ampliar sua participação no mercado norte-americano. Em setembro, o banco inaugurou seu escritório de representação em Jersey City, em New Jersey. A CEF já atua junto à comunidade brasileira nos Estados Unidos por meio de uma associação com o banco português Millenium Bcpbank desde 2005. Essa união atende ao serviço de remessas de dinheiro para imigrantes. O escritório será um canal para se relacionar com o mercado americano e intermediar relações com organismos internacionais

Brazilian post office tries deal Brazil's ministry of communication is in negotiations with the US government to broker a deal that will allow the country's postal organization, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) enter the market of money orders in the US. The intention is to create a partnership with The US Postal Service, who would make their services available for deposits made by Brazilians. On the other side of the transactions, the amounts would be paid to families through Banco Postal, an institution administered by Bradesco, Brazil's largest private bank. The target audience of this partnership are the immigrants that still use informal ways to remit funds. According to data from the government, about 4 billion dollars are sent annually through informal routes , such as friends, family members and non-registered exchange networks. To conquer that market, the ministry is trying to negotiate a deal similar to the one done with Mexico. Mexicans can send money orders anonymously when sending small amounts. That option offers the sender the possibility of sending money without having to identify him or herself., because there is the fact that many illegal aliens still prefer informal manners – even if it costs more – due to the fear of being identified by the American government. The postal project also protects the receiver's privacy, but that proposal has encountered a lot of resistance from Brazil's Central Bank, which regulates the sector. The bank does not accept the possibility of identifying the receiver through their CPF (taxpayer ID),

Divulgação

Vera Reis/Foreign News

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Pedro Belo, presidente do do Millenium Bcpbank /Pedro Belo, president of Millenium Bcpbank

“A remessa é um serviçoâncora para abertura de conta-corrente”

– como Banco Mundial (Bird) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Mas o objetivo é também identificar oportunidades de negócios. Nesse aspecto, os imigrantes devem se beneficiar diretamente do estabelecimento da Caixa em solo americano. “Nós vamos observar a comunidade imigrante aqui e informar sobre as oportunidades de negócios. Podemos desenvolver produtos novos para esse público”, diz superintendente regional da Caixa em New Jersey, Nei Antônio Cristofolini. Uma das possibilidades de produto cogitadas para o imigrante seria a do financiamento na área habitacional. Cristofolini afirma que esse seria um investimento interessante para o imigrante que deseja adquirir a casa própria no Brasil. Além da facilidade na tomada de empréstimo, o cliente contaria com a segurança da Caixa. “As obras financiadas pelo banco contam com seguro de término de obras”, afirma A gerente regional do banco em New Jersey, Beatriz Von Bentzeen Rodrigues, diz que a Caixa busca construir uma relação de confiança com o brasileiro imigrante. Para atrair esses clientes, a CEF, junto com o Millenium Bcpbank, iniciou uma campanha de tarifa zero para remessas para o Brasil. A promoção vai até o dia 31 de outubro e prevê a eliminação de tarifa para valores até US$ 3.000. Antes, o banco aplicava uma tarifa escalonada que era baseada no valor remetido. No caso de envio de US$ 500, o cliente pagava tarifa de US$ 5. POTENCIAIS CORRENTISTAS Já o Millenium Bcpbank encara o servico como uma porta de entrada para atingir a crescente comunidade brasileira nos Estados Unidos. “A remessa é um serviço-âncora para abertura de conta-corrente”, afirma o presidente do banco, Pedro Belo. O executivo explica que o objetivo é tornar o cliente de remesssa em um correntista do banco, oferecendo uma gama de serviços. Ele afirma que o cliente do banco, por exemplo, pode fazer a remessa por telefone, internet e caixa eletrônico, sem a necessidade de se deslocar até uma agência do banco. O banco também pretende desenvolver serviços de maior valor agregado aos clientes, como o financiamento habitacional em convênio com a Caixa Econômica Federal. Belo afirma que a escolha da CEF como parceira foi positiva. “A Caixa é uma instituição de grande credibilidade, tem o maior número de pontos de atendimento no Brasil e possui vocação para tratar o cliente de baixa renda”, diz.


Nilza Barros/Foreign News

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BANCO DO BRASIL FAZ PARCERIA COM WESTERN UNION O Banco do Brasil aposta na força da sua marca e na parceria com a operadora norteamericana Western Union para não perder participação no mercado de remessas de dinheiro. O banco estatal é o mais antigo na oferta desse tipo de serviço aos brasileiros. Sua entrada nesse ramo de atividade de forma organizada aconteceu há quase 35 anos com a operação do banco no Japão. A importância das remessas para a atuação da área internacional do banco cresceria com o aumento da migração dos brasileiros para o exterior a partir de meados dos anos 80. “O crescimento do volume de remessas seguiria o fluxo migratório”, explica o gerente executivo da diretoria internacional do Banco do Brasil, Carlos José da Costa André. Em 1998, a banco brasileiro firmou uma parceria com a Western Union para remessas. O imigrante pode fazer o depósito em qualquer agência da operadora americana no exterior e o dinheiro é recebido numa dos 15 mil pontos de atendimento do BB no Brasil. André afirma que a parceria trouxe um alcance maior para a ação do banco no atendimento da comunidade brasileira. O banco continua a expandir sua rede de agências no exterior apoiado no crescimento da comunidade brasileira. No Japão, o BB conta atualmente com sete pontos de atendimento, entre agências e sub-agências. Nos Estados Unidos, são duas agências – em Miami e Nova York – e um escritório de representação em Washington. O executivo do Banco do Brasil não descarta a abertura de novas agências no exterior. “O BB sempre examina novas oportunidades”, afirma. André diz que o aumento da competição no mercado de remessas não é um fator de preocupação. A sua parceira Western Union é uma das poucas que ainda cobra taxa para envio de remessas para o Brasil. “Temos preço competitivo, facilidade e confiabilidade para oferecer ao cliente”, afirma.

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FOREIGN NEWS

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Negócio próprio é sonho de corretora

Alica Borges, 42 anos /Alica Borges, 42 years old

NAMUR TRAVEL CONTA COM A FIDELIDADE DO CLIENTE O empresário Moriz Namur é o que se pode chamar de especialista no assunto de remessas internacionais. Paranaense com 40 anos de Estados Unidos, ele foi um dos pioneiros no serviço de remessas de dinheiro para brasileiros em Newark. Sua empresa, a Namur Travel, foi aberta em junho de 1983 para ofeOUTUBRO DE 2007

stating the risk of tax evasion and money laundering. Negotiations between the two governments began in January, when communications czar Hélio Costa visited Washington. A deal should be signed by the end of this year.

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Competition makes service cost-effective

Belo Horizonte-born Alica Borges, 42, came to the US 20 years ago with the goal of saving enough money to start a business upon her return to Brazil. She always used the remittance of funds to invest in the market. Her family did not need any support, which made it possible for her to direct her resources in that direction. In the beginning she sent money regularly, but after President Fernando Collor de Mello's 1990 economic plan that sequestered funds from individuals' savings accounts, she lost the motivation to make any investments in Brazil. “I began to invest 70 % in the US and the remaining 30 % in Brazil,” she explains. Borges, who once worked as a beautician and now makes a living as a realtor says that she began to diversify her investments. In Brazil, and does not leave all the money in the bank any longer. “ I have purchased land and apartments to rent,” she explains. Borges says that she is an “opportunist” when it comes to investing in Brazil. When the dollar went up to 4 Real during the exchange crisis in 1999, she took the chance to send money and make new investments. Today, with a stronger Brazilian currency, she prefers to send less. “Today, I send only once in a while, once every trimester,” she says.

Mineira de Belo Horizonte, Alica Borges, 42 anos, veio para os Estados Unidos há 20 anos com o objetivo de economizar dinheiro para abrir o próprio negócio quando retornasse ao Brasil. Ela sempre utilizou as remessas de dinheiro para aplicar em investimentos financeiros. Sua família não precisava de apoio financeiro, o que possibilitou o direcionamento dos seus recursos para investimentos. Nos primeiros anos, ela mandava dinheiro regularmente. Depois do Plano Collor, em 1990, que sequestrou o dinheiro das poupanças, Alica ficou desmotivada de investir no país. “Eu passei a investir 70% nos Estados Unidos e os outros 30% no Brasil”, afirma. Alica, que já foi esteticista e hoje é corretora de imóveis, diz que passou a diversificar os investimentos no país, não deixando mais tudo no banco. “Comprei terrenos e apartamentos para alugar”, diz. Alica diz que é “oportunista” para investir no Brasil. Quando o dólar chegou a 4 reais, com a crise cambial de 1999, ela aproveitou para enviar dinheiro e fazer investimentos. Agora, com o real forte, ela prefere enviar menos dinheiro. “Hoje, eu faço remessas de vez em quando, a cada trimestre”, afirma.

REMESSAS DOS EUA PARA O MUNDO /Remittances from the US to the world

México Brasil Colômbia Guatemala Honduras Jamaica Bolívia Argentina Paraguai Venezuela

23 bilhões 7 bilhões 4,2 bilhões 3,6 bilhões 2,3bilhões 1,8bilhão 1 bilhão 800 milhões 650 milhões 124 milhões em UU$

Fonte: BID

Caixa raises services to immigrants Caixa Econômica Federal will increase its participation in the US market. Last September, the bank opened a representation office in Jersey City, NJ. They have already been working with the Brazilian community in the US through their association with the Portuguese-owned with Millennium Bcpbank since 2005. That union covers the service of sending money for immigrant residents. The Rep office should be a channel for relations with the US market and also to be a liaison in relations with international organs such as Bird and BID. Another goal is to identify business opportunities. In this aspect, immigrants should benefit directly from the American CEF office. “We plan to observe the immigrant community here and inform them about business opportunities. We can create new products for them,” says Nei Antonio Cristofolini, regional superintendent for Caixa in NJ. One of these possibilities would be the financing for those interested in buying a home in Brazil. Not only it will be something easier to do, but they would count on the security of Caixa. “Construction financed by us are fully insured from the beginning to the end of the building process,” he says. Beatriz Von Bentzeen Rodrigues,The regional manager for the bank in New Jersey says that Caixa seeks to build a trust-based relationship with the Brazilian immigrant. Possible bank customers Millennium Bcpbank sees the service as a gateway for the growing Brazilian community in the US. “Money orders are a basic service to encourage people to open accounts,” says bank president Pedro Belo. He explains that account owners can send money over the phone, internet or ATM, without having to go to the physical bank. They also plan to create other services, such as home financing through CEF. Banco do Brasil partners with Western Union Banco do Brasil, The country's largest statecontrolled bank bets in the force of their brand and in its current partnership with Western Union to stay competitive in the market. The bank has been offering the service for more than 35 years, since they began doing it in Japan. The bank began a partnership with Western Union for remittance of funds. An immigrant can make a deposit in any Western Union office and it is immediately available in any of the 15 thousand branches in Brazil. Carlos José da Costa André, the executive manager for the

Remessa semanal é sagrada Como a maioria dos brasileiros que imigram, Conceição Santos, 42 anos, chegou aos Estados Unidos há quatro anos disposta a ajudar sua família que ficou no Brasil. Ela deixou o cargo de tesoureira numa rede de lojas em Coronel Feliciano (Minas Gerais) para fazer faxina em Newark. “Meu pai estava doente, eu tinha sete irmãos mais novos e a família precisava de dinheiro”, diz ela. Desde que chegou, Conceição envia dinheiro para a família em Minas. Mesmo há dois anos, quando seu pai morreu, ela continuou com o

recer remessas de pequenos valores para os compatriotas. “Na época, não existia a remessinha para o brasileiro trabalhador”, diz. Namur lembra que entrou nesse ramo por acaso. Ele morava em Newark e tinha vários amigos brasileiros que precisavam enviar dinheiro. Como tinha algumas reservas no Brasil, ele passou a receber o dinheiro aqui e a transferir os valores de suas contas para as das famílias dos clientes nos bancos brasileiros. O número de amigos interessados no serviço de remessas cresceu rapidamente e Namur resolveu abrir a empresa e tirar a licença de funcionamento com o governo americano. “O que era um favor se tornou um negócio”, afirma. Mais de 20 anos depois, o mercado ganhou vários competidores mas a fidelidade dos seus clientes se tornou uma garantia para sua agência. “A concorrência faz parte do negócio”, diz. Para ele, os maiores prejudicados com a extinção das tarifas para remessas são as pequenas agências. “Os pequenos vão ter dificuldade para conseguir sobreviver. Para se manter apenas com spread [diferença cambial], você precisa ter volume”, analisa. Segundo o empresário, a fórmula do sucesso é prestar um serviço de alta qualidade para conquistar o cliente. “Tenho clientes que estão comigo desde o começo. Minha clientela vem aqui e não vai embora. Temos uma relação de confiança”, afirma. Além da sua loja na Jefferson street, em Newark, Namur conta com oito agentes autorizados em New Jersey. No último dia 1 de setembro, ele abriu uma filial em Pompano Beach, na Flórida.

compromisso de fazer remessas semanais. Hoje, ela ajuda seus dois irmãos mais novos. “Toda semana, eu mando dinheiro, US$ 200 para cada um”, conta. Conceição afirma que no futuro, quando a situação dos irmãos melhorar, ela vai investir seu dinheiro num imóvel para a família no Brasil. Casada com um brasileiro que já tem cidadania americana, ela diz que o sonho da casa própria para sua família é um compromisso. “Eu queria uma vida melhor para mim e minha família. E consegui”, afirma.

international board says that the partnership has brought a larger reach to their services with the Brazilian community. They have two branches in the US, located in Miami and NYC, and one rep office in Washington, DC. The BB executive does not discard the possibility of opening new branches abroad. He says that the the increase in competitiveness in the market of money remittances is not something they are concerned with. “We have a competitive price, convenience and trust to offer to our customers,” he says. Namur Travel counts on clients' fidelity Parana-born Moriz Namur is a local businessman who can be considered a specialist on this field. After 40 years in the US, he was one of the pioneers of the service in Newark, NJ. His company, Namur Travel, was opened in June 1983 to offer the service of the remittance of small amounts to his fellow Brazilians. A Newark resident, he had many Brazilian friends who needed to send money home. Since he had some money in accounts there, he began receiving cash here and would then transfer the amounts to those of his clients' families in Brazil. The number of those in need of the service grew and he decided to open a business and get licensed for the service.Twenty plus years later, he has many competitors, but his clients' fidelity has become a guarantee for his agency. For him, those who suffer more with the extinction of tariffs are the small companies. “Those will have a hard time to survive solely with the spread. You need a big volume of service [to turn a profit]” , he says. In addition to his store on Newark's Jefferson street Namur has eight authorized agents in New Jersey, and last September he opened a branch in Pompano Beach, Florida.

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high-tech

/ Sleek and Elegant

20 horas

Another smart phone from Nokia that is really smart is the E5, which is designed for office use. It has a sleek design and adds simplicity, quick access and is easily integrated with other functions. Details include the single touch keys that connect instantly with email, agenda, calendar and easy connection with attached documents and a 2 megapixel camera.

O T5, mais avançado, chega a seis quilômetros e tem função

FINO E ELEGANTE

WALKIE-TALKIE MOTOROLA: O modelo T3 tem

5alcance km de sintonizador de

8 canais de bateria

mãos livres e carregador para carro PREÇO

A empresa não divulga, mas especula-se que estará em torno de US$ 180

/

DISPONÍVEL

A partir de outubro. A motorola mantém um site para informar apenas sobre esses lançamentos: www.motorola. com/walkietalkie

blah-blah-blah Motorola has launched TLKR, a new line of walkie-talkies in England. Models T 3 and T 5 are perfect for those with outdoor jobs who need to communicate with the rest of their crews in without sacrificing style. The gadget has an innovative design and and matches those with an adventurous spirit. The technical characteristics are also cool. The T3 has a range of five kilometers eight channels and 20 battery hours. The more advanced T5 has a range of six kilometers, free hands kit and also a battery charger. Sales begin in October.

Mais um smartphone da Nokia que é realmente smart. O E51, lançado para uso no escritório, tem design chic e agrega simplicidade, acesso rápido e boa integração com outras aplicações. Alguns detalhes do novo brinquedo são as teclas de toque único que levam imediatamente às funções de email, agenda e calendário; fácil conexão com os arquivos anexos dos e-mails; e câmera de 2 megapixels. O PREÇO: O aparelho será distribuído mundialmente a partir de outubro, com preço de varejo na casa dos US$ 480

NÚMEROS:

1h11 por dia é o tempo médio que os brasileiros passam

navegando

Tititi

PRICE

The company does not confirm, but it is said to be around US$ 180 AVAILABLE

From October on. Motorola has a web site only for these productos: www.motorola. com/walkietalkie

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E BLÁ-BLÁ-BLÁ

A Motorola lançou na Inglaterra uma nova linha de walkie-talkies TLKR. Os modelos T3 e T5 são perfeitos para quem faz trabalhos ao ar livre e precisa se comunicar com o resto da equipe – sem deixar de lado o estilo. Sim, a geringonça tem um design interessante e combina com espírito aventureiro | PATU ANTUNES [TEXTO]

FOREIGN NEWS

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MICROSOFT EM MAUS LENÇÓIS

em sites não relacionados ao trabalho, durante o horário de trabalho. Os números fazem parte da terceira edição da pesquisa Web@Work América Latina, realizada pela Websense através de entrevistas com 400 companhias do Brasil, Chile, Colômbia e México.

No México, o panorama é muito pior: 9h horas semanais.

Entre

800 e 1.100 e-mails

foi a média de que um trabalhador espanhol encontrou em sua caixa postal na volta ao escritório, depois das férias de verão. O dado é da SerenaMail, empresa de gestão de segurança em e-mails. A maioria das mensagens, claro, era de

spam e phishing (tentativa de

roubo de dados virtuais).

1h11min is the average daily timethat Brazilians spend surfing websites not related to work during working hours. Those numbers are part of the third edition the Latin American Web@Work America survey, which was conducted in 400 corporations in Brazil, Chile, Colombia and Mexico, where things are worse: Mexicans spend as much as 9 weekly hours with non-work related surfing. A Spanish worker found between 800 e 1.100as he returned to work after his summer vacation. The information comes from SerenaMail, a company that manages email security. The vast majority of the messages were of course spam and phishing.

A Corte de Primeira Instância, da União Européia, confirmou, em 17 de setembro, a condenação contra a Microsoft, por “abuso de posição dominante”, ditada em março de 2004 pela Comissão Européia, e também a multa de 497,2 milhões de euros imposta na época. O tribunal, em Bruxelas, havia obrigado a empresa a comercializar uma versão de Windows que não tivesse o Media Player integrado. Também, havia exigido que o grupo criado por Bill Gates divulgasse para seus competidores a documentação técnica necesaria para a elaboração de programas compatíveis com o Windows. Com a decisão de setembro, a empresa está obrigada a distribuir uma versão do Windows sem o reprodutor multimídia e a dar informação técnica aos rivais. A decisão é válida nos 25 países que formam parte da União Européia.

E COM NOVO TRADUTOR A Microsoft acaba de lançar um sistema de tradução online que pretende integrarse ao Live Search, o motor de buscas da companhia, e possivelmente também ao Internet Explorer. A aplicação foi batizada de Windows Live Translator e permite traduzir páginas webs ou textos de, no máximo, 500 palavras. Funciona do inglês ao espanhol, francês, alemão, chinês ou árabe. Pontos positivos da ferramenta é a facilidade uso e a possibilidade de continuar navegando na web, enquanto se traduz alguma coisa. Por outro lado, a ferramenta não traduz muito bem termos compostos e expressões idiomáticas.

BÊ-A-BÁ O Photoshop, o programa de edição de fotos mais popular do mundo, terá uma versão mais básica e leve para ser usada via Internet. O objetivo é fazer o programa ficar fácil de usar por quem não é expert no assunto. A novidade foi revelada durante o “Photoshop World”, em Las Vegas, em setembro, mas ainda não tem previsão de chegada ao mercado.

OFFICE COM DIAS CONTADOS? A IBM está lançando um competidor direto do pacote Office, da Microsoft. A série de programas se chama Symphony e pode ser descarregada gratuitamente pela Internet. A novidade inclui um processador de texto, folha de cálculo e programa de apresentações .


agenda de negócios Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

/business agenda

EUA FINANÇAS

COMO E ONDE CONSEGUIR FINANCIAMENTO 15 de outubro de 2007 New York, NY Aprenda como conseguir financiamento e o que os banqueiros procuram quando fecham negócio. Este workshop é realizado na segunda segunda-feira do mês. É necessário confirmar vaga: ligue Call 311 e pergunte por “Small Business seminars and classes”. Gratuito. Y New York City Department of Small Business Services, Business Solutions Department: SBS - 110 William Street, 4 andar - New York, NY, 10038 - Informação de contato: 311

/ How and Where to Get Financing October 15th, 2007 - New York, NY Learn how to get financing and what bankers look for when they underwrite. This workshop occurs on the second Monday of the month. RSVP required: Call 311 and ask for Small Business seminars and classes. This is a free event. New York City Department of Small Business Services, Business Solutions Department: SBS 110 William Street, 4th Floor New York, NY, 10038 Contact Information: 311

ALMOÇO COM ROGER AGNELLI – PRESIDENTE E CEO DA COMPANHIA VALE DO RIO DOCE CVDR 16 de outubro de 2007 – New York City, NY 28

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FOREIGN NEWS

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A mineradora brasileira Companhia Vale do Rio Doce vai explorar gás natural para assegurar suas próprias necessidades energéticas, afirmou a companhia recentemente. Para chegar a este fim, a Vale assinou uma carta de intenções com a Shell Brasil Ltda. O acordo inclui a possibilidade de a Vale participar da exploração e produção de gás na bacia do Espírito Santo, onde a Shell já opera. Como um grande consumidor de energia, a CVRD está procurando diversificar e otimizar seu suprimento de energia elétrica para permitir um aumento no uso de carvão, gás natural e combustíveis renováveis. Y The University Club- One West 54th Street (at Fifth Avenue )Council Room, 7º andar New York City Y Brazilian-American Chamber of Commerce, Inc.- 509 Madison Avenue, Suíte 304New York, NY 10022 Tel: 212-751-4691 Fax: 212-751-7692 www.brazilcham.com

CÂMARA DE COMÉRCIO BRASIL-ESTADOS UNIDOS

Conferência Econômica Brasil 2007 22 de outubro - Washington, DC Guido Mantega, o ministro da Economia do Brasil, confirmou presença nesta conferência. Crescimento e oportunidades de investimento no Brasil: aprenda por que os investidores globais são tão amedrontadores na maior economia da América Latina. Conferencistas também confirmados: Luciano Coutinho (presidente do BNDES) e Henrique Meirelles (presidente do Banco Central). Y Brazilian-American Chamber of Commerce, Inc. - 509 Madison Avenue, Suíte 304 - New York, NY 10022 - Tel: 212-7514691 - Fax: 212-751-7692 http://www.brazilchammail.com

/ Marketing on a Budget October, 23rd , 2007 - Brooklyn, NY Guido Mantega, Brazil’s Finance Minister, has confirmed his participation at the conference. Growth and Investment Opportunities in Brazil: Learn Why global investors are so bullish on the largest Latin American Economy.

OUTUBRO DE 2007

/ Luncheon with Roger Agnelli – President and Chief Executive Officer Companhia Vale do Rio Doce - CVDR October 16th, 2007 – New York City, NY Brazilian miner Companhia Vale do Rio Doce will explore for natural gas in order to ensure its own energy feedstock needs, the company said in a statement Wednesday. To that end, the company has signed a memorandum of understanding with Shell Brasil Ltda. The accord includes the possibility CVRD could take a stake in the exploration and production of gas in the Espírito Santo offshore basin, where Shell already operates. As a major energy consumer, CVRD is looking to diversify and optimize its electric energy supply to allow for the increased use of coal, natural gas and renewable fuels.” (Dow Jones Newswires, September 12, 2007). The University Club One West 54th Street (at Fifth Avenue ) Council Room, 7th Floor New York City Brazilian-American Chamber of Commerce, Inc. 509 Madison Avenue, Suite 304

New York, NY 10022 Tel: 212-751-4691 Fax: 212-751-7692 www.brazilcham.com

242. Ou envie um email para smallbiz@camba.org para inscrever-se ou receber informação. Gratuito.

/ Marketing on a Budget October, 23rd , 2007 - Brooklyn, NY

MISSÃO EUROPÉIA

MISSÃO EMPRESARIAL A PORTUGAL E ESPANHA 5 de novembro de 2007 New York, NY O Serviço Comercial dos EUA em Nova York está organizando uma missão empresarial a Portugal em 5 e 6 de novembro e à Espanha em 7 e 8. A missão dará às empresas americanas a oportunidade de encontrar distribuidores, revendedores e parceiros comerciais que possam ajudá-las a entrar nesses mercados emergentes. Setores industriais chave identificados incluem o de atenção médica, franquia, tecnologia e telecomunicações, automotivo, serviços financeiros, controle da poluição e segurança. Y U.S. Commercial Service Para inscrever-se ligue para o the U.S. Department of Commerce, U.S. Commercial Service em Nova York: 212-809-2643. Envie um e-mail para Joel.Reynoso@mail.doc.gov para receber mais informações.

MARKETING

MARKETING NO ORÇAMENTO 23 de outubro de 2007 Brooklyn, NY Marketing em pequenas empresas é mais que fazer uma sinalização correta ou distribuir flyers. De oportunidades de marketing de custo zero às técnicas nada caras para tornar seu produto conhecido, vamos falar de maneiras inventivas de divulgar seu negócio. Y CAMBA Economic Development Corporation - 884 Flatbush Avenue (corner of Church Avenue), Brooklyn, NY, 2 andar. Para inscrever-se, ligue 718-282-2500 ext.

Small business marketing is a lot more than posting a sign or handing out flyers. From no-cost marketing opportunities to inexpensive techniques to get your product known, we will cover many inventive ways to market your business. CAMBA Economic Development Corporation - 884 Flatbush Avenue (corner of Church Avenue), Brooklyn, NY, Second Floor To Register, call 718282-2500 ext. 242 Send an email to smallbiz@camba.org

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Encaminhe informações sobre o seu evento para nossa Agenda de Negócios através do e-mail: foreign@foreign-news.com

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Homeowner's Nightmare

O QUE É O “SUBPRIME” - O subprime se

O doce pesadelo da

CASA PRÓPRIA Sair do aluguel se transformou em dor de cabeça para milhares de americanos e, inclusive, brasileiros que, adaptados aos EUA, deixaram de investir no Brasil. TEXTO | GUSTAVO GUIMARÃES

Em geral a compra da casa própria está diretamente ligada à idéia de tranquilidade. Depois de concluída toda a papelada na hora da aquisição do imóvel, o pesadelo do aluguel ficou para trás. Mas não para muitos brasileiros, que já acostumados à vida e aos costumes da sociedade americana, resolveram investir suas economias na terra do Tio Sam e concluir o sonho americano ao incorporar a residência própria no patrimônio de suas famílias. Seduzidos por uma taxa de juros baixíssima, que em 2003 estava em 1% aumentando apenas 0,25% em 2004, e por um tipo de financiamento conhecido como subprime, milhares de brasileiros optaram por estabelecer raízes definitivas nos Estados Unidos e 30

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compraram suas casas. A dor de cabeça começaria a partir dos reajustes da taxa de juros realizadas pelo banco central americano (Fed), que só se estabilizou em junho do ano passado na marca dos 5,25%. Talvez, por falta de conhecimento, dificuldades com o idioma ou contratos pouco claros, o erro dos brasileiros foi justamente optar por um financiamento flutuante. Mas o Federal Reserve reduziu sua taxa básica de juros em 0,5%, a 4,75%, depois da crise dos empréstimos hipotecários de alto risco nos Estados Unidos, que abalou os mercados financeiros não apenas no país, mas em todo o mundo. Esta foi a primeira vez que o Fed reduziu a taxa (Fed Funds) desde junho de 2003, interrompendo um ciclo de 17 altas consecutivas.

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caracteriza por ser um tipo de financiamento concedido para pessoas com pouco ou mau crédito, considerado no mercado imobiliário como sendo de segunda linha, com menores requisitos e, portanto, e alto risco. Com o reajuste da taxa de juros no país, o financiamento também aumentou, ficando difíceis de cumprir para alguns e impraticáveis para outros. A partir daí, com a inadimplência, as financeiras começaram a repassar as dívidas para terceiros, normalmente bancos que não pestanejam na hora de retomar o imóvel. A partir daí, assustado com o número crescente de inadimplentes, o mercado imobiliário vê os bancos recolocarem os imóveis de volta, aumentando a oferta e causando a redução dos preços dos mesmos. Com isso, outro problema se desenvolve. Com a redução no preço das casas, cai também a percepção de riqueza dos americanos, diminuindo o consumo interno e prejudicando toda a economia. CONSELHO - Para aqueles que têm condições, o momento de comprar uma casa é bom, com mais opções de compra por preços mais acessíveis. Porém, não hesite em escolher tipos de financiamentos mais sólidos, com taxas de juros fixas, além de não dar menos de 10% do valor do imóvel de entrada.

Buying a home has become a royal headache for thousands of Americans and also to Brazilians who no longer invested in Brazil after adapting to life in the US. The whole idea of buying a home is directly linked to the idea of tranquility. Once the paperwork is finally done with, the spectrum of paying rent is supposedly gone. Such a belief is no longer true for many Brazilians who decided to invest their economies in their newly adopted nation instead of simply sending money back home. Seduced by record low interest rates that in 2003 hit one percent and raised only 0.25% in 2004 and by the so-called sub-prime rates, thousands of Brazilians chose to set roots in the US and purchase their homes. The dream became a nightmare when The Fed increased national interest rates, which stabilized last June at 5.25%. Maybe for not being knowledgeable enough, for language barriers or unclear contracts, Brazilians made the grave mistake of opting for a fluctuating rate. The Fed has since educed its prime rate in half percentile after the high-risk mortgage crisis shook the financial markets not only in the country but abroad as well. This was the first time that the Fed reduced the rate (Fed Funds) since June 2003, breaking a cycle of seventeen consecutive rises. But by then the damage was already done. UNDERSTANDING SUB-PRIME- Sub-prime characterizes as a type of home lending that is granted to individuals with bad or little credit who are generally considered second-rate – or in other words, high-risk - in the real estate market. As the national interest rate went up, so did the mortgage payments, so it became very difficult for many to fulfill their payments . To many others, it was simply an impossible task. As delinquency increased, financial institutions began selling the debts to others – mostly banks which would not think twice when beginning foreclosure procedures. Scared with the number of delinquencies, the market sees the banks returning the homes to the market, effectively raising the availability and lowering prices. With that, the perception of per capita income also falls in the country, which causes a reduction in the internal consumption and damaging the economy as a whole. ADVICE TO THE WISE - For those who can afford it, the moment would be considered favorable for buying thanks to the current lower prices and also because of the larger number of options available. However, do not hesitate in shopping around for more solid mortgages, preferably with fixed rates. Also, do not pay more than 10 percent of the value as down payment.

Fernando Donasci/Foreign News

mercado imobiliário

de mortgage tinham carta branca para vender casas a todos que quisessem comprar, independente da qualificação ou não. FN - Como se comportava o mercado? MANUEL -Criou-se um abuso e uma facilida-

de tão grande, e toda gente queria comprar um imóvel, mesmo sem poder. Com essa procura excessiva, os preços dos imóveis foram às alturas. Com a inadimplência, houve uma mudança nos critérios dos bancos que deixaram de financiar, criando um colapso. Muitas empresas até decretaram falência. FN-Comoestáfuncionandoapolíticadepreços? MANUEL - Quando os bancos deixam de

emprestar dinheiro e os preços estão muito altos, as pessoas não conseguem comprar. Os compradores estão esperando, para ver se compram por menos.As casas que estão no mercado para venda... não se consegue notar uma diferença muito grande de preço. No entanto, as que já foram vendidas, se compararmos com os preços do ano passado, podemos afirmar que estão cerca de 10% mais baratas, ou até mais. Quem reduz o preço menos que isso, não consegue vender.

Manuel Morais, proprietário da Century 21 Central Realty

EXPERIENTE EM CRISES

FN - Quem pode se beneficiar nesta temporada? MANUEL - Alguns compradores com capi-

Há 30 anos no mercado imobiliário, Manuel Morais, proprietário da Century 21 Central Realty, já passou por muitas crises. Mr. Morais, como é conhecido na comunidade do Ironbound, trabalhou na área de seguros antes de tirar a licença de real estate. Hoje emprega vários profissionais e continua otimista com relação aos negócios. A receita, segundo ele, é diversificar. Mr. Morais falou à Foreign News sobre a crise do mercado imobiliário. FOREIGN NEWS - O senhor pode traçar um comparativo entre a última crise vivida pelos EUA em 1990 e a atual? MANUEL MORAIS - A última crise foi no

início dos anos 1990, quando o então presidente era o Bush “pai”. Nesta época, a crise foi pior, afetou todas as áreas, não somente o mercado imobiliário e durou cerca de três anos. Desde o ano passado, os negócios imobiliários não iam bem. Estamos passando pelo pior ano, acredito que ainda vamos continuar com uma desaceleração do mercado. Mas acredito que no primeiro semestre de 2008 as coisas começam a se normalizar. FN - Por que o subprime aparece como primeira opção na hora dos financiamentos para imigrantes? MANUEL - Em geral, isso ocorre aos imigran-

tes em função da falta de crédito e de reservas para a entrada da compra da casa própria. O que aconteceu foi que a oferta era pequena e a procura muito alta, os bancos e as empresas

tal e bom crédito, sem dúvida, podem se beneficiar comprando casas abaixo do preço de mercado nos chamados foreclosures. O lamentável é que muita gente sai perdendo, entre eles pessoas que investiram suas economias para a compra da casa própria e que não conseguiram quitar as prestações, e consequentemente, os bancos e empresas de mortgage também perdem. FN - Qual é o prejuízo dos bancos no final das contas? MANUEL - Esse processo estava numa esca-

la tão grande que alguns bancos, inclusive da Europa, compraram títulos imobiliários aqui nos EUA. Os subprimes produziam juros altos, embora fictícios, e como alguns bancos não estavam muito envolvidos no processo como um todo, iam investindo. No entanto, como a maior parte dos bancos não direciona seus empréstimos somente para este setor, digamos que os lucros foram menores. (NILZA BARROS)

"Alguns compradores com capital e bom crédito podem se beneficiar comprando casas abaixo do preço de mercado"

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STOCK.XCHNG

ENCONTRO DA SÉRIE CITYSCAPE CHEGA AO BRASIL A cidade de São Paulo foi escolhida para receber o primeiro evento da série internacional Cityscape dirigido ao mercado imobiliário do continente sul-americano. Organizado pelo Informa Group, o “Cityscape South America” acontecerá entre 4 e 6 de dezembro, e contará com a presença de um dos maiores investidores do mundo, Sam Zell, além de renomados executivos e especialistas envolvidos em investimentos imobiliários na região. A participação do bilionário norteamericano no “Cityscape South America” é um dos indicadores do aquecimento do mercado imobiliário brasileiro, considerado ''a bola da vez'' frente aos investidores nacionais e internacionais, afirma a diretora regional do evento, Maria Zoraide Stark. Em sua apresentação, Sam Zell falará sobre as perspectivas do investidor internacional no Brasil, sobre o perfil dos produtos que atraem capital externo, desafios e riscos para a realização de negócios ali, entre outros temas. Os encontros da série Cityscape acontecem há vários anos em países com mercados imobiliários em expansão e, desde a primeira edição, mais de 50 mil executivos já participaram das conferências realizadas em Dubai, Cingapura, Shanghai e Abu Dhabi. Em todas as edições, além da conferência, uma exposição propicia aos participantes conhecer projetos, tendências e novidades do segmento e realizar negócios. Ao longo de três dias, os debates sobre os desafios e oportunidades para investir em projetos no país, em incorporações residenciais, industriais, corporativas, de hotelaria e turismo, bem como em projetos corporativos, mobilizarão os mais importantes executivos nacionais e internacionais. A estrutura macroeconômica, ferramentas de captação de recursos e financiamento também integram a agenda do evento. O evento é patrocinado pela Brazilian Mortgages, Brazilian Capital, Brazilian Securities e Racional Engenharia.

O mercado imobiliário brasileiro é considerado “a bola da vez” frente aos investidores nacionais e internacionais

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Divulgação

Cityscape arrives in Brazil

The city of São Paulo was chosen to receive the first Cityscape event directed to the real estate market in the Latin American continent. Organized by Informa Group, “Cityscape South America” happens between December 4 and 6, and will have the presence of Sam Zell, one of the world's largest investors, among many others. The participation of the billionaire at the event indicates that the real estate market in Brazil is definitely heating up – the country is considered “the bext best thing” to national and international investors, according to the regional director for the event, Maria Zoraide Stark. During his presentation, Zell will speak about the perspectives for the international investor in Brazil, the profiles that attract international capital and also about the challenges and risks for making business happen there. Confirmed participants – Various names are confirmed at the event – they include lecturers such as Rio Bravo partner Gustavo Franco, Morgan Stanley executive director Steve Engel, José Antonio Grabowsky e Michel Wurman, respectively the CEO and CFOs of PDG Realty.

PROGRAME-SE: Cityscape South America Data: de 4 a 6 de dezembro de 2007 Local: Centro de Convenções da AMCHAM Rua da Paz, 1431 - São Paulo - SP www.cityscapesouthamerica.com.br PALESTRANTES: Gustavo Franco da Rio Bravo | Steve Engel da Morgan Stanley | José Antonio Grabowsky e Michel Wurman da PDG Realty | Fábio Nogueira da Brazilian Mortgages | Henrique Alveso Pinto da Construtora Tenda | Gerardo de Nicolas da Homex S.A | Mario Garnero do grupo BrasilInvest, que fará a abertura oficial do evento

Crisis will have a strong impact in 2008, says IMF

CRISE TERÁ FORTE IMPACTO EM 2008, DIZ RATO, DO FMI Não são muito otimistas as previsões sobre o impacto da crise glogal de crédito, que deve se estender ao longo do próximo ano. Segundo Rodrigo de Rato, diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), "os mercados de crédito estão se corrigindo, mas lentamente, nós não estamos em um estágio de normalidade", disse. Ele acrescentou que a maior parte dos países tem condições de lidar com a situação.

CAÇA AOS SEM-LICENÇA Um novo programa será implantado em Nova Iorque para regulamentar corretores e empresas de financiamento de imóveis. O programa tem como alvo corretores sem licença que trabalham com profissionais licenciados. O objetivo é fazer uma verificação criminal a fundo, bem como treinamento em cursos sobre ética. A intenção da Associação de Corretores de Mortgage de Nova Iorque é frear o aumento de fraudes no setor. A associação diz que apóia a iniciativa.

There's optimism in previews about the impact of global credit crisis, which probably will last another year. According to Rodrigo de Rato, Managing Director of the International Monetary Fund (IMF), "credit markets are correcting themselves, but slowly, we are not going in a normal basis”. He added that most of the countries is able to deal with this situation.

Hunting the “licenceless” A new program will be started off in New York to regulate brokers and financial institutions. It is targeted in the “licenceless”, those brokers working with no realty licence. The objective is to check criminal records and set training courses on ethics. The New York Association of Mortgage Brokers wants to reduce frauds and supports the initiative. <http://www.nyamb.org/>


entrevista /interview

Fotos Divulgação

“Nossa equipe é pródiga em criatividade. Por ano se implantam aproximadamente cinco mil idéias, de pequeno e grande impacto”

ULISSES TAPAJÓS NETO

UM

SONHO DE

CHEFE TEXTO

PATU ANTUNES

Ele chama seus 980 funcionários de “colaboradores”. Tem 60 anos, mais de 30 dedicados à mesma empresa. E um senso de humor contagioso – além de muita paciência para responder perguntas às quais, certamente, está calejado. O engenheiro químico Ulisses Tapajós Neto é o presidente da Masa da Amazônia, a melhor empresa para se trabalhar no Brasil, e também a mais empreendedora, segundo rankings da revista Exame-Você S/A 2006.

Quando assumiu o barco em 1993, a coisa estava feia. A ponto de fechar, a Masa, uma fabricante de peças de plástico sediada em Manaus, uniu presidente e equipe com o objetivo de dar a volta por cima. Cinco anos depois, voltou a dar lucro, graças a uma cultura altamente empreendedora, inovadora e mais humana com seus “colaboradores”. Em outubro de 2005 a Masa foi vendida pelo grupo Brasmotor para a Flextronics, gigante mundial do setor. Na sua cartela de clientes figuram empresas do calibre de Brastemp, Honda e Phillips. Ulisses Tapajós Neto contou à Foreign News como foi possível sair do prejuízo, modernizar-se e, de quebra, investir em ações de responsabilidade social. FOREIGN NEWS - O que fez a Masa para ser a melhor empresa para se trabalhar no Brasil? 34

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ULISSES TAPAJÓS NETO - A melhor empresa para se trabalhar é aquela na qual as pessoas acreditam no seu líder, têm orgulho do que fazem e gostam das pessoas com quem trabalham. Então, nós chegamos a esse ponto partindo do zero, que começou em 1993, quando eu, que era um funcionário de carreira, fui promovido a presidente com a missão de encerrar as atividades da companhia. Íamos fechar devido a uma grande crise que acontecia no Brasil, por conta da chegada do presidente Fernando Collor e da abertura do mercado brasileiro às importações. De uma forma geral as empresas brasileiras não eram competitivas e tinham que baixar o preço para poder competir com os produtos asiáticos. Como não sabiam baixar os custos, elas entravam numa rota de prejuízo que levava a uma situação de dificuldades.

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An ideal boss

He calls his 980 employees “collaborators”. He is 60 years old, with 30 of these dedicated to the same company, a contagious sense of humor and a lot of patience when it comes to answering questions that he has likely answered numerous times before. Chemical engineer Ulisses Tapajós Neto is the president of Masa da Amazônia, ranked as the best company to be employed by in Brazil according to Exame-Você S/A magazine in 2006. When he took control of the company in 1993, things did not look good. Masa, a plastic parts factory in Manaus, was about to close. The president and his team came together with the goal of turning things around. Five years later, the company was turning a profit, thanks to innovative business ideas and also due to a more human approach towards their “collaborators.” In October 2005 the Brasmotor group sold the company to the international parts giant Flextronics. Among their clients are companies like Brastemp, Honda and Phillips. Ulisses Tapajós Neto told Foreign News how it was possible to modernize the company, get out of the red and also invest in socially responsible actions. FOREIGN NEWS - What did Masa do to become the best company to work for in Brazil?

FN - E por que você foi escolhido para segurar o abacaxi? ULISSES - Eu era um gerente de produção

que conseguia bons resultados pelo trabalho entusiasmado da minha equipe. Isso me levou a conquistar muita credibilidade. Ainda que a gente vivesse essa grande dificuldade mercadológica, minha primeira providência foi reunir o grupo e explicar transparentemente o momento que a gente vivia, dizer que não sabia o que a gente tinha que fazer, mas que eu tinha humildade para perguntar para os diretores sêniors das outras empresas de Manaus o que eles fariam. E também disse que a gente viveria momentos de grandes dificuldades, de redução de custo, mas que eu me comprometia com eles, face a face, que se a gente saísse daquela situação, tendo lucro, eu saberia reconhecê-los, destinando parte desse lucro para investimentos em capacitação, melhoria de qualidade de vida, desenvolvimento familiar e assim sucessivamente. FN - Quando o plano entrou em ação? ULISSES - Fizemos um levantamento da

nossa base educacional e verificamos que apenas 15% das nossas pessoas tinham acabado o segundo grau. E como nós tínhamos conseguido uma linha de crédito financiada de US$ 20 milhões, para trocar a tecnologia da fábrica, precisávamos de pessoas preparadas para aqueles equipamentos. Naquele momento se tomou a primeira decisão dessa empresa de hoje. A lógica seria demitir os que não tinham segundo grau e contratar outros que tinham, mas na nossa ótica

isso era injusto porque os colaboradores daquela época não tinham podido estudar por uma falha nossa, da empresa, dos diretores anteriores. FN - Qual foi a solução? ULISSES - Com um convênio com a Secreta-

ria de Educação montamos dois cursos Mobral (de educação primária), dois cursos de supletivo do primeiro grau, dois cursos de supletivo do segundo grau e motivamos todos a estudarem, de tal forma que cinco anos depois todos os quase mil colaboradores tinham concluído o segundo grau dentro da fábrica. Nós, então, já naquela oportunidade, com a motivação que se criou, abrimos um programa que se chama “Entre para a universidade”, e passamos a pagar 50% das mensalidades universitárias. Hoje nós temos aproximadamente 25% do nosso quadro cursando ou com a universidade concluída. Esse processo trouxe um grande nível de motivação e comprometimento. Nós, por volta de 1998, voltamos a fazer lucro e aí criamos dezenas de programas de capacitação, de qualidade de vida, de reconhecimento e de desenvolvimento familiar. FN - Como são os programas de desenvolvimento familiar? ULISSES - O nosso foco é o crescimento da

esposa e dos filhos. Para as esposas, temos um programa chamado “Multitalentos”, onde desenvolvemos as esposas naquilo que elas gostam de fazer - corte e costura, culinária, manicure, artesanato, etc.. Ao final do curso, ela se integra ao mercado de trabalho e passa a viver uma nova vida, mais intensa na sociedade.

ULISSES TAPAJÓS NETO – The best company to work for in Brazil is one where the people believe in their leadership, are proud of what they do and who have a good working relationship with each other. We have reached this by starting from scratch, which began in 1993 when I was promoted to president with the initial mission liquidating the company's operations. We were going out of business due to a huge crisis that happened in Brazil after the arrival of Brazilian president Fernando Collor and the opening of the market to imported goods. Companies in Brazil were not competitive and had to lower their prices in order to face off with the Asian manufacturers, and since they did not know how to lower costs, they eventually began losing money, and that generated difficult situations for us. FN - Why were you chosen to handle that hot potato? ULISSES - I was a production manager who had gotten very positive results due to the enthusiastic work done by my team, and that gave me a lot of credibility. My first action was to face that difficult time by calling a reunion and explain clearly what was happening with the market then. I said that I did not know what we had to do, but that I would be humble enough to ask the senior directors of other local companies what they would do. I also told them that we were going to face a time of hardship and cost reduction, but I promised them that if we could overcome the situation with a profit, I would recognize their efforts by directing part of that profit to investments in training, better quality of life, family development and so on. FN - When did the plan begin? ULISSES - We researched the educational background of our employees and found that only 15% of them had concluded their high school studies. We had just gotten a line of credit of USD 20 million for technological upgrades, and we needed people who would be prepared to handle the new equipment. At that moment we made the first major decision for the company that we have today. The logic would be to dismiss those with incomplete studies, but we

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entrevista /interview

Quando a garotada nasce, vai para nossa creche conveniada até os seis anos. Dos seis aos doze, essas crianças vão para nosso coral infantil. Dos 12 aos 16, vão para os nossos cursos de informática, sempre acompanhados de aulas de cidadania. Dos 16 aos 18, vão para nossos cursos de empreendedorismo. Aos 18, orientação vocacional. Com essas ações o colaborador passa a ter um sentimento de lealdade com a empresa que está melhorando a vida dele, e passa a trabalhar com mais afinco. Lá no início desenvolvemos com todos a missão da companhia e afinamos que o slogan não seria mercadológico. O nosso é “A valorização das pessoas é a nossa marca”. FN - Vocês criaram uma universidade para fomentar a boa liderança? ULISSES - Sim, paralelamente a tudo isso,

montamos uma universidade para criar líderes porque entendemos que os líderes na sua interação diária é que são responsáveis pela sensibilidade dos colaboradores. Ensinamos os líderes a respeitar os colaboradores, a criar objetivos, desafiar, a reconhecer esses colaboradores e a recompensar. E também criamos um programa dos nossos colaboradores para despertar a maturidade e a consciência. Esse conjunto de ações criou um ambiente de trabalho muito saudável. As pessoas vêm trabalhar sorrindo porque sabem que vão encontrar um ambiente acolhedor e reconhecedor. Tudo isso levou a Masa a ganhar os prêmios de “Melhor Empresa para Trabalhar” e “Empresa Mais Empreendedora”. FN - Como vocês receberam esse reconhecimento? ULISSES - Nossa, você imagina que para 36

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SOBRE A MASA:

US$ 90 milhões é o faturamento

US$ 12 milhões é o lucro estimado

980

é o número de funcionários

US$ 900mil em investimento social quem vive no coração da floresta amazônica, ser reconhecido trouxe euforia e orgulho… E também a responsabilidade de ser um modelo aqui para Manaus e para o Brasil. FN - Empreendedorismo tem muito a ver com criatividade. Como isso se manifesta na Masa? ULISSES - Nossa equipe é pródiga em cria-

tividade. Por ano se implantam aproximadamente cinco mil idéias, de pequeno e grande impacto, mas que influenciam muito na nossa produtividade, qualidade, gestão ambiental, relacionamento com cliente e assim sucessivamente. FN - Por que a sua equipe é assim? ULISSES - Porque criamos um ambiente

propício ao desenvolvimento do potencial dos colaboradores. Aqui eles se sentem livres

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saw that would be unfair because the collaborators then did not have the opportunity to go to school because of our own failure to provide that. FN - And what was the solution? ULISSES - We made a partnership with the Department of Education and we started two GED courses and motivated everyone to study. Five years later, all or our collaborators – almost one thousand of them – had concluded their studies in the factory. The next step was to create another program, which was called “Go To College,” in which we offered to provide 50 % of university tuition costs. Today about 25 % of our staff is formed by college graduates or students. That process created a huge motivational and commitment level. Around 1998 we began to turn a profit and then we created tens of training, quality of life, recognition and family development programs. FN - Enterprising has a lot to do with creativity. How does that work at Masa? ULISSES - We have a highly creative team. We have about five thousand ideas of larger and smaller scale being implanted each year, and that influences our productivity, quality, environmental management, relations with clients and so forth. FN - Why is your team like that? ULISSES - Because we create an environment that is positive for the development of our collaborators. Here they feel free to create something new, whether getting it right or not. Maybe the magic word is ideas without bureaucracy The focus, however, is of continuous improvement. Our model is to see and act; if you have an idea that might work, go ahead and do it, without the need of paper or authorizations. FN - Could you give us an example? ULISSES - A part of our process was bettered through the idea of a group of collaborators to develop an temperature exchanger [a gadget used to modify the temperature inside a piece of equipment] made with empty oil barrels, which were previously disposed of. his idea improved our production in ten percent with an almost zero cost. And there are many other similar ideas. FN - How was the concept of corporate social responsibility at Masa born? ULISSES - It was thanks to the work of our

“Nós trabalhamos falando todo mês face a face com nossos 980 colaboradores. Aqui fazemos tudo transparentemente”

para criar, acertando ou errando. Mas, sobretudo, com o foco da melhoria contínua. Talvez a palavra mágica seja a desburocratização na implantação de idéias. Usamos um modelo que é ver e agir, ou seja, se você vir uma coisa que pode ser boa, vá lá e faça, sem precisar de papel ou autorizações. FN - Um exemplo? ULISSES - Uma determinada parte do nosso

processo foi extremamente otimizada com a idéia de um grupo de colaboradores de desenvolver um trocador de calor [um dispositivo usado para mudar a temperatura no interior de um aparelho] feito com tambores de óleo vazios. Esses tambores usados como trocadores de calor antes estavam nas sucatas. Somente essa idéia melhorou nossa produtividade em 10% e com custo praticamente zero. E como essa, tem várias outras. FN - Como é sua relação com seus colaboradores? ULISSES - É formada por respeito mútuo,

admiração mútua e informalidade mútua. Eu sou um dos 980 componentes da equipe. Não tem nenhuma diferenciação - claro, com responsabilidades diferentes, mas todos somos seres humanos. FN - É uma empresa com mais homens ou mulheres? ULISSES - 75% dos colaboradores são homens. FN - Por que há poucas mulheres? ULISSES - Porque trabalhamos em três tur-

nos durante 24 horas e também trabalhamos com máquinas injetoras pesadas.

collaborators.We began to turn a profit in 1997/1998 and we were able to create a series of benefits for our collaborators, and they were later extended to their family members. In 2002, we had a period of great monetary growth and then we had to have a moment of reflection. We have to be grateful to God because we were going to shut operations down, and one way to be grateful is to help your fellow man, so we created a program of social responsibility with the support of Sesi (a social service organization funded by industry workers) and a group of voluntary workers we began to contribute with the improvement of Amazonian society. Today we direct 1 % of our net profits [about US$ 900,000] into social projects. We manage them directly, and we have trained personnel that run our numerous projects with the help of volunteers FN - What did the company win and lose with the takeover from Flextronics? ULISSES - We were bought by Flextronics as part of a market strategy. Flex was interested in strengthening the Brazilian presence and we wanted to join other markets as well. Flextronics brought us a larger technological and market technology, and we contribute with a management and capacity strategy in the process of creating a better company. FN - Were there any guarantees that you needed to have? ULISSES - Nothing but the confidence on the capacity that our workers have in reaching the desired goals. The group that purchased us respected our organizational culture and we have reached our objectives.

FN - E as mulheres ocupam que postos? ULISSES - Postos variados. De 50 pessoas

com cargos de chefia, 15 são mulheres (30%). Temos uma co-existência harmoniosa. FN - Como nasceu na Masa a prática da responsabilidade social corporativa? ULISSES - Por força do trabalho dos nossos

colaboradores, voltamos a ter lucro em 1997, 1998 e pudemos criar uma série de benefícios que trouxeram bem-estar aos nossos colaboradores e depois foram estendidos aos familiares. Em 2002, tínhamos uma grande rentabilidade e aí veio um momento de reflexão. Temos que ser gratos a Deus porque íamos fechar e uma forma de ser gratos a Deus é trabalhar para ajudar o próximo. Então criamos um programa de responsabilidade social. Apoiados pelo Sesi e com um corpo de voluntários de 250 colaboradores, passamos a contribuir para a melhoria de vida da sociedade amazonense. Hoje aplicamos 1% do faturamento nos nossos projetos sociais [cerca de 900 mil dólares]. Fazemos a gestão na empresa mesmo, temos pessoas capacitadas para os cerca de 18 projetos que tocamos com nosso corpo de voluntariado.

SOBRE A FLEXTRONICS: Matriz: San José, California

atua em 30 países em quatro continentes

US$ 30 bilhões é o faturamento global (estimativa com aquisição do grupo Solectron)

200mil é o número de funcionários NO BRASIL Sede: Sorocaba (SP), Presidente: Brett Bissell, executivo americano, Plantas: Manaus (Masa), Sorocaba e São Paulo (Multek)

“Montamos uma universidade para criar líderes porque entendemos que os líderes na sua interação diária é que são responsáveis pela sensibilidade dos colaboradores” FN - O que vocês fazem? ULISSES - Educação. Temos um programa

de empreendedorismo na periferia, onde nossos executivos vão ensinar aos jovens como chegar mais preparados ao mercado de trabalho. Trabalhamos com 15 mil jovens. Também temos o prêmio “Masa de Meio Ambiente”, onde trabalhamos aproximadamente com 10 mil jovens da rede escolar por ano, ensinando a eles conceitos de gestão ambiental e desenvolvendo projetos de natureza ecológica que possam ser implantados na escola ou no seu entorno. Nós fazemos parte da vida de 900 crianças carentes na nossa cidade, algumas crianças com câncer , outras com aids, outras abandonadas, violentadas, e fazemos parte levando nosso carinho, afeto e também apoio financeiro. FN - O que a empresa ganhou e perdeu com a aquisição pela multinacional americana Flextronics? ULISSES - Nós fomos comprados pela Flex-

tronics por uma questão de estratégia mercadológica. Havia interesse por parte da Flex no fortalecimento da sua atuação brasileira e havia interesse da nossa parte de participarmos de outros mercados, além do plástico. A Flextronics nos trouxe capacitação tecnológica e mercadológica. E nós contribuímos com capacitação de gestão estratégica e capacitação nos processos de criação de uma melhor empresa para trabalhar. FN - Como sua equipe recebeu a notícia? ULISSES - Nós trabalhamos falando todo

mês face a face, aqui fazemos tudo transparentemente. No momento em que fomos adquiridos, explicamos para nossos colaboradores todas as vantagens que adviriam desse processo, de que nós garantimos que o novo grupo não só respeitaria a nossa cultura organizacional de tantos anos, mas como tomaria isso como beat marking para implantar em outras unidades. FN - Houve salvaguardas? ULISSES - Não tivemos nada que não fosse a

confiança na capacidade dos nossos colaboradores em atingir os objetivos desejados. O grupo que nos adquiriu respeitou nossa cultura organizacional e nós conseguimos resultados. OUTUBRO DE 2007

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/ money & you

AVALIE-SE:

Y Você é um empreendedor? Está e a pergunta em que a maioria dos novos empresarios têm em mente quando decidem em arriscar uma nova idéia. Você tem a motivação necessária para começar seu próprio negócio?

Anibal Badim

AUTO-ANÁLISE

é consultor financeiro com 23 anos de experiência no setor bancário. É formado pela Montclair State College com um BS em Business Administration. É vice-presidente assistente do American Bank of New Jersey.

Anibal Badim is a business consultant with over 23 years of commercial banking experience. He graduated from Montclair State College with a BS in Business Administration concentrating in Management and Marketing. Today he is the Assistant Vice President at the American Bank of New Jersey.

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Na edição passada, discutimos as etapas necessários para começar seu próprio negócio. Começar seu próprio negócio exige o desejo e o temperamento certo para ser bem-sucedido.

Começar um negócio é um trabalho duro e que exige muito sacrifício. Há muitos riscos associados em se tornar o seu próprio chefe. Uma analogia comum que uso quando falo com as pessoas interessadas em se transformar em um empreendedor é comparar um negócio com um casamento. Ambos exigem o mesmo tipo de compromisso. Como um casamento, você está vivendo e respirando para seu negócio 24 horas por dia, 7 dias por semana. Com esse pensamento irá se comprometer a uma tomada muito grande de trabalho e concordância de que terá muitos altos e baixos pela frente. Em uma nota positiva, se você tem a composição ideal e o plano certo, começará seu próprio negócio e poderá ser uma experiência com muita satisfação. Talvez, a mais emocionante de sua vida. Você tem o que é necessário? Enfim, para ter essa determinação a pessoa deve olhar no espelho. A maioria dos empreendedores possuem características e traços similares. Há o equívoco fundamental de que os empreendedores são nascidos com as

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características necessárias para ser bem-sucedidos. Na verdade, qualquer um pode aprender e operar como um empreendedor. Para ajudá-lo a determinar que certamente você tem os atributos certos para ser um empreendedor, lhe dou um instrumento de avaliação: um questionário de uma associação de empresas de pequeno porte. É uma ferramenta que foi criada para ajudar pessoas com aspirações empreendedoras a examinar basicamente se elas têm características similares que combinam com a maioria dos empresários de sucesso.

- Você gosta de tomar suas próprias decisões?

- Você pensa que tem espírito de liderança?

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Self-assessment: don't panic

Are you an entrepreneur? That is the burning question that most would be business owners have when entertaining the idea of commencing a new venture. Do you have the motivation or the drive needed to start your own business? Starting a business is hard work that requires a lot of sacrifice. There are many risks associated with becoming your own boss. A common analogy that I use when talking to people interested in becoming an entrepreneur and starting their own business is to compare it to a marriage; they both require the same type of commitment. Like a marriage, you are going to be living and breathing for your business 24 hours a day, 7 days a week. So it’s going to a take a lot of work and compromise to make things happen and there will be a lot of highs and lows. On a more positive note, if you have the right makeup and the right plan, starting your own business can be the most satisfying and exciting experience of you life. As you may recall, in last month’s issue we discussed the steps needed to starting your own business. Starting your own business requires desire and the right temperament to be successful. Do you have what it takes? In order to make that determination one has to look in the mirror. Most entrepreneurs possess similar characteristics and traits. There is the fundamental misconception that entrepreneurs are born with the characteristics needed to be successful. In fact anyone can learn to operate as an entrepreneur. To help you determine if indeed you have the right attributes I have attached a sample questionnaire provided by the Small Business Association. It is a tool that was created to help people with aspirations of starting their own business to basically examine whether or not they might have similar characteristics that match up with most successful entrepreneurs. A SELF-ANALYSIS: 1.Are you a leader? 2.Do you like to make your own decisions? 3.Do others turn to you for help in making decisions? 4.Do you enjoy competition? 5.Do you have the willpower and self-discipline? 6.Do you plan ahead? 7.Do you like people? 8.Do you get along with others?

SAIBA SEVOCÊ ESTA PRONTO PARA SER UM EMPREENDEDOR:

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- As pessoas lhe procuram quando precisam de ajuda para tomar decisões?

1.Você é ciente que ter seu próprio negócio pode exigir sua dedicação total e talvez monopolizar seu tempo?

2.Você tem vigor físico para segurar a carga de trabalho?

3.Você tem equilíbrio emocional em

Ilustrações - Denilson Albano

NÃO TENHA MEDO DE FAZER

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Y

dinheiro & você

GUIA PARA COMEÇAR UM NEGÓCIO PARTE 2

momentos de pressão?

4.Você está preparado, se necessário, para baixar temporariamente seu padrão de vida até seu negócio se estabelecer?

5.A sua família está preparada para ir junto com as tensões que irão aparecer durante o processo?

6.Você ésta preparado para perder suas economias?

Y Se você respondeu não a duas ou mais perguntas, você provavelmente não está pronto para transformar-se em um empreendedor. Como eu indiquei mais antes, ter o seu próprio negócio é muito trabalho e uma pessoa tem que ter o temperamento certo. Uma pessoa deve estar pronta para fazer sacrifícios tremendos para que no fim possa colher os frutos.

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- Você aprecia a competição?

Y Se você respondeu sim a todasestas perguntas, você está pronto para pensar seriamente sobre a possibilidade de começar o seu próprio negócio, juntando-se a milhões de pessoas que empreenderam esta viagem incrível.

5 Você tem força de vontade e NA PRÓXIMA EDIÇÃO O TEMA SERÁ COMO ELABORAR SEU PLANO DE NEGÓCIOS

auto-disciplina? 6 Você planeja o futuro? 7 Você gosta de pessoas independente do nível? 8 Você é uma pessoa que se dá bem com todos?

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Ilustrações VISCA

exportação /export

/ a rainha do café O BRASIL PERDEU TERRENO NO MERCADO GLOBAL, MAS AINDA TEM KÁTIA SANTANA, A MELHOR EMBAIXADORA DO SEU “OURO NEGRO” TEXTO | CAMILA VIEGAS-LEE FOTOS | CLÁUDIO VERSIANI

Apesar de ser o maior produtor mundial de café e o segundo maior mercado consumidor, o Brasil ainda está longe de alcançar os maiores exportadores do mundo quando se trata de café industrializado. Para Guilherme Braga, diretor do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), é preciso ter em conta que o conjunto de países produtores de café, que exportam, juntos, anualmente, cerca de 95 milhões de sacas, e desse total 93% é vendido sob a forma de verde, 6,2% de solúvel e apenas 0,8%, torrado e moído (dados da Organização Internacional do Café). 40

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“O Brasil exporta 50% do volume de torrado e moído, alta participação em termos relativos mas inexpressiva em valores absolutos”, explica. Agosto foi um mês particularmente complicado, com 22% menos de sacas exportadas e 10% menos de receita, em relação ao mesmo mês em 2006. “Este desempenho mostra a dificuldade de acesso aos mercados consumidores: barreiras tributárias de proteção à indústria interna, competição de mercado exacerbada (cinco ou seis empresas industriais respondem por 70% do consumo), necessidade de internacionalização da indústria do país de origem

nos mercados que se deseja atingir, e altos investimentos na organização da logística e de promoção de marca”, resume Braga. No entanto, este ano se acumula um aumento de receita de quase 24% e 10% mais sacas exportadas que no mesmo período do ano passado. EM SOLO AMERICANO - Enquanto a indústria cafeeira investe na internacionalização, Kátia Santana faz sua parte como uma das maiores embaixadoras do café brasileiro nos Estados Unidos. “O ouro negro não é o petróleo, é o café”, disse ao governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Dedicada a promover o café brasileiro em terras yankees, Kátia montou há seis anos uma torrefadora em Nova York e a Brasil Coffee House, sua rede de lojas. Apesar de ter atualmente dez pedidos de franquia, Kátia mantém uma estrutura pequena para poder controlar a qualidade do produto. Em setembro de 2001, ela inaugurou sua primeira loja perto de onde torra os grãos em Long Island City, Nova York. Hoje há uma segunda Brasil Coffee House em Long Island, uma em Manhattan e outra em Miami, Flórida. Em março do ano que vem, Kátia deve abrir mais uma filial na Flórida, desta vez em Miami Beach. “Preciso delegar mais, mas quero que a base de trabalho esteja bem sólida antes que isso aconteça. O relacionamento com meus clientes é tão próximo que, às vezes, ao invés de ligarem para a fábrica, eles ligam para o meu celular”, diz. “Quando começar a colocar meu plano de franquias em prática, vou querer conhecer bem os investidores para garantir que eles tenham capacidade de manter a qualidade da marca.”

The coffee queen Brazil might have lost its hegemony in the global market, but they still have Katia Santana, the best ambassador of the country's “liquid gold.” Although Brazil is the world's largest coffee producer and the second largest consumer market for the product, Brazil is still far from reaching the biggest exporters in the country when it comes to the industrialized product. According to Guilherme Braga, director of the Brazilian Coffee Exporters Council, one should consider that all together, producers around the world export about 95 million bags. From that total, 93% is sold green, 6,2% instant and only 0,8%, roasted and ground (numbers from the International Coffee Organization). “Brazil exports 50% of its volume roasted and ground, which is a pretty high participation in relative terms but inexpressive in absolute value,” he explains. “August was a particularly complicated month, with fewer than 22 percentile of exported bags and 10 percentile less in receipts in comparison with the same month in 2006. However, this year there is an increase of almost 24 percent in more bags exported than the same period last year.” In American Land - While the coffee industry invests heavily in the internationalization of its product, Kátia Santana does her part as one of the ambassadors of Brazilian coffee in the United States. “ Liquid gold is not petroleum, it's coffee,” she said to the governor of the state of Minas Gerais, Aécio Neves. Dedicated to promote coffee in American lands, Santana setup her own coffee roasting facility in New York and the Brasil Coffee House chain. In spite of having received ten franchise requests, Santana keeps her structure small to maintain quality control. In September 2001 she opened her first store close to where she roasts the beans in Long Island City, NY. Today there is a second Brasil Coffee House in Long Island, one in Manhattan and another in Miami, Florida. Last March of 2008

Kátia compra os mesmos grãos arábica que são exportados para grandes torrefadoras na Itália pela segunda maior exportadora de café brasileiro, a Cooperativa Regional de Cafeicultores de Guaxupé. A Cooxupé conta com cerca de 11 mil cooperados e mais de 1.500 colaboradores nas regiões do Sul de Minas, Alto Paranaíba (MG) e Vale do Rio Pardo (SP). Até agosto deste ano, ela exportou 1,15 milhão de sacas, ficando atrás apenas da Unicafé, com 1,36 milhão de sacas. EMPILHADEIRA - Considerada pela imprensa americana como a rainha do café brasileiro em Nova York, Kátia é conhecida até pelos despachantes portuários que acabaram autorizando duas vezes que ela mesma buscasse remessas de 30 sacas de café no porto de Elizabeth, New Jersey. “Ia demorar dois dias para que transportadoras tradicionais trouxessem as sacas. “O despachante disse que poderia dar problema com o sindicato e perguntou se eu sabia dirigir uma empilhadeira. Eu disse que sim. Subi no trator e ficou todo mundo olhando.”

US$ 3,7 bilhões foi a receita gerada com a exportação de café entre setembro de 2006 e agosto de 2007

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milhões de sacas

foram exportadas nesse período

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exportação /export ORGÂNICOS EM DESTAQUE A Feira de Anuga começa em 13 de outubro em Colônia, na Alemanha, com uma participação recorde do Brasil. Entre os cerca de seis mil expositores de mais de 100 países estará o pavilhão brasileiro, montado pela Apex-Brasil, mostrando produtos de 150 empresas. Em destaque estarão produtos orgânicos como açaí, óleo de palma, guaraná e barras de cereal. O Brasil hoje integra os cinco maiores países que cultivam alimentos orgânicos. Este setor cresce no país o dobro da média internacional, com taxas entre 30% e 50% por ano. O faturamento deve atingir US$ 250 milhões este ano, sendo que aproximadamente 70% deste total serão gerados pelas exportações. Os maiores compradores de produtos orgânicos brasileiros são os Estados Unidos, a Europa e o Japão.

DELÍCIAS COM UM ÓTIMO ATENDIMENTO As lojas da Brasil Coffee House são decoradas com brasões dos barões do café, pinturas de cafezais de Samir Couri, xícaras de ágata e quadros explicativos com a história ou a definição de nomes ligados à origem das bebidas oferecidas atrás do balcão, entre elas, cafezinhos, expressos e cappuccinos. A bebida mais popular é o cocomocha, pronunciado como “cocomóca” e feito de café gelado com coco. Certa vez, Kátia distribuiu umas amostras grátis para os bombeiros do bairro e no dia seguinte “o corpo de bombeiros estava todo na loja”. “Quando vi os caminhões de incêndio fiquei assustada. Achei que minha loja estava pegando fogo”, diz. “Mas eram os bombeiros querendo mais cocomocha. Hoje eles são uns dos meus clientes mais fiéis.” Além de produtos brasileiros como coxinha e pão de queijo, Kátia vende croissants, empanadas e bolos para diversificar a clientela. “O Brasil Coffee House é para todo mundo, não só para os brasileiros que moram aqui.” Isso se reflete na escolha dos funcionários. Há russos ao lado de filipinos servindo café gelado consumido aos litros por americanos durante o verão. O serviço também chama a atenção. Durante a entrevista, Kátia levantou quatro vezes para abrir a porta para carrinhos de bebês e um senhor mais velho. Onze clientes vieram cumprimentá-la. “Parece chavão mas você tem mesmo que tratar as pessoas como gostaria de ser tratado.” Realeza.

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APRENDENDO A EXPORTAR she should open another branch in The Sunshine State, this time in Miami Beach. “When I put my franchise plan into practice, I will get to know the investors well to make sure that they will have the capacity of maintaining the brand's quality,” she states. Santana purchases the same arabica beans that are exported to the large roasters in Italy by the second largest Brazilian exporter, the Guaxupe Regional Cooperative. The cooperative has 11 thousand members and more than fifteen hundred collaborators in the states of Minas Gerais and São Paulo. They have, up until August of 2007 exported 1.15 million bags, only behind Unicafé, which exported 1.36 million bags.

with /Delicacies great service Brasil Coffee House's stores are decorated with the family clefts of Brazil's historical coffee barons, painting of coffee plantations by Samir Couri, agate cups and framed explanations with the history of names connected with the origin of the beverages offered behind the counter, such as cafezinhos (Brazilian-style brewed coffee, served in small cups), espressos e cappuccinos. The most popular is the cocomocha, made with iced coffee and coconut. One time, Santana distributed a few free samples of the concoction for local firefighters and the next day “the whole fire department was there,” she recalls. “When I saw the fire trucks I was spooked, because I thought that my store was on fire, but it was the firefighters coming back for more. Today they are my best clients.”

Técnicos da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e da Caixa Econômica Federal assinaram em setembro (19/09), documento que amplia o Acordo de Cooperação Técnica para o desenvolvimento de ações na área de capacitação em comércio internacional. A Caixa vai destinar R$ 1 milhão para a produção da material multimídia da série “Aprendendo a Exportar”, voltado para cada um dos estados brasileiros.

RECORD EM AGOSTO A Balança Comercial Brasileira registrou, em agosto, novo recorde histórico das exportações brasileiras: US$ 15,101 bilhões (média diária US$ 656,6 milhões), valor 10,5% maior que o exportado em agosto de 2006 (US$ 13,671 bi). “Foi a primeira vez que as exportações brasileiras romperam a casa dos 15 bilhões de dólares em um mês”, diz o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Meziat. Ele ressaltou ainda que as vendas ao mercado exterior, no ano, já superaram os US$ 100 bi. “Durante anos a fio essa era a nossa meta inatingível. Hoje, em menos de oito meses, já conseguimos atingir o valor”.

INTERCÂMBIO À INGLESA O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) do Brasil, Miguel Jorge, e o ministro de Negócios, Empreendimentos e Reforma Regulatória do Reino Unido, John Hutton, se encontraram em Londres (Reino Unido), para a segunda reunião do Comitê Econômico e de Comércio Conjunto Brasil-Reino Unido (Jetco, na sigla em inglês). Os ministros aprovaram iniciativas para a ampliação do intercâmbio econômicocomercial em setores considerados chave, como o incentivo para ciência e inovação, o desenvolvimento de ambiente de negócios e compartilhamento de conhecimentos, e boas práticas.


brasil /brazil

Fotos Divulgação

Nações Unidas que regula o tema. No total, o país tem 235 projetos em alguma fase do processo de habilitação. Uma vez habilitado, é como se o projeto ganhasse um “selo oficial”: as reduções de emissões são certificadas a partir de metodologias aprovadas no órgão, podem ser negociadas no mercado mundial e a empresa compradora pode contabilizar esse crédito nas metas a serem cumpridas em seu país.

NEM PARECE ECOLOGIA PATU ANTUNES | TEXTO

Projeto da Key Associados em suinocultura, de transformação do metano /Project by Key Associados in pig farming, methane transformation

O Brasil é uma das mecas para comprar créditos de carbono, uma novidade que vem na esteira do Protocolo de Quioto e que põe a preocupação ambiental em primeiro plano Um leilão inédito atraiu olhares do mundo corporativo em escala global para a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), em São Paulo, em 26 de setembro. Por R$ 34 milhões (US$ 18,5 milhões), o banco holandês Fortis Bank NVSA levou 808 mil toneladas de créditos de carbono. Isso mesmo: carbono. A bolsa paulista foi a primeira no mundo a leiloar essa que é uma coqueluche mundial: reduções certificadas de emissão de gases causadores do efeito estufa. Parece complicado, mas não é. Ninguém está duvidando das enormes possibilidades desse mercado, principalmente no Brasil. Vender créditos de carbono é um negócio criado a partir do Protocolo de Quioto, ratificado em 2005 por 55 países (Austrália e Estados Unidos estão fora). O Protocolo prevê que países desenvolvidos reduzam suas emissões de gases (como o dióxido de carbono – CO2 – e o metano, o gás que sai dos lixões) e, para isso, criou vários mecanismos. Um deles é o de Desenvolvimento Limpo (MDL). De acordo com esse mecanismo, 44

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empresas situadas nos “países poluidores” que passarem de seu limite de emissão permitida precisam “compensar” o excesso. Como? Comprando créditos de carbono – ou seja, cotas de redução de gases emitidos nos países em desenvolvimento. Esses gases são reduzidos através de projetos ambientais, o que implica em mudança de fontes de energia, tratamento de resíduos ou reflorestamento, por exemplo. No leilão da BM&F, o Fortis Bank comprou 808 mil toneladas de créditos de carbono gerados no Aterro Bandeirantes, local que recebe metade do lixo produzido na cidade de São Paulo (7 mil toneladas diárias). Ali, a prefeitura e a empresa Biogás implantaram um projeto onde 80% dos gases são queimados e utilizados para acionar uma usina termelétrica com capacidade para gerar 175 mil MWh/ano. O projeto no lixão paulistano é um dos 108 que o Brasil tem 100% habilitados junto ao United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC), a entidade das

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It doesn’t even look like ecology

Brazil is one of the meccas when it comes to buying carbon emission credits, a new trend that comes along with the Kyoto Protocol and sets environment protection as a priority. A singular auction has drawn the corporative world’s attention to the São Paulo Stock Market, on September 26. For US$ 18.5 million, the Dutch bank Fortis Bank NVSA purchased 808 thousand tons of carbon credits. That’s right: carbon. The São Paulo stock market (BM&F) was the first to auction out the new world’s fever: certified abatement of greenhouse gases. It looks complicated,but it is not. But no one doubts the huge possibilities for this market, especially in Brazil. The sale of carbon credits began with the Kyoto Protocol, ratified in 2005 by 55 countries (Australia and the United States are out of it). The Protocol rules that developed countries must reduce their greenhouse gas emissions (like carbon dioxide – CO2 – and methane, the gas that’s abundant in landfills). To do so, the agreement has

BRASIL É DESTAQUE, MAS TEM MUITO A CRESCER Os 108 projetos brasileiros habilitados no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo devem gerar algo em torno de 17 milhões de toneladas de carbono reduzido ao longo de um ano – ou 10% do total mundial de reduções. Os principais rivais nesse mercado são a China (com reduções previstas de 75 milhões de toneladas) e Índia (27 milhões). Entre os projetos que já emitiram e foram certificados por isso, o Brasil responde por quase 15% das reduções. “China e Índia, por terem matrizes energéticas baseadas em combustíveis fósseis, como o carvão mineral, possuem maiores oportunidades de redução das emissões”, afirma o pesquisador Marcelo Theoto Rocha, da Universidade de São Paulo (USP). Já o Brasil, por ter uma matriz energética limpa (hidrelétricas e termelétricas), com 80% de capacidade instalada advindos de fontes renováveis, precisa diversificar mais para gerar ainda mais créditos. Para Marcelo Rocha, apesar dessa desvantagem, o Brasil tem aproveitado as suas possibilidades. “Ainda existem muitas a serem avaliadas”, comenta. Gerente de projetos da Key Associados, uma das muitas empresas que já estão explorando esse nicho, Daniel Ricas tem a mesma opinião. “A gente tem um potencial enorme, o mercado hoje está bem inexplorado”, completa. Além de promissor, o Brasil também é pioneiro nesse campo. “O país desenvolveu muitos projetos, inclusive antes do Protocolo de Quioto. Mas, como não se sabia se o protocolo entraria em vigor, acabou deixando-os de lado”, afirma Aurelio García, coordenador do projeto “Zero CO2”, da funda��ão espanhola Ecología y Desarrollo (Ecologia e Desenvolvimento). A fundação se dedica, entre outros projetos, à compensação de carbono, porém na outra ponta, permitindo que pessoas físicas comprem créditos gerados em projetos de energias renováveis em pequenas comunidades na Costa Rica, Indonésia e Índia. A próxima parada, no entanto, será o Brasil: este ano começa um proje-

Marcelo Duque, da Ecosecurities: portfólio de 163 milhões de toneladas /Marcelo Duque, of Ecosecurities: 163 million tons portfolio

created several mechanisms. One of them is the Clean Development (CDM). According to that mechanism, companies located in the “polluter countries” that exceed their allowed emission limits need to “make up for” that excess. How? Buying carbon credits, i.e. greenhouse gas emission quotas from developing nations. Those gases are reduced through environmental projects that imply in changing energy sources, treatment of residues or reforestation, for instance. At BM&F’s auction, Fortis Bank bought 808 thousand tons of carbon credits produced at the Bandeirantes landfill, a place where half the garbage of the city of Sao Paulo is dumped (7 thousand tons a day). There, city officials and the company Biogás implemented a project where 80% of the gases are burnt and used to activate a thermoelectric plant with capacity for 175,000 MWtt/year. The project for that landfill is one among 108 that Brazil has with 100% approval from the United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC). All together, Brazil has 235 projects about to be approved. Once authorized, it’s as if the project would earn an “official seal”: the reductions in emissions are approved through methodologies within the institution. They can be traded in the world market and the purchasing company can include that credit in the goals to be achieved by its own country. BRAZIL STANDS OUT, BUT STILL HAS A LOT TO GROW The 108 Brazilian projects approved in the Clean Development Mechanism should generate something around 17 million tons of reduced carbon every year – or 10% of the world’s total reductions. The main rivals in that market are China (with predicted reductions of 75 million tons) and India (27 millions). Of all the certified projects, Brazil has almost 15% of the reductions. “Since China and India have energy sources based on fossil fuels like coal, they have larger opportunities to reduce emis-

to experimental, de geração de créditos para a manutenção de bosques na Mata Atlântica, em Santa Catarina. REFLORESTAMENTO AINDA NÃO ‘VINGOU’ Para entrar nesse mercado é preciso cumprir com um de dois pré-requisitos: consumir combustíveis fósseis ou ser altamente poluidor. Geralmente empresas de grande porte são as melhores candidatas porque além de não apenas melhorar sua estrutura energética (e com isso poder oferecer créditos de carbono no mercado exterior), elas também têm grande interesse em capitalizar com a própria imagem. Segundo Marcelo Duque, gerente de originação de projetos da Ecosecurities, multinacional que desenvolve projetos desse tipo em 35 países, alguns setores já estão conscientes das possibilidades de negócio, como é o caso do sucro-alcooleiro. Mas, em outros casos, a empresa avalia o potencial de geração de créditos e vai atrás de clientes, que podem ser siderúrgicas, fabricantes de cerâmica, frigoríficos e criadores de suínos. Cerca de 60% dos projetos registrados na ONU hoje são relacionados à geração de energia; 32% a aterros sanitários; e 7% à suinocultura. Ao contrário do que muita gente pensa, reflorestar (ou florestar) para gerar créditos não é a ênfase desse mecanismo. Isso porque ainda há muita polêmica sobre a eficiência real do reflorestamento para compensar carbono. A prova dessa dúvida é que o Brasil hoje não tem nenhum projeto de reflorestamento (ou florestamento) registrado junto à ONU. “Espera-se que com um número maior de OUTUBRO DE 2007

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brasil

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metodologias florestais aprovadas, se possa impulsionar o MDL para o setor florestal, que poderiam ser importantes na recuperação de áreas degradadas”, afirma Thelma Krug, secretária Nacional de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Para o MMA, a contribuição brasileira na compensação dos gases pode ser ainda mais ampliada. “Cremos que à medida em que novas metodologias sejam aprovadas e os custos de transação diminuídos, a participação será ainda maior”, completa. Apesar de possuir uma matriz energética mais limpa e de não estar obrigado pelo Protocolo a reduzir suas emissões, o Brasil tem se empenhado em emitir menos. O problema brasileiro é justamente o desmatamento, campo onde os projetos certificados de reflorestamento ainda não engrenaram. Entre 1990 e 1994, por exemplo, 75% das emissões de dióxido de carbono (CO2) no país se deram pela mudança no uso da terra e florestas (desmatamento). Em 2003 foi criado o “Plano de Ação para Combate ao Desmatamento” e nos últimos dois anos já se registrou uma queda de mais de 50% na taxa de desmatamento bruto na Amazônia Legal. Isso significou uma “economia” de 14 mil km2 de floresta – ou 500 milhões de toneladas de dióxido de carbono a menos na atmosfera. COMO FUNCIONA O MERCADO O mercado de comercialização de créditos de carbono é de alto risco, alertam os especialistas. O valor da tonelada de carbono reduzida varia muito, dependendo de fatores diversos, como a duração do projeto e a certeza de entrega do produto (no caso, redução de carbono). Em 2007, por exemplo, a tonelada está variando entre US$ 5 e US$ 13, segundo o Carbon Point. Em 2006, a variação foi ainda mais ampla: entre US$ 4 e US$ 18. Já na Chicago Climate Exchange, uma iniciativa voluntária - ou seja, não é reconhecida pelo Protocolo de Quioto -, a tonelada estava sendo negociada por US$ 3,10 em meados de setembro. Apesar do papel cada vez mais importante que deverão jogar as bolsas no futuro, hoje o mercado é de “balcão”, ou seja, o comprador busca diretamente o vendedor, ou vice-versa. “Vários deles usam ‘intermediários’ que podem ser bancos ou empresas de consultoria, porém alguns deles

ENTREVISTA: RICHARD SANDOR

CÂMBIO CLIMÁTICO CRIA RISCOS E OPORTUNIDADES

RAIO-X O QUE É – Créditos de carbono são certificados

sions”, says researcher Marcelo Theoto Rocha, of Universidade de São Paulo (USP). Whereas Brazil, due to its clean energy sources (hydro- and thermo-electrical power), with 80% of the installed capacity coming from renewable sources, needs to diversify more to generate even more credits. Marcelo Rocha thinks that, despite that disadvantage, Brazil has used its possibilities wisely. “There are many other [possibilities] to be evaluated”, he comments. Project Manager at Key Associados, one of the many companies that have started to explore that niche, Daniel Ricas shares the same opinion. “We have an enormous potential, today’s market is quite unexplored”, he adds. HOW THE MARKET WORKS The market of carbon credits trading is a high-risk one, experts warn. The value of each ton of carbon varies a lot, depending on diverse factors, such as the project’s duration and the guarantee of the product’s delivery (meaning, the reduction in carbon emissions). In 2007, for instance, the ton has varied between US$ 5 and US$ 13, according to Carbon Point. In 2006, the variation was even broader: between US$ 4 and US$ 18. At Chicago Climate Exchange, a stock market that specializes on the subject, but is part of the so-called “voluntary market” – that is, it is not recognized by the Kyoto Protocol --, the ton was traded at US$ 3.10 in mid September. Despite the increasingly important role that markets should play in the future, today the trades occur as in a “retail store”, that is, the buyer goes directly to the seller, or viceversa. “Many of them use a ‘third party’, which could be banks or consulting firms; however some of them make direct contacts. The contracts set the rules about how the

Caldeira em projeto da Key Associados /Steam boiler in project by Key Associados

emitidos quando ocorre a redução de emissão de gases do efeito estufa. Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) equivalente corresponde a um crédito de carbono. QUEM VENDE – Empresas localizadas em países em desenvolvimento que poluem, gerando gases do efeito estufa (como dióxido de carbono e metano). Essas empresas podem ser desde fazendas que criam suínos (e cujos dejetos são depositados em uma lagoa decantada, gerando metano, por exemplo) até grandes indústrias.

Montanha de bagaço de cana que virará combustível, em projeto da Key Associados /Sugarcane bagasse pile to be transformed into fuel, in a project by Key Associados

QUEM COMPRA – Empresas localizadas em país-

US$ 1,2 bilhão

es desenvolvidos (exceto EUA e Austrália) que, segundo o Protocolo de Quioto, devem reduzir suas emissões de gases. Elas buscam bancos ou consultorias que, por sua vez, procuram vendedores de créditos. ONDE SE VENDE – Existem os mercados oficiais

regulados pelo Protocolo. Na Europa, o principal é o EU-ETS, um balcão que negocia créditos de CO2 apenas. E também existem os mercados “voluntários”, cujos projetos são menos burocráticos já que não passam pelos trâmites do Protocolo mas também não são válidos para contabilizar reduções dentro das metas oficiais. QUEM DITA AS NORMAS – O United Nations

Framework Convention on Climate Change (UNFCCC), órgão da ONU para o tema das mudanças climáticas. É ali que as empresas brasileiras apresentam os projetos. Antes o projeto deve ser validado e aprovado pelo governo brasileiro. ONDE ENCONTRAR INFORMAÇÃO:

www.carbonobrasil.com www.ecosecurities.com www.keyassociados.com.br www.euets.com www.unfccc.int www.ecodes.org www.ecoclima.org.br

é a estimativa de movimentação que se fará no Brasil até 2012 fazem contatos diretos. Nos contratos estabelecidos é que se determina como se deva dar a transferência dos créditos”, explica Marcelo Rocha, da USP. Uma maneira de operar é o da multinacional Ecosecurities, que possui 60 projetos registrados na ONU em atividade no mundo. A consultoria procura clientes potenciais, avalia a data de geração dos créditos, os riscos do projeto e os riscos da própria empresa. Caso as perspectivas sejam positivas, a Ecosecurities compra os créditos a preço certo e assim vai montando sua própria carteira. Em seu portfólio hoje possui 163 milhões de toneladas de créditos a serem lançados até 2012. “A gente mesmo elabora o projeto. Se alguma coisa vai dar errado, já sabemos de antemão. Mas jogamos com um portfólio amplo e sempre temos margem para atuar. Nós podemos garantir ao cliente que vai ter emissão”, explica Marcelo Duque, gerente de originação de projetos. Ter créditos na própria carteira faz com que a empresa possa negociar melhor seus preços porque garante a entrega e diminui os riscos. Já o modus da Key Associados vai da identificação do potencial, identificação da melhor metodologia e busca de investidores, mas não faz a venda. “Temos parcerias com clientes e investidores que estão dispostos a colocar dinheiro para desenvolver o projeto”, explica Daniel Ricas, gerente de projetos. Às vezes o produtor do crédito tem capital para investir em si mesmo. E também às vezes a Key, sim, comercializa. É o caso do projeto com o banco alemão KFW, que comprou sete anos de créditos a serem gerados em um projeto de substituição de combustível da Penha Papéis e Embalagens.

US$ 30 bilhões foram negociados no mundo durante o ano de2006

14,79% das reduções já certificadas no mundo vêm do Brasil, ou

12,2 milhões de toneladas de CO2 compensadas

45% das reduções da AL vêm do Brasil; 17% vêm do México

credit transference must be done”, explains Marcelo Rocha, of USP (University of São Paulo). Ecosecurities, a multinational company with 60 active worldwide projects registered with the UN has its own operational system. The consulting firm searches for potential clients, and then takes into account the dates the credits are generated, the risks of the project and the risks to the firm itself. In case perspectives are positive, Ecosecurities buys the credits for the right price and starts its own portfolio, which now has over 163 tons of credits to be released by 2012. The modus operandi of Key Associados goes from assessing the potential to identifying the best methodology and searching for investors, but it does not close the sale. “We’ve got partnerships with clients and investors who are willing to invest money on the project development”, explains Daniel Ricas, project manager. Sometimes the credit producer has capital to invest in it. And sometimes Key does trade credits.

O momento é de ouro para empresas brasileiras. Um relatório do Banco Mundial, de maio de 2007, mostra que o mercado global de carbono triplicou de 2005 para 2006, alcançando US$ 30 bilhões. De acordo com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que lançou recentemente um programa para a criação de fundos mútuos fechados de investimento para apoiar projetos, o Brasil pode movimentar US$ 1,2 bilhão em créditos de carbono até 2012. Em São Paulo, tanto a Bolsa de Mercadoria & Futuros (BM&F) quanto a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) implantaram iniciativas para orientar empresas brasileiras a aproveitar as oportunidades dentro do sistema de créditos de carbono no mercado internacional. Apesar dos Estados Unidos não terem assinado o Protocolo de Quioto, Richard Sandor, especilista em mercado financeiro, sustentabilidade e professor da Kellogg Graduate School of Management (na Northwestern University), criou há quatro anos uma bolsa de valores para a negociação de créditos de carbono – a Chicago Climate Exchange (CCX). Hoje, a CCX já conta com 325 membros entre multinacionais e organizações não governamentais – muitas delas brasileiras. Abaixo, Sandor fala sobre as perspectivas para empresas brasileiras que investem nesse mercado. FOREIGN NEWS - Qual sua avaliação sobre a participação das empresas brasileiras na CCX? RICHARD SANDOR - Temos sido muito

bem-sucedidos em atrair empresas brasileiras. A Klabin, Aracruz, Suzano, Cenibra e VCP vieram representando o setor de papel e celulose, enquanto a Petroflex e Rhodia, o segmento químico. Temos interesse em outras empresas também. O Brasil é um dos países de maior representação na CCX e essas companhias têm avançado muito e assumido um incrível papel de liderança. Elas aderiram a um acordo de redução de suas emissões de gases e se submeteram a uma auditoria independente feita por um dos principais reguladores financeiros do mundo, a Nasd (National Association of Securities Dealers, entidade que fiscaliza os agentes envolvidos na negociação de títulos e valores mobiliários), responsável por regular, por exemplo, a Nasdaq (Bolsa eletrônica dos Estados Unidos). Elas estão liderando pelo exemOUTUBRO DE 2007

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plo e mostrando que se tornar uma especialista em todos os aspectos do mercado de carbono, como monitoramento, verificação, comércio e auditoria, tem um valor institucional e de negócios sem paralelo no mundo de hoje. FN - Que outros benefícios a CCX pode proporcionar às empresas brasileiras? RICHARD - A CCX pode ter um impacto

positivo incentivando projetos ambientais no Brasil. Ela pode oferecer padronização e transparência para os brasileiros participarem ativamente do mercado de carbono que está em franco crescimento. E os benefícios ambientais e financeiros para o Brasil podem ser muito significativos. No médio ou longo prazo, mais capital humano será criado para trabalhar nesse campo. Vemos no futuro a oportunidade de trabalhar ainda mais próximo dos setores público e privado no Brasil para alcançar essa meta. O Brasil está muito bem posicionado para se beneficiar do mercado internacional de carbono. Tem um território enorme, com muitas oportunidades em energias renováveis. FN - O que as empresas podem esperar do

Richard Sandor, professor da Kellogg Graduate School of Management

mundo pós-Protocolo de Quioto? RICHARD - Um mundo com restrição ao

carbono trará muitas oportunidades, mas também muitos riscos. O risco da mudança climática cria novas oportunidades nos

negócios e desafios que resultam em grandes impactos em setores e regiões. São riscos físicos, políticos, legais, de reputação e de competitividade. A maneira como uma empresa gerencia a sua exposição ao carbono pode criar ou destruir valor perante seus públicos-alvo. Portanto, cada vez mais, investidores e analistas estão atentos ao que as empresas estão fazendo em relação às questões do carbono e da mudança climática. As transações envolvendo carbono têm potencial para se tornar o maior mercado de commodities do mundo. Estamos assistindo à convergência dos mercados de capital e ambiental e essa tendência deve se intensificar. Muitos analistas acreditam que os US$ 30 bilhões projetados para esse mercado subestimam o seu real tamanho porque é difícil quantificar as transações privadas e esse valor não inclui os mercados voluntários. O mercado europeu de carbono, por exemplo, está crescendo numa taxa mais alta do que cresceu o mercado financeiro de derivativos quando ele foi criado. (CAMILA VIEGAS-LEE)


gastronomia /gastronomy

TAPAS uma delícia espanhola

TEXTO | NILZA BARROS FOTOS | FERNANDO DONASCI

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Ambiente do Mompou Tapas Wine Bar / Inside Mompou Tapas Wine Bar

/ Nilza Barros

Comer aos bocados é um dos prazeres dos espanhóis à mesa. Um conceito disseminado pelo mundo afora é o das tapas, pequenas porções de tira-gosto, acompanhadas sempre por um bom vinho. Descompromissadas, estão criando novos hábitos em outras culturas, inclusive nos Estados Unidos, através do Mompou, casa que segue a linha espanhola. Localizado em Newark, Nova Jersey, o restaurante possui um menu que é um convite degustativo com comidinhas variadas, realizadas pelo chefe Alessandro Gomes, formado pelo Culinary Institute of America (CIA). Desafiando esteorótipos, o Mompou atrai clientela elegante de cidades e estados vizinhos ao bairro de imigrantes Ironbound. O menu é sofisticado, tem sotaque francês e varia a cada estação, segundo o proprietário espanhol, Steve Iglesias. “Somos um conceito único na vizinhança e nosso menu é uma fusão da gastronomia francesa com a de outras partes do mundo, originando diferentes tapas”. Apesar do toque français, é da Espanha que vem a alma do negócio, já que dali são importados os ingredientes mais tradicionais, como azeite de oliva, chouriço, jamón serrano (tipo de presunto defumado), anchovas, pimentões, azeitonas, polvo, entre outros. Mas, no geral, são utilizados ingredientes de todo o mundo, principalmente, especiarias. Uma das iguarias do menu são as almôndegas de cordeiro, acompanhadas de uma salsa grega com amêndoas, alho e azeite de oliva. A tortilha à Herminia é uma atração à parte. A tapa tradicional foi reinventada e é servida com uma cobertura do queijo de cabra “Cabrales”, muito parecido com o Roquefort, porém, envelhecido durante 24 meses. O Mompou também realiza encontros de degustação de vinhos, sempre na primeira quarta-feira do mês. Pela bagatela de $30, são servidos entre cinco e sete títulos, acompanhados de tapas e explicações dos representantes de cada marca. A carta de vinhos

| OUTUBRO DE 2007

“O Mompou é uma nova onda de restaurantes que vão começar a se instalar no Ironbound”

Tapas: A Taste of Spain Eating small portions is one of the main characteristics of Spaniards at the table. Among the most popular concepts is tapas, small appetizers that are always consumed with a fine wine. This laid-back trend is creating new eating habits throughout the world, including in the US. One restaurant that follows this trend is Newark's Spanish-inspired Mompou, which is located in the Ironbound Sector of the city. Their seasonal menu, created by Culinary Institute of America graduate Alessandro Gomes, is a welcome invitation to patrons' taste buds, which challenges stereotypes and attracts customers well beyond the neighborhood. Their sophisticated selections have a French influence, changing every season, according to the venue's Spanish-born proprietor, Steve Iglesias. “We have a unique concept in the neighborhood, and our meny is a fusion of

Steve Iglesias, proprietário do Mompou / Steve Iglesias, owner of Mompou

Variedade de Tapas Uma deliciosa seleção de tapas, tortilha à Hermínia, bruschetta, pequillos rellenos, queijos e embutidos / A delicious selection of tapas: Herminia Tortilla, bruschetta, pequillos rellenos, cheese an d empanadas

French cuisine with those of other parts of the world, which originates different tapas.” Despite the Parisian touch, the soul of their business comes from Spain. It is from that country that they import most traditional ingredients, such as olive oil, chorizo, jamón serrano (a type of smoked ham) , anchovies, peppers, olives and octopus, among others. However, other ingredients - especially spices, are used as well. Among the highlights are the lamb meatballs in greek salsa with almonds, the Herminia tortilla (no relation to the Mexican namesake), a traditional tapa which is reinvented by being served covered in Cabrales goat cheese( this variety is similar to Roquefort, but aged for 24 months). On the first Wednesday of every month Mompou holds their monthly wine tastings. For $ 30, you get five to seven selections paired with tapas and explanations from representatives from each wine maker. The restaurant's wine list includes about 150 worldwide titles with prices that go from 4 6 to $ 10. The venue is also prides itself as a cultural institution. If you enjoy good music, bring along friends and family for an evening of great food to the tune of traditional Spanish music, jazz and bossa nova. In the fall, check out the flamenco dance classes, which go for $ 150 for a ten-meeting package. Service:à la carte, all credit cards accepted. Seats 92 people in three ambiances. Mompou Tapas Wine Bar Lounge 77 Ferry Street Newark NJ 07105 tel. 1.866.998.2727 www.mompoutapas.com

do restaurante contempla cerca de 150 títulos do mundo todo, com preços que variam entre $6 e $10 a taça. O Mompou também privilegia a cultura. Se você aprecia a boa música, convide sua família e os amigos para desfrutar de saborosos pratos ouvindo belíssimas músicas tradicionais espanholas, jazz e bossa nova. No outono, vale se inscrever nas aulas de dança flamenca. O pacote com dez encontros sai por $150. SOBRE A CASA - Mompou era o sobrenome de um compositor catalão, chamado Federico Mompou. “Quando se escolhe um nome para um lugar, às vezes tem-se que despertar um certo interesse. Reunimos os amigos e perguntamos certas coisas sobre nomes diferentes. Mompou ninguém conhecia e despertou curiosidade. Assim resolvemos batizar a casa”, explica Steve. A família de Steve Iglesias é da Galícia, na fronteira com Portugal, e emigrou em 1922 para Nova York, onde possuíu uma hospedaria. Os Iglesias enfrentaram a Grande Depressão em 1929, quando perderam tudo e recomeçaram com lojas de alimentos. “Meu pai, Antônio, serviu o exército durante a Segunda Guerra Mundial, e se casou com minha mãe, Hermínia, em 1944. Dessa união, nasceu meu irmão, 13 anos mais velho, e eu”, conta. Aos 46 anos, Steve Iglesias, que tem formação em Business Administration, iniciou seus empreendimentos com lojas de artigos esportivos em Newark e Jersey City. A transição para o ramo da gastronomia foi uma oportunidade única. “Sabe quando se está no lugar certo, na hora certa? Foi assim que tudo começou”, confidencia. Questionado sobre a importância da gastronomia para Newark, Steve é enfático. “Nossa área representa para Nova Jersey uma referência em gastonomia portuguesa, espanhola e mais recente, brasileira. Aqui come-se muito bem, mas os menus têm a tendência de se repetir. Fundamental seria criar pequenas diferenças, porque dentro dos países existem variedades gastronômicas. Acho que elas não estão tão bem representadas”. E finaliza: “O Mompou é uma nova onda de restaurantes que vão começar a se instalar no Ironbound. Acho que tive a sorte de fazer algo diferente para oferecer aos meus clientes”. SERVIÇO: à la carte, aceita todos os cartões decrédito

e acomoda 92 pessoas em três ambientes. Mompou Tapas Wine Bar Lounge 77 Ferry Street Newark NJ 07105 tel. 1.866.998.2727 www.mompoutapas.com


turismo /tourism

TURISMO EM NÚMEROS:

BRASIL

721.633

americanos visitaram o Brasil em 2006. Depois dos argentinos, eles são os que mais visitam o país

34,9%

dos turistas americanos visitaram o Brasil para fazer negócios ou participar de congressos e convenções;

32,5%vieram encontrar familiares e amigos e 28,1% foram a lazer.

NOVA YORK

43,8 milhões Fernando Donasci

CASO DE AMOR Enquanto o Brasil se promove em Nova York, a Big Apple se promove nas próprias ruas com a campanha “Just Ask the Locals” Depois de ter o Cristo Redentor eleito uma das novas sete maravilhas do mundo, o Brasil resolveu pôr o bloco na rua e fisgar o turista americano com uma campanha ampla de divulgação, que inclui publicidade, desfiles de moda, seminários e participação em feiras de negócios. E, claro, nenhuma cidade americana é melhor para receber a empreitada do que Nova York. Em setembro a cidade recebeu um banho da campanha “Vire fã”, que inclui um painel do Cristo montado na Times Square, além de anúncios na CNN News, sites, jornais, revistas e mídia externa. A próxima fase da campanha é chegar à costa oeste. Além do Rio, mais 13 destinos vão aparecer na promoção, entre eles, Fernando de Noronha, Salvador, Foz do Iguaçu, Manaus e os Lençóis Maranhenses. “THE LOCALS” - Enquanto o Brasil vai atrás do seu turista no exterior, a cidade de Nova York investe no próprio quintal para atrair clientela no momento em que as medidas de segurança para entrar nos Estados Uni52 | FOREIGN NEWS | OUTUBRO DE 2007

dos são as mais estritas (e chatas) do mundo. Para tanto, a prefeitura criou a campanha “Just Ask the Locals” (Apenas Pergunte aos Moradores). O objetivo é deixar claro que, apesar dos problemas de entrada no país, a cidade de Nova York é amável e quer receber turistas. Nela, nova-iorquinos de sucesso, como os atores Robert de Niro e Julianne Moore, e o ex-jogador de futebol americano Tiki Barber, aparecem dando dicas de seus lugares preferidos na Big Apple. De Niro, por exemplo, recomenda o New York City Fire Museum. Já Julianne Moore, aposta no restaurante Piccolo Angolo (“cosy and romantic”) e a loja de Helena Christensen, a Butik. Ambos estão na Hudson Street. “Just Ask the Locals” inclui anúncios publicitários e audiovisuais, informação na internet (no site www.nycvisit.com) e o lançamento dos “embaixadores do turismo”. Eles são os que fazem o tête-a-tête nas ruas, distribuindo folhetos com conselhos para os novatos na cidade. (PATU ANTUNES)

de pessoas visitaram a cidade em 2006;

6,2 milhões vieram do exterior Elas gastaram US$ 24,7 bilhões 368 mil empregos foram gerados como conseqüência direta da movimentação turística

/

Love Affair

While Brazil promotes itself in New York, the Big Apple becomes more popular among its own people After Christ The Redeemer has been elected one of the world’s seven new wonders, Brazil has decided to hook American tourists with a large ad campaign, including publicity, fashion shows, seminars and business events. And, of course, no other American city is better suited to receive this enterprise than New York. In September the city was showered with ads for the “Become a Fan” campaign, which includes a panel of Christ the Redeemer on Times Square, as well as ads on CNN, sites, newspapers, magazines and other media. The next goal is to get to the West Coast. Besides Rio, 13 other destinations will be advertised, such as Fernando de Noronha, Salvador, Foz do Iguaçu, Manaus and the Lençóis Maranhenses (watersheds and dunes of Maranhão state). “THE LOCALS” -While Brazil goes after foreign tourists, New York City bets on its own backyard to draw clientele, in times

12,8 milhões de viajantes passam, todo ano, pelo Aeroporto Internacional John F. Kennedy, ponto central da campanha “Just Ask the Locals”.

AS PEÇAS DAS CAMPANHAS: /Ads of campain: Robert de Niro, uma das estrelas do "Just Ask the Locals" /Robert de Niro, one of "Just Ask the Locals" stars

Anúncio que convida os nova-iorquinos a conhecerem o Rio /Ad invites New Yorkers to come to Rio de Janeiro

DESTINO DOS AMERICANOS NO BRASIL of tightened (and annoying) security for those who visit the United States. Therefore, City Hall has created the campaign “Just Ask the Locals”. The city wants people to know that, despite the hassle one faces to enter the country, New York City is friendly and tourists are welcome. Successful New Yorkers like actor Robert de Niro and actress Julianne Moore, and former football player Tiki Barber give suggestions about sightseeing in the Big Apple. De Niro, for instance, recommends New York Fire Museum, whereas Julianne Moore goes for the “cozy and romantic” Piccolo Angolo Restaurant and Helena Christensen's store, Butik. Both are located on Hudson Street. “Just Ask the Locals” has ads in printed and audiovisual formats, information online at www.nycvisit.com and the innovative “ambassadors of tourism”. They are the ones who do the tête-a-tête on the streets, giving out pamphlets with some advice for the city's first-timers.

/Main cities visited by Americans in Brazil

Salvador

12% Foz do Iguaçu

13,6%

Manaus

6,5%

São Paulo

21,3%

Rio de janeiro

62% NUMBERS OF TOURISM: BRAZIL - 721.633 Americans visited Brazil in 2006. NEW YORK - 43,8 millionpeople visited the city in 2006; 6,2 millionwere foreigners. They spent US$ 24,7 billion

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turismo

/tourism

Vista da sacada do hotel fasano no Rio /View from Fasano hotel

O Fasano carioca O frisson na hotelaria do Rio de Janeiro é provocado por uma casa paulistana. O Fasano, grupo que inclui hotéis, cafés e restaurantes de altíssima estirpe, chegou a Ipanema. E arrasou. O projeto de design interior é do badalado Phillip Starck, que aqui apostou mais pelo charme que pelas esquisitices. Na arquitetura, responde Isay Weinfeld, que tem assinado os outros empreendimentos de Rogério Fasano. Tudo muito charmoso, o melhor adjetivo para evocar os anos áureos do Rio. Para jantar, tem The Fasano Al Mare, um templo gastronômico dedicado à “Italian seafood” (sempre concorridíssimo). Para tomar algo, o Londra. Com 92 quartos, o hotel tem todas aquelas delícias de luxo. Massagem, academia de ginástica, sauna, cafeteria de estilo, serviço de limusine, etc. Mas o melhor mesmo é a vista privilegiada, de tirar o fôlego, à qual somente os hóspedes têm acesso. Não deixa dúvidas: o Rio de Janeiro é mesmo lindo.

Dunas do Maranhão /Dunes of Maranhao

MARAVILHA NATURAL:

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Fasano from Rio

The thrill of Rio de Janeiro's hotels is caused by a São Paulo-based group. Fasano, a conglomerate of hotels, cafes and high-end restaurants is now present in Ipanema beach. And it's a success! The interior design project is by renowned Phillip Starck, who has chosen charm over weirdness. Isay Weinfeld is the architect in charge, having fathered several other of Rogério Fasano's enterprises. It all is very charming, the best adjective to evoke Rio's golden years. For dinner, you could go to The Fasano Al Mare, a gastronomic temple dedicated to Italian seafood (always bustling). If you're up to drink something, go to Londra. With 92 rooms, the hotel has all of that luxurious comfort. Massage, gym, sauna, a stylish cafeteria, limo service, etc. But the best indeed is the breathtaking view, only accessible to guests. Undoubtedly, Rio de Janeiro is beautiful. Daily rates:from R$800 (US$ 400, for a back room) up to US$ 600 (deluxe suite). Reservations:rio@fasano.com.br

Diárias: de R$ 800 (quarto de fundos) a 1.200 (suíte deluxe). Reservas: rio@fasano.com.br

54 | FOREIGN NEWS | OUTUBRO DE 2007

VOTE NOS LENÇÓIS Uma das mais exuberantes paisagens do planeta, os Lençóis Maranhenses já estão na corrida para ser uma das “Maravilhas Naturais”, a seleção que a fundação suíça 7 New Wonders está organizando em todo o mundo. Foi essa mesma fundação que selecionou as “7 Novas Maravillas”, aquela votação que inclui o Cristo Redentor como um dos patrimônios mais incríveis da humanidade. Até 8 de agosto de 2008, pode-se acessar o site www.natural7wonders.com e clicar no ícone ‘Nomination’. Ali é necessário registrar o e-mail e o país, escrever o nome do candidato à Maravilha Natural e assinalar a categoria para concorrer. Os Lençóis Maranhenses devem ser votados como ‘Nature Conservancy Park’ (Parque de Conservação da Natureza). Os votos serão submetidos a uma comissão de especialistas, que chegarão a 21 nomes. Desse total sairão as Sete Maravilhas Naturais do Mundo. “Os Lençóis Maranhenses constituem uma paisagem única. Caso seja eleita uma Maravilha Natural do Mundo, esse acontecimento trará benefícios não apenas ao Maranhão, mas para todos os brasileiros”, afirma Manoel Pedro Castro, superintendente do

Sebrae maranhense. “É preciso ressaltar que a exploração deste patrimônio deve ser feita de forma adequada e sustentável, com o respeito ao meio ambiente e pensando nos benefícios sociais para as comunidades que vivem nestas áreas”, assinala. Com apoio do Sebrae Nacional, desde 2003 o Sebrae/MA atua nos Lençóis com capacitações para hotéis, restaurantes e guias de turismo, apoio ao artesanato e à gastronomia local, divulgação e outras ações. FEIRAS - O Bureau acaba de divulgar os Lençóis como destino turístico em duas feiras do setor nos Estados Unidos, na Flórida e em Las Vegas. Até o fim do ano, estão previstas participações da fundação em eventos em países como Argentina, Chile, Alemanha e Inglaterra e reuniões nacionais para tratar do tema. “Temos recebido um apoio importante dos nossos parceiros do Roteiro Integrado, do Ceará e Piauí”, afirma Fátima Rocha, do Sebrae. O Parque dos Lençóis Maranhenses foi criado em 1981. Possui área de 155 mil hectares. O clima na região é quente, com temperaturas que atingem os 38ºC. As famosas dunas dos Lençóis, formadas pelo vento, chegam a 40 metros de altura. O Parque é administrado pelo Ibama e sua visitação é regulamentada por um plano de manejo. (COM AGÊNCIA SEBRAE DE NOTÍCIAS)

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Natural wonder: Vote for the watersheds One of the planet's most exuberant sites, Maranhão's watersheds and dunes are in the race to be one of the "Natural Wonders", in a worldwide nomination organized by Switzerland's 7 New Wonders foundation. The same foundation selected the seven new wonders, which ranked Christ the Redeemer as one of mankind's most incredible beauties. Access www.natural7wonders.com until 8/8/2008 and click on 'Nomination'. Register with your email and country and choose your favorite Natural Wonder. Lençóis Maranhenses (the watersheds in the state of Maranhão) are under the category 'Nature Conservancy Park'. Votes will be sifted down to 21 names by experts, then finally down to the World's Seven Natural Wonders. Events - The bureau has just designated the Lençóis as a tourist destination in two events that took place in Florida and Las Vegas. By the end of this year, the foundation should participate in events in Argentina, Chile, Germany and England, and promote national meetings to tackle the subject. "We have received important support from our partners in the Integrated Itinerary, the states of Ceará and Piauí", says Fátima Rocha, from Sebrae.


cultura /culture

AOS 31 ANOS, A LINDA MATO-GROSSENSE VANESSA DA MATACHEGOU LÁ. APONTADA COMO UMA DAS “GRANDES NOVAS” CANTORAS BRASILEIRAS, ELA DESPONTOU EM 1999 QUANDO UMA COMPOSIÇÃO SUA EM PARCERIA COM CHICO CÉSAR, “A FORÇA QUE NUNCA SECA”, FOI CANÇÃO-TÍTULO DE UM DISCO DA CÉLEBRE BAIANA MARIA BETHÂNIA

pequena notável TEXTO

ERNEST BARTELDS

Vanessa, entretanto, já estava na estrada muito antes. Depois de iniciar a carreira cantando em bares em seu estado natal, Vanessa mudou para São Paulo em 1992, onde integrou a banda de reggae Shalla-Bai, um trabalho que a levou a trabalhar como backing vocal na turnê do grupo Black Uhuru no mesmo ano. Pouco depois, ela começou a compor suas próprias canções, chamando a atenção de Chico César; O trabalho foi crescendo com canções gravadas por Daniela Mercury e outros artistas, até o lançamento de seu primeiro disco-solo em 2003, Vanessa da Mata, produzido por Jacques Morelembaum, Liminha, Dadi e a própria cantora. Em seu mais recente trabalho, Sim (Sony BMG), ela conta com a participação do americano Ben Harper, que canta com ela na faixa “Boa Sorte / Good Luck,” que tem tido boa audiência através do site YouTube além de ser uma das favoritas na sua atual turnê. Vanessa da Mata conversou com a Foreign News por telefone de Portugal, onde ela esteve fazendo uma série de shows antes de viajar para os Estados Unidos. Ela se apresentou no encerramento do Festival de Cinema Brasileiro em Nova York, em agosto. FOREIGN NEWS - Como o público internacional tem recebido seu trabalho? VANESSA DA MATA - Tem sido ótimo. Nós fizemos um

festival aqui em Portugal e foi muito bom. O público cantava tudo, a música “Boa Sorte / Good Luck” é a mais vendida em Portugal digitalmente; Na Itália está em quarto lugar na rádio RAI, está super bem aceita. Essa faixa tem uma entrada no mercado incrível, é uma música muito forte e eu estou super feliz. FN - E como vai a recepção ao disco no Brasil? 56

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OUTUBRO DE 2007

CD

SIM / Vanessa da Mata O terceiro disco, uma mescla reggae e composições da cantora. Inclui a faixa "Boa Sorte/Good Luck" com participação especial de Ben Harper

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Little remarkable

At 31 years of age, Mato Grosso-born Vanessa da Mata has made it. Regarded as one of the great new Brazilian singers, she was first noticed in 1999 when "A Força Que Nunca Seca", a tune co-written with Chico César was the lead song for a CD by Bahiaborn Maria Bethania. Vanessa, however, had been on the road for quite a while. After starting off singing in small bars in her native state, she moved to São Paulo in1992, where she joined a reggae band called Shalla-Bai, which led to a backing vocal gig with a larger band, Black Uhuru, that same year. She began writing her own songs later on, and she caught the attention of Chico César. From that moment, her songs were being recorded by the likes of Daniela Mercury and others, and in 2003 she released her first CD, simply titled Vanessa da Mata, under the production of Jacques Morelembaum, Liminha, Dadi and herself. In her most recent project, Sim (Yes, Sony BMG), she has a duet with American singersongwriter Ben Harper, has had good rotation via YouTube and that has also been one of the favorites of her current tour. Vanessa da Mata spoke with Foreign News via telephone from Portugal, where she was doing a series of shows before traveling to the US, where she performed at the closing of the Brazilian Film Festival in New York City, in August. FOREIFN NEWS - How have international audiences received your work? VANESSA DA MATA - It has been great. We played at a festival here in Portugal and it was very positive because the crowd sang every song. “Boa Sorte Good Luck” has been number one here and it has also been well received in Italy, where it is fourth place on RAI. I am very happy about it. FN - What about the reception in Brazil? DA MATA - The reviews have been very positive. I believe this has been the best received CD so far. I think that we've been growing and I hope that things will keep on growing as we go along. Audiences and critics have been great overall, and we have

DA MATA - A crítica tem falado muito bem e eu acho que e o disco mais bem aceito em todas as formas. Acho que o trabalho vem crescendo, a tendência é – tomara – melhorar cada vez mais. A gente tem trabalhado muito para isso. FN - Como você compara o público brasileiro ao estrangeiro? DA MATA - É muito diferente. A gente tem

muitas surpresas e eu gosto dessas diferenças. Acho que isso faz o artista crescer porque a gente tem experiências novas e isso faz a gente ser sacudido. É muito cômodo você ficar num público que já te conhece, tem um certo carinho, já entende seu trabalho. Em Portugal, por exemplo, para onde eu venho desde meu primeiro disco, já tem uma recepção um pouco diferente do que na Argentina, onde a gente está lançando – as letras são sempre interpretadas de uma outra maneira. Isso me dá um interesse muito grande porque o que é compreendido no Brasil é compreendido bem diferente em Portugal. Como eu tenho um jeito de escrever às vezes metafórico, isso permite que as pessoas tenham suas próprias viagens numa música tão fechada. Tem uma coisa mais lúdica, poética, e isso me dá muito prazer. E também há a possibilidade de se fazer música brasileira no mundo, que é uma outra entrada muito boa. Acho que é muito importante quando você troca figuras com o exterior, mesmo em uma cidadezinha onde quase ninguém vai. Eu gosto muito disso, quando existe a possibilidade de você sair um pouco do cômodo, se mostrar e receber outros públicos. FN - O que você tem ouvido recentemente? DA MATA - Eu comprei aqui em Portugal

alguns discos. No Brasil, tem esse homem chamado Junior Barreto, que faz um trabalho muito interessante. Um compositor com voz muito firme, grave, do Recife. Tem minha amiga Cibelle, que tem um trabalho que eu curto muito. A gente trabalhou muito tempo juntas, durante muito tempo. Eu morava em São Paulo também, a gente ia para os cafés e ficava escrevendo. Sabe aquela música [canta] “oh minha linda, minha neguinha, meu café ficou...” que ela

“Tem tanta gente bacana no Brasil, tem muitos compositores, tem uma cena artística muito impressionante surgindo agora” OUTUBRO DE 2007

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FN - Quais são as maiores dificuldades para um artista no Brasil de hoje? DA MATA - A grande dificuldade é a finan-

ceira porque para começar em bares, o bar paga muito pouco, às vezes você nem recebe. Os problemas mudam, eles nunca se resolvem, sempre mudam. Acho que muitas vezes o artista não consegue se manter, muitas vezes você tem que ter dois empregos, tem que lidar com dono de bar que geralmente é um crapula, é uma dificuldade. Para a mulher, então, você nem imagina... Com um homem que é alto e forte eles não fazem nada, mas com mulher... eles não pagam, não estão nem aí... FN - Ou então oferecem a bilheteria, ou couvert artístico... DA MATA - É, “vamos crescer juntos”, aque-

le papo... E quando crescem começam a falar que estão crescendo, “vamos ficar mais um pouco”. Numa dessa você vai embora e o público também vai embora, e o estabelecimento acaba falindo isso. É muito chato, eu tive muitos casos assim, e foi muito ruim, muito desgastante. Eu saí de uma cidade muito pequena [Alto Garças, em Mato Grosso], fui atrás de meu ofício, de uma educação, e tive uma vida muito dura no começo. Mas isso serviu de base para muita coisa. São muitas dificuldades, há muita gente talentosa que não é descoberta a tempo de continuar aquilo - ela arruma outro trabalho e fica satisfeita, sendo bem remunerada e acaba desistindo. O lado artístico fica em segundo ou terceiro plano. FN - Quais são os seus projetos para o futuro? DA MATA - (Risos) Eu estou muito mergu-

lhada neste projeto, que é este disco que é muito novo ainda. Estou descansando e curtindo ele – descansando da gravação e curtindo estar na estrada... Eu penso nesta turnê que está se mexendo, senão a gente fica louca. É muita coisa, não dá para ficar muito em cima do próximo projeto, é muito difícil... 58

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“A crítica tem falado muito bem e eu acho que esse disco é o mais bem aceito”

quarta-feira, 17 de outubro MÚSICA

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THE TEMPTATIONS

/shopping

cultural /listings

Lembra da canção “My Girl,” sucesso na voz dos The Temptations? O grupo continua firme e forte, se apresentando ao lado de outra banda da geração Motown dos anos 60. New Jersey Center For The Performing Arts Center, 36 Park Place, Newark, NJ; 19h30; preço não divulgado

wednesday, OCTOBER 17th

terça-feira, 24 de outubro

BRAZILIAN SINGER - São Paulo-born singer Céu returns to New York in support of her self-titled CD, which brings in influences garnered from bossa nova, reggae and electronic music. Hiro Ballroom & Lounge, 363 W 16th St., New York. For more information, visit http://www.sixd egreesrecords.com .

CÉU

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fala de Dona Sinhá? Dona Sinhá é minha avó e ela fez essa música para mim [a música “Minha Neguinha” está no disco The Shine of Dried Electric Leaves pelo selo Six Degrees]. Ela é uma querida, a gente fazia muitas coisas juntas em São Paulo... E também tem uma baixista e cantora muito boa chamada Tita... Tem tanta gente bacana no Brasil, tem muitos compositores, tem uma cena artística muito impressionante surgindo agora. Na crise, a criatividade surge, como em todas as crises. Isso é incrível.

been working hard in that direction. FN - What kind of music has moved you recently? DA MATA - I have purchased a few CDs in Portugal since I've been here.... in Brazil, there is this great singer called Junior Barreto, who has a very interesting sound. He is a songwriter from Recife with a very firm, low voice; there is also my close friend Cibelle, whose music I really like. We worked together very often when I lived in São Paulo, we would go to cafes and we would write songs. You know that song (she begins to sing) “oh minha linda, minha neguinha, meu café ficou...” that mentions Dona Sinhá? [The song is entitled “Minha Neguinha”, which is included on Cibelle's The Shine of Dried Electric Leaves on Six Degrees]. Dona Sinhá is my grandmother – she wrote that song for me. She is a real darling, we did many things together back in São Paulo... There is also a singer and bassist called Tita... There are so many great new people in Brazil that are emerging these days, there is an impressive emerging artistic scene. In a time of crisis, creativity soars, as always happens. This is a really incredible thing. FN - What hardships do young artists in Brazil face today? DA MATA - The greatest hurdle is definitely financial. To begin your careers in bars, you don't really get paid decently, if you do. The problems change, but they never really end. Sometimes an artist cannot support himself, you need to have a day job; bar owners are generally dishonest. Women have it even harder, because no one is going to mess with a tall, strong man, but they often stiff women for money, they simply don't care... FN - Or they offer you the door, or a percentage of sales... DA MATA - Yeah, it's the “let's grow together” BS, and when they do grow, they start asking you to hold on a little longer. By then you are fed up and leave, and the same thing happens to the audience, and then the place fails. This is really a drag – I went through a lot of that in the past and it was really rough. I came from a small town, and went after work and an education, and it wasn't easy in the beginning. Fortunately that served as a basis for my life. There are many hardships along the way, and there are many talented people who are never discovered in time and then they find a stable job and end up giving up on their art, which no longer becomes a priority.

agenda cultural

A cantora paulista Céu retorna a Nova York para divulgar seu novo CD. O show tem uma energia especial, englobando influências da bossa nova, reggae e música eletrônica. Hiro Ballroom & Lounge, 363 W 16th St. em Nova York. www.sixdegreesrecords.com

até 27 de outubro INFANTIL

TERRA ARTE WORKSHOPS Pintura e desenho com pigmentos naturais, papel maché, 3 D-Art, etc. Crianças de quatro a 10 anos aprendem a expressar seus sentimentos e transformar o meio ambiente em que elas vivem, reutilizando objetos descartáveis e “reinventando” materiais recicláveis. Horário: De 14h30 às 16h. Biblioteca Brasileira de Nova York, 240 East 52nd Street, entre 2nd & 3rd Avenues, New York City. evento@migratingmedia.com

até 29 de outubro EXPOSIÇÃO

A ARTE DA ESCRITA “James Lee Byars: A Arte da Escrita”, uma exibição de correspondência entre o artista Lee Byars e a curadora do MoMA, Dorothy C. Miller, utilizando várias formas artísticas para levar sua mensagem adiante. The Museum of Modern Art, 11 West 53 Street, entre Quinta e Sexta avenida; New York; Aberto de 10h30 às 17h30, exceto sextas, até 20h; $20 (adultos); 212 708-9400 Y Para enviar informações sobre arte & cultura: ebarteldes@foreign-news.com

vitrine

cultura /culture

PARA OUVIR La Radiolina - Manu Chao

O cantor e compositor franco-espanhol lança seu primeiro CD em seis anos, trazendo influências africanas, européias e brasileiras em canções de forte cunho político em protesto à guerra no Iraque. Confira “Politik Kills” e a “Amalucada Vida,” cantada em português. (Nacional Records)

Nosso Tempo - Choro Ensemble

THE TEMPTATIONS, of “My Girl” fame, perform with The Four Tops. New Jersey Center For The Performing Arts Center, 36 Park Place, Newark, NJ; 7:30, Price not advertised, Visit http://www.njpac.org for details

tuesday, OCTOBER 24th

until, OCTOBER 27th FOR CHILDREN - Terra Art Workshops for Children: Teaching children to respect and love the earth through Art & Recycling. Kids will learn to express their feelings and to transform their environment creating art from disposable objects and by reinventing recyclable materials. The best works of art will be selected to participate on the “Terra” exhibition in November 2007 at Chelsea's New Century Gallery. Machado de Assis Library, 240 East 52nd Street between 2nd & 3rd Avenues, New York City. For more information contact Migrating Media & Productions, 646-373.3454 or evento@migratingmedia.com

Formado principalmente por músicos brasileiros radicados em Nova York , o grupo Choro Ensemble traz à tona a música de Pixinguinha, João de Barro e outros imortais do gênero. O estilo, que é mais antigo do que o samba, vem sendo redescoberto nos EUA e tem encontrado portas abertas no resto do mundo. (Anzic)

Breathing Under Water - Anoushka Shankar & Karsh Kale O que acontece quando uma instrumentista clássica se une a um produtor de música eletrônica com fortes influências de rock? Essa é a proposta de Karsh Kale e Anoushka Shankar em seu primeiro trabalho juntos. O resultado é fora de série e conta com participações de Norah Jones (irmã de Anoushka) e Sting. (EMI)

Miuza Adnet Canta Moacir Santos - Miuza Adnet A cantora brasileira Muiza Adnet colabora com seu irmão, oprodutor e violonista Mário Adnet, em um tributo ao compositor carioca Moacir Santos, um dos grandes compositores da bossa nova. Vale a pena conferir. (Adventure Music)

PARA LER until, OCTOBER 29th THE ART OF WRITING - “James Lee Byars: The Art of Writing” is an exhibit of the correspondence between artist James Lee Byars and MoMa curator Dorothy C. Miller with various media and art forms to convey his message. The Museum of Modern Art, 11 West 53 Street, NYC; open from 10:30AM till 5:30PM, fridays until 8PM; $20 (adults); (212) 708-9400 Y Please forward information on arts openings, music, and culture to ebarteldes@foreign-news.com

Malvinas Requiem - Rodolfo Fogwill A obra-prima de Rodolfo Fogwill, finalmente publicada nos EUA, conta a história de um grupo de desertores que se escondem em uma caverna enquanto aguardam o final da guerra, vendendo informação ao exercito inglês em troca de suprimentos. (Serpents Tail)

Fieldwork - Mischa Berlinski Aprovado por Stephen King, Fieldwork conta a fascinante história de um jornalista fictício radicado na Tailândia que investiga a vida de uma antropóloga condenada pelo assassinato de um missionário inglês. (FSG Books)


cultura /culture Divulgação

UMA CÂMERA E MUITAS IDÉIAS Um dos mais celebrados diretores de cinema brasileiro, Neville d’Almeida nunca teve medo de controvérsia. Um aficionado na obra de Nélson Rodrigues, ele adaptou e dirigiu filmes baseados na obra do dramaturgo, como “Os Sete Gatinhos” (1981) e “A Dama do Lotação” (1975). Além disso, em seu currículo também estão filmes como “Navalha na Carne” (1997) e o remake de “Matou a Família e Foi ao Cinema” (1991). Em seu mais recente trabalho, “Maksuara – Crepúsculo dos Deuses”, exibido em agosto durante a última edição do Petrobras Cine Fest em Nova York, retrata a relação de um povo indígena com o mundo dos brancos em contraponto com sua existência simples na mata atlântica e na floresta amazônica. Além disso, Neville também está envolvido em uma nova produção, uma releitura de “A Dama do Lotação” dentro do contexto da mulher brasileira nos dias de hoje, segundo 60

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ele, uma mulher “mais seletiva, que não aceita qualquer coisa.” Neville d’Almeida conversou com a Foreign News sobre seus projetos e sobre o cinema brasileiro atual. FOREIGN NEWS - Do que trata “Maksuara – Crepúsculo dos Deuses”? NEVILLE D’ALMEIDA - É um filme sobre o

índio brasileiro hoje, o índio brasileiro em 2006, o índio de chinelo, de calção, e também o índio na aldeia, na floresta amazôni-

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ca, na civilização e na mata atlântica. O filme é dividido em três blocos, que são as partes mais representativas. É também sobre a morte anunciada da cultura indígena e sobre essa coisa que está acontecendo que é a galvanização das aldeia. É um filme-poema, praticamente um filme mudo, só de imagens e música, falado na língua nativa dos caiapós. FN - Quais foram as maiores dificuldades para se fazer esse filme? NEVILLE - Há a dificuldade de você ir à flo-

resta amazônica, fretar avião... Nós levamos quatro anos fazendo o filme e também fizemos sem patrocínio, sem muito apoio, mas lutamos para fazer o filme. Tenho certeza que temos um filme que é único e bastante atípico também. Um documentário como esse, que é uma coisa mais antropológica, não é o tipo de filme que os cinemas comerciais querem passar. Por isso você tem muita dificuldade na hora de fazer. E depois distribuir e exibir também é difícil. Eu acho muito bom estar aqui em Nova York porque há a oportunidade de passar e também de difundir o filme. FN - Há algum projeto novo depois desse filme? NEVILLE - Estou trabalhando em um novo

projeto, que é uma história de Nélson Rodri-

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One camera and many ideas

One of the most celebrated directors in Brazilian cinema, Neville de Almeida never really feared controversy. - as an aficionado in the work of playwright Nélson Rodrigues, he adapted two of his works into the big screen, Os Sete Gatinhos (The Seven Kittens, 1981) e a Dama do Lotação (The Lady in The Bus, 1975). In his resume you will also find films such as Navalha na Carne (Razor in The Flesh 1997) e the remake of Matou a Família e Foi ao Cinema (Killed Her Family and Went To The Movies,1991). In his most recent project, Maksuara –Dawn of The Gods, shown during the last edition of the Petrobras Cine Fest in New York city early in August. The movie shows the picture of the Brazilian Indian today with his relation with the world of the white man versus his simple existence in the jungles of Brazil. The director spoke to Foreign News during the opening of the festival on Central Park, when he spoke of his new projects and also “directed” our photographer when we took some pictures with him,

gues. Eu já fiz dois filmes baseados na obra dele - “A Dama do Lotação” com a Sonia Braga e também “Os Sete Gatinhos” com o Lima Duarte, Antônio Fagundes e a Regina Casé. Agora nós vamos fazer “A Dama do Lotação II”, que mostra uma nova postura do comportamento da mulher,é um filme comportamental. FN - Na sua opinião, qual e a diferença mais marcante entre a mulher de hoje e a mulher dos anos 70? NEVILLE - Eu acho que a diferença mais

notável é a seletividade, porque nos anos 70 houve aquela explosão da sexualidade, a pílula, a libertação sexual trouxe muitas mudanças. O comportamento era muito explosivo, muitas vezes o sexo era usado de uma forma muito punitiva. A descoberta do sexo leva a uma série de problemas também. Hoje a mulher está madura, e hoje ela tem uma postura diferente, uma postura mais seletiva. Ela não aceita uma série de coisas que ela aceitava nos anos 70. Eu costumo dizer que agora as mulheres começam a fazer com os homens o que eles faziam com as mulheres nos últimos cinco mil anos - e isso já estava demorando... (ERNEST BARTELDS)

FOREIGN NEWS - What is “Maksuara – Dawn of The Gods” about? NEVILLE - It is a film about the Brazilian Indian in 2006 – it is the Indian who wears flip-flops and shorts – it is his everyday life in his village, in the cities and also in the jungle. The film is divided into three different blocks, which represent his life best. It is also a film about the announced death of the indigenous culture and about the galvanization of the villages these days; it is a poetic picture, almost without any dialogue except for the music and their own native caiapó language. FN - Are you working on anything else? NEVILLE - I am working on a new project, which is based on a story by Nélson Rodrigues – I have made two films based on his work – I made A Dama do Lotação with Sonia Braga and I also directed Os Sete Gatinhos with Lima Duarte, Antônio Fagundes and Regina Casé. We are now working on A Dama do Lotação II, which shows a new posture in women's behavior – it is a film about that. Today women are far more mature, and they are more selective, too; they don't accept many things they did back then. I always say that women today are doing to men what men had been doing to them in the last 5000 years – and that took too long!

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gente fina

PARA QUEM QUER SABER MAIS SOBRE ETIQUETA:

/fine people

Launching a Leadership Revolution: Mastering the Five Levels of Influence Autor: de Chris Brady e Orrin Woodward Editora: Business Plan

Com lançamento em 22 de outubro, a nova obra faz uma análise detalhada das características de um líder e o caminho anterior para chegar lá. O ponto de partida é a idéia de que todos têm potencial, mesmo que adormecido. Basta preparar-se para deixar o talento aflorar.

Etiqueta no Trabalho (Business Protocol) Autor: David Robinson Editora: Clio

Esse guia mostra como se comportar nas mais diversas situações, desde as mais complicadas às mais comuns. Ensina como se conduzir em reuniões de negócios, ter etiqueta ao telefone e lidar com as pessoas diretamente, entre outros tópicos.

Etiquette For Dummies Autor: Sue Fox Editora: For Dummies

ETIQUETA TECNOLÓGICA

Fornece conselhos úteis sobre o comportamento entre amigos, no trabalho, no amor, em viagens. etc. Ensina como não fazer feio à mesa, como receber, como ser um convidado adorável, vestir-se adequadamente. Em inglês.

PATU ANTUNES | TEXTO E EDIÇÃO

NA INTERNET:

Se há 10 anos era impensável que o mundo estaria completamente conectado via telefonia e Internet, hoje não dá para imaginar o trabalho sem tecnologia. Assim, acabou tornando-se indispensável prestar atenção em regrinhas básicas para não dar gafe – e até trabalhar melhor. CORREIO ELETRÔNICO

CELULAR

Y E-mail, no local de trabalho, não é uma carta e muito menos uma comunicação entre amigos. Por isso, é preciso ter cuidado com o que se envia, economizar nos detalhes e jamais pôr informações pessoais, já que ele pode ser reenviado. Lembre-se que muitas empresas já conseguiram o direito de vasculhar os e-mails e comunicações pessoais – e, com isso, demitir por justa causa. Y Use principalmente minúsculas. Maiúsculas significam que a palavra tem muito mais ênfase ou que se está GRITANDO. Y Todas as pessoas, em condição de igual relevância, devem ser colocadas no “Para” e não no “CC” (com cópia). O “CC” deve ser utilizado quando se trata de alguém que precisa ser informado do assunto, mas cuja resposta não se espera.

Y Ao estar em plena reunião com um cliente, o celular deve estar desligado ou no modo silencioso. Y Se uma ligação muito urgente é esperada, é necessário avisar aos que participam do encontro. Y Ao falar no celular, é imprescindível afastar-se dos demais. Y Ao dar uma conferência, o telefone pode ser deixado com um colega. Ou, igualmente, no modo silencioso.

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SECRETÁRIA ELETRÔNICA Y Ao encontrar um recado, responda-o. Se não tem a intenção de respondê-las, melhor retirar a opção dos telefones do escritório ou do celular. Y Ao deixar recados, comece pelo seu pró-

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www.abicalcados.com.br www.mannersinternational.com www.claudiamatarazzo.com

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Digital etiquette If 10 years ago it was simply impossible to imagine the world completely connected through telephone and Internet, nowadays it's unbearable to imagine corporative life without technology. So, it´s necessary to pay attention to basic rules not to make a faux pas – and even work better. E-MAIL Y Mails, at the workplace, should neither be a letter nor a writing between friends. It´s fundamental to be careful with content, save up details and never show personal information (as it can be forwarded). Remember that many companies have got the right to explore the employees's e-mails – and so can fire them with no financial compensation. Y Use mainly small letters. Capital letters mean that the word has much more emphasis or that the sender is SHOUTING.

prio nome e telefone, para não obrigar a pessoa que o recebe ouvir toda a mensagem para saber quem fala. Y Recados devem ser breves e não um falatório sem fim. Um minuto já é muito tempo.

MESSENGER Y Teclar e trabalhar ao mesmo tempo nem sempre dá em boa coisa. Muitas empresas até proíbem o uso dos softwares de mensagens instantâneas, temendo baixa de produtividade. Entretanto, se o uso é feito com base no bom senso, e a empresa tiver normas claro sobre isso, não tem porquê essa tecnologia ser um estorvo. Y Ao estar online é fundamental deixar claro a disponibilidade para comunicar-se. Assim, status como “Ausente” ou “Indisponível” devem ser respeitados. Outro truque contra os chatos de plantão, é entrar e ficar “invisível”. Assim, escolhe-se com quem falar.

Y Everybody, when having the same “relevance”, must be but in “To” and not in “CC”. This one must be used when the person should be informed about the news, but no answer is expected from her. MOBILE Y When in a meeting with a client, mobile must be off or in silent mode. Y If an urgent call is expected, it´s important to tell the others who are taking part in the meeting. Y When speaking over the mobile, it´s fundamental to stand back from the others. Y When in a conference, the phone should be left with a partner. Or, also, in silent mode.

ANSWERING MACHINE Y When listening to a message, answer it. If you don´t intend to answer messages, you'd better get this option off you mobile or the office phones. Y When leaving a message, start with your name and telephone number, not to make the person listen it all through to get to know who called. Y Messages should be short and not an endless speech. One single minute is more than enough. MESSENGER Y Typing and working at the same time do not always end well. Many companies even prohibit the use of instant messaging, afraid of low productivity. Nevertheless, if the use of it follows the common sense and the campany apply clear rules about that, there's no reason to become a problem. Y When on line it´s basic to let clear the availability to chat. So, “Away” status should be respected. A trick is to enter and be “Invisible” and select with whom to speak to.

3 CONSELHOS ÚTEIS

1

E-mail da empresa deve ser usado exclusivamente para o trabalho. Deixe as comunicações pessoais para o e-mail pessoal e, principalmente, fora do horário de expediente.

2

Participar de uma conferência não é compatível com falar ao celular. Se receber uma ligação urgente, afaste-se do recinto. O ideal é deixar o telfone com um colegapara administrar esses casos.

3

O uso do MSN e afins no horário de trabalho sempre causa polêmica, já que é facílimo perder tempo precioso. A empresa deve ter uma política clara sobre o assunto, que deve ser explicada já no momento de entrevistar um candidato.


AVALIAÇÃO – FOREIGN NEWS \Evaluation – Foreign News\ ESTA AVALIAÇÃO BUSCA COLHER INFORMAÇÕES E SUGESTÕES PARA MELHORAR A FOREIGN NEWS This evaluation is to gather information and suggestions to improve Foreign News magazine

1. VOCÊ DESEJARIA RECEBER A REVISTA FOREIGN NEWS TODOS OS MESES?

SIM /yes

/Would you like to receive the Foreign News magazine every month?

NÃO /no

( )

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2. A REVISTA ATENDE ÀS EXPECTATIVAS EM RELAÇÃO: /The magazine fulfills your expectations about:

A) CONTEÚDO

B) IMPRESSÃO GRÁFICA

/content

SIM /yes

NÃO /no

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C) PERIODICIDADE

/graphic design

SIM /yes

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/periodically

NÃO /no

SIM /yes

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NÃO /no

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( )

3. SE FOR PESSOA FÍSICA: /If it was a physical person:

( )FUNDAMENTAL

( )MÉDIO ( )SUPERIOR SIM B) OUTRAS PESSOAS LÊEM A REVISTA QUE VOCÊ RECEBE? ( ) NÃO( ) /Do others read the magazine you received? A) NÍVEL DE ESCOLARIDADE:

/primary school

/level of education

/high school

/college/university

/yes

/no

4. QUAL É O SEU NÍVEL DE SATISFAÇÃO COM A REVISTA FOREIGN NEWS? /Your level of satisfaction with the Foreign News magazine is:

ÓTIMO /great

( )

BOM /good

( )

REGULAR /regular

( )

BAIXO /awful

( )

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/

Please forward your answers to us as soon as possible.

POR QUÊ? /why?

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/article

artigo Leonardo Boff

é doutor em filosofia e teologia pela Universidade de Munique (Alemanha) e autor de mais de 60 livros nas áreas de teologia, espiritualidade, filosofia, antropologia e misticismo. É um dos fundadores da Teologia da Libertação e um dos grandes atividades sociais do Brasil.

Leonardo Boff is a Doctor in Philosophy and Theology from the University of Munich – Germany and author of more than sixty books in the areas of Theology, Spirituality, Philosophy, Anthropology and Mysticism. He is one of the founders of the Liberation Theology and one of the greatest social activists from Brazil.

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QUE É TER VERGONHA NA CARA? Benjamin Franklin (1706-1790) foi editor, refinado intelectual, escritor, pensador, naturalista, inventor, educador e político. Propunha como projeto de vida um pragmatismo esclarecido, assentado sobre o trabalho, a ordem e a vida simples e parcimoniosa. Foi um dos pais fundadores da pátria norte-americana e participante decisivo na elaboração da Constituição de 1776. Neste mesmo ano, foi enviado à França como embaixador. Frequentava os salões e era celebrado como sábio a ponto de o próprio Voltaire, velhinho de 84 anos, ir ao seu encontro na Academia Real. Certa tarde, encontrava-se no Café Procope em Saint-Germain-des-Près, quando irrompeu salão adentro um jovem advogado e revolucionário Georges Danton dizendo em voz alta para todos ouvirem:"O mundo não é senão injustiça e miséria. Onde estão as sanções?" E dirigindo-se a Franklin perguntou provocativamente:"Senhor Franklin, por detrás da Declaração de Independência norte-americana, não há justiça, nem uma força militar que imponha respeito". Franklin serenamente contestou: "Engano senhor Danton. Atrás da Declaração há um inestimável e perene poder: o poder da vergonha na cara (the power of shame)". É a vergonha na cara que reprime os impulsos para a violação das leis e que freia a vontade de corrupção. Já para Aristóteles a vergonha e o rubor são indí- “É vergonha na cara cios inequívocos da presença que reprime os impuldo sentimento ético. Quando sos para a violação das faltam, tudo é possível. Foi a vergonha pública que obrileis e freia a vontade gou Nixon a renunciar à prede corrupção” sidência. De tempos em tempos, vemos ministros e grandes executivos tendo que pedir imediata demissão por atos desavergonhados. No Japão chegam a suicidar-se por não aguentarem a vergonha pública. Ter vergonha na cara representa um limite intransponível. Violado, a sociedade despreza seu violador, pois não se pode conviver sem brio. Que é ter vergonha na cara? O dicionário Aurelio assim define:"ter sentimento da própria dignidade; ter brio." É o que mais nos falta na política, nos portadores de poder público, em deputados, senadores, executivos e em outros tantos ladrões e corruptos de colarinho branco. Com a maior cara-depau e sem vergonhice negam crimes manifestos, mentem sem escrúpulos nos interrogatórios e nas entrevistas aos meios de comunicação. São pessoas que à força de fazer o ilícito e de se sentir impumes perderam qualquer senso da própria dignidade. Roubar do erário público, assaltar verbas destinadas até para a merenda escolar ou falsificar remédios não produz vergonha na cara. Crime é a bobeira de quem deixa sinais ou permite que seja pego com a boca na botija. Nem se importam, pois sabem que serão impunes, basta-lhes pagar bons advogados e fazer recursos sobre recursos até expirar o prazo. Parte da justiça foi montada para facilitar estes recursos e favorecer os sem vergonha com poder. No transfundo de tudo está uma cultura que sempre negou dignidade aos índios, aos negros e aos pobres. Roubo-lhes seu valor ético porque a maioria guarda vergonha na cara e tem um mínimo de brio. Como me dizia um "catador de lixo" com o qual trabalhei cerca de 20 anos: "o que mais me dói é que tenho que perder a vergonha na cara e me sujeitar a viver do lixo. Mas não sou "catador", sou trabalhador que com o meu trabalho digno consigo alimentar minha família". Se nossos políticos desavergonhados tivessem a vergonha desse trabalhador, digna e dignificante seria a política de nosso país.

FOREIGN NEWS

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OUTUBRO DE 2007

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What is it to have shame?

Benjamin Franklin (1706-1790) was an editor, refined intellectual, writer, thinker, naturalist, inventor, teacher and politician. He proposed an enlightened pragmatism as a life project, based on work, order and simple and frugal life. He was one of the founders of America and a key participant in the 1776 Constitution. In that same year, he was sent to France as an ambassador. He used to attend the big events and was celebrated as a very wise man, so much that Voltaire himself, an 84-year-old man, met with him at the Royal Academy. In a certain afternoon, he was at Cafe Procope in SaintGermain-des-Près, when a young revolutionary lawyer Georges Danton strode into the room speaking out loud: "The world is nothing but injustice and misery. Where are the sanctions?" And coming up to Franklin he said provocatively: "Mr. Franklin, behind the American Declaration of Independence there is neither justice nor a military power to be respected ". Franklin calmly disagreed: "You are mistaken, Mr.Danton. Behind the Declaration there is an invaluable and eternal power: the power of shame". Shame is what restrains the impulses to break laws; it holds back the will to be corrupt. In Aristoteles’ point of view, shame and blushing are unequivocal clues that the feeling of ethics is present. When they are absent, everything is possible. It was public shame that made Nixon resign presidency. From time to time, we see ministers and high executives having to immediately resign for shameless acts. In Japan they even commit suicide for not being able to bear public shame. Having shame represents an insurmountable threshold. Society despises whoever breaks that threshold, because we cannot live without self-respect. What is it to have shame? Dictionaries have this definition: "to have the sense of one’s own dignity; to have selfrespect." And that’s what politicians lack the most, what powerful people like mayors, senators, executives and many other white collar thieves lack. Brazen-facedly and shamelessly they deny obvious crimes, unscrupulously lie at probes and to the media reporters. Those are people who, trying to get away with murder, have lost any sense of dignity. Stealing public money, plundering revenue destined even to children’s food or tampering with medicine do not make them feel ashamed. Crime, for them, is when some foolish crook leaves traces behind or is caught red-handed. But they don’t care, since they know they won’t be punished; they just have to hire good lawyers and keep pleading innocence until the deadline comes. Part of the justice system was made to facilitate those pleas and benefit the crooks in power. Deep within lies a culture that has always denied dignity to indians, blacks and poor. They have stolen their ethic values, since the majority of people have shame and selfrespect. As a I heard from a man who lives off of collecting street garbage for recycling, with whom I worked for about 20 years: "what hurts the most is that I have to put my shame aside and subject myself to live off of trash. I’m not a so-called “trash collector” though, I’m a worker who is able to feed his family through a worthy job". If our shameless politicians only had the same shame that worker does, honorable and dignifying would be the politics in our country.


Revista Foreign News - Nova York