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LOCUS Ambiente da inovação brasileira

Edição dupla Ano XVII | no 63 e 64 Outubro 2011

O DESAFIO DE CONSTRUIR TERRITÓRIOS MAIS COMPETITIVOS Inovação e apoio a iniciativas locais podem gerar um novo mapa do desenvolvimento no Brasil

O presidente da Finep fala sobre o futuro da agência e o fomento a MPEs

Como empresas nascentes podem conseguir dinheiro para seus projetos

As tendências de gestão para incubadoras e parques tecnológicos 1


EXPEDIENTE

Da redação

LOCUS Ambiente da inovação brasileira Ano XVII ∙ Outubro 2011 ∙ no 63 e 64 ∙ ISSN 1980-3842

A revista Locus é uma publicação da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) Conselho Editorial Josealdo Tonholo (presidente) Carlos Américo Pacheco Jorge Audy Marli Elizabeth Ritter dos Santos Mauricio Guedes Maurício Mendonça Coordenação e edição Débora Horn Reportagem Adriane Alice Pererira, Bruna de Paula, Bruno Moreschi, Camila Alves, Caroline Mazzonetto, Cora Dias e Talita Fernandes. Jornalista responsável Débora Horn MTb/SC 02714 JP Direção e edição de arte Bruna de Paula

A Locus mudou! Afinal, uma publicação que estimula a inovação não pode parar no tempo. Com novo projeto gráfico e editorial, esta revista tem a missão de servir como ferramenta de formação e informação a todos os envolvidos com o empreendedorismo inovador no Brasil. Por meio de reportagens apuradas com rigor, da colaboração de profissionais especializados e da articulação com o movimento, a Locus é destinada a promover negócios, estimular a criatividade, compartilhar informações estratégicas, formar opinião, debater temas polêmicos e

Colaboração Hiedo Batista

apontar o futuro.

Revisão Vanessa Colla

Para isso, a Locus fala com todos os agentes

Foto da capa Shutterstock

do empreendedorismo inovador. Dos jovens empresários nas incubadoras aos pesquisadores na universidade, das organizações promotoras da

Presidente Guilherme Ary Plonski Vice-presidente Francilene Procópio Garcia Diretoria Gisa Bassalo, Jorge Nicolas Audy, Renato de Aquino Faria Nunes e Tony Chierighini

inovação aos órgãos do governo que definem as políticas públicas para o segmento, dos investidores aos consumidores. Em uma rede cada vez mais dinâmica, todos são fontes, leitores, colaboradores e críticos da revista.

Superintendência Sheila Oliveira Pires

Nesta edição especial buscamos inovar não

Coordenação de Comunicação e Marketing Genny Coimbra

apenas no uso das cores e de diversos outros

Impressão Kako Gráfica & Editora

elementos gráficos, mas também em uma orde-

Tiragem 3.500 exemplares

nação de conteúdo segmentada, que permita a

Produção

Apoio

cada nicho de leitores identificar facilmente o bloco de matérias que mais o interessa. Esperamos que as mudanças agradem. Nós, da Redação,

Endereço SCN, quadra 1, bloco C, Ed. Brasília Trade Center, salas 209/211 Brasília/DF - CEP 70711--902 Telefone: (61) 3202-1555 E-mail: revistalocus@anprotec.org.br Website: www.anprotec.org.br Anúncios: (61) 3202-1555

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seguiremos empenhados em oferecer, de forma sempre inovadora, informação de qualidade a você, leitor.


CARTA AO LEITOR

Q

LOCUS

ual o caminho para o desenvolvimento? Tão inquietante quanto essa pergunta é a infinidade de respostas possíveis. Avanços sociais, crescimento econômico, ambiente favorável aos negócios, marcos regulatórios

bem definidos, políticas públicas eficientes. Em conjunto a uma série de outros aspectos, esses são elementos fundamentais à estrada que levaria ao desenvolvimento sustentável. Nos últimos anos, o Brasil tem acelerado o passo, conquistando melhorias sociais importantes e também uma economia mais sólida. À medida que esses avanços se consolidam, aumenta o desafio de fazer não apenas que se mantenham, mas também frutifiquem e gerem desenvolvimento efetivo. Eis que então surge outra via: a nova competitividade dos territórios, tema do XXI Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, promovido por Anprotec e Sebrae entre os dias 24 e 28 de outubro deste ano, em Porto Alegre (RS). Nesta edição especial, lançada no Seminário, a Locus buscou informações que permitam entender as características que tornam um território competitivo no contexto da economia do conhecimento. A partir da análise de especialistas, exposta na reportagem de capa, é possível concluir que o esforço para a inclusão de territórios diversos no processo de desenvolvimento passa, também, pelo apoio aos micro e pequenos empreendimentos e, ainda mais, à inovação. Inovação e inclusão são palavras de ordem quando falamos de economia criativa, tema da seção Oportunidade. A matéria relata um projeto que está em curso no Rio de Janeiro, e reforça o potencial das incubadoras sociais para transformar cultura em negócios. Na seção Sucesso, três empresas que nasceram em incubadoras e hoje são grandes comprovam que todo apoio recebido pode se reverter em benefícios para a sociedade. Os relatos e conselhos dos gestores de Bematech, Fotosensores e Chamma da Amazônia reforçam que a trajetória de qualquer empreendedor é marcada pela superação constante de desafios. Para suportar a pressão, o processo de mentoring, tema da seção Gestão, pode ser uma alternativa. Destaque também para um bloco de matérias, chamado Habitats, voltado a um público seleto: gestores de incubadoras e parques tecnológicos. Sustentabilidade, governança corporativa e capacitação profissional, além da busca por modelos internacionais bem-sucedidos são tratados em reportagens esclarecedoras que, junto ao restante do conteúdo, fazem desta Locus uma edição muito especial. Boa leitura!

Conselho Editorial

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ÍNDICE

56

NOVA COMPETITIVIDADE Em meio a importantes conquistas econômicas e sociais, o Brasil se depara com o desafio de estruturar um processo de desenvolvimento que insira diferentes territórios na economia globalizada. Boas condições de infraestrutura, disponibilidade de recursos humanos qualificados, valorização das iniciativas locais e capacidade de articulação social são fatores essenciais para um território competitivo

8

13

EM MOVIMENTO

OPORTUNIDADE

O presidente da Finep, Glauco Arbix, fala da atuação da agência e defende a avaliação dos projetos apoiados

De Norte a Sul do país, as novidades do movimento de empreendedorismo inovador

Conheça o Rio Criativo, projeto que, com a ajuda de incubadoras, promete impulsionar novos empreendimentos no Rio de Janeiro

36

44

50

INVESTIMENTO

GESTÃO

SUCESSO

A quem a empresa nascente pode recorrer quando precisa de dinheiro

O mentoring pode ajudar empreendedores e empresas a se desenvolverem

O segredo de Bematech, Fotosensores e Chamma da Amazônia para alcançar o topo

66 74 89 89 6

28

ENTREVISTA

INTERNAICONAL Em missão promovida por Anprotec e Sebrae, a Escandinávia encanta brasileiros pelos sistemas de inovação HABITATS Os caminhos para as incubadoras garantirem sustentabilidade financeira, implantarem práticas de governança corporativa e oferecerem a incubação virtual OPINIÃO “Pra não dizer que não falei de Jobs”, artigo de Mauricio Guedes BALANÇO As principais ações da Anprotec nos últimos dois anos e uma entrevista especial com o presidente, Guilherme Ary Plonski


_O MOVIMENTO

Saiba mais sobre as novas propostas de atuação da Finep, na ENTREVISTA com Glauco Arbix – entre outros objetivos, ele quer que a agência seja reconhecida como instituição financeira pelo Banco Central. Sempre EM MOVIMENTO , o empreendedorismo inovador está repleto de novidades, no Brasil e no mundo. A economia criativa promete transformar vidas e negócios no Rio de Janeiro, gerando OPORTUNIDADE . Em um artigo, a gerente de cultura do Instituto Gênesis destaca a importância das incubadoras sociais para apoiar empresas criativas. OPINIÃO de quem conhece. 7


João Luiz Ribeiro/Finep

A Finep mais abrangente Integrar instrumentos de fomento e ter a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) reconhecida como instituição financeira pelo Banco Central são os principais objetivos do sociólogo Glauco Arbix, que assumiu a presidência da instituição em janeiro deste ano. Arbix recebeu a Locus em Brasília (DF) para falar sobre a proposta de alterações no marco legal da agência, que inclui, além da criação da chamada FinepPAR, mecanismos para potencializar o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Com a experiência de ter presidido o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entidade que tem o planejamento estratégico como foco, Arbix alerta que os programas da Finep devem ser mais bem avaliados, de modo que os resultados dos investimentos sejam aferidos.

P OR COR A DI A S 8


ENTREVISTA > Glauco Arbix

LOCUS > Qual o papel desempenhado pela Finep no sistema brasileiro de inovação ?

funciona de forma parecida com um banco:

Glauco Arbix > A Finep é uma agência nacional

dições excepcionais; e a terceira que é a sub-

de inovação, com foco em fomentar toda ati-

venção econômica a empresas, possível a par-

vidade inovadora que se desenvolve no país,

tir da Lei da Inovação, de 2006. Subvencionar

nos mais diferentes domínios: universidade,

uma empresa significa transferir recursos para

centros de pesquisa, ONGs, empresas. Apesar

ela com condicionalidades, de forma a obter o

da inovação ocorrer em toda parte, nós temos

resultado na área de tecnologia que compense

muita clareza de que a empresa é o centro, por

não somente o investimento da empresa, mas

excelência, mais apropriado para transformar

também traga retorno para o público.

empresta dinheiro a juros subsidiados, em con-

uma ideia em produto, processo, novo negó-

Ao analisar o perfil de atuação da Finep, ve-

cio, nova forma de logística. Inovação não diz

remos que, apesar de ser a mesma instituição

respeito exclusivamente à tecnologia, mas diz

que controla e coordena os três instrumentos,

respeito à engenharia, ao novo que é lançado

ainda existe muita dificuldade para integrá-los.

no mercado e que assim o movimenta. Ou seja,

A gente não parte dos problemas das empre-

que gera postos de trabalho, renda, empregos

sas, dos centros de pesquisa, das incubado-

de melhor qualidade. A Finep tem como tare-

ras e dos parques tecnológicos, para realizar

fa premente que a economia do país seja mais

os investimentos. Aqui a posição é contrária,

inovadora. Por economia brasileira, entende-se

uma posição que, de forma vulgar, podemos

o conjunto de seus agentes, principalmente as

chamar de ofertista. O governo oferece uma

empresas grandes, médias, pequenas e micro.

série de instrumentos e as universidades, as

Todas elas têm o seu lugar nesse processo. En-

empresas e as incubadoras tentam se encaixar

tão, a Finep com os seus instrumentos, tem que

nos editais. Com isso, não temos conseguido

contribuir para elevar o padrão de competiti-

otimizar o investimento, que perde qualidade,

vidade e produtividade da economia brasileira.

e muitas vezes, se sobrepõe.

A Financiadora não faz somente isso, pois estimula também a produção de conhecimento novo nas universidades e centros de pesquisa. Assim, a Finep desempenha um papel essencial. Encontrar um equilíbrio entre a ciência básica e o desempenho das empresas é fundamental. A economia nacional precisa dar um salto e transformar o Brasil em um país mais inovador em todas as dimensões.

De que forma a Finep está atuando e pretende atuar para melhorar essa intersecção entre universidade e empresa, para transferência de conhecimento. Quais são os instrumentos que a Finep dispõe para isso?

“ENCONTRAR UM EQUILÍBRIO ENTRE A CIÊNCIA BÁSICA E O DESEMPENHO DAS EMPRESAS É FUNDAMENTAL. A ECONOMIA NACIONAL PRECISA DAR UM SALTO E TRANSFORMAR O BRASIL EM UM PAÍS MAIS INOVADOR”

E como alterar esse modelo?

Estamos buscando aquilo que se chama de

A nossa ideia é tentar fazer o contrário:

integração dos instrumentos. Hoje, a Finep tem

sentar com as empresas e discutir com elas os

três formas de recurso a oferecer: o não reem-

problemas que enfrentam para inovar. E não

bolsável, que são transferências realizadas para

trabalhamos com esse recorte de pequena,

universidades e centros de pesquisa e que não

média e grande empresa, mas com o recorte

têm retorno; o crédito, a partir do qual a Finep

das que fazem uso maior e menor de conhe9


ENTREVISTA > Glauco Arbix

cimento, ou seja, quanto mais conhecimento

nanceira. Ao emprestar dinheiro e receber

mais tem a ver com a atividade da Finep. Nessa

recursos de volta com juros, operamos como

conversa com as empresas, devemos oferecer

um banco. Mas o debate sobre essa nova insti-

várias soluções: ‘olha, uma parte dos seus pro-

tuição ainda está aberto. Ela pode ser um ban-

blemas pode ser resolvido com crédito, outra

co – um banco especial evidentemente –, uma

parte subvenção, outra parte programas coo-

agência nacional de fomento, uma agência de

perativos com universidades’. Assim consegui-

inovação, desde que tenhamos a oportunida-

remos essa intersecção do centro de pesqui-

de de operar as mais diferentes modalidades

sa e da academia com o mundo empresarial,

de operações financeiras. Nós gostaríamos de

o mundo dos negócios. Esse casamento nem

continuar operando o crédito, a subvenção e

sempre é fácil, ele é difícil, porque são entes

o não reembolsável, instituindo a FinepPAR,

institucionais muito diferenciados nos seus

para poder investir em fundos de venture ca-

objetivos, missões e temporalidade.

pital e de seed capital. A inovação exige essa maleabilidade, que permitiria à Finep uma abrangência de atuação muito maior. Por isso

“A FINEP TEM TRADIÇÃO DE PROMOVER

estamos tentando valorizar essa flexibilidade e

PROGRAMAS PARA AS PEQUENAS E MÉDIAS

faça diferença na economia. Quando começa-

EMPRESAS E NÃO HÁ INTENÇÃO ALGUMA DE DESCONTINUÁ-LOS”

dotar a Finep de meios e recursos para que ela mos a discutir esse tema, a ideia central era a seguinte: temos hoje uma Finep que investe R$ 4 bilhões por ano e queremos uma Finep que invista R$ 30 bilhões, R$ 40 bilhões. Então, toda nossa preocupação também com o marco

Existe uma discussão sobre o marco legal da Finep na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado. Quais os avanços previstos, nesse sentido? Essa discussão está avançada. As mudanças

legal é pensar o FNDCT, como otimizá-lo, de forma que possa ser potencializado. Estamos pensando na criação de vários novos fundos, para tornar o FNDCT mais robusto.

são no sentido de viabilizar uma FinepPAR, que seria uma agência a exemplo do BndesPAR. Se-

base tecnológica, orientadas para a inovação.

Na última década a Finep desenvolveu uma série de programas voltados para as micro e pequenas empresas. Como o senhor avalia esses programas e resultados até hoje?

Nós dicutimos isso em várias emendas e tam-

Eu acho que a discussão de MPE se coloca

bém como orientar e dar uma base de sustenta-

em um patamar diferente, mais focada em em-

ção mais clara para a Finep a partir do FNDCT

presas mais ou menos intensivas em conheci-

[Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico

mento. Então, o recorte de pequena, média e

e Tecnológico]. São medidas que discutimos

grande não é tão importante em um primei-

com os legisladores, para formação de emendas

ro momento. Evidentemente nós levamos em

às leis existentes. Há também uma preocupação

conta que uma pequena empresa tem necessi-

em montar o marco regulatório dos parques

dades, dinâmica e estrutura bem diferentes de

tecnológicos.

uma grande companhia e, por isso, deve rece-

ria uma Finep em condições de participar de forma associativa com empresas privadas de

ber uma atenção especial. A Finep tem tradi-

10

O objetivo é transformar a Finep em uma instituição financeira?

ção de promover programas para as pequenas

Na verdade, a Finep precisa ser reconhe-

de descontinuá-los. O que temos intenção, sim,

cida pelo Banco Central como instituição fi-

é de fazer uma avaliação muito fina de onde

e médias empresas e não há intenção alguma


ENTREVISTA > Glauco Arbix

João Luiz Ribeiro/Finep

estamos acertando e errando. Por exemplo, um dos programas que lançamos foi o Prime [Primeira Empresa Inovadora], que atingiu um número grande de empresas. Nas suas diferentes fases já houve um certo aprimoramento nos critérios e na eficiência, mas, mesmo assim, queremos fazer uma avaliação do impacto desses programas. Não é nossa intenção, para nenhuma modalidade de empresa, dar sustentação para o processo de modernização dessa empresa, ou apenas de gestão. Não quer dizer que eles não sejam importantes para a inovação. São super importantes e são prioritários, mas não é o nosso negócio. Expandir suas atividades, investir em infraestrutura, financiar importações são preocupações importantes

O Prime é só um exemplo. Há várias outras

das empresas, mas essas atividades não são o

modalidades que contemplam MPEs em nos-

foco da Finep. Temos que ter o foco na ino-

sos editais, mas fundamentalmente sabemos

vação. As MPEs que nos interessam são as de

que as pequenas empresas têm problemas

base tecnológica, com potencial de inovação,

para conseguir crédito, pois nem sempre têm

que geram conhecimento novo, processo novo

uma estrutura para sustentar, no médio prazo,

e negócio novo, mas não necessariamente me-

um financiamento. Por excelência, as ativida-

lhorias de gestão ou de modernização. Como

des que ajudam essas empresas mais frágeis a

muitas vezes os programas não são claramen-

florescerem são ligadas à subvenção econômi-

te delineados, muita gente entende de forma

ca, recursos que têm que retornar de alguma

um pouco distorcida a missão e o foco central

forma, como empregos de melhor qualidade e

da Finep. Então, fazer o balanço dessas ativi-

novos produtos no mercado.

Arbix: retorno público dos investimentos deve ser considerado no apoio a empresas

dades, dos programas, é o mínimo que nós podemos exigir de uma instituição séria como a Financiadora.

É dessa forma que a Finep pretende mensurar os resultados dos programas?

E como fazer essas avaliações?

editais de subvenção. Então, temos que ver

Claro. Nós investimos R$ 500 milhões em É fundamental avaliar onde os recursos fo-

qual o retorno público desses investimentos.

ram aplicados. Temos casos ultra positivos e

Se não conseguimos aferir, alguma coisa está

outros nem tão positivos assim. Os relatórios

errada. Geração de emprego, de riqueza e de

das incubadoras, parceiras da Finep no Prime,

novos processos são resultados efetivos. Quan-

trazem informações-chave e questões que,

do a Finep transfere recursos para uma empre-

acredito, devem ser discutidas com a maior

sa, tem que saber o que ela vai fazer com o

tranquilidade e não com base em preconceitos.

dinheiro. Se a empresa investiu em um proces-

Se você fala em avaliar o programa, alguém já

so absolutamente interno, os resultados serão

torce o nariz e diz que, na verdade, você está

percebidos no longo prazo, e podem ser im-

querendo suspendê-lo. Temos de fazer uma

portantes, mas teremos dificuldade de aferir.

avaliação com todo o rigor possível, ouvindo

Há casos de empresas que não têm o produto

os agentes, as empresas, os técnicos da Finep,

ou o serviço para mostrar, não têm inovação,

todos aqueles que foram envolvidos nos pro-

não têm impacto na geração de emprego ou

cessos a partir das atividades que definimos.

transferiram recursos públicos para outra em11


ENTREVISTA > Glauco Arbix

presa, especialmente consultorias, fazer aquilo

à inovação. Temos que saber, porém, como

em que elas deveriam inovar. Então, temos que

orientar a maior parcela do fomento, quais são

avaliar isso. Se não, como zelar pelo recurso

as áreas que têm ponto de contato com o fu-

público? No caso do Prime, há uma disposição

turo. O que se espera de uma agência é que

da Anprotec em nos ajudar nesse processo de

potencialize a capacidade de um país. Aqui,

avaliação, na identificação de problemas e vir-

temos de formar conhecimento onde não há, e

tudes, de forma que, nas próximas tentativas,

em outras áreas, mais evoluídas, dar um salto

façamos melhor. Agora, o que eu disse para

para equiparar ao que existe de mais avançado

os representantes da Anprotec, repito aos lei-

no mundo. Definir prioridades é delinear crité-

tores da revista: não haverá programa novo

rios para alocar recursos.

sem que tenhamos clareza da avaliação e do balanço, porque significa, mais uma vez, fazer um voo às cegas e o setor público é mestre em fazer isso. Nós não temos tradição, no Brasil, de fazer avaliações.

Qual o papel dos parques tecnológicos e das incubadoras nesse processo de inovação? O primeiro passo é haver uma definição muito clara do que são parques e incubado-

Há um aprendizado nesse processo, por-

ras. Eu considero esses dois agentes essen-

que o estatuto da subvenção é muito novo no

ciais para qualquer sistema nacional de ino-

Brasil. Vários países executam a subvenção

vação. São peças-chave, pois oferecem não

há muito tempo e o fazem intensamente. No

apenas infraestrutura, mas também a pos-

Brasil, a primeira experiência foi em 2006.

sibilidade de sinergia para as empresas que

Estamos tateando, é um trabalho muito ex-

querem inovar. Essa aglomeração é virtuosa.

ploratório e, por isso, a avaliação é essencial.

O fato de estarem juntos atrai novas atitudes,

E fazê-la em conjunto com associações, como

novas maneiras de pensar. As análises e pes-

a Anprotec, e também com empresas é fun-

quisas mostram isso. Essa concentração gera

damental, pois não se trata de uma análise

sinergia. Saber se os parques são focados ou

do ponto de vista exclusivo do staff da Finep,

não, se são temáticos ou não, é uma discus-

ou da entidade que deu suporte. Temos que

são muito circunstancial. Não há receita para

fazer em conjunto, porque há coisas que não

isso. Concentrar empresas de áreas diferen-

enxergamos e outras que os demais não en-

tes gera integração de modo muito virtuoso.

xergam.

Em outros casos, é preciso ter empresas semelhantes, focadas, como acontece no Vale

O Brasil tem uma cultura de pulverizar os investimentos. Precisamos traçar investimentos direcionados para setores específicos?

do Silício, experiência que todo mundo quer

Por setores ou áreas, traçar prioridades é

tudes diferentes por parte das empresas e das

essencial. Por exemplo, parque tecnológico

universidades. São experiências que merecem

não é setor, certo? Mas pode ser uma priori-

ser apoiadas em todos os sentidos. No Brasil,

dade. Se é prioridade não pode ter um edital

acho fundamental potencializar esses laços,

de R$ 40 milhões, temos que olhar o orçamen-

pois eles podem contribuir para o país dar

to. Energia é prioridade? Energia é pré-sal, é

o salto de tecnologia que é necessário. Isso

etanol, é heólica, é nuclear. É prioridade? É

pode abrir uma esperança, principalmente

um problema do mundo. Assim, temos que ter

se normatizarmos os parques, criando um

20%, 30% do orçamento da Finep dedicado à

marco regulatório mais específico do que o

energia.

existente hoje, permitindo colocar à dispo-

Priorizar não quer dizer tornar exclusivo, vamos sempre atender tudo que diz respeito 12

imitar. Seja como for, uma coisa é certa: essa concentração de esforços gera incentivos, ati-

sição formas de apoio e financiamento mais apropriados do que os atuais. L


EM MOVIMENTO P O R B R U N A D E PA U L A

Fotos: Divulgação

Brasil leva a maior delegação para a 28ª Conferência Mundial sobre Parques Científicos e Tecnológicos da IASP

A delegação brasileira, sob a liderança do presidente da Anprotec, Guilherme Ary Plonski, visitou parques tecnológicos e participou de debates e palestras sobre o tema “Roteiros para a navegação no futuro”

Os brasileiros formaram a maior delegação estrangeira na 28ª Conferência Mundial sobre Parques Científicos e Tecnológicos da IASP (Associação Internacional de Parques Tecnológicos), com 56 participantes, apoiados pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e pelo Serviço Brasileiro

da incubadora de empresas da Co-

rou-se identificar os fatores decisi-

de Apoio às Micro e Pequenas Em-

ppe/UFRJ.

vos para o sucesso ou o fracasso de

presas (Sebrae).

Com o tema “Roteiros para a na-

polos tecnológicos, com destaque

O evento, que aconteceu de 19

vegação no futuro”, a Conferência

para o processo de inovação aber-

a 22 de junho em Copenhague, na

foi centrada em três áreas básicas

ta. Os participantes brasileiros tam-

Dinamarca, foi conduzido pelo pri-

que afetam a base de Parques Tec-

bém chamaram a atenção para a in-

meiro presidente brasileiro da IASP,

nológicos: Pessoas e Competências;

tegração dos parques tecnológicos

Mauricio Guedes, diretor do Parque

Economia e Política; e Tecnologia &

às cidades e a importância do poder

Tecnológico do Rio e coordenador

Inovação. Nesses aspectos procu-

público como parceiro da inovação. 13


EM MOVIMENTO

Shutterstock

Evento mundial do setor de biotecnologia conta com participação pioneira do Brasil nodiagnóstico humano e vacinas terapêuticas anticâncer, a presença brasileira na BIO 2011 foi muito mais representativa na comparação com os eventos anteriores. “O pavilhão de exposição do Brasil chamou muita atenção pela sua estrutura e pelos temas de interesse sendo apresentados”, afirma. Kreutz também destacou uma evidente mudança de eixo das inovações em biotecnologia. “Um aspecto muito relevante foi o interesse de instituições norte-americanas em licenciar ou oferecer suas tecnologias a empreendimentos brasileiros, algo impensável há cinco anos. elaborado

Outro exemplo foi a assinatura de

mundial do setor de biotecnolo-

pelo Centro Brasileiro de Análise

um memorando de entendimento

gia, a Convenção Internacional BIO

e Planejamento (Cebrap), mostrou

entre a FK Biotec, uma empresa chi-

2011, que aconteceu entre 27 e 30

que metade das empresas do cres-

nesa e outra canadense para o de-

de junho, em Washington, nos Es-

cente segmento brasileiro de bio-

senvolvimento de uma nova vacina

tados Unidos, teve a participação

tecnologia tem suas raízes em in-

contra a tuberculose, um mercado

pioneira do Brasil no bloco das ses-

cubadoras de empresas e parques

global que movimenta bilhões de

sões internacionais. Com o apoio do

tecnológicos.

dólares. Essas são evidências claras

Considerado

o

maior

evento

Um

levantamento

Sebrae, a Anprotec selecionou cinco

Para o conselheiro da Anprotec,

de uma mudança de eixo no desen-

casos de sucesso de empresas bra-

Fernando Kreutz, participante ve-

volvimento de inovações tecnoló-

sileiras para serem apresentados na

terano da BIO e diretor da FK Bio-

gicas, da Europa e Estados Unidos

convenção.

tecnologia, empresa focada em imu-

para os BRICs”, conclui.

Brasil avança 13 posições no ranking de inovação

14

tina, por exemplo.

O Brasil subiu 13 posições no

dial de Propriedade Intelectual

Indicador Global de Inovação 2011

(Wipo, na sigla em inglês), agência

O Brasil se destacou em indica-

(The Global Innovation Index). O

ligada à Organização das Nações

dores como ambientes político e

ranking é calculado anualmente

Unidas (ONU).

regulatório e no aumento da pro-

pelo Insead, uma das principais

O país foi de 60º lugar para 47º.

dução científica, área em que o

escolas de negócios da Europa, em

Com esse resultado, o Brasil saiu

país cresce a um ritmo cinco vezes

parceria com a Organização Mun-

na frente da Rússia, Índia e Argen-

maior do que a média mundial.


EM MOVIMENTO

NORTE

Shutterstock

Assinado termo para instituir Incubadora de Políticas Públicas da Amazônia Amazônia (UNAMA), Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Universidade Federal de Roraima (UFRR), Universidade Federal de Tocantins (UFT), Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT). A missão da IPPA é servir de mecanismo de integração, articulação e operacionalização dos projetos de pesquisa e extensão do Fórum de Pós-graduação e Pesquisa em Desenvolvimento Sustentável da Amazônia. Por meio da Incubadora, espera-se promover a integração entre a academia, os institutos de pesquisa e órgãos públicos de planejamento, fomento e gestão de modo que possam apoiar e subsidiar o processo de Foi assinado no final de setembro,

Sustentável da Amazônia.

planejamento regional na Amazônia.

em Belém (PA), o termo aditivo para

Ao todo, 11 universidades assina-

Além disso, a proposta prevê a oferta

instituir a Incubadora de Políticas

ram a concordância para a criação

de serviços especializados de assesso-

Públicas da Amazônia (IPPA), que

da Incubadora: Universidade Federal

ria e capacitação de gestores públicos

será financiada pelo Banco Nacional

de Mato Grosso (UFMT), Universi-

na elaboração e gestão de planos e

de Desenvolvimento Econômico e So-

dade Federal do Pará (UFPA), Fun-

projetos públicos de desenvolvimen-

cial (BNDES). O documento foi firma-

dação Universidade do Amazonas

to. Promover o debate em torno dos

do pelas Universidades Amazônicas

(FUA), Universidade Federal do Acre

temas referentes ao desenvolvimento

que integram o Fórum de Pós-gradu-

(UFAC), Universidade Federal do

sustentável local e regional também

ação e Pesquisa em Desenvolvimento

Amapá (UNIFAP), Universidade da

está entre os objetivos da incubadora.

Unitins lança Núcleo de Inovação Tecnológica A Fundação Universidade do To-

da Amazônia Oriental, do Ministério

A posse e a adesão foram reali-

cantins (Unitins) lançou no início de

da Ciência e Tecnologia, chamado de

zadas durante o 1o Seminário sobre

outubro o Núcleo de Inovação Tec-

“Rede Namor”. A Rede tem objetivo

Aplicação da Lei de Incentivo à Ino-

nológica (NIT) da instituição. Além

de promover a realização de treina-

vação, promovido pela Secretaria Es-

da posse da diretoria, a instituição

mentos, eventos regionais e cursos

tadual de Ciência e Tecnologia e pela

também aderiu, por meio do NIT,

de pós-graduação na área de tecno-

Federação das Indústrias do Estado

aos núcleos de inovação tecnológica

logia e inovação.

do Tocantins (Fieto). 15


EM MOVIMENTO

NORTE

Amazônia terá doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia Shutterstock

Empreendedorismo inovador integra programação da FIAM

16

A Rede de Biodiversidade e Bio-

ra. O fato de ser composto por ins-

tecnologia da Amazônia Legal (Rede

tituições de vários estados implicará

A sexta edição da Feira Interna-

Bionorte) aprovou junto à Coordena-

que sua sede seja itinerante, mudan-

cional da Amazônia (FIAM 2011),

ção de Aperfeiçoamento de Pessoal

do de cidade a cada quatro anos.

cujo tema é “Amazônia e você – o

de Nível Superior (Capes) o doutora-

Participam do programa de dou-

encontro é aqui”, acontecerá de 26

do em Biodiversidade e Biotecnolo-

torado da Rede Bionorte a Empresa

a 29 de outubro, no Studio 5 do

gia, com conceito quatro. Em 2012

Brasileira de Pesquisa Agropecuária

Centro de Convenções, em Manaus.

devem ser oferecidas 50 vagas para

(Embrapa), a Fundação Oswaldo Cruz

A programação inclui rodadas de

qualificação no doutorado, cuja sede

(Fiocruz), o Instituto Nacional de Pes-

negócios e de turismo, salão de em-

inicial será na Universidade Federal

quisas da Amazônia (Inpa), Museu

preendedorismo inovador e jorna-

do Amazonas (UFAM), em Manaus.

Paraense Emílio Goeldi (MPEG), a

da de seminários.

O principal objetivo do doutora-

Universidade do Estado da Amazo-

Uma das principais atrações e

do é a integração dos estados da re-

nas (UEA), a Universidade Estadual

novidades desta edição é a área

gião Amazônica. A abordagem será

do Maranhão (UEMA), a Univer-

internacional, com espaço dedi-

multi-institucional e interdiscipli-

sidade do Estado de Mato Grosso

cado ao Ano da Itália no Brasil.

nar, em um trabalho contínuo para a

(UNEMAT), o Centro Universitário do

Reconhecida como a maior vitrine

conservação do bioma e o desenvol-

Maranhão (Uniceuma), além das uni-

de produtos amazônicos, a FIAM

vimento de um setor industrial ba-

versidades federais do Acre (UFAC),

é promovida pelo Ministério do

seado na biodiversidade amazônica.

do Amazonas (UFAM), do Maranhão

Desenvolvimento, Indústria e Co-

O Programa tem corpo docente

(Ufma), de Mato Grosso (UFMT), do

mércio Exterior (MDIC), por meio

formado por 99 doutores (sendo 89

Pará (UFPA), de Rondônia (Unir), de

da Superintendência da Zona

do quadro permanente e 10 colabo-

Roraima (UFRR), de Tocantins (UFT),

Franca de Manaus (SUFRAMA) e

radores), de 18 instituições dos nove

do Amapá (Unifap) e Rural da Ama-

consta no calendário oficial de fei-

estados da Amazônia Legal Brasilei-

zônia (Ufra).

ras e eventos do governo federal.


EM MOVIMENTO

NORDESTE

Divulgação

Empresas do Porto Digital estão entre as melhores para trabalhar no setor de TI

Representantes da Pitang, uma das embarcadas no Porto Digital, recebem certificado do Great Place to Work Institute

Quatro empresas embarcadas no

A Pitang foi formada dentro

Trabalhar” em mais de 40 países. O

Porto Digital, de Recife (PE), foram

do próprio Porto Digital, por meio

resultado tem como base a avaliação

reconhecidas pelo Great Place to

de um spin-off da área de projetos

do nível de confiança dos funcioná-

Work Institute (GPTW) como umas

comerciais do Centro de Estudos

rios em cinco dimensões: credibili-

das 95 melhores no país para se tra-

e Sistemas Avançados do Recife

dade, respeito, imparcialidade, or-

balhar no setor de TI&Telecom em

(C.E.S.A.R) e conta hoje com 240 co-

gulho e camaradagem. Também são

2011: Microsoft Brasil, Ivia Tecnolo-

laboradores.

consideradas nove práticas culturais

gia, IBM Brasil e Pitang. A avaliação

O Great Place to Work é uma

de gestão de pessoas das empresas:

foi realizada junto aos colaboradores

empresa global, especializada em

inspirar, falar, escutar, reconhecer,

das empresas, e o resultado foi pu-

ambiente de trabalho, e conduz a

desenvolver, cuidar, recrutar, cele-

blicado pela Revista Computerworld.

pesquisa “Melhores Empresas para

brar e compartilhar.

Calculadora ecológica avaliou impactos causados ao meio ambiente Os visitantes do espaço de Negó-

O aparelho coleta informações

quantas árvores deveria plantar para

cios Verdes e Sustentáveis da Feira

como a quantidade de aparelhos do-

retirar o gás carbônico emitido por

do Empreendedor 2011, realizada

mésticos que a pessoa possui, o lixo

suas atividades no meio ambiente.

em Salvador (BA), puderam conferir

que produz e quantos quilômetros

de perto uma calculadora ecológica.

percorre semanalmente para saber

O evento foi promovido pelo Sebrae entre os dias 4 e 8 de outubro. 17


EM MOVIMENTO

NORDESTE

Shutterstock

Empresa incubada é pioneira na produção de cogumelos comestíveis Por meio de um trabalho

mas de cogumelos por semana, das

de pesquisa em Microbiologia

espécies Shimeji Branco e Amarelo

realizado há mais de dois anos

e Shitake. A produção é destinada a

no Centro de Ciências Agrárias

grandes restaurantes de Maceió. A

(Ceca) da Universidade Federal

meta da empresa é aumentar a pro-

de Alagoas (UFAL), quatro alunos

dução e abastecer o mercado local,

do curso de Agronomia criaram

que hoje consome cogumelos vindos

uma empresa que busca intro-

de outras regiões do país.

duzir uma cultura inovadora em

A Fungial é apoiada pela Rede Ala-

Alagoas: a produção de cogume-

goana de Incubadoras de Empresas

los comestíveis.

e de Empreendimentos Inovadores

A empresa Fungos de Ala-

(RAIE), que faz parte de um projeto

goas (Fungial) está atualmente

financiado pelo Fundo Nacional de

instalada no Ceca, onde ocorre

Desenvolvimento Científico e Tec-

todo o processo de produção

nológico (FNDCT), promovido pelo

dos cogumelos, da manipula-

Ministério da Ciência, Tecnologia e

ção dos fungos à reprodução.

Inovação (MCTI), por meio da Finan-

A Fungial produz 3,5 quilogra-

ciadora de Estudos e Projetos (Finep).

Divulgação

Incubadora de Agronegócios de Mossoró promove evento sobre empreendedorismo em Mossoró (RN). Com o tema “Despertando para o Empreendedorismo no Semiárido”, o evento contou com a participação de gestores de empresas incubadas, empresários, estudantes, pesquisadores e professores Seminário reuniu mais de 200 participantes e ofereceu minicursos, com a entrega de certificados

da UFERSA. O Seminário promoveu um ciclo de palestras nas áreas de empreendedorismo e inovação tecnológi-

18

O estímulo ao empreendedoris-

ca, além de um minicurso sobre a

mo foi um dos temas discutidos no

normalização como ferramenta de

II Seminário da Incubadora do Agro-

inovação e competitividade para

negócio de Mossoró (IAGRAM) que

as micro e pequenas empresas. O

ocorreu entre os últimos dias 12 e

evento teve público superior a 200

13 de setembro na Universidade Fe-

participantes e contou com a parce-

deral Rural do Semi-Árido (UFERSA),

ria do Sebrae.

Piauí discute propriedade intelectual O Núcleo de Inovação e Transferência de Tecnologia da Universidade Federal do Piauí (Nintec/ UFPI) promove, entre 28 e 30 de novembro, o III Seminário de Propriedade Intelectual e Empreendedorismo Tecnológico (SemiPI) e o V Workshop de PI e Inovação Tecnológica (WorPITec). O evento será composto por minicursos e palestras sobre temas de propriedade intelectual, empreendedorismo e inovação tecnológica e contará com conferencistas e palestrantes da área. Para mais informações, acesse www.ufpi.br/nintec.


EM MOVIMENTO

NORDESTE

Divulgação

Encontro debate cooperação entre Brasil e França esforços em prol do desenvolvimento conjunto. O quarto encontro, pela primeira vez em uma capital nordestina, dará destaque a dois temas: Arranjos Produtivos Locais (APLs) e os Polos de Competitividade (modelo francês). O público-alvo são autoridades com poder de decisão e estima-se a participação de mais de 300 pessoas. O evento será realizado pela Universidade Federal do Ceará, em parceria com a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Prefeitura Municipal A segunda edição do evento (foto) foi realizada em Belo Horizonte (MG), em 2009. No ano passado, a cidade sede foi Lyon, na França. A edição deste ano vai acontecer em Fortaleza (CE)

de Fortaleza, Governo do Estado do Ceará, Frente Nacional de Prefeitos, Confederação Nacional de Municí-

Fortaleza (CE) recebe, entre os

das de desenvolvimento sustentável

pios, Associação Brasileira de Muni-

próximos dias 16 e 18 de novembro,

e fortalecer a cooperação descentra-

cípios, Governo da República France-

o IV Encontro da Cooperação Descen-

lizada franco-brasileira. A França é

sa, Cités Unies Frances, Universidade

tralizada Brasil-França. O evento tem

atualmente o maior parceiro da coo-

Estadual do Ceará, Universidade da

como objetivos desenvolver oportu-

peração brasileira, e desde 2006 os

Integração Internacional da Luso-

nidades e condições de cooperação,

governos nacionais, locais, estaduais

fonia Afro-Brasileira e a Associação

apresentar experiências bem sucedi-

e regionais dos dois países têm unido

dos Municípios e Prefeitos do Ceará.

Fapitec-SE lança edital para implementar núcleos de apoio à pesquisa em políticas públicas O edital, lançado no último dia

de estudos e pesquisas aplicadas

mil. No final do projeto está previsto

11 de outubro, é uma ação conjunta

em políticas públicas no estado de

que cada NAP publique os principais

da Fundação de Apoio à Pesquisa e

Sergipe.

resultados alcançados.

à Inovação Tecnológica do Estado

Destinado a pesquisadores de ins-

Os pesquisadores interessados

de Sergipe (Fapitec-SE), vinculada

tituições sediadas em Sergipe, o edi-

deverão submeter as propostas

à Secretaria de Estado do Desen-

tal prevê apoio para até 20 projetos.

através do sistema SIGFAPITEC,

volvimento Econômico, Ciências e

Ao todo, são oferecidas 40 bolsas

preenchendo o formulário eletrô-

Tecnologia (Sedetec). O principal

de pesquisa. Cada Núcleo de Apoio

nico de apresentação do projeto.

objetivo é implementar ações con-

à Pesquisa (NAP) poderá contratar

O edital está disponível no site

juntas que assegurem a realização

projetos num montante de R$ 150

www.fapitec.se.gov.br. 19


EM MOVIMENTO

CENTRO-OESTE

Divulgação

CDT/UnB completa 25 anos de incentivo ao empreendedorismo e à inovação tecnológica

O Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT/UnB) estimula o desenvolvimento de novos empreendimentos desde 1986

Pioneiro como Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) na Universida-

para incentivar a interação entre os

de conhecimento da Universidade

meios empresarial e acadêmico.

para diversos segmentos produtivos.

de de Brasília, o Centro de Apoio ao

O CDT tem contribuído para o de-

Um de seus programas, a Multincu-

Desenvolvimento Tecnológico (CDT/

senvolvimento econômico e para a

badora de Empresas, apoia mais de

UnB) completa 25 anos em 2011. A

consolidação de negócios no Brasil.

130 empreendimentos em três mo-

trajetória começou em 1986, quan-

Oferece serviços especializados para

dalidades: Incubadora de Base Tecno-

do Brasília, com ainda 26 anos, ne-

estimular novos empreendimentos e

lógica, Incubadora Social e Solidária,

cessitava de um polo tecnológico

promover a geração e a transferência

e Incubadora de Arte e Cultura.

DF lança chamada pública para apoio à pesquisa em agricultura orgânica A Fundação de Apoio à Pesqui-

20

de novembro deste ano.

par da chamada pública pesquisa-

sa do Distrito Federal (FAPDF) irá

As propostas têm que se enqua-

dores ou grupos de pesquisadores

financiar projetos de pesquisas

drar em umas das 18 áreas prio-

vinculados a instituições públicas

para o desenvolvimento científico

ritárias. Entre elas, manejo ecoló-

ou privadas de ensino e pesquisa e

e tecnológico em agricultura or-

gico da fertilidade e uso do solo,

empresas de pesquisa ou de exten-

gânica. Cada proposta selecionada

nutrição de plantas e desenvolvi-

são científica e tecnológica. Cada

receberá R$ 200 mil. A data limite

mento de insumos agrícolas para a

projeto terá prazo de dois anos

para submissão dos projetos é 16

produção orgânica. Podem partici-

para ser concluído.


EM MOVIMENTO

CENTRO-OESTE

Empresa residente no CDT/UnB participa do IBM Global Entrepreneur Divulgação

A IPe Engenharia de Redes, empresa apoiada pela Multincubadora de Base Tecnológica do Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (CDT/ UnB) participou do IBM SmartCamp Brasília, que foi realizado em agosto, na Universidade Católica de Brasília (UCB). A competição ocorre em oito capitais brasileiras e é direcionada a novas empresas, que trabalham o viés ambiental no desenvolvimento de seus processos e produtos. A IPe apresentou aos investidores convidados e executivos da IBM a Eco2Box, um hardware que monitora o consumo em cada ponto de energia de uma residência ou ambiente

A IPe desenvolveu um hardware que monitora o consumo de energia em cada ponto da residência e apresentou o projeto no IBM SmartCamp Brasília

comercial. O dispositivo calcula a pe-

de árvores que deveriam ser planta-

no Rio de Janeiro, em novembro. O

gada de carbono, ou seja, o consumo

das para compensar as emissões.

ganhador conhecerá o Vale do Silí-

energético equivalente em emissão

Dos 80 projetos apresentados

de gás carbônico, além do número

nacionalmente, dez irão para a final

cio e ganhará o apoio da IBM para que o projeto seja comercializado.

Fapeg inicia segunda etapa do Pappe-Integração Um comitê técnico composto por

tério de relevância avalia a abran-

arranjos cooperativos criados para o

representantes da Fundação de Am-

gência do projeto, o impacto do

desenvolvimento do projeto e a inte-

paro à Pesquisa do Estado de Goiás

produto ou serviço no mercado e a

ração com pesquisadores integram o

(Fapeg), da Financiadora de Estudos

sua importância estratégica para a

quarto critério. O quinto, avalia a ade-

e Projetos (Finep) e da Secretaria

sociedade.

quação do orçamento e da contrapartida aos objetivos, atividades e metas

de Ciência e Tecnologia (Sectec)

Outro item considerado é o grau

coordena o trabalho de especialis-

de inovação e impacto tecnológico no

tas na seleção de 103 projetos que

setor. O terceiro analisa a viabilidade

O resultado preliminar do progra-

passaram para a segunda etapa do

técnica, a adequação da metodologia,

ma será divulgado no dia 24 de no-

Pappe-Integração.

o acompanhamento e o cronograma.

vembro e o início da contratação dos

Os projetos serão pontuados em

A experiência e qualificação da em-

projetos a serem financiados será no

cinco critérios de avaliação. Um cri-

presa e da equipe, a adequação de

dia 12 de dezembro.

propostas em cada projeto.

21


EM MOVIMENTO

SUDESTE

Projeto de universidades mineiras prevê uso de biogás na siderurgia Shutterstock

Campinas terá terceiro polo tecnológico A Companhia de Desenvolvimento do Polo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec) começou a procurar um lugar para instalar o terceiro parque tecnológico na cidade, já que a disponibilidade de espaço nos dois polos em funcionamento está praticamente esgotada. Até o próximo ano, o novo local, que abrigará empresas dedi-

Pesquisadores da Universidade

carbono liberados para, através de

cadas à inovação, ciência e tecno-

Federal de Minas Gerais (UFMG) e da

biodigestores, transformar o lixo em

logia, será apresentado.

Universidade Federal de Ouro Preto

gases, que serão enviados para em-

(UFOP) desenvolveram o Biosid, uma

presas siderúrgicas, por exemplo.

Assim que for encontrada a área ideal, a prefeitura da cida-

tecnologia que propõe o uso do bio-

Do ponto de vista ambiental o

de paulista deverá indicá-la no

gás na produção de ferro-esponja e

projeto permite uma redução do ín-

Plano Diretor, declará-la de uti-

ferro-gusa, em substituição ao gás

dice de emissão do gás carbônico no

lidade pública, montar o projeto

natural e aos carvões mineral e ve-

segmento siderúrgico, já que o bio-

urbanístico e criar condições de

getal, respectivamente.

gás pode substituir o carvão mineral

atração de empresas, facilitando

A ideia é recolher o lixo orgâ-

nos altos-fornos. Na esfera econômi-

as negociações entre os proprie-

nico e os dejetos de quadrúpedes

ca, ajuda na diminuição da importa-

tários das áreas e os empreende-

utilizando o metano e o dióxido de

ção mineral.

dores.

Verba de R$ 7 milhões garante implantação do ParTec Rio Preto

22

A Secretaria de Desenvolvimento

de 845 mil metros quadrados e terá

O projeto prevê ainda uma es-

Econômico, Ciência e Tecnologia de

foco em pesquisa e desenvolvimento

tação experimental e um distrito

São Paulo anunciou a liberação de

de produtos e processos nas áreas

industrial para empresas com perfil

R$ 7,2 milhões em recursos para a

de saúde, instrumentação, química,

tecnológico, além de unidades de

construção do Parque Tecnológico

informática e agronegócio.

ensino superior, como o Instituto de

de São José do Rio Preto (ParTec Rio

Serão construídos dois edifícios,

Biociências, Letras e Ciências Exatas

Preto). A confirmação do repasse foi

que deverão abrigar o núcleo ad-

(Ibilce) da Universidade Estadual

feita durante o 1°Seminário ParTec,

ministrativo do parque e um cen-

Paulista (Unesp), a Faculdade de Me-

realizado no último dia 26 de agosto

tro empresarial, incluindo também

dicina de São José do Rio Preto (Fa-

na cidade.

uma incubadora de empresas de

merp) e a Faculdade de Tecnologia

O Parque Tecnológico de São

base tecnológica, laboratórios e

de São Paulo (Fatec). As obras terão

José do Rio Preto será implantado

auditório com 210 lugares para

início em 2012, com previsão de tér-

em uma área municipal com mais

convenções.

mino em 2014.


EM MOVIMENTO

SUDESTE

Shutterstock

São Paulo sedia III Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência Entre os dias 24 e 26 de outubro deste ano, São Paulo será sede da terceira edição do Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência. O evento vai analisar e discutir como os princípios do Desenho Universal têm influenciado a indústria brasileira no desenvolvimento de produtos e serviços voltados à funcionalidade, usabilidade e segurança. Integra o evento o Seminário Internacional e a Exposição de Produtos e Serviços desenvolvidos por universidades, centros de pesquisa e empresas, brasileiras e internacionais, selecionados a partir de três critérios: inovação, não disponibilidade no varejo convencional, e representativo avanço nos processos de reabilitação e/ou atividades da vida diária

Divulgação

das pessoas com deficiência.

Siemens investirá cerca de R$ 50 milhões no Parque Tecnológico do Rio A Siemens, um dos maiores

timentos de R$ 600 milhões

grupos de engenharia elétrica

no Brasil, sendo 50% em no-

e eletrônica no Brasil, anun-

vas fábricas e 50% em tec-

ciou a construção de um cen-

nologia e inovação. O centro

tro tecnológico que concen-

a ser construído no Parque

trará todas as suas atividades

exigirá R$ 50 milhões des-

de Pesquisa e Desenvolvimen-

ses recursos.

to no Parque Tecnológico da

Focado na área de petró-

Universidade Federal do Rio

leo e gás, o centro tecno-

de Janeiro.

lógico da Siemens deverá

A

empresa

anunciou,

ainda, um pacote de inves-

empregar cerca de 800 pesquisadores. 23


EM MOVIMENTO

SUDESTE

Incubada na UFMG usa mineração de dados para alavancar comércio na web Shutterstock

Oportunidade de parceria com pesquisadores dos EUA O programa Partnerships for Enhanced Engagement in Research (PEER) recebe até 30 de novembro propostas de pesquisadores de países em desenvolvimento interessados em desenvolver projetos em colaboração com cientistas dos Estados Unidos. O programa é uma parceria entre a United States Agency for International Development (USAID) e a National Science Foundation (NSF), cujo objetivo é proporcionar a cientistas de 79 países em desenvolvimento (incluindo o Brasil) apoio em projetos realizados em parceria com pesquisadores filiados à NSF. Os temas de maior interesse são agricultura e segurança alimentar,

Entre os maiores desafios das empresas

24

que

trabalham

com

os usuários, ancorado no comportamento deles no ambiente virtual.

comércio eletrônico está a com-

A empresa atua em duas áreas,

preensão, de forma precisa, do

por meio dos softwares OmniAds e

comportamento de milhões de

o OmniRec. O primeiro é especia-

internautas. Para fazer frente ao

lizado na otimização de peças pu-

problema, a OmniLogic, empre-

blicitárias na internet e o OmniRec

sa incubada em 2009 na Inova

trabalha recomendando produtos e

UFMG, desenvolveu um software

conteúdos em lojas virtuais e por-

capaz de alavancar negócios, re-

tais de notícias.

correndo à técnica de mineração

A empresa incubada na Inova

de dados. Este recurso computa-

UFMG atua em parceria com uma

cional é o responsável por produ-

rede de anúncios, a Advestising Ne-

zir informações relevantes a partir

twork (Ad Network), que une comer-

do cruzamento de grandes volu-

ciantes e publishers, em busca de

mes de dados disponíveis na web.

remuneração por seus espaços de

Por meio desse processamento,

publicidade. A OmniLogic concluiu

o sistema recomenda produtos, pro-

o processo de incubação em maio

pagandas e conteúdos diversos para

deste ano.

questões relacionadas à saúde global, impactos das mudanças climáticas, mitigação, biodiversidade, água e energias renováveis. Para a aprovação do projeto, serão avaliados aspectos como o tema selecionado, potencial da pesquisa, habilidade do pesquisador em atingir os objetivos propostos e o número de participantes envolvidos (como, por exemplo, estudantes, pós-doutores, jovens pesquisadores e cientistas do sexo feminino), entre outros. O valor do apoio parte de US$ 30 mil, e pode alcançar a ordem de US$ 100 mil, dependendo da dimensão do projeto. Mais informações: www.nationalacademies.org


EM MOVIMENTO

SUL

Antônio Carlos Mafalda / SECOM

Após investimento privado, Sapiens Parque anuncia novas etapas de expansão Após este aporte – equivalente a quase todo o investimento público já realizado no empreendimento – o Sapiens Parque anunciou a criação dos Conselhos Consultivos para os segmentos empresarial, técnico-científico, político-institucional e de sustentabilidade. Serão lançados três novos editais para construção de prédios para uso comercial, com áreas de 3,7 mil metros quadrados, 7,5 mil metros quadrados e 3,8 mil metros quadrados. Também será aberto o proMoacir Marafon, diretor da Softplan/Poligraph, assina o contrato, com o governador Raimundo Colombo e o presidente do Sapiens Parque, Saulo Vieira

cesso de ocupação da incubadora InovaLAB, já em operação no Sapiens Parque e que irá contar,

O Sapiens Parque e a Softplan/

milhões na construção da nova sede

até 2012, com um laboratório da

Poligraph assinaram, com a presen-

da empresa catarinense. Serão dois

Phillips para desenvolvimento da

ça do governador de Santa Catari-

prédios em uma área total de 15 mil

tecnologia OLED (Organic LED),

na, Raimundo Colombo, o contrato

metros quadrados no parque tecno-

atualmente em produção-piloto na

que prevê investimentos de R$ 23

lógico de Florianópolis.

Alemanha.

Pandorga Tecnologia, graduada na Incubadora Raiar, inaugura escritório em Londres A empresa Pandorga Tecnologia,

internacionais da Pandorga ocorreu

do órgão federal United Kingdom

processo

em 2010, quando fechou parcerias

Trade & Investiment (UKTI), que

de incubação na Raiar, da Pontifícia

com empresas londrinas. Para con-

auxilia a entrada de empreendimen-

Universidade Católica do Rio Grande

solidar a internacionalização, a Pan-

tos estrangeiros na Inglaterra. Com

do Sul (PUCRS) e está instalada no

dorga teve apoio da Agência Brasi-

apoio do UKTI, a Pandorga conquis-

Parque Científico e Tecnológico da

leira de Promoção de Exportações

tou espaço no Centro de Negócios

PUCRS (Tecnopuc), dá seus primei-

e Investimentos (Apex-Brasil), por

Devonshire Square e compartilha a

ros passos rumo à internacionaliza-

meio do Projeto de Extensão Indus-

área com outras empresas. Também

ção, com a inauguração do primeiro

trial Exportadora.

teve apoio do programa London &

que em 2010 encerrou

escritório em Londres. O início das relações comerciais

O governo britânico também contribuiu nesse processo por meio

Partners, que auxilia nos aspectos legais e em pesquisas de mercado. 25


EM MOVIMENTO

SUL

Empresa paranaense ganha prêmio de design O oxímetro de pulso Milli da Hi

inclusive com os médicos. O apa-

Technologies, empresa instalada

relho é usado para medir a quan-

na Incubadora Tecnológica de

tidade de oxigênio no sangue, um

Curitiba (Intec), do Instituto de

indicador do estado de saúde de

Tecnologia do Paraná (Tecpar),

pacientes, e transmite os sinais vi-

ganhou a medalha de prata

tais em tempo real para a equipe

do Prêmio Idea Brasil de De-

médica.

sign. O equipamento médico

Em 2010, a Hi Technologies foi

foi avaliado por designers

escolhida a melhor empresa incuba-

experientes e disputou

da do Brasil, na 14ª edição do Prê-

o prêmio com outros

mio Nacional de Empreendedorismo

produtos, como em-

Inovador, promovido pela Anprotec.

balagens e eletro-

No mesmo ano, a Intec foi escolhida

domésticos, já que a

a melhor incubadora.

competição não pos-

A Hi Technologies, incubada no Intec, desenvolveu um produto médico - o oxímetro de pulso Milli - que alia a inovação tecnológica ao design, em uma combinação entre estética e funcionalidade

O Prêmio Idea/Brasil é a edição

sui categorias distintas.

nacional do maior prêmio de design

Além da função médica, o

dos Estados Unidos, o International

Milli tem os mesmos recursos que

Design Excellence Awards (Idea),

os tablets e os smartphones e é um

que existe desde 1980 e foi criado

canal de comunicação para o pa-

pela Industrial Designers Society

ciente, que pode interagir com as

of America (IDSA) para valorizar o

pessoas com as quais se relaciona,

design.

Intec terá mais uma incubada desenvolvendo soluções em saúde

26

O sistema público de saúde do

sa i2m S.A. ganhou um incentivo:

os médicos e prestadores de serviços

Brasil poderá contar em breve com

teve o seu projeto aceito na Incuba-

em saúde, com base no resultado e

uma tecnologia moderna de coleta

dora Tecnológica de Curitiba (Intec),

na qualidade do atendimento ao pa-

de dados de pacientes, processa-

do Instituto de Tecnologia do Paraná

ciente.

mento de informações e gerencia-

(Tecpar).

O módulo de avaliação de desem-

mento informatizado e integrado,

O projeto consiste na criação

penho já está pronto e em opera-

que facilitará o controle de gastos

de software e na consultoria para

ção em algumas instituições, como

e melhorará a qualidade do atendi-

implantação e processamento dos

o Hospital Nove de Julho, em São

mento.

dados gerados pelo programa. Ele

Paulo, e também em alguns planos

Essa tecnologia de gestão inte-

abrange três grandes áreas: a ava-

de saúde. Os outros dois módulos

ligente da saúde, já utilizada com

liação do histórico dos pacientes, a

ainda precisam ser desenvolvidos e

êxito em países como Inglaterra e

avaliação de riscos – focada na pre-

integrados. O plano de negócios da

Estados Unidos, deverá ser oferecida

venção de doenças – e a avaliação de

empresa prevê investimentos da or-

ao mercado brasileiro dentro de seis

desempenho, que permite criar mo-

dem de R$1,5 milhão, com previsão

meses. Para desenvolvê-la, a empre-

delos de remuneração variável para

de retorno em dois anos.


EM MOVIMENTO

SUL

Shutterstock

Arvus Tecnologia desponta entre as top 20 do infoDev Global Forum

A empresa catarinense é a única no Brasil que desenvolve equipamentos para agricultura e silvicultura de precisão

A Arvus Tecnologia, de Florianó-

50 pequenas e médias empresas de

Network. Dessa forma, tiveram aces-

polis (SC), que desenvolve soluções

países em desenvolvimento. Além

so a outras oportunidades de finan-

para agricultura de precisão, foi elei-

da Arvus Tecnologia, outras duas

ciamento ligadas a iniciativas de ex-

ta uma das 20 melhores empresas

empresas brasileiras participaram

pansão internacional.

participantes do 4º Fórum Global de

do evento: a Ecobabitonga Tecnolo-

O Infodev Global Forum tem como

Inovação e Tecnologia Empresarial

gia, de Joinville (SC), que trabalha

objetivo aproximar a comunidade glo-

do Infodev, realizado entre 30 de

com tecnologia para a medição da

bal de tecnologia ligada aos parques

maio e 3 de junho deste ano, em Hel-

qualidade da água e foi selecionada

e incubadoras. Em 2009, o fórum foi

sinki, na Finlândia. As vencedoras

entre as top 50 do evento; e a INBD

promovido no Brasil, em Florianópo-

foram escolhidas pelo público que

Engenharia Eletrônica, do Centro de

lis, em parceria com a Anprotec e o

votou pelo site do evento, avaliando

Apoio ao Desenvolvimento Tecnoló-

Sebrae. Para a seleção das empresas,

critérios como protótipos, plano de

gico (CDT/UnB), de Brasília (DF).

a organização deu preferência a em-

As companhias participaram de

presas incubadas ou graduadas de in-

O Infodev Global Forum é orga-

rodadas com investidores anjos li-

cubadoras que atuam nos segmentos

nizado pelo Banco Mundial e, neste

gados à Angel Capital Association,

de aplicações para internet, tecnologia

ano, contou com a participação de

dentro da European Business Angel

ambiental e agronegócio.

trabalho e serviços oferecidos.

Mais um passo para a construção do Parque Tecnológico de Pato Branco No início de setembro, foi assina-

quadrados já foi concluída e aguarda

estrutura será edificada ao lado da

da a ordem de serviço para o início

a construção do imóvel, com mais de

Universidade Tecnológica Federal do

da construção do Parque Tecnológi-

5 mil metros quadrados.

Paraná (UTFPR). Além da Incubadora

co de Pato Branco, município locali-

Nesta primeira etapa, o Parque

Tecnológica Municipal, o complexo

zado no sudoeste do Paraná. A terra-

Tecnológico receberá investimentos

contará com centro de pesquisa, la-

plenagem da área de 17,2 mil metros

que ultrapassam R$ 9 milhões. A

boratórios e módulos industriais. 27


Shutterstock

OPORTUNIDADE

P OR BRUNO MOR E S CHI

No ritmo da criação Nosso país ainda caminha a passos lentos quando o assunto é economia criativa. Mas as incubadoras podem ajudar a recuperar o tempo perdido

28

Da música à gastronomia, passando por

ção, produção e distribuição de produtos e

moda, folclore e artes visuais, a economia

serviços que tenham o conhecimento como

criativa sempre se mostrou uma vocação

principal recurso. Aliando criatividade e tec-

brasileira. Porém, ao longo de décadas esse

nologia, valoriza o componente intelectual e

potencial deixou de ser explorado para ge-

associa o talento a objetivos econômicos.

rar negócios, trabalho e renda. Em meio a

Para quem imagina a economia criativa

diversos conceitos, a economia criativa pode

pequena em comparação com outros seto-

ser considerada um ciclo que envolve cria-

res, vale a pena olhar os números. Ela movi-


OPORTUNIDADE

menta US$ 3 trilhões por ano e já é responsável por 10% da economia mundial. Além disso, o setor tem um crescimento anual de

_PONTOS ESTRATÉGICOS

6,3%. Em outras palavras, é um tema de exShutterstock

trema importância para qualquer mercado. De acordo com o relatório de Economia Criativa 2010, publicado pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento, o mundo, de fato, amarga uma crise, com a queda de 12% no comércio global. O mesmo documento, porém, aponta que a economia criativa pode compensar essa perda, já que só em 2008 cresceu 14%. A lista dos países que mais investem na criatividade é liderada pela China. Em segui-

Engana-se quem pensa que os locais para a instalação do Rio Cria-

da, estão os Estados Unidos e a Alemanha.

tivo foram aleatórias. Ciente de que as incubadoras são capazes de

O Brasil, apesar de toda vocação, ainda não

transformar radicalmente a região onde estão inseridas, a Secre-

está entre os 20 maiores. Essa preocupante

taria de Cultura do Estado tinha na escolha do local onde os em-

realidade pode mudar a partir da transfor-

preendimentos serão instalados. A expectativa era fazer com que

mação que acontece no Rio de Janeiro – e

além dos novos negócios, a comunidade também fosse beneficiada,

tende a tornar-se um belo modelo para o

por meio da geração de novos postos de trabalho e a revitalização

resto do Brasil.

urbana no entorno das incubadoras. Após uma série de estudos foi decidido que, na primeira fase do

Exemplo fluminense

projeto, dois lugares serviriam como mais novo habitat da econo-

Foi em 2009 que a secretária de Cultura

mia criativa: a zona portuária da capital fluminense e o município

do Estado do Rio de Janeiro, Adriana Rattes,

de São João de Meriti.

se deu conta de um potencial pouco explo-

Na cidade do Rio, 16 empreendimentos inovadores serão insta-

rado. Em uma viagem para Europa, ela e

lados. A razão da escolha da capital carioca é bastante justificá-

sua equipe foram ver com os próprios olhos

vel: a cidade é internacionalmente conhecida, não só pela beleza

o que países como Inglaterra e Espanha

natural, mas por ser cenário de eventos culturais que têm tudo a

faziam para incentivar empreendimentos

ver com a criatividade. O Carnaval é apenas um dos mais emble-

ligados à economia criativa. A impressão

máticos exemplos.

foi de que o Brasil ainda engatinhava em relação ao tema.

Além disso, um dos maiores objetivos do Rio a ser cumprido antes das Olimpíadas é justamente revitalizar a zona portuária, hoje

Na tentativa de acelerar o processo, o

bastante degradada. A expectativa do governo é que a instalação

governo estadual criou o projeto Rio Criati-

de empresas criativas sirva como incentivo para que a região seja

vo, que já selecionou 21 empreendimentos

vista com outros olhos, atraindo mais investimentos e pessoas. Se

para ocupar duas regiões do Rio de Janeiro.

depender das previsões, a região de fato deverá mudar. A Prefeitura

A partir de janeiro de 2012, a zona portu-

estima que a população da zona portuária irá saltar de 20 mil para

ária e a Baixada Fluminense irão se tornar

100 mil habitantes nos próximos cinco anos.

sede das chamadas incubadoras de empre-

A segunda região onde serão abrigados os demais empreendi-

endimentos da economia criativa, que ofe-

mentos do Rio Criativo é um município que quer deixar de ser uma

recerão toda a infraestrutura necessária ao

“cidade dormitório”. Com cerca de 470 mil habitantes, São João de

o desenvolvimento de projetos que têm na

Meriti é cortada pela rodovia Presidente Dutra, que interliga diver-

criatividade seu maior diferencial. Respon-

sos pontos do estado do Rio de Janeiro.

sável por inaugurar a primeira incubadora 29


Fotos: Divulgação

OPORTUNIDADE

mil pessoas. A opção por incentivar o surgimento desses negócios em incubadoras também pode ser facilmente compreendida, pois pode reduzir o índice de mortalidade das novas empresas de 56% para 33% nos primeiros anos de atuação. Para o coordenador do Instituto Gênesis, José Alberto Aranha, investir no desenvolvimento da economia criativa também representa um forte incentivo à inclusão social. “As empresas desse setor são inclusivas. Elas aceitam pessoas de regiões pobres, sem a necessidade de um mestrado ou doutorado. O que essas empresas querem são pessoas criativas e isso pode ser encontrado em qualquer região e classe social”, afirma. Um exemplo disso foi o projeto Cinema Nosso, que nasceu quando o diretor Fernando Meirelles filmava o premiado Cidade de Deus. Ciente de que precisava de pessoas do bairro para atuar no filme, o diretor ocupou quatro andares de um prédio para capacitar pessoas que gostariam de trabalhar no cinema. A experiência despertou em alguns jovens da comunidade a vontade de seguir no ramo. A ajuda necessária veio com a incubação do Cinema Nosso no Instituto Gênesis. Cursos e oficinas baseados em diversas linguagens e tecnologias relativas ao setor de produção audiovisual, incluindo as áreas de cinema e animação, são o grande mote

Cinema Nosso em ação: capacitação de adolescentes e jovens para inclusão no mercado de produções audiovisuais

30

cultural da América Latina, ainda em 2002,

do Cinema Nosso, que segue capacitando

o Instituto Gênesis, da Pontifícia Universi-

adolescentes e jovens para incluí-los no

dade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio),

mercado de trabalho. Do projeto que nas-

coordenará o projeto.

ceu na favela, saem atores, iluminadores,

Para se ter ideia do pioneirismo da ini-

produtores, sonoplastas e diretores, que

ciativa, o Rio Criativo é o primeiro projeto

hoje totaliza 1,5 mil pessoas beneficiadas.

do país que conta com verba pública para

Em nove anos de existência, foram realiza-

fomentar ações ligadas à criatividade. En-

dos cerca de 50 cursos e 70 oficinas, além

tender o interesse do governo estadual nes-

da produção de mais de cem curta-metra-

se fomento é simples. Dados da Federação

gens, apresentados em diversas partes do

das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro

Brasil e do mundo, incluindo o prestigiado

(Firjan) apontam que, mesmo ainda sem

Festival de Cannes.

uma política de incentivo, esse setor já re-

Outra característica das incubadoras

presenta 17,8% do PIB do estado – o que

ligadas à economia criativa diz respeito à

equivale a R$ 54,6 bilhões – e emprega 82

ocupação do espaço urbano. “O aconselhá-


OPORTUNIDADE

vel é seguir o modelo do Rio e tentar criar as incubadoras em regiões que se apresen-

_AJUDA PRECIOSA

tam praticamente esquecidas pelo poder público”, explica Aranha. “Temos um exemplo de um país vizinho perfeito para mos-

Para integrar as incubadoras do Rio Criativo, os empreendimen-

trar a eficácia dessa ação. Trata-se do Puer-

tos passaram por uma seleção foi rigorosa. De 2750 propostas,

to Madero, uma região de Buenos Aires que

apenas 21 foram selecionadas. Os contemplados poderão contar

estava completamente abandonada e hoje

com uma série de ações para suporte e desenvolvimento. Entre

é um centro gastronômico importante na

elas, destacam-se:

América Latina”, afirma. O exemplo citado pelo coordenador do

- Consultoria e orientação completa para planejamento estratégico,

Instituto Gênesis é emblemático quando

gestão de planos de negócios e plano de marketing;

se trata de revitalização urbana a partir do fomento a novas atividades econômicas.

- Sala de uso privativo para sediar o empreendimento;

Hoje uma das áreas mais nobres da capital argentina, o porto que deu origem ao bair-

- Serviços de assessoria jurídica, assessoria de imprensa, programa-

ro Puerto Madero foi criado ainda no final

ção visual, marketing e seleção de recursos humanos;

do século XIX e cerca de 30 anos depois tornou-se obsoleto devido à inauguração

- Rede de negócios entre empreendedores culturais, clientes e par-

de um outro terminal portuário, que tinha

ceiros;

maior capacidade para receber grandes navios de carga. Abandonado por décadas,

- Espaço físico e serviços de infraestrutura para uso de todos os

Puerto Madero transformou-se em uma das

selecionados. Isso inclui salas de reuniões e auditório, serviços

áreas mais degradadas da cidade. Depois de

de manutenção predial, de segurança patrimonial e suporte de

diversas tentativas sem sucesso, a revitali-

rede;

zação começou na década de 1990, a partir de fortes investimentos públicos e privados.

- Serviços de apoio para a legalização do empreendimento;

A recuperação da paisagem urbana se deu com a restauração de antigos armazéns,

- Acompanhamento periódico do desempenho.

transformados em universidades, hotéis de que hoje atraem turistas de todo o mundo. Não há como negar: ainda temos muito o que fazer quando o assunto é economia criativa. Entretanto, exemplos como o Rio

Shutterstock

luxo e, principalmente, restaurantes e bares,

de Janeiro nos mostram que é possível reverter essa situação. Recentemente, o governo federal deu um passo importante nessa direção, criando a Secretaria da Economia Criativa. “A possibilidade de se desenhar políticas públicas nesse setor permitirá uma verdadeira transformação no Brasil”, afirma a secretária de Economia Criativa, Claudia Leitão. Resta agora transformar as palavras em ações concretas, pois não temos tempo a perder.

Puerto Madero, em Buenos Aires: revitalização urbana a partir do investimento em novas atividades econômicas 31


OPORTUNIDADE

_UM NOVO MODELO

Criado em 2010, o Rio Criativo é um projeto do Estado do Rio de Janeiro com um objetivo claro e bastante promissor: estimular o potencial das mais diversas áreas da economia ligadas a práticas criativas. O carioca Marcos André Carvalho, 38 anos, é quem coordena as ações do projeto. Formado em Jornalismo pela PUC-RJ, ele concorda que o Rio de Janeiro tem muito a ganhar com as Olimpíadas, anunciadas como um grande marco do desenvolvimento local. Mas quer ir além: “Nossas iniciativas não podem se ater apenas a um grande evento. Pensamos a longo prazo”, diz. Diante

Divulgação

das promessas do que virá e também do que já foi feito ele acredita que o Estado está no caminho certo.

as artes cênicas, a gastronomia e o desenvolvimento de games. Mas esses setores variam muito de acordo com a região. Nosso trabalho no Rio de Janeiro, por exemplo, mapeou 19 setores ligados à economia criativa. E como veio a ideia de criar o Rio Criativo? Podemos dividir esse início em duas partes. Em primeiro lugar, a ideia surgiu da secretária de Cultura, Adriana Rattes em conversas com o economista e presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), André Urani. Ele e a equipe do Instituto desenvolvem um interessante projeto no Rio de Janeiro que discute opções alternativas à indústria do petróleo no estado. Nessas conversas, ele mostrou que há uma tendência mundial para fomentar as indústrias criativas. A força desse setor nos impressionou muito. Mesmo assim, ficava claro para todos nós que o Rio de Janeiro e o Brasil como um todo não estavam priorizando esse tema. Ou seja, inicialmente foi essa percepção de que não estávamos atentos a

Locus > Antes de qualquer coisa, uma pergunta bási-

um setor que muitos países consideram essencial.

ca, mas importante para entendermos o assunto. O que diferencia um projeto ligado à economia criativa de um

E como isso evoluiu?

projeto tradicional?

Veio uma questão especialmente ligada ao Rio de

Carvalho > A maioria dos especialistas concordam que

Janeiro. Muitas pesquisas apontam que o Rio possui

a economia criativa é um conceito que está em constru-

grande parte do seu PIB relacionado a áreas da econo-

ção. Provavelmente, nunca iremos chegar a um conceito

mia criativa. Essa participação é muito maior do que em

fechado, já que se trata de um tipo de economia em cons-

qualquer outro estado brasileiro.

tante evolução. Mas para não ficar apenas na abstração, é possível definir a economia criativa como um grupo composto por até 20 setores e que hoje são os que mais

32

Quais são as razões que levam o Rio a se destacar tanto na economia criativa?

crescem e geram empregos no mundo. Como exemplo,

A criatividade é a vocação do Rio. Temos aqui emissoras

posso citar o audiovisual, a arquitetura, as artes visuais,

de televisão, companhias teatrais, produtoras de cinema,


OPORTUNIDADE

(Entrevista: Marcos André Carvalho)

gravadoras e projetos ligados à moda. Além disso, o Rio

dem ser usadas por apenas os 21 contemplados. Elas

costuma atrair grande parte dos artistas brasileiros. A

estarão abertas para o público geral e terão a obrigação

maioria deles querem morar aqui, pois acham o estado

de oferecer consultorias gratuitas. E a razão disso está na

um local inspirador. Em resumo, temos isso no nosso DNA

sua pergunta: trata-se de dinheiro público.

e precisávamos usar a nosso favor. Foi dessa maneira que se criou essa política pública voltada à economia criativa.

Antes de começar o Rio Criativo, uma equipe da Secretaria de Cultura participou de uma missão para

E como funciona o projeto?

ver como outros países estão incentivando esse se-

Nossa intenção inicial é ocuparmos com incubadoras

tor. Como o Brasil está em comparação aos locais

dois espaços do Rio de Janeiro. Trata-se do Porto do Rio

visitados?

de Janeiro e a Baixada Fluminense da cidade de São João

Isso aconteceu em 2009 e focamos nossa viagem na In-

do Meriti. São áreas maravilhosas, mas que precisam ser

glaterra e Espanha. Tivemos duas impressões. A primei-

revitalizadas. Queremos fazer isso com a instalação dessas

ra é que de fato temos muito o que fazer. Esses países

incubadoras.

realmente investem em projeto criativos. Mas também vimos que não adianta apenas copiar as ações desenvol-

Como escolher as empresas que serão abrigadas nessas incubadoras? É preciso selecionar de uma maneira transparente. Por

vidas por lá. Temos que incentivar ações ligadas à nossa vocação e história. Aprendemos muito nessa viagem. Mas também temos muito o que ensinar.

isso, fizemos um processo seletivo para empreendedores de 19 setores ligados à economia criativa. Como pensamos em um projeto de longo prazo, a seleção pedia

Foram as Olimpíadas que estimularam a criação do Rio Criativo?

não apenas uma ação pontual desses empreendedores,

Não há dúvida que as Olimpíadas e a Copa do Mun-

mas sim, um modelo de plano de negócio. No total,

do irão mostrar o Rio de Janeiro para o mundo de uma

2.750 projetos se inscreveram, número esse que consi-

forma nunca antes apresentada. Nossas iniciativas não

deramos muito grande e que nos impressionou pela qua-

podem se ater apenas a um grande evento. Pensamos

lidade das propostas. Desse total, escolhemos apenas 21

em longo prazo. Queremos aproveitar essa oportunida-

empreendimentos. Foram projetos muito diversos: de

de para reforçar o Rio de Janeiro no imaginário mundial.

artesanato a cinema, passando por moda, gastronomia

Queremos mostrar que somos a cidade da música, da

e tantas outras áreas. Agora estamos na fase de adequar

moda, onde todos querem morar.

os locais das incubadoras. A inauguração está prevista para janeiro de 2012.

A partir dessas iniciativas, como você vê o Rio daqui a 10 anos?

Como o Rio Criativo é um projeto custeado pelo di-

É muito difícil responder, pois estamos em meio a um

nheiro público, qual será o ganho para a sociedade flu-

enorme processo de construção. Nossa grande respon-

minense?

sabilidade é unir poder público, universidades e a socie-

O ganho mais óbvio é termos um Estado que incenti-

dade civil imediatamente, pois o tempo é, de fato, curto.

va a criatividade na sua mais ampla concepção. Mas há

Vivemos um momento único para a região e precisamos

também outro ponto muito interessante que defende-

incentivar ao máximo as soluções criativas. Se estiver-

mos desde o início da ideia. Essas incubadoras não po-

mos articulados e decididos, tudo vai dar certo. L

33


Cultura propulsora Divulgação

Julia Zardo G erente de c ul t ura empre ende dora do Ins t i t u to G ê nesis

O

século passado foi marcado por profundas mudanças nos campos políticos, econômicos, sociais, culturais e tecnológicos, incluindo a desmaterialização dos processos produtivos – que passaram a incorporar com mais vigor a informa-

ção e o conhecimento na produção de bens. A supremacia dos conteúdos imateriais, simbólicos e intangíveis nas relações sociais dá substância à economia do conhecimento, formando um cenário adequado a possibilidades inovadoras e criativas. A importância cada vez maior do conceito de indústrias criativas surge associada às abordagens que identificam seu grande potencial de geração de trabalho, emprego, inovação, produtos/serviços, renda e riqueza, tratando-se do setor emergente mais dinâmico em nível internacional. A Economia Criativa foi descrita pela primeira vez em 1998 no relatório elaborado por uma força tarefa do governo do Reino Unido como sendo a força motriz do futuro econômico da região. Experimentamos atualmente a confirmação econômica destes dados quando, em 10 de agosto deste ano, a Apple alcançou o topo do ranking de valor de mercado superando

uma enorme representante da “velha economia”, a Exxon Móbil. A valorização e disputa dessas duas vertentes diferentes do capitalismo é emblemática e nos faz pensar em como se posicionar nesta nova era. No Brasil, segundo a RAIS do IBGE de 2006, o PIB total da cadeia criativa representou naquele ano R$ 381,3 bilhões – correspondente a 16,35% do PIB do país. As incubadoras e os agentes de estímulo e apoio a empreendimentos devem se posicionar como protagonistas na geração de ambientes criativos, na motivação e valorização de iniciativas de promoção de habitats que concentrem fatores de estímulo à inovação produtiva e criativa. Esses ambientes têm se tornado cada vez mais importantes nos processos de desenvolvimento socioeconômico de regiões, com foco principal na inovação, na cooperação, no capital social e na valorização dos aspectos culturais locais. A rede de micro e pequenas empresas, atuando de forma integrada com o poder público e centros de ensino e pesquisa, pode gerar a inovação para diferenciação com criatividade em novos modelos de negócios, resignificando antigos espaços e criando atmosferas abstratas e objetivas para ambientes produtivos e inovadores. Algumas iniciativas no Brasil, como Rio Criativo (RJ), Porto Digital (PE) e Sapiens Parque (SC), já estão traduzindo seus convencionais mecanismos de geração de empreendimentos em instrumentos de desenvolvimento social, econômico e local com foco nos negócios criativos. A partir de agora, cada vez mais será necessário investigar o papel da economia criativa e o estímulo sustentável aos seus empreendimentos, pensando caminhos que tomem a cultura como propulsora de uma nova transformação social. 34


_EMPREENDEDOR

Dos financiamentos bancários aos editais de fomento, passando por venture capital, descubra qual a melhor forma de conseguir dinheiro para o INVESTIMENTO que seu negócio precisa. Fernando Kreutz escreve sobre a força que motiva a criação de empresas. OPINIÃO de empreendedor. Se o problema é equilibrar a GESTÃO do negócio e da vida, o mentoring pode ajudar a definir e atingir metas. Nem pense em colocar um produto no MERCADO sem avaliar sua conformidade. O conselho de quem já conquistou o SUCESSO é claro: persista. Conheça a história de Bematech, Fotosensores e Chamma da Amazônia, ex-incubadas que deram muito certo. 35


Shutterstock

INVESTIMENTO

P O R C A R O L I N E M A Z ZO N E T TO

O caminho do pote de ouro Conseguir recursos para bancar uma empresa nascente nem sempre é tarefa fácil, mas há opções no mercado para todos os gostos e possibilidades

36

Não basta apenas ter uma ideia e um

em troca de participação acionária. Mas

plano para colocá-la em prática: é preciso

não adianta somente conhecer as fontes

ter dinheiro para fazer acontecer. Essa é

de recurso. O caminho exige estar prepa-

uma realidade com a qual qualquer empre-

rado para encontrá-las e saber qual forma

endedor se depara logo que resolve abrir

de captação se encaixa melhor no perfil do

um negócio. Muitos não sabem como agir

negócio.

para vencer a falta de dinheiro. Entre as

Um levantamento divulgado em se-

opções disponíveis no mercado estão os

tembro deste ano pela Serasa Experian

financiamentos, por meio de empréstimos

revelou que as pequenas e microempre-

bancários, os recursos públicos concedidos

sas foram as que mais buscaram crédito

por órgãos de fomento e a capitalização

no último mês de agosto, com crescimen-


to de 6,6% em relação a julho. Elas tam-

programa de inovação que vislumbre a

bém lideraram a busca por empréstimos

execução de bolsas já existentes em âmbi-

na comparação com agosto de 2010 – o

to nacional e fontes de recursos propícias

aumento foi de 7,8%. Entre outros fato-

às empresas que estão nascendo”, explica

res, essa evolução é resultado de uma

a presidente da Fapeal, Janesmar Caval-

evolução na postura dos bancos, que vêm

canti.

criando diretorias e unidades de negócio

Participar de editais públicos de finan-

específicas para micro e pequenas empre-

ciamento a atividades de P&D foi o que

sas, ou pequenas e médias. “Os grandes

fez o empreendedor Israel Rojas Cabrera

bancos estão tentando ser mais competi-

para bancar a montagem do laboratório,

tivos nesses mercados. Há cinco anos isso

a compra de material de consumo e os

não era tão comum”, afirma o professor

testes de análises da Bioactive, da qual

de Empreendedorismo da Fundação Car-

é sócio-fundador. A empresa, incubada

los Alberto Vanzolini e pesquisador do

desde 2007 no Centro de Inovação, Em-

Núcleo de Política e Gestão Tecnológica

preendedorismo e Tecnologia (Cietec), de

da Universidade de São Paulo (PGT/USP),

São Paulo (SP), produz polímeros matrizes

Marcelo Nakagawa.

para a regeneração de tecidos humanos e

Empréstimos desse tipo, porém, exi-

teve cinco projetos aprovados em editais

gem uma série de cuidados. “O empreen-

– entre Fapesp, Finep e CNPq. O último de-

dedor acha que o banco vai dar dinheiro

les, ainda em andamento, é o de Subvenção

fácil, mas a instituição financeira está

Econômica da Finep.

interessada em ter garantias nesse pro-

Apesar dos cinco projetos de fomento,

cesso”, ressalva Nakagawa. Além de der-

grande parte do investimento feito para

rapar na hora de listar garantias, muitos

alavancar a Bioactive nos dois primeiros

apresentam balanços inadequados e um

anos veio de recursos próprios de Cabrera

plano de negócios romântico, otimista e

e de empréstimos de amigos. O auxílio à

que não mostra as contingências do em-

pesquisa apareceu depois. “Muitos pen-

preendimento.

sam que entrar na incubadora e aprovar

Fotos: Divulgação

INVESTIMENTO

Professor Nakagawa: concessão de recursos depende de garantias por parte do empreendedor

projetos em editais é fácil. Não é fácil, e Amparo às novatas

é aí que as empresas morrem”, afirma. Do

Outra fonte à disposição dos empreen-

grupo de 11 empresas que entraram com

dedores são as linhas de fomento. Cada

a Bioactive no Cietec, somente duas per-

vez mais, fundações estaduais de ampa-

maneceram. “Tínhamos um pensamento

ro à pesquisa oferecem recursos a fundo

Laboratório da Bioactive, em São Paulo: cinco projetos de fomento alavancaram a empresa

perdido para empresas nascentes locais. Entre os destaques estão Fapemig (MG), Faperj (RJ), Fapesb (BA), Fapergs (RS) e Fundação Araucária (PR) – além da pioneira Fapesp (SP). Também pretende fazer parte desse grupo a Fapeal (AL), que atualmente analisa as propostas recebidas do Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas (Pappe), da Finep. O edital oferecia R$ 2 milhões e recebeu 24 submissões – 19 empresas já foram pré-selecionadas pelos consultores. “Vamos implantar um 37


Shutterstock

INVESTIMENTO

diferente: vamos caminhar com passos

chão, pensa grande mas sabe onde está pi-

pequenos, com os próprios recursos. Se o

sando, vai em frente”, garante.

projeto for aprovado, ótimo, vamos dar um passo maior”, lembra o empreendedor.

Cabrera, da Bioactive: no início, é interessante que o empreendedor tenha uma fonte paralela de recursos

Janesmar Cavalcanti, da Fapeal, concorda que a concepção e submissão de

Para ter cinco projetos aprovados, Ca-

projetos não é fácil. “Os empreendedores

brera inscreveu dez. Segundo ele, o mais

entendem do metiê deles, mas na hora de

importante para vencer o edital é a parte

colocar no papel a demanda de inovação

escrita: tudo tem que ser mostrado clara-

tecnológica começam as dificuldades”,

mente e o texto deve se adequar ao público

afirma. A dica é que as empresas tenham

para o qual se dirige, já que cada instituição

alguém da equipe que saiba desde escre-

exige uma linguagem e modo de apresen-

ver os projetos até pesquisar informações

tação diferente. “A Fapesp é extremamente

sobre editais, conhecendo o sistema e pre-

acadêmica, a Finep visa o produto final, o

parando o negócio para a busca por finan-

CNPq é meio a meio. É preciso passar por

ciamento.

uma curva de aprendizado”, explica ele.

Há, ainda, falhas de comunicação por

Nessas horas, o conselho é ter persistência

parte das agências de fomento, que usam

e não desistir ao receber o primeiro não,

linguagem rebuscada no processo de in-

além de entender as especificidades de

formar a linha de pesquisa visada, tornan-

cada edital.

do difícil, por vezes, entender os critérios

As dificuldades de Cabrera foram ainda

de seleção. Por outro lado, os bancos

maiores porque ele é peruano e dentista:

erram em não preparar adequadamente

um estrangeiro, profissional liberal e sem

suas equipes para atender os empreen-

fiador enfrenta sérias dificuldades para

dedores. “Eles têm uma meta de volume,

conseguir empréstimos em bancos. Por

então preferem atender duas grandes em-

isso, ele recomenda que o empreendedor

presas a dez pequenas”, lamenta o profes-

continue com uma fonte de recursos para-

sor Nakagawa.

lela para bancar o negócio até que o novo Após a conquista de clientes, a Daitan captou investimentos do fundo GDF e da Rio Bravo

empreendimento comece a caminhar sozi-

Terceira via

nho. “O empresário sonhador, que fica nas

Uma boa notícia para os empreende-

nuvens, morre. Mas o sonhador que é pé no

dores é que o número de investidores interessados em aplicar seu dinheiro em empresas brasileiras está crescendo exponencialmente – em quantidade de interessados e em volume de movimentações financeiras. “Há oferta de capital de risco em todos os níveis: nas nascentes, em maturação ou maduras. É uma quantidade absurda”, salienta Nakagawa. O contato com os gestores desses fundos é relativamente simples – em alguns casos pode ser feito pela internet. O professor da USP aconselha, no entanto, buscar uma indicação, pois boa parte dos negócios de venture capital (leia mais na página 39) é realizada por recomendação. Vale até fazer uma busca no LinkedIn para

38


INVESTIMENTO

descobrir os laços em comum entre o empreendedor e o investidor. Além disso, os fóruns de capital de risco – como os pro-

_EVOLUÇÃO CONTINUADA

movidos pela Finep – são uma chance de reunir investidores e empreendedores em busca de investimento.

O percurso do dinheiro até o empreendedor ainda tem muito a avançar. O professor de Empreendedorismo e pesquisador da USP Marcelo

Foi em um desses fóruns, em 2005,

Nakagawa compara a situação com uma “diabete de capital”. “Na

que o sócio da Daitan Group, Augusto

diabete há açúcar no sangue, mas ele não chega à célula porque o

Cavalcanti, entrou em contato com seu

corpo não consegue absorver, não tem processo de transmissão. Com

primeiro investidor, o fundo DGF Investi-

o capital é a mesma coisa: existe dinheiro, mas ele não chega à pe-

mentos, e com o segundo, a Rio Bravo. Ele

quena empresa.” Apesar das dificuldades há consenso de que bancos,

havia criado em 1987, junto a outros três

agências de fomento e fundos de investimento estão cada vez mais

engenheiros, a Zetax Tecnologia, uma pe-

acessíveis para os empreendedores. Vários motivos levaram a esse

quena empresa de telecomunicações que

cenário:

13 anos após a criação já detinha 32% do mercado e foi comprada pela norte-ame-

Política pública: O simples fato de o Governo Federal pensar na cria-

ricana Lucent. Foi com essa bagagem no

ção de um Ministério da Micro e Pequena Empresa já sinaliza que esse

currículo que em 2004 ele resolveu fun-

tipo de negócio tende a receber um cuidado maior do poder público.

dar a Daitan Group, em Campinas (SP), que oferece competência brasileira no de-

Simples: A expansão da abrangência do Simples permite que o ne-

senvolvimento de novos produtos, princi-

gócio cresça sem deixar de fazer parte da categoria. “Muitas empre-

palmente para os Estados Unidos.

sas estavam segurando o faturamento para não mudar de patamar.

O plano da Daitan era investir o próprio dinheiro e conquistar clientes para depois,

Agora fica mais fácil mostrar o faturamento e crescer rapidamente”, explica Nakagawa.

com os processos encaminhados, captar investidores em duas etapas. Foram meses

Formação empreendedora: Houve um avanço nos cursos de empre-

de negociação para fechar o negócio com a

endedorismo em todas as principais instituições de ensino, o que tam-

DGF, em abril de 2006, e outros tantos me-

bém tem incentivado a criação de empresas. A atuação de agentes de

ses para o acordo com a Rio Bravo, firmado

apoio junto às bases e na captação de novas ideias também encoraja

em dezembro de 2008. “O empreendedor

esse movimento.

não pode ter a ilusão de que vai conseguir que o investidor embarque no negócio em

Foco no Brasil: Os investidores passaram a enxergar o país com

pouco tempo”, ressalta Cavalcanti. Com as

outros olhos. Muitos dos grandes fundos vinham aplicando seu

etapas de negociação e mais o tempo da

dinheiro na China, na Índia, alguns na Rússia, sem prestar muita

papelada, o cálculo é que as conversas le-

atenção no Brasil. Com o mau momento da economia internacio-

vem entre 9 a 12 meses, pelo menos.

nal e a boa resistência do país à crise, os investidores começam a

O relacionamento entre as duas partes

se voltar para cá.

é outro fator essencial, pois tudo deve ser uma parceria. “É preciso considerar o in-

Setores aquecidos: O que atrai os fundos de investimento são negó-

vestidor como um sócio muito importante.

cios em software, internet, telecom, TI, mídia e entretenimento digi-

Quando tiver problemas, é bom ter o inves-

tais, games e comércio eletrônico; na área de ciências da vida, o foco

tidor pela solidez. É outra cabeça pensan-

são medicamentos, cosméticos e produtos de cuidados pessoais; ou-

do fora da operação do dia-a-dia”, explica

tro setor aquecido é o de infraestrutura de petróleo e gás. Há ainda

Cavalcanti. Dinheiro para colocar a ideia

investidores que procuram negócios em nichos específicos, como é o

no mercado não falta, mas é preciso saber

caso de produtos e serviços voltados à terceira idade.

como chegar até ele. L 39


Shutterstock

INVESTIMENTO

P O R C A R O L I N E M A Z ZO N E T TO

Aposta calculada Os fundos de venture capital vêm se popularizando entre os empreendimentos que estão em um estágio intermediário do negócio e precisam de algo além da injeção financeira

40

Nem só de editais de fomento vive uma

lucro futuro. Nesse ramo, são diversas as

empresa inovadora. No momento em que

formas de investimento: capital semente,

o Brasil se destaca como um porto segu-

operações mezanino, pipe, entre outras.

ro em meio à crise na Europa e aos per-

Entre elas está uma modalidade voltada

calços da economia dos Estados Unidos,

especialmente às empresas que já existem,

investidores do mundo todo voltam os

mas não estão completamente maduras: o

olhos para o país. São pessoas interessa-

venture capital.

das em private equity – colocar dinheiro

Também conhecido como capital de ris-

em uma empresa em troca de ações, com

co, esse é um tipo de investimento que vem

a perspectiva de que a sociedade traga

se destacando cada vez mais. “O crescimen-


INVESTIMENTO

to do número de negócios de private equity

buscar apoio comunitário, planejar novos

e venture capital é todos os anos positivo,

produtos e processos e garantir a sustenta-

significativo. O Brasil, apesar de ter uma

bilidade nas operações.

indústria nova, tem cada vez mais pessoas

Por isso, junto com o dinheiro, o inves-

envolvidas”, comenta o vice-presidente da

tidor leva a discussão sobre o que deve ser

Associação Brasileira de Private Equity e

melhorado, auxiliando na gestão. “Não é só

Venture Capital (ABVCAP), Clóvis Meurer.

capital. É dinheiro e ajuda. A ajuda pode ser

Em 2008, o volume de capital comprome-

relacionamento, conhecimento em alguma

tido em private equity e venture capital era

área específica, participação efetiva, às ve-

de US$ 27,1 bilhões – de acordo com uma

zes, dentro da empresa”, explica o diretor do

pesquisa do Centro de Estudos em Private

Instituto Gênesis da Pontifícia Universidade

Equity e Venture Capital da Escola de Ad-

Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), José

ministração da Fundação Getúlio Vargas

Alberto Sampaio Aranha. Por outro lado,

(GVCepe). O número representava um au-

não é qualquer investidor que se adequa

mento de 438% na comparação com os va-

a essa função, já que o retorno financeiro

lores de 2000.

não pode ser o único foco do venture capi-

O venture capital busca empresas “adolescentes”. Não as nascentes (mais indica-

tal. “Tem que ter afinidade para dar certo”, completa Aranha.

das para o capital semente), mas aquelas

Os perfis variam de acordo com o tipo

que já configuram um negócio, têm pro-

e o volume do investimento. Pode ser um

duto e mercado, apesar de ainda não es-

grupo ou uma pessoa, brasileiro ou estran-

tarem completamente sólidas e maduras.

geiro, com conhecimento específico de uma

É aí que está a diferença em relação ao

área, que busca se associar a negócios aos

private equity, que busca empresas maio-

quais possa agregar valor. O ideal para os

res, consolidadas, atrás de dinheiro para

empreendedores é negociar com investi-

uma fase de crescimento mais acelerada.

dores que tenham know-how do campo de

O venture capital se adapta, por exemplo,

atuação da empresa e que possam aplicar

a empreendimentos recém-graduados pe-

a quantidade necessária de dinheiro – não

las incubadoras, que alcançaram um certo

menos.

grau de segurança, mas ainda estão longe do patamar ideal.

A FK Biotec está no rol das empresas que receberam aporte de venture capital para se firmar no mercado. O empreendimento foi criado em 1999 na incubadora da Fun-

Devido ao estágio de desenvolvimento

dação de Ciência e Tecnologia (Cientec),

em que as empresas se encontram, essa

vinculada à Secretaria da Ciência, Inovação

forma de investimento não se resume ao

e Desenvolvimento Tecnológico do Estado

aporte de capital. Torna-se uma parceria.

do Rio Grande do Sul. A empresa faz pesqui-

Os empreendedores precisam, além do di-

sa e desenvolve produtos na área de imuno-

nheiro, de know-how sobre organização

diagnóstico humano e vacinas terapêuticas

societária, criação de estatutos, legalização

anticâncer. Quando a FK Biotec ainda era

de documentos, processos e registros. Na

uma start-up, o empreendedor Fernando

parte operacional, tocam todo o negócio so-

Kreutz encaminhou seu plano de negócios

zinhos e às vezes não têm com quem dividir

à CRP Companhia de Participações – uma

as decisões sobre pesquisa e desenvolvi-

das primeiras gestoras de fundos de inves-

mento, comercial ou marketing, e ignoram

timento de private equity e venture capital

como criar um Conselho de Administração,

do país – e teve seu projeto selecionado.

Aranha, do Instituto Gênesis: venture capital significa dinheiro e ajuda na gestão Divulgação/Int. Gênesis

Mais que dinheiro

41


Divulgação

INVESTIMENTO

A operação se concretizou em 2000 e a

valuation. “Hoje, nossa valuation é de 50

partir do aporte de dinheiro as atividades

vezes em relação ao investimento inicial.

da empresa começaram a tomar forma.

O potencial de crescimento é fantástico”,

Foram sendo consolidadas uma série de

aponta o empresário.

tecnologias e ativos intelectuais, patentes e know how que fizeram com que o valor da

Meurer, da ABVCAP: é essencial que o empreendedor se mostre comprometido com o negócio

Com a frequência cada vez maior de

até 2009. “O modelo da FK normalmente

eventos de venture capital promovidos por

tem investimento público, depois o privado.

fundações e institutos de pesquisa – como a

Fizemos o oposto, primeiro privado e de-

Finep –, encontrar investidores não é mais

pois público”, relata Kreutz.

um desafio. Os venture foruns buscam co-

A CRP ainda é acionista da FK. Isso acon-

locar as duas partes frente a frente, para

tece por causa do setor que a empresa atua,

que o empreendedor apresente seu proje-

biotecnologia. No capital de risco, negócios

to, enquanto o investidor ouve, discute e

dessa área demoram mais para entrar e sair

avalia a possibilidade de fechar um acordo.

do investimento na comparação com TI, por

Também há cursos promovidos por univer-

exemplo. Atualmente, a FK busca mudar o

sidades, institutos de educação nacionais e

foco da área de desenvolvimento para o

estrangeiros e empresas especializadas em

setor industrial. “Foi um longo período de

seminários do tipo.

investimento e maturação que se reflete em

Segundo José Alberto Sampaio Aranha,

um movimento de receita somente agora

do Instituto Gênesis, é recomendável que os

nos últimos anos”, explica o empresário,

empreendedores apareçam. “A ABVCAP tem

que é médico e doutor em Biotecnologia.

uma lista de fundos de investimento, pode

Em 2010, o faturamento da FK não chegou

pegar a lista e ir atrás, mandar o nome, se

a atingir os R$ 2 milhões.

oferecer”, aconselha. Mas na hora da es-

Assim como acontece com qualquer em-

colha, o ponto nevrálgico é a afinidade. O

preendedor, também há dificuldades no cami-

plano de crescimento da empresa tem que

nho dos que recebem investimento de ventu-

estar alinhado ao do investidor, e as cláu-

re capital. Kreutz aponta como um problema

sulas e condições do contrato precisam ser

o fato de que a BM&FBovespa não tem liqui-

viáveis. Além disso, o empreendedor deve

dez para absorver os pequenos IPOs – intan-

se mostrar comprometido com o negócio.

gíveis, tecnológicos, com forte componente

“Não pode demonstrar em momento algum

de risco – como acontece com a norte-ameri-

que aquilo não é a vida dele”, recomenda

cana Nasdaq. Por isso, nos últimos dois anos

Clóvis Meurer, que também é diretor da

a FK inciou um processo de internacionaliza-

CRP Companhia de Participações.

ção para fazer sua oferta inicial de ações nos

Por último, é bom ter em mente que o ca-

Estados Unidos ou no Canadá. “A Bovespa foi

pitalista de risco está sempre disposto a ouvir,

criada com o intuito de fazer ofertas públicas

de portas abertas para discutir uma propos-

menores, mas isso não está operacionaliza-

ta. A formatação, porém, tem que ser clara,

do”, assinala o empreendedor.

demonstrar com precisão a ideia, o mercado,

Em um setor onde as empresas depen-

o investimento necessário. “Ele assume o ris-

dem muito de uma compra estratégica, as

co porque vai ganhar bastante. Não adianta

dificuldades para abrir capital atravancam

mostrar um projeto que apresenta um poten-

a pulverização do risco, o aumento da cap-

cial de ganho pequeno. Tem que ser grande”,

tação e a oxigenação. Essas características

ressalta Kreutz, da FK Biotec. Se esse é o perfil de seu negócio, mãos à obra. L

contribuiriam na liquidez e no aumento da 42

Atenção e presença

companhia se multiplicasse em dez vezes


OPINIÃO

O desafio de empreender F er nando T homé K reu t z Mé dico , dou tor em Biote c nologia , profes s or , p es quis ador e empre ende dor da F K Biote c , empres a graduada p ela inc ub adora da Ciente c , de Por to A le gre ( R S )

N

ascer em uma incubadora de negócios representa uma marca importante para empresas e seus empreendedores. Prova da relevância que as incubadoras de base tecnológica adquiriram no Brasil, um recente mapeamento coordenado pela Associação Brasileira de Biotecnologia (BRBiotec Brasil) revelou que mais de 50% dos empreendimentos dessa área no país

nasceram ou estão vinculados atualmente a uma incubadora. Mas, o que significa esse vínculo? Hoje, visão muito especial do modelo. A incubadora propicia um ambiente físico favorável: organizado, com

Divulgação

como empreendedor com mais de 12 anos de experiência, tenho uma

boa apresentação e economicamente adequado. O empreendedor se sente apoiado por essa estrutura, mas o mais importante é a integração que ocorre entre as empresas e as entidades onde essas incubadoras estão sediadas, como universidades ou centros de pesquisa. Novas ideias surgem durante um cafezinho, há tremenda complementaridade ou até competição entre incubadas, o que pode ser extremamente benéfico para todas. Outro ponto fundamental é fazer com que o empreendedor imagine o futuro. Muitas vezes o micro ou pequeno negócio guarda uma avalanche de problemas e decisões, que prejudicam a visão a longo prazo. O que farei? Onde estarão as oportunidades? Como devo me posicionar? São questões que, fora de uma incubadora, correm maior risco de serem abafadas pela necessidade diária. Nas incubadoras trabalhamos com planos de negócios, relatórios, consultores – temos que parar e pensar. Isso é instrumental em negócios de alta tecnologia. Além disso, o ambiente nos ajuda a gerir o estresse empresarial, tendo em vista que nossa responsabilidade civil, trabalhista e comercial aumenta da noite para o dia no momento em que resolvemos empreender. Estar em uma incubadora dilui essa pressão, pois olhamos para o outro e constatamos que se ele também passa ou passou pelas mesmas dificuldades, nós conseguiremos. A convivência entre empreendedores serve como exemplo e conforto. E então nos vem uma pergunta fundamental: qual a força que nos motiva a criar uma empresa? Talvez alguns tenham uma resposta simplista: empreendendo para ganhar dinheiro. Obviamente, esse é um aspecto importante, mas a motivação vai além: o desejo de desafio. Empreender, para mim, é como caminhar perto do abismo – preferencialmente sem cair nele! Faço também a analogia de dar um passo sem saber ao certo onde nosso pé vai se colocar. Quem está na incubadora ou no parque tecnológico tem mais segurança, pois ali há um anteparo. Ser empreendedor, portanto, congrega uma transdisciplinaridade fantástica, nos inspira a criar e imaginar. As incubadoras e parques, cada vez mais essenciais ao desenvolvimento tecnológico do Brasil, nos ajudam a organizar esses pensamentos e colocar nossos pés no chão e olhos no futuro. 43


Shutterstock

GESTÃO

P O R C A R O L I N E M A Z ZO N E T TO

Os novos gurus O mentoring chega ao empreendedorismo para unir profissionais experientes, com muito a ensinar, a empresários cheios de dúvidas, sedentos por aprender

44

A palavra mentoring pode ser relativa-

Essa mesma prática pode ser vista hoje

mente nova nos dicionários do empreende-

quando profissionais com uma larga traje-

dorismo brasileiro, mas a figura do mentor

tória no mercado ajudam jovens empreen-

faz parte da sociedade ocidental há séculos.

dedores a chegar mais perto da maturidade,

Um dos primeiros de que se tem notícia foi

em um processo que envolve a troca de ex-

o filósofo grego Aristóteles (século IV a.C.),

periências e o enriquecimento mútuo.

responsável pela formação intelectual, so-

O mentoring é uma ferramenta desti-

cial e moral do jovem Alexandre Magno.

nada ao desenvolvimento pessoal dos em-


preendedores e consiste em colocá-los em

da Finep. “As pessoas não sabiam elaborar

contato com pessoas que têm muita experi-

planos de negócio e eram orientadas a para

ência na área em que atuam.

fazê-lo, aprendendo a analisar a viabilidade

“Os mentores fornecem conselho, exem-

do negócio, como fazer análise econômi-

plo, guia, liderança e oportunidades para o

ca e financeira”, relata Souza. Atualmente,

desenvolvimento de habilidades nos empre-

a MDL desenvolve, entre outros, projetos

endedores, contribuindo para o crescimento

de mentoring em 10 empreendimentos de

de suas empresas”, explica Manuel Bello, co-

base tecnológica em Alagoas – na Incubal,

ordenador da RedLAC – Rede Latino-ameri-

da Universidade Federal de Alagoas (UFAL)

cana de Incubadoras de Empresas.

e na Incubadora Empresaral Tecnológica

Direcionado

a

empreendedores

ini-

(IET), do Centro Universitário Cesmac.

ciantes, o processo prevê uma gradação.

Para fazer a ponte entre os profissionais

Com o tempo, o mentor vai identificando

experientes e os jovens empresários, as in-

prioridades e necessidades, realizando a

cubadoras exercem um papel decisivo. Se

capacitação de maneira modular, em gru-

o mentoring faz parte dos serviços ofereci-

pos pequenos ou individualmente. Entre as

dos às empresas residentes, por exemplo, o

dúvidas que cabem no mentoring estão as

processo de amadurecimento do negócio é

relacionadas a procedimentos iniciais – se a

catalizado. “O novo empreendedor sempre

empresa é micro ou pequena, por exemplo,

vai ter alguém com quem possa conversar,

ou quanto encarece em tributos colocar a

que não vai dar respostas mágicas, mas vai

palavra consultoria em um contrato.

ouvir e sugerir alguns caminhos”, ressalta o

A maioria das demandas estão ligadas

Fotos: Divulgação

GESTÃO

Manuel Bello, da RedLAC: conselhos dos mentores contribuem para o crescimento das empresas

consultor Souza, da MDL Brasil.

a administração e finanças, mas a questão comportamental também costuma ser foco

Motivação

do trabalho. “Vamos oferecendo capaci-

Manuel Bello, da RedLAC, explica que in-

tação para que ele possa andar sozinho.

cubadoras e outras organizações do gênero

O objetivo é permitir que no decorrer do

que se dedicam a apoiar empreendimentos

processo, após o mentoring, a empresa ou

inovadores se baseiam em uma vasta rede

o empreendedor tenha autonomia”, afirma

de contatos para alcançar o melhor entro-

Márcio Dionísio de Souza, da MDL Brasil –

samento possível entre mentor e mentora-

que oferece, entre outros serviços, mento-

do. Isso também ocorre em meio a outros

O processo exige aceitação de ambas as partes, para que o conhecimento do mentor possa ser transmitido

ria aos jovens empreendedores. Em alguns casos o projeto de mentoring é remunerado desde o início, mas esse não é o critério da maioria. A equipe da MDL entende que se atender bem um cliente com potencial de crescer, quando esse empreendedor já estiver firmado, com recursos e novas necessidades, vai lembrar de quem o ajudou no início e incluí-la em seus projetos futuros. Essa estratégia de ajudar os novatos sem uma visão capitalista do serviço prestado foi o que levou a MDL a ser uma das empresas brasileiras que, isoladamente, teve o maior número de contratos do programa Primeira Empresa Inovadora (Prime), 45


GESTÃO

mecanismos, como os fundos de capital

_O MENTOR IDEAL

semente ou o investimento-anjo – no caso deste último, os anjos atuam como mentores nas empresas em que investem.

O consultor Márcio Dionísio de Souza, da MDL Brasil, lista

Entre os locais onde circulam os mento-

cinco características essenciais a alguém disposto a exercer a

res estão grandes corporações, empresas

função de mentor:

de consultoria, universidades, agências do governo, agentes financeiros, sindicatos

Habilidades: É preciso ter experiência de mercado. É preferível

industriais e comerciais e associações ou

alguém com sucessos e fracassos no currículo, que já se relacio-

clubes de apoio à comunidade. “O papel das

nou com diferentes tipos de pessoas e tomou decisões certas e

incubadoras e outras instituições é colocar

erradas, do que um super especialista com cinco diplomas. “Às

os empreendedores em contato com os

vezes se aprende mais com o cara que foi diretor da empresa

mentores, para conquistar a maior sinergia

que quebrou do que com quem não adquiriu maturidade por-

possível entre ambos”, salienta Bello. A em-

que só teve sucesso”, diz Márcio.

patia entre os dois lados precisa ser levada em conta em qualquer iniciativa do tipo: o

Formação acadêmica sólida: Títulos como mestrado e doutora-

mentor deve se colocar no lugar do mento-

do ajudam a trazer credibilidade para o profissional e fornecem

rado e vice-versa.

uma argumentação diferenciada. Se o mentor não tiver conteú-

É necessária uma aceitação de ambas as

do, não será ouvido. Ao mesmo tempo, essa característica não

partes, para que o conhecimento tácito, fru-

pode servir para assustar o empreendedor ao ponto dele dizer

to da experiência e do know-how, possa ser

“não, ele é demais para mim”. A formação dará base para de-

transmitido. “O projeto de mentoring propi-

monstrar como aplicar uma determinada prática – e isso só é

cia que essa inteligência emocional, que faz

possível com um arcabouço teórico sólido.

parte do contexto, possa contribuir para o autoconhecimento do mentorado”, assinala

Eficiência e velocidade de resposta: A falta de efetividade na hora

o mentor Minoru Ueda.

de dar um feedback para o mentorado ajuda a minar a credibilida-

Integrante do Programa de Mentoring

de do mentor. Por outro lado, uma demora nas respostas transfor-

desenvolvido pela Faculdade de Economia,

ma o que é um relacionamento de troca em terapia. “Se não tiver

Administração e Contabilidade da Universi-

eficiência, capacidade direcional, não dá”, afirma Márcio.

dade de São Paulo (USP) – projeto da Associação dos Engenheiros Politécnicos (AEP)

Atenção ao mercado interno e externo: Um bom mentor sabe

em parceria com a Escola Politécnica da

o que está acontecendo no Brasil e no mundo, quais são os ne-

USP –, Ueda afirma que a pessoa assistida

gócios em alta, para onde o país está crescendo, o que ocorre

é vista holisticamente, não só em relação

atualmente com a economia global e com as nações emergen-

à carreira, mas também quanto ao fatores

tes. Essa base ajuda na negociação e traz confiança para que o

que impulsionam e motivam o novo empre-

empreendedor escute o que o mentor tem a dizer.

sário. O mentor não interfere diretamente na tomada de decisões, mas acompanha o

Amor pelas pessoas: Ver o mentorado com o potencial máximo

empresário no caminho que leva até ela:

é essencial. Tem que olhar no olho, dar atenção, entender que

diagnóstico, experiência, reflexão compar-

o jovem com quem ele está lidando passa hoje pelas mesmas

tilhada.

coisas que o mentor passou há 20, 30 anos. “Acreditar no que

O objetivo, vale ressaltar, é gerar auto-

a pessoa está fazendo, com um olhar bondoso, identificar que

nomia, não dependência. “O aumento da

o empreendimento está muito no início. O olho tem que brilhar

longevidade repercute no mundo profissio-

junto com o do mentorado”, conclui Márcio.

nal. Tem todo um conhecimento que essas pessoas que estão há muito mais tempo no

46


mercado detêm e podem passar dentro de

aumentar as possibilidades de sucesso, ge-

um projeto de mentoring”, assinala o consul-

rido por uma incubadora ou instituição se-

tor. O perfil dos mentores é variado: podem

melhante. As etapas incluem a seleção dos

ser executivos tanto de pequenas empresas

mentores mais adequados para os empre-

como de megacorporações, com uma longa

endedores e seus negócios, a orientação de

trajetória profissional, grande experiência

ambas as partes para um bom andamento,

nos negócios e, particularmente, na área es-

a programação das sessões de mentoria e o

pecífica dos empreendedores. Essa última,

acompanhamento, buscando a retroalimen-

na verdade, depende do contexto: por vezes,

tação e a melhoria contínua. “É muito im-

um mentor com uma formação e experiência

portante orientar tanto os futuros mentores

diferente pode ser importante para trazer

quanto os empreendedores sobre o proces-

uma visão nova do negócio.

so e fixar expectativas realistas”, complementa o coordenador da RedLAC.

Mão dupla

Divulgação

GESTÃO

Ueda: valores de mentor e mentorado devem estar em equilíbrio

Também é fundamental a avaliação e o

Geralmente, os mentores pertencem à

monitoramento do próprio programa, para

geração nascida antes da Segunda Guerra

buscar corrigir cedo problemas que podem

Mundial, à dos baby boomers ou à geração

minar o relacionamento, como a dedicação

X. São, em suma, profissionais no ápice de

insuficiente do mentor ao empreendedor e

suas carreiras. “É necessário senioridade.

a falta de receptividade do mentorado às re-

Idade não é atributo, mas experiência”, aler-

comendações sugeridas pelo guru. L

ta Ueda. Enquanto isso, os mentorados são frutos da geração Y. O relacionamento entre as gerações é uma via de mão dupla: o ideal é que o mentoring capitalize as trocas

_MENTORING OU COACHING?

e projetos de ambas as partes. Um exemplo disso é quando o mentor se utiliza dessa convivência com alguém mais jovem para se atualizar no processo de conhecimento. O tutorado deve ver no mentor uma pessoa de referência. Tem que olhar e dizer ‘quero ser assim’ e não como um miserável precisando de uma benesse”, salienta Souza, da MDL. Por outro lado, a visão da outra parte deve ser carinhosa e, ao mesmo tempo, crer que o empreendimento pode dar certo. “Tem que acreditar a cada contato que faz”, acrescenta Souza. O aspecto mais importante, porém, é a sintonia. “Os valores dos dois têm que ter um equilíbrio. É necessário que ambos escutem um ao outro. Se houver conflito de valores pessoais e profissionais talvez a relação não ocorra de forma satisfatória”, alerta Ueda. Manuel Bello recomenda que o mentoring seja realizado como parte de um processo estabelecido, para diminuir riscos e

Embora as definições de mentoring e coaching se assemelhem, já que ambos são processos de autodesenvolvimento, há diferenças básicas entre as duas ferramentas. O coaching é mais focado em uma ajuda voltada à parte profissional, com orientações pontuais do que deve ser feito para evoluir na carreira. O mentoring, por sua vez, aprofunda mais o diagnóstico, observando o mentorado com uma visão expandida – não só profissional, mas também pessoal e emocional. “Além disso, o mentor não é um depositório de saber sobre a questão levantada pelo empreendedor, mas um facilitador do processo”, assinala o especialista Minoru Ueda. Também é possível encarar as diferenças entre os dois processos de outra forma. Quem procura coaching geralmente possui uma dúvida específica e está em busca de conselhos sobre a melhor decisão a ser tomada em um determinado negócio. Enquanto isso, o mentoring é mais processual e lida com empreendedores jovens, iniciantes, que não sabem muito sobre os meandros do mercado. “Vamos caminhando com ele rumo a conteúdos específicos, como administração, finanças, relacionamento”, explica Márcio Dionísio de Souza, da MDL Brasil. 47


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MERCADO

P OR A DR I A NE A L ICE P E R E IR A

Normas estratégicas Conhecer os requisitos de avaliação e conformidade no desenvolvimento de produtos é fundamental às empresas nascentes que propõem soluções inovadoras

48

Avaliar a conformidade de um produto

o chefe substituto da Divisão de Programas

oferecido ao mercado nem sempre está

de Avaliação da Conformidade do Institu-

entre as prioridades das micro e peque-

to Nacional de Metrologia, Normalização e

nas empresas inovadoras. Mas a atenção a

Qualidade Industrial (Inmetro), Leonardo

conceitos relativos ao tema e às diferenças

Machado Rocha.

entre regulação, regulamentação, avaliação

O primeiro passo nesse sentido é com-

da conformidade e normalização pode ser

preender o processo de implantação de

estratégica para a sobrevivência do empre-

programas de avaliação da conformidade

endimento. “Empreendedores e gestores

pelo Inmetro. “O Inmetro trabalha com uma

de incubadoras precisam saber que existe

agenda de prioridades para a regulamen-

um canal de informações sobre a avaliação

tação, formatada após a identificação das

de conformidade que pode ajudar as em-

demandas da sociedade”, explica Rocha. Se-

presas nascentes a se anteciparem a uma

gundo ele, após essa identificação, o Institu-

eventual regulamentação ou ainda conhe-

to realiza estudos de impacto e viabilidade

cerem os meios de solicitar uma regula-

e avalia se a regulamentação irá atender a

mentação na sua área de atuação”, afirma

demanda que a originou e se há tecnologias


MERCADO

disponíveis para as empresas cumprirem a determinação. Em sequência a essas etapas, há o pro-

_MECANISMOS DE AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE

cesso de elaboração, publicação e implantação do regulamento, que reúne todas as

No Brasil, são praticados os tradicionais mecanismos de avalia-

definições da regulamentação. Após a im-

ção da conformidade, sendo que cada um deles é selecionado

plantação do regulamento, o Inmetro acom-

para determinado tipo de produto, de acordo com uma meto-

panha o produto no mercado, por meio de

dologia que tem como base aspectos legais, ambientais, sociais,

fiscalizações e testes, entre outros instru-

técnicos e econômico-financeiros. São eles:

mentos, para verificar a aplicação das determinações estabelecidas. De acordo com

Certificação

Rocha, um dos objetivos da regulamentação

A certificação de produtos ou serviços, sistemas de gestão e pes-

do Inmetro é coibir práticas danosas, por

soas é, por definição, realizada pela terceira parte, isto é, por

meio da definição de regras de segurança.

uma organização independente acreditada para executar essa

Ele destaca que, para as empresas jovens

modalidade de Avaliação da Conformidade.

e inovadoras, é muito importante conhecer como funciona o sistema de avaliação da

Declaração do fornecedor

conformidade. “Se a empresa estiver nascen-

Esse mecanismo de Avaliação da Conformidade é o processo

do em um setor já regulamentado, ela deve

pelo qual um fornecedor, sob condições prestabelecidas, dá ga-

procurar informações sobre as determina-

rantia escrita de que um produto, processo ou serviço está em

ções existentes. A inovação no processo pro-

conformidade com requisitos especificados.

dutivo não elimina a necessidade de adequar o produto final às normas já fixadas. Um

Etiquetagem

brinquedo, por exemplo, deve seguir a regu-

Os produtos apresentam etiqueta informativa indicando seu de-

lamentação desse produto, independente da

sempenho de acordo com os critérios estabelecidos. Essa etiqueta

sua forma de fabricação. Por isso, o conhe-

pode ser comparativa entre produtos de um mesmo tipo ou so-

cimento sobre essa questão é fundamental

mente indicar que o produto atende a um determinado desem-

para qualquer empresa”, ressalta Rocha.

penho, podendo ser, ainda, de caráter compulsório ou voluntário.

Mesmo pequenas e nascentes, as empresas devem investir na sua adequação

Inspeção

às normas vigentes. Segundo o chefe do

A inspeção é definida como Avaliação da Conformidade pela ob-

Inmetro, a regulamentação pode considerar

servação e julgamento acompanhados, conforme apropriado,

o porte e as características das empresas

por medições, ensaios ou uso de calibres. A inspeção pode ser

de determinado setor. “Antes de implantar

aplicada em áreas como segurança, desempenho operacional e

uma regulamentação, o Inmetro faz um

manutenção da segurança ao longo da vida útil do produto. O

mapeamento do setor e identifica o perfil

objetivo principal é reduzir o risco do comprador, proprietário,

das empresas que serão impactadas pela

usuário ou consumidor.

determinação. O prazo de adequação, por exemplo, pode ser diferente para empresas

Ensaios

grandes, que já possuem sistemas sólidos

O ensaio é uma operação técnica que consiste na determinação

de qualidade, e para empresas pequenas”,

de uma ou mais características de um dado produto, processo ou

esclarece. “A nossa filosofia é exigir segu-

serviço, de acordo com um procedimento especificado. É o meca-

rança e confiança para os produtos, mas

nismo de Avaliação da Conformidade mais utilizado, podendo ser

com o menor preço possível, ou o produto

realizado em conjunto a com inspeção.

deixa de ser interessante para o consumi-

Informações: Inmetro

dor”, completa. L 49


Divulgação/Bematech

SUCESSO

Fábrica da Bematech em São José dos Pinhas (PR)

POR DÉBOR A HORN

Sucesso em ciclos Nascidas em incubadoras, Bematech, Fotosensores e Chamma da Amazônia se transformaram em grandes negócios marcados pela inovação

50

Ao ingressar em uma incubadora, o em-

que, com apoio e estratégia bem definida, a

preendedor dificilmente pode imaginar a si-

boa ideia pode, sim, transformar-se em uma

tuação efetiva de sua empresa no horizonte

grande empresa.

de uma ou duas décadas. Não à toa, o plano

Quando procuraram pela incubadora do

de negócios está entre as primeiras lições

Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar),

de qualquer incubada, a fim de apontar ca-

em 1989, os jovens Wolney Betiol e Marcel

minhos e esclarecer um pouco as dúvidas

Malczewski eram representantes do então

daqueles que, por vezes, têm uma boa ideia

pequeno grupo de pesquisadores que bus-

na cabeça, mas nenhuma certeza quanto à

cava transformar suas dissertações e teses

sua viabilidade como negócio. Histórias de

em produtos. Colegas no curso de pós-gra-

sucesso colecionadas pelo movimento do

duação em Engenharia do Centro Federal

empreendedorismo inovador comprovam

de Educação Tecnológica do Paraná (atual


a constante superação de

ná), em Curitiba, eles tinham como ideia

tecnologias,

fornecer impressoras para aparelhos de

investir em Pesquisa e De-

telex – a moderna forma de comunicação

senvolvimento. A escolha

da época. Entre as vantagens competitivas

por esse caminho levou ao

do negócio estava o grande mercado facil-

lançamento, em 1997, da

mente acessível, pois a maior fabricante de

chamada impressão térmica

máquinas de telex do país, uma multina-

– mais ágil e confiável que a

cional, tinha sede na capital paranaense.

antiga impressão matricial.

era

preciso

Assim nascia a Bematech, empresa que,

Como resultado do for-

muitos desafios depois, chegaria a 2010

te investimento em P&D, os

com faturamento de R$ 326,4 milhões.

novos equipamentos da Be-

Segundo Betiol, a trajetória da empresa

matech

conquistaram

não

tech

Wolney Betiol, Bema

jamais poderia ser vislumbrada pelos em-

apenas os bancos, mas tam-

preendedores quando tudo começou. “Não

bém o mercado de automação

tínhamos a menor ideia de onde isso iria

comercial. A empresa teve

parar. Fomos para a incubadora em busca

um papel importante na inclusão digital

da infraestrutura de laboratórios necessária

de milhares de pequenos estabelecimentos

para desenvolver nosso produto. Lá, desco-

comerciais brasileiros, que até então não ti-

brimos que contaríamos com apoio também

nham acesso às soluções de automação dis-

na área de gestão, o que foi providencial

poníveis, importadas e caríssimas. Decidida

naquele momento” , relata. Com a ajuda da

a conquistar essa fatia do mercado, a Bema-

incubadora, o negócio engrenou. Mas não

tech passou a oferecer produtos para em-

demorou muito para que uma nova tecnolo-

presas de todos os portes, com custo-bene-

gia chegasse, logo no início dos anos 1990,

fício atrativo, em um processo que alterou

desbancando o telex: era a vez do fax. Então

o modelo de comercialização adotado por

o mercado que a Bematech pretendia aten-

milhares de micro e pequenas empresas.

der foi rapidamente extinto, o que incluiu o

Em 2005, a Bematech mudou seu foco

fechamento da fabricante do aparelho em

para soluções em automação comercial,

Curitiba.

distribuindo conjuntos de equipamentos completos para os pontos de venda, ser-

Foco em P&D

viços de assistência técnica e sistemas de

Em tempo, os empreendedores Betiol e

gestão. Para financiar o novo ciclo de cres-

Malczewski haviam identificado na capa-

cimento da empresa, a Bematech ingres-

cidade de inovação o maior diferencial de

sou, em abril de 2007, no Novo Mercado

sua empresa, que voltou o foco para o ainda

da Bovespa. Adotando práticas de gover-

incipiente mercado da automação bancária.

nança corporativa, a empresa realizou um

A Bematech passou a produzir impressoras

processo bem-sucedido de abertura de

para equipamentos utilizados pelos caixas

capital.

das agências e, algum tempo depois, para

Hoje, a Bematech está presente em 450

os terminais de autoatendimento. Os pro-

mil pontos de venda e 5 mil revendas e

dutos lançados pela empresa tinham forte

sustenta uma participação expressiva no

caráter inovador diante do que se via no

mercado de automação comercial, princi-

mercado de automação brasileiro da época.

palmente na área de impressoras fiscais.

Mesmo assim, o caso do telex havia deixa-

Apesar do crescimento, os desafios da Be-

do um legado à Bematech: para enfrentar

matech se renovaram ano após ano. “Até

Betiol, da Bematech: infraestrutura de laboratórios oferecida pela incubadora do Tecpar viabilizou o desenvolvimento do produto Divulgação/Bematech

Universidade Tecnológica Federal do Para-

para o suces“Não existe fórmula o primeiro so, mas acredito que empreendeconselho a qualquer nte’. Apenas dor seja ‘pense difere ão fazendo seguir o que todos est É preciso não trará resultados. undo concriar algo novo. O seg portante, é selho, não menos im sucesso está ‘trabalhe pesado’. O ado à nossa diretamente relacion o a um projecapacidade de doaçã to ou ideia.”

51


“O empreendedor precisa ter duas palavras em mente: acreditar e persistir. Se você tem uma idei a, mas duvida do potencial dela ,o negócio não vai para frente. E se você acredita na ideia, mas não insiste em fazer com que ela dê certo, a coisa também não and a. Além disso, é importante des envolver a capacidade de venda das suas ideias e projetos, um cert o tino comercial. Empresário tem que se portar como empresário, aprender o ofício, inspirar otimismo e liderança.” Julio Boffa, Fotosensores

hoje travamos uma luta

no Código de Trânsito Brasileiro, criado

constante pela competiti-

em 1998, o grande propulsor de seus

vidade. Não é comum uma

negócios. A empresa ingressou no Par-

empresa

nessa

que de Desenvolvimento Tecnológico da

nacional

área, desenvolvendo tec-

Universidade Federal do Ceará (Padetec/

nologia e respondendo ao

UFC) cinco anos antes. “A Fotosensores

mercado

inovações,

não existia. O que existia era ideia, trans-

apesar de todo o chamado

formada em produto na incubadora que

‘custo Brasil’ envolvido nes-

amparou a empresa. Foi por meio da

se processo”, avalia Betiol.

incubadora que conseguimos fazer um

com

que

protótipo e testá-lo em Fortaleza, gratui-

iniciaram a Bematech em

tamente, por meio de um convênio com a

1989, o quadro funcional

prefeitura. O objetivo era testar um dispo-

evoluiu para cerca de mil

sitivo que fiscalizava o avanço dos carros

colaboradores,

distribuídos

sobre a faixa de pedestre”, conta o diretor

entre as unidades da empresa

da empresa, Julio Boffa. Em uma segunda

Dos

dois

sócios

no Brasil, na China, nos Esta-

etapa, era preciso transformar o produto

dos Unidos e em Taiwan. No

em negócio. “A incubadora deu à empresa

Brasil, a empresa conta com

uma espécie de sobrenome, ou seja, estar

unidades em Curitiba (PR), Ri-

no Padetec nos dava credibilidade e res-

beirão Preto (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo

paldo. Significava que não éramos aventu-

Horizonte (MG), Recife (PE) e Goiânia (GO),

reiros”, explica Boffa.

além de uma fábrica em São José dos Pi-

A Fotosensores ficou na incubadora

nhais (PR), um escritório em São Paulo (SP),

por apenas nove meses, pois o crescimen-

um centro de desenvolvimento de software

to atingido pela empresa foi exponencial.

em Jundiaí (SP) e um centro de serviços em

Em 1994, ainda não havia regulamentação

Diadema (SP). Dos R$ 326,4 milhões fatu-

quanto à fiscalização de infrações de trân-

rados em 2011, cerca de R$ 18,6 milhões

sito com dispositivos eletrônicos, mas a

foram investidos em atividades de Pesquisa

elaboração do Código de Trânsito já havia

e Desenvolvimento.

iniciado, prevendo a possibilidade de autuar eletronicamente os infratores. “Estáva-

Divulgação

Boffa, da Fotosensores: a incubadora conferiu credibilidade e respaldo ao negócio

52

Oportunidade

mos no local certo, na hora certa. Éramos

Adiantar-se às tendências de merca-

uma das duas ou três empresas do Brasil

do parece uma características comum às

a oferecer essa tecnologia. Por isso, nosso

empresas que deram certo. A Bematech já

crescimento foi vertiginoso nos primeiros

investia pesado no desenvolvimento de pro-

oito anos. O mercado era carente, preci-

dutos inovadores para automação comer-

sava de uma solução, e nós a tínhamos”,

cial quando, entre 1999 e 2000, ocorreu a

afirma Boffa. A capacidade de inovar no

grande explosão nas vendas das impresso-

atendimento a esse mercado sedento fez

ras fiscais no país, motivadas pela obrigato-

com que a Anprotec elegesse a Fotosen-

riedade do cupom fiscal em transações co-

sores, em 1997, como a “empresa do ano”

merciais. Nesse período, a empresa atingiu

no Prêmio Nacional de Empreendedorismo

seu ápice de faturamento até então, alcan-

Inovador.

çando a marca de R$ 63 milhões em 2000.

Com o passar do tempo, o sucesso da

Um processo semelhante ocorreu com

empresa passou a despertar interesse de

a Fotosensores, de Fortaleza (CE), que viu

outros empreendedores. Quando a Foto-


SUCESSO

sensores completou dez anos, foi necessá-

Com 96 funcionários diretos e 300 indire-

rio reformular a estrutura comercial, pois o

tos, a Fotosensores faturou R$ 20 milhões

produto havia se tornado comum, em fun-

em 2010, valor que estima duplicar nos

ção da concorrência. “O grande desafio foi

próximos anos devido às novas frentes de

e continua sendo adivinhar o que será de-

atuação da empresa.

Alguns dos produtos de Bematech, Chamma da Amazônia e Fotosensores: inovação para crescer

mandado daqui a um, dois anos. Preferimos errar por tentar adivinhar, do que por não tentar. E isso demanda investimento, que pode ser perdido. Temos muitos produtos que não deram em nada. Mas uma gama maior que deu certo”, afirma. Além da concorrência, o ritmo da evolução tecnológica está entre os principais desafios que a Fotosensores se depara diariamente. “Em 1995 essa atualização tecnológica não era tão importante quanto foi em 2000 e muito menos quanto está sendo em 2010. O tempo de uso de uma tecnologia reduziu drasticamente. Se antes tínhamos dois anos para desenvolver um projeto, hoje temos seis meses ou estaremos defasados. E esse prazo vai encurtar ainda mais”, conclui o diretor. Para manter a inovação como diferencial competitivo, a Fotosensores investe em parcerias com universidades e centros de pesquisa, desenvolvendo projetos cooperativos de P&D. “Se precisamos, por exemplo, de um doutor em Óptica e não temos esse profissional na empresa, buscamos na academia”, explica Boffa. Para completar essa estrutura de cooperação, a Fotosensores retornou a um parque tecnológico, agora em São José dos Campos (SP), onde participou de um edital no ano passado e classificou em primeiro lugar seu projeto focado no desenvolvimento de software. O retorno a um habitat de inovação faz parte da estratégia da Fotosensores de estender a atuação a outros ramos de tecnologia. “A empresa começou com um produto, que chegou a seu limite, e hoje precisamos aumentar nosso poder de venda. Como? Aumentando o desenvolvimento de novas tecnologias”, conclui Boffa. 53


“Um empreendedor deve buscar conhecimento em diferentes áreas e também desenvolver atitudes que o defendam do estresse gerado pela atividade: otimismo, garra, persistênci a. Além disso, aconselho sempre as parcerias com entidades séri as, que confiram credibilidade ao negócio que está surgindo.” Fátima Chamma, Chamma da Amazônia

Chama inovadora

gia à produção. As inovações, em processo

Além de adiantar-se às

e produto, foram consequencia das pesqui-

tendências, como fizeram

sas realizadas em parceria com universi-

Bematech e Fotosensores,

dades, institutos e grandes empresas. “Na

a chave do sucesso pode

incubadora, encontramos uma estrutura

estar na reinvenção de um

de suporte tecnológico e gerencial, e uma

negócio já tradicional. Foi

rede de relacionamento fantásticos”, afirma

esse o caminho escolhido

Fátima.

pela empresária paraense

As conquistas da Chamma da Amazônia

Fátima Chamma, que em-

vieram rápido. Em 2001, a empresa venceu

preendeu para transformar

a etapa regional do Prêmio Finep de Ino-

“poções mágicas” da sabe-

vação Tecnológica, pela industrialização do

doria popular em produtos

tradicional banho-de-cheiro – mistura de

inovadores,

eficácia

couro de jiboia, raízes e água de maré usada

comprovada. Filha de um

pelos paraenses no dia de São João, com o

farmacêutico autodidata apaixonado pela

intuito de afastar o mau-olhado e trazer fe-

Amazônia, Fátima deu continuidade ao

licidade. Na versão industrial, a Chamma da

sonho do pai: criar fragrâncias a partir da

Amazônia mudou a fórmula, tirando o cou-

matéria-prima local.

ro de jiboia e a água de maré – usa apenas

com

Há mais de 50 anos, Oscar Chamma

Ponto de venda da Chamma da Amazônia em Belém (PA): negócio familiar transformado em grande empresa com ajuda da incubadora

as ervas aromáticas.

abriu uma perfumaria em Belém (PA), onde

Desde que a empresa foi criada, a li-

testava e elaborava perfumes misturando

nha de produtos da Chamma passou de

alfazema, patchouli e priprioca a ingredien-

25 para 300, já devidamente legalizados

tes importados da França e da Alemanha.

perante à Agência Nacional de Vigilância

Quando ele faleceu, em 1997, a filha Fáti-

Sanitária (Anvisa). Por meio de franquias,

ma se dispôs a profissionalizar a iniciativa

a empresa está presente em sete pontos

familiar e transformá-la em uma fábrica de

de venda, em diferentes regiões do país.

cosméticos, a Chamma da Amazônia. Para

Consolidada em seu mercado de atuação,

isso, procurou a incubadora da Universida-

a empresa se prepara para um novo ciclo

de Federal do Pará, onde foi incentivada a

de desenvolvimento, focado em responsa-

investir em pesquisa para agregar tecnolo-

bilidade socioambiental. “Estamos revendo estratégias e comportamentos para facilitar o crescimento da empresa de forma sustentável. Uma pesquisa recente realizada na Grande Belém revelou que a Chamma da Amazônia é considerada a terceira empresa mais responsável do estado. Isso tem muito valor, mostra que o empreendimento tem potencial para se tornar ainda maior, com bases sustentáveis”, explica Fátima. Assim como no caso de Bematech e Fotosensores, a história de sucesso da Chamma da Amazônia reforça a ideia de que por mais bem-sucedido que se torne um empreendimento, os desafios não deixam de existir. Apenas se renovam. L

54


_ESPECIAL

Como construir um território realmente competitivo na era do conhecimento? Esse modelo já deu certo em algum lugar do mundo? O que define o sucesso de uma empresa? Qual o caminho para dinamizar economias regionais? De que forma incubadoras e parques podem colaborar com um processo de desenvolvimento mais inclusivo? As respostas a essas e outras perguntas você confere a partir de agora, na reportagem especial de CAPA. Ao final, o presidente do Sebrae, Luiz Barretto, defende que inovação é fundamental a qualquer empresa, independente do porte. OPINIÃO de quem reconhece o valor de uma MPE. 55


56 Shutterstock


CAPA

Por territórios mais competitivos Em meio a importantes conquistas econômicas e sociais, o Brasil se depara com o desafio de estruturar um processo de desenvolvimento que insira diferentes territórios na economia globalizada. Para isso, é preciso promover a articulação entre poder público e setor privado, em um movimento que garanta o aprimoramento contínuo das condições de vida da população. Nesse contexto, incubadoras e parques tecnológicas tornam-se ferramentas essenciais ao desenvolvimento sustentável.

DÉBOR A HORN

57


Fotos: Divulgação

CAPA

EXEMPLOS DE TERRITÓRIOS COMPETITIVOS NÃO FALTAM, TANTO NO

Research Triangle Park (RTP): idealizado para reverter o cenário negativo da economia da Carolina do Norte na década de 1950

O fortalecimento da economia e a redução das desigualdades sociais vivenciados pelo Brasil nas últimas décadas

preparados para inserção na economia global, estão as boas condições de infraestrutura, a disponibilidade de recursos humanos qualificados e a ca-

BRASIL QUANTO NO

pacidade de articular diversos

EXTERIOR. GRANDE

comuns. “O desenvolvimento é,

PARCELA DELES

Galvão, do CGEE: desenvolvimento é fruto da articulação da sociedade, em diferentes níveis

Entre as características dos territórios mais competitivos,

agentes na busca por objetivos em grande medida, o produto de um conjunto social articu-

TEM NO ESTÍMULO

lado. O sucesso comercial de

À CT&I A PRINCIPAL

depende das condições obje-

uma empresa, por exemplo,

FERRAMENTA PARA O

tivas que ela encontra em seu

DESENVOLVIMENTO

de uma vasta construção em

indicam que o país tem nova

local de produção, ou seja, redes, com articulações em

oportunidade de conduzir um

terminado espaço geográfico.

vários níveis, privados e públi-

processo de desenvolvimento

Tamanha a importância dessa

cos”, afirma o diretor do Centro

mais justo e sustentável. Para

discussão na pauta do desen-

de Gestão e Estudos Estratégi-

aproveitá-la, porém, é preciso

volvimento, o assunto foi es-

cos (CGEE), Antonio Carlos Fil-

tornar esse processo inclusivo

colhido como tema principal

gueira Galvão.

e abrangente, o que exige criar

do XXI Seminário Nacional de

Exemplos de territórios que

condições de competitividade

Parques Tecnológicos e Incu-

tiveram sua competitividade

nos mais diferentes territórios

badoras de Empresas, realizado

construída de forma articula-

– regiões, estados, municípios

pela Anprotec entre os dias 24

da não faltam, tanto no Brasil

ou qualquer outra forma de

e 28 de outubro deste ano, em

quanto no exterior. Em comum,

organização produtiva em de-

Porto Alegre (RS).

uma grande parcela deles tem no estímulo à Ciência, Tecnologia e Inovação a principal ferramenta para o desenvolvimento. Foi o que ocorreu na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, com a criação, em 1959, do Research Triangle Park (RTP), idealizado para reverter o cenário negativo da economia local à época, que contava com indústrias de pouco valor agregado e uma das rendas per capita mais baixas do país. Aproveitando o potencial de três grandes universidades norte-americanas

58

localizadas


CAPA

Fotos: Divulgação

na região – University of North Carolina, Duke University e North Carolina State University –, o parque foi uma aposta na aplicação do conhecimento científico em inovações para gerar novos negócios e evitar a fuga de cérebros. Após 52 anos, o RTP transformou-se em um polo mundial de inovação tecnológica. Gera cerca de 40 mil empregos e reúne institutos de pesquisa e cerca de 170 empresas globais, entre gigantes multinacionais e startups que atuam em diferentes áreas, como biotecnologia, tecnologia da informação e tecnologias limpas. No Brasil, um dos casos mais emblemáticos é São José dos Campos, em São Paulo. Hoje com 630 mil habitantes e um dos Índices de Desenvolvi-

do Paraíba tem no setor aero-

plantação de um parque tecno-

espacial, estruturado a partir

lógico (veja box na página 60).

da década de 1950, o principal motor de seu desenvolvimento.

Desafios

Foi lá que nasceu e cresceu a

Repetir o feito de territórios

Embraer, quarta maior fabri-

como São José dos Campos

cante de aviões do mundo.

depende da superação de uma

Resultado de um esforço

série de desafios culturais, po-

do governo para construir co-

líticos e econômicos. “Apenas

nhecimento na área, em espe-

uma pequena parcela da nos-

cial durante o regime militar,

sa sociedade já compreende a

o setor foi beneficiado com a

importância da valorização dos

TRANSFORMOU-SE EM

implantação de instituições de

ativos locais para o fortaleci-

ensino e pesquisa de excelên-

mento e a dinamização de suas

UM POLO MUNDIAL

cia, como o Instituto Tecnoló-

economias, em escala nacional,

gico da Aeronáutica (ITA) e o

regional, estadual ou munici-

Instituto Nacional de Pesquisas

pal”, afirma o diretor-técnico

TECNOLÓGICA. GERA

Espaciais (INPE). “O sucesso da

do Sebrae, Carlos Alberto dos

CERCA

Embraer está profundamente

Santos.

atrelado a esse tecido social

mento Humano (IDH) mais altos do estado, a cidade do Vale

O RTP

DE INOVAÇÃO

DE 40 MIL EMPREGOS E REÚNE INSTITUTOS DE

Vista aérea do Parque Tecnológico de São José dos Campos: novo ciclo de desenvolvimento

Santos, do Sebrae: gestores públicos devem valorizar mais os empreendimentos locais

que se formou nas décadas de 50, 60 e 70. A empresa estava inserida em uma estratégia governamental, de construir um Brasil grande economicamen-

PESQUISA E 170

te”, conclui Galvão. Ao ingres-

EMPRESAS GLOBAIS

buscou reforçar sua competiti-

sar no século XXI, o município vidade, agora investindo na im59


CAPA

É consenso entre os especialistas, porém, que o aumen-

_UM NOVO IMPULSO

to do nível de consciência da população deve vir acompaDivulgação

nhado de maior valorização das vocações e de iniciativas locais por parte do poder público. “Muitos gestores públicos só valorizam investimentos em grandes iniciativas, muitas vezes externas à região, embora geradoras de empregos em grande escala e capazes de dinamizar a economia regional. Mas, com isso, deixam de Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Aeronáutica, no Parque Tecnológico de São José dos Campos

apostar nos negócios existentes localmente”, diz Santos. O diretor do CGEE, Antonio

Com a missão de consolidar a vocação da cidade para o desenvolvimento de

Galvão, concorda que a espera

Ciência, Tecnologia e Inovação, o Parque Tecnológico de São José dos Campos,

por um poderoso agente do de-

criado em 2006, conta com 25 milhões de metros quadrados e se destina a abrigar

senvolvimento, como uma gran-

empresas de setores intensivos em conhecimento, com prioridade para as áreas de

de indústria instalada em deter-

energia, aeronáutica, saúde e recursos hídricos e saneamento ambiental. O em-

minada região, ainda é uma das

preendimento se soma à estrutura industrial e de ensino e pesquisa já existentes

principais barreiras à geração

na cidade. “Esta é uma região em que a cultura empreendedora se consolidou há

de territórios mais competitivos.

muitos anos. Então, temos uma sociedade muito preparada para receber o Parque

“O desenvolvimento não vem de

Tecnológico e seus benefícios”, afirma o diretor geral do Parque, José Raimundo

graça, por meio de um ente sal-

Coelho.

vador que chega e instala uma

Atualmente, o Parque Tecnológico de São José dos Campos conta com quatro

fábrica. É preciso melhorar efe-

Centros de Desenvolvimento Tecnológicos (CDTs), divididos entre as quatro áreas

tivamente as condições de vida

prioritárias. Os CDTs funcionam por meio de parcerias entre empresas-âncora,

de um território, a ponto de sua

universidades e entidades de pesquisa para o desenvolvimento de tecnologias es-

população encontrar apoio para

pecíficas.

deslanchar suas próprias ideias

Em complemento aos CDTs, há o Centro Empresarial, que hoje abriga 27 empresas de base tecnológica, todas de micro e pequeno porte. “Esse ambiente de

e projetos de desenvolvimento”, explica.

convivência entre empresários, pesquisadores e estudantes de graduação e pós-

A negligência em relação à

-graduação, além de estimular o empreendedorismo, garante às empresas um

formação equilibrada de ter-

acesso privilegiado a laboratórios, profissionais com alta qualificação e novas

ritórios competitivos já cus-

oportunidades de negócios”, afirma Coelho.

tou caro ao Brasil, que foi um

Soma-se a essa estrutura o chamado Parque das Universidades, onde estão

dos campeões de crescimento

instaladas a Faculdade de Tecnologia (Fatec) e a Universidade Federal de São Pau-

entre 1900 e 1980, com base

lo (Unifesp). O espaço possui ainda um escritório do Instituto Educacional BM&F

em desigualdades sociais e

Bovespa, que dissemina conhecimento sobre o mercado de capitais, além de uma

regionais. “O país cresceu ab-

unidade do Instituto Tecnológico Vale (ITV), criado pela Vale Soluções em Energia

sorvendo muita coisa de fora,

para coordenar ações de P&D em energias de fontes renováveis.

transformando muito pouco a sociedade interna. Tropeçou,

60


CAPA

assim, na própria incapacidade

des pilares econômicos dos

região, mas sim porque a ma-

de generalizar esses padrões

territórios, principalmente nos

neira como essas pessoas pro-

mais desenvolvidos para o con-

municípios. Apesar de respon-

duzem e vivem está sendo con-

junto da população e, portanto,

derem por apenas 20% do PIB

tinuamente aprimorada. É pela

gerar um mercado mais amplo,

brasileiro,

empreendi-

via da inovação que se constrói

retroalimentando o processo”,

mentos correspondem a 99,1%

uma sociedade desenvolvida e

afirma Galvão.

do total de empresas brasileiras

dinâmica.”

esses

Alcançar um novo pata-

e são responsáveis por 53%

Nesse contexto, incubadoras

mar de desenvolvimento de-

dos empregos formais existen-

e parques tecnológicos assu-

pende do fortalecimento de

tes hoje no país. “Os pequenos

mem um importante papel, pois

territórios, considerando suas

negócios representam a forma

geralmente servem como berçá-

demandas e vocações. “Não

mais concreta e estável de se

rio para o que há de mais novo

existe desenvolvimento susten-

impulsionar os ativos locais de

e ousado no campo da Ciência,

tável se boa parte do território

um território, pois aproveitam

Tecnologia e Inovação. “Essas

estiver alijado do crescimento

e desenvolvem os conheci-

entidades

econômico e social, em função

mentos e mão de obra locais,

ponta de lança no processo de

de mecanismos perversos que

são muito menos suscetíveis à

desenvolvimento porque vão

drenam renda de regiões mais

volatilidade do mercado global

abrindo novas frentes. Tratam

débeis em favor de regiões

e possuem maior flexibilidade

de

mais abastadas. Esse é o ele-

para se adequar às tendências”,

sariamente mais dinâmicos e

mento central da discussão”,

explica o diretor-técnico do Se-

promissores para gerar desen-

defende Galvão.

brae, Carlos Alberto dos Santos.

volvimento e liderar projetos de

Para ele, as MPEs também

representam

empreendimentos

uma

neces-

inovação”, resume Galvão.

A chave da mudança

desempenham

social

O presidente da Anpro-

Micro e pequenas empresas

relevante, principalmente pela

tec, Guilherme Ary Plonski,

têm se revelado um dos gran-

proximidade que geralmente

defende que incubadoras e

estabelecem com seus clientes

parques tecnológicos sirvam

e fornecedores. “Essa relação

como ponto de apoio para a

resulta em um compromisso

inovação e, em consequência,

efetivo com a comunidade lo-

o desenvolvimento. “É pre-

cal e com o sucesso do territó-

ciso que essas entidades va-

rio”, destaca.

lorizem seu papel e estejam

ALCANÇAR UM NOVO PATAMAR DE DESENVOLVIMENTO

papel

DEPENDE DO

Além de gerar emprego e

cientes de que, cada vez mais,

renda, as micro e pequenas

podem contribuir com o de-

FORTALECIMENTO

empresas podem ser prota-

senvolvimento sustentável de

gonistas da inovação, identi-

nosso país.”

DE DIFERENTES

fundamentais

Ao fortalecerem os proces-

ao crescimento de qualquer

sos produtivos, incubadoras e

país que busque se inserir na

parques devem colaborar para

TODO O BRASIL,

economia do conhecimento.

que empresas locadas em seu

CONSIDERANDO

Segundo Galvão, do CGEE,

território produzam melhor.

o desenvolvimento exige o

“Inovação e tecnologia sempre

SUAS DEMANDAS E

aprimoramento contínuo. “As

serão as chaves para a diferen-

condições das pessoas mu-

ciação de mercado e, por con-

VOCAÇÕES

dam não só porque se leva um

seguinte, para a competitivida-

pouco mais de renda para essa

de de um negócio. Esse tipo de

TERRITÓRIOS EM

ficadas

como

61


CAPA

mento estaria, portanto, em

mecanismo, quando associado a uma estratégia definida de aproveitamento do potencial econômico local, serve de propulsor para o desenvolvimento do território do seu entorno”, explica Santos, do Sebrae. O novo Brasil Uma

pesquisa

divulgada

pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em junho deste ano revela que o Brasil é o país dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) com os melhores indicadores de redu-

DEVIDO ÀS DESIGUALDADES SOCIAIS E REGIONAIS

da em uma espécie de pressão sobre territórios e cidadãos para que eles busquem, por meio da inovação, a melhoria contínua

DO BRASIL, AS

de suas condições sociais e eco-

PESSOAS NÃO ESTÃO

condição para o Brasil engatar

EM IGUAL CONDIÇÃO DE SE ENGAJAR NOS PROCESSOS DE DESENVOLVIMENTO

nômicas. “Não há mistério: a como país desenvolvido é levar, ao conjunto do seu gigantesco território, às várias regiões, uma linha de crescimento inclusivo”, explica Galvão. Aos que acompanham as políticas regionais de desenvolvimento, fica claro que há

ção das desigualdades sociais.

uma desigualdade muito gran-

O levantamento, chamado “Os Emergentes dos Emergentes”,

mais ricos foi mais intensa

de do poder público em prover

apurou que no país a evolução

nos outros países. Enquanto

apoio a seus territórios. “É cla-

dos indicadores das classes so-

na China chegou a 15,1%, no

ro que em áreas com capacida-

ciais têm mostrado desempe-

Brasil foi de 1,7%.

de fiscal muito alta, um estado

nho superior ao dos dados ma-

Entre os especialistas, não

mais abastado como São Paulo,

croeconômicos, enquanto nos

há dúvida de que o Brasil está

por exemplo, há quase que ple-

demais membros dos BRICS a

fazendo um grande e antigo

nas condições de se fazer com-

relação é a oposta.

dever de casa, por meio da

petitivo isoladamente. Isso não

a

construção de uma rede de

é verdade para boa parte do

renda familiar brasileira tem

proteção social que inclui

território que ainda é periféri-

crescido, em média, 1,8 ponto

ações como o Bolsa Família,

co no Brasil, como Norte e Nor-

porcentual acima do cresci-

o Programa de Aceleração

deste”, explica Galvão. Por isso,

mento do PIB, anualmente en-

do Crescimento e o Brasil

a divisão da responsabilidade

tre 2003 e 2010 – a melhor re-

sem Miséria, entre outros.

entre poder público e privado

lação entre os emergentes. Já

Mas é preciso ir além. “Não

na promoção do desenvolvi-

na China, a relação é inversa: a

sejamos hipócritas: dadas as

mento depende do contexto

renda familiar vem crescendo

desigualdades sociais no Bra-

em que cada território está

dois pontos porcentuais abai-

sil, as pessoas não estão em

inserido. “Precisamos criar um

xo do PIB do período. Em toda

igual condição para se enga-

ambiente sinérgico em que os

a década de 2000, o Brasil ob-

jarem no desenvolvimento.

apoios se complementem. Em

teve a segunda melhor taxa de

Esse processo inclusivo deve

áreas mais débeis o poder pú-

crescimento anual da renda

ser muito mais abrangente.

blico tem que assumir um pa-

domiciliar per capita entre os

Os territórios devem estar

pel maior. Em áreas mais abas-

20% mais pobres, com alta de

preparados, as oportunida-

tadas, o poder privado tem

6,3% – atrás apenas da China,

des devem ser dadas para as

que liderar o desenvolvimento.

que teve 8,5%. Ao mesmo tem-

pessoas”, afirma o diretor do

Esse é um grande desafio no

po, a taxa de crescimento anu-

CGEE, Antonio Galvão.

Brasil de hoje”, conclui Galvão.

Segundo

a

pesquisa,

al da renda familiar dos 20% 62

transformar o estímulo de ren-

O segredo do desenvolvi-

Embora incipientes, alguns


CAPA

passos já foram dados. Em 2008, o governo federal fez um levantamento, chamado

_SEMINÁRIO NACIONAL

Estudo da Dimensão Territorial para o Planejamento, que avaliava os diversos critérios necessários à territorialização adequada do espaço brasileiro. Foram identificados, segundo Santos, cerca de 120 polos econômicos, estratégicos para o estabelecimento de uma política territorial de

dinamização

econômica

e desenvolvimento nacional. “Trata-se de uma ferramenta poderosa de planejamento e prospecção, mas que depende de assimilação por um ambiente

político-institucional

sincronizado”, afirma o dire-

Com o tema a “Nova Competitividade dos Territórios”, o XXI Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas e o XIX Workshop ANPROTEC abriram um espaço de reflexão onde se avalia o papel dessas instituições na construção de um caminho pautado pela sinergia dos mecanismos de inovação.

“O evento tem o objetivo de contribuir para aumentar o grau de consciência dos participantes sobre o tema, de modo a despertar o interesse pela ideia, fazendo com que as pessoas acreditem na sua viabilidade”, afirma o presidente da Anprotec, Guilherme Ary Plonski. Realizado pela Anprotec, em parceria com o Sebrae, o Seminário, realizado em Porto Alegre (RS) entre os dias 24 e 28 de outubro, foi organizado pelo Parque Científico e Tecnológico da Pontificia Universidade do Rio Grande do Sul (Tecnopuc/ PUCRS) e da Rede Gaúcha de Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos (Reginp). Por meio de minicursos, palestras e debates, os participantes puderam conhecer modelos de desenvolvimento baseados na competitividade dos territórios e discutir ações integradas para contribuir com o desenvolvimento nacional em bases sustentáveis.

tor-técnico do Sebrae. A descentralização de políDivulgação

ticas públicas, incluindo a de CT&I, um processo ainda em curso, exige um diálogo cada vez maior entre União, estados e municípios para o desenvolvimento efetivo de territórios. “A União tem como responsabilidade

primária

reduzir

desigualdades sociais e regionais – está no artigo terceiro da Constituição. É preciso entender que eu não posso, de um lado, fazer uma abstração tecnocrática do que é desenvolvimento. Ele é feito pelas forças reais da sociedade, que têm características às vezes positivas e outras negativas”. Encontrar instrumentos para que essas forças caminhem na direção desejada é tarefa urgente daqueles que trabalham pelo Brasil do futuro. L

Porto Alegre (RS), sede do Seminário Nacional e das discussões sobre a nova competitividade dos territórios 63


OPINIÃO

Empreendedorismo inovador Divulgação

Luiz B ar ret to P residente do S ebrae Nac ional

O

empreendedorismo tem crescido a passos largos no Brasil, em quantidade e em qualidade. Dados da última pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) mostram que o país é o mais empreendedor do G20, com mais de

21 milhões de brasileiros entre 18 e 64 anos atuando em empreendimentos com até três anos e seis meses de atividade. Ao mesmo tempo, o empreendedorismo por oportunidade alcançou o melhor resultado da série histórica da pesquisa, com dois empreendimentos por oportunidade para cada um por necessidade. O bom momento econômico e social pelo qual o Brasil passa hoje é um dos grandes motivos para esse crescimento. Uma nova classe média surgiu e o país tem hoje um mercado consumidor de 100 milhões de pessoas. Com isso, crescem as oportunidades para as quase 6 milhões de micro e pequenas empresas brasileiras. Porém, para continuar crescendo e aumentar sua participação na economia, as micro e pequenas empresas precisam aumentar sua competitividade. O caminho é a inovação. Inovar é um processo fundamental para aumentar a competitividade

das empresas e vai além de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, alcançando também a melhoria ou criação de novos produtos e serviços ou agregando e captando valor a eles, de várias formas. Trata-se de ação fundamental para qualquer empresa, de qualquer setor e porte. Vale para a micro, a pequena, a média e a grande empresa. Para o Sebrae, o tema é tão importante que virou meta da instituição. Tínhamos como objetivo atender neste ano 30 mil pequenas empresas com projetos de inovação e atingimos esse número em setembro, três meses antes do previsto. Também investiremos R$ 780 milhões até 2013 em projetos de inovação por meio de programas como o Sebraetec e Sebrae Mais. Criamos o programa Agente Local de Inovação (ALI), onde profissionais treinados pelo Sebrae vão até empresários de pequeno porte para propor ações de inovação com o objetivo de aumentar a competitividade dos negócios. Esse trabalho é realizado gratuitamente. Nos próximos anos, os empreendedores brasileiros terão uma grande oportunidade para se desenvolverem ainda mais. Com a realização dos megaeventos esportivos, e de grandes obras de infraestrutura, como o Porto de Suape, em Pernambuco, e as usinas de Belo Monte, no Pará, e Jirau, em Rondônia, aqueles que estiverem preparados para inovar terão mais chances de sucesso e de contribuir para o desenvolvimento econômico do Brasil.

64


_HABITATS

Sistemas de inovação da Finlândia, Suécia e Dinamarca ensinaram muito aos participantes da Missão INTERNACIONAL à Escandinávia. Referência para o mundo: a Conferência da IASP será no Recife em 2013. INCUBADORAS buscam a sustentabilidade financeira e também maneiras eficientes de ampliar a atuação por meio da incubação virtual. Enquanto isso, PARQUES tecnológicos têm na GOVERNANÇA Corporativa uma saída para aumentar a transparência e captar mais recursos. Investindo em EDUCAÇÃO, profissionais de todo Brasil participaram do primeiro curso de especialização voltado a gestores de habitats da inovação 65


Divulgação

INTERNACIONAL

P OR A DR I A NE A L ICE P E R E IR A

Lições da Escandinávia Promovida por Anprotec e Sebrae, missão técnica internacional revela modelos inspiradores para o desenvolvimento do empreendedorismo inovador no Brasil

66

Cooperação e sinergia. Essas foram as

em parceria com o Sebrae, entre os dias 12

características que mais impressionaram os

e 23 de junho deste ano. Participaram da

brasileiros que visitaram parques tecnoló-

missão 46 pessoas, entre gestores de par-

gicos e incubadoras de empresas da Finlân-

ques e incubadoras, secretários municipais

dia, da Suécia e da Dinamarca, durante uma

e estaduais de ciência, tecnologia, inovação

missão técnica promovida pela Anprotec,

e desenvolvimento econômico, além de di-


INTERNACIONAL

Fotos: Divulgação

rigentes de órgãos governamentais de fomento e apoio ao empreendedorismo e à inovação. A missão ofereceu aos participantes a oportunidade de visitar habitats de inovação, entrar em contato com boas práticas de implantação e gestão de parques tecnológicos e incubadoras, além de conhecer as políticas públicas adotadas pelos países escandinavos para o desenvolvimento da indústria do conhecimento. Apesar da distância geográfica e das diferenças culturais, econômicas e sociais entre o Brasil e os países visitados, a missão teve como resultado uma intensa interação e a geração de diversas oportunidades, convertendo a ex-

promovem interações, gerando oportuni-

periência na Escandinávia em uma fonte de

dades conjuntas”, analisa o diretor da Rede

inspiração e motivação para o movimento

de Tecnologia do Rio de Janeiro, Armando

do empreendedorismo inovador brasileiro.

Augusto Clemente.

Segundo o presidente da Anprotec, Gui-

A forte cooperação também foi eviden-

lherme Ary Plonski, um dos pontos que

ciada pela vice-presidente da Anprotec e di-

mais chamou a atenção na visita foi o ele-

retora geral da Fundação Parque Tecnológi-

vado nível de cooperação estratégica entre

co da Paraíba, Francilene Procópio Garcia.

as entidades dos respectivos sistemas de

“Os países visitados possuem diversos clus-

inovação locais, nacionais e regionais, as-

ters que são estruturados e complementa-

sim como entre os parques tecnológicos.

res, definidos como estratégicos e foco de

“Esse espírito fortemente cooperativo va-

investimentos. Esse modelo reforça a co-

loriza as competências singulares e enseja

operação existente, pois não desenvolve a

um trabalho harmônico em prol do desen-

competição entre os clusters pelos mesmos

volvimento, alavancado por conhecimento

recursos, já que existe a definição de dis-

transposto pelo empreendedorismo inova-

tribuição dos investimentos. Dessa forma,

Alguns dos participantes da missão, em visita ao Lahti Science and Business Park, na Finlândia

Chalmers Innovation: um dos parques visitados na Suécia

dor”, afirma Plonski. Interação A sinergia entre grandes empresas e empreendimentos incubados nos parques tecnológicos também foi um ponto de destaque da missão, além da interação entre os próprios parques. “Uma das principais diferenças em relação ao Brasil está no contexto do ambiente de negócios, pois os parques tecnológicos dos países visitados demonstraram uma autossuficiência econômica muito forte, sendo grandes geradores de negócios entre si. Lá, os parques, diferentemente do que ocorre no Brasil, 67


Fotos: Divulgação

INTERNACIONAL

que fortalece o papel dos parques em busca da inovação. Precisamos ainda evoluir no desenvolvimento do conceito de inovação no Brasil para chegar ao nível de cooperação que os países escandinavos possuem”, avalia o diretor-superintendente do Parque Tecnológico Itaipu, Juan Carlos Sotuyo. Quarta hélice De maneira geral, a experiência dos agentes de inovação dos países escandinavos mostra os resultados que podem ser alcançados quando se conquista um amadurecimento no relacionamento entre as instituições e aplica-se na prática o conceito da hélice tripla – unindo empresas, universidades e governo. Na visão da vice-presidente

Integrantes da missão participaram de debates sobre estratégias de inovação

Mariana Santos, do BHTec: relação fluida entre diferentes instituições demonstra um sistema maduro

68

verifica-se uma forte conduta de coopera-

da Anprotec, Francilene Procópio Garcia,

ção interna”, destaca Francilene.

esse modelo já evoluiu nos países visitados.

Para o secretário municipal de Ciência,

“Percebemos que eles inseriram uma quarta

Tecnologia e Desenvolvimento Econômico

hélice no sistema, incluindo clientes e con-

Sustentável da Prefeitura de Florianópolis

sumidores nessa relação”, aponta Francilene.

(SC), Carlos Roberto De Rolt, essa organi-

Nos países escandinavos, o governo,

zação em clusters mostra para a sociedade

como integrante da hélice, assume um pa-

uma visão clara de onde serão alocados

pel de destaque diante das políticas públi-

os esforços de desenvolvimento econômi-

cas bem definidas e instituídas. “Os parques

co por meio da inovação, possibilitando

tecnológicos são, de fato, políticas públicas,

maior articulação. “A cooperação por meio

percebidos pelo governo como instrumen-

de redes competitivas de organizações, in-

tos de desenvolvimento econômico regional

cluindo o governo, com forte atuação da

e, portanto, estão incorporados à estratégia

municipalidade, é praticada sistematica-

de ação desses países”, afirma o diretor-

mente e já faz parte da cultura de gestão

presidente do Porto Digital, de Recife (PE),

conjunta e compartilhada. Essa talvez seja

Francisco Saboya. Assim, na Escandinávia,

a maior diferença quando comparamos

não se discute mais se a contribuição dos

com o Brasil, onde temos dificuldades de

parques tecnológicos para o desenvolvi-

administrar ações com multiatores”, com-

mento é relevante ou não. “Simplesmente

para De Rolt.

se faz esse investimento de forma natural

Outra observação feita pelos partici-

e contínua, com alto grau de profissionalis-

pantes brasileiros durante a missão é que

mo. Esse se trata de um ponto diferente ao

a cooperação também está presente entre

compararmos com a realidade brasileira.

as diferentes regiões dos países visitados,

Aqui as ações do poder público voltadas

potencializando o papel dos habitats de ino-

para os parques tecnológicos e habitats de

vação nas estratégias de desenvolvimento

inovação ainda são pontuais”, avalia Saboya.

regional da Escandinávia. “A parceria exis-

A participação das universidades no sis-

tente entre empresas, universidades, cen-

tema de cooperação para o desenvolvimen-

tros de pesquisa e governo é consistente, o

to dos países da Escandinávia também foi


INTERNACIONAL

destacada pelos participantes da missão.

já nascem com a preocupação de se inse-

A articulação e a relação fluida entre os

rirem globalmente e são preparadas para

atores da inovação demonstram um siste-

essa expansão pelos diferentes agentes da

ma maduro, caracterizado pelo trabalho

inovação. Para o secretário municipal de

em rede e pela complementaridade. Nesse

Ciência e Tecnologia de Florianópolis, Car-

contexto, destaca-se o tratamento diferen-

los Roberto De Rolt, os países escandinavos

ciado dado à propriedade intelectual, onde

possuem uma visão bastante clara de que

já estão superadas várias questões que ain-

em um mercado de competição mundial é

da se discutem no Brasil. “Além disso, os

difícil uma organização dominar todas as

núcleos de inovação tecnológica das uni-

competências para produzir um produto

versidades dos países visitados são mais

ou serviço diferenciado para exportação.

focados no desenvolvimento da tecnologia,

Os gestores brasileiros de mecanismos tipo

no marketing e na comercialização do que

incubadoras, parques tecnológicos, insti-

na propriedade intelectual”, afirma a gesto-

tuições de fomento ao empreendedorismo

ra executiva de projetos do Parque Tecno-

e demais entidades relacionadas precisam

lógico de Belo Horizonte – BHTec, Mariana

evoluir o seu papel de provedores de infra-

de Oliveira Santos.

estrutura básica para agir na abertura de mercados e difusão da cultura de cooperação, marketing e negócios”, afirma.

Além da transferência de tecnologia, as

Essa visão mais ampla de atuação reflete

universidades escandinavas também assu-

no posicionamento e na gestão dos parques

mem um papel decisivo no desenvolvimen-

tecnológicos da Escandinávia, onde os par-

to do empreendedorismo, atuando como

ques são administrados com muito profis-

âncoras dos novos empreendimentos e

sionalismo. “Chama a atenção que a equipe

abrindo suas portas para os empreendedo-

de gestão é bastante robusta, composta por

res de base tecnológica. Esse envolvimento

profissionais do mercado. Também há um

das universidades é complementado com

amadurecimento nos mecanismos de ges-

a chegada das novas empresas nas incubadoras e nos parques tecnológicos. Nesse ciclo, cada agente faz a sua parte em um

Integração dos parques tecnológicos às cidades surpreendeu os brasileiros Divulgação

Desenvolvimento induzido

processo articulado de indução do desenvolvimento. “Existe uma grande sintonia entre os instrumentos de desenvolvimento do empreendedorismo. Além do apoio da universidade, os empreendedores encontram nas incubadoras as condições para a criação de suas start ups e spin-offs e depois são encaminhados para os parques tecnológicos, onde terão o ambiente propício para continuar crescendo”, acrescenta a gestora do BHTec. Um dos diferenciais em relação ao Brasil nesse processo de desenvolvimento é o foco na preparação das empresas para a internacionalização. Diante do pequeno mercado interno da região escandinava, as empresas 69


INTERNACIONAL

tão imobiliária e a estrutura de governan-

com ênfase nas potencialidades e não ape-

ça é enxuta, com a participação de apenas

nas na tecnologia.

uma ou duas instituições externas, além das prefeituras e universidades”, destaca Maria-

Integração urbana

na de Oliveira Santos, do BHTec. Outro di-

Além dos diferenciais de gestão dos par-

ferencial seria o foco nas linhas de atuação,

ques tecnológicos da Escandinávia, também

em que se trabalha a difusão tecnológica

chamou a atenção dos participantes da missão a integração dos parques e estruturas de inovação aos centros urbanos e à vida

_MAPA DA MISSÃO

cotidiana das cidades. “No Brasil ainda não existem muitos debates sobre a participação dos parques tecnológicos no de-

A missão começou na Finlândia, com visitas ao Lahti Science and

senvolvimento urbano. Os nossos parques

Business Park, principal da região e especializado em energias limpas,

ainda são planejados pela lógica urbana da

ao Helsinki Business & Science Park, focados nas áreas de biotecnolo-

produção em massa, onde se priorizam os

gia, tecnologia de alimentos e farmacêutica, ao Sitra, fundo finlandês

grandes espaços afastados das cidades. Nos

de inovação, e ao Turku Science Park.

países da Escandinávia, os parques são ins-

Já na Suécia foram visitados diversos habitats de inovação, entre

talados de acordo com o conceito de produ-

eles o Mjadervi Science Park, Johanneberg Science Park e Ideon Scien-

ção mais moderna, integrados às cidades,

ce Park. A missão terminou na Dinamarca, com a participação da

com a preocupação da inserção na malha

delegação na 28ª Conferência Mundial da Associação Internacional

urbana, permitindo que o parque, inclusive,

de Parques Científicos e Tecnológicos (IASP) e visitas aos parques tec-

participe do planejamento urbano”, destaca

nológicos Copenhagen Bio Science Park (COBIS) Symbion, Scion DTU

a secretária-adjunta de Estado da Ciência,

Lyngby e DHI.

Inovação e Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Sul, Ghissia Hauser.

Conheça os principais parques visitados pela missão:

Considerando a questão urbana, o parque de Lindholmen, na cidade de Go-

Finlândia

temburgo, destacou-se pela semelhança

Turku Science Park - www.turkusciencepark.com

com a realidade do Porto Digital, no Re-

Lahti Science and Business Park - www.lahtisbp.fi

cife. As duas cidades são portuárias e se

Helsinki Business & Science Park - www.hbsp.net

encontram em um estágio de revitalização de áreas urbanas de grande apelo arquite-

Suécia

tônico, histórico e cultural. O Lindholmen

Mjärdevi Science Park - www.mjardevi.se

Science Park adota um conceito expresso

SAAB - www.saabgroup.com

em fortes elementos de interdependência:

Sahgrenska Science Park - www.sahlgrenskasciencepark.se

civilising and improving, design and bran-

Lindholmen Science Park - www.lindholmen.se

ding e enjoyment and learning. “Na práti-

Johanneberg Science Park - www.johannebergsciencepark.com

ca, isso significa que todos os atores e em-

Chalmers Innovation - www.chalmersinnovation.com

preendimentos são estimulados a interagir

Ideon Science Park - www.ideon.se

nos espaços abertos que vão se formando por meio dos três elementos, criando a in-

Dinamarca

terdependência de um segmento sobre o

Scion DTU - www.sciondtu.dk

outro”, avalia o diretor-presidente do Porto

Symbion - www.symbion.dk

Digital, Francisco Saboya.

COBIS - www.cobis.dk

Essa interação por meio do planejamento do espaço dos ambientes de inovação

70


INTERNACIONAL

Fotos: Divulgação

também é destacada pela secretária Ghissia Hauser. “Há um forte apelo estético e arquitetônico, além da criação de espaços de integração. Conhecemos, por exemplo, um espaço de co-working em um dos parques que permitia a empresas de fora do parque, de base tecnológica ou não, utilizarem aquela estrutura para promoverem reuniões e outras atividades. É uma iniciativa simples, mas permite o convívio entre as empresas e as pessoas que estão dentro e fora do parque, ampliando o público da instituição”, completa. Tendências e oportunidades Entre as tecnologias conhecidas nos países escandinavos, algumas áreas repre-

possamos avaliar qual caminho estamos

sentam oportunidades comerciais e de pes-

traçando e quais as melhores técnicas a

quisa e desenvolvimento em parceria com

serem desenvolvidas para alcançarmos ex-

o Brasil. “Entre os destaques de oportuni-

celentes patamares de desenvolvimento no

dades estão as linhas de conhecimento nas

que se refere às pesquisas relacionadas ao

quais o nosso país já possui competências,

meio ambiente”, ressalta Sotuyo.

como energias renováveis e algumas linhas

Para a vice-presidente da Anprotec,

de biotecnologia, especialmente em relação

Francilene Procópio Garcia, além das áre-

ao aproveitamento da biodiversidade bra-

as de tecnologia limpa e meio ambiente,

sileira. Além da interação entre os parques

há várias oportunidades de parceria com

tecnológicos do Brasil e da Escandinávia,

Finlândia, Suécia e Dinamarca. “De manei-

acredito que a missão possa ter como um

ra geral, verificamos um interesse cres-

de seus principais resultados a abertura de

cente pelo Brasil, diante do tamanho do

canais para parcerias com as agências de

nosso país, do grande mercado consumi-

inovação, principalmente da Suécia e Dina-

dor e do crescimento econômico, além da

marca”, explica explica o diretor da Rede de

referência em conhecimento, tecnologia e

Tecnologia do Rio de Janeiro, Armando Au-

inovação em algumas áreas. A missão foi

gusto Clemente.

um importante momento para a troca de

Os projetos desenvolvidos nos países

contatos e o amadurecimento da progra-

escandinavos na área de tecnologia limpa

mação de cooperação entre os países para

também chamou a atenção do diretor-supe-

conhecer novas tecnologias e mercados e

rintendente do Parque Tecnológico Itaipu,

aprofundar ações que já existiam”, destaca.

Juan Carlos Sotuyo. O Parque de Itaipu de-

Entre os resultados da missão, foram fir-

senvolve, em parceria com a Itaipu Binacio-

madas três parcerias entre a Secretaria da

nal, a Plataforma Itaipu de Energias Renová-

Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tec-

veis. “Essa questão é amplamente discutida

nológico do Estado do Rio Grande do Sul, o

no Brasil e conquista cada vez mais espaço

Lahti Science and Business Park, da Finlân-

nas pesquisas e ações promovidas em todos

dia, o Johaneberg Science Park, de Gotem-

os âmbitos da sociedade. O exemplo do que

burgo, na Suécia, e o Ideon Science Park, da cidade de Lund, também na Suécia. L

é realizado em outros parques permite que

Ghissia, da Secretaria da Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Sul: parques escandinavos são instalados de acordo com o conceito de produção moderna, junto às cidades

Clemente, do Sebrae/RJ: missão abriu canais para parcerias entre agentes de inovação do Brasil e dos países visitados

71


Divulgação

INTERNACIONAL

Porto Digital, em Recife (PE) P OR A DR I A NE A L ICE P E R E IR A

Conferência da IASP em 2013 será no Brasil Porto Digital, no Recife, foi escolhido para sediar o evento mais importante do movimento de empreendedorismo inovador mundial O Brasil irá sediar a 30ª Conferência

1996, no Rio de Janeiro. A eleição do Brasil

Mundial da Associação Internacional de Par-

para o evento de 2013 foi por unanimidade

ques Científicos e Tecnológicos (IASP), em

da Assembleia Geral, uma conquista para o

outubro de 2013. Na 28ª Conferência – re-

movimento de empreendedorismo inovador

alizada em junho deste ano, em Copenhage,

brasileiro. “A proposta do Porto Digital foi al-

na Dinamarca – o Porto Digital, do Recife

tamente elogiada. Aproveito para reconhecer

(PE), foi escolhido para receber o evento que

a parceria do Sebrae na preparação e argu-

reúne os principais agentes do movimento

mentação vitoriosa. Foi um momento especial

de incubadoras e parques tecnológicos do

de reconhecimento ao movimento brasileiro,

mundo. A Conferência de 2012 será realiza-

em adição ao prestígio de ter o Mauricio

da na cidade de Tallinn, na Estônia.

Guedes, um dos pioneiros da Anprotec, na

Será a segunda vez que o Brasil irá receber a Conferência da IASP. A primeira foi em 72

presidência da IASP”, destaca o presidente da Anprotec, Guilherme Ary Plonski.


INTERNACIONAL

Além do Brasil, apenas os Estados Uni-

Conferência de 2013 serão relativos à infra-

dos e o Canadá já sediaram a Conferência

estrutura urbana, como segurança, transpor-

da IASP nas Américas. A escolha também

te, entre outros serviços que, com os investi-

foi um reconhecimento ao local: o Porto

mentos já feitos para a Copa do Mundo em

Digital. “A conquista coloca o Porto mais

2014, serão mitigados”, avalia Saboya.

fortalecido em uma rota de internacionalização, garantindo presença mais efetiva

A Conferência IASP 2011

no âmbito da maior rede de parques cien-

O Brasil teve a maior delegação estran-

tíficos e tecnológicos do mundo”, afirma o

geira na 28ª Conferência Mundial da IASP,

diretor-presidente do Porto Digital, Fran-

realizada de 19 a 22 de junho deste ano,

cisco Saboya.

em Copenhague, na Dinamarca. Ponto final

Criado em 2000, o Porto Digital é um dos

da Missão Internacional à Escandinávia,

principais parques tecnológicos do Brasil.

promovida pela Anprotec e pelo Sebrae, a

Com uma proposta inovadora de integração

Conferência reuniu 56 representantes bra-

com o espaço urbano, reúne cerca de 200

sileiros. O evento foi conduzido pelo primei-

empresas e gera pouco mais de seis mil em-

ro presidente brasileiro da IASP, Mauricio

pregos diretos. De acordo com o diretor-pre-

Guedes, diretor do Parque Tecnológico do

sidente do Porto Digital, a preparação para a

Rio e coordenador da incubadora de empre-

Conferência da IASP em 2013 já começou.

sas da Coppe/UFRJ.

“Para realizar a Conferência com sucesso, o

O tema da Conferência IASP 2011 foi

Porto Digital já deu início aos preparativos. A

“Roteiros para a navegação no futuro” e

equipe responsável pela ação já está defini-

teve foco em três áreas principais: Pesso-

da e tem estreita relação com a IASP, relação

as e Competências; Economia e Política;

essa que procurou construir antes mesmo da

e Tecnologia & Inovação. Dentro dessas

aprovação da candidatura. As atividades par-

áreas, os debates e trocas de experiências

tirão de um plano de trabalho que abrange os

abordaram as dificuldades e os fatores de-

anos de 2011, 2012 e 2013 e que já come-

cisivos para o sucesso dos polos tecnoló-

çou a ser executado”, ressalta Saboya.

gicos em todo o mundo. Participaram da

O evento também acontecerá menos de um ano antes do primeiro grande evento in-

Conferência em Copenhage delegações de 56 países diferentes.

ternacional esportivo que o Brasil irá sediar

Além da quantidade e da diversidade dos

nos próximos cinco anos: a Copa do Mundo

participantes, os temas e conceitos debatidos

de Futebol de 2014. Para Francisco Saboya,

chamaram a atenção do presidente da Anpro-

os investimentos destinados à realização da

tec. “Em termos conceituais, destaco o reco-

Copa no Brasil irão contribuir para oferecer

nhecimento da relevância crescente de entes

uma melhor estrutura aos participantes da

afins aos objetivos dos parques tecnológicos,

Conferência da IASP em 2013, tendo em

que devem ser incluídos em nosso escopo

vista que Recife será uma das cidades-sede

de atuação, ainda que não se enquadrem na

da competição esportiva.

definição estrita de science park. Em termos

Essa preocupação demonstra que não

metodológicos, a forma dialógica de compar-

apenas o Porto Digital está dedicado à or-

tilhar os resultados de cada sessão específica

ganização de um evento de excelência em

mediante atividades interativas denominadas

2013, mas a cidade de Recife, o estado de

knowledge camps, cuja primeira experiência

Pernambuco e o próprio movimento brasi-

tive o privilégio de participar como relator,

leiro de empreendedorismo inovador. “Os

junto com um colega de Hong Kong e outro da Suécia”, conta Guilherme Ary Plonski. L

grandes desafios a serem enfrentados para a

73


Shutterstock

INCUBADORAS

P O R C A M I L A A LV E S

A fórmula do equilíbrio Para prestar suporte de qualidade às empresas apoiadas, incubadoras e parques tecnológicos ainda buscam formas de garantir a própria sustentabilidade

74

Como oferecer serviços às empresas

te propício à inovação”, explica o diretor do

a preços competitivos, fomentando o de-

Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tec-

senvolvimento científico e tecnológico e

nológico da Universidade de Brasília (CDT/

manter-se, ao mesmo tempo, sustentável

UnB), Luís Afonso Bermúdez.

financeiramente? A questão sempre foi, e

Para incubadoras de empresas, a susten-

continua sendo, um dos principais desa-

tabilidade financeira tornou-se uma preo-

fios para gestores de habitats da inovação.

cupação constante. “No Rio Grande do Sul,

“A incubadora e o parque tecnológico sus-

por exemplo, a incubação é um sistema que

tentáveis são aqueles que conseguem, com

sofre muito com ondas. Não adquiriu capa-

suas capacidades técnicas, captar recursos

cidade autônoma de sustentabilidade. Ain-

para prestar, com qualidade, os serviços

da precisa de apoio do governo para sobre-

que oferecem às empresas e, também, para

viver”, afirma o diretor do Parque Científico

alcançar os objetivos aos quais eles se pro-

e Tecnológico da Pontifícia Universidade

põem. Assim, não visam ao lucro, mas se-

Católica do Rio Grande do Sul (Tecnopuc) e

rem sustentáveis para oferecer um ambien-

presidente da Rede Gaúcha de Incubadoras


de Empresas e Parques Tecnológicos (Re-

do-se a partir do serviço de gestão de pro-

ginp), Roberto Moschetta.

jetos que oferece. “A nossa principal fonte

Segundo ele, o problema é tamanho que

de receita hoje, cerca de 85% do total, é

algumas teorias afirmam que as incubado-

a gestão de projetos na área de inovação,

ras não são empreendimentos sustentáveis

seja para grupos de pesquisa de institui-

por essência. “Por essa concepção, elas não

ções científicas e tecnológicas da Paraíba,

seriam sustentáveis porque precisam dis-

seja para algumas empresas incubadas e

ponibilizar serviços para uma empresa nas-

associadas”, explica o diretor-adjunto da

cente, cobrando preços quase simbólicos.

Fundação, Vicente de Paulo Albuquerque

Em princípio, então, só conseguiriam se

Araújo. “Como segunda fonte, temos ou-

manter se houvesse fomento público ou até

tros serviços especializados prestados às

por um sistema empresarial, o que é ainda

empresas de base tecnológica, vinculadas

mais difícil”, explica.

à incubadora ou já graduadas e associadas.

Uma das soluções para o problema estaria em uma mudança nos modelos de

Mas isso representa apenas uma parcela de cerca de 15% dos nossos recursos.”

incubação praticados no Brasil. “Vemos, no

Segundo Araújo, no início acreditava-se

mundo inteiro, incubadoras rentáveis. Só

que a Fundação alcançaria a sustentabili-

que são modelos diferentes dos que existem

dade apenas com os serviços especializados

aqui. É um modelo baseado em preparar um

oferecidos às empresas. “Nós imaginávamos

empreendimento potencialmente vitorioso,

que só com o crescimento do polo e as recei-

com suporte de capital e investimento, para

tas das empresas haveria condições de dar

que ele depois pague à incubadora quando

sustentabilidade à manutenção da institui-

se graduar”, explica Moschetta. Ele destaca

ção. Só que isso não aconteceu e a gente só

casos de empresas estrangeiras que, depois

conseguia viabilizar nossa sustentabilidade,

de graduadas, tornaram-se sócias das incu-

antes, por meio de editais”, afirma.

badoras. “A incubadora se remunera não

A ideia de focar no gerenciamento de

pela cobrança da locação, que é muito ba-

projetos ganhou reforço a partir 2007.

rata, mas quando a empresa é vendida no

“Além de garantirmos receita para a insti-

mercado e paga pelo que antes não podia

tuição, conseguimos prospectar projetos

pagar. Aí, sim, uma incubadora se torna

e grupos de pesquisa que podem vir a se

sustentável”, diz.

transformar em empreendimentos inova-

Fotos: Divulgação

INCUBADORAS

Moschetta, do Tecnopuc: incubadoras e parques ainda são muito dependentes de recursos do governo

dores. Hoje temos um ‘equilíbrio’ da gesOferta de serviços

tão financeira da instituição. Conseguimos

Para o diretor do CDT, Luís Bermúdez,

fazer uma quantidade razoável de projetos,

o ponto-chave da questão encontra-se na

incentivar a criação de empreendimentos

prestação de serviços. “A incubadora é um

inovadores e ter receita para estimulá-los”,

empreendimento sustentável no seguin-

destaca Araújo.

te sentido: tem que manter uma estrutura

Nos próximos anos, a meta do PaqTcPB

básica. E a principal fonte de recursos para

é ampliar a gama de serviços do Parque e

se alcançar isso é a prestação de serviços

oferecer espaço para a instalação de em-

inteligentes, ou seja, oferecer às empresas

presas no futuro Centro de Tecnologia e

acesso a mercados financeiros, à consulto-

Inovação Telmo Araújo (Citta). “É nisso

ria, a informações tecnológicas e, é óbvio,

que estamos apostando como expansão do

cobrar por isso”, avalia.

Parque. Vamos viabilizar espaço e as em-

A Fundação Parque Tecnológico da Pa-

presas terão que pagar por isso. Elas terão

raíba (PaqTcPB) segue essa linha, manten-

uma série de serviços inteligentes centra-

Bermúdez, do CDT: incubadora precisa manter estrutura básica para oferecer serviços e cobrar por eles

75


INCUBADORAS

lizados e, assim, poderão ter uma base de

da sustentabilidade. “O privilégio de uma de-

informações e agregar valor às suas pro-

terminada fonte de recursos em detrimento

duções”, afirma.

do outra prejudica um ambiente de inovação adequado. Hoje, no Brasil, temos pouco lado empresarial e muito lado de fomento do go-

A fórmula que o PaqTcPB pretende

verno e de universidades, porque as outras

adotar deu certo no Tecnopuc, de Porto

partes não foram capazes de assumir seus

Alegre (RS). O parque, que foi inaugurado

papéis ainda”, afirma Moschetta.

oficialmente em 2003, deve alcançar sua

Segundo ele, atualmente a maioria dos

autonomia financeira em no máximo dois

parques e incubadoras está pautada em re-

anos, segundo o diretor Roberto Moschetta.

cursos públicos e, devido a isso, às vezes so-

A expectativa é que o habitat mantenha-se

fre com a demora na liberação de recursos

em funcionamento a partir da própria dinâ-

e problemas de continuidade. “O grupo de

mica do local. “O aluguel é nossa fonte de

parques brasileiros é muito fraco se compara-

recursos mais óbvia, mas existem empresas

do a outros empreendimentos desse tipo no

que atuam conosco e estão contribuindo

mundo. Algumas exceções, como as dos par-

com as bolsas de alunos da universidade

ques aqui do Sul, decorrem do fato de que o

envolvidos nos projetos. Algumas também

financiamento não foi pautado pelo dinheiro

já montaram laboratórios completos, com

público. A principal fonte de sustentação veio

equipamentos e infraestrutura, para que

das próprias universidades que os constituí-

possam desenvolver determinados produ-

ram. Quem ficou dependente de recursos de

tos e serviços com a PUC. Isso também é

fomento do governo teve dificuldades e conti-

importante para a universidade, pois gera

nua enfrentando-as”, diz Moschetta.

um patrimônio que ao fim do projeto fica

O diretor-adjunto da Fundação PaqTcPB,

à disposição para as atividades de ensino e

Vicente de Paulo Araújo, também defende

pesquisa”, explica Moschetta.

uma menor dependência de recursos públi-

Tanto para incubadoras quanto para par-

cos. “Nós, da Paraíba, estamos conscientes

ques tecnológicos, a diversificação do portfó-

de que se fôssemos depender do Estado, a

lio de fontes de recursos aparece como um

instituição não existiria. Para a nossa ex-

dos fatores mais importantes para o alcance

pansão, os recursos públicos são interes-

Bruno Todeschini/ Divulagação PUCRS

Tecnopuc, em Porto Alegre: autonomia financeira esperada para 2013

Quase autossustentável

santes. Mas nunca para a nossa simples manutenção. A sustentabilidade só se dá por meio da prestação de serviços inteligentes.” De acordo com o diretor do CDT, Luís Bermúdez, ampliar a rede de recursos é essencial, já que a ideia de completa autonomia financeira, na sua opinião, é impraticável. “Muito discurso se faz de que as incubadoras têm que ser autônomas financeiramente. Mas isso não é verdade. O CDT não é autônomo financeiramente. Se a universidade e os nossos parceiros se retirarem, ficaremos mal. A UnB não consegue, sozinha, sustentar a incubadora. É necessário que os recursos venham de diversas fontes”, conclui. L

76


Shutterstock

INCUBADORAS

P O R C A M I L A A LV E S

Conexão virtual Incubadoras focam no atendimento a distância e ampliam a rede de empreendimentos apoiados. Modalidade exige disciplina de ambas as partes Aumentar o número de empreendimen-

“As incubadoras brasileiras ainda são carac-

tos, ampliar a abrangência geográfica, ofe-

terizadas por estarem muito focadas na in-

recer apoio dissociado do espaço físico. São

cubação física. Mas, principalmente a partir

vários os motivos que vêm fazendo incuba-

de 2007, começamos a perceber um gran-

doras e empresas aderirem à incubação vir-

de interesse dessas instituições em atender

tual, modalidade que cresce no Brasil e deve

empresas virtualmente, pois isso permite

se tornar uma tendência nos próximos anos.

ampliar suas áreas de atuação”, afirma o 77


Fotos: Divulgação

INCUBADORAS

Jamile, do MIDI Tecnológico: incubadora deixava de atender bons projetos por falta de espaço físico

consultor do Centro de Empreendedorismo

permitam à incubadora, mesmo não tendo

Inovador da Fundação Certi, de Florianópo-

contato físico com o incubado, obter resul-

lis (SC), Carlos Eduardo Negrão Bizzotto.

tados que demonstrem se ele está evoluin-

De acordo com ele, um dos incentivos

do ou não em cada eixo de avaliação dos

para o crescimento da modalidade é a ado-

negócios”, explica. A ampliação da estrutura

ção, pelas incubadoras, do modelo de certi-

é outro desafio. “A incubadora tem que ter

ficação do Centro de Referência para Apoio

softwares, equipamentos e uma rede de es-

a Novos Empreendedores (Cerne). “Uma

pecialistas que possa dar suporte aos em-

das exigências do Cerne é a ampliação dos

preendimentos. Quando você amplia o nú-

limites da incubadora, o que só é possível a

mero de incubadas, aumenta o custo com a

partir de um processo de incubação virtu-

prestação de serviços em geral.”

al”, destaca Bizzotto. Atualmente, no Brasil, existem três mo-

Foi após uma experiência malsucedida

modalidade a distância, em que a incubado-

com incubação virtual que a coordenadora

ra eventualmente mantém contato presen-

do MIDI Tecnológico de Florianópolis (SC),

cial com as empresas. O outro é o formato

Jamile Sabatini Marques, decidiu pesqui-

online, no qual a interação ocorre por meio

sar sobre metodologias para melhorar a

da internet. O terceiro é a incubação em

modalidade na incubadora. “Percebemos

rede, que inclui uma central interligada a

que eram necessárias regras mais claras na

pontos de presença em outras regiões atra-

incubação virtual para que ela funcionas-

vés de satélite ou redes.

se. Então, resolvemos parar de oferecer a

Para Bizzotto, é necessário que as incubadoras criem metodologias de atendimenA modalidade virtual exige que o empreendedor esteja comprometido em fornecer informações sobre o negócio

Metodologia

delos de incubação virtual. Um deles é a

modalidade em 2005 para reestruturá-la”, explica Jamile.

to para a modalidade, em qualquer um dos

Com base na experiência, Jamile desen-

formatos, ser bem-sucedida no país. “Um

volveu sua pesquisa de mestrado em Gestão

grande desafio é criar indicadores, méto-

de Inovação na École Nationale Supérieure

dos e processos de acompanhamento que

des Mines – Saint-Étienne, na França. Em 2009, a modalidade foi retomada na incubadora. “Hoje temos um contrato bem definido, com penalidades. Se o incubado não participa, acaba pagando mais. Ele não pode ter só o status e os benefícios de estar na incubadora. Deve participar das orientações, dos cursos oferecidos. Resolvemos trabalhar de uma forma que mexa no bolso dos empreendedores”, afirma a coordenadora. Até agora, para ela, as mudanças no modelo vêm apresentando bons resultados. “No último processo seletivo do MIDI Tecnológico tivemos mais procura pela incubação virtual do que pela residente. Poderíamos abrir ainda mais vagas, além das dez que oferecemos. Estamos satisfeitos, pois deixávamos de atender bons projetos por falta de espaço físico”.

78


INCUBADORAS

Divulgação

Baixa demanda Assim como acontece no MIDI Tecnológico, o Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (CDT/UnB) também exige das empresas incubadas virtualmente que participem de encontros e cursos. E o processo de monitoramento é feito por meio de visitas semestrais às sedes das incubadas. A modalidade é oferecida no CDT desde 2004 e 16 empresas já passaram pelo processo, mas a demanda pela Incubação Virtual, de acordo com a vice-diretora do Centro, Ednalva Fernandes Costa de Morais, ainda é baixa. “Observamos que as empresas, de maneira geral, preferem a incubação físi-

soluções de comunicação via protocolo IP,

ca. A convivência no dia-a-dia parece ser

hoje é residente no CDT, mas por quase um

muito mais atrativa no sentido de gerar

ano passou pela incubação virtual. Foi a

oportunidades de negócios e convívio com

única que trocou de modalidade no Centro.

a equipe de apoio da incubadora”, afirma.

“Optamos pela incubação virtual no início

Ednalva explica que as empresas can-

porque a empresa já existia antes. Quería-

didatas aos dois tipos de incubação fazem

mos crescer, mas tínhamos um escritório

parte do mesmo processo seletivo e que o

e as nossas instalações eram melhores do

próprio CDT sugere a algumas a modali-

que as oferecidas pelo CDT na época, pois

dade virtual. “Na incubação física, priori-

o Centro ainda não estava no prédio novo”,

zamos as iniciantes e as de alta tecnolo-

explica a diretora de Relacionamento com

gia, que requerem mais proximidade com

o Cliente da empresa, Mônica Barcellos.

os pesquisadores da universidade. Mas se

Ela afirma que o processo é recomendável

avaliamos que a empresa só precisa de

para empresas que já possuem uma certa

informação tecnológica ou que os empre-

estrutura. “Funciona para a empresa que

endedores já tem um nível de maturidade

já tem um mercado, mesmo que pequeno,

maior, propomos a incubação a distância”,

e que deseja se expandir. Já no caso das

explica.

empresas que são só uma ideia, acredito

Para ela, aumentar a demanda espontânea das empresas pela modalidade é um

que precisam mais do abrigo na incubadora”, afirma.

desafio. “Queremos ampliar, mas precisa-

Na opinião de Ednalva, as empresas

mos viabilizar uma divulgação levando em

que participam da incubação virtual do

conta o nosso perfil. Não adianta induzir-

CDT apresentam o mesmo rendimento

mos uma demanda sem ter como atendê-la.

das que estão instaladas no prédio. “Se

Precisamos ter um grupo de especialistas

o empreendedor não se envolver de fato

para prestar apoio às empresas e, também,

no processo de incubação, não continu-

estimular a utilização de novas tecnologias

ará na incubadora e não terá os resul-

de comunicação, como plataformas de Edu-

tados esperados nos prazos estimados.

cação a Distância em cursos de capacita-

Objetivamente falando, não há diferen-

ção”, afirma.

ça de rendimento. Apenas de endereço”,

A Optimedia, empresa que desenvolve

Ednalva, do CDT: empresas com maior nível de maturidade são o alvo da incubação virtual

destaca. L 79


Shutterstock

PARQUES

P O R C A M I L A A LV E S

Decisões compartilhadas Adoção de práticas de governança corporativa está entre os desafios dos parques tecnológicos brasileiros para garantir transparência, consolidar parcerias e captar mais recursos No início da década de 1990, preocupa-

grandes empresas, principalmente entre

dos em garantir seus direitos e interesses,

as que integram o mercado de capitais. Em

acionistas começaram a perceber a neces-

1995, surgiu o que hoje é o Instituto Bra-

sidade de criação de regras para regular o

sileiro de Governança Corporativa (IBGC),

relacionamento com os gestores das em-

instituição que tem como meta difundir o

presas nas quais investiam. O movimento

conceito e disseminar as melhores práti-

surgiu principalmente nos Estados Unidos e

cas. Cinco anos depois da criação do IBGC,

deu origem à governança corporativa. O ob-

a Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros

jetivo era criar barreiras contra abusos de

de São Paulo (BM&FBovespa) também

diretorias executivas e omissões de audito-

criou níveis de governança aos quais as

rias, além de outros conflitos. Em resposta,

empresas listadas podem aderir volunta-

as companhias passariam a seguir preceitos

riamente.

como prestação de contas, transparência e responsabilidade.

80

Tão comum no mercado de capitais, a governança corporativa, no entanto, ainda

No Brasil, a adoção de mecanismos de

está distante da realidade de uma série de

governança é cada vez mais comum em

instituições brasileiras, entre elas os par-


PARQUES

ques científicos e tecnológicos. Foi essa

gestão, tenho convicção de que ele pode se

constatação que levou o professor da Pon-

consolidar no mercado”, analisa.

tifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Eduardo Giugliani a tentar

Mais recursos

aproximar as duas áreas. Sua tese do dou-

Um dos resultados que a adoção de mo-

torado em Engenharia e Gestão do Conhe-

delos de governança corporativa pode levar

cimento, realizado na Universidade Federal

aos parques seria a possibilidade de au-

de Santa Catarina, tinha como foco a busca

mento da captação de recursos. “Se as em-

de um modelo de governança para parques

presas que trabalham nas áreas de capital

científicos e tecnológicos no Brasil. “Ao pes-

de risco, fomento de empresas nascentes e

quisar governança no mundo, encontramos

investimento em novos produtos e serviços

muitas experiências. Mas se pesquisar so-

inovadores olham uma organização do tipo

bre como os parques tecnológicos do mun-

parque tecnológico organizada de tal for-

do inteiro estão organizacionalmente im-

ma que tenha um modelo de gestão e go-

plantados, há escassos modelos de gestão

vernança implantados, essa empresa verá

e – sei que é uma declaração ousada – não

o parque como um ambiente mais seguro

enxergamos praticamente nenhuma con-

para investir os seus recursos, mesmo que

vergência de gestão com governança em

de risco”, afirma Giugliani.

parques”, afirma Giugliani.

Para o professor, se a médio prazo os ges-

A necessidade de se pensar em estra-

tores de parques começarem a adotar meca-

tégias que tornem os parques científicos

nismos de governança, essas organizações

e tecnológicos mais competitivos foi a

conseguirão alcançar níveis de captação de

principal motivação do pesquisador para

recursos muito diferentes dos atuais. “Hoje

desenvolver a tese sobre o assunto. “Par-

os recursos públicos são a principal fonte.

ques são corporações novas e emergentes

Eles são importantíssimos porque, na ver-

e estão cada vez mais sendo demandados

dade, cumprem um papel de estratégias de

por governos e entidades para que possam

governo. Mas é sabido que mundialmente há

cumprir um papel importante de desenvol-

empresas de venture capital, capital de risco,

vimento e inovação. Então, é necessário

que têm interesse em investir. E o Brasil têm

dotá-los de um poder organizacional talvez

muitos grupos operando em cima disso”, afir-

tão forte quanto o das empresas de maior

ma Giugliani. Ele ressalta que se os parques

sucesso que existem em outros segmentos

aplicassem os princípios da governança, o in-

corporativos”, explica o professor.

vestidor teria antecipadamente uma garantia

Segundo Giugliani, é importante que a

de que está tratando com uma instituição idô-

forma de organização dos parques ultra-

nea e segura, com forte potencial de oferecer

passe o que a gestão pode oferecer. “A ges-

um retorno àquele investimento.

tão pode dotar a organização de alguns pro-

Existem diversas boas práticas e mo-

cessos de gerenciamento bastante eficazes,

delos

mas ela não chega a ser tão ampla quanto

BM&FBovespa, por exemplo, exige que as

de

governança

corporativa.

A

a governança, que vai focar nas estratégias

empresas que queiram atingir o grau mais

da corporação e, principalmente, no alinha-

alto de governança cumpram requisitos

mento dos interesses dos mantenedores do

como ter um Conselho de Administração

negócio aos dos seus agentes, que são os

com no mínimo cinco membros – dos quais

seus gestores. Se um parque começa a nas-

20% devem ser independentes –, traduzam

cer com um nível organizacional que enxer-

todas as suas demonstrações financeiras

ga de um lado a governança e de outro a

para o inglês e que os cargos de presidente 81


Gilson Oliveira/Divulgação PUCRS

PARQUES

Giugliani, da PUCRS: mecanismos de governança podem ajudar parques na captação de recursos

do Conselho e de principal executivo não

de propor uma modelagem que seja adequa-

sejam ocupados pela mesma pessoas, den-

da ao nosso ambiente organizacional”, afirma.

tre várias outras exigências.

Segundo o diretor do Tecnopuc, Ro-

Em sua tese, Giugliani criou o que cha-

berto Moschetta, a intenção de se adotar

ma de “campos de governança”, incluindo

mecanismos de governança se deu pelo

dez áreas a serem analisadas para checar

crescimento da instituição. “Pelo tamanho

os níveis de governança em parques tecno-

que nosso parque atingiu, já é necessário

lógicos. Entre elas, destacam-se: processo

formalizarmos as relações entre os agentes

de tomada de decisão; a existência de um

da tríplice hélice – universidade, governo e

Conselho de Administração; as característi-

empresas – para que as relações entre as

cas desses conselhos, como composição, ta-

partes possam ser realizadas de maneira

manho e sistema de remuneração; a diversi-

mais estruturada”, explica. “Não é que hoje

dade de gênero no conselho; a acumulação

essas relações não aconteçam, mas não te-

de cargos de presidente do Conselho e de

mos um mecanismo formal que as facilite”.

diretor executivo; a existência de Comitês de Supervisão, dentre outros.

Algumas das estratégias que devem ser adotadas no Tecnopuc são a formação de

Para testar o modelo, quatro organiza-

conselhos consultivos e a reestruturação da

ções foram analisadas na tese de Giuglia-

atual direção. “Queremos que, além de ter um

ni. Dentre elas, três parques científicos e

representante executivo da universidade, a

tecnológicos brasileiros: o Tecnopuc, da

diretoria seja composta pelos demais agentes,

PUCRS, o Tecnosinos, da Universidade do

governo e empresas”, afirma Moschetta.

Vale do Rio dos Sinos – ambos localizados

Os parques em fase de implantação e

no Rio Grande do Sul – e o Sapiens Parque,

projeto que fazem parte da Rede Gaúcha

que está em fase de implantação em Flo-

de Incubadoras de Empresas e Parques

rianópolis (SC). Para utilizar um exemplo

Tecnológicos (Reginp) – entidade da qual

externo, a empresa Grendene, que está no

Moschetta é presidente – também serão

nível “Novo Mercado” de governança cor-

incentivadas a pensar em estratégias de

porativa da BM&FBovespa – o mais alto

governança. “Um sistema de gestão inade-

existente – também foi analisada.

quado é mortal para um parque em criação.

Apesar de nenhum dos três parques ado-

Tendo isso em vista, envolver os gestores

tar formalmente modelos de governança

dos parques nascentes com a governança

corporativa, como ocorre na Grendene, os

logo no início nos parece uma precaução

resultados, para Giugliani, mostraram-se po-

muito necessária”, diz Moschetta.

sitivos. “Se olharmos a tendência da empresa

De acordo com ele, no Rio Grande do Sul

de referência e a dos parques estudados, ve-

o governo já planeja exigir iniciativas de go-

remos nossa situação com certo otimismo. A

vernança como requisito para dar apoio os

governança começa a ser um horizonte bem

projetos. “Os sistemas de fomento a esses

factível aos nossos parques”, afirma.

novos parques em nosso estado já preveem que entre os indicadores valorizados para

82

Realidade próxima?

a concessão de apoio estarão os de gover-

Eduardo Giugliani, além de professor da

nança, ou seja, a especificação de como as

PUCRS, é assessor de projetos junto ao Tecno-

relações entre os agentes dos parques irão

puc, e afirma que no parque já existe a ideia

ocorrer”, explica o professor. “Em qualquer

de adotar um modelo de governança. “Esta-

tipo de empreendimento, a governança é

mos tentando visualizar a governança de uma

sempre um quesito. Por que não seria em

forma mais concreta, mais realista, no sentido

um parque?”, questiona. L


Shutterstock

EDUCAÇÃO

P O R TA L I TA F E R N A N D E S

Aprender para apoiar Curso de especialização voltado aos gestores de incubadoras e parques tecnológicos tem como foco o desenvolvimento dos habitats da inovação Fomentar a inovação em parques tecno-

formam no dia 24 de outubro deste ano, du-

lógicos e incubadoras de empresas. Esse é

rante o XXI Seminário Nacional de Parques

o desafio do Programa de Capacitação em

Tecnológicos e Incubadoras de empresas,

Gestão de Habitats de Inovacão, criado pela

em Porto Alegre (RS). Durante o evento, a

Anprotec, em parceria com o Sebrae Conse-

Anprotec deve realizar também a chamada

lho Nacional de Desenvolvimento Científico

para a criação de novas turmas do curso,

e Tecnológico (CNPq), a Finep e o Ministério

com início previsto para 2012.

da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI),

A carga total de 460 horas foi dividida

por meio do Programa Nacional de Apoio

em aulas presenciais em São Paulo alterna-

às Incubadoras e aos Parques Tecnológicos.

das com encontros online através de chats e

O curso é aplicado pela Fundação Instituto

fóruns. Ao final do curso, os alunos podem

de Administração (FIA), de São Paulo (SP).

fazer ainda um módulo adicional no exte-

Concebido em forma de curso de pós-

rior, com o objetivo de aprimorar o conhe-

-graduação lato sensu, a primeira edição

cimento de diferentes realidades e habitats

teve início em 2010, com 19 alunos, que se

de inovação, por meio de visitas técnicas e 83


EDUCAÇÃO

palestras em instituições internacionais. O

necessidades desse público”, explica.

primeiro grupo teve como destino Israel.

Para o diretor do Centro de Inovação,

Para as demais turmas, poderão ser esco-

Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec),

lhidas outras referências internacionais.

Sérgio Risola, o principal destaque do Pro-

Segundo o professor titular da FIA e um

grama é a promoção do intercâmbio entre

docentes do Programa, Moacir de Miranda

os alunos. “Foi riquíssima a troca entre

Oliveira Junior, a opção por Israel se deve

representantes de instituições diversas,

ao grande desenvolvimento do país em ino-

oriundas de nove ou dez estados diferentes,

vação. “Apesar de Israel ter um PIB relati-

relatando suas experiências diárias. Isso

vamente pequeno, é referência mundial em

soma muito às aulas”, explica Risola, um dos

termos de inovação e de desenvolvimento de

alunos que participaram da primeira turma.

parques tecnológicos e incubadoras”, afirma.

O coordenador do curso destaca que a

Para conhecer melhor a história e as soluções

particularidade desses ambientes é a abran-

encontradas pelos israelenses para fomentar

gência das decisões, as quais não afetam uma

a inovação, 18 alunos do Programa estiveram

única empresa, mas um conjunto de empre-

no país entre os dias 7 e 20 de novembro de

endimentos nascentes. Por isso, o gestor de

2010, em uma programação que incluiu visi-

parques tecnológicos e incubadoras deve ter

tas a polos tecnológicos e aulas presenciais.

um conhecimento ampliado em inovação.

De acordo com Oliveira Junior, a principal motivação para a criação do Programa

Primeira turma formada pelo Programa: troca de experiências e aquisição de novos conhecimentos

O curso

foram as especificidades da inovação no

Ainda que o público-alvo seja o nível

contexto de incubadoras e parques tecno-

estratégico dos habitats, o Programa tam-

lógicos. O professor destaca, ainda, que o

bém pode ser cursado por outros agentes

Programa foi concebido a partir de diretri-

de inovação, como profissionais de órgãos

zes definidas pela International Association

públicos, agências de fomento e entidades

of Science Parks (IASP), que validou o curso

de apoio. Durante o desenvolvimento do

desenvolvido e recomendou seu formato

Programa, os participantes são capacitados

como modelo internacional. “O diferencial

para melhor compreender, analisar e aplicar

dessa capacitação é ela ser concebida para

os principais conceitos relativos às funções

gestores de incubadoras de empresas e

clássicas da administração, como finanças,

parques tecnólogicos, não para o empre-

marketing e recursos humanos, na gestão de

endedor. Não existe no país um programa

ambientes de negócios inovadores.

de pós-graduação voltado para atender às

O corpo docente é formado por profes-

Diculgação

sores da FIA, docentes da USP, e profissionais de outras instituições acadêmicas, formuladores de políticas públicas, agentes de inovação e profissionais do mercado com experiência reconhecida nas disciplinas que constam na grade curricular do curso. Eventualmente são convidados palestrantes renomados, como fruto da parceria pioneira celebrada pela Anprotec com IASP. A coordenação do curso fica a cargo dos professores titulares da USP Isak Kruglianskas e Roberto Sbragia, precursores no campo da educação avançada em gestão da inovação. L 84


_SAIDEIRA

Fontes de inspiração: conheça alguns dos principais museus brasileiros e suas atrações entre outubro deste ano e janeiro de 2012. Um livro que ajuda prender a atenção do espectador nas tradicionais apresentações em PowerPoint. O documentário que tenta explicar os motivos da crise americana e outras coisas que você não pode deixar de ler, ver e ouvir. Tudo isso é CULTURA. Para fechar, Mauricio Guedes propõe uma mobilização imediata em relação ao Código Nacional para Ciência, Tecnologia e Inovação, que já está em discussão no Congresso. OPINIÃO de quem defende o movimento. 85 4


CULTURA P OR BRUNO MOR E S CHI

Museus do Brasil Os números não mentem: os brasileiros estão cada vez mais interessados em artes plásticas. De acordo com o Ministério da Cultura, os museus existentes no Brasil receberam 15 milhões de visitantes em 2003. Em 2009, esse número saltou para 33 milhões – mais do que o dobro de seis anos atrás. Mesmo assim, nem tudo deve ser comemorado. Um outro dado revela o longo caminho a percorrer para popularizar a arte no país: de cada cem brasileiros, 93 nunca foram a uma exposição de arte. A falta de hábito ainda está entre as maiores barreiras entre o brasileiro e a arte. Há ótimos museus nas principais cidades do Brasil e eles costumam cobrar ingressos de valor muito baixo ou mesmo entrada gratuita. A seguir, cinco

Fotos: Divulgação

exemplos de museus que merecem uma visita.

Fundação Iberê Camargo O museu foi criado em 1995, um ano após a morte do artista gaúcho Iberê Camargo, e tem como objetivo preservar sua vasta produção artística. Em 2008, o museu recebeu uma nova sede construída pelo arquiteto português Álvaro Siza. O prédio impressiona: é o primeiro no Brasil a utilizar concreto branco aparente e não utiliza tijolos em nenhuma parte da estrutura. O projeto arquitetônico recebeu o Leão de Ouro na Bienal de Veneza.

Em cartaz: mais de 90 pinturas, desenhos e brinquedos criados pelo artista uruguaio Joaquín Torres García, considerado um dos principais nomes modernos da América Latina. Até 20/11. Serviço: Av. Padre Cacique, 2000, Porto Alegre (RS). De 3a a domingo, das 12h às 19h. 5a até às 21h. Entrada gratuita.

Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) O CCBB do Rio de Janeiro (RJ) é um prédio de linhas neoclássicas. Até 1960 foi um centro financeiro e hoje é um dos espaços culturais mais importantes da capital carioca com salas expositivas, teatro, cinema e biblioteca. São 17 mil metros quadrados de pura cultura.

Em cartaz: A exposição temática, interativa e multimeios Índia abrange 3 mil anos da cultura indiana, da antigui-

dade à contemporaneidade, apresentando cerca de 400 peças. Até 29/01/2012. Serviço: Rua Primeiro de Março, 66, Rio de Janeiro (RJ). Tel.: (21) 3808 2020. De 3a a domingo, das 10h às 18h. Entrada gratuita. 86


Fotos: Divulgação

CULTURA

Casa Fiat de Cultura

Museu de Arte Contemporânea do Dragão do Mar

Aberto em 2006, o museu alcançou em quatro anos

O museu de Fortaleza (CE) conta com 13 salas e algu-

a marca de 250 mil visitantes. O espaço conta com duas

mas exposições podem ser exibidas fora do prédio, graças

áreas e recebeu mostras importantes, como uma retros-

à rampa giratória. Um dos ambientes que mais chama a

pectiva da pintora brasileira Tarsila do Amaral e uma ex-

atenção é a biblioteca com mais de 2 mil livros sobre fo-

posição de telas do pintor russo Marc Chagall.

tografia, design, museologia, história da arte, arquitetura

Em cartaz: mostra com 370 esculturas, adornos, mosaicos, joias e objetos do cotidiano que contam a história dos três

e moda.

Em cartaz: Diálogos, mostra de Fernando França,

primeiros séculos do Império Romano. É a maior exposi-

com 22 retratos de artistas da pintura cearense. Até

ção sobre Roma Antiga já exibida no Brasil. Até 18/12.

30/10.

Serviço: Rua Jornalista Djalma Andrade, 1250, Nova

Serviço: Rua Dragão do Mar, 81, Fortaleza (CE). Tel.:

Lima (MG). Tel.: (31) 3289 8900. De 3 . a 6 , das 10h às

(85) 3488 8622. De 3a a 5a, das 9h às 18h30. De 6a a

21h. Sáb. e dom., das 14h às 21h. Entrada gratuita.

domingo, das 4h às 20h30. Entrada gratuita.

a

a

Pinacoteca do Estado de São Paulo Um dos museus mais visitados do Brasil, recebe cerca de 400 mil pessoas por ano. Fundado em 1905, a Pinacoteca é o museu mais antigo de São Paulo, foi projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo e reformado por Paulo Mendes da Rocha. Nos últimos anos, a instituição recebeu obras de artistas como o francês Henri Matisse e o dinamarquês Olafur Eliasson. Além disso, conta com um dos acervos de arte brasileira mais importantes do país. Próximo do museu há também a Estação Pinacoteca, instalada no edifício onde funcionava o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) durante a ditadura militar. Por lá, você também encontra ótimas mostras em cartaz.

Em cartaz: Mostra com cerca de 100 desenhos de Saul Steinberg, um dos mais importantes artistas gráficos norte-americanos. Até 6/11. Serviço: Praça da Luz, 2, São Paulo (SP). Tel.: (11) 3324 1000. De 3a a domingo, das 10h às 18h. Entrada: R$ 6 (gratuita aos sábados). 87


CULTURA

Calma tonalidade

My one and only thrill, de Melody Gardot. Em CD, Universal, 2009. Vale a pena ouvir com atenção o agradável álbum My one and only thrill, da cantora norte-americana Melody Gardot. Influenciada por nomes como Miles Davis e Janis Joplin, a artista produziu esse CD há dois anos, mas ele continua chamando a atenção da crítica especializada. Preste atenção em como Gardot canta músicas marcantes, mas quase sempre com um tom de voz baixo e sereno.

Uma boa apresentação

Super Apresentações: Como vender ideias e conquistar audiências, de Eduardo Adas e Joni Galvão. Panda Books, 184 páginas. O livro Super Apresentações possui uma proposta simples, mas eficiente: ensinar ao leitor a apresentar sua ideia de uma maneira clara e capaz de prender a atenção da audiência. Para isso, os autores Eduardo Adas e Joni Galvão revelam o que está por trás de grandes obras que foram muito bem aceitas pelo público. Além disso, eles orientam como usar a seu favor programas como o PowerPoint. Preste atenção em como os autores usam exemplos de histórias conhecidas, mas bem contadas – uma prova de que não é difícil ser claro e objetivo.

A crise revista

Inside Job – A Verdade da Crise (EUA, 2010, 120 min.). Dirigido por Charles Ferguson e narração de Matt Damon. Inside Job – A Verdade da Crise é um filme necessário para qualquer um que queira entender a turbulência que assola os Estados Unidos e a Europa. Por meio de entrevistas com vários economistas, políticos e jornalistas, o documentário mostra como foi criada a bolha especulativa que até hoje causa efeitos negativos em todo o mundo. Preste atenção em como a crise poderia ter sido evitada se não fosse a ganância excessiva de alguns poucos grupos econômicos dos Estados Unidos.

Imperativo Relembre os anos 70, 80 e 90 com as imagens de cartazes, capas e crachás do mundo do rock e que estampam o livro A Arte do Rock: imagens que marcaram a era clássica do Rock (de Paul Grushkini, Nacional, 255 páginas). Leia As coisas da vida (Alfaguara, 232 páginas), do escritor português António Lobo Antunes. Trata-se de uma seleção de 60 crônicas, todas maravilhosamente bem escritas. Assista ao filme Além da Estrada, do diretor Charly Braun. Produzido no Brasil e no Uruguai, o filme conta a história de um argentino que volta à terra de seus pais. Nos cinemas. 88


OPINIÃO

Pra não dizer que não falei de Jobs

S

teve Jobs se foi e ficou uma lenda. É difícil imaginar um empreendedor mais identificado com sua empresa. As primeiras reações foram de

Divulgação

Maur ic io Gue des Diretor do Par que Te c noló gico da UF R J e presidente da I A S P – Inter na t ional A s s o c ia t ion of S c ience Par k s

certa idolatria. Imagens fortes e belas se multiplicaram pelo mundo – o site da Apple atualizado com uma homenagem ao criador antes mesmo

que a notícia se espalhasse, as velas digitais nos IPhones, a linda logomarca criada pelo estudante de Hong Kong. Depois da morte, Jobs continuou a propagar sensibilidade e beleza. Além das homenagens, foi possível conhecer um pouco mais sobre o homem Steve Jobs, um sujeito de trato difícil, com acessos de raiva e hábitos nada responsáveis em relação às leis de transito. Em bom português, ele era um cara marrento. Mas era um gênio. Marcado pela capacidade de ouvir os desejos dos clientes, emocionava o mundo misturando tecnologia e arte. Ao celebrar o legado de Jobs, cabe uma reflexão sobre o papel do ambiente no surgimento desses gênios. O tema é de grande atualidade para nós brasileiros, neste momento em que se constrói o consenso quanto à necessidade de transformar as conquistas recentes no campo da Ciência e Tecnologia em aumento da capacidade de inovação tecnológica de nossa economia. Encontra-se em discussão no Congresso Nacional o Projeto de Lei no. 2177, que cria o Código Nacional para Ciência, Tecnologia e Inovação. Embora em tramitação ordinária, o que significa não ter prazo limite para apreciação, o assunto merece mobilização imediata das lideranças acadêmicas e empresariais. O projeto cobre temas hoje dispersos em vários instrumentos legais, como a Lei de Inovação, a Lei de Licitações e a Lei do Bem, entre eles a construção de ambientes de inovação, o papel das entidades públicas de ciência e tecnologia, o estímulo à inovação nas entidades de C&T privadas com fins lucrativos e o acesso à biodiversidade. Já foi criada uma Comissão Especial para cuidar do assunto na Câmara dos Deputados, que poderá receber contribuições da sociedade. Aqui vai a minha: o texto em tramitação reproduz, no seu Capitulo III, a redação que consta na Lei de Inovação, autorizando as entidades de CT&I públicas a permitirem a utilização de suas instalações por empresas. Porém, para que uma empresa construa uma unidade em um parque tecnológico, o instrumento da permissão de uso não é adequado, dada a possibilidade de rescisão a qualquer momento, sem direito à indenização. Empresa alguma se arriscaria, nessas condições, a investir na construção de um edifício em um parque tecnológico. Portanto, a lei que prevê a criação de parques tecnológicos deveria autorizar a concessão de uso dessas áreas, obviamente obedecendo a prioridades, critérios e requisitos aprovados pela instituição. Esta é uma grande oportunidade para aprimorar o marco legal brasileiro, que ainda impõe restrições ao dinamismo exigido pela inovação. 89


_BALANÇO

90


ANPROTEC No próximo dia 31 de dezembro, chega ao fim o segundo mandato do presidente da Anprotec, Guilherme Ary Plonski. Nas páginas a seguir, a Locus apresenta uma retrospectiva das principais ações da Associação nos dois últimos anos. Destaque para a evolução do programa Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos (Cerne), a consolidação de importantes parcerias, as missões a diferentes países e os seminários nacionais. “Com alavancas e pontos de apoio, podemos mover a sociedade brasileira para um sistema de inovação e tecnologia”, afirma Plonski, em entrevista exclusiva

91 4


BALANÇO P OR COR A DI A S

O ponto de apoio da inovação brasileira

Criada três anos depois de o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) instituir o Programa de Parques Tecnológicos, em 1984, a história da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) está diretamente atrelada ao movimento inovador do país. Hoje, com 24 anos, a Associação acumula conquistas, mas se depara também com novos desafios, tendo sempre como objetivo criar gerações de empreendedores que tenham a inovação e a globalização em seu DNA. Para isso, a Anprotec articula novas políticas públicas de incentivo, desenvolve workshops, seminários nacionais, missões internacionais, programas de certificação de incubadoras e, inclusive, um curso de especialização em Gestão de Habitats de Inovação. Atualmente, a Associação agrega 261 entidades, que representam, além de incubadoras e parques do país, instituições governamentais e privadas que também fazem parte desse movimento inovador. Para desenvolver suas atividades, a Anprotec conta com parcerias firmadas com importantes agentes da inovação no Brasil, como o Sebrae e o Ministério da Ciência, Tencologia e Inovação (MCTI). Como fruto desse trabalho, o movimento das incubadoras de empresas no país teve uma taxa expressiva de crescimento na última década, com uma média de 25% ao ano. Atualmente, cerca de 400 incubadoras brasileiras apoiam 6,3 mil empresas, gerando até 33 mil empregos diretos. Em um movimento contrário ao que ocorreu em outros países, o Brasil desenvolveu e amadureceu suas incubadoras, para depois criar parques tecnológicos. Esses verdadeiros habitats de inovação atraem, cada vez mais, centros de pesquisa e desenvolvimento de multinacionais, ganhando o cenário internacional. De acordo com um levantamento feito recentemente pela Anprotec, o país tem hoje 74 projetos de parques tecnológicos, sendo 25 em operação. Para entender melhor como a Associação atua no incentivo ao empreendedorismo inovador no país, a Locus preparou uma reportagem especial, destacando as principais ações da entidade nos últimos anos. Ao final, uma entrevista com o presidente Guilherme Ary Plonski resume as conquistas e os desafios do movimento.

92


BALANÇO

Gestão de qualidade Ao longo dos últimos anos, a Anprotec reforçou a ideia de que para as incubadoras apoiarem empreendimentos nascentes com eficácia, é preciso buscar a excelência na própria gestão. Para contribuir com essa busca, a Associação, em parceria com o Sebrae, desenvolveu o Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos (Cerne), um programa de certificação focado em atestar a qualidade das incubadoras nacionais. O programa propõe um novo modelo de atuação dessas instituições, que visa ampliar a capacidade de gerar, sistematicamente, empreendimentos inovadores bem-sucedidos. Com o objetivo de aumentar qualitativa e quantativamente os resultados do segmento, a Anprotec aspira que a certificação seja similar a outros programas consagrados, como ISO 9000, que atesta qualidade, e a ISO 14000, que certifica a adequada gestão ambiental. Assim, o Cerne foi concebido a partir da análise do modelo de atuação americana dos Small Business Development Centers (SBDCs), que prioriza a aceleração do crescimento das empresas, e do exemplo europeu dos Business Innovation Centers (BICs). A primeira etapa do programa, iniciada em 2010, foi a realização de workshops de nivelamento, para preparação e formação dos chamados multiplicadores e consultores. São os agentes que atuarão no suporte à implantação do Cerne nas incubadoras. O multiplicador está representado pelo gestor da incubadora ou profissional da área. Já o consultor pode ser associado à empresa ou um profissional que presta assistência às incubadoras na implementação dos processos do programa. São os consultores que preparam as incubadoras para o credenciamento. No ano passado, foram realizados workshops de nivelamento em Belém, Recife, Brasília, Florianópolis e Rio de Janeiro. Ao todo, foram sete turmas, com 182 participantes, que passaram por capacitação de 40 horas. Além disso, estavam representadas 87 incubadoras de 18 estados brasileiros. Em 2011, além dos cursos de nivelamento, foram ini-

O Brasil conta com 400

incubadoras, que apoiam 6,3 mil empresas, gerando cerca de 33 mil

empregos

diretos. Ao todo,

25 parques tecnológicos

estão em operação no país 93


Fotos: Divulgação

BALANÇO

ciados os workshops de implantação do Cerne 1. Em função da complexidade e do número de sistemas a serem implantados, o Cerne foi estruturado como um Modelo de Maturidade da Capacidade da incubadora de gerar empresas de sucesso. Por isso, foram criados quatro níveis crescentes. A lógica escolhida para estruturar os níveis de maturidade foi organizá-los a partir de agentes norteadores. O Cerne 1, por exemplo, está ligado ao empreendimento, o Cerne 2, à incubadora, e assim por diante (veja ilustração). A preparação de consultores e multiplicadores é o primeiro passo para iniciar o processo de certificação das incubadoras, que serão auditadas para avaliar se estão cumprindo todas as normas propostas pelo modelo. De acordo com a superintendente executiva da Anprotec, Sheila Pires, as incubadoras associadas à Anprotec não são obrigadas a obter a certificação. “Mas como acontece com a ISO, ser Cerne trará um diferencial para as incubadoras e despertará interesse das entidades de fomento, que poderão exigir que determinada instituição seja credenciada para receber determinado tipo de apoio”, explica. A expectativa da Anprotec, assim, é que a adesão ao programa seja cada vez mais intensa por parte

Workshops de implantação do Cerne 1 reuniram 182 participantes

das incubadoras. Gestores mais capacitados Em complemento ao Cerne, também com o objetivo de aprimorar a gestão das entidades associadas, a Anprotec desenvolveu, sob a forma de um curso de especialização, o Programa de Capacitação em Gestão de Habitats de Inovação (veja matéria na página 83). Com 500 horas/aula, a primeira edição do programa, iniciada em 2010, foi aplicada pela Fundação Instituto de Administração (FIA), da Universidade de São Paulo (USP). A turma inaugural do programa contou com 19 alunos. Além do Sebrae, foram parceiros da Anprotec no desenvolvimento do programa o CNPq, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), através do Programa Nacional de Apoio às Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos (PNI).

94


BALANÇO

Entre os diversos e importantes parceiros da Anprotec na promoção do empreendedorismo inovador, um se destaca pela intensidade e complementariedade das ações desenvolvidas em conjunto: o Sebrae. De acordo com o presidente da Anprotec, Guilherme Ary Plonski, a parceria estabelecida entre as duas entidades tornou-se cada vez mais forte devido à consonância de objetivos:

Parceria consolidada

apoiar o desenvolvimento de micro e pequenas empreDivulgação

sas brasileiras. Entre as principais atividades realizadas em conjunto, além do Cerne e do Curso de Especialização em Gestão de Habitats de Inovação, citados anteriormente, o Programa de Cooperação Técnica estabelece diversas ações. Encontros regionais de inovação, o Prêmio Nacional de Empreendedorismo Inovador, as publicações voltadas para o movimento, como a Locus, a promoção da cooperação internacional e a atuação em segmentos estratégicos são outros exemplos dessa parceria. Movimento global Ciente de que as empresas, além de inovadoras, precisam nascer globais, a Anprotec tornou as missões internacionais, cada vez mais frequentes, uma grande opor-

Integrantes da comitiva brasileira em missão internacional a Israel

tunidade para que gestores de incubadoras e parques, além de representantes de outros agentes da inovação, conferissem de perto os modelos bem-sucedidos na área. Nos últimos anos, a Associação organizou viagens

Parques Tecnológicos da Associação Internacional de

para os Estados Unidos, Israel, Finlândia, Noruega e

Parques Tecnológicos (IASP). Com 56 integrantes, os

Dinamarca. Esses países desenvolveram diferentes sis-

brasileiros formaram a maior delegação estrangeira da

temas de inovação e apresentaram experiências enri-

conferência.

quecedoras, que poderiam ser replicadas e adaptadas à realidade brasileira.

Não à toa, o Brasil tem sido destaque no movimento inovador internacional: o presidente da IASP, por

Em 2011, por exemplo, os participantes da missão

exemplo, é Mauricio Guedes, ex-presidente da Anprotec

internacional puderam conhecer parques tecnológicos

e atual diretor do Parque Tecnológico da Universidade

e incubadoras da Finlândia, Suécia e Dinamarca. A co-

Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além disso, a confirma-

mitiva brasileira reuniu 46 pessoas, entre gestores de

ção de que a Conferência da IASP em 2013 será realiza-

parques científicos e incubadoras de empresas, secretá-

da no Porto Digital, em Recife (PE), é outra importante

rios municipais e estaduais, além de dirigentes de órgãos

conquista do país lá fora. Para o presidente Plonski, a

governamentais de fomento e apoio ao empreendedoris-

Anprotec está ligada, mesmo que indiretamente, a esse

mo e à inovação (veja matéria na página 66). A missão

reconhecimento do país no cenário internacional do mo-

participou também da 28ª Conferência Mundial sobre

vimento.

95


BALANÇO

Seminários Nacionais: encontro e reflexão

Promovido anualmente pela Anprotec, em parceria com o Sebrae, o Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas tornou-se o maior evento desse segmento realizado na América Latina. Por meio de minicursos, palestras e debates os participantes têm a oportunidade de trocar experiências e refletir sobre os caminhos do desenvolvimento. Ao todo, cerca de 2,5 mil pessoas passaram pelas três últimas edições do evento, que foram realizadas em diferentes regiões do país. Em 2008, o Nordeste abrigou o Seminário, em Aracaju (SE). No ano seguinte, o evento foi para o Sul, com a edição realizada em Florianópolis (SC), junto ao 3º infoDev Fórum Global de Inovação e Empreendedorismo. Em 2010, foi a vez do Centro-Oeste sediar o Seminário, na cidade de Campo Grande (MS). Neste ano, o encontro volta ao Sul, agora em Porto Alegre (RS). Confira abaixo os números das

Fotos: Divulgação

duas últimas edições.

XX Seminário - 2010 - Campo Grande (MS) - 671 inscritos - 25 estados + 8 países estrangeiros - 138 artigos - 69 pôsteres - 9 minicursos + 2 workshops - 8 plenárias + 3 apresentações especiais - 6 sessões técnicas paralelas

XIX Seminário - 2009 - Florianópolis (SC) - 1077 inscritos - 76 países estrangeiros - 103 artigos - 10 minicursos + 2 workshops - 11 plenárias - rodada de negócios

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BALANÇO

Que balanço o senhor faz do tempo em que esteve à frente da Anprotec? Quais foram os principais avanços do movimento nesse período?

Entrevista

O balanço, de forma geral, é positivo. O empreendedo-

Guilherme Ary Plonski

rismo inovador no país se consolidou e se fortalece cada vez mais. Já estava consolidado com uma política importante de redirecionamento para o país, que se configura não apenas como uma tendência formal. No período recente, o Plano de Ação 2007 - 2010, conhecido por PAC da Ciência, deu ao tema caráter estratégico, apresentando um capítulo relativo ao apoio à inovação nas empresas. Há, também, um capítulo voltado às pequenas empresas, que resultou, por exemplo, no Programa Primeira Empresa Inovadora, o Prime, executado pela Finep. O segundo ponto de registro institucional positivo é que houve um esforço de articulação da Anprotec com dirigentes de entidades governamentais e privadas, para apoio aos parques tecnológicos. Isso se materializou em 2009 com o Programa Nacional de Apoio às Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos (PNI). No nível de consolidação institucional, temos esses dois exemplos. Focalizando nossos associados, nossos mecanismos, o ponto alto foi o avanço conquistado pelo Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos (Cerne), com apoio, principalmente, do Sistema Sebrae.

A falta de cultura inovadora do brasileiro foi sempre muito criticada. O senhor acha que isso foi aprimorado em algum

Como o senhor avalia o movimento do empreendedorismo inovador do Brasil em âmbito internacional?

sentido? Há um encantamento em torno disso. É claro que não

Podemos destacar o avanço expressivo de várias entida-

podemos generalizar, mas existe sempre uma referência à

des que se tornaram referência não apenas nacional, mas

palavra inovação. Temos movimentos de inovação há déca-

também internacional. É caso do Porto Digital no Recife (PE)

das, como os que acontecem na Anprotec, Anpei [Associa-

– apenas para citar um de outros muitos exemplos –, que

ção Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento de Empresas

atraiu a Conferência Internacional da IASP em 2013. Algo

Inovadoras] e ABDI [Agência Brasileira de Desenvolvimento

que também está ligado indiretamente à Anprotec é o fato

Industrial], por exemplo. Hoje, a sociedade, de forma geral,

da presidência da IASP ter sido assumida por um brasileiro,

está tomando consciência da importância do tema. Existem

conselheiro da Associação, Mauricio Guedes [diretor do Par-

novos participantes nessa discussão, como a Confederação

que Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro].

Nacional da Indústria (CNI) que, em 2009, criou a Mobiliza-

Além disso, o terceiro Global Fórum, do Banco Mundial foi

ção Empresarial pela Inovação (MEI).

realizado em conjunto com o Seminário Nacional de Parques

O encantamento que citei anteriormente é o seguinte:

Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, em 2009, na cida-

vemos a palavra inovação nos anúncios de qualquer tipo de

de de Florianópolis (SC), o que mostra a relevância do Brasil

produto, seja carro, apartamento, sopa. Produtos totalmen-

para o movimento no âmbito internacional.

te corriqueiros – como a sopa em tabletes que você com-

97


BALANÇO

pra para derreter em água quente – usam o argumento da

de atração de centros de pesquisa de empresas multinacio-

inovação. É uma palavra atraente. Então, é importante apro-

nais. Além disso, tentamos incentivar a capacitação do movi-

veitarmos esse encantamento, a fim de transformar isso em

mento fora do país, através do que chamamos de incubação

benefício para a sociedade. Trazer uma forma de solucionar

cruzada, por meio de um projeto que desenvolvemos com a

os desafios que o Brasil ainda tem, nos campos social, econô-

ApexBrasil [Agência Brasileira de Promoção de Exportações

mico e ambiental. O importante é aproveitar esse momento.

e Investimentos] e também com a ABDI, para internaciona-

O encantamento chega, mas um dia vai embora. Então te-

lização de pequenas empresas. Há um espaço importante

mos que fazer disso algo pragmático. A conquista de recursos

ainda não muito explorado nesse sentido. É preciso iniciar

mais volumosos para inovação, tanto por parte do governo,

a inserção dessas empresas nas cadeias de valor, como a de

quanto da iniciativa privada, são exemplos disso. É aí que

petróleo e gás. Há o discurso de que o Brasil já está pronto

aparecem as ações da Anprotec. Arquimedes dizia que com

para participar da economia do conhecimento. Quando isso

uma alavanca e um ponto de apoio você pode mover o mun-

se concretizar também na prática, nós seremos ainda mais

do. Eu posso adaptar essa frase e dizer que com alavancas

vitais para a economia global.

e pontos de apoio, eu moverei a sociedade brasileira para um sistema de inovação e tecnologia. No caso, os pontos de

O que a presidência e a liderança da Anprotec trouxe de

apoio são as incubadoras e parques tecnológicos. As alavan-

bagagem para o “professor Ary”?

cas, o incentivo de mais recursos.

Três coisas. Em primeiro lugar, enorme alegria. Eu tenho um prazer muito grande em fazer conexões entre pessoas

Em que ponto o senhor gostaria que o movimento tivesse

e instituições, e a Anprotec é uma plataforma maravilhosa

avançado mais e não foi possível?

nesse sentido. Conheci uma infinidade de pessoas, inicia-

Existem fatores externos e fatores internos. A Anprotec

tivas e instituições e pude – não por obrigação, mas como

também precisa inovar, já que trabalha e defende inovação. As

algo que me dá pessoalmente muito prazer – exercer isso de

estratégias que adotamos são feitas cotidianamente pelos di-

uma forma incrível, não só no plano nacional, mas também

rigentes de incubadoras e parques tecnológicos. Inovação não

internacional. Eu diria que é um privilégio estar na direção da

é um processo técnico, é um processo sociotécnico. Esse é um

Anprotec. Como o nosso país ainda é presidencialista, temos

ponto interno. Um fator externo é a inadequação do marco

essas oportunidades com mais intensidade estando na pre-

legal do país para o tema da inovação. Não há uma prontidão

sidência. Eu fiquei muito feliz, agrada-me muito esse tipo de

adequada para isso. Há um código sobre inovação que está

papel. Pude exercê-lo e, com certeza, terei saudades.

tramitando agora no Congresso que certamente ajudará, mas

O segundo aprendizado foi reforçar a essencialidade da

ainda há muito que avançar. Há outras questões, por exem-

combinação entre inovação e empreendedorismo como as

plo, a efemeridade da administração pública que, em alguns

faces de uma mesma moeda. Eu sou professor universitário e

de seus organismos, com a troca de pessoas, tem mudanças

tive a oportunidade de intensificar meus estudos e pesquisas

completas de posicionamento a respeito de orientações. Isso

sobre isso, ao mesmo tempo em que exercia o papel de agente

requer, muitas vezes, uma nova abertura de diálogo, uma nova

da articulação do empreendedorismo e inovação como faces

conversa. A troca muito rápida de gestores afeta as políticas.

da moeda do desenvolvimento. Pude unir a teoria à prática.

Diante dos desafios da nova economia que vemos surgir, o

gestor. Como em toda organização, deparamo-nos com desa-

papel das incubadoras e dos parques tecnológicos tende a

fios na Anprotec. Poder ser gestor de uma instituição voltada

alterar?

ao benefício da sociedade foi um ganho pessoal muito grande.

O terceiro aprendizado faz parte da trajetória de qualquer

98

A participação do país na economia global tem se tornado

Como professor na universidade, que é a essência da minha

cada vez mais relevante. Reflexo disso é, por exemplo, o fato

atividade nas últimas décadas, eu hoje tenho uma riqueza de

de parques tecnológicos nacionais funcionarem como polos

exemplos, de situações, absolutamente maravilhosa.


Programa de Capacitação

CERNE 2011 Workshop de Nivelamento Cerne 07/11/2011 – Manaus 07/11/2011 – Foz do Iguaçu

Valores • Multiplicador (gestor de incubadora associada à Anprotec): R$ 250,00 • Consultor: R$ 400,00

Inscrições até o dia 30/10/2011 Obs.: Os participantes que fizeram o Workshop de Nivelamento Cerne realizado em 2010 nas cidades de Belém, Brasília, Florianópolis, Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro precisam se inscrever

Curso de Implantação do Cerne 1 Escolha uma das datas e local que melhor lhe atende.

Dias 08 e 09/11:

Dias 29 e 30/09:

Dias 04 e 05/10:

Manaus Foz do Iguaçu

Natal Goiânia

São Paulo

(encerrado)

• Multiplicador (gestor de incubadora associada à Anprotec): R$ 350,00 • Consultor: R$ 600,00

Requisito Obrigatório: ter participado do Workshop de Nivelamento Cerne

Inscrições até o dia 21/09/2011 Saiba como participar no link www.anprotec.org.br/cerne2

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A Nova Competitividade dos Territórios 24 a 28 de outubro, 2011, Porto Alegre-RS

www.seminárionacional.com.br

Realização

Apoio

Apoio Institucional

100

Organização local

Locus 63/64 - Edição especial  

A revista Locus é uma publicação trimestral da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec)

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