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· Nº05 · 2012

ECONOMIA & NEGÓCIOS · MARCAS ID · SOCIEDADE · FOTOREPORTAGEM · ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO · INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO · DESPORTO · LIFE & STYLE · CULTURA & LAZER · PERSONALIDADES ANO IV - SÉRIE II REVISTA Nº05 - 2012 — 3,50 EUR 450 KWZ 5,00 USD — ISSN 1647-3574

Micaela

Sedução e beleza a

Reis

toda a prova

Criação de Valor Inovação não é um ‘nice have’, mas um imperativo. Conheça a proposta da COTEC Portugal

Perfil dos jovens Principais tendências de consumo em destaque —

Um dia com…

s fernandodoTeBIle C

Presidente fala sobre a bolsa,asil Br a compra do BPN de e a estratégia liderança —

josé severino

Acesso ao crédito internacional

Presidente da AIA defende projetos dos setores público e privado na Europa. Fórum Africano de Finanças & Investimento apoia soluções de financiamento para PME’s.


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Espaço Leitor

— Adorei as fotos do Fredy. Sou fã dele e acompanho há muitos anos o seu percurso, como modelo e ator. Lindo e charmoso. Adoro as roupas. Angola em beleza. Yolanda Costa

SUMÁRIO

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— Simplesmente de best! O Fredy Costa volta a provar que é um grande profissional e que mantém a humildade. Tem charme, pausa e estilo. Parabéns Fredy e à equipa de produção! Neuza Ribeiro

— Mais uma edição super completa. Temas diversos e interessantes, gostei particularmente dos artigos sobre o setor dos seguros e a matéria de empreendedorismo é muito útil para qualquer empresário. Os casos de fraudes são sem dúvida um problema que ainda precisa de muitas medidas para ser resolvido e que deve ter todos os responsáveis envolvidos na criação de legislação adequada. Continuem a mostrar o que melhor se faz no nosso país. São esses exemplos que nos motivam a continuar empenhados em construir uma sociedade cada vez melhor. João Fernandes

— O Fredy Costa será sempre o modelo da juventude. Desejo-lhe uma carreira cheia de sucesso. Hélder Cruz

— É com orgulho que vejo o sucesso internacional de um dos nossos artistas mais queridos. Na banca onde compro a Angola’in, a revista esgotou rapidamente. Fico feliz por ver que os portugueses conhecem o talento e o trabalho do nosso ícone. Não podiam ter escolhido melhor figura para ilustrar a nova geração angolana. Tânia Cardoso

envie as suas para o seguinte endereço

leitor@revistaangolain.com

Esta revista é escrita ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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ECONOMIA & NEGÓCIOS

África, por um setor privado forte

— A Angola’in foi conhecer os bastidores do Fórum África Finanças & Investimento (AFIF), um evento que reúne os principais especialistas, governantes e empresários da região africana. Falamos com os organizadores, a EMRC, e descobrimos quais os investimentos para este ano que se coadunam ao setor privado

52 SOCIEDADE

Gestão sustentável de resíduos —

Benguela acolhe, em julho, a primeira Conferência Internacional de África sobre Gestão Sustentável de Resíduos. Um evento que assume extrema importância numa altura em que o país prepara legislação específica para regular o saneamento e a gestão de resíduos


18 IN FOCO

Inovação cria valor

— João Bento está à frente da COTEC – Associação Empresarial para a Inovação há pouco mais de um mês, mas já definiu a linha de orientação da organização. Uma entrevista que traz uma nova abordagem empresarial e uma visão sobre os resultados da inovação ao serviço da economia. O exemplo é português e tem todos os ingredientes para motivar a emergência de entidades semelhantes em países da lusofonia

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ECONOMIA & NEGÓCIOS

Política monetária elogiada

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou o mais recente relatório sobre Angola. Conheça as suas previsões e saiba em que áreas o país se destaca, com enfoque para o crescimento da sua economia e os investimentos públicos em linha

INOVAÇÃO & DESENVOLVMENTO

Spray contra a malária

Erradicar o paludismo, a malária ou a febre de dengue poderá ser mais eficaz no futuro. Investigadores portugueses desenvolveram um material que liberta repelente em contato com a luz solar. A Angola’in falou com o cientista português

DESPORTO

MÊS DO EUROPEU

O Campeonato Europeu de Futebol já arrancou. Nesta edição, fazemos a antevisão do evento que reúne os principais craques mundiais e que vão disputar de 8 de junho a 1 de julho a taça europeia na Ucrânia e Polónia

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MOSAICO

INSIDE

MUNDO

UM DIA COM...

FOTOREPORTAGEM

ARQUITECTURA & CONSTRUÇÃO LIFE&STYLE

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EDITORIAL Alimento para o mundo

www.comunicare.pt Angola

Rua Rainha Ginga, nº 228 – 2º andar Mutamba – Luanda TEL 923 416 175 / 923 602 924 Portugal Parque Tecnológico Inova.Gaia Avenida Manuel Violas, nº 476 – Sala 21 4410-136 São Félix da Marinha Vila Nova de Gaia TEL 00 351 222 431 902

www.revistaangolain.com Diretor Geral Daniel Mota

danielmota@comunicare.pt Direção Editorial Manuela Bártolo

Na entrevista à diretora executiva da EMRC, publicada nesta edição, ficamos ‘presos’ à seguinte afirmação: ‘os EUA, a India e a Europa conseguem produzir em duas semanas a mesma quantidade de alimentos que a África produz num ano’. Um indicador que, segundo a própria, deve servir para ‘incentivar o continente a resolver a situação, de forma a começar a cooperar no sentido de alcançar uma balança comercial mais equilibrada a nível regional e a contribuir a nível internacional para o fornecimento de alimentos necessários a nível global’. Conseguirá África desenvolver-se ao ponto de dar o seu contributo a esta escala? A sua potencialidade é indesmentível, dizem, e a União Europeia (UE) propõe-se ir mais longe, interessada que está em apoiar o desenvolvimento agrícola no continente, num quadro de cooperação a longo prazo. As iniciativas previstas apontam para um maior crescimento do setor, nomeadamente, graças à melhoria das políticas agrícolas e de governação. Segundo informação disponível, a cooperação centra-se na África Subsaariana, na qual Angola se inclui, em que o desenvolvimento agrícola assumirá maior importância para a realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio. Facto é que a agricultura desempenha um papel crucial para o crescimento económico do continente, contribuindo para um terço do PIB. Por ser um setor em que se concentra maioritariamente o emprego, ganha ainda maior relevo. A UE está, por isso, em negociações com a União Africana para uma cooperação mais estreita a nível continental e regional, colocando a tónica no desenvolvimento das capacidades e no reforço institucional das organizações. De modo geral, o setor público deverá desempenhar um papel mais eficaz no domínio da agricultura, assegurando um quadro normativo adequado e intervindo em caso de mau funcionamento do mercado.

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O Programa Integrado para o Desenvolvimento da Agricultura em África (CAADP) lançado pela UA e a Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD) tem como prioridades vários domínios: · integração da agricultura nos programas de desenvolvimento a nível nacional, regional e continental, no intuito de elaborar políticas, estratégias e orçamentos de desenvolvimento coerentes; · reforço da governação do setor agrícola, para facilitar a transição de uma agricultura baseada em pequenas explorações agrícolas para uma agricultura familiar, comercialmente viável e sustentável. As medidas previstas visam assegurar a coerência entre as políticas agrícolas regionais e nacionais, bem como a promoção de parcerias entre os setores público e privado. · desenvolvimento da investigação agrícola e dos sistemas de conhecimento, promovendo uma maior utilização das inovações existentes. Este desenvolvimento permitirá melhorar a produtividade rural duradoura e aumentar o valor nutritivo dos produtos agrícolas; · melhoria do funcionamento dos mercados regionais dos produtos agrícolas para permitir o acesso a mercados remuneradores e garantir aos consumidores a segurança dos produtos; · reforço da gestão eficaz dos recursos naturais para assegurar uma utilização simultaneamente duradoura e rentável dos recursos fundiários, haliêuticos e florestais; · redução dos riscos associados às oscilações de preços, à insegurança do mercado, às alterações climáticas e às catástrofes naturais. Resta-nos esperar que o continente assuma este desafio e os países desenvolvam um setor que será determinante para o futuro da humanidade. A Direção

manuelabartolo@comunicare.pt Direção de Research ANGOLA - Lisete Pote

lisetepote@comunicare.pt

PORTUGAL - Jorge Saboga

jorgesaboga@comunicare.pt Direção Comercial Isabel Azevedo

Isabel.azevedo@interpublishing.pt Coordenador de projetos especiais Tiago Vidal Pinheiro Coordenação Editorial Patrícia Alves Tavares

patriciatavares@comunicare.pt Gestão de Conteúdos Life & Style Carla Marques

lifestyle@comunicare.pt

Gestão de Conteúdos Desporto Luís Freitas Lobo

desporto@comunicare.pt

Redação Isabel Santos · Maria Sá Arte Bruno Tavares · Patrícia Ferreira

design@comunicare.pt

Fotografia Paulo Costa Dias [editor] Carlos Rodrigues · Shutterstock Serviços Administrativos e Agenda Patrícia Silva

agenda@revistaangolain.com Publicidade

Interpublishing Rua Sanches Coelho, nº 03 – 10º andar 1600-201 Lisboa Tlf:. 00 351 217 937 205 Impressão Peres-Soctip Indústrias Gráficas S.A Distribuição Green Line

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— ISSN 1647-3574 DEPÓSITO LEGAL Nº 297695/09 — Interdita a reprodução, mesmo que parcial, de textos, fotografias e ilustrações, sob quaisquer meios e para quaisquer fins, inclusive comerciais

Esta revista utiliza papel produzido e impresso por empresa certificada segundo a norma ISO 9001:2000 (Certificação do Sistema de Gestão da Qualidade)


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MOSAICO

Patrícia Alves Tavares

— Impulso solar une Europa a África —

Pode parecer um avião idêntico a tantos outros. Mas, até ao momento, é único. Porquê? A resposta é simples: percorreu mais de 2500 quilómetros sem uma gota de combustível. O Solar Impulse, o primeiro avião solar suíço, fez a travessia entre a Suíça e Marrocos (com uma paragem em Madrid) movido apenas a energia do sol. A viagem começou a 24 de maio e terminou a 5 de junho. Com a envergadura de um Airbus A340, o Solar Impulse pesa mais de 1600 quilos e as asas estão cobertas por 12 mil células fotovoltaicas, sendo alimentado por quatro motores elétricos. Foram necessários sete anos de trabalho para chegar ao produto final. Os africanos podem orgulhar-se de terem sido os escolhidos para a viagem inaugural.

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INSIDE

Patrícia Alves Tavares

África ruma contra a crise

 — Angola e Gâmbia assinaram um acordo geral de cooperação que identifica uma estratégia de atuação conjunta em setores como as pescas, petróleos, agricultura e turismo. O documento marca uma nova etapa no relacionamento entre os dois países. As áreas da reconstrução, cultura e justiça também mereceram atenção dos Chefes de Estado, que rubricaram acordos que se destinam a essas áreas. No encontro, os líderes realçaram a importância de trabalharem em conjunto para conseguir uma evolução generalizada de todas as nações africanas. “África jamais vai vencer se os Chefes de Estado não trabalharem juntos para resolverem os problemas do continente. Temos de ser nós, os africanos, a resolver os nossos problemas”, sustentou Alhaji Jammeh, presidente da Gâmbia.

Temperatura sobe

— A suspeita é antiga. Porém, é agora confirmada pela ministra do Ensino Superior e da Ciência e Tecnologia, Maria Cândida Teixeira. O continente africano vai registar um aumento da temperatura média (cinco graus centígrados) nos próximos 100 anos. A situação irá refletir-se na diminuição das precipitações na maioria das regiões africanas. Até ao momento, Angola, Botswana, Namíbia, África do Sul e Zâmbia assinaram uma declaração que implica a implementação do Centro da África Austral para Ciências e Serviços para a Adaptação às Alterações Climáticas e Gestão Sustentável dos Solos, a construir na capital namibiana. A infraestrutura, que é uma iniciativa da Alemanha, tem como finalidade a criação de mecanismos que atenuem as consequências de eventuais calamidades climáticas.

Reforço legislativo

No topo do voluntariado

— Um estudo indica que Angola e Moçambique são os países preferidos pelos voluntários portugueses. Segundo a pesquisa promovida pela Fundação Fé e Cooperação (FEC), em parceria com a Escola Superior de Educação Paula Frassinetti e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, em Portugal, há um maior investimento nos Palop. Por outro lado, a maioria dos voluntários lusos são mulheres, jovens, solteiras e detentoras de cursos superiores. Embora o voluntariado abranja várias naturezas, a maior parte desloca-se ao serviço de instituições de cariz religioso, sobretudo católico. A maioria das organizações dedica-se a áreas como a educação, alfabetização e formação.

— A Procuradoria-Geral da República, na Huíla, está empenhada em divulgar o conteúdo das leis vigentes, de forma a contribuir para a formação cívica das suas populações. O procurador-geral adjunto, Germano Patrício, referiu na semana da legalidade que o seu pelouro pretende implementar um conjunto de atividades que facilitem a divulgação das leis que vão sendo aprovadas e do seu papel na consciencialização jurídica da população. A nível provincial, o responsável contará com o apoio de magistrados do Ministério Público, de órgãos de administração da justiça e de membros da corporação da polícia.

Lubango terá Palácio da Justiça

— As obras do futuro Palácio da Justiça, no Lubango, arrancam ainda este ano. A garantia é do vice-governador da Huíla para o setor económico, Ségio da Cunha Velho, que anunciou empreitadas semelhantes em municípios que serão identificados posteriormente. A infraestrutura vai suprir algumas dificuldades dos magistrados e funcionários judiciais, nomeadamente no âmbito da acomodação dos serviços em espaços adequados e a criação de estruturas administrativas.

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Pesca fiscalizada em Benguela

— Está para breve a entrada em funcionamento do Centro Regional de Fiscalização Pesqueira, em Benguela, na zona litoral. A infraestrutura tem como principal mais-valia o sistema satélite, que vai permitir a visualização em tempo real de todas as embarcações que estão dentro da área de jurisdição marítima da região. O projeto do Namibe está igualmente na fase final e o Governo quer criar centros regionais em Luanda, Kwanza Sul e Zaire, de modo a montar oito postos de observação ao longo da costa. O investimento ronda os 18 milhões de dólares.

Bons ambientalistas

— Dois estudantes nacionais conquistaram a medalha de prata na VI Olimpíada Ambiental, que decorreu em Baku, Azerbaijão, e onde estiveram a concurso 400 jovens oriundos de 42 países. Ray Bragança e Víctor Nogueira, ambos com 16 anos, alunos do Colégio Esperança Internacional, em Luanda, desenvolveram um projeto de fertilização de terras que recorre à água proveniente do ar condicionado. A invenção valeu-lhes o segundo lugar, sendo apenas ultrapassados pela equipa dos criadores romenos, que apresentaram um software que deteta furacões e engarrafamentos, via satélite. A medalha de bronze também foi para Angola, para um projeto de produção de eletricidade através de matéria orgânica.

Serviços municipais de saúde

— O Ministério da Saúde lançou um programa para reforçar os serviços municipais de saúde. O projeto deverá contribuir para a redução da mortalidade maternoinfantil e conta com a parceria do Banco Mundial e da Total E&P Angola. Melhorar a oferta dos cuidados e serviços de saúde municipal e provincial, sobretudo nas especialidades de obstetrícia e pediatria, são algumas das metas do projeto que deverá beneficiar 1,5 milhões de habitantes. O período de atuação será de cinco anos. O programa, que custará 91,8 milhões de dólares, destina-se a incentivar o parto institucional.

O fim da malária?

— As previsões apontam 2015 como o ano em que tudo muda. De acordo com o coordenador do Programa da Luta Contra a Malária, Filomeno Fortes, dentro de dois anos poderá iniciar-se o processo de pré-eliminação da pandemia. Os dados indicam que há dez o país registava 20 mil óbitos por ano, valor que atualmente se situa nos seis mil/ano. O responsável está confiante de que no próximo ano se registará uma diminuição da mortalidade para quatro mil/ ano, graças ao trabalho desenvolvido junto das populações. Recorde-se que a erradicação da malária e outras doenças que assolam o país constam das metas para atingir os objetivos do desenvolvimento do milénio.

4G

— A Movicel é a primeira operadora nacional a lançar a rede de quarta geração. A LTE/ 4G vai permitir navegar na Internet a uma velocidade até 120 Mbps, garantindo serviços de voz, dados e vídeos cada vez mais rápidos. Destina-se a particulares e empresas e representa um investimento de 100 milhões de dólares. O acesso será possível através de um modem ou de telefones que estejam equipados com a tecnologia. Cabinda é a primeira província a ter esta novidade. voluntariamente as devidas licenças.

Luanda aposta nos artistas

— O Instituto de Formação Artística de Luanda já está concluído, mas as atividades apenas começarão no próximo ano letivo. A instituição, que abre portas em 2013, destinase à formação especializada nas áreas da música, teatro, cinema, artes plásticas e dança. Está ainda prevista a criação de cursos de formadores, de modo a garantir a edificação futura de escolas em mais províncias. A intenção do Ministério da Cultura passa por implementar uma aprendizagem ao nível do ensino elementar e superior. Por outro lado, está em curso um levantamento dos locais onde existam infraestruturas culturais a necessitar de obras. O Governo está a estudar a implantação de uma rede nacional de bibliotecas, unindo instituições, públicas e privadas, bem como universidades e escolas.

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INSIDE Língua portuguesa em expansão

Bom impacto no PIB

— O presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, defendeu que as micro-empresas têm um impacto positivo no Produto Interno Bruto (PIB) e na criação de emprego. O projeto está a cargo do Ministério do Emprego e Segurança Social tem incentivado o aparecimento de novos empreendedores. Com o programa a classe empresarial tem emergido e a sua atuação começa a ter impacto na produção nacional, especialmente no que concerne a criação de novos postos de trabalho.

700 Mil ligações de água potável

— A EPAL (Empresa Pública de Águas de Luanda) prevê instalar 700 mil ligações de água potável durante os próximos dois anos e meio. O Governo está a investir mais de 300 milhões de kwanzas para chegar a 40 mil consumidores nas zonas de Benfica, Samba, Kifica e Zona Verde. A maioria da população do Benfica já está a beneficiar do projeto que inclui o reforço da capacidade de produção e a criação de novos centros. A primeira fase ficará concluída até junho e está já em curso a atividade no município da Samba.

— A língua portuguesa está em crescimento, podendo estar para breve uma nacionalização do idioma em Angola. Esta é a principal conclusão de uma tese de doutoramento apresentada na Universidade da Beira Interior, em Portugal. “A língua portuguesa em Angola – um contributo para o estudo da sua nacionalização”, da autoria do professor Domingos Nzau, tem como base uma “abordagem sociolinguística”. O autor espera que “as conclusões desta investigação possam trazer elementos passíveis de ajudar os decisores a definir uma política assente na real situação de Angola, um país etnicamente heterogéneo”. “Estima-se, em consequência, que, num futuro breve, o português se possa colocar na posição de uma das línguas maternas mais importantes de Angola a nível global e mesmo quantitativamente”, acrescentou, afirmando que n número de falantes não maternos tem vindo a “conhecer uma expansão territorial”.

Pólo de Okavango para dinamizar turismo

— No Kuando Kubango vai nascer o maior pólo de crescimento do país. O Pólo de Desenvolvimento Turístico da Bacia do Okavango terá mais de 11 mil hectares e começará a ser implementado assim que o respetivo plano diretor estiver concluído. O Governo vai criar igualmente mais dois centros dedicados ao incremento do setor do turismo. São os espaços da Calandula, em Malanje, e o de Cabo Ledo, em Kissama. A escolha das áreas está relacionada com as especificidades das regiões que agregam paisagens com potencial para a dinamização do turismo. Cada pólo terá como missão o incremento desta área de atividade, que nos primeiros anos estará vocacionada para o turismo interno.

10 anos Do IFAL

— O Instituto de Formação da Administração Local completou duas décadas de existência em maio. O organismo é um dos primeiros mecanismos criados já no período da paz e tem como principal finalidade a formação dos administradores locais, contribuindo para uma melhoria na prestação dos serviços governamentais nas comunidades.

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MUNDO

Patrícia Alves Tavares

Testemunhos de Mandela

5 Prémios para azeite português

— A sétima edição do China International Olive Oil Competition, que decorreu em finais de abril, em Pequim, premiou os azeites portugueses. Os produtos lusos levaram para casa cinco distinções, quatro Menções Honrosas e uma medalha de prata. Os azeites espanhóis voltaram a dominar a competição, mas os de Portugal estiveram em destaque. Recorde-se que o consumo de azeite na China tem crescido cerca de 60% desde 2004.

— Está acessível a qualquer pessoa que utilize a Internet. Os primeiros episódios do início da democracia na África do Sul ainda não eram conhecidos. A partir de agora, as notas de Nelson Mandela escritas durante a negociação do fim do apartheid e as fotografias da sua cela em Robben Island podem ser consultados no Arquivo Digital Nelson Mandela. São milhares de documentos, entre eles, manuscritos, fotografias e vídeos. O projeto é da autoria do Centro de Memória Nelson Mandela que trabalhou em parceria com o Instituto Cultural do Google. Em março de 2011 foram doados 1,25 milhões de dólares ao parceiro sul-africano para que o arquivo fosse digitalizado e preservado.

Ex-primeiroministro irlandês culpado pela bancarrota Japão sem nuclear

— O último reator ativo no Japão será suspenso para uma avaliação de segurança. Com esta medida, o país vai ficar pela primeira vez em 40 ano sem energia nuclear. O trabalho de manutenção do reator número três da central de Tomari (Hokkaido, norte) deverá prolongar-se por mais de 70 dias. Assim, o Japão ficará sem as 54 unidades atómicas que estavam a funcionar antes do desastre de Fukushima Daiichi, em março de 2011. Após o incidente, o Governo tem estado a testar a resistência dos equipamentos para evitar outra catástrofe natural.

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— Geir Haarde, ex-primeiro-ministro irlandês, foi condenado pela justiça do seu país, sendo considerado culpado pelo crime de neglicência que conduziu a Irlanda à bancarrota. Porém, não será punido com pena de prisão efetiva, que poderia chegar a dois anos. Apesar de estar acusado de quatro crimes, o tribunal apenas deu como provado o facto de não ter reunido com o Conselho de Ministros para analisar a grave situação financeira em que o país se encontrava e que levou ao seu colapso em 2008. O tribunal decretou ainda que o réu não terá que pagar os custos do processo. Este foi o primeiro caso de um político a ser julgado por responsabilidade na crise económica mundial.Marítimo de Ílhavo, ao Museu Municipal de Portimão e aos passeios de barco no rio Tejo.

Holanda sem primeiro-ministro

— Em causa está a redução do défice público para 3% até 2013. As negociações com a extrema-direita para atingir esta meta falharam e o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, demitiu-se. De acordo com o gabinete de imprensa, “todos os ministros e secretários de Estado” abandonaram o Governo “com efeitos imediatos”. As eleições, que deveriam decorrer apenas em 2015, foram antecipadas para 12 de setembro, deixando o país com um Governo provisório durante quatro meses.


Eliseu tem novo líder

— François Hollande sucede a Sarkozy nos destinos de França. Há 17 anos que nenhum candidato do Partido Socialista Francês conseguia mandar no Eliseu. Hollande venceu as duas voltas das eleições presidenciais e impediu a reeleição de Sarkozy, que apostou durante a campanha na política de austeridade e no relacionamento com a Alemanha. Os franceses preferiram o socialista, que sempre contestou a disciplina alemã e que não tem experiência governativa. Para o futuro próximo, o novo presidente promete tirar o país da estagnação e “reorientar a Europa para um caminho de crescimento”. “Austeridade já não é uma fatalidade”, anunciou o novo líder. Resta saber como irá decorrer a parceria Alemanha/ França a partir de agora.

Cesária Évora dá nome a aeroporto

— O Governo cabo-verdiano batizou o Aeroporto de São Vicente com o nome de Cesária Évora. Segundo o primeiro-ministro do país de origem da cantora, a malograda artista “tornou mais plena e mais melodiosa” a cultura cabo-verdiana, mostrando-a um pouco por todo o mundo. Considerada a “estrela mais brilhante da constelação da cultura” de Cabo Verde, Cesária Évora ganhou ainda uma estátua, da autoria de Domingos Luísa, que foi colocada na entrada principal do aeroporto. Esta foi a homenagem efetuado pelos governantes e populares à cantora que faleceu em dezembro do ano passado. foram distribuídos panfletos junto ao estádio do Maracanã.

Mundo ao contrário

— É uma casa igual a tantas. Mas tem uma particularidade: está de pernas para o ar. O edifício foi construído na Áustria e é uma criação dos arquitetos polacos Irek Glowacki e Rozhanski Marek. Inserida na vila de Terfens, a habitação bizarra, que tem objetos, brinquedos, carros e candeeiros ao contrário, pretende assumir-se como a nova atração turística da região.

Carros sem condutor testados

— A Google obteve licença junto do Departamento de Veículos Automóveis (DVA) para testar na via pública os primeiros carros que são guiados sem condutor. A autorização foi emitida após os testes que decorreram em Las Vegas e Carson, indicando que este carro é tão seguro como aqueles que são conduzidos por uma pessoa. O veículo é um Toyota Prius, que dispõe de uma tecnologia assente em piloto automático. O radar a laser, colocado no topo e na grelha, deteta peões, ciclistas e outros veículos. A experiência vai decorrer no estado do Nevada, EUA, e exige duas pessoas no interior da viatura, uma para o volante e outra para monitorizar um ecrã de computador. A Google pediu licenças para testar três carros.

Primavera com neve

— O nordeste dos Estados Unidos da América tem assistido a uma primavera invulgar. Após um inverno ameno, as regiões do norte de Nova Iorque, Pensilvânia, Virgínia ocidental e de Maryland estiveram sob uma forte tempestade de neve. O gelo deixou milhares de casas sem energia elétrica.

Timor cria sistema de segurança social

— Timor-Leste vai criar um sistema contributivo de segurança social e contará com a ajuda e experiência de Portugal para desenvolver o mecanismo. O ministro luso da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares, assinou com a homóloga timorense, Maria Domingas Alves, um protocolo de cooperação. O documento define que os portugueses vão dar ajudas técnicas, que vão desde a formação de recursos humanos à criação de estudos, apoio à gestão e administração, entre outros. O objetivo consiste em desenvolver um sistema bem “alicerçado” e sustentável.

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MUNDO Putin segue no comando

— Vladimir Putin venceu as eleições presidenciais na Rússia com 64% dos votos, derrotando Dmitri Medvedev. O até então primeiro-ministro sobe agora a presidente e promete uma “nova etapa de desenvolvimento nacional”. No discurso de tomada de posse defendeu que o mandato de seis anos irá determinar os destinos do país para “as próximas décadas”. “Queremos e iremos viver numa Rússia bem-sucedida, que seja respeitada no mundo como sendo de confiança, aberta, honesta e previsível como parceiro”, sustentou. O novo dirigente referiu estar empenhado em reforçar a democracia. Putin foi presidente até 2008, altura em que deixou o cargo para ser primeiro-ministro, pois não podia cumprir três mandatos seguidos.

“O Grito” mais caro de sempre

— A célebre obra do pintor norueguês Edvard Munch foi a mais cara de sempre a ir a leilão. Foi arrematada por 91 milhões de euros (119,9 milhões de dólares), na leiloeira Sotheby’s de Nova Iorque. Era a única das quatro versões que ainda estava nas mãos de privados. Até ao momento, o quadro mais caro vendido em leilão era da autoria de Pablo Picasso, “Nu, folhas verdes e busto”.

Bureau de Estudantes Europeus de Tecnologia Lula da Silva elogia UA

— O ex-presidente do Brasil, Lula da Silva, elogiou a atuação da União Africana (UA), nomeadamente ao nível do Programa para o Desenvolvimento de Infraestruturas (Pida). O político acredita que o projeto é uma lufada de ar fresco num período de crise mundial e que não se move “pela mesma lógica que gerou a crise”. “Daí a importância extraordinária do programa de desenvolvimento que 54 países da África aprovaram recentemente, apostando no crescimento”, revelou Lula Silva. “A União Africana está certa, o momento é de ousadia, de união, e não de divisão, de solidariedade, e não de opressão dos mais fortes sobre os mais necessitados”, acrescentou durante um seminário sobre oportunidades de investimento no continente africano.

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— Mário Firmino Nzualo, moçambicano e estudante do Instituto Superior Técnico de Lisboa (IST), foi eleito presidente do Bureau de Estudantes Europeus de Tecnologia (BEST). A organização é a maior da Europa, contando com três mil membros de 30 países e mais de um milhão de estudantes de tecnologia. O novo líder toma posse em junho e o mandato durará um ano. O jovem já tinha desempenhado funções de presidente da BEST de Lisboa e foi embaixador continental em 2011. Mário Firmino Nzualo é o primeiro africano a ocupar a liderança do organismo estudantil europeu.

Gorongosa arrecada prémio de cinema

— O filme da National Geographic, intitulado “Elefantes com futuro”, que retrata Gongorosa (Moçambique), recebeu o primeiro prémio “One in a Million” do Sun Valley Film Festival, nos EUA. O melhor filme-documentário foi exibido pela primeira vez na televisão em finais de abril e destaca-se pelo orçamento reduzido. A produção custou menos de um milhão de dólares. O filme retrata a história de Bob Poole e da sua irmã, Joyce Poole, que trabalharam arduamente para acalmar uma manada de elefantes traumatizados e que sobreviveram a um conflito civil.


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IN FOCO

Patrícia Alves Tavares · Fotografia Paulo Costa Dias

“Inovação é imperativo das empresas” crescer de forma sustentada e ciente da mais-valia da inovação no sucesso das empresas e das economias faz, cada vez mais, parte do dia-a-dia dos gestores e até dos governos.

a angola’in foi conhecer a cotec, uma associação empresarial para a inovação, que nasceu em portugal, há quase uma década. em entrevista, joão bento, presidente da organização fala da importância da entidade no contexto económico português e do grau de desenvolvimento africano. um exemplo a seguir por outros países lusófonos.

Da inovação criamos valor Assumiu recentemente a direção da COTEC. Quais os projetos para este mandato? A COTEC foi criada em torno do Presidente da República e das experiências muito positivas que existiam em Espanha e Itália. O objetivo genérico consiste em trazer a inovação empresarial para a agenda das empresas e dar maior visibilidade ao tema. A nossa grande missão é chamar a atenção para a importância da inovação empresarial no contexto de atividade das empresas. A 18

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COTEC claramente introduziu a inovação na agenda mediática e das empresas, não só nos cerca de 120 associados, mas também nas mais de 100 PMEs (Pequenas e Médias Empresas) inovadoras no âmbito da rede PME inovação. Obviamente que a mesma enfrenta o desafio de se renovar e de, num contexto de crise como o atual, contribuir com temas de inovação empresarial para o relançamento da economia portuguesa. Defende mais inovação na economia. De que forma essa ideia pode ser aplicada e em

quais os setores primordiais? Haverá certamente setores em que por uma razão ou outra o tema da inovação empresarial faz mais sentido. Mas é algo transversal. A questão é imperativa nas empresas, quer seja para inovar e reduzir custos, para aumentar a oferta de produtos, para conseguir ganhos de eficiência face à concorrência ou para inovar na dimensão organizativa. Queremos introduzir na rotina de funcionamento das grandes, médias e pequenas empresas a ideia de que da inovação criamos valor. Na minha opinião, não há inovação sem

criação de valor. Inovar não é inventar. Inovar é criar valor a propósito de uma mudança qualquer, que pode ser social, técnica ou política. Há setores para quem inovar é mais importante justamente para se manterem no mercado, como os que estão dirigidos ao grande público e ao ‘mass market’. Hoje, é consensual que as organizações que não inovam não são sustentáveis e acabam por perder competitividade e clientes, conduzindo por diferentes razões à sua extinção. Claro que há setores muito mais expostos à necessidade de renovar, como o das tecnologias, da


Para as elites angolanas que se estão a formar no exterior é muito importante que levem a ideia de que desenvolver a inovação nas empresas, na sociedade e no Estado não é um ‘nice have’, é absolutamente imprescindível

farmácia, da biotecnologia, da química e os industriais. Mas é fundamental que estejamos convictos que inovar é um imperativo para qualquer setor de qualquer dimensão. Austeridade é a palavra mais vezes proferida pelo Governo português. Considera que falta criatividade e mais políticas voltadas para o crescimento económico? A superação do momento que vivemos passa por voltar a crescer e fazer crescer a economia. Estamos sob ação de um programa de ajustamento que tem duas gran-

des alavancas que são: a necessidade de austeridade e de reduzir os custos de funcionamento (em particular do Estado), por um lado, e de introduzir reformas estruturais que contribuam para um Estado mais saudável e uma economia sustentável, por outro. Temos depois uma outra dimensão que é pan-europeia, que é a necessidade de a economia funcionar com mais capitais próprios e menos financiamento. Se fizermos tudo isto, teremos as condições para talvez voltar a crescer. A meu ver o ênfase do programa e a forma como este Governo tem concretizado é muito

nesO que é a COTEC? ta dimenA COTEC – Associação Empresarial são. para a Inovação nasceu em 2003, São em Portugal, partindo de uma iniciativa condida Presidência da República lusa. ções Trata-se de uma organização sem fins neceslucrativos, destinada a promover o sárias paempreendedorismo das empresas, ra crescer, através da prática mas não são da inovação suficientes. Para desenvolver temos que ter também medidas do lado do crescimento e atrevo-me a sugerir duas vias que são complemen2012

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IN FOCO tares destas medidas. Uma delas são as políticas setoriais, que possam acelerar o crescimento de algumas áreas da economia que em Portugal têm expressão. Acho que estas deviam desenvolver-se a propósito de ideias, de uma visão para o país que fosse tornada consensual e que não estivesse sujeita à variação do ciclo político. Por outro lado, sabemos que isto só se vai resolver se houver um aumento significativo do contributo das exportações e aí o papel da inovação é fundamental. Para exportarmos mais, temos que ter mais empresas a fazê-lo e a exportar mais coisas. Uma política de austeridade séria não é incompatível com políticas setoriais para áreas que podem ser decisivas para Portugal. Qual o papel da COTEC num período como este, em que as empresas atravessam múltiplas dificuldades? Temos obviamente a preocupação de atender às preocupações dos associados e a forma como olham o desenvolvimento na associação e noutras organizações neste momento de crise. Temos um conjunto de pilares de atuação que passam pela valorização do conhecimento, assentes em pontos-chave da nossa missão, como, por exemplo, acelerar a ligação entre as universidades e a formação de valor económico. Valorizar o conhecimento universitário, transportá-lo para a indústria e ajudar a criar empresas. Temos uma dimensão importante na área das PMEs (Pequenas e Médias Empresas) e a PME Inovação, porque somos capazes de alargar o ecossistema que gira em torno da inovação empresarial para um número muito maior do que as grandes empresas que são o núcleo da COTEC. Criamos instrumentos, fizemos manuais de boas práticas, contribuímos para as normas portuguesas de gestão da inovação (foram aliás das primeiras da europa a serem publicadas), construímos uma ferramenta que chamamos de ‘inovation scoring’, que permite de forma muito simplificada, com apenas 41 questões fazer uma análise bastante razoável 20

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Valorizar o conhecimento universitário, transportá-lo para a indústria e ajudar a criar empresas. Queremos desenvolver mais a forma de entrosamento entre as grandes empresas e as PMEs, em que o contributo de cada uma crie ecossistemas de inovação aberta

do estado de maturidade e inovação de uma determinada empresa. Depois temos um conjunto de prémios em que a COTEC procura trazer à agenda a inovação. Neste momento, estamos a tentar ajustar-nos às preocupações do dia-a-dia e a equacionar qual deve ser a vocação da COTEC porque algumas destas iniciativas geraram frutos, outras porventura não fazem sentido ser a COTEC a sedeá-las. Estamos a tentar reencontrar o rumo para a associação, que permita deixar cada vez mais claro para os seus associados que faz sentido estar na COTEC e que traz benefícios. Precisamos de ter uma relação bidirecional em que os associados sintam que estão a contribuir para o país por estarem na COTEC e que estão a receber contributos para o seu desenvolvimento. É esse o posicionamento pretendido? Será porventura uma agência mais focada em problemas de natureza setorial que sejam consensuais, prementes para a sociedade portuguesa e em que haja uma dimensão de inovação que justifique ser na COTEC que vamos resolver esses problemas. Por outro lado, procuramos ser a sede em que se vai discutir um conjunto de lacunas de natureza mais transversal no processo de inovação. Em particular, defendo a ligação entre as universidades e as empresas, a inovação nas PMEs e nas grandes empresas. Queremos desenvolver mais a forma de entrosamento entre as grandes empresas e as PMEs, em que o contributo de cada uma crie ecossistemas de inovação aberta, em que quer as universidades, quer as PMEs, quer as grandes empresas tenham iniciativas que envolvem todas estas partes e se criem culturas, equipas de projeto e temas de pesquisa que gerem como resultados negócios, produtos, sistemas, coisas de valor. Somos uma sede em que se discute como é que podemos influenciar políticas públicas, promover e acelerar os processos de inovação e torna-los mais sustentáveis.


A COTEC comemora dez anos no próximo ano. Será instituído o Ano da Inovação. É uma ação que está em preparação? Temos uma situação muito peculiar: somos uma associação cuja assembleia geral preside o senhor Presidente da República, que está muito empenhado em fazer da celebração dos 10 anos da COTEC o ano da inovação em Portugal. E fá-lo porque há a convicção de que a inovação é um dos caminhos para podermos relançar a economia portuguesa. Temos o encontro COTEC Europa nesse ano. Estamos a começar a preparar aquilo que será a agenda do Ano da Inovação em Portugal. Dez anos depois como está Portugal em matéria de inovação? O país tem feito ao longo dos últimos anos um progresso extraordinário do lado da afetação de recursos, dos facilitadores da inovação. Temos crescido acima de praticamente todos os países comparáveis no número de doutorados, na forma como hoje medimos o esforço de investimento em Investigação, Desenvolvimento e Inovação. Todo este esforço, que é muito significativo, vai ter que ter como contrapartida do lado dos resultados da inovação sermos capazes de nos aproximarmos da média dos países comparáveis. Há ainda insuficiências na maneira como medimos o retorno do investimento que fazemos na inovação e estamos a trabalhar para tornar claro que é imperioso inovar. Há resultados que só se obtêm dessa maneira e temos que ser capazes de medir isso. Falando de inovação, Angola tem registado índices históricos de desenvolvimento e crescimento. O país tem acompanhado as tendências da inovação? Angola tem uma situação fascinante que ocorre poucas vezes na vida dos países. Tem tido um crescimento acelerado, uma convergência muito rápida com níveis de maturidade de economias mais avançadas do que as que

Quanto mais cedo os empresários e a economia angolana assimilarem a importância da inovação na forma como as empresas se organizam, mais rapidamente irão tirar partido desta dimensão

habitualmente se desenvolvem naquela região do globo. Tem recursos que lhe permite financiar esse crescimento e tem uma sociedade jovem, muito ativa, empreendedora e que irá permitir concretizar as ambições que têm. É natural que nesta fase dos países hajam prioridades nas preocupações que se desenvolvem. Num país com necessidades de infraestruturação muito significativas, como é o caso de Angola, a ênfase está em construir, desenvolver e restabelecer estruturas que permitam acompanhar e apoiar o brutal crescimento económico. A meu ver, existe também a enorme vantagem que o país irá aproveitar como oportunidade de cortar caminho a propósito daquilo que é o processo de amadurecimento da economia. Quanto mais cedo os empresários e a economia angolanas assimilarem a importância da inovação na forma como as empresas se organizam, mais rapidamente irão tirar partido desta dimensão. Ao contrário de culturas mais envelhecidas, como a Europa, em que foi preciso um grande esforço para se chamar a atenção para os temas da inovação. Angola tem

hoje a oportunidade de perceber desde o princípio que está a formar o seu tecido económico, que a dimensão de inovação é fundamental. Aliás, é patente a presença de alguns investimentos angolanos em áreas de economia inovadoras. É uma sociedade atenta a essa necessidade de inovação devido à participação crescente de empresas estrangeiras nos investimentos nacionais? Sem dúvida. É uma sociedade que estará muito mais alerta para o contributo da inovação e para a necessidade de ter esta dimensão presente. Há aqui uma oportunidade de não perder o tempo que outros perderam, incluindo Portugal, para trazer esta dimensão para o dia-a-dia das empresas. Os jovens que estão a fazer a formação no estrangeiro e pretendem regressar, poderão levar esse know-how? O mais importante é levarem a convicção de que no futuro só haverá empresas que hoje sejam inovadoras. Para a massa da população, do conhecimento angolano e das elites que se estão a formar no exterior é muito importante que levem a ideia de que desenvolver a inovação nas empresas, na sociedade, no Estado, na forma como se organizam, não é um ‘nice have’, é absolutamente imprescindível. A realidade dos países lusófonos é acompanhada pela COTEC?

Não temos nenhuma linha aberta de cooperação com os PALOP, mas à medida que a presença das empresas portuguesas nos países de língua portuguesa passa a ser mais importante, é natural que os tópicos que estão na agenda da COTEC sejam temas que passam por esses países. Mas hoje não temos nada de ativo na relação com estes países, também por razões históricas, pois surgimos na sequência de iniciativas de países como Itália e Espanha. Faz falta uma associação idêntica à COTEC? Há uma rapidez na forma como a economia angolana se está a desenvolver que tornará mais cedo ou mais tarde óbvio que esta dimensão tem que ser tratada. Portugal pode servir de exemplo em matéria de inovação e desenvolvimento? Nós crescemos muito no domínio dos recursos afetados. Ainda vamos ter que crescer nos resultados. O que recomendaria a quem esteja ligeiramente mais atrás neste processo é que se concentre não só em afetar recursos para a dimensão da inovação, mas também em garantir que estes recursos vão dar resultados, que é certamente o que vai acontecer em Portugal, dado o esforço do lado dos inputs. Olhar para os outros para seguir os bons exemplos e evitar os maus é algo que é irrecusável. Considero que Angola irá certamente fazê-lo e estamos cá para ajudar no que for preciso e para sermos auxiliados.

Não há inovação sem criação de valor. É consensual que as empresas que não inovam acabam por perder competitividade e clientes e, por isso, por desaparecer

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ECONOMIA&NEGÓCIOS

Manuela Bártolo

Previsões FMI

Política macroeconómica em alta O Fundo Monetário Internacional (FMI) esteve, no passado mês de maio, em Angola, e anunciou a previsão de um crescimento de 8% da sua economia para este ano. O aumento da procura petrolífera e os programas de investimento público serão os principais responsáveis pelo desenvolvimento da atividade económica, em 2012. Quem o refere é Mauro Mecagni, líder da primeira missão do organismo ao país desde que terminou, em finais de março, o Acordo de Stand-By com Angola, ao abrigo do qual o fundo concedeu um financiamento de 1,4 mil milhões de dólares (cerca de 1,1 mil milhões de euros).

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CASH-FLOW

Baseado no documento apresentado, a taxa global de crescimento real da economia foi de 4%, bastante acima dos 3,4% inscritos no seu relatório anual de abril deste ano (World Economic Outlook). Apesar do desempenho macroeconómico do último ano ter sido afetado por dificuldades na produção de petróleo, devido a problemas técnicos em alguns poços, as mesmas foram compensadas pela ‘forte expansão’ do setor não petrolífero, o que significa que a diversificação económica registada em 2011 foi alvo de um significativo impulso. O facto de a previsão para o crescimento económico ter sido revista em alta demonstra que as estimativas de evolução do produto para o corrente ano sejam atualmente mais moderadas. Tratando-se de uma variação em relação ao ano precedente é consensual que aumentando a base da variação ela se reduza. O FMI apontava, em abril, para que o PIB angolano crescesse 9,7%, em 2012, considerando agora que o crescimento da economia nacional este ano se deverá situar em 8%. No OGE para 2012 o Executivo estimava que a economia crescesse 12,8% este ano. No balanço apresentado recentemente pela ministra do Planeamento, Ana Dias Lourenço, a mesma situou o crescimento para este ano entre 8% e 10%. O relatório de balanço do Executivo projeta para 2012uma taxa de crescimento do PIB de cerca de 8,9%, com contribuições do setor petrolífero e não petrolífero de 8,5% e 9,1%, respetivamente. Segundo o FMI, também o excedente terá aumentado para 10% do PIB (Produto Interno Bruto). O OGE para 2011 previa um saldo corrente de 13,3% do PIB, um saldo global na ótica do compromisso de 3,5% do PIB e um saldo global de caixa da ordem dos 2,4% do PIB. De acordo com o FMI, as reservas internacionais lograram ultrapassar os USD 27 mil milhões até ao final de 2011, correspondendo a 6 meses de importações em 2012. De acordo com o Relatório de Desempenho da Atividade do Executivo as reservas internacionais líquidas situavam-se, em dezembro de 2011, em USD 25.907,79, passando para USD 26.924,98 milhões, em março de 2012. Já as reservas cambiais atingiram os USD 28,4 mil milhões no final de abril.

Fatores positivos O documento do FMI faz uma avaliação bastante positiva do desempenho da economia nacional. Segundo o responsável máximo da delegação ‘o programa de estabilização económica das autoridades angolanas, apoiado pelo Acordo Stand-By do FMI 2009-2012, atingiu os seus objetivos principais. Três anos após a repentina queda dos preços mundiais do petróleo, o que afetou severamente a economia angolana, o país conseguiu alcançar uma posição fiscal melhorada, um nível mais confortável de reservas internacionais, uma taxa de câmbio estável e uma taxa de inflação mais reduzida. Além disso, os atrasos de pagamento internos foram regularizados. Registou-se também uma melhoria significativa na transparência fiscal e na prestação de contas’, salienta.

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cas fiscais e incluir no orçamento as operações quasi-fiscais, anteriormente realizadas pela empresa estatal do petróleo, justificar adequadamente o considerável saldo residual nas contas orçamentais de 2007-2010 e modernizar o quadro de política monetária e de estabilidade do setor financeiro’. As perspetivas económicas para os anos vindouros permanecem positivas em função das atuais projeções relativas aos preços petrolíferos e da forte dinâmica das reformas previstas nos planos de médio prazo das autoridades. Mario Mecagni explicou que os responsáveis políticos do país estão ‘adequadamente focados em três áreas fundamentais para o seu desenvolvimento’. Primeiro, dado o caso da economia angolana ‘estar sujeita a incertezas que decorrem dos preços do petróleo, da produção petrolífera e de uma conjuntura institucional ainda em evolução, - fontes de volatilidade que afetam a execução do orçamento e podem amplificar os efeitos negativos de repetidos arranques e suspensões dos projetos de investimento público na economia -’, as autoridades têm vindo ‘a reforçar os mecanismos fiscais, de modo a manter os ganhos dificilmente logrados na estabilidade macroeconómica e apoiar a implementação dos seus planos de desenvolvimento ambiciosos’. Segundo, ‘a nova lei cambial para as empresas petrolíferas requererá que uma grande parte das transações financeiras das empresas petrolíferas, anteriormente efetuada offshore, passe pelos bancos domésticos’. Assim, o FMI prevê que ‘esta medida aumente as possibilidades de intermediação financeira doméstica e sirva para promover maior concorrência e inovação financeira’. Porém, informa que ‘esta medida pode também resultar numa rápida expansão nos balanços dos bancos’. Nesse sentido, ‘para que o processo de aprofundamento financeiro seja sustentável’, aconselha ‘a reforçar significativamente a supervisão prudencial, mesmo antes da implementação paulatina da lei’.

A inflação continuou a recuar gradualmente, até cerca de 11% no final do ano

Para Mauro Mecagni, a forte expansão do setor não petrolífero soube compensar o declínio do setor petrolífero, o que resultou numa taxa global de crescimento real de cerca de 4 por cento. ‘A inflação continuou a recuar gradualmente, até cerca de 11% no final do ano. O superávit fiscal aumentou para aproximadamente 10% do PIB, auxiliado parcialmente pelos elevados preços petrolíferos’, explica. Quanto às atividades económicas, o organismo prevê uma aceleração este ano, à medida que a produção petrolífera recuperar. Este organismo está positivo quanto à evolução devido ao facto da atividade económica em diversos setores estar a ser beneficiada pela intensificação e aceleração dos programas de investimento público e pela regularização dos atrasos governamentais de exercícios anteriores. Contudo, o documento apresentado refere que o crescimento da produção agrícola está a ser prejudicado pela estiagem persistente.

Já no domínio das políticas, o relatório explica que ‘as autoridades estão a trabalhar no sentido de reforçar o ambiente institucional para as políti-

A terceira área tem por base os esforços já existentes, ou seja, ‘as políticas económicas devem continuar a facultar a transformação estrutural e diversificação da economia. Para desencadear o enorme potencial económico de Angola e impulsionar um crescimento inclusivo, as autoridades são incentivadas a prosseguir políticas que facultem: melhoria no capital humano e físico, ao continuar a reequilibrar o orçamento para programas sociais e investimento em infraestruturas; um decréscimo continuado da inflação e uma qualidade decisiva no ambiente empresarial, bem como custos reduzidos de produção e distribuição, de modo a permitir uma maior contribuição por parte do setor privado no desenvolvimento económico’. O fundo alerta que ‘ao longo dos próximos anos, as autoridades terão de abordar estas questões num contexto global, que apesar de demonstrar melhorias, proporciona ainda elevados riscos de recaída’. Neste aspeto o organismo deixou uma mensagem clara: ‘múltiplas economias avançadas registam um crescimento menor devido à consolidação fiscal e à desalavancagem bancária. Tais desenvolvimentos poderão indiretamente vir a afetar Angola, por via de uma menor demanda pelas suas exportações e uma maior aversão ao risco por parte dos investidores. Neste contexto, as autoridades angolanas reconhecem a necessidade de equilibrar uma ampliação prudente e criteriosa dos investimentos públicos e uma acumulação aconselhável de mecanismos de proteção fiscais e das reservas’. No final, a mensagem foi de elogio para a implementação das reformas no âmbito da política monetária do país, com destaque para os esforços que têm sido realizados no sentido de atingir políticas macroeconómicas sólidas com vista a um maior sucesso nos processos de redução da inflação e de crescimento da moeda nacional – o kwanza. O último conselho centrouse na continuidade de uma melhor governança, transparência e qualidade do ambiente de negócios, de forma a estabelecer bases para uma, cada vez maior, diversificação económica e crescimento inclusivo.

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ECONOMIA&NEGÓCIOS

Manuela Bártolo

MAIS INCENTIVOS FISCAIS

— Isenção dos impostos sobre materiais de construção. Atualmente fixado em 35%, o imposto industrial poderá baixar para 30% ainda este ano, estando prevista outra redução para 2013 e nos anos subsequentes novas baixas. A estratégia do Governo é simples: apoiar o investimento à economia nacional. No caso da construção, os incentivos à importação de materiais recai sobre os investidores estrangeiros no sentido de os isentar de pagarem tributos. Uma medida que tem como objetivo tornar o país mais competitivo na região austral através da promoção de produção local de materiais. Trata-se de uma rutura no tipo de ações que têm sido conduzidas, já que limitar a isenção das importações por si só não tem sido eficaz, de acordo com José Severino, presidente da AIA. ‘As isenções devem ser apenas para quem investe em Angola a fim de se criar empregos, riqueza e fazer poupança de divisas”, sublinhou o responsável.

PARCERIA NA ANGOLA LNG

— A proposta de aquisição para controlo conjunto da empresa angolana Angola LNG pela BP (Reino Unido), Chevron Global Energy (EUA), ENI (Itália), Total (França) e a Sonangol foi aprovada pela Comissão Europeia. Depois de ter analisado o negócio ao abrigo do Regulamento de Fusões da União Europeia, o organismo decidiu que a transação não levanta problemas de concorrência devido à diminuta quota de mercado da parceria, à presença de alguns concorrentes credíveis no setor do gás natural e à capacidade inalterada das empresas concorrentes em procederem à re-gaseificação. Esta parceria vai transformar gás natural, obtido a partir da produção de petróleo e transportado por gasodutos, até à unidade de liquefação em terra, em gás natural liquefeito, a ser posteriormente vendido a clientes em todo o mundo para posterior re-gaseificação. Esta entidade concluiu também que a transação não impedirá a concorrência efetiva na Área Económica Europeia no seu todo ou em parte. Os grupos BP, Chevron, ENI e Total são operadores a nível mundial na exploração, produção, refinação e comercialização de petróleo e de gás natural, enquanto a estatal Sonangol é o único concessionário para a exploração de petróleo e de gás no subsolo e na plataforma continental de Angola. A Angola LNG é um consórcio entre a Sonangol que detém 22,8% e as empresas subsidiárias da Chevron (36,4%), Total (13,6%), BP (13,6%) e ENI (13,6%).

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TEMOS BUE

— O projeto ‘Balcão Único do Empreendedor – BUE ‘- é a forte aposta do Executivo para organizar o tecido empresarial e a economia. Quem o diz é o secretário de Estado da Indústria, Kiala Gabriel, que considera a iniciativa do Governo uma oportunidade para formalizar a atividade económica e facilitar o acesso das pessoas aos recursos financeiros do Estado, assim como a aquisição de personalidade jurídica para o exercício económico e comercial. A iniciativa constitui ainda uma ‘forma de combate à atividade informal’, tratando-se de um ‘progresso e um instrumento para tirar as pessoas da rua’. Dirigido, sobretudo, ao micro e pequeno negócio, irá procurar ‘olhar para as camadas desfavorecidas e enquadrá-las na economia formal. O valor máximo a ser disponibilizado pelo BUE é de 7 mil USD. O projeto inclui ainda formação aos potenciais beneficiários. Cabinda é um exemplo da forma como a indústria petrolífera causa transtornos às populações que vivem do mar.


SABIA QUE

O Estado está a criar condições para relançar o Instituto Nacional de Micro, Pequenas e Médias Empresas (Inapem).

CASH-FLOW

KIXI-CRÉDITO APOIA POPULAÇÃO

— O projeto financiado pelo Banco Nacional de Angola (BNA) tem vindo a contribuir para a redução da pobreza nas comunidades. A afirmação é do gestor principal da região sul do país, João Afonso Pedro, que anunciou recentemente disponibilizar de sete milhões de dólares norte-americanos, até Dezembro. A estratégia passa por fazer deste um instrumento de apoio ao Executivo angolano, Segundo o responsável da região, que abrange as províncias do Huambo, Huíla, Benguela, Namibe e Bié, os clientes do Kixi-crédito aderem normalmente ao Kixi-solidário, no qual recebem entre 10 a 50 mil kwanzas e outro do Kixi-reforçado com um valor de 30 a 300 mil, além daqueles que solicitarem o Kixi-negócio de 300 mil a um milhão de kwanzas. Já o administrador municipal do Huambo, José Marcelino, tem vindo a incentivar os clientes do Kixi-crédito no sentido destes continuarem a apostar nos seus negócios tendo em conta o papel do setor privado no crescimento e desenvolvimento sustentável da economia nacional. O Kixi-crédito presta serviços de financiamento desde 1999 e tem até ao momento na província do Huambo cinco mil e 600 clientes.

ENTREPOSTO ADUANEIRO — O Entreposto Aduaneiro procedeu à reabertura da rede de supermercados Poupa Lá em Luanda. Para o presidente do Conselho de Administração (PCA), este passo faz com que as famílias angolanas tenham mais opções de consumo a um preço aceitável, além de apoiar o desenvolvimento da agro-pecuária e da indústria nacional. Uma ações que teve o suporte do Governo e do ministério do Comércio.

MARCA ‘FEITO EM ANGOLA’

— Colocar os produtos nacionais com competitividade no mercado interno. Esta é a grande oportunidade do programa Feito em Angola para o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino. A iniciativa visa incentivar o gosto pelo produto nacional, tornando-o uma referência junto do consumidor, tendo como objetivos principais o combate ao desemprego e o aumento da riqueza distribuída junto da população. Segundo este responsável, o lançamento da marca constitui uma solução de incentivo às empresas nacionais, sobretudo às que já estão com marca de exportação. Ver os produtos angolanos no estrangeiro com representatividade, qualidade e competitividade, particularmente na zona de comércio livre, SADC, é o intuito que se segue. Para isso, a AIA tem vindo a trabalhar num projeto de certificação de qualidade e gestão de excelência nas empresas.

TOME NOTA

— O Executivo tem em curso um programa que prevê inaugurar, até ao final deste ano, 161 pequenos balcões de empreendedorismo nos diversos municípios do país e outros 22 grandes, nas 18 capitais provinciais.

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CASH-FLOW

ECONOMIA&NEGÓCIOS PROVÍNCIAS

Cabinda

ENERGIA ELÉTRICA

— Cabinda inaugura os maiores engenhos de produção de energia elétrica. As duas novas turbinas a gás instaladas na planície do Malembo, têm cada uma capacidade de 35 MegaWatts, Esta obra procura pôr fim aos problemas registados nos últimos anos ao nível da produção e fornecimento de energia elétrica na cidade de Cabinda e na vila de Lândana, sede do município de Cacongo. O município festeja ainda a construção da Nova Ponte Cais que trará aos agentes importadores, classe empresarial, despachantes, comerciantes e população no geral mais facilidades na importação e exportação de produtos de consumo e materiais no Porto de Ponta-Negra. Luanda-Cacuaco

INAUGURAÇÃO DE FÁBRICAS

— Três novas unidades industriais ligadas ao setor das bebidas foram abertas no município de Cacuaco, província de Luanda. São elas a Coca-Cola Bottling (Luanda Norte), a Cerveja Ngola Norte e Vidreira de Angola S.A., Vidrual, cuja inauguração se enquadra no programa de industrialização do país. As três integram a Zona Económica Especial (ZEE) Luanda/Bengo. Na fábrica de embalagens de vidro (Vidrul), foram investidos mais de USDD 80 milhões, para ter em funcionamento um segundo forno de fusão de vidro de duas máquinas de 12 seções cada. Já a Coca-Cola Bottling Luanda e a empresa de Cervejas Ngola investiram um total de USD 205 milhões (repartidos entre as duas), o que permitiu a criação de 533 postos de trabalho diretos.

AGRO-NEGÓCIO

CENTRO AGRO-ECOLÓGICO

— A ministra do Ambiente, Fátima Jardim, anunciou recentemente, no Huambo, que a comuna da Chipipa, a 18 quilómetros da capital da província, vai contar um centro agro-ecológico no prazo de seis meses. A infraestrutura será uma mais-valia para os agricultores, já que irá garantir o aproveitamento dos solos, a produção de adubos e também de biogás. Por sua vez, a diretora do Ordenamento do Território, Urbanismo e Ambiente, Ana Paula de Carvalho, destacou a importância do centro no fomento da agricultura local, tendo salientado que é uma área de conservação ambiental que vai interagir com os profissionais da agropecuária e dotá-los de capacidades técnicas.

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PRODUÇÃO DE MEL

— As províncias do Moxico, Bié e Cuando- Cubango vão produzir maior quantidade de mel para o consumo interno e para a exportação. O projeto da Cadeia Produtiva orientado pela Agroshop, depois de um ano de estudo nas três províncias, foi apresentado recentemente ao executivo do Moxico, na cidade do Luena. Para a sua execução, o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) disponibilizou mais de USD 18 milhões. O dinheiro irá ser utilizado na formação de cerca de 10 mil pessoas, que passam de apicultores artesanais a apicultores empresariais nas províncias do Moxico, Bié e Cuando-Cubango. Esta iniciativa insere-se no Programa do Governo de Combate à Fome e à Pobreza e que inclui ainda a exploração, recolha, transformação, construção de entrepostos ou casas de mel e aquisição de equipamentos necessários até ao produto final, com rótulo de Angola. A administradora executiva do BDA, Londa Soque, afirmou que o mel é um produto muito procurado no mercado mundial a julgar pelas suas propriedades vitais. A Agrohop, empresa especializada para a produção do mel conta com duas universidades europeias, para efeito de certificação do produto e testemunho dos métodos a serem empregues, de acordo com padrões internacionais. O mel de Angola é considerado como sendo de boa qualidade, daí a sua necessidade no mercado internacional. Na segunda fase da cadeia produtiva do mel estarão inclusas mais duas províncias, Cabinda e Benguela.


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ECONOMIA&NEGÓCIOS

Manuela Bártolo

Especial Fórum Africano de Finanças & Investimento AFIF 2012

O futuro é África — Em entrevista exclusiva à Angola’in, Idit Miller, diretora executiva da EMRC, esclarece a importância das PME’s para o cumprimento dos Objetivos do Milénio e a sua contribuição no processo de desenvolvimento sustentável em África. Com uma abordagem exigente e objetiva, explica o papel do setor privado africano e o potencial emergente do agronegócio, que deve ser analisado como uma oportunidade de tornar o continente um dos maiores fornecedores de alimentos do mundo. Elogia ainda a nova geração de empreendedores, que estabelecem parcerias internacionais na base da inovação, qualidade, custos dos produtos e serviços e no apoio ao crescimento do seu país. De forma positiva, remata afirmando que ‘os recursos humanos e naturais são extensos e em abundância, as ideias e os projetos existem e os mercados-alvo estão disponíveis’, pelo que cabe somente a África, aos seus países, empresários e setor público e privado decidir qual o espaço que querem ocupar na economia mundial.

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OUTSIDE

Participantes no AFIF 2011, no contexto da reunião anual do BAD, junho de 2012, em Lisboa

A EMRC organiza, desde 1992, várias iniciativas com o objetivo de promover o desenvolvimento africano. Na sua opinião, este continente está a ter um crescimento sustentado? Numa única palavra – sim! O continente africano pode ter um desenvolvimento sustentável. No meu entender, esse é o único caminho que África deve seguir para criar estabilidade, crescimento e desenvolvimento a longo prazo. O objetivo estabelecido pela EMRC e que tem sido o seu foco todos estes anos é precisamente a sua sustentabilidade, suportado pela defesa da ideia de que o setor privado deve desempenhar um forte papel nesse desenvolvimento e crescimento económico no

Na última década, o mundo direcionou a sua atenção para África por razões menos associadas à ajuda humanitária, centrando-se na criação de parcerias junto do setor privado

futuro. A missão do nosso organismo é potenciar o setor privado em África, sendo catalisador de um desenvolvimento e crescimento sustentado e responsável. Fazemo-lo através de parcerias entre países africanos e intra-continentais no setor público e privado, que contam com importantes parceiros. A nossa visão e estratégia são determinadas pelo facto do nosso trabalho ser orientado para uma maior conexão com as políticas internacionais, contribuindo dessa forma para o cumprimento do 8º Objetivo de Desenvolvimento do Milénio, que incentiva precisamente a criação de parcerias globais para o progresso. A nossa organização assenta em seis princípios fundamentais:

Criar o cenário e ambiente ideal para a promoção e realização de parcerias de negócio sustentáveis; Incentivar Parcerias Público-Privadas (PPP); Atrair novos investimentos para o continente africano, ajudando a melhorar o diálogo entre os diferentes setores; Promover o comércio local, regional e internacional; Mobilizar negócios através da inovação em África; Estimular a partilha de conhecimentos e desenvolvimento de capacidades

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ECONOMIA&NEGÓCIOS

José Severino, presidente da Associação Industrial de Angola

As reuniões B2B são um dos destaques do evento. Quais são os critérios que pesam na seleção dos participantes para cada reunião? Na sua opinião, vivem-se tempos de partilha apenas entre empresários ou outras entidades envolvidas? Cada participante/organismo é estudado anteriormente a fim de promover uma reunião entre os agentes que têm interesses ou projetos comuns? Estas reuniões são realmente essenciais e captam bastante o interesse de todos os participantes envolvidos. Trabalhamos diretamente com uma empresa especializada que criou um software específico para as necessidades de todos os negócios apresentados durante o evento, o que permite uma combinação perfeita entre todos. Pessoas de todo o mundo, de todos os setores de atividade, desde PME’s a ONG’s internacionais, podem conhecer-se melhor durante as reuniões pré-programadas. Esta

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oportunidade é única, uma vez que o evento oferece uma enorme variedade de contactos e propostas, que diariamente seriam impossíveis de conhecer ou alcançar por variadíssimos fatores: ou porque determinada empresa é de difícil acesso ou por falta de tempo ou pelos custos elevados que representa essa troca de conhecimento entre parceiros. Durante a reunião personalizada B2B as pessoas têm a possibilidade de se sentar com potenciais parceiros e trabalhar em conjunto com eles de forma a realizar parcerias, promovendo o seu negócio ou simplesmente expondo as suas ideias e projetos. Qualquer participante registado no fórum é convidado a inscrever-se nestas reuniões. É muito gratificante quer para eles, quer para a própria equipa da EMRC poder participar e realizar estas ações. No nosso último evento, que teve lugar em Joanesburgo, conseguimos organizar mais de mil reuniões, em apenas dois dias!

Nos países da OCDE, 50% do emprego criado por ano provém do setor privado. No entanto, as PME’a africanas deste setor enfrentam dois grandes desafios: a falta de infraestruturas e o déficit em relação ao acesso ao financiamento. Problemas que a EMRC procura ajudar a ultrapassar

Pode mencionar alguns projetos ou ações com sucesso que tenham sido apresentados em edições anteriores? Em relação ao prémio atribuído ao melhor ‘Projeto Incubadora’, promovido por nós e que será novamente realizado este ano, posso citar a experiência do vencedor mais recente – Everlyne Cherobon – diretora da empresa Emeden Kenya, situada naquele país, e que ganhou o galardão no Fórum EMRC-UNDP Agronegócio 2011, em outubro passado, na África do Sul. A sua reação perante esta distinção traduz o impacto que o galardão teve no seu trabalho: “ganhar o prémio foi um momento decisivo quer para mim, quer para a minha empresa. É difícil exprimir por palavras exatamente como me senti quando percebi que o meu projeto era o vencedor’, refere Cherobon. ‘Ser reconhecida pelos meus pares, por especialistas internacionais e investidores, bem como ter destaque nos órgãos de comunicação social de todo o mundo é verdadeiramente estrondoso e vantajoso para o meu negócio”. São estas pessoas e estes resultados que fazem com que as pessoas e as empresas se tornem membros fiéis dos nossos eventos, o que é realmente recompensador e faz valer a pena o esforço de toda uma equipa. Outro exemplo importante é o de Judit Macuacua, de Moçambique, membro da EMRC e gestora da Wissa, uma PME que produz e transforma mandioca neste país africano. Esta empresária partilhou connosco a sua experiência enquanto participante e pode-se confirmar os resultados positivos pós-evento. ‘Ter ido ao fórum EMRC, na África do Sul, mudou realmente a minha empresa. Esta participação permitiu-me atingir um outro nível empresarial e de negócio, possível apenas por se tratar de uma organização de mérito internacional. Definitivamente, acredito que tomei a decisão certa. Durante quatro dias estive em contacto com pessoas de todo o mundo que trabalham na mesma área ou que procuram oportunidades de investimento, o que me permitiu aprender muito e, acima de tudo, fazer contactos importantes. Fez crescer a minha autoconfiança


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Idit Miller, diretora executiva e vice-presidente da EMRC

ao perceber que outros parceiros se interessavam pelo meu projeto’, afirma. ‘Desde que participei neste fórum fui contactada por meios de comunicação social internacionais e por empresários interessados em investir ou tornar-se parceiros de negócio. Na verdade, mudou o futuro da minha empresa para muito melhor, o que me tornou uma fã assumida da EMRC’, explica. Para além destes dois exemplos de sucesso, devo salientar que temos muitas empresas angolanas no setor público e privado e institutos de ensino superior, que participam nos nossos eventos. De destacar a INCER, AIA, Cafangol, Pecar, ESAAPA, vários ministérios e governos provinciais, assim como universidades (Universidade Agostinho Neto e Universidade José Eduardo dos Santos), que são membros há vários anos e com quem estamos em contacto próximo, ajudando-os e informando-os sobre as atividades empresariais.

Uma economia só pode ser sustentável e desenvolver-se se o setor empresarial se unir, tiver acesso a financiamento e um foco de âmbito internacional

Quem são os finalistas do prémio Projeto Incubadora 2012? Existem angolanos na lista? Quais são os principais setores dos projetos a concurso? Os finalistas são anunciados no início do fórum, a 18 de Junho. Contudo, devo adiantar que temos tido sempre - se analisarmos os vencedores de eventos anteriores -, um grupo muito diversificado de participantes, o que torna a distinção muito emocionante para nós. Este ano a entrega do prémio é ainda mais especial porque o realizamos em parceria com a Hivos e a VC4Africa, o que significa que os nomeados e o vencedor terão ainda mais reconhecimento internacional. A atmosfera é única quando as apresentações são feitas - o auditório enche-se para apoiar e incentivar os projetos, num ambiente exclusivo! E é claro que há os meios de comunicação internacionais, sempre muito interessados no lado humano de

desenvolvimento africano, pelo que este evento é o lugar perfeito para quem quer anunciar o seu projeto ao mundo. Deduzimos que para o vencedor haja uma série de boas oportunidades que lhe são criadas. O que muda, no seu entender, na vida dele? Os vencedores anteriores expressaram os seus sentimentos de alegria logo no instante em que foram anunciados, o que provoca uma sensação indescritível de prazer e conquista. De salientar também que, desde o primeiro minuto, a comunicação social internacional faz-lhes entrevistas, o que significa que o foco está lá e que o vencedor ganha reconhecimento imediato com a sua distinção. Através dessa promoção e notoriedade dá-se a abertura de muitas portas, de forma a chegar a potenciais investidores. Muitos vencedores participaram com o objetivo de aumentar

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os seus negócios e adquirirem novos parceiros e de facto conseguiramno. A todos os interessados em obter mais informações sobre cada um deles, sugiro que leiam as suas entrevistas nos seguintes endereços: www.emrc.be/en/projects/projectincubator-award/interview-everlynecherobone www.emrc.be/en/projects/projectincubator-award/interview-suzannebelemtougri www.emrc.be/en/projects/projectincubator-award/interview-mariaodido www.emrc.be/en/projects/projectincubator-award/interview-derekkwesiga Este ano o tema principal da reunião é a “Inclusão Financeira através das PME’s e Cooperativas”. Tendo também destaque as questões relativas à agricultura através da maior exposição mundial do setor - a Floriade. Quais foram os fatores que conduziram à escolha deste assunto e qual é a

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África deve cooperar no sentido de alcançar uma balança comercial mais equilibrada a nível regional e contribuir a nível internacional para o fornecimento de alimentos necessários a todo o mundo

importância desta atividade para a sustentabilidade financeira de um país, sobretudo dos africanos? Encontrar soluções para o desenvolvimento e crescimento económico é essencial para cada continente e país. Na última década, o mundo direcionou a sua atenção para África por razões menos associadas à ajuda humanitária, centrando-se na criação de parcerias junto do setor privado, isto é, do comércio e real crescimento económico sustentável. Este ano - o Fórum Africano de Finanças & Investimento -, é ainda mais importante do que os anteriores, dada a evolução e progresso da economia mundial dos últimos tempos. O continente africano tem, cada vez mais, de cumprir o seu papel e investir nos seus países e populações. Os recursos humanos e naturais são extensos e em abundância, as ideias e os projetos existem e os mercadosalvo estão disponíveis. Importa, por isso, que os muitos governos e empresários encontrem a solução para a manutenção da paz e estabilidade e fomentem um ambiente de negócios favorável, de forma a garantir que todo este potencial que existe em África seja finalmente cumprido.

Por exemplo, este ano, teremos presente uma delegação angolana, constituída por altos dignitários do país, desde empresários a dirigentes públicos, representados pelo presidente da AIA – Associação Industrial de Angola – José Severino, que vêm partilhar a sua experiência, conhecimento e avançar com a exposição e realização de novos projetos. Vários especialistas mundiais também estarão presentes no AFIF 2012 para falar sobre as diferentes ferramentas financeiras necessárias e disponíveis no mercado, que garantem a todas as PME’s, cooperativas e outras instituições acesso ao financiamento. O objetivo é que estes possam fazer avançar e concretizar projetos válidos e importantes para o continente. Nesse sentido, destaco a presença de Berry Marttin, membro do conselho executivo do Rabobank (Holanda), Indira Campos, diretora angolana de investimento do BAD (Banco Africano de Desenvolvimento, Tunísia) e Jean-Michel Severino, diretor geral da I&P (Investidor e Parceiro para o Desenvolvimento) e diretor da AFD (Agência Francesa de Desenvolvimento). Toda esta matéria que será abordada é essencial pa-


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Ministro das Finanças de Angola, Carlos Alberto Lopes, uma intervenção durante um evento EMRC na Cidade do Cabo, África do Sul, 2009

ra um crescimento de longo prazo, uma vez que uma economia só pode ser sustentável e desenvolver-se se o setor empresarial se unir e tiver acesso a financiamento e um foco de âmbito internacional. Estes fatores são cruciais para que haja reconhecimento e investimento nos projetos, pois asseguram as estruturas necessárias para avançar. A EMRC juntou-se, este ano, ao Rabobank, uma instituição financeira holandesa. Porquê a escolha deste parceiro e quais as vantagens que propicia para os africanos? A parceria com o Rabobank, num evento que se irá realizar na sua sede, é uma ocasião única e muito especial. Esta entidade bancária foi nomeada um dos 30 bancos mais confiáveis ​​e estáveis ​​do mundo e tem mantido a classificação triple A das agências de rating durante a atual crise económica mundial. Facto que fala por si só, sobretudo se atendermos ao sucesso da estratégia do banco, que esperamos possa ser inspirador e servir de exemplo numa potencial adaptação à realidade africana, tendo em conta as devidas

especificidades. Como organismomodelo de tipo cooperativo que é, que possa compartilhar as suas experiências, tornando-se um bom parceiro para facilitar os contactos importantes entre os participantes do fórum. É urgente melhorar o acesso ao financiamento. Na sua opinião, os bancos comerciais precisam de desenvolver a sua posição? São essenciais para a realização das estratégias necessárias às PME’s e cooperativas? Sim, o mundo despertou para o facto de que sem incremento e crescimento das PME’s é muito difícil estabelecer um setor privado viável em qualquer país. A maioria das economias africanas tem uma larga percentagem da população a trabalhar para empresas desta dimensão, pelo que é muito importante que esses milhões de pessoas possam sentir que podem desenvolver e crescer em conjunto. Ora, só conseguirão alcançar esse patamar se tiverem acesso ao financiamento e não forem excluídas do setor financeiro. Durante o fórum deste ano, as PME’s terão a oportunidade de apresentar

os seus projetos perante de alguns dos maiores decisores do setor e dar a conhecer todo o potencial que pode ser criado a partir das PME’s africanas. África tem capacidade para se assumir como o principal fornecedor de alimentos do mundo? Sim, acredito que sim pela experiência que desenvolvi no contacto com especialistas desta área e com PME’s que atuam neste domínio. As especificidades do continente africano são uma vantagem única quando se trata de potencial agrícola. No entanto, deve haver investimentos sérios no continente, em diversas áreas, que têm influência direta e indireta no desenvolvimento deste e de outros setores em África, como é o caso dos transportes e infraestruturas, bem como devem servir para promover o financiamento do comércio e áreas de apoio.

Os países despertaram para o facto de que sem incremento e crescimento das pme’s é muito difícil estabelecer um setor privado viável em qualquer país. Dois dos objetivos do milénio é precisamente criar o cenário e ambiente ideal para a promoção e realização de parcerias de negócio sustentáveis e incentivar parcerias públicoprivadas

Moussa Seck, presidente do Consórcio Pan-Africano de Agronegócio (PanACC) descreveu a situação muito bem quando referiu que África “está situada entre o 40º paralelo norte e o 40º paralelo sul, o que faz

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OUTSIDE Participantes EMRC,  Cidade do Cabo, África do Sul, 2009

sucesso, especialmente em África, onde os dois setores se encontram muitas vezes juntos. Os Princípios para a Inclusão e Inovação Financeira do G 20 reconhecem a importância das PME’s, questão que integra os objetivos do grupo de trabalho constituído para este setor, em 2011. O regime privado tem um papel central a desempenhar, de forma a garantir um crescimento económico sustentável em toda a África. Contudo, existem importantes fatores que pesam sobre o sucesso do empreendedorismo nas economias emergentes. Bobby Pittman, vice-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, durante a sua apresentação no Fórum EMRC-BAD PME, de junho de 2011, destacou o papel fundamental desempenhado pelas PME’s, citando como exemplo os países da OCDE, onde 50% do emprego criado por ano é oriundo deste setor em particular.

com que, por um lado, tenha capacidade de fazer crescer qualquer espécie agrícola em pouco mais de um ano e, por outro, dadas as diferenças de cultura possíveis a norte e a sul do Equador, de alternar a sua produção’. De acordo com este organismo, os EUA, a India e a Europa conseguem produzir em duas semanas a mesma quantidade de alimentos que a África produz num ano. Este indicador serve para incentivar o continente a resolver a situação, a começar a cooperar no sentido de alcançar uma balança comercial mais equilibrada a nível regional e contribuir a nível internacional para o fornecimento de alimentos necessários a nível global. Uma necessidade que vai aumentar nos próximos anos na Europa e noutros continentes, pelo que África deve-se preparar para tirar o máximo proveito desta oportunidade de negócio. Países como Angola e Moçambique, que têm alcançado bons níveis de crescimento, estão integrados em associações de países de língua oficial portuguesa. A lusofonia pode ser um fator estratégico para o comércio e promoção do agronegócio?

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É sempre mais fácil quando os parceiros falam a mesma língua e têm uma história comum. Podemos dizer que ter a mesma língua vai de certa forma facilitar a comunicação entre os diferentes atores. Mas gostaria de destacar que um bom número de jovens empreendedores de países lusófonos falam fluentemente inglês nas relações comerciais que estabelecem e as parcerias vão cada vez mais além da questão linguística, valorizando a inovação, a qualidade, o custo dos produtos e serviços e contribuição para o desenvolvimento sustentável no seu país, por exemplo. Está acordado que o setor público e privado devem trabalhar em estreita colaboração para assegurar a estabilidade da economia agrícola. Qual é a melhor estratégia para agilizar essa relação e qual o papel a desempenhar por terceiros, como é o caso dos bancos ou das associações? O papel do setor privado para assegurar o crescimento a longo prazo e, por conseguinte, o desenvolvimento sempre foi imperativo. Garantir a cooperação entre o setor público e privado é hoje a solução para o

O agronegócio africano tem um enorme potencial de crescimento

No entanto, também apontou os dois principais obstáculos e desafios que as empresas africanas desta dimensão enfrentam: a falta de infraestruturas e o déficit que têm em relação ao acesso ao financiamento. A EMRC, juntamente com os seus parceiros, procura resolver, com os eventos de negócios e atividades que organiza, questões como a redução de perdas pós-colheita devido à utilização de tecnologias obsoletas e de infraestruturas inadequadas, especialmente em áreas rurais, em que mais de 30% da colheita realizada nunca chega ao mercado -, a falta de infraestruturas, a falta de formação e conhecimento e a escassez de apoio financeiro. Exemplos que servem apenas para mencionar os fatores impeditivos mais comuns a todos os países africanos, que também não são alheios a Angola. O setor privado internacional está a emergir como uma força poderosa, contribuindo para o fortalecimento do setor agrícola no continente. Acreditamos, por isso, que o sucesso de África depende da excelência do seu setor privado, já que o agronegócio africano tem um enorme potencial de crescimento e a solução está nas parcerias e na abertura aos mercados internacionais. Ver e construir para além dos horizontes. — Imagens gentilmente cedidas pelo Departamento de Comunicação e Marketing EMRC


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Setor Financeiro atinge

Maior maturidade — Vitor Ribeirinho, Head of Audit da KPMG em Portugal e Angola e membro da Comissão Executiva da KPMG, analisa os principais desafios do setor financeiro em Angola, tendo em consideração as principais alterações regulatórias atualmente em discussão —

Já passaram cerca de dois anos desde que a KPMG com uma nova liderança começou a ter uma presença ativa no mercado angolano. Como vê a realidade do país do ponto de vista da regulamentação e a sua evolução? O setor financeiro, pela sua responsabilidade na dinamização da economia e pelas suas relações com o exterior e necessidade de contínua modernização, assume sempre um papel de liderança nas economias. Angola não foge à regra, pelo que o seu setor financeiro se caracteriza por um elevado nível de desenvolvimento e de sofisticação, apoiado também na postura e dinâmica do Banco Nacional de Angola (BNA), que tem vindo a criar as condições para a

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sua modernização e evolução, alinhando-o com as melhores práticas internacionais. Neste contexto é natural que se verifique uma maior frequência na criação e atualização da regulamentação e um reforço das práticas de supervisão, permitindo dessa forma, também a este nível, um cada vez maior alinhamento com os standards internacionais e as boas práticas de mercado. Na realidade, nos últimos anos têm sido desenvolvidas um conjunto de iniciativas importantes que visam preparar a estrutura legislativa e o enquadramento global do setor para os desafios do futuro da banca angolana e para a sua maior evolução e equiparação com as estruturas europeias.

Qual o papel do BNA neste processo? O BNA tem vindo a desenvolver um conjunto de iniciativas ao nível da supervisão prudencial, com o reforço das metodologias de supervisão direta e indireta as quais assumem um maior caráter pedagógico e uma grande relevância no crescimento e maturidade dos sistemas e mecanismos de reporte e controlo dos bancos, permitindo a existência de controlos detetivos e preventivos que mitigam os riscos para o sistema como um todo, tanto ao nível da ocorrência, como da recorrência. Simultaneamente, à dinâmica do setor, as exigências regulamentares e o enfoque nos temas de controlo interno, têm conduzido as instituições financeiras a estabelecer estruturas


Consultório

Entrada em vigor do Contif

Implementação da Central de Informação e Risco de Crédito (CiRC) e definição de regras de funcionamento (Aviso nº 2/2010 e Instrutivo nº 5/2010 do BNA)

Combate ao Branqueamento de Capitais e ao Financiamento do Terrorismo (Avisos nº 21/2012 e 22/2012 do BNA)

orgânicas (p.e.: Compliance, Risco e Auditoria Interna), com metodologias de análise, deteção, reporte e acompanhamento, que asseguram um crescente controlo da atividade, em parceria com as áreas de negócio. Pode citar alguns exemplos das alterações legislativas e regulamentares ocorridas nos últimos anos? Desde de 2009 tem havido um esforço na criação de novas políticas, regras e ferramentas que apoiam as instituições e a supervisão do desenvolvimento do negócio, assim como a robustez e qualidade do sistema. Gostaria de destacar, por exemplo, a entrada em vigor do novo plano de contas do setor financeiro (CONTIF), que resultou numa alteração profun-

Uniformizar os registos contabilísticos, sistematizar os procedimentos e critérios de registo e estabelecer regras para divulgação de informação, em convergência com as melhores práticas internacionais. Uniformizar os procedimentos no tratamento e divulgação de informação financeira, de forma a permitir um acompanhamento mais efetivo do sistema financeiro nacional e a melhoria da comparabilidade para os stakeholders.

Dotar o setor em geral e as instituições financeiras em particular de uma base de dados de qualidade recolhida junto dos clientes, sistemas de registo utilizados, processos de originação, concessão, acompanhamento e recuperação de crédito, bem como de reporte agregado e individual da informação

Definir as condições em que as instituições financeiras devem exercer as obrigações previstas na Lei 34/11, de 12 de Dezembro – Lei do combate ao Branqueamento de Capitais e ao Financiamento do Terrorismo, nomeadamente (i) Identificação e diligência em relação aos seus clientes e (ii) Estabelecimento de um sistema de prevenção de branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo, incluindo a criação da função de Compliance Officer na sua estrutura organizacional.

da das metodologias de contabilização e tratamento das operações e igualmente na introdução de um conjunto de conceitos até aí com pouca aplicabilidade prática na realidade contabilística angolana, como contabilidade de cobertura, impostos diferidos, consolidação de contas e com grandes implicações ao nível da adaptação de sistemas e processos, contribuindo igualmente para uma maior convergência para as práticas das Normas Internacionais de Contabilidade (IAS/ IFRS). Adicionalmente, têm sido tomadas iniciativas para fortalecer o processo de reporte e a informação do sistema, nomeadamente com a introdução da Central de Informação e Risco de Crédito (CiRC), que neste momento está ainda numa fase de conso-

lidação uma vez que nem todas as instituições financeiras estão em condições operacionais de proceder à sua implementação. A crescente necessidade pela qualidade e transparência de informação ao nível do risco de crédito e a utilização com cada vez maior fiabilidade da CiRC terá como consequência para os bancos a adaptação contínua da sua cadeia de valor nesta área. Por último, saliento o esforço que tem sido feito para aumentar a qualidade dos procedimentos relativamente ao branqueamento de capitais com a publicação em 2010 da Lei do Branqueamento de Capitais e do Combate ao Financiamento do Terrorismo (Lei nº. 12/2010 do BNA), que se encontra ainda em fase de revisão. Adicionalmente, no passado mês de Abril, foi apre-

sentado para consulta pública um conjunto de Projetos de Avisos relacionados com: (i) a atividade dos auditores externos das instituições financeiras; (ii) o sistema de controlo interno; (iii) consolidação prudencial e iv) governance das instituições financeiras. Em termos globais, devemos salientar que a atualidade destas matérias, demonstra a maturidade do setor, que resultará no futuro num aumento da qualidade do reporte e da credibilidade do país, podendo ainda contribuir para que Angola seja ainda mais atrativa para os investidores nacionais e estrangeiros. Relativamente ao CONTIF, e considerando que é já uma aproximação às IFRS, tem sido alvo de um acompanhamento próximo do BNA? De facto, a implementação do CONTIF, que teve em 2011 o segundo ano de reporte completo, tem vindo a ser acompanhada de um conjunto de iniciativas por parte do BNA, com vista a monitorizar o processo de implementação e contribuir para a qualidade e evolução do mesmo. A este propósito saliento a conferência realizada em Luanda no passado dia 17 de Fevereiro de 2012, que contou com a presença do Senhor Governador do BNA, diversos elementos da Administração e do Departamento de Supervisão do BNA, um representante do International Accounting Standards Board, elementos dos principais bancos angolanos, da KPMG e de outras empresas de auditoria em Angola, e que visou a realização de um balanço da implementação do CONTIF e dos principais desafios para o futuro. Adicionalmente, deve ser tido em consideração que o BNA, no final do mês de Fevereiro, emitiu instruções para os 23 bancos a operar em Angola para que, com o apoio das empresas de auditoria, procedam a um diagnóstico com vista a avaliar o grau de implementação do CONTIF. Os resultados deste diagnóstico devem ser apresentados ao BNA até ao próximo dia 30 de Junho.

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Consultório

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Principais impactos nas demonstrações financeiras decorrentes da implementação do CONTIF Alteração da estrutura das demonstrações contabilísticas para fins de publicação

Clarificação dos critérios/ requisitos a observar para efeitos de obrigatoriedade de preparação de demonstrações financeiras consolidadas Maior convergência dos procedimentos contabilísticos a observar pelo sistema financeiro Angolano com os requisitos das IAS/IFRS

E qual é o balanço que a KPMG faz dessa implementação? Na conferência levada a cabo pelo BNA, tive oportunidade de apresentar a nossa visão sobre o momento atual da banca em Angola. Em particular sobre a experiência que a implementação do CONTIF nos permitiu obter, pelo que destacaria os seguintes aspetos principais: Maior complexidade e exigência do novo plano contabilístico; A adaptação de determinados aspetos do CONTIF à realidade do sector financeiro angolano originou a necessidade de introduzir alterações relevantes ao nível dos processos e sistemas; Escassez de recursos com conhecimentos técnicos adequados, nomeadamente ao nível das áreas em que o CONTIF apresenta maior dificuldade; Os mecanismos de validação dos mapas de reporte a enviar ao BNA carecem, em algumas instituições, de efetividade e otimização, pelo que a qualidade da informação e o ambiente de controlo interno podem necessariamente ser melhorados. 38

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Introdução da obrigatoriedade de preparação para efeitos de divulgação da Demonstração dos Fluxos de Caixa e Demonstração de Mutações nos Fundos Próprios

Incorporação de critérios contabilísticos seguidos internacionalmente, nomeadamente: • a mensuração pelo valor justo; • contabilidade de cobertura (hedge accounting);

Introdução através do atual Aviso nº 4/2011 do BNA de novos requisitos para a classificação do crédito e cálculo da provisão para créditos de liquidação duvidosa, passando a incorporar o registo de provisões na óptica de perda incorrida

Apesar dos aspetos referidos, deve salientar-se que se trata de um processo muito alinhado com outros processos semelhantes, como por exemplo a conversão para as IAS/ IFRS na Europa, em que se enfrentaram dificuldades semelhantes, que só a maior maturação nos anos seguintes à sua implementação poderá tornar mais robusto. Face à situação atual das instituições financeiras e as tendências do mercado, quais serão os principais desafios para o setor financeiro angolano? Primeiro será necessária a consolidação do processo de conversão para o CONTIF e a utilização das ferramentas disponíveis em toda a sua plenitude, dado tratar-se de um processo ainda muito recente. Apesar disso, o CONTIF permite já uma maior aproximação às IAS/IFRS, sendo no entanto claro que o relato financeiro atual continuará necessariamente a evoluir, sendo inevitável a contínua otimização e adaptação a novos requisitos internos e externos, com vista à sua convergência plena para as IAS/ IFRS. Nesta base, os bancos deverão continuar a optimizar os processos de carregamento, recolha e processamento de informação contabilística, garantindo a prestação de informa-

• o método da equivalência patrimonial; • a reavaliação de ativos; • a actualização monetária • o conceito de imparidade dos ativos.

ção contabilística e financeira com uma maior celeridade e fiabilidade. Deve ser igualmente tido em consideração que as IAS/IFRS têm uma elevada dinâmica que leva à existência de novas normas e alterações das normas já existentes, o que implica a necessidade de uma contínua atualização por parte das pessoas e organizações. Adicionalmente, e no âmbito da adoção de melhores práticas internacionais, que tem vindo a ocorrer de forma gradual, mas firme, a banca angolana começa a convergir para os princípios emanados pelo Comité de Basileia, particularmente, no que se refere à identificação, monitorização e controlo dos riscos que enfrenta na sua atividade, bem como numa análise mais abrangente dos riscos e capital interno (Pilar II) e uma maior uniformização da informação e reportes para o mercado neste âmbito (Pilar III). A par destes desafios que, estou seguro, as instituições no geral deverão ultrapassar, é fundamental consolidar as novas áreas de controlo que agora começam a dar os primeiros passos, nomeadamente Compliance, Gestão de Riscos e Auditoria Interna.


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Patrícia Alves Tavares

TEDx Luanda

Chegou a nossa vez! —

Aconteceu pela primeira vez na África lusófona. Dezasseis oradores, nacionais e internacionais, deram voz à edição Um do TEDxLuanda. Um evento independente, organizado num país africano de expressão portuguesa. Neste número, fique a conhecer o movimento responsável por mobilizar pessoas em miniconferências sobre áreas tão díspares como arte, tecnologia, ciência ou negócios. O TEDx é um caso de sucesso mundial.

“Nós, amanhã”. O tema do primeiro TEDx Luanda não poderia ser mais certeiro. Após dez anos de paz, o futuro é risonho e o movimento TEDx aproveitou o positivismo e a motivação dos angolanos para realizar o primeiro ciclo de mini-palestras. Empreendedorismo, partilha, educação, amor (transposto através das emoções, da música e das artes), cultura, empresas, artistas, caminhos e gastronomia. Foram as palavras-chave do “Amanhã”, em que a natureza e a sustentabilidade não foram esquecidas pelos 16 oradores, que se aliaram ao movimento. A ideia tem tanto de simples, como de eficaz. Cinco minutos, cinco para cada orador. Exige-se concisão e bons dotes de comunicação. O objetivo consiste em cada participante falar das suas melhores ideias, permitindo a poste-

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rior trocas de experiências e até de projetos. A conferência, sem fins lucrativos, reuniu pensadores de áreas relacionadas com arte, ciência, tecnologia e negócios. Foi assim em Luanda, em maio. O palco foi pequeno para todos, pois a dado momento anónimos, empreendedores ou simplesmente pessoas solidárias, quiserem dar voz aos seus pensamentos. Em suma, todos se mostraram empenhados em construir uma sociedade melhor. Os oradores previstos partilharam as suas histórias com as de quem esteve presente e quis deixar o seu testemunho. Na Escola Nacional de Administração (local consignado ao evento) ouviram-se ideias para uma sopa para os “Kanukos”*, para criar uma água suja purificada, para dar utilidade ao tempo perdido no trânsito ou uma receita para manter as pessoas felizes.

O ativista cultural Fernando Alvim, o gastrónomo Rui da Silva e Sá, o criativo Cláudio Rafael, a consultora Carla Serrão, a coreógrafa Ana Clara Guerra Marques, o educador Diassala André, a artista plástica Filomena Coquenão, o criativo Nástio Mosquito, o investigador Mbuta Zau, a leitora Déboran Ribas e o músico Kizua Gourgel foram alguns dos oradores do movimento TED. “Vamos inventar formas para contagiar, para termos uma sociedade melhor”, abriu Cláudio Rafael a sua apresentação. O criativo, assumidamente viciado em dinâmicas sociais, conduziu a sua prestação em torno da referida frase de reflexão. Simão Pascoal encerrou o seu discurso com uma confissão: “nunca irei abandonar o voluntariado, está no sangue até morrer”. Foi um momento de exposição da sua experiência pelo mundo fora enquanto voluntário.

O que é o TEDx? O TED (Technology, Entertainment and Design) nasceu na Califórnia (EUA) há 25 anos. Desde então tem sido um fenómeno de sucesso viral. O evento tem percorrido vários países e cidades do mundo, reunindo grandes empreendedores e múltiplos anónimos. Sem fins lucrativos, as palestras duram no máximo 15 minutos e os oradores podem recorrer a equipamentos visuais e sonoros para apresentar os seus temas.


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Eventos TEDx ocorreram em 71 países entre abril e maio

Telecomunicações

Os rostos da esperança 16 oradores deram a cara pelo TEDx Luanda Já fora do palco, o chef Rui Sá trocou o discurso pelos sabores reais. Alimentou a “família TED” com comida tradicional camuflada em gourmet, misturando sabores com cultura e tradição. A artista e educadora Filomena Coquenão abriu a segunda parte das palestras, explicando a importância do ensino. Fundou a Educarte, em conjunto com o pai, e mostra às crianças a arte da vida. Nástio Mosquito voltou a surpreender com a sua irreverência. Cantou sobre o amor e declamou poemas. Um dos momentos de destaque do certame foi a prestação de Yago de Quay, que partilhou com os presentes a experiência tecnológica de captura de movimento com som. Em poucos minutos, montou uma câmara que permitia ver o movimento dos ossos do corpo e a partir daí gerava sons consoante os movimentos.

O impacto TED É o argumento comum a qualquer evento TED. O movimento dedicado a Ideias Que Valem A Pena Espalhar é considerado uma mais-valia para qualquer sociedade. São seis as razões apontadas pela organização internacional: pensar no impacto que pode causar na vida de cada um, pensar na experiência, pensar nas ideias que nunca foram partilhadas, pensar no momento, pensar no futuro, pensar no vizinho, pensar no sonho. O TEDx divide-se num conjunto de eventos locais, de um dia, organizado de modo independente e que reúne pessoas sem fins lucrativos em pequenas conferências. “O Futuro é generoso”, “O empreendedorismo, a partilha, a educação, o amor, música e artes”, “Angola - sua cultura, as suas empresas, os artistas, os caminhos, a gastronomia”, “O amanhã - a natureza e a sustentabilidade dos nossos recursos” foram alguns dos temas partilhados. Futuro, conhecimento, sonho e empreendedorismo são algumas ideias transversais, presentes em todos os movimentos TED que ocorrem um pouco por todo o mundo. Em Luanda, o curador do evento, Januário José, indicou que o tema do primeiro TEDx tem o intuito de incentivar a inovação e criatividade dos angolanos. “Os jovens têm energia e vontade, só precisavam deste empurrão”, referiu recentemente.

Fernando Alvim, artista plástico e comissário cultural Joost de Raeymaeker, fotojornalista belga Marco Aurélio Mendes, criativo hiperativo Maria Conceição, fundadora da Maria Cristina Foundation Mbuta Zawua, prostituto cognitivo – investigador Rui Domingos da Silva e Sá, gastronomia de fusão Yago de Quay, music, motion, mind and machines Carla Serrão, consultora em desenvolvimento sustentável e planeamento estratégico em contexto de países em vias de desenvolvimento Clemes Alves Fernandes, agrónomo Diassala André, educador Filomena Coquenão, artista plástica e criadora da Educarte Kizua Gourgel, músico social Marco Cardoso, gestor e fundador da Work for a Wiser World Foundation Maria do Carmo Nascimento, empreendedora social Nástio Mosquito, “criativo vagabundo com preocupações económico-financeiras” Simão Pascoal Hossi, fundador da ONG Voluntários de Luanda Ana Clara Guerra Marques, pioneira da dança contemporânea em Angola Cláudio Rafael, criativo Déborah Cardoso Ribas, devoradora de livros e sonhadora

A nível global, as conferências TED oferecem orientação genérica para a organização de cada evento, que é programado de forma individual. Os fundadores do projeto organizam ainda uma conferência anual internacional, que decorre nos EUA e contam com oradores como Bill Gates, Al Gore, Jane Goodall, Elizabeth Gilbert, Sir Richard Branson, Nandan Nilekani, Philippe Starck, Ngozi Okonjo-Iweala, Isabel Allende e o ex-primeiro ministro do Reino Unido Gordon Brown. É atribuído ainda o prémio TED, que todos os anos elege indivíduos excecionais que têm a oportunidade de concretizar o seu desejo de mudar o mundo.

Utopia ou realidade Para muitos querer mudar o mundo é uma utopia. O TEDx teima em contrariar a visão geral. O número de participantes e visitantes superou as expectativas e mostrou que são muitos os que têm vontade de transformar o universo ou pelo menos dar o seu contributo para melhorá-lo. O compromisso em mobilizar e ter uma atitude mais responsável na condução do destino da humanidade ficou latente. Há uma nova geração, uma juventude angolana que está apostada na sua educação e da sociedade. E esse é certamente o primeiro passo para um novo mundo. Voltando à realidade imediata, fica o

consulte o currículo dos oradores em tedxluanda.com

compromisso de fazer regressar o TEDx Luanda já no próximo ano. A organização acredita ainda que abriu a porta para contagiar outros países africanos de expressão portuguesa e incentiválos a criar novos TED. *Kanuko: expressão que significa criança

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ECONOMIA&NEGÓCIOS

Manuela Bártolo

SATÉLITE DE COMUNICAÇÕES ATÉ 2014

PORTUGAL TELECOM PREVINE INVESTIMENTOS NO BRASIL

A Portugal Telecom está a planear o nível de dividendos para os próximos três anos tendo em consideração a necessidade de reforçar a sua capacidade financeira com o objetivo de continuar a investir no Brasil. Face à incerteza macroeconómica, o tempo é de prevenção, garante o presidenteexecutivo da companhia, Zeinal Bavia. A decisão sobre a política de dividendos da maior operadora de telecomunicações portuguesa – que tem a relação de dividendo por ação mais elevada da Europa, na ordem dos 16% - para os próximos três será tomada pelo conselho de administração, informou o responsável em entrevista recente ao canal internacional CNBC. “No setor das telecomunicações temos de voltar para o conselho, de forma a decidirmos qual o nível de remuneração adequado e até que ponto é mais importante fortalecer o balanço. Isto porque os próximos um ou dois anos podem ser mais desafiantes e voláteis e porque há oportunidades de crescimento no Brasil, país em que gostaríamos de continuar a investir”, afirmou. ‘A Portugal Telecom já indicou que o seu conselho vai considerar qual o nível adequado’, disse. Bavia afirmou ainda que a gestão da empresa está muito “frustrada” com a atual cotação da ação, que desvalorizou mais de 50% desde o início do pacote de resgate financeiro a Portugal, em maio de 2011, devido aos sucessivos cortes do ‘rating’ da operadora em meio aos rebaixamentos da dívida soberana portuguesa. A Portugal Telecom pagou em 25 de maio a segunda e última parte, no valor de 0,435 euros por ação, do dividendo relativo a 2011, que totalizou 0,65 euros por papel. Analistas têm afirmado que o fato do elevado dividendo da Portugal Telecom não ter impedido a desvalorização das ações demonstra que o mercado não está a reconhecer atratividade da atual remuneração e que a companhia nada tem a ganhar em mantê-la inalterada. ‘Continuamos muito focados na execução e em superar as estimativas do mercado, mas o risco soberano é o que é. Estamos expostos à economia portuguesa’, referiu Zeinal. Lembrou, porém, ‘que 60% das nossas receitas vêm do exterior’. O executivo mostrou-se convicto de que existem oportunidades de crescimento significativas no Brasil, especialmente nos segmentos de televisão por assinatura e internet banda larga, onde a Oi pretende apostar.

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O lançamento do satélite para comunicações civis e militares deverá ser realizado dentro de dois anos. Um dos objetivos do governo brasileiro é levar internet de alta velocidade a municípios e cidades no interior do país, onde seria praticamente impossível a utilização de outras tecnologias. ‘Temos um número muito grande de municípios e localidades em regiões mais retiradas onde a construção de cabo ou tecnologia por rádio convencional encontra muita dificuldade, sendo por isso um investimento difícil de se fazer por solo’, explicou. De acordo com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, o ministério ‘definiu a construção de um satélite geoestacionário, [que ficará] a 36 mil quilómetros de altitude, com capacidade para fazer a cobertura do país. As duas principais finalidades são atender às comunicações militares e também estratégicas, entre elas o Plano Nacional de Banda Larga’, referiu. O ministro disse ainda que o satélite custará cerca de 750 milhões de reais e será desenvolvido e montado por uma empresa que será criada de raiz, formada pela Telebras e pela Embraer. ‘Essa empresa vai ter autonomia e atribuição de montar o satélite, que depois será operado pela Telebras, na parte civil, e pelo Ministério da Defesa, na parte militar’. Segundo o ministro, o lançamento do satélite, provavelmente, será feito fora do Brasil, pois o equipamento tem um peso projetado de 6 toneladas, demandando uma estrutura específica que não é encontrada hoje no país.

REDUÇÃO DAS TARIFAS TELEFÓNICAS

O ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação tem o objetivo de reduzir as tarifas telefónicas praticadas no país. A informação, divulgada por José Carvalho da Rocha, ministro da pasta, tem como finalidade permitir às empresas prestar serviços à população a preços acessíveis e com melhor qualidade. O responsável considera positiva a evolução que se verifica no setor das telecomunicações, traduzida no aumento do número de pessoas com acesso às tecnologias de informação.


SABIA QUE

A Portugal Telecom está presente em Angola através da Unitel (25%), da Multitel (40%), da Elta - Empresa de Listas Telefónicas de Angola (55%), da  PT Inovação e Sapo Angola.

Telecomunicações

AÇÕES DA ZON

Isabel dos Santos compra mais 15% da Zon. O reforço em 0,102% da sua presença no capital social da ZON Multimédia foi realizado recentemente. A operação foi feita mediante a compra de 315 mil ações pela sociedade Jadeium e representa o segundo reforço de capital na empresa nas últimas semanas. De acordo com o comunicado enviado pela Zon à CMVM, esta compra eleva para 15,02% a participação na Zon imputável a Isabel dos Santos: 5,02% através da Jadeium e 10% através da Kento Holding Limited, duas sociedades controladas diretamente pela empresária.  No início de maio, Isabel dos Santos tinha comprado a participação de 4,9% da espanhola Telefónica na Zon Multimédia. Estas operações ocorreram depois de ter sido ultrapassada a limitação que impedia a empresária angolana de ter mais de 10% nos direitos de voto da Zon.

NDALATANDO NOVO CENTRO EMISSOR

A ministra da Comunicação Social, Carolina Cerqueira, inaugurou recentemente, em Ndalatando, capital do Kwanza Norte, um centro emissor de 10 KiloWatts afeto à emissora provincial da Rádio Nacional de Angola (RNA), no âmbito das ações de expansão do sinal de rádio a várias localidades do país. O novo centro emissor instalado no morro da Santa Isabel, com uma altitude de 1.014 metros, vai permitir expandir o sinal da emissora local num raio de 200 quilómetros. Na ocasião, a ministra manifestou que o investimento é resultado dos esforços do Executivo em alocar novos meios tecnológicos para um melhor desempenho dos órgãos da comunicação social do país. Segundo a governante, o novo sistema de rádio, constitui uma mais-valia, visto que, para além das regiões do Kwanza Norte, vai ainda cobrir algumas localidades das províncias de Malanje, Kwanza Sul e Bengo.

ANGOLA TELECOM MAIS MODERNA

A comemorar este ano o seu 20º aniversário, a Angola Telecom tem vindo a apostar na sua modernidade, não só como empresa, mas também ao nível dos serviços. A sua carteira de negócios integra vários serviços com realce para o de dados - EVDO (Evolution Data Optimized), recentemente lançado no mercado. Um serviço de banda larga sem fios que permite navegação na internet sem limites de download e apresenta mobilidade para estar em qualquer lugar sempre ligado e a alta velocidade. Algumas províncias do país, já possuem sinal de internet nas escolas primárias, o que vem facilitar a massificação do uso das tecnologias de informação e comunicação por alunos e professores para o estudo e pesquisa de conteúdos, reduzindo assim a infoexclusão. A modernização da rede da Angola Telecom permite já a interligação em fibra ótica de todas as capitais de província do país. Ao longo destas duas décadas a empresa adquiriu uma plataforma tecnológica moderna, com redes de fibra ótica, cobre, satélite, CDMA, WIMAX e EVDO que podem oferecer serviços de voz, Internet e circuitos dedicados a operadores. A introdução de novas ferramentas no domínio comercial, financeiro e administrativo, é a outra componente desta modernização, estando a empresa a passar por um processo de reestruturação a todos os níveis. Nestes três domínios, estão a ser adotadas várias medidas que visam a definição do negócio da empresa no mercado interno e externo e a negociação da dívida dos organismos orçamentados pelo Estado.

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ECONOMIA&NEGÓCIOS

Manuela Bártolo

Líderes por formação Ao falarmos de liderança temos assistido a uma tendência para posicionar o seu exercício numa perspetiva quase oposta, ou seja, a de encará-la como uma expressão exclusiva dos dons naturais das pessoas. Na prática um campo reservado a um pequeno conjunto de eleitos. Razão pela qual, a maioria dos programas de desenvolvimento se centram mais nas qualidades do bom líder e não tanto na caracterização das suas tarefas e responsabilidades. O princípio defendido por Peter Drucker, guru na área da gestão, é que o exercício da liderança é igualmente um ofício. Do latim officium, pode significar uma arte, uma ocupação ou um modo de vida. A mesma é, cada vez mais, uma função importante para as empresas e instituições que precisam urgentemente de uma nova interpretação da tarefa de liderar pessoas. Se antigamente era uma mera questão de planear, instruir e controlar, atualmente aos bons líderes exige-se algo mais. Pede-se uma formação em liderança que tenha um impacto positivo na qualidade e desenvolvimento da empresa e, por isso, requer-se líderes que assumam uma posição de partilha, com uma visão transversal das pessoas e da organização.

Coaching da nova era O que é o coaching e como funciona? Afinal do que trata este conceito que se estende, cada vez mais, nos meios corporativos? Na tentativa de obter respostas a estas perguntas, urge desmistificar o processo que conduz à liderança. Frequentemente nos deparamos com quadros de topo de diferentes empresas que conduzem compulsivamente as suas unidades de negócio com o tríplice objetivo de crescer, acelerar o processo produtivo e com isso ganhar mais dinheiro. No entanto, nem sempre os esforços aplicados são contemplados com bons resultados e a pergunta que se impõe é: porquê? No seguimento deste raciocínio surge o conceito de coaching, um método de trei-

no que obriga as pessoas a enfrentarem os seus sentimentos e medos e que procura integrar a totalidade do ser no processo de conhecimento, abordando as suas emoções e as relações humanas em que estão inseridas. O seu valor supremo é ajudar as pessoas a trilhar o seu próprio caminho de autodesenvolvimento. Razão pela qual, desenvolve um entendimento da liderança baseado numa relação ‘adulto - adulto’, visto que não é ao líder que compete descobrir o que é melhor para os colaboradores. Esta passa a ser uma competência individual, pelo que cabe a este ajudar cada um deles a descobrir a forma de expressar melhor os seus talentos. A formação convencional limita-se a ensinar novas habilidades e atender à demanda de mais informação, enquanto o coaching valoriza o ‘ser’ mais do que o ‘fazer’.

Hoje observa-se que muitas pessoas sabem o que fazer, mas poucas são aquelas que realmente fazem o que sabem 44

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Certamente todos convergimos na ideia de que o desafio central das organizações é produzir mais e melhor. A questão é que, cada vez mais, se chega à conclusão que o resultado é algo que exige mais do que apenas ter conhecimento do que deve ser feito. Hoje observa-se que muitas pessoas sabem o que fazer, mas poucas são aquelas que realmente fazem o que sabem. Um problema que atinge grande parte dos colaboradores, pois saber não é o bastante. É neste contexto que se encaixa o coaching, um conceito relacionado com a elevada partilha de experiências, sendo também uma resposta intuitiva a uma necessidade de aprendizagem. Este processo visa fomentar um desejo de melhoria a longo prazo, bem como a orientação necessária para que a mudança se produza, tratando-se por isso de uma filosofia de liderança assente na ideia de que o desenvolvimento e a aquisição de competências são processos contínuos e da responsabilidade de todos e não apenas episódios limitados e dirigidos pela hierarquia.


Emprego & Formação JOVENS DE VALOR

Um grupo de seis estudantes nacionais que recebeu formação na área das energias renováveis, no Leshan Vocational & Technical College, da China, regressou ao país, para dar o seu contributo no desenvolvimento do setor energético. Selecionados em institutos médios industriais de Luanda pela empresa angolana Ground 4 – Engenharia, especializada na produção de energia renovável, os seis jovens receberam formação prática de dois meses sobre construção, instalação e administração de estações e sistemas solares fotovoltaicos. A ação formativa fez parte de um programa da empresa angolana para criar um leque de especialistas nacionais que possa fazer face aos desafios futuros deste setor, apoiando em simultâneo o mercado na área de energias renováveis. Este ensino especializado é uma ferramenta essencial para a persecução da estratégia governamental na área da energia. O desenvolvimento da economia nacional atrai, cada vez mais, estes jovens que querem ter um contributo importante. Nestes casos em particular, buscam aumentar a oferta de energia para alimentar as indústrias que estão a nascer, por exemplo.

TOTAL E&P ANGOLA EDUCA

APOIO À FORMAÇÃO

O Gabinete de Inserção na Vida Ativa (GIVA) tem tido um papel fundamental na formação da população jovem. Criado no âmbito da implementação do sistema de reforma do ensino técnico profissional, o seu objetivo tem sido apoiar e orientar a inserção dos alunos no mercado de trabalho, para complementar e aperfeiçoar as suas competências socioprofissionais, tornando-os mais capazes, criativos e eficientes no meio profissional.

PLANO NACIONAL DE EMPREGO

A representante do Instituto Nacional do Emprego e Formação Profissional (Inefop), Inês de Almeida, defendeu recentemente a necessidade do Plano Nacional de Emprego e Formação Profissional estabelecer parcerias entre empresas públicas ou privadas. A responsável adiantou que o objetivo do plano é apostar na promoção de atividades e ações conducentes à identificação das reais necessidades da formação profissional e do mercado de trabalho.  Consta da estratégia, o reforço das metodologias de participação, implementação e avaliação com o envolvimento de parceiros, de forma a proporcionar a racionalização dos cursos de formação profissional e uma maior e melhor resposta as carências de mão-de-obra qualificada às empresas. 

Foi assinado, no passado mês, uma adenda ao acordo de cooperação tripartido entre o ministério da Educação, a Total e a Missão Laica Francesa no âmbito das Escolas Eiffel. De acordo com o comunicado de imprensa da Total E&P Angola, a instituição prolongará até dezembro de 2014 a sua presença na manutenção e custos de funcionamento das Escolas Eiffel, bem como na concessão de bolsas de estudo aos melhores estudantes da 12ª classe e o reforço do programa de formação de professores. Durante o ato de assinatura do acordo foi rubricado um protocolo de cooperação entre o ministério da Educação e várias empresas petrolíferas, designadamente Friemdlander, Prezioso, Scholumberger e Subsea 7, com o  objetivo de conceder bolsas de estudo adicionais e proceder à realização de obras de manutenção das infraestruturas escolares. A nota refere que as Escolas Eiffel são públicas do 2º ciclo do ensino secundário e da 10ª à 12ª classe, tendo sido construídas sob indicação do ministério da Educação nas cidades de Caxito, Ndalatando, Malanje e Ondjiva, contando com 576 alunos. Estes estabelecimentos cumprem com o programa estabelecido pelo ministério e lecionam as disciplinas de ciências exatas e biológicas, nomeadamente matemática, química, trabalhos práticos, francês e inglês e disciplinas transversais ao desenvolvimento sustentável, bem como a prática de atividades desportivas. Segundo o documento, a construção, manutenção e custos de financiamento das escolas estão a cargo da Total E&P Angola e a direção das mesmas sob responsabilidade da Missão Laica Francesa.

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ECONOMIA&NEGÓCIOS

Patrícia Alves Tavares

A nova ‘massa’ estudantil

— Mais de metade dos estudantes universitários da região de Luanda são trabalhadoresestudantes. Esta é uma das principais indicações do mais recente estudo da Marktest. A Angola’in teve acesso ao documento e divulga nesta edição as principais tendências de consumo dos mais jovens. E sendo Portugal o destino de preferência para quem deseja tirar uma licenciatura no estrageiro, fomos descobrir como vivem os alunos que optaram por terras lusas para finalizar a sua formação académica. Um retrato real pela voz do presidente da Associação de Estudantes Angolanos em Portugal, Edvaldo Fonseca.

O estudo é anual e abrange a população estudantil da capital. A Marktest procura traçar o perfil dos universitários, realizando inquéritos para perceber a mente dos futuros quadros superiores do país. Além do acréscimo do uso do telemóvel e de uma maior procura da Internet, as preferências dos alunos luandenses não sofreram grandes alterações em relação a 2010. Do estudo, há que destacar que mais de metade (53%) dos alunos trabalha e estuda em simultâneo, sendo que 47% mantém como única ocupação a vida académica. Valores que se mantêm inalterados relativamente ao ano letivo anterior. A pesquisa mostra igualmente que houve uma aproximação às instituições bancárias. 84% dos inquiridos tem conta no banco (mais cinco por cento que em 2010) e todos possuem telemóvel, facto que já na última amostra estava próximo de atingir o pleno.

Anselmo Ralph supera Yuri da Cunha Se em 2010, 10% dos universitários elegiam Yuri da Cunha como o cantor nacional preferido, seguindo-se Anselmo Ralph na lista, mais recentemente o cantor de R&B, Soul e Kizomba conquistou os ouvidos dos futuros ‘doutores’. Ernesto Bartolomeu mantém-se no pódio. É o apresentador com mais ‘gostos’, sendo o eleito para 29% dos alunos. Bastante abaixo surge a apresentadora Mara Dalva, com 9% e Pedro Nzagi, com 7%.

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2012

Tecnologia no topo das preferências 84% 79%

}

TEM CONTA NO BANCO 100% 98%

63% 67% 21% 20%

}

}

}

ACEDE À INTERNET

CONSULTA DIARIAMENTE A WEB

2011

9% - ELEGE ANSELMO RALPH COMO O CANTOR PREFERIDO 10% - ELEGE YURI DA CUNHA COMO O CANTOR PREFERIDO 0%

20%

40%

60%

TEM TELEMÓVEL

2010 80%

Bebidas perdem consumidores Mais de É unânime a preferência pelos refrimetade (53%) gerantes. Contudo, as bebidas sem álcool estão a perder algum terreno dos alunos no que concerne a hábitos dos contrabalha e sumidores mais novos. 87% dos jovens que responderam ao inquérito estuda em consome sumos (menos 1%) e 23% simultâneo, admite beber com regularidade cermenos três por cento que no ano sendo que 47% veja, de 2010. As tecnologias, por sua vez, mantém como registam um fenómeno invulgar. Emo número de usuários diários da única ocupação bora web tenha crescido, é um facto que a a vida quantidade de universitários que acede à Internet na cidade de Luanda diacadémica minuiu e, de uma maneira geral, fá-lo

100%

com menor frequência. No entanto, apesar do ligeiro decréscimo, mais de metade da população estudantil é utilizadora da web. Na prática, 63% revelou navegar no mundo virtual, sendo que 21% consulta diariamente a Internet, 12% comparece quase todos os dias e 25% recorre com alguma frequência aos conteúdos online. A empresa de estudos de mercado efetuou 3590 entrevistas presenciais a um universo de estudantes oriundos dos nove municípios de Luanda. A recolha da amostra decorreu entre maio e agosto do ano passado e visou alunos com 15 ou mais anos, a residir na província.


MARCAS ID Quantos alunos estudam em Portugal? Não há dados exatos quanto ao número de estudantes, mas entre o ensino superior e secundário serão cerca de 15.000. Que motivos levam os jovens angolanos a escolher Portugal para acabar o liceu ou fazer a licenciatura? A língua é, indiscutivelmente, o motivo primário. Portugal é o país europeu que alberga a maior comunidade angolana tornando-se, assim, num país de eleição para os nossos jovens. Por outro lado, a formação feita nas instituições lusas é bastante valorizada no mercado nacional. A maioria dos estudantes angolanos frequenta o ensino superior? É um dado que ainda não podemos transmitir. Estamos a realizar esse estudo neste momento e esperamos apresenta-lo no segundo semestre de 2012. A AEA-Portugal tem maior contacto com os alunos do ensino superior e com os estudantes oriundos de Angola, sendo que os filhos dos angolanos que nasceram em Portugal escapam ao nosso controlo porque, por regra, inscrevem-se nas instituições de ensino com documentos portugueses sendo difícil identificá-los, mas podemos afirmar que a maioria frequenta o ensino secundário.

“Formação em Portugal é valorizada” — Edvaldo Fonseca Presidente da Associação de Estudantes Angolanos em Portugal (AEA-Portugal) —

São jovens ativos e participativos nas atividades académicas e nas ações promovidas na sua área de residência? O angolano por natureza é um povo participativo e ativo nos meios que frequenta. Os jovens, em particular, são bastantes dinâmicos e conscientes do seu papel na sociedade. Por exemplo, os nossos estudantes participam no corpo diretivo das académicas das suas universidades e/ou em Núcleos de Estudantes Africanos das suas Universidades. A maioria mora sozinha, está em residências públicas/ universitárias ou partilha casa com amigos? As residências públicas têm regras de acesso muito restritas, pelo que os estudantes angolanos optam pela partilha de casa com amigos ou por morar em casa de familiares.

Quais as universidades e cursos preferidos? Os estudantes angolanos encontram-se na sua maioria a frequentar as universidades privadas, nomeadamente a Universidade Lusófona, Autónoma, Lusíada e Católica. Os cursos mais escolhidos são Direito, Gestão de Empresas, Recursos humanos, Relações Internacionais, Ciência Política e Engenharias. Mediante o vosso contacto direto, como se dá a adaptação a terras lusas? Apesar dos laços culturais e históricos que unem Portugal e Angola, muitos estudantes têm dificuldades de adaptação. Para além do clima e do modus vivendi, há outros entraves por ultrapassar resultantes da ausência de cooperação comparativamente aos outros países da

CPLP. Destaco o custo elevado da renovação de autorização de residência para estudo; os entraves no acesso à saúde obrigando muitos estudantes a recorrerem ao seguro de saúde, custos que poucos podem suportar e as dificuldades na entrada no ensino superior para os alunos que concluíram o ensino secundário em Angola. Portanto, a adaptação leva tempo e alguns desistem. A AEA-Portugal assume um papel importante na vida dos estudantes também por estes motivos, ajudando a ultrapassar estas barreiras.

“Angola é o país do futuro e precisa dos seus quadros para crescer”

É intenção destes alunos regressar à terra-natal e trabalhar no seu país? Sem dúvida e cada vez mais. A crise que Portugal enfrenta tem contribuído para a consciencialização de que Angola é o país do futuro e que precisa dos seus quadros para crescer e acompanhar toda a pujança económica que país tem vindo a alcançar. Constatámos este fenómeno in loco nas três Edições da Feira de Emprego-Angola que a AEA-Portugal em parceria com o Consulado Geral de Angola em Lisboa têm vindo a realizar. Para termos uma noção, na 3ª Edição realizada no Hotel Vila Rica tivemos cerca de 1500 angolanos, estudantes e recém-formados, vindos do Norte, Centro e Sul de Portugal à procura de oportunidades de emprego para regressar ao país. 2012

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ECONOMIA&NEGÓCIOS

Canto de diva

MARCAS ID

Patrícia Alves Tavares

Yola Semedo volta a ser a ‘arma’ do quanto cantora”. Millennium Angola para captar noPor outro lado, também o formato vos clientes. A estratégia consiste em de anúncio/ videoclip foi idealizado transformar os atuais utilizadores do e concebido face à escolha da marca. banco em clientes pró-ativos, capazes “Foi testado anteriormente e é sempre de angariar novos utilizadores, partimuito bem recebido por parte dos conlhar a sua entidade bancária e ainda sumidores”, explicam os responsáveis ganhar prémios. da Sumo à Angola’in, acrescentando Foram precisos apenas dois dias para que “a grande fonte de inspiração para gravar a nova campanha do Millennium a campanha foi a própria protagonista Angola, que está a circular atualmente e a sua força”. nos principais canais de televisão, em As gravações prosseguiram posteriorspots de rádio com grandes índices de mente num escritório e estúdio de ráaudiência, jornais e revistas de forte dio em Luanda Sul, onde voltou a ser tiragem, em banners na internet, murepetido o tema “Vem Comigo”, escrippies e merchandising disponível nos to propositadamente para a “campamais variados pontos de venda. Esta nha Oferta Novos Clientes”. Situação é, por estes motivos, que não é inédita, uma elevada apospois no anterior anúnta de solidificação da cio, “Oferta Mulher”, marca, que não deifoi igualmente idexou escapar um único alizada uma música meio para transmitir a original. Uma receita sua mensagem. simples e eficaz, que A agência portuguesa coloca “a mensagem/ pessoas envolvidas na de publicidade Sumo conceito “ na “cabeça produção foi a responsável pela dos consumidores”.

Campanha em números

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A associação da marca Millennium Angola a uma celebridade pública como a cantora Yola Semedo aumenta a visibilidade, reforça a marca e contribui para o crescimento do negócio”, começam por explicar os criadores do claim “Traga dois amigos e todos podem ganhar”

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criação da campanha, “É fantástico obserque contou novamenvar que em concertos te com a figura de Yola o público anónimo pefigurantes Semedo para cantar e de à cantora a música encantar com um tema do “Millennium””, exinédito e desenvolvido plicam os produtores, de propósito para o spot. A Angola’in que espera transmitir com a nova camfoi acompanhar os bastidores de mais panha “um hino à amizade e partilha”. uma grande produção. Porquê Yola Semedo? Os olhares curiosos dos populares atraO perfil da popular cantora enquadravessavam as vidraças da agência do se nos valores da marca Millennium, banco Millennium, na rua Kwame Nkrupois além de uma “carreira sólida e mah, em Luanda. No interior estava a exemplo de sucesso”, “preocupa-se musa Yola Semedo, uma das artistas com projetos sociais de apoio aos mais mais acarinhadas pelo público. Não é a desfavorecidos”. Qualidades que faprimeira vez que dá a cara pelo Millenzem da artista uma figura respeitada nium. É uma escolha segura que, quer pela sociedade, pelos “seus valores e a instituição bancária, quer a agência pela qualidade do seu trabalho”. É, por publicitária, pretendem manter devido isso, “uma boa prescritora da marca”. à “sua força, presença e carisma enE é nessa simplicidade e seriedade que a Millennium aposta para reforçar mais FICHA TÉCNICA uma vez o posicionamento da sua marCampanha ca. O claim transmite de “forma simples Oferta Novos Clientes e direta aquilo que os clientes têm de Direção criativa fazer para participar, ao mesmo tempo Carlos Abreu que passa o benefício imediato que são Copywriter os prémios para clientes e novos clienFernando Mendes tes (todos)”: um iPad2 para particulares Produtora e máquinas fotográficas para dois noMiss Dolores vos utilizadores, a sortear. Realizador Uma cantora de excelência do Semba Victor Castro e Kizomba (estilos da raiz cultural naDiretor de fotografia cional), prémios e um novo hit musical Victor Rebelo são as palavras-chave desta nova camBanda sonora panha, que recorre à técnica “member Yola Semedo get to member” para fazer todos ganhar, desde o cliente à própria marca.


ECONOMIA&NEGÓCIOS

Facebook chega a mais de 850 milhões de usuários em todo o mundo!

MARCAS ID

Manuela Bártolo

À velocidade da rede MAPA MUNDO DAS REDES SOCIAIS

Quando, em 2004, o então jovem universitário Marck Zuckerberg, a estudar em Harvard, criou o Facebook, estava longe de imaginar que, oito anos depois, esta rede social iria dominar o público jovem e adulto a nível mundial. Sem um alvo definido, o IPO tem vindo a captar, cada vez mais, usuários, ao ponto de serem criados aproximadamente 451 novos perfis por minuto! Atualmente, nos Estados Unidos e na Índia, mais de 80% das pessoas que utilizam a internet têm uma conta ativa nesta rede social. No Brasil, outro fenómeno de popularidade, triplicaram o número de acessos no último ano, tendo conseguido ultrapassar o record da rede social gratuita mais usada do país – o Orkut – sua concorrente. Estima-se que, hoje, o jovem fundador tenha uma fortuna avaliada em mais de 28,2 biliões de dólares. Tudo isto com apenas 28 anos! Para o estratega italiano Vincenzo Cosenza, estudar esta ascensão, tem-lhe permitido ganhar notoriedade, ao divulgar duas vezes por ano, em junho e dezembro, um mapa das redes sociais, onde indica quais são as mais utilizadas, num total de 137 países mundiais. Para obter essa informação, combina dados do Alexa e do Google

Trends para websites. Ora, a mais recente versão publicada tem um mês e evidencia a hegemonia do Facebook em praticamente todo o mundo. Um aspeto engraçado é que as tendências do Google para websites não referencia os dados do Google+! Os indicadores demonstram que o Facebook é número um em 126 dos 137 países analisados. A Europa é o continente com o maior número de utilizadores com 232 milhões, enquanto a América do Norte tem 222 milhões e toda a Ásia tem 219 milhões. Um sucesso alcançado através uma mensagem simples, mas altamente ‘letal’ pela sua eficácia: o Facebook ajuda-o a diminuir as distâncias! Uma frase promovida até à exaustão que conquistou de imediato as pessoas pelo seu lado emocional e…prático. No entanto, nem sempre foi fácil a gestão da marca. Em 2009, surgiram alguns problemas relacionados com anúncios publicitários de promoção de encontros sexuais expostos na rede, que foram uma ameaça ao seu crescimento. Não se sabe ao certo como foram erradicados, mas hoje podemos ‘navegar’ na rede sem sermos incomodados. Pelo contrário, o Facebook soube adaptar-se aos dife-

FACEBOOK

QZONE

V KONTAKTE

ODNOKLASSNLKL —

DRAUGLEM

ZING

CLOOB

FONTE: GOOGLE TRENDS FOR WEBSITES/ALEXA

rentes públicos e, para além de ser usado como meio de comunicação, passou rapidamente a disponibilizar vários jogos divertidos e inteligentes para puro entretenimento, caso da famosa quinta Farmville. O que torna a adesão ainda mais apelativa e viciante para alguns!

Estreia na bolsa

A estreia do Facebook em bolsa, a mais aguardada da década, teve um momento de suspense imprevisto: o grande volume de ordens de transação deu problemas ao sistema do Nasdaq e a entrada das ações, marcada para as 11h em Nova Iorque (17h em Luanda), atrasou-se quase 30 minutos. Era o último de vários sinais a fazerem crer que os valores iam disparar. No entanto, tal não sucedeu. As ações começaram a ser trocadas nos 42 dólares e fecharam o dia nos 38,

23 dólares – apenas cêntimos acima dos 38 dólares que foi o preço por ação fixado pelo Facebook para a oferta pública de venda. Ao longo da sessão, ocorreram vários momentos em que as ações rondaram os 38 dólares e só a reação dos bancos envolvidos na operação – entre os quais o Morgan Stanley, o JP Morgan e a Goldman Sachs – impediu um deslize para baixo desse patamar. Contudo, mesmo que tenha deixado desapontados os que esperavam ganhar fortunas nas primeiras horas de transações, a operação foi considerada um sucesso pelo Facebook, que vendeu pouco mais de 15% da empresa, encaixou 16 mil milhões de dólares, conseguiu uma valorização de 104 mil milhões — cerca de mil vezes mais do que as receitas dos últimos 12 meses. — fonte: Facebook Ads

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SOCIEDADE

Patrícia Alves Tavares

Lisboa e Luanda estão interligadas desde vontade de ambas partes em fortalecerem, 1988. O que esteve na base da geminação aprofundarem e ampliarem as suas relações entre as duas cidades? de amizade e de colaboração nos mais diverExistem dois tipos de acordos de gemina- sos domínios de interesse comum, tendentes ção, que integram no seu seio as cidades de a elevar o bem-estar dos seus cidadãos. No Lisboa e Luanda. A Declaração de Gemina- documento consta que ambos os municípios ção Múltipla e Solidária das Capitais de Pa- deverão incrementar um programa de interíses de Expressão Portuguesa, foi celebrada câmbio cultural, social, educativo, econóa 28 de junho de 1985, entre os municípios mico, informativo e turístico para difusão de Bissau, Lisboa, Lurecíproca da cultura anda, Macau, Maputo, dos dois povos e de Praia, Rio de Janeiro “Pensamos existirem cooperação em proe S. Tomé. Em termos condições para o jectos de desenvolvigerais, assume a formentos de ambas as ma de uma declaração incremento de relações cidades. Na mesma política cujo objetivo que se traduzam a curto data foi assinado um central assenta no inprotocolo para incretercâmbio de conheci- prazo na realização de mentar as relações mentos e experiências especiais e privilegiaprojetos comuns” nas mais variadas áredas entre o Comissaas da sociedade, com riado Provincial de vista a um melhor coLuanda (hoje Governhecimento recíproco. O acordo de gemina- no Provincial de Luanda) e os Membros da ção direto, celebrado a 11 de outubro de 1988, UCCLA (União das Cidades Capitais Lusoentre as cidades de Lisboa e Luanda, assenta Afro-Américo-Asiáticas). nos valores vertidos pelos laços históricos, culturais e de amizade existentes entre o po- Porquê a escolha de Luanda e não de outra vo português e angolano, e a comprovada província? 50

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Tal prefigura-se pelo simples facto de as políticas de geminação preconizadas pela Câmara Municipal de Lisboa se restringirem, globalmente, às capitais dos países de Língua Portuguesa e às cidades capitais nossas vizinhas. Os acordos de geminação mais ativos têm sido celebrados com antigas e atuais cidades capitais de língua portuguesa, os quais são essencialmente dinamizados no âmbito da UCCLA. Como tem decorrido o processo? As relações bilaterais entre as duas cidades têm-se pautado por situações pontuais, salvo as ações concretizadas no âmbito das atividades desenvolvidas pela União das Cidades Capitais Luso-Afro-Américo-Asiáticas (UCCLA), onde existe um vasto legado de projetos cooperação. A nível bilateral, para além das demais deslocações de caráter político, que reforçam indubitavelmente os laços de cooperação, realça-se a participação em seminários e o apoio concedido por parte da Câmara na realização de estágios em várias vertentes de atuação municipal, nomeadamente nas áreas de Parques e Jardins e Gestão Cemiterial para quadros superiores do Governo Provincial de Luanda.


“Ligações trazem oportunidades de negócio” —

António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, faz o balanço dos vários acordos existentes entre as duas capitais da lusofonia. Em entrevista à Angola’in, reconhece o papel da UCCLA enquanto dinamizador de projetos de vanguarda nas diversas áreas e mostra-se empenhado em recuperar as tarefas promovidas pelos acordos de geminação.

Têm projetos em comum em curso neste momento? Devido à atual conjuntura económica, não existe nenhum projeto em curso. O plano de restabelecimento da Toponímia arrancou há cerca de 2 anos, mas atualmente está sujeito a uma redefinição tendo em conta que no território de Luanda passaram a existir 3 municípios: Luanda, Belas e Cazenga. Contudo, atendendo a que a cidade de Luanda detém a presidência da Comissão Executiva da UCCLA, pensamos existirem condições para o incremento das relações entre as duas cidades, que se traduzam a curto prazo na realização de projetos comuns. De que forma Luanda tem sido parceira de Lisboa e vice-versa? As parcerias têm-se realizado essencialmente no quadro da UCCLA. Pode-se realçar alguns projetos realizados: a ajuda de emergência humanitária, apoiada pela ECHO, nos Bairros Terra Nova e Ingombotas (ação realizada em 1994); a intervenção de saneamento básico através da Implantação de Contracto de Assistência Técnica na área dos resíduos sólidos urbanos (1995); a intervenção na área

da cultura através da implantação, em 1996, da Biblioteca Infanto-juvenil com Videoteca e Ludoteca; a intervenção na área das Relações Institucionais por via do Seminário realizado em 1999, sob o tema “Desenvolvimento Urbano, Económico e Social”, e a intervenção na área da Ajuda Humanitária, no ano de 2001, através do envio de medicamentos e material hospitalar. Por outro lado, participamos na edificação de um Centro de Saúde no Bairro de Benfica, na Cidade de Luanda. Com início em 2005, visou reforçar a assistência médica à população. O Governo da Província cedeu o terreno, elaborou o projeto e garantiu o regular funcionamento do Centro. A UCCLA assumiu as obrigações de realização e de cofinanciamento da obra. No mesmo ano, integramos a recuperação da Biblioteca e do Parque Infantil Zé Dú, na Cidade de Luanda, com vista a melhorar as con-

dições pedagógicas, educativas e lúdicas para a população infantil e juvenil. O Governo provincial garante o funcionamento regular das instalações e a conservação do material e equipamentos. A UCCLA assegurou o cofinanciamento das obras de recuperação e o reapetrechamento das instalações. Por último, a elaboração de um programa de aprovisionamento e uso comunitário de água potável e saneamento residual em Bairros Peri-Urbanos da cidade de Luanda, cujo projeto foi aprovado pela Comissão Europeia em 2007, e contou como parceiros com a Fundação Marquês de Vale Flor e a ONGD – TESE – Engenheiros Sem Fronteiras.

As populações estão envolvidas nesta troca intermunicipal ou está circunscrito às relações entre municípios? As relações são essencialmente intermunicipais. Obviamente que por via indireta, e uma vez que os programas são pensados e executados para seu beneficio, as populações são parte integrante dos mesmos. Há uma estimativa de quantos angolanos residem no concelho? De acordo com dados estatísticos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Portugal, em 2010 existiam cerca de 23500 residentes angolanos, cerca de 5% da população emigrante residente no país. Quanto ao município de Lisboa, efetivamente não existem dados concretos. Realço, igualmente, o facto de grande parte da população imigrante não residir na cidade de Lisboa e sim nos concelhos limítrofes. Tendo em conta a crise que se vive nos municípios, como é que as geminações, concretamente com Angola, têm contribuído para atenuar as dificuldades económicas? As profundas ligações histórias e culturais entre Portugal e Angola e, mais especificamente, entre Lisboa e Luanda, têm possibilitado às duas comunidades, estabelecidas em ambas as cidades, o desenvolvimento e aprofundamento de redes de contactos que, por seu turno, facilitam o aproveitamento de oportunidades de negócio que beneficiam ambas as partes. Uma nova geração angolana, empreendedora e motivada, revela-se fundamental como motor económico dos nossos municípios, onde as suas ideias, a sua criatividade e uma vasta rede de contactos permitem desenvolver novos projetos e criar novos postos de trabalho de forma sustentada e duradoura.

“Uma nova geração angolana, empreendedora e motivada, revela-se fundamental como motor económico dos municípios portugueses”

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SOCIEDADE

Patrícia Alves Tavares

Gestão Sustentável de Resíduos

Lobito no epicentro africano

Metas do PESGRU

Benguela é palco da primeira Conferência Internacional de África sobre Gestão Sustentável de Resíduos. A iniciativa, que decorre em julho, tem o apoio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e visa a partilha de experiências de caráter técnico, científico e profissional. Angola acolhe o primeiro congresso num momento em que prepara legislação específica para regular a gestão dos resíduos nacionais e do saneamento.

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- Regular a produção, depósito no solo e no subsolo - Criar regras no lançamento para água ou atmosfera, tratamento, recolha, armazenamento e transporte de resíduos - Estabelecer políticas que facilitem a redução, reutilização, reciclagem, valorização e eliminação de resíduos

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‘O PESGRU estabelece a aplicação de sanções e multas, que oscilam entre os mil e o milhão de dólares’ É a primeira vez que a ISWA (International Solid Waste Association) organiza o certame em terras africanas. O congresso internacional, que reúne especialistas em gestão sustentável de resíduos, conta com a participação da APESB (Associação Portuguesa de Engenharia Sanitária e Ambiental) e da CPLP, sendo patrocinado pelo Governo nacional e da província de Benguela. Partindo do problema de megacidades, como Luanda, em que a população cresceu exponencialmente na periferia afetando o desempenho ambiental, a I Conferência Internacional de África sobre Gestão Sustentável de Resíduos tem como ponto de partida a abordagem de soluções e políticas para tornar este setor mais sustentado. A aposta em Lobito (Benguela) para albergar a primeira conferência está relacionada com a sua importância no contexto das principais cidades nacionais e com o facto de ter sofrido um grande impulso ao nível da construção de infraestruturas. O governo provincial tem igualmente dedicado parte do investimento à preservação da natureza e da sua costa, sendo famosa pelas praias do Lobito e da Restinga. Recorde-se que Angola é considerada um dos principais players no contexto africano, seja a nível político, como económico, influenciando muitos países vizinhos, pois existem múltiplos planos em curso para recuperar infraestruturas, criar uma rede de saneamento e implementar programas transversais com vista à promoção da sustentabilidade em todos os setores.

Angola investe A maioria dos países africanos começa a depararse pela primeira vez com o problema da gestão dos resíduos sólidos e do saneamento. As políticas governamentais estão atentas aos impactos ambientais e Angola é uma das regiões onde se verifica o maior investimento. Daí, a escolha do país para reunir profissionais da área, especialistas mundiais e governantes africanos, que prometem apresentar soluções, desde as mais simples às mais complexas, adaptadas ao contexto cultural e económico. Estima-se que 24% da população resida em Luanda, cerca de cinco milhões. A cidade foi projetada para 750 mil, pelo que se verificam vários problemas de saneamento e de má gestão dos resíduos urbanos. Atento à questão, o governo já anunciou um investimento de centenas de milhões de dólares para implementar programas de extensão nacional com vista à recolha e adequado tratamento dos resíduos sólidos.

AGENDA I Conferência Internacional de África sobre Gestão Sustentável de Resíduos Objetivo: fomentar e promover contactos entre técnicos e decisores africanos para as soluções no domínio dos resíduos sólidos e da preservação do ambiente e dos recursos naturais Local: Lobito, Benguela Dias: 22 a 25 julho Organizadores: APESB, CPLP e ISWA Mais informações em:

www.africawastecongress2012.org

Resíduos na agenda política Atualmente, Angola não tem uma lei sobre saneamento. No entanto, a situação deverá ser colmatada em breve, uma vez que o Ministério do Ambiente está a preparar um projeto de Decreto Presidencial sobre o Regulamento para a Gestão de Resíduos, a ser aprovado dentro de dois meses e com efeitos imediatos. Aliás, a chefe do departamento para a gestão dos resíduos e saneamento, Joana da Silva Bernardo, já assegurou publicamente que o setor será regulado ainda este ano e terá um plano estratégico nacional. O ministério encara com preocupação o facto de nenhuma operadora de resíduos efetuar com precisão as tarefas de recolha, transporte e deposição. A situação assume contornos preocupantes quando a maioria das matérias são perigosas. O Plano Estratégico para Gestão dos Resíduos Urbanos (PESGRU), a implementar pelo ministério do Ambiente em múltiplas vertentes, será um instrumento de apoio à tomada de decisões políticas, orientando os players do setor nas estratégias a delinear, tendo em vista a gestão sustentável dos resíduos. O programa visa todas as entidades (singulares e coletivas) que manuseiam ou produzem detritos, sólidos ou líquidos, e que podem causar danos ambientais e na saúde pública. O diploma determinará a certificação dos operadores de transportes de resíduos, a criação de métodos de deposição e eliminação de dejetos (nomeadamente aqueles considerados perigosos) e as regras que as entidades que lidam com estas matérias terão que cumprir. O regulamento estabelece a aplicação de sanções e multas, que oscilam entre os mil e o milhão de dólares.

Luanda na frente A capital é a primeira província a arrancar com o projeto piloto, que irá visar a atuação ambiental das micro, pequenas e médias empresas. O programa identificou mais de três dezenas de operadoras especializadas nesta matéria e que vão aplicar o PESGRU, de forma a minimizar as lacunas que foram apontadas durante a elaboração do plano de gestão sustentável dos detritos. Seguir-se-ão as entidades que estão espalhadas pelas restantes regiões. A chefe do departamento para a gestão dos resíduos e saneamento espera que a nova legislação venha a ser frutífera no domínio do saneamento básico. “Ainda não há uma lei que permita exigir e penalizar as empresas que criam transtornos, como as de construção civil e outras que colocam os seus resíduos a céu aberto, derramam óleo onde for preciso e outros males que afetam o lençol freático e o próprio ambiente”, destacou Joana da Silva Bernardo, numa entrevista concedida à Angop. O ministério do Ambiente estará presente no congresso, que está agendado para os dias 22, 23, 24 e 25 de julho.

‘O setor [gestão de resíduos] será regulado ainda este ano e terá um plano estratégico nacional’ 2012

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UM DIA COM… Fernando Teles, Banco BIC Texto Manuela Bártolo

O BIC Portugal está no mercado há cerca de três anos. ‘Tem fundos próprios de cerca de 40 milhões de euros, ultrapassa o 1 bilião em recursos e dispõe aproximadamente de 360 milhões em crédito utilizado pelos clientes’. Com a aquisição do BPN português torna-se um banco de maior dimensão, ou seja, ‘passa a dispor de mais 2 biliões e 200 milhões de euros em crédito, mais 1 bilião e 800 milhões em depósitos e cerca de 360 milhões de euros em fundos próprios’. Uma junção que providencia o objetivo principal da instituição – crescer.

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BPN BRASIL

Criado em 2003, o BPN Brasil Banco Múltiplo S/A atua nas áreas de crédito e financiamento, comércio exterior, banco de investimento, repasses do BNDES e tesouraria. A instituição está instalada em várias regiões brasileiras através de correspondentes bancários distribuídos pelas cidades de São Paulo, Rio de janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Goiás e Rio Grande do Sul.

Ser líder na visão de um homem simples “

Vamos inaugurar a terceira agência da província de Cabinda, abrir mais uma no Namibe e outra na província da Huíla. Este objetivo prende-se com uma estratégia de crescimento do banco que assenta numa maior proximidade ao cliente

Num momento em que não há muita liquidez em Portugal, a instituição garante investimento. Em Angola, os indicadores também são de sucesso, sendo a instituição com a ‘maior rede privada’. Em entrevista à Angola’in Fernando Teles, presidente do conselho de administração (PCA) do BIC explica a estratégia de liderança do banco e a forma como encara o desenvolvimento das relações económicas entre os

dois países. De trato simples, mas decidido, cedo percebemos que estamos perante um homem que é líder nato e que assume o gosto por posições de relevo de forma natural. Numa conversa escorreita e agradável, nos ‘novos’ escritórios do BIC, exBPN, em Lisboa, recebe-nos, entre uma reunião e outra, sempre apressado, com a amabilidade e a inteligência que lhe são apontadas.

Quais são as vantagens competitivas do BIC no mercado angolano? O BIC é um banco que está presente em todo o país. Hoje, tem a maior rede privada em Angola. É uma instituição que está em 3º ou 4º lugar no que se refere a depósitos e crédito e conta com a colaboração de mais de 1500 trabalhadores. É uma entidade de referência que, por estar no mercado há sete anos, dispõe de uma grande rede de distribuição, com

quadros altamente qualificados que servem bem os clientes, tanto nos centros de empresa, como nos balcões. Fatores que nos permitem continuar a crescer muito. Em termos de presença no país, quais são os objetivos a médio prazo? O banco continua a querer estar presente em todos os municípios, apesar de já ter a rede que está instalada em mais cidades. Ainda no mês passado inauguramos a ter2012

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UM DIA COM… Fernando Teles, Banco BIC

Hoje praticamente não há bancos de investimento, uma vez que estes também precisam de bancos comerciais que os apoiem em termos de funding. O nosso objetivo é ser um banco normal, que quer continuar a captar depósitos e que os aplica em crédito de forma a crescer sustentadamente

Sabia que… O BIC Angola tem, desde o ano passado, uma nova sede. Um edifício de dez pisos em Luanda-Sul, que representou um investimento de cerca de 15 milhões de dólares. O objetivo do banco foi centralizar operações e ganhar eficiência, uma vez que o banco tinha departamentos espalhados por sete edifícios da capital. Nos espaços desocupados irão nascer novos centros de empresa. Além dos 14 centros que já têm, prevê-se a criação de mais cinco. Quanto à área do private banking, além do escritório em Alvalade, vai ter uma extensão em Luanda-Sul. Em construção está também um outro edifício no centro de Luanda, destinado para a futura sede do banco, que terá 31 pisos.

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ceira agência da província de Cabinda. Vamos abrir mais uma no Namibe e na província da Huíla. Este objetivo prende-se com uma estratégia de crescimento do banco que assenta numa maior proximidade ao cliente. Mesmo não extraindo grande rentabilidade do processo de instalação de balcões em municípios que não têm grande atividade económica, consideramos essa ação importante porque é uma forma de contribuirmos e apoiarmos o desenvolvimento do país. Angola este durante muitos anos estagnada devido à guerra e, muito embora, a mesma já tenha terminado há dez anos, a verdade é que continuar a ter a maior parte dos municípios sem cobertura bancária. Uma realidade que nos propomos mudar. Como prevê que possam alcançar a liderança do mercado? Queremos ser sem dúvida um dos líderes. Aliás, posso afirmar que já o somos apontando dois factos que corroboram a minha afirmação. Primeiro, somos o banco mais importante em termos de rede privada. Segundo, somos o banco mais importante no que respeita a pagamentos e transações com o exterior. Assim, o que esperamos é continuar a crescer de forma sustentada, para que possamos oferecer maior rentabilidade aos acionistas, por um lado, e servir cada vez melhor os clientes, por outro. Uma das apostas do banco é o apoio ao desenvolvimento da economia angolana. Há setores privilegiados para esse crescimento? O BIC é atualmente um dos bancos que apoia fortemente a economia angolana. Temos crédito utilizado pelos clientes na ordem

dos 3 biliões de dólares e estamos envolvidos em todos os setores de atividade no país, sem exceção. Tanto concedemos crédito a uma empresa agrícola, como industrial, pelo que dispomos, como já referi, de uma forte presença não só nos municípios, mas também na capital – Luanda. A expansão do banco tem por finalidade a sua entrada na bolsa? Como se sabe ainda não há bolsa em Angola. Quando ela for criada, logo decidimos se nos candidatamos ou não à sua entrada. Posso adiantar que já fomos convidados para entrar na bolsa de Londres. Foi realizada uma avaliação do banco e estivemos quase para decidir pela venda de 25% do capital. No final, optamos por esperar mais algum tempo porque servia melhor os nossos interesses. Agora obviamente que esse processo irá suceder um dia, quer para o BIC Angola, quer para o português, mas não é um objetivo que nos faça pensar que tem de ser imediato. Será com certeza quando necessitarmos de capital ou da bolsa para crescer, o que não ocorre neste momento. Nessa altura, iremos crer dar entrada na bolsa. A atenção que os organismos internacionais têm pelo país faz com que o setor bancário cresça mais rapidamente e force a criação da bolsa? Os bancos internacionais olham para Angola como um país com grande potencial, como uma nação que está a crescer e que tem capacidade para o continuar a fazer. Quando convidam uma empresa angolana para entrar na bolsa no exterior é porque consideram que há condições para se vender parte do capital dessas

empresas e isto representa maior maturidade e crescimento. Nesse sentido, espero que brevemente a bolsa angolana esteja a funcionar e nessa altura com certeza que iremos ser um dos bancos a aderir à sua entrada. Segundo a consultora Deloitte, o BIC é o quarto do mercado, depois do BPC, BFA e BAI. De salientar, a conquista efetuada em apenas seis anos que o tornou um banco de referência em Angola e a nível europeu. A internacionalização do BIC iniciou por Portugal. Que análise faz do posicionamento do banco no mercado português? O banco BIC está em Portugal desde 2008. A sua presença neste mercado foi uma opção estratégica dos acionistas em Angola, que como se sabe são os mesmos nos dois países. Com PCA, administradores e imagem comuns, o que sempre esperamos ao nível da internacionalização é captar e ter mais força, sobretudo em Angola, país onde iniciamos e onde temos o nosso principal negócio. De resto, convém salientar que não estamos a crescer só para Portugal. Estamos atualmente também a fazer uma proposta para abrir uma sucursal na Namíbia, um escritório na África do Sul e a analisar melhor o mercado brasileiro. Fazemos também prospeção junto de países a nível regional inseridos no contexto africano, como é o caso dos Congos, da Zâmbia, do Botswana e do próprio Zimbabué. Estamos a analisar todos esses mercados e de certeza absoluta que dentro de algum tempo anunciaremos também a abertura nestes países. Relativamente a Angola, sendo este um país de grande dimensão e importância na região, é natural que o nosso crescimento se faça para os mer-


Raio-X

Luta e determinação

Fernando Leonídio Mendes Teles é português e licenciou-se em Organização e Gestão de Empresas. Com apenas 14 anos emigrou para Angola, onde foi admitido, em 1966, no setor bancário (antigo Banco de Crédito Comercial e Industrial). Com 45 anos de experiência, ingressou, mais tarde, como diretor, nos quadros do ex-Banco de Fomento Exterior (BFE). Enquanto responsável máximo da instituição em Luanda, teve o elogioso e respeitoso papel de conduzir esta entidade à liderança dos bancos privados em Angola. Transformou o BFE em banco de direito angolano em 2002, com o atual nome de Banco de Fomento de Angola (BFA), no qual continuou a ser responsável máximo, como administrador residente. Em 2005, sai para fundar o seu próprio banco. É deste impulso e perseverança que surge o BIC, tendo assumido desde início o cargo de Presidente do Conselho de Administração e de Presidente da Comissão Executiva. Em escassos cinco anos, conseguiu transformálo num dos maiores bancos angolanos. 2008, marca o nascimento do banco BIC Portugal, do qual também é PCA.

O BIC apresentou recentemente uma proposta de compra do BPN Brasil,  mas Teles afirma que uma das prioridades são os países no contexto regional de Angola

A sua capacidade técnica e de liderança e a facilidade que tem de ouvir ou atender qualquer pessoa independentemente da sua posição económica ou social são características elogiadas O seu objetivo sempre foi claro: instalar a banca em lugares que outros não consideram rentáveis – estimulando com isso o desenvolvimento das terras e a iniciativa das populações. Essa característica empreendedora marca a sua personalidade decidida, caracterizando-o como um forte impulsionador e um homem que gosta de assumir na vida posições de relevo. Uma das últimas está relacionada com a atividade agrícola e pecuária em Angola, país onde assume hoje quatro grandes fazendas agrícolas, em Huíla, Cunene, Kwanza-Sul e Uíge, e onde tem mais de duas mil cabeças de gado, desenvolvendo também uma agricultura de subsistência, nomeadamente a produção de ananás, banana e mandioca. Tem ainda uma representação de tratores e alfaias agrícolas. De caráter indomável, a sua excelente capacidade técnica e de liderança é apontada por todos os que privam com ele. Bem como, a sua facilidade em ouvir ou atender qualquer pessoa independentemente da sua posição económica ou social. Generoso é outro adjetivo que lhe apontam, mas costuma dizer que é por valorizar a proximidade e a política da porta aberta. Foi líder sindical e com isso aprendeu a ser humilde, sem ser subserviente, ou melhor, a ter dignidade e a tratar todos com dignidade, princípio que defende. Fiel às suas raízes, acredita que a agricultura e a pecuária são o futuro de Angola, uma vez que prevê uma grande valorização das terras no futuro.

cados que têm boas relações com o país. Quanto a Portugal é um dos seus principais fornecedores. É uma nação com quem temos bons entendimentos e que exporta muito para Angola, pelo que também é um mercado natural para o BIC. Fator que impulsionou a nossa abertura. A aquisição do BPN português teve que finalidade? O BIC precisava de continuar a expandir-se e a crescer, pelo que necessitava de aumentar o seu número de balcões e de agências em Portugal. A aquisição do BPN esteve essencialmente relacionada com a vontade de aumentarmos a rede, uma vez que é muito importante para a nossa estratégia estarmos presentes noutros locais devido ao fluxo de transações que existem entre os dois países. Há muitos emigrantes portugueses a viver espalhados por todo o país e é fundamental, por um lado, que nós nos instalemos onde eles e as empresas que fornecem Angola estão e, por outro, onde os angolanos que têm investimentos em Portugal estão. Essas foram as razões que nos motivaram a comprar o banco. Como encara esta nova etapa? Acho que é um grande desafio. O BIC Portugal é um banco que vai procurar continuar a crescer. Temos consciência que atualmente não há muita liquidez no país, mas nós dispomos de alguma, o que também nos vai permitir chegar a novos clientes e a locais onde anteriormente não estáva2012

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UM DIA COM… Fernando Teles, Banco BIC

mos. Tendo como base o número de clientes em Angola (relembro que temos cerca de 700 mil clientes no país, distribuídos por uma rede de 175 agências), iremos servir melhor os dois mercados, isto porque muitos deles têm relações importantes e fazem as suas importações a partir de Portugal, o que vai permitir um crescimento maior da instituição portuguesa. Por seu turno, o mesmo também nos vai ajudar a desenvolver e a sermos um banco cada vez mais forte e com uma ligação ao exterior extensa. Quais as resoluções já tomadas face a esta aquisição? O BIC adquiriu do BPN uma percentagem do crédito, dos depósitos e dos trabalhadores e são esses três aspetos que estão a ser integrados. É com base nessas premissas que vamos continuar o nosso negócio. A instituição portuguesa vai, por isso, ser mais forte e ter uma rede ainda maior, com mais capital e mais fundos próprios. Terá ainda mais recursos e crédito, o que lhe vai permitir ser um banco com alguma importância no mercado. A questão do nome BPN é algo que já esquecemos. O BIC tem hoje a sua imagem divulgada em todo o país e espero que no decorrer das próximas semanas já não haja o nome BPN nas agências, mas sim apenas o do BIC. O nosso objetivo é pensar apenas no futuro. Queremos apoiar a economia portuguesa, respeitando a ligação que existe com Angola. Ambas as entidades vão desenvolver as suas economias, bem como ajudar os empresários dos dois países. Que tipos de serviços se propõem prestar? Somos um banco comercial normal, que vai procurar no dia-a-dia ser uma entidade de referência, com condições para crescer e fazer todo o tipo de transações. Logicamente, tendo sempre em atenção que temos um banco em Angola que ajuda a potenciar o crescimento e as relações entre os dois países. Vamos continuar a ter clientes privados e clientes-empresa porque todos 58

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os bancos são instituições multifunções. Hoje praticamente não há bancos de investimento. Os bancos de investimento também precisam de bancos comerciais que os apoiem em termos de funding e por isso o que vamos ser é um banco normal, que quer continuar a captar depósitos e que os aplica em crédito de forma a crescer sustentadamente. Vamos continuar a ser um banco de retalho, o que não quer dizer que não façamos operações na área da banca de investimento, pois fazemos todo o tipo de operações e para isso temos uma estrutura adequada. Como se encontra a situação de compra do BPN Brasil? Fizemos uma proposta e esta-

mos a aguardar calmamente. Quando há algo à venda quem propõe tem sempre de aguardar que haja decisões e é isso que estamos a fazer. Não vamos propriamente definir prioridades de imediato para o mercado brasileiro. O BPN já existe lá e é um banco pequeno, assim como nós, pelo que o nosso intuito com a eventual aquisição é continuar a manter boas relações económicas com Angola e procurar que as empresas que trabalham com o nosso país venham também a colaborar com o banco quando nos instalarmos no mercado brasileiro. Mas este assunto ainda é prematuro porque não há decisão nenhuma relativamente à futura aquisição ou não desse banco no Brasil.

À lupa Banco do Imbundeiro Data da fundação: Maio de 2005 Administradores: Fernando Mendes Teles (presidente); Isabel José dos Santos; Fernando Aleixo Duarte; Graziela Rodrigues Esteves; José Manuel Cândido; Pedro Nunes Mbidigani; Hugo Silva Teles     Volume de Negócios (2010): 6308 milhões de dólares Activo líquido (2010): 4868 milhões de dólares Resultado líquido (2010): 142 milhões de dólares Clientes aproximadamente: 700 mil Agências: 175 (*) Colaboradores: 1500 Internacionalização: Banco BIC Portugal (**) (*) Inclui agências; centros de empresas e de investimentos; private banking e balcões empresas. (**) Em 2012 incorporou o BPN. Está em estudo a entrada noutros países africanos e no Brasil.


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FOTOREPORTAGEM

Texto Patrícia Alves Tavares | Fotografia Humberto Torrinha, Associação Angolana de Kite

‘Bay Pirates’

— Praticantes ou simplesmente entusiastas, o kitesurf tem a capacidade de reunir à volta das ondas, quebradas pelo vento, adeptos de todas as idades. Luanda, Benguela e Namíbe são o refúgio dos amantes da modalidade, que encontram nas águas quentes e na brisa marítima as condições privilegiadas para ‘ fabricar’ futuros campeões. O mar e o vento têm muitas finalidades: geram energia, trazem alimento para uns, sensação de éden para outros. Hoje, as duas forças da natureza confluem para criar o cenário ideal para a prática de um desporto acarinhado pelo público nacional e pelos especialistas internacionais, que aplaudem a vontade dos angolanos se profissionalizarem num desporto que tem tanto de fantástico, como de difícil aprendizagem.

festival náutico “kite-angola 2010” baia do mussulo na pequena ilhota aka paradise island

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FOTOREPORTAGEM

kitetrip fotografia de humberto torrinha aka ice-man fundador da associação angolana de kite

“kite-angola 2010” ilha de luanda com crianças de alguns orfanatos da cidade

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“kite-angola 2010” na paradise island fotografia de humberto torrinha aka ice-man baía do mussulo, luanda

baía do mussolo a caminho do museu da escravatura

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ARQUITETURA&CONSTRUÇÃO

Patrícia Alves Tavares

‘Reescrever’ a história arquitetónica “O programa é muito mais vasto, abrange quase todos os municípios do país e dentro de pouco tempo serão lançados projetos noutras partes do território nacional”, garante José Eduardo dos Santos a respeito do Programa de Investimento Público (PIP). Nesta edição, a Angola’in foi perceber o impacto deste plano na área da construção e da reabilitação urbana, uma vertente cada vez mais em voga a nível internacional.

A recuperação dos imóveis assume-se como um vetor fundamental para o desenvolvimento sustentável das regiões e da qualidade de vida das populações. As cidades têm um papel central nos ritmos e dinâmicas de competitividade e coesão dos países e das regiões. A reabilitação urbana representa um nicho de mercado para diversas áreas de negócio, surgindo como elemento dinamizador de setores como os transportes, energia, o da madeira, o do mobiliário, entre outros. A reabilitação nos grandes centros urbanos tem evoluído da simples manutenção de edifícios ou do seu restauro para uma forma mais ativa de requalificação, que envolve a atração de novos intervenientes e residentes.

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Os projetos têm a sensibilidade de preservar e melhorar o ambiente de cada zona, mantendo o tecido social e as edificações. Modo geral, as novas construções destinam-se a um misto de escritórios, habitação, comércio e lazer. Na Europa, o setor representa já 36,8% do total da produção da construção, movimentando 515 mil milhões de euros por ano. No caso da habitação, o peso é de 50% e as obras de re-

abilitação ou manutenção dos edifícios têm um peso idêntico ao da construção nova. Na Alemanha, Itália, França e Reino Unido, a reabilitação supera mesmo a construção nova. Já Portugal tem cerca de 5,7 milhões de fogos construídos, dos quais 34 por cento (quase dois milhões) carecem de intervenção. 765 mil casas necessitam de obras profundas. Em Angola, o Programa de Investimento Público (PIP) tripli-

‘O PIP para 2011 e 2012 contempla cerca de dois mil projetos para as mais diversas áreas’

cou em quatro anos. Eclético e vasto, o plano visa “melhorar ainda mais o bem-estar dos angolanos, aumentando o acesso à educação, à saúde, à habitação, ao emprego, à energia e à água”, indicou no início do ano o Presidente da República, José Eduardo dos Santos. São visíveis os progressos na reconstrução e criação contínua de infraestruturas.

Investir na reabilitação O PIP visa todas as províncias e a generalidade dos ministérios/ órgãos de Estado. O objetivo é que todos os serviços disponham de equipamentos adequados e de que os cidadãos possam ter acesso à habitação a um pre-


PIP para 2012 ‘É urgente travar a construção anárquica e a reabilitação de edifícios degradados e abandonados é a alternativa mais viável para quem procura casa’

ço acessível, sem especulações imobiliárias e com possibilidade de arrendamento. A recuperação de imóveis é crucial neste período, visto que é urgente travar a construção anárquica e a reabilitação de edifícios degradados e abandonados é a alternativa mais viável para quem procura casa. Por exemplo, no distrito urbano do Rangel, em Luanda, está prevista a reabilitação e o equipamento de várias escolas, bem como a ampliação dos centros de saúde da região. Integrado no PIP, são vários os imóveis a sofrer melhorias, obras que serão complementadas com intervenções nas estradas e aquisição de materiais para melhorar o funcionamento das administrações das comunas, das escolas e dos estabelecimentos de saúde.

Tendência mundial A reabilitação urbana tem vindo a ganhar uma maior importância e dinamismo em virtude da nova realidade económica e financeira que o mundo está a atravessar, aliada à necessidade urgente de recuperar e reformular os edifícios degradados e abandonados das cidades sob pena destas perderem de forma irreversível identidade, coesão e atratividade. Por outro lado, a recessão económica saturou o setor da construção, que começa a procurar alternativas à edificação desenfreada. Com o poder de compra a cair e a dificuldade no acesso ao crédito, a compra de casa nova passou para segundo plano e a procura voltou-se para a reno-

vação dos imóveis existentes e recuperação dos restantes para lança-los, por exemplo, no mercado de arrendamento. África não é exceção e Angola vive um boom construtivo impar. Com o término da guerra civil, em 2002, surgiu uma oportunidade no setor da construção que tem neste momento a responsabilidade de planear uma expansão das cidades de forma sustentável, com soluções urbanísticas adaptadas ao local, à cultura e ao ambiente. No último ano, o Ministério do Urbanismo e Construção implementou um plano ambicioso de renovação de 26 mil quilómetros de estradas, a nível nacional. A par da reconversão dos edifícios públicos, o Governo tem-se pautado por uma atuação cirúrgica na construção e reabilitação de parques e jardins públicos, onde a manutenção não é descurada. Aliás, a salvaguarda do ambiente e a criação de meios verdes para concorrerem com a poluída capital são uma das prioridades assumidas ao longo dos últimos anos. No total, o PIP para 2011 e 2012 contempla cerca de dois mil projetos para as mais diversas áreas. Serão investidos mais de 16 biliões de dólares, disponibilizados para promover o desenvolvimento humano e a erradicação da pobreza, através da criação das infraestruturas base e recuperação das existentes. No caso dos programas municipais, a construção e reabilitação de equipamentos sociais deverá cobrir 45% das necessidades na área da saúde e renovar 35% das vias rodoviárias.

Total geral:

Rec. Ordinários – 670.270.375.411,00 Kwz Linhas de Crédito – 266.393.014.107,00 Kwz Total - 936.663.389.518,00 Kwz Ministério do Urbanismo e Construção:

Governo Provincial do Kwanza-Sul

Rec. Ordinários – 163.629.984.249,00 Linhas de crédito – 70.163.374.912,00 Total - 233.793.359.161,00

Rec. Ordinários - 7.263.890.549,00 Linhas de Crédito – 0,00 Total - 7.263.890.549,00

Governo Provincial do Bengo:

Governo Provincial de Luanda

Rec. Ordinários – 7.989.408.875,00 Linhas de Crédito – 2.904.589.873,00 Total - 10.893.998.748,00

Rec. Ordinários - 53.481.267.954,00 Linhas de Crédito - 12.988.378.463,00 Total - 66.469.646.417,00

Governo Provincial de Benguela:

Governo Provincial da Lunda-Norte

Rec. Ordinários - 10.486.107.385,00 Linhas de Crédito - 0,00 Total - 10.486.107.385,00

Rec. Ordinários - 8.946.116.748,00 Linhas de Crédito - 3.378.488.712,00 Total - 12.324.605.460,00

Governo Provincial do Bié

Governo Provincial da Lunda-Sul

Rec. Ordinários - 6.019.243.187,00 Linhas de Crédito – 0,00 Total - 6.019.243.187,00 Governo Provincial de Cabinda

Rec. Ordinários - 26.611.403.532,00 Linhas de Crédito – 0,00 Total - 26.611.403.532,00 Governo Provincial do Huambo

Rec. Ordinários - 11.536.235.108,00 Linhas de Crédito – 0,00 Total - 11.536.235.108,00 Governo Provincial da Huila

Rec. Ordinários - 11.289.172.426,00 Linhas de Crédito – 0,00 Total - 11.289.172.426,00 Governo Provincial do Kuando-Kubango

Rec. Ordinários - 10.609.713.864,00 Linhas de Crédito - 2.814.708.438,00 Total - 13.424.422.302,00

Rec. Ordinários - 7.554.516.442,00 Linhas de Crédito - 1.610.250.000,00 Total - 9.164.766.442,00 Governo Provincial de Malanje

Rec. Ordinários - 10.265.348.527,00 Linhas de Crédito - 1.890.699.864,00 Total - 12.156.048.391,00 Governo Provincial do Moxico

Rec. Ordinários - 7.118.721.828,00 Linhas de Crédito - 1.710.000.000,00 Total - 8.828.721.828,00 Governo Provincial do Namibe

Rec. Ordinários - 5.812.032.213,00 Linhas de Crédito – 0,00 Total - 5.812.032.213,00 Governo Provincial do Uíge

Rec. Ordinários - 8.223.163.829,00 Linhas de Crédito – 0,00 Total - 8.223.163.829,00

Governo Provincial do Kunene

Governo Provincial do Zaire

Rec. Ordinários - 8.522.882.069,00 Linhas de Crédito – 0,00 Total - 8.522.882.069,00

Rec. Ordinários - 7.532.759.460,00 Linhas de Crédito - 1.207.959.647,00 Total - 8.740.719.107,00

Governo Provincial do Kwanza-Norte

Rec. Ordinários - 9.253.098.936,00 Linhas de Crédito - 2.280.000.000,00 Total - 11.533.098.936,00

Fonte: Ministério das Finanças

2012

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ARQUITETURA&CONSTRUÇÃO

Patrícia Alves Tavares

Mais mercados em Luanda

— É uma aposta decisiva no comércio local. O governo provincial de Luanda vai construir 98 novos mercados nos próximos meses, erguendo infraestruturas adequadas à prática da atividade. A capital ficará dotada de 18 espaços comerciais municipais e 80 populares, no âmbito de um vasto programa de criação de equipamentos sociais. Está ainda prevista a construção de múltiplos balcões únicos de empreendedor, com vista a preparar os cidadãos para a criação dos seus próprios negócios. infraestruturas.

500 milhões Para habitações na Huíla

— Isaac dos Anjos anunciou que a execução do programa habitacional da Eywa, nos arredores do Lubango (Huíla), vai custar 500 milhões de dólares. O projeto engloba a edificação de quatro mil habitações, destinadas ao setor privado, de fábricas e respetivos equipamentos sociais. O investimento privado vai contar com o apoio estatal que irá disponibilizar uma verba para a construção do Pólo Universitário da Mandume Ya Ndemufayo, com capacidade para acolher 20 mil alunos. O plano contempla a criação de infraestruturas de saúde e de justiça. O Estado vai financiar 2700 novas casas.

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2012

Olímpicos com pavilhão interativo

— Coca-Cola Beatbox é o nome do pavilhão desenvolvido pelos arquitetos Penilla&Asif e que ocupará o Parque Olímpico dos Jogos de Londres 2012. Preparado para receber mais de 200 mil visitantes, o edifício será em simultâneo uma escultura e um instrumento musical. Os curiosos poderão criar a sua própria música baseada na letra oficial do evento, através de sons incorporados à arquitetura. O pavilhão foi construído em tempo recorde (um ano) e a inspiração foi buscar conceitos de durabilidade e de capacidade de fluxo. No final dos Olímpicos, os materiais serão reciclados e reutilizados.

Portão Sungnyemun em Lego

— A linha Lego Arquitetura tem um novo tema: o Sungnyemun (Portão das Cerimónias Exaltadas), em Seul, Coreia do Sul. A nova estrutura de montar do conhecido fabricante de brinquedos foi inspirada na obra de 1398 e estará à venda a partir de junho. A célebre obra arquitetónica é um dos tesouros do reinado de Taejo, da dinastia Joseon, da Coreia do Sul e é composta por quatro portões que foram concebidos para controlar o acesso à cidade. O Sungnyemun foi aquele que se tornou mais popular e que foi sofrendo várias alterações ao longo dos anos. Agora está ao alcance do engenho dos mais novos, que terão o desafio de montar a célebre infraestrutura em Lego.e reassentamento dos cidadãos e de requalificação das áreas suburbanas.

Mini-hídrica no Bié

— A mini-hídrica do Andulo e a barragem de Kamacupa, no Bié, vão receber obras para melhorar a distribuição de energia elétrica nos municípios da região. As infraestruturas, que ficaram quase destruídas durante a guerra, serão recuperadas e a empreitada conta com o apoio do Ministério da Energia e Águas. Contudo, o governo municipal ainda não adiantou qual será a verba atribuída pelo Estado.


INOVAÇÃO&DESENVOLVIMENTO

Patrícia Alves Tavares

Energia solar ‘ataca’ malária

É um spray capaz de operar autênticos milagres em países fustigados por doenças transmitidas pela picada do mosquito como a malária ou a dengue. A inovação está nas mãos de investigadores portugueses e dispensa o uso de energia elétrica. Basta a ação da luz solar para que o novo material liberte repelentes e inseticidas. A Angola’in falou com o responsável pela tecnologia e foi conhecer como funciona a cápsula.

Erradicar o paludismo, a malária ou a febre de dengue poderá ser mais eficaz num futuro próximo. O físico Carlos Tavares, da Universidade do Minho, em Portugal, desenvolveu uma tecnologia que pode ser usada em zonas remotas e locais onde não existe rede elétrica. É uma mais-valia para os países em desenvolvimento que apresentam ainda grandes falhas na distribuição regular de eletricidade. A inovação consiste numa microcápsula que pode ter no seu interior qualquer composto, como repelente ou inseticida, que em contacto com a luz solar liberta as substâncias de forma controlada, permitindo ao utilizador protegerse com maior facilidade das picadas de mosquitos. O material pode ser aplicado em qualquer superfície, seja o tecido de uma tenda, o vidro de uma casa ou um mosquiteiro.

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2012

Os testes ao inseticida decorrem no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa, nas colónias de mosquitos existentes no centro. Os cientistas pretendem nos próximos três anos aperfeiçoar a tecnologia para que os materiais consigam absorver maior quantidade de energia solar e sejam mais eficazes. Por outro lado, estão a melhorar a espessura dos poros das cápsulas para que estas possam controlar de forma mais eficiente a libertação de substâncias. No entanto, o projeto já mereceu a atenção do Brasil, local onde serão efetuados os testes aos materiais in loco. A investigação tem visado os materiais fotocatalíticos, que têm a capacidade de se ativar através da luz solar e provocar múltiplas reações. A cápsula é polimérica, ou seja, em contacto com o sol, os poros abrem e o químico que está no seu interior é libertado. A cápsula permite igualmente reduzir a perda de efeito dos repelentes quando os tecidos são lavados.

Sabia que… O projeto está a ser desenvolvido por cientistas das Universidades do Minho, Porto e Coimbra, em Portugal, em parceria com o Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa.

Repelente ou aromas? O responsável pelo projeto, Carlos Tavares, foi mais longe e criou novas funcionalidades para a cápsula, inicialmente desenvolvida para ajudar os países tropicais a combater doenças crónicas. A sua utilidade poderá estender-se ao uso doméstico, nomeadamente em países desenvolvidos. Além do composto de repelente ou inseticida, a cápsula de plástico pode servir para colocar no seu interior fragâncias que serão ativadas por partículas fotocatalíticas que são igualmente ativadas pela luz solar e soltam o composto. Neste caso, materiais aromáticos podem ser libertados para “a purificação do ar de uma casa onde existam fumadores”. O objetivo é tornar a invenção mais atrativa do ponto de vista comercial.


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Cientistas vão aperfeiçoar a tecnologia nos próximos três anos

Mini-entrevista

“Alternativa à utilização de inseticidas comuns” Dr. Carlos Tavares, Investigador da Universidade do Minho, Portugal

ser regenerada por pulverização de uma superfície da habitação, como vidros, cortinas, tendas. Em locais urbanos, pode ser uma alternativa à utilização de inseticidas comuns, promovendo uma libertação diurna com inércia suficiente para uma prevenção noturna.

Quando nasceu o projeto? A ideia surgiu no início de 2008 após ter assistido a uma palestra sobre aromas. Como já trabalhava em materiais ativados por luz solar desde 2004, fiquei intrigado com a possibilidade de poder libertar aromas, a partir de uma determinada superfície, por ativação solar. Como é que o material funciona e que tipo de doenças pode evitar? Trata-se da conjugação de vários materiais. Primeiro, temos um material à escala manométrica (nano partículas) que é ativado por luz solar e tem um grande potencial de gerar mecanismos de degradação de cadeias químicas de determinados compostos, como por exemplo poluentes ou, neste caso concreto, uma microcápsula polimérica. Segundo, quando as referidas nano partículas estão ligadas às microcápsulas, por ativação solar vão quebrar as ligações destas últimas, rompendo-as e promovendo a libertação e subsequente volatilização dos compostos nelas encapsulados, como é o caso do inseticida ou repelente, ou simplesmente de uma fragrância/aroma para desodorizar ou perfumar o ar. Quais são as mais-valias? Esta tecnologia tem várias vantagens. Não necessita de suporte energético para o seu funcionamento, para além da luz solar, tornando-se ideal para aplicação em zonas mais remotas onde a energia elétrica é inexistente ou escassa. Adicionalmente, pode ser aplicada por pulverização de uma superfície estática, como vidros de janelas, cortinas, telhados, redes mosquiteiras, tendas, etc, desde que tenham uma boa exposição solar. Após decaimento do rendimento de volatilização, essas superfícies podem ser regeneradas por uma nova repulverização, como se fosse um aerossol comum.

Está prevista a sua introdução no continente africano ou a realização de testes nessa parte do globo? Nesta fase ainda não há nada de concreto. Porém, seria de todo o interesse que se materializasse. Um dos parceiros deste projeto é o Instituto de Higiene e Medicina Tropical, de Lisboa, que através do seu centro de investigação, Centro de Malária e de outras Doenças Tropicais, certamente terá contatos privilegiados para demonstrações e implementação desta tecnologia em parceria com entidades locais desses países. A inovação está disponível no mercado? Não, ainda se encontra em desenvolvimento. Os testes com insectários estão agendados para breve. Contudo, já existem provas de conceito realizadas que atestam o efeito de libertação controlada por ativação solar. O Brasil demonstrou interesse em utilizar essas cápsulas. Existem testes aos materiais no terreno? Sim, existe interesse de uma ONG e de uma universidade brasileira para delinear uma colaboração com ensaios no terreno. De que forma é que esta tecnologia pode ser aplicada nos países africanos? Esta tecnologia não necessita de um suporte de energia elétrica. Em locais mais remotos, pode simplesmente funcionar por ativação solar e tem a vantagem de

Quantos cientistas estão envolvidos no projeto? Este projeto é liderado por um investigador do Centro de Física da Universidade do Minho, existindo outros investigadores desta unidade a trabalhar nele, bem como da Universidade do Porto, Universidade de Coimbra e do Instituto de Higiene e Medicina Tropical. Existe também uma empresa portuguesa produtora de microcápsulas para a indústria têxtil que participa. No total, serão cerca de 12 investigadores. Concluiu que a descoberta poderia ter outras finalidades. Quais? Esta tecnologia pode também servir para desodorizar o ar, especialmente quando colocada em vidros de janelas ou cortinas e, em particular, em zonas onde se processem aromas desagradáveis ou poluentes, como o tabaco.

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INOVAÇÃO&DESENVOLVIMENTO

Patrícia Alves Tavares

Expo Angotic’s Angola

Primeira mediateca em agosto

— Pedro Teta, vice-ministro para as Tecnologias de Informação, vai inaugurar a 10 de agosto a primeira de 25 mediatecas. A estrutura central da futura rede tem capacidade para 250 pessoas e terá inicialmente cerca de dez miul livros e cinco mil DVDs. O projeto será implementado de forma faseada e visa as províncias do Zaire (Soyo), de Luanda Sul (Saurimo), Huíla (Huambo e Lubango) e Benguela. Está orçado em 28 milhões de dólares norte-americanos. Os equipamentos serão complementares às atuais bibliotecas e vão incentivar o aumento do conhecimento científico. Será um instrumento de apoio a pesquisas e de divulgação das criações artísticas e culturais digitais.

— A primeira edição da Expo Angotic’s – Salão Internacional de Informação e Comunicação de Angola – decorreu em Luanda, no mês passado. A iniciativa, uma parceria da Feira Internacional de Luanda com o Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, dividiu-se em duas categorias: a das tecnologias, provedoria, gestão, formação e software e, por outro lado, a de TIC’s. Aliás, o principal objetivo do salão consistiu em dinamizar a exploração deste segmento, colocando as TIC’s mais adaptáveis aos setores prioritários da economia. O evento visou igualmente a aproximação entre Governo, empresas nacionais e internacionais, associações e universidades.

Loja de aplicações no Facebook

Samsung aposta nos Jogos Olímpicos

— A Samsung vai recorrer aos Jogos Olímpicos de Londres para divulgar o novo smartphone Galaxy S III, o topo de gama que quer rivalizar com o iPhone. A empresa assinou um protocolo com a Visa e vai deixar à disposição dos atletas patrocinados pelas duas entidades o novo equipamento, uma edição limitada que disponibiliza um sistema de pagamentos móveis. A operação contará ainda com a ajuda do banco britânico Loyds, parceiro na organização dos Olímpicos. Para efetuar pagamentos os utilizadores terão que clicar na aplicação da Visa e aproximar o telemóvel de um aparelho de registo. Estima-se que em julho, altura do arranque dos jogos, existam cerca de 140 mil terminais a funcionar dentro e fora da zona olímpica, bem como em táxis.

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2012

— O Facebook vai lançar uma loja de aplicações, com o intuito de rentabilizar os acessos por equipamentos móveis. O App Center vai permitir que os utilizadores comprem aplicações dentro da rede social e que encontrem outras úteis para usar em plataformas exteriores ao site. O mecanismo vai centralizar toda a oferta para que seja mais fácil de instalar e disponibilizá-la em computadores, telemóveis, smartphones e tablets. Na primeira fase, serão gratuitas, mas posteriormente surgirão aplicações pagas, em que 30% do valor da receita reverterá para o Facebook.

Inventores em Luanda

— É a quarta edição da Feira do Inventor/ Criador Angolano que decorre de 23 a 26 de junho, no Parque da Independência, na capital. O certame volta a juntar os investigadores nacionais que aproveitam a ocasião para mostrar os seus resultados de investigação às diversas entidades presentes. A feira destina-se igualmente a incentivar o trabalho de novos criadores e a fomentar o desenvolvimento de uma cultura nacional, que recorra à criatividade e caráter inovador das populações. No final, serão escolhidos os participantes que mostrarem os melhores trabalhos e que vão representar o país na Feira Internacional de Ideias, Invenções e Novos Produtos, em Nuremberga, Alemanha.


2012

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DESPORTO

Luís Freitas Lobo

KICK-OFF

GPS

GRANDE ÁREA····························· 76

16 seleções, um destino

Em julho, o mundo conhecerá o vencedor da taça do campeonato europeu, a melhor equipa da Europa. Nesta edição, fazemos a antevisão do evento de futebol que marca o ano desportivo e traçamos o perfil dos ‘génios’ de cada equipa

Insight············································80

África no Europeu

O Euro 2012 agita os adeptos dos países qualificados. No entanto, há craques africanos nas seleções que vão lutar pela taça. Descubra quais!

FORA DE JOGO··························· 85

‘Tiger Woods’ angolanos

Surpreenda-se ao entrar no mundo do golfe, uma modalidade com pouco destaque mediático, mas que está a ganhar adeptos. E não são as elites e os mais velhos os aficionados por esta prática. São os jovens adultos e da classe média os principais interessados

Cruzamento······························ 86

Ás da natação

Estamos em contagem decrescente para os Jogos Olímpicos de Londres. Neste número, entrevistamos uma das esperanças de Angola nesta competição: o nadador Pedro Pinotes, um jovem campeão, que se divide entre o Sporting Clube de Portugal e o Clube Náutico de Luanda

Bloco de Notas······················ 88

Minuto a minuto

As modalidades continuam a ser notícia. Conheça os mais recentes sucessos em áreas como o xadrez ou as artes marciais

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2012

BELHANDA Mago de Montpellier No título mais fantástico da época dos grandes campeonatos do futebol europeu, a vitória do surpreendente Montpellier na Liga Francesa, a marca de um mago marroquino que parece ter um pacto secreto com a bola em termos de finta, controlo e condução, visão e remate ou passe. O «aprendiz de feiticeiro» já nasceu na Velha Gália e chama-se Younés Belhanda. Apenas 22 anos e vida toda à sua frente para fintar e inventar grandes jogadas com a bola nos pés. É uma espécie híbrida de médioofensivo e segundo-avançado. Em qualquer espaço, a mesma imaginação e malandragem técnica. Por vezes, parece querer inventar demais, mas, depois, rapidamente volta a pôr as botas na relva e o futebol de Belhanda, artístico e objetivo, volta a aparecer para levar o onze à vitória. É o sensacional triunfo do Montpellier de Belhanda na Liga francesa 2012.


BENNY McCARTHY “Pirata” sul-africano Um «velho caminhante» do grande futebol africano na Europa. Benni McCarthy, o sul-africano dos golos fantásticos que, em 2004, guiou o FC Porto à conquista da Champions abrindo caminho com os dois golos que deram a volta ao memorável jogo com o Manchester United no Dragão. Depois disso, por Inglaterra (Blackburn e West Ham) nunca mais atingiu nível semelhante. Agora, quase com 35 anos, passeia classe, com o mesmo talento mas uns quilos a mais, nos seus relvados sul-africanos. Sempre mágico levou o histórico Orlando Pirates a novo título de campeão nacional. Mais um titulo para o seu livro de memórias de futebol-arte. O melhor marcador de sempre da selecção sul-africana (31 golos), um jogador que faz do futebol uma «montanha russa» de emoções. Perto do fim da carreira, o mesmo temperamento indomável.

PAPISS CISSÉ Como cresce um craque É o jogador africano que evoluiu mais na última época, sobretudo quando trocou a Alemanha, Freiburg, por Inglaterra, Newcastle, onde se juntou no ataque a outro caça-golos senegalês, Dem Ba. Mas, aqui, o destaque goleador é para Papiss Cissé, um ponta-de-lança poeta africano de golos bonitos, alguns de ângulos e descrevendo efeitos quase impossíveis com a bola. Explodiu tarde para este nível, pois só agora, com 27 anos, toda a Europa olha para ele como um fenómeno em forma de nº 9 goleador. O Senegal continua gerar grandes jogadores, moldados pela maior cultura táctica francófona (a grande influência estilística) mas mantendo a imaginação malabarista africana. Um cruzamento notável que Papiss Cissé expressa em cada movimento, em cada remate, em cada golo, em cada festejo…

DROGBA No reino da “Champions” Existem jogadores que transmitem a sensação que podem sozinhos arrastar toda uma equipa atrás de si. Didier Drogba, o monstro marfinense em forma de ponta-de-lança, é um desses casos no futebol atual. Dele disse Mourinho um dia que “é o tipo de jogador a quem diria: contigo era capaz de ir para qualquer guerra!”. A última aparição do guerreiro Drogba surgiu na Final da Champions, sozinho contra um exército alemão coletivamente mais forte, ele como que «agarrou o jogo pelo pescoço» e virou-o para o lado azul do Chelsea. Um golo nas alturas, onde os pássaros moram, deu o empate perto do fim. Depois, na dramática decisão por penaltys, nunca tremeu e, no último remate, indicou, friamente, o caminho da baliza. São 34 anos de futebol com força, técnica, potência e alma!

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DESPORTO

Luís Freitas Lobo

O jogador mais baixo e mais arquitetónico no plano de fazer desenhos com a bola da seleção espanhola parece um tímido aluno da escola secundária a preparar-se para jogar no pátio do colégio. Mesmo no fim dos jogos, após correr, em passos curtinhos durante 90 minutos, nunca o vemos despenteado. Mas não se iludam. Estou aqui a falar de um ser vivo de calções e chuteiras capaz de converter a jogada mais complicada na mais simples com um simples toque, o chamado passe de morte. Nas entrevistas gosta de assumirse sempre como um ‘ator secundário’ da equipa, mas, 74

2012

depois, o jogo real, revela-o como o grande arquiteto de todo aquele futebol circular, quase teia-de-aranha que faz a filosofia espanhola com a bola nos pés. Se a isso juntarmos a sua herança genética, a escola de Barcelona onde cresceu, temos como resultado um produto de futebolista que combina leitura de jogo serena com instinto mortífero implacável. É o projeto de futebol de Xavi.

A seleção espanhola

é, em rigor (estilo de jogo e grande maioria

dos jogadores) o Barcelona sem Messi. E, continua a ganhar na mesma. Europeu 2008, Mundial 2010. Agora, o desafio 2012. É um ano diferente. Ganhar tanto também cansa, diria Guardiola que se despediu com essa frase do Barcelona. Por toda a Europa futebolística foi, nos últimos meses posto a correr o rumor

que, de facto, a Espanha já não é a seleção mais forte. Que, agora, o poder mudou-se (ou regressou, melhor dizendo em termos históricos) para a Alemanha. Pode ser. Em qualquer caso, a Espanha de Del Bosque, o treinador de futebol do Mundo que parece a personagem René da velha série de TV francesa, Alo, Alo, que vai para o banco com um casaco de carapuço e manca um pouco de uma perna (não teria, portanto, qualquer hipótese de ganhar um normal concurso de beleza), continua a ser um forte candidato a vencer o Euro. A serenidade de ter Xavi na


GRANDE ÁREA

16 seleções, 8 craques Um destino

— Cristiano Ronaldo, Ozil, Xavi, Ibrahimovic, Balotelli, Rooney, Van Persie, Benzema. O EURO-2012 é um mapa de estrelas em busca de um destino: a conquista da Europa. Como nunca, na história do futebol existiu uma seleção capaz de ganhar um grande torneio (Mundial ou Europeu) sem ter um guia espiritual – a fintar, correr, organizar e rematar- com a bola nos pés, dentro do relvado. A melhor forma de entrar dentro do poder de cada grande candidato, é entrar dentro de cada um dos seus maiores craques. Porque só existe duas formas de um homem, ou simples futebolista, se destacar na vida ou no relvado: uma é fazendo algo grande, a outra é fazendo algo diferente. Estes são oito nomes com uma bomba relógio de talento nas chuteiras pronta a explodir dentro do relvado. Rebeldes, insubmissos, génios, loucos, de craques a pop-stars, ele são a melhor razão para sonhar com bom futebol e ‘quebrar o gelo’ no verão da Ucrânia e Polónia.

sabedoria dos 30 anos, ajuda a manter essa sensação. Tal como ter, a seu lado, Iniesta ou Silva, outros dois membros da corte de baixinhos loucos com a bola. Busca reencontrar um goleador. Torres depois da depressão da chuva miudinha em Londres, uma época sem Villa, o pistoleiro lesionado, e, por fim, o emergir de dois novos matadores, Llorente, o Rei leão de Bilbao, um nº9 que, alto e esguio, quase vê de cima de um terceiro andar jogar o resto da equipa, e, por fim, outro habitante das áreas adversárias com o nome ideal para incorporar essa vocação na

hora do remate: Mata, avançado de diagonais, lapidado em termos lutadores após uma época na atmosfera inglesa. Mas o futebol atual não é um mundo de bons rapazes com quem as mães sonham casar as filhas. Só estas mesmas aspiram a isso, top-models ou meras vizinhas da casa ao lado. Todas têm a sua hipótese. Neste mundo de personagens rebeldes que, com calças Dolce e Gabana, Rolex,

Porsche e penteados exóticos, vagueiam pelo mundo do futebol, existem figuras que cativam à primeira vista. É o mundo pós-Beckham, hoje condenado a ver estes grandes momentos

desde a bancada. Várias seleções podem dizer, com orgulho ou desafio, que ‘o meu craque é uma pop-star!’. Cristiano Ronaldo, combina o gel com grandes fintas. Os grandes remates para golos fantásticos, como o tirar da camisola nos festejos para mostrar os músculos. É possível, portanto, ter-se o melhor de dois mundos. A seleção portuguesa tem dez jogadores meramente terrenos e um extraterrestre. Com Cristiano Ronaldo na equipa, qualquer treinador corre o risco de se transformar num ser tático iluminado de um momento para o outro. 2012

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DESPORTO Mas, Ronaldo já não é o futebol português real e mais profundo. Ele já disparou para uma galáxia muito distante. Na dimensão de ícone, imagem, qualidade futebolística e estatuto de grande craque. Poderá o resto da equipa acompanhá-lo nesta viagem interplanetária? Não é fácil. O meio-campo tem os operários necessários, Moutinho e Meireles, os jogadores rotativos donos dessas salas de máquinas. Na defesa, Pepe e Bruno Alves assustam os pássaros. No ataque, Nani finta na sombra de Ronaldo, tal como Quaresma, por cada trivela, uma jogada insolente. Tudo irá depender da união de todos estes factores. Por entre esse mundo de seres rebeldes com vocação pop-star, a Itália também sente o reino do seu arquiteto-mor abalado. No plano do belo jogo, pensando com classe, técnica e visão a cada passe de Pirlo, um jogador que parece pensar o jogo pelo menos 10 segundos antes de todos os outros jogadores em campo (companheiros de equipa inclusive), mas aquele que ninguém adivinha mesmo o que vai fazer a seguir, é Balotelli. Não existe, no futebol mundial atual, ser mais exótico, perturbante e fascinante, tudo ao mesmo tempo. Essa imprevisibilidade é total. Fora do campo, este ano, para além de encher primeiras páginas de tablóides ingleses com namoradas espampanantes, disparou dardos contra a equipa juvenil, incendiou acidentalmente a própria casa a lançar um foguete, tirou fotos com capos da camorra, deu um murro a um companheiro num treino e outro a um porteiro de uma discoteca, etc. Dentro do campo, arranca com a bola, passa por defesas com fintas e simulações incríveis, pára, espera o momento, remata

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Rebeldes, insubmissos, génios, loucos, de craques a pop-stars, ele vão ‘quebrar o gelo’ e incendiar com a bola nos pés o verão relvado da Ucrânia e Polónia

aos ângulos mais incríveis, faz golos de levantar o estádio, inventa fintas ou perde a cabeça, agride um adversário, e tenta um golo de calcanhar com a baliza aberta ou vira sozinho o jogo de pernas para o ar. É o admirável mundo de Mário Balotelli. Qual destas faces irá surgir no Europeu? A polémica louca ou o talento fantástico? O cenário seria ideal para se tornar no paraíso do seu futebol, como o seu talento lhe pode consentir se a sua cabeça o acompanhar. Essa é a dúvida. Nunca a Itália teve um jogador tão apaixonante e perturbante ao mesmo tempo, com origens ganesas (da parte do pai), ele é capaz de tudo. No futebol e na vida.

Mais altivo, de nariz no ar, olhar desafiante, caminhando quase como se estivesse sempre contrariado, Ibrahimovic é outro exemplar desta casta de seres insolentes, génios, pop-stars e craques da bola do futebol moderno. Para mim, arrisco mesmo: é o melhor jogador do Mundo com mais de 1,86m. (p.s: Messi tem 1,69. Ronaldo tem 1,85, Ibra tem 1,95m!). Tem origens croatas, mas nasceu e cresceu na Suécia. Só esta época no Milan, interrompeu o seu percurso fantástico que o fez ser campeão nacional por nove anos consecutivos pelos clubes por onde antes passou (Malmoe, Ajax, Juventus, Barcelona, Inter, Milan). Tem um ego que estoura com qualquer teto de balneário. Em campo, quase faz um jogo particular e desliga-se do resto da equipa. Quando isso acontece, ou ganha o jogo sozinho, com grandes golos ou jogadas fantásticas ou arranja problemas, perde a cabeça e arrasa a equipa. A Suécia não entra, claro no must dos grandes candidatos ao título. Ibra vive, assim, em conflito com o mundo durante 90 minutos. Sente-se que quer sempre mais do que o resto da equipa pode dar. Por isso, o seu futebol se torna muitas vezes tão conflituoso. Em suma, o problema dele até é simples: ele sabe, como ninguém, qual o caminho para ganhar e jogar melhor, só que mais ninguém o consegue entender ou acompanhar. Existirá drama interno maior para um grande craque dentro do relvado no futebol? Embora sem o estilo galã do craque do passado, Beckham, o novo herói moicano do futebol inglês desperta as mesmas paixões, mesmo cheio de sardas e


borbulhas. Rooney é um pugilista em forma de jogador de futebol. A cada jogada fantástica que faz parece dar murros no jogo. Murros de talento e revolta para deixar as suas marcas no relvado e fazer a Velha Albion voltar às antigas conquistas, perdidas nos registos desde os tempos dos Beatles. O seu lado rebelde também salta a cada momento. E, por isso, não vai poder jogar os dos primeiros jogos deste Europeu porque chega à prova ainda a ter de cumprir uma suspensão motivada por ter sido expulso no último jogo de apuramento, quando, já com o resultado feito e perto do fim, agrediu um jogador da seleção do Montenegro. Rooney estará, portanto, a aquecer para entrar ao terceiro jogo e, no desejo dos pubs cheios de adeptos loucos e cervejas em série pelo final da tarde, entrar para os momentos decisivos dos jogos a eliminar. Por entre um onze inglês indefinido que perdeu o seu selecionador duro, o italiano Capello, perto do início do Euro por motivo de não aceitar a desautorização federativa de que foi alvo sobre apostar em Terry (com problemas internos) para ser capitão, a importância do futebol de Ronney torna-se ainda maior. Lampard e Gerrard começam a ser cada vez mais sombras dos grandes craques que foram. Se aparecerem, tudo pode mudar, mas é difícil ver em Roy Hogdson, o homem eleito para novo selecionador, numa discutível solução de recurso, tal a sua falta de carisma, conseguir levantar, na tática emocional, o exército com bola de Sua Majestade. Resta Rooney e os seus murros de talento no jogo. O futebol alemão tem historicamente a fama de ser possante, direto e esmagador. Quase como se os jogadores

corressem em campo de capacete e botas cardadas. Os novos tempos têm amaciado esse estilo em termos de influência da técnica e seu primado em relação ao simples músculo. O futebol alemão ganhou, pois, um rosto ‘mais humano’, continua a ser o império da força, mas acrescentou maior poder técnico na sua forma de jogar, agora menos direta e mais rendilhada através de jogadores fisicamente menos atléticos. Pelo menos, aparentemente, porque, depois, em campo, a sua resistência física é, na mesma, enorme durante 90 minutos sem tremer, nem perder o controlo emocional. São autênticos blocos de gelo com bola que o selecionador Joachim Low soube lapidar muito bem. No seu onze, habitam nomes que revelam outras origens, desde o pontade-lança hispânico Mário Gomez, os polacos Podolski ou Klose, o ganês Boateng e os turcos Khedira e Ozil.

Só existe duas formas de um homem ou simples futebolista se destacar na vida ou no relvado: uma é fazendo algo grande, a outra é fazendo algo diferente

Na estética meramente futebolística, o jogador que mais apaixona nesta National Maschaft tem olhos esbugalhados, cameleão futebolístico, parece um ET e joga como respira, driblando e fazendo golos. Mesut Ozil. Parece quase um boneco da play-mobile. Joga com um telescópio na ponta das chuteiras, é médio criativo ou segundo avançado. Sabe procurar a bola, fator fundamental para se iniciar uma jogada no chamado local certo. Conviveu toda a época com Ronaldo no Real Madrid e nunca se intimidou na hora de fazer coisas parecidas no jogo em termos de influência no resultado. E a prova-lo, o jogo decisivo em Barcelona, quando, de repente, com a Catalunha toda a pressionar após ter empatado, Ozil pegou na bola a meio-campo, gelou o ambiente, levantou a cabeça e fez um longo e preciso passe de morte que isolou Ronaldo em frente ao guarda-redes Valdez. Golo de CR7, mas obra e conceção de Ozil. Leva, claro, a mítica camisola 10 e faz todo o sentido que assim seja. Na relva do Europeu, esperam-se os seus passes fantásticos e remates teleguiados. A Alemanha futebolística já se habituou a ter heróis turcos. Sinais dos tempos.

A Holanda continua a ter

uma ressonância mítica nos amantes do bolo futebol tático e técnico. Jogo circular que faz a bola andar por todos os pedacinhos de relva. O atual onze laranja tem jogadores que entendem o significado deste estilo das tulipas. O médio baixinho Sneijder é o seu principal intérprete nos tempos modernos. Cabelo rapado, cabeça levantada, olhar posto no horizonte da jogada, bem junto à baliza adversária. Foi desprezado no Real Madrid, conquistou a glória no Inter de Mourinho. Na

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seleção, levou a Holanda à Final do Mundial 2010. Agora, busca o destino 2012. Depois, na faixa, estão as longas arrancadas individuais de Robben. Cada jogada destas duas tulipas, Sneijder e Robben, são, cada qual no seu estilo, desenhos com régua e esquadro que, muitas vezes, terminam no ataque na bota de um avançado que faz remates em arco quase com curvas impossíveis de descrever. É o mago Van Persie. A técnica de remate mais bem desenhada do futebol internacional atual. Muitas vezes escondese num flanco do relvado, foge às marcações dos defesas mais duros e espera, silencioso, que a bola lhe apareça por perto. Os colegas de equipa sabem desse seu esconderijo e, por isso, levam-na até ele. Depois, quando Van Persie a apanha, o jogo de curvas, primeiro corporal fugindo às tentativas de desarme, e, depois de remate, com a bola a desenhar trajetórias de parábola até ao ângulo da baliza mais distante, a Holanda pode sonhar em ganhar qualquer jogo. Van Persie, o craque das tulipas, a palavra laranja mais mágica. Por terras da Velha Gália, o estilo blasé com classe, de Platini ou Zidane, velhos profetas do chamado futebolchampagne, já pertence cada vez mais ao passado. Buscam-se novos heróis. Findo também o reino de Thierry Henry, não é fácil encontrar um novo símbolo indiscutível para inspirar a nouvelle France. No meio-campo, o pequeno Nasri faz grandes jogadas, mas está longe da dimensão iconoclástica dos três nomes referidos anteriormente, tal

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como Scarface Ribery, extremo veloz, mas que só aparece quando inspirado a correr pela sua faixa. Por isso, o homem-chave para inspirar novas gerações também pode ter as mesmas origens argelinas de Zizou embora não seja um médio de play-station, mas sim um avançado de futebol direto, real e objetivo: Karim Benzema, da corte de Madrid de Mourinho para a francesa com a mesma vocação de caçador de golos. Depois de um período em que parece ter travado a sua explosão ao mais alto nível, Benzema é hoje um nº9 de levantar o estádio com as suas arrancadas e remates. Tudo nele é força, técnica e potência, em direção à baliza. Gosta de dar a sentença no jogo. Tabela pouco, embora venha buscar a bola atrás, sobretudo ao flanco esquerdo. Depois, é o remate. Deixando no ar, o fumo de saio do revólver em que se transforma a sua chuteira. A França pode ser o grande regresso conquistador deste Europeu. Benzema parece que tem o dom de atrair para ele a bola nos momentos mais cruciais de cada jogo. Nos tempos que correm isso pode fazer toda a diferença. Existe mais Europeu para além destes homem-ícone e suas seleções. Desde logo, claro, as nações que recebem toda esta elite do Velho Continente: Polónia e Ucrânia. Cada qual tem os seus heróis e sonhos. A Ucrânia de Schevchenko é, cada vez mais, a Ucrânia de Yarmolenko ou Milevski, os novos avançados que tiram o espaço de remate ao velho Sheva, já a bater nos 36. A Polónia tem um grande ponta-de-lança que chega depois de ganhar tudo na Alemanha com o Borussia Dortmund. É a mobilidade goleadora de Lewandowski, apoiado por extremo muito perigoso, Blaszczykowski. Nomes complicados de dizer? Talvez. Mas, no final do Europeu, acredito que já os irão pronunciar muito melhor. Eles podem ser as grandes revelações a lutar pelo título. Na Rússia, resgate dos Czares, a estrela emergente é o médio criativo e avançando Dzagoev, embora a recuperar de uma lesão, ao lado de Arshavin, o jogador que só aparece em grande nos torneios curtos, como o Euro. Seis jogos em grande é uma

coisa, uma época inteira com 38 é outra. Arshavin tem aqui outa oportunidade de, em apenas um mês, ganhar fama para um ano inteiro. Ainda deixando no ar o sentido diabólico que ficou de 2004, a Grécia, agora de Fernando Santos, continua a jogar a partir da segurança defensiva, com um excelente defesacentral, Papadopoulos, e um nº9 alto que quando quer jogar, faz o que quer, muito parecido, no estilo e carácter a Ibrahimovic. Esse clone grego é Samaras. A república Checa tem um dos melhores organizadores de jogo europeus a quem só faltou talvez um pouco mais de «sangue quente» para explodir ao mais alto nível: Rosicky, figura do Arsenal que busca guiar um onze checo que tem na baliza o capacete de Petr Cech, um guarda-redes capaz de salvar um jogo com grandes defesas. A Dinamarca, no grupo de Portugal, tem um médio que joga com uma classe impressionante por todo o meio campo, quer a iniciar jogo, quer a finalizar no último passe: Erikssen, craque do Ajax, 20’ anos, o futuro do bom futebol com duas pernas. A Croácia, rebelde e com o estilo de jogo que melhor combina carácter com técnica, também tem o seu maestro baixinho, Modric, com um semblante que parece uma fotocópia de Cruyff, tem velocidade, visão e remate. Na Republica da Irlanda, pode estar a visão tácticadefensiva de Trapattoni, velha raposa, mas é no ataque que as luzes se acendem com um craque já mui reformado no futebol dos EUA, mas sempre demolidor quando volta à sua Ilha verde: Robbie Keane, o poeta irlandês com grandes golos. Mas o melhor mesmo para fechar este artigo-viagem pelos caminhos relvados do Euro, é voltar ao início: Cristiano Ronaldo, Ozil, Xavi, Ibrahimovic, Balotelli, Rooney, Van Persie, Benzema. Oito nomes, oito selecções, um destino. O título do Euro 2012. Porque só existe duas formas de um homem, ou simples futebolista, se destacar na vida, ou no relvado: uma é fazendo algo grande, outra, é fazendo algo diferente, estes são oito nomes com uma ‘bomba relógio’ de talento nas chuteiras pronta a explodir dentro do relvado. Rebeldes, insubmissos, génios, loucos, de craques a pop-stars, ele vão ‘quebrar o gelo’ e incendiar com a bola nos pés o verão relvado da Ucrânia e Polónia.


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Luís Freitas Lobo

Euro também é África

— Há atletas que nasceram na Europa, mas têm origem africana. Existem talentos que envergam as cores do país que os acolheu como filhos e assumiram dupla nacionalidade. O Euro é da Europa, mas há craques que têm as raízes no outro lado do globo, nas profundezas da terra vermelha.

NANI cabo-verdiano em Portugal

Nasri-Benzema o magreb na França

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INSIGHT

M’Vila francês de origem congolesa

ROLANDO cabo-verdiano em Portugal

Boateng ganês na Alemanha

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Luís Freitas Lobo

FORA DE JOGO

‘Tiger Woods’ de Luanda Timidamente o golfe vai palmilhando um caminho sinuoso rumo à generalização e profissionalização da modalidade. A Angola’in entra no mundo desconhecido do golfe nacional, que ganha adeptos a cada ano, mas ainda mantém o caráter amador. O fim de estereótipos e a criação de uma federação são a luta do golfista mais antigo e reconhecido nas elites mundiais: Manuel Barros, capitão do Clube de Golfe de Luanda.

São amadores, mas apaixonados pela sua ‘arte’. A maioria dos praticantes reúne-se religiosamente todos os fins-de-semana para treinar e alguns aventuram-se mesmo em competições internacionais, nomeadamente em Portugal. O golfe já não é uma atividade exclusiva de elites ou de turistas, que até há pouco tempo eram os principais utilizadores dos campos improvisados. Embora, inacessível a muitas bolsas, há uma classe média que começa a demonstrar curiosidade em experimentar. E depois da primeira partida nunca mais param. Decididamente, o golfe veio para ficar. Apesar dos esforços da Associação Nacional criada pelo Clube de Golfe de Luanda, este desporto es-

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tá quase circunscrito à capital. Se até há pouco tempo, as condições do ‘velhinho’ Morro dos Veados desmotivavam os golfistas mais resistentes, pois tratava-se de um campo de terra batida (quase caso único no continente), a inauguração do campo dos Mangais na zona da Barra do Kwanza trouxe um novo fulgor a este desporto. O recinto de Luanda, aberto aos praticantes desde o ano passado, poderá contribuir para elevar o nível competitivo, pois “pelas características e localização não fica nada a dever aos outros do exterior do país”. Hoje em dia é o local privilegiado pelos praticantes e turistas. É igualmente o palco das provas que vão sendo organizadas pela

Associação Nacional. Nas palavras de Manuela Barros, capitão do Clube de Golfe de Luanda, é preciso deixar as instalações acessíveis aos praticantes nacionais, que por vezes se deparam com custos incomportáveis e acabam por desistir da modalidade. O equipamento dos Mangais abriu certamente uma nova etapa na história do golfe nacional. Localizado junto à ponte da Barra do Kwanza, em Luanda, tem cerca de 210 hectares que servem três campos relvados de 18 buracos cada. Recorde-se que até então, a principal infraestrutura, o Morro dos Veados, (sede do Clube da capital) era em terra batida.

A Esso é atualmente o principal apoiante da modalidade. Em maio, a companhia firmou uma parceria com a Associação Nacional de Jogadores de Golfe de Angola com o intuito de auxiliar os jogadores nacionais profissionais e apoiar a formação de equipas mistas.

Fugir da capital Manuel Barros continua a apelar para que outras províncias se associem à expansão da modalidade, criando condições e espaços adequados para a massificação deste desporto. O crescente interesse por este desporto começa a captar a atenção dos governantes, que pela primeira vez manifestam a preocupação de incluir o golfe nas estruturas municipais para a prática de exercício. É o caso da Huíla, no Lubango. A região verá nascer ainda este ano o primeiro campo de golfe, a ser erguido pelo governo provincial em Eywa. O projeto contempla a construção de quatro mil habitações e infraestruturas desportivas, entre as quais o referido campo, com 19 buracos, localizado numa zona que preenche os requisitos internacionais da modalidade: próximo de uma lagoa e com declive montanhoso.


Modalidade solidária

— Há quatro anos, a Esso Exploration Angola (Bloco 15) organizava o primeiro Torneio de Golfe da Mines Advisory Group (MAG), em parceira com a Escola Internacional de Luanda. O evento, que decorre anualmente no campo dos Mangais, destina-se a apoiar o processo de desminagem da província do Moxico. Este ano, a ‘competição’ juntou 22 equipas (88 jogadores), em que cada uma pagou mil dólares. O grupo da Esso evidenciou-se pela sua contribuição: dez mil dólares. Entre os patrocinadores há que destacar ainda empresas como a Unitel, TAAG, Toyota Angola ou Standard Banc. A modalidade Texas Scandle foi a escolhida pela organização, de modo a permitir a participação de todos. Aliás, aos fins-desemana o campo de golfe dos Mangais recebe à volta de duas centenas de praticantes.

Perfil dos golfistas Há 200 anos, o golfe era uma modalidade de elites. Um sonho inatingível para quem não tinha condições económicas. No presente, é encarado como outro desporto tradicional e mais massificado. A nível nacional é ainda necessário desmistificar a ideia de que está acessível apenas a determinados estratos sociais. O aparecimento de mais infraestruturas tem contribuído para baixar os custos que, apesar dos esforços do Clube de Luanda, continuam elevados. Contudo, bem mais acessíveis aos outrora praticados e comportáveis pela classe média que começa a emergir. Por outro lado, apesar de ser possível iniciar a modalidade a partir dos dez anos, a generalidade dos golfistas adere a partir dos 30 anos, depois de consolidar a vida profissional e familiar. O Clube de Luanda proporciona todos os anos aulas gratuitas para todos os interessados, durante algumas semanas, para mostrar a modalidade aos mais novos e tentar aumentar o número de praticantes. É aliás uma das metas da associação: popularizar cada vez mais a modalidade. Para tal, o veterano tem afirmado publicamente por diversas ocasiões que é necessário criar uma federação, algo que poderia ser agilizado caso existissem mais clubes e praticantes.

Tiger Woods, golfista americano é o maior ícone da modalidade

Cronologia 1935

— Nasce o primeiro campo de golfe, no Alto da Catumbela, em Benguela

1996

— Manuel Barros é o primeiro jogador nacional a conquistar um título internacional. Foi em Portugal e voltou a repetir o feito em 1997 e em 2007, no Brasil

2011

— Inauguração do campo dos Mangais, em Luanda, novo recinto com condições adequadas à profissionalização da modalidade

1941

— Inaugurado o atual Bairro do Golfe, em Lunada, seguindo-se as cidades do Huambo, Dundo e Soyo

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— Os golfistas Manuel Barros e Luís Manuel arrecadam três troféus na 34ª edição do Open da transportadora aérea lusa TAP. O torneio decorreu no Algarve, em Portugal

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— Governador da Huíla lança projeto habitacional que vai incluir infraestruturas desportivas, nomeadamente um campo de golfe com 19 buracos

Brilhar em Portugal Ser amador é o maior estigma da modalidade. No plano nacional, quem tem talento e vontade de fazer do golfe profissão (e há muitos que revelam esse intuito) acaba por rumar a Portugal. De outra forma, terá entraves para competir a nível internacional. “Quando os nossos jogadores atingem determinada maturidade desportiva, somos obrigados a filia-los na Federação Portuguesa de Golfe por bom senso de algumas pessoas ligadas à Federação e ao clube da TAP. A partir dessa Federação, temos a possibilidade de jogar em qualquer competição internacional, dentro do nosso estatuto de amador”, explicou Manuel Barros. A filiação em Portugal permite-lhes competir ao mais alto nível e aprender com os melhores. E há casos de atletas nacionais que conquistam bons lugares em torneios lusos. O crescente interesse pela modalidade tem levado alguns patrocinadores e o Clube de Luanda a organizar algumas provas, de forma a juntar todos os praticantes e apoiar causas sociais.

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ENTRE-LINHAS

Luís Freitas Lobo

A magia da miscigenação

— Encontrar as raízes do melhor futebol é uma viagem que nos leva por muitos caminhos e, quase sempre, leva-nos até a um cruzamento de influências, raças e estilos. Cada vez mais, o toque africano ou a tez negra que transporta o toque mais artístico, técnico e gingão é o grande fator de diferença no mais rígido futebol europeu. Uma reflexão a partir da descoberta de Tonny Trindade de Vilhena, 17 anos, o perfume de Cabo Verde na seleção da Holanda do futuro, onde o grande viveiro de talentos está num pequeno território da América do Sul, o Suriname. É a Holanda d.C (depois de Cruyff). Desde sempre, não tenho dúvidas: para o futebol, a miscigenação de raças é uma dádiva!

A marca do futebol africano, truculenta e imaginativa, começa a surgir cada vez mais mesmo no ‘berço’ dos relvados europeus. Cabo Verde tem sido dos países africanos que, em silêncio, tem dado cada vez mais talentos ao futebol europeu (desde Larson no passado, até Gerson Cabral no presente). Atualmente, a marca cabo-verdiana saltou-me à vista ao ver a fase final do Euro Sub-17, disputada em Maio. Como grande estrela (como já fora na edição da mesma faixa etária o ano passado) um jogador driblador, rápido, virado para a baliza, que quer organizava/inventava jogo, quer fazia golos. O nome da estrela laranja: Tonny Trindade de Vilhena. Não é, claro, um tradicional nome holandês. Tem 17 anos (por isso pode entrar em duas edições Sub-17, autorizado pelo idade, legitimado pelo enorme talento). Tonny já cresceu na Holanda, nas escolas do Feyenorrd e nas seleções holandesas Sub-15 e Sub-16.

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Pode-se olhar para este jogador e pensar várias coisas. O que seria crescendo nas terras cabo-verdianas (seria difícil tamanha evolução tático-física) mas, sobretudo, referindo-me agora à que mais gosto, detetar o que esta fascinante mescla de estilos provoca na produção de bom futebol. A holanda sempre teve grande cultura táctica. Africana sempre teve grande vocação técnica. Cruzar estes dois fatores desde a base é fascinante. Enquanto uns pensam mais taticamente. Outros inventam mais tecnicamente. De Vilhena já cruza os dois fatores, mas a cor que estes jogadores africanos (de segunda geração) dão, ao meter o seu estilo mais rebelde dentro do cariz europeu mais rigoroso, desenha uma mescla de expressões fascinante em grandes seleções (equipas) do Velho Continente.

O caso holandês é, nas últimas três décadas, o melhor exemplo de como esta miscigenação de raças pode ser uma dádiva para o futebol. Quando pensamos nas míticas seleções holandesas que fizeram história no futebol dos anos 70, logo nos vem à memória jogadores com longos cabelos ruivos, como Krol, Neeskens, Rep e o próprio Cruyff. Nessa altura, era quase impossível ver um jogador negro a jogar pela Holanda. O único caso era de um mulato, Mijnals, nos anos 60. Assim continuou até início dos anos 80. Foi por essa altura, em 75, que um país, sua anterior colónia, se tornou independente, o Suriname (a terra de Mijnals). Muitos surinameses rumaram então para a Holanda, formando grandes colónias emigrantes. De repente, nos arredores de Amsterdão, começaram a ver-se os mesmos miúdos mulatos a jogar futebol de rua como antes faziam nos baldios de terra do seu país na América do Sul. Era o nascer da Holanda d. C. (depois de Cruyff). O primeiro e maior símbolo a emergir foi Gullit, no início dos anos 80. A partir dai, os jogadores negros nascidos ou com origem no Suriname passaram a invadir a selecção holandesa, mudandolhe a cor dominante e metendo-lhe o seu estilo de jogo mais criativo (Kluivert, Davids, Rijkaard, Seedorf, etc). O Suriname é um país da América do Sul (antiga Guyana holandesa) mas é incrível como muitos que seguem o futebol imaginam que é em África. Faz sentido, vendo a tal influência cada vez maior de africanos de segunda geração nas seleções europeias. A Holanda é um dos melhores casos de sucesso de miscigenação futebolística. No estilo e na tática, o Suriname é o grande viveiro. Agora, surge uma estrela de Cabo Verde. É só seguir o trilho de Trindade de Vilhena. O bom futebol escrito pelos jogadores é, afinal, simples. Um bom passe, cruzado com uma grande finta e tudo muda.


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Patrícia Alves Tavares

CRUZAMENTO

“Quero alcançar a melhor marca da natação angolana” Pedro Pinotes, angolano, nadador residente em Portugal, está em contagem decrescente para os Jogos Olímpicos de Londres. É a primeira vez que o atleta de 23 anos pisa “o topo das competições”, mas a confiança de que vai trazer uma boa marca para a sua terra-natal é inabalável.

Quando começou a encarar a modalidade de forma profissional? Desde pequeno que gosto de todas as atividades ligadas à água. Divido a minha carreira desportiva em duas partes: a primeira, em que nadei pelo Aminata – Évora Clube de Natação (12 aos 17 anos) e a segunda desde o momento que ingressei no Sporting Clube de Portugal, em 2007. Aos 12 anos, comecei a participar em competições, logo na primeira época em que comecei a praticar. Ao ir estudar para Lisboa, mudei de clube e comecei realmente a encarar a natação de forma profissional. Está no Sporting Clube de Portuga (SCP)l e no Clube Náutico da Ilha de Luanda (CNL). Como concilia os dois clubes e quais as principais diferenças que deteta? Como estudo em Lisboa, participo na quase totalidade das competições em que o SCP se insere. Sempre que posso, participo nos Campeonatos Nacionais de Angola pelo CNL. Em relação às diferenças, acho que os dois têm realidades distintas com um aspeto em comum: ambos pretendem ser líderes a nível nacional. O CNL aposta na divulgação da modalidade no país, dando aos atletas possibilidades úni86

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cas de aprender a nadar e praticar o desporto. Tenho muito onde ajudar o clube e os meus colegas, pois tenho outra experiência e posso dar exemplos que creio serem úteis aos jovens nadadores. O Sporting é um clube que, devido ao nível da natação em Portugal, aposta na excelência dos seus atletas, criando condições para que os melhores atinjam patamares internacionais. Em abril do ano passado conseguiu a qualificação para os Jogos Olímpicos de Londres 2012. Qual foi o primeiro pensamento que lhe surgiu? O primeiro pensamento que tive foi de muita confiança. Primeiro em mim por ter conseguido o objetivo que tinha traçado nos últimos três anos. Depois confiança na ajuda recebida dos meus colegas e no trabalho dos meus treinadores; confiança na família que sempre me apoiou e, por fim, confiança numa boa prestação em Londres 2012, pois teria mais de um ano para me preparar convenientemente. Poder estar presente nos Jogos Olímpicos é o sonho de qualquer atleta. É fazer parte de um grupo restrito de nadadores, talentosos e trabalhadores.

Quais as suas expectativas? Creio que serão dias muito intensos. Espero retribuir o apoio e força que todos à minha volta me transmitem. Pretendo aproveitar para aprender ainda mais com outros atletas, para poder melhorar posteriormente. Não tenho grandes receios. Tento antecipar-me às coisas menos boas que podem acontecer. Qual é o lugar que gostaria de alcançar? O objetivo é melhorar o meu recorde pessoal e nacional na prova de 400m Estilos, realizando uma marca que seja sem dúvida a melhor da natação angolana de todos os tempos. Vou competir no escalão de absolutos (todas as idades). Tenho consciência que atingir uma meia-final é quase impossível. Como é o dia-a-dia de um atleta olímpico? O dia começa bem cedo, por volta das 5h50 para estar a nadar às 6h30. Pelas 8h15 estou a começar a sessão de preparação física/ginásio. Dependendo dos dias, seguem-se as aulas na Universidade, mas pelas 17h30 estou de novo na piscina para treinar mais duas horas. Atualmente, tenho nove treinos dentro de água e cinco sessões de ginásio, por semana.


“O Pedro é o melhor atleta angolano”

Só com muita força de vontade consigo manter os mesmos níveis de exigência ao longo de muitas semanas, meses e anos. Vai integrar a Comitiva Angolana. Quando começa o estágio? Creio que por volta de meados de julho. Estando a viver fora de Angola, o que representa para si esta integração? Significa poder conhecer melhor aqueles que estarão comigo nesta competição e que possamos trocar experiências que visem a obtenção dos melhores resultados possíveis para o nosso país.

Carlos Cruchinho

Qual a maior aprendizagem que espera receber desta oportunidade? Os Jogos Olímpicos são o topo da competição, o momento que pode decidir o sucesso de uma carreira desportiva. Conto aprender bastante sobre aspetos e atitudes que podem levar um atleta ao sucesso e sobre a maneira como estes preparam momentos que podem ser decisivos na sua vida.

CARLOS CRUCHINHO, COORDENADOR DA FORMAÇÃO DE NADADORES Sporting Clube de Portugal (SCP)

Treina o Pedro Pinotes há quatro anos. Como o define enquanto atleta? O Pedro tem conseguido resultados de muito bom nível à custa de muita dedicação, determinação, organização e espírito de sacrifício. É muito forte psicologicamente, tendo a estrutura mental de um campeão. É o atleta que é determinante numa equipa, pois motiva os companheiros para o trabalho de forma discreta mas muito eficaz.

Ter um país expectante em relação ao seu desempenho é uma motivação ou aumenta a responsabilidade? Creio que ambos. Isso traz-me muita responsabilidade, mas também me dá confiança. Em Angola esse apoio é especial e único. Estarei sempre grato a todos os meus compatriotas. Como tem decorrido a experiência de representar a seleção nacional? É uma grande honra representar a seleção do meu país. Desde 2008 que o faço. Como ponto alto da minha participação na seleção nacional de natação, destaco a medalha de bronze que obtive para Angola nos Jogos Pan-Africanos de Maputo, em 2011. Espero obter melhores resultados no futuro, no Campeonato Africano de Natação, que se realizará no Quénia, em setembro. Que mensagem gostaria de enviar a jovens que têm a esperança de se tornarem atletas de primeiro plano? Que tenham confiança em si próprios e no trabalho que desenvolvem. Vale sempre a pena trabalhar muito, para sermos cada vez melhores. Para se ser um atleta de primeiro plano é necessário ser-se consistente e muito bom nos momentos-chave. São estes os valores que recebi ao longo da minha carreira e que sinto ter obrigação de partilhar com todos os jovens angolanos.

Quais as metas que definiu para o Pedro? São definidas em sintonia com o Pedro. Este ano, nos jogos olímpicos, esperamos que possa bater o recorde angolano e subir no ranking mundial.

Pedro Pinotes

“Os Jogos Olímpicos são o topo da competição, é o momento que pode decidir o sucesso de uma carreira desportiva”

É coordenador da formação. Quais as características de um bom atleta? Em primeiro lugar é preciso gostar muito daquilo que se faz. A habilidade para nadar é muito importante, mas a vontade, a determinação, a capacidade de superação e a paciência para esperar o momento certo para atingir resultados são fundamentais. O apoio familiar é determinante, para que com um adequado acompanhamento técnico os jovens possam construir a sua carreira.

Existe um acordo entre o Sporting e Angola. Em que consiste? Há um acordo verbal. Temos cooperado com base na amizade pessoal que nos une. Estamos a fazer alguma coisa para que a natação em Angola evolua, disponibilizando os nossos conhecimentos e recursos e recebendo alguns jovens no clube. Na área da formação de técnicos já tive a oportunidade de dar formação em Luanda em duas ocasiões. Iremos receber em junho cinco treinadores angolanos que virão para estagiar no nosso clube.

É premente criar escolas angolanas de formação? Esse é um aspeto fundamental e urgente. Será necessário organizar a natação e criar escolas de formação com metas e etapas bem definidas. Será preciso um planeamento a longo prazo. O aparecimento de mais clubes com projetos sustentados, a construção de novos equipamentos e a aposta na formação de técnicos é imprescindível.

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BLOCO DE NOTAS

Patrícia Alves Tavares

Londres 2012

Comité Olímpico visita país

Artes Marciais

Campeões de Jiu-Jitsu

— O Comité Olímpico Angolano (COA) reuniu com o Comité Internacional para analisar a preparação da participação de Angola nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, a decorrer em Londres no segundo semestre. A embaixada angolana naquele país irá abrir uma casa da cultura para incrementar a inclusão de todos os cidadãos nacionais na cidade e promover o apoio aos atletas em competição. A nação estará representada em natação, atletismo, canoagem, judo, voleibol de praia, basquetebol e andebol.

— Walter Ruben Faustino é o novo campeão mundial de Jiu-Jitsu. O atleta angolano conquistou o título em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, na categoria de 82 quilos, do estilo brasileiro. No ano passado, tinha obtido o terceiro lugar. Na ocasião, alertou para a falta de apoios e patrocínios à modalidade.

Xadrez

Qualidade internacional

Andebol

Petro conquista supertaça

— A Supertaça africana Babacar Fall deste ano pertence a Angola. A equipa sénior feminina venceu a competição de andebol ao derrotar o FAP dos Camarões, revalidando o título. A competição marcou a abertura oficial da temporada no que concerne as provas da Confederação Africana de Andebol (CAHB).

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— O romeno Maxim Dlugy, grande mestre em xadrez, esclareceu que os praticantes nacionais têm um futuro promissor a nível internacional. À margem da competição mundial “Taça Cuca”, que decorreu em abril, lembrou que o país é o único em África que investe na modalidade e que o certame anual é muito importante pois reúne os melhores xadrezistas do mundo, permitindo a troca de experiências e a aprendizagem constante.

Basquetebol

Femininos nos EUA

— A seleção nacional de basquetebol sénior feminina encontra-se em estágio pré-competitivo nos Estados Unidos da América (EUA). A equipa vai treinar naquele país até 25 de maio e a preparação tem como finalidade a preparação para os Jogos Olímpicos de Londres. Entre junho e julho, a equipa vai participar em torneios na China, seguindo depois para a capital inglesa.


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eLife&Stylee índice { ESTILOS }

Micaela Reis

um nome, um estilo, uma história de sucesso. Acompanhe-nos neste editorial de moda onde recriamos estilos para as diferentes horas e situações do dia.

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Lenço Hermès Vestido Hermès

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{ BOCA A BOCA } { TURISMO }

Entre cores, sabores e aromas, a viagem que oferecemos é em torno do que apela aos desejos mais profundos.

Chamam-lhe Península Ibérica. No recanto a sul da Europa há dois países cuja cultura, tradições e paisagens podem ser o destino ideal para umas férias que se querem perfeitas. Confira numa viagem inesquecível por Portugal e Espanha.

{ LUXOS }

Carros Entre um Ferrari, um Rolls Royce ou um Audi… a escolha é sua, a proposta essa é nossa. E para os mais convencionais uma viagem pela VW pão de forma. Gadgets Para quem gosta, para quem pode e para quem faz do bom gosto uma “arma” diária. Relógios Muito mais do que um objeto um relógio é o brilho no olhar de quem vê para além das horas. Joias E se de um conto de fadas se tratasse a história seria certamente “era uma vez…”, não sendo falamos de peças dignas de príncipes e princesas de fábulas de encantar.

{ ESTILOS }

Destino Lisboa É a capital de Portugal e é também um espaço onde a moda ganha destaque. Vista-se para a visitar!

{ GOURMET }

Vinhos Se os romanos trouxeram até Portugal a cultura vinícola, o clima e o engenho dos portugueses fizeram o resto. Hoje, o país tem lugar de destaque no panorama mundial.

{ ARTE }

Agostinho Neto é uma referência em Angola. Hoje descobrimos o homem cujas palavras se moldaram á história deste país.

{ CULTURA & LAZER } { PERSONALIDADES } Mauro Pinto venceu o BESPhoto 2012 e fala-nos a sua arte e da importância deste prémio.

José Armando Sayovo é um exemplo de vida pela sua força e resiliência, com um palmarés invejável de conquistas desportivas e…pessoais.

{ AGENDA }

Porque pelo mundo há tantas formas de se dar bom uso ao tempo veja aqui o que pode fazer no seu tempo livre.

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Life&Style

Carla Marques

Mercedes eleito World Green Car 2012

— Durante uma conferência de imprensa apresentada pela Bridgestone Corporation, durante o New York International Auto Show, o Mercedes-Benz S 250 CDI BlueEFFICIENCY foi eleito World Green Car de 2012. Este modelo foi selecionado a partir de uma lista de 23 veículos novos de todo o mundo, sendo esta reduzida posteriormente a três finalistas: o Mercedes-Benz S 250 CDI BlueEFFICIENCY, o Ford Focus Electric e o Peugeot 3008 Hybrid. Esta é a segunda vez na história do World Green Car que a tecnologia da Mercedes-Benz recebeu este prémio. Em 2007, foi a vez da tecnologia apresentada no Mercedes-Benz E 320 BlueTEC ser eleita World Green Car.

Splash de Marc Jacobs

— A Coleção Splash de Marc Jacobs chegou e conquistou o olfato dos amantes de aromas frescos e audazes. Esta nova coleção apresenta-se numa embalagem retangular, super elegantes em vidro e a coloração da fragância está em sintonia com as cores mais apetecíveis nesta estação, ou seja os tons pastel. As três fragrâncias da Splash Tropical Collection: Rain (um floral aquático muito suave), Kumquat (um floral de cascas cítricas) e Hibiscus (um quente floral frutado) são apresentadas em frascos de 100ml, muito práticos e elegantes.

Beau Sancy leiloado

Petersham celebra jubileu

— Tudo no Reino Unido se resume este ano a uma coisa: a celebração do jubileu de diamante da Rainha. Depois de saber que a Rainha pretende visitar Richmond em maio, o Hotel Petersham preparou algo especial. O chefe de pastelaria,

Alison Dabbs

inspirou-se e criou o Diamante Chá da Tarde Jubileu, sendo possível desfrutar de guloseimas como bolo Battenberg, fondant fantasias e os fabulosos cisnes choux, bem como sandes e scones caseiros com creme de leite e geleia, além de copos de chá e o melhor Champagne para este Chá da Tarde jubilar.

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Jean Paul Gaultier na China —

Jean Paul Gaultier vai realizar um grande desfile na China. Em maio, o estilista francês vai montar sua passarela no novo museu Chaoyang Urban Planning, em Pequim. O show, para uma plateia de 500 convidados, será uma mistura de suas últimas coleções de alta-costura, prêt-à-porter e masculina. O designer, que em novembro do ano passado inaugurou, no shopping Shin Kong Place, a sua quarta loja chinesa, prepara-se para abrir mais uma unidade na cidade de Shenyang ainda este ano.

— O Beau Sancy ou Little Sancy, um diamante pertencente a coroa de Maria de Médici , que foi coroada rainha da frança em 1610 , junto ao seu marido Henrique IV, será leiloado no dia 15 de maio em Genebra pela Sotheby’s. É um diamante incolor de aproximadamente 35 quilates, lapidação pear double rose, com 110 facetas e está avaliado entre 2 e 4milhões dólares. O “Beau Sancy” pertenceu posteriormente ao primeiro rei da Prússia. Os descendentes da casa real da Prússia, que o possuem atualmente, optaram por colocá-lo à venda. Nicolas de Harlay possuía outro diamante, o “Grande Sancy”, de 55,23 quilates, que foi comprado pelo rei da Inglaterra e atualmente está no museu do Louvre.


{ BOCA A BOCA } Slimane na YSL

Hedi Slimane, ex-’designer’ da linha Dior Homme, é o novo diretor criativo e de imagem da Yves Saint Laurent, substituindo o designer italiano Stefano Pilati. Atualmente com 43 anos, foi responsável pelas coleções masculinas de 1997 a 2000, altura em que a casa Gucci comprou a marca, levando Tom Ford para o lugar. De seguida ingressou na ‘maison’ Dior, como diretor artístico da linha masculina, antes de mudar, em 2007, alegando querer desenhar para mulheres. Slimane vai continuar, em paralelo, a sua carreira como fotógrafo.

Lacoste colorida

— Chamam-se GOA Jelly e GOA Stripe e arrasam! Dentro dos tons pastel que são tendência da estação, bem simples mas de uma elegância extrema, estes relógios são a linha mais divertida da Lacoste. A nova estação chega com a alegria e frescura da linha Goa. Esta linha apresenta-se em três saborosas cores que realçam o bronzeado e fazem desejar o sol, areia e mar. O crocodilo e a marca Lacoste aparecem inscritos a branco, em contraste com as cores disponíveis: rosa, violeta e azul. Os GOA Stripe têm umas riscas reforçando o tema marinho com um mostrador a fazer lembrar uma vigia de um barco.

Nanofábricas no corpo humano

— Os conceitos de nanofábricas e biofábricas estão a tornar a ficção uma realidade. As nanofábricas já conseguiram produzir nanocápsulas para medicamentos, mas agora elas começam a sintetizar os próprios medicamentos e vacinas. Já existem alguns protótipos de micro robots médicos que pretendem substituir o sangue humano atuando no corpo humano. Mas uma equipa de cientistas inverteu a lógica e que instalar uma nanofábrica dentro do corpo humano. Avi Schroeder e seus colegas do MIT criaram um processo de nanofabricação que funciona inteiramente dentro do corpo humano, acionado por luz, fabricando o medicamento já no local de sua aplicação.

“Junior” da Opel com luxo incorporado

— É já em maio que a Opel vai desvendar oficialmente o seu mais recente “segredo”: o nome daquele que será o seu novo compacto, conhecido pelo “nome de código” Júnior. Para divulgar os primeiros detalhes, a marca alemã encontrou uma solução invulgar, mas engraçada. Através de uma banda desenhada cujos protagonistas são os elementos do marketing da marca do relâmpago, é revelado que o novo modelo terá “mais ou menos” 3,7 metros de comprimento, três portas, quatro lugares e “montes de atitude”. Ao contrário do que a designação de «Junior» possa indicar, este novo modelo terá um posicionamento algo «elitista», com vista a concorrer com modelos como o Fiat500 e o Mini.

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Life&Style

Carla Marques

Por terras Ibéricas Espanha e Portugal…no lado mais Sudoeste da Europa são o coração da Península Ibérica, a mais ocidental das três penínsulas do Sul. Abraçados pelo mar numa fusão entre o Mediterrâneo e o Atlântico, estes foram dois países que no decorrer da história deram “novos mundos ao mundo”. Gentes sem medo que se aventuraram por esse mar de Adamastores e monstros desconhecidos e trouxeram até à Europa gentes desconhecidas, especiarias e metais preciosos que deram um novo curso à história da humanidade.

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{ TURISMO } Já Padre António Vieira dizia na sua História do Futuro: “Chamamos Império Quinto ao novo e futuro que mostrará o discurso desta nossa História; o qual se há-de seguir ao Império Romano na mesma forma de sucessão em que o Romano se seguiu ao Grego, o Grego ao Persa e o Persa ao Assírio”. Também Fernando Pessoa ao longo da Mensagem, sobretudo da terceira parte, exprime a sua conceção messiânica da história e sente-se investido no cargo de anunciador do Quinto Império, que não precisa de ser material, mas civilizacional. Um Império que, como todos os outros, teve o seu apogeu e os seus pés de barro. Mas a Península Ibérica é muito mais do que essa glória seiscentista. É um recanto onde a história se alia a uma beleza natural ímpar com mares que se espraiam em praias únicas e rios que contornam serras e montes num serpentear agreste criando espaços de magia, sombreados por árvores frondosas e convidativas que criam paisagens e obrigam a abrir os olhos de espanto perfumando a alma de quadros pintados pela natureza São terras de monumentos que falam da história e estórias de lendas ofertadas por tempos de outros tempos. Cidades(Lisboa e Madrid são as capitais) onde passado e presente se abraçam, aldeias onde a tradição abraça os visitantes e os envolve numa simpatia sem igual. E depois, depois há uma gastronomia rica alicerçada no que a terra produz e no que o mar oferta, acompanhada por alguns dos melhores e mais saborosos vinhos do mundo. E as gentes, gentes cujo calor da amizade se confunde com o clima tão próprio destas terras!

Pestana Palace Hotel

Luxo em Lisboa —

É um dos melhores hotéis em Lisboa, estando inserido num palácio do séc. XIX, possuindo os seus jardins variadas plantas e árvores subtropicais classificados como “Monumento Nacional”. O Pestana Palace em Lisboa é um hotel 5 estrelas, possuindo 194 quartos, sendo 4 suites reais. No edifício do Palácio podemos hoje encontrar a capela, as zonas comuns do hotel (portaria e receção, salões, bar e o restaurante Valle Flôr)e pequenas salas de reunião. Todos os salões são ricos em pormenores decorativos, influência da escola francesa. Os aposentos privados dos Marqueses foram transformados em lindas e espaçosas suites. Aqui, mais uma vez, obras de arte adornam as paredes complementadas por elegante mobiliário de antiquários e luxuosos sofás. As vistas para o rio Tejo ou para os amplos jardins do Palácio são uma constante em todas as suítes reais. O Pestana Palace hotel é membro do “The Leading Hotels of the World”, insígnia que o coloca entre os hotéis mais luxuosos e requintados do mundo.

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Life&Style

Puerta America Madrid

Luxo exclusivo —

Brilhante, avant-garde, com uma ideia da liberdade que se respira em todos os lados. O Silken Puerta America Madrid , um local de encontro onde se encontram diferentes culturas e modos de compreensão da arquitetura e design. Uma obra-prima que consegue despertar todos os sentidos do hóspede. Numa brincadeira com diferentes materiais, cores e formas, este projeto consegue introduzir o visitante em espaços inovadores, ousados​​e muito diferentes do normal. Trata-se de um hotel peculiar e, porque não dizê-lo, único no mundo. O projeto reuniu 19 dos melhores trabalhos de arquitetos e designers do mundo,provenientes de 13 países diferentes. Este hotel de luxo, inaugurado em 2005, tem um total de 315 quartos distribuídos por 13 andares. Tem também um jardim, um terraço e um hall de entrada com uma receção aberta durante 24 horas, cofre, guichet para câmbio monetário, bengaleiro e elevador. Oferece ainda acesso gratuito à Internet, hotspot wireless, sala de pequeno-almoço e sala de conferências.

Vila Monte

Um segredo no Algarve —

O segredo mais bem guardado do Algarve. O Vila Monte está localizado no tranquilo interior do Algarve, a dez minutos da praia. Rodeado de jardins luxuriantes oferece um ambiente exótico inspirado nas memórias deixadas pelos mouros no Algarve. O Vila Monte Resort dispõe de acomodações temáticas, 3 piscinas e um spa de luxo com uma decoração oriental. Situado num laranjal, os quartos do resort apresentam ricos tecidos e uma decoração colorida. Dormir na paz de um jardim. Os quartos e suites do Vila Monte dividem-se por espaços com ambientes distintos: o charme do laranjal andaluz que protege as suites da Orangerie, a paz do riad e do seu pátio interior, a privacidade da Vila Indigo e o exotismo do Kasbah. O restaurante do Vila Monte Resort, Orangerie, serve iguarias algarvias, todas feitas com ingredientes frescos, incluindo peixes dos mercados locais e frutas e vegetais do próprio resort. O Hotel Vila Monte Resort está a menos de 25 minutos de carro do Aeroporto de Faro e do Parque da Ria Formosa.

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Villa Padierna Palace Hotel

Arte e requinte —

O Villa Padierna Palace Hotel oferece cenários inspirados no estilo tradicional da região italiana da Toscana. Em todos os recantos adivinha-se uma tradição de amor pelo detalhe, com a presença de obras de arte e de antiguidade. A garantia de conforto e de glamour que permitem vivenciar uma experiência única são uma constante neste hotel, situado em Marbelha. A sua localização privilegiada, rodeado por campos de golfe e apenas a alguns passos de distância da praia, torna este local ideal para descansar e relaxar. Os 129 quartos, suites e villas são de estrutura idênticos e estão decorados com peças originais de arte e antiguidades da coleção particular do proprietário, a Fundação Arvi. Cada convidado é mimado com detalhes que refletem a elegância e uma atenção personalizada, num ambiente exclusivo e requintado. “A Andaluzia é a porta de entrada para a cultura e aventura” e este hotel é a melhor opção, pois proporciona tudo isso aliado à serenidade e beleza das suas instalações de luxo.

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Life&Style

Carla Marques

O novo Audi Q7

Mais elegância, qualidade e eficiência

Caixa tiptronic de seis relações e tração integral permanente quattro com distribuição de binário 40/60 Quando foi lançado há três anos atrás, o SUV de elevadas prestações Audi Q7 alcançou de imediato uma posição de liderança – um automóvel desportivo com prestações superiores, confortável, para os momentos de prazer e para os negócios, a uma escala elevada. Agora, a Audi tornou-o ainda melhor – mais elegante e mais eficiente, com emissões mais baixas: o Q7 3.0 TDI consome apenas 9,1 litros aos 100 km. Está também disponível numa nova versão TDI clean diesel, equipado com a tecnologia diesel mais amiga do ambiente a nível mundial e com consumos ainda O Q7 é o Audi de dimensões mais generosas, destinado a clientes com carácter desportivo. As suas proporções dinâmicas e linhas distintivas exprimem este seu carácter e algumas modificações subtis acabaram por favorecer o seu aspeto geral, tornando-o ainda mais elegante. Uma série de novos elementos na frente e na traseira transmitem maior elegância e mais carisma. Em combinação com os faróis de xénon plus (opcional nos motores V6), a luz diurna é composta por uma série de diodos luminosos em forma de U. Os LEDs constituem também os indicadores de mudança de direção. Entre o equipamento opcional, a Audi

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oferece uma versão de faróis de elevada tecnologia (tri-xénon), que além das luzes de médios e de máximos e da luz de viragem e de curva, integra, pela primeira vez, luzes especiais para a circulação em auto-estrada. O Audi Q7 possui um comprimento de 5,09 metros e uma distância entre eixos de 3,0 metros. Com estas dimensões o espaço que oferece é abundante, como o da bagageira com um volume máximo de 2.035 litros e uma versatilidade inigualável. Em função da configuração desejada pode ser equipado com cinco, seis ou sete lugares de série. A função easy entry foi melhorada e facilita o acesso à terceira fila de bancos. Todas as motorizações da gama Audi Q7 são potentes, eficientes e possuem injeção direta. Em todos os modelos V6 e V8, a Audi implementou uma nova tecnologia procedente do seu programa de eficiência modular. Trata-se do sistema de recuperação, que nas fases de travagem e de andamento, por inércia, transforma a energia mecânica em eletricidade, a qual é armazenada provisoriamente na bateria. Este sistema reduz as emissões de CO2 até 5 g/km, aspeto que é ainda mais percetível na dinâmica condução em percursos urbanos.


{

}

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CARROS LUXOS

Suspensões em alumínio e direção com assistência em função da velocidade (servotronic)


Life&Style

Programa oferec

e Bespoke 44.000

Carla Marques

tons

ri es ll - Ph an yce Ph an tom Se

tom Ex ten ded W

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s i a r o emp t n Carros i Rolls-Ro

Combinando o estado-da-arte da tecnologia e engenharia, com design contemporâneo intemporal, a última expressão do “Phantom Extended Wheelbase” é, mais uma vez, redefinido para o mercado de carros de luxo. Abraçar a tecnologia misturando-a com as técnicas tradicionais de mestres artesãos permite à Rolls Royce produzir automóveis que são intemporais em perfeita sintonia com os tempos actuais. A família Phantom. Um Novo Mundo Prolongando a distância entre eixos este carro tem uma presença marcante. Ele oferece a experiência final Rolls-Royce em termos de luxo, acrescentando de 250 mm de espaço para as pernas no compartimento do passageiro traseiro e aumenta também as possibilidades de personalização Bespoke. É um espaço privado perfeito para trabalhar, para se divertir ou ainda relaxar entre os compromissos. Design marca presença Os novos faróis LED deste Phantom dão um olhar marcante e moderno, que é instantaneamente reconhecível tanto de dia como de noite. Os agrupamentos de luz têm uma barra de LED brilhante, luzes de circulação diurna através do centro, com funções de médios e alto iluminando as partes superior e inferior. De referir ainda que o cliente pode escolher entre 12 rodas diferentes, cinco projetos com três acabamentos, cada um com sua própria personalidade. Todas as rodas apresentam centros de auto-alinhamento. Este carro é um exemplo típico da atenção que a Rolls Royce dá aos mais pequenos detalhes e que tornam estes carros tão especiais.

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{

CARROS LUXOS FER R A R I CALI FO

}

R NIA V8

DNA exclusivo A nova versão do Ferrari California já está aí, com um redução de peso de 30 kg e um aumento na potência de saída de 30 CV. O Ferrari Califórnia V8, agora com 490 CV com torque máximo de 505 Nm às 5.000 rpm, graças a novos coletores de escape e mapeamento do motor. Essas melhorias no desempenho do Ferrari California, deramlhe um tempo de aceleração dos 0 -100 km de 3,8 segundos. Isso aumenta a sua sensação desportiva sem prejudicar da missão e caráter de um carro que ganhou aclamação universal por seu desempenho e versatilidade. As características técnicas são acompanhadas por uma escolha nova, ainda mais extensa de cores desenvolvido pelo Centro Estilo Ferrari, incluindo dois tons de acabamentos, pintura de três camadas tecnologia moderna e re-interpretações de esquemas de cor clássicos que aumentam ainda mais a possibilidade de personalização do Ferrari. Todos estes novos recursos sublinham a proeza desportiva da Califórnia, sem afetar a sua alta performance vocação de Grand Touring - uma conquista muito em linha com o DNA da Ferrari.

Torque máximo

0 rp de 505 Nm às 5.00

490 CV

ação dos 0 -10 Tempo de aceler de 3,8 segundos

0 km

m

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{

H2O LUXOS

Carla Marques

Sukhoi Superjet 100

Prova superada

A aeronaves Sukhoi Superjet 100 (SSJ100) passou com sucesso por todos os testes de certificação adicionais na expansão das condições operacionais na área de alta latitude norte. Os ensaios de voo mostraram o bom funcionamento dos avónicos da aeronave, nomeadamente o sistema de referência inercial e da navegação por satélite GPS e Glonass, nos voos em alta latitude norte (até 78 graus).

Boeing 747-8 Intercontinental

Uma nova era —

A Boeing já entregou o primeiro avião de passageiros 747-8 Intercontinental para a Deutsche Lufthansa AG, começando uma nova era para o avião mais reconhecido do mundo. Trata-se de uma era de maior eficiência, melhor desempenho ambiental e uma maior fruição da Lufthansa e dos seus passageiros.

Scout XSF 282

Eficiência comprovada

O Scout XSF 282 da Yamaha oferece o máximo em pesca desportiva de ação e desempenho, sem sacrificar o conforto ou estilo. O XSF 282 mostra o casco NU-V3, que oferece um desempenho incomparável e eficiência de combustível. Possui também plataformas de natação duplas, luzes de cortesia do cockpit, um mecanicamente acionado bloqueio do compartimento de armazenamento eletrónico no traço, um Clarion AM / FM estéreo / leitor de CD e um kit de emergência oculta.

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}


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Life&Style

{

GADGETS LUXOS

Carla Marques

}

Quotidiano com elegância —

Há coisas de que precisamos. Assim sendo, porque não apostar na qualidade, inovação e elegância para marcarmos a diferença num mundo cada vez mais global.

La Sardina

Caviar Edition

As Câmaras Lomo com um toque de humor e irreverência. La Sardina Caviar Edition apresentaDiamante negro se em dois modelos que vão deixar qualquer Spirit of DeGrisogono possui o maior especialista encantado. diamante negro lapidado do mundo. Pesa mais de 312 carats e é adornado com puros diamantes brancos.

Valentino

Capa iPad

A nova capa para iPad da Valentino é simples, sofisticada, feita em pele com estampado jacquard.

Airbnb

Fuja do óbvio na hora de viajar e escolha um barco, chalé ou mesmo um castelo. Essa é a proposta do Airbnb: ser um mercado para espaços únicos!

A Montblanc homenageia a princesa Grace de Mónaco com três linhas de canetas, em edições limitadas e especiais

BeoVision 12

Piaget Altilano

Calibre 1200P

O Piaget Altilano Calibre 1200P Serie Anniversaire é o mais fino relógio automático do mundo, com apenas 2,35mm.

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Montblanc

Canetas

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A Bang & Olufsen apresentou recentemente a BeoVision 12, uma TV 3D de plasma com 65 polegadas e sistema de som surround de 7.1 canais integrado.


{

RELÓGIOS LUXOS

}

Feitiço das horas —

Contamos as horas ou deixamos que os ponteiros nos enfeiticem perante a beleza e a precisão que muitos relógios oferecem? Obras de arte que o tempo valoriza, assim são estes relógios.

ALBATROSS ADVENTURE ELB050CPP

JASMINE 2935-PCS-00659

Visão do Tempo

Torres Distribuição

TOMMY HILFIGER 1790799

MONTBLANC na XN

Visão do Tempo

ELETTA BALI-56-9793LBB Visão do Tempo

LACOSTE TOMMY HILFIGER 1781204 Visão do Tempo

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Life&Style

{

JOALHARIA LUXOS

Carla Marques

Forever … Desde os tempos pré-históricos que os artefatos para enfeitar o corpo, nomeadamente o feminino, existem. Com o tempo aliou-se a beleza à riqueza dos materiais e hoje uma joia torna preciosa a

Pandora

pessoa que

Colar

na Visão do Tempo

a usa.

Purple Rose Montblanc

Colar

ColaR

XN BrandDynamics

Pandora

Bracelet

Versace

na Visão do Tempo

Anel Maia

Bottega Veneta Pulseiras

na Fashion Clinic

DINH VAN

Montblanc

Colar

Brincos

na XN BrandDynamics

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XN BrandDynamics

Hermès

Anel

XN BrandDynamics

}


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Life&Style

Texto Carla Marques | Fotografia Carlos Rodrigues

Nas asas da beleza —

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Modelo, atriz‌um nome que faz suspirar, uma menina-mulher que encarna todas as personagens que a vida lhe proporciona quer na tela quer nos desfiles onde (e)leva o nome de Angola cada vez mais alto.


{

TENDÊNCIAS ESTILOS

}

O que significou para si ser Miss Angola? Ser Miss Angola foi a concretização de um sonho que povoa a imaginação de muitas mulheres angolanas. E as classificações obtidas nos concursos Miss Universo e Miss Mundo foram o trampolim para a colocar a si e Angola num patamar superior? Foi com muita honra que representei o meu país nos concursos de beleza mais importantes do mundo e, sobretudo, foi muito importante em termos de crescimento pessoal e artístico e sobretudo foi um motivo de grande orgulho e satisfação poder elevar o nome de Angola. Cinco anos depois sente que estes concursos mudaram a sua vida? A minha vida seria diferente! O futuro a Deus pertence, mas, sem dúvida, que este foi um caminho em busca de sonhos, com superação de muitas dificuldades. Que conselhos daria às candidatas quer ao concurso Miss Angola, quer ao Elite Model? Que acreditem sempre no seu talento e que agarrem as oportunidades, aliando o talento ao trabalho. E, acima de tudo, que sejam pessoas autênticas. Considera-se muitas vezes que a mulher africana e a angolana em especial são possuidoras de uma beleza única. Concorda? Cada povo tem uma beleza única, mas quando falamos da beleza angolana falamos de algo muito, muito especial que já se começa a notar nas passerelles mundiais.

vestido custo barcelona

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Life&Style

“Cada povo tem uma beleza única, mas quando falamos da beleza angolana falamos de algo muito, muito especial”

casaco custo barcelona t-shirt g-star calça custo barcelona ténis munich

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{

TENDÊNCIAS ESTILOS

}

camisola custo barcelona t-shirt custo barcelona jeans g-star ténis munich

Como ocorreu o salto para a representação? O fato de ter formação na área da apresentação em televisão e ter sido Miss Angola fez com que surgisse a oportunidade de ir aos castings da Semba Comunição e ficasse apurada.

T-Shirt G-Star Calça G-Star

Para que lado balança o seu coração: modelo ou atriz? São duas coisas que estão interligadas. Neste momento atendendo aos desafios que já ultrapassei no campo da televisão em representação e apresentação, creio que estou na minha melhor fase integrando a equipa que irá apresentar o Elite Model Look e em termos representativos estou a participar num grande projeto de ficção. Quais os principais projetos para o futuro? O melhor futuro é ser mais e melhor no presente.

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Life&Style RAIO-X Nome Micaela Patrícia de Brito Reis Data de nascimento 21 de Dezembro de 1988 Agência que a representa Agência de Moda Zeyangel na promoção de imagem a nível nacional e internacional Marcas de uma super star TV Presenter, Vice-Miss Mundo, Top Model, Miss AngolA, Miss Africa Lema de vida Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui (Ricardo Reis, heterónimo do poeta português Fernando Pessoa)

Qualidades que mais admira Lealdade, sinceridade, boa disposição e carinho Valores que defende amor, conhecimento, alegria, família e ignorar pessoas vazias e sem amor ao próximo Característica mais importante num homem Não existe apenas uma porque o ser humano é valioso pelo seu todo. Palavra de eleição um sorriso Clutch Custo Barcelona Vestido Miguel Vieira

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Life&Style

Carla Marques

Lisboa: “Teu rosto com sol e Tejo” — “No castelo ponho o cotovelo. Em Alfama descanso o olhar. À Ribeira encosto a cabeça. A almofada da cama do Tejo”. É esta Lisboa “Lisboa menina e moça e amada. Cidade mulher da minha vida”, que Ary dos Santos pôs na boca de Carlos do Carmo e de onde as caravelas partiram para dar “novos mundos ao mundo”. 05 06

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1 b Relógio Hermès, na XN BrandDynamics 2 b Cinto Hermès, na XN BrandDynamics 3 b Capa para i-Pad Hermès, na XN BrandDynamics 4 b Camisa G-STAR, na XN BrandDynamics 5 b Calças, Barbour, na XN BrandDynamics 6 b Casaco Barbour, XN BrandDynamics 7 b Sapatos Suede Brogue, Brown 8 b Camisa CAMEL ACTIVE 9 b Blusão CAMEL ACTIVE 10b Firelite, da Samsonite 11b Blazer Paul Smith, na Fashion Clinic 12 b Perfume Byredo, na Fashion Clinic 13 b Camisola Alliance Shawl – Navy

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{

DESTINO ESTILOS

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}

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1 b Anel Dinh Van, XN BrandDynamics 2 b Carrè Hermès, XN BrandDynamics 3 b Cinto Hermès, XN BrandDynamics 4 b Sandálias Hermès, XN BrandDynamics 5 b Calças G-Star, na XN BrandDynamics 6 b Casaco Barbour, XN BrandDynamics 7 b Solar crusade G-STAR, XN BrandDynamics 8 b Carteira Mulberry, na Fashion Clinic 9 b Casaco Miu Miu, na Fashion Clinic 10 b Vestido Joseph, na Fashion Clinic 11 b Capa iPhone Smythson, na Fashion Clinic 12 b Chapéu Benchl 13 b Jaqueta de ganga Killah 14 b Sandálias Hermès

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Life&Style

Carla Marques

Família Porsche

CENTRO PORSCHE PORTO Paixão reforçada O Ricon Group entra em 2012 com mais um desafio no sector automóvel. Através da XRS Motors, assumiu recentemente a gestão de mais um Centro Porsche, o Centro Porsche Porto, em Portugal.

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O Ricon Group, Grupo de empresas com início de atividade no setor têxtil e na área da distribuição de marcas de vestuário, tem diversificado a sua atividade através das recentes operações em áreas como aviação privada, automóvel e imobiliária. “Na perspetiva da capitalização do knowhow do Grupo já adquirido neste setor, o Ricon Group decidiu manter a velocidade e navegar já num projeto que lhe permite dar continuidade à estratégia de diversificação do Grupo, mantendo como vetor o mercado do affordable luxury e luxury.” refere Pedro Silva Presidente do Ricon Group. A tomada de decisão no final do ano de 2011 foi o resultado da verificação da capacidade do Grupo em atingir resultados interessantes neste setor. Ao diversificar nas suas áreas de atuação o Ricon Group alarga também o seu portfolio no setor automóvel, área que começou a ser desenvolvida em 2009.

A Porsche é muito mais do que um fabricante de automóveis: é uma grande família de amantes da verdadeira condução e toda a equipa Porsche, está constantemente empenhada em conseguir que cada um dos seus clientes se sinta satisfeito e orgulhoso por fazer parte desta família. O Centro Porsche Porto acolhe 320 m2 de exposição e 2.500 m2 destinados à manutenção de viaturas Porsche e foi projetado num estilo moderno e funcional, onde a alta tecnologia dos equipamentos se alia à formação especializada e a uma larga experiência na marca. Hugo Ribeiro da Silva que se juntou ao projeto XRS Motor em julho de 2011, assumindo a Direção do CENTRO PORSCHE BRAGA, é também agora, Administrador do nCENTRO PORSCHE PORTO. “Aceitei este novo desafio pelo comprometimento com os valores do Grupo Ricon e pela paixão pela marca Porsche e tudo o que esta representa no setor.” refere Hugo Ribeiro da Silva. Após 20 anos no setor automóvel, entre os quais 15 na prestigiada Marca Mercedes Benz, Hugo Ribeiro da Silva, integrou a concessão da Porsche em Braga em julho de 2011.


Cores que fazem a diferença

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COSMÉTICA ESTILOS

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“A maquilhagem diz-nos mais do que o rosto”.

— Se Óscar Wilde já fazia esta afirmação em meados do século XIX, imagine-se o que se pode fazer nos dias de hoje com uma gama de cores e produtos que só por si dão diferentes vidas ao mesmo rosto. A Sephora oferece uma diversidade de opções para todos os tipos de pele.

A Sephora oferece a gama de maquilhagem Make Up própria para peles morenas, com texturas e tons que vão proporcionar uma maquilhagem luminosa e atraente

5 Gloss

Máscara para pestanas 4

Pincéis de maquilhagem 6

2 Fixador

1 Creme hidratante

3 Base

7 Sombras

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Life&Style

Sabores de eleição Carla Marques

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The World’s 50 Best Restaurants

Vinhos com personalidade “O Doiro dos barcos rabelos de calendário e dos socalcos fotogénicos, o Doiro dos cartazes comerciais e dos lordes em climatério, é uma mentira. O verdadeiro Doiro, rio e região, é a ferida do lado de Portugal.” Assim pulsa o Douro no coração de Miguel Torga.

o conhecido generoso Vinho do Porto, e a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico. A vastíssima quantidade de castas nativas (cerca de 285), com uma qualidade acima da média permite produzir uma grande diversidade de vinhos com personalidades muito distintas. O guia The Oxford Companion to Wine descreve Portugal como sendo um verdadeiro “tesouro de castas locais”.

Portugal é um país de longa tradição vinícola, iniciando sua história com a implantação da vinicultura pelos romanos. Portugal tem a mais antiga região demarcada do mundo, o Douro. Esta região, entre outras, como a dos vinhos verdes, produzem

Vinho é um produto obtido a partir da fermentação alcoólica total ou parcial de uvas frescas (pisadas ou não) ou do mosto de uvas frescas. É obrigatório que

Portugal ganha relevo a nível mundial

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2012

alguns dos vinhos mais requintados, exclusivos e valorizados. É importante lembrar que Portugal possui duas regiões produtoras de vinho protegidas pela UNESCO como património mundial: a Região Vinhateira do Alto Douro, onde se produz

Qualidade em terras lusas

Já foi divulgada a edição 2012 da prestigiada lista que elege os 50 melhores restaurantes do mundo. The World’s 50 Best Restaurants é o mais reconhecido indicador dos locais onde melhor se come neste planeta. O ranking, que é organizado pela Restaurant Magazine e patrocinado pelas mundialmente famosas S.Pellegrino e Acqua Panna está agora na sua décima primeira para a eleição dos melhores restaurantes do mundo Este ano o primeiro lugar foi novamente atribuído ao conceituado restaurante dinamarquês Noma, estando Portugal representado pela qualidade única do Vila Joya, no Algarve.

a sua graduação alcoólica seja superior a 8,5%. E quando falamos em vinhos podemos referir os vinhos tranquilos, aqueles que não contém gás. São normalmente tintos ou brancos, mas existe também a versão rosé (elaborados a partir de castas tintas e através de um processo especial de fermentação). Os vinhos generosos ou licorosos resultam da adição de álcool (álcool puro, aguardente ou brandy) durante o processo de fermentação, de modo a suspender o processo de transformação dos açúcares em álcool. Deste modo, o vinho fica mais doce e alcoólico do que qualquer vinho de mesa. Em Portugal, a produção de generosos corresponde ao Vinho do Porto, Madeira e Moscatel. Em relação aos vinhos espuman-


Lista dos 50 melhores Noma, renova o título

{

VIAGEM GOURMET

1º Noma, Dinamarca

Noma significa comida nórdica e está localizado em um antigo armazém na Dinamarca. O restaurante serve tipos variados de carne, camarões, ervas e algumas especialidades do chef Rene Redzepi e está pela terceira vez no topo desta lista.

2º El Celler de Can Roca, Espanha

Os irmãos Joan, Josep e Jordi colocaram o El Celler de Can Roca como o segundo preferido de 2012. O restaurante é bem moderno e fica na pequena cidade de Girona, na Catalunha.

3º Mugaritz, Espanha

O chef Andoni Luis Aduriz é bem reconhecido em San Sebastian, na Espanha.

4º D.O.M., Brasil

Liderado pelo chef Alex Atala, o restaurante fica na cidade de São Paulo e procura dar uso a alguns dos ingredientes que a Amazónia oferece.

5º Osteria Francescana, Itália

Elegante e moderno, o Osteria Francescana fica em Modena, na Itália, e é liderado pelo chef Massimo.

6º Per Se, Estados Unidos

Luxuoso e moderno, o restaurante Per Se contra com as especialidades do chef Thomas Keller, além de ter uma vista privilegiada para o Central Park.

tes distinguem-se pela presença de dióxido de carbono proveniente da fermentação secundária, que lhes atribui a típica “bolha” e espuma. Normalmente os vinhos espumantes têm a sua fase final de fermentação em garrafa (método clássico ou champanhês).

Classificação

Os vinhos portugueses estão classificados em quatro níveis de qualidade, os vinhos de Mesa (não podem ter no rótulo nenhuma referência a uma região de produção ou a variedades de uvas), os vinhos regionais, com uma qualidade superior ao vinho de mesa, os vinhos de Denominação de Origem Controlada (D.O.C.) Teoricamente é a categoria de

mais alto nível de qualidade e identifica o vinho produzido em região delimitada, sujeito a regras mais restritas quanto à procedência e variedades de uvas utilizadas e, por fim, os vinhos de Qualidade Produzidos em Região Determinada (V.Q.P.R.D.). A qualidade e diversidade de vinhos portugueses têm merecido um lugar de destaque no panorama internacional, tornando-se cada vez mais competitivos.

}

7º Alinea, Estados Unidos 8º Arzak, Espanha 9º Dinner by Heston Blumenthal, Inglaterra 10º Eleven Madison Park, Inglaterra 11º Steirereck, Austria 12º L’Atelier Saint-Germain de Joël Robuchon, França 13º The Fat Duck, Inglaterra 14º The Ledbury, Inglaterra 15º Le Chateaubriand, França 16º L’Arpege, França 17º Pierre Gagnaire, França 18º L’Astrance, França 19º Le Bernardin, Estados Unidos 20º Frantzén/Lindeberg, Suécia 21º Oud Sluis, Holanda 22º Aqua, Alemanha 23º Vendôme, Alemanha 24º Mirazur, França 25º Daniel, Estados Unidos 26º Iggy’s, Cingapura 27º Narisawa, Japão 28º Nihonryori RyuGin, Japão 29º Quay Restaurant, Austrália 30º Schloss Schauenstein, Suíça 31º Asador Etxebarri, Espanha 32º Le Calandre, Itália 33º De Librije, Holanda 34º Fäviken Magasinet, Suécia 35º Astrid y Gastón, Peru 36º Pujol, México 37º Momofuku Ssäm Bar, Estados Unidos 38º Biko, México 39º Waku Ghin, Cingapura 40º Quique Dacosta, Espanha 41º Mathias Dahlgren, Suécia 42º Hof van Cleve, Bélgica 43º The French Laundry, Estados Unidos

44º Amber, China

Os vinhos portugueses são o resultado de uma sucessão de tradições introduzidas em Portugal por diferentes povos

45º Vila Joya, Portugal (chef Dieter Koshina) 46º Il Canto, Itália 47º Bras, França 48º Manresa, Estados Unidos 49º Geranium, Dinamarca 50º Nahm, Tailândia 2012

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Life&Style

A beleza está…

Carla Marques

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SHOPPING GOURMET

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.. no olhar, mas está também no design, na qualidade dos materiais e na capacidade de inovar. O gourmet é a arte de tornar belas as coisas do quotidiano…

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L’and Vineyards

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A Sovena, segunda maior empresa de azeites do mundo fez regressar o azeite Andorinha, numa Edição Especial em lata, a lembrar a sua origem.

Carrinho de chá “Transit”, podem ser encontrados na loja Inexistência.

Tem estrutura em aço cromado, as prateleiras são em polipropileno e as duas pegas em alumínio brilhante.

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Jubileu

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A Ervital produz e comercializa infusões, chás e condimentos. Associando os princípios da agricultura biológica e a experiência de 20 anos, às condições naturais da região do Montemuro.

Copos Cognac em vidro da Normann, da Genevieve Lethu

Quando colocada sobre uma superfície plana, os copos delicadamente giram em torno do seu centro antes de repousar.

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Fm-Coockies

bolachas tradicionais cozidas em forno a lenha, com diferentes sabores, comercializadas pela Feito à Mão.

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Talheres da Genevieve Lethu

Elegância e um design próprio e atraente

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Faqueiro Goa, em aço inoxidável e resina de cor preta.

É da Cutipol e comercializado na Inexistência

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2012


2012

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Life&Style

{ ARTE }

Carla Marques

Agostinho Neto, muito mais que palavras

“Há um sussurro morno sobre a terra” — Ainda hoje as palavras de Agostinho Neto ecoam por essa Angola que todos os dias se reinventa e constrói uma identidade que a distingue de todos os outros países.

A literatura angolana não pode ficar indiferente nem ter um percurso diferente daquele que foi traçado pela sua história. As palavras que escrevem poemas e romances trazem no seu seio sentimentos que estão enraizados na vida e no cerne das suas gentes. Marcas de racismo que a cor tatuou e que se fez raiz profunda de um preconceito secular e ainda a dor dos castigos corporais que se prolongaram na história e na pele de um povo. Entre a terra que é corpo colonizado

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e onde a influência europeia se sente e alma que se desenha com as quentes tonalidades africanas, a literatura angolana vive entre estas duas realidades, numa tensão constante que depois de quebrada se torna num grito pleno de liberdade. E quando o silêncio se rompe são as palavras que ajudam a traçar essa liberdade almejada. E nesse mundo de rutura, de conquista e de querer ser mais é preciso conhecer a poesia de Agostinho Neto.

O “Professor Pequeno”, o poeta que dizia Sou um mistério/ Vivo as mil mortes/ que todos os dias/ morro/ fatalmente”, o guerrilheiro da paz (luta pela qual recebeu a medalha de ouro “Joiliot Curie”, do Conselho Mundial da Paz), o primeiro presidente da República Popular de Angola que afirmava que Angola não podia ser uma “cópia dos outros países” e o homem que escrevia “com cinco dedos de África, sobre a ânsia humana de amizade e paz”.

Palavras que lutam

Agostinho Neto veio para Portugal frequentou a Faculdade de Medicina de Coimbra, onde desenvolveu uma extensa atividade social, cultural e política. Preso várias vezes pela PIDE, conseguiu que por todo o mundo se falasse da ditadura que se vivia em Portugal, tendo, por exemplo, circulado uma petição internacional a pedir a sua libertação que, em França é assinada por nomes altamente prestigiados, como Agostinho Neto nasceu em Catete, Aragon, Simone de Beauvoir, FranAngola, em 1922 e faleceu em 1979, çois Mariac, Jean-paul Sartre e o poetendo feito os seus estudos primários ta cubano Nicolás Guillén. e secundários em AnEm Lisboa, Agostinho gola, obtendo a licenNeto em parceria com Amanhã ciatura em medicina na Amílcar Cabral, Mário de entoaremos Universidade de Lisboa. Andrade, Marcelino dos hinos à Na sua passagem por Santos e Francisco José liberdade Portugal esteve ligado Tenreiro fundam, clanquando à atividade política, oncomemorarmos destinamente o Centro de fundou a revista Mode Estudos Africanos. a data da mento com Lúcio Lara abolição desta A 10 de Dezembro fune Orlando de Albuquerda-se o MPLA – Moescravatura que em 1950. Como Nós vamos em vimento Popular de outros escritores africaLibertação de Angol busca de luz nos, foi preso e desterencontrando-se AgosOs teus filhos rado para Cabo Verde, tinho Neto, nessa data, Mãe no período da ditadura. (todas as mães nas prisões de Lisboa, mas tornando-se seu negras A poesia de Agostinho presidente em 1961, alcujos filhos Neto é uma poesia betura em que começa a partiram) la feita de imagens poluta armada em AngoVão em busca éticas das vivências do la pela independência. de vida. homem angolano, fala A sua atividade inten(“Adeus à hora da da dor do passado, da sifica-se, o que acabou largada” do livro esperança do presente por o levar várias veSagrada Esperança) e, acima de tudo da prezes à prisão e, em últiparação do futuro. ma instância a ter de se refugiar fora de Angola. Regressa em E porque o tempo era de combate, a Fevereiro de 1975, para estar presenpoesia de Agostinho Neto reflete prete no encontro de Alvor, em Portugal, cisamente essa realidade, essa necesonde é acordado estabelecer um “gosidade de lutar pelos sonhos e pela verno de transição” que inclui o MPLA, independência. “É preciso lutar por Portugal, FNLA e UNITA. uma nova Angola, reconquistar a identidade angolana apesar da presença Agostinho Neto foi membro fundador do colonizador”. “A poesia de Neto da União dos Escritores Angolanos, traz o reconhecimento de que nunca presidente da Assembleia Geral da se está só, de que não se pode ignorar União dos Escritores Angolanos, cara presença do outro, mesmo que o ougo que desempenhou até a data do tro reduza suas possibilidades de ser. seu falecimento e o primeiro Reitor da O outro, nas palavras de Agostinho Universidade Agostinho Neto. Neto, mistura-se ao Eu-angolano, deEis o poeta, o combatente, o presidenfine-o, mas não lhe rouba as origens. te, o homem que dizia no seu poema (…) Ser África dos caminhos entrecru“A renúncia Impossível”: zados, mas fazer-se África”, quem o “Atingi o zero afirma é Marcelo José Caetano em “O Cheguei à hora do início do mundo Eu e o Outro em Sagrada Esperança”. E resolvi não existir”.


De Moçambique para o mundo

Licença para fotografar

— Sou fotógrafo e amo o que faço!!! Poucas palavras e tanto dizem sobre o nosso entrevistado. Mauro Pinto é o vencedor da 8ª edição do Prémio BES Photo 2012. Homem de poucas palavras prefere transmitir o que sente e a forma como vê o mundo através das suas fotos. “Dá Licença” é um conjunto de fotografias que entre Novembro de 2011 e Janeiro de 2012, Mauro Pinto tirou no Bairro da Mafalala, em Maputo e com as quais concorreu e venceu o BESPhoto 2012.. “O que desenho nesta proposta não é um mapa, não são apenas linhas topográficas desse tecido urbano, demarcando limites (outrora coloniais), entre a “cidade de cimento” e esta outra, de origem temporária, com seu pulsar sujeito à especulação imobiliária. O que trago para aqui é uma certidão de nascimento narrativa, pessoal e coletiva. É uma árvore genealógica descrita nestes móveis, nesta luz, nestas bugigangas, pertencentes a estes negros, mestiços, emigrantes, imigrados, resistentes. Dá licença passa assim a ser uma interjeição positiva para iniciar um relato e afirmar uma existência”. As palavras

são de Mauro Pinto, os sentimentos, esses, espraiam-se por quem vê as suas imagens. Mauro Pinto (1974) nasceu em Maputo, onde vive e trabalha. Dos primeiros contactos com o fotógrafo português Alexandre Júnior, durante a sua adolescência, surgem as primeiras experiências no domínio da fotografia, tendo a sua atividade crescido e marcando presença em diversas exposições.

O lado humano da arte

O seu mais recente desafio foi a participação no BESPhoto 2012. “Está nomeação foi muito especial para mim e um desafio tremendo, pois sabia que estaria a concorrer com grandes artistas! Tudo que surge nas nossas vidas de novo é sempre bom e motiva-nos a fazermos sempre mais e melhor”, afirma Mauro Pinto, explicando a seguir o

porquê deste conjunto de fotografias premiados no Concurso BES. “Quando tirei estas fotos entrei nestas casas. São casas que têm uma transparência humana e social, de que todos nós moçambicanos fazemos parte, com uma ligação histórica. Este título também foi e é um reconhecimento deste importante bairro de Moçambique. Para abordarmos alguém com respeito e dignidade entramos assim, e assim mantive esse respeito por tudo o que somos. Este prémio foi o reconhecimento do meu trabalho”. E o júri do BESPhoto 2012 deu licença e premiou esta obra com o primeiro lugar do concurso. Na opinião do Jú-

ri, a escolha “resulta da forma como esta série revela a entrega do artista à realidade das pessoas que habitam os espaços aqui retratados, ao mesmo tempo que transmite uma perspetiva histórica e sociológica da realidade contemporânea moçambicana através deste bairro da capital. Sem artifícios na sua essência, a consistência da apresentação do trabalho de Mauro Pinto foi um fator decisivo na escolha do vencedor. ” Numa época em que a fotografia se democratizou, o nosso entrevistado garante que: “não temos como evitar a velocidade do Mundo, mas podemos entrar com consciência, persistência, trabalho e valores! A fotografia é uma forma especial de vermos o mundo, talvez por isso atraia tanta gente”. Quando lhe pedimos para nos falar do seu trabalho enquanto fotógrafo, Mauro Pinto, o homem que se define pelos silêncios das imagens disse apenas “tenho dificuldade em falar do meu trabalho, mas posso dizer que faço parte de uma sociedade e sou humano. O contraste que o mundo vai criando faz de mim o fotógrafo que sou.” E é nesse assimilar de novas realidades que o fotógrafo quer delinear o seu futuro “Tenho vários trabalhos pensados, para além dos que surgem todos os dias. Faço parte de uma sociedade que vou sentindo a e vivendo intensamente e que me leva a dizer que sempre tenho algo a fazer.”

“O contraste que o mundo vai criando faz de mim o fotógrafo que sou.”

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Life&Style

Patrícia Alves Tavares

De África para a América Meia centena de livros de autores angolanos estiveram expostos na Escola Americana de Lisboa, em Portugal. A efeméride do dia de África foi o mote para criar o primeiro evento que reuniu várias peças de artistas daquele continente. Satisfeitos com o sucesso da exposição, professores e alunos já pensam em repetir a iniciativa, que deverá trazer no próximo ano novos autores e formas de expressão.

“O objetivo é enriquecer a mundividência dos alunos e, mais especificamente, mostrar-lhes o cruzamento entre as culturas portuguesa e africana, sobretudo no caso dos PALOPs,” alega Gisel Teixeira, professora de português na Carlucci American International School of Lisbon (CAISL). A organizadora da Quinzena Africana abriu as portas à Angola’in da primeira mostra de obras africanas, uma iniciativa pioneira e que contou com o apoio da mãe de um dos alunos, Luzia Moniz, jornalista e socióloga angolana. A Escola Americana de Lisboa deu lugar a uma espécie de museu africano. As paredes encheram-se de quadros de artistas do continente negro e as esculturas retratam o dia-a-dia e tradições de culturas distantes, mas ligadas à portuguesa pela língua. Nas últimas semanas de maio, estudan-

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2012

tes, pais, professores e visitantes da CAISL viajaram por terras vermelhas e, para muitos, foi o primeiro contacto com a literatura lusófona. Agostinho Neto, Albino Carlos, Óscar Ribas, Lopito Feijó, Manuel Rui, Boaventura Cardoso ou Ondjaki foram alguns dos autores cujas obras foram ‘emprestadas’ à escola internacional, conjuntamente com múltiplas peças de arte africana. Com o intuito de aproximar os jovens do que se produz nos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e tornar o ensino da língua de Camões mais transversal, os professores do CAISL resolveram transpor o programa de português para a comunidade escolar. O plano educativo contempla a leitura de “autores lusófonos além de portugueses”. “Foi pelas palavras

“Foi pelas palavras destes autores que surgiu a ideia de interligar a literatura com a pintura, a escultura e a tecelagem criadas em países africanos lusófonos”, Gisel Teixeira

destes autores que surgiu a ideia de interligar a literatura com a pintura, a escultura e a tecelagem criadas em países africanos lusófonos”, conta a responsável pelo certame à Angola’in. No total, durante duas semanas, estiveram à disposição dos mais curiosos em relação às raízes e cultura africana duas centenas de peças de escultura, pintura, tecelagem e cerâmica oriundas de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e S. Tomé e Príncipe. As obras retratam as mais diversificadas vivências e, na maioria, são contemporâneas e de artistas desconhecidos. “Batiques de Moçambique, esculturas em paupreto e pau-rosa de Angola, Moçambique e São Tomé, canetas, pentes e bandejas esculpidas de Moçambique e Angola” despertaram o olhar atento dos alunos do CAISL.


{ CULTURA&LAZER }

Escola multicultural A Carlucci American International School of Lisbon, Escola Americana de Lisboa, acolhe alunos oriundos de mais de 30 nacionalidades, com idades a partir dos três aanos e garante a escolaridade até ao 12º ano. Dada a natureza internacional da instituição, os estudantes aprendem de um pouco sobre todas as culturas.

Jornalista, socióloga, mãe A colaboração do Ministério da Cultura de Angola, da Associação Cabo Verdiana, da jornalista e encarregada de educação, Luzia Moniz e do escultor Maconde contribuíram para a réplica de uma feira do livro e de artesanato tipicamente africana. Aliás, coube às instituições participantes a cedência dos livros e a doação de algumas obras à escola, para que os estudantes possam ter acesso “à cultura e identidade dos países” a qualquer momento. Quanto ao destino dos livros doados, a Gisel Teixeira explica que estes “podem ser requisitados em qualquer altura pela comunidade escolar”: “Tendo em vista o dinamismo do nosso centro bibliotecário, não temos qualquer dúvida que serão requisitados e lidos”, confidencia. “Toda a exposição, incluindo os livros, foi montada com o apoio muito próximo da Dra. Luzia Moniz, que

é de Angola e que tem conhecimento na área”, prossegue, acrescentando que a jornalista fez “uma seleção das obras literárias que tinha em casa” e contactou diversos organismos. A Embaixada da Guiné-Bissau, a Associação Cabo Verdiana, a Embaixada de Moçambique e a Câmara do Comércio e Indústria de Angola foram algumas das entidades que aceitaram o desafio e que, além de cederam obras para a exposição, ofereceram livros de autores dos seus países à CAISL. “Um número considerável de pinturas de Eufémia Reis, cedidas pela própria em colaboração com a Associação Cabo Verdiana, e três pinturas de Malé, de São Tomé e Príncipe, 1998, da coleção privada de Luzia Moniz” pintaram de cor as instalações do CAISL. Também Eduarda Camenha, estilista, elaborou um conjunto de peças especificamente para esta exposição para promover o contacto dos jovens com os trajes e acessórios deste continente.

Eduarda Camenha, estilista, elaborou um conjunto de peças para esta exposição de forma a promover o contacto dos jovens com os trajes e acessórios africanos

Debater a africanidade A semana contou ainda com a colaboração do professor Pires Laranjeira, especialista em literatura e cultura africana da Universidade de Coimbra. A palestra aberta à participação dos alunos do 9º ano abordou temas ecléticos como a multiculturalidade, o racismo e o passado africano, convidando a audiência a prestar a atenção a este fenómeno. A literatura africana ganha crescentemente terreno no âmbito da investigação literária, pelo que é imprescindível conhecer os seus autores. A exposição terminou a 25 de maio e o balanço não podia ser mais animador. Aberto à comunidade escolar e público em geral, o certame superou as expectativas. “Podermos oferecer aos nossos alunos um maior conhecimento da cultura africana e contar com o entusiasmo deles para aprender mais era tudo o que desejávamos numa escola internacional. Ao mesmo tempo, despertámos o interesse dos pais que visitaram e inquiriram sobre esta exposição e as obras nela presentes”, sustentou.

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Life&Style

Costumes & Tradições

{ CULTURA&LAZER }

Património Intangível da Humanidade

!Kalunga Eh! Bem articulados no tráfico negreiro transatlântico, a Colonia de Angola o Reino do Kongo forneceram milhares de cativos na ilha de Espanola. O neo-povoamento fará deste território caribenho “destainonizado”, uma verdadeira Angola, deslocada, com uma perspetival perpetuação civilizacional bantu, consubstanciada em notáveis retenções linguísticas e num profundo continuum antropológico. Um desses legados mantidos num quadro solidário, típico, vindo da contracosta, atestado nos arredores de Santo Domingo rural, na República Dominicana, e, naturalmente, no território gémeo de Haiti e em Cuba, assim como no Brasil, Panamá e nos Estados Unidos de América, mais precisamente em Nova Orleães. É o!Kalunga Eh! Baseado em fortes expressões cantadas e coreográficas, com poderosos suportes organológicos, africanos, este relevante seguimento linguístico e antropológico, foi declarado pela UNESCO, em 2001, como uma das Peças Maior do Património Imaterial da Humanidade. — por Simão Souindoula, Historiador e perito da UNESCO

A Confraria dos Congos de Villa Mella foi proclamada pela UNESCO ‘Obra Maior do Património Oral e Imaterial da Humanidade’. Kalunga é a sua principal peça musical e coreográfica, bem como o seu grito identificador. O estudo desta prática ritual, sobrevivência genericamente kongo, mas na realidade bantu, que integrou, numa dinâmica inevitavelmente sincrética, diversos elementos da religião católica e crenças ioruba e ewe-fon tem sido importante para muitos historiadores, que abordam, entre outros aspetos, a natureza social e a função espiritual deste reagrupamento fraternal. De salientar também, os contornos da sua expressão musical (cantos e suportes organológicos) e o registo da sua coreografia.   UNIVERSO ESCATOLÓGICO A animação de todos os ritos da Confraria é apoiada por, principalmente, instrumentos chamados, genericamente também, congos, congas ou palos. O congo é o tambor maior e o conguito designa o batuque menor. Quanto 126

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aos membros da associação, que devem imperativamente ser músicos ou dançarinos, são naturalmente designados congueros. Uma das canções rituais (toques) introdutórias é a chamada bembé yagua, provavelmente uma sobrevivência do kikongo bembo nengwa (canção para embalar). Durante a cerimónia do kumba (separação), entoa-se, entre outros lamentos, o pembé chamaliné (partida pacífica). Os outros cantos retomados, verdadeiros requiems aeternam, são o bembo koko (reconforto solidário), mamá yungué ou ñungué (berceuse), oh yacabelo (ternura), oh kikondé (lamento), yacuacila (desamparo), ensilla mi caballo (impotência perante a morte), gayumba eh (salvação), alé bambó (coragem), ya lo ve (coragem) antonio bangala (fim) e lambé lo deo (comida celeste). É esta notável continuidade linguística e antropológica militante que conquistou a exigente UNESCO, levando-a a declarar o conjunto das práticas rituais kongo que se perpetuaram num sincretismo vivificador no leste da histórica Española, riqueza

cultural universal. E o “ munsi kalunga “ dominicano considera, a justo título, que a declaração deste organismo da ONU deve, na realidade, alargar-se a todas as Américas e Caraíbas negras, como, entres outras componentes, a Sociedade Congo, na ilha das Gonaives, no vizinho Haiti; o Congo Reales em Trinidad, em Cuba ; o famoso e indestrutível Congo Square, ao qual acrescentou-se hoje o nome do celebre jazzman Louis Armstrong; as representações teatrais congos na sintomática localidade de Cuango, em Panamá e as inevitáveis congadas de Atibaia, no Brasil.   Uma das principais contribuições científicas desta proclamação é de ter efetivamente posto em relevo a predominância tomada no universo escatológica bantu, depois da terrível e traumatizante travessia do oceano, pelas crenças hidrogónicas. Com efeito, o ntoto (terra firme) e o nzulu (céu), Reino de Deus, elementos fundamentais das culturas de origem, reencontraram-se no além-atlântico, relegados no segundo plano, a favor do insondável kalunga (mar). Os africanos encadeados nos insalubres porões dos navios negreiros ressentiram no seu corpo e na sua alma a força e a imensidade di nlangu ya mungwa (água salgada). Com o livrinho de Carlos Hernandez Soto, a Rota do Escravo foi, na verdade, a viagem sobre o kalunga e a transferência, numa dinâmica verdadeiramente psicoanaléptica, dos seus tenazes mistérios.


{ CULTURA&LAZER } Sítios representam libertação nacional

— As antigas bases do MPLA e alguns locais de Cabinda onde se travaram combates na luta pela liberdade serão alvo de uma inventariação. O projeto visa identificar os sítios que se identificam com a batalha histórica e está sob a alçada da secretaria provincial da Cultura de Cabinda. O programa inclui ainda a requalificação do marco histórico do Tratado de Simulambuco, o Cemitério dos Nobres de Cabinda, o local do Lussongo no Tchele, o Umcundo Mabaka no Sassa Zau. Em curso, está já a reabilitação do túmulo do Mangoio, na aldeia de Ngoio, e do rei dos Bingas, no Buco-Zau.

Oficina de dança folclórica e contemporânea

Road Show Blue

— A sexta edição do Road Show Blue está na estrada. Este ano, Puto Português, Titica e Zona 5 são as cabeças de cartaz. O evento, que começou no Uíge, vai percorrer dez províncias (Kwanza Norte, Lunda Sul, Malanje, Kuando Kubango, Huambo, Namibe, Cunene, Benguela e Kwanza Sul) e termina em Maputo (Moçambique).

— O ministério da Cultura, em parceria com a Companhia de Dança Contemporânea de Angola, organizou uma oficina sobre Métodos de Composição Coreográfica na Dança Folclórica e Contemporânea. O evento serviu para assinalar o Dia Mundial da Dança, assinalado no último mês. O workshop destinou-se à população em geral e teve como finalidade estimular a sensibilidade estética, fornecendo os princípios básicos técnicos e teóricos e impulsionando a criatividade. O encontro permitiu dar uma outra perspetiva sobre a dança, de forma a combater a ideia de que esta apenas se destina à recreação.

Exposição na embaixada na Bélgica

Indústria cultural é necessária

— A União Nacional dos Artistas e Compositores (Unac) anunciou que é preciso incentivar o aparecimento da indústria cultural. De acordo com um documento publicado, a entidade apelou para que as autoridades competentes apostem neste mecanismo cultural sério e transparente. Considerou ainda que será uma forma de fazer face à problemática da pirataria, responsável pelas dificuldades no retorno financeiro, e à gestão dos direitos de autor.

— A embaixada em Bruxelas, Bélgica, organizou nas últimas três semanas uma exposição temática de obras plásticas de artistas dos Estados membros da CPLP. Teve como finalidade mostrar ao público europeu a diversidade e riqueza cultural dos países de língua portuguesa em áreas como a pintura, a escultura, a gravura ou a cerâmica.

Músicos ‘encartados’ — A União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC) decidiu atribuir a primeira carteira profissional, após uma série de conferências e ações de sensibilização junto dos artistas nacionais. Elias Dya Kimuezu, rei da música e conhecido compositor, foi o primeiro a receber o título. O músico lembrou que a carteira “é caminho aberto” para outras medidas complementares. O documento é emitido após um requerimento e vai permitir o cumprimento dos princípios deontológicos da profissão, protegendo os profissionais das diferentes áreas, desde o teatro à dança ou à música. A carteira regula os deveres, regras e multas. A UNAC pretende ainda impedir o exercício ilegal da profissão, instituir a proteção social, regular o estatuto do artista, entre outros.

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Life&Style

Patrícia Alves Tavares

{ PERSONALIDADES }

O atleta ‘embaixador’ — O seu nome é uma referência para qualquer desportista mundial, especialmente para os praticantes de modalidades adaptadas. José Armando Sayovo é apenas o segundo atleta que conseguiu arrecadar três medalhas de ouro e respetivos recordes em competições internacionais. Triunfos que fazem deste exemplo de vida um sério candidato a embaixador das Nações Unidas.

Palmarés histórico

3 medalhas de ouro nos Jogos Paralímpicos de Atenas de 2004 e respetivos recordes nos 100, 200 e 400 metros

Tem uma história ímpar e uma carreira imaculada. José Soyovo é a prova de que é possível vencer na adversidade e de que não há obstáculos suficientes para impedir a concretização de um sonho. Nasceu na aldeia de Cambuengue, município de Catabola, na província do Bié, há 39 anos. Em 1998, com apenas 24 anos, um acidente com uma mina roubou-lhe a visão. Mas a sua vontade de correr ficou intocada. Em 2004, após 13 de vida desportiva, o velocista arrebatou o Ouro nos Jogos Paralímpicos de Atenas e estabeleceu um novo recorde, de 11.37 segundos. Repetiu a proeza na mesma competição ao percorrer 200 metros em 23.04 segundos e 400 metros em 51.04 segundos. Até esse dia, em que o mundo colocou os olhos em Angola, só o canadiano Earle Connor tinha conseguido obter tal feito na categoria de atletismo adaptado, para deficientes dos membros superiores. Em 2001, Soyovo tinha conquistado três medalhas de ouro nos 100, 200 e 400 metros no campeonato africano, disputado no Cairo, no Egipto. Em 2008, levou a prata nos Paralímpicos de Pequim (China), nos 100, 200 e 400 metros respetivamente. Foi superado por Lucas Prado,

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2012

um jovem brasileiro que relatou publicamente que aderiu ao desporto por inspiração na história do velocista angolano. No seu palmarés constam ainda o pódio no mundial de Quebec (Canadá), em 2003, as três cobiçadas medalhas no campeonato africano de Rabat (Marrocos), em 2010 e igual vitória no Meeting internacional da Tunísia, no mesmo ano. No ano passado, regressou da Turquia com o ouro nos 200 metros e um lugar reservado nos Jogos Paralímpicos de Londres, a decorrer neste verão.

Eleito de Ban Ki-moon

50,2s

50 segundos …e dois décimos É o recorde mundial deste velocista nos 400 metros

Taça especial O mérito de Sayovo trouxe-lhe uma prenda especial. Há seis anos foi criada a Taça José Armando Sayovo em atletismo. Uma homenagem do país a um atleta que tem feito o impensável para muitos e defendido extraordinariamente a nação em competições internacionais. Por outro lado, a prova, instituída pelo Ministério da Juventude e Desportos (Minjud) em parce-

ria com o Comité Paralímpico de Angola (CPA), visa incentivar a prática do atletismo adaptado e inspirar os jovens portadores de deficiência a não desistirem de uma carreira desportiva. A corrida decorre habitualmente em janeiro e conta com a participação de atletas federados e não federados das 18 províncias. No final, são atribuídos prémios monetários aos primeiros cinco lugares. O percurso abrange as principais artérias de Luanda e a adesão dos praticantes aumenta a cada ano.

Em março, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, convidou o velocista para exercer o cargo de Embaixador do Programa Conjunto das Nações Unidas à Causa Solidária. O convite surgiu durante uma visita do representante a Luanda e o convite deverá ser enviado ainda este ano. Só nessa altura, o atleta poderá apresentar a candidatura ao lugar. A escolha de José Sayovo surge no âmbito do percurso deste lutador, que apesar de ter perdido a visão, nunca desistiu do sonho. O relato do campeão nacional sensibilizou a comitiva e mereceu elogios por parte do presidente do Comité Paralímpico Africano, Leonel da Rocha Pinto. “Sayovo é um potencial embaixador das Nações Unidas para a causa das pessoas portadoras de deficiência”, justificou. A concretizar-se, o atleta será o quarto angolano a assumir o cardo de Embaixador da Boa Vontade das Nações Unidas. Juntar-se-à ao músico Paulo Flores, ao basquetebolista Nacissela Maurício e a Leila Lopes, Miss Universo. Sayovo conquistou já o estatuto de “homem mais rápido” do mundo na sua especialidade, sendo uma referência no desporto adaptado africano e mundial. É o segundo atleta que alguma vez alcançou três medalhas de ouro e respetivos recordes numa única competição internacional.


FEVEREIRO2012 2012

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Life&Style

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até

Julho

Carla Marques

Agenda

“Herero” no Rio de Janeiro

O povo nómada Herero é um dos mais antigos e também um dos mais esquecidos do continente africano. Por esses motivos, o premiado fotógrafo Sérgio Guerra lança luz sobre o assunto na exposição Hereros – Angola, que está patente no Rio de Janeiro depois de ter passado por São Paulo e Brasília. A mostra fica em cartaz no Museu Histórico Nacional até ao próximo dia 8 de julho. Angola traz ao Rio de Janeiro fotos em tamanhos diversos e que são o resultado de criteriosa seleção dentre um universo de mais de 30.000 imagens colhidas nas províncias do Namibe e Cunene. A mostra revela um amplo painel da vida, das atividades e dos costumes dos povos Hereros, que vivem espalhados entre Angola, Namíbia e Botsuana, e são compostos por diversos grupos: Mukubais, Muhimbas, Muhakaonas, Mudimbas, etc.

Yayoi Kusama no Tate Modern

05 até

O museu Tate Modern, em Londres, apresenta a retrospetiva dos 60 anos de carreira de Yayoi Kusama, artista japonesa conhecido por suas obras alucinantes e tridimensionais. Yayoi Kusama poderia ser um dos grandes nomes da pop art mas abandonou o circuito internacional em 1973, quando decidiu deixar Nova York e voltar para Tóquio, a fim de se internar em um hospital psiquiátrico, onde está até hoje. A artista sofre de TOC – transtorno obsessivo-compulsivo – em alto grau e “os pontos” presentes em sua arte e no seu dia-a dia são para ela um símbolo da doença. Este é um convite para uma viagem alucinante!

Junho

Optimus Primavera Sound 2012

O cartaz do Optimus Primavera Sound Porto 2012 vai contar com mais de 60 artistas nacionais e internacionais. O Optimus Primavera Sound Porto 2012 decorre de 7 a 10 de Junho , no Parque da Cidade e na Casa da Música, no Porto e será uma ocasião única para se ouvir alguns dos nomes mais sonantes da música. A localização escolhida para receber o Festival é o Parque da Cidade, o maior parque urbano do país (83 hectares), localizado junto ao mar e perfeitamente enquadrado na cidade, onde estarão instalados os quatro palcos por onde passarão os diversos artistas.

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Outubro

Lisboa, quem és tu?

Até Outubro o Castelo de S. Jorge propõe uma experiência sensorial única. “LISBOA, QUEM ÉS TU?” é uma projeção multimédia nas muralhas do Castelo que, ligando passado e presente, tecnologia e criatividade, história e património, conta a história de Lisboa de uma forma emocionalmente apelativa. “LISBOA, QUEM ÉS TU?” utiliza video mapping, 3D, desenho digital e animação, e, ultrapassando qualquer barreira linguística, recorre exclusivamente à imagem, com desenho digital e animações de António Jorge Gonçalves, e a música portuguesa com nomes como Amália Rodrigues, Luís Freitas Branco, Carlos Paredes, Madredeus, Buraka Som Sistema, Cool Hipnoise, Danças Ocultas, Dead Combo, entre outros.

Liza Minnelli em Hampton Court Festival

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Junho

Liza Minnelli, James Morrison e Katie Melua serão algumas das estrelas que este ano no estarão presentes noHampton Court Palace Festival, em Londres. O Hampton Court Palace Festival celebra este ano o seu 20 º aniversário, com a estrela Liza Minnelli como atração principal na noite de abertura. Prevê-se que na sua atuação estejam englobados vários números de showstopping, nomeadamente New York New York, Cabaret e Maybe This Time.


· Nº05 · 2012

ECONOMIA & NEGÓCIOS · MARCAS ID · SOCIEDADE · FOTOREPORTAGEM · ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO · INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO · DESPORTO · LIFE & STYLE · CULTURA & LAZER · PERSONALIDADES ANO IV - SÉRIE II REVISTA Nº05 - 2012 — 3,50 EUR 450 KWZ 5,00 USD — ISSN 1647-3574

Micaela

Sedução e beleza a

Reis

toda a prova

Criação de Valor Inovação não é um ‘nice have’, mas um imperativo. Conheça a proposta da COTEC Portugal

Perfil dos jovens Principais tendências de consumo em destaque —

Um dia com…

s fernandodoTeBIle C

Presidente fala sobre a bolsa,asil Br a compra do BPN de e a estratégia liderança —

josé severino

Acesso ao crédito internacional

Presidente da AIA defende projetos dos setores público e privado na Europa. Fórum Africano de Finanças & Investimento apoia soluções de financiamento para PME’s.


Angola'in - Edição 05