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MEIRA, R. B.

O Estatuto de criação do IAA ilustra o alto grau

Claro está que um dos primeiros problemas

de controle que o IAA teria sobre a produção alcoo-

sérios que o IAA deveria resolver era a questão do

leira. Vale ainda ressaltar que devido à complexidade

aperfeiçoamento da mistura carburante, para que

do assunto, o Instituto criaria uma Secção para cuidar

não houvesse problemas de danificação dos moto-

das questões especificas da produção alcooleira, - a

res. Essa parte ficaria a cargo do Instituto Nacional de

Secção do Álcool-Motor -. Assim, essa Secção cuida-

Tecnologia. Em relação a esse aspecto, o seu diretor

ria do:

Ernesto Lopes da Fonseca Costa, em setembro de recebimento do álcool destinado à mistura, entrega da parte pertencente às companhias e empresas importadoras de gasolina, preparação e venda do novo carburante para as repartições públicas e distribuição por todos os centros de consumo (IAA, 1942, p. 323).

Essa Secção era responsável por todas as operações relativas ao álcool, estipuladas anualmente nos planos de safra elaborados pela Comissão Executiva. Não por acaso, inicialmente, as suas funções se restringiram principalmente para a produção e comercialização do álcool-anidro resultante de sua mistura à gasolina. Assim, tão-somente com o advento da Segunda Guerra Mundial, passaria a abranger também o controle da produção e da distribuição do álcool hidratado. Foi graças a essa Secção que o Instituto conseguiu implementar a política de difusão do emprego do álcool-motor nos automóveis oficiais e particulares, o que acabou minando as resistência iniciais ao consumo do álcool-motor (Szmrecsányi, 1979, p. 227-228).

1934, discorre em seu relatório para a Presidência do IAA: As experiências realizadas na França e na Alemanha, tendo por base a natureza da gasolina e os tipos de motor e carburador comumente utilizados nesses países, levaram os respectivos governos a fixar o carburante álcool-gasolina na proporção de perto de 25% de álcool anidro e 75% de gasolina. As experiências realizadas na América do Norte confirmaram, porém, esses resultados, ou porque fosse diferente a gasolina empregada ou porque fossem diversos os tipos de motor ou carburador. Era imprescindível, por conseguinte, que o Instituto Nacional de Tecnologia procurasse resolver, diretamente o assunto, estabelecendo, de modo sistemático, ensaios sobre todos os tipos de mistura com as diferentes gasolinas que vêm ao nosso mercado e o maior número possível de motores, antigos e modernos de forma a obter conscientemente, a melhor fórmula da mistura carburante a ser utilizada no país (Brasil açucareiro, 1934, p. 13).

Diante dos diagnósticos apresentados acerca

Vale ainda ressaltar, nesse estudo, a própria

do agravamento da crise do setor açucareiro, em

conclusão do Instituto. Segundo o IAA, as vantagens

1932, o Governo implementaria uma forte campa-

dessa mistura era a resistência a detonação, devido

nha para a divulgação do álcool-motor, chegando a

ao valor anti detonante do álcool. Além disso, a me-

autorizar misturas contendo 60% de álcool de baixa

lhoria do índice de octana sobre a própria gasolina

qualidade com 40% de gasolina. Além disso, para in-

pura, a potência do motor permanece praticamente

centivar o consumo, o preço da mistura foi fixado em

constante, apesar do maior poder calorífico da mis-

$875,00 em concorrência aos 1$100 cobrados pela

tura, maior aceleração e consumo praticamente igual

gasolina na Capital Federal. Não por acaso, a incidên-

ao da gasolina pura. As experiências que levaram a

cia de variação da percentagem das misturas de re-

percentagem ideal de álcool em carros com motores

gião para região era o principal problema relatado no

a gasolina foram relatadas pelo engenheiro Eduardo

período. Tal fato é perceptível quando comparamos

Sabino de Oliveira:

as misturas utilizadas em Pernambuco e no Distrito Federal. Enquanto no primeiro estado, a mistura era composta de 94% de álcool hidratado, no segundo caso, o álcool representava somente 10,2% (Truda, 1937, p. 97).

As experiências por nós executadas nos laboratórios do Instituto Nacional de Tecnologia mostraram que, embora várias marcas de motores aceitem misturas de percentagem relativamente elevadas de álcool (25%) devido à riqueza da Revista da ANPG, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 46 - 57, segundo sem. 2009

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Revista da ANPG  

Vol1 da Revista Científica da ANPG

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