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AMAZร”NIA JUDAICA: Mais de 200 anos de Histรณria e Memรณria, registrados e difundidos, em 15 anos de Travessia


O PROJETO AMAZÔNIA JUDAICA: a 2002: Fundação Jornal AJ a 2006: Elias Salgado passa a integrar a equipe da AJ a 2010: AJ cria o projeto “200 ANOS DA PRESENÇA JUDAICA NA AMAZÔNIA” e cresce: n O Jornal transforma-se na atual Revista AJ n É criado o portal e o arquivo histórico digital AJ n Edição de livros sobre o tema judeus na Amazônia n Projetos de pesquisa são realizados e editados em livros e artigos


SOBRE O LIVRO AQUI LANÇADO: n É Uma seleção de matérias, artigos, crônicas e ensaios, publicados no jornal e na

Revista AJ, em seus 15 anos de atividade

n Organização de Elias e David Salgado. A edição e revisão, é da Profa. Regina Igel,

da Maryland University e o projeto gráfico e a diagramação é de Eddy Zlotnitzki

n Conta com co-autores do nível de:

a HENRIQUE CYMERMAN a REGINA IGEL a RENATO AMRAM ATHIAS a ALICIA SISSO RAZUNO a YEHUDA BENGUIGUI, entre outros


Breve inventário dos estudos / autores sobre o tema até o presente momento no Brasil

* ANOS 70: INÍCIO DOS ESTUDOS 1. PRIMEIRO ARTIGO: “A PRESENÇA HEBRAICA NO PARÁ, EIDORFE MOREIRA (1972) 2 .CASAL EGON E FRIEDA WOLFF: PESQUISA EM CEMITÉRIOS DE BELÉM

* ANOS 80: 1. SÉRGIO ZALIS E HENRIQUE WELTMAN: EXPOSIÇÃO “OS HEBRAICOS DA AMAZÔNIA” PARA O BETH HATEFUTZOT- TEL AVIV 2. ABRAHAM RAMIRO BENTES, PUBLICA SUA OBRA “DAS RUÍNAS DE JERUSALÉM À VERDEJANTE AMAZÔNIA” (1987)


Breve inventário dos estudos / autores sobre o tema até o presente momento no Brasil

AMAZÔNIA JUDAICA: ANOS 90:

1. MARIA LIBERMAN DEFENDE O PRIMEIRO DOUTORADO SOBRE O TEMA, PELA USP (1990). 2. EM 1997, EVA BLAY PUBLICA ENSAIO SOCIOLÓGICO SOBRE OS JUDEUS DA REGIÃO, NO LIVRO

“IDENTIDADES JUDAICAS NO BRASIL.

3. 1998: O PROF. SAMUEL BENCHIMOL, PUBLICA, SUA OBRA DE REFERÊNCIA: “ERETZ AMAZÔNIA,

JUDEUS NA AMAZÔNIA”.

4. REGINA IGEL, MARYLAND UNIVERSITY, PUBLICA SEU ARTIGO, “HAQUITÍA AS SPOKEN IN THE

BRAZILIAN AMAZON”.

5. AMÉLIA BEMERGUY, DEFENDE PELA PUC-SP, O SEU MESTRADO ABORDANDO O ANTISSEMITISMO

NA REGIÃO.

6. ADRIANA ROMERO DOS SANTOS, DEFENDE PELA USP, SUA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO, SOBRE

A SOBREVIVÊNCIA DA MÚSICA SEFARADITA


Breve inventário dos estudos / autores sobre o tema até o presente momento no Brasil

ANOS 2000: 2000, APRESENTAMOS NO V BRASA, NO RECIFE, NOSSO PRIMEIRO TRABALHO: “ PRESENÇA JUDAICA NA AMAZÔNIA: PRESERVAÇÃO E ACULTURAÇÃO – O CASO DOS ELMALEH- SALGADO”, PUBLICADO PELA REVISTA AMAZÔNIA JUDAICA EM AO SET/2002. JEFFREY LESSER, REALIZANDO, A DIFERENÇA DOS DEMAIS, PESQUISAS EM ARQUIVOS NO MARROCOS, DESCOBRE QUE NÃO 1000 E SIM 2000 FAMÍLIAS MIGRARAM PARA A AMAZÔNIA, PORÉM CERCA DE 1000 RETORNARAM DE APÓS ADQUIRIR CIDADANIA BRASILEIRA. 2005, TRÊS IMPORTANTES LIVROS SÃO EDITADOS: “ DAVID JOSÉ PÉREZ” E “JUDEUS NO BRASIL” DO PROF. NACHMAN FALBEL E “ OS JUDEUS NO BRASIL, ORGANIZADO POR KEILA GRINBERG. 2010, ANO DO BICENTENÁRIO DA PRESENÇA JUDAICA NA REGIÃO, WAGNER LINS, DEFENDE DOUTORADO PELA USP, NO QUAL ANALISA ANTROPOLOGICAMENTE, AS SIMILITUDES E DIFERENÇAS DOS JUDEUS MARROQUINOS DA AMAZÔNIA E DE ISRAEL REGINALDO JONAS HELLER VÊ PUBLICADO PELOS SELOS E-PAPERS/AMAZÔNIA JUDAICA, A SUA MONOGRAFIA DE GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA PELA UFF, “JUDEUS DO ELDORADO” 2015, LANÇAMOS NOSSO LIVRO “ HISTÓRIA E MEMÓRIA, JUDEUS E INDUSTRIALIZAÇÃO NO AMAZONAS”. 2016, É PUBLICADA PELO SELO AMAZÔNIA JUDAICA, A DISSERTAÇÃO DE MESTRADO DE DINA DE PAULA SANTOS NOGUEIRA,“ IDENTIDADE E TRADIÇÃO: UM ESTUDO SOBRE AS MULHERES DA COMUNIDADE JUDAICA DE MANAUS”. 2017, INICIAMOS O PROJETO DE PESQUISA “DIÁSPORA AMAZÔNIA” E PUBLICAMOS PELO SELO EDITORA AJ A PRESENTE COLETÂNEA.

Longe de ser completo, este breve inventário, tenta, tão somente, demonstrar o interesse e o avanço nos estudos do tema judeus na amazônia.


ALGUMAS OBSERVAÇÕES PRÉVIAS:

AMAZÔNIA JUDAICA:

* É importante assinalar que os estudos sobre o tema, de início, versavam, quase que tão somente, sobre: 1. A QUESTÃO DA IMIGRAÇÃO E SUAS CAUSAS 2. OS PRIMEIROS ANOS DO ESTABELECIMENTO JUDAICO NA REGIÃO 3. A FORMAÇÃO DAS COMUNIDADES 4. A VIDA NO INTERIOR DA SELVA DURANTE O CICLO DA BORRACHA ENTRE OUTROS. * Porém, mais recentemente, temos testemunhado: 1. O CRESCIMENTO E A DIVERSIFICAÇÃO DOS RECORTES HISTÓRICOS ANTROPOLÓGICOS, CRONOLÓGICOS E TEMÁTICOS, BEM COMO AS FORMAS DE ABORDAGEM.

* Nós, em particular, temos privilegiado em nossas pesquisas mais recentes: 1. O ASPECTO ECONÔMICO E POLÍTICO 2. ÁNALISES SOBRE AS CONSEQUÊNCIAS DO ESTABELECIMENTO NA REGIÃO: - O ENCONTRO COM O “OUTRO” - AS DINÂMICAS DE ADAPTABILIDADE, PRESERVAÇÃO E ACULTURAÇÃO E A SÍNTESE DESTES PROCESSOS.


PARA NOSSA APRESENTAÇÃO DESTA NOITE, OPTAMOS POR UMA DUPLA ABORDAGEM: 1. UM BREVIÁRIO DA IMIGRAÇÃO E SUAS CAUSAS E DO ESTABELECIMENTO E DA VIDA NA REGIÃO DO INÍCIO DO SÉCULO XIX ATÉ OS DIAS ATUAIS. 2. E DOIS PRINCIPAIS RECORTES TEMÁTICOS

2.1 A PRESENÇA JUDAICA ATRAVÉS DE UM ESTUDO DE CASO: OS ELMALEH SALGADO, O INTEGRALISMO E O ANTISSEMITISMO NO AMAZONAS, NA ERA VARGAS (1930 – 1945)

2.2 HEGEMONIA OU PREPONDERÂNCIA JUDAICA NA ECONOMIA DA REGIÃO?


BREVIÁRIO DA PRESENÇA JUDAICA NA AMAZÔNIA – SEC. XIX E XX

AMAZÔNIA JUDAICA:

* A PRESENÇA JUDAICA NA AMAZÔNIA BRASILEIRA POSSUÍ MAIS DE 200 ANOS (208 ANOS). * A MAIORIA ABSOLUTA DOS JUDEUS QUE IMIGRARAM PARA A AMAZÔNIA ERA DE ORIGEM MARROQUINA (MEGORASHIM E TOSHABIM). PORÉM CHEGARAM, TAMBÉM, JUDEUS:

- SERFATITAS (ALSÁCIA E LORENA DE FALA FRANCESA E ALEMÃ – A PARTIR DE 1850)

- ASHKENAZITAS (EUROPA ORIENTAL E CENTRAL – A PARTIR DE 1850)

- FOINQUINITAS (IMPÉRIO OTOMANO/O. MÉDIO. FALAVAM LADINO E ÁRABE - NO FINAL DO SEC. XIX


O INÍCIO DA IMIGRAÇÃO: * 1810: MARCO DO INÍCIO DA IMIGRAÇÃO: ASSIM COMO OCORREU EM PORTUGAL, A IMIGRAÇÃO SÓ SE TORNA POSSÍVEL A PARTIR DE 1808, COM O FIM DAS LEIS RESTRITIVAS AOS NÃO CATÓLICOS. * ATÉ O FINAL DOS ANOS 1990, ACREDITAVASSE QUE 1000 FAMÍLIAS HAVIAM IMIGRADO. PORÉM, LESSER, J. DESCOBRE QUE FORAM 2000 E QUE 1000 RETORNARAM – E ENTRE ELAS, DR. ELIAS BARUEL. * ENTRAVAM NA AMAZÔNIA PELO PORTO DE BELÉM (PORTO MARÍTIMO). 3 LINHAS DE NAVEGAÇÃO: A HAMBURG SUD, A BOTH LINES E A LIGURE. DUAS PASSAVAM POR TÂNGER E UMA POR LISBOA.


AS CAUSAS DA EMIGRAÇÃO

AMAZÔNIA JUDAICA:

* A SITUAÇÃO DE MISÉRIA, PERSEGUIÇÕES E SURTOS EPIDÊMICOS NOS MELLÁHS. * A ALIANÇA ISRAELITA E SEU PAPEL NA EMIGRAÇÃO. * NÃO SÓ PARA O BRASIL IMIGRARAM: ARGENTINA, VENEZUELA, ENTRE OUTROS.

PORQUE PARA A AMAZÔNIA? * NEM TODOS OS JUDEUS MARROQUINOS FORAM PARA A AMAZÔNIA. ALGUNS DESCERAM NO RIO DE JANEIRO

CAUSAS: 1. NA PRIMEIRA FASE( 1810 – 1850 ) – DROGAS DO SERTÃO 2. NA SEGUNDA FASE ( 1851 – 1920 ) – PERÍODO DA BORRACHA


OS PRIMEIROS 100 ANOS DA PRESENÇA JUDAICA NA AMAZÔNIA: * A PRIMEIRA COMUNIDADE E TAMBÉM A MAIS ANTIGA EM FUNCIONAMENTO NO BRASIL, FOI A DE BELÉM DO PARÁ, PORTO DE CHEGADA DOS JUDEUS NA AMAZÔNIA.

* A PRIMEIRA ESNOGA, ESSEL ABRAHAM DATA, SEGUNDO A TRADIÇÃO ORAL, DE 1824 E A SEGUNDA, SHAAR HASHAMAIM, DE 1828.

* O MAIS ANTIGO CEMITÉRIO DA CIDADE FOI CRIADO EM 1842.


POVOANDO O INTERIOR DA SELVA

AMAZÔNIA JUDAICA:

* LOGO QUE CHEGAVAM A BELÉM, OS HOMENS SE DIRIGIAM PARA O INTERIOR DA SELVA PARA TRABALHAR EM SERINGAIS E COMO REGATÕES. * SE ESTABELECERAM AO LONGO DE TODA A CALHA DO RIO AMAZONAS (CERCA DE 5.000 QUILOMETROS) E AFLUENTES, ESTABELECENDO-SE E CRIANDO PEQUENAS COMUNIDADES CHEGANDO ATÉ IQUITOS NO PERÚ * UMA MINORIA, TORNOU-SE GRANDES AVIADORES, COM SUAS EMPRESAS DE EXPORTAÇÃO ESTABELECIDAS NAS CAPITAIS, MANAUS E BELÉM E PROPRIETÁRIOS DE SERINGAIS. * A MAIOR EMPRESA JUDAICA DESTE PERÍODO FOI A B. LEVY & CIA., QUE COM A CRISE, ENTREGA SEUS 309 SERINGAIS. E EM 1943, RAPHAEL BENOLIEL, SEU PRINCIPAL SÓCIO, VOLTA EMPOBRECIDO PARA LISBOA.


LUTANDO PELA PRESERVAÇÃO DAS TRADIÇÕES * NESTAS PEQUENAS LOCALIDADES, AFASTADOS DE BELÉM E OUTRAS COMUNIDADES, ESTES JUDEUS LUTAVAM POR SUA SOBREVIVÊNCIA E PELA MANUTENÇÃO DE LAÇOS COM SUA TRADIÇÃO E ORIGEM. * A DISTÂNCIA, O ISOLAMENTO, A FALTA DE CONDIÇÃO DE PRESERVAR A PRÁTICA DOS COSTUMES E TRADIÇÕES, AQUELES JUDEUS, AO LONGO DO TEMPO, FORAM CRIANDO ALTERNATIVAS DE ADAPTABILIDADE E PRESERVAÇÃO: SE NÃO HAVIA MATZÁ, COMIA-SE FARINHA DE MANDIOCA. NA FALTA DO VINHO, O AGUARDENTE LOCAL. * PARA REZAR COLETIVAMENTE E CELEBRAR AS GRANDES FESTAS, SE REUNIAM NOS BARRACÕES À BEIRA – RIOE COMEMORAVAM, ROSH HASHANÁ E YOM KIPUR. * AS CERIMÔNIAS DE BRIT MILÁ, BAR MITZVÁ E CASAMENTOS, ERAM FEITOS TARDIAMENTE, QUANDO IAM ATÉ BELÉM, OU QUANDO PASSAVA NA SUA REGIÃO ALGUM CELEBRANTE. *** MEU AVÔ ELIEZER ELMALEH/LÁZARO SALGADO Z”L , ALÉM DE REGATÃO, ATUAVA, COMO UM DESSES CELEBRANTES E ORGANIZAVA MINIANIM EM SUA CASA, EM TEFÉ, NO INTERIOR DO AMAZONAS.


O FIM DO BOOM DA BORRACHA E A CRISE NA ECONOMIA AMAZÔNICA:

AMAZÔNIA JUDAICA:

* O AUGE DA BORRACHA DUROU POUCOS ANOS – (1879– 1912 ). APÓS ESTE PERÍODO INICIA-SE UMA LONGA CRISE FINANCEIRA NA REGIÃO. * EM MANAUS/AMAZONAS, PERDURARÁ ATÉ O FINAL DOS ANOS 60, QUANDO É CRIADA A ZONA FRANCA DE MANAUS E SEU PARQUE DE MONTAGEM INDUSTRIAL. * EM BELÉM, A RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA FOI MENOR: NÃO FOI CRIADO ALI UM PARQUE INDUSTRIAL E O COMÉRCIO E OS SERVIÇOS, SÃO A MAIOR ATIVIDADE ECONÔMICA DO ESTADO DO PARÁ. * NESTA FASE OS JUDEUS PASSAM A CONFIGURAR UMA NOVA ESTRUTURA SÓCIO ECONÔMICA. UMA GERAÇÃO DE “DOUTORES” (BENCHIMOL), ABANDONANDO AS ANTIGAS ATIVIDADES COMERCIAIS E TORNANDO-SE ACADÊMICOS E PROFISSIONAIS LIBERAIS. * E NESTA BUSCA, MUITOS MIGRAM PARA O SUDESTE (RIO E SÃO PAULO E ATÉ MESMO EUA – DOS ANOS 30 AO INÍCIO DOS 60), *** SOBRE ESTAS MIGRAÇÕES, ESTAMOS EMPREENDENDO UM NOVO TRABALHO DE PESQUISA – “DIÁSPORA AMAZÔNIA”.


A FORMAÇÃO DA KEHILÁ DE MANAUS * É NESTE MESMO PERÍODO, E COMO CONSEQUÊNCIA DESTA CRISE NO INTERIOR E O ABANDONO DA REGIÃO, QUE MUITOS JUDEUS SE DIRIGEM À MANAUS. * EM 1928 FUNDAM O CEMITÉRIO ISRAELITA DA CIDADE * EM 1929 CRIAM O CIAM – COMITÊ ISRAELITA DO AMAZONAS * DUAS SINAGOGAS SÃO FUNDADAS: BEIT YAACOV E RIBI MEYR, QUE FORAM FUNDIDAS NA DÉCADA DE 60 – BEIT YAACOV-RIBI MEYR


RECORTES TEMÁTICOS:

AMAZÔNIA JUDAICA:

1. O INTEGRALISMO E O ANTISSEMITISMO NA ERA VARGAS (1930 – 1945) ATRAVÉS DE UM ESTUDO DE CASO: OS ELMALEH-SALGADO * A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - O INTEGRALISMO CABOCLO E OS JUDEUS NA CAMPANHA DA BORRACHA: - OS ANOS DE GUERRA ERAM DE EFERVESCÊNCIA POLÍTICA. A RETICÊNCIA DO GOVERNO VARGAS SOBRE OS RUMOS DA PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA NO CONFLITO AGITAVAM O PAÍS. - NA CAPITAL AMAZONENSE POLÍTICOS E JOVENS ESTUDANTES SAÍRAM ÀS RUAS PARA PROTESTAR.1 - DE UM LADO, ESTAVAM OS PARTIDÁRIOS DA ADESÃO EM FAVOR DOS ALIADOS (E DENTRE ELES, BENCHIMOL), DE OUTRO, OS SIMPATIZANTES INTEGRALISTAS DA ADESÃO AO EIXO. - COMO LÍDERES DESTE BLOCO PODIAM SER ENCONTRADOS CARLOS LOSTÉRIO E O FUTURO GOVERNADOR DO ESTADO DO AMAZONAS, JOSÉ LINDOSO.

1 Em entrevista concedida ao autor em 22 de fevereiro de 2000 a partir de Miami e em 26 de abril de 2000, em Manaus.


O BRASIL E A AMAZÔNIA NA 2ª GUERRA - EM 1942 O BRASIL FINALMENTE ENTRA NA GUERRA EM FAVOR DOS ALIADOS. NO INÍCIO DAQUELE MESMO ANO SÃO ASSINADOS OS “ACORDOS DE WASHINGTON”. - COMO CONSEQUÊNCIA DOS ACORDOS, FORAM CRIADOS: 1. O BANCO DA BORRACHA 2. S.A.V. A.- SUPERINTENDÊNCIA DE ABASTECIMENTO DO VALE AMAZÔNICO


O BANCO DA BORRACHA

AMAZÔNIA JUDAICA: * OBJETIVAVA DAR AUXÍLIO FINANCEIRO AOS SERINGALISTAS, CABENDO A ELE A EXCLUSIVIDADE E O MONOPÓLIO DAS OPERAÇÕES FINAIS DE COMPRA E VENDA DA BORRACHA.

* COM ESTA NOVA REALIDADE, MUITAS DAS FIRMAS AVIADORAS TRADICIONAIS, DENTRE ELAS B. LEVY & CIA., A MAIS IMPORTANTE FIRMA AVIADORA E PROPRIETÁRIA DE ARMAZÉNS EM MANAUS, PASSOU A TER VÁRIAS DIFICULDADES QUE A LEVARAM À FALÊNCIA EM 1943.


A S.A.V.A. * PROPUNHA, CONTROLAR A ESTRUTURA DE FUNCIONAMENTO DA PRODUÇÃO E COMÉRCIO, BEM COMO O ABASTECIMENTO. *** NAQUELE PERÍODO EXERCIA O CARGO DE DIRETOR REGIONAL, O EX-SECRETÁRIO DE ECONOMIA E FINANÇAS DO GOVERNO ÁLVARO MAIA, O JUDEU RUBEM SALGADO, FILHO DE LÁZARO SALGADO (ELIEZER ELMALEH). *** SEGUNDO O PROF. BENCHIMOL, “FOI O PRIMEIRO JUDEU DE IMPORTÂNCIA PÚBLICA NO AMAZONAS. ERA COMO O JOSÉ BÍBLICO DA AMAZÔNIA. RUBEM PODIA COM SEU PODER TRANSFORMAR-SE E TAMBÉM TRANSFORMAR UM COMERCIANTE EM MILIONÁRIO DA NOITE PARA DIA”.1

1. Entrevista concedida em Manaus, em 6 de agosto de 1998.


O INTEGRALISMO E O ANTISSEMITISMO CABOCLO

AMAZÔNIA JUDAICA:

* EM TODAS AS ENTREVISTAS CONCEDIDAS, RUBEM SALGADO FEZ REFERÊNCIAS (QUE TAMBÉM FORAM CONFIRMADAS PELO PROF. SAMUEL BENCHIMOL) ÀS ENORMES PRESSÕES QUE SOFREU POR PARTE DE COMERCIANTES LOCAIS, NO PERÍODO DE RACIONAMENTO (A PARTIR DE 1942). * PRINCIPALMENTE POR GRUPOS ALEMÃES, COM DESTAQUE AOS KRAMER E TAMBÉM À EMPRESA GENERAL HARBOUR. * ERAM PRESSÕES LIGADAS A QUESTÕES ECONÔMICAS E DE ABASTECIMENTO, MAS SEGUNDO SALGADO, DE CUNHO CLARAMENTE ANTISSEMITA, QUE O ATINGIAM PESSOALMENTE ATRAVÉS DA IMPRENSA LOCAL. * SEU MAIOR DESAFETO POLÍTICO FOI ARTHUR VIRGÍLIO, EX- SECRETÁRIO DE FINANÇAS, EX-DEPUTADO E SENADOR. * AS PRESSÕES LEVARAM RUBEM SALGADO A TOMAR UMA ATITUDE DRÁSTICA: ABANDONOU SUAS FUNÇÕES EM 1945 E RADICOU-SE NO RIO DE JANEIRO. * EM 1951, RUBEM SALGADO É RECONDUZIDO A SEU CARGO NA FAZENDA, DO QUAL SE APOSENTOU DEFINITIVAMENTE EM 1954. * NA INICIATIVA PRIVADA, SALGADO ATUOU NO GRUPO BENNESBY, DO QUAL SE AFASTOU QUANDO JÁ TINHA MAIS DE 80 ANOS. * SÓCIO BENEMÉRITO DA ESNOGA SHEL GUIMILUT HASSADIM NO RIO, FOI SEU DIRETOR FINANCEIRO POR VÁRIAS GESTÕES.


OUTRAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O ANTISSEMITISMO NA AMAZÔNIA * OUTROS CASOS DE ANTISSEMITISMO FORAM REGISTRADOS NA REGIÃO: - NO SEC. XIX: DURANTE REVOLTAS POPULARES NA REGIÃO – A CABANAGEM (1835-40) - NO SÉCULO XX: O CASO DO “MATA JUDEUS” (1901) EM CAMETÁ, BAIÃO E OUTRAS VILAS *TAMBÉM NO PERÍODO DA 2ª. GUERRA, SEGUNDO TESTEMUNHOS DE SAUL BENCHIMOL E MOISÉS SABBÁ, EM DEPOIMENTOS PARA NOSSA EQUIPE DE PESQUISA * NA LITERATURA: O ESCRITOR SOUZA LIMA, EM SEU CONTO “ O BAILE DO JUDEU”


EM SÍNTESE

AMAZÔNIA JUDAICA:

* ASSIM COMO EM TODO O BRASIL, O ANTISSEMITISMO NA AMAZÔNIA, SEGUNDO NOSSA VISÃO, DEVE SER RELATIVISADO, COMO VÁRIOS OUTROS HISTORIADORES SUGEREM. * EXCETUANDO-SE, O PERÍODO INQUISITORIAL, A ERA VARGAS E ATOS ISOLADOS, O ESTADO BRASILEIRO NÃO PODE SER DEFINIDO NOS PADRÕES DO ANTISSEMITISMO CLÁSSICO CONTEMPORÂNEO. * HISTÓRICAMENTE, NO PAÍS COMO UM TODO, E EM PARTICULAR NA AMAZÔNIA, A INTEGRAÇÃO E A CONVIVÊNCIA COM OS DEMAIS GRUPOS ÉTNICOS É PERFEITA. * OS CASOS OCORRIDOS NA REGIÃO SÃO NARRADOS COMO SENDO DE CUNHO ECONÔMICO.


RELEVÂNCIA OU PREPONDERÂNCIA JUDAICA NA ECONOMIA? * EM NOSSO TRABALHO SOBRE OS JUDEUS NA ECONOMIA DO AMAZONAS, ESTA PERGUNTA É FEITA A TODOS OS ENTREVISTADOS. * NOS DEPOIMENTOS HÁ UMA UNANIMIDADE EM APONTAR PARA O QUE OS ENTREVISTADOS CHAMAM DE CARACTERÍSTICA INERENTE AOS JUDEUS DE LUTAR POR SUA SOBREVIVÊNCIA. * CLARO QUE ENTENDEMOS, E ALGUNS DELES TAMBÉM, QUE TAL CARACTERÍSTICA NÃO É EXCLUSIVA DOS JUDEUS. OUTROS GRUPOS DE IMIGRANTES TIVERAM PARTICIPAÇÃO RELEVANTE NA ECONOMIA DA REGIÃO. * BENCHIMOL ASSINALA E ISSO É REITERADO PELA HISTORIADORA AMAZONENSE ETELVINA GARCIA, QUE UM DOS FATORES QUE AJUDOU NO SUCESSO ECONÔMICO DE ALGUMAS FAMÍLIAS JUDIAS, FOI O FATO DE QUE: - APESAR DA CRISE DA BORRACHA, DIFERENTE DE OUTROS GRUPOS COMO OS INGLESES, ALEMÃES E FRANCESES, OS JUDEUS MARROQUINOS, BEM COMO OS PORTUGUESES E ÁRABES, PERMANECERAM NA REGIÃO E SOUBERAM ENCONTRAR SOLUÇÕES PARA ATRAVESSAR A CRISE.


SINTETIZANDO

AMAZÔNIA JUDAICA:

* NENHUM DE NOSSOS ENTREVISTADOS, NEM TAMPOUCO AS PESQUISAS DOCUMENTAIS E BIBLIOGRÁFICAS, APONTAM PARA UMA PREPONDERÂNCIA JUDAICA NA ECONOMIA E NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO LOCAL E SIM, PARA UMA IMENSA RELEVÂNCIA, DE ALGUMAS FAMÍLIAS, TAIS COMO: BENOLIEL, LEVY, SABBÁ, BENCHIMOL, BENZECRY, ISRAEL, PAZUELO, ASSAYAG, EZAGUY, ENTRE OUTRAS. * A EXCEÇÃO À REGRA, FICA POR CONTA DOS BENOLIEL E LEVY, AINDA NO AUGE DO CICLO DA BORRACHA E DE ISAAC SABBÁ, FUNDADOR DA PRIMEIRA REFINARIA DE PETRÓLEO DA AMAZÔNIA EM 1957 E QUE LEVA O SEU NOME. PROVAVELMENTE, O EMPREENDIMENTO DE MAIOR RELEVÂNCIA, ATÉ HOJE NA REGIÃO E QUE FOI NACIONALIZADA PELA DITADURA NO PERÍODO GEISEL . SABBÁ CHEGOU A POSSUIR MAIS DE 40 EMPRESAS E A REPRESENTAR EM DADO PERÍODO (ANOS 60/70), 20% DO PIB DO AMAZONAS.


CONCLUSÃO: > Passados mais de 200 anos de uma imigração que estabeleceu em plena selva amazônica, cerca de 1000 famílias oriundas dos “melahs” do Marrocos, ao longo de um século de fluxo contínuo, que deixou profundas raízes, até hoje presentes naquela região e em seus milhares de descendentes ali residentes e nos espalhados pelo resto do país e do mundo. > Mantendo vivos os marcos judaicos comunitários que estabeleceram para dar continuidade à sua religião e cultura milenar, e que até hoje têm sabido preservar, na sua substancial contribuição ao desenvolvimento de nosso país, na região amazônica e nas demais para onde migraram em fase posterior. > São industriais, comerciantes, profissionais liberais de todo o tipo, educadores, professores, pesquisadores, artistas, escritores, trabalhadores de diversas áreas da economia regional e nacional.


> Configuram na atualidade, uma comunidade em Belém com cerca de 450 famílias, em Manaus com cerca de 200, Rondônia e Macapá e algumas poucas famílias em outras localidades do interior, somando mais algumas dezenas. * E mais recentemente em Israel, cujo o número ainda não sabemos precisar, mas que somam, já, certamente, várias centenas. * Há, também, o caso singular, dos chamados “hebraicos”, descendentes de relacionamentos com habitantes da região de outras origens étnicas. Somam, segundo alguns, mais de 50.000 pessoas.

AMAZÔNIA JUDAICA:

> Os descendentes daqueles primeiros imigrantes judeus marroquinos, assim como outros grupos de imigrantes (portugueses, árabes, nordestinos e etc.), vivenciaram na sua chegada à Amazônia, uma experiência singular, cada grupo com suas trajetórias específicas, e todos com pontos de intersecção, consequência do encontro entre estas diferentes culturas e as culturas aborígenes; a geografia e o ecossistema tão particulares da Selva Amazônica.


> No caso específico dos judeus se deu, como foi visto, um processo de adaptação, no qual, por um lado, uma parte do grupo judaico conseguiu preservar a sua herança milenar, criando em plena floresta, um judaísmo ímpar, onde elementos de sua cultura marroquina originária se mesclaram aos elementos culturais da região. > Tal processo de preservação se deu em paralelo a um processo de aculturação e assimilação, de perfeita inserção à sociedade, à cultura e à economia amazônida, no qual foi relevante, a participação e a contribuição do elemento judaico no desenvolvimento da região. > É um judaísmo singular, com identidade muito peculiar, síntese deste encontro com o “outro” e com a nova terra que tão bem os acolheu e a qual abraçaram como sua.

MUITO OBRIGADO A TODOS.


AMAZÔNIA JUDAICA:


Presentacion elias  
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