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Formação de professores para o uso de tecnologias computacionais no ensino: considerações sobre a importância da auto-eficácia

sores” descreveram várias idéias que eles obtiveram

mos dizer, portanto, que o programa desenvolvido

a partir dos modelos do VisionQuest e ressaltaram sua

por Faseyitan, Libii e Hirschbuhl (1996) serviu de in-

intenção de aplicá-las em suas “futuras salas de aula”.

centivo porque alterou a percepção de auto-eficácia

Houve uma significante correlação entre as idéias dos

dos professores e, conseqüentemente, tornou-os

participantes para o uso das tecnologias e confiança,

também motivados intrinsecamente a utilizarem o

sugerindo que quando os professores visualizam no-

computador no ensino.

vas possibilidades para usar as tecnologias eles desen-

Segundo os autores, além dos resultados ime-

volvem altos níveis de confiança sobre sua habilidade

diatos relatados, trazidos pelo programa de formação,

para utilizá-las.

criou-se uma comunidade de docentes interessados

Os conhecimentos e habilidades adquiridas pelos professores nos programas de formação pos-

em compartilhar idéias sobre o uso do computador na sala de aula.

sibilitam o uso bem-sucedido da tecnologia, a vivên-

Embora as considerações apresentadas tenham

cia de experiências de sucesso capazes de alterar a

associado a falta de uso pedagógico do computador

percepção de auto-eficácia. Conforme Pajares e Olaz

pelos professores à baixa crença de auto-eficácia, a

(2008, 102), “nenhum grau de confiança ou de auto-

qual pode ser aumentada pelos programas de forma-

compreensão pode produzir sucesso na ausência de

ção, tem-se consciência de que há outros fatores que

habilidades e conhecimentos necessários”.

podem influenciar também a utilização. Conforme

Entre os resultados imediatos gerados pelos

nos lembra Dusick (1998), além dos fatores pessoais,

programas de formação para o uso de tecnologias,

sociais e cognitivos que afetam um professor a visuali-

além do número substancial de docentes capazes

zar vantagens nos recursos disponíveis (atitude, auto-

de utilizar o computador no ensino, está o fato de

eficácia, competência, tempo, risco de usar a tecno-

mencionados programas funcionarem como incenti-

logia, relevância percebida e falta de conhecimento)

vos para que os professores incluam, no planejamen-

há também os fatores ambientais que influenciam os

to das aulas que ministrarão futuramente, atividades

professores a usarem ou não o computador para fins

utilizando-se do computador (FASEYITAN, LIBII e

instrucionais (suporte administrativo e técnico, dis-

HIRSCHBUHL,1996).

ponibilidade dos computadores na sala de aula ou na

Os autores mencionam que a influência de in-

escola).

centivos para que os professores usem o computador

A literatura internacional sinaliza a necessida-

já foi anteriormente estudada. Faseyitan e Hirschbuhl

de de encontrar caminhos e estratégias para auxiliar

(1992 apud Faseyitan, Libii e Hirschbuhl, 1996), con-

os professores a sentirem-se altamente capazes de

cluíram que incentivos externos não levam os pro-

utilizarem o computador no ensino. Entre os educa-

fessores universitários a adotarem computadores em

dores e estudiosos brasileiros da área de tecnologia

suas atividades instrucionais. Aqueles que desejam

educacional, há muitos posicionamentos a respeito

adotar o computador em suas atividades de ensino

do papel do professor diante das tecnologias, afirma-

o fazem porque são intrinsecamente motivados. Os

ções de que os professores não sabem como utilizá-

que são confiantes em suas capacidades são mais pro-

las didaticamente e sobre a importância também de

vavelmente capazes de explorar o uso do computa-

prepará-los.

dor na sala de aula, de desenvolver atividades inova-

Apesar de termos abordado a literatura inter-

doras e investir, tempo e esforço, por exemplo, para

nacional, os assuntos aqui tratados devem ser conside-

identificar e aprender sobre softwares educacionais.

rados apenas como fonte de reflexão, interlocução e

Altos níveis de auto-eficácia tendem a promover mo-

inspiração. Contata-se a necessidade de estudos sobre

tivação intrínseca (BANDURA, 1982). Sendo assim,

auto-eficácia computacional entre professores brasilei-

aqueles cuja auto-eficácia é alta são geralmente mais

ros uma vez que fatores culturais compõem diferentes

motivados a usarem o computador no ensino. Pode-

contextos de desenvolvimento de crenças e valores.

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Revista da ANPG, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 65 - 71, segundo sem. 2009

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Vol1 da Revista Científica da ANPG

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