Programação anozero'17

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Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra

11 nov–30 dez Ter-dom e feriados 10 h–18 h

Curar e Reparar O tema da bienal Anozero, Curar e Reparar, é uma proposta de muitas possíveis entradas. Curar refere-se a cuidado, à possibilidade de exercer um cuidado que recupera, o que implica necessariamente uma condição de fragilidade, do próprio ou de outro. Há na palavra cura uma doença implícita, mas sobretudo uma prática recuperadora, o exercício de um restauro, ou a restituição de um organismo à sua condição. Reparar, por seu turno, tem uma miríade de conotações possíveis: em português quer dizer arranjar, consertar, recompor. Quer também dizer aproveitar, compensar, restaurar, tudo processos económicos que implicam uma determinada conservação. Mas, em português, o termo reparar tem ainda um outro conjunto de significados que implicam tomar atenção, ver com acuidade, atentar, prestar atenção; enfim, uma disponibilidade para o mundo, que advém da possibilidade de focar o que está perante, desacelerar o tempo e não opinar. Esta teia de ecos foi o mapa que permitiu ir encontrando artistas que, de múltiplas formas, procuravam essa impureza inerente à recuperação de qualquer coisa que, já existindo, seja como um engrama, um problema, uma possibilidade de redenção ou uma deformação, necessitava de ser cosida, suturada, remendada. Enfim, reparada. A bienal não parte, portanto, do princípio de que a arte cura. Em si, a arte não cura nada. Também não revoluciona, nem rompe, nem corta, mesmo que finja fazê-lo: encena, por muitas formas, esses processos e, no melhor dos casos, propõe-nos que reparemos. A proposta da bienal foi, portanto, de se situar nos antípodas de um pensamento radical, de uma proposta que se reivindicasse da raiz, da origem ou do apagamento, da limpeza ou de qualquer purismo. Há um bolor moral na radicalidade que foi o ponto do qual esta proposta se pretendeu desviar a partir de um trabalho dos artistas sobre a memória — a própria, a coletiva, a ficção da coletividade. A proposta que construímos parte desse propósito: há qualquer coisa que pode ainda ser arranjada, mesmo que pela exposição de uma ferida. O segundo ponto de partida da bienal foi a cidade e os seus espaços, para definir uma exposição que atravessasse vários locais, mas mantendo-se uma exposição. A construção de um percurso que partisse da Baixa e subisse até à Universidade, atravessando o circuito patrimonial, que, passando pelos dois edifícios do Círculo de Artes Plásticas, atravessasse o rio e subisse até Santa Clara. E aí, a revelação do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova constituiu um desafio e um fascínio que não podia ser recusado, quer pela qualidade arquitetónica e patrimonial, quer porque devolve o olhar sobre a cidade, uma vez mais, para reparar nela com distância. Delfim Sardo, Curador-geral Luiza Teixeira de Freitas, Curadora-adjunta

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova

Alexandre Estrela

Julião Sarmento

The Golden Record (All and Everything), 2017

Estudo para Cura, 2017 © Julião Sarmento

Ângela Ferreira

Louise Bourgeois

‫مسلّة‬, 2017

C’est Le Murmure De L’eau Qui Chante, 2002 © Brigitte Cornand

Danh Vō

Lucas Arruda

We The People (detail), 2011 © Anders Sune Berg

© Lucas Arruda

Dominique Gonzalez-Foerster

Manon Harrois & Sara Bichão

Promenade, 2007

Esboços para She has nothing to say/She has everything to say, 2017 Cortesia Mor Charpentier, Paris

Fernanda Fragateiro

Marwa Arsanios

Estudo para instalação, 2017 © António Jorge Silva

Falling is not collapsing, falling is extending, 2016-2017

Francis Alÿs

Pedro Barateiro

1943, 2012 © Art Gallery of Ontario 2017, Dean Tomlinson

Estudo para instalação, 2017

Gabriela Albergaria

Rubens Mano c o n f i n s d e m e m ó r i a, 2017 © Rubens Mano

Sketchbook, 2017

Gustavo Sumpta

Salomé Lamas The Burial of the Dead, 2016 © Oriol Tarridas

Metal Sonante/Loud metal, 2017

Sara Bichão

James Lee Byars

Cura, 2016 © Pedro Guimarães

James Lee Byars, 1994 © Lothar Schnepf

Jimmie Durham

William Kentridge

Songs of My Childhood, Part One: Songs to Get Rid Of, Part Two: Songs to Keep, 2014

More Sweetly Play the Dance, 2015 © Stephen White

José Maçãs de Carvalho Fotografia de reperage, 2017 © José Maças de Carvalho

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