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As Mulheres e as Letras

George Sand


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Índice

Novembro/2013

Biografia Contexto Canonização Sand nos periódicos O romance La Petite Fadette Popularização Adaptações Curiosidades

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Biografia

No dia 1 de julho de 1804, Amandine Aurore Lucile Dupin nasce em Paris. QUEM?? A romancista, memorialista francesa, baronesa Dudevant, precursora do feminismo Amandine Aurore Lucile Dupin.

“Nunca as mulheres são tão fortes do que quando se armam com as suas fraquezas.” George Sand

QUEM É ESSA? Aquela mulher que aderiu ao movimento socialista na França, que teve diversos casos de amor (um deles foi Chopin!), aderiu ao modo de vida da boemia literária… Aquela que usava o pseudônimo de George Sand! AH, GEORGE SAND!! Sim, George Sand é um pseudônimo de Amandine Aurore Lucile Dupin que, além de assinar como um homem, também usava roupas masculinas. Sand

cresceu

no

castelo

de

Nohant,

na

França,

totalmente influenciada pelo liberalismo aristocrático de sua avó paterna. 4

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Então, estudou num convento de Paris,

Musset e Chopin, incrível compositor e

onde desenvolveu tendências místicas.

pianista.

De volta a Nohant, ainda menina, viveu

George

livremente, lendo e montando a cavalo.

fluência e sua obra completa abrange

Quando sua avó morreu,

pouco tempo

mais de cem volumes!! Criou uma língua

depois de sua volta, Sand sofre de

nova para o camponês, um meio termo

maneira inconsolável e só se acalma anos

entre o francês literário e o patois (dialeto

depois quando conhece François-Casimir

popular encontrado da Bélgica e na

Dudevant, um jovem licenciado em Direito

França). Apesar das descrições realistas

com quem se casou em 1822.

do

Porém, a união dissolveu-se e a capital francesa voltou a ser sua casa.

escreveu

ambiente

rural,

com

sua

enorme

obra

é

essencialmente idealista -- escreve sobre o homem como gostaria que ele fosse, e não como ele é -- em consequência,

Entrou para o jornal Le Figaro e escreveu,

alguns de seus personagens são artificiais

com Jules Landau, o romance Rose et

ao extremo.

Blanche.

Participou

ativamente

dos

Foi em 1832 que estreou como escritora

acontecimentos

independente: Indiana, inspirado em sua

endereçando apelos veementes ao povo.

experiência

matrimonial,

Após os episódios sangrentos de junho

alcançou grande sucesso. Seus romances,

afastou-se da vida pública, retirando-se

sentimentais

para

da e

vida

idealistas,

em

que

os

Nohant,

políticos

que

lhe

de

1848,

inspirara

os

personagens

se

preocupam

romances O Charco do diabo e François,

exclusivamente

com

o

o bastardo, o melhor de sua obra.

conquistaram

os

leitores

amor,

da

primeira

metade do século 19.

Com o passar dos anos, o romantismo revolucionário

de

George

Sand

Colocando em prática seus ideais sobre a

transformou-se

emancipação feminina, começou a usar

conservador.

os tais trajes masculinos e tornou-se famosa

romances

por

sociedade e obra autobiográficas, como

seus

numerosos

casos

de

amor,

sobretudo por sua relação com o escritor

5

Sand

em Ela

moralismo

também

ambientados

entre

produziu a

alta

Ele e ela, de 1859.

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Contexto Contexto

“Liberté, Egalité et Fraternité”

O século XIX foi marcado pelo colapso de diversos impérios, principalmente os europeus, e, logo, a França. Um dos marcos anteriores ao período que manteve mais influência sobre os anos seguintes foi a Revolução Francesa, em 1789, causada pela insatisfação popular frente aos privilégios do clero e da nobreza. A monarquia foi incapaz de lidar com o prejuízo, e, apesar de Luis XVI proclamar a constituição da Assembleia Nacional, não cedeu a reformas políticas. Logo, ocorreu a Tomada da Bastilha (14 de Julho de 1789). O regime feudal foi abolido, entretanto, a tentativa de uma Monarquia Constitucional, criação de uma Assembleia Legislativa, fracassou. Eis que surge, finalmente, Napoleão Bonaparte.

6

Ressurge um ar de esperança na França, mas das Guerras Napoleônicas só restaram mais déficits financeiros. Começa, então, uma era de avanços tecnológicos e descobertas, a exemplo da introdução de ferrovias avançando – já aparecem como reflexo dessas revoluções, principalmente, da Revolução Industrial (1760) e da Revolução Francesa (1789). O Capitalismo se espalha pela Europa Ocidental, e junto dele, o Liberalismo passa a ser o movimento de reforma proeminente. Grandes movimentos de urbanização começam em diversos países, junto de um crescimento populacional. Iniciam-se movimentos pela abolição da escravatura, e entre outras questões de opressão e preconceito começa a ascender o feminismo. lorem ipsum :: [Date]


FEMINISMO, SAND

SOCIALISMO

E

Entre as muitas lutas que se travavam contra os preconceitos e opressões no século XIX na França, entre as muitas correntes de pensamento que conformam o romantismo como época cultural, está o feminismo. Maggie Humm e Rebecca Walker dividiram o feminismo em três ondas. A primeira inicia-se justamente no século XIX, abordando o sufrágio das mulheres, a emancipação, seus direitos trabalhistas e educacionais. A Revolução Francesa colocou o problema da igualdade jurídica para todos os cidadãos como base para o regime político da burguesia. O fato de a mulher não ter direitos contrastava com os fundamentos da democracia; assim, surge o problema da emancipação jurídica da mulher. A ascensão do movimento liberal na França contribuiu para o surgimento de várias correntes de pensamento, e, logo, várias correntes que tendem ao Socialismo – correntes estas que resultarão no Socialismo das revoluções que ocorrem na França entre 1830 e 1848. Surgem diversas personalidades políticas e literárias que apoiam o feminismo. Uma delas foi George Sand, na época 7

considerada muito à frente de seu tempo, tendo sempre ideias inovadoras, principalmente no campo da política. Sand foi uma importante representante do movimento feminista na França, pois era uma difusora de valores uma vez que suas ideias e seus romances faziam grande sucesso na época. Sua posição socialista foi, também, importante, mas menos importante do que sua posição feminista. Ela era uma das tantas mulheres de sua época que procuravam ser mais fortes que a opressão feminina e, logo, tornou-se objeto de escândalo, tanto por seus relacionamentos amorosos quanto por seus costumes “masculinos” (vestir-se como homem e fumar charuto em público, por exemplo) e seus ideais (feministas e socialistas).

A baronesa Dudevant dizia que não poderia acreditar em qualquer República que inciasse uma revolução matando seu próprio poletariado.

Desde 1837 havia se convertido ao socialistas, e teve participação ativa na revolução de 1848 na França e na Comuna de Paris (1871). Quando a revolução de 1848 começou, a autora lançou seu próprio jornal (cujos documentos não pudemos achar), publicado numa cooperativa, que permitia a ela publicar mais sobre política e colocar-se como socialista.

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Canonização

George

Sand

consagração

alcançou no

campo

muito

superior

Língua

que

em

Inglesa

e

literário francês com sua

Portuguesa.

vasta

circulação de romances

No

produção

livro

literária.

Historie

de

litterature

française,

Gustave

Lanson,

Embora

la

acontecesse

de

forma

de

transatlântica

no

século

são

XIX, a obra de Sand não

dedicadas 6 páginas para

atingiu

autora,

popularidade

narrando

a

sua

grande no

Brasil,

biografia e obra, sempre

diferentemente da França,

de forma positiva.

onde uma mesma obra

As

publicações

romances

em

de

seus

Língua

chegou a ter 29 edições, como vemos abaixo:

Francesa estão em número

Quantidade de edições em língua original por obra (entre 1832 e 1914)

8

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Sand foi majoritariamente lida e amada pelos franceses!

Quantidade de obras por língua (entre 1832 e 1914)

Algumas edições dos romances de Sand chegaram até o Brasil, mas em número pequeno, como pode ser observado no gráfico:

9

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Listando…

A barosena de Dudevant escreveu muito ao longo de sua carreira, abaixo você verá todos os títulos de seus romances e novelas, ao todo foram 94 livros escritos. É só escolher um título e boa leitura! 1.

Indiana (roman, 1832)

2.

Melchior (nouvelle, 1832)

3.

Valentine (roman, 1832)

4.

Le Toast (nouvelle, 1832)

5.

La Marquise (nouvelle, 1832)

6.

Cora (nouvelle, 1833)

7.

Lavinia ou Une vieille histoire (nouvelle, 1833)

8.

Lélia (roman, 1833, modifié en 1839)

9.

Metella (nouvelle, 1834)

10.

Le Secrétaire intime ou Quintilia (roman, 1834)

11.

Garnier (conte, 1834)

12.

Leone Leoni (roman, 1834)

13.

Jacques (roman, 1834)

14.

André (roman, 1835)

15.

Myrza (nouvelle, 1835)

16.

Mattea (nouvelle, 1835)

17.

Simon (roman, 1836) [lire en ligne]

18. Le Dieu inconnu in Le Dodecaton ou Le Livre des douze (nouvelle, 1837)

10

19.

Mauprat (roman, 1837)

20.

Les Maîtres mosaïstes (roman, 1838)

21.

La Dernière Aldini (roman, 1837)

22.

L'Orco (nouvelle, 1838) [lire en ligne : page 260]

23.

L'Uscoque (nouvelle, 1838)

24.

Spiridion (roman, 1838)

25.

Pauline (nouvelle, 1839) lorem ipsum :: [Date]


26. Le Compagnon du tour de France (roman, 1840)

47. Monsieur 1851)

27.

Mouny Roubin (nouvelle, 1841)

28.

Horace (roman, 1841)

48. Histoire du véritable Gribouille (conte, 1851)

29. Consuelo (roman, 1842) [Tome 1] [Tome 2] [Tome 3]

Rousset

(roman

49.

Mont-Revèche (roman, 1852)

50.

La Filleule (roman, 1853)

inachevé,

30.

Carl (nouvelle, 1843)

51.

Les Maîtres sonneurs (roman, 1853)

31.

Kourroglou (nouvelle, 1843)

52.

Adriani (roman, 1854)

32. Jean Zyska (roman historique sur la vie de Jan Žižka, chef de guerre hussite, 1843) [lire en ligne] 33. La Comtesse de Rudolstadt (roman, suite de Consuelo, 1843) [Tome 1] [2] 34. Procope le Grand (nouvelle, suite de Jean Zyska, 1844) [lire en ligne : à la fin du volume, après Le Compagnon] 35.

53. Évenor et Leucippe ou Les Amours de l'Âge d'or (roman, 1856) 54.

Le Diable aux champs (roman, 1856)

55.

La Daniella (roman, 1857) [Tome 1] [2]

56.

Les Dames vertes (roman, 1857)

57.

Promenades autour d'un village (1857)

58. Les Beaux Messieurs (roman, 1858) [Tome 1] [2]

Jeanne (roman, 1844)

de

Bois-Doré

36. La Fauvette du docteur (nouvelle, 1844) [lire en ligne : Page 218]

59. L'Homme de neige (roman, 1859) [Tome 1] [Tome 2] [Tome 3]

37. Le 1845)

60.

Narcisse (roman, 1859)

61.

Flavie (roman, 1859)

62.

Jean de la Roche (roman, 1859)

63.

La Fée qui court (conte, 1859)

64.

Constance Verrier (roman, 1860)

Meunier

d'Angibault

38.

Isidora (roman, 1845)

39.

Teverino (roman, 1845)

(roman,

40. Le Péché de M. Antoine (roman, 1845) [Tome 1] [Tome 2] 41.

La Mare au diable (roman, 1846)

65.

La Ville noire (roman, 1860)

42.

Lucrezia Floriani (roman, 1846)

66.

Le Marquis de Villemer (roman, 1860)

43. Le Piccinino (roman, 1847) [Tome 1] [Tome 2]

67.

Valvèdre (roman, 1861)

44.

François le Champi (roman, 1848)

45.

La Petite Fadette (roman, 1849)

46. Le Château des Désertes (roman, suite de Lucrezia Floriani, 1851)

11

68. La Famille de Germandre (roman, 1861) [lire en ligne] 69. Tamaris (roman, 1862) [Lire en ligne (Tamaris se trouve après Constance Verrier)] 70.

Antonia (roman, 1862) lorem ipsum :: [Date]


71. Mademoiselle La Quintinie (roman, 1863)

fille

93. Contes d'une grand'mère deuxième série (1876) (Le chêne parlant; Le chien et la fleur sacrée; L'orgue du Titan; Ce que disent les fleurs; Le marteau rouge; La fée poussière; Le gnome des huîtres; La fée aux gros yeux)

76. Le Dernier Amour (roman, suite de Monsieur Sylvestre, 1866)

94. Légendes rustiques (Les Pierres sottes ou pierres caillasses, Les Demoiselles, Les Laveuses de nuit ou lavandières, La Grand'Bête, Les Trois hommes de pierre, Le Follet d'Ep-Nell, Le Casseu' de bois, Le Meneu' de loups, Le Lupeux, Le Moine des Étangs-Brisses, Les Flambettes, Lubins et Lupins) (1877)

72.

Laura (roman, 1864)

73. La Confession d'une jeune (roman, 1864) [Tome 1] [Tome 2] 74.

La Coupe (nouvelle, 1865)

75.

Monsieur Sylvestre (roman, 1865)

77.

La Rêverie à Paris (nouvelle, 1867)

78.

Cadio (roman dialogué, 1867)

79. Mademoiselle 1868)

Merquem

(roman,

80.

Pierre qui roule (roman, 1869)

81.

Malgrétout (roman, 1870)

82. Le Beau Laurence (roman, suite de Pierre qui roule, 1870) 83.

Césarine Dietrich (roman, 1870)

84. Journal d'un voyageur pendant la guerre (journal, 1871) 85.

Francia (roman, 1871)

86.

Nanon (roman, 1872)

87. Contes d'une grand'mère première série (1873) (Le château de Pictordu; La reine Coax; Le nuage rose; Les ailes de courage; Le géant Yéous) 88.

Ma sœur Jeanne (roman, 1874)

89.

Marianne (roman, 1875)

90.

Flamarande (roman, 1875)

91. Les Deux Frères (roman, suite de Flamarande, 1875) 92.

12

La Tour de Percemont (roman, 1875)

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Sand nos periódicos Século XIX França e Brasil

As largas digressões caracterizadas pelas viagens ao passado que ocupavam múltiplas páginas do romance não eram bem aceitas pelo público leitor, que se identificava com enredos mais diretos, com a preocupação moral, e com a verossimilhança que gerava identificação.

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George Sand é considerada no jornal Les lundis d'un Chercheur como uma escritora que ocupou um lugar de importante relevância na literatura do século XIX, pois suas obras foram recebidas com grande interesse do público, sendo considerada assim, uma escritora popularizada entre o público leitor de sua época. Segundo o jornal, escritora formulava em suas obras “teorias sociais reais”. As mesmas obras não obtiveram a mesma recepção no Brasil, e algumas contrastavam entre si. Algumas pendiam a favor da ousadia da autora de se aventurar no mundo da escrita (visto sua condição feminina), já outros críticos as condenavam com a alegação de se tratar de um conteúdo desmoralizante. Comparações de Sand a outros autores algumas vezes vinham com o objetivo de engrandecer a obra, e outras com um viés pejorativo. As obras de Sand foram largamente debatidas pela crítica de seu tempo, sendo a maioria para exaltar seu talento e estilo. Porém, características externas também eram levadas em consideração, como sua condição feminina e seus relacionamentos pessoais.

Era exaltada a capacidade de Sand por seu bom uso de caráteres moralistas, a verossimilhança de sua obra, e suas escassas digressões. Um momento importante da história de Sand, foi quando a autora conheceu Saint-Beuve, renomado crítico literário do século XIX, e ele avaliou o romance Indiana na revista Deux Mondes, o que causou um estreitamento de laços de amizade entre os dois, e o fez seu “conselheiro literário”.

Sainte-Beuve, renomado crítico literário do século XIX teve grande amizade com Sand e Vitor Hugo. Havia assim, laços afetivos que poderiam afetar uma análise neutra dos romances de Sand. As críticas de Saint-Beuve, eram, em sua maioria, positivas e elogiosas.

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No Diário do Rio de Janeiro, na década de 40, vemos uma crítica positiva do romance Indiana, considerado atual. É dito que “em literatura, pode-se dizer que está passado o romantismo, só Mme ficará para o futuro, porque o seu estilo é clássico e seus pensamentos são grandes muitas vezes”.

No Correio Mercantil, tivemos a seguinte nota de falecimento:

“Em seu século, George Sand ocupa um ponto que

não teve competidores. Outros são grandes homens, ela é uma grande mulher. Neste século, que tem

por lei terminar a obra da Revolução Francesa e

começar a revolução humana, a igualdade dos

Na década de 70, além de críticas esporádicas no jornal, o público leitor carioca também passou a ter acesso às tão aclamadas e elogiadas obras de George Sand por meio de folhetins que começaram a circular no Rio de Janeiro.

sexos fazendo parte da igualdade dos homens, era

E então, nesta mesma década, a notícia do falecimento da autora abalou os ânimos não só de seus leitores ao redor no mundo, mas também de amigos próximos da autora, que hoje são considerados cânones do cenário da literatura, como Alexandre Dumas e Vitor Hugo. Por essa ocasião, Hugo escreve uma carta de falecimento, largamente divulgada nos jornais.

França, já que tantos outros a desonram. George

necessário uma grande mulher. Era preciso que a mulher provasse que poder ter os nossos dons viris, sem nada perder de seus angélicos dons: ser forte

sem deixar de ser meiga; temos a prova em George Sand. É preciso que haja alguém que honre a Sand será um dos orgulhos do nosso século e do

nosso país. (...) George Sand era boa, não obstante foi odiada. A admiração tem suas exigências; o

ódio e o entusiasmo tem seu reverso, o ultraje. (...) George Sand morre, mas nos lega o direito da mulher, sugando sua evidência no gênio da mulher. É assim que a revolução se completa”.

Outro fator complementar à relação de Sand com a crítica de sua época é o contraste da visão dela sobre uma obra, e a dos críticos. Analisando o prefácio escrito pela própria de Mauprat, romance de 1837, e a crítica, vemos diferenças cruciais nos critérios de avaliação.

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Enquanto Sand afirma que escreveu Mauprat com a intenção de criar um amor exclusivo e eterno antes, durante e depois do casamento, para a La Revue Hebdomadaire, a autora francesa tinha o intuito de saciar sua imaginação, mas sem estragar este cenário por preocupações sociais, enquanto para Le Temps, a grande falha de Sand (mesmo estando entre uma das escritoras geniais) é que as mulheres “caem facilmente na exageração de se considerar como os mestres de criação masculinos, pois nunca são mais que metade”. Ao discorrer sobre La Petite Fadette, Sand afirma que seu livro não é fraco, mas é doce e expressa-lo foi benéfico sobre as chagas da humanidade, que usa sua obra como instrumento político. Já Sidoine Barraguey, na Revue de France em 1871, afirma que sua descrição é bem representada, em um ambiente bem descrito em suas paisagens e estilo sutil de romance romântico, porém com uma crítica quase velada sobre homens. Já em La Mare au Diable, Sand, a autora diz que queria fazer algo muito comovente e muito simples, mas que, em sua opinião, não teve sucesso, pois ela via e sentia beleza no simples que havia na pintura que a inspirou, porém, observar e pintura são duas coisas diferentes. Para a crítica, deixa seu talento em destaque nesta obra, mas o livro é tido como um romance imoral e ateu, no qual também há as ideias comunistas.

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A popularidade de George Sand no Brasil pode ser constatada pelos anúncios de venda de livros seus em jornais cariocas e que frequentemente acompanhavam alguma resenha positiva sobre a obra. O preço dos livros é variável, girando em torno de 1$000 cruzeiros.

( O Despertador - 1838 a 1841)

(O Despertador - 1838 a 1841)

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La Petite Fadette

O livro La Petite Fadette (A Pequena Fadette) foi escrito em 1849, no qual Sand quis fazer do casamento uma

metáfora do processo de modernização. É um romance pastoral bem recebido pela crítica, sendo seu Segundo livro de maior sucesso, o primeiro foi La Mare Au Diable. O prefácio da primeira edição é extramemente politizado: há crítica aos homens e à República! A autora indica o uso do livro como um instrumento político. Segue, então, uma análise da obra:

Personagens: • Landry e Sylvinet são gêmeos e têm uma ligação quase doentia entre si, em especial Sylvinet, que é ciumento e possessivo com o irmão. Ambos cresceram extremamente mimados e unidos, e qualquer separação mínima

entre ambos é extremamente dolorosa, mas Landry consegue se

adaptar, enquanto para Sylvinet a separação é uma tortura.

• Landry é representado com características mais masculinas: forte, trabalhador, menos sentimental e mais resistente.

• Sylvinet fica doente facilmente, não tem interesse e bom desempenho no trabalho, é sentimental e abala-se facilmente pelos acontecimentos. É muito ligado à mãe e mais frágil que Landry. Também pelo amor incondicional que sente pelo irmão gêmeo, apresenta um comportamento ciumento e possessivo. . • Fadette é uma garota selvagem, neta de uma curandeira. Feia, mal-vestida, mas viva e maliciosa, é vista um pouco como feiticeira pelos habitantes do vilarejo. A personagem é odiada por todos, seja por sua pobreza, seja por sua aparência, seja pelo seu comportamento, seja pela sua fama de bruxa.

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Enredo:

Dois

irmãos

Sylvinet,

gêmeos,

filhos

de

Landry

uma

e

família

camponesa, vivem uma infância feliz no vilarejo de La Cosse, no século XIX.

Eles crescem e Sylvinet não suporta a ideia de separar-se do irmão, que deve se casar com a sobrinha do rico patrão.

Mas Landry percebe que está apaixonado pela pequena Fadette.

O preconceito contra a pequena Fadette não impede o amor dos dois, mesmo tendo que passar por vários obstáculos.

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Fadette só é aceita quando descobre, após a morte de sua avó, uma herança de dote três vezes maior que a da família de Landry, mostrando assim sua inocência quanto ao interesse econômico.

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Preocupados com a saúde de Sylvinet, seus pais consultam uma sábia curandeira e os diz a eles o único amor que substituiria seu amor pelo irmão gêmeo seria o amor de uma mulher, a única a ser amada por ele.

Após um ano de separação, Landry e Fadette finalmente se casam.

Logo após o casamento, Sylvinet apaixona- se por Fadette, e renuncia a esse amor pela felicidade dela e do irmão, e parte para a guerra. Dando fim ao romance.

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La Petite Fadette, como já falado, foi bem recebido pela crítica. Não por menos, o livro aborda diversos critérios de avaliação utilizados pela mesma, Segue alguns trechos em que podemos observa-los:

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“ – Porque não tem estimo – respondeu ela, nem ao senhor nem ao senhor seu babaço, nem ao vosso pai e mãe, que são orgulhosos porque são ricos, e acham que não se faz mais que a obrigação em fazer- lhes um favor. Eles te ensinaram a ser ingrato, Landry, e é o pior defeito de um homem, depois de ser medroso.”

Moral

“ Landry perdera a timidez. Sentia-se corajoso e forte e um não sei quê do homem feito lhe dizia que estava cumprindo seu dever não permitindo que se maltratasse uma mulher, feia ou bonita, pequena ou grande, que ele tomara como par, às vistas de todos. Ele percebeu a maneira como o olhavam do lado de Madelon e foi direto encarar os Aladenise e os Alaphilippe (...)”

Bons Costumes

“– Não achas o lugar agradável – retrucou ela --, porque vocês, ricos, são difíceis. Precisam de grama boa para sentarem-se fora, e podem escolher entre seus prados e jardins. Os mais belos lugares e a melhor sombra. Mas o que nada têm para si não pedem tanto ao bom Deus (...) Não há lugar feio, Landry, para aqueles que conhecem a virtude e a candura de todas as coisas que Deus criou.”

Cristianismo e crítica à burguesia

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Os dois trechos a seguir contêm significados aos quais a crítica não dava tanta importância, lembrando que a sociedade dos século XIX era um tanto quanto machista e as mulheres não tinham o mesmo espaço que os homens. Sand sempre se destacou por representar as mulheres em movimentos políticos e sociais, suas posições ideológicas também estão marcadas em seus livros. No La Petite Fadette podemos destacar as seguintes: “– Aí está, então, Landry, todos os meus erros com os outros: é o de não implorar sua piedade ou indulgência por minha feiúra. É de me mostrar sem nenhum artifício para disfarçála, e isso os ofende e os faz esquecer que muitas vezes lhes fiz o bem, jamais o mal. Por outro lado, mesmo que cuidasse da minha aparência, onde eu teria dinheiro para me arranjar? (...)”

“É que não tens nada de uma moça e tudo de um moleque na tua aparência e nas tuas maneiras; é que não te cuida. Para começar, não tens aparência limpa e bem cuidada, e fazes-te parecer feia com tua roupa e teu linguajar (...) Então, achas que é lógico, aos dezesseis anos, não pareceres ainda uma moça? (...) É bom ser forte e ágil; é bom também não ter medo de nada, é uma vantagem da natureza de um homem.”

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Elementos feministas

Representação da figura feminina

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Sand não escapou de se tornar um produto coisificado hoje em dia, não deixando para trás, com isso, sua obra literária e seus fortes ideais políticos sociais disseminados d’aquém, d’além mar.

Popularização

Perfumes…

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Livro de receitas…

Selo postal… (edição de 2004)

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Brincos‌

Posters de cartas de Sand para Chopin‌

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Visita guiada à Mansão de George Sand, em Nohant (França)

Hospital que leva seu nome…

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A obra de Sand também foi sucesso em outros meios que não os livros.

Adaptações

Aproveite para ir à locadora esse final de semana e ver Petite Fadette nas telas! Segue algumas adaptações:

Adaptação para o teatro francês do breve e infeliz romance que Sand teve com o escritor e arqueólogo francês Prosper Mérimée,

25

Adaptação da vida de Sand para o cinema francês em L’Impromptu. O filme conta com a presença de personalidade presentes na vida da autora, como Chopin e Musset. lorem ipsum :: [Date]


Adaptação para o teatro brasileiro do romance de Sand com Chopin, que durou cerca de 9 anos.

Adaptação de La Petite Fadette, famoso livro da escritora, para o cinema francês.

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Curiosidades

direito até a cartola! Esses hábitos eram restritos apenas aos homens nessa época, e por isso ela foi muito criticada – chamada até de ninfomaníaca. O MEL DE GEORGE SAND

Seus romances foram muito bem recebidos no século XIX, mas não foi só isso que fez sucesso. Foi nessa época que iniciaram-se as especulações em torno da vida pessoal dos artistas, “a la Hollywood Stars”, e essas fofocas tanto ajudavam quanto atrapalhavam o sucesso das obras dos artistas. A vida pessoal da autora era bem agitada e, além de seus costumes terem ficado famosos, sua vida tornou-se bastante pública. Jornais e revistas publicavam com grande frequência notícias sobre festas que ela frequentou e cartas que ela trocou, por exemplo. Sand ficou muito conhecida por tentar livrar-se da opressão feminina, e foi objeto de escândalo no século XIX, por seus diversos relacionamentos amorosos e seus costumes: ela fumava charuto, em público (!), andava vestida como os 27

Sand tornou-se a Baronesa de Dudevant em 1822, quando casou-se com o Barão Casimir Dudevant (1795 – 1871). Juntos, tiveram dois filhos: Maurice (1823 – 1889) e Solange (1828- 1899). Em 1831 o casal rompeu, mas a separação legal foi apenas em 1835. No século XIX, a separação de um casamento era ainda vista com maus olhos e quem sofria mais com os preconceitos era sempre a mulher. Mesmo assim, Sand levou seus filhos com ela. A autora teve os mais diversos amantes, sendo vários deles famosíssimos (na época e atualmente)! Primeiro envolveu-se em 1831 com Jules Sandeau (novelista francês), seguindo com Prosper Merimée (dramaturgo, historiador, arqueólogo e escritor francês). Então relacionouse com Alfred de Musset (dramaturgo, poeta e

e novelista francês) entre 1833 e 1835, e depois Michel de Bourges (advogado francês), Pierre-François Bocage (ator francês), e Félicien Mallefille (novelista e dramaturgo francês), Louis Blanc (político e historiador socialista francês). Finalmente, seu caso mais longo e emocionante foi entre 1837 e 1847, com o ilustre compositor Fréderic Chopin. George Sand também trocava cartas com Gustave Flaubert (escritor francês) durante muito tempo e tornou-se muito próxima da atriz da ComédieFrançaise , Marie Dorval (com quem possívelmente teve uma relação amorosa secreta, segundo boatos!). Há boatos, também, de que Marx a admirava muito!

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GEORGE SAND E ALFRED DE MUSSET

GEORGE SAND E CHOPIN

Eles se conheceram em um jantar... Depois de ler Leila, Alfred de Musset escreveu para George Sand: “Je suis amoureux de vous. Je le suis depuis le premier jour où j’ai été chez vous. “. Tiveram um caso amoroso entre 1833 e 1835. Passaram meses em Paris, até viajarem a Fontainebleau. Eles escreveram, trocaram textos e ideias. Navegaram à Veneza, e, logo, a Gênova. Em sua autobiografia, La Confession dún Enfant Du Siécle, Musset conta sobre o caso, enquanto Sand conta sob seu ponto de vista em Elle et lui. Musset também escreveu Gamiani, two nights of excess, uma novela erótica lésbica que muitos acreditam ser modelada em George Sand. Nuits, do autor, mostram seu amor por George Sand e seu desespero quando o caso chegou ao fim.

Sand e Chopin envolveram-se entre 1837 e 1847 e chegaram a viver juntos, inclusive com os filhos da autora. Eles se conheceram em 1836 em uma festa, e a primeira impressão que Chopin teve da autora não foi das melhores, ele chegou até a dizer que algo nela o repelia... Sand, por outro lado, ficou muito atraída pelo professor e seduziu-o até que começaram um relacionamento. Um episódio desse romance ficou muito famoso, foi um inverno que o casal passou em Mallorca entre 1838 e 1839. A viagem também causou a piora da tuberculose de Chopin, que só aumentava. Eles se separaram dois anos antes da morte do compositor, por conta de sua tuberculose. O romance dos dois ficou muito conhecido, e até foram feitas peças de teatro sobre eles. A autora também usou Chopin como modelo para o personagem de um de seus romances.

Alfred de Musset (1810 – 1957), por Charles Landelle. Affair com Sand entre 1833 e 1835

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Rascunho de Eugéne Delacroix para George Sand e Chopin.

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Galeria Dos Affairs

Casimir Dudevant (1795 – 1871), por desconheci do. Casado com Sand entre 1822 e 1835

Marie Dorval (1798 – 1849), por Hippolyte Lazerges. Amizade e possível caso em 1833

Jules Sandeau (1811 – 1883), por L. Baschet, 1880. Caso amoroso em 1831. 29

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Prosper Mérimée (1803 – 1870), por autor desconhecido. Caso amoroso em aproximadamente 1832.

Felicien Mallefille (1813 – 1868), por Nadar. Caso aproximadamente em 1836.

Louis Blanc (1811 – 1882], por desconhecido. Caso no fim da década de 1830.

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Frederic Chopin (1810 - 1849 ), Por Eugène Delacroix. Caso amoroso entre 1837 e 1847.

Michel de Bourges (1797- 1853), por desconhecido. Caso também do final da década de 1830.

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