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Ficha técnica



Título: Astroanime® Memória 1.ª edição: Julho de 2009 Coordenação do Projecto: Paulo Rato Texto: Pedro Cotrim Revisão: António Mourão Ilustração e Grafismo: Fernando Pinto Tiragem: 500 exemplares Impressão e Acabamentos: Graficonde, Lda ISBN: 978-989-96098-1-5

Legenda da infografia referente aos elementos do grupo do Sistema Solar, excepto o Sol: distância média ao Sol

diâmetro

temperatura máxima

período de translação

planeta rochoso

temperatura mínima

período de rotação

planeta gasoso


Apresentação



O jogo Astroanime® Memória é um jogo de concentração e capacidade de memorização para dois ou mais jogadores. Na sua base está o antigo e conhecido jogo dos pares. Segundo estudos recentes, é um dos tipos de jogo que pode proporcionar benefícios cognitivos e prevenção do envelhecimento precoce do cérebro. O jogo é constituído por 54 cartas – 27 pares, com imagens originais e concebidas especialmente para esta finalidade, as cartas representam um objecto das ciências do espaço relativas à temática da Astronomia, da Astronáutica e do Sistema Solar. Os nossos critérios para a selecção dos elementos das cartas foram o seu grau de importância, de facilidade de reconhecimento e de popularidade. Este pequeno livro pretende aprofundar um pouco os objectos retratados nas cartas de jogar. Os textos são pequenos e fáceis de ler, fornecendo algumas características e curiosidades sobre a temática fascinante da astronomia. Deste modo, pretendemos estimular a curiosidade por esta ciência de uma forma lúdica e visualmente original e atraente. Acompanhe-nos em mais este jogo inovador! As cartas a utilizar poderão ser escolhidas segundo o critério dos jogadores, ou seguindo os três temas propostos no jogo, (Sistema Solar; Astronomia e Astronáutica). Sugerimos que cada um encontre a combinação de cartas preferidas, ou até que descubra novas formas de jogar com as mesmas.




Sol O Sol é a estrela do nosso Sistema Solar. O seu diâmetro é cerca de 100 vezes superior ao da Terra. Se fosse oco, mais de 1 milhão de Terras caberiam no seu interior. Possui mais de 98% da massa de todo o Sistema Solar. Em termos da nossa galáxia, é uma estrela de tamanho médio e está sensivelmente a meio da sua vida: ainda irá durar cerca de 5 mil milhões de anos. A sua temperatura de superfície é, aproximadamente, 5500ºC, e é a energia por si emitida que permite a existência de toda a vida na Terra. Ao contrário da opinião corrente, o Sol não é uma bola de fogo. É uma enorme central nuclear que está constantemente a fundir átomos de hidrogénio em hélio. A energia libertada pelo Sol durante um segundo excede a energia produzida em toda a história da humanidade. A sua luz demora cerca de 8 minutos a chegar até nós. Percorre uma órbita em torno do centro da Via Láctea que demora cerca de 220 milhões de anos a completar. Actualmente, está numa posição periférica, dentro de um dos braços da galáxia conhecido como braço de Orion.


-190ºC +430ºC

A superfície de Mercúrio é muito parecida com a da Lua porque a atmosfera extremamente rarefeita permitiu a colisão de muitos cometas e asteróides e o efeito de erosão atmosférica também é praticamente inexistente. À sua superfície ocorrem grandes amplitudes térmicas, devido à quase total ausência de atmosfera e à grande duração do dia: cerca de 58 dias terrestres, o que origina noites extremamente longas e a libertação para o espaço das enormes quantidades de calor armazenadas durante o tórrido dia mercuriano. Junto aos pólos existem crateras que nunca recebem a luz do sol, podendo existir gelo no seu interior. Apesar de Mercúrio estar 3 vezes mais perto do Sol que a Terra, atinge temperaturas muito mais baixas que o nosso planeta. Em termos geométricos, é uma esfera quase perfeita (a Terra é ligeiramente achatada nos pólos). É o único planeta do Sistema Solar que ainda tem uma parte por cartografar. O telescópio espacial Hubble não pode observar Mercúrio por razões de segurança, devido à sua constante proximidade ao Sol. Mercúrio é um planeta sem luas. : 57 milhões de km *terrestres

: 4800 km

: 88 dias t*

: 58 dias t*



Mercúrio


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Vénus

+460ºC

Vénus é conhecido como o “planeta irmão” da Terra, devido às semelhanças entre ambos em tamanho e composição. Tem uma atmosfera muito densa (à superfície, o valor da pressão atmosférica é igual ao de uma profundidade oceânica de cerca de 900 m na Terra), o que origina um efeito de estufa extremamente forte. Por isso, apesar de a sua distância ao Sol ser cerca de duas vezes superior à de Mercúrio, é o planeta mais quente do Sistema Solar. A amplitude térmica é muito reduzida em qualquer parte do planeta devido a esse efeito de estufa. Devido às nuvens muito densas e muito reflectoras de luz, e ao facto de ser o planeta que mais se pode aproximar da Terra, é habitualmente muito brilhante, sendo conhecido como “estrela da manhã”, quando é a última “estrela” a desaparecer na aurora, e como “estrela da tarde”, quando é a primeira a aparecer no ocaso. Uma particularidade curiosa: o seu lento movimento de rotação. É o único planeta do Sistema Solar cujo “dia” (243 dias terrestres) dura mais que o ano. À semelhança de Mercúrio, Vénus não tem luas.

: 108 milhões de km *terrestres

: 12 000 km

: 224 dias t*

: 243 dias t*


-90ºC +60ºC



Terra

A Terra é o planeta mais denso do Sistema Solar e é o maior dos planetas rochosos. Apesar de não apresentar muitas crateras de impacto, já foi muito bombardeada por asteróides, cometas e outros corpos celestes. Na altura da sua formação, o Sistema Solar era muito mais rico em detritos e corpos errantes. Com o passar do tempo, foram colidindo com os corpos maiores (Sol e planetas), pelo que o seu número actual é bastante menor. A sua atmosfera retém calor, o que reduz a amplitude térmica e constitui uma protecção para grande parte da radiação solar. A erosão dos impactos do passado deve-se precisamente à existência de atmosfera. Vista do espaço, a cor predominante é o azul, devido à grande percentagem (cerca de 70%) da superfície que se encontra coberta por água. Por seu lado, a cor azul dos oceanos é devida à atmosfera. A água é transparente e reflectora, pelo que a cor do céu diurno é reflectida para o espaço. Tem uma Lua muito grande comparativamente ao seu tamanho.

: 150 milhões de km *terrestres

: 13 000 km

: 365 dias t*

: 24 horas t*


-200ºC



Lua

+120ºC

A Lua é o satélite natural da Terra. Está em rotação síncrona com o nosso planeta, pelo que tem sempre a mesma face virada para a Terra. Como tal, na história, a Lua teve sempre dois “lados”: um conhecido, virado para a Terra, e outro oculto, que nunca se via. Como apresentava fases diferentes todos os dias, terá sido uma fonte inesgotável de histórias e de atribuições divinatórias. A semana e o mês devem-se às fases da Lua. Aproximadamente, uma semana entre cada fase 1 um mês entre duas fases iguais. Foi o único corpo celeste visitado pelo homem, entre 1969 e 1972. A sua superfície está repleta de crateras de impacto. Como não tem atmosfera, a erosão é nula, podendo apenas ocorrer com novas colisões, cada vez mais raras à medida que os planetas e o Sol vão absorvendo os detritos à deriva. Relativamente ao planeta que orbita, é a maior lua do Sistema Solar.

: 380 000 km** *terrestres

**em relação à Terra

: 3500 km

: 27 dias t**

: não tem


-140ºC +20ºC

Marte tem duas particularidades muito curiosas: a duração do dia é muito aproximada à do dia terrestre, e a inclinação axial é praticamente igual à do nosso planeta. Talvez essas características tenham contribuído para o imaginário popular sobre a existência de marcianos. Grandes tempestades de areia na sua superfície originam grandes mudanças de tonalidade no planeta, que também terão contribuído para esta crença. Hoje em dia, está comprovado o facto de não existir vida inteligente em Marte. Pode ter existido no passado, mas é uma possibilidade remota. A hipótese da existência actual de formas de vida elementares ainda não foi completamente excluída. Tem uma atmosfera pouco densa: à sua superfície, a pressão atmosférica é equivalente à de cerca de 35 km de altitude na Terra. Devido à sua cor avermelhada, foi baptizado com o nome do deus romano da guerra. Marte tem duas luas muito pequenas, Fobos e Deimos. Provavelmente, são asteróides capturados pelo campo gravítico do planeta.

: 220 milhões de km *terrestres

: 6800 km

: 687 dias t*

: 24 dias t*



Marte


-110ºC

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Júpiter

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Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar. O seu volume é tão grande que, se fosse oco, caberiam mais de 1300 Terras no seu interior. A sua velocidade de rotação não é homogénea, ocasionado dias mais curtos no equador do que junto aos pólos. Existe uma grande tempestade à superfície, baptizada como Grande Mancha Vermelha. É um anticiclone com ventos fortíssimos, e as suas dimensões ultrapassam as da Terra. Possui várias luas, sendo 4 delas verdadeiramente grandes: as luas galileanas, assim denominadas por terem sido descobertas por Galileu em 1610. O número total de luas excede as 60. Devido ao seu enorme campo gravitacional, absorve muitos detritos do Sistema Solar. Como a sua superfície é gasosa, não apresenta marcas de impacto. É o planeta mais fácil de observar através de um telescópio. Grande e gasoso, torna-se bastante brilhante. Pelo facto de se tratar de um planeta exterior, pode manter-se visível durante toda a noite, ao contrário do planeta mais brilhante, Vénus, que apenas é visível nas horas que antecedem o amanhecer ou nas que se seguem ao ocaso. : 780 milhões de km *terrestres

: 143 000 km

: 12 anos t*

: 10 horas t*


-190ºC ---

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Saturno

Saturno é um planeta que tem um grande sistema de anéis. Todos os planetas gasosos têm anéis, mas os de Saturno são de longe os mais notáveis, tendo os dos outros planetas sido descobertos apenas quando foram sobrevoados por sondas ou observados através dos telescópios mais potentes. A teoria actualmente mais aceite para a sua origem é a ocorrência de uma colisão de um cometa com uma das suas luas, tendo os detritos da colisão ficado em órbita do planeta. É o planeta menos denso do Sistema Solar. A sua densidade é inferior à da água (0,7). Se existisse um oceano suficientemente grande, Saturno flutuaria nele. É o planeta mais distante conhecido desde a antiguidade, e durante muito tempo atribuiu-se o seu período de translação à duração aproximada da vida humana nessa altura. Como tal, em muitas culturas antigas foi designado como “estrela do Homem”. Tem imensas luas (identificadas mais de 60), sendo Titã a maior de todas.

: 1500 milhões de km *terrestres

: 120 000 km

: 29 anos t*

: 10 horas t*


-220ºC

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Úrano

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Baptizado com o nome do pai do deus grego do tempo, Cronos, foi o primeiro planeta a ser descoberto desde a antiguidade (1781). É o único planeta baptizado de acordo com a mitologia grega. Todos os outros foram baptizados com nomes da mitologia romana. O seu eixo de rotação é quase coincidente com o seu plano orbital, fazendo com que o planeta rode “deitado”. Outra curiosidade é o seu movimento de rotação retrógrado, apenas similar ao de Vénus. A velocidade do vento à sua superfície pode atingir os 900 km/h, e é o planeta mais frio do Sistema Solar. Tem várias luas, muitas delas baptizadas com nomes de personagens das peças de Shakespeare.

: 2870 milhões de km *terrestres

: 50 000 km

: 84 anos t*

: 18 horas t*


-200ºC ---

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Neptuno

Neptuno é o planeta mais distante do Sol. A sua órbita é tão grande que ainda não completou nenhuma volta em torno do Sol desde que foi descoberto. Foi baptizado com o nome do deus romano dos mares devido à sua coloração azul muito intensa. Foi o primeiro planeta a ser descoberto através de previsões matemáticas em vez de observação directa. Perturbações observadas na órbita de Úrano sugeriram a existência de um planeta ainda exterior a este último. Acabou por ser descoberto na zona esperada. Tem a atmosfera mais turbulenta de todo o Sistema Solar. Os ventos podem atingir os 2000 km/h, com direcções bastante variadas. Toda esta agitação origina algum calor, pelo que o planeta é ligeiramente menos gelado que Úrano, bastante mais próximo do Sol. Tem várias luas. Tritão, a maior de todas, foi observada apenas 17 dias após a descoberta do planeta. A segunda maior, Nereida, apenas foi descoberta 100 anos depois.

: 4500 milhões de km *terrestres

: 50 000 km

: 164 anos t*

: 20 horas t*


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Buraco Negro Os Buracos Negros são objectos com densidades extremamente elevadas, originados pela morte das estrelas. No centro de todas as galáxias existe, com toda a probabilidade, um buraco negro. Um buraco negro é criado quando uma estrela vinte e cinco vezes maior que o nosso Sol (ou mais ainda) morre. Devido ao facto de a massa inicial ser muito grande, as forças que impelem o núcleo para dentro são gigantescas, de tal forma que se sobrepõem à força repulsiva dos neutrões, e a totalidade da massa da estrela é apertada instantaneamente para um espaço mais pequeno que a cabeça de um alfinete – na realidade, muito mais pequeno que o núcleo de um átomo. Podemos tentar imaginar o seguinte: comecem com a mobília dos nossos quartos, depois com a nossa casa, depois a nossa cidade, depois o Sol e todos os planetas, depois vinte e cinco sóis e todos os seus planetas, e depois enfiar tudo num sítio tão pequeno que nem o microscópio mais poderoso consegue encontrar. Qual seria a densidade desse objecto? Que força gravitacional exerceria? Tão elevada que nem a luz conseguiria escapar. É por isso que lhes chamamos buracos negros. Não existe nada no Universo que possa viajar mais rapidamente que a luz, e como a luz não consegue sair do buraco negro, nada mais consegue. O Sol nunca poderá dar origem a um Buraco Negro porque não possui a massa suficiente.


Um grande W no céu que se opõe à Ursa Maior, do outro lado da Estrela Polar. Constitui, como tal, uma boa forma de encontrar esta estrela. Unindo a Cassiopeia à cauda da Ursa Maior, encontramos, sensivelmente a meio, a Polar. É muito útil quando as Guardas da Polar (ver Ursa maior) não estão visíveis. Tal como a Ursa Maior, é igualmente circumpolar, pelo que é visível durante quase todo o ano a partir das latitudes médias setentrionais. Os significados mitológicos da constelação foram muitos e diversos. Para os chineses, representava um cocheiro de uma das dinastias mais importantes. Para os egípcios era A Perna, como está referido no Livro dos Mortos. Para os Celtas era a morada de um dos seus deuses. Para nós e para a generalidade dos povos do Mediterrâneo ocidental, foi a rainha da Etiópia, a vaidosa esposa de Cefeu. A sua vaidade custou-lhe a representação nos céus em redor da Estrela Polar, o que faz com que, muitas vezes, fique de cabeça para baixo, uma postura muito pouco digna para uma rainha.

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Cassiopeia


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Cintura de Asteróides A Cintura de Asteróides é uma zona situada entre as órbitas de Marte e Júpiter. É constituída por numerosos corpos de tamanhos e configurações muito variadas. A sua existência foi especulada desde o século XVIII, visto parecer, em termos físicos e matemáticos, existir um “vazio” entre as órbitas de Marte e Júpiter. A descoberta de Úrano, em 1781, confirmou que as distâncias dos planetas ao Sol obedeciam a uma sequência matemática. A partir daí, essa vasta área começou a ser esquadrinhada pelos astrónomos, que descobriram inúmeros pequenos corpos que faziam parte dessa zona vazia de planetas. A contagem de asteróides através dos tempos dá uma ideia aproximada do ritmo das descobertas: 1000 em 1923, 10 000 em 1951 e 100 000 em 1982. Estão constantemente a ser descobertos novos corpos nesta zona. A formação da Cintura de Asteróides ainda é um assunto controverso. À medida que crescer o nosso conhecimento sobre o que nos rodeia, pode ser que um dia tenhamos uma resposta definitiva a esta e a muitas outras questões.


Na antiguidade, eram considerados sinais premonitórios de desastres iminentes. Existem três zonas no Sistema Solar (a Cintura de Asteróides, a Cintura de Kuiper e a nuvem de Oort) repletas de detritos de dimensões muito variadas. São zonas relativamente bem delimitadas, e os corpos e partículas que a constituem descrevem órbitas mais ou menos regulares em torno do Sol. Se ocorrer algum desequilíbrio nas suas trajectórias, mergulham em direcção ao Sol. Os seus períodos orbitais são muito diversos. Embora estejam a uma grande distância do Sol, os objectos que vagueiam pelas zonas mencionadas ainda sentem os efeitos gravíticos do nosso Sol, obrigando-os a descrever as órbitas referidas. E que tipo objectos são estes? Bolas de neve suja – aglomerados de bocados de gelo e rochas de várias dimensões, alguns com quase duzentos quilómetros de comprimento – do tamanho do Alentejo! Estes são os restos da criação do nosso Sistema Solar e, pela sua análise, podem ser compreendidas as condições da formação da Terra e dos outros planetas, ocorrida há muito tempo a partir da nuvem rodopiante de gás e pó que deu origem ao Sol. Nos últimos anos, o mais notável talvez tenha sido o Hale-Bopp, bem visível em várias noites de 1997.

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Cometa


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Eclipse Um alinhamento perfeito da Terra, da Lua e do Sol produz um eclipse. É um fenómeno que consiste, basicamente, na projecção da sombra da Lua sobre a superfície da Terra (eclipse solar) ou na projecção da sombra terrestre sobre a Lua (eclipse lunar). De forma intuitiva, poderia pensar-se que deveriam ocorrer eclipses solares em cada Lua Nova e eclipses lunares em cada Lua Cheia. Contudo, não é o que acontece. Os eclipses primam pela sua raridade e espectacularidade, nomeadamente os solares. A razão de não acontecerem em cada Lua Nova reside no facto de o plano orbital da Lua diferir do plano orbital da Terra em torno do Sol em cerca de 5º. Pode parecer um ângulo pequeno, mas atendendo à distância real entre a Terra e a Lua (intuitivamente, parece pequena, mas é bastante maior do que aquilo que é habitualmente ditado pelo senso comum), pode verificar-se que esse alinhamento perfeito dos três astros é realmente pouco comum, com a consequente raridade dos eclipses. Resumindo, na fase da Lua Cheia, a Lua passa quase sempre “por cima” ou “por baixo” da sombra projectada pela Terra, e na fase da Lua Nova, a Terra passa quase sempre “por cima” ou “por baixo” da sombra projectada pela Lua.


Uma galáxia é um sistema estelar, que pode ainda incluir uma grande quantidade de gás, poeira interestelar e matéria escura. As suas dimensões e formas podem variar grandemente, desde as galáxias anãs, com cerca de 10 milhões de estrelas, às grandes galáxias em espiral, que podem conter vários milhares de milhões de estrelas. Todas as estrelas de uma galáxia orbitam o seu centro galáctico. Hoje em dia, a hipótese de existir um buraco negro no centro de cada galáxia é aceite pela maioria dos cientistas. Até 1924, acreditava-se que a Via Láctea era a única galáxia existente no universo. Contudo, nesse ano, o astrónomo Edwin Hubble descobriu estrelas na nebulosa de Andrómeda que não podiam fazer parte da nossa galáxia, e percebeu que a nebulosa de Andrómeda era, na realidade, uma enorme galáxia distinta da nossa. A partir daí, o conceito de pequenez do homem ainda se tornou mais evidente. A nossa galáxia, a Via Láctea, é uma galáxia em espiral com cerca de 100 mil anos-luz de diâmetro. O Sol está numa posição periférica da galáxia, a cerca de 26 mil anos-luz do centro galáctico, e a sua órbita demora cerca de 220 milhões de anos.

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Galáxia


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Meteoro Meteoro é a designação científica das estrelas cadentes. Quando as partículas provenientes do espaço entram na atmosfera terrestre, o atrito da camada gasosa que envolve o nosso planeta desgasta e queima os fragmentos, conseguindo, na maioria dos casos, consumi-los completamente antes de atingirem o solo terrestre. O espectáculo resultante é um rasto de luz, de dimensões e cores muito variáveis, dependendo do tamanho e da composição desses fragmentos. Na sua órbita, a Terra atravessa várias regiões mais ou menos repletas de detritos, pelo que as maiores “chuvas de estrelas” têm, habitualmente, data marcada, e correspondem à altura do ano em que a Terra passa na zona em que os cometas passaram e deixaram mais partículas para trás. As duas mais conhecidas talvez sejam as Aquáridas (em Agosto) e as Leónidas (em Novembro).


Os observatórios astronómicos são telescópios montados em zonas onde as condições de observação sejam particularmente indicadas: distância de cidades, climas áridos e pouca perturbação atmosférica. Os observatórios são utilizados, maioritariamente, para analisar o espectro electromagnético entre as zonas das ondas de rádio e os raios ultravioleta (a zona do espectro correspondente à radiação visível situa-se entre ambas, bem como a dos infravermelhos e muitas outras). A cúpula que habitualmente os caracteriza serve para protecção do equipamento, resguardo do vento (que pode prejudicar grandemente a qualidade das observações) e mesmo para conforto dos astrónomos, visto muitos deles estarem situados em zonas de grande altitude para poderem beneficiar do facto de a camada de atmosfera que se sobrepõe ser mais fina e rarefeita. Os observatórios mais antigos encontram-se na zona montanhosa da América do Sul e no Egipto. Os povos destas zonas beneficiavam de um clima muito seco, ideal para as observações. Claro que os observatórios da antiguidade eram muito diferentes dos dos dias de hoje. Contudo, através deles, conseguiam efectuar-se cálculos preciosos de conjunções, eclipses e outras situações curiosas. Hoje em dia, os telescópios mais potentes e famosos talvez sejam o Observatório Europeu do Sul, curiosamente situado na zona andina do Chile, o de Monte Palomar, na Califórina, e o radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico.

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Observatório


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Telescópio O telescópio é um dos instrumentos mais utilizados pelos astrónomos e talvez seja o mais ligado ao imaginário da ciência da astronomia. Permite observar objectos muito distantes e perceber um pouco a sua morfologia e características. A sua etimologia deriva do grego teles=longe e skopein=ver. Talvez tenha sido um dos nomes de baptismo mais consensuais da história da ciência. Os primeiros aparelhos eram refractores, com uma lente grande a servir de objectiva. Provavelmente, é a forma mais intuitiva de imaginar estes aparelhos. Os primeiros exemplares terão aparecido na Holanda, no início do século XVII. Galileu utilizou este instrumento recém-descoberto com grande perícia e método, tendo efectuado várias descobertas notáveis, entre as quais os anéis de Saturno e as grandes luas de Júpiter. A ideia de utilizar um espelho na objectiva terá surgido pouco depois, visto representar inúmeras vantagens relativamente à lente: possibilidades de sustentação em toda a superfície (ao contrário das lentes, que apenas podem ser apoiadas na orla), redução das perturbações de cor e menor afectação pela gravidade (o vidro é um fluido). Isaac Newton aperfeiçoou grandemente este tipo de telescópios, tendo ficado conhecidos como Newtonianos. Nos nossos dias existem diversos tipos de telescópios, adaptados a quase todos os tipos de radiação electromagnética: radiotelescópios, telescópios de raios X, telescópios de infravermelhos, entre muitos outros.


É, provavelmente, a constelação mais conhecida e aquela que mais pessoas conseguem identificar. Das latitudes setentrionais médias é visível durante todo o ano devido ao facto de se tratar de uma constelação circumpolar (estar localizada próximo do Pólo Norte celeste). Os diferentes povos foram-lhe atribuindo vários significados, simbologia e poderes. Homero baptizou-a com o nome Arktos (ursa, em grego), dizendo ser a única que nunca se banhava nas ondas dos oceanos, pois encontrava-se sempre acima do horizonte. A palavra “árctico” derivou etimologicamente dessa designação. Os romanos descreviam-na como sete bois (Septem Triones) a pastar. A palavra “setentrião” derivou igualmente da simbologia das constelações. Apresenta ainda outra particularidade interessante. As duas estrelas do lado oposto à cauda indicam a Estrela Polar. Se se prolongar a linha imaginária que une essas duas estrelas (por esse facto baptizadas como “Guardas da Polar”), torna-se fácil encontrar a estrela, que ocupa sempre o mesmo lugar do céu: é a mais brilhante nessa recta.

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Ursa Maior


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Astrolábio Um astrolábio é uma representação em duas dimensões da esfera celeste. Muito provavelmente, as viagens da antiguidade e da época dos descobrimentos teriam sido bastante mais complicadas sem o génio e o talento dos matemáticos e cosmógrafos que desenvolveram este instrumento, muito eficiente e fácil de utilizar. Acredita-se que tenha sido inventado por Hiparco, um ou dois séculos antes do nascimento de Cristo. Era um instrumento bastante rudimentar, mas genial na sua concepção. Recorrendo a simples cálculos trigonométricos, tornava-se relativamente fácil perceber a latitude dos locais. O astrolábio foi continuamente melhorado ao longo dos séculos, tendo, no final da Idade Média, atingido um estádio de alguma sofisticação, permitindo calcular outras importantes coordenadas terrestres. Comparado com a enorme panóplia de instrumentos de navegação aérea dos nossos tempos, é estranhamente primitivo e rudimentar. Contudo, representa um testemunho extraordinário das tentativas de compreensão do céu e da orientação pelas estrelas que os nossos antepassados empreenderam.


Ser astronauta, nos dias de hoje, não é um privilégio apenas ao alcance dos pilotos aviadores. Nos dias de hoje dia a situação é bastante diferente. A formação dos astronautas actuais é muito diversa: engenharia, medicina, biologia, geologia e muitas outras áreas da ciência. Os primeiros dias da astronáutica eram perigosos, os equipamentos eram rudimentares e sabia-se muito pouco sobre os efeitos que a gravidade excessiva do lançamento e a imponderabilidade sentida na órbita terrestre podiam causar ao corpo humano. Muitos deles foram verdadeiras cobaias para os mais variados testes, tendo de enfrentar situações perigosíssimas. Aliás, a lista de mortes em missão é um atestado do risco das viagens espaciais do início. Os Estados Unidos e a União Soviética empreenderam uma luta sem quartel pela colocação do primeiro aparelho em órbita, pelo primeiro ser humano em órbita e pela primeira viagem tripulada à Lua. Os soviéticos, em 1961, conseguiram colocar Yuri Gagarin em órbita. Os americanos apenas responderam no ano seguinte com John Glenn. Nesta primeira década do século XXI, já foram inclusivamente turistas ao espaço! A viagem é caríssima, mas é, sem dúvida, um feito único! Será que em breve teremos viagens ao espaço a um preço acessível para a maioria de nós?

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Astronauta


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Hubble O telescópio espacial Hubble foi baptizado em homenagem a Edwin Hubble, o astrónomo que provou, através da análise de algumas estrelas, a existência de outras galáxias para além da nossa. Em 1990, o aparelho foi lançado e colocado em órbita terrestre. Em termos globais, não se trata de um telescópio muito grande (o seu espelho principal tem 2,4 metros de diâmetro, um valor ultrapassado por vários telescópios terrestres). Contudo, a sua grande vantagem relativamente aos telescópios situados na superfície terrestre reside no facto de as suas observações não estarem condicionadas pela atmosfera que, devido à refracção, pode originar grandes perturbações nas imagens que estão a ser observadas. As fotografias tiradas pelo Hubble impressionam pela sua nitidez e exotismo. “O Universo não é apenas mais estranho do que imaginamos, é muito mais estranho do que aquilo que podemos imaginar”. É uma frase atribuída a Haldane, um biólogo francês do início do século XX. É uma afirmação espantosa que o telescópio Hubble se tem encarregado de sublinhar.


À cadela Laika pertence a enorme honra de ter sido o primeiro ser vivo a alcançar a órbita terrestre. Foi transportada pelo Sputnik 2, menos de um mês após o lançamento do Sputnik 1. Depois do êxito retumbante do primeiro satélite espacial, os engenheiros da União Soviética quiseram apresentar outro feito extraordinário. Nessa altura (finais da década de 1950), não eram conhecidos os efeitos da microgravidade e da imponderabilidade sobre os seres vivos, pelo que a missão de sacrifício da Laika foi um marco de extrema importância para o envio posterior de seres humanos em missões espaciais. Os parâmetros médicos da Laika foram monitorizados e cuidadosamente analisados para que os efeitos das condições dos voos espaciais nos seres vivos pudessem ser avaliadas e compreendidas.

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Laika


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Sistema Solar O Sistema Solar é a nossa vizinhança mais próxima. É constituído pelo Sol e todos os corpos sujeitos à sua atracção gravitacional: os oito planetas, os planetas anões, cometas, asteróides e muitos milhões de outros detritos e poeira interplanetária. Todos os corpos que constituem o Sistema Solar são muito pequenos relativamente às suas órbitas. As distâncias astronómicas são realmente muito grandes à escala do Homem. Todos estes estão praticamente no mesmo plano, tornando o Sistema Solar numa espécie de disco gigante: quase tudo tem lugar a duas dimensões. Dos oito planetas, os quatro mais próximos do Sol são rochosos e os quatro mais afastados são gasosos. Entre os dois grupos, existe uma grande zona de detritos conhecida como “Cintura de Asteróides”. Pela sua situação, representa a divisão entre o Sistema Solar interior e o Sistema Solar exterior. Os planetas conhecidos desde a antiguidade (visíveis a olho nu) são Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno. Os restantes foram sendo descobertos à medida que se foi desenvolvendo a tecnologia e o conhecimento. É possível que no futuro, com o constante desenvolvimento da ciência e da técnica, se venham juntar outros corpos a esta grande família.


O vaivém espacial da NASA (conhecido como Space Shuttle) foi a primeira nave reutilizável e concebida para aterrar numa pista como um avião. O desconforto e a logística envolvida na recolha das cápsulas que aterravam no mar foram evitados através da utilização deste aparelho. Os Estados Unidos da América lançaram 5 naves deste tipo para o espaço: Columbia, Challenger, Discovery, Atlantis e Endeavour. Em 1986, o Challenger explodiu pouco após o lançamento, e em 2001 o Columbia desintegrou-se ao reentrar na atmosfera terrestre. Contudo, estes desastres não impediram que as missões americanas de vaivém espacial tenham sido um grande sucesso. Foram realizadas centenas, e por intermédio delas, foram reparados muitos satélites, transportados muitos módulos de estações espaciais e permitiram um estudo muito aprofundado da atmosfera terrestre. Os novos foguetões a ser construídos por este programa - Ares I e Ares V - visam substituir a frota dos vaivéns da NASA e permitirão transportar astronautas tanto para a estação espacial como para a Lua através da cápsula Orion, que está igualmente a ser projectada. O conceito associado a este programa é bastante fiel ao utilizado nas missões Apollo. A cápsula Orion será uma versão melhorada das cápsulas Apollo, desta vez com capacidade para quatro astronautas. Os foguetes Ares V terão uma capacidade superior às do Saturno V para a colocação de carga em órbita da Terra.

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Space Shuttle


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Sputnik No dia 4 de Outubro de 1957, a União Soviética deu início a uma nova era da humanidade: a idade do espaço. Após vários anos de estudos intensivos e de pesquisas incansáveis, Lançado do cosmódromo de Baikonur, o Sputnik, uma esfera grande e pesada (cerca de 80 kg) alcançou a órbita terrestre. Emitiu um bip-bip que ecoou para sempre na História. Podia ser escutado em receptores em torno do nosso planeta, e as reacções de espanto e incredulidade foram gerais. Nos dias de hoje, a imagem da esfera com as quatro longas antenas (na realidade, são duas antenas duplas) tornou-se um ícone da era espacial.


Bibliografia ASIMOV, Isaac (1979), Tão Longe Quanto Chega o Olhar Humano, Europa-América, Lisboa BHAUMIK, Mani (2009), O Detective do Cosmos, Gradiva, Lisboa CLARKE, Arthur C. and SILVERBERG, Robert (1971), Into Space: a Young Person’s Guide to Space, by and Robert, Harper & Row, New York FERREIRA, Máximo (2001), O Pequeno Livro da Astronomia, Bizâncio, Lisboa

FLAMMARION, Camille (1877), Les Terres du Ciel, Flammarion, Paris SAGAN, Carl (1987), Cosmos, Gradiva, Lisboa

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FIX, John (1995), Astronomy Journey To The Cosmic Frontier, Mosby, New York


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www.animepaf.org

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Astroanime Memoria  

Livro pedagogico sobre astronomia que complementa um jogo de reconhecimento visual a pares de ilustraçoes sobre este tematica.

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