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JABBOUR, E. M. K.

comércio de excedentes agrícolas na China confor-

tação jurídica que coube a Hong-Kong e Macau, mas

mando, assim, o primeiro e essencial passo no rumo

direcionada a Taiwan. Para isso as ZEEs deveriam ser

de uma estreita harmonia entre a superestrutura de

o entrelaçamento do território chinês ao chamado

poder e a real base econômica do país:

mundo chinês do sudeste asiático — mundo chinês este com acúmulos de bilhões de dólares e dotados

TABELA 1: Quadro geral do aumento da produção

de técnicas de gerenciamento de produção de ponta

agrícola na China em milhões de toneladas

no mundo.

1952

1957

1965 1975 1979 1982 1984

Cereais

184

195

194

284

332

353

407

Algodão

1,3

1,6

2,0

5,4

2,2

3,6

6,5

Cereais per capita (kg/hab)

285

301

301

309

342

326

400

Área cultivada per capita (ha./hab)

0,18

Esse entrelaçamento se dá de forma que tan-

to o tempo (história) quanto o espaço (geografia) se encontrassem e formatassem síntese no território chinês. Assim, as quatro primeiras ZEEs foram criadas (1982) em locais estudados e planejados de forma que a ZEE de Shenzen fizesse fronteira com Hong-

0,16

0,14

0,11

0,11

0,10

0,09

Fonte: JABBOUR, Elias M. K. (1997): China: Desenvolvimento e Socialismo de Mercado: Potência do Século XX”. Trabalho de Graduação Individual. Departamento de Geografia da FFLCH. Universidade de São Paulo, 1997, p. 69.

Kong, a de Zhuhai com Macau, Xiamen em Fujian voltada para Taiwan e a de Shantou voltada para colônias chinesas no sudeste asiático.

Verdadeiras joint-ventures territoriais surgi-

ram entre essas zonas e seus territórios-alvo, sugan-

O próximo passo foi o da instalação das Zo-

do investimentos externos de chineses ultramarinos

nas Econômicas Sociais, ZEEs, de forma experimen-

que hoje correspondem a 62% dos IEDs na China,

tal, mas com forte apelo, não somente econômico,

criando meios para a reunificação do país, via sucção

mas também político e estratégico. Falemos mais de-

econômica, e condições objetivas para o enfrenta-

tidamente acerca deste empreendimento.

mento do desenvolvimento do oeste chinês em curso

na atualidade.

O sudeste asiático, notadamente Coréia do

Sul e Taiwan, era exemplo vivo de como retomar o esforço comercializador chinês, obtendo, assim, divisas externas para seu projeto de modernização e

A estratégia de desenvolvimento (as Empresas de Cantão e Povoado e a macroeconomia)

reservas cambiais que viabilizassem no futuro (hoje)

uma política de juros propícia ao crédito. As Zonas

volvimento chinesa – baseada na formação de um

de Processamento de Exportações (ZPEs) coreanas

mercado interno capaz de abarcar um processo ace-

e taiwanesas foram a inspiração para a instalação em

lerado de industrialização – reside no surgimento e

território chinês das Zonas Econômicas Especiais

fortalecimento das chamadas Empresas de Cantão e

(ZEEs) como plataforma de exportações, processa-

Povoado (ECPs).

mento de tecnologia externa e também verdadeiros

laboratórios econômicos e sociais, nos quais as técni-

de caráter coletivo (responsáveis pela invasão no

cas e habilitações capitalistas pudessem ser observa-

mundo de camisas, gravatas, calças e tênis made in

das e assimiladas (JABBOUR , 2006).

China, atualmente já produzem produtos de maior

Outra preocupação — e por isso as ZEE’s

valor agregado como televisores, computadores e até

contêm caráter estratégico — é atrelar essas zonas

aviões em joint-venture com a brasileira EMBRAER)

ao esforço de político de reunificação do país, enfim,

e de capital intensivo absorveram a maior parte dos

criar condições objetivas para o retorno de Hong-

excedentes de mão-de-obra agrícola que voltaram

Kong, Macau e Taiwan ao seio da pátria. A melhor

assim suas atividades para setores ligados à indústria

forma encontrada para isso seria a institucionalização

rural, comportando, dessa forma, um caso sui generis

da política de “um país, dois sistemas” como forma-

de urbanização no mundo.

Outra determinante da estratégia de desen-

Tratam-se de pequenas e médias empresas

Revista da ANPG, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 16 - 26, segundo sem. 2009

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