Page 48

A construção de uma ideologia para a produção alcooleira no Brasil: 1889-1945

os decretos visando incentivar o uso do álcool para

quarta e última secção buscava difundir os pequenos

fins indústrias. Exemplos ilustrativos dessa ação go-

aparelhos de fabricação e retificação do álcool (Con-

vernamental foram: o decreto nº. 4812, de 1º abril de

selho Nacional do Petróleo, 1978, p. 57-58).

1903, pela qual o Governo concedeu um crédito de

Pela análise dos pontos defendidos nessas ex-

50:000$000 para o Ministério da Indústria, Viação e

posições, é possível comparar os principais avanços

Obras Públicas auxiliar ou promover um concurso ou

da indústria alcooleira. Assim, percebe-se que no I

exposição de aparelhos destinados às aplicações in-

Congresso de Aplicações Industriais do Álcool, em

dustriais, a fim de vulgarizar o álcool por todo o país;

outubro de 1903, foram delineadas as primeiras con-

e o decreto nº. 4977, de 22 de setembro de 1903,

clusões sobre a utilização do álcool como solução

que atribuiu uma quantia de 150.000$000 para au-

para a crise de produção açucareira. O Congresso

xiliar a Exposição Industrial de Aparelhos a Álcool, a

traçou as principais diretrizes a serem seguidas nos

ser realizada em outubro de 1903, no Rio de Janeiro,

próximos anos para o desenvolvimento da produção

sob o patrocínio da Sociedade Nacional da Agricultu-

alcooleira no país. Estabeleceu como objetivo princi-

ra (Conselho Nacional do Petróleo, 1978, p. 57-58).

pal de seus trabalhos: promover a prosperidade da

As várias funções do álcool serviram como

lavoura de cana pela vulgarização das aplicações in-

a sua principal propaganda e como forma de os

dustriais do álcool. Ademais, entendia e proclamava

seus defensores cobrarem diferentes medidas

que o estado precário dessa lavoura era oriundo da

legislativas para assegurar cada uma dessas no-

situação do mercado, quer para o açúcar, em virtude

vas aplicações. Como não poderia deixar de ser,

da barreira que o excesso de similar impusera à sua

esse modo de pensar era constantemente alar-

exportação, quer para o álcool, pelas restrições im-

deado pelos seus defensores (Rio de Janeiro,

postas no país à sua propagação durante os últimos

1902, p.73).

anos corridos (IAA, 1941, p. 277-278).

O seu emprego como combustível, como elemento de força motriz e força iluminante, abriu um novo e largo horizonte a esse produto que pode ser, - sobretudo no nosso país e com grandes vantagens para as populações do interior -, o sucedâneo ao petróleo e de todos os óleos destinados à iluminação das casas e das povoações.

Por reconhecer a dificuldade e a lentidão de ampliar o mercado de açúcar, no país ou no exterior, o Congresso julgava que a vulgarização das aplicações do álcool de cana, como agente de luz, calor e força motriz, dilatando rapidamente o consumo desse produto, prestaria ao açúcar nacional, o necessário amparo, o que permitiria equilibrar a produção de

No Brasil, a principal forma de divulgar os be-

ambos com o respectivo consumo e garantir-lhe-ia

nefícios da indústria alcooleira foram as diversas ex-

remuneradores preços, resolvendo desse modo a

posições realizadas pela SNA e pelo MAIC. Nesse

crise da lavoura de cana.

quadro, destaca-se a Exposição Industrial de Apare-

Por último, os representantes do setor concluí-

lhos a Álcool. Essa exposição foi dividida em várias

ram que a Exposição Internacional de Aparelhos a Ál-

secções, de acordo com as principais funções que o

cool demonstrou a conveniência e superior vantagem

álcool poderia desempenhar. A primeira secção vol-

das mais variadas aplicações desse líquido em substi-

tou-se para o emprego do álcool nos vários tipos de

tuição de seus concorrentes como agentes de luz, ca-

motores, sendo, assim, subdividida em motores fixos,

lor e força mecânica. Para o Congresso, os lavradores

locomoveis, automóveis, carburantes e motores para

de cana e os poderes públicos da União e de todos os

navegação; a segunda secção tencionava incentivar a

Estados da República deveriam fazer convergir maio-

utilização de aparelhos para iluminação e foi separada

res esforços para: vulgarizar as aplicações industriais

em duas secções: a de lâmpadas que queimam com o

do álcool, ampliar a sua produção e baratear o seu

álcool puro e a de lâmpadas de gaseificação; a terceira

custo (IAA, 1941, p. 277-278).

secção tratava dos aparelhos para aquecimento e a 48

Revista ANPG.indd 48

A SNA e o MAIC tentavam demonstrar que a

Revista da ANPG, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 46 - 57, segundo sem. 2009

21/10/2009 11:26:06

Revista da ANPG  

Vol1 da Revista Científica da ANPG

Advertisement