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LOCUS Ambiente da inovação brasileira

Ano XVIII | no 68/69 Setembro 2012

NOVAS ROTAS DE DESENVOLVIMENTO Incubadoras de empresas e parques tecnológicos têm contribuído para a transformação da realidade econômica e social dos territórios onde atuam, por meio da promoção do empreendedorismo inovador. Agora é hora de iniciar um novo ciclo de crescimento, que reserva desafios proporcionais às conquistas dos últimos 25 anos

O novo secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Alvaro Prata, fala sobre as políticas para o setor Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares apoiam crescimento de empreendimentos criados por comunidades As bases da relação entre empresasâncoras e parques tecnológicos

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LOCUS

Da redação

Ambiente da inovação brasileira Ano XVIII ∙ Setembro 2012 ∙ no 68/69 ∙ ISSN 1980-3842

A revista Locus é uma publicação da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) Conselho Editorial Josealdo Tonholo (presidente) Carlos Américo Pacheco Jorge Audy Marli Elizabeth Ritter dos Santos Mauricio Guedes Maurício Mendonça Coordenação editorial/Jornalista responsável: Débora Horn (MTb/SC 02714 JP)

Eis aqui mais uma edição especial da Lo-

cus. Com o dobro de páginas, equivalendo a dois números, ela traz matérias de fôlego sobre os temas que mais interessam aos envolvidos com o empreendedorismo inovador no Brasil. Do empresário ao gestor de incubadoras e par-

Edição: Débora Horn Bruna de Paula Camila Augusto

ques, passando por pesquisadores, professores,

Reportagem: Bruno Moreschi, Camila Augusto, Caroline Mazzonetto, Daniele Martins, Débora Horn, Luiza Carreirão

todos encontrem na revista uma importante

servidores públicos, nossa expectativa é de que

fonte de informação. Direção e edição de arte: Bruna de Paula Colaboração: Hiedo Batista

Cada matéria é, assim, resultado da combinação entre apuração rigorosa, colaboração de

Revisão Vanessa Colla

especialistas nos temas abordados e articula-

Foto da capa Shutterstock

ção dos integrantes e parceiros do movimento. Tudo isso para que a Locus continue focada em sua missão de promover negócios, estimular a criatividade, compartilhar conhecimentos, for-

Presidente Francilene Procópio Garcia Vice-presidente Jorge Luís Nicolas Audy Diretoria Gisa Bassalo, Ronaldo Tadêu Pena, Sérgio Risola e Tony Chierighini

mar opinião, debater temas polêmicos e apontar o futuro. Para nós, da Redação, é gratificante disseminar informações sobre um movimento que,

Superintendência Sheila Oliveira Pires

nos últimos 25 anos, atuou de forma decisiva

Impressão Estação Gráfica

para transformar projetos em produtos, pesqui-

Tiragem 2.500 exemplares

sas em soluções, estudantes em empresários, sonhos em realidade. Sabemos que a continui-

Produção

Apoio

dade dessa trajetória de sucesso depende da divulgação adequada e transparente não apenas

Endereço SCN, quadra 1, bloco C, Ed. Brasília Trade Center, salas 209/211 Brasília/DF - CEP 70711-902 Telefone: (61) 3202-1555 E-mail: revistalocus@anprotec.org.br Website: www.anprotec.org.br Anúncios: (61) 3202-1555

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das conquistas, mas também das dificuldades vivenciadas pelo empreendedorismo inovador. É para isso que trabalhamos.


CARTA AO LEITOR

D

LOCUS Ambiente da inovação brasileira

NOVAS ROTAS DE DESENVOLVIMENTO

esenvolvimento. Palavra que permeia todas as discus-

sões sobre o futuro, seja de uma instituição, de um negócio, de uma cidade, de uma região, de um país. Não à toa, essa palavra pauta a maioria das reportagens da Locus, desde que a publicação foi criada. Isso porque o desenvolvimento é a finalidade do empreendedorismo inovador, movimento que comemora, neste ano, os 25 anos da entidade que o representa no Brasil: a Anprotec. Assim, foi escolhido também como tema do XXII Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, promovido por Anprotec e Sebrae entre os dias 17 e 21 de setembro deste ano, em Foz do Iguaçu (PR). Lançada no evento, esta edição traz à tona os desafios e conquistas do movimento nos últimos 25 anos. Nesse período, muitas coisas mudaram. Na esteira da globalização,

temos uma nova ordem econômica, com países emergentes conquistando cada vez mais importância no mercado mundial. Há novos setores produtivos, muitos deles resultado de pesquisas iniciadas há décadas. Temos, agora, um novo perfil de pesquisadores e estudantes, que veem no empreendedorismo uma oportunidade de carreira. Temos políticas públicas específicas para Ciência, Tecnologia e Inovação. Enfim, temos muito a comemorar. E temos, claro, novos desafios pela frente, apontados na reportagem de capa, que inicia na página 54. Os desafios também fazem parte do caminho dos empreendedores, que nesta edição ganham um bloco de matérias especiais para se informar. Entre as páginas 29 e 52, há reportagens sobre oportunidades de negócios, atração de investidores e diversos empreendimentos que deram certo. Mais à frente, a partir da página 65, matérias mais voltadas aos agentes e profissionais ligados a habitats de inovação – tratamos de aceleradoras de negócios, a relação entre empresas-âncoras e parques tecnológicos, incubadoras corporativas, gestão do conhecimento, Núcleos de Inovação Tecnológica e lições de uma missão internacional. Embora segmentado, esse conteúdo nos faz perceber a relação estreita entre os interesses de cada público. Afinal, todos buscam um mesmo ideal: o sonhado desenvolvimento. Por fim, convidamos você, leitor, a visitar a última página da revista e se emocionar com a carta de Mauricio Guedes, nosso colunista e um dos precursores do movimento no Brasil. Ele escreve a outros dois ícones, que infelizmente já nos deixaram: José Adelino Medeiros e Telmo Araújo, que foram diretor e presidente da Anprotec, respectivamente. Vale a pena ler e refletir. Boa leitura!

Conselho Editorial 5


ÍNDICE

Divulgação

54

A SERVIÇO DO DESENVOLVIMENTO

Ao alcançar a maturidade, movimento de empreendedorismo inovador brasileiro comemora conquistas dos últimos 25 anos. Entre elas, a contribuição efetiva de incubadoras de empresas e parques tecnológicos para transformar a realidade econômica e social dos territórios onde atuam. Agora, é hora de começar um novo ciclo de desenvolvimento

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22

COOPERAÇÃO

OPORTUNIDADE

O secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Alvaro Prata, fala sobre o desafio de levar o conhecimento acadêmico para o setor industrial

Incubadoras tecnológicas de cooperativas populares modificam a realidade das comunidades onde estão inseridas e movimentam a economia local

A indústria mundial de e-books cresce em ritmo acelerado. No Brasil, mercado começa a ganhar espaço, principalmente no ramo de livros educacionais

34 43 46 66 71 77 86 98 6

30

ENTREVISTA

INVESTIMENTO Entenda qual o caminho percorrido por empreendedores que aproveitaram os fóruns de investimento para alvancar e dar visibilidade aos seus negócios SUCESSO Conheça a história da paranaense Angelus, que direcionou seus esforços e investimentos em P&D para crescer e manter-se competitiva NEGÓCIOS Da concepção do negócio à mesa do consumidor: como buscar soluções inovadoras em um ramo tão tradicional como o da indústria de alimentos e bebidas? MECANISMOS De olho em start-ups inovadoras, aceleradoras de negócios investem em empreendimentos com alto potencial de crescimento e rápido retorno financeiro INTERAÇÃO Quais as vantagens da convivência entre PMEs e grandes empresas – e qual o papel dos parques tecnológicos na mediação dos interesses de cada negócio? APOIO Incubadoras corporativas apostam em novos empreendimentos, dando suporte desde a capacitação de gestores até a administração das empresas nascentes ACADEMIA Oito anos após a Lei da Inovação, saiba como se encontra o cenário dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) e quais desafios ainda devem ser superados OPINIÃO Mauricio Guedes relembra a trajetória da Anprotec no ano em que a associação comemora 25 anos, e traça um painel sobre o empreendedorismo inovador no Brasil


_O MOVIMENTO

Em ENTREVISTA à Locus, o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Alvaro Prata, fala sobre as políticas públicas para CT&I e sobre os planos para o setor. Novas parcerias e realizações mantém EM MOVIMENTO os habitats de inovação em todas as regiões do Brasil. Pelo país, iniciativas de COOPERAÇÃO, apoiadas por incubadoras ganham força. Gonçalo Guimarães dá sua OPINIÃO sobre a importância social dessas instituições 7


Agecom/UFSC

Um cientista conectado ao mercado Ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), instituição onde atua há mais de 30 anos, Alvaro Toubes Prata tomou posse como secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) no dia 23 de maio deste ano. O engenheiro – que se define como um “cientista vinculado à indústria” – já coordenou o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Refrigeração e Termofísica e tem um grande desafio à frente do novo cargo: levar o conhecimento científico para o setor industrial. Na opinião de Prata, o Brasil precisa investir no ensino fundamental e médio e, além disso, fazer com que o conhecimento que é produzido nas universidades e institutos de pesquisa beneficie a sociedade e gere produtos com alto valor agregado. A meta, segundo ele, é que, até 2014, 1,8% do PIB do país seja investido em Ciência, Tecnologia e Inovação.

POR DÉBOR A HORN 8


ENTREVISTA > Alvaro Toubes Prata

LOCUS > O sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil teve avanços significativos nos últimos anos, mas ainda há demanda por mudanças. Como o senhor vê esse cenário? Quais são os principais desafios desse sistema? Alvaro Toubes Prata > Temos tido avanços

e, por isso, o setor empresarial perde competitividade.

Quais são as saídas que o governo indica para que possamos ter empresas mais proativas nesse sentido?

em todos os aspectos. Cada vez mais valoriza-

O governo federal colocou como uma de

mos a educação, que é o nosso grande proble-

suas diretrizes a necessidade de transformar

ma. Não teve nem um país do mundo que se

o Brasil em uma potência tecnológica e inova-

desenvolveu sem priorizar educação. É um in-

dora. Esse é um grande passo. Temos criado

vestimento no futuro, preventivo. Mas, embora

diferentes planos, como o Plano de Desenvol-

já percebamos a importância da educação e es-

vimento da Agropecuária, o Plano de Desen-

teja sendo feito um esforço enorme para me-

volvimento da Educação, o Plano Brasil Maior,

lhorá-la, ainda somos um país muito desigual

o Plano Nacional de Saúde, a Política Nacional

do ponto de vista educacional. Nós precisamos

de Defesa. São grandes estratégias que utili-

nos concentrar agora em melhorar a educação

zamos para poder construir uma política na-

básica e o ensino fundamental e médio.

cional que trabalhe sinergicamente em prol da

Conseguimos, porém, um progresso enorme

Ciência, Tecnologia e Inovação.

na educação superior, sobretudo na pós-gradua-

No âmbito do MCTI, em dezembro do ano

ção. A Universidade de São Paulo, por exemplo,

passado, o Conselho Nacional de Ciência, Tec-

é a que mais forma doutores no mundo. Cons-

nologia e Inovação construiu e aprovou as es-

truímos uma estrutura que favoreceu muito a

tratégias nacionais de CT&I. Essas estratégias

Ciência brasileira. É por isso que hoje o Brasil

definem o cenário que vai orientar o país em

é o 13º país em produção de conhecimento

relação a programas prioritários.

[de acordo com a National Science Indicators (NSI)].

sidades e institutos, enquanto 30% estão no

É possível observar que todos esses planos estão interligados e parece haver uma busca pelo desenvolvimento sustentável, com uma preocupação com o social, o ambiental e o econômico. Sabemos que muitas dessas áreas prioritárias são foco de pesquisas nas universidades e institutos do país. Como fazer esse conhecimento chegar até a sociedade?

setor empresarial. Essa é uma distorção em

Dentro dessas estratégias que estabelece-

relação ao que se verifica no resto do mundo.

mos, nós colocamos metas. Uma delas é que,

Do ponto de vista da tecnologia, da inovação,

até 2014, nós possamos investir 1,8% em Pes-

não temos conseguido colocar o conhecimento

quisa e Desenvolvimento e que metade desse

científico a serviço do nosso país.

total venha do setor empresarial. Queremos,

No entanto, uma característica do nosso sistema que ainda não conseguimos resolver é que essa Ciência só prospera nas universidades e institutos de pesquisa. Cerca de 70% dos cientistas e engenheiros que trabalham com Pesquisa e Desenvolvimento estão nas univer-

Hoje o Brasil investe 1,2% do PIB em Ciên-

também, aumentar a taxa de inovação nas

cia e Tecnologia. Desse total, 0,6% é investido

empresas [indicador que mede a introdução

pelo governo e 0,54%, aproximadamente, é

de novos produtos e processos no mercado]

investido pelas empresas. O valor que inves-

e que, em 2014, essa taxa alcance 50%. Hoje

timos como governo é parecido com o que os

estamos em 38%.

países desenvolvidos investem. A diferença

Em geral, o que queremos é facilitar e pro-

está em quanto as empresas investem. Agre-

mover a interação entre o conhecimento cien-

gamos pouca tecnologia aos nossos produtos

tífico e o tecnológico, o que levará à inovação. 9


ENTREVISTA > Alvaro Toubes Prata

Podemos separar esse objetivo em três gran-

oferecer incentivos fiscais, por meio da Lei do

des dimensões. Uma delas visa criar e favore-

Bem, em 2006. Naquele ano, apenas 130 em-

cer o surgimento de instituições que possam

presas se beneficiaram. Em 2010, saímos das

trabalhar de forma articulada.

130 e fomos para 639. Mas ainda temos um

Uma segunda vertente é apoiar os setores

universo muito maior de empresas que pode-

prioritários para o país e fazer com que a in-

riam se beneficiar. Há algumas críticas feitas

dústria também se envolva com esse objetivo.

pelos empresários e as duas mais importantes

Para isso, temos uma série de programas e

são as que vou falar. Primeiro, eles veem na Lei

incentivos fiscais, como a Lei do Bem e a sub-

do Bem uma insegurança, atribuída a algumas

venção econômica, por exemplo. Por fim, esta-

imperfeições da legislação. A Receita Federal

mos trabalhando no marco legal da inovação.

tentou regularizar e normatizar melhor a Lei

Criamos a Lei do Bem, em 2005, e hoje há uma

do Bem no final do ano passado. Isso melho-

série de outros instrumentos. Precisamos me-

rou a segurança jurídica e a expectativa é que

lhorar o ordenamento deles.

possamos ver o resultado dessa mudança nos próximos anos. Outro alvo de críticas dos empresários é

“UMA CARACTERÍSTICA DO NOSSO SISTEMA QUE AINDA NÃO

que, segundo eles, a Lei do Bem beneficia somente a grande empresa, porque é ela que trabalha com lucro real. Já as empresas que tra-

CONSEGUIMOS RESOLVER É QUE A CIÊNCIA

balham com lucro presumido e com o Simples

SÓ PROSPERA NAS UNIVERSIDADES E

estudado formas para favorecer as pequenas e

INSTITUTOS DE PESQUISA”

não podem acessar esse benefício. Hoje temos médias empresas de maneira que elas possam, também, receber incentivos fiscais. É preciso ampliar essa discussão. Todo empresário que procurou se informar e con-

Quais são as principais demandas de adaptação e atualização do nosso marco legal nessa área? Quando conversamos com o setor industrial

seguiu receber incentivos foi surpreendido positivamente e passou a fazer uso desse tipo instrumento.

para saber por que eles não investem mais em Pesquisa & Desenvolvimento, recebemos algumas reclamações – e a maioria delas é procedente. Uma das principais críticas é referente à alta taxa de impostos que se verifica no Brasil. A questão da infraestrutura do país é um segundo ponto que é alvo de reclamações. E o terceiro item é a questão da burocracia. O Brasil é um país complicado, amarrado em si próprio. Quando falamos de trazer ciência para os nossos produtos, precisamos de agilidade.

Parques tecnológicos e incubadoras de empresas têm sido apontados como ferramentas importantes para a inovação. O último estudo sobre incubadoras, realizado pela Anprotec e pelo MCTI, aponta que 98% dos empreendimentos incubados inovam. Qual é o papel que incubadoras e parques tecnológicos devem desempenhar para fortalecer o sistema? Temos feito um esforço muito grande para ampliar o número de incubadoras no país. É impressionante o que temos conseguido até

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Voltando à questão do incentivo fiscal. Atualmente, poucas empresas aproveitam os benefícios da Lei do Bem. Há alguma explicação para isso?

agora. Começamos a dar estímulo a elas no iní-

Sim, é surpreendente. Pouquíssimas empre-

país do mundo conseguiu fazer um progresso

sas utilizam esse mecanismo. Começamos a

tão grande no número de incubadoras. Nossa

cio na década de 1980 e hoje temos quase 400 incubadoras no Brasil. Quase nenhum outro


ENTREVISTA > Alvaro Toubes Prata

Ascom MCTI

expectativa é que esse impacto, advindo dessas novas empresas que estão sendo geradas, possa começar a mudar a vocação do Brasil, para que ele passe a oferecer produtos com maior valor agregado. As incubadoras cuidam da etapa inicial da vida da empresa. Depois disso é preciso que esses empreendimentos tenham um ambiente favorável, que são os parques tecnológicos.

Nós vemos que há várias iniciativas de incentivo à inovação nos estados. Há um despertar do poder público para a necessidade de investir em Ciência & Tecnologia e para a importância de instrumentos como incubadoras e parques? Não só os Estados, mas também os municípios. Não podemos esquecer que o parque tecnológico vai ser colocado em uma determinada cidade, que precisa estar estruturada legalmente e administrativamente para receber o parque. É preciso, também, que os Estados se preparem para isso. Atualmente, 16 dos nossos Estados já sancionaram suas leis de inovação. Também temos três estados elaborando a minuta de lei e um estado com o projeto em tramitação. Se você tem na política estadual o fomento à tecnologia e o surgimento de parques tecnológicos, as diretrizes e leis federais podem ser implantadas com maior propriedade. ções. Primeiro, é necessário que eles persigam

O senhor tem experiência como professor, pesquisador, reitor e coordenador de diversos projetos. Do ponto de vista da universidade, como é possível avançar para que entreguemos o conhecimento produzido dentro dela para a sociedade?

a fronteira do conhecimento e que, dentro de

É preciso que cada um de nós faça a sua

uma universidade fechada nela própria, com

parte. O que quero dizer com isso? É que nós

amarras e tabus, estigmatizando setores e im-

gastamos muito tempo e esforço reclamando,

pondo dificuldades de relacionamento. O bom

dizendo que não devia ser assim, que a culpa

professor universitário é aquele que consegue,

é do outro. É claro temos direito de nos pre-

contribuindo para a sociedade, transformar o

ocupar e de criticar. Mas, se dentro daquilo

relacionamento com outras áreas de conheci-

que nos compete, cada um de nós puder fazer

mento e com as empresas em benefício acadê-

a sua parte, já teremos um grande avanço. É

mico, contribuindo para a boa formação dos alunos. L

preciso que os pesquisadores sigam duas dire-

nossas áreas de competência, possamos fazer trabalhos originais, ousados. Em segundo lugar, é importante que nós possamos abrir os nossos laboratórios e as nossas dimensões para a sociedade. Não podemos conceber

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EM MOVIMENTO

NORTE

MCTI pretende criar política de parques tecnológicos para a Amazônia Divulgação

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, anunciou que o governo pretende desenvolver uma política de parques tecnológicos na Amazônia. A declaração foi feita durante o fórum conjunto dos Conselhos Nacionais de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti) e das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), que aconteceu entre os dias 23 e 25 de julho, em São Luís (MA). “Queremos utilizar os conhecimentos tradicionais que existem nessas regiões sobre os elementos da biodiversidade para desenvolver novos negócios”, disse Raupp. O ministro Marco Antonio Raupp afirma que os conhecimentos locais devem ser usados para fomentar ambientes inovadores na Amazônia

Tocantins lança rede estadual de inovação Elson Caldas

O governo de Tocantins lançou, no dia 17 de julho deste ano, a Rede Tocantinense de Inovação (RTI), em uma reunião entre gestores públicos e o governador do estado, Siqueira Campos. O projeto, que reúne 10 instituições, tem o objetivo de organizar e estimular parcerias entre o governo, as universidades e o setor empresarial. A meta é criar uma cultura da inovação no Tocantins. A Secretaria da Ciência e Tecnologia terá o papel de articular os atores de inovação do estado, promovendo encontros regulares para o

Signatários se comprometeram a criar condições para alcançar os objetivos do protocolo

desenvolvimento da RTI.

CGEE concluiu estudo sobre parques na Região Norte

12

O estudo Parques Científicos

dia 14 de agosto, no Centro de Ges-

rios estados da Amazônia. O objetivo

e Tecnológicos na Amazônia com

tão e Estudos Estratégicos (CGEE),

da pesquisa é apoiar a constituição

Agregação de Valor aos Produtos da

em Brasília (DF). Para a realização do

e o desenvolvimento de parques tec-

Biodiversidade foi apresentado no

estudo, foram feitas reuniões em vá-

nológicos na região.


EM MOVIMENTO

NORDESTE

Fotos: Divulgação

Porto Digital inaugura escritório em São Paulo nove pontos de trabalho, mesa de apresentação para até quatro pessoas com TV LED, internet banda larga wi-fi de 50 mega, além de serviços extras fornecidos de acordo com as necessidades de cada empresa. Para utilizar o escritório, os empreendimentos terão que pagar uma taxa de conservação de R$ 50,00 por dia. O local funcionará 24 horas, todos os dias da semana. A ideia é que as empresas do Porto Digital – que abriga mais de 200 empreendimentos em Recife (PE) – possam contar com a estrutura do parque tecnológico também na capital paulista, de forma a atrair investidores e potenciais clientes. O escritório servirá, ainda, para que os executivos de São Paulo possam entrar em contato mais facilmente com as empresas do Porto Digital. Contratos firmados no Sudeste do Brasil representaram, em 2010, 25% do total do faturamento das empresas embarcadas. “O Porto Digital, reconhecendo a importância que tem a cidade de São Paulo no desenvolvimento de seu ecossistema, buscou o apoio da Softex e dos governos municipal e estadual para a implantação de mais um benefício às empresas localizadas no parque tecnológico do Recife. No caso, um ponto de apoio no principal centro econômico do Empresas embarcadas poderão contar com a infraestrutura do Porto Digital também em São Paulo

país”, explicou Francisco Saboya, durante a inauguração do escritório. O Centro de Excelência em Tecno-

Localizado na Avenida Paulista, o escritório do Porto

logia de Software do Recife (Softex) é o parceiro ope-

Digital em São Paulo (SP) foi inaugurado no último dia

racional do Porto Digital na administração e gerência

26 de junho e possui 35 m2 de área. O espaço oferece

do escritório.

Maranhão seleciona bolsistas para elaborar plano de Parque Tecnológico O Governo do Estado do Maranhão lançou, no dia 21

plano de negócios para a criação de um parque tecnológico.

de agosto, o edital Programa de Suporte à Implantação de

O edital oferece 10 bolsas, que variam de R$ 1.072 a R$

Ações Estratégicas em Pesquisa, Desenvolvimento Tecnoló-

4 mil. Podem concorrer graduados em Engenharia Elétrica,

gico e Inovação no Estado do Maranhão. O objetivo é sele-

Civil, da Computação ou Ciência da Computação, Economia

cionar bolsistas para atuar com as seguintes ações: moder-

e técnicos em Edificações, Informática e Administração.

nização da infraestrutura de comunicações digitais; criação

A íntegra do edital está no site www.fapema.br. As

de um Centro de Referência em Tecnologia; dinamização

inscrições podem ser realizadas pela internet até o pró-

de sistemas produtivos agropecuários; e elaboração de um

ximo 20 de setembro. 13


EM MOVIMENTO

NORDESTE

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia começa a estruturar sistema de fomento às incubadoras de empresas A Secretaria de Ciência, Tecnolo-

de incubação. A ideia é que seja im-

que Tecnológico da Bahia, já abriga

gia e Inovação da Bahia (Secti) con-

plantado na Bahia um modelo simi-

nove empreendimentos. O espaço foi

tratou a Fundação Certi, de Santa

lar ao catarinense, que inclui não só

inaugurado neste ano e possui cerca

Catarina, para realizar a implanta-

a operação da incubadora e suporte

de 26 mil m2. A Secti planeja lançar

ção e operação assistida da Incu-

às empresas, mas também a estru-

um novo edital público para seleção

badora do Tecnocentro do Parque

tura de uma rede de mecanismos e

de empresas. O Governo ainda pre-

Tecnológico da Bahia, além da ela-

programas que possibilita a geração

tende instalar novas incubadoras em

boração do plano operacional para

de empreendimentos inovadores.

Ilhéus, Itabuna, Vitória da Conquista,

a estruturação do sistema estadual

O prédio Tecnocentro, do Par-

Feira de Santana e Camaçari.

Divulgação

Empresas incubadas de Alagoas adotam sistema de gestão desenvolvido por estudantes

Equipes da agência Desenvolve e da Rede Alagoana de Incubadoras reúnem-se com estudantes para apresentação do sistema

14

O Sistema de Gestão para Pe-

tempo em que auxiliará as peque-

da Ciência, Tecnologia e Inovação

quenos Negócios desenvolvido pe-

nas empresas a gerir melhor os

(Secti) e a empresa Bessa’s Tecnolo-

los participantes do projeto Prêmio

seus negócios, visando à inserção

gy – e conta com o apoio do Banco

Talento Wiki – promovido pelo

no mercado competitivo”, relatou

Interamericano de Desenvolvimento.

governo de Alagoas – será testa-

o diretor-presidente da Desenvolve

O projeto tem como objetivo fazer

do em 25 empresas residentes em

– Agência de Fomento de Alagoas,

com que estudantes de cursos como

incubadoras da Rede Alagoana de

Antonio Carlos Quintiliano.

Tecnologia da Informação e Adminis-

Incubadoras de Empresas (RAIE).

O Prêmio Talento Wiki, lançado

tração desenvolvam softwares para

“O projeto piloto vai servir para

no ano passado, é uma parceria entre

serem implantados em micro e pe-

melhorar o sistema, ao mesmo

a Desenvolve, a Secretaria de Estado

quenas empresas.


EM MOVIMENTO

CENTRO-OESTE

Campo Grande (MS) ganha primeira incubadora tecnológica Divulgação

Foi inaugurada a primeira incubadora tecnológica da capital sul-matogrossense, no dia 1º de agosto. Na mesma data foi lançado o edital para seleção de empresas, que escolherá 15 propostas, sendo 10 para incubação presencial e cinco para a modalidade à distância. Os projetos podem ser enviados até 30 de novembro e a expectativa é de que haja mais de 40 inscrições. A instituição está funcionando no antigo prédio da Incubadora Francisco Giordano Neto, que abrigava empreendimentos da área de couro e artefatos e estava desativada. Foram investidos R$ 150 mil na reforma do local, na compra de mobiliário e na instalação da infraestrutura de Tecnologia da Informação. A coordenação da incubadora é realizada pela Unidade Especial de Criação e Inovação da Prefeitura de Campo Grande (MS), núcleo responsável pela política institucional de inovação do município. O edital para seleção de empresas está disponível no Diário Oficial de Campo Grande, na edição do dia 1º de agosto: www.capital.ms.gov.br/diogrande.

Nova incubadora recebeu investimento de R$ 150 mil e já lançou edital para seleção de candidatas à incubação presencial e à distância

CDT/UnB é a primeira incubadora do Brasil a fazer parte do projeto europeu Soft Landing O Centro de Apoio ao Desenvolvi-

cado internacional. Os membros do

afirma o gerente de Desenvolvimen-

mento Tecnológico da Universidade

programa oferecem às empresas ser-

to Empresarial do Centro de Apoio

de Brasília (CDT/UnB) firmou parcei-

viços como acesso a escritórios, apoio

ao Desenvolvimento Tecnológico da

ra para participar do projeto piloto

da equipe local quanto a aspectos le-

Universidade de Brasília (CDT/UnB),

Soft Landing, da European Business

gais, financeiros, culturais e assuntos

Higor Santana.

& Innovation Centre Network (EBN).

práticos, além de informações sobre

Foi uma das primeiras incubadoras

o mercado, dentre outros benefícios.

Sobre a Rede EBN

de empresas do Brasil a se associar

“Essa é uma grande oportuni-

Criada em 1984, a European Bu-

à rede, da qual a Anprotec também

dade para promover o intercâmbio

siness & Innovation Centre Network

faz parte.

de empreendimentos incubados e

(EBN) oferece serviços com o objetivo

O Soft Landing tem como objetivo

graduados para participar de ações

de coordenar as atividades dos Busi-

promover a internacionalização de

no exterior, e também receber em-

ness and Innovation Centres (BICs) –

micro e pequenas empresas por meio

preendimentos incubados de outros

organizações que promovem inovação

do intercâmbio de empreendimentos

países, além de promover a coope-

e empreendedorismo. A EBN também

incubados, permitindo que tenham

ração internacional em projetos de-

age como interface com outras orga-

maior facilidade de acesso ao mer-

senvolvidos pelo CDT e pela UnB”,

nizações, como a Comissão Europeia. 15


EM MOVIMENTO

SUDESTE

Núcleo do Parque Tecnológico de Piracicaba (SP) é inaugurado Divulgação

O prédio do Núcleo do Parque Tecnológico Emilio Bruno Germek, localizado em Piracicaba (SP), foi lançado no último dia 21 de agosto pelo Governo de São Paulo e pela Prefeitura do Município. O objetivo do parque, que possui área de cerca de 700 mil m², é promover a cooperação entre centros de pesquisa, universidades e empresas, além de oferecer suporte para atividades empresariais do setor de energia. No parque já estão instalados os prédios da Faculdade de Tecnologia de Piracicaba (Fatec), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) e da empresa

O núcleo terá dupla função: incubadora de empresas e centro administrativo do parque

Raízen.

empresas interessadas em ocupar

nológica, os serviços associados e

O núcleo, que funcionará como

espaços no local, sendo que oito

os negócios que serão desenvolvi-

incubadora e centro administrativo

delas já passaram pela análise do

dos no Parque Tecnológico de Pira-

do parque, disponibilizará espaços

Arranjo Produtivo Local do Álcool

cicaba terão como foco tecnologias

para abrigar empresas de base tec-

(Apla) que administra o parque e é

para a conversão de diversas fontes

nológica. O prédio conta com 27

responsável pela seleção dos em-

de biomassa em combustíveis reno-

módulos, além de secretaria, au-

preendimentos.

váveis. Até agora, foram investidos

ditório e laboratórios. Existem 12

Os programas de inovação tec-

Incubadora Coppe/UFRJ ganhará novo prédio voltado para o setor de óleo e gás

16

cerca de R$ 80 milhões no parque.

Incubadora Habitat completa 15 anos

Foram iniciadas as obras de ex-

Financiadora de Estudos e Pesquisas

O Programa de Incubação da Bio-

pansão da Incubadora de Empresas

do Ministério da Ciência, Tecnologia

minas Brasil completou 15 anos em

Coppe/UFRJ, na Ilha do Fundão, com

e Inovação (Finep/MCTI) e pela OGX,

junho – resultado de um convênio

a construção do seu terceiro prédio.

do empresário Eike Batista.

de cooperação de sucesso entre a

O novo ambiente vai abrigar até nove

A área total do novo prédio será

iniciativa privada, o governo e a uni-

empresas com perfil industrial, volta-

de 1,2 mil m2 e a previsão é de que

versidade. A Habitat atualmente con-

das para o setor de petróleo e gás/

as obras estejam concluídas no iní-

ta com 16 empresas incubadas, que

energia, – vocação do Parque do Rio,

cio de 2013. Com isso, a instituição

faturam R$ 120 milhões por ano. O

onde a Incubadora se encontra ins-

vai ampliar sua capacidade, poden-

programa também já graduou 20 em-

talada. O projeto terá investimento

do chegar a um total de 30 empre-

preendimentos, que hoje têm fatura-

de R$ 2,5 milhões, aportados pela

sas instaladas simultaneamente.

mento, somado, de R$ 500 milhões.


EM MOVIMENTO

SUDESTE

Programa São Paulo oferece três linhas de financiamento Du Amorim

Pequenas empresas paulistas de base tecnológica contam com novas opções para a obtenção de recursos. O governo de São Paulo lançou, no último dia 24 de agosto, o Programa São Paulo Inova, que inclui três linhas de financiamento, a serem operadas pela Desenvolve SP, e um termo de cooperação para a constituição de um fundo de investimento para empresas que realizam inovação tecnológica. Duas das linhas terão os juros subsidiados pelo Fundo Estadual de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcet). O programa conta, no total, com investimentos de R$ 250 milhões. Desse valor, R$ 100 milhões serão destinados ao Fundo de Investimento e os outros R$ 150 milhões às linhas de financiamento.

O investimento total é de R$ 250 milhões, sendo R$ 100 mi destinados ao fundo de investimento e R$ 150 mi às linhas de financiamento

Tanto empreendimentos recém-criados quanto em-

O fundo de investimentos contará com recursos

presas com rendimentos de até R$ 300 milhões poderão

do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas

ter acesso aos recursos. O programa atenderá, ainda, a

Empresas (Sebrae/SP), da Fundação de Amparo à Pes-

empresas incubadas ou que residam em parques tecno-

quisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da Finep e da

lógicos.

agência Desenvolve SP, entre outros eventuais investi-

O enquadramento da operação em determinada linha

dores. Serão priorizados empreendimentos das áreas

será realizado pelo Funcet, com base no potencial de ino-

de Tecnologias da Informação e Comunicação, Biotec-

vação do projeto apresentado, no valor a ser financiado e

nologia, Novos Materiais, Fotônica, Nanotecnologia e

na faixa de faturamento da empresa.

Agronegócios.

Incubadora Supera promove concurso de plano de negócios O concurso nacional de plano

formulários, além de realizar o paga-

para a etapa final: uma sabatina com

de negócios BioBusiness Brasil –

mento de uma taxa de inscrição. As

um júri de avaliação. Essa fase, que

organizado pela incubadora Supe-

equipes podem ter até quatro pesso-

ocorrerá em Ribeirão Preto, está

ra, de Ribeirão Preto (SP) – recebe

as. Após essa etapa, serão escolhidos

prevista para acontecer no dia 14 de

inscrições até o próximo dia 21 de

os projetos que poderão participar

dezembro. No mesmo dia será reali-

setembro. A iniciativa premiará os

das próximas atividades do concur-

zada a premiação.

três melhores planos de negócios

so. Os pré-selecionados participarão

O primeiro colocado receberá um

desenvolvidos ao longo do projeto.

de um curso intensivo de elaboração

prêmio de R$ 3 mil, uma vaga na Incu-

O objetivo do programa é incentivar

de plano de negócio, que será reali-

badora Supera, além de 50% de uma

a criação de empresas nas áreas de

zado online.

bolsa de pós-graduação na Fundação

biotecnologia e saúde.

Ao longo do concurso, as equi-

Armando Alvares Penteado (FAAP)

Os interessados em participar

pes desenvolverão seus planos de

– Unidade de Ribeirão Preto. Os se-

devem acessar o site www.biobusi-

negócio, orientadas por consultores.

gundo e terceiro lugares receberão,

nessbrasil.com.br e preencher dois

Até cinco planos serão selecionados

respectivamente, R$ 2 mil e R$ 1 mil. 17


EM MOVIMENTO

SUL

Divulgação

Governo de Santa Catarina lança projeto arquitetônico do Órion Parque

Parque sediado em Lages (SC) terá uma incubadora de empresas, centros de pesquisa e desenvolvimento e um museu tecnológico

O projeto arquitetônico do Órion

senvolvido pela Secretaria de Estado

to Federal de Santa Catarina (IFSC).

Parque, que será construído em La-

do Desenvolvimento Econômico Sus-

De acordo com o presidente do Insti-

ges, na serra catarinense, foi apre-

tentável de Santa Catarina (SDS/SC)

tuto Órion, Roberto Amaral, a ideia é

sentado no último dia 17 de agosto.

e pela Fundação de Amparo à Pes-

que as empresas absorvam o conhe-

O edifício terá 4 mil m² e abrigará

quisa e Inovação (Fapesc), em parce-

cimento e as pesquisas provenientes

uma incubadora de empresa, centros

ria com o Inova@SC e Prefeitura de

das instituições de ensino. O Serviço

de pesquisa e desenvolvimento, um

Lages.

Nacional de Aprendizagem Comer-

museu tecnológico, auditórios, den-

O parque ficará localizado nas

cial (Senac) planeja implantar uma

tre outros espaços. O projeto foi de-

proximidades do campus do Institu-

universidade corporativa no parque.

ESMP criará primeira incubadora de Economia Criativa da Região Sul A unidade da Região Sul da Escola Superior de Pro-

vestimentos financeiros e fornecerá a infraestrutura

paganda e Marketing (ESPM) assinou um convênio

necessária para dar suporte às empresas. O projeto

com a prefeitura de Porto Alegre, no dia 12 de julho,

receberá um aporte inicial de R$ 3 milhões. O espaço

para que seja criada a primeira incubadora de empre-

apoiará cerca de 50 empreendimentos de áreas como

sas da Indústria Criativa do Sul do país. A prefeitura

Moda, Publicidade e Design Gráfico. Quando a incuba-

cederá, por 30 anos, o prédio onde funcionará a ins-

dora estiver completamente ocupada, devem ser gera-

tituição.

dos cerca de 700 empregos diretos. A expectativa é de

A ESPM Sul administrará a incubadora, fará os in18

que as obras comecem em 2014.


EM MOVIMENTO

SUL

Divulgação

Editais contemplam incubadoras tecnológicas e indústria criativano Rio Grande do Sul lizar a expansão das incubadoras existentes no estado. Cada instituição poderá submeter apenas um projeto. O aporte de recursos solicitado deve ser de até R$ 250 mil. O valor total do edital é de cerca de R$ 2,1 milhões. Na mesma data, também foi lançado um edital de apoio à indústria Serão distribuídos, no total, R$ 3,4 milhões às iniciativas inovadoras

criativa do Rio Grande do Sul. Serão apoiadas empresas dos setores de

O governo do Rio Grande do Sul

audiovisual, novas mídias e design.

lançou no último dia 8 de agosto

Poderão ser financiadas propostas

um edital de apoio a incubadoras

de até R$ 200 mil. O edital oferece,

de base tecnológica e à indústria

no total, cerca de R$ 1,3 milhão. O

criativa. A iniciativa faz parte do

prazo final para envio de propostas

Programa RS Técnópole. O objeti-

para os dois editais é 24 de setem-

vo é oferecer recursos para viabi-

bro deste ano.

Instituições do Paraná assinam protocolo de intenções para criação de Parque Tecnológico A cerimônia de assinatura do pro-

nistrativa para alcançar os objetivos

tocolo para criação do Parque Tecno-

do acordo, promover apoio técnico,

lógico do Norte Pioneiro aconteceu

e ainda, indicar um membro titular e

no último dia 17 de agosto, na sede

um suplente para o Conselho de Ad-

do Instituto Federal do Paraná (IFPR),

ministração do parque. O documento

no município de Jacarezinho. Assina-

estabelece metas e prevê o prazo de

ram o documento representantes de

36 meses para implantação do Par-

órgãos e instituições como Secreta-

que Tecnológico do Norte Pioneiro.

ria de Ciência, Tecnologia e Ensino

O parque terá a finalidade de pro-

Superior do Estado, Prefeitura de

mover o desenvolvimento dos 29

Jacarezinho e Instituto de Tecnologia

municípios da região, a partir da atra-

do Paraná.

ção de empresas de base tecnológica

O protocolo assinado prevê o for-

inovadoras. O projeto prevê, também,

talecimento da articulação institucio-

a instalação de uma incubadora tec-

nal entre os envolvidos. Os signatá-

nológica do Instituto de Tecnologia

rios ficaram responsáveis por criar

do Paraná (Tecpar) no campus de

condições de natureza legal e admi-

Jacarezinho.

Microsoft inaugura laboratório na PUCRS O Centro de Inovação Microsoft-PUCRS inaugurou, no dia 19 de junho, um novo laboratório, na Faculdade de Informática da PUCRS. É o primeiro instalado fora da sede da empresa, que fica no Tecnopuc. Poderão utilizar o espaço unidades acadêmicas e organizações parceiras que estiverem desenvolvendo atividades em conjunto com o Centro. Atualmente, há cerca de 90 Centros de Inovação Microsoft no Brasil e no mundo.

Universidade Luterana do Brasil inaugura Parque Tecnológico em Canoas (RS) A Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) inaugurou, no último dia 22 de agosto, o Parque Tecnológico Ulbratech, em Canoas (RS). O prédio possui 6 mil m² e abrigará empresas das áreas de Petróleo e Gás, Energias

Renováveis,

Metalmecânica,

Tecnologia da Informação e Biotecnologia. A construção do local contou com apoio de instituições como Finep, CNPq, Sebrae e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul. O parque tem capacidade para receber 20 empresas e a sua incubadora, 11. No dia 22 de agosto também foi lançada a Rede Ulbra de Inovação, que tem por objetivo reunir iniciativas inovadoras das 15 unidades da Universidade Luterana existentes no país. 19


EM MOVIMENTO

NACIONAL

Bndes abre edital para seleção de gestor do fundo Criatec II O Criatec II terá um

2012. Outras informações sobre o

gestor nacional e, no mí-

processo de seleção encontram-se

nimo, seis gestores re-

disponíveis no site do Bndes.

gionais, que atuarão em

Criatec I – O lançamento do

O Bndes recebe até 11 de outubro

seis polos, divididos em,

Criatec II é fruto dos bons resul-

propostas de empresas interessadas

pelo menos, quatro regiões do país.

tados obtidos pelo primeiro fundo

em gerir o Criatec II. A chamada foi

A atual chamada publicada é desti-

Criatec, que iniciou sua operação

lançada no dia 30 de agosto. O fundo

nada a selecionar apenas o gestor

em outubro de 2007, com o obje-

será voltado para empresas inovado-

nacional. Os gestores regionais se-

tivo de aportar recursos em empre-

ras com faturamento líquido anual

rão aprovados pelo comitê de inves-

sas de pequeno porte ou start-ups

de até R$ 10 milhões.

timentos do Criatec II durante os 12

com perfil inovador. O Criatec I

primeiros meses de funcionamento

possui 36 empreendimentos em

do fundo.

sua carteira, espalhados pelas sete

O patrimônio comprometido do Criatec II será de, no mínimo, R$ 170 milhões, sendo que a partici-

Os polos de atuação serão distri-

regionais de atuação do fundo.

pação do Bndes poderá alcançar até

buídos da seguinte forma: um gestor

O período de investimentos já foi

80% desse valor, limitado a R$ 136

no Rio Grande do Sul; um em São

encerrado. Várias empresas incu-

milhões. O Banco do Nordeste do

Paulo; um em Minas Gerais; um no

badoras ou graduadas receberam

Brasil (BNB) comprometerá até R$

Rio de Janeiro; um no Distrito Fede-

aporte do fundo.

30 milhões. O Banco de Desenvol-

ral e/ou em Goiás; um na Bahia e/ou

Criatec III – O Bndes realizará um

vimento do Sul (Badesul) e o Banco

Ceará e/ou Rio Grande do Norte. O

novo edital para a seleção do Gestor

de Desenvolvimento de Minas Ge-

fundo poderá ter mais de seis polos

do Fundo Criatec III até agosto de

rais (BDMG) também serão cotistas

de atuação, inclusive em localidades

2013. O fundo terá estruturação

do fundo, com aportes de até R$ 10

não previstas, desde que aprovados

idêntica ao Fundo Criatec II, apenas

milhões cada um. Ambos participa-

por seu comitê de investimentos.

com polos de atuação diferentes. O

em

Criatec III terá gestores nos seguin-

projetos nas suas respectivas regi-

participar do processo de seleção

tes estados: Paraná e/ou Santa Cata-

ões. Outros investidores institucio-

do Criatec II deverão enviar suas

rina; São Paulo; Minas Gerais; Rio de

nais poderão ingressar no quadro

propostas em versão impressa e ele-

Janeiro; Amazonas e/ou Pará; Per-

de cotistas do Fundo.

trônica até o dia 11 de outubro de

nambuco e/ou na Paraíba.

rão com o objetivo de investir em

Os

gestores

interessados

Finep lança linha de crédito para projetos de inovação em Tecnologia Assistiva

20

Uma linha de crédito de R$ 90 mi-

a R$ 20 milhões. A participação da

tos das Pessoas com Deficiência – Vi-

lhões para projetos de inovação em

financiadora será de até 90% das

ver sem Limite, com investimento de

Tecnologia Assistiva desenvolvidos

despesas da empresa. A taxa fixa de

R$ 150 milhões até 2014. Os recur-

por empresas foi apresentada pela

juros variará de 4% a TJLP+3% a.a.

sos serão distribuídos em forma de

Finep no último dia 27 de agosto.

A ação faz parte do Programa de

crédito (R$ 90 milhões), subvenção

O crédito disponível (financiamento

Inovação em Tecnologia Assistiva,

econômica (R$ 30 milhões) e proje-

reembolsável) será concedido para

lançado pela Finep como parte inte-

tos cooperativos ICT-Empresa (R$ 30

projetos com valor de R$ 1 milhão

grante do Plano Nacional dos Direi-

milhões).


EM MOVIMENTO

NACIONAL

Plano TI Maior prevê aceleração de 150 start-ups até 2014 O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou, no úl-

fomentar a indústria de software e

start-ups de software e serviços de

serviços na área.

TI até 2014, sendo 25% de start-ups

timo dia 20 de agosto, o Programa

Um dos eixos do TI Maior é a ace-

internacionais localizadas no país.

Estratégico de Software e Serviços

leração de empreendimentos de base

As empresas serão selecionadas por

de Tecnologia da Informação – TI

tecnológica. O programa, chamado

meio de um edital, que deve ser di-

Maior –, que tem a finalidade de

Startup Brasil, planeja acelerar 150

vulgado no próximo mês de outubro.

Inovação só sai do papel com investimento. Conheça o Inova Brasil, o programa de crédito para empresas inovadoras com taxas e prazos competitivos. A FINEP ajuda a viabilizar o seu projeto de inovação tecnológica, estimulando o crescimento de sua empresa e do País.

Projetos inovadores merecem crédito. www.finep.gov.br/programas/inovabrasil.asp

21


Bruno Magalhães

COOPERAÇÃO

O programa Osasco Solidária mantém uma oficina de capacitação profissional em costura

Foco no social Utilizando como referência o modelo de incubação tradicional, as incubadoras tecnológicas de cooperativas populares já somam mais de 60 iniciativas no país P O R C A M IL A AU G U S TO

22

No início da década de 1990, a Funda-

outras instituições, a Fiocruz decidiu adotar

ção Oswaldo Cruz (Fiocruz) – localizada no

uma estratégia diferente, que acabou revolu-

Complexo de Manguinhos, bairro e favela da

cionando o setor de incubação no Brasil.

Zona Norte do Rio de Janeiro – sofria com a

Na época, a maioria da população de

violência da região. O prédio do órgão, que é

Manguinhos estava desempregada ou pos-

referência em pesquisas na área de Saúde Pú-

suía empregos precários. A Fundação – com

blica, chegou a ser atingido, em algumas oca-

o suporte do Comitê de Entidades no Com-

siões, por balas perdidas de tiroteios. Porém,

bate à Fome e pela Vida (COEP) e do Institu-

em vez de se mudar do local, como fizeram

to Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação


COOPERAÇÃO

e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ)

A iniciativa da ITCP da Coppe logo se ex-

– apoiou a formação da Cooperativa dos

pandiu pelo país. “Começamos a ser muito

Trabalhadores Autônomos do Complexo de

procurados e, para apoiar e repassar a tec-

Manguinhos (Cootram). Criado no final de 1994, o empreendimento passou a prestar serviços para a Fiocruz, como os de limpeza, jardinagem e reciclagem de lixo. O sucesso da experiência animou os pro-

_NOVA CHAMADA DE APOIO A INCUBADORAS SOCIAIS DEVE SER LANÇADA NESTE ANO

fessores da Coppe, que já possuía uma incubadora de base tecnológica desde 1994, a

Em conjunto com a fundação das incubadoras, surgiu, em 1998, o

repensar o modelo: dessa vez, a incubadora

Programa Nacional de Incubadoras de Cooperativas Populares (Pro-

não seria de empresas, mas de cooperati-

ninc), com o objetivo de apoiar e fomentar essas iniciativas. No início,

vas populares. E foi ali, em meio a centros

o programa apoiou, com recursos financeiros, as seis primeiras ITCPs

de pesquisa de engenharia, que nasceu a

do país, vinculadas às universidades públicas do Rio de Janeiro, Cea-

primeira Incubadora Tecnológica de Coo-

rá, São Paulo, Juiz de Fora, Pernambuco e Bahia.

perativas Populares (ITCP), em 1995. “Nós realizamos uma inovação no mundo das incubadoras. Pegamos algo que já existia, que era a incubadora de empresas tradicionais, e utilizamos isso como ferramenta para a inclusão de grupos marginalizados”, destaca o arquiteto Gonçalo Dias Guimarães, coordenador geral da ITCP e um dos responsáveis pela fundação da incubadora. Não era apenas em Manguinhos que a população sofria com o desemprego e a informalidade. Na década de 1990 o país vivia uma grave recessão. Na Grande São Paulo, por exemplo, o número de desempregados passou de 614 mil pessoas, em 1989, para 1,715 milhão, em 1999, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). “Foi dentro desse contexto de crise, e a partir das necessidades da época, que as incubadoras de empreendimentos solidários ganharam impulso”, afirma Guimarães. A escolha pela incubação de cooperativas, e não de empreendimentos tradicionais,

O programa, no entanto, ficou desativado por anos e só foi revitalizado em 2003, quando foi criada a Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), que faz parte do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Com sua renovação, foi constituído um comitê gestor, composto por 16 membros de instituições como Finep, Fundação Banco do Brasil, Rede Unitrabalho e de ITCPs, dentre outras. O Proninc é operado por meio de editais de chamadas públicas e, atualmente, apoia 77 incubadoras. “Os editais são coordenados pelo Comitê Gestor e contam com recursos vindos de diversos ministérios que apoiam o programa. A partir de 2010, as incubadoras das universidades públicas passaram a receber apoio do Programa de Extensão Universitária, do Ministério de Educação”, explica o diretor do Departamento de Estudos e Divulgação, da Secretaria Nacional de Economia Solidária, Valmor Schiochet. A última chamada do programa ocorreu em 2009 e a previsão é de que a próxima seja lançada ainda neste ano. “Neste semestre está ocorrendo o pagamento de parcelas a diversos convênios relativos ao último edital. Provavelmente teremos ainda neste ano uma nova chamada dirigida à constituição de Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares nos Institutos Federais, para a incubação de empreendimentos cooperativos de catadores de material reciclável. Caberá ao Comitê Gestor do Proninc definir os próximos passos a serem seguidos”, explica Schiochet.

foi feita na tentativa de ampliar o impacto

De acordo com Schiochet, os resultados do Proninc são conside-

da incubadora na sociedade. “Por ser uma

rados positivos pela Senaes. “A avaliação do programa é muito posi-

forma associativa, a cooperativa produz um

tiva, tanto do ponto de vista quantitativo, pela sua expansão, quanto

impacto social maior do que se apoiássemos

pela contribuição das incubadoras na promoção das transformações

um empreendimento de forma individual, o

necessárias para gerar processos territoriais de desenvolvimento

qual pode ser orientado pelo Sebrae, que já

mais justos e inclusivos”, destaca.

tem esse papel”, explica Guimarães. 23


COOPERAÇÃO

marães. A rede, fundada em 1999, promove

_MUNICÍPIOS INVESTEM EM INCUBADORAS

até hoje cursos, encontros e visitas a instituições interessadas em criar incubadoras, inclusive em outros países, como Moçambi-

Não é só dentro das universidades que existem incubadoras de empreendimentos solidários. Alguns municípios brasileiros também promovem iniciativas do tipo. Santo André, localizada na região metropolitana de São Paulo, é uma das cidades que possui uma Incubadora Pública de Economia Popular e Solidária (IPEPS). A incubadora de Santo André foi criada em 1999 e, no início, apoiava apenas cooperativas populares. Desde 2005, no entanto, sua área de atuação foi ampliada para atender também empreendimentos individuais. Nos seus 13 anos de existência, a IPEPS orientou cerca de 20 grupos de cooperados e centenas de empreendimentos individuais. Atualmente, contando com uma equipe de três pessoas, dá suporte a 17 empreendimentos, que reúnem 383 pessoas.

que, na África. Hoje, estima-se que existam mais de 60 ITCPs pelo Brasil. Também há, no país, mais de 30 incubadoras de empreendimentos solidários associadas à Rede Unitrabalho, instituição composta por universidades de todo o país que, a partir de meados da década de 1990, passou a apoiar esse tipo de iniciativa. Ao todo, são cerca de 100 incubadoras dessa modalidade em atividade no país. Modo de atuação De portas abertas. É dessa forma que as

A maioria dos empreendimentos coletivos apoiados é do setor

incubadoras tecnológicas de empreendi-

têxtil. “Dessa forma, a IPEPS desenvolveu arranjos produtivos soli-

mentos solidários atuam. Nelas, ao contrá-

dários para que, em conjunto, pudessem suprir as suas carências”,

rio das organizações que apoiam empresas

explica o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecno-

de base tecnológica, não há um prédio com

logia e Trabalho, Camilo Arnaldi.

salas para os empreendimentos desenvol-

Para Arnaldi, os maiores desafios para o município são construir e aprovar a Lei Municipal de Economia Solidária, além de conscientizar

verem suas atividades. É tarefa da própria equipe da incubadora visitá-los.

a sociedade de que a economia solidária é uma alternativa para o de-

A metodologia de apoio aos empreendi-

senvolvimento local. “A economia solidária já está consolidada como

mentos também é diferente. Não é possível

uma alternativa organizada, fortalecida, que ganha cada vez mais es-

utilizar as ferramentas de gestão e plane-

paço no planejamento estratégico dos governos locais”, destaca.

jamento adotadas pelas empresas tradi-

Além de Santo André, as prefeituras de cidades como Osasco e São Bernardo do Campo, de São Paulo, possuem iniciativas de incubadoras sociais. Criada em 2005, a IPEPS de Osasco atende, atualmente, 109 empreendimentos. A incubação possui duração de dois anos e consiste na orientação, por meio de assessoria, sobre a viabilidade econômica, associativa e produtiva dos empreendimentos. Para Magali Honório, coordenadora do Programa Osasco Solidária, um dos desafios é avançar no fortalecimento da incubadora, por meio de redes de economia solidária. “Outro ponto é o aporte de políticas de crédito e finanças solidárias com metodologias adequadas para iniciativas da Economia Solidária”, destaca. A prefeitura está implementando o Fundo Municipal de Desenvolvimento e Inclusão Produtiva, que concederá empréstimos e subvenções econômicas aos empreendimentos.

cionais. Cada uma atua de acordo com as especificidades dos empreendimentos que apoiam e das regiões onde estão localizadas. Não há uma metodologia única, apesar de a maioria das incubadoras fazerem parte de redes. Mas algumas características são comuns: não há métodos rígidos e é realizada uma formação dos empreendimentos não apenas quanto a aspectos econômicos e administrativos, mas também para a autogestão, inclusão social e economia solidária. Por serem instituições recentes e terem que se adaptar às especificidades locais e dos empreendimentos, é normal que as incubadoras mudem sua metodologia ao longo do tem-

24

nologia de incubação, construímos a rede

po. A ITCP da Universidade Federal do Paraná

de ITCPs, antes mesmo que incubadoras

(UFPR) é exemplo disso. Ela nasceu em 1999,

fossem criadas para formá-la”, afirma Gui-

simultaneamente à criação da rede de ITCPs.


COOPERAÇÃO

Divulgação

Quando foi fundada, começou suas atividades executando ações do Fundo de Amparo ao Trabalhador do Ministério do Trabalho e Emprego (FAT/MTE), como cursos de formação e assessoria técnica. “O problema é que ficávamos muito dependentes das demandas dos municípios, e não das demandas da própria comunidade”, avalia o coordenador da ITCP/ UFPR, Denys Dozsa. Então, desde 2007, a incubadora mudou seu foco e, em vez de oferecer suporte a empreendimentos isolados, direcionou seus objetivos para a atuação no desenvolvimento de territórios. “Começamos a perceber que os grupos não precisam apenas de qualificação e de suporte para a formação do empreendimento. Muitas pessoas são analfabetas fun-

realidade social. Não é fácil trabalhar com o

cionais. Como iam redigir a ata de reunião da

tripé ensino, pesquisa e extensão. É um tra-

cooperativa? Por isso, passamos a discutir o

balho até mesmo excessivo, mas essencial”,

território em si, ou seja, o espaço de atuação

destaca a coordenadora da incubadora de

das cooperativas. Queremos atender a uma

empreendimentos solidários da Universida-

comunidade em tudo o que ela necessite. O

de Federal do Pará, Maria José Barbosa.

foco não é mais incubar um empreendimen-

Um dos maiores desafios enfrentados

to”, explica Dozsa. Atualmente, a incubadora

pelas incubadoras, no entanto, é conseguir

desenvolve, no Paraná, um projeto de promo-

se institucionalizar dentro das universida-

ção e desenvolvimento do turismo solidário.

des. O relatório do Proninc, que reúne in-

Cooperativa Popular Amigos do Meio Ambiente (Coopama), apoiada pela ITCP da Coppe, reúne mais de 60 catadores de materiais recicláveis

formações de 54 incubadoras já apoiadas Extensão

pelo programa, revelou que 26,4% delas

A maioria das incubadoras de empre-

são projetos temporários nas instituições

endimentos solidários e cooperativas está

de ensino; 58,6% são programas perma-

dentro de universidades. Todas as que são

nentes; e 7,5% correspondem a núcleos.

filiadas às redes da ITCP ou da Unitrabalho

Uma das que conseguiu se instituciona-

são vinculadas a instituições de ensino, as-

lizar foi a Incubadora Regional de Coope-

sim como aquelas que recebem apoio do

rativas Populares (Incoop), da Universidade

Programa Nacional de Incubadoras de Co-

Federal de São Carlos (UFSCar), que re-

operativas Populares (Proninc) – iniciativa

centemente tornou-se um núcleo. “A incu-

da Financiadora de Estudos e Projetos do

badora, antes, era um projeto de extensão

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inova-

que tinha início, meio e fim. Pleiteávamos

ção (Finep/MCTI).

estabilidade. A incubadora precisava fazer

Dentro dessas instituições, as incuba-

parte da estrutura organizacional da uni-

doras estão enquadradas, principalmente,

versidade, o que conseguimos agora. Mu-

como projetos, programas ou núcleos, no

dou pouco na prática até o momento, pois

âmbito das atividades de extensão. “A uni-

continuamos dependendo de projetos para

versidade não é só ensino. A experiência

realizar nossas atividades. Mas isso nos deu

na incubadora possibilita a formação de

um status diferente. Podemos ter, no futuro,

profissionais com conhecimentos sobre a

destaque orçamentário e receber técnicos, 25


COOPERAÇÃO

por exemplo”, explica a coordenadora do

mento da extensão, a sobrecarga de traba-

Núcleo Multidisciplinar e Integrado de Es-

lho e o apoio insuficiente relativo à estrutura

tudos, Formação e Intervenção em Econo-

administrativa da incubadora.

mia Solidária UFSCar, Ana Lucia Cortegoso.

A história da Incubadora de Empreendi-

Além da institucionalização, existe o de-

mentos Solidários da Universidade Estadual

safio de atrair professores e estudantes para

do Sudoeste da Bahia (UESB) reflete esse

atuar nas incubadoras. O relatório do Pro-

cenário. A iniciativa surgiu há três anos, a

ninc constatou que quase 60% delas têm, no

partir de um convite da pró-reitoria de ex-

máximo, seis professores envolvidos. Dentre

tensão, que vislumbrou a possiblidade de

os motivos apontados pelo documento estão

submissão do projeto a um edital de finan-

a supervalorização da pesquisa em detri-

ciamento externo. Quando foi fundada, a incubadora contava com uma equipe de 14 colaboradores, entre professores, técnicos

_FUNDOS SOCIAIS GARANTEM AUTONOMIA FINANCEIRA DA INCUBADORA DA FGV

e estudantes, mas hoje possui apenas oito pessoas. “A nossa incubadora, nesse tempo, conviveu com vários desafios, sendo o maior deles a dificuldade de atrair professo-

A Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Fundação Getúlio Vargas (ITCP/FGV) encontrou uma maneira diferente de alcançar sua sustentabilidade financeira. Criada em 2001, a instituição iniciou suas atividades atuando em iniciativas da Prefeitura Municipal de São Paulo e também desenvolveu projetos financiados pelo Proninc, mas hoje possui como foco a gestão dos chamados “fundos sociais”. “Reestruturamos a incubadora para dar foco a resultados e estamos espelhando o que as gestoras de fundos fazem na indústria de Private Equity & Venture Capital no gerenciamento dos negócios inclusivos. Respeitamos, é claro, as diferenças dos empreendimentos. Não temos a figura do acionista, por exemplo, e as pessoas não vivem de renda, mas de trabalho”, explica o coordenador da incubadora, Felipe Bannitz. A ITCP/FGV atua, em conjunto com o Instituto HSBC Solidariedade, na seleção de projetos sociais que tenham foco em ações de geração de renda e economia solidária, além de realizar a incubação tradicional de empreendimentos. Os projetos selecionados recebem apoio financeiro de cerca de R$ 30 mil do Instituto HSBC e suporte da incubadora, que desenvolve o processo a distância, através de plataformas online, e por meio de parcerias com outras instituições. A incubadora também atua com o Instituto Votorantim e com a Camargo Corrêa. Para Bannitz, um dos maiores desafios da ITCP/FGV é consolidar a metodologia da incubadora. “Queremos contribuir, gerando soluções efetivas para que os negócios se tornem sólidos e gerem resultados e renda”, destaca. A incubadora, atualmente, apoia mais de 80 projetos.

res e alunos para o fortalecimento das suas ações”, afirma a coordenadora do projeto, Maristela Miranda. De acordo com ela, os professores enfrentam dificuldades para conciliar sua carga horária com o projeto. Já em relação aos alunos, há pouca disponibilidade de bolsas para que participem da incubadora. “A universidade disponibiliza um bolsista por ano, o que é muito reduzido, devido à necessidade de acompanhamento de vários grupos” explica. Sustentabilidade Quando a incubadora da UESB surgiu, havia a expectativa de que a Universidade recebesse recursos para a implantação do projeto. “Após 12 meses de espera, entre inúmeros contatos com a instituição financiadora, encaminhamento de vários relatórios e muitas planilhas de cotações, o recurso nunca chegou, causando uma grande desmotivação na equipe que iniciava a construção da incubadora. A espera gerou conflitos internos e desgaste nas relações entre a equipe, culminando com a dissolução do grupo inicial”, relata a coordenadora do projeto, Maristela Miranda. A falta de recursos, destaca Maristela, até hoje afeta as atividades da incubadora.

26


COOPERAÇÃO

“A dificuldade de financiamento é um motivo forte de alteração na metodologia, uma vez que muitas ações acabam sendo modificadas por conta da falta de recursos, tais

_INCUBADORAS DE EMPREENDIMENTOS SOLIDÁRIOS: UM TIPO DE TECNOLOGIA SOCIAL

como oferecimento de cursos, palestras, pagamento de bolsas de monitoria”, afirma.

O que significa o termo “tecnológica” no nome das incubadoras

O mesmo problema é sentido por várias

que apoiam empreendimentos solidários? Segundo Gonçalo Guima-

incubadoras, de Norte a Sul do país. O re-

rães, da ITCP Coppe/UFRJ, as incubadoras são um tipo de tecnologia

latório final do Proninc indicou que muitas

social. “Procuramos criar, com elas, uma tecnologia do emprego e do

delas dependem do programa para viabi-

trabalho”, explica.

lizar suas atividades. Apesar de cerca de 80% das incubadoras entrevistadas para a elaboração do documento terem afirmado que ele não é a sua única fonte de recursos, em mais de 50% delas o Proninc representa mais de 30% do orçamento da incubadora. O documento revelou, ainda, que as incubadoras não possuem sustentabilidade no interior das universidades. São poucas as que possuem servidores em seus quadros, por exemplo. Os entrevistados pelo Proninc afirmaram que a grande maioria das instituições disponibiliza estrutura física, custeio e a facilitação a captação de recursos, mas que isso não seria suficiente para

De acordo com a Fundação Banco do Brasil (FBB) - que é uma das principais apoiadoras das incubadoras de empreendimentos solidários - o conceito de Tecnologia Social compreende produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representam efetivas soluções de transformação social. Para Maristela Miranda, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, a incubadora representa uma oportunidade de aplicar o conhecimento científico desenvolvido na Universidade, em suas várias áreas de atuação, em benefício das demandas da sociedade. “É uma tecnologia social capaz de contribuir na prática do ensino, pesquisa e extensão a partir de uma ação interdisciplinar, capaz de integrar os diversos saberes produzidos e reproduzidos no meio acadêmico”, afirma.

a manutenção do projeto. “Muitas vezes, constataram-se grandes falhas no acompacubados, em função dessa descontinuidade de recursos”, diz o relatório. Para conseguirem sustentar suas ativi-

Divulgação

nhamento, junto aos empreendimentos in-

dades, muitas incubadoras dependem da realização de projetos específicos. A incubadora da Universidade do Pará (UFPA), por exemplo, desenvolve, atualmente, projetos na cadeia produtiva de gemas e joias no sul do estado, dentre outros. “É necessário que haja uma ação continuada e planejada. Não dá para depender apenas de projeto. Isso fragmenta e descontinua. A maioria dos trabalhadores que atendemos tem baixa escolaridade e, para que o empreendimento amadureça, acredito que seja necessário um trabalho que dure de quatro a seis anos. Hoje, os projetos não correspondem a essa necessidade”, explica Maria José, da incubadora da UFPA. L

Superando a falta de recursos, a Incubadora de Empreendimentos Solidários da UESB opera há três anos 27


OPINIÃO

2012, o ano do cooperativismo G onç alo Guimarã es Co o r d e n a d o r d a In c ub a d o r a Te c n o l ó gi ca d e Co o p p e r a t i v a s P o p ul ar e s - CO P P E / UF R J

A

Shutterstock

ssim como na década de 1990, quando cresceu e se espalhou por quase todo o território nacional, hoje, em 2012, o cooperativismo ainda é uma solução adequada. A Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP) do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de

Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) surgiu em um contexto de crise. O objetivo era transferir tecnologia social e organizacional – como se fazia com empresas de capital – para grupos de trabalhadores sem emprego e sem organização. Promovendo a inclusão socioprodutiva, a meta era criar oportunidades reais para o exercício de uma atividade profissional remunerada segundo os princípios da economia solidária. Naquele cenário de crise, a realocação era urgente. A inclusão socioprodutiva foi, a partir das ações da ITCP da Coppe, reconhecida como importante ferramenta para o desenvolvimento. A iniciativa pioneira motivou a criação de várias incubadoras similares pelo Brasil. Hoje, elas seguem buscando representação, aprimorando as suas técnicas de gestão e formando novas cooperativas, que ampliam seu papel no cenário atual de forma inovadora. Por mais de uma longa e fecunda década, o cooperativismo colaborou para a ge-

ração de renda e para a retirada de milhares de trabalhadores sem colocação formal da periferia do sistema. Cumprida essa missão, hoje, o cooperativismo deve ocupar espaço estruturante, adentrando as políticas públicas e criando soluções inovadoras no campo da tecnologia social, com ênfase nas grandes metrópoles. Nelas, acumula-se grande força de trabalho ociosa – um desperdício de energia para diversos setores produtivos. Nelas também se agravam os problemas da destinação e do tratamento sustentável dos resíduos. As grandes cidades vivenciam de maneira mais aguda e dramática as marcas do capitalismo contemporâneo, de consumo voraz, onde a inovação reside em agregar detalhes a uma matriz e, de forma contínua e cadenciada, provocar a troca constante dos produtos. Este ritmo de colocação de novidades no mercado gera o crescimento de resíduos. Uma das grandes questões urbanas atuais é destinar e aproveitar a energia contida neles. O cooperativismo pode potencializar o reaproveitamento desta energia, agregando geração de renda para os catadores, organizando-os em cooperativas e capacitando-os a prestar o serviço que a cidade precisa. Nesse sentido, o cooperativismo deve ser inscrito no rol das políticas públicas. A reorganização dos trabalhadores em forma associativa, capaz de fortalecer a sua posição no mundo da produção, encontra no cooperativismo autogestionário um terreno fecundo. Mais uma vez as ITCPs e as cooperativas apresentam-se como solução inovadora. Embora no cenário atual não haja crise de desemprego, há premente necessidade de reorganização dos processos produtivos, de forma a torná-los aptos a incluírem na sua dinâmica o reaproveitamento e a transformação daquilo que em décadas passadas era descartado como lixo. As ITCPs estão na pauta do dia, trazendo para a superfície do cenário nacional a inovação, a dignidade social e a sustentabilidade a partir da incubação de empreendimentos de economia solidária e de novas empresas de tecnologia. 28


_EMPREENDEDOR

O mercado de e-books surge como uma OPORTUNIDADE de negócios a ser explorada. Para quem já descobriu seu nicho de atuação, os fóruns de INVESTIMENTO são uma chance para captar recursos. Pesquisadores brasileiros encaram o DESAFIO de tornar os biocombustíveis – como o etanol de segunda geração – competitivos. Na seção CARREIRA, entenda por que incubadoras estão incluindo avaliações psicológicas em seus processos seletivos. A Angelus demonstra que o investimento em P&D foi fundamental para manter a trajetória de SUCESSO do empreendimento. Outras empresas que prosperam apresentam as dificuldades e vantagens dos NEGÓCIOS no ramo de alimentos e bebidas 29


Shutterstock

OPORTUNIDADE

Estante digital Mercado brasileiro ainda é pouco aquecido, mas a expectativa é de crescimento no nicho de e-books - que já fazem parte do dia-a-dia de leitores de países mais desenvolvidos P O R C A M IL A AU G U S TO

30

Para cada 100 livros de papel vendidos,

Se a previsão de Bezos está certa ou é

115 versões digitais são comercializadas

apenas empolgação, só o tempo irá dizer.

pela multinacional Amazon. O anúncio fei-

A maior parte do faturamento das edito-

to pela empresa americana no ano passado

ras ainda vem dos livros de papel. Mas é

mostra que a indústria de e-books (livros

fato que o mercado de e-books está cres-

virtuais) vem ganhando força. Mais que

cendo no mundo inteiro. Além do anúncio

isso: é possível que alcance ou até mesmo

da Amazon, um relatório da Association of

supere o mercado de livros impressos. “O

American Publishers e da Book Industry

livro de papel é a tecnologia de ontem”,

Study Group, divulgado em julho deste ano,

disse Jeff Bezos, presidente da Amazon, em

revelou que, em 2011, a venda de livros

entrevista à revista francesa Le Nouvel Ob-

digitais da categoria ficção para adultos

servateur, em 2011.

superou, pela primeira vez, a das edições


OPORTUNIDADE

de capa dura (a instituição não disponibi-

pers (PwC), quando lançou o dispositivo, a

lizou os dados referentes à venda total de

Amazon, sozinha, colocou à venda 90 mil

livros físicos, incluindo brochura). Reunin-

títulos digitais.

do informações de cerca de 2 mil editoras, a

Chamada Virando a página: o futuro dos

pesquisa estima que o mercado mundial de

e-books, a pesquisa da PwC foi realizada ao

livros digitais tenha faturado cerca de U$ 2

longo de maio de 2010, por meio de entre-

bilhões no ano passado.

vistas com especialistas da indústria e de

No Brasil, assim como na Europa, o mer-

surveys com consumidores. O relatório do

cado de livros digitais não está tão acelera-

estudo é enfático ao afirmar que as livra-

do quanto o dos Estados Unidos. Divulgada

rias, editoras e escritores devem estar aten-

neste ano, uma pesquisa realizada pelo Ins-

tos às tendências do mercado de livros digi-

tituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) – por

tais. Porém, como aponta a pesquisa, nem

encomenda da Câmara Brasileira do Livro

todos vem fazendo isso. “Enquanto algumas

(CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores

pessoas anunciam o advento da tecnologia

de Livros (Snel) – mostrou que em 2011

da leitura digital como uma oportunidade

foram lançados no país 5.235 itens digitais

para abrir novos tipos de mercado e criar

(como PDFs, e-books e aplicativos). A arre-

consumidores, outros lamentam o fim dos

cadação de R$ 868 mil não chegou a 1%

livros tradicionais e duvidam que a indús-

do faturamento total do mercado editorial

tria vá ser capaz de manter o controle sobre

brasileiro no ano passado, que foi de R$ 4,8

os preços e o conteúdo”, diz o relatório.

bilhões. Foi a primeira vez que a pesquisa Soluções

Levantamento realizado pela empresa

As editoras e livrarias brasileiras, por en-

Simplíssimo – que trabalha com a produ-

quanto, estão no time dos que mais temem

ção de livros digitais e oferece cursos sobre

do que na equipe dos que apostam nas no-

o setor – mostrou, também, que a livraria

vas oportunidades que estão sendo geradas

Gato Sabido, especializada em e-books,

pela indústria de e-books. Contrariando esse

contabilizava em seu catálogo, em janeiro

cenário, no entanto, algumas empresas bra-

deste ano, 7.292 títulos em versão digital.

sileiras inovadoras oferecem soluções para o

Um pouco atrás, a Saraiva disponibilizava

mercado de livros digitais.

6.058. A coleta de dados foi realizada por

É o caso da LivoBooks, incubada na Fum-

meio dos sites das empresas, e a Livraria

soft, em Belo Horizonte (MG). A empresa foi

Cultura não está incluída na pesquisa, pois

fundada em 2011, por Pedro Israel. Depois

não foi possível realizar esse tipo de consul-

de passar três anos estudando na Eu-

ta na sua página na internet.

ropa, ele desembarcou no Brasil com a

“Nós estamos na pré-história dos e-books

ideia de criar uma empresa de produ-

aqui no Brasil. É impossível consumir algo

ção de livros interativos voltados para

que não está à venda. As editoras investem

o público infantil. “Já tinha a ideia em

pouco na produção de livros digitais”, afir-

mente há cerca de um ano. O projeto

ma Eduardo Melo, fundador da Simplíssimo,

passou até mesmo por um período de

destacando que a oferta total de e-books

pré-incubação na Universidade Po-

hoje no país não alcança o número de

litécnica de Madri. Quando voltei ao

livros que foram disponibilizados pela

Brasil, no ano passado, encontrei um

Amazon na época em que lançou o seu e-

novo parceiro para o projeto, o Ronald

-reader Kindle, em 2007. Segundo dados

Durchfort, e elaboramos um plano de

de uma pesquisa da PricewaterhouseCoo-

negócios”, explica Israel.

Quarta geração do e-reader Kindle: quando o lançou, em 2007, a Amazon colocou à venda 90 mil títulos digitais Divulgação

incluiu os livros eletrônicos no estudo.

31


OPORTUNIDADE

Fotos: Divulgação

A ideia é que os livros

de conteúdo para web. E os e-books acabam

aplicativos para tablets.

sendo um problema de gestão de conteú-

“Encontramos uma opor-

do”, afirma André Matos, diretor executivo

tunidade boa nesse ramo.

da empresa, que possui clientes como Pe-

As crianças têm muita

trobras, Editora Abril, SulAmérica Seguros,

atração pelos tablets. Elas

Coca-Cola, Ticket e Sousa Cruz.

vendidos

gostam de tocar, mexer”,

Equipe da LivoBooks, incubada na Fumsoft: empresa investe na produção de livros interativos voltados para o público infantil

André Matos, da Lumis: setor de educação é, hoje, o que mais demanda interatividade

mis atua há anos com a produção e gestão

como

sejam

O Lumis Ebook Suite

permite que o

afirma Israel. De acordo

cliente crie e distribua livros digitais que te-

com ele, a produção de

nham conteúdos multimídia, como vídeos e

livros infantis interativos não evoluiu muito

animações, além de ferramentas de intera-

até agora. “É um mercado novo, com pouco

tividade. A solução também possibilita a in-

mais de dois anos, e há um espaço grande

serção de materiais que o cliente já possua,

para a oferta de novos produtos”.

como arquivos PDF e fotos. A distribuição é

O lançamento do primeiro título da Livo-

feita por meio de aplicativos para iPad e An-

Books, Zuly Brincando no Quintal, está pre-

droid, que podem ser customizados. Além

visto para acontecer em agosto. As animações

disso, o cliente pode gerenciar quando e

do livro foram desenvolvidas em parceria

para quais pessoas os e-books podem ser

com uma agência de São Paulo. Até setembro

disponibilizados.

deste ano, a expectativa é que a LivoBooks te-

O foco da Lumis é o mercado de edu-

nha três títulos em seu catálogo. “Estamos em

cação – tanto instituições de ensino e edi-

contato com escritores e vamos realizar par-

toras de livros didáticos, quanto empresas

cerias com agências para o desenvolvimento

que realizam treinamento corporativo e

da arte dos livros”, explica Israel.

desenvolvem materiais para isso. A solução

A LivoBooks já surgiu com foco no mer-

já está sendo utilizada, por exemplo, pelo

cado dos Estados Unidos e de outros países,

grupo Santillana, do México. Lá, 65 mil

e os livros serão traduzidos para várias lín-

estudantes, de 238 escolas, acessam seus

guas. “O Brasil tem potencial, mas o merca-

materiais escolares em iPads, por meio da

do ainda é pequeno. Seria difícil, para nós,

solução da Lumis.

gerar receita se só comercializássemos aqui.

Um dos motivos que levou a Lumis a

Por isso, já fundamos a LivoBooks pensando

focar no setor de educação foi a grande

em vender para outros países”, explica Isra-

demanda que esse mercado possui. Em fe-

el. Para ele, no entanto, o mercado nacional

vereiro deste ano, o Ministério da Educação

deve crescer nos próximos anos. “Vai ser

(MEC) anunciou que irá comprar 600 mil

natural, com o aumento do uso de tablets e

tablets para serem usados por professores

outros dispositivos, o mercado vai crescer”.

do ensino médio de escolas públicas do país. Universidades e escolas particulares tam-

32

Mercado de educação

bém vêm adquirindo tablets para estudantes

No Rio de Janeiro, a Lumis, graduada pela

e professores.

incubadora do Instituto Gênesis, da PUC-Rio,

Outro motivo é que as ferramentas de in-

lançou no início deste ano uma solução para

teratividade que os aparelhos digitais pos-

produção e distribuição de e-books chama-

sibilitam é especialmente adaptável a livros

da Lumis Ebook Suite. “Com a disseminação

didáticos e para treinamento corporativo.

do uso de tablets e e-readers, passou a fazer

“O setor de educação é o que mais vem de-

todo o sentido a transição dos conteúdos im-

mandando interatividade, a princípio”, afir-

pressos para os dispositivos digitais. A Lu-

ma Matos. Ele aponta como vantagens dos


OPORTUNIDADE

_CHEGADA DA AMAZON AO BRASIL DEVE IMPACTAR MERCADO DE E-BOOKS

Ainda não há uma data certa, mas a Amazon deve iniciar operações no Brasil nos próximos meses. A multinacional, que é a maior varejista do mundo, está assinando contrato com editoras nacionais e resolvendo questões de logística. O foco da Amazon, primeiramente, será o mercado de livros digitais. Para Eduardo Melo, da empresa Simplíssimo, a chegada da empresa americana ao país pode representar uma mudança mais simbólica do que prática. “Tenho dúvidas quanto ao impacto que a Amazon pode exercer. O mercado aqui é pequeno, mas a sua chegada pode ser um estímulo e um aviso para as editoras de que elas não podem mais adiar a oferta de e-books”, analisa.

livros eletrônicos o fato de eles não deman-

digitais, apesar de ainda ser pequeno, tem

darem uma grande quantidade de recursos

potencial. “No Brasil, não há uma limitação

para impressão e distribuição e a facilidade

tecnológica, mas de mercado. Editoras que

de atualização dos conteúdos. Além disso,

oferecem livros em formatos digitais ainda

existe a possibilidade de adicionar ao con-

não estão presentes no país. Mas isso deve

teúdo materiais multimídia, como vídeos

mudar nos próximos anos”, analisa. Ainda

e galerias de fotos, ferramentas de intera-

neste ano, a multinacional Amazon deve che-

tividade aluno-professor, assim como a de

gar ao Brasil, com foco na venda de e-books

personalizar os conteúdos de acordo com

(ver box). Empresas como Apple e Google

cada público.

também estão pensando em ingressar no mercado nacional de livros digitais. L

Na opinião de Matos, o mercado de livros

Um modelo de gestão elaborado para potencializar os resultados das incubadoras de empresas. Sua incubadora vai fazer ainda mais. E melhor. Realização:

Parceria:

Saiba mais: www.anprotec.org.br/cerne 33


Shutterstock

INVESTIMENTO

Aparecer para crescer Fóruns são oportunidades valiosas para empreendedores que pretendem dar visibilidade ao seu negócio e atrair a atenção de investidores P O R C A M IL A AU G U S TO

34

É possível apresentar e tornar atrativo

e têm a oportunidade de apresentar seus

um negócio a uma plateia de investidores

empreendimentos a potenciais investido-

em apenas dez minutos? Esse é o desafio

res.

que os fóruns de investimento propõem

Esse tipo de iniciativa foi introduzido

aos seus participantes. Modelo de even-

no Brasil pela Financiadora de Estudos e

to surgido nos Estados Unidos e replica-

Projetos do Ministério da Ciência, Tecno-

do em vários países do mundo, os fóruns

logia e Inovação (Finep/MCTI). De acordo

são programas nos quais os empresários

com informações do 2º Censo Brasileiro

passam por um processo de capacitação

da Indústria de Private Equity e Venture


INVESTIMENTO

Capital – realizado pela Agência Brasilei-

ideia é potencializar as chances de elas con-

ra de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e

seguirem um aporte.

elaborado pela Fundação Getúlio Vargas

Para participar dos fóruns, as empre-

(FGV) –, os fóruns de investimento repre-

sas interessadas passam por uma pré-se-

sentam 5,77% das fontes de origem dos in-

leção, em que precisam enviar um sumá-

vestimentos de Venture Capital realizados

rio executivo de seu negócio. É feita uma

por meio de prospecção direta das organi-

triagem e os escolhidos são chamados

zações gestoras de fundos.

para uma banca presencial. Apenas os

Inspirada em um modelo americano

empreendimentos que passam por todas

desenvolvido pela The Capital Networks –

essas fases estão aptos a participar do

instituição não lucrativa que promove a

programa. “Às vezes o investidor precisa

educação financeira de empreendimentos

analisar 100 empresas para chegar a dez

early stage –, a Finep trouxe ao Brasil os

iniciativas boas. Os fóruns facilitam isso,

fóruns de investimento. O primeiro acon-

tornando mais fácil o trabalho do inves-

teceu em 2000, no Rio de Janeiro (RJ) e,

tidor e a possibilidade de uma empresa

desde então, a Financiadora realizou 38

conseguir um aporte”, afirma Clovis Meu-

eventos similares. A iniciativa faz parte do

rer, presidente da Associação Brasileira

Programa Inovar e conta com o apoio do

de Private Equity & Venture Capital (Ab-

Banco Interamericano de Desenvolvimen-

vcap).

to (BID). O diferencial dos fóruns é que as empre-

Evolução

sas não são meramente apresentadas aos

No início, quando começou a realizar

investidores: elas passam, antes, por uma

esse tipo de evento, a Finep promovia

capacitação, no qual aprendem que tipo de

apenas Venture Foruns, ou seja, fóruns

informações sobre seus negócios são estra-

direcionados a empresas já estruturadas,

tégicas para apresentar aos investidores. A

que faturam mais de R$ 5 milhões ao ano

_CASOS DE SUCESSO Em maio deste ano, os professores da Harvard Business School, Ann Leamon e Josh Lerner, publicaram um artigo na revista da universidade sobre o Programa Inovar, da Finep. O texto traz informações sobre casos bem-sucedidos de empresas que participaram de fóruns de investimento promovidos pela Financiadora. Um dos casos é o da Lupatech, companhia fornecedora de serviços e equipamentos para o setor de petróleo e gás. A empresa participou de um dos primeiros Venture Foruns promovidos pela Finep e conseguiu aportes de capitais de investidores como Bndes e GP Investimentos. Em 2006, a empresa realizou seu IPO na Bovespa. Outro caso de sucesso, relatado no artigo, é o da TOTVS, empresa multinacional de softwares sediada no Brasil – a sexta maior do mundo no setor em que atua. Três das quatro principais companhias do mundo que se uniram para formar a TOTVS (Microsiga, RM Sistemas e Datasul) passaram por fóruns da Finep. A Microsiga foi a primeira empresa latino-americana do ramo de Tecnologia da Informação a realizar um IPO na Bovepa Novo Mercado, em 2006. Com os recursos do IPO, a empresa adquiriu a RM Sistemas e a Datasul, e depois foi incorporada pela TOTVS. No âmbito dos Seed Foruns também há histórias de sucesso, como a da Ningo, start-up do ramo de e-commerce. Graduada pelo Cietec, localizado na Cidade Universitária de São Paulo, a empresa recebeu aporte de investidores anjo no 10º Seed Forum, realizado em São Paulo. 35


Fotos: Divulgação

INVESTIMENTO

Samy Menasce, da Brasil Ozônio: fóruns são oportunidades para que empresas realizem uma revisão interna

(veja na tabela as diferenças entre os fó-

com a Anprotec é sinal de uma mudança

runs). Com o tempo, no entanto, a Finan-

de estratégia da Finep. A Financiadora vem

ciadora começou a diferenciar o modelo

atuando em parceria com outras institui-

de acordo com os estágios das empresas

ções e, também, direcionando os fóruns

e suas necessidades de investimento.

a públicos ou objetivos específicos. Nes-

“Nós vimos que os Ventures Foruns não

te ano, durante a Rio+20, por exemplo,

alcançavam as empresas iniciantes, que

aconteceu uma versão do evento voltada

precisavam de investimento anjo ou de

a empresas que produzem tecnologias sus-

seed money, nem as empresas que já pre-

tentáveis.

tendiam abrir capital e demandavam um

Desde 2011, a Abvcap passou a ser

volume maior de investimentos”, explica

responsável pela promoção de Venture Fo-

o Departamento de Empreendedorismo

runs, com apoio da Finep. O modelo é o

Inovador da Financiadora, Rochester Go-

mesmo, salvo algumas diferenças, como a

mes.

necessidade de as empresas enviarem um

Já em 2002 foi realizada a primeira

sumário executivo mais detalhado. A Ab-

edição do Fórum Brasil de Abertura de

vcap, além dos fóruns normais – em que

Capital, que contou com a participação de

podem participar empresas de qualquer

quatro empresas: Alusa, Bematech, Datasul

setor –, tem realizado eventos direciona-

e Lupatech. Nesses eventos, que já tiveram

dos a cadeias específicas, como Tecnologia

seis edições, empreendimentos com inte-

da Informação e Óleo & Gás. “Realizamos

resse em ingressar na Bolsa de Valores têm

esses fóruns devido a demandas de enti-

a oportunidade de se apresentar a investi-

dades parceiras, como a Softex e a Orga-

dores. No final de 2007, a Finep começou

nização Nacional da Indústria do Petróleo

a focar, também, em empresas iniciantes,

(Onip)”, explica Meurer .

e passou a realizar os Seed Foruns, que atingem até empreendimentos que ainda

Bernardo de Castro, da Arvus: fóruns induzem empreendedores a questionarem e levantarem mais informações sobre seus negócios

Os fóruns são utilizados, também, como

edições do Seed Forum, em 11 cidades di-

instrumentos para ajudar a estruturar e

ferentes.

consolidar a indústria de capital empreen-

O modelo vem evoluindo e se diferen-

dedor. “Quando realizamos os fóruns e con-

ciado desde então. Durante o XXII Semi-

vidamos os investidores para conhecerem

nário Nacional de Parques Tecnológicos

as empresas, ampliamos a possibilidade da

e Incubadoras de Empresas, em Foz do

formação de um pipeline, que pode chegar

Iguaçu (PR), acontecerá o Seed Forum Fi-

à formação de fundos no futuro. Nós insti-

nep Anprotec, voltado apenas a empresas

gamos o investidor a isso”, afirma Gomes,

incubadas, graduadas ou associadas a ins-

da Finep.

tituições que fazem parte da Associação.

Alguns Seed Foruns, de acordo com Go-

É a primeira edição nacional do evento.

mes, têm um caráter mais pedagógico. Em

“Será uma oportunidade para que as em-

regiões onde não há uma indústria de ca-

presas que têm vínculo com incubadoras

pital empreendedor muito desenvolvida, a

mostrem que são bem-sucedidas. O even-

Finep, além de convidar investidores para

to também possibilitará que os gestores

o evento, chama instituições parceiras,

de incubadoras se aproximem mais da

como federações da indústria e parques

indústria de Capital Semente”, destaca

tecnológicos, por exemplo. “Ampliamos o

Gomes.

número de participantes para incentivá-

A realização do Seed Forum em parceria 36

Capital empreendedor

não faturam. Até hoje foram realizadas 12

-los a, eles mesmos, promoverem encon-


INVESTIMENTO

Fotos: Divulgação

tros posteriores e desenvolverem o Capital Semente em suas regiões”, explica. Em conjunto com alguns Seed Foruns, a Financiadora promove, também, eventos de capacitação de investidores anjo, com o objetivo de mostrar os benefícios do fórum, além de fornecer conhecimentos e ferramentas necessárias para a prospecção, valoração, negociação e legalização de investimentos em empresas nascentes inovadoras. Amadurecimento Os fóruns, além de possibilitar aos empresários o contato com possíveis

O fórum pode funcionar, também, como

investidores ou compradores, são uma

um termômetro da evolução da empresa. “O

oportunidade para que eles analisem com

processo permite avaliar o grau de matu-

cuidado suas empresas e, até mesmo,

ridade da proposta do empreendimento, e

repensem suas estratégias. “É uma expe-

também serve para acelerar a maturidade

riência que, indiretamente, obriga o em-

da empresa quanto ao futuro relacionamen-

preendedor a realizar uma revisão interna

to com o mercado”, afirma Roberto Macêdo,

do seu negócio”, destaca Samy Menasce ,

diretor-presidente da Armtec, de Fortaleza

sócio-fundador da Brasil Ozônio, empresa

(CE). “Houve, para nós, um aumento da per-

incubada no Centro de Inovação, Empre-

cepção de qual estratégia e rota de decisões

endedorismo e Tecnologia (Cietec), que

levaria à captação e uma definição do tipo

já participou de dois fóruns promovidos

de investidor para os diversos segmentos

pela Finep.

da empresa”, avalia.

“É uma forma de validação das premis-

Para Roberto Caracas , presidente da

sas de negócio nas quais a empresa acredi-

empresa Bioclone, o evento é uma ótima

ta. A participação obrigará os empreende-

forma de divulgação. “Só o fato de partici-

dores a se questionarem, levantarem mais

par, é algo que gera vitrine à empresa. De-

informações e obterem feedback sobre os

monstra que ela tem um diferencial, pois

seus conceitos”, explica Bernardo de Castro,

passou por uma seleção antes”, afirma. A

diretor da Arvus, empresa catarinense que

Bioclone foi uma das empresas investidas

participou do primeiro Seed Forum realiza-

pelo fundo Criatec, do Bndes.

do pela Finep, em 2007.

Para empresas que, ao participar do fó-

Essa é a mesma opinião de Israel Ca-

rum, já estão em contato com outros fun-

brera, fundador da empresa Bioactive, uma

dos, o evento possibilita a realização de

das participantes do 10º Seed Forum Finep.

comparações, como aconteceu com a Pixe-

Para ele, o evento foi uma oportunidade

on, de Florianópolis (SC), hoje investida pela

para reformatar seu plano de negócio. “O

Intel Capital. “Foi importante receber feed-

plano é observado por pessoas que não têm

back de outros fundos. Também tivemos a

nada a ver com o seu negócio, que têm um

oportunidade de falar de valution [valora-

olhar frio, e podem contribuir para o desen-

ção do empreendimento] para realizar uma

volvimento dele, tornando-o mais coerente

comparação”, destaca Iomani Engelmann, diretor comercial da empresa. L

e realista”, afirma.

Iomani Engelmann, da Pixeon: empresa já tinha contato com outros fundos, mas o fórum possibilitou realizar uma comparação

Roberto Caracas, da Bioclone: fóruns dão visibilidade para empresas

37


Shutterstock

DESAFIO

Geração sustentável Produzido a partir de biomassa vegetal, o etanol de segunda geração deve chegar ao consumidor brasileiro em 2015. Até lá, será preciso investir em P&D para torná-lo uma alternativa viável P O R DA NI E L E M A R T IN S , COM CO L A B O R AÇ Ã O D E C A M IL A AU G U S TO

38

Durante a Rio+20, 40 minivans da Pe-

turais e que, em pouco tempo, deverá che-

trobras transportaram os participantes da

gar ao mercado”, avalia o gerente de Gestão

conferência. A empresa aproveitou o even-

Tecnológica da Petrobras Biocombustível,

to para apresentar, pela primeira vez, uma

João Norberto Noschang Neto.

nova tecnologia: os veículos foram abasteci-

Até agora, a Petrobras produziu 80 mil

dos com etanol de segunda geração, produ-

litros de etanol de segunda geração em uma

zido a partir do bagaço da cana-de-açúcar.

planta de demonstração. O combustível só

O combustível, que vem sendo estudado

deve chegar aos postos do país, no entanto,

desde 2004 pela estatal, permite ampliar a

em 2015. São necessárias melhorias na sua

produção do etanol em 40%, sem aumen-

produção para que ele possa ser gerado em

tar a área plantada de cana. “Totalmente

escala comercial. O processo ainda é bem

alinhados à discussão do evento, consegui-

mais caro que o tradicional e muitas técni-

mos mostrar uma tecnologia amadurecida,

cas envolvidas na produção desse novo tipo

que agrega mais sustentabilidade ao ciclo

de etanol não são dominadas atualmente

de produção do etanol, poupa recursos na-

pelos cientistas e pelas empresas.


DESAFIO

O etanol de segunda geração (também chamado de celulósico) é produzido a partir da biomassa vegetal, como o bagaço e a

_NÚMEROS

palha da cana, por exemplo. Esse material é composto, principalmente, por celulose – polímero de glicose formado por seis átomos de carbonos; hemicelulose – polímero de cinco carbonos; e lignina – molécula que torna as paredes dos vegetais impermeáveis e rígidas. Já o etanol de primeira geração é gerado a partir da fermentação do

- Os carros são responsáveis por mais de 70% da poluição nas cidades - A Petrobras pretende iniciar a produção de etanol de segunda geração em escala comercial no Brasil em 2015 - A Petrobras vai investir até 2016 cerca de R$ 2,5 bilhões na produção de biocombustíveis.

caldo da cana-de-açúcar, processo que hoje

(Fonte: Petrobras)

já alcança 90% de aproveitamento. Para que o etanol de segunda geração seja produzido, a biomassa precisa passar

utilizarmos também o bagaço e a palha

por um pré-tratamento, que desestrutura

para produzir o biocombustível, será pos-

a parede celular e facilita a extração do

sível obter aproximadamente 144 litros

açúcar da celulose, utilizado na geração do

com essa mesma tonelada”, afirma. De

combustível. O custo de todo esse processo

acordo com a pesquisadora, o Brasil tem

é hoje um dos principais obstáculos para a

a vantagem de não precisar inventar uma

produção etanol celulósico em escala co-

nova indústria completa para produzir

mercial.

esse novo combustível: é possível adaptar a produção de etanol de primeira geração

Competitividade

já existente.

A partir do domínio dessa nova tecnolo-

Além de representar uma vantagem

gia, o Brasil, que sempre ocupou uma po-

econômica – já que proporciona um

sição de vanguarda em produção e uso de

maior aproveitamento energético de uma

etanol, vislumbra a possibilidade de se tor-

mesma matéria-prima –, o etanol de se-

nar um dos grandes fornecedores mundiais

gunda geração também traria vantagens

de biocombustíveis. O etanol de segunda

ambientais, pois diminuiria a emissão de

geração aproveita melhor a matéria-prima

gás carbônico na atmosfera. “Há um im-

e, de acordo com Noshang, é uma das solu-

pacto positivo na saúde das pessoas, por-

ções para aumentar, de forma sustentável,

que o etanol produz menos gases tóxicos

a oferta do combustível. Por isso, a Petro-

quando é queimado dentro dos motores”,

bras revisou, recentemente, seu Plano de

explica o diretor científico do Laboratório

Negócios e prevê investir até 2016 cerca de

Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioe-

R$ 2,5 bilhões na produção de biocombus-

tanol (CTBE), Marcos Buckeridge. Segun-

tíveis.

do ele, com a produção de etanol de se-

A pesquisadora da Embrapa Agroe-

gunda geração, o Brasil avançará também

nergia, Silvia Belem Gonçalves, explica

na produção de tecnologias e máquinas

que uma das principais vantagens do eta-

de alto valor agregado.

nol de segunda geração está associada à

As empresas e cientistas ainda enfren-

otimização do uso da terra. “Atualmente,

tam vários desafios para produzir o etanol

conseguimos produzir cerca de 80 litros

de segunda geração. As demandas de pes-

de etanol com uma tonelada de cana. Es-

quisa e desenvolvimento concentram-se,

timativas apontam que, se além do caldo,

basicamente, em três setores: agrícola, in39


DESAFIO

_DIFERENÇAS ENTRE O ETANOL DE PRIMEIRA E DE SEGUNDA GERAÇÃO

Fator

Bioetanol de primeira geração

Bioetanol de segunda geração

Matéria-prima

É produzido a partir do caule da cana-de-açúcar

É produzido a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar, além de outros tipos de biomassa

Aproveitamento da matéria-prima

Como aproveita apenas o caule da cana, necessita de maior área plantada

Aproveita melhor a matéria-prima e pode elevar a produtividade entre 30% a 40% em relação à mesma área plantada para o bioetanol de primeira geração

Custo

É um processo já estabelecido e, portanto, mais barato

Ainda são necessárias pesquisas para baratear o processo e possibilitar a sua produção em escala industrial

Meio ambiente

A queima da palha da cana que não é utilizada nesse processo provoca danos ambientais

O aproveitamento de maior parte da cana reduz a emissão de gases e danos ambientais

dustrial e sustentabilidade ambiental. No

Em relação à área de sustentabilidade,

setor agrícola, o Brasil já desenvolveu um

vários pontos da produção de etanol de

conjunto muito grande de variedades de

segunda geração ainda precisam ser pes-

cana-de-açúcar com potencial de produ-

quisados, como: a quantidade de gás car-

ção e produtividade, mas ainda existe um

bônico emitida no campo; quanto e como

caminho grande de pesquisa sobre plantas

a cana beneficia o sistema ambiental,

transgênicas.

evitando a emissão desse gás; e quanta energia é gasta no processo de geração

Ciclo completo

Além da Petrobras, várias empresas es-

a melhoria do processo de pré-tratamento

tão investindo em pesquisas sobre etanol de

da biomassa e da hidrólise (processo de

segunda geração, como British Petroleum,

quebra das moléculas de glicose para que

Shell, Esso, Braskem e Rhodia. “O Bndes

os microrganismos consigam fazer a fer-

[Banco Nacional de Desenvolvimento Eco-

mentação). A fase de fermentação também

nômico e Social] fez agora um processo de

é alvo de estudos. “Nós estamos, por exem-

escolha de empresas que vão desenvolver

plo, tendo que modificar geneticamente as

processos completos de etanol de segunda

leveduras [fungos que fazem a fermenta-

geração. O aporte de investimentos será de

ção, transformando o açúcar em energia],

cerca de R$ 1 bilhão”, relata Buckeridge.

utilizando estratégias de biologia molecular

Ele estima que dentro de dois ou três anos

e genética para gerar novas leveduras que

esses processos começarão a ser testados,

sejam capazes de fermentar polímeros com

ainda com custos altos. A produção de

açúcares de cinco carbonos [hemicelulose],

combustível de segunda geração, de acor-

que correspondem a cerca de 30 ou 40%

do com o pesquisador, se estabilizará daqui

da parede celular das fibras da biomassa”,

a cinco ou dez anos, com custos reduzidos para entrar no mercado. L

explica Buckeridge. 40

do combustível.

No setor industrial, a preocupação é com


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CARREIRA

Empreendedor no divã Incubadoras passam a incluir avaliações psicológicas nos processos de seleção das empresas, ampliando a análise do perfil para além dos aspectos técnicos P O R C A M IL A AU G U S TO

Não basta ter apenas um bom plano de

ção do perfil empreendedor dos candidatos.

negócios. Incubadoras de empresas, cada

A entrevista é realizada por um profissional

vez mais, avaliam os candidatos a vagas não

da área de psicologia e é obrigatória para

só quanto a aspectos técnicos, econômicos

todos os participantes. “Buscamos avaliar a

e comerciais, mas também psicológicos.

capacidade que eles possuem de correr ris-

“Havia um histórico de empresas que, ape-

cos, se são pessoas proativas, dentre outros

sar de estarem bem no âmbito técnico, não

aspectos”, explica Lopes.

conseguiam alavancar. É preciso desenvol-

Além do CDT/UnB, as incubadoras do

ver aspectos comportamentais nos empre-

Inatel, de Minas Gerais, do Instituto Federal

sários”, afirma o coordenador da multincu-

de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará

badora de empresas do Centro de Apoio ao

(IFCE) e do Instituto Gênesis, da PUC-Rio,

Desenvolvimento Tecnológico da Universi-

entre outras, adotam essa avaliação em seus

dade de Brasília (CDT/UnB), Anísio Lopes.

processos seletivos. “Sabemos que o bom de-

Lá, a incubadora incluiu em seu processo

sempenho da empresa conta com produtos e

seletivo, desde 2006, uma etapa de avalia-

serviços de qualidade e competitividade, mas 41


CARREIRA

entre outros aspectos. “O último momento

_CERNE PREVÊ REALIZAÇÃO DE PLANO DE VIDA DO EMPREENDEDOR

é feito com cada grupo em separado e realizamos uma entrevista propriamente dita. Fazemos perguntas como: ‘Por que você acha que sua empresa – e não as demais

O Modelo Cerne (Centro de Referência para Apoio a Novos Em-

que aqui estão – deve ser escolhida?’ ‘Como

preendimentos), adotado em mais de 100 incubadoras do país, pre-

vocês se imaginam daqui a cinco anos?’ As

vê que elas realizem um planejamento de vida dos empreendedores

respostas a esses quesitos podem nos dar

– contribuindo com uma sistemática para o planejamento pessoal

indícios quanto à motivação, capacidade

e dando apoio para que executem seus planos de desenvolvimento.

empreendedora, grau de resiliência, cla-

A maioria das incubadoras ainda está trabalhando para implan-

reza de objetivos, compromisso com suas

tar esse tipo de acompanhamento. “Essa atividade hoje é realizada

causas etc.”, destaca Chaves.

de maneira informal e não sistematizada. Agora que ganhamos o

Outro aspecto importante analisado nas

Edital do Sebrae-Anprotec para as práticas-chave do Cerne, iremos

entrevistas é a relação entre os sócios da

elaborar um Modelo de Plano de Vida, junto com uma psicóloga,

empresa. “Por isso é obrigatório que todos

para ser usado com os empreendedores e acompanhado semestral-

os empreendedores participem do proces-

mente”, explica José Alberto Aranha, do Instituto Gênesis.

so. Precisamos observar se existem conflitos entre os sócios e como é o relacionamento deles”, explica a psicóloga Regina

também o aspecto gerencial de pessoas é con-

Jardim, que conduz o processo na incuba-

dição capital para agregar valor. Dessa forma,

dora do Instituto Gênesis e ministra a disci-

procuramos aliar o conjunto produto-serviço-

plina Atitude Empreendedora, na PUC-Rio.

-pessoa como eixo avaliativo na seleção das

O processo, no Instituto Gênesis, é rea-

empresas candidatas”, afirma o psicólogo do

lizado desde a criação da empresa e possui

IFCE, Hamilton Viana Chaves.

três fases diferentes: uma entrevista livre, um questionário – que procura identificar

Comprometimento

características comportamentais dos candi-

Na incubadora do IFCE, o processo é con-

datos e comprometimento com metas – e,

duzido por dois psicólogos, que trabalham

por fim, uma etapa em que os empreende-

em sistema de cooperação: enquanto um

dores precisam montar um quebra-cabeça.

dirige a conversa, o outro faz observações e

“Para chegarem ao resultado correto, os em-

registros. A entrevista é dividida em vários

preendedores precisam mexer na forma do

momentos. Na primeira etapa, o psicólogo

quebra-cabeça. Por isso, conseguimos obser-

pede para que cada membro da empresa

var a interação entre os sócios, assim como

candidata se apresente de forma criativa.

a capacidade de adaptação à nova ideia”, ex-

“Após as apresentações, convidamos cada

plica a psicóloga Regina Jardim.

grupo a ‘vender’ seu produto. Esse é o mo-

De acordo com Regina, ainda é difícil ve-

mento para o grupo persuadir os demais

rificar a relação entre o desenvolvimento da

quanto à qualidade e à viabilidade de seus

atitude empreendedora das empresas incu-

empreendimentos. Com isso, queremos per-

badas e o sucesso do empreendimento. “É

ceber o grau de comprometimento com a

preciso que sejam realizados mais estudos

jornada que está por iniciar”, explica Chaves.

para que possamos ver como as incubado-

Os empreendedores precisam também

ras podem ajudar na redução da mortalida-

responder a um questionário, no qual são

de das empresas, desenvolvendo aspectos

avaliados seus pontos fortes e fracos, o re-

comportamentais nos empresários incubados e candidatos a vagas”, avalia. L

lacionamento com os membros do grupo, 42


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SUCESSO

Da pesquisa ao consultório Fundada em 1990, a paranaense Angelus desenvolve soluções odontológicas inovadoras, atualmente comercializadas para mais de 60 países. O segredo do sucesso é o investimento em P&D, um dos alicerces da empresa P O R C A M IL A AU G U S TO

Cansado dos procedimentos lentos e artesanais que precisava adotar no seu

cebeu que havia descoberto um grande mercado.

consultório, o cirurgião dentista parana-

Em 1994, ele fundou a Angelus, espe-

ense Roberto Martins Alcântara começou

cializada no desenvolvimento de soluções

a desenvolver, no início da década de

odontológicas inovadoras. A empresa de

1990, materiais que pudessem melhorar

Londrina (PR), que fechou seu faturamento

a produtividade do seu trabalho e a qua-

de 2011 em cerca de R$ 12,5 milhões, co-

lidade no atendimento de seus pacientes.

mercializa seus produtos para mais de 60

No começo, a fabricação era apenas para

países, e tem hoje a Pesquisa e Desenvolvi-

uso próprio, mas, com o tempo, seus co-

mento (P&D) como uma de suas principais

legas de profissão começaram a lhe fazer

bases – tanto que já foi destaque três vezes

encomendas. Foi então que Alcântara per-

no Prêmio Finep de Inovação, e ficou em 43


SUCESSO

Divulgação

Equipe da Angelus recebeu o Prêmio Finep de Inovação 2009, na categoria pequena empresa

primeiro lugar, em 2009, na categoria na-

nhia. A empresa, inclusive, teve seu nome

cional de pequena empresa.

mudado para “Angelus – Ciência e Tec-

A preocupação com inovação existe des-

nologia”. Em 2005, o departamento de

de o início do empreendimento. Um ano

Pesquisa e Desenvolvimento foi criado,

após ser criada, a Angelus – que hoje possui

formalmente, consolidando a prática já

sede no Parque Tecnológico de Londrina

existente e inaugurando uma nova fase

Francisco Sciarra – mudou-se para a Incu-

para a Angelus.

badora Industrial de Londrina, onde ficou

Atualmente, dos 70 colaboradores que a

por dois anos. “O objetivo era aproximar a

empresa possui, sete dedicam-se exclusiva-

Angelus do meio acadêmico e realizar troca

mente ao departamento de P&D: três dou-

de experiências com as demais empresas

tores, dois mestres e dois graduandos de

do mesmo porte. Nesse contexto, a incuba-

Química da Universidade Estadual de Lon-

dora foi importante”, explica Cesar Bellinati,

drina (UEL). “Houve uma grande mudança

gerente de P&D da empresa.

na empresa com a criação do departamento

O foco em Ciência e Tecnologia, no

de P&D. Antes, os projetos não eram orga-

entanto, só foi intensificado ao longo da

nizados. Agora, conseguimos gerenciá-los

última década. “O primeiro produto da

por meio de uma estrutura matricial. Ainda

Angelus [Nucleojet – núcleo pré-fabricado

somos uma empresa pequena e, por isso,

em policarbonato para obtenção do nú-

precisamos contar, no nosso trabalho, com

cleo metálico] nasceu de uma percepção

a colaboração dos outros departamentos,

do Roberto, mas no começo ele não tinha

como controladoria e design, por exemplo”,

um cunho tecnológico. E foi assim nos pri-

explica Bellinati.

meiros seis anos da empresa, até que o

A partir da estruturação do depar-

Roberto percebeu que, para continuar, ti-

tamento de P&D, a Angelus começou a

nha que investir em Ciência e Tecnologia

captar recursos governamentais para o

e tornar os produtos competitivos”, relata

desenvolvimento de projetos. A empresa

Bellinati.

conseguiu, até hoje, aprovar sete projetos de subvenção econômica à inovação.

Nova fase

“Hoje a Angelus conta com apoio da Fi-

A mudança de foco foi contemplada

nep, do CNPq e do Bndes para o custeio

no planejamento estratégico da compa-

de suas atividades inovativas. Esse apoio é fundamental para que a empresa desenvolva produtos tecnológicos capazes de serem introduzidos em mercados exigentes, como a Europa, o Japão e os Estados Unidos”, destaca Bellinati. Uma das bases do processo de desenvolvimento de novos produtos da empresa, que hoje possui cinco patentes depositadas, é a parceria com instituições de ciência, tecnologia e inovação. Atualmente, a Angelus desenvolve projetos em conjunto com quatro instituições: o Laboratório Interdisciplinar de Eletrônica e Cerâmica, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); a Divisão de Materiais do Comando-Geral

44


SUCESSO

de Tecnologia Aeroespacial; a Universidade Federal de Pelotas (UFPel); e o Centro Técnico Votorantim. “Como a empresa fabrica

_RAIO-X: ANGELUS

medical devices, é de fundamental importância a participação destas instituições em várias fases do projeto, como, por exemplo, na caracterização físico-química do protótipo desenvolvido e na avaliação clínica do produto final”, explica Bellinati. A Angelus ainda desenvolve um Programa de Apoio à Pesquisa, que, com o objetivo de possibilitar parcerias, apoia o desenvolvimento de trabalhos inéditos que

Fundação: 1994 Cidade: Londrina (PR) Faturamento: R$ 12,5 milhões Graduada pela: Incubadora Industrial de Londrina Número de colaboradores: 70 Produtos: soluções odontológicas, como acessórios para dentística e endodontia, cimento dental, materiais de moldagem, pinos e núcleos metálicos, próteses, entre outras.

possuam relações com as áreas estratégicas da empresa. “Esse programa já colabo-

A empresa planeja expandir as expor-

rou com mais de 600 trabalhos científicos,

tações nos próximos anos, entrando nos

desde painéis e monografias, até disser-

mercados dos Estados Unidos e do Canadá.

tações e teses de doutorado, de todas as

A Angelus já possui certificações da Food

regiões do Brasil e de países como Estados

and Drugs Administration (FDA) – órgão

Unidos, México, Israel e Itália. O programa

governamental

disponibiliza não somente o material pro-

pelo controle de medicamentos e equipa-

duzido pela Angelus, mas também toda a

mentos médicos, entre outras atribuições

informação científica e o suporte técnico

– para alguns produtos. “Para atingir esse

para o desenvolvimento do projeto”, des-

objetivo [de expandir as exportações], a

taca Bellinati.

empresa recebeu em 2009 e 2010 um gru-

americano

responsável

po de estudantes das Universidades de MiMade in Brazil

chigan e da Califórnia, por meio de progra-

De toda a produção da Angelus, cerca

mas de MBA. As equipes permaneceram na

de 40% é exportada. A empresa comercia-

empresa por dois meses e realizaram um

liza seus produtos para mais de 60 países.

planejamento estratégico detalhado, que

A porta de entrada para o mercado externo

incluiu um plano de entrada da Angelus no

foi a participação em congressos interna-

mercado americano, com estratégia opera-

cionais de odontologia. Nesses eventos,

cional, análise financeira e de risco”, expli-

profissionais

ca o gerente de P&D.

estrangeiros

compravam

pequenas quantidades de produtos para

O ingresso no mercado internacional,

endodontia, dentística estética e próteses

de acordo com Bellinati, trouxe vantagens

laboratoriais. Após a realização de estudos,

competitivas para a empresa. “Não é por

foi criado um departamento de exportação

vaidade que a Angelus exporta. Isso nos

na Angelus em 2003. “O primeiro desa-

trouxe benefícios, como: melhoria no pa-

fio no exterior foi divulgar a imagem de

drão de qualidade, novos mercados, eco-

um Brasil tecnológico, comprovando que

nomia de escala em processos produtivos,

os produtos brasileiros nada ficam a de-

blindagem financeira, maior lucratividade,

ver aos da Europa e dos Estados Unidos”,

redução da inadimplência, aumento da con-

aponta Bellinati. Atualmente, os principais

corrência, conhecimento de novos produtos

compradores são México, Itália, Rússia,

e indução da competitividade para dentro

Ucrânia e Irã.

da própria empresa”, destaca. L 45


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NEGÓCIOS

Inovação na mesa Apesar das dificuldades, o setor de alimentos e bebidas pode ser uma boa aposta para quem quer empreender: não faltam nichos de mercado e consumidores potenciais P O R C A R O L I N E M A Z ZO N E T TO

46

Das quase 38 mil empresas brasileiras

– costuma enfrentar dificuldades que vão

ligadas à indústria de transformação que

desde falta de apoio até a desconfiança do

implantaram inovações de processo ou pro-

consumidor final. Mas com o produto cer-

duto entre 2006 e 2008, 4.792 eram do

to, uma estratégia bem planejada e grandes

ramo de produtos alimentícios e bebidas.

doses de perseverança, qualquer empreen-

Os números, reportados pela Pesquisa de

dedor é capaz de se firmar nesse mercado.

Inovação Tecnológica realizada pelo Ins-

A média de empresas inovadoras no se-

tituto Brasileiro de Geografia e Estatística

tor de alimentação é próxima a da indús-

(Pintec/IBGE, 2008) são significativos, mas

tria, mas essas inovações se referem, em

não traduzem exatamente a realidade do

boa parte das vezes, a modificações muito

setor no que se refere a empreendimentos

pequenas ou de embalagem. Enquanto no

inovadores de base tecnológica. Quem re-

exterior os principais players fazem par-

solve entrar nesse mercado – que teve um

cerias com a indústria química e de bens

faturamento de R$ 383,3 bilhões em 2011

de capital – com uma atuação ofensiva


NEGÓCIOS

(20 a 30 espécies na idade adulta).

repercussão de inovação tecnológica no

Fruto da pesquisa de um casal que fez

produto final –, as empresas brasileiras de

doutorado na Europa e, em 1997, desco-

alimentos e bebidas trilham outro cami-

briu o benefício dos probióticos na região

nho. “A indústria vive muito da tradição”,

do Cáucaso (onde o consumo de tais pro-

resume a pesquisadora e pós-doutoranda

dutos é disseminado e a ocorrência de do-

do Departamento de Política Científica e

enças degenerativas é mínima), a BioLogi-

Tecnológica da Universidade Estadual de

cus nasceu focada em alimentos – e hoje

Campinas (Unicamp), Silvia Domingues de

abrange também produtos dermatológicos

Carvalho.

e dermatocosméticos. Os recursos para

A vantagem dos empreendimentos ino-

o desenvolvimento da empresa vieram da

vadores nesse cenário é que, na maioria das

Financiadora de Estudos e Projetos do Mi-

vezes, seus lançamentos não têm concor-

nistério da Ciência, Tecnologia e Inovação

rente na empresa tradicional. “Encontrar ni-

(Finep/MCTI), que aprovou o projeto em

chos de mercado, que é o que acontece com

2008. “Tínhamos toda a ideia da empresa

empresas incubadas voltadas para produtos bem específicos, funcionais, facilita muito”, completa Silvia, cuja tese de doutorado teve como tema A indústria de alimentos e bebidas no Brasil: uma análise da dinâmica

Djalma Marques e Fátima Fonsêca, da BioLogicus: empresa nasceu com foco em alimentos e hoje abrange produtos dermatológicos e dermatocosméticos Fotos: Divulgação

na busca por melhorias de processo com

tecnológica e das estratégias de inovação de suas empresas entre 1998-2005. A receita é identificar o mercado de atuação e os produtos substitutos, já que um alimento ou bebida só é inovador se tem a aceitação do consumidor. “O objetivo é ter o diferencial de lucratividade, que é fornecido por esse algo a mais. Tem que estar muito bem planejado”, completa a pesquisadora. Qualidade de vida Um dos nichos que mais cresce nos últimos anos em alimentação é o de comidas e bebidas que buscam promover saúde e bem-estar. É nesse mercado que se insere a BioLogicus. Graduada pela incubadora do Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep), onde ingressou em 2006, a empresa conta hoje com 26 colaboradores e tem em seu mix bebidas fermentadas, iogurtes e queijos. O diferencial é que os produtos contêm probióticos – microrganismos que têm um papel importante no sistema imunológico e normalmente habitam o corpo humano desde a infância (400 a 500 espécies), mas cuja presença vai diminuindo com o tempo 47


NEGÓCIOS

Fotos: Divulgação

consumidor desconfia”, comenta. Entre um artigo novo de marca diferente e outro parecido, mas de uma marca conceituada, o nome famoso costuma prevalecer quando o preço é similar. A não ser que seja um produto diferenciado, o novo, em geral, perde para a tradição da grande empresa. Com o respaldo de um distribuidor conceituado, esse obstáculo tende a ser eliminado. Parceria sólida Firmar acordos para fornecimento de produtos a prefeituras e governos estaduais é uma alternativa para os empreendedores do setor de alimentos. Foi o que fez a Vale A Vale Mais produz biomassa de banana verde, que pode substituir, na preparação de alimentos, o trigo, a soja, a fécula de mandioca e o amido de milho, com maior valor nutritivo e mais fibras

pensando no produto, eles deram uma ideia de negócio”, conta o diretor e médico dermatologista Djalma Marques, que tem como sócia a esposa, a engenheira química Fátima Fonsêca. Nos últimos anos, a empresa também recebeu investimento do fundo de capital semente Criatec, do Banco Nacional de Desenvolvimento (Bndes). Os produtos saem com a marca BioLogicus, mas sua fabricação é terceirizada. A empresa desenvolve a fórmula e faz parcerias com indústrias, que fabricam os itens sob a supervisão de um pesquisador. A distribuição também fica a cargo da indústria terceirizada. “Atuamos como se fosse uma sociedade. Tudo que é gasto, é dividido

Cleonildo Xavier, da Vale Mais: empresas devem perseguir inovações dentro de seu escopo de atuação

meio a meio”, explica Djalma. Para chegar ao consumidor final, a BioLogicus mantém uma loja própria dentro do Itep (onde boa parte dos clientes chega por indicação de médicos e nutricionistas, ou amigos) e contata lojas especializadas, farmácias homeopáticas e outros pontos de venda. A BioLogicus já firmou parceria com a rede Mundo Verde. A pesquisadora Silvia de Carvalho explica que contar com o respaldo de uma rede de lojas com tradição no segmento é uma boa saída para driblar as dúvidas do consumidor. “Muitos produtos são lançados e têm vida curta porque o

48

Mais Alimentos, de Santos (SP), que produz biomassa de banana verde – alimento funcional que pode substituir, na preparação de receitas, o trigo, a soja, a fécula de mandioca e o amido de milho, com maior valor nutritivo e mais fibras. A empresa fornece o insumo para a indústria, que depois venderá um produto final (pão, almôndega, biscoito, patê de requeijão, salsicha etc.) com acréscimo de saúde e, portanto, valendo mais – e não somente na prateleira. Desde 2009, a Vale Mais é fornecedora da prefeitura de Jundiaí (SP), que usa biomassa de banana verde na merenda escolar. De acordo com o diretor da Vale Mais, Cleonildo Xavier, há dezenas de prefeituras interessadas na biomassa. O objetivo delas é cumprir as exigências do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que determina uma certa gradação de fibras na comida servida às crianças. Entre os clientes em fase adiantada de negociação está a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed/ PR), que usará a biomassa em almôndegas. Serão produzidas 60 toneladas ao mês de almôndegas, com o fornecimento de oito toneladas mensais de biomassa. “A questão da quantidade de alimentação está relativamente resolvida. Agora, o que importa, é o quão saudável os produtos são”, afirma Xavier, lembrando que o processo de produção de-


NEGÓCIOS

_A BUSCA POR FINANCIAMENTO Uma dificuldade apontada pelos empreendedores do ramo de alimentos se refere aos obstáculos na hora de conseguir aprovar projetos junto aos órgãos de incentivo à pesquisa. “É difícil se enquadrar nas linhas temáticas que são exigidas no edital. O que conseguimos aprovar era aberto”, conta Bruno Figueira Ramos, da Nutryclin Alimentos. Para ele, a prioridade do governo passa por outras áreas. A Vale Mais Alimentos submeteu por seis vezes projetos a um órgão de fomento e todos foram recusados. A alegação era que a pesquisa com biomassa de banana verde, foco do empreendimento, não estava no escopo dos editais. “Sem dúvida, por ser uma empresa de alimentos, há dificuldade de financiamento”, afirma o diretor da Vale Mais, Cleonildo Xavier. No final, a única alternativa foi recorrer a empréstimo bancário. De acordo com a doutora em Política Científica e Tecnológica, Silvia de Carvalho, os investimentos públicos em pesquisa dependem muito do mercado e dos assuntos que estão em alta no momento. Para Angela Pibernat, da Qualistatus, quem vence os editais são geralmente projetos voltados para TI ou eletrônica. “Vejo essas empresas recebendo investimento, visitas e investidores. O mundo é muito tecnológico”, afirma. A explicação para essa predominância pode ser a velocidade: o setor de alimentos não é tão rápido quanto o de TI. “Em dois anos, funda-se empresa e ela é vendida ou acabou. A área de alimentos é mais tradicionalista”, explica Xavier, da Vale Mais. Aos empreendedores, resta se articular para propor que os órgãos elaborem editais nas linhas temáticas alimentícias. É o que acredita Bruno Ramos, da Nutryclin. “Outros setores da economia estão à frente. Para o segmento de desenvolvimento de alimentos é um desafio, mas talvez isso ajude o setor a inovar.”

Uma das principais características do se-

mentos de Campinas (Ital) não leva nenhum

tor, aliás, tem a ver justamente com a concor-

aditivo químico. O campo para crescimento

rência. Isso porque, em alimentos, é muito

é vasto: o mercado de alimentação saudável

fácil copiar o que o outro faz. Uma empresa

cresce 20% ao ano no Brasil. No exterior, o

leva anos para desenvolver uma tecnologia

ritmo é de 10% ao ano, em taxas estáveis.

e, a partir do momento que esta chega ao

Os planos para a Vale Mais são terminar

mercado, é rapidamente imitada pelo con-

2012 com faturamento consolidado e, para

corrente. “O setor não tem mecanismo eficaz

o futuro próximo, buscar financiamento do Bndes para agregar tecnologia. Atualmente, o faturamento é de cerca de R$ 45 mil

Equipe da Nutryclin: empresa iniciou fabricando produtos direcionados a atletas e hoje estende seu portfólio a crianças e idosos Divulgação

senvolvido no Instituto de Tecnologia de Ali-

mensais – valor que equilibra a balança dos gastos, mas ainda não garante uma boa margem de lucro. Em 2014, a empresa pretende começar a linha pasteurizada e fornecer a biomassa de banana em temperatura ambiente – atualmente, ela é comercializada e armazenada congelada. Com a nova tecnologia haverá redução de custos e ganho de escala, e o produto se tornará ainda mais inovador. “Você tem que tornar seus próprios produtos oboletos, porque a concorrência vai chegar”, prevê Xavier. 49


NEGÓCIOS

Fotos: Divulgação

suplementos para outros públicos demandavam longos períodos de estudo até mostrarem resultado. A estratégia deu certo e a empresa hoje possui produtos direcionados a crianças (um suplemento composto de cálcio, magnésio, ferro e zinco para ajudar no desenvolvimento nutricional e intelectual de crianças em idade pré-escolar), idosos (um shake que contém 17 vitaminas e minerais essenciais para pessoas acima dos Produtos da Nunes & Góes, de Maceió: empresa incubada com foco na produção de cachaças

de apropriação da inovação”, diz Silvia. Por isso, é preciso ter um projeto bem estruturado, para garantir que o público dê retorno sobre o investimento. “Não tem como ter segredo industrial. Nenhum dos mecanismos normais funciona nesse setor”, completa a pesquisadora da Unicamp. Driblando o mercado Outro mercado em franca expansão é o de suplementos – uma indústria que começou nos anos 1980 no Brasil, na esteira de nomes como Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. Com um número cada vez

A Qualistatus se aproveitou de um novo nicho de mercado: a análise da qualidade de bebidas e vinagres importados

maior de pessoas frequentando academias, praticando esportes e cuidando do corpo, esse segmento se torna cada vez mais atraente. No início, os suplementos fabricados pela Nutryclin Alimentos – empresa graduada em 2008 pela incubadora mineira do Centro Tecnológico de Desenvolvimento Regional da Universidade Federal de Viçosa (Centev/ UFV) – tentaram atingir justamente esse público: os atletas. A percepção foi de que seria mais fácil gerar caixa e ter renda ao direcionar a empresa para um nicho consolidado. Era também uma forma de ganhar tempo, já que os

50

50 anos) e interessados em emagrecer (um produto substituto total das refeições e que atende devidamente os valores calóricos necessários). O plano agora é, a partir de recursos do Programa Pró-Inovação, do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), sair do patamar de faturamento médio de R$ 30 mil ao mês para R$ 100 mil mensais em janeiro de 2013 – e depois buscar um crescimento de 10% ao ano. “Como estamos nos modernizando, vamos ter capacidade produtiva alta e teremos que firmar parcerias com grandes redes de lojas, distribuidores”, explica Bruno Figueira Ramos, diretor executivo e gerente de desenvolvimento da Nutryclin. “É bem difícil captar clientes, fidelizar. É um processo contínuo de compra”, completa. Oportunidade de negócio Mas nem só de comida, insumos e suplementos vive o setor de alimentos. Um exemplo de negócio alternativo é a Qualistatus, de Porto Alegre (RS). Quando o governo federal decidiu terceirizar as análises de qualidade e identidade feitas em bebidas e vinagres importados – obrigatórias para autorizar sua entrada em território brasileiro – um novo nicho de mercado foi criado. Até o primeiro semestre de 2010 as análises eram realizadas pelo próprio Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Como a fronteira gaúcha é rica em importação de bebidas, as irmãs Angela e


NEGÓCIOS

_DIFICULDADES DO SETOR Falta de apoio governamental não é a única reclamação dos empreendedores do setor de alimentos. Confira alguns obstáculos enfrentados por empresas que ocupam diferentes nichos: Fornecedor: às vezes é preciso desenvolver o mercado fornecedor. A Vale Mais Alimentos, que vende biomassa de banana verde, passou por essa etapa. “O fornecedor usa plantação natural, sem agrotóxico, só se utiliza óleo nas folhas”, explica o diretor Cleonildo Xavier. Afinal, quando se lida com um produto voltado para a promoção da saúde, todas as etapas precisam estar cobertas. Desconfiança: o consumidor final é reticente em relação a novos produtos, e o mesmo acontece com a indústria no caso de insumos. Em alimentos, o ciclo de entrada no mercado é um pouco mais longo. “Tem que marcar reunião, mostrar, aprovar, passar por todo o crivo”, salienta Xavier. “A partir do momento que começa a fornecer para um e para outro, começa a se firmar no mercado”, completa. Produto delicado: certos artigos exigem cuidados especiais, como é o caso dos alimentos probióticos desenvolvidos pela BioLogicus. Afinal, a empresa lida com microrganismos vivos. “Eles não suportam qualquer tipo de corante, nada de acidulante, conservante. São ultrassensíveis”, explica o sócio Djalma Marques. Matéria-prima: dependendo da área de atuação, o acesso à matéria-prima pode se tornar um problema. É o caso da fabricante de suplementos Nutryclin, localizada em Viçosa (MG). Os principais fornecedores da empresa estão em São Paulo, o que traz problemas de custo, com ICMS e outros impostos, além do frete.

Cristiane Pibernat, ambas engenheiras, en-

sentação da Qualistatus aos importadores

xergaram ali uma boa oportunidade e cria-

– são eles que encomendam ao laboratório

ram o laboratório Qualistatus, empresa in-

de sua preferência a análise que liberará a

cubada no Parque Científico e Tecnológico

bebida na aduana. “Existe a barreira inicial

da Pontifícia Universidade Católica do Rio

do cliente, de trocar o certo pelo duvidoso,

Grande do Sul (Tecnopuc).

o velho pelo novo”, aponta a engenheira. A

O credenciamento junto ao Mapa, ne-

proposta de inovação da Qualistatus é dis-

cessário para o início das operações, veio

ponibilizar um sistema de diferenciação,

em dezembro de 2011, depois da monta-

autenticidade e tipicidade de produtos de

gem de toda a estrutura física do empre-

alto valor agregado, com o intuito de desta-

endimento – o que dificultou às empreen-

car aspectos qualitativos e levar confiança

dedoras conciliar o investimento inicial

ao consumidor final.

com o período ocioso até sair a autoriza-

A Nunes & Góes, de Maceió, também

ção. “Depois que começou a chegar amos-

trabalha com bebidas, mas o foco da em-

tra, em janeiro, a coisa fluiu tranquila. O

presa é um produto bem brasileiro: a ca-

mercado do Rio Grande do Sul estava bem

chaça. Tudo começou quando o professor

carente e nós conseguimos suprir uma de-

do curso de Engenharia Química da Uni-

manda”, analisa Angela.

versidade Federal de Alagoas (Ufal), João

O trabalho de prospecção havia começa-

Nunes, comprou um pequeno alambique e

do antes do credenciamento, com a apre-

passou a usá-lo para dar aulas práticas. O 51


NEGÓCIOS

envelhecimento era feito com nove tipos

redes de supermercado regionais, onde o

diferentes de madeira e a cachaça produ-

ingresso do produto é mais barato. “Muita

zida era distribuída para degustação entre

gente acha bom o fato de ter trabalhado

professores, estudantes e funcionários. A

com iniciação científica, teses, dissertação

bebida agradou e surgiu a ideia da em-

em função de um produto que hoje é ad-

presa incubada. Hoje as pesquisas versam

mirado no mundo todo. O público de fora

sobre cinco tipos diferentes de madeira,

da universidade vê isso com bons olhos”,

a influência do tamanho do barril no pro-

explica Nunes.

cesso de envelhecimento e a reutilização

Assim como em qualquer outro setor,

dessa mesma madeira. A cachaça Nunes &

para se dar bem no de alimentos a coisa mais importante a fazer é acreditar. L

Góes já é vendida em lojas especializadas e

A indústria tem pressa, o Brasil não pode esperar.

A inovação é a chave da produtividade, que abre as portas para um país mais competitivo. A inovação é fator estratégico para a competitividade da indústria nacional, o grande motor do aumento da produtividade. É prioridade

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dos nossos concorrentes globais. E se não quisermos ficar para trás, também teremos de seguir pelo mesmo caminho, investindo mais em inovação, cada vez mais. • Uma indústria inovadora tem maior capacidade de geração de empregos. • Inovar é fundamental para a conquista de novos mercados e negócios. • Produtos e processos inovadores promovem o fortalecimento do País.

Uma indústria inovadora é igual a mais competitividade, que é igual a um Brasil mais forte, que é igual a um país melhor para você. Opine e veja mais informações sobre o tema em: www.aindustriatempressa.com.br

52

CNI. A FORÇA DO BRASIL INDÚSTRIA.


_ESPECIAL

Como incubadoras de empresas e parques tecnológicos podem revelar e integrar novas áreas de desenvolvimento? Algumas das respostas para essa questão podem ser encontradas na reportagem especial de CAPA, que relata as principais conquistas e desafios do movimento de empreendedorismo inovador brasileiro nas últimas décadas. Descubra quais caminhos levaram esse movimento ao patamar de instrumento essencial ao desenvolvimento sustentável do país 53


54


CAPA

Um movimento que transforma Iniciado em meados da década de 1980, o movimento do empreendedorismo inovador conferiu novo perfil econômico a territórios que abrigam incubadoras de empresas e parques tecnológicos. Baseados no conhecimento, empreendimentos apoiados por essas instituições criam produtos e serviços que têm na inovação seu principal diferencial. Assim, nas últimas décadas, foram geradas, muito além de negócios, novas rotas de desenvolvimento. O desafio, agora, é fazer com que esse movimento contribua ainda mais para gerar um Brasil maior e melhor para todos.

P O R D É B O R A H O R N E C A M IL A AU G U S TO

55


CAPA

Década perdida. Assim ficou conhecido o momento em que

social só aumentava. No país do

se revelaram como instrumen-

futuro, o futuro era incerto.

tos importantes, também, para

o Brasil se encontrava há 25

Foi nesse cenário que a An-

o desenvolvimento regional.

anos. Marcado pela transição

protec surgiu, em 1987, com a

Hoje, no Brasil, existem 384

do modelo econômico e políti-

visão pioneira de que parques

incubadoras, que apoiam 3.764

co, mais aberto e democrático,

tecnológicos e incubadoras de

empresas e já graduaram 2.509

o país via o sonho do desenvol-

empresas poderiam contribuir

empreendimentos, de acordo

vimento cada vez mais distante.

para a transformação do país,

com dados de um estudo reali-

Com economia instável, regis-

por meio do apoio ao surgimen-

zado pela Anprotec e pelo Mi-

trando índices inflacionários

to de empreendimentos inova-

nistério da Ciência, Tecnologia

que alcançaram os 1.000% ao

dores – veja box na página 58.

e Inovação (MCTI) em 2011.

ano em 1989, a desigualdade

De lá para cá, esses mecanismos

Esse número evoluiu muito até

_ROTA ALTERNATIVA EM FOZ DO IGUAÇU

Divulgação

Foz do Iguaçu sempre foi uma cidade com vocação turística. Localizado na fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, o município, que é famoso por abrigar as Cataratas do Iguaçu, registrou grande crescimento a partir da construção da Usina Hidrelétrica Itaipu. De 1970 a 1980, sua população saltou de 34 mil habitantes para cerca de 136 mil, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Porém, com o término das obras, em 1984, a cidade passou a enfrentar o desafio de diversificar e dinamizar a sua economia, a fim de incluir, Parque Tecnológico Itaipu: missão de contribuir com o desenvolvimento sustentável de Foz do Iguaçu

também, os trabalhadores que fixaram residência no local. Hoje, Foz do Iguaçu tem cerca de 260 mil ha-

bitantes. A base de sua economia continua sendo o turismo, principalmente o setor de comércio e serviços. A Usina de Itaipu também atua, ainda, como um dos principais motores da economia local e vem incentivando a transformação da cidade em um polo tecnológico, por meio do Parque Tecnológico Itaipu (PTI), implantado em 2003. O PTI está instalado nos antigos alojamentos dos operários que construíram a hidrelétrica e desenvolve ações de educação, pesquisa científica, tecnologia, empreendedorismo e inovação. O ambiente tem o objetivo de promover o desenvolvimento tecnológico não só da Usina, mas da região de Foz do Iguaçu como um todo. “Acreditamos que os parques tecnológicos formam uma rede ideal para a geração de emprego e renda, a criação de produtos e processos inovadores, o desenvolvimento científico e tecnológico e a transformação econômica e social das regiões onde estão inseridos”, afirma o diretor-superintendente do PTI, Juan Carlos Sotuyo. Com uma área de 116,7 hectares, o Parque abriga 50 empreendimentos, como empresas incubadas, companhias residentes no Condomínio Empresarial e prestadoras de serviço, entre outros. No PTI também estão localizadas seis instituições de ensino, entre elas a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), que contou com a parceria do Parque para sua implantação.

56


CAPA

chegar ao patamar atual. Um

incubadoras, 98% são inova-

ano após a criação da Anprotec,

doras, sendo que 55% dessas

havia apenas duas incubadoras.

inovações têm alcance nacio-

Na década de 2000, já existiam

nal e 15%, mundial. Os 2.640

135. E, em 2005, 339.

empreendimentos incubados,

O número de parques tec-

além de gerarem mais de 16

nológicos também foi amplia-

mil empregos, faturam R$ 533

do ao longo desse período. Na

milhões por ano. Já os gradua-

década de 1980, de acordo

dos são responsáveis pela ofer-

com a Anprotec, apenas um

ta de quase 30 mil postos de

parque estava em operação, o

trabalho e têm faturamento de

Parque Tecnológico da Ciatec,

R$ 4,1 bilhão por ano.

em Campinas (SP). No final de

Além dos números, as histó-

2008, 25 parques já haviam

rias de várias cidades, estados

iniciado suas atividades. Atu-

e regiões do Brasil mostram

almente, existem por volta de

como as incubadoras e par-

90 iniciativas de parques, das

ques são instrumentos impor-

quais cerca de 30 estão em

tantes para o desenvolvimento

operação.

do país e a transformação da

Segundo dados da Associa-

realidade social e econômica

ção, no ano de 2007 – duas

das regiões onde estão inseri-

décadas depois do início do

dos.

25 (34%)

32 (43%)

Projeto

Em operação

Fonte: Portfolio de Parques Tecnológicos no Brasil, Anprotec, 2008

Alguns precursores

dente do Conselho Nacional

A história do movimento de

de Desenvolvimento Científi-

badora ou parque tecnológico.

empreendedorismo

inovador

co e Tecnológico (CNPq), car-

Além disso, 64% das cidades

brasileiro começou com ações

go que ocupou entre 1980 e

com mais de 300 mil habitan-

pontuais em diferentes regiões

1985, ele foi responsável pelo

tes e menos de 1 milhão ti-

do país, lideradas por alguns

lançamento, em 1984, das pri-

nham iniciativas similares. Do

poucos visionários. Um deles

meiras políticas públicas de

total de incubadoras existentes

vinha de Campina Grande, na

apoio aos parques tecnológi-

naquele ano, 88% priorizavam

Paraíba: Lynaldo Cavalcanti de

cos e incubadoras de empre-

o desenvolvimento regional.

Albuquerque, que faleceu em

sas no Brasil. “Lynaldo era um

Lançado neste ano, o mais recente estudo da Anprotec sobre incubadoras de empresas no Brasil, realizado em parce-

Em implantação

São Carlos (SP): sede de uma das primeiras incubadoras instaladas na América Latina Divulgação

habitantes possuíam uma incu-

17 (23%)

janeiro de 2011. Como presi-

movimento – 100% dos municípios com mais de 1 milhão de

Parques tecnológicos no Brasil

ria com o MCTI, confirma a importância desses mecanismos para o desenvolvimento do país. A pesquisa revelou que 38% das empresas incubadas atuam para se inserir em um Arranjo Produtivo Local (APL) de alta tecnologia. Do total de empresas apoiadas pelas 57


CAPA

homem à frente de seu tempo.

vas. Para dar certo, era preciso

geografia econômica de São

Inspirado em modelos e meca-

agregá-las. A Anprotec nasceu

Carlos,”, afirma Rosa. Entre os

nismos que havia conhecido

dessa inspiração”, explica.

fatores que contribuíram para

nos Estados Unidos e na Euro-

Hoje Rosa é diretor do S.

essa transformação, está a atu-

pa, levou essa discussão para

Carlos Science Park, de São

ação de universidades e cen-

o governo, apontando parques

Carlos (SP), município que

tros de pesquisa no município.

e incubadoras como um cami-

abrigou, em 1985, uma das

Além da Universidade de São

nho para o desenvolvimento”,

primeiras incubadoras de em-

Paulo (USP), com dois campi na

afirma Sylvio Goulart Rosa Jr.,

presas da América Latina. Em

cidade e a Universidade Fede-

ex-presidente

Anprotec,

15 anos, a cidade atingiria

ral de São Carlos (UFSCar), São

que conviveu com Cavalcanti.

a marca de 150 empreendi-

Carlos conta com dois centros

“No início, em meados da dé-

mentos de base tecnológica,

da Empresa Brasileira de Pes-

cada de 1980, esse movimento

ostentando o título de “Capital

quisa Agropecuária (Embrapa):

gravitava em torno de poucas

da Tecnologia”. “O empreen-

a Embrapa Pecuária Sudeste e

pessoas, instituições e iniciati-

dedorismo inovador mudou a

o Centro Nacional de Pesquisa

da

e Desenvolvimento de Instru-

_A SERVIÇO DO DESENVOLVIMENTO

mentação Agropecuária. Em consequência da presença dessas instituições, a

Criada em 30 de outubro de 1987, a Anprotec teve origem em um seminário organizado no Rio de Janeiro (RJ) por entidades que já atuavam ou tinham interesse na área de empreendedorismo e inovação. Foi uma das primeiras associações do gênero no mundo, fundada apenas dois anos depois da norte-americana National Business Incubation Association (NBIA) e três anos depois da International Association of Science Parks (IASP). Na época, os 12 sócios-fundadores propuseram uma nomenclatura que apontava os grandes desafios a serem perseguidos pela entidade: ANPROTEC – Associação Nacional das Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas”. Em 1999, o termo “Tecnologias Avançadas” foi substituído por “Inovadores”, indicando um novo momento econômico vivido pelo país, que desperta-

cidade

concentra

cientistas

e pesquisadores. Segundo a Prefeitura Municipal, há um pesquisador doutor (PhD) para cada 180 habitantes, enquanto no Brasil a relação é de um doutor para cada 5.423 habitantes. “São Carlos hoje atrai profissionais de alta qualificação e gera riqueza por meio da inovação”, afirma Rosa. Transformação semelhante

va para a necessidade de inovar para garantir competitividade no cenário global .

foi promovida na capital cata-

Hoje a Anprotec representa os interesses das incubadoras de empresas, par-

rinense, Florianópolis. Atual-

ques tecnológicos e empreendimentos inovadores no Brasil. Atua por meio da pro-

mente, o setor de tecnologia

moção de atividades de capacitação, articulação de políticas públicas e geração

é o que mais contribui com

e disseminação de conhecimentos. A Associação agrega cerca de 270 entidades

impostos na cidade, sendo res-

associadas, entre incubadoras de empresas, parques tecnológicos, instituições de

ponsável por mais de 30% do

ensino e pesquisa, órgãos públicos e outras entidades ligadas ao empreendedo-

PIB municipal. Esse cenário

rismo e à inovação.

era bem diferente no início da

Após 25 anos de atuação, a Anprotec se prepara para liderar um novo ciclo de

década de 1980, quando o mo-

desenvolvimento. “Em sinergia com as diretrizes e estratégias de políticas públicas

vimento de empreendedoris-

governamentais e com os programas e ações propostos por agências de fomento,

mo inovador começou a surgir

parceiros efetivos do movimento brasileiro, os ambientes de inovação se fortale-

no município, um dos pionei-

cem e se qualificam para ocupar novos espaços em um Brasil Maior”, afirma a

ros na criação de incubadoras

presidente da Associação, Francilene Garcia.

e parques tecnológicos. A criação da Fundação Cer-

58


CAPA

Incubadoras em operação no Brasil 0

40

400

4

38

9

33

350 3

28

300 250

7

3 18

200 5

13

150

20

0

15

0

10

100 50 0

88

19

89

19

10

7

4

2

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19

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19

92

19

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19

94

19

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27

19

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19

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74

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19

98

19

99

19

00

20

01

20

02

20

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20

04

20

05

20

07

20

11

20

ti, em 1984, foi um dos even-

discussão, inclusive política,

tos que marcou a mudança de

de que Florianópolis precisava

perfil econômico da região. A

criar empregos. Aqui não havia

instituição

solu-

indústria, fora algumas gran-

ções inovadoras para empre-

des empresas estatais. Foi nes-

sas e, em 1986, criou a Incuba-

se contexto que o governo do

dora Empresarial Tecnológica,

Estado nos pediu para fazer-

hoje chamada de Centro Em-

mos uma reflexão sobre como

presarial para Laboração de

poderíamos fomentar empre-

Tecnologias Avançadas (Celta).

gos na indústria de informáti-

“Quando criamos a Fundação,

ca”, relata Schneider.

desenvolve

estávamos focando no atendi-

A resposta veio, em 1986,

mento a empresas existentes,

com a criação do atual Celta,

que é nossa missão principal

que já graduou quase 70 em-

ainda hoje. Nós atuávamos

presas e hoje abriga cerca de

mais fora de Santa Catarina”,

30

explica o superintendente ge-

bons números. Mas posso afir-

ral da Certi, Carlos Alberto

mar que a contribuição do Cel-

Schneider.

ta para Florianópolis foi bem

empreendimentos.

“São

Em 1985, no entanto, teve

maior. Nossa incubadora sem-

início um debate, dentro da

pre tem uma fila de candidatos

própria Fundação, de que a

querendo entrar aqui. Aqueles

Certi deveria criar mecanismos

que não conseguem uma vaga

para

empresas

continuam com seus planos

locais. “Começou a haver uma

de negócios, desenvolvidos no

desenvolver

Divulgação

Fonte: Anprotec

Schneider, da Certi: incubadoras devem ajudar cidades a encontrar soluções para seus gargalos 59


REDE PARANAENSE DE PESQUISA E INOVAÇÃO

É o Governo do Estado fomentando a geração de conhecimento, estimulando a cultura da inovação e contribuindo para o desenvolvimento econômico e social.

SISTEMA ESTADUAL DE ENSINO SUPERIOR

Sete universidades estaduais entre as melhores do país. Ensino gratuito e de excelência para mais de 123 mil estudantes.

60

60


61

61


Divulgação

CAPA

2005 e também é gerenciado

de empresas e parques tecno-

pela Fundação Certi. “Ele não é

lógicos. “Sem esses parceiros, o

apenas um parque tecnológico,

movimento não teria prospera-

e sim de inovação: é um mix de

do com a mesma força. Quan-

um parque científico – com um

do começamos a Associação,

segmento voltado à pesquisa

a entidade tinha um projeto

científica e ao desenvolvimen-

grandioso, mas pouquíssimos

to tecnológico – e de serviços.

recursos. Foi a partir de 1990,

Qual é a condição que nós da-

quando o Sebrae tornou-se

remos a empresas que querem

parceiro da Anprotec, que esse

se instalar? Elas terão que ser

projeto teve condições de se

inovadoras e modernas”, afir-

consolidar”, relata Silvio Gou-

ma Schneider.

lart Rosa Jr., que presidiu a Associação entre 1989 e 1993.

Em evolução

Assim, o empreendedoris-

Assim como São Carlos e

Francilene, da Anprotec: incubadoras e parques contribuem para a formação de uma forte e competitiva indústria baseada em conhecimento

processo seletivo da incubadora. E o que vão fazer com eles? Vão começar a empresa no fundo das suas casas, vão procurar outra incubadora ou alugar uma sala. Hoje, quando o prefeito discursa, ele diz que Florianópolis tem mais de 500 empresas inovadoras. E como é que elas surgiram? Exatamente desse jeito. O papel da incubadora vai muito além daquelas empresas incubadas que foram criadas, desde que ela esteja fazendo bem o seu papel”, destaca Schneider. Para complementar o ambiente de promoção a empreendimentos

inovadores

em

Florianópolis, foi criado, em 1993, o Parque Tecnológico Alfa, onde hoje fica a incubadora Celta. A cidade ainda abriga o Sapiens Parque, que começou a ser implementado em 62

mo inovador passou de tema

Florianópolis, diversos outros

desconhecido

municípios brasileiros muda-

instrumento para o desenvol-

a

importante

ram suas rotas de desenvol-

vimento. “Com a disseminação

vimento a partir do empre-

dos primeiros resultados e be-

endedorismo

“Em

nefícios, parques tecnológicos

quase meio século de operação,

e incubadoras de empresas

é visível a melhoria da compe-

passaram a ser vistos como so-

titividade nos territórios que se

lução e ferramenta, despertan-

movimentam com a parceria de

do o interesse de instituições

incubadoras de empresas, ace-

públicas e, mais recentemente,

leradoras de negócios, parques

também privadas”, afirma o

ou polos científicos e tecnológi-

diretor executivo do Sapiens

cos. Esses mecanismos de apoio

Park, José Eduardo Fiates,

à inovação contribuem de for-

que presidiu a Anprotec entre

ma relevante para consolidar a

2003 e 2007.

formação de uma forte e com-

esses mecanismos geraram no-

petitiva indústria baseada no

vas rotas de desenvolvimento

conhecimento, bem como para

a partir do fomento a áreas e

criar condições mais favorá-

setores até então sem expres-

veis à agregação de tecnologia

sividade na economia regional

e inovação ao setor industrial,

ou nacional. “Em alguns locais,

agrícola e de serviços já estabe-

como Florianópolis, São Carlos,

lecidos em nosso país”, afirma a

Campina Grande, na Paraíba, e

presidente da Anprotec, Franci-

Santa Rita do Sapucaí, em Mi-

lene Procópio Garcia.

nas Gerais, por exemplo, esse

inovador.

Segundo ele,

Entre as ações que contri-

processo leva a novas voca-

buíram para o sucesso do mo-

ções econômicas. Em outros,

vimento, destaca-se a articula-

onde a economia já era forte,

ção institucional e política, que

como São Paulo e Rio de Janei-

garantiu apoio a incubadoras

ro, cria uma rota alternativa de


CAPA

desenvolvimento”, explica.

na capacitação e criação de competências

dos

agentes

Novo ciclo

envolvidos com o movimento.

Alcançada a maturidade,

“Temos que criar massa críti-

o movimento do empreende-

ca, de modo que os conheci-

dorismo inovador no Brasil se

mentos acumulados ao longo

prepara para um novo ciclo

dessa experiência de 25 anos

de desenvolvimento. “O mo-

não se percam ao longo do

vimento segue crescendo no

tempo”, defende.

país. Esse crescimento é, em

Alguns dos precursores do

parte, justificado pelo maior

movimento no país também

interesse dos governos locais

acreditam que este é um mo-

na promoção de ambientes

mento de incubadoras e par-

que promovam o empreende-

ques se voltarem para o futu-

dorismo. Recentemente, com a

ro. “Eu diria que temos dois

estabilidade econômica do país

desafios. Um deles – que não

e com sua maior atratividade

é fácil – é captar empreen-

aos investimentos externos, a

dedores com propostas real-

promoção do empreendedo-

mente inovadoras. O outro é

rismo se tornou uma via de

promover o desenvolvimento

desenvolvimento. Marcos re-

regional, ajudando as cidades

gulatórios importantes, como a

a identificarem seus próprios

subvenção econômica, são ala-

desafios, a buscar soluções”,

vancas que auxiliam na maior

afirma Schneider, da Funda-

presença de iniciativas empre-

ção Certi. Contribuir para a

endedoras no Brasil. Os par-

competitividade da economia

ques tecnológicos atuam como

brasileira está entre os obje-

fortes parceiros nesse cenário,

tivos elencados pelo diretor

articulando e integrando com-

do São Carlos Science Park,

petências, agências de fomen-

Sylvio Rosa Jr. “Um passo im-

to e demandas de mercado”,

portante para isso é a busca

afirma a presidente da Anpro-

pela internacionalização das

tec, Francilene Garcia.

empresas criadas no movi-

Para José Eduardo Fiates,

mento, que precisam crescer

um dos grandes desafios do

focadas no mercado externo,

movimento está na geração

na inovação em nível global”,

de resultados cada vez mais

afirma.

relevantes para o crescimen-

inserir o empreendedorismo

tornar grandes os empreen-

inovador na agenda do país,

dimentos apoiados, de modo

tudo indica que o avanço des-

que eles sejam responsáveis

se movimento, agora, depende

por uma fatia importante das

da articulação entre políticas

riquezas geradas pelo país”,

públicas eficientes, instituições

afirma. Além disso, segundo

preparadas e pessoas empe-

Fiates, é necessário avançar

nhadas em transformar. L

econômico.

4%

16%

48% 32%

Dinamização da economia local

Criação de spin-offs da pesquisa

Dinamização de um setor específico

Inclusão social

Alcance das inovações incubadas 2%

15%

55% 28%

Se há 25 anos a meta era

“Precisamos

to

Foco de atuação das incubadoras brasileiras

Nacional

Local

Mundial

Não inovam

Fonte: Estudo, análise e proposições sobre as incubadoras de empresas no país, Anprotec e MCTI, 2012. 63


Divulgação

CAPA

Entrevista: Carlos Alberto Santos, diretor-técnico do Sebrae

Locus > De que forma

potencializadores de ações voltadas à inovação e profissio-

parques tecnológicos e

nalização de setores difundidos nos territórios em que se

incubadoras de empre-

inserem. O grande desafio, porém, é a sustentabilidade des-

sas podem contribuir

sas iniciativas devido à baixa latência de seus parques indus-

com a geração de novas

triais e potenciais parceiros financiadores. A resposta está

rotas de desenvolvimento nas regiões em que atuam?

na integração de poder público, que nesses ambientes deve

Santos > Enquanto iniciativas indutoras do empreende-

protagonizar o processo de desenvolvimento do território,

dorismo inovador, as incubadoras trazem em sua essência

com o capital privado enquanto beneficiário e interessado

aspectos relevantes ao desenvolvimento do território em

nos efetivos resultados dessas iniciativas. No Brasil, temos

que se inserem. Estrategicamente, devem assumir o prota-

muito a avançar. Sempre fomos um país voltado à produção

gonismo do estímulo à inovação como resposta a oportu-

de alimentos e exploração de matérias-primas. Fortalecer

nidades de mercado. Representam uma renovação original

e modernizar nosso parque industrial são um dos grandes

das políticas tradicionais de apoio às pequenas empresas,

desafios nacionais para o aumento de nossa competitivida-

na medida em que elas se definem explicitamente como

de. Os habitats de inovação devem ser um dos expoentes

organizações que promovem transferência de tecnologia,

do desenvolvimento socioeconômico. Um grande desafio

por meio do incentivo ao surgimento de empresas inovado-

talvez seja descaracterizar o território como menos desen-

ras originárias, em sua maioria, de universidades, institutos

volvido e caracterizá-lo como farto em oportunidades.

de tecnologia e centros de excelência para o mercado produtivo. Em territórios em que o sistema local de inovação

Em 2012, a Anprotec completa 25 anos. Quais foram,

possui processo de governança estruturado, a existência de

na sua opinião, as maiores conquistas do movimento do

um parque tecnológico é essencial, pois incentiva a trans-

empreendedorismo inovador nesse período? E quais os

formação de pesquisas básicas em aplicadas, estimula a

principais desafios do movimento para os próximos anos?

criação de inovações de ruptura, por meio da interação en-

Ao longo de 25 anos, a Anprotec teve forte influência na

tre o empreendedorismo, a inovação e a pesquisa. Aproxi-

difusão da importância do empreendedorismo inovador

ma, assim, grandes empresas de micro e pequenas que lhes

no Brasil. Institucionalizou o movimento de incubadoras

ofertam produtos (bens e serviços) com alto valor agregado.

de empresas e parques tecnológicos, liderando o proces-

Portanto, incubadoras de empresas e parques tecnológicos

so que induziu a criação de políticas públicas voltadas ao

assumem, no ambiente em que se inserem, papel funda-

incentivo à sua criação e ao seu financiamento. Portanto,

mental na concretização de políticas públicas de incentivo à

sua influência para a expansão do movimento foi tanto ex-

inovação, agregando competitividade e sustentabilidade na

ponencial quanto a razão de sua existência. Os grandes de-

indução de novas rotas de desenvolvimento.

safios para os próximos anos são legitimar o modelo Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos

64

Quais são os principais desafios enfrentados por ter-

(Cerne) como processo fundamental à sustentabilidade e

ritórios menos desenvolvidos para fazer com que esses

atuação das incubadoras de empresas; qualificar e apro-

mecanismos existam e contribuam, efetivamente, para o

ximar as incubadoras de empresas e empresas incubadas

crescimento econômico e social?

do mercado, passando pela completa formação do empre-

Em territórios menos desenvolvidos, sob o aspecto so-

sário e pela articulação institucional com o poder público

cioeconômico, existem tanto deficiências quanto oportuni-

para criação de políticas que incentivem o financiamento

dades a explorar. Nesse contexto, incubadoras de empresas

de empreendimentos inovadores, desde sua fase de cria-

e parques tecnológicos são indutores de oportunidades e

ção até sua efetiva consolidação mercadológica. L


_HABITATS

Aceleradoras surgem como um novo MECANISMO de auxílio às start-ups. As grandes empresas residentes em parques tecnológicos também cumprem seu papel de catalisadoras do desenvolvimento das PMEs, promovendo uma INTERAÇÃO benéfica para os dois lados. As incubadoras corporativas surgem com a promessa de APOIO aos empreendimentos nascentes. Em GESTÃO, descubra por que a sistematização do conhecimento ainda é pouco aplicado em ambientes inovadores. Na ACADEMIA, o desafio é garantir a autonomia dos NITs. Após mais uma missão INTERNACIONAL de sucesso, participantes analisam lições que o Brasil pode aprender com Alemanha e Estônia 65


Shutterstock

MECANISMOS

Pé na tábua De olho em empreendimentos com potencial de crescimento rápido e ideias inovadoras, aceleradoras ganham espaço no cenário nacional P O R C A M IL A AU G U S TO

66

Já existem dezenas delas nos Estados

ção nascem com a promessa de aproxi-

Unidos, mas no Brasil estão surgindo ago-

mar empreendimentos com potencial de

ra: aceleradoras de empresas e progra-

crescimento rápido de investidores e pos-

mas de aceleração ganham força no país.

síveis compradores. Rio de Janeiro, São

Esses novos atores de estímulo à inova-

Paulo, Belo Horizonte e Recife são algu-


MECANISMOS

mas das cidades que possuem iniciativas

mento será realizado pela Jereissati Par-

do gênero.

ticipações.

O Armazém da Criatividade – criado Pós-incubação

Digital, do Recife (PE), em parceria com a

Incubadoras e aceleradoras possuem

Jereissati Participações e o Instituto Ta-

um objetivo em comum: ajudar empre-

lento Brasil (ITB) – receberá as primeiras

endimentos nascentes. Apesar disso, são

start-ups a partir do primeiro semestre

entidades que guardam muitas diferen-

de 2013. “O Porto Digital é um ambiente

ças entre si e se complementam. As in-

complexo. Já trabalhamos com a frente

cubadoras geralmente estão associadas a

de formação de profissionais. Também

instituições públicas e recebem recursos

temos duas incubadoras – uma de base

governamentais. Já as aceleradoras são

tecnológica e outra de Economia Criati-

privadas e, como forma de obter recursos,

va, além do C.E.S.A.R [Centro de Estudos

adquirem participações das empresas a

e Sistemas Avançados do Recife]. Preci-

serem aceleradas. Em Recife, por exem-

sávamos de um elemento que completas-

plo, apesar de o Armazém da Criatividade

se isso – um espaço que vai ser suprido

ter surgido como uma política pública do

pelo Armazém da Criatividade. Estamos

governo de Pernambuco, que cedeu um

sofisticando nossas estratégias de fo-

prédio para a aceleradora, o projeto está

mento ao empreendedorismo inovador”,

sendo financiado pela Jereissati Participa-

afirma o diretor-presidente do Parque,

ções.

Francisco Saboya.

Outra distinção está relacionada aos

De acordo com Saboya, o papel da ace-

processos adotados por elas. A incubação

leradora será o de fornecer aos empreen-

dura em média três anos, enquanto a ace-

dimentos um contato mais direto com o

leração, em geral, dura seis meses, no má-

investidor, algo que as incubadoras não

ximo. “Enquanto as incubadoras têm como

oferecem atualmente. “Enquanto a incu-

principal proposta o valor do espaço físi-

badora tradicional está mais preocupada

co, da infraestrutura e, algumas vezes, de

em capacitar um empreendimento em

certas consultorias, as aceleradoras ofere-

termos de gestão e qualidade técnica,

cem principalmente know-how em gestão,

disponibilizando suporte também de in-

acesso a mercados e relacionamento com

fraestrutura, a aceleradora trabalha com

mentores muito qualificados, geralmente

start-ups que já possuem projetos atrativos, oferecendo uma janela para o capital de risco ou para um possível comprador”, explica. As empresas interessadas em fazer

Evento marcou a assinatura do convênio entre o Porto Digital e o governo do Estado de Pernambuco para a criação do Armazém da Criatividade Andreia Rego Barros

neste ano pelo parque tecnológico Porto

parte do programa terão que passar por um processo seletivo. Os projetos aprovados participarão de um ciclo de aceleração de cinco meses, que será concluído com um evento de apresentação a investidores. Os selecionados contarão, desde o início, com recursos de capital semente de até R$ 40 mil, para ajudar no início da operação do empreendimento. O financia67


MECANISMOS

Fotos: Divulgação

uma necessidade prévia. Justamente por isso, aceleradoras buscam start-ups escaláveis, e não somente uma pequena empresa promissora”, destaca. Essa é uma das razões que faz com que o processo de seleção de empreendimentos para aceleração priorize aspectos diferentes. “As incubadoras pedirão seu plano de negócio. Aceleradoras estudarão seu modelo de negócio. A verba pública que normalmente apoia as incubadoras pede maior formalidade e transparência na avaliação de projetos, além da necessidade de mais critérios para avaliar um plano completo. Aceleradoras apostam somente em uma boa ideia”, explica Gitahy . A aceleração seria uma etapa posterior à incubação. “As aceleradoras atuam normalmente em um estágio pós-incubadora. Na incubadora, os empreendedores investem no início do desenvolvimento do produto e da própria equipe, ou seja, começam a ganhar alguma velocidade. É a partir desse momento que as aceleradoras podem ajudar a aumentar essa velo-

Aceleradora itinerante Startup Farm em evento em São Paulo (acima). Na edição de Belo Horizonte, Felipe Matos (à dir.), CEO da Startup Farm, e Alex Tabor, do Peixe Urbano, que apoia start-ups que se conectam ao seu negócio

profissionais muito bem-sucedidos e reno-

cidade de crescimento, principalmente na

mados em suas áreas de atuação”, explica

busca por validar um modelo de negócios

Felipe Matos, CEO da Startup Farm, ace-

com potencial de ter escala”, afirma Rafael

leradora itinerante de start-ups digitais,

Duton, um dos fundadores da 21212 Digi-

que oferece programas de 10 e 30 dias.

tal Accelerator, com escritórios no Rio de

A aceleradora já passou por cidades como

Janeiro e em Nova York, e foco em negó-

Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte

cios digitais.

e Florianópolis.

68

Porém, algumas incubadoras já estão

O público-alvo também é diferenciado.

se aventurando a oferecer programas de

“Normalmente, as incubadoras buscam

aceleração, como a Fumsoft, de Belo Hori-

apoiar pequenas empresas de acordo com

zonte (MG). Este ano, ela passou a ofertar

alguma diretiva governamental ou regio-

esse novo tipo de mecanismo a empre-

nal como, por exemplo, incentivar projetos

endimentos da área de Tecnologia da In-

de biotecnologia devido à proximidade de

formação. A principal novidade é que as

algum centro de pesquisa nessa área”, ex-

empresas deverão seguir um projeto de

plica Yuri Gitahy, que fundou, em 2008, a

aceleração, terão facilidade de acesso a

empresa Aceleradora, uma das primeiras

investidores e receberão coaching para a

do país. “Aceleradoras, por sua vez, são

elaboração do pitch (termo utilizado por

focadas em empresas que tenham o po-

investidores para definir uma apresenta-

tencial para crescer muito rápido – não em

ção curta sobre a start-up).


MECANISMOS

Histórico e liquidez

ra está em dois fatores: conexão com o

As aceleradoras são instituições novas

mundo empresarial, para a formação de

e ainda têm um longo caminho pela frente

uma rede de mentores, e acesso ao capital

para demonstrar sua eficiência. Na opinião

de risco. “Se esses dois aspectos não são

Yuri Gitahy, da Aceleradora: seleção leva em conta start-ups com boas ideias e potencial para crescimento rápido Divulgação

de Yuri Gitahy, da Aceleradora, os principais desafios enfrentados por elas são a falta de histórico de operação, a dificuldade de captar investimentos suficientes – já que investidores e fundos preferem eles mesmos aplicar seu capital – e a falta de liquidez das start-ups. Um dos pontos mais importantes, segundo Gitahy, é o financiamento das aceleradoras, que precisam ter capital próprio suficiente ou captar aportes de investidores para manterem suas operações. “A pergunta importante é: quem manterá uma operação competitiva e trará resultados de médio e longo prazo?”, avalia. Para Francisco Saboya, do Porto Digital, a base do sucesso de uma acelerado-

_INCUBADORA OU ACELERADORA?

Como o empreendedor pode saber se é melhor ingressar em uma incubadora ou participar de um processo de aceleração? Não existe uma resposta pronta, mas uma das palavras-chave é escalabilidade – ou seja, o negócio precisa ter capacidade de crescer rápido sem ter que aumentar de maneira excessiva suas despesas e equipes, por exemplo. “Se sua start-up está em busca de uma inovação radical ou de um modelo de negócios escalável e repetível, procure uma aceleradora. Se o seu modelo de negócios é baseado na economia tradicional, procure uma incubadora”, orienta Yuri Gitahy, da Aceleradora.

Incubadora

Aceleradora

Tempo médio de três anos, dependendo da área

Dura de um a seis meses

É baseada no modelo de consultoria

Possui como base uma rede de mentores

Seu foco é capacitar empreendimentos em termos

O objetivo é possibilitar crescimento rápido do

de gestão e qualidade técnica, além de oferecer

empreendimento e aproximá-lo de investidores ou

infraestrutura

compradores

Em geral tem como base recursos públicos

São baseadas em capital privado. Adquirem participações das empresas aceleradas

69


MECANISMOS

contemplados, não é um processo de ace-

_CONHEÇA ALGUMAS DAS ACELERADORAS BRASILEIRAS

leração apropriado. Nós esperamos que a nossa parceria com a Jereissati Participações possa contribuir com a rede de men-

Belo Horizonte (MG) > Aceleradora - Foi fundada em 2008, por Yuri Gitahy, com o objetivo de apoiar start-ups com gestão e capital semente. Já apoiou mais 200 start-ups com mentoring.

tores. Aqui no Nordeste já temos alguns fundos atuantes, além de uma empresa de participações no Porto Digital. Não é o suficiente, gostaríamos que fossem dezenas, mas já é uma quantidade relevante”, afirma.

Rio de Janeiro (RJ) > 21212 Digital Accelerator - Combinando no seu nome os códigos de área de telefonia do Rio e de Nova York, a 21212 – criada no ano passado – oferece um processo de aceleração de seis meses voltado para negócios digitais. Os selecionados ganham R$ 200 mil em serviços e, em troca, a aceleradora recebe 20% do capital do empreendimento.

Na opinião de Felipe Matos, do Startup Farm, os principais desafios são selecionar bons projetos e, principalmente, empreendedores. “É preciso encontrar times que consigam absorver bem o processo de aceleração e responder aos feedbacks recebidos com velocidade e coerência. Para esse processo ser efetivo, precisam contar com excelentes mentores, conteúdo e ferramen-

Recife (PE) > Armazém da Criatividade - O projeto do Porto Digital e da Jereissati Participações teve sua criação anunciada neste ano. O processo de aceleração das primeiras start-ups vai começar no primeiro semestre de 2013 e terá duração de cinco meses.

tas metodológicas. Enfrenta-se também um desafio na saída, que é conseguir vender suas participações acionárias nestas empresas, realizando o lucro sobre o investimento inicial”, explica. Além disso, há os ricos inerentes aos próprios empreendimentos. “É um proble-

São Paulo (SP) > Wayra - projeto da Telefônica implantado no Brasil desde o ano passado. Seleciona 30 start-ups para aceleração de uma semana e, depois, escolhe 10 empreendimentos para se instalar por um período inicial de seis meses em um prédio chamado Academia Wayra, em São Paulo. > Tree Labs – Inaugurada neste ano, realiza atualmente a aceleração de seus primeiros seis empreendimentos. O processo possui duração de quatro meses. No próximo ano, receberá duas novas turmas de empresas.

ma que não é específico do Brasil. A mortalidade das start-ups é grande no mundo todo. Mas já está comprovado que é possível reduzir essa mortalidade através de mentoria e de fornecimento de estrutura”, afirma Anthony Eigier, um dos fundadores da recém-inaugurada Tree Labs, que começou a operar neste ano em São Paulo e acelera, atualmente, seis empreendimentos. O número de aceleradoras deve aumentar no Brasil nos próximos anos. Além das já existentes, há diversos projetos seme-

Nacional > Startup Farm – Essa aceleradora possui uma proposta diferente. É itinerante e realiza programas de aceleração em várias cidades do país com duração de 10 ou 30 dias. Já passou por cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Florianópolis.

70

lhantes pelo país. “É provável que o número aumente, principalmente por meio da expansão para outras áreas que não apenas o mercado digital. Nos Estados Unidos o modelo começou em 2005 e, atualmente, já são mais de 100 aceleradoras lá”, afirma Rafael Duton, da 21212. L


Shutterstock

INTERAÇÃO

Ancorados na cooperação Micro, pequenas e médias empresas, instituições de ensino e parques tecnológicos trabalham em conjunto para gerar inovação e desenvolvimento P OR LUI Z A C A R R E IR Ã O

O planejamento de um parque tecnoló-

internacional, no caso das multinacionais”,

gico geralmente inclui a captação de gran-

explica o diretor de Inovação e Competitivi-

des empresas, reconhecidas pela atuação

dade Empresarial do Porto Digital, de Recife

em seu setor de mercado. Ao se instalarem

(PE), Guilherme Calheiros.

no parque, as chamadas empresas-âncora

A experiência do Parque Científico e Tec-

atraem para o seu entorno uma cadeia de

nológico da PUCRS (Tecnopuc), em Porto

outros empreendimentos, que lhes prestam

Alegre (RS), confirma essa dinâmica. Tanto

suporte, por meio da terceirização de servi-

a HP quanto a Dell, duas grandes organi-

ços ou mesmo de parcerias. “As grandes or-

zações instaladas no parque, contrataram

ganizações têm alguns serviços e demandas

várias empresas brasileiras de TI para dar

que não lhes interessa fazer dentro de sua

suporte às soluções produzidas no local.

infraestrutura. Isso permite que as menores

Na esteira da presença dessas âncoras,

prestem serviços às maiores. Elas entram

instalaram-se no mínimo oito empresas de

na cadeia produtiva local e também passam

médio a grande porte, na área de TI, para

a fazer parte de uma cadeia nacional ou

apoiar projetos das maiores. “O que acaba 71


INTERAÇÃO

Divulgação

do à presença do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), da Embraer e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), é, por vocação, o centro de excelência no setor aeronáutico e espacial. Portanto, a AirMod está localizada onde há capital humano disponível com profundos conhecimentos em aviação”, explica. Apesar da indiscutível atração de mão-de-obra especializada para os polos tecnológicos, a presença de grandes empresas pode trazer também desafios para os empreendimentos menores instalados nos

Empreendedores da AirMod acreditam que a proximidade com as grandes empresas possibilita inúmeras oportunidades de negócio

acontecendo é uma espécie de escadinha: a empresa-âncora toma serviços de uma empresa média, enquanto a média toma serviços de uma empresa menor. Cria-se um conceito de sistema”, afirma o diretor do Tecnopuc, Roberto Moschetta. A AirMod Engenharia, Consultoria e Serviços, instalada no Parque Tecnológico São José dos Campos (SP), já tinha passado pela experiência de estar em um ambiente inovador, quando iniciou suas atividades na incubadora tecnológica da Universidade do Vale do Paraíba (Univap). Ao decidirem pela mudança de sede, os empreendedores optaram pela instalação no parque, atraídos pela vocação na área de aeronáutica e pela presença de grandes empresas do setor. “A proximidade com as grandes possibilita

Daniela Nader

Calheiros, do Porto Digital: parques devem apoiar as PMEs quando as âncoras se instalam

inúmeras oportunidades de negócios para as pequenas empresas. A AirMod é fornecedora do setor de Suporte ao Cliente da Embraer, mas também seria muito interessante fornecermos serviços para as áreas de desenvolvimento da Embraer e da Vale Soluções em Energia”, aponta o CEO da empresa, Amaury Acatauassu. Ele cita outra consequência gerada pela presença de grandes empresas nos parques tecnológicos: a atração de mão-de-obra especializada, que é aproveitada não apenas por essas organizações, mas também por negócios locais. “São José dos Campos, devi-

72

parques, no que se refere a recursos humanos. O diretor do Porto Digital explica que isso acontece porque as empresas menores precisam competir por esses talentos com as grandes organizações, que têm uma capacidade maior de mobilizar recursos e atrair profissionais. No entanto, ele não vê isso de maneira negativa. “Isso causa desconforto para as demais empresas do parque, mas também tem que ser visto como uma oportunidade. A competição por talentos eleva o nível de exigência das empresas menores, que precisam melhorar seus processos internos de produção, gestão de pessoas e a relação com o capital humano. Isso é importante para a própria dinâmica do polo tecnológico, que precisa de mudança e inovação contínuas. Se o polo tivesse apenas micro e pequenas empresas, não evoluiria na mesma velocidade”, analisa. Calheiros ressalta que também cabe aos parques tecnológicos apoiar o desenvolvimento dos pequenos negócios para minimizar o impacto da chegada de grandes empresas: “No Porto Digital, oferecemos programas de capacitação para suprir a necessidade de capital humano que surge com a instalação de grandes empresas no parque”. P&D Além do incremento na competitividade e das oportunidades de negócios, as micro, pequenas e médias empresas também se be-


INTERAÇÃO

Fotos: Divulgação

neficiam da proximidade de grandes organizações para formar parcerias de pesquisa e desenvolvimento tecnológico. É o caso da Ambidados – Soluções em Monitoramento Ambiental, criada por pesquisadores egressos do Programa de Engenharia Oceânica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A empresa ingressou na incubadora da Coppe/UFRJ em 2007 e se instalou no Parque Tecnológico do Rio neste ano. A presença da Petrobras no entorno do parque atraiu a Ambidados. “Estar perto da unidade de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras e de outras empresas aqui instaladas com o mesmo perfil tornou-se um facilitador e um diferencial para a empresa. Hoje temos

Os laboratórios e equipes das universida-

uma parceria importante com o Centro de

des são um fator propulsor para a efetivação

Pesquisas da Petrobras”, explica a diretora

das parcerias em P&D. “Os laboratórios da

da Ambidados, Wilsa Atella.

PUCRS são usados também para projetos

As grandes organizações também veem

desenvolvidos com empresas. Esses projetos

as oportunidades de pesquisa e desenvol-

envolvem, de um lado, os pesquisadores e

vimento como grandes atrativos de um

alunos da universidade, e, de outro, os pes-

parque tecnológico. No Tecnopuc, o centro

quisadores e técnicos das empresas. A pro-

de P&D da Dell conta com uma área para

ximidade física colabora para estabelecer o

integração de projetos especiais com a

diálogo”, aponta Petry, da Dell.

universidade. “A Dell possui um grupo de

O diretor do Parque Tecnológico do Rio,

parceiros tanto para fins de pesquisa e ino-

Mauricio Guedes, afirma que os resultados

vação, quanto para suporte a projetos de

dessas parcerias de desenvolvimento entre

desenvolvimento. Vários desses parceiros

as grandes empresas e a academia benefi-

residem no parque tecnológico, propician-

ciam principalmente a sociedade, devido ao

do uma integração maior em toda a cadeia

desenvolvimento de soluções tecnológicas.

de valor”, afirma Roberto Petry, gerente sê-

Ele cita como exemplo a parceria entre o

nior de TI da Dell e site lead para o time

Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Le-

da Dell no Tecnopuc. Já a HP mantém par-

opoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes),

cerias e convênios com 17 universidades

da Petrobras, a UFRJ e outras universidades

e centros de pesquisas em nove estados

brasileiras. “Do ponto de vista das empre-

brasileiros. “Nosso trabalho é totalmente

sas, essa proximidade traz benefícios que

integrado. Estamos em contato com labora-

incluem o acesso a pessoal altamente qua-

tórios e centros de pesquisa do mundo in-

lificado e a laboratórios de padrão mundial,

teiro. Este ecossistema criado no Tecnopuc,

e também a novas ideias e tecnologias. O

entre universidade e empresa, nos permite

maior ativo do Parque Tecnológico do Rio é

transformar o que há de mais criativo e ino-

a riqueza do sistema de inovação aqui loca-

vador em um produto palpável, que atenda

lizado, com grupos acadêmicos se relacio-

as demandas do mercado”, analisa o diretor

nando com centros de pesquisas de gran-

do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento

des empresas, start-ups e empresas em fase

da HP Brasil, Cirano Silveira.

de crescimento acelerado”, avalia.

Roberto Petry, da Dell: residência no Tecnopuc gera integração em toda a cadeia de valor

Cirano Silveira, da HP: convivência entre empresa e universidade facilita o caminho entre a ideia criativa e o produto palpável

73


INTERAÇÃO

_PARQUE DO RIO E PETROBRAS: PARCERIA HISTÓRICA GANHA NOVO FÔLEGO

Divulgação

Construído no campus da UFRJ, o Parque Tecnológico do Rio, criado em 2003, fica a poucos quilômetros do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras. Prioritariamente voltado para projetos de Pesquisa e Desenvolvimento nas áreas de petróleo e gás, o parque conta com diversas empresas-âncora do setor, como Schlumberger, Baker Hughes, FMC Technologies e Halliburton. “A chegada de um número elevado de centros de pesquisas de grandes empresas está relacionada à vocação do Parque, à descoberta das reservas do pré-sal, que trouxe novos desafios tecnológicos para o setor, e às exigências de conteúdo local para a cadeia do petróleo”, destaca o diretor do Parque, Mauricio Guedes. Se as empresas se beneficiam do conhecimento gerado na universidade, a comunidade acadêmica também sai ganhando. A premissa para a aceitação de qualquer empresa no Parque é a relação que será estabelecida com os grupos acadêmicos da UFRJ, por meio de contratos de cooperação. As empresas-âncora também têm um papel relevante no custeio da operação de alguns laboratórios de grande porte da universidade. “Milhares de empregos

Luís Cláudio Costa, do Cenpes: parceria é propulsora do desenvolvimento de novas tecnologias

para pesquisadores brasileiros serão gerados por essas empresas nos próximos anos. Muitas unidades da UFRJ têm se beneficiado da parceria com a Petrobras, por exemplo. O binômio Petrobras-Coppe é reconhecidamente um

dos mais importantes casos de sucesso da relação universidade-empresa no Brasil. Essa cooperação tem gerado grande produção científica e contribuído para que 11 dos 12 programas de pós-graduação da Coppe tenham recebido nota seis ou sete [classificação máxima] na avaliação da Capes”, analisa Guedes. A relação entre Coppe e UFRJ é antiga. Foi iniciada em 1977, com os primeiros estudos sobre estruturas para plataformas offshore. Em 2001, 24 anos depois, era assinado o milésimo contrato. Até 2011, ou seja, em apenas mais uma década, outros 3 mil contratos realizados. A Petrobras, que mantém cerca de 1,8 mil funcionários no Cenpes, reconhece a relevância do parque tecnológico para as suas atividades. “Essa proximidade com os centros de pesquisas de outras empresas ligadas à área de petróleo acelera o desenvolvimento de tecnologias. A proximidade física proporciona uma troca intensa de experiências e aprendizado. Temos parcerias com boa parte das empresas instaladas no parque, das grandes organizações aos empreendimentos incubados”, relata o gerente de Relacionamento com a Comunidade de Ciência e Tecnologia do Cenpes, Luís Cláudio Sousa Costa. Segundo ele, o pioneirismo da Petrobras no desenvolvimento de tecnologias para extração de petróleo em águas profundas deve muito às parcerias com empresas, universidades e institutos de pesquisa. Um levantamento feito em 2010 apontou que, para cada funcionário da Petrobras envolvido em projetos de pesquisa, existiam outras 15 pessoas, de outras instituições, participando desses mesmos projetos. “Nosso envolvimento com a comunidade de Ciência e Tecnologia no Brasil é imenso. Chegamos aonde chegamos porque investimos no desenvolvimento de tecnologia”, avalia Costa.

74

Um dos habitats de inovação mais recen-

de pesquisa, por meio das parcerias com as

tes do país, o Parque Tecnológico da Bahia,

universidades aqui representadas. Todas as

em Salvador (BA), também se desenvolve

universidades públicas da Bahia vieram para

com foco em pesquisa aplicada. “As grandes

o parque fazer suas pesquisas. O desenvol-

empresas foram atraídas ao parque para fins

vimento de novos negócios será processado


INTERAÇÃO

por essas empresas-âncora, que os repassa-

Campos também acredita na contribuição

rão às empresas menores do seu entorno”,

das grandes empresas para a visibilidade

explica o secretário de Ciência, Tecnologia e

e credibilidade do empreendimento. “Essas

Inovação do Estado da Bahia, Paulo Câmera.

empresas mobilizam recursos consideráveis, mantêm boa interlocução com entida-

Ganhos de imagem

des governamentais e o sistema financeiro

A presença de empresas-âncora também

e constituem natural foco de atração de

impacta na imagem do parque tecnológico

empresas de pequeno e médio porte que se

junto à sociedade. “Além da visibilidade que

candidatam a integrar sua cadeia de supri-

traz, revela o amadurecimento e a impor-

mentos”, pontua Horacio Aragonés Forjaz,

tância do parque para o setor. Demonstra

diretor do parque. As micro e pequenas em-

que o polo tem micro, pequenas e grandes

presas também se beneficiam da imagem

empresas, que não atua apenas no mercado

positiva gerada para os parques tecnológi-

local, mas que também tem credibilidade

cos. “O fato de estarmos no parque foi signi-

nacional e internacional”, analisa Calheiros,

ficativo para que o mercado reconhecesse a

do Porto Digital.

Ambidados como uma empresa de credibi-

O Parque Tecnológico de São José dos

lidade”, avalia Wilsa Atella.

_A EXPERIÊNCIA DO TECNOPUC

Bruno Todeschini

Um dos grandes atrativos dos parques tecnológicos para profissionais e empresas é intangível, porém real e efetivo: a rede de relacionamentos que se forma nesses ambientes de pesquisa, inovação e estímulo ao empreendedorismo cria oportunidades de crescimento e novas ideias. “Quando está no parque, a empresa consegue achar as conexões necessárias para seu crescimento. São 5,5 mil pessoas trabalhando e, ao meio-dia, pessoas de várias empresas saem para almoçar juntas. Como no Vale do Silício, as interações das pessoas, e não só das empresas, é muito relevante. Aqui no Tecnopuc, as empresas criaram um espaço para open innovation. Elas perceberam que tinham necessidades em comum e descobriram que, se abrissem essa oportunidade, de repente

Os sócios Tiago Totti e Felipe Dorneles, da Develop IT

encontrariam soluções melhores para todos. O ambiente propicia uma interação que é muito maior do que simplesmente o agente que estimulou o parque”, afirma Roberto Moschetta, diretor do Tecnopuc. A experiência da Develop IT, incubada no Tecnopuc, revela muito dessa dinâmica criada pelos relacionamentos dentro do parque. Antes de criarem a empresa, os sócios prestavam serviços para o Centro de Inovação da Microsoft junto à PUCRS. Com a possibilidade de criar um novo negócio, a primeira ideia dos empreendedores foi permanecer no parque. “Quando éramos estudantes, tivemos contato com diversas empresas no Tecnopuc. Então, desde o início queríamos estar aqui. Por já termos essa aproximação, nos propusemos a entrar na incubadora”, relata Felipe Dorneles, um dos sócios. O ambiente dinâmico, com empresas de todos os portes, seria o principal valor do parque. “Essa mistura com a universidade formando profissionais para atuar nas empresas, vários programas de pesquisa, as empresas grandes dando a força que o parque precisa e as empresas nascentes que podem se tornar grandes, com certeza é atrativa”, afirma outro empreendedor da Develop IT, Tiago Totti. 75


INTERAÇÃO

Divulgação

apontados como fatores que não só atraem empresas, mas fortalecem os empreendimentos locais no momento da instalação de novas grandes organizações. “Também temos a incubadora, o setor de empreendedorismo que dá suporte à geração de novos produtos e serviços. Oferecemos apoio com os laboratórios de capacitação e eventos. Os convênios de cooperação técnica e capacitação com universidades também são relevantes”, relata Guilherme Calheiros. O diretor do Parque Tecnológico do Rio, Mauricio Guedes, entende que as perspectivas econômicas do Brasil e os avanços nacionais em Ciência e Tecnologia são ou-

Wilsa Atella, da Ambidados: residir no parque contribuiu para a conquista de credibilidade no mercado

tros fatores significativos de atração para O outro lado

as multinacionais. A estrutura dos parques

As grandes empresas se beneficiam não

complementaria o cenário nacional: “O

apenas da parceria com empreendimentos

Parque Tecnológico do Rio oferece um am-

locais e da mão-de-obra disponível: a in-

biente vocacionado para a inovação, com

fraestrutura, o ambiente e os serviços ofe-

excelente localização, boa qualidade urba-

recidos pelos parques tecnológicos criam

nística e serviços e espaços que estimulam

condições favoráveis à instalação de suas

a convivência entre milhares de pesquisa-

unidades de negócios. A Dell, que tem pro-

dores. As empresas de grande porte têm

gramas junto à PUCRS e ao Centro de Ino-

contratos de concessão de uso dos terre-

vação Microsoft, valoriza o ambiente aca-

nos por 20 anos e constroem as suas pró-

dêmico – que promove a integração com a

prias instalações”, ressalta.

universidade para pesquisa, inovação e for-

O diretor do Tecnopuc, Roberto Mos-

mação de talentos. “Também há uma série

chetta, lembra que a dinâmica entre uni-

de benefícios estendidos aos nossos funcio-

versidades e empresas de todos os portes

nários junto ao Tecnopuc, como descontos

é o que gera crescimento, oportunidades

em cursos de graduação e pós-graduação,

e inovação: “A empresa-âncora tem esse

acesso a estrutura de lazer, biblioteca e de-

poder atrativo significativo, que devemos

mais dependências da universidade”, apon-

estimular, mas o parque não vive só de

ta Roberto Petry, da Dell.

empresa-âncora. Deve ser um mix entre

Os serviços de apoio ao desenvolvi-

grandes empresas, passando por toda a ca-

mento de negócios também são apontados

deia produtiva, até as pequenas start-ups.

como benefícios para empresas grandes e

Grandes empresas são fundamentais, mas

pequenas. No Porto Digital, há programas

fazem sentido especialmente quando estão

de capacitação na área técnica (linguagens

em um ambiente onde gravitam em torno

de programação), em gestão empresarial e

delas dezenas de outras empresas de todos

de projetos, em língua inglesa, consultorias

os portes. Essa mistura e distribuição é o

e assessorias para a obtenção de certifica-

que torna o parque tão atrativo como am-

dos de qualidade na área de software, pro-

biente de inovação. É o conceito da sinergia,

gramas de gestão e responsabilidade social

a riqueza do ambiente que caracteriza um parque tecnológico”. L

e suporte ao marketing. Esses serviços são 76


Shutterstock

APOIO

Primeiros passos Incubadoras corporativas abrem espaço para iniciativas de novos negócios, dando suporte em atividades de capacitação, busca de recursos e administração financeira P OR DA NIE L E M A RT IN S

Um negócio mais ou menos pode dar

perfil dos empreendedores. A empresa –

muito certo nas mãos de um empreendedor

criada em 2003 por quatro jovens cariocas

excelente, mas um negócio excelente nas

com idades entre 22 e 28 anos, com o apoio

mãos de um empreendedor mais ou menos,

do Programa Shell Iniciativa Jovem – ofere-

não. É assim que Matheus Meirelles, sócio

ce soluções inovadoras em comunicação, e

da Biruta Ideias Mirabolantes, resume por

faturou R$ 15 milhões no ano passado.

que as grandes ideias dependem muito do

Foi Alan James, sócio majoritário da Bi77


Divulgação

APOIO

Sócios da Biruta: a Experimental, incubadora própria, foi criada para retribuir à sociedade a ajuda que receberam do programa Iniciativa Jovem

ruta, quem descobriu o Programa em 2002,

nel de 800 metros quadrados. “Era o maior

quando, depois de algumas experiências,

painel eletrônico desenvolvido na América

percebeu que precisava se aprimorar para

Latina até então. A Biruta na época não ti-

estruturar um plano de negócios. Conheceu

nha chegado nem ao seu primeiro milhão, e

Meirelles, que na época trabalhava em uma

o projeto custou R$1,5 milhão. Talvez por

consultoria júnior parceira do programa na

isso tenha marcado mais, porque foi um

orientação do planejamento financeiro dos

dos primeiros, feito em uma época em que

projetos. Rafael Liporace e Romulo Grois-

tínhamos pouco dinheiro e pouca experiên-

man, os outros dois sócios da Biruta, foram

cia”, orgulha-se.

indicados por consultores. “Se não fosse o Iniciativa Jovem não

78

De start-up a incubadora

teríamos nem nos conhecido. A Biruta foi

Hoje a Biruta tem também sua própria in-

fundada em 2003 e ficou no programa até

cubadora corporativa, a Experimental, que já

2005. Éramos jovens e alguns de nós ainda

ajudou no processo de aceleração de oito no-

estávamos na faculdade. O modelo era de

vos negócios idealizados por jovens empre-

incubadora e nos permitiu ter uma estrutu-

endedores. Foi estruturada em 2008, por Ja-

ra adequada para que a empresa crescesse”,

mes, como uma maneira de retribuir para a

relembra Meirelles.

sociedade a ajuda que recebeu do programa

Um dos projetos mais marcantes foi

Iniciativa Jovem. Meirelles assumiu o novo

também um dos primeiros desses jovens

desafio como gerente geral e conta com uma

empreendedores: a construção do contador

equipe de cinco pessoas que desenvolvem

oficial do réveillon de 2004/2005 de Co-

atividades de capacitação, busca de recur-

pacabana, no Rio de Janeiro (RJ) – um pai-

sos, coordenação e administração financeira.


APOIO

A Experimental possui uma metodologia financeira própria que é aplicada durante um ano e meio. São feitos testes e o modelo de negócios é desenvolvido, para

_QUE TIPO DE EMPREENDEDOR AS INCUBADORAS CORPORATIVAS PROCURAM?

avaliar o que a empresa quer fazer e o que interessa ao cliente. Depois é pensado o

Para estar na mira das apoiadoras, o empreendedor precisa:

planejamento estratégico da empresa. “Ter uma visibilidade do negócio e um acom-

• Conhecer o ramo de atuação e buscar sempre novas informações;

panhamento da empresa evita problemas,

• Possuir capacidade de liderar e motivar;

por isso fazemos reuniões semanais ou

• Correr riscos calculados;

quinzenais de acompanhamento, e mensais

• Ser otimista, organizado e criativo;

para avaliar resultados”, afirma Meirelles.

• Possuir comprometimento e determinação;

A proposta da Experimental é ajudar a

• Ser persistente, não desistir e superar obstáculos;

analisar o negócio, se existe concorrência,

• Ser independente e autoconfiante;

como é o mercado, a viabilidade e a susten-

• Estabelecer metas;

tabilidade da proposta. Para isso, foi criada

• Buscar oportunidades e tomar a iniciativa;

uma rede de mentores – pessoas experien-

• Acompanhar o desempenho dos concorrentes;

tes que ocupam cargos de gerência e di-

• Planejar e realizar um monitoramento sistemático das ações.

retoria em várias áreas estratégicas como recursos humanos, finanças e vendas. O papel destes mentores, que em geral são

Estudos e Programas de Desenvolvimento

pessoas com vivência prática em multina-

Sustentável (CIEDS). São três etapas que le-

cionais, é desenvolver um plano de ação

vam de 12 a 14 meses para serem comple-

para os problemas que são identificados na

tadas. Na primeira, os participantes passam

empresa, para que sejam resolvidos com ra-

por um curso de formação de quatro meses

pidez e eficácia.

com conteúdos de Administração, Finanças,

Hoje são quatro empresas incubadas:

Contabilidade e Marketing. O foco é fazer

Viralata, Agência Saliva, Neotrip e Criapix.

com que essas pessoas que têm perfis em-

“Apostamos no empreendedor e damos su-

preendedores adquiram conhecimentos ne-

porte para que ele tenha condições de de-

cessários para os projetos. Nesta etapa eles

senvolver as suas ideias. O empreendedor é

aprendem a montar um plano de negócios

visionário, não entende necessariamente de

e este plano só é aprovado depois de passar

finanças. É importante analisar o seu perfil

por uma banca que avalia e dá sugestões.

técnico, emocional e comportamental, mas

A segunda etapa é marcada por uma

ele também tem que ter brilho nos olhos”,

auditoria. Os projetos são agrupados por

conclui Meirelles.

área de interesse para que sejam debatidos. Por fim, na terceira etapa os projetos que

Iniciativa Jovem

passam pela auditoria recebem um selo de

Rodrigo Lins, gerente do programa Ini-

sustentabilidade e viabilidade econômica,

ciativa Jovem concorda: “o empreendedor

ambiental e social.

é aquele que vai além do ponto onde os outros desistem. São visionários, sabem buscar soluções e enfrentar problemas”, explica.

Outros programas Em julho deste ano, a Anprotec lançou uma pesquisa, feita em parceria com o

Essa é a 11a edição do programa da Shell,

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inova-

que é executado pelo Centro Integrado de

ção (MCTI), que mostrou que há no Brasil 79


APOIO

Divulgação

“O programa ‘Sua Ideia Vale um Milhão’ foi criado para incentivar o setor de e-commerce. E como investimento mesmo, a Buscapé se torna sócia do projeto e faz de tudo para que ele dê certo. A gestão fica com o fundador da empresa e por isso procuramos por pessoas que tenham perseverança e saibam enfrentar as dificuldades”, explica Ayrton Aguiar, vice-presidente de Fusões e Aquisições da Buscapé Company. Em 2011, primeiro ano do programa, a intenção era investir em apenas uma empresa, mas quatro foram escolhidas entre as 800 inscritas. “Ainda é muito raro o investimento em empresas que estão começando. Os investidores querem investir nas que estão faturando milhões. E o Buscapé não apenas investe, como acompanha dentro de uma parceria estratégia”, completa. Já a Siemens trouxe para o Brasil, em 2012, o New Ventures Forum, também para identificar novos negócios ou start-

Empreendedores da Buscapé: companhia criou programa para incentivar negócios em e-commerce

2.640 empresas instaladas em 384 incuba-

-ups promissoras. O programa terá duração

doras. O faturamento anual das empresas

de seis meses, período em que os projetos

incubadas é de, aproximadamente, R$ 533

serão avaliados e os empreendedores capa-

milhões, enquanto o das graduadas chega

citados, com toda a assistência e o suporte

a R$ 4,1 bilhões. Ao mesmo tempo em que

profissional. O foco do programa nesta pri-

o investimento e a experiência de empre-

meira edição serão projetos com soluções

sas consolidadas são de vital importância

para energia e biocombustíveis.

para quem está começando, adquirir novos

Ao final, os projetos escolhidos pode-

projetos, conhecer novas ideias e parceiros

rão receber até US$ 1 milhão para o seu

é estratégico para que essas empresas en-

desenvolvimento. Entre os critérios para a

frentem a concorrência e possam fortalecer

escolha estão a relevância global, sinergia

o próprio negócio.

estratégica, grau de inovação, competência

É o caso da Buscapé Company, que pos-

técnica da equipe, potencial do negócio e

sui 26 empresas na holding, mas ainda

duração do projeto – que deve ter perspec-

precisa se preparar para enfrentar concor-

tiva de comercialização em no máximo dois

rentes como Google, Amazon e eBay, que

anos. O investimento será feito através do

aos poucos estão chegando ao Brasil. Além

Technology To Business (TTB), área de tec-

disso, o espírito empreendedor na Busca-

nologia para negócios localizada na Califór-

pé é forte por conta da trajetória da com-

nia, nos Estados Unidos, que se concentra

panhia, montada por estudantes que, pela

desde 1999 em ideias inovadoras fora do

sua experiência, sabem da necessidade de

núcleo Siemens e atua como um fundo de investimento corporativo. L

investimento. 80


Shutterstock

GESTÃO

Conhecimento gerenciado Ainda pouco aplicadas nos habitats de inovação, as ações de criação, organização, armazenamento, distribuição e aplicação de informações são fundamentais para o aperfeiçoamento da gestão P O R C A M IL A AU G U S TO

Fomentar a inovação é um dos principais

Dentro de qualquer ambiente de inovação,

objetivos dos parques tecnológicos e incu-

dezenas de empresas, reunindo centenas de

badoras de empresas. Essa meta contém um

profissionais, estão, a cada minuto, desenvol-

ponto, no entanto, que, apesar da sua impor-

vendo conhecimentos e informações. Essas

tância, só recentemente virou objeto de dis-

organizações também trocam informações

cussão dentro do movimento de empreende-

entre si e com diversas entidades externas ao

dorismo inovador: a Gestão do Conhecimento.

ambiente onde estão. É papel da Gestão do 81


Divulgação

GESTÃO

Conhecimento (GC) gerenciar tudo

dade de seus funcionários. Todo o conheci-

isso, atuando na criação, organiza-

mento acaba se perdendo com essas trocas,

ção, armazenamento, distribuição e

caso não sejam estabelecidas estratégias

aplicação desses conhecimentos.

para retê-lo”, explica Andréia Antunes da

A GC é um campo de estudos

Andréia Antunes da Luz: a Gestão do Conhecimento preserva registros estratégicos

Luz, autora de artigos sobre o assunto.

multidisciplinar que começou a se

Isso também pode ser adotado em em-

desenvolver por volta da década de

presas que residem em ambientes de inova-

1990. De acordo com a Organiza-

ção. “Há casos de projetos que foram reali-

ção para a Cooperação e Desenvol-

zados por empresas residentes em parques

vimento Econômico (OCDE), a área

tecnológicos e entregues ao cliente final. E,

envolve atividades de gestão rela-

depois de meses, outro cliente solicita algo

cionadas à captura, uso e compar-

similar ao que já foi desenvolvido e a empre-

tilhamento de conhecimentos por

sa residente não possui nenhum portfólio

organizações. Suas práticas podem

contendo a base do projeto desenvolvido

abranger desde processos simples, como a

anteriormente, perdendo tempo e, conse-

realização de reuniões semanais para incen-

quentemente dinheiro, desenvolvendo tudo

tivar o compartilhamento de conhecimentos,

novamente”, exemplifica Claudia Andressa

até questões mais complexas, como a elabo-

Cruz Affonso, autora da dissertação Gestão

ração de uma política de GC e a identificação

Estratégica do Conhecimento: Estudo Explo-

da necessidade de elaboração de uma base de

ratório em Empresas Instaladas nos Parques

dados.

Tecnológicos do Estado de São Paulo.

Segundo a doutora em Engenharia e Gestão do Conhecimento e pesquisadora da

A Gestão do Conhecimento, no entanto,

contribuir para que os ambientes de inovação

ainda está distante da prática de muitos

obtenham ganhos de produtividade, por meio

ambientes de inovação. Mesmo no campo

do registro e da padronização de processos e

acadêmico, os estudos sobre o assunto são

da redução da necessidade de retrabalho, por

recentes. A maioria das pesquisas sobre GC

exemplo. “Assim, ocorre o ganho de compe-

é voltada a empresas. “A partir da década

titividade desses ambientes de inovação com

de 2000 começaram a surgir, no Brasil,

a adoção das práticas de GC: desenvolvendo

as primeiras publicações sobre Gestão do

novos produtos inovadores; identificando-se

Conhecimento, com foco nas organizações

novas estratégias de desenvolvimento do pró-

existentes em parques ou outros ambien-

prio parque; produzindo e absorvendo novos

tes de inovação. Já os estudos sobre a GC

conhecimentos para se gerar diferenciais de

dos habitats em si só surgiram mais para

competitividade; possibilitando a atualização

o final da década”, afirma Roberto Pacheco,

tecnológica; incrementando o nível de profis-

coordenador de pesquisa do Departamento

sionalização da gestão do parque”, afirma.

de Engenharia e Gestão do Conhecimento

Um exemplo simples de como a Gestão de Conhecimento pode ser aplicada em

82

Teoria X prática

Fundação Certi, Mohana de Sá, a GC pode

da Universidade Federal de Santa Catarina

(veja a entrevista na página 84).

incubadoras é no registro de informações

Mohana de Sá, doutora em Engenharia e

sobre as atividades desenvolvidas pela sua

Gestão do Conhecimento, constatou em sua

equipe. “As práticas de GC possibilitam que

tese Avaliação de Práticas de Gestão do Co-

tudo fique registrado. O conhecimento não

nhecimento de Parques Tecnológicos, defen-

fica retido. Muitas incubadoras dependem

dida em 2011, que muitos parques não de-

de serviço voluntário e há uma alta rotativi-

senvolvem ações de GC. “Quanto aos parques


GESTÃO

brasileiros estudados em minha tese, pode-se considerar ainda incipiente a utilização das práticas de GC e descontinuidade na implantação delas, devido à falta de: equipe qualifi-

_ANPROTEC PRETENDE CRIAR REDE DE CONHECIMENTO PARA PARQUES E INCUBADORAS

cada; cultura e disseminação de ferramentas e metodologias de GC; recursos financeiros;

A Fundação Instituto de Administração (FIA), a pedido da Anpro-

infraestrutura adequada; e planejamento

tec, está desenvolvendo um projeto que tem como objetivo propor

com visão em longo prazo”, afirma.

um modelo de rede de conhecimento para parques tecnológicos e

Apesar disso, para Mohana, os gestores

incubadoras de empresas. O papel dessa rede será o de possibilitar

de parques estão conscientes da importân-

a troca de experiências entre os ambientes de inovação no que diz

cia da Gestão do Conhecimento para esses

respeito às suas práticas de gestão, tanto de processos administrati-

ambientes. “É unanimidade estre os gesto-

vos e de negócios, como de Gestão do Conhecimento.

res dos parques tecnológicos a percepção

A pesquisa de campo foi realizada ao longo deste ano, por meio

da importância de se adotar as práticas de

do envio de formulários pela internet. Cerca de 70 entidades partici-

GC com vistas ao ganho de produtividade

param. A partir desse levantamento, será possível identificar quais

e competitividade dos atores do parque”,

instituições já possuem processos estruturados de gestão. “Assim,

aponta. O ideal, na opinião dela, seria que

poderemos, em uma etapa posterior, estabelecer mecanismos de

esses ambientes possuíssem uma equipe ou

aferição periódica de indicadores que mostrem ‘quem é quem’ em

departamento dedicado ao assunto. No Bra-

termos de gestão, e, dessa forma, identificar quais entidades podem

sil, o Parque Tecnológico Itaipu (PTI) é um

colaborar com a Rede de Conhecimento, transferindo seu know-how

dos que está estruturando sua área de GC.

para outras, e quais precisam receber essas informações para melhorar seus resultados de gestão”, explica o professor da FIA Heitor

Falta formação

Pereira, coordenador do projeto.

O pró-reitor de Extensão, Pesquisa e Ino-

O relatório final do projeto deve ser concluído em setembro deste

vação do Instituto Federal do Paraná (IFPR),

ano. “Um dos resultados previstos será estruturar um ‘banco de co-

Silvestre Labiak Junior, desenvolveu em sua

nhecimento’, no qual será registrado o acervo das práticas de gestão

tese de doutorado um modelo conceitual

e seus resultados, para que sejam facilmente acessados por qualquer

sobre fluxos de conhecimento aplicado a

associado da Anprotec interessado em compartilhar conhecimento”,

Sistemas Regionais de Inovação. Para ele,

afirma Pereira. De acordo com o professor, a implantação do mode-

ainda falta a aplicação de práticas de Ges-

lo Cerne nas incubadoras de empresas possibilitará a criação de um

tão do Conhecimento em ambientes de ino-

ambiente propício ao compartilhamento de experiências e será um

vação. “Há um despreparo muito grande

suporte fundamental para a o funcionamento da futura rede.

acerca da GC. Isso não faz parte da forma-

Uns dos principais desafios para a criação da Rede de Conhe-

ção de base dos gestores de ambientes de

cimento, segundo Pereira, será mobilizar as entidades parceiras à

inovação, que geralmente vêm de cursos

Anprotec e fazer com que os gestores se comprometam a compar-

como Engenharia e Administração”, afirma.

tilhar conhecimentos. “A essência da Rede é a interação efetiva das

Labiak analisou, em seu estudo, o Siste-

pessoas detentoras de conhecimento, o que pode gerar de forma

ma Regional de Inovação (SRI) do sudoeste

permanente um aprendizado coletivo, beneficiando todos. Acredi-

do Paraná e constatou falhas que podem

to que se as lideranças dos parques tecnológicos e das incubado-

dificultar o fluxo de conhecimento entre os

ras, junto com a equipe da Anprotec, se alinharem com essa visão

atores do sistema, como falta de comunica-

comum, haverá um salto de qualidade em pouco tempo na gestão

ção entre eles, carência de equipamentos

de todas as entidades envolvidas. O resultado será o aumento dos

ou estruturas digitais de compartilhamento

empreendimentos inovadores no Brasil, o que estamos precisando

e armazenamento de conhecimento, lon-

com muita urgência, diante do contexto competitivo internacional”,

gos tempos de resposta e burocracia. “A

destaca o professor.

GC possibilita a estruturação de métodos, 83


GESTÃO

metodologias e ferramentas que auxiliam

(Udesc), existe uma preocupação, dentro

na criação, compartilhamento, socialização

desses ambientes, nesse sentido. “Percebe-se

e reutilização de conhecimentos num SRI,

que há uma preocupação em gerar, difundir

potencializando a comunicação entre atores

e, sobretudo, compartilhar conhecimentos

regionais”, afirma.

nas incubadoras estudadas”, afirma. Raupp foi um dos autores de um estudo sobre a

sas, de acordo com Fabiano Raupp, professor

aplicação de práticas de GC em incubadoras.

da Universidade do Estado de Santa Catarina

Na pesquisa, desenvolvida em 2010, foram

Divulgação

Já em relação às incubadoras de empre-

_“Tudo que conhecemos sobre Gestão do Conhecimento Organizacional

É na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis (SC), que a maioria das pesquisas sobre Gestão do Conhecimento está concentrada. A instituição é uma das únicas do país que possui um programa de pós-graduação na área. Roberto Pacheco, coordenador de pesquisa do Departamento de GC da universidade e pesquisador do Instituto Stela, desenvolve estudos principalmente na área de Engenharia do Conhecimento, no campo de soluções para Governo Eletrônico. Atuou no desenvolvimento da Plataforma Lattes, do Portal da Inovação, e hoje participa da elaboração da plataforma Aquarius – ambiente com informações estratégicas de suporte ao acompanhamento e tomada de decisão das iniciativas de CT&I, geridas principalmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Instituto Stela também trabalhou no desenvolvimento do Sistema de Acompanhamento de Parques Tecnológicos e Incubadoras (SAPI), que reúne informações sobre incubadoras e parques tecnológicos. Locus > Qual é o conceito de Gestão do Conhecimento? E como ele se difere da Engenharia do Conhecimento? Pacheco > Temos que começar pela definição do que é conhecimento. Na nossa atuação, o conhecimento é visto

onde a organização quer ir e como é possível criar sistemas para apoiar a tomada de decisão, por exemplo. Essa é uma nova disciplina, que começou a ser desenvolvida na década de 1960. A Inteligência Artificial é a mãe dessa área.

tanto como produto quanto como processo. Ele é resultante de uma atividade intensiva e é aplicado em uma atividade intensiva. No mundo organizacional, isso significa que ele está presente na geração de produtos e soluções, como ele mesmo também é produto e solução.

Como esse campo de estudos se relaciona com a inovação? Há uma definição que coloca isso muito bem. Você pode diferenciar pesquisa de inovação dessa maneira: na

A Gestão do Conhecimento é a área preocupada com o

pesquisa, você transforma dinheiro em conhecimento; na

gerenciamento disso, com os processos que definem as di-

inovação, você transforma conhecimento em dinheiro. É

retrizes organizacionais voltadas a esse produto ou proces-

um processo sistêmico.

so. Ela está no plano estratégico organizacional, definindo a forma como a organização trata de seus processos e ativos. Um dos eixos afetados por isso é o da tecnologia. É aí que

84

De que forma a Gestão do Conhecimento se aplica a ambientes de inovação como parques e incubadoras?

entra a Engenharia do Conhecimento, que tem como seu

Se um parque tecnológico, por exemplo, é uma orga-

principal produto a construção de sistemas de conhecimen-

nização com múltiplos atores e missões, tendo a inovação

to. Diferentemente da engenharia de software, a engenha-

como uma de suas metas, a pergunta é: quais são os ma-

ria do conhecimento inicia seu trabalho identificado para

croprocessos dos quais ele deve cuidar que afetam o de-


GESTÃO

entrevistados 163 gestores de incubadoras.

de inovação e nas empresas que neles re-

Os participantes do levantamento considera-

sidem. “O fato é que a Gestão do Conheci-

ram que palestras, reuniões, encontros e dis-

mento não é um modismo e está aos poucos

cussões são as formas de compartilhamento

tomando seu espaço entre os gestores. Para

de conhecimento mais importantes.

se diferenciar e inovar, os gestores devem

De acordo com os especialistas entre-

incentivar e fornecer mecanismos que sub-

vistados, a tendência é que a Gestão do

sidiem a criação do conhecimento que le-

Conhecimento ganhe espaço nos ambientes

vará à inovação”, destaca Claudia Affonso.

tem que ser modificado e readaptado para ser aplicado aos parques” senvolvimento de inovação? Como é que ele faz a gestão do conhecimento produzido pelo parque e pelos atores?

(Entrevista: Roberto Pacheco)

gestão de conhecimento(Entrevista: no parque existem muitos estudos, Roberto Pacheco) que mostram que organizações que estão dentro de parques

Como faz a diferenciação desse conhecimento frente aos

têm vantagens. O que é mais recente são os estudos do par-

seus competidores? A gestão do conhecimento pode ajudar

que. Um parque é condomínio ou é um sistema? A gestão do

na resolução desse tipo de questão.

conhecimento e da inovação são uns dos fatores de diferenciação entre esses dois extremos.

Os gestores dos parques estão preocupados com isso? Há uma consciência da importância da gestão do conhe-

O SAPI é uma ferramenta de Engenharia do Conheci-

cimento. Mas aí começam as dificuldades naturais: para você

mento? Como ele pode auxiliar na consolidação do movi-

propor soluções de mídia, engenharia e gestão do conheci-

mento de empreendedorismo inovador?

mento, você precisa ter identificado a organização, seus li-

Ele tem potencial para ser um sistema de conhecimento,

mites, seus fatores críticos. Fazer isso em um parque não é

mas não é. Atualmente, ele é um sistema de informação es-

trivial. O próprio locus da gestão do conhecimento, quando

tratégica ou analítica.

é voltado a um parque, cresce em complexidade. Tudo que a gente conhece da Gestão do Conhecimento Organizacio-

E qual é a diferença?

nal tem que ser modificado e readaptado para ser aplicado

Ele ainda não tem nenhuma semântica registrada lá.

aos parques. Segundo ponto: não existe um parque igual ao

Tem informações que são apresentadas em relatórios e da-

outro e essa configuração de atores e missões diferenciadas

dos. A plataforma Aquarius, que é o projeto mais recente

gera uma grande dificuldade de comparabilidade. A Gestão

que estamos fazendo, é um sistema de conhecimento. O

do Conhecimento é uma área nova e traduzir os conhecimen-

governo possuía várias bases de dados e não sabia respon-

tos que temos, que ainda não estão consolidados, para o uso

der a questões como: onde é que foram parar os recursos

em ambientes como parques, que são mais complexos que as

investidos em fundos setoriais? As áreas de pesquisa que

organizações em geral, exige mais trabalho.

estão sendo financiadas são as que o Brasil precisa mesmo e vai precisar nos próximos anos? A Aquarius é uma plata-

Já existem estudos na área de Gestão do Conhecimento

forma que está reunindo e integrando esses dados todos

especificamente sobre parques e outros ambientes de ino-

e criando painéis de conhecimento. O sistema será capaz

vação. Quando eles começaram a surgir?

de dizer, por exemplo, “Você sabia que x% dos convênios

Os primeiros estudos que surgiram foram sobre como é

estão na região tal?”. Para dar aquela mensagem, ele teve

a Gestão do Conhecimento nas organizações que estão nos

que analisar trilhões de dados e dar uma semântica. Ele está

parques. Nós estamos falando de gestão do conhecimento

muito mais perto do estratégico do que o outro, que me permite apenas fazer relatórios no Excel. L

no parque ou de gestão de conhecimento do parque? Sobre a

85


ACADEMIA

Busca do equilíbrio Conquistar sustentabilidade financeira e qualificar recursos humanos são alguns dos principais objetivos dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) no Brasil P O R C A M IL A AU G U S TO

Quando entrou em vigor em 2004, a Lei

que existam mais de 120 NITs em ICTs, dos

de Inovação trouxe um grande desafio para

quais cerca de 50% estão implementados e,

as Instituições Científicas e Tecnológicas

aproximadamente, 30% em implementação.

(ICTs) do país: todas elas tiveram que criar um

O desafio surgido em 2004, no entanto,

Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), órgão

continua. A maioria desses núcleos enfrenta

que possui a finalidade de gerir suas políticas

obstáculos para se sustentar. Os problemas

de inovação. Passados oito anos, estima-se

passam pela carência de profissionais especializados para trabalhar nos NITs e pela falta de recursos contínuos. Além disso, há a questão da cultura dos pesquisadores das ICTs, que ainda não estão acostumados a lidar com inovação, e dos empresários – muitos não possuem uma postura proativa e não procuram os núcleos em busca de transferência de tecnologia ou parcerias para o desenvolvimento de soluções. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Alvaro Prata, o fato de muitos NITs ainda estarem em implementação está relacionado, entre outros fatores, a uma mudança cultural nas ICTs. “Muitas instituições que declaram que seu NIT está em implementação ainda necessitam de maior reconhecimento interno, incluindo recursos humanos para operacionalizar as questões ligadas às competências do núcleo. Também estão aprendendo a rever seus processos, de

Ilustrações: Shutterstock

forma que possam concretizar proteções e

86

comercializações do conhecimento”, afirma. Sustentação financeira Atualmente, a maioria dos NITs depende de recursos da Financiadora de Estudos e


ACADEMIA

Projetos (Finep), do Conselho Nacional de

apesar de ainda ser tímido, é superior

Desenvolvimento Científico e Tecnológico

ao da maioria dos núcleos do país.

(CNPq) e, no caso de alguns estados, das

Na opinião de Rosângela Bentes,

Fundações de Amparo à Pesquisa. Os recur-

da Rede NIT Amazônia Ocidental, a

sos, no entanto, são concedidos por meio

falta de recursos é o maior empecilho

de projetos com duração limitada e muitos

para a implantação e a efetiva ope-

núcleos apresentam fragilidade em relação

ração dos NITs do país. “A partir do

à sustentação financeira de suas operações.

momento em que se fala que é im-

“Existe um problema desde o momento em

portante proteger e transferir, é

que foram criados os NITs: o da estabilida-

necessário ter recursos. Preci-

de. A Lei de Inovação, quando veio, obrigou

samos disso para manter uma

todas as ICTs a terem um núcleo, mas não

patente, por exemplo. E o or-

disse de onde viriam os recursos para isso.

çamento das instituições está

Então, todos os NITs do Brasil são altamen-

preparado para isso? Muitas

te instáveis, pois sobrevivem com base em

ICTs não estão. Então, para não fi-

projetos das agências de fomento”, analisa

carem fora do sistema, dizem que

Marcelo Portes de Albuquerque, coordena-

o NIT está ‘em implementação’.

dor do NIT Rio – rede que abrange os núcle-

Os projetos de fomento são neces-

os de sete Unidades de Pesquisa do Estado

sários, mas não podem ser a única

do Rio de Janeiro vinculadas ao MCTI.

fonte de recurso”, avalia.

A última chamada de apoio da Finep destinada aos NITs ocorreu em 2008. Alguns

Recursos humanos

estados, como o Rio de Janeiro, o Ceará e o

Como dependem dos recursos advindos

Pará oferecem recursos aos núcleos. Em ou-

de projetos – e não tem um aporte contínuo

tros, no entanto, não há esse tipo de supor-

–, as equipes dos NITs são, em sua maioria,

te. Uma das formas encontradas pelo MCTI

formadas por bolsistas. Esse aspecto é apon-

para distribuir os recursos de maneira mais igualitária entre os núcleos foi incentivar a formação de redes de NITs, como as do Rio de Janeiro e Nordeste. Dessa forma, os nú-

_OS MAIORES DESAFIOS DOS NITs

cleos podem participar de chamadas para receber recursos das agências de fomento de forma conjunta, sem se tornarem concorrentes um dos outros. De acordo com os gestores de NITs en-

- Obter recursos financeiros contínuos; - Ter quadros de profissionais qualificados para atuar nos núcleos; - Reduzir a dependência de bolsistas;

trevistados pela Locus, ainda é distante a

- Criar uma cultura de inovação nas ICTs e no setor empresarial;

possibilidade de que os núcleos consigam

- Falta de linha de financiamento que facilite o depósito de patentes

se autossustentar por meio de royalties recebidos via contratos de transferência de tecnologias patenteadas, por exemplo. Na Universidade de Brasília (UnB) – a primeira universidade pública a ter formalizada,

no exterior; - Falta de política institucional nas ICTs; - Falta de suporte jurídico nas ICTs para resolver as questões conflitantes;

através de resolução interna, a criação de

- Falta de entendimento universidade-empresa;

um núcleo para lidar com propriedade inte-

- Em relação aos pesquisadores das ICTs: incentivo ao patenteamen-

lectual – apenas 10% do orçamento do NIT

to X pontuação com publicações.

é fornecido por royalties, um número que, 87


ACADEMIA

tado pelos gestores dos núcleos como uma

Cultura da inovação

das principais fragilidades do sistema. “No

Outro desafio que as ICTs enfrentam na

caso do Museu Goeldi

gestão dos NITs é o de incentivar a forma-

tem sido recorrente

ção de uma cultura da inovação entre os

a perda de bolsistas,

estudantes e pesquisadores das instituições

que completam sua

e, também, no setor empresarial. Para con-

formação e alcan-

seguir isso, os núcleos realizam ações de

çam melhores posi-

divulgação, como eventos, cursos e discipli-

ções no mercado. Isto é bom para o bolsista, e a formação de

nas nas universidades. A

Universidade

Federal

da

Bahia

recursos humanos qualificados faz parte da

(UFBA), por exemplo, oferece disciplinas

nossa missão institucional, mas urge a cria-

de elaboração de patentes, contratos de

ção de um mecanismo de absorção destes

transferência de tecnologia e realização

profissionais para que o NIT possa efetiva-

de prospecção tecnológica para alunos

mente desempenhar seu papel”, afirma Gra-

da graduação e pós-graduação. “Quere-

ça Ferraz, da Rede NIT Amazônia Oriental.

mos fazer com que eles entendam o que

A falta de uma carreira específica para

vai acontecer com aquilo que estão apro-

atuação nos NIT também é uma dificuldade.

priando e evitar que tenhamos uma série

“A maior lacuna na legislação é a falta de

de patentes na prateleira”, explica Cristina

criação de cargos e perfis de profissionais

Quintella, coordenadora do NIT da UFBA.

para atuarem nos NITs, que são responsá-

Segundo ela, a maioria dos estudantes

veis por gerir a política de inovação de uma

dessas disciplinas vem de cursos da área

instituição científica e tecnológica. A Lei de

de Ciência e Tecnologia. Além disso, a

Inovação Federal institucionalizou os NITs,

Rede NIT Nordeste, a cada ano, organiza

porém não criou mecanismos e uma estru-

um congresso chamado PROSPECT&I, no

tura forte para dar proteção ao desenvolvi-

qual são expostos os produtos desenvolvi-

mento de produtos inovadores”,

dos pelas ICT.

explica Marcus Zanon, coor-

O fator cultural é um dos maiores de-

denador regional do Fórum

safios do NIT Rio, formado principalmente

Nacional de Gestores de

por instituições que realizam pesquisas de

Inovação e Transferência de

ciência básica. “O que temos feito ao longo

Tecnologia (Fortec) na Região

desses anos são atividades de divulgação.

Sul e, também, coordenador da

Tentamos mostrar aos pesquisadores que

Rede NIT Paraná – que já capaci-

patentear e publicar não são coisas incom-

tou cerca de 50 bolsistas.

patíveis, além de explicar conceitos de pro-

De acordo com Luís Afonso Ber-

priedade intelectual. É muito comum, no

múdez, diretor do CDT/UnB, já exis-

ambiente acadêmico, ouvirmos os pesqui-

tem discussões a respeito da criação

sadores falarem que fazem inovação todo

dessa carreira, mas não há nada defini-

dia. Na verdade, o que eles querem dizer é

do até agora. “É uma grande luta das ICTs

que fazem invenção ou descoberta todo dia.

convencer o MEC [Ministério da Educação]

Mas inovação, não”, afirma Marcelo de Al-

e o MCTI de que é importante a criação des-

buquerque, do NIT Rio.

sa carreira. Hoje o que existem são bolsas, iniciativas pontuais como a da UnB, em que formamos pessoal para trabalhar com isso”, afirma. 88

Transferência de tecnologia Ainda é tímido o número de contratos de transferência de tecnologias realizados


ACADEMIA

pelas ICTs. Os dados do MCTI, com base em 2010, mostram que a gran-

Distribuição regional dos NITs

de maioria dos núcleos não possui esse tipo de contrato. De um total de 164 instituições, apenas 36 informa-

150

3

13

ram possuir contratos (27 públicas e nove privadas), sendo que a maioria deles não envolve a transferência de

120

tecnologias patenteadas. Para o secretário do MCTI, Alvaro Prata, o baixo número de contra-

90

tos se deve à falta de estruturação dos NITs. “A perspectiva do contrato de transferência de tecnologia é

55

60

um estágio avançado do processo. Nem todas as instituições estão familiarizadas com todas as etapas na

24

30

participação da inovação, e o tempo de assimilação para todas estas mudanças é necessário para que a

31 18

13

6

0

negociação destas tecnologias de-

e est

Sud

senvolvidas seja realizada de forma satisfatória”, avalia. Ainda falta, na opinião dos gesto-

10

Sul

ste

-Oe

ro ent

4

3

0

rte

No

C

31

ste

rde

No

l

a Tot

Fonte: Relatório “Política de Propriedade Intelectual das Instituições Científicas e Tecnológicas do Brasil”, MCTI, 2010.

res de NIT, a criação de um ambiente

_O QUE DIZ A LEI DA INOVAÇÃO? Instituição Científica e Tecnológica: órgão ou entidade da administração pública que tenha por missão institucional, dentre outras, executar atividades de pesquisa básica ou aplicada de caráter científico ou tecnológico. Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT): Núcleo ou órgão constituído por uma ou mais ICTs, com a finalidade de gerir sua política de inovação. Quais são as competências mínimas de um NIT? 1) Zelar pela manutenção da política institucional de estímulo à proteção das criações, licenciamento, inovação e outras formas de transferência de tecnologia. 2) Avaliar e classificar os resultados decorrentes de atividades e projetos de pesquisa para o atendimento das disposições da Lei de Inovação. 3) Avaliar solicitação de inventor independente para adoção de invenção, na forma da Lei de Inovação. 4) Opinar pela conveniência e promover a proteção das criações desenvolvidas na instituição. 5) Opinar quanto à conveniência de divulgação das criações desenvolvidas na instituição, passíveis de proteção intelectual. 6) Acompanhar o processamento dos pedidos e a manutenção dos títulos de propriedade intelectual da instituição.

89


ACADEMIA

Recursos obtidos com contrato de transferência tecnológica/licenciamento

60

%

,55

54

50

% 1,89% 4

%

,42

,59

40

41

40 30 20

%

,13

13

10

Privada Pública Total

[ [ [ [ [ [

0

1 0,8

%

5% 3,56

7 % 2,

9%

1,2

Sem exclusividade

Outras formas

Com exclusividade

R$ 2.464.054,97

R$ 25.076.369,12

R$ 1.544.441,09

R$ 77.522.138,92

R$ 79.097.149,71

R$ 5.260.702,00

R$ 79.986.193,89

R$ 104.173.518,83

R$ 6.805.143,09

Fonte: Relatório “Política de Propriedade Intelectual das Instituições Científicas e Tecnológicas do Brasil”, MCTI, 2010.

e de um marco regulatório que facilite a

versidade possui contratos de tecnologia

interação universidade-empresa, além de

desde que o núcleo foi criado, em 1998,

mais tempo para que os contratos exis-

mas a maioria deles não envolve tecnolo-

tentes rendam royalty. “Nós estamos fa-

gia patenteada, e sim segredos industriais.

lando de núcleos que surgiram há poucos

“A transferência via concessão de uso da

anos. Até hoje, o NIT da UFBA não recebe

patente ainda é baixa, mas, ao todo, temos

nenhum royaltie e a maioria dos núcleos

cerca de 80 contratos de desenvolvimen-

da Rede NIT Nordeste também não. Nor-

to”, afirma Luís Afonso Bermúdez.

malmente, nesses contratos, as empresas

De acordo com Bermúdez, o sistema

pedem dois anos para colocar os produtos

de NIT ainda é muito novo e, com tempo,

no mercado, pois eles foram desenvolvi-

está progredindo. “Não é assunto fácil. Não

dos em escala de bancada”, explica Cristi-

veio de uma cultura existente, está se trans-

na Quintella, do NIT UFBA, que firmou 30

formando. Somente no ano passado, por

contratos de transferência em 2011.

exemplo, conseguimos formar uma associa-

Na UnB, 10% do orçamento do NIT da instituição é baseado em royalties. A uni90

ção nacional dos NIT. Com o tempo isso irá evoluir”. L


Divulgação

INTERNACIONAL

Missão para o aprendizado Liderada pela Anprotec, delegação com 38 membros visitou 13 ambientes e mecanismos de inovação na Alemanha e na Estônia no primeiro semestre P O R C A M IL A AU G U S TO

Criada após a Segunda Guerra Mundial,

na Alemanha e na Estônia – onde ocorreu a

em 1949, a Sociedade Fraunhofer nasceu

29ª Conferência Mundial da Associação In-

com o objetivo de dar o suporte científico

ternacional de Parques Tecnológicos (IASP,

e tecnológico necessário à reconstrução da

na sigla em inglês) – ver box.

Alemanha. Hoje, ela é uma das maiores ins-

Na Alemanha, a Missão ficou concentra-

tituições de pesquisa aplicada da Europa,

da nas cidades de Munique, localizada na

reunindo mais de 60 unidades.

região da Bavária, e na capital Berlim. Foram

A Sociedade Fraunhofer está sendo o prin-

visitadas instituições como o Munich Tech-

cipal modelo seguido pelo Brasil na estrutu-

nology Center, o BioM Biotech Cluster Deve-

ração da Empresa Brasileira de Pesquisa e

lopment, o BMW Technology Center e o IPK

Inovação Industrial (Embrapii) e foi um dos

Berlin Fraunhofer Institute, dentre outras.

destaques da Missão Técnica Internacional

A região da Bavária possui mais de 50

Alemanha-Estônia, promovida pela Anprotec

incubadoras, que apoiam 600 empesas, res-

entre 10 e 21 de junho deste ano. A viagem

ponsáveis pela geração de cerca de 5 mil

contou com 38 participantes e incluiu visitas

empregos. Munique é sede de oito das 30

a 13 ambientes e mecanismos de inovação

maiores empresas da Alemanha. A cidade 91


INTERNACIONAL

Essa integração também foi observada

_BRASIL TEVE MAIOR DELEGAÇÃO NA CONFERÊNCIA DA IASP

pelo diretor da Empresa Municipal Parque Tecnológico de Sorocaba (EMPST), Carlos Alberto Costa. “Pudemos perceber que na

O Brasil foi o país com a maior delegação na 29ª Conferência Mun-

Alemanha, as empresas, sejam grandes ou

dial da IASP, com 52 representantes. Vários integrantes da missão

pequenas, se interrelacionam com as insti-

participaram do evento, que teve como tema “Servindo as empresas

tuições de ensino com mais facilidade. Situ-

e as comunidades inovadoras”. A conferência, que ocorreu em Tallin,

ação bem diversa da enfrentada no Brasil,

capital da Estônia, marcou o término do mandato do primeiro presi-

onde a legislação impede este relaciona-

dente brasileiro da IASP, Mauricio Guedes, que concluiu um período

mento de forma mais flexível”, analisa.

de gestão de dois anos. A próxima edição da conferência, em 2013,

De acordo com a presidente da Anpro-

acontecerá em Recife (PE) e será realizada em conjunto com o XXIII Se-

tec, Francilene Garcia, a parceria entre os

minário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas.

diferentes atores do sistema da Alemanha possibilita que os ambientes de inovação se desenvolvam de maneira mais rápida.

possui forte atuação na área de Biotecnolo-

“A pactuação entre governo, investidores

gia, e é sede do cluster BioM Biotech Clus-

privados e a sociedade assegura a presen-

ter Development.

ça permanente de investimentos públicos

Já Berlim é sede da mais antiga incu-

e privados nos ambientes de inovação, a

badora da Alemanha e também abriga o

exemplo dos Parques Tecnológicos, que se

principal parque tecnológico do país: o Ad-

consolidam e crescem em ciclos de tempo

lershof. A cidade possui, no total, 17 incu-

bem menores que os nossos”, afirma.

badoras, quatro parques tecnológicos e três

Outro destaque da Missão foram as unida-

pré-incubadoras. No município também

des da Sociedade Fraunhofer. Um dos centros

existem 50 institutos de pesquisa, dos quais

visitados foi o IPK Berlin Fraunhofer Institute,

seis são Institutos Fraunhofer e quatro Ins-

que possui 517 colaboradores e orçamento

titutos Max Planck.

de € 24,7 milhões. Com uma média de dois pedidos de patente por dia de trabalho, o IPK,

92

Plano nacional

todos os anos, firma cerca de quatro mil con-

Membro do Conselho Administrativo do

tratos com empresas. Fundado em 1986, o

Sebrae de São Paulo, Sylvio Goulart Rosa Jr.,

instituto desenvolveu uma metodologia para

que também é presidente da Fundação do

mensuração do capital intelectual de peque-

Parque Tecnológico São Carlos (ParqTec),

nas e médias empresas, adotada em várias

considerou a integração entre as institui-

companhias do mundo (ver box).

ções o destaque do sistema de inovação

O orçamento anual para pesquisa da

alemão. “O país possui um plano nacional

Sociedade Fraunhofer é de cerca de € 1,8

de integração do sistema de Ciência & Tec-

bilhão, sendo que cerca de € 1,5 bilhão é

nologia com o sistema produtivo. É tudo fei-

proveniente de pesquisas encomendadas.

to com planejamento em longo prazo. Ain-

Dois terços do valor dos projetos são fi-

da não temos esse tipo de ação no Brasil”,

nanciados por contratos com a indústria e

afirma. “Nós, do Sebrae, estamos na ponta,

por projetos de pesquisa de verba pública.

apoiando as micro e pequenas empresas, e

O restante é fornecido pelo governo, como

sentimos falta de um arcabouço maior, que

financiamento institucional.

articule as entidades, defina objetivos e que

Os institutos são vinculados a universi-

tenha continuidade, independente de mu-

dades e servem como ponte entre elas e a

danças no governo”, argumenta.

indústria. O modelo está servindo de exem-


Obrigado a todos os participantes, organizadores locais, patrocinadores e apoiadores do maior evento de parques tecnológicos e incubadoras de empresas da América Latina. Realização:

Patrocínio: Diamante

Platina

Ouro

Prata

Cobre

Organização Local: Apoio Institucional:

www.seminarionacional.com.br 52

93


INTERNACIONAL

Innovation Index 2012, já aparece em 19º

_MÉTODO DE GESTÃO DO CAPITAL INTELECTUAL DA FRAUNHOFER IPK É TEMA DE MINICURSO NO SEMINÁRIO

lugar, em uma lista de 141 países. O Brasil está em 58º. O sistema de inovação estoniano tem como foco, principalmente, os setores de Telecomunicações e Eletrônicos.

O pesquisador Markus Will, do Fraunhofer IPK, ministrará um

O famoso Skype – serviço de telefonia via

minicurso sobre o método de Gestão do Capital Intelectual, desen-

IP – foi criado por desenvolvedores do país.

volvido pelo instituto, durante o XXII Seminário Nacional de Parques

De acordo com o economista do Banco

Tecnológicos e Incubadoras de Empresas e XX Workshop Anprotec.

Nacional de Desenvolvimento Econômico

O evento acontecerá em Foz do Iguaçu (PR), entre os dias 17 e 21 de

e Social (Bndes), Felipe Maciel, o desenho

setembro de 2012. O método, chamado “Intellectual Capital State-

atual do sistema de inovação da Estônia co-

ment”, é desenvolvido por meio de workshops, durante os quais os

meçou a ser criado no início da década de

participantes precisam responder a uma série de perguntas sobre

1990. “Até então, a Estônia fazia parte da

suas organizações. Os dados são colocados em um software, que,

União Soviética e a alocação dos recursos

depois, gera um mapa. A ferramenta é capaz de mensurar aspectos

era centralizada no governo soviético. A

intangíveis das organizações.

pesquisa era muito centrada nas universi-

De acordo com Will, até agora, cerca de mil “Intellectual Capital

dades e era pouco orientada para o desen-

Statements” estão sendo implementados na Alemanha e em todo o

volvimento de tecnologias”, explica. Após

continente europeu, com foco nas pequenas e médias empresas. Mas

o fim da União Soviética, segundo ele, a

grandes empresas alemãs como Volkswagen e EnbW também adota-

Estônia orientou-se para uma economia de

ram o método. “A partir dessa experiência, nós também desenvolve-

mercado aberta e desregulamentada e seu

mos vários projetos para Parques Tecnológicos, clusters e ambientes

sistema de inovação tem alcançado bons

de inovação em países como Vietnã, Dubai, Egito, Indonésia, entre

resultados.

outros - com abordagem especial para parques tecnológicos”, explica

Para Maciel, o Brasil possui caracterís-

Will. O minicurso, intitulado “Gestão do capital intelectual como indu-

ticas parecidas com as da Estônia do início

tor da inovação”, será realizado no dia 17 de setembro.

da década de 1990. “Temos em comum a pesquisa centrada em universidades e voltada mais para a ciência do que para o

plo para a estruturação da Embrapii e foi

desenvolvimento de tecnologias. A mudan-

considerado o destaque da organização pe-

ça dessa característica está contemplada

los participantes da Missão. “Ele possuem

na Política de Inovação do Bndes, que tem

um modelo que deveria ser adotado urgen-

entre seus objetivos elevar a proporção de

temente nos institutos de pesquisa brasilei-

pesquisa e desenvolvimento realizada den-

ros. Lá, o pesquisador tem que buscar um

tro das empresas, local da inovação por ex-

problema no setor produtivo para resolver.

celência”, afirma.

O modelo de financiamento compartilhado

Para Audy, da Anprotec, os modelos de

gera uma grande eficiência”, afirma Sylvio

instituições dos sistemas de inovação da

Goulart Rosa Jr.

Alemanha e da Estônia podem servir de inspiração para as experiências que estão sen-

Estônia

do adotadas no Brasil. “Cabe a nós, a partir

Situada na Costa Oriental do Mar Báltico,

de nossa realidade social, cultural e econô-

a Estônia tornou-se independente da União

mica, cientes das boas experiências inter-

Soviética em 1991. Com um território me-

nacionais, construirmos modelos locais de

nor que o da Alemanha e população de cer-

sucesso, que reflitam nossa realidade, com

ca de 1,3 milhão de pessoas, o país faz parte

a visão no mundo, mas com forte ação local, junto a nossas comunidades”, afirma. L

da União Europeia desde 2004 e, no Global 94


_SAIDEIRA

Para todos os gostos: quatro opções de filmes para divertir, relaxar e refletir. Em Porto Alegre, uma retrospectiva histórica apresenta obras criadas pelo artista carioca Waltercio Caldas. Já em São Paulo, uma oportunidade imperdível de descobrir o talento da mineira Lygia Clark. Tudo isso é CULTURA. E Mauricio Guedes encerra a edição especial da Locus rememorando a trajetória de 25 anos da Anprotec: OPINIÃO de um dos precursores do movimento 95


CULTURA P OR BRUNO MOR E S CHI

Uma visão do poder O filme O Exercício do Poder surpreende já nas suas primeiras cenas. Em um sonho, o protagonista do filme vê sua mulher sendo engolida por um crocodilo. A cena acontece no seu espaço de trabalho. E não é um trabalho qualquer. Bertrand Saint Jean, interpretado de maneira brilhante por Olivier Gourmet, é Ministro do Transporte da França – um cargo que, assim como no Brasil, significa coordenar um setor do governo com um dos maiores orçamentos do país. Olivier Gourmet enfrenta uma série de problemas ao longo do filme. Entre eles, um acidente com um ônibus que vitimou dezenas de crianças e uma provável privatização das estações ferroviárias na França. Essa é, digamos assim, as questões macros que o filme apresenta ao público. Além disso, há um lado mais intimista , como sua relação com seu motorista e com um de seus principais assessores. E esse é o grande trunfo do longa: revelar o que é estar no poder, sem esquecer que os poderosos têm problemas Divulgação

comuns a qualquer outro ser humano. Muitas das cenas de O Exercício do Po-

der revelam uma das características mais emblemáticas do cenário político global. Grande parte das decisões é, na verdade, tomada a partir de critérios exclusivamente marqueteiros e eleitorais. Pouco importa ajudar a população em uma crise tão severa quanto a que os europeus vivenciam. O importante, mesmo, é que a equipe de governo recupere os cinco pontos perdidos nas pesquisas de avaliação do presidente. E, é claro, isso não vale apenas para a França. Vale para o mundo todo. O exercício do poder. (França, 2011, 115

minutos. Dirigido por Pierre Schöller. Com Oliver Gourmet, Michel Blanc, Zabou Breitman e Laurent Stocker). Nos cinemas e em DVD.

Sempre Darin

96

Um grande diretor

Há uma piada que costuma irritar os argentinos: a

Trata-se de um box de DVDs que merece estar na pra-

de que todos os filmes argentinos atuais têm no elenco

teleira de qualquer pessoa que gosta de cinema. Stanley

o ator Ricardo Darin. No fundo, é uma brincadeira com

Kubrick é considerado um dos melhores diretores nor-

a melhor das intenções. Darin é, sem sombra de dúvida,

te-americanos. Quem não se lembra da cena inicial de

um ator brilhante, capaz de tornar um filme médio um

2001, Uma Odisséia no Espaço? Se você não conhece os

grande pequeno filme. É o caso de Um Conto Chinês,

trabalhos de Kubrick, não perca tempo. A caixa contém

história sobre um típico portenho que precisa abrigar

oito filmes do diretor. Entre eles, De Olhos Bem Fecha-

um chinês fala de um tema universal: a nacionalidade.

dos, O Iluminado, Laranja Mecânica e Nascido para Ma-

As cenas de Darin como um homem mal humorado são

tar. Há também um interessante documentário que per-

hilárias.

mite entender um pouco a brilhante mente desse mestre.

Um Conto Chinês (2011, Argentina). Direção de Ignacio

Stanley Kubrick Collection. Filmes dirigidos por Stanley

Huang. Com Ricardo Darin. Nos cinemas e em DVD.

Kubrick. Em DVD.


CULTURA

Outra exposição que merece uma visita acontece em Porto Alegre, mais especialmente na Fundação Iberê Camargo, um dos prédios culturais brasileiros mais interessantes sob o ponto

Cesar Caldas

Retrospectiva histórica

de vista da arquitetura. O ar mais próximo... e outros ensaios é uma exposição que apresenta obras criadas nas últimas quatro décadas pelo artista carioca Waltercio Caldas. A mostra é o resultado de um levantamento completo de sua carreira realizado pela Fundação Iberê Camargo e o Blaton Museum of Art, de Austin, Texas. Depois de ser exibida em Porto Alegre, a exposição irá para a Pinacoteca do Estado de São Paulo e, em seguida, para os Estados Unidos.

Fundação Iberê Camargo (av. Padre Cacique, 2000, Porto Alegre, RS, tel. (51) 3247-8000). Quando: De 1/9 a 18/11. De 3a a dom., das 12h às 19h. 5a, das 12h às 21h. Grátis.

Marcelo Ribeiro Alvares Corrêa

O mundo de Clark Muito por causa da Bienal de São Paulo, a capital paulista está repleta de exposições de arte imperdíveis. Um dos destaque é a mostra Lygia Clark: uma retrospectiva. São cerca de 150 obras da artista mineira que nasceu em 1920 e viveu até 1988. Ao lado de Helio Oiticica, ela foi um dos principais representantes de sua geração e até hoje é um nome bastante estudado nas artes brasileiras. O número e a qualidade das obras expostas da artista impressionam. Entre elas estão pinturas, esculturas, experiências interativas, além de réplicas da serie Bichos que podem ser manipulados pelo público. Como se não bastasse, estão ali alguns projetos nunca antes executados.

Itaú Cultural (av. Paulista, 149, São Paulo, SP, tel. (11) 2168-1776) Quando: até 11/11. De 3a a 6a , das 9h às 20h. Sab. e dom., das 11h às 20h. Grátis.

Imperativo Ouça o CD homenagem a Caetano Veloso (A Tribute to Caetano Veloso). Intérpretes como Marcelo Camelo e o norte-americano Beck regravam canções conhecidas do artista que até hoje é um dos principais nomes da música popular brasileira. Leia O Estrategista (Sextante, 208 páginas), da escritora Cynthia Montgomery. A autora é professora da Harvard Business School e discute estratégias para vencer a concorrência e transformar sua empresa em um negócio atualizado com o novo tempo em que vivemos. Assista ao filme My Way: o mito além da música, do diretor Florent-Emilio Siri. A produção conta a história do ídolo da música francesa dos anos 60 e 70, Claude François. Ele foi coautor da música My Way, mundialmente conhecida na voz de Frank Sinatra. 97


Divulgação

OPINIÃO

Queridos Adelino e Telmo, Já se passaram 25 anos daquele seminário no Bndes, onde reunimos 400 pessoas num tal Seminário Internacional sobre Parques Tecnológicos. Não tinha número na frente porque não sabíamos se haveria um segundo. A Anprotec acabava de ser criada, na carona da pesquisa que nós na Coppe e o pessoal do Pacto/USP realizamos para a Finep e OEA. Foi um super evento, com estrelas de várias partes do mundo e figuras carismáticas, pioneiros do

nosso movimento, como Milton Ferreira de Souza, de São Carlos, e Paulinho Toledo, prefeito de Santa Rita de Sapucaí. De lá prá cá a Anprotec cresceu, e muito, principalmente no campo das incubadoras de empresas. Temos hoje quase 400 projetos no Brasil e somos um dos países com o maior número de incubadoras do mundo. Compensa com folga a perda do “maior estádio de futebol do mundo”. Acreditem, o Maracanã foi demolido. Nas incubadoras brasileiras nasceram mais de 5 mil empresas, que faturaram R$ 5 bilhões no ano passado e empregam hoje 45 mil pessoas. Quem diria que chegaríamos tão longe? Criamos dois troféus para premiar a cada ano os melhores parques e incubadoras. E os troféus se cha-

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mam José Adelino Medeiros e Telmo Araújo. Assim mesmo, com nome e sobrenome. Vocês merecem! Na

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próxima vez que encontrarem o Christiano, contem que ele virou instituto: Instituto Christiano Becker de

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Estudos sobre Desenvolvimento, Empreendedorismo e Inovação. Também merecido.

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O Brasil também mudou, e pra melhor. Um cara chamado Jim O´Neill, de um bancão internacional, inventou um tal de Brics, uma espécie de novo continente, formado pelos “países do futuro”. O B é de Brasil, e parece que, pelo menos para nós, o futuro chegou, finalmente!

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A economia faz tempo que anda bem e não se fala mais em dívida externa, nem em inflação. Depois de FH, o Lula foi eleito duas vezes e agora temos uma mulher como presidente - Dilma Rousseff, que Adelino não chegou a conhecer. Tá mandando bem na economia e no social e tem alto nível de aprovação. O governo fala muito em inovação e trocou até o nome do Ministério, que agora se chama da Ciência, Tecnologia e Inovação. E o Raupp é o Ministro! Pena que o orçamento não acompanha o discurso. Crescemos muito na produção científica e somos hoje o 13o colocado no ranking mundial de artigos publicados. Infelizmente ainda estamos devendo, e muito, na transformação desse conhecimento em riqueza para os brasileiros. A cultura também mudou. Em todo o país a sociedade, e especialmente os jovens, valorizam a pequena empresa. Grande vitória do Sebrae, que poucos acreditam que se escrevia com “C” - Cebrae. O Bndes tem mais dinheiro que o Banco Mundial e aumentou os investimentos em inovação, mas ainda não está apostando em nossos parques tecnológicos como elementos estratégicos da infraestrutura industrial do Século 21. Acho que não vai demorar. Continuem torcendo e mandem um super abraço pro Lynaldo, que deu a deixa no CNPq pra que tudo isso começasse. Do amigo saudoso, Mauricio P.S. Telmo, esqueci de dizer, a Francilene agora é presidente da Anprotec.

M a u r i c i o G u e d e s é Diretor do Par que Te c noló gico da UF R J e ex - presidente da A nprote c 98

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Um programa especial de mobilidade em Ciência, Tecnologia e Inovação

O Ciência sem Fronteiras (CsF) é um programa do governo Federal que busca promover a expansão e a consolidação da ciência, tecnologia e inovação no Brasil por meio da cooperação e da mobilidade internacional. A intenção é aumentar a presença de estudantes e pesquisadores brasileiros em instituições de excelência no exterior e oferecer oportunidades semelhantes aos estrangeiros nas instituições nacionais. Além disso, atrair jovens talentosos e líderes científicos do exterior para trabalhar no país, em parceria com cientistas brasileiros.

INFORME-SE:

http://www.cienciasemfronteiras.gov.br/

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Empreendedorismo e inovação para transformar o Brasil

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Locus 68/69 - Edição especial  

A revista Locus é uma publicação trimestral da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec)

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