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LOCUS Ambiente da inovação brasileira

Ano XVII | no 65 Janeiro 2012

A incubadora brasileira que está ajudando a reconstruir o Moçambique Como a gigante Braskem conduz a inovação Seminário Nacional reuniu cerca de 850 pessoas em Porto Alegre

INOVAÇÃO NO DNA Micro e pequenas empresas são maioria no mercado de biotecnologia. Em incubadoras e parques tecnológicos, elas encontram o apoio que precisam para crescer e inovar 1


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ÍNDICE

LOCUS Ambiente da inovação brasileira Ano XVII ∙ Outubro 2011 ∙ no 65 ∙ ISSN 1980-3842

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A revista Locus é uma publicação da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) Conselho Editorial Josealdo Tonholo (presidente) Carlos Américo Pacheco Jorge Audy Marli Elizabeth Ritter dos Santos Mauricio Guedes Maurício Mendonça Coordenação e edição Débora Horn Reportagem Bruno Moreschi, Camila Augusto, Débora Horn e Talita Marçal Colaboração: Trama Comunicação Jornalista responsável Débora Horn MTb/SC 02714 JP

TECNOLOGIA DA VIDA Maioria no setor, micro e pequenas empresas que atuam na área de biotecnologia ainda enfrentam barreiras para crescer. Captação de recursos, marcos regulatórios confusos e dificuldade de mensurar o valor do negócio estão entre as principais preocupações dos empreendedores. Para apoiar o desenvolvimento, espalham-se pelo país parques e incubadoras voltados a essas empresas

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Direção e edição de arte Bruna de Paula Colaboração: Hiedo Batista Revisão Vanessa Colla Foto da capa Shutterstock

Presidente Francilene Procópio Garcia Vice-presidente Jorge Luís Nicolas Audy Diretoria Gisa Bassalo, Ronaldo Tadêu Pena, Sérgio Risola e Tony Chierighini Superintendência Sheila Oliveira Pires Coordenação de Comunicação e Marketing Genny Coimbra Impressão Athalaia Gráfica e Editora Ltda Tiragem 3.500 exemplares

Produção

EM MOVIMENTO

Conheça Marcos Wettreich, o empreendedor carioca que já criou 15 empresas de sucesso – e vendeu quase todas

Um balanço do XXI Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas e as novidades da inovação no Brasil

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HABITATS

SUCESSO

Sebrae e Anprotec lançam edital que distribuirá cerca de R$ 28 milhões a incubadoras de diferentes portes e regiões do país

Descubra os principais diferenciais dos vencedores do XV Prêmio Nacional de Empreendedorismo Inovador, concedido pela Anprotec

Apoio

Endereço SCN, quadra 1, bloco C, Ed. Brasília Trade Center, salas 209/211 Brasília/DF - CEP 70711-902 Telefone: (61) 3202-1555 E-mail: revistalocus@anprotec.org.br Website: www.anprotec.org.br Anúncios: (61) 3202-1555

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ENTREVISTA

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INTERNACIONAL Como uma incubadora social do Rio de Janeiro está ajudando na reconstrução do Moçambique ESTUDO Anprotec e MCTI fizeram levantamento da situação das incubadoras de empresas brasileiras. Conheça as principais conclusões CULTURA Saiba mais sobre “A minoria que arruinou um país”, filme que revela os bastidores da crise econômica de 2008 OPINIÃO Mauricio Guedes comenta a escolha do novo Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação


CARTA AO LEITOR

E

m outubro do ano passado, tivemos a oportunidade de,

LOCUS

mais uma vez, reunir pessoas de diferentes formações, regiões e interesses para refletir sobre o desenvolvimento que queremos para o Brasil. No XXI Seminário Nacional

de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, realizado em Porto Alegre (RS), pudemos conhecer e discutir modelos e estratégias que construíram territórios mais competitivos e, assim, garantiram crescimento econômico e avanços sociais importantes. Nesse contexto, confirmamos o enorme potencial de contribuição de incubadoras de empresas e parques tecnológicos ao desenvolvimento sustentável. Entre as medidas apontadas como fundamentais para alavancar a competitividade de um território, está o apoio a micro e pequenas empresas inovadoras, como as que dominam o setor de biotecnologia no Brasil. Esse é o tema de nossa reportagem de capa, que relata o dinamismo da área e os desafios enfrentados pelos empreendedores brasileiros para operar e inovar. Além da dificuldade de encontrar espaços adequados, captar recursos e importar insumos, muitas empresas se deparam com a ausência de marcos regulatórios ou sua completa desatualização. Por isso, empreendimentos nascentes têm encontrado amparo em incubadoras e parques tecnológicos de todo o país, alguns voltados especificamente para o setor, como mostra a matéria que inicia na página 30. Os resultados desse apoio, não apenas no setor de biotecnologia, podem ser conferidos na seção Sucesso, que reúne, a partir da página 22, a história dos seis vencedores do 15o Prêmio Nacional de

Empreendedorismo Inovador, promovido pela Anprotec em parceria com o Sebrae. São exemplos que se destacaram entre os 64 inscritos na premiação. Em comum, tanto em entidades com mais de duas décadas quanto em projetos e empresas nascentes, a busca contínua pelo aperfeiçoamento. Para que mais empreendimentos possam atingir esse patamar, o apoio às incubadoras é fundamental. Por isso o Sebrae acaba de lançar, em parceria com a Anprotec, um edital voltado à implantação do modelo de gestão Cerne (Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos) em incubadoras de todos os portes. Ao todo, serão cerca de R$ 28 milhões em recursos, como revela a matéria da página 20. E se a ideia é ser grande, nada melhor que conhecer o modelo de gestão da inovação adotado pela Braskem. Hoje a gigante petroquímica colhe os resultados da soma entre uma política sólida de P&D e parcerias com centros de pesquisa – os detalhes desse modelo podem ser conferidos na seção Conhecimento (página 42). Esses são apenas alguns dos destaques desta edição, repleta de informações importantes sobre o movimento do empreendedorismo inovador, que a cada ano se renova e fortalece. Boa leitura! Conselho Editorial 5


Tita Berredo/Greenvana

Lições de um empreendedor serial O empresário carioca Marcos Wettreich é um empreendedor que vive de ideias. Muitas ideias. Aos 48 anos, lançou 15 empresas, todas consideradas criativas pelo mercado. Seu último projeto, o portal Greenvana, mistura sustentabilidade e e-commerce. Além de vender produtos orgânicos e ecologicamente corretos, o site disponibiliza conteúdo sobre o mercado sustentável e premia iniciativas verdes.

P O R TA L I TA M A R Ç A L 6


ENTREVISTA > Marcos Wettreich

Essa não é a primeira vez que Wettreich toma

a dianteira de um setor que dá os primeiros pas-

sos no Brasil. Em meados da década de 80, foi

pioneiro ao enxergar o potencial de negócio da tecnologia. Ainda estudante, fundou com cole-

gas de faculdade a Saga, empresa voltada para

telecomunicações. Em 1989, deixou o negócio

inicial para criar sozinho a Mantel, responsável por eventos e congressos de tecnologia. A par-

tir daí Wettreich passou a ter um negócio atrás

do outro. Abriu uma editora com publicações na área tecnológica, inventou o famoso prê-

mio iBest e lançou a agência de marketing di-

gital MLab. O executivo idealizou ainda um dos

maiores provedores brasileiros de acesso à web,

o também iBest. Em 2003, faturou milhões ao vendê-lo à Brasil Telecom, hoje Oi.

A profusão de novos empreendimentos

continuou. Vieram então a companhia de pes-

quisas Opinia, o guia de vídeos online WeShow e até um centro de bem estar chamado Nirva-

na, para ficar em alguns exemplos. Foi no Rio

de Janeiro, no escritório da Greenvana, a atual menina dos olhos de Wettreich, que o CEO re-

cebeu a Locus para falar um pouco do que é ser um empreendedor serial, cujo grande ta-

lento é criar empresas, sem perder de vista a

inovação. Durante a conversa, destacam-se as

táticas particulares do empresário para seguir

empreendendo e o conhecimento de quem fez da tecnologia e da sustentabilidade negó-

cios de sucesso.

estudar muito o que quer fazer. Estudar para entender quais são os custos. Às vezes, em um negócio, você pensa “puxa, vou vender muito, ganhar muito dinheiro com isso”, mas esquece que “isso” custa dinheiro para ser feito. Principalmente quando não se tem experiência, você se vê às voltas com custos não planejados, o que pode ser um problema. Terceiro, tem que investigar os concorrentes. Saber o que eles podem fazer, quais reações podem ter. Porque se você for bem, vai existir reação. É preciso estudar bastante, tanto o seu mercado quanto o seu concorrente. Torça para ter sorte, escolha direito a área e o que quer fazer. E saiba que vai ter muito trabalho.

A busca por recursos se mostra como um grande desafio ao empreendedorismo. Seus negócios sempre foram iniciados com recursos próprios? Quando eu comecei a fazer negócios não existiam financiamentos, investidores, nem as taxas de juros razoáveis que existem hoje. Na minha primeira empresa peguei US$ 2 mil emprestados com um amigo. Depois disso, todas as outras empresas que fiz, comecei com o meu dinheiro. Elas foram dando certo e eu vendia a participação da empresa para um e para outro. Essa é uma característica minha.

E para os novos empreendedores, qual a melhor forma de financiar negócios inovadores no Brasil? Podem procurar um angel investor, que é aquele que investe um valor relativamente

LOCUS > Aos 21 anos, o senhor e quatro colegas universitários fundaram sua primeira empresa de sucesso, a Saga. O que é necessário para que micros e pequenos empresários abram negócios bem sucedidos, mesmo que com pouca experiência?

pequeno, com um percentual pouco significa-

Marcos Wettreich > Primeiro, sorte, porque

ver a sua reserva ou a da sua família. Ou não

especialmente quando você nunca fez negó-

tiver um amigo para quem pedir emprestado.

cios antes, não tem muitos dados, é mais in-

Em uma segunda etapa, já pensando em algo

tuitivo. E a economia pode mudar. Também, é

mais estruturado, a opção é o venture capital.

difícil medir a reação de mercado, o que vai

Também é possível que você tenha uma super

acontecer se você fizer tal coisa, se tiver um

ideia, alguma experiência e comece no mercado

concorrente, se existir outro produto ou ser-

já vendendo um pedaço da sua empresa para

viço oferecido por outra empresa. Segundo,

conseguir o capital necessário para iniciá-la.

tivo, mas não vai querer ver muita coisa da empresa. O investidor anjo vai acreditar na ideia e em você. Este é o primeiro estágio. Isso, se você não conseguir o seu dinheiro, se não ti-

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ENTREVISTA > Marcos Wettreich

O senhor costuma vender seus empreendimentos para se dedicar a outros projetos. Qual o momento certo para vendê-los, sem se precipitar e sem perder o timing?

Qual a importância da inovação para o sucesso de um empreendimento? ter inovação. A inovação não significa inven-

Seria o momento de maior diferença entre

tar algo novo. Significa fazer algo novo. Por

a percepção de valor que o mercado dá ao seu

exemplo, conseguir elaborar um processo de

negócio e a percepção de valor que você dá. Se

modo que seja economicamente melhor que

a diferença está muito grande, é hora de ven-

outro, com custo mais baixo, mais rápido ou

der. Por mais que a empresa esteja crescendo

mais bonito. Tudo isso é inovação. Você só se

ou diminuindo, não importa.

diferencia com ela. De novo: não estou falan-

Todo empreendimento de sucesso tem que

do de inovação como invento, mas uma nova abordagem de um problema.

“GERENCIAR UM NEGÓCIO NÃO É SUFICIENTE, TEM QUE CRIAR OPORTUNIDADE. VOCÊ NÃO SE SATISFAZ EM ENTENDER QUE EXISTE A OPORTUNIDADE, QUER FAZÊ-LA ACONTECER. É NECESSÁRIO ABDICAR DE MUITA COISA, GOSTAR MESMO DE TRABALHAR”

Como transformar a inovação no diferencial competitivo de uma empresa? Na verdade, é como fazer para que esse diferencial competitivo, a inovação, se transforme em um negócio. Esta é a pergunta: como se faz para ter uma empresa? Não é tão fácil abrir um negócio. Você precisa já ter uma noção. Eu tive sorte, porque as minhas primeiras empresas acho que eram tão boas, tão interessantes, tão lucrativas, que eu podia até errar, como er-

Desde o início dos anos 90, o senhor lançou 15 empresas, número que demonstra seu empreendedorismo em série. Quais características são fundamentais para que um empreendedor seja serial?

rei, em não fazer uma estrutura administrativa

Isso é uma coisa que pouca gente tem: a

Por falar na importância de escolher áreas com potencial para empreender, sua carreira praticamente toda foi marcada por negócios ligados ao setor tecnológico. Como o senhor optou pela tecnologia?

busca incessante por algo que não existe. Sempre querer criar, a todo momento estar com a mente ligada, concatenando ideias, transformando-as em oportunidade de negócio.

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e financeira melhor, algo que fui aprendendo ao longo do tempo. Felizmente, apostei em áreas que me permitiam errar.

Gerenciar um negócio não é suficiente, tem

Veio por acaso. Eu ia fazer bioengenharia.

que criar oportunidade. Você não se satisfaz

Queria construir braços biônicos por cau-

em entender que existe a oportunidade, quer

sa de uma série chamada O Homem de Seis

fazê-la acontecer. É necessário abdicar de mui-

Milhões de Dólares, que eu adorava. Quando

ta coisa, gostar mesmo de trabalhar. Também

comecei a primeira empresa com sócios, não

é preciso que se tenha uma característica e

sabia mexer em computador, enquanto todos

uma área na qual seja muito bom para poder

os meus amigos já sabiam. Até hoje não sei

criar excelência nas várias empresas. Ao mes-

programar. Nunca programei qualquer coisa

mo tempo, tem que apostar em algo que seja

que não fosse trabalho de colégio para entre-

um bom negócio. E, para isso, é indispensável

gar. Não tenho paciência. Gosto da tecnologia

entender de negócio, ter drive comercial. Você

como ferramenta para algo, e não da tecno-

não cria porque é bonito, cria porque é um

logia por si só. Gosto de chegar a algum lu-

bom negócio.

gar com ela. Não consigo deixar de acessar


ENTREVISTA > Marcos Wettreich

Tita Berredo/Greenvana

o Skype com vídeo e não me maravilhar com o fato de ter videoconferência de graça hoje em dia, o que, para mim, é coisa de Jetsons, outro seriado antigo. Me maravilho com isso. Aprecio muito tecnologia, mas como usuário. Eu sou um bom usuário – um usuário capaz de prever muita coisa que vai acontecer com tecnologia.

Para alguém cuja trajetória profissional se confunde com a história da internet no país, como o senhor vê o futuro da rede? Há três anos me fizeram esta pergunta e vou dar a mesma resposta: geolocalização. Diferente de três anos atrás, hoje já tem bastante coisa neste campo. Entender onde uma pessoa está, o que tem à volta dela, a possibilidade de ela interagir com quem e com o que está à sua volta. A internet vai deixar de ser “A” internet para ser algo que permeia tudo. Vamos deixar de entender a internet como algo à parte. A rede é a integração das pessoas ao ambiente

O Greenvana é uma constatação sobre o

à volta delas. E essa “volta” pode ser o mun-

mercado de sustentabilidade, que é uma super

do todo, tudo o que você quiser. Ao juntarmos

oportunidade. Outro dia estava vendo um te-

isso a telas, em que conseguimos olhar, falar,

lejornal na televisão e me perguntei: “Tá bom,

ter o reconhecimento de voz, podemos brincar

sustentabilidade. Mas, se eu for comprar, vou

de pensar 10 mil coisas.

comprar o quê?”. Não conseguia entender o

Wettreich: um usuário capaz de prever o futuro da tecnologia

que comprar, onde comprar e de que marca.

Na sua opinião, o que há de mais interessante e potencial na internet atualmente?

Aí resolvi fazer uma das maiores empresas da área. Foi assim.

Rede social. Saber falar com grupos de pessoas, interagir com elas. A rede social tende a ser uma camada sobre a internet, que também

Qual o potencial de crescimento do negócio sustentável no Brasil?

vamos deixar de entender como o fazemos hoje.

No Brasil, há uma preocupação maior que

É o lugar onde as coisas acontecem. Uma em-

a média com a natureza. As pessoas são muito

presa, por exemplo, não só vai nos oferecer algo,

ciosas de protegê-la. Gostam muito de falar do

mas também será onde poderemos encontrar

assunto, de discuti-lo. Esta é uma razão de estar-

nossos amigos e outras pessoas no meio digital

mos indo tão bem na internet. Se formos com-

ou presencial. A rede social vai servir como uma

parar a consciência sustentável brasileira com a

interface onde será possível fazer coisas também

dos Estados Unidos, por exemplo, percebemos

pelos meios presenciais.

que lá existem vários níveis de consciência. A Califórnia tem um nível, Nova York e o centro

Sua última empreitada é o portal Greenvana, maior empresa na área de consumo sustentável no país. Sua atenção agora está toda voltada para o Greenvana? Como surgiu a ideia?

outro. Como um todo, o Brasil pode até estar melhor que o centro dos Estados Unidos, mas ainda está muito aquém da Califórnia. O Brasil tem que caminhar bastante. Mas as coisas vão bem. L 9


EM MOVIMENTO

SEMINÁRIO

Seminário Nacional: empreendedorismo e inovação na rota do desenvolvimento Foram apenas cinco dias que, por meio da exposição

reuniões paralelas e debates.

e do debate de ideias e modelos, renderam uma exten-

Promovido por Sebrae e Anprotec, o Seminário foi

sa e proveitosa lista de ferramentas e estratégias para

realizado no Centro de Eventos da Pontifícia Universi-

alavancar o desenvolvimento sustentável. Esse foi o sal-

dade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com orga-

do do XXI Seminário Nacional de Parques Tecnológicos

nização local do Tecnopuc – parque tecnológico vincu-

e Incubadoras de Empresas e XIX Workshop Anprotec,

lado à instituição – e da Rede Gaúcha de Incubadoras

realizado entre os dias 24 e 28 de outubro de 2011 em

de Empresas e Parques Tecnológicos (Reginp). “Embo-

Porto Alegre (RS). Com o tema “A Nova Competitividade

ra tenhamos buscado oferecer atrações diversas, para

dos Territórios”, o evento reuniu cerca de 850 pessoas,

diferentes públicos, sabemos que a riqueza do evento

que participaram de palestras, minicursos, workshops,

está muito mais na interlocução entre os participantes

Fotos: OFFICE PHOTOS

do que na própria programação”, avaliou o presidente do Tecnopuc, Roberto Moschetta. Os eventos abriram espaço para a avaliação do papel de parques tecnológicos e incubadoras na construção de territórios mais competitivos, nos quais haja sinergia entre mecanismos de inovação e estratégias de desenvolvimento. “A contribuição de parques tecnológicos e incubadoras de empresas para o crescimento de empreendimentos inovadores já é reconhecida. Agora, essas instituições avançam vigorosamente no reposicionamento de suas atividades, ainda mais estratégico. Nossa expectativa é que seus gestores, assim como empreendedores e investidores, saiam do Seminário mais aptos a atuar nesse novo cenário”, explicou o presidente da Anprotec, Guilherme Ary Plonski. Nova competitividade Para o secretário de desenvolvimento tecnológico e inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ronaldo Mota, parques e incubadoras podem servir de base para o desenvolvimento sustentável. “Avançamos muito em Ciência, Tecnologia e Inovação, mas ainda temos um Brasil assimétrico, que não foi igualmente capaz de transferir o conhecimento para a sociedade, transformando-o em negócios. Por isso é preciso apoiar ambientes que fomentem essa transferência, como incuA cerimônia de abertura (no alto) foi prestigiada pelo governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro. Acima, a sessão plenária com Ênio Pinto, do Sebrae, Annalisa Primi, da OCDE, e Antonio Galvão, do CGEE 10

badoras e parques tecnológicos”, afirmou. Ao longo do Seminário, representantes de diversas instituições nacionais e internacionais importantes de-


EM MOVIMENTO

Fotos: OFFICE PHOTOS

SEMINÁRIO

_XXI SEMINÁRIO NACIONAL EM NÚMEROS • 840 participantes – 22 estados – 13 países • Atividades/Programação – 6 minicursos – 2 workshops – 6 sessões plenárias – 6 apresentações especiais paralelas – 6 sessões técnicas paralelas – 86 trabalhos científicos apresentados na sessão de

Empreendedores, gestores de incubadoras e parques, investidores e representantes de órgãos públicos participaram de palestras e workshops (imagens do alto). Nos intervalos, a troca de experiências, reforçada na festa de encerramento (acima).

pôsteres – 3 visitas técnicas

bateram a situação da inovação em diferentes países e

se refere ao grau de inovação, investimento e P&D. Na

o incentivo às atividades de Pesquisa e Desenvolvimento

liderança estão os Estados Unidos, com os maiores inves-

em âmbito regional. Entre as principais sessões plenárias,

timentos no setor e um modelo que considera o cresci-

destaque para a que contou com a presença da economis-

mento de cada região em paralelo. “Os Estados Unidos,

ta Annalisa Primi, da França, que integra a Unidade de

como país, investe muito em P&D, mas também a maioria

Análise Estrutural e Competitividade da Organização para

dos estados individualmente o faz, mais ainda do que al-

Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE).

guns países da OCDE. Eles têm uma política de inovação

A economista defendeu que o desenvolvimento seja

e P&D muito densa”, afirmou a economista. Segundo ela,

pensado a partir de fatores econômicos, sociais e am-

isso demonstra a necessidade de investimento em pes-

bientais de cada região de um país. “Não existe um país

quisa e um pouco mais de ousadia em relação às políticas

homogêneo, em que todas as regiões tenham o mesmo

públicas, não só no Brasil como em cada região do país.

nível de desenvolvimento, de P&D, de atividade indus-

Além de Annalisa, participou da plenária sobre o tema

trial e de evolução tecnológica. Mas há países que pos-

o diretor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos

suem uma heterogeneidade maior ou menor entre seus

(CGEE), Antonio Carlos Filgueira Galvão, que apresentou

vários estados ou regiões, como no caso dos países da

modelos de desenvolvimento baseados na competitivi-

OCDE. O país que tem a pior posição, tanto por PIB per

dade dos territórios. O evento contou com outras cinco

capita da região, quanto por emprego qualificado é o Mé-

sessões plenárias, que discutiram as oportunidades para

xico, sendo que nem a capital consegue chegar a uma

os habitats de inovação, o desenvolvimento de empresas

posição média entre os outros países”, afirmou Annalisa.

inovadoras de alta performance, desafios para a criação

Em sua apresentação, Annalisa indicou as principais

de um Brasil Maior, ecossistemas para inovação e regi-

diferenças entre os países integrantes da OCDE, no que

ões e cidades inovadoras. 11


EM MOVIMENTO

SEMINÁRIO

OFFICE PHOTOS

Eventos paralelos: oportunidades para entidades parceiras minário buscou ampliar oportunidades e opções de palestras aos participantes dos eventos, dar continuidade às ações conjuntas entre a ABDI e a Anprotec e otimizar os recursos investidos. Os eventos são independentes, mas caracterizam nossa grande sinergia de trabalho interinstitucional”, afirma Wilker Ribeiro Filho, especialista em projetos da ABDI. O Workshop tinha como objetivo apresentar e debater temas de interesse das empresas e instituições da

Workshop da ABDI, sobre biotecnologia, foi realizado no terceiro dia do Seminário

área de biotecnologia. “O workshop

Além do tradicional Workshop

voltado a projetos na área de tecno-

foi elaborado para contribuir com

Anprotec, o Seminário Nacional opor-

logia da informação) e International

o alcance das metas previstas pelo

tuniza a realização de outros even-

Association of Science Parks (IASP)

Plano Brasil Maior, ao esclarecer

tos paralelos, ampliando a interação

realizaram encontros, workshops e

mecanismos existentes e envolvidos

entre os participantes e entidades

reuniões.

no aumento da competitividade de

parceiras. Na última edição, insti-

No dia 26 de outubro, a ABDI re-

empresas de base biotecnológica

tuições como Agência Brasileira de

alizou o Worshop de Negócios em

ou dependentes dessa tecnologia”,

Desenvolvimento Industrial (ABDI),

Biotecnologia. “A opção de realizar o

explica a diretora da ABDI, Maria

infoDev (fundo do Banco Mundial

Worskhop no mesmo período do Se-

Luisa Campos Machado Leal.

infoDev capacita gestores de incubadoras

12

O infoDev aproveitou o Seminá-

(counseling), coaching, treinamento

muito importante para fomentar os

rio para realizar, nos dias 24 e 25

e mentoring. “Todos eles são muito

negócios”, explicou Sawers.

de outubro, dois dos 12 módulos do

importantes e dependerão do mo-

O segundo módulo abordou os be-

Programa de Treinamento de Ges-

mento do empreendedor e de sua

nefícios de se implementar uma incu-

tores de Incubadoras, lançado pelo

aplicação. Estamos trazendo mé-

badora virtual, levando-se em consi-

fundo em 2010. Apresentado por

todos para aplicar o mentoring, ou

deração alguns pontos de deficiência

Jill Sawers, especialista do infoDev

seja, como encontrar um bom men-

das incubadoras físicas, como, por

da África do Sul, e Manuel Bello, co-

tor que ajudará o empreendedor

exemplo, a falta de espaço físico para

ordenador da RedLAC no Uruguai, o

a crescer tanto no campo pessoal

a atração de mais empreendimentos

primeiro módulo orientou a implan-

como no profissional. É um tipo de

inovadores. Esse módulo foi ministra-

tação de um programa de mentoring.

apoio de mão dupla: o mentor e o

do pelos consultores Carlos Eduardo

Foram abordados quatro conceitos

empreendedor

juntos,

Negrão Bizzotto, da Fundação Certi,

muito usados entre incubadoras e

dialogam, buscam soluções, apren-

e Cesar Yammal, do infoDev para a

empreendedores:

dem e criam um grau de confiança

América Latina e Caribe.

aconselhamento

trabalham


EM MOVIMENTO

SEMINÁRIO

OFFICE PHOTOS

Incubadoras discutem o desafio da sustentabilidade incubadoras – jurídicos, financeiros, socioeconômicos e mercadológicos. Entre os pontos mais discutidos estava a vinculação a instituições de ensino e pesquisa, que poderiam alterar a autonomia da incubadora e a necessidade de ampliar as fontes de recursos para aumentar a sustentabilidade. No segundo dia, o foco eram fatores internos que influenciam o desempenho e a sustentabilidade das incubadoras. Os participantes listaram aspectos positivos e outros que ainda precisam ser aperfeiçoados para que governo e sociedade comNo workshop sobre sustentabilidade de incubadoras, gestores elencaram desafios dos habitats

preendam a contribuição das incubadoras ao desenvolvimento.

Estratégias para garantir a susten-

Os participantes discutiram o pa-

Entre os aspectos a aperfeiçoar,

tabiliade de incubadoras de empresas

pel atual das incubadoras no Brasil

foram destacados a infraestrutura

e parques tecnológicos foram o foco

e questões como sustentabilidade,

em algumas incubadoras, o quadro

de dois workshops realizados duran-

gestão, apoio, investimentos e dis-

reduzido de pessoal e a necessidade

te o XXI Seminário. A experiência

seminação de informação, principal-

da criação de cada vez mais progra-

permitiu a integração entre gestores

mente sobre sua forma de atuação

mas de capacitação de funcionários

de habitats de inovação e pesquisa-

na sociedade. No primeiro dia, foram

por instituições importantes para o

dores da área.

abordados os aspectos externos às

movimento, como o Sebrae.

Mapeamento

IASP reúne parques da América Latina

A realização dos workshops também permitiu

No segundo dia do Seminário também foi realizado o En-

à Anprotec mapear a evolução dos parques tecno-

contro da Divisão Latino-Americana da IASP, que avaliou a

lógicos brasileiros. Para isso, gestores de incuba-

evolução do movimento de parques científicos e tecnológicos

doras responderam a um questionário elaborado

na região. Segundo o presidente da IASP para a América La-

pela Associação.

tina, José Eduardo Fiates, o evento representou uma oportu-

As perguntas abordavam questões institucio-

nidade para análises comparativas e estabelecimento de pro-

nais, como classificação do parque, gestão exe-

jetos cooperativos. “O Brasil ocupa uma posição de destaque

cutiva e estratégica, fontes de recursos, sustenta-

no cenário dos parques tecnológicos, tanto do ponto de vista

bilidade, metas, situação atual e contribuição ao

quantitativo, como qualitativo, mas os demais países do con-

desenvolvimento regional.

tinente têm avançado de forma consistente”, afirmou Fiates.

Após as apresenta-

ções, foram analisados modelos e compartilhadas experiências.

No evento, Esteban Cassin, da Argentina, foi eleito para presidir a Divisão pelos próximos dois anos. 13


EM MOVIMENTO

SEMINÁRIO

Assembleia da Anprotec elege nova diretoria OFFICE PHOTOS

Realizada no último dia 26 de outubro, durante o XXI Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, a Assembleia Geral da Anprotec elegeu a nova diretoria da entidade, que comandará a Associação entre os anos de 2012 e 2014. Pela primeira vez na história da Associação, a presidência será ocupada por uma mulher: Francilene Procópio Garcia, da Fundação Parque Tecnológico da Paraíba.

Além

de Francilene, a diretoria é composta pelo vice-presidente, Jorge Nicolas Audy (PUCRS) e pelos diretores Gisa Bassalo (UFPA), Ronaldo Tadêu

Da esquerda para a direita: Ronaldo Tadêu Pena, Sérgio Risola, Tony Chierighini, a presidente eleita Francilene Garcia, Jorge Nicolas Audy e Gisa Bassalo

Pena (BH-Tec), Sérgio Risola (Cietec)

tes regiões do país, a nova diretoria

com outros agentes da inovação, a

e Tony Chierighini (Fundação Cer-

propôs dar continuidade às ações

negociação de ajustes nos marcos

ti). Na Assembleia, também foram

que visam ao fortalecimento do

regulatórios atuais e a busca por

escolhidos novos membros para os

movimento de empreendedorismo

apoio a projetos estratégicos para o

Conselhos Consultivo e Fiscal da As-

inovador. Entre elas, destacam-se a

movimento.

sociação.

consolidação do modelo de gover-

Com representantes de diferen-

nança da Associação, a articulação

A nova diretoria assumiu o cargo em 1o de janeiro deste ano.

CAFÉ ANPROTEC

Associação reúne parceiros para balanço

14

No último dia 8 de dezembro, a

presidente da Associação, Guilherme

ticiparam, também, o diretor geral do

Anprotec promoveu, em Brasília (DF),

Ary Plonski, que destacou a parceria

Serviço Nacional de Aprendizagem

um encontro entre seus associados e

contínua entre a Anprotec e o Sebrae.

Industrial (Senai) e diretor de Edu-

os principais parceiros do movimen-

Entre os convidados estavam o

cação e Tecnologia da Confederação

to. O objetivo do Café Anprotec era

secretário executivo do Ministério

Nacional da Indústria (CNI), Rafael

fazer um balanço das ações realiza-

da Ciência, Tecnologia e Inovação,

Lucchesi, e o presidente do Conselho

das pela Associação em 2011 e iden-

(MCTI), Luiz Antonio Elias, o secretá-

Nacional de Desenvolvimento Cientí-

tificar desafios. “Atualmente, o tema

rio de desenvolvimento tecnológico e

fico e Tecnológico (CNPq), Glaucius

inovação está na agenda das discus-

inovação do MCTI, Ronaldo Mota, e o

Oliva, entre outras autoridades.

sões e isso se deve, em grande me-

secretário de Inovação do Ministério

No mesmo dia, associados reali-

dida, pela atuação da Anprotec, seus

do Desenvolvimento, Indústria e Co-

zaram o planejamento estratégico da

parceiros e associados”, afirmou o

mércio (MDIC), Nelson Fujimoto. Par-

Anprotec.


EM MOVIMENTO

NORDESTE

Divulgação/ ASCOM SECTI

Primeira chamada para Parque Tecnológico da Bahia quisa e empresas da incubadora que será instalada no Parque. A relação de empresas habilitadas a entrar na incubadora já foi definida. São elas: Imago – Tecnologia da Informação Aplicada à Saúde; EXA-M – Tecnologia da Informação Aplicada à Saúde; NNSolutions – Tecnologia da Informação Aplicada à Saúde; Teledoctor – Soluções em Telemedicina; MDS-Tecnologia – Tecnologia da Informação; ConvergenParque Tecnológico da Bahia abrigará empresas e institutos públicos de pesquisa

ce – Desenvolvimento de Sistemas; Brunian – Tecnologia da Informação;

A Secretaria de Ciência Tecnolo-

Classificaram-se IBM Brasil, Sabiá Ex-

gia e Inovação da Bahia divulgou no

e Vitae – Desenvolvimento de Protó-

perience Tecnologia S.A., Indra Brasil

último mês de dezembro a relação

tipos para Ortopedia.

S.A. e Portugal Telecom.

Uma nova chamada pública será

do primeiro grupo de empresas que

As empresas poderão se instalar

poderão se instalar no Parque Tecno-

feita neste ano para definir que ou-

no prédio central do Parque Tec-

lógico da Bahia, previsto para inau-

tras empresas poderão se instalar no

nológico da Bahia, o Tecnocentro,

gurar neste ano, em Salvador. As pro-

Tecnocentro. O parque possui 581

por até quatro anos, desenvolvendo

postas dos empreendimentos foram

mil m² e será focado em Biotecno-

atividades de pesquisa e inovação.

submetidas a critérios técnicos ava-

logia e Saúde, Tecnologia da Infor-

Além delas, ocuparão espaços no

liados por uma comissão julgadora.

mação e Comunicação e Energias e

prédio institutos públicos de pes-

Engenharias.

Sancionada lei que permite ampliação do Porto Digital

Programa capacita empresários na Paraíba

O prefeito de Recife, João da Cos-

to Amaro. Está prevista a construção

O programa “Vamos Empreender

ta, sancionou no dia 28 de dezembro

de altas torres de prédios, já que no

no Agronegócio?”, promovido por

de 2011 o projeto de lei que permite

bairro não há restrições para demo-

Embrapa, Fundação Parque Tecnoló-

a expansão territorial do Porto Digital

lições ou requisitos de preservação

gico da Paraíba e outras instituições,

para o bairro de Santo Amaro. A lei

histórica. Assim, empresas que de-

capacitou mais de mil empresários

municipal também contempla a redu-

mandam áreas amplas para instala-

em 10 cidades da Paraíba: Campina

ção de 5% para 2% do Imposto Sobre

ção terão espaço no Porto Digital.

Grande, Patos, Sumé, Pombal, Catolé

Serviços (ISS) para empresas da área

A ampliação do parque faz parte

do Rocha, Cuité, Areia, Bananeiras,

de Economia Criativa que se instala-

da estratégia de ampliar sua abran-

Sousa e Picuí. O número ficou quase

rem no espaço.

gência para empreendimentos de

70% acima da meta prevista.

Atualmente localizada no Bairro

Economia Criativa, como desenvol-

A iniciativa, que promoveu ativi-

do Recife, a instituição ocupará tam-

vimento de games, animação, moda,

dades gratuitas, teve início em setem-

bém uma área de 450 mil m² em San-

multimídia e design.

bro de 2011 e seguiu até dezembro. 15


EM MOVIMENTO

SUL

Incubadora CEI promove concurso para incentivar empreendedorismo Divulgação

Empresa graduada no MIDI Tecnológico recebe aporte da Intel Capital Especializada em diagnóstico médico por imagem digital, a Pixeon – graduada pela incubadora MIDI Tecnológico, de Florianópolis (SC) – tornou-se a primeira empresa da América Latina do setor de Saúde a receber investimentos da Intel Capital, divisão de investimentos estratégicos da multinacional americana Intel. O empreendimento catarinense utilizará o aporte para ampliar seu departamento comercial, além de aprimorar sua governança corporativa. Há oito anos no mercado, a empresa é pioneira, no Brasil, em desenvolver tecnologias totalmente nacionais para diagnóstico médico por imagem. A companhia já está presente em todas as regiões do país e desde 2010 expandiu suas atividades para a América Latina, a partir de um hospital na Argentina.

Os vencedores do concurso: criatividade e inovação

O Centro de Empreendimentos do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CEI/UFRGS) comemorou 15 anos de fundação em dezembro de 2011. O Centro é uma incubadora de base tecnológica que abriga empreendimentos da área de Tecnologia da Informação.

16

Comissão elabora projeto de Parque Tecnológico Virtual do Paraná Uma comissão composta por representantes do governo do Paraná e instituições liga-

Em comemoração, o CEI promoveu um concurso chamado “Boas

das a empreendedorismo e tecnologia será

ideias para inovar”, a fim de incentivar e desenvolver o espírito em-

formada para elaborar um projeto de criação

preendedor na área de TI entre os estudantes, professores e funcio-

do Parque Tecnológico Virtual do Paraná, que

nários da UFRGS e das empresas incubadas.

prevê a inserção sistematizada e organizada

Uma comissão avaliou os projetos a partir de quesitos como

pelo poder público de pequenas empresas de

criatividade e inovação; resultados esperados; viabilidade merca-

base tecnológica, originadas ou não de incu-

dológica; estrutura e elaboração, dentre outros. O concurso pre-

badoras tecnológicas.

miou três projetos. Os estudantes Tomas Mattia e Bruno Jurkovski

A decisão de criar uma comissão para for-

ficaram em primeiro lugar com o projeto Poabus – que possibilita,

mulação do projeto ocorreu no último mês de

através de um mapa online, a busca por linhas e pontos de ônibus

novembro, durante uma reunião do Conselho

de Porto Alegre.

da Incubadora Tecnológica de Curitiba (Intec).


EM MOVIMENTO

SUDESTE

Parque Tecnológico do Rio recebe pequenas empresas O Conselho Diretor do Parque Tecnológico do Rio, no Rio de Janei-

spin offs de laboratórios da Universi-

cionais em Engenharia. “A empresa foi

dade Federal do Rio de Janeiro.

criada para transformar os protótipos

ro, aprovou em dezembro de 2011 a

A Virtualy – que desenvolve simu-

produzidos no laboratório em produ-

entrada de seis novas empresas. São

ladores com tecnologia totalmente

tos. Parte do nosso rendimento volta

elas: Aquamet, Ambidados, Ambipe-

nacional para setores como o portu-

para a universidade através dos royal-

tro, Inovax, Virtualy e Maemfe. Os

ário e o de transportes – está na in-

ties. Para nós, estar em um espaço que

novos empreendimentos vão ocupar

cubadora da Coppe desde 2009 e en-

permite essa troca é muito importan-

espaços compartilhados no local e

trou em processo de graduação para

te”, relata Cunha.

ficarão ao lado de gigantes como

ocupar o espaço do Parque. “Podía-

Outra vantagem que o Parque ofe-

Baker Hughes, Petrobras, Schlumber-

mos ficar mais um ano na incubado-

rece à Virtualy, segundo Cunha, é a

ger e Halliburton.

ra, mas o espaço é muito procurado e

proximidade com empresas clientes.

O ingresso dos novos empreendi-

talvez não tivéssemos outra oportuni-

“Estamos desenvolvendo, para o pré-

mentos faz parte da estratégia do Par-

dade de ingressar no Parque”, expli-

-sal, simuladores de robô submarino

que de ampliar espaço para pequenas

ca Gerson Cunha, um dos sócios da

e sonda de perfuração, por exemplo.

empresas. Dos seis empreendimentos,

empresa.

No Parque, podemos interagir com

quatro são graduadas ou residentes

Cunha é professor e pesquisador

as empresas que são nossas clientes

na própria Incubadora de Empresas

da UFRJ e a Virtualy é uma spin-off

e desenvolver produtos mais adequa-

da Coppe/UFRJ, sendo que duas são

do Laboratório de Métodos Computa-

dos às necessidades do mercado.”

Governo do Estado de São Paulo assina convênio com parques tecnológicos do interior Divulgação

As prefeituras de Botucatu, Piracicaba, São José do Rio Preto e Sorocaba receberão R$ 18,3 milhões para investir em seus parques tecnológicos, que fazem parte do Sistema Paulista de Parques Tecnológicos (SPTec). Os recursos devem ser utilizados na construção de incubadoras de empresas e centros empresariais e na ampliação e conclusão de obras. O convênio para liberação da verba foi assinado pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do estado, Paulo Alexandre Barbosa, no dia 29 de dezembro de 2011. O município de Botucatu recebeu R$ 4 milhões para ampliação e conclusão das obras do Parque Tecnológico da cidade. Piracicaba e Sorocaba também destinarão, respectivamente, os R$ 1,178 milhão e R$ 6 milhões que receberam para obras.

O governador do Estado, Geraldo Alckmin (à dir.), assinou convênio: R$ 18,3 milhões destinados aos parques 17


EM MOVIMENTO

NORTE E CENTRO-OESTE

Divulgação

Parque de Ciência e Tecnologia Guamá forma consultores dologia FastTrack, da Fundação Kauffman, e tem como objetivo ajudar empreendedores a desenvolver habilidades gerenciais e a colocar em prática seus negócios. A iniciativa foi promovida pelo Parque de Ciência e Tecnologia Guamá (PCT Guamá), que está em implantação em Belém do Pará. Os consultores que participaram do treinamento receberam certificação internacional e a partir de 2012 devem utilizar o que aprenderam para capacitar empresários inovadores no Pará. O PCT Guamá é resultado de uma parceria entre a Universidade Federal do Pará (UFPA), a

Consultores foram treinados para ajudar empreendimentos inovadores no Pará

Cerca de 20 consultores empre-

“Bota para fazer – crie seu negócio

logia e Inovação (SECTI) e a Univer-

sariais participaram no último mês

de alto impacto”, do Instituto Ende-

sidade Federal Rural da Amazônia

de novembro, no Pará, do Programa

avor. O treinamento utiliza a meto-

(UFRA).

Gestor da incubadora da UFMS representa Brasil em rede do Mercosul O gestor da Pantanal Incubadora Mista de Empre-

Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas investirá R$ 126 milhões em CT&I

sas da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul,

Por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Es-

Leandro Zanqueti, foi eleito representante do Brasil

tado do Amazonas (Fapeam), o Governo do Estado des-

na Rede de Incubadoras Universitárias do Mercosul

tinará, em 2012, cerca de R$ 126 milhões para inves-

(RIUM). A escolha aconteceu durante a primeira ofi-

tir no fomento à pesquisa. Desse total, R$ 88 milhões

cina de capacitação da Rede, em Assunção, capital do

estavam previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA) e

Paraguai.

R$ 38 milhões virão de captações federais e parcerias

O objetivo da RIUM é “contribuir para a consolidação e expansão do Programa de Mobilidade

com instituições. O valor é superior ao de 2011, que foi de R$ 115 milhões.

Mercosul com a perspectiva de sustentabilidade do

Os recursos serão destinados a apoio de incubadoras

mesmo, mediante a promoção das capacidades em-

de empresas, fortalecimento da pesquisa nas instituições

preendedoras dos estudantes de universidades do

estaduais de saúde, capacitação de funcionários públicos

Mercosul”.

da área de segurança pública, formação de recursos hu-

A Rede reúne universidades do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. 18

Secretaria de Estado, Ciência, Tecno-

manos pós-graduados na área de tecnologia da informação e engenharias e bolsas de auxílio-pesquisa.


EM MOVIMENTO

CT&I

Prêmio Finep: empresas do movimento estão entre as mais inovadoras do Brasil Divulgação

Em cerimônia realizada no Palácio do Planalto no último dia 15 de dezembro, a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) premiou empresas, instituições e pessoas inovadoras em sete categorias. Mais uma vez, representantes do movimento se destacaram. Na categoria pequena empresa, todas as finalistas, vencedoras das etapas regionais, são empresas vinculadas a incubadoras e parques tecnológicos. Na categoria Micro e Pequena Empresa, ganhou a empresa Reason Tecnologia, de Florianópolis (SC), residente do Celta, que fornece produtos para o setor elétrico. Já na Média Empresa, a vencedora foi a goiana

A presidente Dilma Roussef, durante a cerimônia de premiação

Scitech, que atua no mercado de dispositivos médicos

mio ficou com Vladimir Airoldi, do Instituto Tecnológico de

minimamente invasivos – a empresa é vinculada ao Cie-

Aeronáutica. Também foram entregues os três troféus do

tec, de São Paulo (SP). A petroquímica Braskem venceu

Prêmio Inovar para o Fundotec II, gerido pela FIR Capital,

as concorrentes Weg e Embraer e ficou com o troféu da

na categoria Equipe; O Fundo Logística Brasil FIP ganhou o

categoria Grande Empresa.

de Governança e o FMIEE Stratus GC, o de Operação.

A Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da

Os vencedores do Prêmio FINEP receberão recursos

Ilha das Cinzas, que desenvolve, no Amapá, o projeto “Ma-

não reembolsáveis que variam de R$ 120 mil a R$ 2

nejo Comunitário de Camarão de Água Doce” ganhou o

milhões. Além da Anprotec, integravam a Comissão Jul-

prêmio de Tecnologia Social. O Centro de Informática da

gadora entidades parceiras como a Associação Nacional

Universidade Federal de Pernambuco, associado da Anpro-

de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras

tec, ficou com o troféu de melhor Instituição Científica e

(Anpei) e a Associação Brasileira das Instituições de Pes-

Tecnológica. Por fim, na categoria Inventor Inovador, o prê-

quisa Tecnológica (Abipti).

Brasil firma acordo com o a sociedade alemã Fraunhofer A sociedade de pesquisa aplicada

Embrapii funcionará como uma rede

(Certi), de Santa Catarina; a Incuba-

Fraunhofer, da Alemanha, será res-

nacional de tecnologia e criará pa-

dora de Empresas Coppe, da Univer-

ponsável por avaliar e certificar as

drões para a certificação dos institu-

sidade Federal do Rio de Janeiro e o

instituições vinculadas à Empresa

tos e centros de pesquisa brasileiros.

Instituto Brasileiro de Tecnologia do

Brasileira de Pesquisa e Inovação

Atualmente, a iniciativa reúne seis

Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC),

Industrial (Embrapii). O Ministério

instituições: o Instituto de Pesquisas

do Rio Grande do Sul.

de Ciência, Tecnologia e Inovação

Tecnológicas, da Universidade de São

A sociedade Fraunhofer possui

(MCTI) e a Confederação Nacional

Paulo; o Instituto Nacional de Tecno-

mais de 80 unidades de pesquisa

da Indústria (CNI) firmaram acordo

logia, do Rio de Janeiro; a Faculdade

no mundo, sendo que 32 delas de-

com a fundação alemã no último dia

de Tecnologia – SENAI/Cimatec, da

senvolvem projetos com o Brasil. A

10 de janeiro.

Bahia; a Fundação Centros de Refe-

instituição está servindo de modelo

rência em Tecnologias Inovadoras

para a criação da Embrapii no país.

Seguindo os moldes da Embrapa, a

19


Shutterstock

HABITATS

P O R C A M IL A AU G U S TO

Apoio à evolução Edital Sebrae/Anprotec irá contemplar incubadoras que pretendem adotar o modelo Cerne de gestão. Recursos ultrapassam os R$ 28 milhões

20

Em qualquer organização, adotar prá-

As incubadoras de empresas têm até o

ticas eficientes de gestão exige mais do

próximo dia 16 de março para apresentar

que boa vontade. A mudança implica em

projetos ao edital Sebrae/Anprotec, que se-

investimentos que vão desde a capacita-

lecionará até 160 propostas de implemen-

ção de pessoas até a reorganização de es-

tação do modelo Cerne. Ao todo, o apoio

paços. Nas incubadoras de empresas não é

financeiro será de R$ 28,2 milhões.

diferente: a escassez de recursos torna-se,

Segundo o diretor-técnico do Sebrae, Car-

por vezes, uma barreira à evolução. Porém,

los Alberto dos Santos, ao incentivar que as

2012 pode ser diferente para muitas des-

incubadoras apliquem o modelo Cerne, o

sas instituições, graças a um edital lança-

edital estará contribuindo para que elas me-

do recentemente pelo Sebrae, em parceria

lhorem diversas práticas de gestão. “Preten-

com a Anprotec, com a finalidade de apoiar

de-se, com a adoção desse modelo, criar uma

a consolidação do modelo de gestão Cerne

base de referência para que as incubadoras

(Centro de Referência para Apoio a Novos

de empresas de diferentes áreas e tamanhos

Empreendimentos) – veja box na página 21.

utilizem elementos básicos, visando reduzir


HABITATS

o nível de oscilação na trajetória rumo ao sucesso das incubadas”, explica. Para serem contempladas pelo edital, há

_O MODELO CERNE

requisitos que todas as incubadoras candidatas devem cumprir: ter gerentes em regime de dedicação integral, oferecer contrapartida econômica e financeira para alcance dos resultados e comprovar participação nos workshops e cursos de implantação do Cerne. Modalidades O edital oferece duas modalidades de apoio às incubadoras. A Modalidade 1 é destinada às mais estruturadas e tem o objetivo de apoiá-las na implementação, apli-

O CERNE é um modelo de gestão criado por Anprotec e Sebrae, que visa promover a melhoria dos resultados das incubadoras em termos quantitativos e qualitativos. A metodologia foi criada com inspiração em programas de incubação de micro e pequenas empresas americanas e europeias. O modelo possui quatro níveis de maturidade: o primeiro nível possui foco no empreendimento e a meta de gerar empresas inovadoras. O segundo concentra-se na própria incubadora, na sua gestão como organização. O terceiro enfoca as redes de relacionamento e o quarto a melhoria contínua da estrutura implantada. Para mais informações, acesse www.anprotec.org.br/cerne/.

cação e manutenção das práticas-chave do primeiro nível de maturidade do Cerne. Para que possam se enquadrar nessa mo-

incubadoras em operação há mais de dois

dalidade, as incubadoras precisam estar há,

anos e que possuam, no mínimo, três em-

no mínimo, cinco anos em operação e ter,

presas incubadas. Serão selecionadas no

pelo menos, 10 empresas incubadas e cinco

máximo 120 propostas, sendo que cada

graduadas. É obrigatório, também, que apre-

uma poderá receber até R$ 135 mil, dos

sentem todas as práticas-chave que com-

quais R$ 120 mil serão para a incubadora

põem o primeiro nível de maturidade. O edi-

apadrinhada e R$ 15 mil para a incubadora

tal prevê a seleção de até 40 projetos nessa

nucleadora.

R$ 300 mil em recursos.

Do total de propostas escolhidas, pelo menos 20% serão de incubadoras das regi-

Já a segunda modalidade busca selecio-

ões Centro-Oeste, Nordeste e Norte. “Sabe-

nar propostas de apoio à adoção do Cerne

mos que as incubadoras estão concentradas,

em incubadoras, por meio do método de

na sua maioria, nas regiões Sul e Sudeste

apadrinhamento. Nesse caso, o público-alvo

do país. Essa é uma forma de buscar a inte-

são as incubadoras em processo de estrutu-

riorização e fazer com que as incubadoras

ração. Elas serão orientadas pelas beneficia-

dessas regiões se aproximem e apresentem

das na Modalidade 1, chamadas “nucleado-

também sua capacidade na geração de em-

ras”, que as auxiliarão na estruturação para

preendimentos inovadores”, explica o dire-

a implantação do primeiro nível do Cerne.

tor-técnico do Sebrae.

“O trabalho em rede é muito mais efetivo e

A divulgação dos resultados está pre-

fortalece os atores nela envolvidos. A exper-

vista para o próximo dia 13 de abril e a

tise das apadrinhadoras será muito eficaz

contratação deve ser realizada até junho

para aquelas que vão trabalhar sobre sua

de 2012. O edital, os roteiros de apresen-

coordenação, evitando os tropeços normais

tação dos projetos e outros documentos ne-

já vivenciados por elas. Portanto, o ganho

cessários para o envio de propostas estão

temporal e econômico será evidente nesse

disponíveis no site do Sebrae (www.sebrae.

modelo”, afirma o diretor-técnico do Sebrae.

com.br) , que também fornece informações pelo telefone 0800 570 0800. L

Podem se inscrever nessa modalidade

Santos, do Sebrae: trabalho em rede é mais efetivo Divulgação

modalidade. Cada um receberá, no máximo,

21


Divulgação/Anprotec

SUCESSO

P O R C A M IL A AU G U S TO

Campeões da inovação Vencedores do Prêmio Nacional de Empreendedorismo Inovador ensinam o valor da ousadia e da busca por melhoria contínua Reconhecer e incentivar empreendimentos inovadores, além de instituições e proje-

22

A edição 2011 contou também com a parceria da Microsoft.

tos que permitem o crescimento desse tipo

Os vencedores foram conhecidos em

de negócio no país. Esse tem sido o princi-

outubro do ano passado, durante o XXI Se-

pal objetivo do Prêmio Nacional de Empre-

minário Nacional de Parques Tecnológicos

endedorismo Inovador, promovido há 15

e Incubadoras de Empresas, realizado em

anos pela Anprotec, com o apoio do Sebrae

Porto Alegre (RS).

e de outros parceiros, como o Ministério da

Nas páginas a seguir, Locus traz um

Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Fi-

relato da trajetória e dos diferenciais dos

nanciadora de Estudos e Projetos (Finep) e

vencedores das seis categorias da premia-

a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

ção.


De olho nos mestres e doutores Propiciar maior integração entre a academia e o mercado

Melho promoç r projeto de empree ão da cultura ndedor ismo in do ovador Progra ma Empre Mineiro de end na Pós edorismo -Gradu ação

Paulo Cunha

era a meta ‒ hoje completamente atingida ‒ do Programa Mineiro de Empreendedorismo na Pós-Graduação. A iniciativa, promovida pelo governo do Estado de Minas Gerais por meio do Sistema Mineiro de Inovação, mobilizou cerca de 250 mestrandos e doutorandos de 13 universidades públicas do estado, em um Torneio de Inovação. De acordo com o secretário adjunto de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais, Evaldo Vilela, esse foi o primeiro programa de empreendedorismo do Brasil voltado a estudantes de pós-graduação. Demoramos cerca de dois anos para estruturá-lo, devido ao seu ineditismo. O produto da pós-graduação, hoje, é o doutor. E queríamos ir além. Queríamos que o resultado de uma tese de doutorado se tornasse uma possibilidade de negócio , afirma. O Torneio de Inovação foi realizado ao longo de 2010 e envolveu diversas etapas. No início, todos os inscritos parti-

A equipe da UFMG, que venceu o Torneio da Inovação com um projeto que envolve nanotecnologia

ciparam de um seminário de embate de ideias, onde as equipes propuseram negócios. Os estudantes não tiveram aulas

grama tiveram a oportunidade de realizar visitas guiadas

de empreendedorismo. Foram estimulados a criar um negó-

a empresas inovadoras de Minas Gerais, ouvir relatos das

cio e a vivenciar os sentimentos e as dificuldades que os em-

experiências de empresários e participar de um talk show,

preendedores sentem , explica o responsável pela execução

que foi gravado para servir como um vídeo educativo sobre

do Programa, Paulo Adriano Borges.

empreendedorismo.

Os 54 planos produzidos no seminário foram avaliados

A próxima edição do Programa está prevista para 2012

por uma comissão julgadora composta por três membros:

e deve sofrer algumas mudanças, como a utilização de fer-

um representante da academia, um do mercado e um do

ramentas de educação a distância e o acompanhamento

governo. Em cada uma das 13 universidades, houve um ga-

dos projetos elaborados. Nosso principal objetivo não era

nhador. Dois planos foram eleitos, também, pelo júri popular.

trabalhar com o produto do programa, que são os projetos.

Depois, as equipes dos 15 projetos selecionados apresenta-

Queríamos oferecer a essas pessoas a capacidade de pensar

ram suas iniciativas em uma feira de inovação e participaram

de forma diferente. Mas os projetos foram tão instigantes,

da final do Programa.

que queremos realizar algum tipo de monitoramento , afir-

O primeiro lugar ficou com a equipe da Universidade Fe-

ma Paulo Adriano Borges.

deral de Minas Gerais (UFMG), que ganhou uma viagem ao

A expectativa é de que haja, na próxima edição, um

SkySong, centro de inovação da Universidade do Arizona. Os

maior número de inscrições. Esse foi um grande desafio

estudantes da UFMG desenvolveram um processo de sepa-

na primeira edição do Programa. Além da questão cul-

ração de água e óleo através de nanotecnologia magnética,

tural e do ineditismo, o estudante de pós-graduação no

um processo mais barato do que o utilizado atualmente e

Brasil é muito ocupado. Está disposto a participar de uma

que não contamina a água. Essa tecnologia já estava sen-

iniciativa de uma a duas horas, mas tem receio de partici-

do elaborada, mas o modelo de negócio e a abordagem do

par de um programa em que tem que entregar resultados

projeto foram desenvolvidos durante o Programa , afirma o

e dedicar mais tempo. Agora que tivemos sucesso com

secretário Vilela.

a primeira edição, talvez isso mude um pouco , conclui

Além da competição de planos, os participantes do Pro-

Vilela. 23


r Melho gico n c e t oló parque

Porto

No rumo certo

l

Digita

de

Outro ponto-chave é a adoção de um modelo de gestão

1.415.000 m² no centro histórico

Com

uma

área

apropriado. Nossos recursos iniciais foram R$ 33 milhões do

de Recife, onde estão instaladas mais de 200 orga-

Governo do Estado. Mas em vez de a gestão ser feita por

nizações ‒ de pequenas empresas a multinacionais como

uma repartição pública, o que teria sido mais previsível, ge-

Microsoft e Samsung, órgãos de fomento e centros de pes-

renciamos o parque de forma privada através de uma Or-

quisa ‒ o Porto Digital consolidou-se como um dos princi-

ganização Social ‒ o Núcleo de Gestão do Porto Digital ‒ e

pais parques tecnológicos do país.

temos um padrão de eficiência e resposta muito maior , ga-

Há 11 anos em operação, esta é a segunda vez que o

rante o presidente.

parque conquista o Prêmio Nacional de Empreendedorismo

Além desses dois pilares, Saboya ressalta a importância

Inovador. A primeira foi em 2007. Muita coisa mudou nes-

da autonomia política e da autossustentação financeira do

ses últimos quatro anos. O parque dobrou de tamanho, pas-

parque. No início, em vez de o governo nos fazer repasses

sando de 100 para 200 empresas; quadruplicou o montante

para mantermos a estrutura, ele preferiu nos doar ativos e

de recursos captados e possui uma carteira de 38 projetos,

dizer: agora rentabilizem isso e vivam deles. Isso foi essen-

com valor estimado de R$ 74 milhões , destaca o presidente

cial para o desenvolvimento do Porto Digital e para a nossa

do parque, Francisco Saboya.

autonomia , destaca.

Formatado como um arranjo produtivo na área de Tec-

De acordo com Saboya, a meta é duplicar o Parque nos

nologia da Informação e Comunicação, com foco no desen-

próximos oito anos. Até lá nosso objetivo é dobrar o nú-

volvimento de software, o Porto Digital também diversificou

mero de empreendimentos inovadores e conseguir que o

suas atividades ao longo desse período. Em 2011, incorporou

número de pessoas ocupadas em atividades de alta quali-

ao seu escopo a área de Economia Criativa, que abrange o

ficação profissional, que hoje é de 6 mil, passe para 20 mil ,

desenvolvimento de produtos como jogos eletrônicos e fil-

explica. O Prêmio confirma que a ambição de transformar

mes de animação. É um salto interessante. Há uma comple-

o Porto Digital no principal parque tecnológico da América

mentaridade entre as duas áreas. A Economia Criativa está

Latina pode se tornar realidade.

diretamente associada ao suporte tecnológico que há por O novo cluster já possui 16 empresas. Para abril deste ano está prevista a inauguração do Porto Mídia, que será um núcleo de capacitação, incubação e exibição de negócios da área. Vamos ter laboratórios de design, animação, finalização de imagem e áudio, por exemplo , descreve Saboya. O presidente atribui o sucesso do Porto Digital a quatro pilares. O primeiro é a articulação correta entre academia, mercado e governo. É aquele conceito de tripla hélice. Um parque tecnológico só consegue funcionar bem quando há uma dinâmica entre esses três atores , afirma. 24

Em 11 anos, Porto Digital conquistou duas vezes o Prêmio Divulgação

trás dela , explica o presidente.


Mel empres hor a gradu

ada

Consultoria diferenciada

Visagi

o

Caio, Daniel, Eduardo, Leonardo e Renato eram cinco jovens Divulgação

recém-formados em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) quando, em 2003, criaram a Visagio, empresa graduada pela Incubadora de Empresas da Coppe/ UFRJ.

Já pensávamos em traba-

lhar juntos quando estávamos na faculdade. Aí fizemos uma análise dos nossos talentos e competências e vimos que valia a pena investir em consultoria de modelagem matemática. Era algo que faltava no mercado , relata Daniel Moreto, um dos sócios-fundadores da empresa. Na Visagio, a consultoria está diretamente ligada à tecnologia. As soluções são elaboradas por meio de modelagens matemáticas e ferramentas de TI. É o que os sócios da empresa chamam de

Equipe da Visagio: vontade de empreender surgiu ainda na graduação

Engenharia de Gestão . Apenas um ano depois de criada, a empresa elaborou, por exemplo, um modelo de Gestão da

da Visagio atualmente é a de se internacionalizar. Estamos

Produção e Controle de Supply Chain via Web para o grupo

querendo entrar na Europa e no Oriente Médio por meio do

italiano de moda AEFFE, que detém marcas como Moschino

escritório de Londres. Existem alguns movimentos para os

e Jean Paul Gaultier e confecciona cerca de 8 mil peças por

Estados Unidos e Oceania também, mas ainda é algo muito

mês. O resultado foi uma redução de 30% no tempo de pro-

incipiente afirma o empreendedor.

dução dos itens fabricados.

A rápida consolidação do negócio não impede que a Vi-

Hoje, oito anos depois de sua fundação, a Visagio tem

sagio se prepare para o futuro. Criamos o Instituto de En-

em sua carteira de clientes mais de 80 empresas nacionais

genharia de Gestão, que é uma spin-off da empresa. Não

e multinacionais. A empresa também possui cerca de 200

adianta estarmos no estado da arte da inovação tecnológi-

colaboradores, que estão distribuídos em escritórios no Rio

ca se o mercado não estiver preparado para receber isso.

Janeiro, São Paulo e Londres. Os R$ 5 mil que serviram de

Através do Instituto, preparamos jovens que daqui a pouco

investimento inicial na empresa transformaram-se em R$

estarão em cargos de gerência e diretoria , explica Moreto.

2,5 milhões em apenas dois anos, tempo em que a Visagio

A Visagio também está investindo em empresas nascen-

permaneceu na Incubadora de Empresas da COPPE/UFRJ. A

tes e no desenvolvimento de negócios complementares

incubadora nos ajudou principalmente no apoio institucio-

aos seus. Da mesma forma que criamos o Instituto, existem

nal, na parte de networking e no fato de estarmos próximos

outras oportunidades no mercado para consolidarmos um

da Universidade , relata Moreto.

grupo mais forte. Queremos ser um conglomerado de em-

Presente em mais de 15 países, uma das principais metas

presas de sucesso , destaca o empreendedor. 25


r Melho ada ub c n i mpresa

e

Aposta no novo

Laser Fotos: Divulgação

Welle

polis, em Santa Catarina, veio depois dos irmãos terem participado do Programa Sinapse da Inovação, que premia e concede recursos subvencionados para o desenvolvimento de projetos e empresas inovadoras. A incubadora é como uma cristaleira. Além de pagarmos um valor mais acessível pela locação e termos uma rede de contatos, todos os investidores e fundos de investimento veem a empresa incubada como um negócio em potencial. Ficamos mais visíveis estando aqui dentro , afirma Bottós. Hoje, a Welle ainda mantêm parcerias como o Instituto Fraunhofer e com o Laboratório de Me-

Os irmãos Bottós: incubadora proporciona visibilidade à empresa

cânica de Precisão da UFSC, onde estão investindo na construção do maior centro de laser da América Latina. De acordo com Bottós, dentro da empresa também

Quando decidiu ingressar no Laboratório de Mecânica

há uma preocupação constante com inovação. Não quere-

de Precisão (LMP) da Universidade Federal de Santa Catarina

mos limitar as perspectivas de nossos colaboradores. Se al-

(UFSC), Rafael Bottós, então estudante de Engenharia Mecâ-

guém tiver uma ideia, nós damos a ele uma participação ou

nica, apresentrou um plano de negócios em vez de um cur-

até mesmo incentivamos a criação de uma spin-off, ajudan-

rículo. Desde o início eu já sabia que queria ser empresário.

do com investimento ou na busca por investidores , explica

Minha primeira ideia foi montar uma empresa de usinagem

o empreendedor.

na área médica, para produzir bisturis. Mas com o tempo vi

Neste ano, a meta da Welle é liderar a marcação a laser no

que meu plano de negócios era impossível , relata Bottós,

Brasil. Hoje esse setor ainda é liderado por alguns represen-

presidente da Welle Laser, a melhor empresa incubada.

tantes de empresas internacionais. Nosso foco vai ser prin-

Foi no Instituto Fraunhofer, na Alemanha, onde reali-

cipalmente a indústria automobilística, onde temos muitos

zou estágio duas vezes, que ele e seu irmão gêmeo Gabriel

diferenciais , afirma Bottós. Outra prioridade é iniciar a venda

Bottós, estudante de Engenharia Elétrica, tiveram a opor-

de serviços e produtos para o setor de soldagem em 2012,

tunidade de estudar os fundamentos e aplicações do laser.

área que vem sendo desenvolvida desde 2009.

Os conhecimentos adquiridos na Europa levaram os dois a criar em 2008 - antes mesmo de concluírem seus cursos de graduação - a Welle, empresa especializada em fornecer soluções de tecnologia laser para processos de gravação, marcação e soldagem em diferentes materiais, como aço, polímero e cerâmica. Quando voltamos da Alemanha, sabíamos que aqui não existia nada na área de laser. Então, tínhamos duas opções: ou desistíamos de vez e íamos para outra área ou nós mesmos teríamos que abrir uma empresa. E foi isso que decidimos fazer , explica Bottós. Hoje, um dos sócios da empresa é Stefan Kaierle, que era chefe de departamento do Frauhofer-Institut für Lasertechnik. A decisão de incubar a Welle no Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas (Celta), de Florianó26

Na Welle, colaboradores são incentivados a inovar


M incubad elhor ora de empres orienta as da e uso in s para a gera ção tenso d e tecno logias C

entro E Labora mpresarial pa ra ção Avanç de Tecnologia adas (C ELTA s )

Caminhos de um pioneiro Considerado a primeira incubadora de base tecnológica

tos outros serviços que ofe-

do Brasil, o Centro Empresarial para Laboração de Tecno-

recemos. Um dos nossos focos agora

logias Avançadas (Celta), criado em 1986 e administrado

é promover a internacionalização das empresas e temos

pela Fundação Certi, em Florianópolis, coleciona primei-

um escritório específico para ajudá-las nesse sentido. Não

ros lugares . O Centro foi a primeira incubadora a ganhar

adianta elas pensarem apenas no Brasil. Para serem inova-

o prêmio Nacional de Empreendedorismo Inovador da

dores, os empreendimentos têm que olhar pra fora, ter uma

Anprotec, sendo agora reconhecido pela terceira vez. Se

visão global , afirma.

as empresas inovam, as incubadoras têm que inovar tam-

Uma das mais recentes novidades do Centro foi a inau-

bém , afirma Tony Chierighini, diretor do Celta desde 1992.

guração, em 2010, de uma unidade da incubadora em Pa-

Com 32 empresas incubadas que faturam juntas R$ 45

lhoça, cidade da região metropolitana de Florianópolis. A

milhões e 68 graduadas, o Celta colaborou com o desen-

ideia é levar nossa tecnologia para as outras incubadoras.

volvimento de empreendimentos como Intelbras, Reason ‒

Quando a gente leva a marca, levamos o serviço todo junto

vencedora do Prêmio Finep de Inovação 2011 na categoria

e replicamos lá, considerando, claro, as diferenças locais ,

pequena empresa ‒ e Welle, também ganhadora do Prêmio

explica o diretor da incubadora.

de Nacional Empreendedorismo Inovador da Anprotec em 2011 (leia a página 42).

O segredo para tornar uma incubadora bem-sucedida, de acordo com Chierighini, é o mesmo das empresas: tra-

Para Chierighini, essa capacidade do Celta de conseguir

tá-la como um negócio. A própria gestão da incubadora

desenvolver empresas inovadoras bem-sucedidas reside,

tem que ser inovadora. Temos que ir atrás de recursos ex-

principalmente, no processo de acompanhamento dos em-

ternos, sim, mas para investir nas empresas. Nosso dia a

preendimentos incubados. A cada seis meses fazemos o que

dia tem que ser pago com o que fazemos aqui dentro. Se

chamamos de diagnóstico empresarial de cada uma das

transformamos ideias em realidade, por que a incubação

nossas incubadas. Se vemos que uma delas está fraca na área

não pode ser um negócio também? , questiona.

de marketing, por exemplo, nós vamos ajudar nisso. Nossa maior preocupação é não atrapalhar o desenvolvimento das cursos de assuntos que elas já dominam , explica. O Celta também mantém contato

constante

com

Sede do Celta, em Florianópolis: 25 anos dedicados à incubação Divulgação

empresas, não forçá-las a fazer

as

empresas que graduou. Nós vamos atrás e acompanhamos a empresa que sai. Isso é essencial tanto para trazer novas tecnologias para as nossas incubadas, quanto para ver como as graduadas estão se saindo no mercado , diz o diretor. Outro diferencial do Centro, segundo Chierighini, encontra-se nos serviços prestados pela incubadora. Aqui as incubadas têm acesso à assessoria jurídica e financeira, entre tan27


r Melho presas em e dora d incuba adas para o orient lvimento o desenv etorial s l loca e

Foco na qualidade

dora Incuba /UFV V E T

Divulgação

CEN

Depois de cinco anos, a Incubadora de Empresas de Base Tecnológica CENTEV/UFV ‒ uma das unidades do Centro Tecnológico de Desenvolvimento Regional da cidade mineira de Viçosa - ganhou pela segunda vez o prêmio na categoria de Melhor Programa de Incubação Orientado para o Desenvolvimento Local e Setorial. No período entre esses dois prêmios nossa maior preocupação foi a de implantar uma gestão de processo de qualidade. Queríamos ampliar a nossa capacidade de gerar empreendimentos inovadores e nos tornar mais eficientes no atendimento das empresas , afirma a coordenadora da incubadora, Adriana Ferreira de Faria.

Equipe da Incubadora CENTEV/UFV: mais eficiência no atendimento às empresas

Atualmente, o CENTEV/UFV possui 18 empresas incubadas, que são avaliadas por meio de indicadores e acompa-

aos pesquisadores condições para transferência de tecnolo-

nhadas bimestralmente em reuniões. A partir desses resul-

gia ou criação de spin-offs. Buscamos pesquisas que têm

tados, oferecemos às incubadas assessoria em gestão de

possibilidade de gerar tecnologias com viabilidade comer-

processos, qualidade e desenvolvimento de produtos, por

cial. A Universidade Federal de Viçosa possui cursos fortes

exemplo , explica Adriana. Todos os dados ficam disponí-

de pós-graduação em áreas estratégicas, e procuramos re-

veis na intranet da incubadora e podem ser transformados

alizar palestras e cursos com os estudantes. Se temos uma

em relatórios e gráficos.

grande procura de empresas, é em função do nosso traba-

A preocupação com o atendimento das empresas tam-

28

lho de prospecção , afirma a coordenadora.

bém acontece antes mesmo de elas se tornarem incubadas.

Para Adriana, é fácil perceber como os resultados da in-

A incubadora possui, desde 2007, um serviço de pré-incu-

cubadora do CENTEC/UFV, que foi criada em 1993, se refle-

bação que oferece, além de espaço físico, assessoria ao de-

tem no desenvolvimento da economia local. A incubadora

senvolvimento dos planos de negócios e estudos de viabi-

já graduou 25 empresas e colaborou com a formação de

lidade técnica, comercial e ambiental. É um serviço muito

arranjos produtivos locais de Biotecnologia e Tecnologia da

importante porque, assim, os empreendimentos chegam

Informação. Os arranjos são compostos por nossas empre-

à incubadora mais maduros e têm mais chances de serem

sas graduadas e incubadas. Também apoiamos a consolida-

bem-sucedidos , diz Adriana.

ção do Parque Tecnológico de Viçosa. Tudo isso se reflete na

Além disso, a incubadora atua na prospecção de empre-

cidade , conclui. A Incubadora do CENTEV/UFV comprova,

sas e projetos. Localizada dentro da Universidade Federal de

assim, o potencial de um habitat da inovação para alavancar

Viçosa, ela possui programas que têm o objetivo de oferecer

o desenvolvimento local sustentável. L


OPINIÃO

Inovação e a cobra que mordeu o rabo

I

novação refere-se ao desenvolvimento de um novo produto ou processo, bem como à funcionalidade inédita de um produto já existente, que atende a uma

Divulgação

Ronaldo Mota S e c retá r io de D es envol v imento Te c noló gico e Inovaç ã o do Minis té r io da Ciê nc ia , Te c nologia e Inovaç ã o e profes s or t i t ular de F í sica da Uni ver sidade F e deral de S anta Mar ia .

demanda específica do público consumidor ou que gera nichos previamente inexistentes de mercado. Inovação está conectada à aplicação de conhecimen-

tos associados ao desenvolvimento de ciência e tecnologia e se constitui, contemporaneamente, no principal elemento propulsor da economia mundial. A ciência pode engendrar tecnologias, as quais, a depender da capacidade de absorção do mercado e da escala do público consumidor, podem se caracterizar como inovação. Essa cadeia linear distanciou a livre e descompromissada produção do conhecimento, a ciência, da extremidade oposta vinculada às demandas do mercado consumidor, a inovação. A realidade recente impõe que a forma de produzir conhecimentos e de transmiti-los tem se alterado radical e profundamente. Classicamente, ciência se assenta na liberdade individual de cátedra e em linhas de pesquisa que caracterizavam o pesquisador tradicional, cuja função primeira tem sido alargar as fronteiras, indo além do estado da arte. A principal motivação dos temas são os desafios inerentes à subárea, sendo as eventuais aplicações futuras definidas em outros contextos e em tempos de escalas diversas, a depender da linha de pesquisa específica. O Brasil demonstrou nas últimas décadas uma capacidade extraordinária de produzir conhecimentos dentro da estratégia acima, tendo consolidado uma pós-graduação de qualidade e uma produção científica crescente, em níveis bem acima da média mundial. Por outro lado, atestamos até aqui uma notável fragilidade em transferir conhecimento ao setor produtivo, ainda que tenhamos como exceções as áreas dos agronegócios e raros setores industriais bem identificados. A verdade é que nos tempos atuais os balizadores com que se produz ciência têm se alterado de tal forma que uma nova dinâmica impõe que as demandas da sociedade passam a ser, cada vez mais, os elementos definidores, ainda que não únicos, dos principais programas de pesquisa. Da pesquisa quase individual passamos rapidamente às imprescindíveis redes de pesquisa, das linhas de pesquisa quase isoladas estamos migrando para programas de natureza multidisciplinar motivados por demandas em geral complexas, portanto, praticamente intratáveis à luz de linhas de pesquisa ou indivíduos isolados. Os movimentos acima podem ser descritos via substituição gradativa da cadeia linear por um círculo completo contemplando ciência, tecnologia e inovação, onde as demandas da inovação influenciam e de certa forma definem, os rumos da ciência. É a cabeça da cobra que mordeu o rabo. 29


30


Shutterstock

CAPA

Ciência da vida e dos negócios Dominado por empresas de pequeno porte, o setor de biotecnologia vivencia o crescimento tanto de oportunidades quanto de desafios. Empreendedores ainda têm dificuldade para encontrar ambientes adequados, entender marcos regulatórios, abrir novos mercados e, principalmente, captar recursos. Preparadas para apoiar, incubadoras especializadas têm sido fundamentais à consolidação de empreendimentos na área.

C A M IL A AU G U S TO

31


CAPA

primeira

normalmente, por pesquisado-

lise e Planejamento (Cebrap).

empresa nacional de Biotecno-

res, professores e estudantes

A última pesquisa da Biominas

logia do país, a produtora de

de pós-graduação.

sobre a indústria de biociên-

Considerada

a

insulina Biobrás – hoje Biomm

As semelhanças com a histó-

cias, também feita no ano pas-

Technology – tem uma história

ria da Biobrás param por aí. A

sado, revela o mesmo cenário.

que retrata, em parte, o cenário

empresa mineira, que tornou-se

“No mercado mais maduro em

dessa área no Brasil. O empre-

na década de 1980 uma das

biotecnologia do mundo, que

endimento foi fundado na dé-

pioneiras na produção de in-

é o mercado americano, a pro-

cada de 1970 pelo empresário

sulina recombinante, concorria

porção de empresas que são

Guilherme Emrich e pelo pes-

com três multinacionais, cres-

médias ou grandes é pequena

quisador Marcos dos Mares. A

ceu e vendeu sua fábrica, em

em relação a de MPEs. É um

ideia havia surgido a partir de

2002, por US$ 75 milhões para

setor de pequenos empreendi-

pesquisas acadêmicas realiza-

a dinamarquesa Novo Nordisk,

mentos, que desenvolvem um

das na Faculdade de Medicina

líder mundial no tratamento de

produto e depois vão licenciar

da Universidade Federal de Mi-

diabetes. Na época, o empreen-

ou vender essa tecnologia para

nas Gerais (UFMG), onde o em-

dimento tinha cerca de 500 co-

uma grande companhia”, afirma

preendimento foi praticamente

laboradores e estava presente

Eduardo Emrich, diretor-presi-

incubado.

em mais de 10 países. Da venda

dente da Biominas, instituição

Mais de 40 anos depois, a

da fábrica, surgiu a Biomm, que

mineira dedicada a promover

dinâmica de surgimento de

ficou com as patentes, os labo-

bionegócios no país.

negócios nessa área ainda é

ratórios e os pesquisadores.

Para Emrich, a diferença é

muito parecida. Das cerca de

A realidade das empresas

que, ao contrário do que ocorre

200 empresas de biotecnolo-

de biotecnologia do Brasil está

nos países em que a área já está

gia existentes no país, mais da

distante disso. Cerca de 56%

consolidada, existem, no Bra-

metade estão ou já estiveram

delas faturam até R$ 2,4 mi-

sil, poucos casos de MPEs que

em incubadoras e mais de 95%

lhões e mais de 90% têm até

se tornam médias ou grandes.

possuem relações com institui-

50 empregados. É o que mostra

“Não vemos ainda empresas

ções de ensino e pesquisa. São

um estudo realizado em 2011

médias de Biotecnologia, que já

empreendimentos que nascem

pela Associação Brasileira de

tenham uma estrutura, uma ca-

nas bancadas de laboratório

Biotecnologia

e

pacitação. A nossa expectativa

das

pelo Centro Brasileiro de Aná-

é de que esse número cresça e

universidades,

criados,

(BRBiotec)

de que apareçam mais casos de

Empresas de biotecnologia no Brasil – Relação com incubadoras

sucesso”, complementa. Ambiente adequado

A empresa nunca esteve em uma incubadora

de sucesso na área? Os ambientes de inovação surgem como

A empresa está em uma incubadora

30,3% 20%

A empresa já esteve em uma incubadora

Como desenvolver empresas

49,7%

uma das soluções. O número impressiona: mais de 50% das empresas

de

biotecnologia

estão ou já estiveram em incubadoras de empresas. “O que normalmente ocorre é que quem cria essas empresas são

Fonte: BRBIOTEC Brasil/Cebrap, “Brazil Biotech Map 2011”. 32

profissionais de formação aca-


dêmica forte, que vislumbram a

de quatro a cinco anos. É mais

possibilidade de empreender. E

do que o dobro do normal para

como esses profissionais estão

uma empresa de TI. A tecno-

rodeando as universidades, eles

logia requer muito mais apri-

veem as incubadoras como um

moramento acadêmico. Todos

porto seguro, já que são orga-

os ensaios e experimentações

nizações muito vinculadas às

levam tempo”, explica Risola.

Divulgação

CAPA

universidades”, explica o pre-

O Cietec possui 10 módulos

sidente da BRBiotec, Fernando

para empresas de biotecno-

Kreutz, que também é fundador

logia que respeitam as regras

da FK Biotecnologia, graduada

da Anvisa. “A maioria das salas

pela Incubadora Tecnológica da

foi criada em 2007, atenden-

pelo país iniciativas de criação

Fundação de Ciência e Tecnolo-

do as determinações e regras

de ambientes inovadores, como

gia (Cientec), da Universidade

dos órgãos reguladores. São

parques e incubadoras, dire-

Federal do Rio Grande do Sul.

ambientes quase prontos, para

cionados a essas empresas. Há

O Centro Incubador de Em-

que o empresário, ao assumir

projetos de criação desses am-

presas Tecnológicas (Cietec),

essa área, não fique perdendo

bientes em cidades como Recife

de São Paulo, que possui cer-

tempo demais em adequações”,

e Niterói, por exemplo. Desde

ca de 25 empresas da área, é

afirma o diretor.

2010, também, foi criada uma incubadora de empresas para a

sui uma rede específica para

Peculiaridades

área no município de Feira de

empreendimentos

setor.

Ex-residente da Inova, in-

Santana, no interior da Bahia.

“O pesquisador, a caminho de

cubadora da UFMG, a empresa

A incubadora Broto – que

virar empresário, precisa de

Ceelbio fabrica um material cha-

é vinculada à Universidade

condições especiais que não vai

mado biovidro – que pode ser

Estadual de Feira de Santa-

encontrar fora das incubado-

utilizado em implantes dentá-

na – já possui uma empresa

ras. Essa pesquisa dele que se

rios, por exemplo, para facilitar

graduada-associada e está in-

tornou um plano de negócios,

a regeneração óssea – e agora

cubando outros seis projetos.

para que seja desenvolvida, vai

está mudando para a incuba-

“Quando as empresas lidam

precisar estar junto da universi-

dora Habitat, da Biominas. “A

com organismos vivos é mui-

dade ou dos centros de pesqui-

Inova contribuiu demais para o

sa. Biotecnologia é isso: inova-

desenvolvimento da empresa,

ção e conhecimento que estão

pois nos qualificou para ter uma

na academia 24 horas por dia”,

visão maior de mercado”, diz a

afirma o diretor do Cietec, Sér-

pesquisadora e sócia da Ceelbio,

gio Risola.

Rosana Domingues. Ela explica

Além de procurarem mais

que a etapa de produção não

os programas de incubação, as

pode ser feita na Inova, pois a in-

empresas de biotecnologia ten-

cubadora não possui dependên-

dem a permanecer mais tempo

cias para laboratórios. A Habitat,

dentro desses ambientes, em

onde a empresa irá se instalar,

comparação a empreendimen-

já tem alvarás sanitários e am-

tos do setor de Tecnologia da

bientes direcionados para área

Informação, por exemplo. “Es-

biológica.

tamos percebendo que o tem-

Devido às peculiaridades da

po de incubação gira em torno

área de Biotecnologia, crescem

Produção na Ceelbio: empresa está mudando para incubadora com espaço para laboratórios Divulgação

uma das incubadoras que posdo

Risola, do Cietec: incubadoras oferecem condições favoráveis ao crescimento das empresas

33


Paulo Valle

CAPA

A incubadora Habitat, da Biominas, conta com ambientes preparados para atividades na área biológica

to complicado. Elas precisam

todas as áreas contempladas

de espaços com laboratórios e

pelo edital e a Biotecnologia

equipamentos. Em função dis-

teve seis finalistas, sendo o pri-

so e do tempo maior de incuba-

meiro e o terceiro lugar geral

ção, é importante que existam

do estado. Foi uma motivação

incubadoras específicas, pois

grande para partirmos para

o suporte à empresa se torna

o próximo passo: por que não

melhor”, explica o diretor da

continuar isso e montar efetiva-

incubadora, Aristóteles Neto.

mente uma incubadora? Foi o

A Universidade Estadual de

que fizemos”, relata Neto.

Feira de Santana foi a primeira

No Rio de Janeiro, está sen-

a criar na Bahia cursos de mes-

do criado o Parque Tecnológi-

trado e doutorado em Biotecno-

co da Vida, uma iniciativa que

logia, no ano de 2005. O pro-

envolverá vários municípios do

grama de pós-graduação já tem

estado. “É um programa que

mais de 100 alunos. “Em 2006,

tem o objetivo não só de criar

o governo lançou um edital e

um parque, mas um conjunto

montamos o primeiro curso de

de parques tecnológicos, que

empreendedorismo

aplicado

tenha interação entre empre-

à biotecnologia da Bahia. No

sas, laboratórios oficiais, ins-

final, houve um concurso de

titutos de pesquisa e universi-

melhores planos de negócio de

dades, com o intuito de gerar

_AFINAL, O QUE É UMA EMPRESA DE BIOTECNOLOGIA?

O conceito mais utilizado é o da OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico), que considera as empresas de Biotecnologia como empreendimentos cuja atividade comercial principal envolva a aplicação de técnicas biotecnológicas

avança-

das para a produção de bens e serviços ou para a realização de Pesquisa e Desenvolvimento. Esse conceito abrange técnicas que utilizam DNA/RNA,

proteínas

e

outras moléculas, cultura em engenharia de células e de tecidos, técnicas de processamento biotecnológico, vetores gênicos e de RNA, bioinformática e

Empresas de biotecnologia no Brasil – Áreas de atuação

nanotecnologia. A definição da OCDE foi utilizada nas duas pes-

Saúde Veterinária Reagentes Agricultura Meio ambiente

9,7%

8,4%

9,7%

5,1%

Outros setores Bioenergia

bre o setor: a da Biominas e a da BRBiotec, realizada através do Cebrap. Mas

13,1% 14,3%

quisas mais recentes so-

39,7%

o número de empresas brasileiras mapeadas nos dois estudos é diferente. O da Biominas indica 143, enquanto o da BRBiotec 237.

Fonte: BRBIOTEC Brasil / Cebrap, “Brazil Biotech Map 2011” 34


CAPA

empreendimentos.

coração da discussão

O

é que

jetos, puxando para o lado dos

Flaminio Araripe

novos

negócios?”, questiona.

produtos irão sair desses laboratórios. Esse será o principal

Do laboratório ao mercado

indicador de sucesso do Pro-

Uma das principais dificul-

grama para o Estado do Rio de

dades para que as empresas

Janeiro”, explica o coordena-

de Biotecnologia se tornem

dor do Parque, Sérgio Mecena.

bem-sucedidas é o próprio

A iniciativa está sendo lide-

perfil do empresário. São pes-

rada pela Agência de Fomento

quisadores que saem do meio

do Estado do Rio de Janeiro,

acadêmico para enfrentar um

Investe Rio. “Ter modelos fi-

universo que ainda desconhe-

nanceiros de investimento é

cem: o mundo empresarial. “O

fundamental para dar sobrevi-

governo esteve muito preocu-

O primeiro produto da em-

da a essas empresas”, diz Me-

pado em criar um ambiente

presa – uma formulação para

cena. O Parque já possui sua

em relação à pesquisa, isso é

crianças com desnutrição –

primeira unidade no Instituto

importante, mas deveria criar,

não obteve uma única venda.

Vital Brazil, em Niterói, onde

também, mecanismos que pro-

“Eu sou nutricionista por for-

desde o ano passado funciona

porcionem o desenvolvimento

mação e, na época, ainda exis-

a incubadora Biotec, que hoje

das empresas. O que vemos

tia muita desnutrição infantil

abriga 16 projetos. “O Rio do-

é que as pequenas empresas

no Ceará e uma taxa de mor-

mina todas as tecnologias do

têm problemas de gestão, pois

talidade muito elevada. Com

século 20, petróleo, constru-

grande parte delas foram cria-

esse viés de preocupação com

ção civil. O que é estratégico

das por pesquisadores sem

a sociedade, investimos em

é dominar as tecnologias do

treinamento gerencial”, avalia

uma formulação para crianças.

século 21. A Biotecnologia é

Eduardo Emrich, da Biominas.

Hoje vemos que esse produto

Guimarães, da Nuteral: primeiro produto da empresa não foi bem recebido pelo mercado

em nutrição clínica do Brasil.

uma delas. As regiões que ti-

Ao tentar convencer em-

foi muito sofisticado e que, na

verem domínio dessas tecnolo-

presas do Ceará a investirem

época, o governo não entendia

gias serão fundamentais para

em uma ideia originada de sua

claramente a importância da

o desenvolvimento regional e

tese de doutorado, no início da

redução da desnutrição”, expli-

nacional”, completa Mecenas.

década de 1990, o pesquisador

ca Guimarães.

recém-

Com essa experiência, o pes-

tec, a criação de ambientes de

-doutor pela Universidade de

quisador aprendeu que é neces-

inovação é apenas uma parte

São Paulo, enfrentou dificul-

sário avaliar melhor o mercado

da equação. “Outra parte es-

dades. “Eu não tive sucesso ao

antes de apostar no desenvolvi-

sencial é como se vai alavan-

tentar convencer as empresas

mento de um produto. “Era um

car isso. Como ter empreen-

locais a realizar investimentos

produto inovador, mas estava

dedores nesses ambientes? Na

para desenvolver minha ideia.

totalmente desfocado da sua

Amazônia, por exemplo, foi fei-

Recebi um convite da incuba-

aplicação. Isso nos ensinou que

to um mega investimento, do

dora do Padetec [Parque de De-

é preciso, antes de desenvolver

ponto de vista econômico, em

senvolvimento Tecnológico], da

algo, criar um alinhamento en-

um centro de Biotecnologia,

Universidade Federal do Ceará,

tre as expectativas do cliente e

mas ele não tem a viabilidade

e decidi eu mesmo abrir a em-

aquilo que é possível ser feito

do business. Isso não é uma

presa”, relata Guimarães, que

pela questão técnica. Principal-

peculiaridade brasileira. Como

fundou, em 1992, a Nuteral,

mente no caso das MPEs, já que

é que a gente desenvolve pro-

uma das únicas especializadas

as empresas maiores podem

Segundo Kreutz, da BRBio-

Augusto

Guimarães,

35


Divulgação

CAPA

Rica. Faltam muitas mudas no Ceará e vi que havia um mercado muito grande para isso”, relata o empresário. Incubada pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Novas Empresas de Base Tecnológica Agropecuária e Transferência de Tecnologia (Proeta), da Embrapa, a Bioclone produz mudas clonadas de banana, abacaxi, cana-de-açúcar e plantas ornamentais, e deve inaugurar no próximo ano a primeira biofábrica do Ceará, que será uma das mais modernas do

Laboratório da Bioclone: parceria com a Embrapa fomenta a inovação

até se dar ao luxo de criar seus

do Ceará e pela multinacional

país. “A inovação é um dos nos-

próprios mercados”, afirma Gui-

produtora de frutas Del Monte,

sos pontos mais fortes. Além

marães.

teve a ideia de aplicar comer-

de mim, temos duas doutoras e

O agrônomo Roberto Cara-

cialmente o que havia estuda-

três pessoas de nível de gradu-

cas trilhou um caminho con-

do ao longo de seu mestrado,

ação pensando em P&D. Além

trário ao de Guimarães e, antes

concluído em 2000. “Quando

disso, há os pesquisadores da

de abrir a Bioclone, em 2008,

trabalhava na Del Monte, tive-

Embrapa e parceria com outras

constatou a demanda por mu-

mos um projeto em que todas

unidades da Empresa e univer-

das clonadas. Depois de passar

as mudas de abacaxi tiveram

sidades”. A Bioclone foi uma

pela Secretaria de Agricultura

de ser importadas da Costa

das finalistas do Prêmio Finep

_ÁREAS DE ATUAÇÃO

No Brasil, a área de Saúde Humana concentra as empresas de biotecnologia, abrangendo mais de 30% dos empreendimentos. Em segundo lugar, ficam as áreas relacionadas à agricultura, como clonagem, melhoramento genético e saúde animal, com outra fatia de cerca de 30%. Áreas como Bioenergia e Meio Ambiente, que têm grande potencial de desenvolvimento no país, ainda são pequenas e abrangem menos de 15% do total de empresas. A tendência, nos próximos anos, é que a área de Saúde Humana continue dominando, mas que outras áreas ganhem mais espaço. “Historicamente, o que víamos eram muitos projetos na área de saúde humana, principalmente diagnósticos e medicamentos. Nos últimos dois anos, cresceu o número de projetos que envolvem agricultura e meio ambiente, incluindo o uso de biomassa e de aproveitamento de resíduos, por exemplo”, explica Emrich, da Biominas. Para ele, é nessas áreas que o Brasil têm mais potencial para se tornar competitivo mundialmente. “Quando a gente pensa no país se tornar competitivo no desenvolvimento de novos medicamentos, o caminho é muito mais difícil do que ser competitivo em bioenergia ou agricultura, que são áreas que ele já tem uma competência. Há espaço para a solução de problemas locais, mas imaginarmos que vamos criar drogas para combater o câncer, por exemplo, é muito mais difícil”, avalia.

36


CAPA

pequena empresa. O empreendimento também recebe aporte de capital do Fundo Criatec.

QUANDO

endedores podem buscar para

QUESTIONADOS

ciamento é o das parcerias cor-

SOBRE SEUS PRINCIPAIS DESAFIOS

Barreiras Na biotecnologia, conseguir financiamento para dar início à fase de industrialização dos produtos pode ser ainda mais difícil do que para empresas nascentes de outras áreas. Na pesquisa da Biominas sobre empresas de biociências, quando questionados sobre seus principais desafios para os

PARA OS PRÓXIMOS

principal é captar recursos financeiros. E em segundo, terceiro e quarto lugar, apontam necessidades que carecem, também, de investimento: entrar em novos mercados, aumentar ou criar a infraestrutura da empresa e conduzir o desenvolvimento de novos produtos. “É o chamado ʻvale da morteʼ. Temos recursos para P&D, mas na fase de industrialização não há aporte ou condições de buscar financiamento. O empresário não tem garantia real e nem porte para conseguir empréstimo”, explica Kreutz. De acordo com ele, é necessário desenvolver uma nova maneira de capitalizar essas empresas. “Esse modelo que existe no Brasil, de financiar as grandes empresas e esperar que elas puxem as pequenas, em

Biotecnologia,

mundial-

mente, não é o de maior sucesso. O modelo que está dando

porativas. “Há casos em que a empresa recebe o dinheiro, só que ela acaba gastando mal. Por quê? Porque ela não sabe como desenvolver o produto.

DOIS ANOS, 52%

É por isso que achamos que,

DOS EMPRESÁRIOS

nhos para o desenvolvimento

AFIRMARAM QUE O

talvez, um dos melhores camidas empresas seja o de elas apostarem mais em parcerias”,

PRINCIPAL É CAPTAR

diz Emrich. Segundo ele, as

RECURSOS

sas agregam não apenas recur-

parceiras com grandes empresos financeiros, mas, também,

próximos dois anos, 52% dos empresários afirmaram que o

resolver o problema do finan-

certo é o de investir na base da pirâmide, fazendo com que as pequenas consigam se transformar em médias ou, quem sabe, em grandes”, defende. Entre as razões para tamanha dificuldade, está o fato de as empresas de biotecnologia representarem riscos maiores e exigirem mais tempo de financiamento. A criação de fundos de capital de risco específicos para a área pode ser uma das soluções. “A existência desses

o conhecimento de como levar um produto ao mercado. É isso que a Ceelbio, de Minas Gerais, está buscando. A empresa, que tem quatro anos, agora está na transição para o desenvolvimento de produtos. “No estágio atual em que a empresa se encontra, estamos precisando mais de uma pessoa que nos ajude com serviços

Emrich, da Biominas: fundos específicos para a área podem financiar MPEs Paulo Valle

de Inovação 2011, na categoria

fundos é fundamental. Porque se existe um fundo que investe em Tecnologia da Informação e em Biociências, a chance de ele investir em TI é muito maior, já que o retorno é mais rápido e o risco é menor. A competição fica desigual”, afirma Emrich, da Biominas. Segundo ele, há iniciativas nesse sentido surgindo no país, como o Fundo Burrill, que está sendo estruturado, e até projetos da própria Biominas. Outra opção que os empre37


CAPA

Biominas, o problema não está só nos marcos em si, mas

_ONDE ESTÃO AS EMPRESAS?

também na falta de conhecimento dos próprios empre-

As empresas de biotecnologia se concentram, principalmente, em seis estados. Segundo dados do mapeamentos da BRBiotec, São Paulo possui cerca de 40% dos empreendimentos, Minas, 25%, e Rio de Janeiro, 13%. Outros estados com representatividade, ainda que menor, são o Rio Grande do Sul, com 8% das empresas, Paraná, com quase 5%, e Pernambuco, que tem em média 4% dos empreendimentos. Na avaliação dos especialistas, o cenário pode se descentralizar nos próximos anos. “Acredito que os próprios editais que têm valores diferenciados para as regiões menos habitadas estão conduzindo para que haja essa descentralização. As universidades também estão trabalhando para criar grupos de pesquisa sólidos fora do eixo Rio-São Paulo-Minas”, avalia Risola, do Cietec.

endedores. “Na maioria dos casos, as empresas reclamam da falta de clareza de prazos. O problema é que muitas vezes essa demora é provocada pelo encaminhamento errôneo do processo. A partir do momento em que se manda uma documentação em que falta algum estudo, ele se torna ainda mais lento na Anvisa”, explica. Outro desafio está em avaliar o valor intangível dos em-

e contatos do que uma pessoa

a clareza da legislação. “Para

preendimentos de biotecnolo-

que apenas invista financeira-

empresas que lidam com agri-

gia do país. “É um segmento

mente. Precisamos de alguém

cultura, veterinária ou saúde

que tem um tamanho de gera-

que vá acrescentar algo além

humana, os marcos são um dos

ção de riqueza muito pequeno

do dinheiro”, afirma Rosana.

maiores problemas. Se tenho

hoje, se olharmos sua repre-

A empresa está procurando

empresas nascentes que têm

sentatividade no PIB. Porém,

parcerias com gigantes do se-

que esperar cinco, seis anos

um dado muito importante,

tor. “O produto com o qual es-

para registrar um produto,

que a gente ainda não conse-

tamos trabalhando, o biovidro,

estou matando essa empresa.

guiu levantar, é: qual é o valor

depende muito do mercado de

Temos que conseguir otimizar

intangível dessas empresas?

odontologia e de ortopedia. En-

esse processo”, diz Kreutz.

Nos Estados Unidos, como 30%

tão, por exemplo, uma grande

Para Eduardo Emrich, da

área de implantes dentários seria um parceiro ideal para nós nesse momento, pois poderia entrar com suporte financeiro e ajudar a colocar o produto no mercado”, destaca. Marcos regulatórios Além da escassez de recursos,

os marcos regulatórios

46,9% DOS EMPRESÁRIOS DO RAMO

lor de mercado. No Brasil não temos isso”, comenta. Kreutz afirma que a Associação está tentando desenvolver uma metodologia para conse-

CONSIDERAM QUE

guir esse dado. “Eu tenho duas

UM DOS FATORES

fatura menos que o armazém

CRÍTICOS PARA

empresas diferentes. Uma delas da esquina. Mas se o governo olhar pra ela como o armazém

O SUCESSO DOS

da esquina está perdendo uma

logia: 46,9% dos empresários

EMPREENDIMENTOS

capacidade de geração de valor

do ramo consideram que um

É A CLAREZA DA

também são um dos principais gargalos do setor de Biotecno-

dos fatores críticos para o sucesso dos empreendimentos é 38

das empresas de biotecnologia estão nas bolsas, temos um va-

empresa que trabalhasse na

LEGISLAÇÃO

grande oportunidade, pois a que têm essas empresas é muito grande. É isso que queremos mostrar.” L


Divulgação/ITCP

INTERNACIONAL

P O R C A M IL A AU G U S TO

Do Brasil à África Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP), do Rio de Janeiro, participa de projeto que presta apoio ao desenvolvimento habitacional e urbano de Moçambique Depois de passar por 16 anos de guerra

A relação de parceiros da reconstrução

civil e por uma série de catástrofes natu-

inclui o Brasil. Em 2007, foi criado um

rais como secas e enchentes, o Moçambi-

projeto – coordenado pela Agência Bra-

que tenta se reconstruir. Nos últimos anos,

sileira de Cooperação – para incentivar o

o país, que fica localizado na costa orien-

desenvolvimento habitacional e urbano de

tal da África, realizou reformas político-

Moçambique. Dentre as várias instituições

-econômicas e vem recebendo, também,

participantes, está a Incubadora Tecnoló-

assessoria de outras nações para acelerar

gica de Cooperativas Populares (ITCP), da

o desenvolvimento local.

Universidade Federal do Rio de Janeiro. “O 39


INTERNACIONAL

Moçambique costuma receber a assessoria de europeus, como alemães e franceses,

_A RECONSTRUÇÃO DE UM PAÍS

mas acredito que nós, por termos mais Andrew Moore

contato com a população marginalizada no Brasil, oferecemos um modelo que pode incluir e trazer mais gente para o desenvolvimento econômico e social do país”, afirma Gonçalo Guimarães, coordenador geral da Incubadora. Com projetos em outras cidades do Brasil e da América Latina, a ITCP atua pela primeira vez em um país africano. O desafio é adaptar a metodologia de incubação à realidade de Moçambique, para incentivar a forA capital, Maputo: 16 anos de guerra civil abalaram a infraestrutura do país

Colonizado por portugueses, o Moçambique tornou-se independente em 1975, após uma luta liderada pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo). Logo depois de sua independência, no entanto, o país ingressou em uma guerra civil. O conflito durou 16 anos e teve início quando o governo moçambicano passou a apoiar grupos armados de movimentos de libertação que iam contra a minoria branca da vizinha Rodésia (atual Zimbabwe) e da África do Sul. Em retaliação, os governos desses países apoiaram a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), que entrou em combate com o Moçambique. A guerra durou até 1992, quando foi assinado um Acordo Geral de Paz. O conflito deixou mais de um milhão de mortos e provocou a fuga de milhares de moçambicanos, além de ter abalado a infraestrutura do país e os sistemas de educação e de saúde. Somado aos prejuízos causados pela guerra, o Moçambique também enfrentou catástrofes naturais como secas e enchentes, que agravaram a fome e a pobreza da população e prejudicaram ainda mais a infraestrutura local. Nos últimos anos, o país tem evoluído na busca pela estabilidade econômica e política. O Moçambique possui uma Constituição que assegura um sistema político multipartidário, eleições livres e uma economia de mercado e, graças ao retorno de refugiados da guerra civil e a uma reforma econômica, vem apresentando taxas de crescimento de 7% a 10% ao ano na última década. Atualmente, entre os principais desafios do governo estão diminuir a disparidade econômica entre as regiões Norte e Sul do Moçambique, promover a geração de emprego, sustentar o crescimento da agricultura, melhorar a saúde e reabilitar o sistema de energia e as estradas e pontes do país. 40

mação de empresas sustentáveis, principalmente no ramo de construção civil. “Vimos que lá existia uma necessidade de empresas capacitadas para a área de construção civil e de materiais como tijolos e telhas. Ficamos, então, com a tarefa de assessorar esses empreendimentos. Isso é essencial para o desenvolvimento da política habitacional do país”, afirma Guimarães. MERAʼs Em Moçambique, já existem, desde a década de 2000, as chamadas Micro Empresas Rurais Associativas (MERAʼs), e o papel da ITCP passou a ser o de ajudar esses empreendimentos a se organizarem de forma eficiente e planejada, colaborando com a criação de uma incubadora para eles. As MERAʼs são organizações criadas a partir de uma política pública moçambicana que possibilita que empresas locais realizem pequenas obras de infraestrutura urbana, como postos de saúde e escolas. Esses empreendimentos possuem um modelo organizacional com características tanto de empresa quanto de associação. “As MERAʼs já tinham bastante conhecimento técnico, porque recebiam assessoria de funcionários do Ministério de Obras Públicas e Habitação de Moçambique, mas ainda não tinham uma visão sobre como gerenciar o empreendimento em si”, afir-


INTERNACIONAL

Divulgação/ITCP

ma Guimarães. O trabalho da ITCP em Moçambique começou em 2009, no distrito de Namialo, e segue até o início deste ano, quando deve ser realizado o terceiro e último módulo do projeto. Um dos principais objetivos é capacitar técnicos do governo moçambicano para a implantação de uma incubadora pública de empreendimentos associativos, além de assessorar os próprios integrantes das cerca de 15 MERAʼs participantes da iniciativa. Os módulos incluem aulas teóricas e oficinas práticas e têm duração de cerca de uma semana. Nessas atividades, os técnicos do ITCP trabalham com a elaboração de estudos de viabilidade econômica, cursos de instrumentos de gestão e discussões sobre a sustentabilidade econômica dos empreendimentos, entre outras ações.

por visitar e assessorar os empreendimentos incubados.

Sustentabilidade

A ideia é que a incubadora passe a abri-

Para o coordenador da ITCP, um dos

gar, também, empreendimentos de várias

principais desafios da iniciativa está sendo

áreas, além da construção civil. “Existe

mudar a visão gerencial dos cooperados

uma ideia de que várias áreas sejam aten-

das MERAʼs. “Esse foi um grande nó. Os co-

didas e que a incubadora atue com foco no

operados realizavam os cálculos das obras

desenvolvimento local. Na minha opinião,

sem levar em consideração a empresa em

isso seria o ideal, mas vai depender de

si. Eles calculavam os custos como se tives-

como a equipe de Moçambique dará con-

sem apenas de atender aquela demanda e

tinuidade ao trabalho”, explica Guimarães.

depois a MERA não fosse mais ter conti-

Após o final do projeto, a ITCP planeja

nuidade”, explica Guimarães. “Por isso, ti-

utilizar ferramentas de Tecnologia da In-

vemos que trabalhar bastante nas oficinas

formação e Comunicação para seguir ca-

com a questão da sustentabilidade. Essa

pacitando os moçambicanos. Para Gonça-

mudança de visão foi um dos nossos re-

lo, é importante que o Brasil, agora que é

sultados mais importantes. Eles passaram

considerado uma potência econômica, re-

a ver a MERA como um órgão vivo e não

alize iniciativas como essa e colabore com

como um posto de trabalho que depois de-

o desenvolvimento de outros países, prin-

saparece”, relata.

cipalmente da América Latina e da África.

Quando a Incubadora Tecnológica de

“É essencial que o país realize ações desse

MERAʼs estiver consolidada, será utilizada

tipo como resposta para o mundo. Durante

a mesma metodologia que a ITCP aplica no

muito tempo nós recebemos assessoria de

Brasil para atender os empreendedores. A

outros países e acredito que agora é a nos-

instituição não funcionará em um prédio

sa vez de contribuir”, afirma. Sem dúvida,

fixo que abrigará as empresas. Os próprios

é uma bela pauta para agenda positiva do

técnicos da incubadora serão responsáveis

Brasil. L

Mulheres empreendedoras: cooperativas realizam pequenas obras de infraestrutura urbana

41


Mathias Cramer

CONHECIMENTO

Unidade da Braskem em Triunfo (RS)

P O R C A M IL A AU G U S TO

Fábrica de ideias Baseada no incentivo à criatividade e nas parcerias com universidades e empresas, a Braskem comprova que a estratégica gestão da inovação traz excelentes resultados

42

Ao ser questionado sobre as oportunida-

ciação. Para a Braskem, não importa se uma

des de parcerias da Braskem com pequenas

empresa é pequena, média ou grande. Esta-

empresas inovadoras, o diretor corporativo

mos em busca de parcerias que venham a

de Tecnologia da companhia, Antônio Luiz

nos somar em algo, pode ser com qualquer

Bragança, é enfático: “Não fazemos diferen-

empresa ou instituição.”


CONHECIMENTO

A declaração de Bragança exemplifica a postura que a gigante petroquímica vem adotando desde que foi criada, em agosto

_NÚMEROS DA INOVAÇÃO

de 2002. Hoje, com uma década de operação, a Braskem já se tornou um dos principais casos de sucesso de gestão da inovação no Brasil, utilizando um modelo que tem como um de seus pilares a operação via open innovation. O conceito de open innovation - promovido pelo professor da Universidade da Califórnia Henry Chesbrough – começou a ser divulgado em 2003 através do livro In-

novation: The New Imperative for Creating and Profiting from Technology. Na publicação, o professor defende que as empresas que desejam se tornar inovadoras precisam permanecer abertas a ideias externas e “externalizar” suas próprias tecnologias. Foi apenas um ano depois de Chesbrough ter publicado seu livro que a Braskem criou, em 2004, uma iniciativa para potencializar a inovação na empresa – já naquela época aberta a ideias externas. O Programa de Inovação Braskem, conhecido como PIB, é um sistema de

• Até o final de 2010, a Braskem contabilizava 400 patentes depositadas; • Possui três Centros de Tecnologia e Inovação, localizados em Triunfo, no Rio Grande do Sul, na cidade de São Paulo e nos Estados Unidos; • Conta com 240 pesquisadores contratados; • Mais de R$ 400 milhões em ativos de Pesquisa & Desenvolvimento; • Mantém oito plantas-piloto (plantas de processo em escala reduzida); • O investimento em inovação feito pela Braskem está entre os três mais representativos do Brasil; • Foi a primeira petroquímica brasileira a depositar uma patente na área de nanotecnologia; • .Venceu o Prêmio Finep de Inovação Tecnológica 2011, na categoria Grande Empresa.

gestão de inovação que tem como objetivo captar e implantar projetos inovadores na petroquímica. A meta do programa é

validação até serem efetivamente lançados

gerir com eficácia a criatividade ao longo

no mercado. O Programa, em conjunto com a estraté-

Por meio do PIB, propostas são coloca-

gia de abertura a parcerias da Braskem, deu

das em um banco de ideias e depois passam

certo. De fast follower, ou seja, de seguidora

por uma série de avaliações. “Temos um

rápida de tendências do mercado, a empre-

método de avaliação do potencial de gera-

sa tornou-se uma supridora de tecnologias

ção de valor das ideias. As propostas são

diferenciadas em uma área de commodities.

analisadas a partir de fatores como a visão

Só ao longo dos seus primeiros cinco anos

estratégica da empresa, a atratividade de

de funcionamento, o banco de ideias do PIB

mercado e a viabilidade técnica que aquela

reuniu cerca de 1,2 mil projetos, dos quais

ideia pode ter”, explica Bragança.

10% foram colocados em prática. “Hoje,

De acordo com o executivo, após pas-

cerca de 12% do nosso faturamento anual

sarem por essas avaliações, que são feitas

vêm de produtos lançados nos últimos três

por equipes multidisciplinares, as ideias

anos”, destaca Bragança.

Bragança: projetos inovadores são avaliados a partir da visão estratégica da empresa Divulgação/Braskem

do processo de inovação.

com maior potencial tornam-se projetos, que passam, novamente, por processos de

Inovação como estratégia

estudo de viabilidade, desenvolvimento e

Formada a partir da fusão de seis em43


Mathias Cramer

CONHECIMENTO

porada ao negócio da empresa”, afirma Bragança. O executivo cita como exemplo a presença da inovação na “Visão 2010” da empresa. Nela, a Braskem apresenta como um de seus objetivos desenvolver, por meio de pesquisa e inovação, resinas ainda mais úteis para as pessoas, destinadas a novas aplicações de produtos plásticos para a qualidade de vida e sustentabilidade. Outro objetivo da companhia, agora presente na “Visão 2020”, que também passa por inovação, é o de fortalecer seu portfólio de produtos de forma a torná-lo cada vez mais sustentável, ampliando, por exemplo, a participação de matéria-prima

Fábrica de eteno verde foi inaugurada no Rio Grande do Sul em 2010

presas, a Braskem, que é controlada pelo

renovável.

Grupo Odebrecht, já nasceu com uma infraestrutura complexa de laboratórios e

Química verde

de plantas-pilotos e, também, com uma

Como revelam as políticas da empresa,

equipe de Pesquisa & Desenvolvimento.

a Química Verde – produtos e processos

Hoje, a petroquímica possui três Centros

químicos que reduzem ou eliminam o uso

de Inovação e Tecnologia, dois no Brasil -

e geração de substâncias nocivas – são

em São Paulo e no Rio Grande do Sul - e

o principal foco da petroquímica atual-

um nos Estados Unidos. Neles, trabalham

mente. A área é coordenada, dentro da

mais de 200 pesquisadores. “A principal

Braskem, pela Unidade de Negócios In-

mudança com o surgimento da Braskem

ternacionais que, além de ser responsá-

foi que a inovação, na verdade, foi incor-

vel pela expansão da petroquímica para

_O PLÁSTICO VERDE

Um dos resultados mais emblemáticos da gestão de inovação da Braskem é o plástico verde, como é conhecido o polietileno produzido pela empresa a partir de etanol de cana de açúcar. A resina foi desenvolvida durante dois anos pela petroquímica, com a colaboração de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Durante esse período, os testes foram realizados em escala piloto no Centro de Inovação e Tecnologia da empresa, localizado em Triunfo, no Rio Grande do Sul. O plástico foi o primeiro do mundo a ser certificado como completamente renovável pelo laboratório Beta Analytic. O material, além de ser 100% reciclável, contribui com a redução das emissões de gases de efeito estufa, pois, durante o processo de fotossíntese, a biomassa realiza a captura de dióxido de carbono (CO2), que depois é fixado nos plásticos produzidos pela indústria. Empresas como Tetra Pak, Natura, Procter & Gamble e Petropack são algumas das pioneiras na utilização do plástico verde da Braskem em seus produtos. A Johnson & Johnson, por exemplo, passou a utilizá-lo em 2011, em sua linha de proteção solar Sundown. Os produtos possuem agora nas embalagens o selo “I’m green”, fornecido pela Braskem.

44


CONHECIMENTO

outros países, consolida as oportunidades

sos principais focos e onde mais estamos

em matérias-primas renováveis e biopolí-

buscando parcerias”, destaca Bragança.

meros.

Até 2017, a Braskem pretende dedicar

Em 2010, a fábrica de produção in-

1% por do seu faturamento às atividades de

dustrial de eteno verde foi inaugurada em

Pesquisa e Desenvolvimento. Hoje, o inves-

Triunfo, no Rio Grande do Sul, e é um dos

timento anual que a companhia realiza na área é de cerca de R$ 70 milhões. L

maiores marcos da caminhada da Braskem em rumo à sustentabilidade. A petroquímica investiu por volta de R$ 500 milhões no projeto. Por ano, a unidade produz cerca de 200 mil toneladas e consome cerca de 462 milhões de litros de etano.

_ALÉM DO PLÁSTICO VERDE: ALGUMAS INOVAÇÕES DA BRASKEM QUE NASCERAM DE PARCERIAS

Na mesma época em que a fábrica de eteno entrou em funcionamento, a empresa anunciou, também, que planeja colocar em operação no segundo semestre de 2013 uma unidade industrial de propeno verde. A nova fábrica deverá ter capacidade mínima de produção de 30 mil toneladas por ano. A expectativa é de que R$ 100 milhões sejam investidos no projeto. Para alcançar esse novo objetivo, de produção de polipropileno em escala industrial, em 2009 a Braskem firmou parceria com a empresa Novozymes, que é líder mundial na produção de enzimas industriais. E, com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a empresa possui desde 2010 uma parceria com o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio). Pesquisadores da petroquímica realizam pesquisas no laboratório sobre o uso de biotecnologia para o desenvolvimento de polímeros verdes. “Tentamos nos unir com empresas ou instituições que tenham competências diferentes das nossas e que nos ajudem no processo de inovação”, explica Bragança. Outro foco da Braskem está na pesquisa do processo de catálise, na mudança de velocidades das reações químicas. Em 2010, a empresa contratou 50 pesquisadores para trabalhar na área de P&D, sendo que metade desses profissionais realizarão pesquisas nessa área. “Hoje, a área de renováveis e de catálise são, realmente, nos-

Copo descartável de polipropileno Até 2002, todos os copos descartáveis eram produzidos no Brasil com a resina poliestireno. A Braskem, que na época estava construindo uma planta de polipropileno na cidade de Paulínia, interior de São Paulo, viu na fabricação de copos uma oportunidade de mercado para essa outra resina. Mas, para isso, teria que inseri-la no mercado. A petroquímica criou uma composição de resina de polipropileno para ser utilizada em copos e a catarinense Zanatta tentou utilizá-la. No entanto, as máquinas da empresa acabaram não sendo adequadas para a fabricação do produto. Era necessário outro maquinário, que, na época, teria que ser importado, a um custo que inviabilizaria o projeto. Por meio de uma parceria com a Zanatta, então, a Braskem desenvolveu máquinas adequadas à fabricação dos copos com a nova resina. Para comercializar o maquinário, foi criada a spin-off NTS Máquinas e Equipamentos e a tecnologia foi patenteada tanto pela petroquímica quanto pela Zanatta em 2003. Fibra de Utec Em conjunto com a empresa paulista Profil, que fabrica fios de polipropileno para o setor têxtil, a Braskem passou a produzir uma fibra de poliestireno de ultra-alto peso molecular, material conhecido como Utec. A fibra possui diversas aplicações, sendo uma delas a proteção balística. Primeira patente em nanotecnologia O primeiro projeto de ruptura da Braskem - um processo de incorporação do nanocompósito em resinas termoplásticas - foi desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A petroquímica tornou-se a primeira empresa do Brasil a depositar uma patente de nanocompósitos, em 2005. 45


Shutterstock

ESTUDO

384 incubadoras 2.640 empresas incubadas 2.509 empresas graduadas 1.124 empresas associadas 16.394 postos de trabalho nas incubadas e associadas 29.905 postos de trabalho nas graduadas

R$ 533 milhões em faturamento de incub adas R$ 4,1 bilhões em faturamento de graduadas

Números revelados pelo estudo realizado por Anprotec e MCTI em 2011

Um novo retrato Estudo da Anprotec, em parceria com o MCTI, revela que as incubadoras de empresas brasileiras atingiram a maturidade Iniciado na década de 1980, o movimen-

e melhor autoconhecimento do movimen-

to de incubadoras de empresas brasileiras

to, além de subsidiar e articular políticas

chega a 2012 colecionando conquistas e

públicas de apoio ao empreendedorismo

desafios típicos de quem atinge a maturida-

inovador”, afirma Guilherme Ary Plonski,

de. Os resultados de um estudo desenvolvi-

que presidia a Anprotec durante a elabo-

do no ano passado pela Anprotec, por meio

ração do estudo. Ele destaca, ainda, que o

de um convênio de cooperação técnica com

projeto complementa a avaliação feita re-

o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ino-

centemente pelo Sebrae para subsidiar sua

vação (MCTI), reforçaram essa percepção.

atuação junto a empresas inovadoras de

O projeto “Estudo, Análise e Proposi-

pequeno porte.

ções sobre as Incubadoras de Empresas no Brasil” tinha por objetivo atualizar a base

46

Estabilização

de conhecimento sobre as incubadoras de

A história das incubadoras de empresas

empresas, a fim de permitir uma melhor

no Brasil é marcada por conquistas. A im-

compreensão sobre evolução e tendências

plantação desses ambientes em diferentes

do movimento. “O estudo permitirá maior

regiões disseminou a ideia do empreende-


ESTUDO

dorismo inovador no país, desencadeando a consolidação de um dos maiores sistemas mundiais de incubação de empresas, que já

_O ESTUDO

passou por diferentes ciclos de evolução. Na primeira década do movimento, entre 1984 e 1993, foi registrado o surgimento de pouco mais de uma incubadora por ano, totalizando 13 ao final do período. O segundo ciclo está associado ao início do Plano Real, em 1994, e levou a um crescimento médio de 30% ao ano no número de incubadoras, até 2007. “O ciclo atual é de manutenção do número de incubadoras, em um patamar próximo a 400, e de um esforço planejado para o aumento da efetividade dessas instituições. Nesse sentido, é paradigmática a iniciativa Cerne, que já conta com o valioso apoio do Sebrae”, explica Plonski. O estudo também indica novos focos de atuação das incubadoras brasileiras. Idealizadas inicialmente para abrigar empreendimentos de setores intensivos em tecnologia, como informática, biotecnologia e automação industrial, as incubadoras tinham como

Resultado de um convênio de cooperação técnica firmado entre a Anprotec e o MCTI, o projeto “Estudo, Análise e Proposições sobre as Incubadoras de Empresas no Brasil” foi desenvolvido em quatro etapas: 1. Realização de pesquisa secundária, envolvendo um levantamento estruturado e uma avaliação de casos bem sucedidos no âmbito internacional, considerando-se o papel estratégico das incubadoras em relação à economia do país e as políticas públicas e soluções financeiras utilizadas; 2. Análise do cenário atual do movimento de incubadoras no país, por meio de aplicação de questionários e realização de entrevistas junto aos gestores de incubadoras, para levantamento e confirmação de informações; 3. Proposição de uma taxonomia para organização e estruturação do movimento brasileiro de incubadoras; 4. Definição de um conjunto de proposições para uma política pública de direcionamento do movimento de incubadoras.

maior propósito a criação de empresas com potencial para levar ao mercado novas ideias e tendências tecnológicas.

incubadas inova. Segundo o estudo, 15%

As respostas ao estudo indicam que

inovam em âmbito mundial, 55% em rela-

atualmente elas somam a esse objetivo o

ção ao mercado nacional e 28% em âmbi-

compromisso em contribuir para o cresci-

to local. “A fração de empresas incubadas

mento local, por meio do desenvolvimento

que inovam não apenas localmente, 70%, é

de novos produtos e serviços, geração de

notavelmente maior do que a verificada no

emprego e renda e criação de negócios de

universo das empresas inovadoras brasilei-

alta qualidade. “Os cenários atuais, seus de-

ras”, destaca Plonski.

safios e oportunidades, sinalizam para uma

Além desses aspectos, o estudo traz um

movimentação entre parceiros em prol do

panorama atualizado das incubadoras bra-

desenvolvimento sustentável, com base na

sileiras, incluindo informações e números

apropriação de conhecimento em todos os

relacionados às instituições e às empresas

recantos do país”, afirma a nova presidente

incubadas e graduadas (veja imagem na

da Anprotec, Francilene Garcia.

abertura da matéria), um benchmarking internacional, a proposição de uma taxono-

Empresas inovadoras

mia para classificação das incubadoras e,

O estudo confirmou que o critério essen-

por fim, as sugestões de políticas de apoio

cial para um novo empreendimento residir

às incubadoras. Nas próximas edições, Lo-

em uma incubadora brasileira é a inovação

cus trará reportagens especiais sobre as

que propõe. Atualmente, 98% das empresas

conclusões mais importantes do projeto. L 47


CULTURA P OR BRUNO MOR E S CHI

A minoria que arruinou um país Em cartaz nos cinemas brasileiros, Margin

Call - O Dia Antes do Fim é o primeiro longa metragem do diretor J.C. Chandor e tinha tudo para ser apenas mais um filme sobre executivos caricatos do mercado financeiro. Porém, surpreende como um dos melhores longas sobre Wall Street e suas regras, muitas vezes deturpadas. A maior parte da história se passa em um escritório de Manhattan, em plena crise financeira de 2008. O filme não dá nome à empresa em questão, mas fica evidente a relação com o banco Lehman Brothers. No dia em que vários executivos foram demitidos, um deles entrega um pen drive a um novato e o avisa que há revelações importantes em seu interior. Ali estão provas contundentes do escândalo financeiro mais vergonhoso que o mundo recente já teve notícias.

Margin Call é um filme de diálogos bem escritos e com um elenco formado por grandes atores norte-americanos, entre eles Kevin Spacey, Jeremy Irons, Simon Baker e Stanley Tucci. A exceção fica para Demi Moore que, como sempre, parece se esforçar para ser uma atriz de talento, mas não ultrapassa a barreira do mediano. Interessante é o fato de que a maioria desses nomes topou participar do filme sem receber um salário proporcional a suas famas. Tudo para ajudar uma produção que pretende escancarar os verdadeiros culpados da crise americana. Segundo a versão apresentada, os culpados seriam uma minoria de executivos que deixou os escrúpulos de lado para lucrar mais e mais até um nível absurdamente irreal, repassando para o resto do mundo a responsabilidade de pagar a conta pela esbórnia. Em uma das cenas, um personagem está dentro do carro, olhando para uma multidão de anônimos na rua. Ele comenta: “Olhe para essas pessoas, todas sem ter nenhuma noção do que está acontecendo.” Naquele dia, de fato, quase ninguém sabia que o amanhã da economia americana seria longo e penoso.

Margin Call – O dia antes do fim (EUA, 2011, 109 min). Dirigido por J.C. Chandor. Em cartaz nos cinemas.

Imperativo Visite a exposição da artista Jac Leirner, que ocupa a Estação Pinacoteca de São Paulo. Suas obras são feitas em grande parte por objetos do cotidiano. É o caso da série Adesivos, de 2004. Até 26/2. Leia o novo livro de Umberto Eco, O cemitério de Praga (Editora Record, 480 páginas). A história da obra apresenta personagens inusitados como um Sigmund Freud jovem e até mesmo Garibaldi. Leia também Uma providência Especial (Alfaguara, 304 páginas), romance escrito por Richard Yates. O autor ficou conhecido por escrever alguns dos mais importantes discurso do senador Robert Kennedy.

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CULTURA

O empreendedorismo no cinema Assim como os escândalos financeiros, trajetórias empreendedoras costumam render boas produções cinematográficas. Confira a seguir sete filmes sobre o tema que vale a pena assistir:

Jerry Maguire – A grande virada (EUA, 1996, 139 min). Dirigido por Cameron Crowe. Um executivo, interpretado por Tom Cruise, precisa reconstruir sua carreira, começando do zero. Para isso, ele decide não abandonar valores importantes, mas em falta no mercado, como a ética. Considerada uma das melhores comédias da década de 1990, o filme também fez com que o mundo conhecesse o talento da atriz Renée Zellweger. Julie & Julia (EUA, 2009, 123 min). Dirigido por Nora Ephron. Baseado em uma história real, o filme conta como uma funcionária pública decide mudar sua vida ao criar um blog para fazer as 524 receitas de um livro escrito pela cozinheira Julia Child há 50 anos. Como em qualquer filme que participa, Meryl Streep está sensacional.

Chocolate (EUA, 2000, 121 min). Dirigido por Lasse Hallström. O filme mostra a persistência e a força de vontade da proprietária de uma loja de chocolate – interpretada pela atriz francesa Juliete Binoche. O conservadorismo da pequena cidade onde ela instalou o negócio é o grande obstáculo que seu empreendimento precisa vencer.

O Sócio (EUA, 1996, 108 min). Dirigido por Donald Petrie. A hilária Whoopi Goldberg interpreta uma especialista em mercado financeiro que não consegue crescer na carreira por ser negra e mulher. Para isso, ela monta sua própria empresa e inventa um sócio homem e branco.

O Primeiro Milhão (EUA, 2000, 119 min). Dirigido por Ben Younger. O filme apresenta a rotina de jovens que mal chegaram no mercado de trabalho e já são considerados gananciosos e extremamente competitivos. Além disso, a produção deixa claro que a busca pelo sucesso a qualquer custo pode ser mais nociva que uma carreira mediana. Cidadão Kane (EUA, 1941, 119 min). Dirigido por Orson Welles. Um dos melhores filmes do mundo, Cidadão Kane mostra a ascensão de um magnata da imprensa dos Estados Unidos, assim como a solidão e a tristeza consequentes de algumas de suas escolhas. A história é inspirada em William Hearst, um milionário norte-americano.

O Triunfo dos Nerds (EUA, 1996, 150 min). Dirigido por Robert X. Cringely. Trata-se de um documentário fundamental para quem possui ou quer criar seu negócio na internet. A produção mostra os bastidores do lançamento do computador Apple 2 e a criação da Microsoft, dois marcos da história da rede. Poucas locadoras do Brasil possuem o filme em seu acervo, mas é possível vê-lo de graça no YouTube. 49


OPINIÃO

Novo Ministro

Divulgação

Maur ic io Gue des Diretor do Par que Te c noló gico da UF R J P residente da I A S P – A s s o c iaç ã o Inter nac ional de Par ques Te c noló gicos

A

conteceu antes do que se poderia imaginar. O Brasil tem hoje um ex-diretor de parque tecnológico ocupando o cargo de Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). É uma excelente notícia para abrir o ano em que a Anprotec comemora seu 25o aniversário.

Marco Antonio Raupp, matemático, doutorado pela University of Chicago,

ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), foi Diretor Geral do Parque Tecnológico de São José dos Campos, onde realizou um trabalho espetacular entre 2009 e 2011, quando se afastou para assumir a presidência da Agência Espacial Brasileira. Raupp foi também Diretor Geral do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC/MCTI), onde criou uma incubadora de empresas. Com um currículo invejável, esse gaúcho, meio carioca, meio paulista, meio mineiro, dono de um sorriso generoso, tem o espírito empreendedor para enfrentar os grandes desafios que terá pela frente. Em janeiro de 2011, em seu discurso de posse no MCTI, o senador Aloizio Mercadante declarou que uma de suas prioridades, talvez o maior desafio, se-

ria referente ao fomento à inovação. “Com efeito, o Brasil precisa de um grande pacto pela inovação. Todo conhecimento científico pode e deve contribuir para aumentar a nossa competitividade e melhorar a qualidade de vida de todos os brasileiros”, disse. Este artigo está sendo escrito antes da posse de Raupp, mas, mesmo sem conhecer o seu discurso, aposto que essa também será uma de suas prioridades. Entre os desafios de Raupp no início de sua gestão estará a discussão de dois projetos de lei relativos à criação do Código Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. A proposta é consolidar a Lei de Inovação e tratar de temas tão variados quanto a formação de recursos humanos, o estímulo à inovação no setor privado, o acesso à biodiversidade e o estímulo à construção de ambientes especializados e cooperativos de inovação – o que inclui os parques tecnológicos e as incubadoras de empresas. Além disso, será preciso recolocar o orçamento de CT&I nos patamares que permitiram ao Brasil avanços significativos na produção científica na última década e assegurar que a área não venha a ser prejudicada com o novo marco regulatório da indústria do petróleo. Para marcar ainda mais o início das comemorações dos 25 anos da Anprotec, pelo que se pôde acompanhar pelos jornais, a decisão final da presidente Dilma deu-se entre Raupp e o deputado Newton Lima, outro grande brasileiro, com uma brilhante trajetória como Reitor da Universidade Federal de São Carlos, prefeito da cidade, deputado federal com importante atuação na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática e, além disso tudo, membro do Conselho Consultivo da Associação. Ponto para a presidente Dilma, ponto para o Brasil. Sucesso ao ministro Raupp, um bom ano novo a todos e vida longa à Anprotec. 50


Programa de Capacitação

CERNE 2012 Workshop de Nivelamento Cerne 13/02/2012 - Florianópolis / SC

Inscrições até o dia 03/02/2012

Valores • Multiplicador (gestor de incubadora associada à Anprotec): R$ 250,00 • Consultor: R$ 400,00

Inscrições até o dia 03/02/2012 Obs.: Os participantes que fizeram o Workshop de Nivelamento Cerne realizado em 2010 nas cidades de Belém, Brasília, Florianópolis, Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro podem se inscrever no Curso de Implantação Cerne 1.

Curso de Implantação do Cerne 1 14 e 15/02/2012 - Florianópolis / SC

Inscrições até o dia 03/02/2012

Valores • Multiplicador (gestor de incubadora associada à Anprotec): R$ 350,00 • Consultor: R$ 600,00

Requisito Obrigatório: ter participado do Workshop de Nivelamento Cerne

Inscrições até o dia 03/02/2012 Saiba como participar no link www.anprotec.org.br/cerne2

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Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Inovadoras

Design ACOM/CERTI

O ambiente de incubação de empresas da Fundação CERTI

Ao completar 25 anos, o CELTA foi eleito a melhor Incubadora de Empresas orientadas para a Geração e Uso Intensivo de Tecnologia. Atualmente, é responsável pela Administração do ParqTec Alfa, pela Presidência da RECEPET e pela Diretoria da ANPROTEC. 52

Um empreendimento da:

CELTA - ParqTec Alfa Rodovia SC 401, km 1,

Tel. (048) 3239 2222 Fax (048) 3239 2200

Edifício CELTA Florianópolis - SC

celta@certi.org.br www.celta.org.br


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