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LET’S

GO junho 2013

| Mensal | n.º4

zimbabué Os novos safaris com o apelo irresistível de África

brasil

japão tradição e contemporaneidade no oriente longínquo

comandatuba e sauipe: dois lugares rurais de autenticidade

nova zelândia A natureza em exibição plena

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Nota de editor

Novos destinos, novas tendências…

T Sara Fernandes Editora

exto fictício num universo onde tudo dança ao ritmo das tendências, nós queremos apresentar-lhe o nosso compasso. Sabemos que já nos conhece a letra e a pauta, mas na Let’s go desta estação mostramoslhe uma outra versão com novos destinos. Queremos que aprecie a melodia, ainda que a escute com um formato diferente. A edição que agora tem em mãos é sinónimo de uma enorme vontade em inovar, reflectir o mundo das viagens e apresentar as últimas novidades em destinos. Uma compilação de vários géneros melódicos, revelados com uma orquestração ainda mais audaz e contemporânea. Neste número, a Let’s go desvenda-lhe o timbre da estética e indica-lhe os sons perfeitos dos destinos internos e externos. Entre no nosso ritmo e deixe-se levar pela nossa música. Não se vai arrepender! Num universo onde tudo dança ao ritmo das tendências, nós queremos apresentar-lhe o nosso compasso. Sabemos que já nos conhece a letra e a pauta, mas na Let’s go desta estação mostramos-lhe uma outra versão com novos destinos. Queremos que aprecie a melodia, ainda que a escute com um formato diferente. A edição que agora tem em mãos é sinónimo de uma enorme vontade em inovar, reflectir o mundo das viagens e apresentar as últimas novidades em destinos. Uma compilação de vários géneros melódicos, revelados com uma orquestração ainda mais audaz e contemporânea. Neste número, a Let’s go desvenda-lhe o timbre da estética e indica-lhe os sons perfeitos dos destinos internos e externos. Entre no nosso ritmo e deixe-se levar pela nossa música. Não se vai arrepender!

06 Secção Nota do editor | 08 Secção Cinema de viagem | 10 Secção Portugueses no Mundo | 12 Secção Na estrada | 14 Secção Notas do viajante | 18 Estadias de Luxo Estoril Palace: Um hotel com História e histórias | 22 Estadias de Luxo Tivoli Palácio de Seteais: Hospitalidade nobre e intemporal | 28 Sumário Let’s Go Travel | 32 Weekend Serra da Estrela: As quatro estações dos Montes Hermínios | 38 Weekend Barcelos: Mais valias a Norte: história, gastronomia e arte popular | 46 Short break Suiça: Curta pausa num país pintado de branco | 54 Long distance Zimbabué: Os novos safaris com o apelo irresistível de África | 62 Long distance Japão: Tradição e contemporaneidade no Oriente longínquo | 70 Long distance Nova Zelândia: A Natureza em exibição plena | 78 Long distance Brasil: Comandatuba e Sauipe: dois lugares rurais de autenticidade | 94 Secção Próximo número 96 Secção A fechar

Contribuições e ficha técnica texto fictício num universo onde tudo dança ao ritmo das tendências, nós queremos apresentar-lhe o nosso compasso. Sabemos que já nos conhece a letra e a pauta, mas na Let’s go desta estação mostramos-lhe uma outra versão com novos destinos. Queremos que aprecie a melodia, ainda que a escute com um formato diferente. A edição que agora tem em mãos é sinónimo de uma enorme vontade em inovar, reflectir o mundo das viagens e apresentar as últimas novidades em destinos.

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Cinema de viagem

“de moto pela américa do sul - diário de viagem” ernesto che guevara

Destaque fictício um precisava de cem sessões para uma natureza morta, cento e cinquenta sessões para retrato.

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Em 1952, Ernesto Guevara (Gael García Bernal) tem 23 anos e estuda medicina. Quase no fim do curso, deixa a sua casa em Buenos Aires para seguir numa viagem com o amigo Alberto Granado (Rodrigo de la Serna). Os dois partem na temperamental Norton 500, a mota de Alberto a que chamam “La Poderosa”, para realizar um sonho comum: explorar a América Latina. O mapa de viagem que desenham é ambicioso: leva-os de Buenos Aires à Venezuela, passando pelos Andes, pelas costas do Chile e pelas ruínas de Machu Picchu até Caracas, onde tencionam chegar a tempo do 30º aniversário de Alberto. Mas a viagem torna-se mais do que uma descoberta geográfica e conduz os dois amigos numa grande odisseia de descoberta interior. Os dois começam a questionar o valor do progresso dos sistemas da época, que exclui tantas pessoas, e ganham uma consciência de justiça e uma vontade de mudar o mundo para melhor. Enquanto Alberto regressa ao seu trabalho, agora com diferentes objectivos e perspectivas, Ernesto “Che” Guevara tornar-se-á num dos mais importantes líderes revolucionários do século XX. “Diários de Che Guevara”, de Walter Salles (“Central do Brasil”), baseia-se nos diários dos dois companheiros de viagem, em relatos da família de Che Guevara e nas memória do próprio Alberto, ainda vivo.


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Portugueses no mundo

melbourne, austrália raquel vaz, bióloga

Destaque fictício um precisava de cem sessões para uma natureza morta, cento e cinquenta sessões para retrato.

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Texto fictício parece-me que agora que estou melhor e que consigo dar uma orientação mais precisa aos meus estudos. Conseguirei atingir o objectivo tão procurado e durante tanto tempo perseguido? Continuo como sempre a estudar a natureza e parece-me que faço lentos progressos”. A pintura é o seu mundo e a sua maneira de existir. Trabalha sozinho, sem alunos, sem a admiração por parte da familia, sem encorajamento por parte dos júris. Já velho, interroga-se sobre se a novidade da sua pintura não decorreria de uma perturbação da sua visão, se toda sua vida não se teria baseado num acidente do seu corpo. Porquê tanta incerteza, tanto esforço, tantos falhanços e de repente, o sucesso? Jovem, aos 13 anos, inquietava os seus amigos com os seus acessos de cólera e as suas depressões. Zola, que era amigo de Cezanne desde criança, foi o primeiro a ver nele o génio e o primeiro a falar dele como um “génio abortado”. Sete anos mais tarde, aos 20, decidido a tornar-se pintor, duvida do seu talento e não ousa pedir ao pai que o envie para Paris.


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Notas do viajante

diariografico.com eduardo salavisa É um site que pretende ser um ponto de encontro de pessoas que desenham de uma maneira sistemática e quase obsessiva no seu quotidiano. Esses registos diários são feitos em pequenos cadernos portáteis, que se podem designar por Diários Gráficos. Mostra registos do seu autor, Eduardo Salavisa (ver Viagem e Retratos), e de outros autores que ele gosta e que também desenham diariamente, de experiências feitas em escolas, além de bibliografia que vai sendo recolhida sobre este assunto. É, também, um receptáculo para quem queira acrescentar algo sobre Diários Gráficos. Toda esta informação é frequentemente actualizada.

Segunda-feira, Abril 29, 2013

Equador

Imagens de Quito, capital do Equador, uma cidade que, a pesar dos seus 2 milhões de habitantes, nao parece tão desiquilibrada como outras desta região por onde passei.

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Nesta minha viagem pela América Latina nao tinha previsto colocar nada aquí no blogue. Nao trouxe computador nem nada tecnológico. No entanto, no percurso da Colombia para o Equador, uma viagem de18 horas de camioneta, parte dela durante a noite, aconteceu o pior que pode acontecer a um desenhador viajante: roubaram-me os 6 cadernos cheios de desenhos. Todos os desenhos feitos no México, Guatemala, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica, Panamá e Colombia. Regressei à Colombia, à cidade de Pasto, onde pensei que o ladrao saiu no autocarro. Mas a cidade é demasiado grande e, a pesar de ter sido bem recebido pelos meios de comunicaçao regionais e ter espalhado alguns cartazes pela cidade a comunicar que oferecia uma recompensa, a esperança de os encontrar é pouca. Resolvi agora fotografar os desenhos que vou fazendo e por isso tenho imagens para ir colocando no blogue.


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Estadias de luxo

Destaque fictício um precisava de cem sessões para uma natureza morta, cento e cinquenta sessões para retrato.

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S Tivoli Palácio de Seteais hospitalidade nobre e intemporal Entrada fictícia precisava de cem sessões de trabalho para uma natureza morta, cento e cinquenta sessões de pose para um retrato. Aquilo a que chamamos a sua obra era para ele apenas o ensaio e a aproximação à sua pintura. Escreve aos anos: Vivo num tal estado de perturbações cerebrais, numa perturbação tão grande que temo a todo o momento, que a minha frágil razão não aguente. Texto de Cátia Fernandes e fotos de Miguel Costa.

exto fictício parece-me que agora que estou melhor e que consigo dar uma orientação mais precisa aos meus estudos. Conseguirei atingir o objectivo tão procurado e durante tanto tempo perseguido? Continuo como sempre a estudar a natureza e pareceme que faço lentos progressos”. A pintura é o seu mundo e a sua maneira de existir. Trabalha sozinho, sem alunos, sem a admiração por parte da familia, sem encorajamento por parte dos júris. Já velho, interroga-se sobre se a novidade da sua pintura não decorreria de uma perturbação da sua visão, se toda sua vida não se teria baseado num acidente do seu corpo. Porquê tanta incerteza, tanto esforço, tantos falhanços e de repente, o sucesso? Jovem, aos 13 anos, inquietava os seus amigos com os seus acessos de cólera e as suas depressões. Zola, que era amigo de Cezanne desde criança, foi o primeiro a ver nele o génio e o primeiro a falar dele como um “génio abortado”. Sete anos mais tarde, aos 20, decidido a tornarse pintor, duvida do seu talento e não ousa pedir ao pai que o envie para Paris. As cartas de Zola recriminam-lhe a instabilidade, a fraqueza e a indecisão. Já em Paris escreve: “Mais não fiz que mudar de lugar e o aborrecimento e o tédio perseguem-me.” O fundo do seu carácter é dominado pela ansiedade. Aos 42 anos, pensa que morrerá jovem e redige o testamento. Aos 46, tem uma paixão atormentada, insuportável, da qual nunca falará. Aos 51, retira-se para Aix, para melhor encontrar www.Letsgo.pt ·

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a natureza, mas trata-se de um retorno ao meio da sua infância, da sua mãe, da sua irmã. A religião, que começa a praticar, surge para ele com o medo da vida e com o medo da morte. Segreda a um amigo: “É o medo, sinto que ainda me restam quatro dias na terra, mas e depois? Creio que sobreviverei e não me quero arriscar a esturricar in aeternum” Vai-se tornando cada vez mais tímido, desconfiado e susceptível. Vem alguma vezes a Paris mas, quando encontra amigos, faz-lhes de longe sinal de que não lhes quer falar. A ideia de uma pintura “sobre a natureza” surge em Cézanne a partir da mesma fraqueza. E a sua extrema atenção à natureza, à cor, e o carácter inumano da sua pintura também. “Devemos pintar uma face como se fosse um objecto”, a sua devoção ao mundo visível apenas são uma fuga ao mundo humano. É possivel que, no momento das suas fraquezas nervosas, Cézanne tenha concebido uma forma de arte válida para todos. Entregue a si mesmo, pode olhar a natureza como só um homem sabe fazê -lo. “Como pintor torno-me mais lúcido quando confrontado com a natureza”. Italianos, Tintoretto, Delacroix, Courbet, Impressionistas, em particular, Pissarro, a quem Cézanne deve a concepção da

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pintura, não como a realização de cenas imaginadas, mas como o estudo preciso das aparências, não como um trabalho de atelier antes como um trabalho sobre natureza. A natureza para os clássicos exigia circunscrição pelos contornos, composição e distribuição das luzes. A isso Cézanne responde: “Eles faziam um quadro e nós procuramos um pedaço de natureza”. E sobre os mestres: “substituiam a realidade pela imaginação e pela abstração que a acompanha”. Sobre a natureza: “É preciso que nos curvemos face a esta obra perfeita. Tudo nos vem dela, por ela existimos, esqueçamos tudo o resto”. Apesar disso foi necessário vencer grandes dificuldades para levar por diante a empresa e evitar a efemeridade que caracterizara as tentativas anteriores de introduzir aquele tipo de imprensa em Portugal. Caetano Alberto, sobre quem pesava a maior responsabilidade, tinha que trabalhar por si e dirigir o trabalho de seus discípulos, emendando, retocando e acabando a maior parte das gravuras, o que obrigava a dias de trabalho de 18 horas. Note-se que o título da novidade editorial possuía por extensão «Cadernos de Almada Negreiros», o que vincava a natureza individual do projecto e


criava maior expectativa em relação ao seu conteúdo. Almada, o incansável animador do movimento modernista, tinha consciência da sua força como comunicador e do interesse que as suas criações suscitavam. Todos os suportes, formatos lhe eram familiares, desde a imprensa à rádio, passando pela conferência, o teatro, o cinema e outras formas de intervenção directa. A maioria das vezes, conseguia despertar opiniões e com Sudoeste não foi excepção. Quando Cézanne se muda par Auvers-sur-Oise produz-se uma mudança. Em contacto com Pissarro abandona os temas tétricos e alegra as cores da sua paleta. As piceladas deixam de ser grossas e quadradas e tornam-se mais subtis e flexíveis permitindo texturas formadas por pequenas manchas de cor com um resultado mais harmonioso. É Pissarro que incita Cézanne à pintura ao ar livre.

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Estadias de Luxo

Estoril Palace Estadias de Luxo

Palรกcio de Seteais

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Weekend

serra da estrela Weekend

barcelos

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Short Break

suiรงa

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Suiça Portugal Japão

Zimbabué

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Long Distance

zimbabué Long Distance

nova zelândia

Nova Zelândia

66 Long Distance

japão

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Long Distance

brasil

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Weekend

serra da estrela As quatro estações dos montes hermínios

Entrada fictícia precisava de cem sessões de trabalho para uma natureza morta, cento e cinquenta sessões de pose para um retrato. Aquilo a que chamamos a sua obra era para ele apenas o ensaio e a aproximação à sua pintura. Escreve aos anos: Vivo num tal estado de perturbações cerebrais, numa perturbação tão grande que temo a todo o momento, que a minha frágil razão não aguente. Texto de Cátia Fernandes e fotos de Miguel Costa.

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exto fictício parece-me que agora que estou melhor e que consigo dar uma orientação mais precisa aos meus estudos. Conseguirei atingir o objectivo tão procurado e durante tanto tempo perseguido? Continuo como sempre a estudar a natureza e parece-me que faço lentos progressos”. A pintura é o seu mundo e a sua maneira de existir. Trabalha sozinho, sem alunos, sem a admiração por parte da familia, sem encorajamento por parte dos júris. Já velho, interroga-se sobre se a novidade da sua pintura não decorreria de uma perturbação da sua visão, se toda sua vida não se teria baseado num acidente do seu corpo. Porquê tanta incerteza, tanto esforço, tantos falhanços e de repente, o sucesso? Jovem, aos 13 anos, inquietava os seus amigos com os seus acessos de cólera e as suas depressões. Zola, que era amigo de Cezanne desde criança, foi o primeiro a ver nele o génio e o primeiro a falar dele como um “génio abortado”. Sete anos mais tarde, aos 20, decidido a tornarse pintor, duvida do seu talento e não ousa pedir ao pai que o envie para Paris. As cartas de Zola recriminam-lhe a instabilidade, a fraqueza e a indecisão. Já em Paris escreve: “Mais não fiz que mudar de lugar e o aborrecimento e o tédio perseguem-me.” O fundo do seu carácter é dominado pela ansiedade. Aos 42 anos, pensa que morrerá jovem e redige o testamento. Aos 46, tem uma paixão atormentada, insuportável, da qual nunca falará. Aos 51, retira-se para Aix, para melhor encontrar a natureza, mas trata-se de um retorno ao meio da sua infância, da sua mãe, da sua irmã. A religião, que começa a praticar, surge para ele 30 · Let’s go · junho 2013

Destaque fictício um precisava de cem sessões para uma natureza morta, cento e cinquenta sessões para retrato. com o medo da vida e com o medo da morte. Segreda a um amigo: “É o medo, sinto que ainda me restam quatro dias na terra, mas e depois? Creio que sobreviverei e não me quero arriscar a esturricar in aeternum” Vai-se tornando cada vez mais tímido, desconfiado e susceptível. Vem alguma vezes a Paris mas, quando encontra amigos, faz-lhes de longe sinal de que não lhes quer falar. A ideia de uma pintura “sobre a natureza” surge em Cézanne a partir da mesma fraqueza. E a sua extrema atenção à natureza, à cor, e o carácter inumano da sua pintura também. “Devemos pintar uma face como se fosse um objecto”, a sua devoção ao mundo visível apenas são uma fuga ao mundo humano.


É possivel que, no momento das suas fraquezas nervosas, Cézanne tenha concebido uma forma de arte válida para todos. Entregue a si mesmo, pode olhar a natureza como só um homem sabe fazê -lo. “Como pintor torno-me mais lúcido quando confrontado com a natureza”. Italianos, Tintoretto, Delacroix, Courbet, Impressionistas, em particular, Pissarro, a quem Cézanne deve a concepção da pintura, não como a realização de cenas imaginadas, mas como o estudo preciso das aparências, não como um trabalho de atelier antes como um trabalho sobre natureza. A natureza para os clássicos exigia circunscrição pelos contornos, composição e distribuição das luzes. A isso Cézanne responde: “Eles faziam um quadro e nós procuramos um pedaço de natureza”. E sobre os mestres: “substituiam a realidade pela imaginação e pela abstração que a acompanha”. Sobre a natureza: “É preciso que nos curvemos face a esta obra perfeita. Tudo nos vem dela, por ela existimos, esqueçamos tudo o resto”. Apesar disso foi necessário vencer grandes dificuldades para levar por diante a www.Letsgo.pt ·

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Destaque fictício um precisava de cem sessões para uma natureza morta, cento e cinquenta sessões para retrato.

empresa e evitar a efemeridade que caracterizara as tentativas anteriores de introduzir aquele tipo de imprensa em Portugal. Caetano Alberto, sobre quem pesava a maior responsabilidade, tinha que trabalhar por si e dirigir o trabalho de seus discípulos, emendando, retocando e acabando a maior parte das gravuras, o que obrigava a dias de trabalho de 18 horas. Note-se que o título da novidade editorial possuía por extensão «Cadernos de Almada Negreiros», o que vincava a natureza individual do projecto e criava maior expectativa em relação ao seu conteúdo. Almada, o incansável animador do movimento modernista, tinha consciência da sua força como comunicador e do interesse que as suas 32 · Let’s go · junho 2013

criações suscitavam. Todos os suportes, formatos lhe eram familiares, desde a imprensa à rádio, passando pela conferência, o teatro, o cinema e outras formas de intervenção directa. A maioria das vezes, conseguia despertar opiniões e com Sudoeste não foi excepção. Quando Cézanne se muda par Auvers-sur-Oise produz-se uma mudança. Em contacto com Pissarro abandona os temas tétricos e alegra as cores da sua paleta. As piceladas deixam de ser grossas e quadradas e tornam-se mais subtis e flexíveis permitindo texturas formadas por pequenas manchas de cor com um resultado mais harmonioso. É Pissarro que incita Cézanne à pintura ao ar livre.


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short break

suiça curta pausa num país pintado de branco

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exto fictício parece-me que agora que estou melhor e que consigo dar uma orientação mais precisa aos meus estudos. Conseguirei atingir o objectivo tão procurado e durante tanto tempo perseguido? Continuo como sempre a estudar a natureza e parece-me que faço lentos progressos”. A pintura é o seu mundo e a sua maneira de existir. Trabalha sozinho, sem alunos, sem a admiração por parte da familia, sem encorajamento por parte dos júris. Já velho, interroga-se sobre se a novidade da sua pintura não decorreria de uma perturbação da sua visão, se toda sua vida não se teria baseado num acidente do seu corpo. Porquê tanta incerteza, tanto esforço, tantos falhanços e de repente, o sucesso? Jovem, aos 13 anos, inquietava os seus amigos com os seus acessos de cólera e as suas depressões. Zola, que era amigo de Cezanne desde criança, foi o primeiro a ver nele o génio e o primeiro a falar dele como um “génio abortado”. Sete anos mais tarde, aos 20, decidido a tornarse pintor, duvida do seu talento e não ousa pedir ao pai que o envie para Paris. As cartas de Zola recriminam-lhe a instabilidade, a fraqueza e a indecisão. Já em Paris escreve: “Mais não fiz que mudar de lugar e o aborrecimento e o tédio perseguem-me.” O fundo do seu carácter é dominado pela ansiedade. Aos 42 anos, pensa que morrerá jovem e redige o testamento. Aos 46, tem uma paixão atormentada, insuportável, da qual nunca falará.

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Destaque fictício um precisava de cem sessões para uma natureza morta, cento e cinquenta sessões para retrato. Aos 51, retira-se para Aix, para melhor encontrar a natureza, mas trata-se de um retorno ao meio da sua infância, da sua mãe, da sua irmã. A religião, que começa a praticar, surge para ele com o medo da vida e com o medo da morte. Segreda a um amigo: “É o medo, sinto que ainda me restam quatro dias na terra, mas e depois? Creio que sobreviverei e não me quero arriscar a esturricar in aeternum” Vai-se tornando cada vez mais tímido, desconfiado e susceptível. Vem alguma vezes a Paris mas, quando encontra amigos, faz-lhes de longe sinal


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de que não lhes quer falar. A ideia de uma pintura “sobre a natureza” surge em Cézanne a partir da mesma fraqueza. E a sua extrema atenção à natureza, à cor, e o carácter inumano da sua pintura também. “Devemos pintar uma face como se fosse um objecto”, a sua devoção ao mundo visível apenas são uma fuga ao mundo humano. É possivel que, no momento das suas fraquezas nervosas, Cézanne tenha concebido uma forma de arte válida para todos. Entregue a si mesmo, pode olhar a natureza como só um homem sabe fazê -lo. “Como pintor torno-me mais lúcido quando confrontado com a natureza”. Italianos, Tintoretto, Delacroix, Courbet, Impressionistas, em particular, Pissarro, a quem Cézanne deve a concepção da pintura, não como a realização de cenas imaginadas, mas como o estudo preciso das aparências, não como um trabalho de atelier antes como um trabalho sobre natureza.

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A natureza para os clássicos exigia circunscrição pelos contornos, composição e distribuição das luzes. A isso Cézanne responde: “Eles faziam um quadro e nós procuramos um pedaço de natureza”. E sobre os mestres: “substituiam a realidade pela imaginação e pela abstração que a acompanha”. Sobre a natureza: “É preciso que nos curvemos face a esta obra perfeita. Tudo nos vem dela, por ela existimos, esqueçamos tudo o resto”. Apesar disso foi necessário vencer grandes dificuldades para levar por diante a empresa e evitar a efemeridade que caracterizara as tentativas anteriores de introduzir aquele tipo de imprensa em Portugal. Caetano Alberto, sobre quem pesava a maior responsabilidade, tinha que trabalhar por si e dirigir o trabalho de seus discípulos, emendando, retocando e acabando a maior parte das gravuras, o que obrigava a dias de trabalho de 18 horas.


Destaque fictício um precisava de cem sessões para uma natureza morta, cento e cinquenta sessões para retrato.

Note-se que o título da novidade editorial possuía por extensão «Cadernos de Almada Negreiros», o que vincava a natureza individual do projecto e criava maior expectativa em relação ao seu conteúdo. Almada, o incansável animador do movimento modernista, tinha consciência da sua força como comunicador e do interesse que as suas criações suscitavam. Todos os suportes, formatos lhe eram familiares, desde a imprensa à rádio, passando pela conferência, o teatro, o cinema e outras formas de intervenção directa. A maioria das vezes, conseguia despertar opiniões e com Sudoeste não foi excepção. Quando Cézanne se muda par Auvers-sur-Oise produz-se uma mudança. Em contacto com Pissarro abandona os temas tétricos e alegra as cores da sua paleta. As piceladas deixam de ser grossas e quadradas e tornam-se mais subtis e flexíveis permitindo texturas formadas por pequenas manchas de cor com um resultado mais harmonioso. É Pissarro que incita Cézanne à pintura ao ar livre.

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Info Itinerário

Datas de Partida

01 Portugal/ Amman Voo regular com destino a Amman, via cidade de ligação. Chegada, transporte ao hotel e alo­ jamento.

2 e 15 de junho; 9 e 23 de julho Tap Air Portugal e British Airways

02 Amman/ Castelos do Deserto I Amman Excursão aos Castelos do Deserto, situados a este da capital, importantes caravansarais, for­ talezas e pavilhões de caça da época de esplen­ dor dos omfadas. Jantar e alojamento.

Programa Categoria Mar-Dez Duplo Supl.Single 6 Dias Primeira 1.133€ 307€ Primeira SuD 1.233€ 351 € Turística 1.088€ 237€ 7 Dias Primeira 1.233€ 369€ Primeira SuD 1.323€ 421€ Turística 997€ 198€

03 Amman I Ajlun I Jerash/Amman Saída para Ajlun para visitar o castelo-forta­ leza construído em 1185 na época dos cruzados e reconstruído no séc. XIII pelos mamelucos; continuação para Jerash, uma das cidades da Decápolis. Visita ao Arco do Triunfo, à Praça Ovalada, à Colunata, ao Templo de Afrodite e ao Teatro romano. Jantar e alojamento em Amman.

Preços por pessoa

Hotéis Previstos Days lnn I I bis I Arena I Landmark I Bristol I Kempinski I Meridien I Geneva I Amman Cham Holiday lnn I Warwick Millenium Petra Panorama I Petra Moon I Nabatean Castle I Movenpick l Guest House Taybet Zaman I Beit Zaman Marriott

04 Amman I Madaba I Monte Nebo I Petra Visita panorilmica de Amman e partida para Madaba para visitar a Igreja Ortodoxa de S.Jorge onde se encontra o primeiro mapa mosaico da Palestina; continuação para o Monte Nebo, onde se pode admirar a vista panorilmica do Vale do Jordão e do Mar Morto, local onde Moi­ sés avistou a Terra Prometida. Transporte ao Mar Morto e tempo livre para banhos Prosse­ guimento Petra. Jantar e alojamento. 05 Petra I Amman Dia dedicado à visita da cidade rosa. A passa­ gem pelo impressionante desfiladeiro "Siq" é a porta de entrada para a antiga capital dos Nabateus, que esculpiram templos e túmu­ los nas montanhas rosadas há mais de 2.000 anos. A visita inclui o Tesouro, os Túmulos das Cores, os Túmulos Reais, o Mosteiro. Petra é um daqueles lugares do mundo onde se deve ir pelo menos uma vez na vida. Transporte a Amman. Jantar e alojamento. 06 Amman I Portugal Transporte ao aeroporto e embarque para Por­ tugal. Chegada. Fim dos nossos serviços.

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Serviços Incluídos Comuns aos 2 circuitos Passagem aérea Portugal Amman I Portugal em classe turística; 5 ou 6 noites nos hotéis seleccionados em regime de alojamento e pequeno-almoço; Circuito em viatura de turismo com guia local de língua espanhola; 4 ou 5 refeições; Transfers de chegada e saída; Assistên­ cia pelos nossos representantes locais; Taxas de serviço e IVA; Taxas de aeroporto, segurança e combustível – BA 231 ,33€ (suj. a alteração); Seguro de viagens VIP. Os preços não incluem: Bebidas às refeições; Visto; Despesas de reserva..


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os novos safaris com o apelo irresistível de áfrica 50 · Let’s go · junho 2013


Entrada fictícia precisava de cem sessões de trabalho para uma natureza morta, cento e cinquenta sessões de pose para um retrato. Aquilo a que chamamos a sua obra era para ele apenas o ensaio e a aproximação à sua pintura. Escreve aos anos: Vivo num tal estado de perturbações cerebrais, numa perturbação tão grande que temo a todo o momento, que a minha frágil razão não aguente. Texto de Cátia Fernandes e fotos de Miguel Costa.

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exto fictício parece-me que agora que estou melhor e que consigo dar uma orientação mais precisa aos meus estudos. Conseguirei atingir o objectivo tão procurado e durante tanto tempo perseguido? Continuo como sempre a estudar a natureza e pareceme que faço lentos progressos”. A pintura é o seu mundo e a sua maneira de existir. Trabalha sozinho, sem alunos, sem a admiração por parte da familia, sem encorajamento por parte dos júris. Já velho, interroga-se sobre se a novidade da sua pintura não decorreria de uma perturbação da sua visão, se toda sua vida não se teria baseado num acidente do seu corpo. Porquê tanta incerteza, tanto esforço, tantos falhanços e de repente, o sucesso? Jovem, aos 13 anos, inquietava os seus amigos com os seus acessos de cólera e as suas depressões. Zola, que era amigo de Cezanne desde criança, foi o primeiro a ver nele o génio e o primeiro a falar dele como um “génio abortado”. Sete anos mais tarde, aos 20, decidido a tornarse pintor, duvida do seu talento e não ousa pedir ao pai que o envie para Paris. As cartas de Zola recriminam-lhe a instabilidade, a fraqueza e a indecisão. Já em Paris escreve: “Mais não fiz que mudar de lugar e o aborrecimento e o tédio perseguem-me.” O fundo do seu carácter é dominado pela ansiedade. Aos 42 anos, pensa que morrerá jovem e redige o testamento. Aos 46, tem uma paixão atormentada, insuportável, da qual nunca falará. Aos 51, retira-se para Aix, para melhor encontrar a natureza, mas trata-se de um retorno ao meio da sua infância, da sua mãe, da sua irmã. A religião, que começa a praticar, surge para ele com o medo da vida e com o medo da morte. Segreda a um amigo: “É o medo, sinto que ainda me res52 · Let’s go · junho 2013

tam quatro dias na terra, mas e depois? Creio que sobreviverei e não me quero arriscar a esturricar in aeternum” Vai-se tornando cada vez mais tímido, desconfiado e susceptível. Vem alguma vezes a Paris mas, quando encontra amigos, faz-lhes de longe sinal de que não lhes quer falar. A ideia de uma pintura “sobre a natureza” surge em Cézanne a partir da mesma fraqueza. E a sua extrema atenção à natureza, à cor, e o carácter inumano da sua pintura também. “Devemos pintar uma face como se fosse um objecto”, a sua devoção ao mundo visível apenas são uma fuga ao mundo humano. É possivel que, no momento das suas fraquezas nervosas, Cézanne tenha concebido uma forma de arte válida para todos. Entregue a si mesmo, pode olhar a natureza como só um homem sabe fazê-lo. “Como pintor torno-me mais lúcido quando confrontado com a natureza”. Italianos, Tintoretto, Delacroix, Courbet, Impressionistas,


Destaque fictício um precisava de cem sessões para uma natureza morta, cento e cinquenta sessões para retrato.

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em particular, Pissarro, a quem Cézanne deve a concepção da pintura, não como a realização de cenas imaginadas, mas como o estudo preciso das aparências, não como um trabalho de atelier antes como um trabalho sobre natureza. A natureza para os clássicos exigia circunscrição pelos contornos, composição e distribuição das luzes. A isso Cézanne responde: “Eles faziam um quadro e nós procuramos um pedaço de natureza”. E sobre os mestres: “substituiam a realidade pela imaginação e pela abstração que a acompanha”. Sobre a natureza: “É preciso que nos curvemos face a esta obra perfeita. Tudo nos vem dela, por ela existimos, esqueçamos tudo o resto”. Apesar disso foi necessário vencer grandes dificuldades para levar por diante a empresa e evitar a efemeridade que caracterizara as tentativas anteriores de introduzir aquele tipo de imprensa em Portugal. Caetano Alberto, sobre quem pesava a maior responsabilidade, tinha que trabalhar por si e dirigir o trabalho de seus discípulos, emendando, retocando e acabando a maior parte das

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gravuras, o que obrigava a dias de trabalho de 18 horas. Note-se que o título da novidade editorial possuía por extensão «Cadernos de Almada Negreiros», o que vincava a natureza individual do projecto e criava maior expectativa em relação ao seu conteúdo. Almada, o incansável animador do movimento modernista, tinha consciência da sua força como comunicador e do interesse que as suas criações suscitavam. Todos os suportes, formatos lhe eram familiares, desde a imprensa à rádio, passando pela conferência, o teatro, o cinema e outras formas de intervenção directa. A maioria das vezes, conseguia despertar opiniões e com Sudoeste não foi excepção. Quando Cézanne se muda par Auvers-sur-Oise produz-se uma mudança. Em contacto com Pissarro abandona os temas tétricos e alegra as cores da sua paleta. As piceladas deixam de ser grossas e quadradas e tornam-se mais subtis e flexíveis permitindo texturas formadas por pequenas manchas de cor com um resultado mais harmonioso. É Pissarro que incita Cézanne à pintura ao ar livre.


Destaque fictício um precisava de cem sessões para uma natureza morta, cento e cinquenta sessões para retrato.

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Info Itinerário

Datas de Partida

01 Portugal/ Amman Voo regular com destino a Amman, via cidade de ligação. Chegada, transporte ao hotel e alo­ jamento.

2 e 15 de junho; 9 e 23 de julho Tap Air Portugal e British Airways

02 Amman/ Castelos do Deserto I Amman Excursão aos Castelos do Deserto, situados a este da capital, importantes caravansarais, for­ talezas e pavilhões de caça da época de esplen­ dor dos omfadas. Jantar e alojamento.

Programa Categoria Mar-Dez Duplo Supl.Single 6 Dias Primeira 1.133€ 307€ Primeira SuD 1.233€ 351 € Turística 1.088€ 237€ 7 Dias Primeira 1.233€ 369€ Primeira SuD 1.323€ 421€ Turística 997€ 198€

03 Amman I Ajlun I Jerash/Amman Saída para Ajlun para visitar o castelo-forta­ leza construído em 1185 na época dos cruzados e reconstruído no séc. XIII pelos mamelucos; continuação para Jerash, uma das cidades da Decápolis. Visita ao Arco do Triunfo, à Praça Ovalada, à Colunata, ao Templo de Afrodite e ao Teatro romano. Jantar e alojamento em Amman.

Preços por pessoa

Hotéis Previstos Days lnn I I bis I Arena I Landmark I Bristol I Kempinski I Meridien I Geneva I Amman Cham Holiday lnn I Warwick Millenium Petra Panorama I Petra Moon I Nabatean Castle I Movenpick l Guest House Taybet Zaman I Beit Zaman Marriott

04 Amman I Madaba I Monte Nebo I Petra Visita panorilmica de Amman e partida para Madaba para visitar a Igreja Ortodoxa de S.Jorge onde se encontra o primeiro mapa mosaico da Palestina; continuação para o Monte Nebo, onde se pode admirar a vista panorilmica do Vale do Jordão e do Mar Morto, local onde Moi­ sés avistou a Terra Prometida. Transporte ao Mar Morto e tempo livre para banhos Prosse­ guimento Petra. Jantar e alojamento. 05 Petra I Amman Dia dedicado à visita da cidade rosa. A passa­ gem pelo impressionante desfiladeiro "Siq" é a porta de entrada para a antiga capital dos Nabateus, que esculpiram templos e túmu­ los nas montanhas rosadas há mais de 2.000 anos. A visita inclui o Tesouro, os Túmulos das Cores, os Túmulos Reais, o Mosteiro. Petra é um daqueles lugares do mundo onde se deve ir pelo menos uma vez na vida. Transporte a Amman. Jantar e alojamento. 06 Amman I Portugal Transporte ao aeroporto e embarque para Por­ tugal. Chegada. Fim dos nossos serviços.

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Serviços Incluídos Comuns aos 2 circuitos Passagem aérea Portugal Amman I Portugal em classe turística; 5 ou 6 noites nos hotéis seleccionados em regime de alojamento e pequeno-almoço; Circuito em viatura de turismo com guia local de língua espanhola; 4 ou 5 refeições; Transfers de chegada e saída; Assistên­ cia pelos nossos representantes locais; Taxas de serviço e IVA; Taxas de aeroporto, segurança e combustível – BA 231 ,33€ (suj. a alteração); Seguro de viagens VIP. Os preços não incluem: Bebidas às refeições; Visto; Despesas de reserva..


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Entrada fictícia precisava de cem sessões de trabalho para uma natureza morta, cento e cinquenta sessões de pose para um retrato. Aquilo a que chamamos a sua obra era para ele apenas o ensaio e a aproximação à sua pintura. Escreve aos anos: Vivo num tal estado de perturbações cerebrais, numa perturbação tão grande que temo a todo o momento, que a minha frágil razão não aguente. Texto de Cátia Fernandes e fotos de Miguel Costa.

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exto fictício parece-me que agora que estou melhor e que consigo dar uma orientação mais precisa aos meus estudos. Conseguirei atingir o objectivo tão procurado e durante tanto tempo perseguido? Continuo como sempre a estudar a natureza e parece-me que faço lentos progressos”. A pintura é o seu mundo e a sua maneira de existir. Trabalha sozinho, sem alunos, sem a admiração por parte da familia, sem encorajamento por parte dos júris. Já velho, interroga-se sobre se a novidade da sua pintura não decorreria de uma perturbação da sua visão, se toda sua vida não se teria baseado num acidente do seu corpo. Porquê tanta incerteza, tanto esforço, tantos falhanços e de repente, o sucesso? Jovem, aos 13 anos, inquietava os seus amigos com os seus acessos de cólera e as suas depressões. Zola, que era amigo de Cezanne desde criança, foi o primeiro a ver nele o génio e o primeiro a falar dele como um “génio abortado”. Sete anos mais tarde, aos 20, decidido a tornar-

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se pintor, duvida do seu talento e não ousa pedir ao pai que o envie para Paris. As cartas de Zola recriminam-lhe a instabilidade, a fraqueza e a indecisão. Já em Paris escreve: “Mais não fiz que mudar de lugar e o aborrecimento e o tédio perseguem-me.” O fundo do seu carácter é dominado pela ansiedade. Aos 42 anos, pensa que morrerá jovem e redige o testamento. Aos 46, tem uma paixão atormentada, insuportável, da qual nunca falará. Aos 51, retira-se para Aix, para melhor encontrar a natureza, mas trata-se de um retorno ao meio da sua infância, da sua mãe, da sua irmã. A religião, que começa a praticar, surge para ele com o medo da vida e com o medo da morte. Segreda a um amigo: “É o medo, sinto que ainda me restam quatro dias na terra, mas e depois? Creio que sobreviverei e não me quero arriscar a esturricar in aeternum” Vai-se tornando cada vez mais tímido, desconfiado e susceptível. Vem alguma vezes a Paris mas, quando encontra amigos, faz-lhes de longe sinal de que não lhes quer falar. A ideia de uma pintura “sobre a natureza” surge em Cézanne a partir da


Destaque fictício um precisava de cem sessões para uma natureza morta, cento e cinquenta sessões para retrato.

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mesma fraqueza. E a sua extrema atenção à natureza, à cor, e o carácter inumano da sua pintura também. “Devemos pintar uma face como se fosse um objecto”, a sua devoção ao mundo visível apenas são uma fuga ao mundo humano. É possivel que, no momento das suas fraquezas nervosas, Cézanne tenha concebido uma forma de arte válida para todos. Entregue a si mesmo, pode olhar a natureza como só um homem sabe fazê -lo. “Como pintor torno-me mais lúcido quando confrontado com a natureza”. Italianos, Tintoretto, Delacroix, Courbet, Impressionistas, em particular, Pissarro, a quem Cézanne deve a concepção da pintura, não como a realização de cenas imaginadas, mas como o estudo preciso das aparências, não como um trabalho de atelier antes como um trabalho sobre natureza. A natureza para os clássicos exigia circunscrição pelos contornos, composição e distribuição das luzes. A isso Cézanne responde: “Eles faziam um quadro e nós procuramos um pedaço de natureza”. E sobre os mestres: “substituiam a realidade pela imaginação e pela abstração que a acompanha”. Sobre a natureza: “É preciso que nos curvemos face a esta obra perfeita. Tudo nos vem dela, por ela existimos, esqueçamos tudo o resto”. Apesar disso foi necessário vencer grandes dificuldades para levar por diante a empresa e evitar a efemeridade que caracterizara as tentativas anteriores de introduzir aquele tipo de imprensa em Portugal. Caetano Alberto, sobre quem pesava a maior responsabilidade, tinha que trabalhar por si e dirigir o trabalho de seus discípulos, emendando, retocando e acabando a maior parte das gravuras, o que obrigava a dias de trabalho de 18 horas. Note-se que o título da novidade editorial possuía por extensão «Cadernos de Almada Negreiros», o que vincava a natureza individual do projecto e criava maior expectativa em relação ao seu conteúdo. Almada, o incansável animador do movi-

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mento modernista, tinha consciência da sua força como comunicador e do interesse que as suas criações suscitavam. Todos os suportes, formatos lhe eram familiares, desde a imprensa à rádio, passando pela conferência, o teatro, o cinema e outras formas de intervenção directa. A maioria das vezes, conseguia despertar opiniões e com Sudoeste não foi excepção. Quando Cézanne se muda par Auvers-sur-Oise produz-se uma mudança. Em contacto com Pissarro abandona os temas tétricos e alegra as cores da sua paleta. As piceladas deixam de ser grossas e quadradas e tornam-se mais subtis e flexíveis permitindo texturas formadas por pequenas manchas de cor com um resultado mais harmonioso. É Pissarro que incita Cézanne à pintura ao ar livre.


Destaque fictício um precisava de cem sessões para uma natureza morta, cento e cinquenta sessões para retrato.

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Info Itinerário

Datas de Partida

01 Portugal/ Amman Voo regular com destino a Amman, via cidade de ligação. Chegada, transporte ao hotel e alo­ jamento.

2 e 15 de junho; 9 e 23 de julho Tap Air Portugal e British Airways

02 Amman/ Castelos do Deserto I Amman Excursão aos Castelos do Deserto, situados a este da capital, importantes caravansarais, for­ talezas e pavilhões de caça da época de esplen­ dor dos omfadas. Jantar e alojamento.

Programa Categoria Mar-Dez Duplo Supl.Single 6 Dias Primeira 1.133€ 307€ Primeira SuD 1.233€ 351 € Turística 1.088€ 237€ 7 Dias Primeira 1.233€ 369€ Primeira SuD 1.323€ 421€ Turística 997€ 198€

03 Amman I Ajlun I Jerash/Amman Saída para Ajlun para visitar o castelo-forta­ leza construído em 1185 na época dos cruzados e reconstruído no séc. XIII pelos mamelucos; continuação para Jerash, uma das cidades da Decápolis. Visita ao Arco do Triunfo, à Praça Ovalada, à Colunata, ao Templo de Afrodite e ao Teatro romano. Jantar e alojamento em Amman.

Preços por pessoa

Hotéis Previstos Days lnn I I bis I Arena I Landmark I Bristol I Kempinski I Meridien I Geneva I Amman Cham Holiday lnn I Warwick Millenium Petra Panorama I Petra Moon I Nabatean Castle I Movenpick l Guest House Taybet Zaman I Beit Zaman Marriott

04 Amman I Madaba I Monte Nebo I Petra Visita panorilmica de Amman e partida para Madaba para visitar a Igreja Ortodoxa de S.Jorge onde se encontra o primeiro mapa mosaico da Palestina; continuação para o Monte Nebo, onde se pode admirar a vista panorilmica do Vale do Jordão e do Mar Morto, local onde Moi­ sés avistou a Terra Prometida. Transporte ao Mar Morto e tempo livre para banhos Prosse­ guimento Petra. Jantar e alojamento. 05 Petra I Amman Dia dedicado à visita da cidade rosa. A passa­ gem pelo impressionante desfiladeiro "Siq" é a porta de entrada para a antiga capital dos Nabateus, que esculpiram templos e túmu­ los nas montanhas rosadas há mais de 2.000 anos. A visita inclui o Tesouro, os Túmulos das Cores, os Túmulos Reais, o Mosteiro. Petra é um daqueles lugares do mundo onde se deve ir pelo menos uma vez na vida. Transporte a Amman. Jantar e alojamento. 06 Amman I Portugal Transporte ao aeroporto e embarque para Por­ tugal. Chegada. Fim dos nossos serviços.

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Serviços Incluídos Comuns aos 2 circuitos Passagem aérea Portugal Amman I Portugal em classe turística; 5 ou 6 noites nos hotéis seleccionados em regime de alojamento e pequeno-almoço; Circuito em viatura de turismo com guia local de língua espanhola; 4 ou 5 refeições; Transfers de chegada e saída; Assistên­ cia pelos nossos representantes locais; Taxas de serviço e IVA; Taxas de aeroporto, segurança e combustível – BA 231 ,33€ (suj. a alteração); Seguro de viagens VIP. Os preços não incluem: Bebidas às refeições; Visto; Despesas de reserva..


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exto fictício parece-me que agora que estou melhor e que consigo dar uma orientação mais precisa aos meus estudos. Conseguirei atingir o objectivo tão procurado e durante tanto tempo perseguido? Continuo como sempre a estudar a natureza e parece-me que faço lentos progressos”. A pintura é o seu mundo e a sua maneira de existir. Trabalha sozinho, sem alunos, sem a admiração por parte da familia, sem encorajamento por parte dos júris. Já velho, interroga-se sobre se a novidade da sua pintura não decorreria de uma perturbação da sua visão, se toda sua vida não se teria baseado num acidente do seu corpo. Porquê tanta incerteza, tanto esforço, tantos falhanços e de repente, o sucesso? Jovem, aos 13 anos, inquietava os seus amigos com os seus acessos de cólera e as suas depressões. Zola, que era amigo de Cezanne desde criança, foi o primeiro a ver nele o génio e o primeiro a falar dele como um “génio abortado”. Sete anos mais tarde, aos 20, decidido a tornarse pintor, duvida do seu talento e não ousa pedir ao pai que o envie para Paris. As cartas de Zola recriminam-lhe a instabilidade, a fraqueza e a indecisão. Já em Paris escreve: “Mais não fiz que mudar de lugar e o aborrecimento e o tédio perseguem-me.” O fundo do seu carácter é dominado pela ansiedade. Aos 42 anos, pensa que morrerá jovem e redige o testamento. Aos 46, tem uma paixão atormentada, insuportável, da qual nunca falará. Aos 51, retira-se para Aix, para melhor encontrar a natureza, mas trata-se de um retorno ao meio da sua infância, da sua mãe, da sua irmã. A religião, que começa a praticar, surge para ele com o medo da vida e com o medo da morte. Segreda

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Destaque fictício um precisava de cem sessões para uma natureza morta, cento e cinquenta sessões para retrato.


a um amigo: “É o medo, sinto que ainda me restam quatro dias na terra, mas e depois? Creio que sobreviverei e não me quero arriscar a esturricar in aeternum” Vai-se tornando cada vez mais tímido, desconfiado e susceptível. Vem alguma vezes a Paris mas, quando encontra amigos, faz-lhes de longe sinal de que não lhes quer falar. A ideia de uma pintura “sobre a natureza” surge em Cézanne a partir da mesma fraqueza. E a sua extrema atenção à natureza, à cor, e o carácter inumano da sua pintura também. “Devemos pintar uma face como se fosse um objecto”, a sua devoção ao mundo visível apenas são uma fuga ao mundo humano. É possivel que, no momento das suas fraquezas nervosas, forma de arte válida para todos. Entregue a si mesmo, pode olhar a natureza como só um homem sabe fazê-lo. “Como pintor torno-me mais lúcido quando confrontado com a natureza”. Italianos, Delacroix, Impressionistas, em particular, Pissarro, a quem Cézanne deve a concepção da pintura, não como a realização de cenas imaginadas, mas como o estudo das aparências, não como um trabalho de atelier mas como um trabalho sobre natureza.

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Destaque fictício um precisava de cem sessões para uma natureza morta, cento e cinquenta sessões para retrato.

Sauipe Note-se que o título da novidade editorial possuía por extensão «Cadernos de Almada Negreiros», o que vincava a natureza individual do projecto e criava maior expectativa em relação ao seu conteúdo. Almada, o incansável animador do movimento modernista, tinha consciência da sua força como comunicador e do interesse que as suas criações suscitavam. Todos os suportes, formatos lhe eram familiares, desde a imprensa à rádio, passando pela conferência, o teatro, o cinema e 78 · Let’s go · junho 2013

outras formas de intervenção directa. A maioria das vezes, conseguia despertar opiniões e com Sudoeste não foi excepção. Quando Cézanne se muda par Auvers-sur-Oise produz-se uma mudança. Em contacto com Pissarro abandona os temas tétricos e alegra as cores da sua paleta. As piceladas deixam de ser grossas e quadradas e tornam-se mais subtis e flexíveis permitindo texturas formadas por pequenas manchas de cor com um resultado mais harmonioso. É Pissarro que incita Cézanne à pintura ao ar livre.


Comandatuba A natureza para os clássicos exigia circunscrição pelos contornos, composição e distribuição das luzes. A isso Cézanne responde: “Eles faziam um quadro e nós procuramos um pedaço de natureza”. E sobre os mestres: “substituiam a realidade pela imaginação e pela abstração que a acompanha”. Sobre a natureza: “É preciso que nos curvemos face a esta obra perfeita. Tudo nos vem dela, por ela existimos, esqueçamos tudo o resto”. Apesar disso foi necessário vencer grandes dificuldades para levar por diante a empresa e evitar a efemeridade que caracterizara as tentativas anteriores de introduzir aquele tipo de imprensa em Portugal. Caetano Alberto, sobre quem pesava a maior responsabilidade, tinha que trabalhar por si e dirigir o trabalho de seus discípulos, emendando, retocando e acabando a maior parte das gravuras, o que obrigava a dias de trabalho de 18 horas.

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Info Itinerário

Datas de Partida

01 Portugal/ Amman Voo regular com destino a Amman, via cidade de ligação. Chegada, transporte ao hotel e alo­ jamento.

2 e 15 de junho; 9 e 23 de julho Tap Air Portugal e British Airways

02 Amman/ Castelos do Deserto I Amman Excursão aos Castelos do Deserto, situados a este da capital, importantes caravansarais, for­ talezas e pavilhões de caça da época de esplen­ dor dos omfadas. Jantar e alojamento.

Programa Categoria Mar-Dez Duplo Supl.Single 6 Dias Primeira 1.133€ 307€ Primeira SuD 1.233€ 351 € Turística 1.088€ 237€ 7 Dias Primeira 1.233€ 369€ Primeira SuD 1.323€ 421€ Turística 997€ 198€

03 Amman I Ajlun I Jerash/Amman Saída para Ajlun para visitar o castelo-forta­ leza construído em 1185 na época dos cruzados e reconstruído no séc. XIII pelos mamelucos; continuação para Jerash, uma das cidades da Decápolis. Visita ao Arco do Triunfo, à Praça Ovalada, à Colunata, ao Templo de Afrodite e ao Teatro romano. Jantar e alojamento em Amman.

Preços por pessoa

Hotéis Previstos Days lnn I I bis I Arena I Landmark I Bristol I Kempinski I Meridien I Geneva I Amman Cham Holiday lnn I Warwick Millenium Petra Panorama I Petra Moon I Nabatean Castle I Movenpick l Guest House Taybet Zaman I Beit Zaman Marriott

04 Amman I Madaba I Monte Nebo I Petra Visita panorilmica de Amman e partida para Madaba para visitar a Igreja Ortodoxa de S.Jorge onde se encontra o primeiro mapa mosaico da Palestina; continuação para o Monte Nebo, onde se pode admirar a vista panorilmica do Vale do Jordão e do Mar Morto, local onde Moi­ sés avistou a Terra Prometida. Transporte ao Mar Morto e tempo livre para banhos Prosse­ guimento Petra. Jantar e alojamento. 05 Petra I Amman Dia dedicado à visita da cidade rosa. A passa­ gem pelo impressionante desfiladeiro "Siq" é a porta de entrada para a antiga capital dos Nabateus, que esculpiram templos e túmu­ los nas montanhas rosadas há mais de 2.000 anos. A visita inclui o Tesouro, os Túmulos das Cores, os Túmulos Reais, o Mosteiro. Petra é um daqueles lugares do mundo onde se deve ir pelo menos uma vez na vida. Transporte a Amman. Jantar e alojamento. 06 Amman I Portugal Transporte ao aeroporto e embarque para Por­ tugal. Chegada. Fim dos nossos serviços.

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Serviços Incluídos Comuns aos 2 circuitos Passagem aérea Portugal Amman I Portugal em classe turística; 5 ou 6 noites nos hotéis seleccionados em regime de alojamento e pequeno-almoço; Circuito em viatura de turismo com guia local de língua espanhola; 4 ou 5 refeições; Transfers de chegada e saída; Assistên­ cia pelos nossos representantes locais; Taxas de serviço e IVA; Taxas de aeroporto, segurança e combustível – BA 231 ,33€ (suj. a alteração); Seguro de viagens VIP. Os preços não incluem: Bebidas às refeições; Visto; Despesas de reserva..


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