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Healing and Repairing


Curar e Reparar Healing and Repairing Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra

11 nov ­ 30 dez 2017

Coimbra Biennial of Contemporary Art

11 Nov ­ 30 Dec 2017


EDIÇÃO EDITION

Pré-impressão, impressão e acabamento

Anozero

Pre-press, printing and binding

Maiadouro TIPOGRAFIA TYPOGRAPHY

Azo Sans, Rui Abreu, 2013 Plantin, Frank Hinman Pierpont, Monotype, 1913 Tipografia Damasceno

TIRAGEM

PAPEL PAPER

© Novembro

Coral Book Ivory, 90 gr Munken Pure, 240 gr

November

REPRODUCTION

10 000 exemplares copies

2017


Sumário Overview 5

Anozero, uma bienal de Coimbra para o mundo! Anozero, a biennial from Coimbra to the world! Manuel Machado

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Curar e Re-parar Healing, Pausing, Repairing João Gabriel Silva e Clara Almeida Santos

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Quantos dias têm dois anos? How many days are there in two years? Carlos Antunes

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Texto curatorial From the curatorial team Delfim Sardo e Luiza Teixeira de Freitas

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Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery

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Convento São Francisco Convent of São Francisco

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Sala da Cidade

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Museu da Ciência – Galeria de História Natural Science Museum – Natural History Gallery

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Colégio das Artes da Universidade de Coimbra

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Círculo de Artes Plásticas de Coimbra – CAPC Sereia

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Círculo de Artes Plásticas de Coimbra – CAPC Sede

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4 Torres Sineiras, Alta e Baixa de Coimbra 4 Bell Towers, Uptown and Downtown Coimbra

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Programação Convergente Converging Activities

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Oficina Anozero Anozero Workshop

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Informações Information


Museu da Ciência – Galeria de História Natural Science Museum – Natural History Gallery


Anozero, uma bienal de Coimbra para o mundo! Com a primeira edição do Anozero – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, organizado pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), pela Câmara Municipal de Coimbra e pela Universidade de Coimbra (UC), em 2015, a nossa cidade fortaleceu o seu caminho para se tornar uma referência no mundo da Arte Contemporânea. Um dos objetivos iniciais deste projeto foi conferir maior visibilidade e refletir sobre a distinção da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia como Património Mundial da UNESCO. Mas o seu principal propósito foi divulgar o notável património cultural de Coimbra e contribuir para uma mais significativa integração da cultura artística contemporânea no quotidiano da cidade, dos seus cidadãos e dos seus visitantes. O Anozero promoveu e valorizou Coimbra, ao mesmo tempo que o seu sucesso provocou novas e diferentes formas de olhar para a cidade, como um lugar mais cosmopolita, distinto, criativo, atrativo e inovador. Para isso, contribuíram os grandes nomes das artes que por aqui passaram e a obra que por aqui deixaram e que muito engrandecem Coimbra do ponto de vista artístico e cultural. Com o sucesso da primeira edição, a responsabilidade cultural dos três promotores aumentou. Afinal, como temos repetidamente afirmado, uma bienal só é verdadeiramente uma bienal na sua segunda edição. E esta concretizou-se! Coimbra, as suas instituições, os seus agentes culturais e os seus públicos estão, portanto, de parabéns e devem sentir orgulho de si próprios. A segunda edição, entre novembro e dezembro de 2017, surge, naturalmente com o mesmo empenho, interesse e dedicação das entidades organizadoras, embora reforçada por um leque mais alargado de entidades associadas, integrada no projeto regional Lugares Património Mundial do Centro e reconhecida também pelo seu potencial de atração turística.

Dinamizar a fileira de atividades que cruzam a produção cultural, o turismo e as indústrias criativas numa cidade património da UNESCO é, precisamente, uma das prioridades do atual Executivo para o ciclo autárquico que agora se inicia. Assim, o Anozero e outros eventos de elevada qualidade artística não poderiam ter um melhor enquadramento no quadro da política cultural municipal — a qual tem como fito a candidatura de Coimbra a Capital Europeia da Cultura em 2027. Este será um projeto orientado para a inovação e a criatividade. Será virado para o futuro, preservando a memória e as tradições que nos singularizam. Para a intensa e rica atividade cultural que existe, hoje, em Coimbra, muito contribui a classificação da Universidade, Alta e Sofia como Património Mundial, a abertura ao público do Convento São Francisco e os agentes culturais que aqui desenvolvem o seu trabalho, em articulação com a ação municipal. Não tenhamos dúvidas: a conjugação destes fatores estimulou uma vivência cultural mais eclética, polifacetada e diferenciadora, numa Coimbra que contraria, na prática — e deve fazê-lo veementemente —, alguns lugares-comuns que vamos ouvindo. Para finalizar, deixo um agradecimento sincero ao CAPC, na pessoa do seu Diretor, Carlos Antunes, por ser o primeiro impulsionador e nos ter desafiado para este projeto; à UC, nas pessoas do Reitor João Gabriel Silva e da Vice-Reitora Clara Almeida Santos, por nos terem acompanhado neste desafio; à Vereadora da Cultura, Carina Gomes, que, na Câmara Municipal de Coimbra, tem liderado esta missão; ao Curador-geral desta edição, Delfim Sardo; a todos os artistas que colaboraram na Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra e a todos os voluntários que, generosamente, se dedicaram a tornar este evento possível. Manuel Machado Presidente da Câmara Municipal de Coimbra

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Anozero, a biennial from Coimbra to the world! The first edition of Anozero – Coimbra Biennial of Contemporary Art, 2015, organized by the Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), City Hall Coimbra and the University of Coimbra (UC), strengthened our city’s pathway to becoming a reference point in the world of Contemporary Art. One of the initial goals of this project was to bestow greater visibility and to reflect on the distinction of University de Coimbra – Alta and Sofia as UNESCO World Heritage. But its main purpose was to disseminate the remarkable cultural heritage which is Coimbra’s and to contribute to a more significant integration of contemporary art culture into the daily life of the city, its citizenry and visitors. Anozero promoted and gave value to Coimbra while, at the same time, its success brought new and different ways to see the city as a more cosmopolitan, distinct, creative, attractive and innovative place. The great names of the arts that passed through here and the work they left contributed to this and greatly enhance Coimbra from an artistic and cultural viewpoint. The success of the first edition increased the cultural responsibility of the three promoters. After all, as we have repeatedly stated, a biennial is only really a biennial on its second edition. And this has been achieved! Coimbra, its institutions, cultural operators and audiences should therefore be congratulated and have reasons to feel proud of themselves. The second edition, in November and December 2017, emerges with the same level of commitment, investment and dedication from its organizers. It is, however, reinforced by a broader range of associated bodies, part of the regional project World Heritage Sites in the Central Region (Lugares Património Mundial do Centro) and recognized for its potential for attracting tourism.

Bringing the range activities to life which gather cultural production, tourism and the creative industries in a UNESCO heritage city is precisely one of the priorities of the current executive board for the municipal cycle now underway. Thus, Anozero and other events of high artistic quality could not have a better context in the framework of municipal cultural politics – the goal of which is to present Coimbra as a candidate for European Capital of Culture in 2027. This will be a project oriented towards innovation and creativity. It looks to the future, while preserving the memory and the traditions that set us apart. The intense and rich cultural activity existing in Coimbra today owes a lot to the classification of University of Coimbra – Alta and Sofia as World Heritage, to the opening of Convento São Francisco to the public and to other cultural operators who carry out their work here, in coordination with municipal efforts. There should be no doubt: the combination of these factors has inspired a more eclectic, multilayered and distinctive cultural experience in Coimbra, which contradicts most practically – and should do so vehemently – platitudes we tend to hear. Finally, I express my sincere appreciation to CAPC, in the person of its Director, Carlos Antunes, for being the prime mover of this event and for providing us with this challenge; to UC, in the persons of Dean João Gabriel Silva and Vice-Dean Clara Almeida Santos, for joining us in it; to the Councillor for Culture, Carina Gomes, who has been leading this mission in Coimbra City Hall; to the Chief Curator of this edition, Delfim Sardo; to all the artists who collaborated in the Coimbra Biennial of Contemporary Art and to the dedication and generosity of all the volunteers who made this event possible. Manuel Machado President, Coimbra City Hall

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Curar e Re-parar A existência da segunda edição do Anozero é a prova de vida desta bienal de arte contemporânea. Existindo várias bienais no País, e fora dele, que se dedicam às formas de manifestação artísticas deste tempo, o Anozero apresenta a singularidade de se inscrever matricialmente numa ideia de continuidade, de se assumir como fruto de um legado, sem com isso renegar as roturas características do nosso tempo. Na origem desta bienal está a inscrição em 2013 da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia na lista do Património Mundial reconhecido pela UNESCO. E logo dois anos depois, no momento em que a Universidade celebrava o seu 725.º aniversário, acontecia o primeiro Anozero. O curto tempo que mediou entre a classificação e realização da bienal mostra bem a dinâmica imprimida pela organização, sobretudo pelo Círculo de Artes Plásticas, a quem coube, entre outras, a árdua missão de produção, sempre com o respaldo da Universidade e da Câmara Municipal de Coimbra, cúmplices de primeira hora. Foi tudo inventado para esse primeiro Anozero — desde o esboço do conceito inicial até à finissage. Uma invenção só possível porque construída sobre várias camadas. A primeira é material, física, diacrónica, constituída pela herança patrimonial tremenda sobre a qual se foi construindo o «edifício» da Universidade. Há camadas que são heranças de outra ordem — de quem nos precedeu e deixou a sua marca. São muitos os espíritos que habitam estas paredes. Mentes que brilham. Outras que obscurecem. Todas personagens de uma história longa sem epílogo à vista. As restantes camadas são trazidas por cada instituição e por cada pessoa que empresta alguma coisa de si a este todo, que assim se faz orgânico, vivo e em permanente mutação. Escrevemos propositadamente no presente porque a segunda edição é ainda a primeira, como serão as que se seguirem. Começar sempre. Do zero.

A bienal é uma bicicleta que avança sobre uma base estreita e que se mantém em equilíbrio porque alguém não para de pedalar. Um equilíbrio instável que se move sobre um património único e cujo valor justifica que não se pare. Duas rodas, dois zeros. Um zero a seguir ao outro, ligados por correntes, em perpétuo movimento, como a guitarra de Carlos Paredes. O Anozero interessa por muitos motivos — pelo cuidado no conceito e na curadoria, pela ousadia da produção, pela qualidade das obras apresentadas, pela oportunidade de visitar ou revisitar espaços renovadas pela arte que temporariamente os habita, pela reflexão que provoca sobre o património das cidades e desta cidade em particular. É a imagem da própria Universidade, onde o profundamente antigo e o arrojadamente novo se encontram, resolvendo o paradoxo. Um paradoxo assente num património de que é preciso «cuidar» continuamente e que, para se compreender, precisamos de «re-parar». João Gabriel Silva Reitor da Universidade de Coimbra Clara Almeida Santos Vice-Reitora da Universidade de Coimbra

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Healing, Pausing, Repairing The existence of the second edition of Anozero is the proof of life of this biennial of contemporary art. While there are various biennials dedicated to the latest forms of artistic expression both in this country and abroad, Anozero stands apart by registering itself in a matrix, in an idea of continuity, of agreeing to be the fruit of a legacy without thereby denying the ruptures characteristic of our time. At the source of this biennial is the recognition in 2013 of the University of Coimbra - Alta and Sofia as World Heritage by UNESCO. And just two years later, as the University was celebrating its 725th anniversary, the first Anozero took place. The short time that passed between the registering and realization of the biennial clearly shows the organization’s stamp of dynamism, especially the Círculo de Artes Plásticas, which, with others, had responsibility for the difficult mission of production, always supported by the University and Coimbra City Hall, partners from the outset. Everything was invented for that first Anozero — from the sketch of the initial concept to the finissage. This invention was only possible because it was built upon several layers. The first is material, physical, diachronic, consisting of the tremendous legacy of heritage upon which the “building” of the University is constructed. There are layers which are an inheritance of another order — those who preceded us and left their mark. Many spirits inhabit these walls. Minds that shine. Others that darken. All characters in a long story with no epilogue in sight. The remaining layers are brought by each institution and by each person that lends something of themself to this whole, which is thus made organic, alive and in a state of permanent mutation. We write deliberately in the present tense because the second edition is still the first, as will the following ones be. Always begin. From zero.

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The biennial is a bicycle that moves forward over a narrow base and maintains its balance because there is someone who does not stop pedalling. An unstable balance that moves over unique heritage, the worth of which means that it does not stop. Two wheels, two zeros. One zero after the other, bound by chains, in perpetual motion, like Carlos Paredes’ guitar. Anozero matters for several reasons — the care in its concept and curatorship, the boldness of the production, the quality of the works presented, the opportunity to visit or revisit renovated spaces to see the art that temporarily inhabits them, the way it makes people reflect on the heritage of cities and this city in particular. It is the image of the University itself, where the profoundly ancient and the daringly new meet, solving the paradox. A paradox rooted in heritage that calls for continuous care and that, to understand it, we need to pause and repair. João Gabriel Silva Rector of the University of Coimbra Clara Almeida Santos Vice-Rector of the University of Coimbra


Quantos dias têm dois anos? Dois anos ou 730 dias foi o tempo necessário para que a promessa de bienal, que lançámos em 2015, agora se cumpra. A primeira edição de um qualquer evento que se pretende regular e plurianual é sempre o seu ano zero, um ensaio, que só a segunda edição poderá confirmar. «Nada está garantido!», afirmou estrondosa e disforicamente Cabrita Reis, em 2015, no momento da inauguração dessa edição experimental e da sua intervenção na Sala da Cidade, perante o sucesso que se começava a adivinhar e que os números, quer de público, quer de visibilidade mediática, e o reconhecimento do seu mérito vieram confirmar. Excedendo as expectativas mais otimistas, o ano zero do Anozero — assim decidimos nomear a bienal de Arte Contemporânea de Coimbra — tornou claro para nós, Círculo de Artes Plásticas, Câmara Municipal de Coimbra e Universidade de Coimbra, organizadores desta bienal, que esse era o momento inaugural de uma viagem, naturalmente conturbada, que deveria ser prosseguida, uma vez tomado o peso da nossa responsabilidade como organizadores e de toda a cidade como público. Como desde a primeira hora dissemos, Anozero nunca foi apenas um começo, ou um retomar do fôlego, em relação àquilo que culturalmente Coimbra foi e está a ser, mas também um programa concreto de ação para a cidade concreta, contemporânea e viva. A bienal continuará a designar-se Anozero, grafada assim, como uma palavra única, um neologismo, e parece-nos especialmente relevante que o façamos a partir daqui, de Coimbra, lugar fundador e matricial da Língua Portuguesa, argumento nuclear para a classificação de Coimbra – Universidade, Alta e Sofia como património da Humanidade da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Anozero trata da identidade de uma cidade e da necessidade contemporânea de rever e questionar essa identidade, procurando respostas para a tríade de questões-chave basilares — quem somos, de onde vimos, para onde vamos? — e sabendo sempre que à reiterada formulação destas questões,

corresponderá, a cada momento, respostas diferentes. Trata da necessidade de reajustar a nossa posição perante um mundo que continuamente muda, e, ao mesmo tempo, de nos mantermos leais à nossa identidade. Porque «quando os factos mudam, a nossa opinião muda», na bela proposição de Tony Judt, apropriando-se das palavras de John Maynard Keynes. Anozero é sobre o contínuo regresso à origem, sempre um passo à frente. É sobre a espiral mortal — na corruptela tipográfica das palavras de William Shakespeare — que nos permite avançar. É sobre a vida e a morte e a nossa luta comum para permanecermos vivos. É sobre sensu, esta simples e complexa palavra do latim que significa simultaneamente extrema beleza e extrema inteligência, qualidades que necessitamos desesperadamente de alcançar para superar a nossa finita condição animal. 730 dias ou dois anos foi o tempo necessário para que esta segunda edição se pudesse concretizar, vividos intensamente, dia a dia, ultrapassando obstáculos, conquistando aliados, reforçando a equipa, interna e externa. Numa bienal que tem o património da cidade que a organiza como um conteúdo central da sua reflexão, a curadoria-geral de Delfim Sardo — por razões que vão muito para lá da sua longeva relação com Coimbra, onde se licenciou em Filosofia em 1986, concluiu em 2013 o seu doutoramento em Arte Contemporânea no Colégio das Artes e onde atualmente leciona —, a presença permanente das relações entre arte e arquitetura no seu trabalho de ensaísta e professor, além do lugar único que ocupa como curador no panorama artístico nacional, tornaram-no na escolha óbvia. Vivemos num mundo caracterizado pela ausência de relações diretas e onde todas as relações são mediadas, pelo que a arte contemporânea pode cumprir com grande eficácia a função de ativadora e mediadora entre o público e o património, ser o «interruptor», numa expressão recorrentemente mencionada por Delfim Sardo, que os reacende, reanima, relê e reapresenta criticamente em ato contínuo. Para a presente edição, Delfim Sardo, coadjuvado por Luiza Teixeira de Freitas, elegeu 9


como tema de trabalho Curar e Reparar, que, dois anos após a sua formulação, se revela ainda mais urgente e pertinente perante um mundo que vive a maior crise global após a Segunda Grande Guerra. Ao contrário da primeira edição, cujo tema Um lance de dados, definido a partir do poema Um lance de dados jamais abolirá o acaso, de Stéphane Mallarmé, propunha binómios que se contradiziam e complementavam, resolvidos curatorialmente sob a forma de um conjunto de exposições, e com designações distintas, a equipa curatorial da presente edição optou por uma estratégia de concentração, sendo que todas as obras de arte instaladas nos diversos espaços da bienal pertencem a uma exposição única, cujo epicentro se localiza no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, um edifício barroco do Século XVII. Em 1910, a parte norte foi atribuída ao Exército, que a ocupou até 2006, estando desde essa altura desocupado. Trata-se de um dos segredos mais bem guardados da arquitetura religiosa em Portugal, e só o facto de nunca ter estado aberto ao público permite o enorme desconhecimento que dele tem a sociedade civil. A circunstância única de permitir o acesso ao seu interior durante o período da bienal seria só por si, do ponto de vista dos conteúdos, razão para a existência deste evento; e a cidade terá a obrigação cívica de se pronunciar sobre o destino a dar a este conjunto monumental, de modo que não o afaste novamente da sua utilização pública e inclusiva. Esta exposição poli-localizada ocupará o referido Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, a Sala da Cidade, o Colégio das Artes da Universidade de Coimbra, o Museu da Ciência — a Galeria de História Natural — e os dois espaços do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, bem como a Maternidade Professor Bissaya Barreto. Em continuidade com a edição de 2015, o programa de música e artes de palco ou performativas terá a direção artística das restantes estruturas que constituem a Linhas, uma plataforma de programação constituída, além do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, pelo Jazz ao Centro Clube e a Casa da Esquina. Paralelamente, decorrerá uma extensa lista 10

de programas convergentes, de autorias e curadorias múltiplas, resultantes de propostas individuais de criadores e/ou outras estruturas artísticas, articuladas com o tema genérico da bienal, em áreas como a arquitetura, performance, música, dança, teatro, literatura, rádio, conferências, design de moda, de comunicação e de produto, ocupando o Museu — escultura-equipamento de Francisco Tropa —, o Museu Municipal de Coimbra/Edifício Chiado, o Café Santa Cruz, o edifício sede do NARC – Núcleo de Arquitectos de Coimbra, a Sala de Exposiçoes do DARQ – Departamento de Arquitetura, as renovadas instalações da Sociedade de Cerâmica Antiga de Coimbra e o Jardim Botânico, que expandirão o espaço conceptual e geográfico definido pela curadoria. A concretização desta bienal implicou por parte das três instituições organizadoras um acréscimo do esforço financeiro que traduz a forte convicção da importância do projeto para a cidade, para a região e para o País. Foi a mesma convicção que permitiu candidatar o Anozero como o principal projeto a submeter ao programa do quadro comunitário de apoio Portugal 2020 – Lugares Património Mundial do Centro, promovido pela Entidade Regional de Turismo do Centro através de uma programação em rede que engloba os municípios de Alcobaça, Batalha, Tomar e Coimbra. Se é plenamente evidente que esta bienal demonstra o quanto a cidade pode fazer se as suas instituições trabalharem de forma concertada para alcançar o mesmo objetivo, importa também analisar o que pode ser melhorado. Na edição anterior, relevámos o extraordinário trabalho do seu grupo coeso de colaboradores e a imperativa necessidade de o manter com vínculo laboral ao Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, a estrutura que produz esta bienal. Apenas uma pequena parte desse grupo transitou para esta edição por não terem existido condições financeiras para a sua manutenção. Esta precariedade exigiu de todos muito mais do que aquilo que pode ou deve ser exigido. Todos souberam estar à altura dessa exigência, ultrapassando os seus próprios limites, e esse esforço deve ser aqui reconhecido. Este não é um problema apenas desta bienal, sendo infelizmente um drama que


percorre transversalmente uma maioria muito expressiva de todas as estruturas e de todos os grandes eventos culturais deste país. Um sinal de esperança é agora apresentado pelo Estado ao declarar a intenção de garantir a estabilidade e continuidade dos eventos especiais. Observaremos atentamente a concretização dessa declaração. Do ponto de vista do relacionamento interno entre as entidades organizadoras, as diferentes escalas e os modelos orgânicos de cada uma não têm impedido uma boa articulação que deve, ainda, continuar a ser otimizada. Por parte do Círculo de Artes Plásticas, assumimos publicamente o compromisso de aumentar o apoio à bienal, no sentido de garantir que as condições de produção se possam regularizar. Se a concretização da segunda edição de uma bienal é o que verdadeiramente a torna uma bienal, conforme pudemos esclarecer no início deste texto, todos os estudos acerca das histórias das bienais consideram que a concretização da terceira edição é aquela que cria um ponto de não retorno e que lhe permite iniciar uma velocidade de cruzeiro. Significa isto que iniciaremos agora, no momento de inauguração da segunda edição, os 730 dias mais complexos da nossa curta existência. Sem ansiedades ou sobressaltos, e com o indisfarçável entusiasmo da nossa equipa, da cidade, das entidades apoiantes, dos agentes culturais e do público, saberemos alcançar esse objetivo, superando cada dia, olhando de frente cada dificuldade, 730 vezes, apoiados nessa imagem redentora que nos acompanha desde a primeira hora que pensámos esta bienal — o momento final de Pina, de Wim Wenders, em que Pina Bausch dança o fado de Coimbra Os teus olhos, de Germano Rocha,

E pensamos na cidade, no seu património material e imaterial, e no campo de possibilidades que estes oferecem à criação contemporânea: dançar a cidade, dançar com a cidade, e fazer desta dança a sua ativação continuada. Carlos Antunes Diretor do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra

«os teus olhos não são teus, são duas Avés Marias do rosário da amargura que eu rezo todos os dias», terminando com a declaração abrupta: «Dance, dance, otherwise we’re lost». 11


O Círculo de Artes Plásticas de Coimbra agradece a confiança depositada na equipa de produção por parte da Câmara Municipal de Coimbra, na figura do seu Presidente, Manuel Machado, e da Vereadora da Cultura, Carina Gomes, e da Universidade de Coimbra, na figura do seu Reitor, João Gabriel Silva, e da Vice-Reitora, Clara Almeida Santos. A eficácia de uma equipa de produção num evento desta natureza é, de facto, uma condição essencial para a sua concretização. É da mais elementar justiça que agradeçamos aos seguintes colaboradores: Ana Marta Santos André Santos Anthony Alexandre António Daniel Pinto António Ramos Nunes Carina Correia Catarina Leal Dave Tucker Désirée Pedro Diana Nunes Edgar Pedroso Elisabete Carvalho Filipa Cabrita Franquelim Teixeira Frederico Nunes Henrique Bento e toda a sua equipa Isabel Campante Isabel Gaspar Ivone Antunes Joana Damasceno Joana Monteiro

João Bicker João Nora Jorge Neves Júlio Pinto Karen Bruder Laurindo Marta Maria Alexandra Nogueira Paulo Castanheira Pedro Sá Valentim Pedro Vaz Ricardina Oliveira Rita Caetano Rubene Ramos Rui Damasceno Sandra Santos Sérgio Rebelo Sílvia Gomes Valdemar Santos Vasco Costa Vitor Garcia Vitor Oliveira Com a mesma gratidão, agradecemos ao grupo de mais de uma centena de voluntários que, à data da redação deste texto, continua a aumentar, e que disponibilizaram o seu tempo e força de vontade para abraçar este projeto. Os nossos agradecimentos endereçam-se igualmente a todos os mecenas e entidades que, ao apoiar esta edição da bienal, contribuíram para a sua concretização.

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How many days are there in two years? It took two years or 730 days for the promise of the biennial, launched in 2015, to now come true. The first edition of any event which is intended to be regular and multi-annual is always its zero year, a rehearsal, which only the second edition can confirm. “Nothing is guaranteed!”, claimed Cabrita Reis, loudly and dysphorically in 2015, on the occasion of the inauguration of the experimental edition, during his intervention at Sala da Cidade. He was speaking of the success that was already starting to be guessed at, and which the amount of public and media visibility and the acknowledgement of its merits later confirmed. Year zero of Anozero – the name chosen for the Coimbra Biennial of Contemporary Art – exceeded the most optimistic expectations. It became clear to us – we, the Circle of Visual Arts (Círculo de Artes Plásticas), Coimbra City Hall (Câmara Municipal de Coimbra) and University of Coimbra (Universidade de Coimbra), the promoters of this biennial – that it was the inaugural moment of an obviously difficult journey, but one which, once we had weighed our responsibilities as promoters and that of the entire city as public, had to be carried out. As we stated from the outset, Anozero was never only the start, or re-catching of breath, in terms of what Coimbra was and is culturally, but also a clear plan of action designed for the actual city, contemporary and alive. The biennial will continue to be called Anozero, spelled like this in a single word, a neologism, and we consider this to be especially relevant here, in Coimbra, founder and font of the Portuguese language, which was a central argument for the naming of University of Coimbra – Alta and Sofia as UNESCO World Heritage (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization). Anozero addresses the identity of a city and the contemporary need to review and question that identity, by seeking answers to a triad of key fundamental questions – who are we, where do we come from, where are we going? – in the knowledge that each time these questions are asked, they will have different answers at every moment. It addresses the need to readjust

our position in a world of continuous change and, at the same time, remaining loyal to our identities. Because “when facts change, our opinion changes”, citing Tony Judt’s beautiful proposition, inspired by John Maynard Keynes’s words. Anozero is about the continuous return to origins, while always remaining one step ahead. It is about the mortal coil – according to William Shakespeare’s oft misunderstood words – that allows us to go on. It is about life and death and our common struggle to remain alive. It is about sensu, this simple and complex Latin word which simultaneously means extreme beauty and extreme intelligence, qualities we desperately need to attain to surpass our condition of finite animals. 730 days or two years was the time needed for this second edition to take place, time intensely lived, day by day, overcoming obstacles, gaining allies, reinforcing the team, both within and without. The biennial that has the organizing city’s heritage as the central content of its reflection has Delfim Sardo as its chief curator. His has been an enduring relationship with Coimbra, where he finished his degree in Philosophy in 1986 and his doctorate studies in 2003 in Contemporary Art at the School of Arts (Colégio das Artes), where he currently teaches. The constant relationship between art and architecture in his work as essayist and teacher, as well as the unique place he occupies as curator in the Portuguese artistic landscape, make him the obvious choice. We live in a world marked by the absence of direct relations and where all relations are mediated, such that contemporary art may efficiently fulfil the function of activator and mediator between public and heritage. It can work as a “switch”, to use an expression Delfim Sardo often returns to, that reactivates, reanimates, rereads and represents them critically, as a continuous act. For the current edition, Delfim Sardo, with Luiza Teixeira de Freitas as his associate, elected Healing and Repairing (Curar e Reparar) as the theme which, two years after its formulation, is revealed as even more urgent 13


and pertinent, when confronted with a world experiencing the greatest global crisis since the Second World War. The first edition, which followed the theme “A Throw of the Dice”, inspired by the poem “A Throw of the Dice Will Never Abolish Chance”, by Stéphane Mallarmé, proposed binomial concepts that contradicted and complemented each other, resolved at the curatorial level as a set of exhibitions with distinct designations. In contrast, the curatorial team of the present edition opted for a strategy of concentration, with all the works of art installed in the diverse spaces of the biennial belonging to a single exhibition, whose epicentre is located at Santa Clara-a-Nova Monastery, a baroque building from the 17th century. In 1910, the north part of the building was given over to the Armed Forces and was occupied until 2006, remaining vacant since then. It is one of the best kept secrets of religious architecture in Portugal, and only the circumstance of never having been open to the public allows it to be so greatly unfamiliar to civil society. The unique opportunity to allow public access to its interior during the period of the biennial would on its own be reason for this event as far as content is concerned; and the city will have the civic duty to have a say in the fate of this monumental complex, so that it is not detached again from public and inclusive use. This exhibition will be located in multiple places, namely the above-mentioned Santa Clara-a-Nova Monastery, Sala da Cidade, Colégio das Artes da Universidade de Coimbra, Science Museum – Natural History Gallery – and the two centres of Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, as well as Maternidade Professor Bissaya Barreto. Providing continuity with the 2015 edition, the music and performative arts programme will have the artistic direction of the various structures that compose “Linhas”, an events platform consisting of Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, Jazz ao Centro Clube and Casa da Esquina. In parallel, an extensive list of convergent programmes will take place with multiple authors and curatorships, resulting from the artists’ individual proposals 14

and/or other artistic structures, in coordination with the generic theme of the biennial. This will include areas such as architecture, performance, music, dance, theatre, literature, radio, lectures, and fashion, communication and product design. These will occupy the Museu – Francisco Tropa’s sculpture-equipment, the Museu Municipal de Coimbra/Edifício Chiado, Café Santa Cruz, the head office of the Núcleo de Arquitectos de Coimbra, the Architecture Department of the University, the refurbished facilities of the Sociedade de Cerâmica Antiga de Coimbra and the Botanical Garden, expanding the conceptual and geographical spaces defined by the curators. The realization of this biennial called for increased financial efforts from the three organizing institutions, an indication of the strong conviction in the importance of the project for the city, region and country. This same conviction led to Anozero being nominated as the main Project for submission to the programme of community support framework Portugal 2020 – Lugares Património Mundial do Centro (World Heritage Sites in the Central Region). This is promoted by the Centre of Portugal Tourism Board, via a programming network which encompasses the municipalities of Alcobaça, Batalha, Tomar and Coimbra. While it is entirely clear that this biennial shows how much the city can do when its institutions cooperate to reach the same goal, it is also important to analyse what can be further improved. The previous edition saw the extraordinary work by the close-knit group of collaborators as well as the imperative need to maintain a working relationship with Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, the body responsible for producing this biennial. Only a small part of that group continued to this edition as the finances were lacking to maintain it. This precarious situation demanded a lot more than can or should be demanded from everyone. Still, everybody knew how to rise to this demand and overcome their own limitations, and that effort should be recognized here. The problem is not particular to this biennial; unfortunately, it is a drama which can be seen across a wide range of entities and large-scale cultural events in this country. The


State is now giving signs of hope by declaring its intention to assure stability and continuity of special events of this kind. We will follow the implementation of this statement closely. From the point of view of internal relations between organizing entities, the different scales and organic models have not prevented good coordination and this should continue to be optimized. On behalf of the Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, we publicly assume a commitment to increasing support for the biennial, in order to provide stable conditions for its production. If the realization of a second edition of a biennial is what really makes it a biennial, as clarified at the beginning of this text, all studies about the history of biennials consider the third edition the moment that creates a point of no return and allows it to engage cruising speed. This means we’ll now begin, at the moment of the inauguration of the second edition, the most complex 730 days of our short existence. Without anxiety nor upset, and with our team’s undisguised enthusiasm, as well as that of the city, the supporting entities, the cultural agents and the public, we know how to attain that goal. We will do it by conquering every day, meeting each difficulty head on, 730 times, supported by that redemptive image that has guided us since we first imagined this biennial – the final scene of Pina, Wim Wenders’s film, when Pina Bausch dances to Fado de Coimbra, the song Os teus olhos, by Germano Rocha,

And we think of the city, its tangible and intangible heritage, and the possibilities they all offer to contemporary creation: a dance to the city, a dance with the city and making this dance its constant awakening. Carlos Antunes Director, Círculo de Artes Plásticas de Coimbra

«os teus olhos não são teus, são duas Avés Marias do rosário da amargura que eu rezo todos os dias», “those are not your eyes they are two Ave Marias from the rosary of bitterness I pray with every day” finishing with the abrupt declaration: “Dance, dance, otherwise we’re lost”.

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The Círculo de Artes Plásticas de Coimbra is grateful for the trust placed in the production team on behalf of Coimbra City Hall by its President, Manuel Machado and the Councilor for Culture, Carina Gomes, and the University of Coimbra by its Rector, João Gabriel Silva and the Vice-Rector Clara Almeida Santos. The efficiency of a production team in an event like this is, in truth, an essential condition for its accomplishment. As a first point of principle, our thanks go the following collaborators: Ana Marta Santos André Santos Anthony Alexandre António Daniel Pinto António Ramos Nunes Carina Correia Catarina Leal Dave Tucker Désirée Pedro Diana Nunes Edgar Pedroso Elisabete Carvalho Filipa Cabrita Franquelim Teixeira Frederico Nunes Henrique Bento and all of his team Isabel Campante Isabel Gaspar Ivone Antunes Joana Damasceno Joana Monteiro

João Bicker João Nora Jorge Neves Júlio Pinto Karen Bruder Laurindo Marta Maria Alexandra Nogueira Paulo Castanheira Pedro Sá Valentim Pedro Vaz Ricardina Oliveira Rita Caetano Rubene Ramos Rui Damasceno Sandra Santos Sérgio Rebelo Sílvia Gomes Valdemar Santos Vasco Costa Vitor Garcia Vitor Oliveira With the same gratitude, we thank the group of more than 100 volunteers which, at the time of the writing of this text, continues to grow, and who gave of their time and goodwill to embrace this project. Our thanks go out likewise to all the sponsors and patrons who, by supporting this biennial, contributed to its realization.

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1.

O tema da bienal Anozero, Curar e Reparar, é uma proposta de muitas possíveis entradas. Curar refere-se a cuidado, à possibilidade de exercer um cuidado que recupera, o que implica necessariamente uma condição de fragilidade, do próprio ou de outro. Há na palavra cura uma doença implícita, mas sobretudo uma prática recuperadora, o exercício de um restauro, ou a restituição de um organismo à sua condição. Reparar, por seu turno, tem uma miríade de conotações possíveis: em português quer dizer arranjar, consertar, recompor. Quer também dizer aproveitar, compensar, restaurar, tudo processos económicos que implicam uma determinada conservação. Mas, em português, o termo reparar tem ainda um outro conjunto de significados que implicam tomar atenção, ver com acuidade, atentar, prestar atenção; enfim, uma disponibilidade para o mundo, que advém da possibilidade de focar o que está perante, desacelerar o tempo e não opinar. Esta teia de ecos foi o mapa que permitiu ir encontrando artistas que, de múltiplas formas, procuravam essa impureza inerente à recuperação de qualquer coisa que, já existindo, seja como um engrama, um problema, uma possibilidade de redenção ou uma deformação, necessitava de ser cosida, suturada, remendada. Enfim, reparada. A bienal não parte, portanto, do princípio de que a arte cura. Em si, a arte não cura nada. Também não revoluciona, nem rompe, nem corta, mesmo que finja fazê-lo: encena, por muitas formas, esses processos e, no melhor dos casos, propõe-nos que reparemos. A proposta da bienal foi, portanto, de se situar nos antípodas de um pensamento radical, de uma proposta que se reivindicasse da raiz, da origem ou do apagamento, da limpeza ou de qualquer purismo. Há um bolor moral na radicalidade que foi o ponto do qual esta proposta se pretendeu desviar a partir de um trabalho dos artistas sobre a memória — a própria, a coletiva, a ficção da coletividade. A proposta que construímos parte desse propósito: há qualquer coisa que pode ainda ser arranjada, mesmo que pela exposição de uma ferida.

2.

O segundo ponto de partida da bienal foi a cidade e os seus espaços, para definir uma exposição que atravessasse vários locais, mas mantendo-se uma exposição. A construção de um percurso que partisse da Baixa e subisse até à Universidade, atravessando o circuito patrimonial, que, passando pelos dois edifícios do Círculo de Artes Plásticas, atravessasse o rio e subisse até Santa Clara. E aí, a revelação do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova constituiu um desafio e um fascínio que não podia ser recusado, quer pela qualidade arquitetónica e patrimonial, quer porque devolve o olhar sobre a cidade, uma vez mais, para reparar nela com distância. As intervenções propõem-se, assim, como interruptores sobre a arquitetura que geram situações acionadas pelas obras e pelas propostas dos artistas, ou pelas obras que fomos escolhendo e solicitando. A intervenção que foi realizada sobre o património edificado foi ínfima numa escala de restauro, mas cirúrgica numa escala de reutilização: só tocámos no que tinha de ser tocado e tomámos os edifícios como eles são, na sua memória à flor da pele. O circuito foi também pensado como tal, como um percurso que se desenha a partir da proposta de um mergulho no inconsciente coletivo, passa pelo trabalho sobre a memória de outras propostas artísticas, absorve e rouba o trabalho de alguns artistas por outros e termina num circuito sobre a cura, a reparação coletiva, a experiência individual e a saga.

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3.

Alguns artistas foram convidados a realizar obras novas para a bienal. É o caso de Paloma Bosquê, Juan Araujo, João Fiadeiro, Ângela Ferreira, Fernanda Fragateiro, Julião Sarmento, Gustavo Sumpta, José Maçãs de Carvalho, Alexandre Estrela, Henrique Pavão, Jonathan Saldanha, João Onofre, Lucas Arruda e Gabriela Albergaria; outros desenvolveram trabalhos que tinham iniciado noutros contextos; e outros, por fim, foram convidados a expor obras existentes. No cômputo geral, a bienal propôs um número considerável de comissões de obras novas e agradecemos aos artistas o empenho e a intensidade que colocaram nos seus projetos. Um agradecimento é também devido aos artistas que colaboraram connosco na escolha das obras com que iriam participar, bem como às galerias que se empenharam na facilitação do processo e apresentação e aos colecionadores que cederam obras.

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4.

Finalmente, uma palavra de agradecimento, em primeiro lugar, à equipa de direção da bienal, ao Carlos Antunes e à Désirée Pedro, pelo convite que nos endereçou, mas sobretudo porque fizeram este evento possível em cada dia e apesar de cada dificuldade. Também à equipa de produção, inexcedível no empenho e comprometimento com o projeto. Aos parceiros que tornaram os projetos viáveis. E à Câmara Municipal de Coimbra, bem como à Universidade, pela abertura a um projeto que não era, evidentemente, fácil de realizar. Delfim Sardo Curador-geral Luiza Teixeira de Freitas Curadora-adjunta


1.

The theme of the Anozero biennial “Healing and Repairing” (Curar e Reparar) is a proposition with many possible points of entry. Healing refers to care, to the possibility of practising the kind of care that restores; it necessarily implies a condition of fragility, one’s own or another’s. There is disease implicit in the word heal, but mostly restorative practice, the exercise of restoration, or the restitution of an organism to its rightful condition. Repairing, on the other hand, has myriad possible connotations: in Portuguese it means mend, improve, recompose. It also means use, compensate, and restore, all economical procedures which imply a certain conservation. But the Portuguese word for repair has yet another set of meanings which imply paying attention, watching with acuity, observing, focusing; ultimately, availability towards the world which arises from the chance to focus on what is before us, slowing down time and not imposing our views. This web of echoes was the map that has allowed us to find artists who, in various ways, seek the impurity inherent in the repairing of anything that already exists. Whether an engram, a problem, a possibility of redemption, or a deformation, it needs to be sewn, sutured, mended. Basically, repaired. The biennial, therefore, does not assume that art heals. In itself, art does not cure anything. It also does not revolutionize, nor break, nor sever, even if it pretends to do so: in many ways, it stages these procedures and, at best, it suggests we notice them. Therefore, the proposition of the biennial is set in the antithesis of radical thought, of a proposition which claims to be from the root, origin or erasure, cleanliness or a kind of purism. A radical nature entails mould, the point from which this proposition envisaged its redirection by basing itself on the artist’s work about memory – their own, the collective, and the fiction of collectivity. The proposition we’ve constructed has this as its starting point: there is something that can still be fixed, even by exposing a wound.

2.

The second starting point of the biennale was the city and its spaces – to define an exhibition that touched on several places, while remaining one exhibition. A circuit was drawn up that would start downtown (Baixa), climb up to the University (Universidade) and pass along a route of heritage, the two buildings of the CAP – Círculo de Artes Plásticas – and then cross the river and ascend to Santa Clara. And there, the revelation of the Santa Clara-aNova Monastery constituted a challenge and a fascination that could not be refused, with its architectonic and patrimonial quality, and the way it turns one’s gaze over the city, again, noticing it at a distance. The interventions are proposed in this way, like switches placed on architecture and which generate situations activated by the works and the artists’ projects, or by the works we have chosen and requested. The intervention performed on built heritage was minimal on a restoration scale, but surgical on a reutilization scale: we only touched what needed to be touched and took buildings for what they are, with their memories right there, on the façade. The circuit was also thought of as a route drawn on the idea of diving into the collective unconscious, passing through the work of other artistic projects on memory. It absorbs and steals some artists’ work for others to close a circuit about healing, collective repair, individual experience and saga.

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3.

Some artists were invited to create new pieces for the biennial. This is the case with Paloma Bosquê, Juan Araujo, João Fiadeiro, Ângela Ferreira, Fernanda Fragateiro, Julião Sarmento, Gustavo Sumpta, José Maçãs de Carvalho, Alexandre Estrela, Henrique Pavão, Jonathan Saldanha, João Onofre, Lucas Arruda and Gabriela Albergaria; others further developed works they had begun in other contexts; and yet others were invited to exhibit existent works. All in all, the biennial undertook to commission a considerable number of new works and wishes to thank the artists for the commitment and intensity they dedicated to their projects. A vote of thanks is also due to the artists who cooperated in the choice of the works they would take part in, as well as the galleries which endeavoured to ease the process and the presentation and also to the collectors that loaned their pieces.

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4.

A last word of acknowledgement, firstly, to the biennial’s team of directors, Carlos Antunes and Désirée Pedro, for the invitation extended to us, but above all because they made this event possible every day, in the face of all difficulties. Also, to the production team, for its unsurpassed commitment and dedication to the project. To our partners that made all the projects viable. And to Coimbra City Hall, as well as to the University, for being open to a project which, undeniably, was not easy to undertake. Delfim Sardo Chief Curator Luiza Teixeira de Freitas Associate Curator


Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery


Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery


Curar e Reparar Healing and Repairing CURADOR-GERAL chief curator

Delfim Sardo CURADORA-ADJUNTA associate curator

Luiza Teixeira de Freitas


Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Convento São Francisco Sala da Cidade Museu da Ciência Colégio das Artes CAPC Sereia CAPC Sede 11 nov–30 dez 11 Nov–30 Dec Ter-dom e feriados, 10 h–18 h Tue-Sun and holidays, 10 a.m.–6 p.m.

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Alexandre Estrela Ângela Ferreira Buhlebezwe Siwani Céline Condorelli Danh Vō Dominique Gonzalez-Foerster Ernesto de Sousa Fernanda Fragateiro Francis Alÿs Franklin Vilas Boas Gabriela Albergaria Gustavo Sumpta Henrique Pavão James Lee Byars Jill Magid Jimmie Durham João Fiadeiro

João Onofre Jonathan Uliel Saldanha Jonathas de Andrade José Maçãs de Carvalho Juan Araujo Julião Sarmento Kader Attia Louise Bourgeois Lucas Arruda Manon Harrois Marwa Arsanios Matt Mullican Paloma Bosquê Pedro Barateiro Rubens Mano Salomé Lamas Sara Bichão William Kentridge

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Alexandre Estrela

The Golden Record (All and Everything) (video still), 2017 Video 4/3 Full HD, projetado sobre meia esfera 4/3 Full HD video, projected on half sphere Som stereo, 10’00’’ (loop) Stereo sound, 10’00’’ (loop) Dimensões variáveis Variable dimensions

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1

Lisbon, Portugal, 1971 Lives and works in Lisbon.

Alexandre Estrela trabalha fundamentalmente o filme e o vídeo, questionando a materialidade da imagem ao mesmo tempo que estabelece diálogos com a história experimental do filme, do vídeo e da fotografia. Estrela interessa-se pelas questões que afetam não só a natureza da imagem, mas também a perceção do espectador, seja nas interferências entre imagem física e mental como na sinestesia e na relação entre a imagem em movimento ou entre imagens e sensações. Os seus trabalhos transparecem um enorme conhecimento técnico de como trabalhar o filme e, através deste, Estrela cria sistemas complexos que tiram partido das características dos dispositivos cinematográficos que explora, recorrendo a estratégias de diversão para desconstruir os modos habituais de perceção e de conhecimento dos objetos e do espaço. Criar ambiguidades, induzir em erro, sugerir a descodificação e precisar decisões são processos provocados pelo próprio artista, a quem interessa a coexistência de diversas camadas de sentido e níveis de perceção, na tentativa de ativar no espectador alguma consciência crítica. The Golden Record (All and Everything) é uma nova instalação-vídeo de Estrela que tem como base uma fotografia do artista Espiga Pinto e um vídeo onde a rotação forçada de um disco solar metálico revela um objeto invisível que na sua trajetória vai colidindo com outros astros matematicamente alinhados.

MOSTEIRO

Lisboa, Portugal, 1971 Vive e trabalha em Lisboa.

F

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 02 Torreão Norte North Tower

Alexandre Estrela works primarily with film and video, questioning the materiality of image while establishing a dialogue with the experimental story of film, video and photography. Estrela is interested in the issues that affect not only the nature of image, but also the viewer’s perception, whether in the interference between physical and mental image as in synaesthesia and the relationship between the image in movement or between images and sensations. His works convey a huge technical knowledge of how to work with film and, in this way, Estrela creates complex systems that take advantage of the characteristics of the film devices he explores, using playful strategies to deconstruct the usual modes of perception and knowledge of objects and space. Creating ambiguities, misleading, suggesting ways of decoding and defining decisions are processes brought about by the artist himself. He is interested in the coexistence of several layers of meaning and levels of perception, in an attempt to activate some critical awareness in the viewer. The Golden Record (All and Everything) is Estrela’s new video-installation, based on a photograph of the artist Espiga Pinto, and on a video where the forced rotation of a metalic solar disk reveals an invisible object that is colliding with other mathematically aligned stars in its trajectory.

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Ângela Ferreira

Estudo para study for ‫مسلّة‬, 2017 Caneta de gel sobre fotocópia em papel fotográfico Gel pen on photographic paper photocopy 21 × 29 cm

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1

Maputo, Mozambique, 1958 Lives and works in Lisbon.

O percurso de Ângela Ferreira tem vindo a ser desenvolvido em torno de problemas sociais, políticos e éticos suscitados pelo contexto pós-colonial. Tendo nascido em Moçambique e crescido academicamente na África do Sul, questiona no seu trabalho, através de narrativas, de fragmentos da história social e política que se combinam com a sua própria autobiografia, as ficções históricas sobre o passado e a identidade do Ocidente colonial. Para a bienal, Ângela Ferreira concebeu uma obra que parte da apropriação da coluna de Luxor que se encontra na Praça da Concórdia em Paris. Memória central da espoliação própria da conquista e da colonização, a história da retirada da coluna do Templo de Luxor, no Egito, e o seu transporte para França, bem como a sua colocação no pedestal onde se encontra, é uma poderosa metáfora sobre o enorme esforço implicado no caráter simbólico da apropriação colonial. Nas fotografias do pedestal do obelisco da Praça da Concórdia, encontra-se o desenho da complexa e inventiva máquina que permitiu a retirada e transporte da escultura (originalmente desenhada por Armand Florimond Mimerel em 1836), também representado pela enorme maquete que a artista concebeu. A intensa alusão ao investimento da apropriação simbólica do colonizado encontra nesta obra uma importante expressão.

MOSTEIRO

Maputo, Moçambique, 1958 Vive e trabalha em Lisboa.

B

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 00 Ala Poente West Wing

Ângela Ferreira’s path has developed around social, political and ethical issues raised by the post-colonial context. Born in Mozambique and raised academically in South Africa, the artist questions the historical fictions about the past and the identity of the colonial West in her work, through narratives and fragments of the social and political history that she combines with her own autobiography. For the biennial, Ângela Ferreira has conceived an artwork which sets out from the appropriation of the column from Luxor placed at Place de la Concorde, in Paris. Central to the memory of dispossession as part of conquest and colonization, the history of the removal of the column from the Temple of Luxor, in Egypt, and its transport to France, as well as its placement on the pedestal where it is currently found, is a powerful metaphor about the enormous effort involved in the symbolic character of colonial appropriation. In the photos of the pedestal of the obelisk in Place de la Concorde, the design of the complex and inventive machine that allowed for the removal and transport of the sculpture (originally designed by Armand Florimond Mimerel in 1836) can be seen, also represented by the huge maquette that the artist conceived. The intense allusion to of the investment of the symbolic appropriation of the colonized finds important expression in this work.

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Danh Vō

We The People (detail), 2011 Vista de exposição SMK Galeria Nacional da Dinamarca, Copenhaga, 2012 Exhibition vie SMK National Gallery of Denmark, Copenhagen, 2012 © Anders Sune Berg Cortesia Courtesy Coleção Teixeira de Freitas, Lisboa Lisbon

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1

Bà Rja, Vietnam, 1975 Lives and works in Berlin.

Danh Vō é um artista vietnamita que cresceu na Dinamarca e reside em Berlim, e que tem vindo a desenvolver uma intensa obra na qual combina uma reflexão sobre o passado traumático do Vietname com uma linguagem conceptual sofisticada e uma resolução formal precisa e extremamente cuidada. A obra que é apresentada constitui um fragmento da enorme instalação We the People, apresentada pela primeira vez na Dinamarca, em 2013, e, em Portugal, na Culturgest Porto, numa exposição com curadoria de Óscar Faria. A obra consiste num fragmento da Estátua da Liberdade reproduzido à escala 1:1, fabricado em bronze de muito pequena espessura, revelando nessa opção a fragilidade da autocracia popular, seja nos EUA ou em qualquer parte do mundo. Particularmente acutilante quanto à situação atual do mundo, a participação de Danh Vō inclui também um desenho que resulta da descoberta feita por si de uma carta escrita por um missionário ao seu pai, antes de este ser fuzilado, reproduzida pelo próprio pai do artista. A universalidade da proposta reporta-se à complexidade das relações sociais e afetivas tingidas pela violência da guerra ou, no caso de Danh Vō, pelo exílio.

MOSTEIRO

Bà Rja, Vietname, 1975 Vive e trabalha em Berlim.

G

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 01 Corredor Central – Salas Adjacentes Central Hallway – Adjoining Rooms

Danh Vō is a Vietnamese artist who grew up in Denmark and lives in Berlin, and has developed an intense set of work in which he combines reflection on the traumatic past of Vietnam with a conceptual sophisticated language and a precise and extremely accurate formal resolution. The work displayed here is a fragment of the huge installation We the People, presented for the first time in Denmark in 2013, and in Portugal at Culturgest Porto, an exhibition curated by Óscar Faria. The work consists of a fragment of the Statue of Liberty reproduced at a scale of 1:1, made of very fine bronze, with this choice revealing the fragility of popular autocracy, either in the U.S. or in any part of the world. Particularly incisive as to the current situation of the world, the participation of Danh Vō also includes a drawing that is the result of his own discovery of a letter written by a missionary to his father before he was shot, and reproduced by the artist’s father. The universality of the proposal refers to the complexity of social and affective relations tinged by the violence of the war or, in the case of Danh Vō, by exile.

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Dominique Gonzalez-Foerster

Promenade, 2007 Vista de instalação, pormenor Installation view, detail Cortesia Courtesy Instituto Inhotim, Brasil Brazil

32


1

Strasbourg, 1965 Lives and works in Paris and Rio de Janeiro.

O trabalho de Dominique Gonzalez-Foerster utiliza todo o tipo de dispositivos, desde o filme e vídeo até às mais diversas formulações como a literatura, a arquitetura, a criação de situações ambientais, o som ou a música. Trata-se de um trabalho denso, que se debruça no universo cultural contemporâneo a partir de modelos criativos matriciais, como o cinema, que implicam o envolvimento de grandes equipas. De facto, os processos de colaboração artística têm sido essenciais no percurso de Dominique Gonzalez-Foerster. A obra Promenade, que aqui apresenta, é uma peça sonora que evoca uma chuva tropical e que propõe ao espectador um processo imersivo, de deslocação no espaço e no tempo, como se atravessasse o interior de um plano-sequência cinemático.

MOSTEIRO

Estrasburgo, 1965 Vive e trabalha em Paris e no Rio de Janeiro.

G

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 01 Corredor Central – Salas Adjacentes Central Hallway – Adjoining Rooms

The work of Dominique Gonzalez-Foerster uses all kinds of media, from film and video to the most diverse formulations such as literature, architecture, the creation of environmental situations, sound or music. This dense work focuses on the contemporary cultural universe, starting from fertile creative templates such as cinema, which imply the involvement of large teams. Indeed, the processes of artistic collaboration have played an essential role in the path of Dominique Gonzalez-Foerster. The work presented here, Promenade, is a sound piece that evokes tropical rain and proposes an immersive process to the viewer, that of travelling in space and time, as if crossing the inside of a cinematic sequence.

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Fernanda Fragateiro

Estudo para instalação Study for installation, 2017 Cortesia da artista Courtesy of the artist © António Jorge Silva

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1

Lives and works in Lisbon.

O trabalho de Fernanda Fragateiro tem vindo a debruçar-se simultaneamente nas questões do espaço e da relação com a arquitetura, e na possibilidade de estabelecer, através da prática artística, noções de relação comunitária. Com uma particular atenção à arquitetura moderna, Fragateiro desenvolve estruturas que dialogam com o espaço, convertendo-o em lugar carregado histórica, crítica e afetivamente. A obra que apresenta em Coimbra consiste numa intervenção no espaço utilizando uma superfície espelhada que acompanha um rasgo no chão da sala. Replicando o espaço, a artista constrói um poderoso interruptor que transforma a nossa perceção, quer fazendo-nos reparar na arquitetura e na escala do espaço — com todas as implicações que traz a nível da consciência corporal do espectador —, quer pela enorme discrição com que a intervenção no espaço é pensada. Em torno da peça de chão, um conjunto de esculturas (de facto, fragmentos de arquiteturas demolidas), assentes sobre bancos de estirador desenhados por Álvaro Siza Vieira, propõe o desenvolvimento de um imaginário arquitetónico que será, também, objeto de um seminário com estudantes de arquitetura.

MOSTEIRO

Montijo, Portugal, 1962 Vive e trabalha em Lisboa.

B

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 00 Ala Poente West Wing

The work of Fernanda Fragateiro has had a simultaneous focus on issues of space and its relationship with architecture, and on the possibility of establishing notions of a community relationship through art. With a particular attention to modern architecture, Fragateiro develops structures that interact with space, converting it into a historically, critically and emotionally loaded place. The work on show in Coimbra consists of an intervention in the space using a mirrored surface that follows a fissure in the floor of the room. By replicating the space, the artist creates a powerful switch that changes our perception, whether by making us notice the architecture and the scale of the space – with all the implications arising at the level of bodily conscience of the spectators – or by the enormous discretion with which the intervention in the space is imagined. Around the art piece on the floor, a set of sculptures (in fact, fragments of demolished buildings) laid on drafting table seats designed by Álvaro Siza Vieira suggests the development of an architectural imaginary, which will also be the subject of a seminar with architecture students.

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Francis AlĂżs

1943, 2012 Texto em vinil autocolante Adhesive vinyl text Š Art Gallery of Ontario, 2017 Foto Photo Dean Tomlinson Cortesia do artista e David Zwirner, Nova Iorque e Londres Courtesy of the artist and David Zwirner, New York and London

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1

Antwerp, Belgium, 1959 Lives and works in Mexico City.

Artista nascido em Antuérpia e residente no México desde 1986, Francis Alÿs tem vindo a desenvolver um trabalho no qual as preocupações sociais e políticas se manifestam através de uma fina poética, por vezes quase tributária de Samuel Beckett. Com uma atenção focada em situações de fronteira em que a identidade e a resistência se jogam no limiar da sobrevivência, Alÿs propõe situações performativas, muitas vezes ancoradas antropologicamente na condição de grupos ou comunidades frágeis, emocional, política ou socialmente periféricas. A obra que apresenta na bienal é um trabalho de texto no qual são listados pensamentos sobre acontecimentos relacionados com artistas localizados em 1943, a meio da Segunda Guerra Mundial. Começando com uma referência ao pintor italiano Giorgio Morandi e terminando com o nascimento de Blinky Palermo nos destroços de Leipzig, Alÿs desenha o mapa de um mundo em colapso, imaginado a partir da sua própria subjetividade e de momentos da história dos artistas modernos.

MOSTEIRO

Antuérpia, Bélgica, 1959 Vive e trabalha na Cidade do México.

B

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 00 Ala Poente West Wing

Francis Alÿs was born in Antwerp and has lived in Mexico since 1986. He has built work in which social and political concerns manifest themselves with a poetic delicacy, sometimes almost a tribute to Samuel Beckett. With attention focused on border-like situations in which identity and resistance are played on the threshold of survival, Alÿs proposes performative situations, often anchored anthropologically in the condition of fragile groups or communities that are emotionally, politically or socially peripheral. His piece in the biennial is a text work with a list of thoughts about events related to artists situated in 1943, in the middle of the Second World War. Starting with a reference to the Italian painter Giorgio Morandi and finishing with the birth of Blinky Palermo in the wreckage of Leipzig, Alÿs draws a map of a world in collapse, imagined from his own subjectivity and from moments of the history of modern artists.

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Gabriela Albergaria

Sketchbook, 2017 Cortesia da artista Courtesy of the artist

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1

Lives and works in London.

O trabalho artístico de Gabriela Albergaria lida com a circulação das espécies vegetais no mundo a partir da expansão europeia e, posteriormente, durante o período colonial. A migração das plantas, a historicidade da sua inventariação e catalogação, e a formação dos jardins, quer de estudo, quer lúdicos, são marcas de processos sociais, políticos e estéticos. É a partir desta reflexão e estudo que a artista constrói a sua obra, muitas vezes dedicada à questão do território e da paisagem. A sua participação na bienal Anozero constrói-se sob a forma de um workshop relativo à envolvente do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, aberto a estudantes de arte e de arquitetura e que conta ainda com a participação de arquitetos e arquitetos paisagistas. Durante esse workshop, são tratadas as determinações da construção do espaço e a ligação entre os procedimentos da arte e da arquitetura, resultando num conjunto de documentos e de memórias de ações que irão ocupar uma das salas do Mosteiro.

MOSTEIRO

Vale de Cambra, Portugal, 1965 Vive e trabalha em Londres.

B

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 01 Corredor Central – Salas Adjacentes Central Hallway – Adjoining Rooms

The artistic work of Gabriela Albergaria deals with the movement of plant species in the world originating from European expansion, and, later, during the colonial period. The migration of plants, the historical nature of their inventorying and cataloguing, and the forming of gardens for study or for recreation are trademarks of social, political and aesthetic processes. It is from this reflection and study that the artist constructs her work, often dedicated to the question of territory and landscape. Her participation in the Anozero biennial is presented in the form of a workshop on the surroundings of Santa Clara-a-Nova Monastery, open to students of art and architecture, with the participation of architects and landscape architects. During this workshop, the determinations of the construction of space and the connection between the procedures of art and architecture are debated, resulting in a set of documents and memories of actions that will occupy one of the Monastery rooms.

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Gustavo Sumpta

Metal sonante Loud metal, 2017 Série de sete esculturas de bronze Series of seven bronze sculptures Vista da exposição Exhibition view Coser a Língua ao Céu-da-Boca Rosalux, Berlim Berlin © Gustavo Sumpta Cortesia do artista Courtesy of the artist

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1

Lives and works in Berlin.

Com uma trajetória que se tem estendido pela escultura e pela performance, Gustavo Sumpta desenvolve um percurso tomado pelas ideias de tensão e de fragilidade materializadas em objetos e situações que se podem desenvolver em escalas muito diversas, desde a dimensão do corpo até à escala urbana. Essas diferentes escalas implicam, também, diferentes consequências no trabalho, que se pode dedicar a processos radicalmente subjetivos, ou possuir um eco social, ou, por vezes, ambas as coisas. Para a bienal de Coimbra, Gustavo Sumpta desenvolveu dois projetos: uma intervenção escultórica de parede a partir da multiplicação de uma escultura que mimetiza uma navalha em estrela, pertencente a uma tipologia utilizada por grupos marginais ou gangues. Trata-se, no entanto, de uma escultura de bronze fundido, uma representação que não deixa de possuir um poder remissivo, mesmo quando é colocada numa composição escultórica. No dia 15 de dezembro, será apresentada a performance Levantar o Mundo, uma ação que envolve elementos de massa, volume e peso fortemente contrastantes, encenando situações de equilíbrio paradoxais e presentificando mais uma vez os contrastes e tensões que constituem a sua forma de ver o mundo.

MOSTEIRO

Luanda, Angola, 1970 Vive e trabalha em Berlim.

G

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 01 Corredor Central – Salas Adjacentes Central Hallway – Adjoining Rooms

His path focused on sculpture and performance, Gustavo Sumpta lays out a route followed by ideas of tension and weakness materialised in objects and situations which may develop on very different scales, from the dimension of the body up to urban scale. These different scales also imply different consequences in his work, which can be dedicated to radically subjective processes or can possess a social echo, or sometimes both. For the Coimbra biennial, Gustavo Sumpta has created two projects: a sculptural wall intervention from the multiplication of a sculpture that mimics a star knife, of a type used by outsider groups or gangs. This is, however, a sculpture of cast bronze, a representation that has referential power, even when it is placed in a sculptural composition. On 15 December, the performance Levantar o Mundo will be presented, an action that involves highly contrasting elements of mass, volume and weight, staging situations of paradoxical balance and exhibiting once more the contrasts and tensions that are his own way of viewing the world.

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James Lee Byars

Portrait of James Lee Byars, 1994 Š Lothar Schnepf Cortesia Michael Werner Gallery, Nova Iorque e Londres Courtesy Michael Werner Gallery, New York and London

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Detroit, USA, 1932 – Cairo, Egypt, 1997

Um dos mais fascinantes artistas americanos do pós-guerra, Byars construiu um personagem performativo que, tomado pela ideia de perfeição e por uma prática nómada e ambulatória, procura juntar a enorme sofisticação e o uso de recursos mínimos. Quer nas suas performances, nos desenhos, nas esculturas, na correspondência ou em ações efémeras, Byars forma um corpo de trabalho evanescente e único. A obra sonora que é apresentada na bienal constitui uma súmula da sua busca pela perfeição, sob a forma de um mantra, um repto que é lançado no sentido da repetição da palavra «perfeito» até ao seu surgimento.

MOSTEIRO

Detroit, EUA, 1932 – Cairo, Egito, 1997

A

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 00 Átrio Atrium

One of the most fascinating American artists of the post-war, Byars developed a performative character who, taken by the idea of perfection and by a nomadic and ambulatory practice, seeks to unite enormous sophistication with the use of minimal resources. Whether in his performances, drawings, sculptures, his writings or in ephemeral actions, Byars forms an evanescent and unique body of work. The auditory work presented at the biennial is a summary of his search for perfection in the form of a mantra, a feat launched with the repetition of the word “perfect” until its emergence.

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Jimmie Durham

Songs of my Childhood, Part One: Songs to Get Rid Of, Part Two: Songs to Keep, 2014 (video still, pormenor detail), 2014 Instalação vídeo dois canais, 2 PAL DVD, 11’51’’ (cada), cor, som (loop) Two-channel video installation, 2 PAL DVD, 11’51’’ (each), color, sound (loop) Cortesia Galerie Barbara Wien, Berlim Courtesy Galerie Barbara Wien, Berlin

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1

MOSTEIRO

Texas, EUA, 1940 Vive e trabalha em Berlim.

G

Texas, USA, 1940 Lives and works in Berlin.

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 01 Corredor Central – Salas Adjacentes Central Hallway – Adjoining Rooms

Artista norte-americano cuja atividade se tem repartido entre a escultura e a performance, Jimmie Durham desenvolve um intenso pensamento crítico sobre a relação do indivíduo com a comunidade, posição que se liga com a sua prática de ativista político socialmente empenhado. Desde há longo tempo residente na Europa, Jimmie Durham nunca deixou de referir no seu trabalho a sua origem de nativo-americano, produzindo obras em escultura, vídeo e performance que possuem, no entanto, uma poderosa reverberação transcultural. A obra que é apresentada na bienal é uma instalação vídeo na qual o artista convoca, frente a frente e fazendo o espectador passar entre os registos, memórias de canções afetivamente carregadas, positiva e negativamente. Como exercício de mergulho na memória, parece configurar uma redenção e ajuste de contas com o passado, aqui corporalizado na memória da música popular, mas transponível para dimensões muito mais amplas da existência.

A North American artist whose activity has been mostly around sculpture and performance, Jimmie Durham builds up intense critical thinking about the relationship of the individual with the community, a position that is connected to his practice as a socially engaged political activist. A long-term resident in Europe, Jimmie Durham has never ceased to refer to his Native-American origins in his work, producing artworks in sculpture, video and performance that also have powerful transcultural reverberations. The work presented in the biennial is a video installation in which the artist summons – face to face and by making the spectator pass between the recordings – memories of emotional songs, both positively and negatively charged. As an exercise of diving deep into the memory, it seems to set up a redemption and settling of accounts with the past. Here it is embodied in the memory of popular music, though it is transposable to much broader dimensions of existence.

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José Maçãs de Carvalho

Fotografia de reperage, 2017 Reperage photography, 2017 © José Maçãs de Carvalho Cortesia do artista Courtesy of the artist

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1

Lives in Anadia and works in Coimbra.

MOSTEIRO

Anadia, Portugal, 1960 Vive em Anadia e trabalha em Coimbra.

G

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 01 Corredor Central – Salas Adjacentes Central Hallway – Adjoining Rooms

8 Maternidade Professor Bissaya Barreto Piso Floor 0 Sala de Espera Waiting Room 11 nov–30 dez 11 Nov–30 Dec Todos os dias, 10 h–18 h Every day, 10 a.m–6 p.m.

O trabalho de José Maçãs de Carvalho no campo do filme e da fotografia tem vindo a desenvolver-se a partir da ideia de arquivo e da sua contraposição à ideia de atlas. As questões da memória e a produção de uma certa antropologia do espaço urbano têm contribuído para delinear um percurso de caracterização de lugares, revelando sempre uma cuidada atenção à sua performatividade. O projeto que desenvolveu para a bienal resulta de um repto para trabalhar o Jardim de Infância da ANIP – Maternidade Bissaya Barreto. A atenção do artista recaiu sobre o processo do sono reparador das crianças e o seu acordar. A ideia de reparação é aqui presentificada de uma forma não-metafórica, mas partindo da efetiva capacidade regeneradora do sono infantil. Também a ideia de jogo, de encenação da surpresa, do aparecimento e desaparecimento, é trabalhada, quer em vídeo, quer em slides projetados no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova.

The work of José Maçãs de Carvalho in the field of film and photography has grown out of the concept of archive and its opposition to the concept of atlas. Issues of memory and the production of a certain anthropology of urban space have contributed to laying out a route for the characterisation of places, always revealing careful attention to their performativity. The project developed for the biennial is the result of a challenge to work on the Fundação Bissaya Barreto Kindergarten. The artist focused his attention on the process of restful sleep of the children and their waking up. The idea of repair is here presented in a non-metaphorical way, starting from the actual regenerative capacity of a child’s sleep. The idea of play, springing a surprise, appearance and disappearance is worked with, both in the video and in the projected slides presented in Santa Clara-aNova Monastery.

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Julião Sarmento

Estudo para Study for Cura, 2017 © Julião Sarmento Cortesia do artista Courtesy of the artist

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1

Lisbon, Portugal, 1948 Lives and works in Estoril.

Julião Sarmento tem desenvolvido uma obra em torno da memória, da evocação e da metáfora do desejo. Embora mais conhecido pelo seu trabalho em pintura, escultura, filme e fotografia, Sarmento tem também desenvolvido obras performativas, bem como trabalhos que usam som, ou que são exclusivamente sonoros. Neste caso, o artista desenvolveu, especificamente para a bienal Anozero, uma instalação de luz. No imenso corredor do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, à medida que o espectador avança no espaço completamente escurecido, uma luz mais intensa acende-se à sua passagem. O protagonista desta peça é o espectador, agraciado com uma luz que sobre ele se derrama como uma bênção, ou condenado à cada vez maior intensidade de uma luz que o cega.

MOSTEIRO

Lisboa, Portugal, 1948 Vive e trabalha no Estoril.

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Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 00 Corredor Central Central Hallway

Julião Sarmento has developed his work around memory, evocation and the metaphor of desire. While best known for his work in painting, sculpture, film and photography, Sarmento has also developed performative artworks, as well as works that use sound or are solely auditory. In this case, the artist has developed an installation of light specifically for the Anozero biennial. In the vast corridor of the Santa Clara-a-Nova Monastery, as the viewer moves in a completely darkened space, an increasingly intense light illuminates their way. The spectator is the protagonist of this piece, graced with a light poured on them like a blessing, or doomed to the ever greater intensity of the light that blinds.

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Louise Bourgeois

C’est Le Murmure De L’eau Qui Chante, 2002 CD Album © Brigitte Cornand, Les Films du Siamois Foto Photo Jorge das Neves

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1

Paris, 1911 – New York, 2010

Artista que desenvolveu uma longa carreira, Louise Bourgeois (talvez a mais marcante das artistas de origem francesa na segunda metade do Século XX) sempre se dedicou a produzir intensas reflexões sobre os processos traumáticos, o peso da memória e a construção identitária pessoal. A peça apresentada consiste na rememoração de canções de embalar da sua infância. Ao serem cantadas pela própria Louise Bourgeois, com a vibração ténue e as hesitações da voz da artista já octogenária, transportam consigo um poder evocativo e mnemónico intenso. A ideia de simultaneidade, de desgaste do tempo e o esforço da sua recuperação pela memória transformam a rememoração das ritournelles da infância num exercício projetivo para o espectador. Tendo sido captadas em câmara por Brigitte Cornand, são aqui apresentadas na sua versão áudio.

MOSTEIRO

Paris, 1911 – Nova Iorque, 2010

B

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 00 Ala Poente West Wing

An artist with a long career, Louise Bourgeois (perhaps the most striking of the artists of French origin in the second half of the 20th century) has always dedicated herself to producing intense reflections on traumatic processes, on the weight of memory and the construction of personal identity. The work presented consists of the remembrance of her childhood lullabies. As they are sung by Louise Bourgeois herself, with the tremulous vibration and hesitations of her voice – already an octogenarian, they have intense evocative and mnemonic power. The idea of simultaneity, of wear and tear of time and the effort of its recovery by memory, transform the remembrance of childhood ritournelles into a projective exercise for the viewer. Captured on camera by Brigitte Cornand, they are presented here in their audio version.

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Lucas Arruda

Š Lucas Arruda Cortesia do artista Courtesy if the artist

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1

São Paulo, Brazil, 1983 Lives and works in São Paulo.

Lucas Arruda é um pintor brasileiro cuja pesquisa artística parte de memórias da infância e de referências da cultura popular brasileira, dando lugar a paisagens que, apesar da natureza figurativa, permitem ao artista uma exploração da abstração e de detalhes formais como a luz e a cor. As suas obras caracterizam-se pelas marcadas linhas do horizonte e por uma grandeza de espaço que o artista decide pontuar com elementos naturais ou arquitetónicos que destaca da paisagem inicial. O desafio que o artista propõe ao observador é quase espiritual: o da leitura de uma imagem vaga e celeste, porém marcada por um elemento que lhe concede a objetividade. O observador relaciona-se com elementos que o transportam para outras realidades subjetivas e que, simultaneamente, o identificam com o artista. No Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, Arruda apresenta três pinturas, uma instalação de luz e uma escultura de alabastro pensada nas suas viagens prévias a Portugal.

E MOSTEIRO

São Paulo, Brasil, 1983 Vive e trabalha em São Paulo.

D

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 00 Corredor Central Central Hallway Capela Exterior Outer Chapel

Lucas Arruda is a Brazilian painter whose artistic research starts from childhood memories and Brazilian popular culture references, giving way to landscapes that, despite their figurative nature, allow the artist to explore abstraction and formal details such as light and colour. His works are characterized by the marked lines of the horizon and by an immensity of space that the artist decides to punctuate with natural or architectural elements he places in contrast to the initial landscape. The challenge which the artist brings to the viewer is almost spiritual: the reading of a vague and celestial image, though marked by a component that concedes objectivity. Spectators relate to elements that transport them to other subjective realities and at the same time, lead them to identify with the artist. In the Santa Clara-a-Nova Monastery, Arruda presents three paintings, a light installation and an alabaster sculpture imagined in his previous journeys to Portugal.

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Manon Harrois & Sara BichĂŁo

Esboços para a obra Sketches for the work She has nothing to say/She has everything to say, 2017 MH e SB partilham dois cadernos onde escrevem, desenham e guardam referências (fotografias polaroid, outras folhas, etc.) ao processo colaborativo. MH and SB share two sketchbooks where they write, draw and store references to the collaborative process (polaroid photographs, other papers, etc.). Cortesia das artistas Courtesy of the artists

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Sara Bichão Lisboa, Portugal, 1986 Vive e trabalha em Lisboa. Lisbon, Portugal, 1986 Lives and works in Lisbon.

O trabalho de Manon Harrois é, por natureza, nómada. Quer em termos das tipologias heteróclitas que usa, do desenho à performance, à escultura ou qualquer outro dispositivo, quer em termos do caráter peripatético da sua atividade, a deslocação é parte integrante do seu projeto. A obra é o resultado da colaboração com a artista portuguesa Sara Bichão e resulta do encontro entre ambas numa residência artística em França. Trata-se de uma obra performativa que resulta de vários percursos a pé realizados pelas artistas durante uma residência em Clermont Ferrand, na região vulcânica de Auvérnia, que integra elementos encontrados, outros fabricados, e que tem diferentes resoluções de cada vez que é reinstalada. Por sua vez, a peça pode também ser objeto de «ativação», isto é, de ser integrada em performance, ou de servir como dispositivo para se desdobrar em desenho, resultando em diversas metamorfoses.

1

G MOSTEIRO

Manon Harrois Reims, França, 1988 Vive e trabalha em Troyes, França. Reims, France, 1988 Lives and works in Troyes, France.

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 01 Corredor Central – Salas Adjacentes Central Hallway – Adjoining Rooms

The work of Manon Harrois is, by nature, nomadic. Both in terms of the heteroclite forms she uses, from drawing to performance, sculpture or any other means, or in terms of the peripatetic nature of her activity, movement is an integral part of her project. The work is the result of a collaboration with the Portuguese artist Sara Bichão and results from the artists’ encounter in an artistic residency in France. This is a performative work that is the result of several walks undertaken by the artists during a residency in Clermont Ferrand in the volcanic region of Auvergne. It includes different elements, some of which were found and others manufactured, and has different resolutions each time it is reinstalled. In turn, the piece can also be object of “activation”, that is, can be included in a performance, or can serve as a means to unfold into drawing, resulting in various metamorphoses.

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Marwa Arsanios

Falling is not collapsing, falling is extending, 2016-2017 Vista da exposição Exhibition view Beirut Art Center, 2017 Cortesia da artista e Courtesy of the artist and Mor Charpentier, Paris

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1

Washington, DC, USA, 1978 Lives and works in Beirut, Lebanon.

A obra de Marwa Arsanios relaciona-se diretamente com a sua vivência na cidade de Beirute, capital do Líbano e com a sua descendência árabe. Os seus trabalhos resultam de um exaustivo estudo de vestígios históricos relacionados com a modernização dos Estados árabes na década de 1960, passando também pelo planeamento urbano de Beirute, onde reinterpreta edifícios, publicações e eventos utilizando processos de estudo e apropriação. Existindo na fronteira entre a realidade e a ficção, a sua obra resulta numa série de instalações de arquivos, textos, filmes e performances que refletem sobre as questões político-sociais contemporâneas do Médio Oriente a partir de uma perspetiva histórica. A artista cria ainda relações íntimas com personagens importantes da história da cidade, que inclui na sua obra com o objetivo de questionar os princípios e o peso das narrativas tradicionais.

MOSTEIRO

Washington, DC, EUA, 1978 Vive e trabalha em Beirute, Líbano.

G

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 01 Corredor Central – Salas Adjacentes Central Hallway – Adjoining Rooms

The work of Marwa Arsanios relates directly to her experience in the city of Beirut, the capital of Lebanon, and her Arabic heritage. Her work is the result of an exhaustive study of historical remains related to the modernization of the Arab States in the 1960s. It also touches on the urban planning of Beirut, where she reinterprets buildings, publications and events using processes of study and appropriation. Existing on the border between reality and fiction, her work results in a series of installations of archives, texts, films and performances that reflect on sociopolitical issues in the contemporary Middle East from a historical perspective. The artist also creates intimate relationships with important figures in the history of her city, which she includes in her work with the purpose of questioning the principles and weight of traditional narratives.

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Pedro Barateiro

Estudo para instalação Study for installation, 2017 Cortesia do artista Courtesy of the artist

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1

Lives and works in Lisbon.

As obras de Pedro Barateiro incluem escultura, instalação, pintura e vídeo, com o desenho e a escrita como denominadores comuns em cada trabalho. Existe primeiramente uma ligação, não planeada, com o suporte, à qual se segue um processo de pesquisa e investigação sobre variados conceitos como a circulação de imagens e objetos entre diferentes culturas e épocas. É também importante realçar a ligação imediata que existe entre o seu trabalho e o impacto que este provoca no observador, direcionando a sua perceção para uma diversidade de referências políticas, económicas ou sociais, que se combinam entre si, como talvez noutro contexto não fosse possível. Os títulos que utiliza são também elementos que agem nesta interação com o visitante e que conotam cada peça com um sentido poético, por vezes até humorístico. Na bienal, Barateiro apresenta três novas esculturas, como parte da sua Relaxed Series, em que as palavras que representam algum tipo de estrutura relacionada com o dia a dia são recortadas da tela e penduradas numa estrutura de metal como se pudessem transformar-se a qualquer momento, exatamente como o ambiente que as rodeia.

MOSTEIRO

Almada, Portugal, 1979 Vive e trabalha em Lisboa.

G

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 01 Corredor Central – Salas Adjacentes Central Hallway – Adjoining Rooms

The work of Pedro Barateiro includes sculpture, installation, painting and video, with drawing and writing as common denominators in each piece. There is, first, an unplanned connection with the support, after which follows a process of search and research on a wide range of concepts such as the circulation of images and objects between different cultures and times. It is also important to highlight the immediate connection that exists between his work and the impact that it causes in the observers. It directs their perception to a diversity of political, economic or social references, which combine with each other in ways that would not be possible in any other context. The titles he uses are also elements that play a part in this interaction with the visitor and that bring a sense of poetry, sometimes even humorous, to each piece. At the biennial, Barateiro presents three new sculptures as part of his Relaxed Series, where the words which represent some kind of structure related to the day-to-day are cut from the canvas and hung on a metal structure as if they could transform at any moment, exactly like the environment that surrounds them.

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Rubens Mano

Š Rubens Mano Cortesia do artista Courtesy of the artist

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1

São Paulo, Brazil, 1960 Lives and works in Coimbra, Portugal.

Rubens Mano desenvolve, desde a década de 1980, um trabalho que deriva de uma abordagem conceptual da fotografia. Ao longo do tempo, as relações da imagem com a especificidade do lugar, as tensões políticas que se jogam na arquitetura, a função autoral e o seu apagamento constituem as matérias com que trabalha. A obra que realizou especificamente para a bienal partiu da situação peculiar com que se deparou no espaço do próprio Mosteiro de Santa Clara-a-Nova: numa das salas anteriormente afetas a equipamento militar, encontravam-se cinco automóveis pertencentes à Universidade de Coimbra e aí confiados à guarda militar. Como fósseis preservados de um passado de dolorosa memória, os automóveis estavam ligados à história dos seus anteriores proprietários. A leitura que Rubens Mano realizou desse espólio, a sua justaposição a uma banda sonora que materializa a memória da ditadura brasileira e a subtil operação de alagar o espaço da garagem configuram uma reflexão sobre a memória coletiva e a decadência política de um regime.

MOSTEIRO

São Paulo, Brasil, 1960 Vive e trabalha em Coimbra, Portugal.

B

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 00 Garagem Garage

Since the 1980s, Rubens Mano has been developing work that derives from a conceptual approach to photography. Over time, the relationships of image with specificity of place, the political tensions that are played out in architecture, and the function of authorship and its erasure have been the subjects with which he works. The work carried out specifically for the biennial came from the peculiar situation he encountered in the space of Santa Clara-a-Nova Monastery itself: in one of the rooms previously assigned to military equipment, there were five cars which belonged to University of Coimbra and were under military guard there. Like fossils preserved from a past full of painful memories, the cars were connected with the history of their previous owners. Rubens Mano’s reading of these assets, their juxtaposition to a soundtrack that embodies the memory of the Brazilian dictatorship and the subtle operation of enlarging the space of the garage configure a reflection on collective memory and the political decadence of a regime.

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Salomé Lamas

The Burial of the Dead, 2016 Vista de instalação Installation view Biennale of Moving Images, Faena Bazaar, 2017 © Oriol Tarridas Cortesia da artista, Centre d’Art Contemporain Genève e Faena Art Courtesy of the artist, Centre d’Art Contemporain Genève and Faena Art

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Lisbon, Portugal, 1987 Lives and works in Lisbon.

Salomé Lamas é uma artista e cineasta que tem vindo a desenvolver um percurso único entre o cinema e o campo das artes visuais, bem como entre a ficção e o documentário. Embora muitos dos seus filmes partam de situações quase limite, quer em termos da efetiva perigosidade dos agentes que filma (como em Terra de Ninguém) ou pelas condições extremas em que filma (como em Eldorado XXI), o caráter ficcional surge sempre como uma interrogação e uma estranheza quase inultrapassáveis. Neste último, as filmagens foram efetuadas em La Rinconada e Cerro Lunar, nos Andes do Perú, a 5500 metros de altitude, registando uma saga que é também uma misteriosa realidade etnográfica. A obra que apresenta, The Burial of the Dead, é o resultado da reutilização de material fílmico não incluído em Eldorado XXI, «permitindo utilizar materiais excluídos da montagem, respeitar a durée de determinados planos que, por questões de equilíbrio e ritmo da totalidade, não tinha sido respeitada», como referiu a própria artista. Como tríptico, a obra possui uma elevada imersividade, presente na escala física dos ecrãs, convocando o espectador para um confronto intenso.

MOSTEIRO

Lisboa, Portugal, 1987 Vive e trabalha em Lisboa.

D

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 00 Ala Poente West Wing

Salomé Lamas is an artist and filmmaker who has carved a unique path between cinema and the visual arts, and also between fiction and documentary. Many of her films start from at-the-limit situations, either in terms of the actual dangerousness of the agents she films (as in Terra de Ninguém) or due to the extreme conditions in which she films (as in Eldorado XXI). However, the fictional character always appears almost unsurmountably questioning or strange. In this most recent work, filming took place in La Rinconada and Cerro Lunar in the Peruvian Andes at an altitude of 5500 metres, and registers a saga that is also a mysterious ethnographic reality. The work she presents, The Burial of the Dead, is the result of the re-use of film material which was not included in Eldorado XXI, “allowing the use of materials excluded from the edit, respecting the durée of certain plans that, for reasons of balance and rhythm of the whole, had not been carried out”, as stated by the artist herself. As a triptych, the work has a high level of immersiveness, which is present in the physical scale of the screens, summoning the viewer into an intense confrontation.

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Sara Bichão

Cura Cure, 2016 Madeira, tecido, algodão, pregos, plástico, tinta acrílica, grafite e cordão Wood, fabric, cotton, nails, plastic, acrylic paint, graphite and string 133 × 175 × 110 cm © Pedro Guimarães Cortesia da artista e Courtesy of the artist and Coleção Figueiredo Ribeiro

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Lisbon, Portugal, 1986 Lives and works in Lisbon.

Com uma trajetória ainda necessariamente curta, Sara Bichão tem vindo a desenvolver um percurso que cruza escultura, desenho, som e performatividade. As obras que apresenta na bienal Anozero lidam de diversas formas com questões de apropriação, reconversão e transformação de objetos que, em si mesmos, possuem uma história relacional. Qualquer das esculturas incorpora materiais ou peças que foram submetidos a uma recontextualização, que possuem (e inevitavelmente guardam) memórias e histórias que se convertem numa ficção formal e material. As obras de Sara Bichão estão frequentemente relacionadas com um processo pessoal que envolve uma qualquer dimensão peripatética, um exercício, como caminhar, que se converte numa prática, transportando, assim, uma componente performativa para a obra. Uma das obras apresentadas é o resultado de uma colaboração com a artista francesa Manon Harrois — numa residência artística que ambas realizaram — e consiste numa escultura que configura um abrigo. A obra é reconfigurada cada vez que é apresentada.

MOSTEIRO

Lisboa, Portugal, 1986 Vive e trabalha em Lisboa.

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Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 01 Corredor Central – Salas Adjacentes Central Hallway – Adjoining Rooms

Sara Bichão, her career still necessarily short, has been developing a path that crosses sculpture, drawing, sound and performativity. The works she presents at the Anozero biennial deals in different ways with issues of ownership, reconversion and transformation of objects that have a relational history in themselves. All her sculptures incorporate materials or components that have been subjected to a re-contextualization, that have (and inevitably keep) memories and stories that turn into a formal and material fiction. The works of Sara Bichão are often related to a personal process that involves an undisclosed peripatetic dimension, an exercise, such as walking, that becomes a practice, thus bestowing a performative component on the work. One of the works presented is the result of a collaboration with the French artist Manon Harrois – in an artistic residence they both shared – and consists of a sculpture that shapes a shelter. The work is reconfigured every time it is shown.

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William Kentridge

More Sweetly Play the Dance, 2015 Instalação video HD 8 canais com quatro megafones, som, 15’00’’ (loop) 8-channel HD video installation with four megaphones, sound, 15’00’’ (loop) © William Kentridge Foto Photo Stephen White Cortesia do artista e Courtesy of the artist and Marian Goodman Gallery

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1

Johannesburg, South Africa, 1955 Lives and works in Johannesburg.

Artista sul-africano que tem cruzado no seu percurso desenho, animação, filme, escultura e teatro, William Kentridge é uma das mais fascinantes personalidades do mundo da arte atual. Produzindo uma enorme reflexão sobre os processos ficcionais da poética artística, os mecanismos de representação, mas também a condição social e política do mundo, o trabalho de William Kentridge oscila entre o caráter íntimo e até pessoal de muitas obras, o uso da autorrepresentação, a citação ao cinema de Méliès e a monumentalidade crítica de alguns projetos fílmicos e escultóricos. More Sweetly Play the Dance, a obra apresentada na bienal, é uma parada, um processo processional que conta a história de África a partir de figuras — como que sombras chinesas a desfilar ao som de uma fanfarra. Trata-se de uma obra quase operática, com um caráter narrativo e cíclico que tanto remete para a história da arte como para os movimentos migratórios contemporâneos, tanto recolhe imagens das ruas de África do Sul como (nas suas próprias palavras) dos Balcãs ou dos movimentos das populações depois da Segunda Guerra Mundial.

MOSTEIRO

Joanesburgo, África do Sul, 1955 Vive e trabalha em Joanesburgo.

H

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 02 Torreão Sul South Tower

A South African artist who has crossed drawing, animation, film, sculpture and theatre in his path, William Kentridge is one of the most fascinating personalities in the current art world. The work of William Kentridge produces a vast reflection on fictional processes of the “artistic poetic” and mechanisms of representation, but also on the social and political condition of the world. It oscillates between an intimate and even personal style in several works, the use of self-representation, alluding to the cinema of Méliès and the critical monumentality of some film and sculpture projects. More Sweetly Play the Dance, the work presented at this biennial, is a parade, a processional process that tells the story of Africa with figures – as if Chinese shadows marching to the sound of a fanfare. This is a nearly operatic work, with a narrative and cyclic style that refers both to the history of art and to contemporary migratory movements. It gathers images of the streets in South Africa as well as (in his own words) the Balkans or population drift after the Second World War.

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CONVENTO

Jonathan Uliel Saldanha ILINX

Porto, Portugal, 1969 Vive e trabalha no Porto. Oporto, Portugal, 1969 Lives and works in Oporto.

2 Convento São Francisco Convent of São Francisco Igreja do Convento São Francisco Church of the Convent of São Francisco Avenida da Guarda Inglesa, 3 11 nov, 19h30 11 Nov, 7.30 p.m. Peça vocal para coro e espaço ressonante. Partindo de um movimento simples e constante de rotação, um conjunto de corpos perde noção espacial de si e passa a ser um emissor plural de vocalização. Um sistema onde a vivência alterada da relação corporal condiciona uma noção de conjunto, de unidade, permitindo o emergir de um novo organismo. Peça desenvolvida para um grupo coral de 60 pessoas, que foi apresentada em 27 de maio, na Culturgest Porto, com o grupo Outra Voz.

Choral piece in resonant space. Starting from a simple and constant rotational movement, a group of bodies loses its sense of space and becomes a plural vocal emitter. A system in which the altered experience of bodily relation conditions a notion of the group or unity, allowing the emergence of a new organism. This piece was composed for a choir of 60 people and was presented on 27 May at Culturgest Porto, with the group Outra Voz.

ILINX, 2017 Still de registo vídeo Video footage still, Culturgest Porto

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Gustavo Sumpta «Princípio da alavanca» de Arquimedes Fp \times BP = Fr \times BR Fp é a força potente Fr é a força resistente BP é o braço potente e BR é o braço resistente Archimedes’ “Law of the Lever” EF \times EA = RF\times RA EF is the effort force RF is the resistance force EA is the effort arm and RA is the resistance arm.

Tendo por base a frase de Arquimedes «Dai-me um ponto de apoio e levantarei o Mundo», Gustavo Sumpta aplica neste projeto o princípio da Alavanca. Levantar o Mundo é um projeto desenvolvido especialmente para a bienal Anozero’17. O material utilizado será um tubo de ferro de 12 × 0,10 × 0,30 m em chapa de 5 mm, esfera de rolamento, um pneu industrial (-23.5 × 25) e lixa metálica. A performance terá a duração de duas horas.

Luanda, Angola, 1970 Vive e trabalha em Berlim.

CONVENTO

Levantar o Mundo

Lives and works in Berlin.

2 Convento São Francisco Convent of São Francisco Igreja do Convento São Francisco Church of the Convent of São Francisco Avenida da Guarda Inglesa, 3 15 dez, 19h30 15 Dec, 7.30 p.m. With its basis in Archimedes’ phrase “Give me a fulcrum and I shall move the world”, Gustavo Sumpta applies the Law of the Lever in this project. Levantar o Mundo is a project created specially for the biennial Anozero’17. The material used will be a 12 × 0.10 × 0.30 m iron tube in 5 mm sheet, ball bearings, an industrial tyre (-23.5 × 25) and metal sandpaper. The performance will last two hours.

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Matt Mullican

Man and His Symbols, 2016 Vista de exposição Exhibition view, Matt Mullican: Pantagraph, 2016, Peter Freeman, Inc. New York Cortesia do artista e Courtesy the artist and Peter Freeman, Inc © Nick Knight

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3 Santa Mónica, Califórnia, EUA, 1951 Vive e trabalha em Nova Iorque. Santa Monica, California, USA, 1951 Lives and works in New York.

11 nov–30 dez 11 Nov–30 Dec ter-dom, 13 h–18 h Tue-Sun, 1 p.m.–6 p.m.

The artistic work of Matt Mullican is very difficult to interpret. He is one of those rare artists who have developed a world view over time that manifests itself in the various forms of his artistic production and Mullican often draws on other authors with visions of the world linked to the construction of interpretative theories and symbolic production. Mullican’s work extends to performance under hypnosis – a process that involves a long-term relationship with his hypnotist, according to criteria previously defined by the artist. At the biennial, Mullican presents his work Man and His Symbols, built from the collage and reassembly of drawings from Carl Jung’s posthumous work (published in 1964). Page references are from the numbering in the illustrations of Jung’s work, against which the numbering on Mullican’s book is juxtaposed. The result is a map of multiple entries in which Jung’s drawings constitute themselves as symbols of a different order.

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SALA DA CIDADE

O trabalho artístico de Matt Mullican é de muito difícil interpretação. Sendo um dos raros artistas que desenvolveram, ao longo do tempo, uma mundividência que se manifesta nas diversas formas da sua produção artística, Mullican recorre frequentemente a outros autores com visões do mundo muitas vezes ligadas à construção de teorias interpretativas e à produção simbólica. O trabalho de Mullican estende-se à performance executada sob hipnose — num processo que envolve uma longa relação com o seu hipnotista segundo critérios previamente definidos pelo artista. Na bienal, Mullican apresenta a sua obra O Homem e os seus Símbolos, realizada a partir da colagem e remontagem dos desenhos da obra póstuma de Carl Jung (publicada em 1964). As indicações de número de página referem-se à numeração das ilustrações da obra de Jung, a que são justapostas numerações do livro de Mullican. O resultado é um mapa de múltiplas entradas, no qual os desenhos de Jung passam a constituir-se como símbolos de uma outra ordem.

Sala da Cidade Antigo Refeitório de Santa Cruz, Paços do Município Praça 8 de Maio


Paloma Bosquê

Campo Field, 2012-2017 40 placas de cera de abelha, 2 “cortinas” de tripas de boi e suportes de latão 40 beeswax plates, 2 ox gut “curtains” and brass holders 500 × 512 × 270 cm Cortesia da artista e Courtesy of the artist and Mendes Wood DM

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3 Garça, Brasil, 1982 Vive e trabalha em São Paulo. Garça, Brazil, 1982 Lives and works in São Paulo.

11 nov–30 dez 11 Nov–30 Dec ter-dom, 13 h–18 h Tue-Sun, 1 p.m.–6 p.m.

Paloma Bosquê works mainly on matter. An intrinsic relationship with the corporeity of forms is noticeable in her work with a sincere interest in the physical and concrete aspects of materials, exploring limits and capabilities in works that convey lightness and synchronism with the surrounding environment. Her artistic process is built upon that interest in raw material and in its physicality, which is developed into the relationship between various substances and, in turn, the relationship of these with space, human proportions, dimensions and weight. In organic and fluid works, Bosquê tests fitting points and the balance of different bodies. The titles she gives her works follow the same line of thought, through which she occasionally attributes a symbolic and/or organic weight that seems to connect her work with nature or with the surrounding environment, and with the opposing forces that compose it. A new work by the artist is presented in Sala da Cidade. A work where the perception of materials and the limit of the sculpture/installation are put in dialogue, Field is composed by two curtains of ox gut that fall from the ceiling in parallel and almost touch the floor composed of 40 matching slabs of beeswax.

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SALA DA CIDADE

Paloma Bosquê trabalha essencialmente sobre a matéria. Nas suas obras nota-se uma relação intrínseca com a corporeidade das formas e um interesse sincero pelos materiais, na sua vertente mais física e concreta, explorando limites e capacidades em obras que transparecem leveza e sincronismo com o ambiente que as rodeia. O seu processo artístico constrói-se a partir desse interesse na matéria-prima e na sua fisicalidade, que se desenvolve para a relação entre várias matérias e, por sua vez, a relação destas com o espaço, com as proporções humanas, dimensões e peso. Em trabalhos orgânicos e fluidos, Bosquê testa pontos de encaixe e equilíbrio de diferentes corpos. Os títulos que dá aos seus trabalhos seguem a mesma linha de pensamento, através dos quais atribui, por vezes, uma carga simbólica e/ou orgânica que parece conectar a sua obra com a natureza ou com o meio envolvente, e com as forças opostas que a compõem. Na Sala da Cidade é apresentado um novo trabalho da artista. Sendo uma obra onde a perceção dos materiais e o limite da escultura/instalação são postos em diálogo, Campo é composto por duas cortinas de tripa de boi que caem do teto frente a frente e quase a tocar num chão feito de 40 placas uniformes de cera de abelha.

Sala da Cidade Antigo Refeitório de Santa Cruz, Paços do Município Praça 8 de Maio


Buhlebezwe Siwani

Mhlekazi (video still), 2015 Projeção vídeo HD, sem som, 2’35’’ (loop) HD video projection, no sound, 2’35’’ (loop) Cortesia da artista Courtesy of the artist

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4 Joanesburgo, África do Sul, 1987 Vive e trabalha na Cidade do Cabo, África do Sul. Johannesburg, South Africa, 1987 Lives and works in Cape Town.

Buhlebezwe Siwani is an artist whose work has its origins in her cultural roots, specifically as a “sangoma”. She is also a practitioner of herbal medicine, divination and counselling in the ngúni tradition, a society in South Africa. Her work, which mostly takes the form of video and installation, is intuitive, but is based on the interest of the artist in the silence of performance, exploitation of the female body, memory and the relationship with space. Her performances, punctuated by feelings of nostalgia and incorporeal purification, aim to explore her personal story regarding her nature as a mediator of the spiritual. Siwani’s ambition is to make her works emotionally available to the public, placing herself as close as possible to the observer, who can thus relate to the metaphors that the artist seeks to convey through this universal language, of the human body itself. In the video she is showing in Coimbra, Mhlekazi, we see the artist, with her black body painted white, entering silently, slowly and determinedly into a river, until she disappears.

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MUSEU DA CIÊNCIA

Buhlebezwe Siwani é uma artista cuja obra tem origem nas suas raízes culturais, especificamente como «sangoma». A artista é também uma praticante de medicina das ervas, adivinhação e aconselhamento na tradição ngúni, uma sociedade na África do Sul. O seu trabalho, que maioritariamente toma a forma de vídeo e instalação, é intuitivo, mas tem por base o interesse da artista pelo silêncio da performance, a exploração do corpo feminino, a memória e a relação com o espaço. As suas performances, pontuadas por sentimentos de nostalgia e purificação incorpórea, visam explorar a sua história pessoal no que diz respeito à natureza como mediadora espiritual. Siwani ambiciona que as suas obras sejam emocionalmente disponíveis ao público, colocando-se o mais próximo possível do observador, que pode assim relacionar-se com as metáforas que a artista procura transmitir através dessa linguagem universal, própria do corpo humano. No vídeo que mostra em Coimbra, Mhlekazi, vemos a artista, com o seu corpo negro pintado de tinta branca, a entrar em silêncio, de modo lento e determinado, para um rio, até desaparecer.

Museu da Ciência – Galeria de História Natural Science Museum – Natural History Gallery Laboratório Chimico, Largo Marquês de Pombal


Céline Condorelli

Siamo venuti per dire di No/We Just Came To Say No, 2012 Peppininu, Imagem de produção Production still, Modica, 24.08.2012 Cortesia da artista Courtesy of the artist

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4 Paris, França, 1974. Vive e trabalha em Londres, Inglaterra. Paris, France, 1974 Lives and works in London, England.

The artistic process of Céline Condorelli consists mainly of ensuring the viewer’s attention to the components and contexts of a pre-existing space or matter, as well as its historical or political context. Condorelli aims to maintain a relationship with ideas, people and places whose existence tends to be forgotten, and works with systems that allow communication with the immaterial. The artist also explores the concepts implicit in the reading of any work and the structures that sustain hers and other pieces, which are invariably considered secondary, such as lighting or subtitles. The concept of integration of her works in society is also fundamental, through the use of elements that place them in a role of dependence on their own context and their integration with each other. This has allowed the artist to display her works and projects in a continuous way, as elements belonging to a single series of work that renews itself at each reformulation. In the Natural History Gallery, Condorelli presents her project Puppet Show, with dubious characters that are used to criticize and ridicule the system. The installation mixes performance, sculpture and social criticism in a single moment.

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MUSEU DA CIÊNCIA

O processo artístico de Céline Condorelli consiste fundamentalmente em garantir a atenção do espectador para componentes e contextos pré-existentes de um espaço ou matéria, bem como para o seu contexto histórico e político. Condorelli tem como intuito manter uma relação com ideias, pessoas e lugares cuja existência tende a cair no esquecimento, e trabalha com sistemas que permitem a comunicação com o imaterial. A artista explora também conceitos implícitos à leitura de qualquer trabalho e estruturas que sustêm as suas e outras obras, que são invariavelmente consideradas secundárias, como a iluminação ou as legendas. É também fundamental o conceito de integração das suas obras na sociedade, através da utilização de elementos que as colocam num papel de dependência do seu próprio contexto e da sua integração entre si, o que tem permitido à artista exibir as suas obras e projetos de forma contínua, como elementos pertencentes a uma única série de trabalhos que se renova a cada reformulação. Na Galeria de História Natural, Condorelli apresenta o seu projeto Puppet Show, um espetáculo de marionetas cujas personagens são de caráter dúbio, usadas para criticar e ridicularizar o sistema. A instalação mistura performance, escultura e crítica social num só momento.

Museu da Ciência – Galeria de História Natural Science Museum – Natural History Gallery Largo Marquês de Pombal


Ernesto de Sousa Franklin Vilas Boas

Ernesto de Sousa com escultura de Franklin, c. 1964 Ernesto de Sousa with sculpture by Franklin, c. 1964 Cortesia de Courtesy of Isabel Alves e and CEMES

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Ernesto de Sousa Lisboa, 1921 – Lisboa, 1988 Lisbon, 1921 – Lisbon, 1988 Franklin Vilas Boas Esposende, 1919 – Esposende, 1968

5 Colégio das Artes da Universidade de Coimbra Largo D. Dinis

Ernesto de Sousa (1921-1988) staged and conceived the exhibition Barristas e Imaginários: quatro artistas populares do Norte, at Galeria Divulgação, in Lisbon, 1964, with works by Rosa Ramalho, Mistério, Franklin Vilas Boas and Quintino Vilas Boas Neto. On his long path from neorealism to contemporary art, he brought new tools for reading and new discursive codes to the study of popular art. This evocation places photographs of Ernesto de Sousa side by side with objects of the artists which he studied. It seeks to reactivate the multiple and fruitful relations and strata of meaning that the restless researcher (or aesthetic operator, as he later called it) produced, using unusually eccentric analytical methods for a context which was then dominated in the field of art history by conservative and disciplinary readings. Ernesto de Sousa worked with comparison, approximation and observation, not setting up any barriers at the outset nor being dominated by any conceptual prejudice. His aim was to bring so-called popular art closer to erudite Western art or that of other, more distant cultures, such as African tribal art. Popular art, or as Ernesto de Sousa preferred, “naive expression”, has been the object of considerable interest since the late 1950s with various contacts and researches, both in the field of ethnology and architecture. Emerging from neorealism, which he makes clear in Dom Roberto, a film he made in 1962, Ernesto de Sousa arrives at popular art via a fruitful diversion into primitive African art, to which he would even compare some of Franklin’s objects, for example.

Adaptação do texto escrito por Nuno Faria, curador da

Adaptation of the text written by Nuno Faria, curator of

exposição Ernesto de Sousa e a Arte Popular – Em torno da

the exhibition Ernesto de Sousa and Popular Art - Around the

exposição “Barristas e Imaginários”, apresentada pelo Centro

exhibition “Barristas e Imaginários”, presented by Centro

Internacional das Artes José de Guimarães em 2014.

Internacional das Artes José de Guimarães in 2014.

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COLÉGIO DAS ARTES

Ernesto de Sousa (1921–1988) realizou e concebeu a exposição Barristas e Imaginários: quatro artistas populares do Norte, na Galeria Divulgação, em Lisboa, em 1964, com obras de Rosa Ramalho, Mistério, Franklin Vilas Boas e Quintino Vilas Boas Neto. Na longa caminhada que fez do neorrealismo para a arte contemporânea trouxe para o estudo da arte popular novas ferramentas de leitura e novos códigos discursivos. A presente evocação faz coabitar fotografias de Ernesto de Sousa com objetos dos artistas por ele estudados, procurando reativar as múltiplas e fecundas relações e estratos de sentido que o inquieto investigador (ou operador estético, designação que mais tarde reivindicaria) produzia, a partir de métodos analíticos invulgarmente excêntricos para o contexto de então, dominado, no campo da história da arte, por leituras conservadoras e disciplinares. Ernesto de Sousa operava por comparação, aproximação e observação, não colocando à partida qualquer barreira nem sendo dominado por qualquer preconceito concetual. Procurava aproximar a arte dita popular da arte ocidental erudita ou da de outras culturas mais distantes, como é o caso da arte tribal africana. A arte popular ou, como Ernesto de Sousa preferia designar, «de expressão ingénua» foi alvo de um considerável interesse desde os últimos anos da década de 1950 com diversos contactos e investigações, quer no campo da etnologia, quer da arquitetura. Vindo do neorrealismo, no qual pontifica Dom Roberto, filme que realizou em 1962, Ernesto de Sousa chega à arte popular através de um profícuo desvio pela arte primitiva africana, à qual, de resto, aproximará alguns objetos de Franklin, por exemplo.


Henrique Pavão

Absence Reminders, 2016 Prova impressa a jato de tinta sobre papel, obsidiana, ferro Inkjet print on paper, obsidian, iron (36×) 20 × 27 cm Vista da instalação, ‘Edstrandska Stiftelsens 2016’ KHM Gallery, Malmö Installation view, ‘Edstrandska Stiftelsens 2016’ KHM Gallery, Malmö Cortesia do artista Courtesy of the artist

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5 Lisboa, Portugal, 1991 Vive e trabalha em Lisboa. Lisbon, Portugal, 1991 Lives and works in Lisbon.

His work focused on issues of memory and temporality, Henrique Pavão’s still necessarily short path reflects an interest in and use of the archaeology of conceptual movements, connected to a sophisticated use of sensitive processes. His work circles through different media (sculpture, film, photography or sound), often with a concern for each medium’s specific processes and mechanisms, taken as the mark of its temporality or even of its history. The work he created for the biennial emerges from the reunion of the artist with a window of a house where he lived as a child. The 36 images of the window – converted into a field of expectations for the future, and currently the memory of those possibilities – are partially obliterated by the intrusion of an obsidian stone, a monolith that acts as the hopeless action of the present.

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COLÉGIO DAS ARTES

Com um trabalho centrado em questões de memória e temporalidade, o percurso ainda necessariamente curto de Henrique Pavão espelha um interesse e recurso à arqueologia dos movimentos conceptuais, a que se liga um uso sofisticado de processos sensíveis. A sua obra circula por inúmeros suportes (a escultura, o filme, a fotografia ou o som), frequentemente com uma preocupação pelos próprios processos e mecanismos de cada medium, tomados como a marca da sua temporalidade ou mesmo da sua história. A obra que desenvolveu para a bienal parte do reencontro do artista com a janela de uma casa onde residiu em criança. As 36 imagens da janela — convertida em campo de expectativas em relação ao futuro e agora memória dessas possibilidades — são parcialmente obliteradas pela intromissão de uma pedra de obsidiana, um monólito que atua como ação irremediável do presente.

Colégio das Artes da Universidade de Coimbra Largo D. Dinis


Jill Magid

The Proposal: The Exhumation (video still), 2016 Vídeo HD, som, 6’7’’ (loop) HD video, sound, 6’7’’ (loop) © Jarred Alterman Cortesia da artista e Courtesy of the artist and LABOR, Mexico City

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5 Bridgeport, Connecticut, EUA, 1973 Vive e trabalha em Nova Iorque e Amesterdão.

Colégio das Artes da Universidade de Coimbra Largo D. Dinis

Bridgeport, Connecticut, USA, 1973 Lives and works in New York and Amsterdam.

The work of the North American artist Jill Magid is deeply connected to her life experience, of which the borders with art seek dispersal through her artistic process. Though her practice is based essentially on performance, Magid has established close relationships with a number of organizations and organs of authority with the goal of exploring the emotional, philosophical and legal tensions between the individual and the so-called institutions of “protection”, such as intelligence agencies or the police. The artist questions the system and seeks to interact directly with it, testing her limits to better understand it. To be able to access and work alongside or within these large organizations, Magid makes use of institutional particularities and gaps that allow her to contact the people “inside” these structures. The dynamics of seduction is also characteristic of her work – and the narratives resulting from these processes are transformed into quasi-love stories. For Anozero, she is showing a work from the Ex-Voto series, an installation that is part of the artist’s research project with the complicated process of the legacy of Mexican architect Luis Barragán.

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COLÉGIO DAS ARTES

O trabalho da artista norte-americana Jill Magid está profundamente ligado à sua experiência de vida, cujas fronteiras com a arte procuram ser dissipadas pelo seu processo artístico. Através da sua prática baseada essencialmente em performance, Magid estabeleceu relações próximas com uma série de organizações e estruturas de autoridade com o objetivo de explorar as tensões emocionais, filosóficas e jurídicas entre o indivíduo e as chamadas instituições de «proteção», tais como agências de inteligência ou da polícia. A artista questiona o sistema e procura interagir diretamente com ele, testando os seus limites para melhor o compreender. Para conseguir acesso e trabalhar ao lado ou dentro destas grandes organizações, Magid faz uso de particularidades institucionais e lacunas sistémicas que lhe permitem fazer contato com as pessoas «no interior» destas estruturas. O seu trabalho pode também ser caracterizado pela dinâmica da sedução — e as narrativas resultantes destes processos transformam-se em quasi histórias de amor. Para o Anozero, mostra-se um trabalho da série Ex-Voto, uma instalação que faz parte do projeto de pesquisa da artista com o complicado processo do legado do arquiteto mexicano Luis Barragán.


Jonathan Uliel Saldanha

ANOXIA, 2017 (video still) Sistema eletroacústico de 4 canais, 3 projeções vídeo digital, 16:9, cor 4-channel electroacoustic system, 3 digital video projections, 16:9, colour Cortesia da artista Courtesy of the artist

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5 Porto, Portugal, 1969. Vive e trabalha no Porto. Oporto, Portugal, 1969 Lives and works in Oporto.

Jonathan Uliel Saldanha is an artist who has divided his activity between the field of music and production of sound environments and occasionally the creation of images in motion. Particularly interested in a certain idea of ancestry and ritual, Jonathan Uliel Saldanha’s interventions seem to use individual or group situations in which the protagonists perform repetitive actions, whose meaning can only be speculated on. For the biennial, Saldanha has devised a new videographic installation from footage taken at Convento de São João Novo, in Porto, which housed Museu Etnográfico, directed in the last part of its existence by the artist and architect Fernando Lanhas. Precisely from the latter, a panel on the evolution of humanity is presented, which also features the basis for a light installation. At the opening of the biennial, Saldanha presents the performance Ilinx, premiered at Culturgest Porto. It is a work that involves a choir of 50 people, enacts a repetitive and hypnotic ritual and whose title refers to vertigo, the feature of games that seek sensory disturbance as their end.

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COLÉGIO DAS ARTES

Jonathan Uliel Saldanha é um artista que tem dividido a sua atividade pelo campo da música e da produção de ambientes sonoros, bem como, por vezes, pela criação de imagens em movimento. Com um interesse particular por uma certa ideia de ancestralidade e de ritual, as intervenções de Jonathan Uliel Saldanha parecem utilizar situações individuais ou de grupo nas quais os protagonistas realizam ações repetitivas e cujo sentido só pode ser especulativo. Para a bienal, Saldanha concebeu uma nova instalação videográfica a partir de filmagens realizadas no Convento de São João Novo, no Porto, que albergou o Museu Etnográfico, dirigido, na última parte da sua existência, pelo artista e arquiteto Fernando Lanhas. É precisamente deste último que se apresenta um painel relativo à evolução da humanidade, que serve também de base para uma instalação de luz. Na inauguração da bienal, Saldanha apresenta a performance Ilinx, estreada na Culturgest Porto. É um trabalho que envolve um coro de 50 pessoas, encena um ritual repetitivo e hipnótico, cujo título remete para a vertigem, dispositivo dos jogos que procuram a perturbação sensorial como finalidade.

Colégio das Artes da Universidade de Coimbra Largo D. Dinis


Jonathas de Andrade

Projeto de abertura de uma casa, como convém, 2009 Maquete em balsa e cedro e 11 impressões digitais sobre papel fotográfico (pormenor) Balsa and cedar wood model and 11 inkjet prints on photographic paper (detail) Cortesia do artista, Galeria Vermelho, Brasil e Coleção Teixeira de Freitas Courtesy of the artist, Galeria Vermelho, Brazil and Collection Teixeira de Freitas

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5 Maceió, Brasil, 1982 Vive e trabalha em São Paulo. Maceió, Brazil, 1982 Lives and works in São Paulo.

The Brazilian artist Jonathas de Andrade has built his oeuvre in various media, including film, photography and sculpture, with an approach that uses devices particular to anthropology, constructing speeches that generate poetics from manipulations of the real. The piece he presents in the biennial is an exercise arising from the destruction of a modernist house, documented by a model of the destroyed house and by photographic images of the process of dilapidation and plunder. Somehow, Andrade’s project connects to a certain nostalgia for the end of an era, but also comments on the effect of the devastation caused by real estate speculation and the way the latter is destroying architectural and cultural specificities.

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COLÉGIO DAS ARTES

O artista brasileiro Jonathas de Andrade tem vindo a desenvolver um trabalho em diversos suportes, nomeadamente filme, fotografia e escultura, numa abordagem que utiliza dispositivos próprios da antropologia, construindo discursos que geram poéticas a partir de manipulações do real. A obra que apresenta na bienal é um exercício a partir da destruição de uma casa modernista, documentada através de uma maquete da casa destruída e de imagens fotográficas do processo de delapidação e saque. De certa forma, o projeto de Andrade liga-se a uma certa nostalgia de fim de uma época, mas produz, também, um comentário sobre o efeito da devastação provocada pela especulação imobiliária e a forma como esta vai destruindo especificidades arquitetónicas e culturais.

Colégio das Artes da Universidade de Coimbra Largo D. Dinis


Kader Attia

Dispossession, 2013 Instalação. Dupla projeção de slides e projeção de slides única, 13’00’’ e vídeo, 6’43’’; cor, som (pormenor). Installation. 2-channel slide projection and single channel slide projection, 13’00’’ and video, 6’43’’; colour, sound (detail). Cortesia do artista e Courtesy of the artist and Lehmann Maupin, Collection MdM, Salzburg, and MimA Middlesbrough Institute of Modern Art, apresentado por presented by Contemporary Art Society through the Collections Funds at Frieze 2016/17

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5 Seine-Saint-Denis, França, 1970 Vive e trabalha em Berlim e Paris. Seine-Saint-Denis, France, 1970 Lives and works in Berlin and Paris.

The Franco-Algerian artist Kader Attia has plotted his path based on two research axes: on one hand, an interest for processes of repair, restoration and preparation of both bodies and artefacts, which results, through hybrid procedures, in crossbred objects that require an anthropology of their own. On the other hand, and consequently, out of the way modernism crossed the African continent, he searches for processes of mutual cultural appropriation between coloniser and colonised and pursues the open wounds of such processes. At the biennial, Kader Attia presents a work in two parts: a set of projected images and a film. The work presents an inventory of pieces abducted by missionaries in Africa and transported to the Vatican Museum. The vast collection of pieces is symptomatic of the uprooting of the African people’s cultural memory through the relocation of objects which have lost their symbolic power.

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COLÉGIO DAS ARTES

Artista franco-argelino, Kader Attia tem vindo a desenvolver o seu percurso a partir de dois eixos de investigação: por um lado, um interesse pelos processos de reparação, de recomposição e de arranjo, quer dos corpos, quer dos artefactos, que resulta, através de procedimentos híbridos, em objetos mestiços que requerem uma antropologia própria. Por outro lado – e consequentemente –, a partir da forma como o modernismo atravessou o continente africano, procurando os processos de mútua apropriação cultural entre colonizador e colonizado e perseguindo as feridas abertas deste processo. Na bienal, Kader Attia apresenta uma obra em duas partes: um conjunto de imagens projetadas e um filme. A obra faz um inventário das obras subtraídas pelos missionários em África e transportadas para o Museu do Vaticano. O imenso conjunto é sintomático do processo de desenraizamento da memória cultural dos povos africanos pela deslocalização de objetos que perderam o seu poder simbólico.

Colégio das Artes da Universidade de Coimbra Largo D. Dinis


João Fiadeiro

I AM HERE Performance © Patrícia Almeida Cortesia do artista Courtesy of the artist

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6 Lisboa, Portugal, 1965 Vive e trabalha em Lisboa. Lisbon, Portugal, 1965 Lives and works in Lisbon.

João Fiadeiro is a Portuguese dancer and choreographer who since 1980 has been setting an authorial path that has led him to search for transversal relations between the fields of dance, performance and visual arts. In 2003, João Fiadeiro built a project entitled I am here on the work of another Portuguese artist, Helena Almeida. This project grew into in a choreographic piece that was presented for the first time at Centre Pompidou in Paris, and used a scenic device on stage to reinterpret some components of Helena Almeida’s work. In recent years, João Fiadeiro has revisited this seminal work and has found different formulations, from a conference model to the reinterpretation in the context of a seminar for Master’s students of Curatorship. For the Anozero biennial, João Fiadeiro has conceived a videographic version of this performance, adapted and converted into a reflection on the space of the Círculo de Artes Plásticas. Interestingly, this work, initially designed for a scenic device, is now transformed into a work held in an exhibition space. This implied a whole work of deconstruction, as well as the removal of the hierarchic relationship with the viewer.

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CAPC SEREIA

João Fiadeiro é um bailarino e coreógrafo português que desenvolve, desde 1980, um percurso autoral que o tem levado a procurar relações transversais entre o domínio da dança, da performance e das artes visuais. Em 2003, João Fiadeiro desenvolveu um projeto intitulado I am here sobre a obra de outra artista portuguesa, Helena Almeida. Esse projeto materializou-se numa obra coreográfica que, apresentada pela primeira vez no Centro Pompidou, em Paris, utilizava em palco um dispositivo cénico para reinterpretar algumas componentes da obra de Helena Almeida. Nos últimos anos, João Fiadeiro tem revisitado essa obra seminal no seu trajeto e encontrado outras formulações: desde o modelo conferência à reinterpretação no contexto de um seminário para mestrandos de Curadoria. Para a bienal Anozero, João Fiadeiro concebeu uma versão videográfica dessa performance, adaptada e convertida numa reflexão sobre o espaço do Círculo de Artes Plásticas. Curiosamente, esta obra, que no início foi pensada para um dispositivo cénico, transfigura-se agora numa obra realizada num espaço expositivo, o que implicou todo um trabalho de desconstrução, bem como uma desierarquização da relação com o espectador.

CAPC Sereia Rua Pedro Monteiro Casa Municipal da Cultura, piso -1


Juan Araujo

De la serie CD IX, 2017 Óleo sobre madeira Oil on wood 35 cm × 28 cm © Bruno Lopes Cortesia do artista Courtesy of the artist

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7 Caracas, Venezuela, 1971 Vive e trabalha em Lisboa, Portugal.

CAPC Sede Rua Castro Matoso, 18

Lives and works in Lisbon, Portugal.

A Venezuelan artist whose medium is mostly oils and drawing, Juan Araujo has proposed a reinvention of painting as a representation tool that, through its enormous metamorphic freedom, can produce rereading of the history of culture, image and architecture. It always maintains, however, a connection with a reference image – a photograph of architecture, or a document of the modernist visual culture. The project he developed specifically for Anozero is a set of paintings around the work of Jorge Molder, a Portuguese visual artist who mostly uses photography in a process of selfrepresentation. Thus, Juan Araujo represented Jorge Molder’s photographs in oil paintings, recreated in their original size and in a mimetic process towards the image of reference, but clearly engaged in a reflexion on the practice of his painting, his tool of expression. When we add that Jorge Molder himself also often uses processes of quotation and appropriation of images from other artists (such as Paul Outerbridge or Bill Brandt), the work of Araujo is a dive into a mise-en-abîme of representations and allusions that always recovers a legacy to be swallowed and reconverted again.

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CAPC SEDE

Artista venezuelano que utiliza, sobretudo, a pintura a óleo e o desenho, Juan Araujo tem vindo a propor uma reinvenção da pintura como ferramenta de representação que, através da sua enorme liberdade metamórfica, pode produzir releituras da história da cultura, da imagem e da arquitetura, embora mantendo sempre uma conexão com uma imagem de referência — uma fotografia de arquitetura, ou um documento da cultura visual modernista. O projeto que desenvolveu especificamente para o Anozero é um conjunto de pinturas em torno da obra de Jorge Molder, artista visual português que usa, principalmente, a fotografia num processo de autorrepresentação. Assim, Juan Araujo representou em pinturas a óleo fotografias de Jorge Molder, recriadas na sua dimensão original num processo mimético em relação à imagem de referência, mas claramente empenhado num pensamento sobre a prática da sua pintura, a sua ferramenta expressiva. Se acrescentarmos que o próprio Jorge Molder usa também frequentemente processos de citação e apropriação de imagens de outros criadores (como Paul Outerbridge ou Bill Brandt), o trabalho de Araujo é um mergulho numa mise-en-abîme de representações e citações que recupera sempre um legado para o deglutir e reconverter.


João Onofre

Untitled (bells tuned D.E.A.D), 2017 Composição espacializada para 4 torres sineiras em Coimbra Spacialized composition for 4 bell towers in Coimbra c.13’00’’ Cortesia do artista, Anozero e Cristina Guerra Contemporary Art Courtesy of the artist, Anozero and Cristina Guerra Contemporary Art

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Lisboa, Portugal, 1976 Vive e trabalha em Lisboa.

4 Torres Sineiras entre a Alta e a Baixa de Coimbra

Lisbon, Portugal, 1976 Lives and works in Lisbon.

4 Bell Towers between Uptown and Downtown Coimbra 11 nov – 30 dez 11 Nov – 30 Dec Ter–dom, às 10 h e às 18 h Tue–Sun, at 10 a.m. and at 6 p.m.

João Onofre tem dividido o seu trabalho pela utilização do vídeo — tipologia pela qual é mais conhecido —, do som, da performance e do desenho. Com uma obra sistematicamente tomada por uma reflexão sobre a circularidade do tempo e a finitude, Onofre usa amiúde referências à arte conceptual, reapropriada e recontextualizada. O som possui sempre uma enorme importância no trabalho videográfico de Onofre, constituindo a métrica da sua temporalidade ou da sua circularidade. Recentemente, o artista tem vindo a desenvolver trabalhos sonoros, alguns com um poderoso caráter musical, muitas vezes em colaboração com compositores. É o caso da obra que apresentou, em 2017, no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa, que ativava um mecanismo de percussão movido a energia solar nas Caldeiras da Central Tejo. Para a bienal, Onofre concebeu a peça Untitled (bells tuned D.E.A.D), que consiste no tocar específico das notas Ré, Mi, Lá, Ré nos carrilhões de três igrejas de Coimbra, além da Torre da Universidade. Os sinos tocam ao mesmo tempo coordenadamente, espalhando a composição musical numa das zonas centrais da cidade. Trata-se de uma obra de arte pública sonora, de caráter abstrato e performativo — onde eventualmente o espectador mais interessado procurará saber a razão do soar dos sinos a horas não-convencionais da celebração religiosa. A obra faz referência a uma peça do artista norte-americano Bruce Nauman.

João Onofre has divided his work between the use of video — the medium for which he is best known, sound, performance and drawing. His work is systematically focused on the reflection on the circularity of time and finitude and Onofre often uses references to reappropriated and recontextualized conceptual art. Sound has always had a huge importance in Onofre’s videographic work, constituting the metrics of its temporality or circularity. Recently, the artist has been developing sound works, some with a powerful musical character, often in collaboration with composers. Such is the case of the work he presented in 2017 at Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia in Lisbon, which activated a solar-powered percussion mechanism in Caldeiras da Central Tejo. For the biennial, Onofre designed the piece Untitled (bells tuned D.E.A.D), which consists of playing the specific notes D, E, A and D in the bell towers of three churches in Coimbra, and also in Torre da Universidade. The bells ring at the same time in a coordinated way, spreading the musical composition in one of the city’s central areas. This is a work of public sound art, with an abstract and performative character – where attentive listeners may seek out the reason for bells tolling at non-conventional times for religious celebrations. The work makes reference to a piece by the North American artist Bruce Nauman.

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ColĂŠgio das Artes Universidade de Coimbra


Programação convergente Converging activities

A Programação Convergente é um conjunto de atividades paralelas a decorrer no período da bienal. Uma extensão diversificada da oferta cultural, presente em diversos locais da cidade de Coimbra. The Converging Activities run in parallel throughout the Biennial. They are a varied extension of the cultural offer, and can be found in various places in the city of Coimbra.


EXPOSIÇÃO Exhibition

9 Galeria Sete – Arte Contemporânea Avenida Dr. Elísio de Moura, 53

Alexandre Baptista Turned Into

«As três séries de obras que Alexandre Baptista concebeu para a exposição Turned Into apresentam-se como interrogações sobre o estatuto da imagem e sobre a possibilidade do carácter veritativo desta na relação com a palavra que se propõe atribuir-lhe uma outra significação. […] Os títulos das três séries de trabalhos (Voyeur, Creator e Amplifier), todos elucidativos da pesquisa de Alexandre Baptista, são inscritos no ecrã escuro (polido) como se se tratasse do display de um computador ou de um qualquer outro ecrã portátil. […] É neste âmbito que o trabalho nos reenvia para um outro universo, crítico e político, afastando-se de uma simples definição para resgatar modelos e procedimentos que verificamos no universo digital e mediático que aparentemente nos conduz para um fluido histórico em contínua actualização: a World Wide Web.» Turned Into, sem loop. João Silvério

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21 out–2 dez 21 Oct–2 Dec Seg–sex Mon–Fri 11h30–13 h, 14 h–19h30 11.30 a.m.–1 p.m., 2 p.m.–7.30 p.m. Sáb Sat, 15 h–19h30 3.00 p.m.–7.30 p.m. Inauguração Opening

11 nov, 18 h 11 Nov, 6 p.m.

“The three series of works that Alexandre Baptista conceived for the exhibition Turned Into are presented as questions about the status of image and about the possibility of its truthful nature in the relationship with the word that intends to assign it a different meaning. [...] The titles of the three series of works (Voyeur, Creator and Amplifier), all representative of Alexandre Baptista’s research, are inscribed on the dark (polished) screen as if it was a computer monitor or any other portable screen. [...] Thus the work sends us to another universe which is critical and political, moving away from a simple definition to redeem models and procedures that we see in the digital and media universe, apparently leading us to a historical fluid, continuously updated: the World Wide Web.” Turned Into, without loop. João Silvério


EXPOSIÇÃO Exhibition LANÇAMENTO DE LIVRO BOOK LAUNCH

10 Café Santa Cruz Praça 8 de Maio 11 nov–30 dez 11 Nov–30 Dec Todos os dias, 7 h–24 h Every day, 7 a.m–12 p.m. Curadoria CuratorS

Os caminhos da floresta de Alberto Carneiro (1937–2017) Alberto Carneiro cumpriria 80 anos no passado dia 20 de setembro se a sua existência terrena não tivesse cessado no dia 15 de abril de 2017. Figura ímpar do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra e de toda a arte, com uma participação memorável na primeira edição do Anozero, não poderíamos deixar de o reificar nesta segunda edição, a partir da sua obra, que é a única forma válida de convocar um artista. A obra que elegemos é aquela que pertence à coleção do Círculo — Os caminhos da floresta 4.º desenho da série de sete: A partida —, um desenho que pertence a uma série maior, dispersa por várias coleções.  Da coleção do artista exporemos também um par de desenhos da mesma série, pelo que a exposição será constituída por três desenhos acompanhados de um texto redigido por Rui Chafes, e lido nas cerimónias fúnebres de Alberto Carneiro. É um texto curto de um grande artista sobre outro grande artista que admirava, um texto poderoso e conciso. É o testemunho de um dia de chumbo para a arte, em que perdidos nos caminhos da floresta do Alberto sem o Alberto teremos de continuar a andar e procurar o nosso caminho, para não ficarmos perdidos.

CAPC Catarina Rosendo Lançamento do livro BOOK LAUNCH

9 dez, 17 h 9 Dec, 5 p.m. Intercriatividade — Sessões de Criação Colectiva Concebidas e Orientadas por Alberto Carneiro 1979/80 Intercreativity — Sessions of Collective Creation Devised and Directed by Alberto Carneiro 1979/80 Com a presença dE with the presence of

Catarina Rosendo Mariana Brandão

Alberto Carneiro would have been 80 years old last 20 September if his time on this earth had not ceased on 15 April 2017. A unique figure of Círculo de Artes Plásticas de Coimbra and of all art, his was a memorable participation in the first edition of Anozero, and we could not help but reify him in this second edition with his work, which is the only valid way to summon up an artist. The work we have chosen is one that belongs to the collection of Círculo – Os caminhos da floresta 4.º desenho de uma série de sete: A partida (Circle – Forest paths 4th drawing in a series of seven: Departure), a drawing that belongs to a larger series, spread across various collections. From the artist’s own collection, we will also exhibit a pair of drawings from the same series, so the exhibition will consist of three drawings with a text by Rui Chafes, which was read at Alberto Carneiro’s funeral. It is a short text from a great artist about another great artist whom he admired, a powerful and concise text. It is the testimony of a leaden day for art; lost in Alberto’s forest paths without Alberto, we will have to keep on walking and search for our own path, so as not to get lost.

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ciclo de Cinema Cinema Cycle

7 Círculo de Artes Plásticas de Coimbra CAPC Sereia, Rua Pedro Monteiro, Casa Municipal da Cultura, piso-1 16 nov–14 dez 16 Nov–14 Dec Todas as quintas, às 17 h e às 21 h Every Thursday, at 5 p.m. and 9 p.m.

Curar e Reparar Câmara

Curadoria CuratorS

A programação de um ciclo de cinema que sirva o arco temático desta bienal requere que se admita e perceba o cinema como a arte mais importante do último século ou, como refere Alain Badiou, como «o “mais-um” das artes», uma arte que vive do parasitismo de todas as outras ao mesmo tempo que lhes insufla uma outra vida — como diria Jean-Luc Godard, a história do cinema é a maior porque se projeta e, ao fazê-lo, julga transportar em si todas as representações do mundo.

The planning of a cinema programme that serves the theme of this biennial requires accepting and understanding cinema as the most important art of the last century, or, as Alain Badiou said, as “the “plus-one” of arts, an art that lives from parasitism of all others and at the same time inflates them with another life. As Jean-Luc Godard would say, the history of cinema is the greatest because it projects itself and, by doing so, it believes that it carries in itself all the representations of the world.

Bruno Fontes Luís Bernardo Pedro Sá Valentim

Programação Programme

16 nov, 17 h 16 Nov, 5 p.m. O Pequeno Fugitivo Little Fugitive [Ray Ashley, Morris Engel & Ruth Orkin, 1953] 1h20min 16 nov, 21 h 16 Nov, 9 p.m. Primavera Tardia Banshun [Yasojirô Ozu, 1949] 1h48min 23 nov, 17 h 23 Nov, 5 p.m. Casa de Lava [Pedro Costa, 1994] 1h50min 23 nov, 21 h 23 Nov, 9 p.m. O Intendente Sansho Sanshô dayû [Kenji Mizoguchi, 1954] 2h05min 30 nov, 17 h 30 Nov, 5 p.m. Quatro Noites com Anna Cztery noce z Anna [Jerzy Skolimowski, 2008] 1h27min

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30 nov, 21 h 30 Nov, 9 p.m. News from Home [Chantal Akerman, 1977] 1h25min 7 dez, 17 h 7 Dec, 5 p.m. A Casa é Negra Khaneh siah ast [Forugh Farrokhzad, 1963] 20 min 7 dez, 21 h 7 Dec, 9 p.m. La noire de… [Ousmane Sembène, 1966] 1h05min 14 dez, 17 h 14 Dec, 5 p.m. O Carteirista Pickpocket [Robert Bresson, 1959] 1h15min 14 dez, 21 h 14 Dec, 9 p.m. Clube de Combate Fight Club [David Fincher, 1999] 2h19min


performance

11 Jardim Botânico Calçada Martim de Freitas

Micro Museus

17–18 nov 17–18 Nov 11 h –13 h 11 a.m.–1 p.m. Receção para todas as performances no portão principal. Reception for all performances at the main gate. Curadoria Curator

Ricardo Correia | Casa da Esquina Intervenientes Performers

Lígia Soares Portugal Martim Dinis | Madame Teatro Portugal, Brasil Gruppe Tag Alemanha Nuno Lucas e Jin Young Park Portugal e Coreia do Sul

A proposta da Casa da Esquina para a bienal Anozero’17 denomina-se Micro Museus. Estas ações que investigam o conceito de Performance Lecture serão apresentadas no Jardim Botânico de Coimbra sob o signo Curar e Reparar. Este projeto não procura estabelecer e fixar um produto final, mas, antes, um processo de pesquisa e de construção de pequenos museus pessoais que, no território da Performance Lecture, se confrontem com um local específico e com o tema da bienal, traduzindo o discurso como prática performática. O Jardim Botânico foi o território de exploração do espetáculo Exercício de Botânica da Casa da Esquina — que estreou em 2008 — e, volvidos quase 10 anos, voltamos a este espaço, agora com um grupo de criadores convidados que durante a semana ensaiará e conviverá com o espaço para apresentar as performances nos dias 17 e 18 de novembro. Partimos para a construção deste projeto com um grupo transdisciplinar de criadores que nos dão a conhecer as suas obsessões, projetos íntimos e que, em articulação com a o Jardim Botânico, preformam a possibilidade de reparação das suas feridas abertas.

The project of Casa da Esquina for the Anozero’17 biennial is titled Micro Museus. These sessions that investigate the concept of Performance Lecture will be presented in Jardim Botânico de Coimbra under the motto Healing and Repairing. This project does not seek to establish and determine a final product, but, rather, a process of research and construction of small personal museums. In Performance Lecture territory, they are confronted with a specific location and with the theme of the biennial, translating speech into performative practice. Jardim Botânico was the place where the show Exercício de Botânica by Casa da Esquina — premiered in 2008 — was staged and, almost 10 years later, we now return to this space with a group of guest creators who will rehearse and live with the space during the week to present the performances on 17 and 18 November. We engaged in the construction of this project with a group of multidisciplinary creators who share their obsessions and intimate projects with us, and who, in conjunction with Jardim Botânico, start to mold the possibility of repairing their open wounds. 101


MÚSICA MUSIC

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Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Igreja do Convento São Francisco Church of the Convent of São Francisco 17 nov–10 dez 17 Nov–10 Dec

JACC – Jazz ao Centro Clube Atentando no enunciado do Anozero’17, partimos de um olhar sobre o mundo enquanto «máquina avariada», que comunica, também, através dos sons que emite. É na disponibilidade para «re-parar», isto é, para «parar» e «escutar», que buscamos um reequilíbrio possível. É na procura de «afinação», não apenas de instrumentos e vozes, matéria-prima da criação musical, mas também do desejo de, através da entrega à escuta — do mundo, do outro —, encontrar um sentido primordial que conduza à afinação interna da alma, que se centram as propostas do programa do Jazz ao Centro Clube. É esse o desafio que atravessa o solo de Luís Vicente, o trompetista que procura o sentido oculto dos sons feitos música e emoção, o trabalho espiritual de Laraaji, a obra Stimmung, de Stockhausen, interpretada pelo Coro Gulbenkian ou o espetáculo pedagógico Perder o chão, que evoca a memória de Pauline Oliveros e as possibilidades da escuta profunda.

Curadoria CuratorS

José Miguel Pereira | JACC Catarina Pires | JACC

Focusing on the statement by Anozero’17, we start from a perception of the world as a “broken machine”, which also communicates through the sounds it produces. It is in the willingness to stop, notice, listen, that we find a possible rebalancing. It is a search to be in tune, not only for instruments and voices (the raw material of musical creation) but also for desire to find a sense of the primordial that will lead to an internal fine-tuning of the soul, through the commitment to listening – to the world and the Other. This is the basis of the programme offered by Jazz ao Centro Clube. This is the challenge that runs through Luís Vincente’s solo, the trumpeter who searches for the hidden meaning of sounds turned into music and emotion, the spiritual work of Laraaji, Stimmung, from Stockhausen, performed by Coro Gulbenkian, or the pedagogic show Perder o chão, which evokes the memory of Pauline Oliveros and the possibilities of deep listening.

Programação Programme

VICENTE SOLO TROMPETE TRUMPET Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery 17 nov, 19h30 h 17 Nov, 7.30 p.m. LARAAJI Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery 30 nov, 18 h 30 Nov, 6 p.m.

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STIMMUNG de BY Karlheinz Stockhausen, pelo by Coro Gulbenkian Igreja do Convento São Francisco Church of the Convent of São Francisco 9 dez, 18 h 9 Dec, 6 p.m. PERDER O CHÃO Catrapum Catrapeia > 6 anos e famílias Age 6+ and families Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery 10 dez, 11h30 10 Dec, 11.30 a.m.


EXPOSIÇÃO Exhibition Workshop

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Sociedade de Cerâmica Antiga de Coimbra Terreiro da Erva – Largo Quintal do Prior 2/4 18 nov–30 dez 18 Nov–30 Dec Ter–dom, 15 h–18 h Tue–Sun, 3 p.m.–6 p.m.

Teresa Pavão O tempo tomado das coisas «Na verdade, são poucos os que sabem da existência de um pequeno cérebro em cada um dos dedos da mão, algures entre a falange, a falanginha e a falangeta. Aquele outro órgão a que chamamos cérebro, esse com que viemos ao mundo, esse que transportamos dentro do crânio e que nos transporta a nós para que o transportemos a ele, nunca conseguiu produzir senão intenções vagas, gerais, difusas, e sobretudo pouco variadas, acerca do que as mãos e os dedos deverão fazer. Por exemplo, se ao cérebro da cabeça lhe ocorreu a ideia de uma pintura, ou música, ou escultura, ou literatura, ou boneco de barro, o que ele faz é manifestar o desejo e ficar depois à espera, a ver o que acontece. Só porque despachou uma ordem às mãos e aos dedos, crê, ou finge crer, que isso era tudo quanto se necessitava para que o trabalho, após umas quantas operações executadas pelas extremidades dos braços, aparecesse feito.»

Museu da Ciência, Laboratorio Chimico Largo Marquês de Pombal 18 nov–30 dez 18 Nov–30 Dec Ter–dom, 10 h–18 h Tue–Sun, 10 a.m.–6 p.m. Inauguração Opening

18 nov, 15 h 18 Nov, 3 p.m. Sociedade de Cerâmica Antiga De Coimbra

“Indeed, very few people are aware that in each of our fingers, located somewhere between the first phalange, the mesophalange, and the metaphalange, there is a tiny brain. The fact is that the other organ which we call the brain, the one with which we came into the world, the one which we transport around in our head and which transports us so that we can transport it, has only ever had very general, vague, diffuse and, above all, unimaginative ideas about what the hands and fingers should do. For example, if the brain-in-our-head suddenly gets an idea for a painting, a sculpture, a piece of music or literature, or a clay figurine, it simply sends a signal to that effect and then waits to see what will happen. Having sent an order to the hands and fingers, it believes, or pretends to believe, that the task will then be completed, once the extremities of the arms have done their work.” The Cave, José Saramago

A Caverna, José Saramago

Workshop

Valor da inscrição registration fee

com with Teresa Pavão

75 €

Sociedade de Cerâmica Antiga De Coimbra Terreiro da Erva – Largo Quintal do Prior 2/4 5, 6 e 12 dez, 18 h–21 h 5, 6 and 12 Dec, 6 p.m.–9 p.m.

Inscrições Registration

convergentes.anozero@capc.com.pt

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EXPOSIÇÃO Exhibition LANÇAMENTO DE LIVRO BOOK LAUNCH

14 Museu Municipal de Coimbra Edifício Chiado Rua Ferreira Borges, 85

Still Cabanon Em 1952, Le Corbusier projeta para si um pequeno edifício de madeira que ocuparia durante anos como casa-abrigo. Le Cabanon ficou para a história como uma reflexão sobre a condensação do espaço de habitar, sobre a polivalência do espaço e dos seus usos. Após esta experiência radical, repetidas vezes revisitada por criadores que se movem no território do Espaço, como pensar o habitar mínimo e a sua polivalência de espaços e usos, o refúgio, lugar condensado do conforto, e a sua permanência ou efemeridade? Esta pergunta foi o desafio lançado a um conjunto de autores de diferentes áreas disciplinares como a arte, a arquitetura e o design, que se propõe pensar e desenhar um espaço íntimo de abrigo para si próprios, onde se desenvolvam as suas reflexões em torno do habitar no Século XXI. In 1952, Le Corbusier designed a small wooden building for himself that he would inhabit for years as a home-shelter. Le Cabanon would be remembered as a reflection on the concentration of inhabited space, on the versatility of space and its uses. After such a radical experience, repeatedly revisited by creators who move in the territory of Space, how can one think inhabiting to its minimum and its versatility of spaces and uses, a refuge, a place of concentrated comfort, and its permanence or ephemerality? This question was the challenge posed to a group of authors from different disciplinary areas such as art, architecture and design. Their aim is to think and design an intimate shelter space for themselves, where they will reflect on inhabiting the twenty-first century. 104

18 nov–30 dez 18 Nov–30 Dec Ter-sex, 10 h–18 h Sáb-dom, 10 h–13 h, 14 h–18 h Tue-Fri, 10 a.m.–6 p.m. Sat-Sun, 10 a.m.–1 p.m., 2 p.m.–6 p.m. Inauguração Opening

18 nov, 17h30 18 Nov, 5.30 p.m. 15 dez, 18 h 15 Dec 6 p.m. Lançamento do catálogo e conversa com os projetistas. Launch of the catalogue and conversation with the project designers. Curadoria Curator

Atelier do Corvo Curador-adjunto associate curator

José Miguel Pinto Arquitetos, Artistas e designers Architects, Artists and designers

Aires Mateus Ângela Ferreira Atelier do Corvo Carvalho Araújo Didier Faustino Fiuza Eduardo Souto Moura Fernanda Fragateiro Fernando Brízio Filipe Alarcão João Luís Carrilho da Graça João Mendes Ribeiro José Pedro Croft Nuno Sousa Vieira Patrícia Barbas Lopes Paula Santos Pedro Brígida Ensaístas Essayists

Armando Rabaça, Gabriela Vaz Pinheiro, Inês Moreira, José Bártolo, José Miguel Pinto, Magda Seifert, Pedro Pousada, Sara Castelo Branco


EXPOSIÇÃO Exhibition LANÇAMENTO DE LIVRO BOOK LAUNCH

15 NARC – Núcleo de Arquitectos da Região de Coimbra Rua Visconde da Luz, 23 18 nov–22 dez 18 Nov–22 Dec Ter-sáb, 15 h–19 h Tue-Sat 3 p.m.–7 p.m.

Alberto Plácido Paulo Providência Architectonica Percepta

A exposição Architectonica Percepta define-se a partir do livro Architectonica Percepta. Texts and images 1989-2015 e da respetiva apresentação do conjunto de fotografias da autoria do fotógrafo Alberto Plácido e dos textos e desenhos de projeto do arquiteto Paulo Providência. O livro, editado em 2016 pela editora suíça Park Books, reúne sete projetos de arquitetura de Paulo Providência, ilustrados pelas fotografias em preto e branco de Alberto Plácido: Lavadouros de São Nicolau, Casa Taipas, Igreja do Convento Dominicano, Oficinas do Teatro Nacional de São João, Centro de Saúde de Vila do Conde, Casa na Maia e Igreja de São Salvador de Figueiredo. Além destes sete projetos, o livro apresenta um conjunto de seis ensaios que revelam o pensamento e as referências de Paulo Providência.

18 nov, 19 h 18 Nov, 7 p.m Inauguração, lançamento do livro e conversa com Carlos Antunes, Patrícia Miguel e Paulo Providência. Opening, book launch and conversation between Carlos Antunes, Patrícia Miguel and Paulo Providência Curadoria Curator

Circo de Ideias

The exhibition Architectonica Percepta arises from the book Architectonica Percepta. Texts and images 1989-2015 and from the presentation of a set of photographs by the photographer Alberto Plácido and texts and project designs by the architect Paulo Providência. The book, published in 2016 by the Swiss publisher Park Books, brings together seven architectural projects by Paulo Providência, illustrated with black and white photographs by Alberto Plácido: Lavadouros de São Nicolau, Casa Taipas, Igreja do Convento Dominicano, Oficinas do Teatro Nacional de São João, Centro de Saúde de Vila do Conde, Casa na Maia and Igreja de São Salvador de Figueiredo. In addition to these seven projects, the book presents a set of six essays that reveal Paulo Providência’s way of thinking and his reference points.

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EXPOSIÇÃO Exhibition

4 Sala de Exposições do Departamento de Arquitetura, Colégio das Artes 24 nov–30 dez 18 Nov–30 Dec Seg-sex, 9 h–18 h Mon–Fri, 9 a.m.-6 p.m. Inauguração Opening

Vestir «Curar e Reparar»

24 nov, 17 h 24 Nov, 5 p.m. Alunos Students

Ana Sarmento, Ana Sousa, Andreia Barros, Andreia Costa, Catarina Figueiredo, Catarina Teixeira, Catarina Valente, Daniela Gomes, Diana Trigueira, Emanuela Rios, Filipe Ferreira, Joana Alves, Joana Braga, Laura Martin Torres, Maria Inês Alves, Maria Meira, Marisa Farinha, Marta Navarrete, Rita Sá, Sara Gil de Gómez Rodríguez, Teresa Barbosa, Vânia Sá. coordenação coordinated BY Maria Gambina Apoio à EXPOSIÇÃO exhibition support ESAD Modelista Dressmaker Rita Silva Curadoria Curator Désirée Pedro

No âmbito do concurso lançado pelo Anozero’17 à Escola Superior de Arte e Design de Matosinhos, os alunos do 3.º ano da licenciatura em Design de Moda desenvolveram uma pesquisa onde a criação e a interpretação do tema Curar e Reparar lhes permitisse criar uma proposta de uma minicoleção que incluísse a t-shirt do staff e peças de merchandising. Ao tema geral proposto, os alunos responderam com a utilização de materiais inovadores, detalhes criativos e acabamentos técnicos contemporâneos, procurando articular a dimensão autoral com a exequibilidade da produção. Os projetos de Ana Sarmento e de Filipe Ferreira obtiveram menções honrosas e caberá ao projeto vencedor de Joana Braga «vestir» a equipa de produção do Anozero’17. Deste projeto também se produzirão novas peças de merchandising para a bienal. Todas as propostas estarão expostas na sala de exposições do Departamento de Arquitetura, estabelecendo um surpreendente diálogo entre estas duas disciplinas de projeto.

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As part of the competition pitched to Escola Superior de Arte e Design de Matosinhos by Anozero’17, the students of the 3rd year of Fashion Design drew up research whereby the creation and interpretation of the theme Healing and Repairing allowed them to create and present a mini-collection that includes staff T-shirts and merchandise. The students responded to the general theme with the use of innovative materials, creative details and contemporary technical finishings, with a view to coordinating the concept of authorship and feasibility of production. Ana Sarmento and Filipe Ferreira’s projects received honourable mention and the responsibility of “dressing up” the production team of Anozero’17 falls to Joana Braga’s winning project. New merchandise will also be produced for this biennial. All entries will be shown in the exhibition hall of Departamento de Arquitetura, establishing a surprising dialogue between these two disciplines of the project.


Conferência Lecture

2 Convento São Francisco Convent of São Francisco Sala Almeida 29 nov, 10 h 29 Nov, 10 a.m. 30 nov, 9h30 30 Nov, 9.30 a.m. Curadoria Curator

Curar e Reparar o Construído

Désirée Pedro Luís Miguel Correia

O ciclo de conferências de arquitetura descobre o seu argumento na inadiável necessidade de o Homem ter de Curar e Reparar a sua Terra, cada vez menos hospitaleira e, porventura, menos poética. Por certo, esta velha Casa que habitamos exige a sobrevivência da sua condição histórica e simultaneamente o seu contínuo desejo de ser nova. Não a revisitaremos, seguramente, numa perspetiva saudosista, nem nos associaremos a práticas que de forma deliberada excluam essa nossa Casa do amanhã. Iremos, antes, situar-nos no equilíbrio e na possibilidade que ainda nos resta de conciliar tais condições, vistas como antagónicas. Porque o passado vale por aquilo que representa e por aquilo que quer ser no futuro, teremos forçosamente de repensar o Construído.

The series of lectures on architecture takes its argument from Man’s urgent necessity to Heal and Repair his/her Earth, increasingly inhospitable and, perhaps, less poetic. For certain, this old House we inhabit requires its historical condition to survive and simultaneously the continuous desire to be new. We will surely not revisit it with a nostalgic eye, nor will we be associated with practices that deliberately exclude our House from tomorrow. We will, instead, be balanced and open to the possibility that still remains for us to reconcile such conditions, which are perceived as antagonistic. Because the past is worth what it represents, and what it wants to be in the future, we must really rethink the Construct.

29 nov 29 Nov

30 nov 30 Nov

Oradores Speakers

Oradores Speakers

Patrícia Barbas João Pedro Falcão de Campos Aires Mateus Víctor López Cotelo Eduardo Souto Moura

depA João Mendes Ribeiro Atelier 15 Sami Arquitectos António Belém Lima Gonçalo Byrne

Moderadores Moderators

Nuno Grande Carlos Quintáns Eiras

Moderadores Moderators

Jorge Figueira José António Bandeirinha

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EXPOSIÇÃO Exhibition

12 Sociedade de Cerâmica Antiga De Coimbra Terreiro da Erva – Largo Quintal do Prior 2/4 29 nov–30 dez 29 Nov–30 Dec Ter-dom, 15 h–18 h Tue-Sun, 3 p.m.–6 p.m. Inauguração Opening

Escola de Coimbra

29 nov, 19 h 29 Nov, 7 p.m. Curadoria Curator

João Mendes Ribeiro Catarina Fortuna

A exposição Escola de Coimbra explora a relação entre a formação e a prática profissional, partindo da observação do percurso de oito ateliês sediados em Coimbra e/ou formados no Departamento de Arquitetura da Universidade, para considerar a existência de uma identidade comum e demonstrar o seu impacto na cidade.

The exhibition Escola de Coimbra explores the relationship between training and professional practice, starting from the observation of the path of eight studios based in Coimbra and/or formed in the University Department of Architecture, to consider the existence of a common identity and to demonstrate its impact on the city.

Autores e projetos

Autores dos textos críticos

Authors and projects

Authors of critical texts

Atelier R&B Casa em tijolo Estúdio Branco Del Rio Casa da Esquina Orange Arquitectura Solução Arquitetónica para o Bairro da Boavista, Padre Cruz e Sete Céus COMOCO Arquitectos N10-II Indoor Luísa Bebiano Fábrica da Antiga Cerâmica de Coimbra Jorge Teixeira Dias Casa da Rua dos Combatentes Pedro Brígida Colmeal – Hotel Rural Atelier do Corvo Torre e Cisterna do Antigo Castelo de Miranda do Corvo

Armando Rabaça Carlos Martins Gonçalo Canto Moniz Jorge Figueira José António Bandeirinha José Fernando Gonçalves Nuno Grande Paulo Providência

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Performance

16 Colégio de São Jerónimo Largo D. Dinis 6 e 15 dez, 20 h 6 and 15 Dec, 8 p.m. Criação Creation

Pequenos ritos para nós mesmos

O corpo como espaço desmedido e descontínuo no escancaramento das políticas que ainda se referem ao corpo, seus desejos e perceções, como algo «natural». Neste ritual das memórias de si, o corpo é biotecnologia que reconstrói e reprograma as dicotomias, duplicidades e binarismos naturalizados. Um pequeno rito sonoro, imagético, sensorial e corporal que convida as nossas memórias afetivas e sociais a bailar entre vestígios e convivialidades.

André Rosa Frederico Dinis Coprodução Co-production

TAGV – Teatro Académico de Gil Vicente

The body as a disproportionate and discontinuous space in the breach of policies that still refer to the body, its desires and its perceptions as something “natural”. In this ritual of its own memories, the body is biotechnology which rebuilds and reprograms the naturalized dichotomies, duplicities and dualities. A small sonorous, imagery, sensory and carnal bodily ritual that invites our affective and social memories to dance between vestige and conviviality.

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LANÇAMENTO DE LIVRO BOOK LAUNCH

9 Café Santa Cruz Praça 8 de Maio 6 dez, 17 h 6 Dec, 5 p.m.

Cabrita Reis A Casa de Coimbra

Partindo de uma estrutura museográfica obsoleta que se sobrepunha ao espaço do Refeitório de Santa Cruz, Cabrita Reis, como um compositor, orientou criteriosamente e cirurgicamente a nova escultura. Neste processo de assemblagem, colou-se, recortou-se, isolou-se, reordenou-se para compor o novo espaço da Casa. O corte das partes e a sua reorganização revelaram e reenquadraram a estrutura do que está por trás e que não era visível, expondo-se estratos de espaços de outros tempos, em que a luz sublinha, releva e clarifica este processo de sedimentação não fixo, não estável. A Casa que se edificou neste espaço do retiro e da solenidade é convocada através da domesticidade do seu nome e da espacialidade da sua conformação.

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O lançamento do livro contará com a presença do artista Cabrita Reis. The artist Cabrita Reis will be present at the book launch.

Starting from an obsolete museographic structure that overlapped with the space of Refeitório de Santa Cruz, Cabrita Reis, as composer, carefully and surgically oversaw the new sculpture. In this assembly process the space was pasted, cut, isolated and reordered to compose the new space of the Casa/House. Cutting the parts and reorganising them revealed and re-framed the structure of what was behind and was not visible, exposing layers of space from other times, where light highlights, reveals and clarifies this process of sedimentation which is not fixed, not stable. The Casa/House that was built in this space of retreat and ceremony is summoned by the domesticity of its name and by the spatiality of its conformation.


CONVERSA TALK

RUC – Rádio Universidade de Coimbra 107.9 fm www.ruc.pt 11 dez, 16 h 11 Dec, 4 p.m. Curadoria Curator

Grayson Wolf

Grayson Wolf Curar e Reparar: Qual é a diferença entre o original e sua tradução – e que diferença isso faz? Curar e Reparar: What is the difference between the original and its translation – and what difference does this make?

Conversa com Conversation With

Manuel Portela

Uma conversa a respeito da eficácia da tradução com Manuel Portela, professor assistente do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Universidade de Coimbra. Manuel Portela é o tradutor de uma série de autores de língua inglesa como Samuel Beckett, Laurence Sterne e William Blake. Em particular, este segmento irá considerar as dificuldades encontradas e as estratégias utilizadas na tradução de poesia e teatro de Inglês para Português. A conversation regarding the efficacy of translation with Manuel Portela, Assistant Professor in the Department of Languages, Literatures and Cultures, University of Coimbra. Manuel Portela is the translator of a number of English-language authors including Samuel Beckett, Laurence Sterne and William Blake. In particular, this segment will consider the difficulties encountered and the strategies employed in the translation of English-language verse and theatre into Portuguese.

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TEATRO THEATRE

17 Teatro-Estúdio do CITAC, 1.º piso do edifício da AAC – Associação Académica de Coimbra 15-21 dez, 21h30 15-21 Dec, 9.30 p.m. Criação Creation

CITAC Os Sapatos Numa peça onde todos os egos lutam por protagonismo, o espetáculo nunca será o protagonista! Seria tão mais fácil se pudéssemos calçar os sapatos dos nossos antepassados, com a paciência de duas velhinhas, a elegância de um príncipe e a subtileza de uma bailarina, que levassem alguém com a humilde coragem de fechar as cortinas nessas noites. Por mais ciclos que se fechem, os textos e as vontades continuarão a pairar infinitamente em volta de um círculo, repletos de almas sentadas em volta de ideias tão díspares e infinitas quanto o negro das paredes que nos rodeiam. Um desses textos tocou gentilmente no centro... Amavelmente cedido por Yvette Kace Centeno ao CITAC, e apaixonadamente do CITAC para quem tanto o merece. In a play where all egos are fighting for the lead, the show will never be the star! It would be so much easier if, with the patience of two old ladies, the elegance of a prince, and the subtlety of a ballerina, we could put ourselves in our ancestor’s shoes, which would bring someone with the humble courage to lower the curtain on those nights. For as many cycles that are closed, texts and desires will continue to hover endlessly in the round, filled with souls sitting around ideas as varied and endless as the black of the walls that surround us. One of these texts touched down gently in the middle... Kindly provided to CITAC by Yvette Kace Centeno and passionately from CITAC to those who so deserve it. 112

CITAC – Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra Direção artística Artistic direction

DEMO – Dispositivo Experimental, Multidisciplinar e Orgânico Interpretação Performers

Daniella Aloise, Giuseppe Parrilla, Halisson Silva, Inês Sousa, Zé Ribeiro, Letícia Moro, Luca Rosania, Lucas Fidalgo, Maria Inês Neves, Roberto Mortágua, Raquel Montenegro, Priscila Bueno, Guilherme Pompeu, Ricardo Batista, Miguel Pombas, Fernando Miguel Oliveira, Tiago Dinis. Produção Production

Daniella Aloise, Raquel Montenegro, Miguel Pombas, Tiago Dinis. Divulgação Publicity

Halisson Silva, Lucas Fidalgo, Fernando Miguel Oliveira, Priscila Bueno. Luz Lighting

Giuseppe Parrilla, Zé Ribeiro, Guilherme Pompeu, Ricardo Batista, Tiago Dinis. Som Sound

Luca Rosania, Roberto Mortágua, Fernando Miguel Oliveira. Figurinos Costumes

Daniella Aloise, Inês Sousa, Letícia Moro, Maria Inês Neves. Produção executiva Executive production

CITAC 2017


LANÇAMENTO DE LIVRO BOOK LAUNCH

9 Café Santa Cruz Praça 8 de Maio 16 dez, 17 h 16 Dec, 5 p.m.

Pedro Vaz

Pentimento Pentimento foi a proposta de Pedro Vaz para o Anozero’15. Uma tela em contraplacado de madeira, posicionada no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, aguardaria a ação continuada do artista, pintando sucessivamente a paisagem que lhe era dada observar. A ação da intempérie sobre esta tela introduziu nesta superfície modificações inicialmente não previstas, tais como humidades e manchas resultantes de pó e pólen. Perante esta surpresa, Pedro Vaz, mais do que pintar, decidiu tentar contrariar os efeitos da ação do tempo sobre a tela, procurando recuperá-la em sessões descontinuadas no tempo, sabendo que iniciava um jogo que não poderia vencer. Este processo foi sendo fotograficamente registado e culminou numa exposição não anunciada e não identificada da sequência das imagens em espaço público, num processo também ele registado. A publicação que agora se edita colige esta série de imagens e é acompanhada por um conjunto de depoimentos de autores convidados.

O lançamento do livro contará com a presença do artista Pedro Vaz. The artist Pedro Vaz will be present at the book launch.

Pentimento was Pedro Vaz’s proposal for Anozero’15. A canvas on plywood, placed in Jardim Botânico of Universidade de Coimbra, awaited the artist’s action, painting over and over the landscape that was his to observe. The action of the elements on this screen brought initially unforeseen modifications to its surface, such as moisture and stains arising from dust and pollen. In the face of this surprise, Pedro Vaz, over and above painting, decided to try and counter the effects of time on the canvas, trying to recover it in discontinued actions in time, aware that he was starting a game he could not win. This process was recorded in photographs and culminated in an unannounced and unidentified exhibition of the sequence of images in a public space, with the process in itself also being registered. This publication now collects the series of images and is accompanied by testimony from guest authors.

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VISITAS TOURS

8 Creche – Jardim de Infância da ANIP Kindergarten ANIP Rua Augusta (Maternidade Professor Bissaya Barreto) 18 e 25 nov e 2 dez, 15 h–18 h 18 and 25 Nov and 2 Dec, 3 p.m.–6 p.m. Inscrições Registration

convergentes.anozero@capc.com.pt

Visitas Guiadas aos Murais Costa Pinheiro

Guided Tours of the Costa Pinheiro Murals

«Coimbra possui uma importante e pouco conhecida obra do pintor António Costa Pinheiro [1932–2015] que, pela sua dimensão e pela sua qualidade estética, é um projeto significativo no percurso deste relevante artista português da segunda metade do Século XX. De grandes dimensões, essa obra foi concretizada em 1958 nas paredes de uma das salas do jardim de infância que integrava o Instituto Maternal de Coimbra. Nas várias paredes desfilam, como numa grande parada, fragmentos multicolores de imaginação flutuante, signos e sinais gráficos geometrizados, formas graciosas e humorísticas de animais e pessoas, adultos e crianças que brincam e que estão inseridos em diversos cenários, por vezes envolvidos numa luminosidade fria, noutras vibrando num colorido quente.»

“Coimbra has an important and little-known work by the painter António Costa Pinheiro [1932-2015] which, due to its size and aesthetic quality, is a significant project in the trajectory of this important Portuguese artist of the second half of the 20th century. This large work was carried out in 1958 on the walls of the rooms of the kindergarten that was part of the Instituto Maternal de Coimbra. Across various walls, as if in a great parade, there are multicoloured fragments of floating imagination, geometric signposts and signs, graceful and humorous forms of animals and people, adults and children playing in various settings, some enveloped in cold light, others vibrating in warm colours.”

Pedro Ferrão

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Pedro Ferrão


Oficina Anozero Anozero Workshop


OFICINA ANOZERO Anozero Workshop

Sala 0

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Equipamento de reprodução de imagem Image reproduction equipment Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Colégio das Artes Círculo de Artes Plásticas de Coimbra CAPC Sede e CAPC Sereia 11 nov–30 dez,ter–dom, 10 h–18 h 11 Nov–30 Dec, Tue–Sun, 10 a.m.–6 p.m. Visitas Guiadas ao Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Guided tours of Santa Clara-a-Nova Monastery Público em geral General public

Sábados, domingos e feriados, 16 h Saturdays, Sundays and holidays, 4 p.m. Escolas Schools

Consoante marcação de grupo. Via group bookings. Inscrições Registration

convergentes.anozero@capc.com.pt Visitas Guiadas Guided Tours

Maria Alexandra Nogueira Joana Damasceno Curadoria CURATION

Maria Alexandra Nogueira Valdemar Santos

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Sala 0 apresenta-se como um projeto incluído na bienal Anozero’17 e é baseado nas dinâmicas de envolvimento, utilização e promoção de imagens do evento. Este é um projeto circunscrito a atividades que apresentam como objetivo geral um compromisso interativo com o público. No essencial, pretende-se a construção de um arquivo de fotografias numa plataforma virtual, como sejam o Facebook e Instagram — com a hashtag #sala0anozero —, captadas pelos visitantes da bienal, assim como a utilização em vários espaços da exposição de um equipamento de reprodução de imagens a partir do catálogo da bienal. A preparação e dinamização das visitas guiadas ao Mosteiro de Santa Clara-a-Nova é igualmente uma parte integrante deste projeto. The Sala 0 project included in the Anozero’17 biennial is based on the dynamics of involvement, use and promotion of the images of the event. This project is reserved for activities that have the general goal of an interactive commitment with the public. In essence, it aims to construct an archive of photographs on a virtual platform, such as Facebook and Instagram – with the hashtag #sala0anozero – shot by the visitors to the biennial, as well as the use of equipment for reproducing images from the biennial catalogue in various spaces of the exhibition. The preparation and promotion of guided tours of Santa Clara-a-Nova Monastery is also an integral part of this project.


OFICINA ANOZERO Anozero Workshop

Laboratório UWAGA!

1 LABORATÓRIO LABORATORY

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Piso Floor 00 Oficina Anozero Instalações Installations

Espaço público Public space, Coimbra Criação Creation

DEMO: Gil Mac e Cláudio Vidal Colaboração Collaboration

Clube dos Tipos: Joana Monteiro Oficina: João Peralta e David Sarmento Lazy Eye: André Carvalho Calendário Schedule

11–25 nov 11–25 Nov Inscrições abertas Registration open 25 nov 25 Nov Apresentações PresentationS

Gil Mac, Joana Monteiro, João Peralta Documentário Documentary film UWAGA! 26 nov 26 Nov Visita guiada à bienal Guided tour of the biennial 27 nov–8 dez 27 Nov–8 Dec Laboratório a decorrer. Desenvolvimento e produção dos projetos. Laboratory in progress. Development and production of projects. 9­–10 dez 9–10 Dec Instalação em espaços públicos. Installation in public spaces.

Um projeto multidisciplinar que tem como intuito ampliar a opinião dos cidadãos sobre a cidade, fazendo-a ganhar dimensão pública por meio da sua espacialização. O Laboratório Uwaga! promove a reflexão quanto à participação e capacidade de intervenção dos cidadãos na construção e ocupação dos espaços públicos na cidade. A partir da resposta a uma open call e durante duas semanas, o grupo de participantes que integra o Laboratório será acompanhado por um arquiteto, um designer, dois performers e um artista visual. O produto final será uma instalação em espaço público, tendo como material comum o cartão canelado e tinta preta e branca. A multidisciplinary project which aims to broaden citizens’ opinion about the city, giving it greater dimension by bringing it into the public space. Laboratório Uwaga! encourages reflection on citizens’ participation and capacity for intervention in the construction and occupation of public spaces in the city. As a response to an open call and over the next two weeks, the group of participants who are part of the Laboratory will be accompanied by an architect, a designer, two performers and a visual artist. The final product will be an installation in a public space, with corrugated cardboard and black and white paint as their common materials.

Inscrições Registration

convergentes.anozero@capc.com.pt Valor da inscrição Registration fee

20 €

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OFICINA ANOZERO Anozero Workshop

Speakers’ Garden O Speakers’ Garden é o projeto do Anozero aberto à participação de todos! É um espaço em construção permanente, espontâneo, onde cabem todos os desígnios, ideias ou vontades. Ponto de encontro ou deriva, fortuito ou anunciado antecipadamente. Um espaço onde tanto podem surgir atividades relacionadas com artistas do Anozero, como outras sugestões.

The Speakers’ Garden is an Anozero project which is open for all to participate in! It is a space under permanent and spontaneous construction, where all intentions, ideas or wishes will find a space. A meeting or drifting point, random or advertised in advance. A space where activities which are related to Anozero’s artists may arise as well as different suggestions.

Para participar, comuniquem para convergentes.anozero@capc.com.pt

To participate, please email convergentes.anozero@capc.com.pt

A vossa proposta será semeada e anunciada nas redes sociais do Anozero, particularmente no grupo aberto do Facebook: facebook.com/groups/Anozero/

Your proposal will be shown and announced on Anozero’s social networks, particularly in the Facebook open group: facebook.com/groups/Anozero/

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INFORMAÇÕES INFORMATION Entrada livre em todas as exposições e eventos Anozero’17. Entrance to all Anozero’17 exhibitions and events is free.

1 Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Calçada de Santa Isabel, Alto de Santa Clara 3040-270 Coimbra Horário Ter–dom e feriados | 10 h–18 h Opening hours Tue–Sun and holidays | 10 a.m.–6 p.m.

2 Convento São Francisco Convent of São Francisco Av. da Guarda Inglesa, 3 3040-270 Coimbra Horário Todos os dias | 15 h–20 h Opening hours Every day | 3 p.m.–8 p.m.

3 Sala da Cidade Antigo Refeitório de Santa Cruz, Paços do Município Praça 8 de Maio 3000-300 Coimbra Horário Ter–dom e feriados | 13 h–18 h Opening hours Tue–Sun and holidays | 1 p.m.–6 p.m.

4 Colégio das Artes da Universidade de Coimbra Largo D. Dinis Apartado 3066 3001-401 Coimbra Horário Ter–dom e feriados | 10 h–18 h Opening hours Tue–Sun and holidays | 10 a.m.–6 p.m.

CONTACTOS CONTACTS anozero-bienaldecoimbra.pt geral.anozero@capc.com.pt +351 239 821 670 +351 962 235 969 | +351 910 787 255

5 Museu da Ciência – Galeria de História Natural Science Museum – Natural History Gallery Largo Marquês de Pombal 3000-272 Coimbra Horário Ter–dom e feriados | 10 h–18 h Opening hours Tue–Sun and holidays | 10 a.m.–6 p.m.

6 Círculo de Artes Plásticas de Coimbra CAPC Sereia Rua Pedro Monteiro, Casa Municipal da Cultura, piso-1 3001-401 Coimbra Horário Ter–dom e feriados | 10 h–18 h Opening hours Tue–Sun and holidays | 10 a.m.–6 p.m.

7 Círculo de Artes Plásticas de Coimbra CAPC Sede Rua Castro Matoso, 18 3000-104 Coimbra Horário Ter–dom e feriados | 10 h–18 h Opening hours Tue–Sun and holidays | 10 a.m.–6 p.m.

8 Maternidade Professor Bissaya Barreto Rua Augusta 3000-045 Coimbra Horário Todos os dias | 10 h–18 h Opening hours Every day | 10 a.m.–6 p.m.

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Anozero’17

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COIMBRA

Anozero’17

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MOSTEIRO DE SANTA CLARA A NOVA PISO 00 E EXTERIOR

Santa Clara-a-Nova Monastery Floor 00 and outdoors

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Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 00 A

Átrio Atrium James Lee Byars

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Ala Poente West Wing Ângela Ferreira Francis Alÿs Fernanda Fragateiro Salomé Lamas Louise Bourgeois

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Garagem Garage Rubens Mano

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Corredor Central Central Hallway Julião Sarmento Lucas Arruda

E

Capela Exterior Outer Chapel Lucas Arruda

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Exterior

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MOSTEIRO DE SANTA CLARA A NOVA PISO 01 E 02 (TORREÕES)

Santa Clara-a-Nova Monastery Floor 01 and 02 (Towers)

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Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Santa Clara-a-Nova Monastery Piso Floor 02

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Torreão Norte North Tower Alexandre Estrela Piso Floor 01

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Corredor Central – Salas Adjacentes Central Hallway – Adjoining Rooms Manon Harrois & Sara Bichão Marwa Arsanios Sara Bichão Pedro Barateiro Gabriela Albergaria Jimmie Durham José Maçãs de Carvalho Gustavo Sumpta Danh Vō Dominique Gonzalez-Foerster Piso Floor 02

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Torreão Sul South Tower William Kentridge

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DIRETOR-GERAL DIRECTOR

COORDENAÇÃO DE VOLUNTARIADO

Carlos Antunes

COORDINATION OF VOLUNTEERS

CURADOR-GERAL CHIEF CURATOR

Catarina Bota Leal Frederico Nunes (apoio)

Delfim Sardo COORDENAÇÃO EDITORIAL HEAD EDITOR CURADORA-ADJUNTA ASSOCIATE CURATOR

Carina Correia

Luiza Teixeira de Freitas REVISÃO DE TEXTO PROOFREADING COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO HEAD OF PRODUCTION

Carina Correia Dave Tucker

Désirée Pedro TRADUÇÃO TRANSLATION

Sílvia Gomes

Ana Marta Santos Dave Tucker Rita Caetano

PRODUÇÃO CAPC CAPC PRODUCTION

DESIGN GRÁFICO – DIREÇÃO DE ARTE

Jorge das Neves Karen Bruder Pedro Sá Valentim

GRAPHIC DESIGN – ART DIRECTION

APOIO À PRODUÇÃO CAPC

DESIGN GRÁFICO GRAPHIC DESIGN

CAPC PRODUCTION SUPPORT

Joana Monteiro Sérgio Rebelo

COORDENAÇÃO EXECUTIVA EXECUTIVE COORDINATOR

Diana Nunes Ivone Cláudia Antunes Paulo Castanheira Pedro Vaz Ricardina Oliveira

Joana Monteiro João Bicker

WEB DESIGN

Sérgio Rebelo CONCEÇÃO DO ESPAÇO CONCEPT OF SPACE

Filipa Cabrita

Curadoria Atelier do Corvo

PRODUÇÃO UC UC PRODUCTION

ARQUITETURA ARCHITECTURE

Teresa Baptista

Atelier do Corvo

MONTAGEM INSTALLATION

FOTOGRAFIA PHOTOGRAPHY

André Santos João Nora Laurindo Marta Rubene Ramos Vasco Costa

Jorge das Neves Vitor Garcia

Isabel Campante | Ideias Concertadas

COORDENAÇÃO DA PROGRAMAÇÃO CONVERGENTE

APOIO À PROGRAMAÇÃO PROGRAMME SUPPORT

COORDINATION OF CONVERGING ACTIVITIES

LINHAS | CAPC/Casa da Esquina/JACC

ASSISTÊNCIA DE DIREÇÃO DIRECTION ASSISTANT

ASSESSORIA DE IMPRENSA PRESS OFFICE

Catarina Bota Leal OFICINA ANOZERO ANOZERO WORKSHOP

CAPC

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Anozero’17 agradece às seguintes instituições, galerias e colecionadores: Anozero’17 is grateful to the following institutions, galleries and collectors: Águas de Coimbra Atelier Paula Santos Barreiros & Vilas – Rede Citroën Carpintaria Júlio Pinto e toda a sua equipa CEMES - Centro de Estudos Multidisciplinares Ernesto de Sousa CIAJG - Centro Internacional das Artes José de Guimarães Círculo de Cultura Portuguesa Comando da Brigada de Intervenção do Exército Português Confraria da Rainha Santa Isabel Culturgest Diocese de Coimbra Direção Regional de Cultura do Norte EDP – Loja Cidadão de Coimbra EFAPEL EIDOTECH GmbH Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal ESAD de Matosinhos Exporluz – Iluminação, S.A. Fundação EDP Fundação Millenium BCP Fundación Princesa de Asturias HELENOS S.A. Hotel D. Luís INDYVIDEO INELCOM Infraestruturas de Portugal Instituto Inhotim Jardim Botânico Jardim de Infância da ANIP LUZTEC – Iluminação Mafia – Federação Cultural de Coimbra Metalmiro e toda a sua equipa Museu Nacional de Etnologia NARC OTTIMA Orvelino & Ferreira, Lda. Parkvending Paróquia São Bartolomeu Paróquia Sé Nova PROSONIC

Protecção Civil de Coimbra Restaurante Casarão Restaurante Steel Salão Brazil Santa Casa da Misericórdia de Coimbra Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura Serviço de Gestão do Edificado, Segurança e Ambiente Tintas Robbialac Baginsky Barbara Wien Galerie Cristina Guerra Contemporary Art David Zwirner Esther Schipper Galeria Filomena Soares Galeria Vera Cortês Galeria Vermelho LABOR Lehmann Maupin Marian Goodman Gallery Mendes Wood DM Michael Werner Gallery Peter Freeman Inc Adelaide Ismália Fernando Figueiredo Ribeiro Joaquim Braizinha José Remígio Ferreira Mesquita da Costa Luiz Augusto Teixeira de Freitas Ricardo Costa SOFRONIA - Consultoria em Desenhos Lda.

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Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra

11 nov ­ 30 dez 2017

Coimbra Biennial of Contemporary Art

11 Nov ­ 30 Dec 2017

«Curar e Reparar» Guia Anozero'17  

Guia da 2.ª edição da Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra com textos de apresentação, programa, informação sobre todas as obras da expos...

«Curar e Reparar» Guia Anozero'17  

Guia da 2.ª edição da Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra com textos de apresentação, programa, informação sobre todas as obras da expos...

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