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· Nº04 · 2012

ECONOMIA & NEGÓCIOS · MARCAS ID · SOCIEDADE · FOTOREPORTAGEM · ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO · INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO · DESPORTO · LIFE & STYLE · CULTURA & LAZER · PERSONALIDADES ANO IV - SÉRIE II REVISTA Nº04 - 2012 — 3,50 EUR 450 KWZ 5,00 USD — ISSN 1647-3574

— ECONOMIA & FINANÇAS, O SEU NOVO CADERNO DE NEGÓCIOS. INCLUI CONSULTÓRIO DE MERCADO —

SETOR ELÉTRICO

Crescimento de 12% até 2016

EMPREENDEDORISMO Lei aponta estratégias para a inovação

PUBLICIDADE EM ALTA

Quem são os grandes anunciantes?

fredy costa

Nova geração, o regresso dos “yuppies” São jovens, cultos e influentes. O sucesso e o poder como modo de vida do angolano moderno


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Espaço Leitor

SUMÁRIO

— Na última edição, li com atenção a entrevista ao secretário de Estado da Indústria, Kiala Gabriel. Na minha opinião, um país para deixar de ser apenas um ‘ fornecedor de commodities’ deverá aproveitar a crise das empresas portuguesas, aproveitar os recursos humanos qualificados e que realmente façam falta no mercado, criar joint-ventures para incentiva-los a transferirem as suas fábricas de Portugal a Angola ao invés dos angolanos investirem em Portugal. Afonso Malungo

— Do meu ponto de vista, o Governo em conjunto com o BNA para estimular a nossa economia, tem que baixar a taxa básica de juros em 5 ou mais pontos percentuais. Ou seja controlar a inflação e reduzir as taxas de juros para créditos, de maneira a tornar o dinheiro mais barato. Em países como Angola, com economia emergentes a mais elevada participação industrial, indicando a ocorrência de uma maior industrialização desses países, é instrumento para acelerar a velocidade do crescimento económico e abreviar a obtenção de padrões de desenvolvimento. Em outras palavras, nem o aumento da participação da indústria nem a industrialização que acompanha esse processo determina o sucesso, mas, sim, um meio para que seja alcançado o desenvolvimento. Temos de ter mãos de obras qualificados para evitar o empobrecimento do nosso processo de industrialização! Estamos a falar de setores como a Educação, Saúde, Agricultura, Pescas, Turismo, etc(...) Sebastião Rangel

— Parabéns à Angola’In por esta capa e entrevista com uma MULHER extraordinária, a Dra. Francisca Van Dunem. Maria Odete Manso Pinheiro

— É bom saber que existe o projeto Kalemba Skim. Estas ondas hoje arrastam-se até aqui…amanhã são o futuro. Januário Jano

envie as suas para o seguinte endereço

leitor@revistaangolain.com

Esta revista é escrita ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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DESPORTO

Futebol africano ‘in vitro’

— O êxito do grande ‘exército de futebol’ africano não é obra do acaso. O percurso dos talentos da Costa do Marfim tem uma história que começou na ambição de um treinador francês, Jean-Marc Guillou, que criou em 1993 uma academia de futebol única e que nesta edição damos a conhecer aos nossos leitores

36 ECONOMIA & NEGÓCIOS

Setor segurador em análise —

Manuel Gonçalves é o presidente da ASAN e fala pela primeira vez à Angola’in da realidade do seu setor. Conheça quais as medidas da associação para combater a fraude, uma realidade que tem que ser contrariada com mais transparência e legislação


124 CULTURA & LAZER

A sociedade em beats

— O hip hop angolano está de parabéns! 20 anos de ativismo e intervenção a par da própria evolução do país. Surgem novos talentos e artistas que expressam as suas causas em poesia de forte pendor social. Com o atual crescimento do mercado, o futuro é promissor

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MARCAS ID

Os gigantes da publicidade

Banca, telecomunicações, bebidas e operadores de satélite mantêm o monopólio do investimento publicitário. Nesta edição apresentamos as novas tendências mundiais deste mercado consolidado

SOCIEDADE

A ‘nova’ Viana

Sabia que Viana é uma das cidades mais populosas da província de Luanda? E que, além de ser a preferida para a implantação das indústrias, foi a escolhida para a descentralização dos serviços da capital? Descubra estas e outras novidades

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

Imobiliário em contracorrente

Branca do Espírito Santo, presidente da Associação dos Profissionais Imobiliários de Angola, fala das necessidades do setor na perspetiva do empresariado e elogia os avanços alcançados no âmbito da especulação imobiliária

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MOSAICO

INSIDE

MUNDO

IN FOCO

FOTOREPORTAGEM

INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO

LIFE&STYLE

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EDITORIAL De paciente a médico?

www.comunicare.pt Angola

Rua Rainha Ginga, nº 228 – 2º andar Mutamba – Luanda TEL 923 416 175 / 923 602 924 Portugal Parque Tecnológico Inova.Gaia Avenida Manuel Violas, nº 476 – Sala 21 4410-136 São Félix da Marinha Vila Nova de Gaia TEL 00 351 222 431 902

www.revistaangolain.com Diretor Geral Daniel Mota

danielmota@comunicare.pt Direção Editorial Manuela Bártolo

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, esteve recentemente de visita a Angola. A imagem é simbólica, mas sobretudo evocativa do que o futuro reserva quanto aos papéis a desempenhar por um e outro continente no contexto de desenvolvimento global. Emergida numa crise, a Europa prepara um ‘novo’ Plano Marshall. Criado nos anos seguintes à II Guerra Mundial, é agora alvo de uma atualização que prevê mobilizar 200 mil milhões de euros em investimentos públicos e privados para estimular o crescimento europeu. A Comissão Europeia apresenta, assim, soluções que permitam capitalizar o Banco Europeu de Investimento (BEI) ou recorrer há já conhecida ‘engenharia financeira’ de forma a empreender projetos neste valor, através de eurobonds para financiar investimentos ou da criação de uma agência europeia de infraestruturas. Ora num momento como o atual, esta visita tem o seu efeito de causalidade, no sentido em que procura cimentar um ‘Caminho Conjunto UE-Angola’, título aliás que batizou o encontro. O objetivo da primeira é claro: aprofundar a cooperação para o desenvolvimento do segundo. No entanto, a pergunta impõe-se: para além dessa colaboração anunciada, que espécies de trocas mais beneficiam uns e outros? Se numa primeira análise o ‘pacote’ financeiro de 250 milhões de euros (2007-2013) vai de facto ser uma mais-valia, o que espera a UE de Angola? Um país cuja economia é das que mais irá crescer no mundo este ano e em 2013, segundo as últimas projeções do FMI contidas no World Economic Outlook. Este mesmo estudo indica que a Zona Euro começa a ficar para trás, sob o efeito dos problemas de endividamento de alguns países, nomeadamente Espanha, Portugal, Itália e Grécia. Um contraste que revela uma ‘contracorrente’ ainda maior (AngolaUE) quando o fundo alerta para a eventualidade de haver uma desintegração da Zona Euro. A ameaça paira sobre este conjunto

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de nações caso haja a saída de um membro que contamine outras economias e instale o ‘pânico nos mercados financeiros’, tendo como consequência ‘uma fuga de depositantes de vários sistemas bancários’. Mediante este cenário é evidente que não só Angola, mas também outros países africanos, comecem já a estudar a sua posição nesta Europa em crise e qual os seus maiores pontos de interesses. ‘Seria um erro, seria miopia, que a Europa não estivesse mais presente nas tarefas de desenvolvimento de Angola’ Durão Barroso José Eduardo dos Santos aceitou o convite para ir a Bruxelas. Para já o documento que está a ser ultimado pela Comissão e por Luanda irá definir a cooperação em áreas como a economia, o desenvolvimento sustentável, a energia, a mobilidade e o ensino superior, entre outras, ficando em segundo plano o auxílio económico-financeiro de outrora. Em vista está o alcance e potencialidades angolanas, sendo daí que surge o discurso diplomático de Durão Barroso em jeito de mensagem: ‘seria um erro, seria miopia, que a Europa não estivesse mais presente nas tarefas de desenvolvimento de Angola’. Este estreitamento de laços UE-Angola, que conta já mais de duas décadas, vive assim uma nova fase, bem diferente, sobretudo, em matéria de poderio económico, já que, a exemplo de Angola, outras nações africanas assumem, cada vez mais, uma posição forte no contexto mundial, conquistando a capacidade de produzir efeitos na ‘saúde’ europeia, como é o caso do fluxo comercial. Resta começar a deslindar de que forma poderá também Angola desempenhar um papel edificante na nova Europa que se adivinha. A Direção

manuelabartolo@comunicare.pt Direção de Research ANGOLA - Lisete Pote

lisetepote@comunicare.pt

PORTUGAL - Jorge Saboga

jorgesaboga@comunicare.pt Direção Comercial Isabel Azevedo

Isabel.azevedo@interpublishing.pt Coordenação Editorial Patrícia Alves Tavares

patriciatavares@comunicare.pt Gestão de Conteúdos Life & Style Carla Marques

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Gestão de Conteúdos Desporto Luís Freitas Lobo

desporto@comunicare.pt

Redação Francisco Moraes Sarmento Isabel Santos · Maria Sá Arte Bruno Tavares · Patrícia Ferreira

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Fotografia Paulo Costa Dias [editor] Carlos Rodrigues · Shutterstock Serviços Administrativos e Agenda Patrícia Silva

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Interpublishing Rua Sanches Coelho, nº 03 – 10º andar 1600-201 Lisboa Tlf:. 00 351 217 937 205 Impressão Peres-Soctip Indústrias Gráficas S.A Distribuição Green Line Tiragem 10.000 exemplares

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— ISSN 1647-3574 DEPÓSITO LEGAL Nº 297695/09 — Interdita a reprodução, mesmo que parcial, de textos, fotografias e ilustrações, sob quaisquer meios e para quaisquer fins, inclusive comerciais

Esta revista utiliza papel produzido e impresso por empresa certificada segundo a norma ISO 9001:2000 (Certificação do Sistema de Gestão da Qualidade)


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MOSAICO

— No mapa mundi — Patrícia Alves Tavares

Num período em que a crise financeira está na ordem do dia, existem ainda motivos para sorrir. É o caso dos habitantes do Sudão do Sul, a mais jovem nação do mundo. Nasceu no ano passado e tem cerca de 12 milhões de pessoas. O novo país tem uma dimensão semelhante à da Península Ibérica e está cercado pelo Sudão, Etiópia, República Centro-Africana, Uganda e Quénia. A elevação a nação independente aconteceu após o término da mais longa guerra civil do continente. O desafio a curto prazo está em tirar a região da pobreza e das assimetrias sociais.

FOTO D.R.

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INSIDE

Patrícia Alves Tavares

Comandante do AFRICOM em Angola

— O comandante do Comando NorteAmericano para África (AFRICOM), o general Carter F. Ham, visitou Angola em março. É a primeira vez que o representante está no país, desde que assumiu funções num dos seis comandos geográficos dos EUA, no âmbito do departamento de Defesa. O responsável reuniu com o ministro da Defesa, o chefe das Forças Armadas e outras forças militares nacionais, onde foram discutidas as relações militares bilaterais, a segurança marítima regional e internacional e o estreitamento da cooperação entre as duas nações.

Nova telefonia fixa

Huambo tem cinco monumentos classificados

— Abril é um mês marcante para o Huambo. Cinco dos seus monumentos foram incluídos na lista do património histórico e cultural nacional, alcançando assim a desejada classificação atribuída pelo Instituto Nacional do Património Histórico. As pinturas rupestres de Kaninguili, no município do Mungo, a estação arqueológica de Feti (comuna da Calima), a Ombala do Huambo, o Forte de Candumbo (município da ChicalaCholohanga) e os edifícios à volta da Praça Agostinho Neto (Huambo) são agora património nacional.

— Chama-se “Fone Kuya” e é o novo serviço de telefonia fixa. O sistema entrou em funcionamento em março e faz parte da Net One. O novo serviço tem opções de Internet, fax, voz e wi-fi. Na primeira fase, a mais recente opção do mercado de telecomunicações está disponível em Luanda, Benguela, Huíla, Malanje Kwanza Sul. A Net One surgiu em 2010 e contabiliza cerca de 25 mil assinantes dispersos pelas seis províncias.

FMI autoriza último empréstimo

 — A última parcela do empréstimo pedido por Angola, no valor de 1330 milhões de dólares, já foi aprovada pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). A tranche a disponibilizar é de 132,9 milhões de dólares e completa assim o valor do empréstimo solicitado em 2009. O país pediu ajuda à entidade internacional após a crise mundial de 2007 e 2008 que obrigou Luanda a reconstituir as suas reservas de divisas. O acordo standby tinha um prazo de auxílio de 27 meses, dividido em seis tranches, sendo a última libertada após uma avaliação positiva. O acordo foi concluído com êxito e alcançado o intuito de restaurar a estabilidade macroeconómica.

Laboratórios em todas as escolas

Rota Luanda-Amesterdão

— O Banco de Poupança e Crédito (BPC) vA TAAG inaugurou uma nova rota, que vai ligar a capital a Amesterdão, na Holanda. A companhia assinou um memorando de entendimento com a empresa aérea holandesa KLM, que indica os parâmetros de cooperação entre as transportadoras. O documento refere uma relação no âmbito comercial, um protocolo de formação de quadros e o reforço de programas de cooperação.

— Luísa Grilo, diretora nacional do ensino geral, quer dotar as escolas com laboratórios de física, química e biologia. No decorrer do ano, o plano será instituído em todas os estabelecimentos de ensino públicos do segundo ciclo, sendo que os primeiras a receber os equipamentos serão os que reúnem condições a nível do espaço físico. O objetivo da medida passa por melhorar o processo de aprendizagem, pelo que o Ministério da Educação pretende generalizar a implementação da “sala de informática” em todos os estabelecimentos de ensino, para que esta seja instituída como disciplina curricular obrigatória no ensino secundário.

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Estudantes rumam a Portugal

— A Universidade de Belas, a Câmara Municipal do Barreiro (Setúbal, Portugal) e a empresa “Coração Tropical, Formação” assinaram um protocolo de cooperação que consiste na criação de condições para que os estudantes possam frequentar a Escola Superior de Tecnologia da referida região lusa. Trata-se de um acordo tripartido em que, na primeira fase, 300 a 600 jovens vão frequentar licenciaturas nas áreas das ciências da saúde, engenharia e aeronáutica na universidade portuguesa, bem como mestrados em relações internacionais, gestão de recursos humanos, gestão hospitalar, direito, etc. A Câmara do Barreiro será responsável pela inserção social dos novos alunos e disponibilização dos serviços municipais.

Brasil quer cooperação ambiental

— O Brasil quer que os Estados membros da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) se empenhem num alargamento e aprofundamento das relações de cooperação no contexto ambiental. Durante uma reunião de ministros do Ambiente da comunidade foi defendida a aposta em acordos mais abrangentes, devendo aproveitar a língua que é o elemento de união entre todos. Já a pensar na cimeira Rio+20, agendada para junho, no Rio de Janeiro (Brasil), estão a ser elaboradas propostas a apresentar no encontro em que se discute a sustentabilidade assente em três pilares: social, económico e ambiental.

Regresso iminente

— Voltar a casa e contribuir para o desenvolvimento do país é o grande desejo da maioria dos angolanos que residem em Portugal. De acordo com o embaixador nacional em terras lusas, Marcos Barrica, a embaixada tem recebido vários pedidos de cidadãos que querem voltar a Angola. A maioria aponta como razões do regresso as saudades da família e a vontade de arranjar um emprego no seu país e assim contribuir para a reconstrução nacional nas mais variadas áreas. Atualmente, Portugal alberga cerca de 40 mil angolanos.

Lunda Norte mais ecológica

Mais taxistas no Cunene — Entre janeiro do ano passado e fevereiro deste ano, a direção provincial dos Transportes, Correio e Telecomunicações do Cunene licenciou mais de 200 táxis. A atividade divide-se entre o transporte de passageiros nos percursos Ondjiva/ Xangongo e Ondjiva/ Santa-Clara e os veículos pesados que asseguram as ligações intermunicipais, exceto nos municípios de Curoca e Cuvelai, em virtude da falta de condições das vias. O organismo controla atualmente 340 táxis. A legalização das viaturas teve início em 2009 e tem decorrido dentro das expectativas, com os profissionais a adquirir voluntariamente as devidas licenças.

— O governo provincial da Lunda Norte tem em conjunto com a Endiama programas de investimento público vocacionados para a preservação do meio ambiente. O projeto é para aplicar no decorrer deste ano e surge no âmbito da preocupação em conservar a província, através de ações de reflorestamento e reposição dos solos. A localidade tem sido desgastada pela extração de diamantes. Nesse sentido, o Executivo quer acautelar os espaços verdes, criar viveiros e recolher sementes locais para a plantação da zeringueira, a planta aconselhada para zonas devastadas pela atividade mineira.

3 mil casas

— Vão nascer na cidade de Benguela. A iniciativa integra o projeto de construção de dez mil casas no litoral da província. No total, a região vai contar com quatro novas urbanizações distribuídas pelas principais cidades de Benguela. Assim, no Lobito também está prevista a edificação de três mil fogos, sendo que na Baía Farta e em Catumbela vão ser erguidas duas mil habitações respetivamente. A primeira fase do programa habitacional, que visa criar condições de habitabilidade para a população e as infraestruturas básicas (como escolas, centros de saúde e órgãos sociais), vai abranger 60 mil pessoas. Os municípios do interior estão igualmente incluídos neste projeto, estando prevista a criação de 200 casas em cada localidade.

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INSIDE

4 novas companhias aéreas

Plano habitacional inicia em abril

— O município da Chibia, na Huíla, é o primeiro da província a avançar com o programa de construção de casas sociais. Quarenta das 200 habitações prometidas começaram a ser erguidas em abril e deverão estar prontas em finais de agosto. O plano estabelece que cada município da Huíla ganhe duas centenas de fogos. Porém, devido à falta de verbas, serão construídas apenas 20% das residências previstas.

— O chefe-adjunto da Direção de Segurança Operacional do INAVIC (Instituto Nacional de Aviação Civil), Mateus Francisco, anunciou que a breve prazo poderão entrar quatro novas companhias no mercado nacional de aviação. As empresas privadas estão a preparar os pré-processos de candidatura e aguardam a conclusão do projeto para obterem a certificação oficial. As candidatas são as transportadoras Air Two, Trans-World, Omni Aviation e a SJL. Esta última já fazia voos particulares e pretende entrar no segmento comercial.

Pólo de Okavango para dinamizar turismo

Plano estratégico para as telecomunicações

— No Kuando Kubango vai nascer o maior pólo de crescimento do país. O Pólo de Desenvolvimento Turístico da Bacia do Okavango terá mais de 11 mil hectares e começará a ser implementado assim que o respetivo plano diretor estiver concluído. O Governo vai criar igualmente mais dois centros dedicados ao incremento do setor do turismo. São os espaços da Calandula, em Malanje, e o de Cabo Ledo, em Kissama. A escolha das áreas está relacionada com as especificidades das regiões que agregam paisagens com potencial para a dinamização do turismo. Cada pólo terá como missão o incremento desta área de atividade, que nos primeiros anos estará vocacionada para o turismo interno.

Instituto investe no estudo de doenças tropicais

— O Instituto de Combate e Controlo das Tripanossomíases (ICCT) está a reabilitar e a ampliar o Centro de Referência de Viana. O organismo quer criar melhores condições num espaço que investiga múltiplas doenças tropicais e alargar a sua área de atuação. A entidade acolhe pacientes portadores da doença do sono e possui dois laboratórios de investigação biológica e molecular. Com as obras, o centro poderá alargar a sua atividade ao ensino e investigação regional. Por outro lado, o ICCT quer continuar a percorrer o país com equipas móveis de diagnósticos e unidades fixas de tratamento especializado.

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— O ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, João Carvalho da Rocha, anunciou que o está a ser preparado um plano estratégico para difusão das telecomunicações. Serão criadas infraestruturas que vão ligar as fronteiras nacionais, servindo de suporte às telecomunicações, através da interligação aos backbone africanos. O objetivo consiste em interligar o continente mediante uma rede de fibra ótica.


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MUNDO

Patrícia Alves Tavares

Polémica com o Acordo Ortográfico

— “A adoção dessa reforma ortográfica foi um desastre. Os livros didáticos contêm muitas imprecisões e confusões”. A declaração é do professor brasileiro Ernani Pimentel, que criou o movimento “Acordar Melhor”, em defesa de uma melhor implantação da reforma ortográfica no Brasil. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) da Academia Brasileira de Letras não acompanha o acordo assinado pela CPLP, em 1990. Segundo os subscritores do movimento, a ortografia oficial unificada para a língua portuguesa não está a ser cumprida. Recorde-se que o acordo visava acabar com a existência de dias normas ortográficas oficiais e que são divergentes.

Cidade americana à venda na Internet — Tem apenas um habitante e está a ser leiloada na Internet com o preço base de 100 mil dólares. Buford é a cidade norte-americana mais pequena e fica no Estado de Wyoming. O único morador, Don Sammons, de 61 anos, autodesigna-se de presidente do município e é proprietário de uma estação de serviço que recebe uma média diária de 100 mil clientes. Decidiu reformar-se e colocou a urbe à venda. O comprador será igualmente dono de uma pequena loja, uma bomba de gasolina e um posto de correios.

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Naufrágio do Titanic foi há 100 anos

— Em abril assinalou-se o centenário do naufrágio do Titanic, a célebre tragédia ocorrida no oceano Atlântico, onde morreram mais de 1500 pessoas. Num mês em que a adaptação cinematográfica de Steven Spielberg regressa ao cinema em 3D, levantamse hipóteses que podem justificar o naufrágio. De acordo com um artigo do Instituto de Física britânico, tratou-se “de uma cadeia de circunstâncias”. “Nenhum acontecimento isolado enviou o Titanic para o fundo do Oceano, mas que este foi apanhado numa corrente perfeita de circunstâncias que conspiraram para o seu destino final”, adiantou o escritor científico Richard Corfield.

Cultura lusa na Geórgia

— A Geórgia vai inaugurar até ao final do ano um Centro Cultural Português em Tblisi. A infraestrutura surge no âmbito do interesse que o país tem em adquirir o estatuto de país observador associado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O organismo vai facilitar a aproximação dos georgianos à comunidade lusófona. A Geórgia pretende apostar nesta comunidade devido ao potencial económico que os oito países representam.

Museus marítimos em destaque em 2013

— Portugal vai receber o Congresso Internacional de Museus Marítimos já no próximo ano. O evento será organizado pela região de Cascais, em Lisboa, e inclui um vasto programa de visitas ao Museu da Marinha (que comemora 150 anos em 2013), ao Museu Nacional de Arte Antiga, ao Ecomuseu do Seixal e à Fragata D. Fernando e Glória. A proposta portuguesa venceu os programas apresentados pela Suécia e Chile. O encontro está agendado para setembro e inclui visitas ao Museu Marítimo de Ílhavo, ao Museu Municipal de Portimão e aos passeios de barco no rio Tejo.


Referendo na Irlanda

Cantor é ministro do Senegal

— Youssou N’Dour ficou conhecido mundialmente com o sucesso “Seven Seconds”. Agora aventura-se na política ao nomeado ministro da Cultura e do Turismo do Senegal, após ter sua candidatura presidencial rejeitada. O cantor de e autor de mais de 20 álbuns tem participado em projetos relacionados com o combate ao e à fome. Youssou N’Dour assumiu o cargo conjugá-lo com as outras atividades, já que de uma empresa de comunicação social.

Mundial 2014

— O Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) organizou um protesto pacífico que decorreu nas nove cidades-sede do Mundial de 2014. Em causa, estão as obras que obrigam á remoção de comunidades locais. As manifestações decorreram em belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Fortaleza, São Luiz, Belém, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus. Em São Paulo, cerca de 300 pessoas ocuparam o estaleiro das obras do estádio de Itaquera, mas a atividade dos operários não chegou a ser interrompida. O objetivo dos protestos consistia em alertar para os casos de famílias que estão a ser realojadas noutros locais por causa das empreitadas. Já no Rio de Janeiro foram distribuídos panfletos junto ao estádio do Maracanã.

Sem água

ser visto a 52 anos paludismo em abril e vai é proprietário

— Está agendado para 31 de maio o referendo que vai ditar se o Governo irlandês aprova (ou não) o novo pacto de disciplina orçamental europeu. O documento indica que os países da União Europeia inscrevam nas suas legislações a “regra de ouro”, que aplica sanções quase automáticas em caso de derrapagem do défice. A ideia foi defendida pela Alemanha e aprovada pelos países membros, à exceção do Reino Unido e da República Checa. No caso da Irlanda, o Governo está confiante de que a população vai votar “sim” e apoiar a decisão governamental. Recordese que o país já rejeitou dois tratados europeus em referendos: Nice, em 2001 e Lisboa, em 2008.

56711 Casas sociais na Venezuela

— O Governo venezuelano vai ocupar 105 terrenos para construir 56711 habitações sociais. O anúncio foi proferido pelo ministro da Energia, Rafael Ramírez que indicou que “muitos destes terrenos são privados. Há um da Polar (grupo de empresas processadoras e distribuidoras de alimentos e bebidas), no Estado de Lara, uma medida anunciada pelo presidente [Hugoo Chávez]”. As expropriações decorrem ao abrigo de um conjunto de decretos recentemente rubricados. A empresa recorreu ao Supremo Tribunal, alegando que a medida era “arbitrária”, mas não obteve sucesso.

— É a segunda vez este ano que o lago Cachet II, na Patagonia chilena, perde os seus dois mil milhões de litros de água. O fenómeno ocorreu em menos de 48 horas, perdendo 31 metros de nível de água e provocando o aumento do caudal do rio Baker, o maior do Chile. Desde 2008, o lago já esvaziou onze vezes.

16 mil euros

— É a quantia necessária para recuperar o castanheiro de Anne Frank, a adolescente judia mundialmente conhecida pelo diário que escreveu durante o cativeiro num campo de concentração nazi, em plena 2ª Guerra Mundial. Um tribunal de Amesterdão, Holanda, decidiu que a fundação “Salve a árvore de Anne Frank” terá que pagar 16 mil euros caso pretenda recuperar a árvore centenária que foi derrubada pela força do vento em 2010. O castanheiro está desde esse período armazenado num local seco e ventilado. A associação já fez saber que não dispõe da verba exigida.

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MUNDO Fotógrafo capta raposa rara

640 milhões de dólares

— É o maior jackpot de sempre em todo o mundo. A probabilidade de acertar na lotaria MegaMillions era de uma em 176 milhões. Contudo, três sortudos conseguiram acertar na combinação correta. Os 640 milhões de dólares serão divididos por três boletins que foram registados em três estados diferentes dos EUA. O número de apostas também bateu records, com os americanos a gastarem 1,5 biliões de dólares.

Santa Cuba

— Raul Castro, presidente de Cuba, acedeu a um pedido feito pelo Papa Bento XVI, que visitou a ilha em março. Excecionalmente e em homenagem a Sua Santidade, Raul Castro decretou que a Sexta-Feira Santa deste ano seja declarada feriado, permitindo aos católicos a celebração plena da Páscoa. O Vaticano já mostrou o seu agrado com a decisão, indicando que se trata de um “sinal muito positivo”.

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— John Moore, fotógrafo amador, conseguiu registar com a sua máquina um dos exemplares mais raros da raposa negra. O autor da imagem viu o animal em Hertfordshire, no Reino Unido, uma semana antes de fotografá-lo. Dias depois foi ao mesmo local, levou todo o equipamento e conseguiu aproximar-se cerca de 100 metros do animá-lo e tirar a foto. A raposa acabaria por fugir, mas ficou o registo. A cor anómala que estas raras raposas apresentam devese a um erro genético.

Portugal é eficiente

— O Eurobarómetro, indicador que apresenta o nível de eficiência energética dos países europeus, divulgou que as Pequenas e Médias Empresas Portuguesas são as mais eficientes e preocupadas com esta questão. 88% das inquiridas revelaram que estão a tomar medidas para melhorar o uso dos seus recursos e poupar energia. Foi a percentagem mais elevada entre os 19 países que responderam ao inquérito. Portugal alcançou também bons resultados em termos de preocupação com a redução do lixo, reciclagem e poupança de recursos e água.

Água potável de sementes

— A American Chemical Society anunciou que cientistas norte-americanos encontraram uma substância natural que é proveniente de sementes da conhecida “árvore milagrosa” e tem a capacidade de purificar a água. A confirmar-se, poderá ser uma opção muito útil para os países em desenvolvimento. Segundo os investigadores, a técnica é muito simples, pois basta recorrer a um processo que envolve as referidas sementes e areia, criando um mecanismo que permite tornar a água própria para consumo, de forma barata e sustentável. Os dados mundiais referem que existem ainda mais de mil milhões de pessoas que não têm água potável para beber.

Plantou sozinho uma floresta

— Na Índia, um homem plantou, sozinho, uma floresta inteira com cerca de 550 hectares. A área ocupada está localizada na região de Jorhat, perto do rio Bramaputra. Javav Payeng, 47 anos, começou esta aventura em 1979, após a região ter sido devastada por fortes inundações. O morador, na altura com 16 anos, deixou a escola, instalouse junto ao rio e começou a recolher uma grande variedade de flora e fauna e juntou alguns animais que estão em vias de extinção como tigres e rinocerontes. Plantou árvores e cuidou de tudo sozinho. O departamento florestal da Índia só teve conhecimento da situação em 2008 e ficou impressionado, acabando por conseguir a ajuda do Governo para dar continuidade ao trabalho.


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IN FOCO

Manuela Bรกrtolo

Lei sobre o empreendedorismo

O poder de mudar

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Nasce-se empreendedor ou aprende-se a sê-lo? No livro O Líder do Futuro, o guru da gestão Peter Drucker deita por terra a teoria de que um indivíduo já nasce líder. Hoje, mais do que um perfil potencial, é importante prová-lo. Mas o que fazer para se conseguir chegar ao topo nos negócios? Como atrair clientes e estar bem posicionado no mercado em que atua? As perguntas impõem-se, bem como perceber as semelhanças que estão inerentes a personalidades de sucesso como o inventor do telefone, Graham Bell, o fundador da Ford, Henry Ford, o inventor do filme fotográfico e da Kodak, George Eastman, ou o fundador da Apple, Steve Jobs. O que é que estes tinham em comum? Primeiro, uma confiança extrema em si próprios, iniciativa e liderança. Valores que o Executivo procura agora apoiar com a aprovação da nova lei sobre empreendedorismo. Um documento que vai permitir o surgimento de novos empresários em todas as esferas da economia nacional e que, por conseguinte, irá proporcionar a criação de mais emprego. Para o economista Afonso Chipepe são decisões como esta que fazem o país crescer economicamente, sendo os pequenos empresários inovadores que estão na origem da criação de novos mercados, produtos e desafios. E é de desafios que se trata esta nova fase da economia do país, em que é essencial que a população esteja aberta a novidades, construa, exija excelência, faça dinheiro. Esta é ‘a direção certa para o alcance dos mais nobre objetivos de crescimento e desenvolvimento sustentável de Angola’, refere o economista. O mesmo que em de-

O empreendedorismo é a capacidade que faz a diferença entre os países que dão certo e os que estacionam

clarações recente sublinhou que o empreendedorismo desempenha um papel fundamental na criação da renda e de postos de trabalho, uma vez que capacidade os pequenos, médios e grandes empresários de realizarem a vontade de criar algo novo ou de não se conformar com a situação do mercado. Este responsável vai ainda mais longe quando atribui ao empreendedorismo a tarefa dele próprio se constituir como uma meta de alcance estratégico ao nível da resolução dos problemas que afetam grande parte da juventude, que até hoje não teve a oportunidade de estudar e de se superar profissionalmente. Neste aspeto salienta-se a correlação imediata a um outro artigo publicado nesta edição sobre microcrédito. Um estreito comprometimento entre ambos, já que ao empreendedoris-

mo tem anexa essa necessidade de financiamento dos projetos. Este ímpeto que agora surge no país é despoletador de uma nova realidade em construção, já que o mesmo não se restringe às invenções, mas a todo um desenvolvimento do mundo dos negócios nas empresas, com o intuito de provocar melhores resultados. De acordo com o economista, a presente lei procura fundamentalmente soluções para problemas de organização e produção, acarretando ideias inovadoras que devem ser desenvolvidas sem necessidade de custos elevados. Assim, pergunta-se, qual é a chave do sucesso das empresas atuais? Os empreendedores natos sabem a resposta de imediato e são consentâneos na afirmação: o segredo reside no capital intelectual, visto que no mundo moderno os empreendedores são os principais ativos de uma organização. ‘Os gestores têm de se lançar no mercado, serem criativos e pró-ativos, pois só assim é que as empresas se manterão e terão sucesso financeiro’, acrescenta. As habilidades inatas, os conhecimentos e as atitudes irreverentes inerentes a todo o empreendedor incentivam os interessados a criarem o seu próprio negócio, uma característica importante para o país, já que, como refere, ‘cada empresa aberta representa mais impostos, mais empregos e uma possibilidade para o crescimento sustentável do país no combate ao desemprego e à pobreza’. Saber administrar, liderar e organizar são características fulcrais nos dias de hoje, para a felicidade e o bem-estar da sociedade.

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IN FOCO

A importância de ser líder A expressão que carateriza os líderes é ‘self-starter’, ou seja, o executivo que tem iniciativa, orientação permanente para os resultados, capacidade de influir de forma efetiva em processos de decisão e que possui o dom de ser extremamente motivado. Tem ainda uma enorme força de vontade, tenacidade e perseverança. É aquele que aceita os desafios e procura sempre as melhores alternativas para executar as tarefas. Identifica-se? Então está no bom caminho para ser um empresário de sucesso, já que os líderes do futuro não esperam. Têm em si um espírito proactivo, precursor e instinto perentório. Têm a capacidade permanente de inspirar a sua equipa, obtendo resultados financeiros no curto prazo, mas gerindo com uma visão em mente que assegura a sustentabilidade a médio e longo prazos. Não há espaço para aversão à mudança. Sabe lidar com diferentes cenários, equipas e mercados. Em suma: no futuro não importa apenas o lucro, mas também pessoas e…o ambiente. Espanta-se? Desenvolver negócios sustentáveis será a responsabilidade de todos os executivos sem exceção e é isso que Angola procura com as novas leis de apoio ao empreendedorismo e as linhas de crédito às PME’s. Este terceiro fator é indissociável da liderança que está na base do desenvolvimento sustentado. Ora tudo isto obriga a uma estratégia assertiva, que não passa só por tomar decisões meramente táticas e instrumentais, com vista ao lucro. Outra das características fundamentais é estar-se preparado para lidar com novos mercados. No novo paradigma, a economia vai ter de se adaptar aos desafios que se avizinham, uma vez que a deslocalização será, cada vez mais, acentuada dos centros de produção para os mercados emergentes. Um fator de que Angola poderá beneficiar,

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‘A nova lei permitirá a resolução de problemas que afetam a maioria dos jovens que até hoje não tiveram a oportunidade de estudar ou de se superar profissionalmente. Desempenha um papel fundamental na criação de renda e de emprego’

criando as condições necessárias à fixação das empresas no país. O empresário brasileiro Roberto Civita defende que ‘é impossível imaginar um país próspero sem que o seu povo seja capaz de, a partir de ideias e sonhos, erguer do zero novas empresas que um dia se transformem em grandes negócios’. Para este responsável o empreendedorismo é o motor de um país. É essa capacidade que faz a ‘diferença entre os países que dão certo e os que estacionam. Entre os que geram as suas próprias soluções e os que ficam estancados nos seus problemas’. Para isso é importante que o Governo dê condições, sobretudo ao nível da carga tributária, das leis trabalhistas e da burocracia inerente.

Quer ganhar muito dinheiro? Se já leu o best-seller ‘Pai Rico, Pai Pobre’, de Robert Kiyosaki, sabe o que ele pensa a respeito dos empregos. Se ainda não leu este livro, faça um favor a si mesmo e trate de o lei o mais rápido possível. A primeira vez que o li foi há quase sete anos. Lembrome muito bem de que quando terminei a leitura, foi como se me tivessem tirado uma venda dos olhos. O que o autor explica desconstrói tudo o que nos ensinam sobre os modelos de trabalho. O livro mostra que vários paradigmas precisam de ser mudados se quisermos sobreviver num mundo, cada vez mais, competitivo. Como uma espécie de profecia, termina dando-nos a ideia de que se quer realmente ficar rico precisa, primeiro, de investir…em si! Este é o segredo. Quando analiso o modo como o mercado tem evoluído, mais percebo que Robert Kiyosaki está certo. Apesar de o livro ter sido escrito numa época em que as mudanças não eram tão presentes, hoje estão mais atuais do que nunca. Com frequência o ‘pai pobre’ diz ao ‘filho’ para não dar importância ao dinheiro, pois é o menos importante, enquanto o ‘pai rico’ afirma que o dinheiro é poder. Observação: o ‘pai pobre’ não o era por causa do dinheiro que ganhava, mas por influência

dos seus pensamentos e ações. Logo, mais do que aprender sobre dinheiro é fundamental ter instrução financeira e conhecimento de mercado. As vidas são conduzidas por duas emoções: medo e ambição. Razão pela qual, muitas vezes, a causa da pobreza ou das dificuldades está no medo e ignorância, não apenas na economia, no governo ou em última instância nos ricos. Uma das obrigações do Estado é apoiar. No entanto, nunca é suficiente, pois a instabilidade de trabalho é, mais cedo ou mais tarde, um facto na sociedade moderna, visto que mesmo com cursos superiores nada é garantido. Importa, por isso, procurar alternativas para este quadro, mas todas requerem uma mudança de pensamento e da maneira como interpretamos o mundo. As vantagens de se pensar empreendedoramente em relação ao dinheiro permitem perceber as oportunidades reais de se chegar à riqueza ou pelo menos alcançar novos e melhores padrões de vida. Motivos suficientes para que os atuais e futuros empresários nacionais desenvolvam ainda mais a sua inteligência financeira, de moda a processarem as próprias informações e encontrarem o tão desejado caminho para o nirvana financeiro.


Cinco sugestões para a sua empresa crescer com pouco dinheiro Mesmo com o orçamento apertado, dá para fazer o seu negócio crescer usando criatividade e tempo! Para muitos empreendedores fazer uma empresa crescer significa abrir uma nova unidade ou aumentar as vendas substancialmente. Esta é, no entanto, uma das facetas do crescimento. Muitas vezes, pequenas ações sem custos altos podem trazer um resultado tão bom no longo prazo quanto a abertura – e o alto investimento – de uma filial. O novo desafio impostos pelas denominadas startups (empresas incubadoras) é crescer e tornar-se viável com o mínimo de capital possível. Aliás, a pior coisa para uma startup é o capital, pois quando se trabalha com um orçamento pequeno a lógica é criar soluções criativas. A base deste processo é conhecer bem o que o cliente quer e fazer uma empresa sob demanda para o seu mercado. Veja a seguir as sugestões que podem desenvolver o seu negócio sem estourar o orçamento.

Faça parcerias A palavra parceria perdeu um pouco o seu real significado no mundo corporativo. Mas, quando levada a sério, pode ser uma ótima forma de aumentar as vendas da empresa. Tem que significar de alguma maneira ampliar o seu estilo de negócio. Pode, por exemplo, contar com um parceiro para fazer uma parte do produto que a sua própria empresa não faz ou fazer em conjunto.

Crie uma rede Uma das maneiras de fazer o negócio crescer sem colocar a mão no bolso é incentivar a inovação dentro da equipa. O que causa mais efeito é o líder estimular esse processo internamente. Gastase menos do que criando um departamento de investigação e desenvolvimento ou contratando uma empresa especializada. A co-colaboração também auxilia muito nesta etapa, sobretudo entre clientes, fornecedores, parceiros e funcionários. A ideia que dá certo é fruto de um choque de ideias. Desenvolva uma rede - e a internet permite muito isso - e desta forma consegue ter uma visão 360º do que o mercado está a falar!

Uso das novas tecnologias Barata, acessível e fácil de usar, a internet é hoje o principal meio para as pequenas empresas que querem conquistar mercado e notoriedade junto de um grande número de pessoas. Há dez anos gastava-se dinheiro em comunicação nos jornais ou revistas. Atualmente a internet popularizou e viabilizou enormemente este aspeto. Desde o simples site para contacto comercial até ao mais recente fenómeno das redes sociais. Fazer um vídeo da empresa e colocar na internet é a maior publicidade ao produto. Se, por exemplo, tiver uma página no Facebook com muitos clientes e os seus comentários conquista um dos aspetos mais importantes do marketing – o boca a boca -, em parte muito responsável pelo sucesso das empresas.

Vá além do networking Participar em eventos, trocar cartões e fazer contactos são atitudes mínimas que um empreendedor deve ter, mas nem sempre trazem resultados efetivos. O segredo é levar o negócio para todos os lugares, até onde parece que não faz sentido. Para uma empresa pequena, o empresário deve ter uma rede de contactos de trabalho e pessoal, mas deve aumentar o ciclo e percorrer diversos grupos e nichos. Quem pratica um desporto pode falar sobre a empresa com os colegas de jogo. Para quem tem filhos pequenos, aproveitar o contacto com os pais dos amiguinhos na porta do colégio também pode trazer surpresas agradáveis para o negócio. Em tese, o custo disso é o tempo de cada um.

Desenvolva o seu cliente Quando o empresário sabe exatamente o que o cliente espera do seu produto ou serviço é mais fácil ter um alto nível de satisfação. Mesmo que a empresa não seja nova é importante realizar um estudo informal sobre os consumidores para perceber a opinião deles sobre a marca e o que esperam dos produtos disponível. Todo o crescimento orgânico tem o foco no desenvolvimento do cliente. Primeiro, aprende-se junto deste e depois avança-se para o mercado. Muitas empresas falham não por terem um mau produto, mas por não terem um cliente disposto a pagar.

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ECONOMIA&NEGÓCIOS

Francisco Moraes Sarmento

Preço das matérias-primas na mira

A queda das Reservas Internacionais Líquidas (RIL) registada em Fevereiro último, depois de terem alcançado um máximo absoluto de 27,17 mil milhões de dólares, não constituiria um sinal de alarme, não fosse a perspetiva pouco animadora do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a evolução do preço das matérias-primas no curto prazo. Não obstante, as RIL recuarem cerca de 560 milhões de dólares, fixando-se nos 26,6 milhões de dólares, a posição das autoridades monetárias e, especialmente, do Banco Nacional de Angola (BNA) é considerada por alguns analistas como ‘confortável na gestão da política cambial, para salvaguarda de alguns indicadores, principalmente a moeda através de uma taxa de câmbio dólar-kwanza mais equilibrada’.

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CASH-FLOW

A recuperação posterior do preço do petróleo permitiu a recomposição das reservas cambiais. As RIL têm vindo a aumentar consistentemente desde Janeiro de 2011, crescimento apenas interrompido em Setembro e Novembro daquele ano e em Fevereiro deste ano. As referidas reservas, que aumentaram cerca de 53% em relação a Janeiro do ano passado, são um aspeto crítico da estabilidade da economia angolana, dada a sua dependência do petróleo e da grande votalidade dos preços do ouro negro nos mercados. Economistas chamam a atenção para o facto de que o Orçamento Geral do Estado (OGE) seria deficitário caso não fossem as receitas geradas pela exportação daquela matériaprima. Analistas da KPMG assinalam que não obstante a atual perspetiva optimista ‘a economia angolana mantém a sua exposição aos efeitos potenciais de uma crise económica internacional, na medida em que o PIB do país permanece ainda muito dependente das receitas oriundas do petróleo’. Em 2011, o preço médio do petróleo, responsável pela captação de cerca de 90% das receitas do país, variou entre 105 dólares e 110 dólares. A quebra acentuada das RIL em 2008, devido à forte descida do preço do petróleo e da crise económico-financeira, acabaram por afetar a estabilidade da economia angolana. Para a reposição das referidas reservas contribuiu o apoio do FMI através de um empréstimo no valor de 1.330 milhões de dólares, cuja última tranche foi libertada em março último. Segundo o FMI, as autoridades angolanas ‘empreenderam um ajuste fiscal considerável, regularizaram volumosos pagamentos internos em atraso, voltaram a acumular reservas internacionais, estabilizaram a taxa de câmbio e reduziram a inflação’. O FMI assinalou ainda que foram adotadas ‘medidas decisivas para reforçar a responsabilização pelos gastos públicos e aumentar a previsibilidade das transferências das receitas petrolíferas’. A estratégia do governo angolano parece ser a de aumentar a produção de petróleo para além do desenvol-

vimento da diversificação da economia. Maximizar os níveis de produção é o objetivo e, nesta senda, aumentar dos atuais 1,0 milhões barris diários para dois milhões dia até 2014. Actualmente, a produção está acima da cota definida pela OPEP que segundo os governantes será revista e aumentada face às necessidades de reconstrução nacional do país.

Maximizar os níveis de produção é o objetivo do governo, i.e., aumentar os atuais 1,0 milhões barris diários para 2 milhões/dia até 2014

FMI adverte para incerteza Não obstante, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou este mês uma advertência no seu “World Economic Outlook”, segundo a qual o preço das matérias-primas pode descer no curto prazo. ‘No curto prazo [os países exportadores] enfrentam uma economia mundial fraca. Se os riscos descendentes para as perspetivas globais se materializarem, os preços das matérias-primas podem cair ainda mais’, concluem os analistas do FMI. Esta perspetiva baseia-se no aumento da eficiência no consumo das matérias-primas pelos utilizadores e da libertação de alguns constrangimentos na oferta. O FMI alerta, também, para a impressibilidade que rodeia a economia mundial. Esta circunstância será agravada no longo prazo. Segundo os analistas do FMI, ‘à luz de uma invulgar elevada incerteza e da dificuldade em projetar perspetivas futuras para os mercados das matérias-primas em tempo real, a melhor opção é ter uma abordagem cautelosa’. Os especialistas recomendam “atualizar o enquadramento das políticas e instituições e criar margens para responder à volatilidade cíclica, enquanto se incorpora de forma gradual a nova informação para suavizar o ajustamento para possíveis preços mais elevados de forma permanente’. O tipo de gestão defendido pelo FMI depende da situação, do tipo de país e do horizonte temporal da variação dos preços. Para os países exportadores de matérias-primas de pequena dimensão, advoga uma política contra cíclica, do tipo poupar nos tempos bons para gastar nos períodos mais difíceis. Esta ‘folga’ permitiria atenuar os efeitos da perda de receita e de dinheiro na economia. Caso os aumentos se venham

a tornar permanentes, o ajuste deve ser feito de forma a não prejudicar a economia. Se os preços ficarem mais altos (significando maiores receitas), os países devem aplicar as receitas em investimento público produtivo e baixar impostos para aumentar a produtividade da economia. Se, pelo contrário, a queda dos preços for permanente, a economia deve cortar nas transferências e subsídios, admitindo os riscos sociais e políticos associados aos cortes nas prestações sociais, por exemplo.

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ECONOMIA&NEGÓCIOS Pesca desce

— O Instituto de Pesca Artesanal (IPA) está a elaborar um relatório técnico sobre os índices de captura de pescado em 2011. De acordo com o seu diretor, Nkosi Luyeye, as primeiras indicações não são positivas. ‘Nota-se uma queda significativa na captura de pescado’, refere. Os dados preliminares revelam que na pesca artesanal ‘as capturas estão a baixar’. Quanto à pesca continental continua-se a registar capturas. Este responsável revelou que o Estado distribuiu 3000 embarcações (canoas motorizadas) pelas comunidades piscatórias das províncias para promover a segurança alimentar. No entanto, Nkosi Luyeye afirma que ‘poucas cooperativas estão a cumprir com esta tarefa’. Quanto à influência da atividade petrolífera na pesca artesanal, o diretor do IPA referiu várias implicações, desde a limitação das áreas de pesca, à poluição provocada pelos derrames do crude. Neste aspeto, Cabinda é um exemplo da forma como a indústria petrolífera causa transtornos às populações que vivem do mar.

Secil Marítima vai ser reabilitada

— O governo vai relançar a Secil Maritima, herdeira da Linhas Marítimas de Angola (Angonave). De acordo com responsáveis da administração ‘a reabilitação daquela empresa tem por objetivo atenuar o custo do transporte marítimo de mercadorias para o país’, considerado elevado quando comparado com os parceiros regionais (Namíbia, África do Sul e Moçambique). O Executivo angolano pretende assegurar uma melhor oferta no transporte marítimo de mercadorias e fazer com que o país dependa menos de operadores estrangeiros, tendo um papel preponderante na distribuição regional de mercadorias por via marítima. Angola firmou-se, em tempos, como um dos países africanos com uma das maiores frotas de navios de longo curso de marinha mercante, com predominância para as companhias Angonave e Secil Marítima.

ZEE de Luanda será cidade empresarial

— A Zona Económica Especial (ZEE) Luanda/ Bengo conta já com 20 unidades de produção em funcionamento. Segundo António Lemos, presidente do conselho de administração, esta zona económica vai transformar-se numa ‘cidade empresarial’, com diversas fábricas e uma oferta de diversos serviços em vários setores. A ZEE entrou em funcionamento em Maio de 2011.

Mais hotéis por menos preço

Economia cresce 9,7%

— A economia angolana deverá crescer 9,7% em 2012, sendo a que mais cresce entre os 18 países da África Subsaariana abrangidos pelas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI). Nas suas projeções económicas de primavera (“Outlook”), o FMI estima que o Produto Interno Bruto (PIB) de Angola cresça 6,8%, em 2013. No ano passado, o crescimento deste índice ficouse nos 3,4%. Após Angola, surgem o Gana (8,8%) e a Costa do Marfim (8,1%).

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— Desde 2008 surgiram em Angola 84 novas unidades hoteleiras, totalizando 4780 quartos. Naquele ano, existiam 61 hotéis e 2822 quartos, números que cresceram para 145 unidades e 7602 quartos atualmente. O turismo é uma das áreas prioritárias do governo, que pretende transformá-lo num catalisador do desenvolvimento socioeconómico do país. Em Luanda, começam a surgir unidades de cinco estrelas e para breve prevê-se a abertura de três novas unidades hoteleiras: o Intercontinental (390 quartos), o Vip (370) e o Diamante (174). O aumento da concorrência vai implicar alterações nos preços que são considerados excessivos. ‘Num hotel de quatro estrelas paga-se como se de cinco estrelas se tratasse’ é um comentário que se ouve regularmente por quem demanda à capital do país. Este aspeto é um forte obstáculo ao desenvolvimento do turismo face a outros destinos que oferecem melhores serviços a preços mais baixos.


CASH-FLOW PROVÍNCIAS

Benguela

Nós-montes investe

Cabinda

Depósitos com problemas — António Serrano, presidente da Associação dos Pequenos e Médios Empresários de Cabinda (APMECA) defende a criação de políticas que levem à instalação nos municípios de agências bancárias sedeadas na cidade. Para este dirigente associativo, a medida minimiza as dificuldades que os empresários e trabalhadores da função pública destas localidades enfrentam quando pretendem depositar e levantar dinheiro. A implantação de agências bancárias nos municípios terá como benefício principal evitar o grande risco que existe no transporte de elevadas quantias monetárias das localidades para a cidade de Cabinda. Bié

Mais emprego

— Novas fábricas vão ser construídas pela Lucas Simão herdeiro, no futuro Pólo Iindustrial da Comuna do Kunje, sete quilómetros a norte do Bié, capital da província. As novas unidades vão dedicar-se à transformação de soja e milho em óleo vegetal, de conservação e enlatar feijão e abacaxi. Os projetos, desenvolvidos em parceria com empresários argentinos, vão permitir numa primeira fase a criação de 60 novos postos de trabalho. A empresa preparou e cultivou de 14 hectares com milho, feijão, soja e abacaxi e pretende avançar para a produção em grande escala.

AGRONEGÓCIO

Bengo

Cabiri quer banco

— ‘O crescimento socioeconómico de Cabiri (Luanda) justifica a existência de uma instituição financeira’, defende a administradora comunal Isabel António Mendes. Segundo esta responsável, existem na localidade, com cerca de quinze mil habitantes, diversas empresas, nomeadamente de exploração de inertes, produtoras de bens alimentar, de prestação de serviços, associações e cooperativas agrícolas que precisam aderir ao crédito de campanha e fazer poupança do seu dinheiro. Razão para ‘a instalação de um banco na circunscrição’. O balcão mais próximo dista 25 quilómetros.

— Cerca de 350 mil dólares foram investidos pela Nós-Monte, uma empresa angolana que comercializa materiais de construção, na abertura de uma loja em Benguela. Com cerca de 450 metros quadrados de exposição visa, segundo os gestores da empresa, colocar à disposição dos clientes materiais de construção oriundos da Europa, sobretudo de Portugal. Os gestores da empresa prevêem criar oportunidades de emprego para pelo menos cinco jovens angolanos. A empresa Nós-Monte foi fundada em 2009 no Huambo, na sequência de um projeto de investimento privado reconhecido e apoiado pela ANIP. Ndalatando

Empresários criam associação

— A Associação dos Empresários do Kwanza Norte foi constituída, em abril, em Ndalatando, o que segundo analistas constitui uma viragem no panorama socioeconómico local e contribuirá para a afirmação do tecido empresarial do Kwanza Norte. Fomentar e desenvolver o empresariado da província, prestar consultoria aos associados na obtenção de recursos financeiros, promover cursos profissionalizantes para a classe, realizar convénios com bancos e governos tendo como fim o benefício e o fortalecimento do empresariado da região são alguns dos objetivos da associação.

Agro-pecuária regulada

Moxico desenvolve agricultura

— Em Sacassange, a 14 quilómetros da cidade do Luena (Moxico), esta a ser implantado um projecto agrícola que contempla uma fábrica de ração para animais, um aviário, matadouro, oficina e loja. As obras estarão concluídas até ao final do ano. Entretanto, na margem do rio Mussimuoji, desenvolve-se um novo projecto de produção de arroz, que vai gerar dez mil toneladas ano. Esta iniciativa vai criar 90 postos de trabalho direitos e 450 indirectos.

— Em 2013, vai surgir um órgão regulador das atividades agropecuárias no âmbito do Programa Integrado de Combate à Fome e à Pobreza. Unidade Reguladora da Produção Agropecuária (URPAP) de seu nome, a nova entidade deverá, entre outras atribuições, fiscalizar e regular as atividades das empresas ligadas ao ramo, a comercialização da produção agropecuária excedentária e a estabilização do mercado em termos de oferta e procura. A gestão da reserva alimentar do Estado, a intervenção em situações de calamidades naturais ou crises alimentares, bem como a gestão de fundos de comercialização e de garantia dos preços mínimos de referência são outras funções do URPAP.

Comerciantes recebem apoios

— Cerca de 325 comerciantes do município da Chibia, 42 quilómetros a sul da cidade do Lubango (Huíla), vão beneficiar do Programa de Promoção do Comércio Rural (PPCR). Este programa permite acesso ao crédito e apoia a reabilitação de estabelecimentos comerciais. Na província da Huíla, o PPCR prevê abranger 45.800 comerciantes.

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CASH-FLOW

ECONOMIA&NEGÓCIOS

Microcrédito

Mais do que a noção de valor — Por Luis Ilhéu, Diretor Executivo da C Capital

Considerado por muitos académicos um “mecanismo sustentável de combate à pobreza, desemprego e exclusão social”, o conceito de microcrédito não se esgota, no entanto, na noção de valor e associa-se a um conjunto de atributos relativos à forma como o crédito é concedido e restituído, à sua finalidade e ao público-alvo. Podemos dizer que o mesmo trata da concessão de empréstimos de baixo valor, normalmente tendo como destinatários pequenos empreendedores informais e microempresas sem acesso ao sistema financeiro tradicional. Pode ainda ser destinado a apoiar a compra de bens duradouros e de primeira necessidade (ex: frigorífico, geleira, tanque, etc) à população de baixa renda, em geral excluída. Desta forma, o seu objetivo é democratizar o acesso ao crédito, fazendo com que a sua disponibilidade para empreendedores de baixa renda os torne capazes de transformá-lo em riqueza para eles próprios e para o país. Facto que faz deste uma parte importante das políticas de desenvolvimento económico. Um conceito que envolve outros aspetos relacionados com o bem-estar de uma nação, como os níveis de educação ou saúde, entre outros indicadores. Este modelo está envolvido na inclusão social por amplas camadas da população, ao permitir que todas as classes sociais tenham acesso ao crédito e alguma chance, por menor que seja, de se inserir no mercado de trabalho, sendo como assalariado ou como independente, melhorando a situação da economia.

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O microcrédito tem sido reconhecido em todo mundo como um instrumento eficaz de combate à pobreza e à exclusão social, na medida em que o crédito não se limita apenas à satisfação das necessidades, mas também atribui dignidade e autoestima aos beneficiários.

Uma das questões que trava o aumento do empreendedorismo é o crédito: a falta de empréstimos diversificados para atingir todo o tipo de clientes, faz com que os empreendedores informais na maioria das vezes procurem ter acesso ao crédito oferecido por agiotas ou obtido via relações pessoais. Existem indivíduos com perspetivas para Os números evidenciam ainda que o bem-estar dos alavancar o crescimento do seu pequeno negócio, agregados familiares dos beneficiários de microcrémas devido às altas taxas de juros cobradas pedito melhora, refletindolos agiotas, e em grande se não só no aumento do parte dos casos o capital rendimento do agregado tomado não ser suficienO microcrédito pode familiar, mas também no aute para cobrir o fundo de mento do número de filhos a maneio necessário ao ser um catalisador para frequentar escola e na satisdesenvolvimento do nefação de necessidades básiacelerar a ação de outros gócio, ocasionam uma cas como a alimentação. significante mortalidade fatores do mercado destes microempreendiO número de negócios inmentos, pois não se confinanceiro, como o formais em Angola é sigseguem sustentar. Essas aumento da bancarização pessoas precisam sonificativo e a capacidade empreendedora é elevada. mente de uma oportunida população angolana A maioria destes negócios dade. Essa oportunidade são efetuados por pessoas pode ser o acesso ao mique ganham a vida a tracrocrédito. balhar por conta própria (negócios muito pequenos, que empregam até cinco pessoas) ou como No caso angolano, o microcrédito pode ainda afiempregados informais desses micros empreendigurar-se não só como uma alavanca para o dementos. Essas pessoas produzem e oferecem uma senvolvimento económico, mas também como ampla variedade de bens e serviços em pequenos um catalisador para acelerar a ação de outros balcões de fundo de quintal e em mercados. Apesar fatores do mercado financeiro, intervindo comdo seu dinamismo e senso de negócio, estes empreplementarmente no aumento da bancarização da endedores perdem oportunidades de crescer com população angolana, pois os beneficiários de misegurança principalmente porque não têm acesso crocrédito têm obrigatoriamente abrir uma cona serviços financeiros adequados. ta bancária.

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Francisco Moraes Sarmento

Integração económica: devagar, devagarinho... A integração de África é uma estratégia chave para o desenvolvimento do continente, afirma um relatório de peritos das Nações Unidas e da União Africana, datado do final de Março. Atualmente, África detém uma posição considerada “frágil” em termos de comércio intra-continental em comparação com outras regiões do mundo. Este comércio representa cerca de 12%.

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Segundo os especialistas, “a integração dos mercados fragmentados de África pode contribuir para atrair os investimentos, em particular os originados pelas economias de escala, para criar uma economia competitiva e mais diversificada”. Para além da criação de mais oportunidades, esperase que a cooperação regional reforce “a integração dos países africanos na economia mundial”. Neste contexto, o reforço da liderança em África, a melhoria do processo de integração regional e continental, a aceleração do investimento nos seus mercados fronteiriços e o reforço do investimento na educação, saúde, agricultura, infraestruturas e inovação, são “essenciais”. Na opinião dos analistas, a taxa de crescimento projetada de 6% para o continente este ano baseia-se em diversas razões: melhor estabilidade macroeconómica e política, contínua expansão dos recursos, crescimento da taxa de consumidores internos, aprofundamento das relações com as economias em rápido crescimento e a crescente apetência para investimentos de longo prazo nos mercados fronteiriços, entre outros fatores. Apesar deste otimismo, a volatilidade dos pre-

ços dos produtos básicos, o desemprego juvenil, a insegurança alimentar e o efeito adverso das alterações climáticas, são aspetos que ameaçam o desenvolvimento dos africanos.

Organizações para todos os gostos Para os especialistas da NU e da UA, a situação será alterada com a maior integração das diferentes economias ao nível das Comunidades Económicas Regionais (CER) e, depois, com a criação da Comunidade Económica Africana (CEA) em 2034. Esta finalidade foi definida pela União Africana através do Tratado de Abuja, em 1994. Um passo intermédio são as CER, num total de oito, que são reconhecidas pela UA. Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Comunidade Económica dos Países da África Central (CEEAC), Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA), União Árabe do Magrebe (UMA), Comunidade da África Oriental (CAO), Comunidade dos Estados do Sahel e do Saara (CEN-SAD) e a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD) são os pilares da in-


OUTSIDE tegração económica segundo a UA. Não obstante, existem outras organizações de integração económica e política, umas já constituídas (por exemplo, a União Aduaneira da África do Sul, UAAA), outras que ainda não saíram do papel (a Comunidade dos Países dos Grandes Lagos é um caso). Depois há ainda a considerar espaços políticos e económicos com o da francofonia e da lusofonia. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que engloba oito estados de vários continentes, está a aprofundar a Cooperação Económica e Empresarial e por vezes é referida uma comunidade económica.

Assimetrias regionais dificultam A proliferação de compromissos regionais, com vários países a pertencerem a diversas organizações, dificultam a integração regional ao nível do continente. Por exemplo, a programação da SDC, assumida em 2000, passada pela criação de uma Zona de Comércio Livre em 2008, uma União Aduaneira no ano passado, um Mercado Comum em 2015 e uma União Monetária em 2018. Este roteiro foi dificultado pelas assimetrias sócio-económicas entre os diversos países e nem mesmo o “modelo de geometria variável” que visava dar tempo aos países membros para se ajustarem e prepararem para inevitável competição advinda do mercado liberalizado, conseguiu os seus objectivos. A União Aduaneira foi adiada “sine-die” em 2010, tornando ainda mais longínquo o estabelecimento da Zona Tripartida de Comércio Livre que seria constituída pela “fusão” entre a CAO, a COMESA e a SADC, reunindo 25 países do continente. Para além da vontade política e de declarações de intenções como se verificou na reunião de Luanda no princípio de Março, os atrasos verificados na implementação da integração económica pode levar à sua “morte precoce”, de acordo com alguns analistas. Os países t~em tendência a consolidar as uniões e os compromissos regionais que integram e assumem e poderão abdicar de aprofundarem e aderirem a estágios mais avançados de integração como é, por exemplo, a união aduaneira”. Os peritos das Nações Unidas e da União Africana reconhecem que o progresso em matéria de integração “não é uniforme”. O novo calendário estabelece a criação de Zonas de Comércio Livre (ZCL) e de Uniões Aduaneiras

até 2017, ano em que será instituída a Zona de Comércio Livre a nível Continental (CFTA). Em 2019, será instituída a União Aduaneira Continental (UAC). Neste momento, a COMESA, CAO, CEEAC, CEDEAO e a SADC desenvolvem diversas iniciativas para “que deverão conduzir à criação das suas uniões aduaneiras”. Destas organizações, a Comunidade da África Oriental é a que toma a dianteira: não só consolidou a união aduaneira em 2005, como o mercado comum entrou em vigor em Junho de 2010. Os “lanternas vermelhas” são o IGAD e a CEN-SAD que sentem “dificuldades em progredir” de acordo com os observadores internacionais. Entretanto, as negociações para a Zona Tripartida foram lançadas em Junho do ano passado, coma adopção de um roteiro para a sua criação. Segundo os analistas, “a iniciativa permitiu galvanizar o interesse dos decisores políticos africanos na criação de uma ZCL continental muito mais alargada”. O aprofundamento das relações entre as diversas organizações do continente africano tem resultados e numerosos memorandos tendente a liberalizar o comércio e a promover a convergência das políticas macroeconómicas.

Principais fases de integração económica

Fases Zona preferencial de comércio também

Primeira fase do processo de integração económica; Livre comércio de bens para alguns conhecida por Acordo produtos. de Complementação Prepara a Zona de Livre Comércio Económica (ACE)

Zona de Livre Comércio

Pressupõe um “acordo de livre comércio” ( ALC), mas não institui uma política comercial comum; Elimina tarifas, quotas e preferências que recaem sobre bens importados e exportados. Estimula o comércio entre os países por meio da especialização, da divisão do trabalho e da vantagem comparativa. Prepara a União Aduaneira União económica

União aduaneira

Pressupõe um acordo comercial; Área de livre comércio com uma tarifa externa e uma política externa comum; Livre circulação de bens e uma tarifa aduaneira comum a todos os membros, válida para importações provenientes de fora da área; Procura aumentar a eficiência económica e estabelecer laços políticos e culturais mais estreitos entre si.

Livre circulação: desigual, lenta e limitada A livre circulação em África tem ainda bastantes engulhos. O processo de desenvolvimento nesta matéria é considerado “desigual e lento”, enquanto a liberalização de serviços continua “limitada” . Não obstante, existem alguns aspectos positivos relacionados com a circulação de pessoas. Na CAO, CEDEAO e COMESA existem acordos de flexibilização do regime de vistos e para a promoção de uma plataforma única de emissão de visto de turismo, assim como de passaportes regionais. Outras organizações também trabalham na harmonização das legislações com impacto no comércio e sector financeiro. Também neste domínio, o exemplo vem da CAO: este ano vai avançar para a união monetária, coma adopção de uma moeda única. Os peritos consideram ainda que é necessária “o rápido estabelecimento das três instituições financeiras continentais, nomeadamente, o Banco Africano de Investimento, o Fundo Monetário Africano e o Banco Central Africano”. Estas entidades são decisivas “para a aceleração do progresso da integração regional de África, particularmente no âmbito financeiro”.

Principais características

Mercado comum É uma união aduaneira com políticas comuns de regulamentação de produtos; Livre circulação de capital, trabalho, bens e serviços entre os membros e nos territórios nacionais; União Económica

É um mercado comum dotado de uma moeda única e um banco central; Consiste na coordenação das políticas económicas dos países membros;

Integração económica regional

Adoção uma moeda comum; Harmonizam políticas fiscais; Transferência de soberania em algumas áreas para o conjunto dos membros, nomeadamente o controle sobre a política económica, por exemplo 2012

29


OUTSIDE

ECONOMIA&NEGÓCIOS Barreiras comerciais são entrave Durante o último decénio, o comércio intra-africano variou em média entre 10 e 12%. Este valor é considerado baixo se atendermos a outras partes do globo: 63% (União Europeia), 50% (países asiáticos),40% (intra-americano) e 22% (América Latina). No entanto, o comércio entre as Comunidades Económicas Regionais (CERs) tem aumentado, assim como se regista uma elevada e crescente concentração de exportações (e produção relacionada) num número limitado de produtos, principalmente produtos de base primários. O comércio intra-africano em produtos manufaturados registou um crescimento de cerca de 43% do total do comércio intra-africano em 2009, o que é consideravelmente acima da quota de 8,3% das exportações de produtos manufaturados das CERs para o resto do mundo. Os peritos notam que “tem havido alguma diversificação, especialmente na região da África Austral e da África do Norte”. Quanto às barreiras tarifárias, a taxa média de proteção do continente é de 8,7%, embora algumas economias africanas sejam muitas heterogéneas neste domínio. Quase um terço dos países africanos, tanto impõem, como enfrentam níveis de proteção que são inferiores à média para o continente, “o que sugere que as tarifas têm estado a registar uma queda ao longo da última década, particularmente no comércio intra-africano de bens de equipamento, produtos intermediários e na totalidade das importações, com exceção dos casos dos direitos aplicáveis a alguns produtos sensíveis”. O comércio intra-africano de produtos agrícolas depara-se com uma taxa maior de proteção do que o dos produtos não agrícolas. Ora, entre 1995 e 2006, África exportou em média cerca de 15 mil milhões de $EU em bens na categoria de géneros alimentícios de base. Segundo os especialistas das Nações Unidas e da União Europeia, embora tenham diminuído as barreiras comerciais, esta tendência ainda “está abaixo do nível necessário para ter um impacto significativo no desenvolvimento e transformação económica do continente”.

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2012

Roteiro da Integração económica

Até 2017

Zonas de Comércio Livre (ZCL) Uniões Aduaneiras (UA)

2017

Zona de Comércio Livre Continental (CFTA).

2019

União Aduaneira Continental (UAC).

2028

Moeda única (Afro)

2034

Comunidade Económica Africana (CEA)

Mais uma união monetária em 2012? A decisão da Comunidade da África Oriental (CAO) em transformar-se numa união monetária este ano, com uma moeda única, é um objetivo ambicioso e, para alguns peritos, de difícil realização. Não obstante, foram dados passos significativos neste domínio. “A região já tem meio caminho andado para a negociação do protocolo e prevê-se que as conversações sobre o processo tenham um ritmo maior em 2012”, afirmam os peritos internacionais. Dos 85 artigos que institui a nova união monetária, 15 já foram aprovados e 24 artigos foram discutidos no final de 2011. Faltam ainda negociar 46 artigos. Para além deste aspeto, é ne-

cessário harmonizar as economias dos cinco países da CAO, iniciativa considerada essencial pelos observadores “para assegurar uma união monetária forte e bem sucedida”. Para os especialistas, “os benefícios de uma moeda única seriam o aumento na concorrência global na região, bem como a estabilização das flutuações da moeda” Atualmente, existem outras duas uniões monetárias: União Económica e Monetária do Oeste Africano (UEMOA) e a Comunidade Económica e Monetária da África Central (CEMAC). Catorze países da região adotaram o chamada Franco CFA (acrónimo de Comunidade Financeira Africana), a maioria dos quais eram antigas colónias francesas:

Camarões, Costa do Marfim, Burkina Faso, Gabão, Benim, Congo, Mali, República Centro-Africana, Togo, Níger, Chade e Senegal. A Guiné-Bissau (país lusófono) e Guiné Equatorial (antiga possessão espanhola). O franco CFA é dividido em duas moedas: o franco CFA central (XAF), e o franco CFA ocidental (XOF). Embora tenham o mesmo valor monetário, o XAF e o XOF “andam de costas voltadas”, não sendo aceites reciprocamente nos países das respetivas uniões monetárias. Para além destas moedas, a União Africana propôs a criação do Afro, uma moeda única a nível continental. Segundo o calendário daquela organização, a nova moeda será instituída pelo Banco Central Africano em 2028.

Organizações africanas

Blocos

Subgrupos

Comunidade dos Estados Sahel-saarianos (CEN-SAD) Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA) Comunidade da África Oriental (em inglês: East African Community - EAC) Comunidade Económica dos Estados da África Central (ECCAS / CEEAC)

Comunidade Económica e Monetária da África Central (CEMAC) Comunidade Económica dos Grandes Lagos (CEGL)

Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO)

União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA) Zona Monetária da África Ocidental (ZMAO)

Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD) Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) União Árabe do Magrebe (UAM)

União Aduaneira da África Austral (UAAA) Comissão do Oceano Indico (COI)


2012

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ECONOMIA&NEGÓCIOS

Francisco Moraes Sarmento

Democratizar proteção de pessoas e atividades ‘É da solidez e da sustentabilidade da segurança financeira que a economia precisa para se desenvolver, sem abrandar o ciclo de investimento e reinvestimento das rendas geradas’, Manuel Vicente, ministro de Estado para a Coordenação Económica

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2012


Banca & Seguros A Associação de Seguros de Angola (ASAN) foi criada em Março com pompa e circunstância num dos melhores hotéis da capital. Das onze empresas do setor, segundo dados do Instituto de Supervisão de Seguros (ISS), oito participam desde já na nova entidade: AAA Seguros, Nossa Seguros, Mundial Seguros, Global Seguros, G.A. Angola Seguros, Garantia Seguros, Universal Seguros e a ENSA- Seguros de Angola, que garantiu a presidência da novel associação. De fora, ficam a Confiança Seguros, a Corporação Angolana de Seguros e a Triunfal Seguros. O objetivo desta entidade é representar e defender os interesses dos seus associados, assim como divulgar as suas posições comuns junto de instituições públicas e privadas, tanto a nível nacional, como internacional. A agremiação pretende contribuir para a modernização e o desenvolvimento do setor segurador e atividades afins, sustentada na qualidade de seguro e na concorrência sã e leal. Para democratizar a possibilidade de proteção, a ASAN vai cooperar com a imprensa no sentido de promover o ambiente favorável ao desenvolvimento do sector.

Mercado vale 800 milhões Segundo as últimas estimativas do ISS, o mercado segurador representa cerca de 800 milhões de dólares e tem uma taxa reduzida na população, muito devido à falta de uma ‘cultura de seguro’. Apenas 0,01 por cento dos angolanos participam neste mercado. Crescer e desenvolver é o mote mais óbvio para todos os agentes. De acordo com documentos do ISS, o setor segurador ‘continua a consolidar o seu dinamismo, refletido no incremento dos principais indicadores de atividade, com destaque para o volume global de prémios de seguro direto’: entre 2008 e 2010, registou-se um crescimento de 108%, percentagem que sobe para 155% se atendermos aos investimentos e para 158% se nos referirmos aos ativos geridos pelas empresas atuantes. Para os técnicos do ISS, estas estatísticas confirmam ‘o aumento da cultura de seguros no país, bem como o dinamismo e sustentabilidade dos seus operadores’. A perspetiva oficial segundo a qual ‘os seguros têm ainda muito espaço de evolução, em função dos atuais níveis das taxas de penetração e densidade, relativamente aos padrões dos países

com situação macroeconómica idêntica’, tem um objetivo: atingir a médio prazo 5% e 1/100 dólares, respetivamente. Quanto aos Fundos de Pensões, é de prever a sua revitalização e alteração da importância relativa no conjunto do PIB, ‘para o que também contribuirá o seu reenquadramento tributário e fiscal, através da criação de uma figura própria e distinta dos demais fundos, que resultará certamente no aumento das respetivas taxas de penetração e densidade’.

Crescer é o mote Crescer e desenvolver é o mote dos operadores. Para além das estatísticas, os seus responsáveis multiplicam-se em análises e declarações de intenções: ‘há um potencial elevado de crescimento e grandes janelas de oportunidade em todos os setores’, sublinha Manuel Gonçalves, dirigente da ASAN. ‘As taxas de penetração de seguros são absolutamente diminutas, quaisquer que sejam as comparações’, adianta. Vontade de crescer não falta, dadas as declarações dos responsáveis políticos, no sentido de fazer crescer o setor segurador, ‘podemos afirmar com bastante confiança que é um setor que vai readquirir o espaço merecido na economia angolana e contribuir para o desenvolvimento da área social do país e da população’, garante Manuel Gonçalves. Para este dirigente, ‘a análise deve ser realizada numa perspetiva macroeconómica, pois permite antever uma evolução significativa dos principais indicadores como a taxa de penetração de seguros, que relaciona os níveis de produção de prémios de seguros com o Produto Interno Bruto (PIB), e a taxa de densidade de seguros, que relaciona a produção de prémios de seguros com a densidade populacional, evidenciando os prémios emitidos per capita’. A expansão do setor é um objetivo governamental. Manuel Vicente, ministro de Estado para a Coordenação Económica, defende que ‘a expansão da transferência e do financiamento dos riscos seguráveis em todas as atividades económicas pode criar novos seguros obrigatórios e o aumento da cultura de gestão de risco de seguros, acompanhado pela diversificação da oferta de produtos desse setor de atividade’. ‘É da solidez e da sustentabilidade da segurança financeira que a economia precisa para se desenvolver

atórios

Vêm aí mais seguros obrig

O mercado segurador vai sofrer novo empurrão institucional com o aparecimento de novos seguros obrigatórios. A promessa é do governo e tornou-se pública pela voz de Manuel Vicente, o ministro de Estado para a Cooperação Económica. A ideia do governo é que o desenvolvimento do setor se relaciona com a expansão da transferência e do financiamento de riscos seguráveis em todas as atividades económicas. ‘Tal fim será alcançado com a criação seletiva de novos seguros obrigatórios, mormente no domínio da agricultura, com o aumento da cultura de gestão de riscos e de seguro e com a diversificação da oferta do serviço’, afirma Manuel Vicente. Atualmente, existem três seguros obrigatórios: o referente aos acidentes de trabalho e doenças profissionais, o de responsabilidade civil automóvel e o de responsabilidade civil de aviação, transportes aéreos, infraestruturas aeronáuticas e serviços auxiliares. Também Fernando Aguiar, diretor do Instituto de Supervisão de Seguros (ISS), veio a terreiro revelar que em breve haverá o seguro de importação. Este responsável assegura que o Executivo ‘está a harmonizar os interesses do Estado e a nova legislação de seguros’. A estratégia visa a política de saída de divisas e proteger a política comercial. ‘Embora a legislação de seguros tenha estabelecidos parâmetros para se efetuar o seguro fora do país, neste momento trabalha-se na compatibilização de interesses do Banco Nacional de Angola e do ministério do Comércio em função da nova legislação sobre os procedimentos administrativos’, refere. Quanto ao seguro agrícola, Fernando Aguiar afirma que neste momento é facultativo: ‘qualquer cidadão ou entidade pode dirigirse a uma seguradora para o efetuar’. Mas adverte: ‘porém, o seguro agrícola implica ter regulado um registo diário de esferas no âmbito da lei das terras e não na legislação de seguros, incluindo a experiência de sinistralidade nos últimos anos para que a seguradora possa fazer a cotação do preço desse seguro’. sem abrandar o ciclo de investimento e reinvestimento das rendas geradas’, refere.

Contexto cultural é obstáculo No entanto, existe o obstáculo cultural que nem sempre é fácil de ultrapassar, tanto mais que é transversal ao mercado potencial. Se por um lado, ‘a qualidade da gestão é um fator determinante para a proteção financeira prometida aos segurados’, na opinião do governante, também Manuel Gonçalves admite que ‘existem muitos fatores adversos ao setor económico” de natureza diversa: institucional, cultural e social. ‘Os baixos níveis de compreensão da importância do setor segurador são indicadores que obstaculizam o desenvolvimento do mercado segurador’, salienta o dirigente associativo. O propósito da

ASAN é colocar o desenvolvimento da cultura de seguros no centro das suas preocupações’, assegura. A nível institucional está prometida a cooperação. A melhoria das relações entre as empresas do ramo e o ISS vai ter uma ‘excelente contribuição’ por parte da ASAN, antevê Carlos Lopes, ministro das Finanças. O governante considera que a nova entidade facilitará a função do ISS ‘como entidade responsável pela regulação e supervisão da atividade seguradora, dos fundos de pensões e respetivas entidades gestoras e da mediação de seguros’. O ministro espera que a ASAN, antecipando-se à ação corretiva da autoridade de regulação, ‘procure, pela via consensual, abolir práticas não equitativas, de concorrência predatória que só serviriam para fragilizar as próprias entidades, comprometendo as suas reservas técnicas e os padrões de eficiência’.

2012

33


Banca & Seguros

ECONOMIA&NEGÓCIOS

‘A fraude é uma realidade’ Entrevista Presidente da A fraude é uma realidade no setor segurador’, afirma Manuel Gonçalves, presidente de direção da Associação de Seguros de Angola (ASAN), à Angola’in. Uma realidade que a nova entidade pretende contrariar através da promoção de ‘uma concorrência cada vez melhor regulada e controlada, que se paute por critérios de igualdade, lealdade e transparência’.

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2012

A ASAN reúne diversas companhias do setor. Neste momento, qual vai ser a sua prioridade? A par do desenvolvimento organizacional interno, pretendemos dar ênfase particular às ações externas. A cooperação com o governo no âmbito do diagnóstico do setor é uma delas. Recentemente foi criada uma comissão, cujas preocupações se relacionam com a regulação e a supervisão do mercado. Existe uma convergência de interesses e objetivos entre a ASAN e o Executivo quanto ao desenvolvimento do mercado e da cultura de seguros no nosso país. Por outro lado, pretendemos promover uma concorrência melhor regulada e controlada, que se paute por critérios de igualdade, lealdade e transparência. É do conhecimento geral que existem muitos atropelos no setor. Como encara a concorrência menos séria? A esse propósito diria que estamos todos - governo, Instituto de Supervisão dos Seguros (ISS) e a ASAN, entre outras entidades, a procurar prestigiar o setor e a fazer prevalecer a ética nas transações. Quanto à questão dos atropelos que refere, saliento que podem verificar-se tanto da parte das empresas, como dos segurados. Efetivamente, a maioria dos casos têm origem nos segurados e na rede de prestadores quando ocorrem sinistros. Aliás, estes problemas ocorrem em qualquer parte do mundo e não só em Angola. Portanto, a fraude é uma realidade. Num ambiente

ASAN

em que temos défice de cultura e ética, é natural que tenhamos alguns pontos críticos, possíveis de ultrapassar. A ASAN pretende influenciar o desenvolvimento do mercado segurador e vamos trabalhar nesse sentido. Como? Por diversas vias, designadamente através da fiscalização efetiva dos seguros obrigatórios que já existem; a criação de novos seguros obrigatórios; a divulgação dos seguros; a promoção da cultura de seguros não apenas junto dos cidadãos e empresas, mas também em relação aos novos players de mercado. Outra vertente, relaciona-se com as instituições administrativas do Estado, na medida em que são layers enquanto fiscalizadores da atividade seguradora. Neste sentido, advogamos a melhoria substancial da supervisão. Por outro lado, parece-me que é importante melhorar a operacionalidade das próprias seguradoras. Quer dizer que as empresas têm que melhorar o seu desempenho. Pode explicitar melhor a ideia? Melhorar a operacionalidade das seguradoras significa eliminar todas as dificuldades externas e internas. O papel da ASAN é concorrer para atenuar as condicionantes externas que possam de alguma forma bloquear ou limitar a operacionalidade das seguradoras. Por exemplo, o caso da banca, que é essencial para a atividade financeira dos seguros do ponto de vista da satisfação, da contratação de seguros e dos interesses dos segurados quando ocorre algum sinistro.

Atualmente, o setor tem doze empresas licenciadas, das quais oito participam na ASAN. Há ainda potencial para aumentar a concorrência? O mercado segurador tem uma concorrência que posso considerar moderada. Trata-se de uma circunstância que é compatível com o atual estágio de uma cultura de seguro incipiente, mas que está a crescer. Temos conhecimento de que existem manifestações de interesse de novos “players” no mercado angolano. Decorreram sensivelmente 11 anos após a liberalização do setor, que aconteceu em 2000, e registamos um ritmo bastante bom para uma taxa de penetração e densidade reduzida. O governo fez diversas promessas para o expandir. Quer comentar? Estou convencido que a política governamental é correta. Há perspetiva de criar mais produtos para situações que implicam altos riscos ou interesses de terceiras pessoas que é preciso proteger. Refere-se frequentemente à publicação de um anuário sobre o setor. Já tem data de publicação? É desejável mostrarmos anualmente um evento para apresentar os indicadores económicos e financeiros da ASAN. Vamos agora começar a trabalhar os dados. Só depois da validação do plano de ação da associação estaremos em condições para apresentar datas.


2012

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ECONOMIA&NEGÓCIOS

Setor Segurador e de Fundos de Pensões

Boa performance —

O comportamento do setor segurador e de fundos de pensões em Angola apresentou um forte crescimento, acima do da própria economia, havendo no entanto uma reduzida taxa de penetração (prémios/PIB), quando comparado com outros mercados. São, por isso, vários os desafios que se colocam aos diferentes intervenientes, desde as companhias e entidades gestoras de fundos de pensões, até no âmbito da regulação. Antevemos que este setor continue a apresentar uma elevada dinâmica, tendo necessariamente que se adaptar aos desafios e às tendências emergentes. — Por Nuno Esteves, Director de Management & Risk Consulting da KPMG

Foi apresentado pela KPMG, no passado mês Abril, em Luanda, o primeiro estudo sobre o Setor Segurador e de Fundos de Pensões. O documento, desenvolvido com o apoio do Instituto de Seguros de Angola (ISS), procurou avaliar o estado atual e as principais tendências e desafios que se colocam a esta importante área da economia angolana. Concluiu-se que, numa economia que apresenta um crescimento sustentado e cada vez mais suportado por setores que não estão ligados diretamente ao petróleo, o setor segurador e de fundos de pensões apresenta uma boa performance, tanto ao nível do crescimento, como dos resultados. Não obstante, o seu peso na economia é ainda reduzido, quando comparado com outros mercados mais maduros, o que demonstra que existem boas oportunidades de desenvolvimento. O ano de 2010 marcou o regresso do

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2012

crescimento da economia angolana, PIB subir desde 2008 face ao petrócom um desenvolvimento sustentaleo, apesar de ainda existir uma eledo baseado não apevada dependência das nas no petróleo, mas receitas derivadas do também numa cres- O setor segurador mesmo. Esta tendêncente diversificação cia deverá manter-se. apresenta níveis setorial. Os preços do Nesse sentido, o crespetróleo voltaram a su- elevados de cimento da economia bir e a economia nacio- crescimento e angolana deverá renal voltou a recuperar rentabilidade, mas sultar num aumento o nível de crescimen- um peso relativo do rendimento médio to, face à (ainda) forna economia ainda disponível e no reforço te contribuição deste de uma classe média, reduzido, quando fatores fundamentais setor para a economia. As estimativas para o comparado com para a consolidação país apontam para um mercados com do setor segurador e crescimento económi- maior nível de de fundos de pensões. co sustentado para os maturidade. próximos anos entre A nível mundial, e após 5% e 10%. dois anos de diminuição do volume de prémios, 2010 fiNa base deste crescimento está o auca marcado por uma recuperação, mento global do preço do petróleo e com uma taxa de crescimento real uma aposta contínua na diversificaglobal de 2,7%, dividido entre 3,2%, ção dos setores de atividade. Setono ramo vida e 2,1%, no ramo não res como a agricultura, construção e vida. A produção manteve-se basserviços viram a sua participação no tante concentrada nos mercados eu-

ropeu e americano, apesar do forte crescimento asiático. No continente africano regista-se uma grande heterogeneidade entre os diversos países, sendo a contribuição global ainda pouco significativa à escala mundial. A verdade é que o mercado segurador nacional tem vindo a crescer e a desenvolver-se de um modo sustentado e acelerado desde a sua liberalização em 2000. O forte desenvolvimento económico dos últimos anos, aliado ao aumento do ambiente regulamentar, levou ao aparecimento de novos players e ao desenvolvimento e atratividade deste setor. Em apenas dois anos, mais

do que duplicaram os prémios de seguro direto, com destaque para não vida (que representa mais de 90% do mercado), nomeadamente

para os ramos acidentes, doença e viagens e o automóvel, este último por via da introdução da obrigatoriedade do seguro de responsabilidade civil automóvel.


Consultório DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DA REDE DE AGÊNCIAS

POPULAÇÃO MÉDIA SERVIDA POR AGÊNCIA

Em termos geográficos CABINDA

observa-se que as empresas seguradoras se encontram agora

UÍGE

num processo de expansão, saindo de Luanda e começando a LUANDA

posicionar-se nas principais

559.000 KWANZA NORTE

cidades do país, em particular nas

MALANGE

BENGUELA

HUAMBO

5

HUAMBO

5

BIÉ

325.000

NAMIBE

HUÍLA

176.000

GA ANGOLA SEGUROS

6 3

CUNENE

1

KUANDO KUBANGO

1

LUNDA NORTE

1

324.000

KUANDO KUBANGO CUNENE

GARANTIA SEGUROS

1

NAMIBE

64.667

GLOBAL SEGUROS

5

MOXICO

202.500

HUÍLA

AAA SEGUROS

2

BENGUELA

439.000 MOXICO

1

MALANGE 192.600

BIÉ

2 15

BENGO

475.000

UNIVERSAL SEGUROS

LUNDA SUL

TAXA DE SINISTRALIDADE

2009

60,0%

2010

54,7%

50,0%

EVOLUÇÃO DO PIB REAL (%)

2 ÍNDIA ÁFRICA DO SUL CHINA

ANGOLA NIGÉRIA BRASIL

25,00% 20,00%

39,7%

36,4%

15,00%

36,8%

30,4%

10,00%

26,0% 21,5%

20,0% 10,0%

1

LUANDA

648.000

A MUNDIAL SEGUROS

30,0%

1

24 0.000

KWANZA SUL

ENSA SEGUROS ANGOLA

40,0%

UÍGE KWANZA NORTE 171.067

LUNDA SUL

NOSSA SEGUROS

1

KWANZA SUL

450.500

LUNDA NORTE

3

ZAIRE

1.252.000

BENGO

diversas capitais de província.

CABINDA

86.667 334.000

ZAIRE

NÚMERO DE AGÊNCIAS POR PROVINCIA

5,1%

5,00%

8,7%

0,00% 2,3%

0,0% ACIDENTES, INCÊNDIOS E ELEMENTOS DOENÇAS E VIAGENS DA NATUREZA

OUTROS DANOS EM COISAS

O ramo vida, apesar do importante crescimento registado nestes últimos dois anos (+27,8%), tem vindo a perder uma importância relativa. Com o crescimento da economia, a revisão do sistema tributário e fiscal e o desenvolvimento do mercado de capitais, é expectável uma inversão desta tendência, principalmente por via dos produtos de natureza financeira. Relativamente à sinistralidade, apesar do aumento de 17,1% das indemnizações pagas, o forte crescimento dos prémios contribuiu para a redução da taxa de sinistralidade, que, em 2010 cerca de 20,0%. Este valor está bastante abaixo de outros mercados e deverá aumentar à medida que existir um melhor conhecimento por parte dos tomadores de seguros dos seus direitos e aumentar a cultura de seguros em Angola. Esta subida, associada ao valor de outras despesas, que repre-

AUTOMÓVEL

TRANSPORTES

-5,00% 2005

2006

2007

2008

(na ordem de 1,0% do PIB) comparasentam cerca de 16% dos prémios, tivamente a outros mercados. Estes deverá implicar uma pressão cresvalores evidenciam o cente sobre os resultaelevado potencial que dos técnicos do setor, o mercado apresenque até à data têm Fundos de ta, sobretudo quando crescido. Pensões em fase estamos perante uma A nível do resseguro, de crescimento, economia com elevaas taxas de cedência mas ainda do potencial de cresregistadas no mercado limitado a um cimento. estão acima de 50%, segmento muito valores ainda bastante No que concerne aos limitado da canais de distribuiacima das médias repopulação ção, o mercado angogistadas noutros merlano caracteriza-se por cados mais maduros. À um elevado peso da medida que as compavenda direta através nhias reforcem as suas dos balcões das companhias. A discompetências de gestão de risco e persão geográfica é ainda reduzida, conhecimento dos fatores de risco, é havendo uma elevada concentração expectável que este valor vá reduzinem Luanda. De uma forma progresdo, alinhando com os valores médios siva, começam a surgir balcões nas registados noutros mercados (que províncias, incluindo balcões prónormalmente estão abaixo de 10%). prios ou utilização de balcões bancários (bancassurance). Apesar desta boa performance, a taxa de penetração (prémios/PIB) apresenta ainda valores reduzidos O ano de 2010 representou mais um

2009

2010

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ano de crescimento para o mercado dos fundos de pensões, com mais fundos, participantes, pensionistas e ativos sob gestão. Nesse ano existiam cinco entidades a gerir fundos de pensões, com maior peso de fundos fechados. As contribuições para os fundos de pensões cresceram 4,0%, em 2009, e 5,9% em 2010. Os ativos sobre gestão voltaram a crescer, em 2010, ascendendo a 41.626 Milhões AOA, o que se traduz num crescimento de 28,7%, face a 2009. No entanto, também nos fundos de pensões, a taxa de penetração no mercado (valor dos fundos/PIB), em 2010, manteve-se relativamente baixa, não ultrapassado os 0,5% do PIB. Esta baixa penetração é confirmada pelo número de participantes, que não ultrapassa os 1% da população ativa. O crescimento da economia, a revisão do sistema tributário e o desenvolvimento do mercado de capitais/bolsa de valores irão influenciar o desenvolvimento deste mercado.

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ECONOMIA&NEGÓCIOS A KPMG é uma rede global de firmas independentes que prestam serviços de auditoria, fiscalidade e consultoria. Está presente em 152 países, com 145 mil profissionais a trabalhar nas firmas membro a nível mundial. O que a diferencia é o esforço e a procura constante para ser melhor, com o objetivo de converter o conhecimento em valor para o benefício dos seus clientes e profissionais e do mercado de capitais. A KPMG foi a primeira firma de auditoria a estruturar-se por linhas de negócio. A organização por linhas de negócio permitiu-lhe desenvolver conhecimentos específicos nos setores em que os seus clientes atuam e proporcionar-lhes assessoria prática nas questões que se lhes colocam. Esta organização é comum a todas as áreas de serviço da empresa e é reforçada pela sua presença geográfica.

Principais desafios que se colocam às companhias de seguros e entidades gestoras de fundos de pensões a atuar no mercado Para captar este potencial de crescimento alguns dos desafios que se colocam ao mercado incluem:

PRINCIPAIS DESAFIOS COMPANHIAS DE SEGUROS

1.

Reforçar o grau de conhecimento dos clientes e desenvolver novos produtos, canais de distribuição e parcerias;

2. Melhorar a eficiência das suas operações e Cobertura dos Sistemas de Informação;

3. Reforçar a formação e melhorar os mecanismos de retenção de talentos;

4. Adequar o modelo de Governo aos novos desafios de mercado e regulamentares (Auditoria, Risco e Compliance).

PRINCIPAIS DESAFIOS ENTIDADES GESTORAS DE FUNDOS DE PENSÕES

1.

Sensibilizar o mercado para uma cultura de poupança e do valor associado à protecção;

2. Diversificar a oferta e melhorar progressivamente os níveis de sofisticação da oferta e de rentabilidade;

3. Reforçar as competências

técnicas e aumentar os níveis de eficiência do Sector.

Microsseguro – O despertar de um novo mercado

Nesta fase inicial de desenvolvimento, o mercado de seguros angolano tem-se caracterizado em geral por uma abordagem pouco diferenciada por segmentos de clientes. Ao nível dos canais de distribuição, apesar das primeiras experiências de venda através do setor bancário, ainda existe um predomínio da venda direta, através dos balcões das companhias. Também o número de mediadores a atuar no mercado é ainda reduzido, fazendo com que este canal tenha comparativamente um peso reduzido no total de vendas. Relativamente à oferta de produtos, a oferta disponível no mercado está maioritariamente ligada a produtos e coberturas obrigatórias, havendo ainda uma reduzida penetração de alguns produtos, nomeadamente relacionados com o ramo vida. Para além do desenvolvimento do ramo vida, principalmente na sua vertente financeira, o desenvolvimento de oferta relacionada com o microsseguro poderá ser um importante fator de desenvolvimento do mercado (ver caixa).

Inserido na esfera da microfinança, o microsseguro é um tema recente e cujo desenvolvimento esteve fortemente ligado ao microcrédito, abordado por diversas vezes ao longo da história, mas globalmente conhecido através do projeto Grameen Bank. O microsseguro visa o desenvolvimento de produtos formais de mitigação de risco para pessoas de baixo rendimento. Apesar da sua recente natureza, o microsseguro desperta hoje um grande interesse à escala mundial. De facto, passámos de um tema envolto em algum cepticismo, para um elemento estratégico de crescimento e posicionamento para importantes entidades Internacionais (p.e. em 2010, oito das primeiras dez seguradoras comerciais da lista Forbes, apresentavam operações de microsseguro). Os últimos anos ficaram marcados por um importante desenvolvimento e implementação do microsseguro. África não foi excepção, estimando-se que existissem no final de 2008, cerca de 14 milhões de pessoas cobertas por microsseguro e um volume de prémios na ordem dos USD 257 milhões . O potencial de crescimento do mercado global é porém surpreendente. Estudos publicados apontam para que 4 biliões de pessoas possam vir a beneficiar do microsseguro - sejam eles através da aquisição directa de produtos de microsseguro ou através da criação de parcerias público privada – e que o mercado possa ascender a USD 40 biliões . O desenvolvimento rentável e sustentável do microsseguro está porém envolto em inúmeros e exigentes desafios de natureza estratégica e operacional. São estes os temas regulamentares e de supervisão, modelos de negócio e canais de distribuição, mecanismos de gestão e partilha de risco, modelos de pricing e comercialização, simplificação processos e coberturas, modelos de cobrança e pagamento, entre outros. O sucesso de uma operação de microsseguro depende fortemente das ideias e soluções encontradas para responder a estas questões chave. Experiências conhecidas e as características únicas deste mercado exigem o desenvolvimento e implementação de soluções estratégias e operacionais inovadoras, diferenciadoras, assentes em modelos de parceria e que transmitam uma elevada confiança ao público-alvo. Em resumo, estamos perante um mercado com elevado potencial de crescimento mas cujo sucesso está dependente das soluções estratégias e operacionais desenvolvidas tendo por base a inovação, diferenciação, modelos de parceria e confiança. Não obstante destes exigentes desafios, o crescimento económico, o desejo de redução da pobreza e de diminuição dos desequilíbrios entre classes e o elevado público-alvo do mercado Angolano são os ingredientes fundamentais para o desenvolvimento e sucesso do microsseguro em Angola.

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Consultório Principais tendências que condicionarão o desenvolvimento do setor de seguros e de fundos de pensões São diversas as tendências que contribuirão para o crescimento deste importante setor, abrangendo o reforço da regulação, um incremento da cultura de seguros, uma progressiva diversificação de canais de distribuição e de produtos, num contexto que se espera de elevado crescimento e crescente concorrência.

PESSOAS E CULTURA Existe uma necessidade de reforço da capacitação em áreas técnicas; Cultura limitada de seguros na população angolana, e a valorização dos princípios da protecção de bens e pessoas ainda não é generalizada; O grau de conhecimento pelos consumidores de produtos de seguros e dos seus direitos e deveres é ainda limitado.

CLIENTES E CANAIS DE VENDA Elevado potencial de crescimento baixa taxa de penetração do sector; Início do processo de expansão para canais de venda complementares como canal bancário; Reduzida integração entre prestadores de serviços e as seguradoras; Reduzido número de agentes, com peso significativo de venda directa.

CRESCIMENTO E CONCORRÊNCIA Crescimento significativo do sector, acima do crescimento médio do PIB; Aumento da concorrência via entrada de novos players; Reduzida penetração e cobertura geográfica; Reduzida complexidade dos produtos.

REGULAMENTAÇÃO Expectável reforço do papel da supervisão; Reforço do controlo directo “onsite”, com o aumento do número de acções de inspecção; Reforço da cooperação com organismos internacionais e entidades relacionadas com o Sector Segurador (BNA, INE, INADEC, mercado de capitais, AMSA, entre outros); Reforço do alinhamento com as melhores práticas internacionais de supervisão.

SETOR SEGURADOR E DE FUNDOS DE PENSÕES A nível regulamentar, prevê-se um reforço progressivo do papel do ISS. O plano estratégico do ISS para o período de 2012 a 2017, prevê: • Reforço do controlo direto “on-site”, com o aumento do número de ações de inspeção; • Reforço da política de seguros obrigatórios; • Monitorização da relação entre preços e custos por forma a salvaguardar os interesses das diversas partes; • Promoção de uma sã competitividade entre operadores; • Promoção de elevados padrões de conduta e eficientes sistemas de gestão de risco e controlo interno; • Garantia do cumprimento dos adequados níveis de solidez pelos operadores; • Desenvolvimento do Fundo de Garantia Automóvel (FGA) e de Regularização de Seguros (FUNSEG);

A nível interno, a melhoria da eficiência dos processos e o reforço de competências de recursos humanos, com prioridade para áreas técnicas, são também um importante desafio para o mercado. Num contexto de rápida expansão, em que por diversas situações algumas seguradoras têm duplicado o volume de prémios em períodos de um a dois anos, o fortalecimento do modelo operativo de suporte ao desenvolvimento do negócio é um fator fundamental como forma de garantir a qualidade do serviço prestado e os níveis de serviços adequados. O crescimento do rácio de despesas, bem como o expectável aumento das taxas de sinistralidade, principalmente por via do desenvolvimento do peso relativo do ramo automóvel no total das carteiras das companhias, deverá implicar por parte das mesmas uma maior preocupação na melhoria dos

níveis de eficiência e na redução dos custos operativos. A revisão do modelo de processos e de operações, deverá ser potenciada por uma revisão do modelo de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). A nível aplicacional, o reforço do grau de automatização de alguns processos em que a intervenção manual é ainda muito significativa é um fator fundamental para melhoria dos níveis de serviço e controlo. O desenvolvimento de sistemas de workflow e gestão documental de suporte a processos como a emissão e gestão de apólices ou gestão de sinistros poderão constituir um importante fator de diferenciação e de qualidade do serviço prestado. Antevemos que este setor continue a apresentar uma elevada dinâmica, tendo necessariamente que se adaptar aos desafios e às tendências emer-

• Implementação da nova tendência de supervisão orientada para o risco; • Fomento da cooperação com organismos internacionais e adesão à IAIS e IOPRS; • Fomento da cooperação com entidades relacionadas com o Setor Segurador (BNA, INE, INADEC, mercado de capitais, AMSA, entre outros); • Integração dos projetos específicos de seguros e fundos de pensões na reforma fiscal e tributária; • Contribuição para o aumento da cultura de seguros e de fundos de pensões; • Projeção da evolução do Setor Segurador.

gentes. Adicionalmente, é expectável o reforço dos mecanismos de governo das companhias, não apenas pela necessidade progressiva de proteção do interesses dos acionistas e tomadores de seguros, mas também por um progressivo grau de alinhamento regulamentar e da supervisão com os mercados de seguros mais desenvolvidos, nomeadamente com os Insurance Core Principles do IAIS. A nível do mercado de fundos de pensões, um dos principais desafios está relacionado com o fortalecimento de uma cultura de proteção a longo prazo e de proteção na velhice. A diversificação da oferta, com uma maior diversidade de fundos abertos, deverá igualmente contribuir para o crescimento do setor. Adicionalmente, com o desenvolvimento do mercado e com o aumento dos ativos sobre gestão, o reforço das competências internas serão também um fator diferenciador.

Em suma, o comportamento do setor segurador e de fundos de pensões em Angola, apresentou um forte crescimento, acima do da própria economia. Apesar deste importante desenvolvimento, o nível de penetração na economia é ainda reduzido, quando comparado com outras economias em que este setor apresenta maior nível de maturidade. A expansão futura passará certamente por um reforço da oferta e do nível de competência e eficiência, apoiado por um enquadramento regulamentar progressivamente mais alinhado com as melhores práticas internacionais, trazendo oportunidades e desafios crescentes para todos os intervenientes do mercado, desde as companhias, até à própria supervisão.

— Está disponível uma versão electrónica do estudo em português e em inglês em: www.kpmg.co.ao

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ECONOMIA&NEGÓCIOS

Francisco Moraes Sarmento

PrimeIT avança —

A PrimeIT, uma consultora tecnologia portuguesa, prevê entrar no mercado angolano este ano. A empresa criada em 2006, está a expandir-se internacionalmente, tendo aberto escritórios em Paris. No ano passado registou uma faturação superior a 10 milhões de dólares.

ZAP em expansão —

A ZAP, operadora de televisão por subscriçãoe distribuída por satélite em Angola, registou um prejuízo de 20,2 milhões em 2011, o que representa um agravamento atendendo ao ano anterior. De acordo com os responsáveis da empresa, esta situação deve-se ‘ao aumento significativo da atividade comercial no final do ano’. ‘ A operadora aumentou a sua base de clientes de uma forma muito significativa no quarto trimestre, levando a um pico nos custos comerciais relacionados com ativações de clientes, totalmente contabilizados neste trimestre, mas cujas receitas correspondentes apenas serão refletidas em períodos futuros’, esclarecem.

A ZAP desenvolveu uma campanha em parceria com a UNITEL, a operadora de telecomunicações líder no mercado angolano, que ‘aumentou a visibilidade da marca’ e gerou ‘forte adesão de clientes’. Por estas circunstâncias, a operação é considerada ‘muito positiva’. Para os gestores da empresa, ‘o mercado tem ainda muito potencial de crescimento’ e a ZAP considera-se bem posicionada para ‘captar uma quota muito significativa’. O crescimento da classe média com apetência e poder de compra para o consumo de serviços de televisão paga é um dos fatores do contexto angolano. Desde que entrou no mercado, a ZAP regista cerca de 18 milhões de euros de prejuízos, tendo a contribuição mais negativa para os resultados líquidos da ZON. Durante o ano passado, a expansão foi uma aposta da empresa, abrindo dez lojas próprias. A rede de comercialização conta ainda com 430 agentes autorizados e 200 vendedores porta a porta. Atualmente a empresa oferece aos seus clientes três pacotes de canais: ‘ZAP Mini’, com cerca de 40 canais, ‘ZAP Max’, com cerca de 90 canais, e ‘ZAP Premium’, com mais de 110 canais (dos quais 12 em HD), a um preço de aproximadamente 15 USD, 30 USD e 60 USD mensais, respetivamente. Em Julho de 2011, a empresa passou a disponibilizar um descodificador simples e em Standard Definition (SD), com um PVP a rondar os 60 USD associado aos pacotes ‘ZAP Max’ e ‘ZAP Mini’, que ‘permitiu iniciar com bastante sucesso a abordagem de uma franja de mercado de menores recursos’. A aposta da ZAP é uma estratégia de diferenciação, baseada em canais de língua portuguesa e da oferta exclusiva de produtos chave. A Liga Portuguesa de Futebol (através do canal SportTV África) e o canal ZAP Novelas (produzido pela ZAP), ‘que se tornou num sucesso claro de audiências no mercado angolano’ são alguns exemplos. A estrutura accionista da ZAP é constituída pela ZON (30%) e a SOCIP (70%), sociedade detida a 100% por Isabel dos Santos, que por sua vez tem uma participação na ZON como única sócia da Kento Holding Limited (10%).

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Cinema em alta —

Outra empresa do grupo português, a ZON Lusomundo Cinemas, responsável pela venda de uma média de 16 milhões de bilhetes ao ano e pela exploração de vários complexos de cinema, está a analisar a sua entrada em Angola. Neste momento estão a ser construídos na capital diversos shoppings que vão dispor de várias salas de cinema, sendo espectável que a ZON venha a responsabilizar-se pela maioria delas. Neste momento, estes equipamentos apenas existem no Belas Shopping e estão a ser geridas por uma empresa brasileira. Outra empresa da operadora portuguesa que está a aproveitar as sinergias geradas pelo mercado angolano, é a ZON Lusomundo Audiovisuais, iniciou em 2011 a venda de conteúdos de TV para o país.


Telecomunicações UNITEL aumenta rentabilidade —

Em 2011, a rentabilidade em cada cartão recarga de 900 kwanzas da UNITEL foi de 506,7 kwanzas. Esta conclusão foi retirada a partir da margem dos resultados antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA, acrónimo em inglês) sobre as receitas da operadora, que atingiram 1,784 milhões de dólares, representando um crescimento de 18,8%, considerando o ano anterior. A EBITDA, que traduz o cash-flow operacional, cresceu 16% em relação a 2010, correspondendo a 1,004 milhões. Outro indicador que melhorou foi o número de clientes: cresceu de 6000 para 7454 milhões, o que representa um aumento de 19,5% em relação a 2010. A UNITEL consolida-se como líder do setor de telecomunicações e continua a ser campeã em termos de rentabilidade.

O mercado angolano caracteriza-se por ser um duopólio partilhado entre a UNITEL e a Movicel. Os dados referentes à UNITEL são obtidos através da Portugal Telecom (PT), sua acionista com 25% do capital em parceria com Isabel dos Santos e a Sonangol, que publica indicadores económicos e financeiros selecionados da operadora angolana no âmbito da prestação de contas a que está obrigada por ser uma empresa cotada na Bolsa de Lisboa. A remuneração da posição acionista da PT na empresa angolana, em 2011, foi de 126 milhões de euros que representa um crescimento de 186,4% face aos 44 milhões de euros que a operadora liderada por Zeinal Bava recebeu no ano anterior (2009).

As principais iniciativas foram a oferta de pacotes de equipamentos e campanhas com tráfego grátis, novos acordos de roaming de dados, oferta de minutos grátis em recargas pré-pagas e o plano especial pré-pago para 10 amigos com 500 sms grátis.

Stake (%)

25,0

Receitas (milhões euros) 1.282 Cresc.to das receitas (%)

18,8

EBITDA (milhões euros)

721

Cresc.to do EBITDA (%)

16,1

Fonte: relatório e contas 2011

INDICADORES UNITEL RECEITAS [MILHARES DE DÓLARES] 2008

EBITDA [MILHARES DE DÓLARES]

1269 1562

2009

CLIENTES [MILHARES] 2008 2009 2010 2011

865

2010

1784

2011

1030

2009

1502

2010

770

2008

1004

2011 MARGEM EBITDA [% RECEITAS]

4572

2008

5700

2009

6000

2010

7454

2011

60,7% 65,9% 57,6% 56,3% Fonte: relatórios e contas da Portugal Telecom 2009, 2010 e 2011

Cabo submarino vai ligar Angola e Brasil —

Cerca de seis mil quilómetros de cabo submarino vão unir Angola e Brasil com ligações entre a capital do país e Fortelaza. O empreendimento, que será lançado em 2014, é uma iniciativa conjunta da Telebras e Angola Cables e enquadra-se na cooperação bilateral entre os dois países. Para além da melhoria da conetividade, a Telebras prevê uma redução de custos na ordem dos 80% entre o continente sul-americano e África, dado que o tráfego deixará de passar pela Europa e Estados Unidos, como acontece hoje. Aristides Safeca, vice-ministro angolano para as Telecomunicações, considera que este cabo submarino é um dos principais projetos desenvolvidos conjuntamente pelos dois países. “Não é apenas estratégico, mas também advém de um desejo muito profundo dos seus povos, que já são unidos pela língua e história comum”, afirma. Os estudos sobre o primeiro cabo submarino que ligará os dois continentes começaram em Novembro de 2011.

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ECONOMIA&NEGÓCIOS

Telecomunicações

Telecomunicações, que futuro? — Por ANTÓNIO GEIRINHAS, CEO MULTITEL

Uma Angola a crescer em todos os setores é uma Angola na procura sistemática de desenvolvimento sustentado, que precisa de infraestruturas básicas sólidas e com cobertura nacional. Energia, transportes, saneamento básico e ambiental e tecnologias de informação e comunicação são essenciais para a sustentação da atividade económica e empresarial do país e críticos para o desenvolvimento social esperado. Embora lá mais para a frente me foque essencialmente nas TIC e sobretudo no setor das telecomunicações, não poderia deixar de integrar numa lógica de convergência, as infraestruturas acima referidas. As energias e transporte são neste momento os maiores condicionadores da estabilidade das infraestruturas produtivas. Os custos de operação adicionais a que obrigam são minimizadores dos níveis de rendibilidade e produtividade das empresas e, portanto, do crescimento da economia no seu todo. É hoje muito usual encontrarmos ceo’s, directores gerais, pca’s de empresas da área das TIC afirmar que não poderão existir bons níveis de serviço em telecomunicações ou tecnologias de informação sem “energia” fiável e com níveis de qualidade que respeitem as normas internacionais. Angola tem feito nos últimos anos um grande esforço de investimento para garantir a existência de infraestruturas básicas de qualidade que permitam um crescimento mais sustentado da atividade económica. Este é um indicador de que no futuro próximo os níveis de serviço, os níveis de rendibilidade e do Produto Interno do país crescerão de forma mais sustentada. No entanto, o facto universal de que os planos energéticos são concretizados no mínimo entre 10 a 15 anos, fará com que a energia continue a ser o principal constrangimento para a qualidade

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e fiabilidade de toda a actividade económica e logicamente das telecomunicações. Dentro deste contexto tem sido notável o crescimento do setor das TIC em Angola. Nas Telecomunicações a forma explosiva como cresceram as empresas de comunicações móveis e como melhoraram o seu desempenho global, tem sido exemplar. Nas empresas especializadas em comunicações para o segmento corporate e empresarial, os níveis de serviço, a capacidade de OMG (Operação, Manutenção e Gestão) e de cumprir SLA’S (Service Level Agreement) melhorou significativamente. Os clientes estão cada vez mais exigentes e ainda bem que assim é. Veja-se por exemplo a grande evolução do setor bancário ou Segurador em Angola e as exigências que essa evolução tem trazido para as empresas representativas das telecomunicações e tecnologias de informação. O

fortíssimo crescimento da rede Multicaixa, dos serviços VISA, a compensação bancária, seguros de saúde, têm como exemplo, obrigado a níveis de qualidade, fiabilidade e redundância superiores. Há ainda um longo caminho a percorrer até à excelência, mas a evolução nos últimos 4 anos aponta claramente para um final feliz. Para que tal possa acontecer torna-se urgente que se termine rapidamente o grande projecto de cobertura de FO (Fibra Óptica) a nível nacional. A existência de um backbone nacional de grande capacidade e fiável é essencial, para não dizer crítico, para todos os intervenientes no setor e para a economia Angolana no seu

todo. Tendo em conta o que foi feito nos últimos 3 anos parece ser aconselhável fazer-se uma consolidação dos investimentos e projectos de FO lançados por mais do que um operador. Quanto à organização do setor das telecomunicações e tendo em conta que estamos na era da convergência de serviços, parece ser muito provável que no médio prazo o mercado esteja a ser dividido por 3 grandes grupos. Partindo do cenário atual em que as empresas de serviços móveis são as referências do mercado, a convergência far-se-á à sua volta. São de esperar nos próximos 2 a 4 anos, aquisições, fusões, joint ventures, para a construção dos tais grandes grupos. A ver vamos…


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ECONOMIA&NEGÓCIOS

Qualificação profissional

Primeiro passo para o sucesso — Por José Carvalho, Partner da Okwin

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), “em resultado da crescente interdependência entre a educação, economia e a prosperidade das nações, a formação de jovens com vista à rápida inserção no mundo do trabalho é um dos grandes desafios para a ação política dos países.”

É universalmente reconhecido que o investimento em formação permite uma melhor inserção profissional e que a empregabilidade está associada à oportunidade e à capacidade dos indivíduos em adquirirem competências, conhecimentos e qualificações. Tendo como base este enquadramento, apontamos algumas pistas sobre como os sistemas de ensino podem beneficiar de algumas práticas internacionais de implementação de sistemas de formação profissional. Os sistemas de formação profissional podem criar novas oportunidades, nomeadamente: i) Aumentando o grau de qualificação, através da dupla

certificação (escolaridade e profissionalizante); ii) Proporcionando a todos os jovens em risco de abandono escolar a integração em vias profissionalizantes que permitam concluir a escolaridade obrigatória; iii) Alargando o ensino profissional através da oferta de cursos tecnológicos, cursos profissionais, cursos de aprendizagem, entre outros; iv) Proporcionando aos jovens que tenham concluído um curso de qualificação a possibilidade de obtenção de uma certificação escolar; v) Reforçando gradualmente a oferta de cursos de especialização tecnológica. Estes sistemas de formação podem ser orientados para jovens mas também para adultos que queiram valorizar as suas competências técnicas e profissionais.

SEGMENTO “ADULTOS”

SEGMENTO “JOVENS”

SISTEMA DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL

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Cursos Profissionais

Esta aprendizagem (geralmente de 3 anos) deve ser organizada em módulos que permitam uma maior flexibilidade ao longo do percurso escolar. Além da aquisição de conhecimentos e de competências que preparam o estudante para o exercício de uma profissão, também são realizados estágios. No final, o aluno conclui a sua escolaridade e obtém uma qualificação profissioanl

Cursos de Aprendizagem

Nesta modalidade, o tempo de formação é repartido entre um centro de formação profissional e uma empresa, de forma a possibilitar que os alunos executem de imediato o que aprendem. Os Cursos de Aprendizagem têm uma duração média de 3 anos, permitem concluir a escolaridade e conferem uma qualificação profissional

Cursos de Ensino Artístico Especializado

As artes visuais e audiovisuais, a dança e a música são os domínios em que se pode escolher um Curso do Ensino Artístico Especializado. Ao longo de 3 anos, os alunos adquirem competências técnicoartísticas e poderão obter, além da conclusão da sua escolaridade, uma qualificação profissioanl

Percursos de qualificação

As empresas valorizam a aprendizagem ao longo da vida, e diferentes contextos (formais, não formais e informais), e reconhecem as competências que forem sendo adquiridas através de cursos profissionais, em empresas privadas ou em centros públicos

Cursos de Educação e Formação Formações modulares certificadas

Conciliam uma formação de base (escolar) com uma componente tecnológica (profissional) que integra um estágio e confere uma dupla certificação (escolar e profissional). Nalgumas situações, o percurso frequentado pode conduzir a uma certificação apenas escolar ou apenas profssional. Estes cursos são indicados para quem necessita de completar a escolaridade e não dispõe de uma experiência profissioanl relevante, ou para quem pretende uma reconversão profissioanl Permitem concluir, ou efectuar, um percurso formativo, de uma forma gradual e flexível, com a possibilidade de o interromper e retomar mais tarde, de acordo com a sua disponibilidade


Francisco Moraes Sarmento

Luena dissemina competências

Até ao final do ano, um centro de formação profissional vai ser construído pelo governo na cidade de Luena (Moxico). ‘Cidadela Jovens de Sucesso’ é o nome da nova instituição, que visa disseminar competências sócio-profissionais entre a camada jovem da população.

Formação Artística em 2013

O Instituto de Formação Artística de Luanda (IFAL) deve começar a funcionar no próximo ano, anunciou a ministra da tutela, Rosa Cruz e Silva. A instituição vai promover a formação em música, teatro, cinema, artes plásticas e dança, para além da formação de formadores. O IFAL também funcionará em regime de internato para possibilitar a integração de estudantes das províncias. A ministra da Cultura revelou que se prevê a criação de uma rede nacional de bibliotecas que integrará instituições públicas e privadas, bem como outras entidades académicas, ação que permitirá a formação de quadros especializados no domínio das ciências documentais.

Sonangol constrói Um centro de formação para o setor marítimo vai nascer na região Quicombo (Kwanza Sul). A abertura está prevista para 2014 e a construção é da responsabilidade da Sonangol.

Emprego & Formação Saúde chega a Huíla

A Escola Técnica-Profissional de Saúde (ETPS) criou três núcleos na província da Huíla (Matala, Caconda e Quilengues), que vão formar cerca de 160 pessoas em enfermagem, análises clínicas e farmácia. David Luís, diretor da instituição, afirma que nos últimos quatro anos se registou um elevado aumento de interessados na formação das áreas de saúde ‘dada a facilidade em entrarem no mercado de trabalho, bem como na progressão dos estudos’. A ETPS começou a funcionar em 2000 e está sedeada na capital do país, tendo formado 3500 profissionais de saúde.

Formação cultural avança no Bié

Aviação certificada

Cinco entidades ministram cursos de formação de pessoal para a aviação civil em Angola. Estas entidades são certificadas pelo Instituto Nacional de Aviação Civil (INAVIC), órgão que tutela o setor. Uma sexta escola aguarda a aprovação deste organismo, refere Mateus Francisco, diretor-adjunto da Direção de Segurança Operacional. Nestas escolas, os alunos recebem formação técnica de manutenção, apoio de cabine e assistência de bordo, segurança e operação de voo, entre outras áreas. Os formandos têm de fazer um exame no INAVIC, cuja aprovação é necessária para desenvolver atividade profissional no setor. Os cursos homologados pelo INAVIC obedecem às normas da Associação Internacional de Aviação Civil (ICAO). Para aquele responsável, ‘a ação formativa tem sido positiva e as escolas têm respeitado os requisitos estipulados nos normativos’. Escolas de aviação › Escola de Formação 14 de Abril (TAAG) e ‘Consulte Aviation’ (Luanda) › AFA › CPAC - Porto Amboim › Centro de instrução “H2 Air” › A APA (Igreja Metodista), aguarda certificação

A primeira pedra do futuro centro de formação cultural de Kunhinga (Bié), que representa um investimento de 94 mil dólares, foi lançada em Março. O edifício vai dispor de um salão destinado a eventos culturais, com a capacidade para 120 pessoas, escritórios e biblioteca de meios informáticos. O centro será entregue no prazo de três meses.

Ensino de formadores A organização não-governamental Cooperação Internacional para o Desenvolvimento Sustentável da República Federal Alemã (GIZ), em parceira com o Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFOP), vai promover diversos cursos destinados a formadores em empreendedorismo dos centros de Cazenga, Kicolo, Viana, Incubadora de Empresas de Luanda e do INEFOP. Estas ações serão monitorizadas por consultoras internacionais. Em resultado da cooperação bilateral está a ser implementado até ao final do ano um ‘programa de formação profissional para o mercado de trabalho’ (FormPro) gerido pelo GIZ, que enquadra as referidas ações formativas.

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ECONOMIA&NEGÓCIOS

Patrícia Alves Tavares

Em 2011, o investimento publicitário em televisão e imprensa rondou os 100 milhões de dólares. Os dados são da Marktest Angola, que vai iniciar este semestre a monitorização da divulgação em rádio. O investimento continua a aumentar, até porque “a base de partida é pequena e é natural que cresça”, mas é inferior ao desejado.

De acordo com Filipa Oliveira, diretora geral, “as telecomunicações, a banca, as bebidas e os operadores de satélite são os setores que mais investem”. São as grandes marcas que mantêm a aposta na publicidade, tal como tem acontecido em anos anteriores. A Angola’in teve acesso às principais conclusões do mercado publicitário relativas ao ano anterior e empresas como a Unitel, Movicel, Zap, Blue, Coca-Cola, BFA, BAI, BIC ou BPC são as mais ativas neste setor. A responsável acrescenta que a maioria dos anunciantes são empresas nacionais e que dezembro se mantém como a época do ano em que existe um pico de investimento na divulgação das marcas e produtos.

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Destaque ainda para a divulgação institucional que tem ganho um peso significativo. “Há meses que a publicidade institucional apresenta um investimento maior do que qualquer outro player”, afiança a diretora geral da Marktest Angola. A proximidade das eleições, que decorrem no final deste ano, pode ser uma das causas deste crescimento. Nesta edição, a Angola’in foi descobrir as razões que tornam a publicidade tão importante na divulgação de um produto ou serviço.

Online é tendência Há dez ou vinte anos, a maioria dos empresários não sabia o que era um site e muito menos conheciam termos como as adwords, o email marketing ou o twitar. Hoje, a Internet é um crescente sugador de publicidade. Muitas marcas já indicam que preferem anunciar na Web, devido ao longo alcance (chega a qualquer parte do mundo), à versatilidade, aos custos reduzidos e à mobilidade. A entrada da comunicação social neste meio também impulsionou o mercado. Com as versões epapper e para telemóveis ou ta-


QUEM MAIS INVESTE EM PUBLICIDADAE? [por setor]

Unitel na frente

— Os dados publicamente avançados pela Marktest em setembro de 2011 indicavam que a Unitel era a marca que mais investiu em publicidade em jornais e revistas naquele mês, tal como tinha acontecido no primeiro semestre desse ano. Nesse período, a banca era o setor mais ativo.

Internet ganha nos EUA

— Os valores de 2011, publicados pela PricewaterhouseCoopers (PwC) e pelo Interactive Advertising Bureau (IAB), revelam que o investimento publicitário na Internet duplicou face a 2011. No ano passado ascendia a 10,9 mil milhões de euros, noticiava o jornal espanhol El Mundo. “O notável rendimento da publicidade digital em 2011 demonstra que cada vez mais os anunciantes apostam na internet para vender as suas marcas”, referiu Randall Rothenberg, conselheiro delegado do IAB.

blets, a imprensa consegue captar novos leitores e a publicidade vai a reboque. O maior número de utilizadores da Internet irá com certeza atrair novos públicos para as marcas, pessoas que procuram alternativas no âmbito do lazer e da informação. Esta é uma das grandes tendências para os próximos anos. Tendo em conta que os especialistas indicam que em 2015, 90% do conteúdo da Internet será em vídeo, é imperativo que as marcas comecem a criar ou atualizar o seu vídeo institucional e coloca-lo nas várias plataformas. Só assim saciará as expectativas dos clientes ávidos de novidades.

MARCAS ID mais conhecida é uma marca, mais venderá e para tal tem que se autopromover, mostrar o seu produto.

Telecomunicações

BANCA

BEBIDAS

OPERADORES DE SATÉLITE

Se perguntar o que a publicidade pode fazer por uma empresa, a resposta é simples: traz saúde a um negócio, contribuindo para a sua colocação no mercado, para a conquista de novos clientes e para um melhor conhecimento da concorrência. É um investimento que se for bem canalizado trará retornos maiores que o valor que foi despendido. E nesse capítulo entram as agências e profissionais desta área, já que o sucesso de uma campanha depende do bom conhecimento do cliente, da escolha dos meios e media adequados e da melhor relação custo x benefício.

Fonte: Marktest Angola, 2011

EMPRESAS QUE MAIS GASTARAM EM IMPRENSA E TELEVISÃO EM 2011

Telecomunicações

Bebidas

Banca

O melhor amigo da marca A publicidade tem o dom de subliminarmente operar transformações na mente do consumidor. Se o grande objetivo de qualquer empresa/ marca é vender os seus produtos ou serviços, dá-lo a conhecer é essencial. E nada melhor que a publicidade e o marketing para cumprir a missão. Quem não investe na divulgação pode correr o risco de cair no esquecimento. Quanto

Manual de sobrevivência São os mais utilizados e considerados os meios mais eficazes para atingir o público-alvo pretendido. Apesar dos novos tempos e da era das tecnologias, existem tradições que continuam a manter-se. A Angola’in revela quais os suportes preferidos pelos anunciantes. Os outdoors continuam no topo dos meios que geram uma maior impacto visual e que conferem grande visibilidade aos produtos publicitados. Afinal é o melhor condutor do potencial cliente até ao ponto de consumo e o mais flexível pois pode ser trocado semanalmente. Impacto semelhante tem o Busdoor, os anúncios colocados no exterior dos autocarros, ou o Taxidoor, que tem o mesmo efeito. Especialistas dizem que são os locais que melhor contribuem para a memorização do produto, ultrapassando até a televisão e tendo um custo menor. Por exemplo, um táxi tem a capacidade de fazer com que, num único dia, 1092 pessoas se lembrem da marca. Os publicitários elegem ainda o Front-light como um suporte a considerar, devido à elevada qualidade de impressão, em que a única diferença do Outdoor consiste na sua total visibilidade, dia e noite. As luzes projetoras possibilitam a criação de colagens sequências e é imprescindível enquanto suporte institucional. Os meios de comunicação social, imprensa, rádio, televisão e online, são por excelência agregadores de massas, visionados por milhares de pessoas diariamente. Aqueles que têm maior audiência são os mais promissores. Com a panóplia de canais e de órgãos que se dedicam à divulgação de informação especializada são bons aliados para chegar a públicos específicos. A aposta crescente nas novas plataformas de comunicação é a principal tendência mundial. No caso nacional, espera-se a continuação do aumento da concorrência e o aparecimento de novas marcas. Estas irão certamente disputar o seu lugar no mercado.

Fonte: Marktest, dados de 2011

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MARCAS ID

ECONOMIA&NEGÓCIOS

Palavra de PCA Quanto vale a palavra do PCA? Tudo? Tudo não. Vale 87%. A reputação de uma empresa está 87% relacionada com a reputação do Presidente do Conselho de Administração, de acordo com estudos da norte-americana Gallup. — Por João Duarte, PCA do Grupo YoungNetwork

Quer com isto dizer que os PCA do país não podem mais ignorar que a comunicação tem um papel central na vida das suas empresas. O que fazem e o que representam tem um impacto direto na forma como as suas organizações são percecionadas. Os PCA têm de se expor, estar preparados, escolher as mensagens, os formatos e os momentos em que comunicam. Precisam de influenciar e persuadir as suas audiências. Em resumo têm que:

1. Abrir a porta. Os PCA quando

começam a falar para o exterior, nomeadamente com os Media, é como se abrissem a porta de suas casas. A partir desse momento, a vida das empresas que lideram torna-se pública. Abrimos a porta para o bem, mas precisamos de estar preparados para o mal. Abrir tem muito mais vantagens, do que manter a porta fechada, mas é preciso estar preparado para as tais situações de crise, que acontecem a todos.

2. Treinar. Para estar preparado é

preciso treinar, e treinar com os melhores profissionais do mercado. O recurso a profissionais pode ajudar quer em situações de Media Training, quer no planeamento que deve preceder toda a comunicação.

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3. Falar. Escolher a mensagem é

fundamental. Ela terá de ser simples e focar-se num único objectivo. A cada momento comunica-se uma e uma só mensagem central. A pergunta que o emissor deve colocar é: o que é que queremos que a audiência retenha da nossa mensagem? É aqui que entram os soundbites, aquelas frases que são ditas ou escritas para ficarem na cabeça das pessoas. Frases curtas, impactantes.

4.

Forma. E qual o formato para fazer chegar a mensagem? Vai ser discurso oral, numa apresentação pública? Ou é um e-mail para toda a empresa? Ou falamos apenas com o Jornal de Angola, e esperamos pelo resultado publicado? Chegará assim por via da notícia, uma das fontes mais credíveis, à nossa audiência?

5. Momento. Escolher os momen-

tos para cada mensagem tem igual relevância face ao treino, à mensagem e à forma. Por que razão as más notícias chegam sempre ao final do dia de sexta-feira? E por que razão devemos dar as boas notícias a conta-gotas e as más todas de uma vez? O momento conta mesmo muito. Felizmente, aqui em Angola, já encontramos vários PCA com a capa-

cidade de utilizar a comunicação como ferramenta aglutinadora e como meio de afirmação das empresas que lideram, tanto dentro do país, como lá fora. Mas sabemos também que, na maioria dos casos, temos um longo caminho a percorrer no que respeita a comunicação e é fundamental munir as empresas de pessoas competentes nesta área, quer internamente, quer através do recurso a consultoras especializadas. Na verdade, a gestão é hoje indissociável da comunicação, e nesse sentido os PCA, em primeiro lugar, mas todos os quadros deverão ter em sua posse competências que lhes permitam fazer chegar, da melhor forma, as mensagens às suas audiências. Palavra de PCA. Na primeira frase, em cima, simplifiquei, a questão da palavra, mas existem muitas outras formas relevantes de comunicar.


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SOCIEDADE

Patrícia Alves Tavares

Incubadora de nova urbe —

Uma das cidades mais populosas de Luanda, Viana é município há 47 anos, tem quase um milhão de habitantes e evidencia-se pelo seu dinamismo económico. A Angola’in foi descobrir como é que a região periférica da capital se adaptou às mudanças operadas pela revolução industrial.

Viana, região privilegiada para o desenvolvimento industrial, é a preferida dos empresários. Próxima da capital, mas distante o suficiente do bulício e onde se respira alguma qualidade de vida, na cidade da província de Luanda as acessibilidades melhoram a cada ano que passa e erguem-se as condições necessárias e propícias à atividade fabril. A criação de Pólos industriais e da Zona Económica Especial capta o foco da imprensa. Contundo, esta pequena cidade da província de Luanda é muito mais que a indústria que procura desenfreadamente um hectare livre para se instalar. É incontestável que a euforia industrial trouxe novos postos de trabalho para os vianenses e desbloqueou um conjunto de obras que há muito eram urgentes. O comércio e os serviços aparecem a reboque e florescem ao longo das zonas fabris. Mas, é no Programa Municipal Integrado de Combate à Pobreza e Desenvolvimento Rural que as expectativas se concentram. O projeto abrange cinco eixos: saneamento e desenvolvimento local; alimentação e cuidados primários de saúde; fortalecimento da agri-

cultura e empreendedorismo; promoção de serviços básicos e acesso ao ensino e mobilização e concertação social.

mais de 500 alunos, na alfabetização de adultos e na edificação da biblioteca municipal, que disponibiliza acesso à Internet.

Erradicar a pobreza

Nova centralidade

O administrador do município, José Moreno, prevê gastar mais de 516 milhões de Kwanzas em obras socioeconómicas, no âmbito do programa de combate à pobreza. No total, ao longo ano, serão implementadas de raiz duas dezenas de programas e outros tantos que visam a manutenção e reparação das infraestruturas existentes. A comuna de Calumbo será a primeira beneficiária do plano de ação, “por ser um local com grandes potencialidades”. Na primeira fase, a requalificação visará a sede da localidade, em que a principal obra será a ampliação do mercado rural, espaço muito procurado pelas populações e agricultores e pescadores locais. Em 2011, mais de 288 milhões de Kwanzas foram aplicados em obras como a reabilitação de centros de saúde, da escola 9004 de Vila Sede, na atribuição de merendas a

Nasceu em finais do ano passado e é um motivo de orgulho para os vianenses. O Ginga Shopping, batizado em homenagem à rainha Ginga, é a primeira grande unidade comercial da região e para muitos a nova “catedral do consumo”. O espaço recebeu um dos maiores investimentos da região, a rondar os 35 milhões de dólares e criou até ao momento cerca de 1500 postos de trabalho. A infraestrutura captou o interesse das principais marcas e empresas nacionais e é uma referência em oferta de serviços financeiros e de retalho, com a Maxi a ter apostado num novo conceito, o Bom Preço. A unidade comercial trouxe novos desafios à região que fechou o ano com balanço positivo, mas com os seus agentes a terem vontade de fazer mais e melhor. José Moreno, administrador de Viana, não esquece que o ano de 2012 será “muito exi-


SABIA QUE gente”, já que se espera um crescimento do município e é necessário que todos os serviços acompanhem as novas necessidades. “O rápido crescimento desordenado das áreas residenciais do município agravado pela ausência de um plano de desenvolvimento municipal” é, na voz do responsável, uma das preocupações mais prementes.

Aposta ambiental A necessidade de informar as pessoas sobre os problemas ambientais motivou o departamento de Planeamento, Estudos e Estatística da Administração de Viana a projetar um centro de educação ambiental. Sem adiantar datas para a inauguração do equipamento que está a ser erguido, a responsável pelo projeto, Ana Pascoal, salientou que a infraestrutura irá apostar na educação ecológica e na sensibilização para o respeito pelo meio ambiente, estando aberta à comunidade e a todos os interessados em informações sobre temas agrícolas e conservação da natureza. O centro está localizado no bairro de Kakila.

Exportadora exemplar Em 2011, as exportações renderam 150 mil dólares. Moçambique é o grande cliente. A “Líder cem por cento” é uma fábrica de detergentes, que começou a laborar em maio de 2010 e já atingiu o maior objetivo com que todos os empresários sonham: a internacionalização. Atualmente emprega 105 pessoas e prevê, para este ano, vender para o país do Índico uma produção avaliada em 1,5 milhões de dólares. Em curso está a possibilidade de firmar contratos com outros países africanos, nomeadamente a República Democrática do Congo. A “Líder cem por cento” tem capacidade para produzir 16 milhões de litros de detergentes e resulta de um investimento de 20 milhões de dólares.

O Clube da Juventude de Viana é o atual campeão nacional de hóquei em patins

Saúde em primeiro

Para os próximos meses, e sem alongar pormenores, vários projetos em carteira deverão avançar, segundo José Moreno, que sustenta que o ano “será próspero em realizações”. A primeira boa nova é o recém-inaugurado Palácio da Justiça, em janeiro, e que já mereceu elogios por parte dos utentes. Com capacidade para realizar três julgamentos diários, o novo tribunal acolhe os serviços de identificação, notário e conservatória. Razões que transformaram o atendimento mais célere. Está ainda em estudo a transferência de algumas secções do Tribunal Provincial de Luanda para o Palácio da Justiça de Viana. A Angola’in descobriu quatro projetos que estão em curso (alguns já finalizados) e que prometem dinamizar a região, especialmente através da criação de emprego

Para o município de Viana contribuir para a erradicação da pólio é uma meta prioritária. Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, é necessário “melhorar o fornecimento de água e garantir um meio ambiente limpo”. Viana já respondeu a este apelo ao criar o Centro de Distribuição de Água (CDA), cuja inauguração está prevista para o primeiro semestre. O CDA tem capacidade para produzir 40 milhões de litros de água por hora. A construção da central no Pólo Industrial de Viana insere-se no Programa de Investimentos Públicos (PIP) e, em conjunto com outras, irá assegurar e reforçar o abastecimento de água nas circunscrições da capital. Os novos centros de distribuição vai melhorar o fornecimento de água potável.

Casino dinamiza cultura Sala de jogo e eventos culturais não terão aparente ligação. Contudo, o mais recente Casino de Angola, que escolheu Viana para se instalar, pretende apostar na promoção dos valores da música nacional. A direção quer valorizar o que se faz em música, teatro e dança e para isso criou um espaço inteiramente dedicado à exibição cultural. A aposta recai em novos talentos que são escolhidos após um casting. O casino de Viana, que se segue aos espaços do Marinha e Tivoli (Luanda) e Olímpia (Lubango), deu emprego a 250 pessoas, todos residentes no município. A decoração é inspirada nos caminhosde-ferro e o piso inferior é dedicado exclusivamente às mesas de jogo. Para além das referidas áreas, o casino tem ainda um restaurante no segundo andar. Custou 3,5 milhões de dólares e é um investimento do grupo Plurijogos.


SOCIEDADE

sabia que...

Trabalho e Indústria, justa medida — Uma é conhecida como motor industrial do país. A outra evidencia-se por

albergar a maior mancha empresarial do norte de Portugal, nomeadamente no calçado. Viana, cidade e município de Luanda, Angola, e S. João da Madeira, em Portugal, partilham 13 anos de história e de relacionamento estreito.

Atualmente, embora as duas regiões não tenham nenhum programa em curso, o município luso mantém-se ligado à congénere angolana através das suas empresas, que detêm elevados índices de exportação e Angola como mercado preferencial. Além das parcerias entre as múltiplas entidades privadas, S. João da Madeira tem know-how e uma larga experiência para transmitir ao empresariado de Viana, que está empenhado em transformar as zonas industriais criadas na cidade em autênticos pólos de produção e de abastecimento do país. Não esquecendo a grande meta, a exportação, Viana mantém a vontade de cooperar com especialistas na área industrial e a geminação com S. João da Madeira poderá ser um dos caminhos mais eficazes. A cidade portuguesa é um exemplo neste âmbito. Também está agregada a dois grandes aglomerados urbanos, pois faz parte do distrito de Aveiro (conhecido pela concentração de empresas tecnológicas) e da Área Metropolitana do Porto (que agrega as maiores cidades do Norte de Portugal e as que mais contribuem para o PIB nacional). Porém, apesar de cidade jovem, conseguiu afirmar-se no plano

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A marca industrial é o principal elo de ligação entre as cidades. Viana tem o maior parque industrial de Luanda. Já S. João da Madeira é reconhecida coUnião de sucesso mo Cidade do Trabalho e Capital do O país estava ainda em confliCalçado. A Angola’in conheto quando se deu a união ceu empresários sanjoade Viana e S. João nenses que mantêm da Madeira. A imvivos estes laços prensa apontae encaram An“Viana tem o maior va Viana como gola como parque industrial uma zona em mercado proque os inmissor. de Luanda. Já S. vestidores João da Madeira é Exportar externos produpodiam ter reconhecida como ção condições Cidade do Trabalho e Jonathan Silde segurança Capital do Calçado” va, designer e meios favode calçado disráveis ao investinguido num contimento. curso internacional, é O grande objetivo da responsável por uma emgeminação foi o estímupresa que, apesar de recente, já exporlo ao relacionamento comercial enta 98% da sua produção. Direcionado tre os agentes económicos dos dois para o segmento médio/ alto, o seu países. Nos últimos anos têm sido os calçado é presença assídua em Anempresários locais que por iniciativa gola, China, Rússia e Estados Unidos própria resolvem dar continuidade ao da América. Parte do sucesso devecompromisso. Com o desenvolvimense a uma promoção “original, unindo to acelerado do país, Angola passou o têxtil e o calçado”. Para este ano, a a ser o cliente preferencial, em parte A. Silva espera faturar 2,5 milhões de devido aos laços históricos e culturais.

nacional, sendo a zona de excelência para o que se faz de melhor na indústria nacional.

A assinatura do protocolo de gemina ção entre

as duas cidades foi um dos pontos altos do programa de comemora ções do

15º anivers ário da eleva ção de S. Joã o da Madeira a cidade .

números...

S. João da Madeira 8 quil ómetros quadrados é a extens ão do

territ ório 21 lugares tem esta cidade 33 empresas de cal çado instaladas no concelho euros e manter a aposta nos mercados emergentes. A capacidade de “reestruturação e reinvenção” do empresariado sanjoanense é o ingrediente do êxito. É o caso da Helsar, que nasceu em 1979 e é uma das melhores empresas portuguesas no fabrico de calçado feminino. Pioneira em sapatos entrançados, tem igualmente em Angola um dos melhores clientes. O país integra o lote dos principais mercados, cuja exportação já vai em 60%. São casos que fazem com que o nome de S. João da Madeira faça eco na capital angolana, que estuda novos setores com potencial exportador. Quanto à geminação, os responsáveis da autarquia lusa garantem que será para dinamizar no futuro, uma vez que as relações de proximidade entre os dois países têm tendência para continuar a evoluir de forma muito positiva.


GUIA DO CIDADÃO Acesso gratuito à Justiça —

Assim que foi implementado no país o órgão - Provedor de Justiça -, cedo se compreendeu a necessidade e a importância da criação do Guia do Cidadão, sobretudo numa fase em que a sua ação se achava circunscrita apenas à capital, privilegiando “prima facie” os respetivos cidadãos em detrimento dos demais que residem nas restantes 17 Províncias (pese embora o disposto no artº 13º, da Lei nº 5/06, de 28 de Abril (Serviços Locais)). — por Paulo Tjipilica, PROVEDOR DE JUSTIÇA

Decorreram seis anos sobre a lei que instituíu o referido órgão, em abril de 2006. Hoje pode dizer-se, sem medo de errar, que foi em boa hora ou num dia de inspiração que a Provedoria de Justiça criou o referido GUIA DO CIDADÃO, cujo balanço é francamente positivo. Com efeito, ele tem sido um instrumento auxiliar eficaz, precioso e imprescindível para a minha atividade, enquanto Provedor de Justiça, especialmente nas deslocações às várias províncias. Por outro lado, tem contribuído sobremaneira para o esclarecimento essencial dos cidadãos que residem nos lugares mais recônditos deste nosso portentoso país que dá pelo nome de Angola.

que existe mais um órgão ao serviço do cidadão. A mais-valia ou se preferirmos as virtualidades do Guia do Cidadão dimanam da forma como foi concebido e implementado: está redigido numa linguagem clara, singela e concisa e está reproduzido em sete das principais línguas nacionais. Além disso, possui uma estrutura prática e pedagógica. Através do Guia, o cidadão fica a saber o seguinte: o que é o Provedor de Justiça e a sua utilidade, através de exemplos práticos; que circunstâncias podem justificar o acesso a ele; quais as suas funções e competências; que en-

tidades ou empresas públicas estão sujeitas à sua atuação; as diversas formas como podem os cidadãos queixar-se ao Provedor de Justiça, onde pontificam o correio eletrónico, a simples carta sem selos, a via telefónica e a participação presencial. Em suma, outra particularidade do Guia do Cidadão reside na gratutitidade do acesso ao Provedor de Justiça, por um lado, e no recurso ao Portal da Provedoria de Justiça, por outro. Esta nova tecnologia tem registado uma grande adesão dos cidadãos, razão pela qual, se têm recebido cada vez mais reclamações dos quatro cantos do país, através desta via.

‘O Guia do Cidadão está redigido numa linguagem clara, singela e concisa e está reproduzido em sete das principais línguas nacionais’

No âmbito do trabalho da Provedoria de Justiça, o referido guia tem facilitado a compreensão da sua utilidade e do seu múnus junto dos cidadãos mais distanciados de Luanda. Estes, por seu turno, têm ficado a saber que a República de Angola criou mais um órgão que podem utilizar e recorrer para a Defesa dos seus Direitos, Liberdades e Garantias. Através das várias brochuras do Guia do Cidadão que tenho levado para os encontros com as várias autoridades provinciais, ressalto o facto de as mesmas serem igualmente distribuídas às autoridades tradicionais que, por sua vez, levam a respetiva mensagem às aldeias mais longínquas dos grandes centros, competindolhes prestar no essencial a ideia de

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UM DIA COM… FREDY COSTA Texto Carla Marques e Manuela Bártolo Fotografia Carlos Rodrigues

Pura adrenalina Chega calmo, sorridente e sem pose de vedeta. O primeiro raciocínio é imediato, e que nos perdoem os leitores do sexo masculino pela intimidade do pensamento, ‘Fredy Costa é sexy, aliás muito sexy ’! A forma como intercala nas fotografias o ‘olhar de menino’ com o de sedutor é digno de uma estrela, que sabe seduzir as câmaras, sem esquecer quem é. O andar (quase) felino a par com o porte atlético conferem-lhe uma aura de mistério, que o seu lado de ator sabe usar em proveito próprio quando lhe pedimos para representar o amigo, o playboy e o gentleman. Três homens com o seu quê de perigo e emoção juntos num ensaio arrebatador, exclusivo Angola’in.

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Quando somos figuras públicas, querendo ou não, influenciamos as pessoas

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UM DIA COM… FREDY COSTA Com uma carreira em ascensão, Fredy Costa é o ‘menino bonito’ de Angola. Jovem, talentoso e carismático, tem conquistado prémios nas áreas da moda e representação. De conversa afável, mas algo reservado, assiste calmamente ao seu percurso com confiança e muita perseverança. Se de início achou estranho todo o sucesso de que foi alvo, hoje entende-o como algo gratificante, apesar de ver constantemente a sua privacidade exposta. Cedo aprendeu a guiar-se pelo seu próprio instinto, certo de que segue sempre os seus valores, enraizados num conceito muito forte de família. Confiante no desenvolvimento da moda angolana, que já atinge patamares internacionais, investe agora no seu desempenho como ator, com o sonho de um dia poder fazer teatro. Aliás, a formação tem sido uma das suas fortes apostas, uma vez que não tem ensino de base na área. A Angola’in passou um dia na sua companhia, em Lisboa. Momentos que agora retrata nas imagens que se seguem.

chapéu paul smith na fasion clinic

Como surgiu a carreira de modelo na sua vida? A carreira de modelo surge imediatamente após a minha participação no primeiro concurso Mister Angola, em 1999. Logo depois do concurso recebi um convite da Diva Marques e da Alexandra Ramalho para ingressar na agência que tinham na altura, a “Glamour”. Durante esses anos passei pelas melhores agências que Angola já teve como a Mangos, Stepmodels, LS Models e, atualmente, faço parte da Hadja Models. Sente que é uma referência para a juventude angolana? Acredito que sim, porque a partir do momento em que nos tornamos pessoas públicas, querendo ou não, acabamos por influenciar um determinado número de pessoas. Passamos a ser uma referência, um espelho para muitos jovens e não só.

Sendo uma referência isso condiciona as suas atitudes? É, de facto, uma grande responsabilidade. E isso pode condicionar eventualmente as minhas atitudes, porque um fã, um admirador ou um seguidor, não aprende apenas o lado positivo do que é ser ídolo. O corpo e a beleza têm uma grande importância na sociedade atual. Acha que muito daquilo que os jovens fazem está ligado a essa procura de beleza e de perfeição?  Com a globalização, muitos jovens angolanos acabaram por “beber” um pouco de outras culturas, hábitos e costumes. No caso do nosso país, consumimos muito do que vem do Brasil e, naturalmente, deixamo-nos influenciar por quase tudo que se faz nesse país. E uma dessas influências  é, sem dúvida, a preocupação com a beleza e o aspeto físico.

Sabia que… A ambição de Fredy Costa passa também por aproveitar a sua forte ligação ao mundo da moda para investir num projeto exclusivo nessa área através do lançamento para breve de uma linha de vestuário. Com o seu nome e um slogan que identifica a sua personalidade – ‘Simplicidade é Tudo’ -, promete conquistar os mais exigentes. A primeira coleção será de underwear e está a ser ultimada por ele em conjunto com Claudia Mittler, Snevi e Flay. A aposta é na qualidade, inovação e criatividade.

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UM DIA COM… FREDY COSTA Tem algum ídolo que procure ter como referência? Na moda tenho como referência o Tyson Beckford. Na TV e cinema os meus ídolos são Denzel Washington, Samuel Jackson, Morgan Freeman e Jason Statham.

O início como ator acabou por não correr muito bem devido ao excesso de timidez

Nas passareles mundiais a beleza africana já começa a ganhar espaço? Graças a Deus já começamos a ver cada vez mais rostos africanos nas grandes passarelas de Nova Iorque, Paris, Milão, etc. Falando um pouco de Angola em particular, temos o caso de grandes referências da moda que se destacaram a nível internacional em menos de um ano que são: Roberta Narciso, Maria Borges, Elsa Baldaia, Sharam Diniz, Mauza Antonio, sem esquecer a atual Miss Universo Leila Lopes.  Quais os seus hobbies nos tempos livres? Não dispenso o ginásio. Uma vez ou outra gosto de ir a festas e discotecas. Mas o que eu adoro mesmo é estar com a minha família toda reunida, ler, jogar basquetebol, futebol, etc. Como ocorreu o salto para a representação? O salto para a representação aconteceu  numa fase em que a TPA decide apostar na teledramaturgia e convida todos os modelos da agência onde eu estava para fazer um tes-

te para atores. Na altura fiz o teste por fazer, porque, no fundo, sempre fui mais virado para o desporto. Aparentemente correu bem, porque fui chamado para um segundo teste uma semana depois. Só que acabei por não o fazer porque não estava mesmo interessado em ser ator... Mesmo assim, alguns dias depois, fui contactado novamente e disseramme que tinha passado no teste e que faria um curso intensivo com dois profissionais do ramo. O curso começou por não correr muito bem, devido ao excesso de timidez. Mas em pouco tempo contornei a situação e fui selecionado para a minissérie “Vidas Ocultas”, que foi gravada logo depois do curso. Gostei da primeira  experiência, ganhei gosto pela arte de representar e não pretendo largar esta área tão cedo. Para que lado balança o seu coração: modelo ou ator? O meu coração é grande, tem lugar para a moda e a TV. Mas à medida que o tempo vai passando, vou-me apaixonando cada vez mais pela arte de representar.   Quais os principais projetos para o futuro? Projetos para o futuro são muitos, mas atualmente estou focado na minha linha de vestuário que irá surgir brevemente no mercado, com o lançamento da linha “Fredy Costa Underwear”.

Vida de sonho(s) O modelo que sonhava ser futebolista ou basquetebolista, confessa que o desporto sempre foi a sua grande paixão. Agora, a vida quis dar-lhe outro desafio - o de ator. Uma profissão que exige de si a cada instante e que iniciou em 2001 quando a TPA decidiu investir mais na ficção nacional. Abriu-se nesse momento um novo caminho. Algo que deixou Fredy relutante, pois inicialmente achava que a televisão não era o seu mundo. Estava enganado. As câmaras adoram-no! Resta-lhe trabalhar. É o que faz desde então, com o objetivo de se aperfeiçoar diariamente. Fez o seu primeiro curso intensivo de atores com dois professores da TV Globo (Brasil), que, confessa, não ter sido fácil pela sua personalidade reservada e tímida. A sua grande superação pessoal iniciava e conquistou-a com a ajuda de pessoas que sempre acreditaram no seu poder de evolução, disciplina e dedicação, características que o distinguem. ‘Vida Ocultas’ foi o seu primeiro trabalho na televisão. Desde então participou em vários projetos, dos quais se destaca Reviravolta, Sede de Viver, Entre o Crime e a Paixão, Doce Pitanga, Voo Direto, Conversas no Quintal e Momentos de Glória. Um trajeto que o obrigou a grandes mudanças, uma vez que o sucesso causado pela sua exposição artística trouxe-lhe maior responsabilidade. Se no início foi difícil e até estranho, hoje vê esse reconhecimento como muito gratificante e motivador para o seu crescimento, cada vez maior, no mundo do espetáculo. Para o futuro, tem a expectativa de novas experiências, que poderão passar pela direção de teatro. Aliás, pisar os palcos e se apresentar perante um público é a meta seguinte, pois acredita que o teatro é o ensino de base para um ator e, por isso, não descarta essa passagem, que, salienta, lhe permitirá melhorar e aperfeiçoar as técnicas de representação que já possui.

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UM DIA COM… FREDY COSTA

Com o tempo, vou-me apaixonando cada vez mais pela arte de representar

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Raio X Lema de vida A vida é curta demais para perdermos tempo com coisas ruins e viva um dia de cada vez Livro que mais o marcou ‘O Poder do Pensamento Positivo’ e ‘As 48 leis do poder’ Tipo de filmes favoritos Comédia, ação e drama Ator e atriz de eleição Denzel Washington, Samuel Jackson, Elisabeth Neto, Camila Pitanga, Angelina Jolie Cantor e cantora que mais aprecia Jay-Z, Anselmo Ralph, Yola Araújo e Celma Ribas. Mas poderia enumerar muitos outros, pois a música é algo que faz parte da minha vida O que mais gosta de fazer Estar com a família, ir ao ginásio, estar com os amigos, ir à praia, a festas, entre outras coisas O que é que o tira do sério Mentira, falta de amor ao próximo e hipocrisia

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Prato preferido Lasanha, canelloni e mufete Peças de roupa que não prescinde calça jeans, t-shirt e sapatilhas

[AGRADECIMENTO ESPECIAL: Circuito do Estoril, Mercedes e Sephora] 2012

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FOTOREPORTAGEM

Texto Patrícia Alves Tavares | Fotografia Tchiyna Matos

“Cantemos a nossa terra”

— Não é à toa que o Governo quer apostar na promoção do turismo nacional. Nesta edição, levantamos a ponta do véu dos tesouros escondidos desta terra mágica, sagrada para os seus habitantes e conhecida além-fronteiras como “vermelha”. É nesse contraste de cores, o vermelho da terra, o azul celestial do céu, a verdura pujante das florestas e as cascatas mais recônditas, que convidamos os nossos leitores a mergulhar, numa inebriante mistura de sentidos. A natureza angolana, as espécies únicas e mundialmente protegidas são apenas algumas das muitas razões para visitar a terra prometida. A avaliar por estas imagens, é fácil adivinhar que a transformação em destino turístico é e será uma aposta ganha!

pôr do sol no mubanga lodge

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FOTOREPORTAGEM

muxima, provĂ­ncia de bengo, angola

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ARQUITETURA&CONSTRUÇÃO

Contra a ocupação anárquica É uma luta constante para atingir um objetivo audaz: organizar e criar mecanismos legais de suporte às empresas e empresários do ramo imobiliário. Branca do Espírito Santo, presidente da Associação dos Profissionais Imobiliários de Angola (APIMA), dá a cara por esta luta. Em entrevista à Angola’in reconhece que o setor se debate com a escassez de crédito e com problemas crónicos como a construção anárquica e a escalada de preços. Porém, confia na estabilização do mercado e que os passos dados na criação de legislação adequada vão normalizar o acesso à habitação.

Qual o papel da APIMA no contexto atual da sociedade? É uma organização sem fins lucrativos que foi fundada em abril de 2008, como resultado do reconhecimento da necessidade de um enquadramento legal e institucional adequado ao exercício da atividade das empresas e profissionais deste ramo. Queremos contribuir para um setor imobiliário organizado, com regras que protejam tanto o prestador de serviços como o seu cliente. Perseguimos vários objetivos, sendo de destacar a defesa dos interesses

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dos promotores, mediadores e gestores imobiliários, o contributo para a emissão das cédulas profissionais para o exercício da atividade, bem como para a melhoria da legislação vigente.

sociações congéneres são algumas das ações. Estamos a preparar a 5ª edição do nosso Fórum, que representa a existência de um espaço de debate de ideias e de identificação dos problemas.

A associação tem procurado dinamizar o setor. Quais as atividades em curso? Realização dos Fóruns APIMA, do Salão imobiliário, elaboração do programa de formação de especialidade e inserção da APIMA nas redes internacionais de as-

Quantos membros tem a APIMA e quais os correntes planos de ação? Temos 36 membros. O plano deste ano inclui a formação dos profissionais do imobiliário, numa parceria com os parceiros da CIMLOP, a divulgação sobre a figura da alienação fiduciária e a elaboração da


Patrícia Alves Tavares

cartilha do consumidor. Por outro lado, pretendemos participar no processo de licenciamento do exercício de mediação imobiliária, lançar a revista APIMA e aumentar o nível de participação dos operadores de mercado na nossa associação. O negócio do imobiliário é atrativo para os empresários? Tanto na área da promoção, como da mediação e da gestão existe um número considerável de operadores. Qual o futuro do setor a breve prazo? Esperamos que aconteça uma regulação deste mercado. O pacote legislativo aprovado no ano anterior demonstra esse intuito. A alteração do modelo do negócio da promoção imobiliária reconhece a necessidade dos promotores consignarem maior fatia de capital próprio na estrutura de financiamento, uma vez que cada vez menos as vendas são feitas em planta e os bancos são mais rigorosos na concessão do crédito. Acreditamos que surgirão no mercado instituições financeiras viradas para o financiamento de projetos e sociedades gestoras de investimentos imobiliários. O aumento de produtos deverá contribuir para um ajustamento de preços que ainda são muito elevados.

“Há necessidade dos promotores consignarem maior fatia de capital próprio na estrutura de financiamento. Cada vez menos as vendas são feitas em planta e os bancos são mais rigorosos na concessão do crédito”

O negócio imobiliário

Quais os principais problemas do setor? São vários. Desde já a inexistência de Planos Diretores, a escassez de terrenos infraestruturados, a demora na aprovação e registo dos projetos, a ausência de instituições financeiras especializadas em financiamento para o setor imobiliário e os preços dos materiais de construção. A isto acrescentaria ainda o facto de os empreiteiros demorarem a entregar as obras, a excessiva burocracia para a regularização jurídica dos imóveis, a falta de incentivo ao mercado de arrendamento, o desrespeito por parte dos habitantes de algumas urbanizações pelos regulamentos, espaços comuns e a privatização dos mesmos pelos moradores. Que análise faz das cidades, nomeadamente de Luanda? Um dos problemas com que a cidade se confronta, no que diz respeito ao ordenamento do território urbano, é a ocupação anárquica dos solos, que em muitos casos, impede a implantação de equipamentos sociais necessários. É preciso um grande esforço de ordenamento, disciplina e cumprimento das normas legais, criando alternativas de assentamento e realojamento das populações. Quanto ao mercado habitacional, nos últimos anos, o mercado conheceu um aumento da oferta pelo setor privado, desajustada da respetiva procura, dado que se focava maioritariamente no segmento alto, com um ritmo de absorção com tendência decrescente. Em relação ao produto médio e médio alto, o desajustamento entre preços, tipologias e áreas está a ser corrigido para corresponder à procura. Regista-se ainda a existência de projetos destinados ao segmento baixo, maioritariamente da responsabilidade do Estado, no âmbito do Plano Habitacional. Embora se aguarde pela implementação da Lei sobre o financiamento à aquisição de habitação. Quanto ao valor dos imóveis, o arrefecimento que a economia conheceu nos dois últimos anos, teve reflexos no mercado imobiliário. Atualmente, os projetos levam muito mais tempo a serem

“O arrefecimento que a economia conheceu nos dois últimos anos, teve reflexos no mercado imobiliário. Os preços aos poucos vão-se ajustando e assistimos a comportamentos diferentes em função das áreas de localização dos imóveis”

absorvidos pelo mercado, já pouco se vende em planta e os clientes são mais seletivos e exigentes. Os preços aos poucos vão-se ajustando e assistimos a comportamentos diferentes em função das áreas de localização dos imóveis. A criação de empreendimentos sociais tem ajudado a resolver as dificuldades de acesso à habitação? Tem. Embora a questão do crédito à habitação continue por resolver. A classe média começa a emergir. O mercado imobiliário está adaptado a este novo público? Os agentes do mercado imobiliário têm que conhecer o seu grupoalvo e definir produtos adaptados. As soluções imobiliárias têm que ter em conta as preferências (apartamento/moradia), a localização, a dimensão e o poder de compra. A maioria opta por arrendar. Na sua opinião, a que se deve essa preferência? Os preços das habitações são muito altos e existe falta de crédito à habitação. A especulação imobiliária ainda é realidade. O que pode ser feito para inverter o cenário? Há que disponibilizar terrenos infraestruturados e aumentar a oferta de habitação.

Fórum APIMA

Estão a preparar o próximo Fórum da APIMA, a decorrer em Junho. Qual será a temática? A alienação fiduciária, o instrumento para alavancar o mercado imobiliário. São o principal elo de ligação entre os profissionais do setor. Quais as maiores preocupações e dificuldades que os empresários enfrentam? Estão diretamente ligadas com os principais problemas do setor, que já referi. Como é o vosso relacionamento com o Governo? A relação é boa. Há abertura para o diálogo e uma clara demonstração disso é a ativa participação das entidades governamentais nos nossos fóruns, bem como a solicitação da nossa opinião para assuntos relevantes, que respeitam à indústria imobiliária. No último Fórum, concluíram que era necessário mudar a lei da propriedade horizontal, criar novos notários conservatórias e reduzir as taxas dos títulos do Banco Central. Essas metas foram alcançadas? São um facto. Em 2011 foram aprovadas as seguintes leis: a do Notariado, das parcerias público – privadas, da mediação imobiliária e a lei que Aprova a Redução para Metade de todos os emolumentos devidos pelo Registo da transmissão onerosa de imóveis, incluindo o Registo da Hipoteca constituída para a aquisição do imóvel transmitido. 2012

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ARQUITETURA&CONSTRUÇÃO Morar num contentor

Um bilião para o Porto de Lobito

— O Governo vai investir 1,2 biliões de dólares na modernização e ampliação do Porto Comercial do Lobito. A execução da obra entrou já na etapa final, estando em curso a pavimentação do espaço, a construção do porto seco (que vai facilitar a descarga das mercadorias contentorizadas) e do terminal para descarga e carga de minérios e que abrange a baía do Lobito. Concluída a empreitada, o espaço passará a ter capacidade para manusear 11 milhões de toneladas por ano e uma média anual de 700 mil contentores de múltiplas mercadorias. Em paralelo, decorre a formação profissional, tecnológica e académica de todos os trabalhadores da empresa, para que estejam aptos a desempenhar as tarefas impostas pelas futuras infraestruturas.

Fábrica da Nestlé em Luanda

— É um investimento de mais de 10 milhões de dólares e deverá estar concluído em setembro deste ano. A Nestlé entra assim no mercado angolano, através da construção de uma fábrica que vai empregar 30 pessoas e será um “centro terminal” para a embalagem e reembalagem de produtos como o leite em pó Nido e o café Nescafé. A instalação de uma unidade de produção na capital do país prende-se com o facto de Angola ser um dos países que mais contribui para o volume de negócios da Nestlé na Região Equatorial Africana (EAR).

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— Pode parecer estranho, mas é a última tendência do mercado nacional e são já muitos os que procuram um contentor para morar. As vantagens são três: a mobilidade, a proteção do meio ambiente e o baixo custo. A ideia partiu de uma empresa nacional que, desde 2006, se dedica ao aproveitamento de contentores cujo destino seria a sucata. A Container Solution dá-lhes nova vida e transformaos em habitação, escritório ou balneário. A reconversão traz múltiplas possibilidades e, segundo os responsáveis, oferecem produtos como bares, cafés, roulottes, restaurantes, portarias, condomínios, entre outros.

Plano diretor de reconversão urbana

— Em agosto, os municípios do Cazenga, Sambizanga e Rangel, em Luanda, vão ter um plano diretor de reconversão urbana. Bento Soito, responsável pelo Gabinete Técnico de Reconversão Urbana do Cazenga e do Sambizanga, prevê que o programa - que teve início em janeiro – esteja “concluído dentro de sete a oito meses para em seguida se dar início à fase de elaboração das infraestruturas e depois ao processo de implantação das mesmas”. Existe ainda um terceiro plano, que respeita à gestão e manutenção das infraestruturas que serão criadas.

Parceria Angola UN-Habitat

— O secretário de Estado do Urbanismo, Joaquim Silvestre, acredita que o país reúne as condições necessárias para receber os especialistas do UN-Habitat e implementar ainda este ano o Memorando de Entendimento. O documento irá possibilitar a assessoria técnica da agência da ONU para Assentamentos Humanos ao programa nacional de gestão e desenvolvimento urbano. O dirigente destaca a importância do auxílio internacional num momento em que está em curso o plano de assentamento e reassentamento dos cidadãos e de requalificação das áreas suburbanas.


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INOVAÇÃO&DESENVOLVIMENTO

Patrícia Alves Tavares

Energia

Quatro anos para novo século Facto número um: a rede de distribuição elétrica nacional é anterior à independência do país, que data de 1975. Facto número dois: uma melhor capacidade de distribuição da eletricidade vai torná-la mais barata e, consequentemente, dinamizar setores-chave da economia. Facto número três: o investimento de 16,5 mil milhões de dólares vai permitir que, dentro de quatro anos, Angola passe a ter um sistema elétrico do século XXI. São as principais conclusões do relatório da Economist Intelligence Unit (EIU), que foram divulgadas recentemente. Caso o programa governamental em curso seja cumprido com sucesso o país poderá ultrapassar a breve prazo um dos seus maiores condicionantes: as falhas na distribuição da energia. A estratégia do Executivo de José Eduardo dos Santos foi lançada há alguns anos, mas só agora começa a produzir efeitos. Em causa, está a expansão da barragem de Capanda, cuja obra termina em julho e vai possibilitar o aumento da capacidade de produção de 45 para 260 megawatts.

Vocação industrial A estratégia energética nacional foca dois pontos essenciais para o acréscimo da produção de eletricidade em 12%. A indústria será o principal alvo do investimento. Por outro lado, a região Norte é a maior beneficiária das medidas propostas pelo ministro das Águas e Energia, João Baptista Borges.

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O estudo da agência internacional acrescenta que uma boa distribuição energética contribuirá para a aquisição de eletricidade a preços competitivos, o que irá refletir-se num maior número de investimentos em setores que requerem gastos avultados de energia, como a agro-indústria, as minas e a indústria. Essa é pelo menos a perceção dos analistas da EIU, que indicam que “os novos planos parecem estar focados fortemente nas áreas definidas pelo Governo para o desenvolvimento industrial (como Viana) e menos nas áreas periféricas das principais cidades”.

12 mil milhões para Norte O intuito é acompanhar o desenvolvimento da indústria e do mercado de construção civil que traz desafios e novas necessidades, em virtude do acréscimo da procura.

Até 2016 a capacidade elétrica nacional vai crescer 12%. Em África, o país é aquele que detém a maior taxa de uso de geradores individuais. Segundo o recente relatório da Economist Intelligence Unit, o investimento governamental de 16,5 mil milhões de dólares vai possibilitar a criação de um sistema elétrico idêntico ao das grandes potências mundiais.

Segundo os analistas internacionais, o país tem a maior taxa uso de geradores individuais a nível do continente. Muitas zonas ainda não têm o acesso regular ao sistema elétrico. Daí o investimento de 16,5 mil milhões de dólares. O valor será aplicado na criação de novas centrais e na reestruturação das existentes, de forma a impulsionar a sua capacidade de produção. Mais de metade do investimento (12 mil milhões de dólares) previsto até 2016 será aplicado no Norte do país,


16,5 mil milhões de dólares

para aumentar a capacidade de produção e distribuição de eletricidade

João Baptista Borges

“Cambambe está a ser financiada por um fundo composto por receitas oriundas da exploração do petróleo”

abrangendo as províncias do Kuanza Norte, Luanda, Bengo, Malanje, Uíge, Kuanza Sul e Zaire.

Barragem de Capanda em julho Lahuca e Caculo Cabassa são alguns dos novos projetos que vão completar a rede elétrica nacional. O Estado quer atingir os cinco mil megawatts para garantir uma distribuição regular em todos os pontos do país. A expansão de Capanda, em Malanje, será das primeiras a contribuir para as melhorias da difusão de eletricidade. Será a primeira infraestrutura submetida a obras de alargamento a ficar concluída. Recorde-se que a unidade tinha sido inaugurada em 2010. Deverá entrar em pleno funcionamento em julho e terá uma capacidade de 260 megawatts.

Cambambe até outubro “O funcionamento em pleno da barragem deverá melhorar o fornecimento de energia à cidade de Luanda e a outras regiões do país”. A barragem

Ministro das Águas e Energia

em causa é a hidroelétrica de Cambambe, no Kuanza Norte, e a afirmação é do administrador da Empresa Nacional de Eletricidade, José Carlos Neves. A infraestrutura deverá entrar em atividade em outubro. Atualmente, a capacidade de produção é de apenas metade do seu potencial, devido às obras de reparação e de modernização que estão a condicionar duas unidades de produção. Após a substituição dos principais equipamentos, a barragem vai estar apta a levar eletricidade à capital e às cidades circundantes. A sua capacidade de produção será alargada para 700 megawatts.

Apesar de Luanda deter 88% do consumo total de energia em todo o país, a distribuição elétrica está ainda longe de satisfazer as necessidades de procura. As constantes falhas de energia devem-se ao subaproveitamento da capacidade produtiva.

A estrutura foi erguida na década de 50 e o seu alargamento arrancou em 2010. A empreitada, que vai erguer uma nova central elétrica e elevar a barragem, está a ser financiada por um fundo que é composto por receitas oriundas da exploração do petróleo. O projeto comporta igualmente a edificação e exploração por parte de entidades privadas de mini-hídricas.

O Governo acredita que com uma capacidade de cinco mil megawatts será possível corresponder às exigências da industrialização e às necessidades dos novos aglomerados habitacionais. O investimento em curso até 2016 vai abranger o setor de forma transversal, desde a produção ao transporte e distribuição da energia elétrica.

A capital é abastecida através de várias centrais térmicas (a maioria com turbinas a gás) que, no seu conjunto, produzem 145 megawatts, apesar de terem capacidade para transmitir 350 megawatts. Tal está relacionado com o facto da central do Cazenga apenas ser usada para cobrir os picos de consume e falhas de distribuição.

“A tarefa é difícil, mas eu desejo-lhe muita coragem”. Foi com estas palavras que José Eduardo dos Santos, presidente da República, empossou João Baptista Borges em dezembro último. O responsável considerou na ocasião que “as perdas de energia produzida são muito grandes, o sistema de distribuição e venda de energia aos consumidores não é eficiente” e lançou o desafio a João Baptista Borges, que substituiu Emanuela Lopes. Formado em Engenharia Eletrotécnica, João Batista Borges, 47 anos, foi secretário de Estado da Energia e chegou a desempenhar o cargo de presidente do conselho de administração da Empresa de Distribuição de Energia de Luanda (EDEL).

12.000 MILHÕES de dólares a investir até 2012

88%

do consumo de energia do país está na capital

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centrais elétricas não são suficientes para satisfazer as necessidades

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INOVAÇÃO&DESENVOLVIMENTO

National Geographic no Lobito

INOVJA para revolucionar eletrónica

— Custa cerca de 53 milhões de dólares e vai criar uma nova realidade no mercado de produtos eletrónicos e de eletrodomésticos. O projeto “INOVJA, Electrónica de Angola, Lda” foi aprovado pelo Conselho de Ministros e será aplicado na província de Luanda. O plano visa diminuir a dependência do país em relação à importação deste tipo de artigos, já que se trata de um mercado que ainda tem uma fraca produção interna e depende largamente do exterior.para gerar energia para o sul do país e regiões da SADC.

— São 220 excursionistas e todos têm em comum um forte interesse pela realidade dos países africanos. O navio do National Geographic Explore esteve em várias cidades do país, durante o mês de abril. A bordo da embarcação viajaram turistas e 20 cientistas ligados às várias áreas do saber, que visitaram as cidades do Lobito, de Benguela e de Luanda. A excursão tem como mote a exploração da realidade de 15 países da costa ocidental africana, pelo que vai percorrer diversas regiões em 37 dias. Aproveitaram ainda para conhecer os projetos socioeconómicos das regiões turísticas da Restinga e da Praia Morena, em Benguela.

Mulheres na investigação

Crescimento Inclusivo

— A ministra da Ciência e Tecnologia e Ensino Superior, Cândida Teixeira, participou no “Fórum Africano sobre a Ciência, Tecnologia e Inovação para o Emprego dos Jovens, Desenvolvimento do Capital Humano e do Crescimento Inclusivo”, em Nairobi, no Quénia. A presença nacional teve como objetivo a troca de experiências com os seus homólogos, a delineação de estratégias que facilitem o desenvolvimento deste setor e o crescimento inclusivo de cada Estado. À margem do encontro a responsável disse que “é preciso que cada país promova a investigação científica e a tecnologia, criando modelos e situações que permitam reverter alguns problemas que tenham a ver com as mudanças climáticas e segurança alimentar”. Angola apresentou os mais recentes avanços no setor da ciência e tecnologia. 72

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— O Governo está empenhado em envolver as mulheres na investigação científica. Para tal, está a desenvolver estratégias e políticas que aproximem as cidadãs da ciência, tecnologia e inovação, onde a sua participação é ainda pouco visível. A Política Nacional de Ciência e Tecnologia e Inovação compreende um objetivo específico que implementa o acesso equitativo da mulher à atividade científica, através da atribuição de prémios e incentivos que promovam a excelência e inspirem as angolanas a enveredar por uma carreira científica regional, nacional ou até internacional.

Legis-PALOP alargada a Timor-Leste

— Reforçar a sustentabilidade do sistema judiciário dos PALOP (Países de Língua Oficial Portuguesa), apostar na sua manutenção e atualização, bem como alarga-lo a Timor-Leste foram as principais ações que estiveram em debate no encontro anual das Unidades Técnicas Operacionais e de Gestão da Base de Dados Jurídica Oficial dos PALOP, que decorreu em Lisboa, Portugal. Os representantes dos ministérios da Justiça e especialistas na área do Direito fizeram o balanço do programa de implementação da base de dados denominada de Legis-PALOP, financiada pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED) e pelo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD). Neste momento, o mecanismo dispõe de um crescente número de utilizadores e é referenciado nos sites institucionais dos diferentes países. A base de dados jurídica oficial é atualizada diariamente por equipas multidisciplinares, onde se incluem juristas dos Estados-membros.


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DESPORTO

Luís Freitas Lobo

GPS

KICK-OFF GRANDE ÁREA····························· 76

Raízes Africanas

Conheça os atletas que personificam o chamado ‘Futebol de Segunda Geração’, cujo apelo das raízes está a contribuir para o seu regresso a terras africanas, após anos nos relvados europeus

Insight············································80

Paixão genuína

A criatividade impera no solo africano. Histórias de crianças que improvisam relvados e se empenham na escola, tudo para que um dia possam alcançar o sonho do grande palco

ENTRE-LINHAS····························· 82

‘Um Jogo de Egos’

Europa e África. Um abismo separa as duas realidades. É um mundo de contrastes que pode explicar o brilho de estrelas como Drogba ou Eto’o, quando deixam o seu clube para vestir a camisola da seleção

FORA DE JOGO··························· 85

“In Vitro”

Nesta edição, a Angola’in foi descobrir como se forma um grande “exército de futebol”. A seleção africana mais forte da atualidade, a Costa do Marfim, está em análise, bem como a academia de futebol congeminada pelo treinador francês, Jean-Marc Guillou.

Cruzamento······························ 86

Entrevista a Alexandre Mestre

Angola e Portugal estudam o alargamento do atual protocolo de cooperação no âmbito do desporto e analisam a possibilidade dos clubes lusos acolherem os atletas nacionais que irão aos Jogos Olímpicos

Bloco de Notas······················ 88

Minuto a Minuto

Conheça as novidades das modalidades. O último mês ficou marcado pelas mudanças em várias direções provinciais.

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Doumbia “fábrica de golos” Quando começou a marcar golos nos relvados europeus, no discreto futebol suíço, pelo Young Boys, longe das grandes Ligas, poucos reparam nele. Bastava ver, porém, um jogo seu, a qualidade de movimentos, velocidade, remate e instinto de baliza, para se perceber que Seydou Doumbia, predador da Costa do Marfim, não era mais um nº9 a marcar golos apenas numa época por acaso. Saltou para a Rússia e, no CSKA, continuou a facturar na Liga Russa, onde é o melhor marcador (23 de golos e continua a marcar…), dotes confirmados na Champions (mais 5). Outro goleador dos frios relvados russos é outro africano: Lecina Traoré, também da Costa do Marfim, do Kuban Krasnodar. Mas a estrela a seguir é mesmo Doumbia, mais uma «fábrica de golos» marfinense, destinada a brilhar em clubes cada vez maiores.

Msakni Mozart da Tunisia O futebol é uma arte. Mais do que um desporto, fugindo à linear lógica atlética, consagra a inteligência e agilidade. Msakni é um dos melhores exemplos africanos desse conceito artístico de futebol. Ele é o Mozart do futebol tunisino. Cada jogada sua é uma «pintura de bom futebol». Com apenas 21 anos, é um jogador empolgante, falso avançado ou médio, destaca-se no Esperance Tunes e, claro, na selecção da Tunísia, mas todo este seu talento, serpenteado com dribles, merece, em breve, explodir nas melhores Ligas europeias. Mutas vezes pode parecer mais um simples malabarista com bola. Simples ilusão. Msakni tem qualidade que nasce da inteligência de jogo e da qualidade técnica. A bola é o ponto de união ente estes dois pontos do futebol do «Mozart dos relvados da Tunísia».


ALABA NIGÉRIA AUSTRIA MUNIQUE As suas raízes paternais estão na Nigéria, mas já cresceu na Áustria, (de pai nigeriano e mãe filipina). Uma mescla genética que originou, futebolisticamente, um dos mais promissores laterais-esquerdos do futebol mundial dos próximos tempos. David Alaba, tem apenas 19 anos, já joga na seleção da…Áustria e fixou-se na Alemanha desde os 16, quando o Bayern Munique o descobriu no FK Áustria. Depois de andar pela equipa B, onde jogava muitas vezes como médio-ala, ganhou um lugar de titular na primeira equipa e até parece que cresceu fisicamente. Se calhar até cresceu mesmo… Ainda está em idade para isso, assim como o seu futebol. Ao princípio parecia algo ingénuo e hesitante. Agora parte para cada jogada, a defender e a atacar, como se já soubesse tudo. Conserva sempre, porém, o lado sedutor e rebelde. Robusto e rebelde. Tem tudo para se tornar no melhor do Mundo na sua posição.

Gouamené “rei dos elefantes” Depois de longos anos em busca de treinadores europeus que, quase com um «toque de midas», transformassem em poucos meses (saltando um trabalho que até poderia durar anos…) o futebol da selecção de um país inteiro, a Costa do Marfim decidiu agora apostar num técnico marfinense. A razão pode ter sido por não ter encontrado um candidato estrangeiro consensual, mas as consequência é que Alain Gouamené irá tomar conta da selecção dos «elefantes» a partir desta época, com o objectivo de a levar à CAN 2013 e ao Mundial 2014. Se irá lá chegar, logo veremos, mas desta opção inicial, fica o registo de ver um africano, natural do seu pais, pegar na sua selecção., Uma opção que, acredito, (respeitando, naturalmente, os critérios de competência) devia ser repetida mais vezes. É a responsabilidade de Gouamené.

Mandanda “África a voar” É, muito provavelmente, o melhor guarda-redes africano da actualidade. O Marselha foi longe na Champions e o prestígio de Steve Mandanda encontra, cada vez mais, o palco ideal para emergir nos relvados europeus, onde chegou desde muito novo, iniciando a carreira aos 16 anos, no Le Havre. Na origem, Kinshasa, capital do antigo Zaire, e a eterna marca de um talento congolês das redes, mas já naturalizado francês, a selecção que representou desde os Sub-19 até à principal, na qual só não conquistou a titularidade absoluta porque apareceu Lloris. Aos 27 anos, Mandanda está no auge da sua vocação voadora entre os postes. Mais discreto do que habitualmente são os guarda-redes da África negra, Mandanda tem os traços de formação europeia cruzados com as suas raízes congolesas. Faz de cada baliza o seu ‘castelo’.

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DESPORTO

Luís Freitas Lobo

GRANDE ÁREA

Raízes africanas

A segunda geração

Antes de jogar, viver. Os ventos da história, cruzando destinos de muitas nações africanas, muitas delas com um património sociocultural ainda muito frágil, produto de décadas infinitas de ditames colonialistas, confundiram, em muitos momentos essa relação entre a vida e o futebol. Durante longos anos, muitos partiram, rumo a outras paragens, em busca de vidas melhores. O futebol africano personificado nesses jogadores desterrados, cresceu então noutros locais, muito distante das suas origens. Com o passar dos anos e o chegar da idade adulta, o apelo das raízes e os contornos de cada carreira futebolística, fizeram emergir, então, a imagem da nação de origem. A FIFA ficou sensível a isso. E abriu a porta a muitos regressos futebolísticos. Eles personificam o chamado ‘futebol africano de segunda geração’. Criado longe das suas origens, já na europa dos relvados e não da áfrica dos baldios de terra. Estórias de vida e de futebol onde entram figuras como Kanouté, os irmãos Ayew, Nando Rafael, Bodipo, Chamakh, Demba Ba, Moussa Sow e Aubameyang, entre muitos outros.

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Todos nós procuramos as nossas raízes. Na vida, no futebol, também. Nas fronteiras do tempo, emoldurada pelos ditames colonialistas, África viveu sempre confundida nessa busca. O futebol africano só a partir das últimas décadas do século XX passou verdadeiramente a ter voz própria, com a eclosão das independências. A bola passou a rolar com uma nova bandeira, ainda estilisticamente indefinida, mas orgulhosa e independente. Hoje, os tempos trouxeram novos contornos para essa busca pelas raízes. Em diferentes sentidos. Levados pelas suas famílias, aventureiros à procura de vida melhor, muitos talentos de diferentes paragens africanas, cresceram nesses países de adoção (os culturalmente mais próximos da nação que perpetuou a marca colonial deixada) que, em muitos casos, já os viram nascer mesmo. A paixão pelo futebol formouse nos centros de formação europeus. Antes de jogar, viver. Foi o que sucedeu com Frédéric Kanouté, estrela do Mali, que, filho de mãe francesa e pai maliano, já nasceu na Velha Gália. Nessa linha de vida futebolística, quando o seu talento despontou, acabou, naturalmente, a jogar pela seleção francesa de sub-21. O Mali, nessa altura, ficava mesmo muito longe. Geograficamente e na cabeça. É aquilo que se define como emigrante de ‘segunda geração’. Tem as origens no sangue. Tem outro território na vida. É difícil falar nessas alturas em coração. Muitos futebolistas são confrontados com este dilema em idade demasiado nova. Por qual seleção jogar, que país representar? O das suas origens familiares ou aquele onde

já nasceram? Nessa altura, nessa opção entram vários fatores a ponderar. Uns mais emocionais, outros mais profissionais. O grande craque vai sempre para a seleção mais forte, a europeia, claro. O outro, ponderando realisticamente onde terá mais hipóteses de jogar, opta pela seleção mais à medida ao seu valor. Nem sempre, porém, este regresso às raízes é assim tão pragmático. Atendendo ao tal drama de escolha tão precoce, a FIFA deu recentemente (em 2004) a possibilidade desses internacionais apenas por escalões jovens, repensarem novamente qual seleção querem representar e jogar agora na idade sénior. As três condições estão no artº15: possuir dupla nacionalidade no momento da primeira internacionalização, ter optado por essa outra seleção antes dos 21 anos e nunca ter jogado pela seleção A desse anterior país. É um regulamento que visa sobretudo aqueles que jogaram nas seleções jovens dos países que os acolheram desde muito novos, e que, muitas vezes, após brilharem nos sub-17 ou sub-19, desaparecem nos seniores. Um dos países onde este artº15 tem grande aplicação é, claro, em França, onde são inúmeros, nos centros de formação, os garçons africanos chamados às jovens seleções francesas.

O trilho de Kanouté e Nando Rafael Noutro tempo de vida, futebolisticamente numa ‘segunda existência’, com maior perspetiva da vida e da carreira, Kanouté pôde então escolher o Mali. Passado este ‘tempo legal de nova escolha’, a abertura dessa segunda geração poder jogar pelos seus ‘países de sangue’ sente-se cada vez mais. Há casos mais evidentes, no número e influência, desses produtos de segunda geração, na relação entre onde nasceram e suas raízes familiares de sangue. A Argélia, com muitos jogadores crescidos ou formados em França, é um bom exemplo. O seu maior fenómeno, porém, foi uma estrela de outras dimensões e acabou por jogar pela seleção francesa que levaria, quase sozinho, ao título Europeu e Mundial: Zidane (Yadiz, o seu nome argelino de baptismo). Tanto a Argélia como o Mali fazem parte dessa chamada África francófona. O mesmo sucede com o Gabão que surge agora no mapa internacional futebolístico muito através de um jogador, Pierre Aubameyang, que nasceu e cresceu em Laval, e foi detetado muito novo pelos olheiros do Milan, com o qual tem contrato, apesar de andar agora emprestado ao St.Etienne. Na hora de escolher a sua seleção profissional, logo aos 19

anos, rumou às raízes do Gabão onde, com o estilo penteado moicano, espécie de ‘Neymar de África’, é visto quase como um novo herói nacional. O Gabão foi, talvez, a seleção africana que mais evoluiu competitivamente nos últimos anos. Pelos vários pontos do mapa de África, escondem-se muitas histórias semelhantes de aventureiros de ‘segunda geração’. Em Marrocos, fenómeno na região norte, são também muitos os casos (Kharja, El Arabi, Benatia, Chamakh). Na Alemanha, a dinastia-Boateng que regressou ao Gana, com Kevin Prince Boateng como guia espiritual. O caso ganês mais emblemático é, porém, um caso que atravessa uma história de família. Abedi Pelé, estrela do Marselha dos anos 90, e os seus filhos que, então, nasceram em terras gaulesas e por lá sempre ficaram até hoje, seguindo as pegadas de talento paternal, tornaram-se duas figuras do clube da chamada ‘cidade francesa do futebol’. André Ayew e Jordan Ayew são ‘territorialmente franceses’ mas, quando se tocou na emoção futebolística, decidiram responder às raízes do Ghana. A herança de Pelé está assegurada. No Senegal, duas das maiores «setas ofensivas» da nova selecção, uma das maiores potências do futebol africano actual, também cresceram na formação francesa como segunda geração emigrante: o perna-longa Demba Ba e a serpente goleadora Moussa Sow.

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DESPORTO

Os ‘galáticos’ da Guiné Equatorial

E em Angola, há o caso de Nando Rafael, quase uma encruzilhada de vida. Saiu do país muito novo, oito anos, depois de, na altura, ter visto os seus pais morrerem vítimas da guerra civil. Viveu na Holanda, esteve nas escolinhas do Ajax mas depois não obteve a licença de trabalho para ficar a jogar futebol profissional no país das tulipas. Foi então que rumou à Alemanha. Com 18 anos estreava-se na primeira equipa do Hertha Berlim e, pouco depois, em 2005, cativados pelo seu estilo felino de ponta-delança, já jogava na selecção alemã sub-21. Demorou pouco tempo, no entanto, a perceber o seu verdadeiro lugar na dimensão do futebol germânico e ao abrigo da nova lei procurou regressar futebolisticamente a Angola. O seu caso anda pelos corredores da FIFA. Já fez dois particulares pelo ‘onze palanca’, um deles o recente jogo contra o Sporting, mas o seu caso, ainda em debate com diferentes opiniões, é hoje um dos exemplos de como vidas cruzadas podem confundir as nossas próprias raízes.

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Outro caso recente de contornos fascinantes de uma seleção (e país) renascido à imagem de jogadores regressados de segunda geração é a Guiné Equatorial. A história do renascimento emergiu com mais força em 2003. O mais espetacular neste caso é como jogadores quase anónimos em Espanha, a jogar em divisões secundárias, ou até nas profundezas do futebol regional, se tornaram heróis de dimensão internacional na ‘seleção das raízes’. A última CAN, jogada no Gabão e Guiné Equatorial, foi o palco perfeito para esses ‘mundos paralelos’ se confrontarem. A Guiné Equatorial foi um território espanhol até 1968. Em 2003, trinta e cinco anos depois da independência, por fim, muitos filhos da terra, já nascidos em Espanha, regressaram, pela primeira vez, às suas origens, para jogar pela seleção dos seus pais. No total, foram onze jogadores com dupla nacionalidade espanhola e guineense a serem recebidos como heróis, num ambiente de loucura, com um trôpe-

go autocarro balançando, mal podendo andar, submerso por uma multidão em delírio, muitos deles pendurados no tejadilho da viatura só para ver de perto os rostos daquele sonho futebolístico, onde estavam os craques vindos das entranhas fútbol espanhol: Rondo (Elche) Cuyami (Palencia) Berila (Benidorm) Gregorio (Almeria) Zarandona (Caravanca) Chupe (Real Madrid B) e, como grande estrela: Bodipo, goleador do Santander que nunca antes tinha visitado o seu país. Foi recebido pelo presidente, desfilou pela capital Bata, atiraram-lhe flores como a um Rei, e, pela primeira vez, conheceu a avó, muito doente, numa pobre casita dos arredores. Depois foi o jogo, frente ao Togo, num terreno inacreditável, com terra revolta, e balneários que eram barracos. Seis horas antes do início, as torpes bancadas estavam repletas, com as pessoas, em delírio, umas em cima das outras. Ganhou o onze de Bodipo: 1-0, golo de penalty. Nas bancadas, no campo e nas ruas, o espanhol mistura-se com o budi ou o combe, dialetos locais. É,

em suma, o futebol em estado puro. Galáticos de África. Olhando a seleção atual, que agora dispõe de um novo Estádio com óptimas condições para jogar, um jogador simboliza na perfeição esse choque de mundos: David Kily Alvarez, marcou o soberbo golo com um remate de fora da área ao minuto 93 que colocou a Guiné Equatorial (pela qual passou a jogar em 2006) nos quartos-final batendo o poderoso Senegal. Antes praticamente ninguém ouvira falar dele. Kily, 28 anos, lateral discreto, nascido em Avelés, jogara antes em clubes espanhóis como Orihuela, Oviedo, Novelda, Marino de Luanco e, atualmente, no UP Langreo, da III Divisão espanhola. Face aos inúmeros jogadores nestas condições, esta fase de transição poderá continuar durante mais anos, sendo o território francês, eterna atração de aventureiros desterrados, o principal símbolo deste fenómeno sócio-cultural que desenha o novo ‘futebol africano de segunda geração’.


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DESPORTO INSIGHT

O sonho comanda a vida —

— Treinar arduamente e nunca abandonar os estudos são as lições mais ouvidas pelos jovens que lutam pelo sonho do futebol nos centros de formação dos grandes clubes europeus. Para quem pouco ou nada tem, esses ensinamentos são preciosos. O empenho escolar é total, mesmo que tenham que percorrer dezenas de quilómetros para ouvir as lições do professor. As condições desportivas podem não ser as melhores. Mas nem isso abala a convicção destes jovens, que acreditam que com esforço irão alcançar o estrelato e pisar o palco das suas estrelas. Pode não existir um estádio, um relvado ou até uma baliza. Nada que abale a força de vontade destas crianças. Criatividade e improviso resolvem todos os problemas. Afinal, o sonho comanda a vida!

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DESPORTO

Luís Freitas Lobo

FORA DE JOGO Laboratório-Costa do Marfim

Futebol africano “in vitro”

— Como se construiu a mais forte selecção africana da actualidade. O grande «exército de futebol» da Costa do Marfim. Geração espontânea ou fabrico laboratorial? Uma história que nasce das profundezas de África, congeminada por um missionário treinador francês, JeanMarc Guillou, criador, em 1993, de uma Academia de Futebol em Abidjan, capital da Costa do Marfim. Foi o berço que embalou o talento futebolístico de muitas das estrelas marfinense que hoje brilham nas grandes Ligas europeias. De Eboué, Koné, os irmãos TouRé, Yayá e Kolo, Dindane e muitos outros é o futebol africano “in vitro”. Um laboratório de craques que é um espelho e exemplo para muitos outros países africanos, sobretudo da África negra, onde projectos deste tipo podem ser a »porta secreta» para potenciar muitos talentos escondidos em terrenos baldios a correr descalços. Uma história de «natureza futebolística fabricada».

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É vista pela maioria dos estudiosos do futebol internacional como a mais forte selecção africana da actualidade: Costa do Marfim. É um país, como toda a África, devoto do futebol, mas até este século a sua maior coroa de glória fora a conquista da Taça de África em 1992. Hoje é um infinito viveiro de grandes estrelas, como Dider Drogba. Todo o país venera-o como um Deus da bola, mas, apesar do entusiasmo que rodeia a sua imagem, ele não é o espelho mais fiel da origem deste sucesso internacional futebol da Costa do Marfim. Drogba já cresceu em França, desde quando, com mais de 10 anos, o seu tio Michael Goba, antigo jogador radicado na Velha Gália, convenceu os pais do jovem Drogba para que o deixassem ir viver com ele e começar a jogar nas escolinhas de formação do Levallois. Por trás deste fenómeno da actual selecção da Costa do Marfim, com

vette. A sua grande vocação, porém, estava no futebol-formação, descobrir e lapidar talentos. Foi isso que o atraiu para a Costa do Marfim, onde chegou em 1993 para fundar uma Academia de futebol, sediada em Abidjan, com a intenção de descobrir e formar jovens talentos. Para isso, criou desde as bases uma estrutura com relvados, centros médicos, treinos e casa de acolhimento. Um projecto meramente futebolístico tornou-se também num projecto humano. O primeiro passo foi organizar jornadas de captação. Nelas surgiam meninos africanos, descalços, de 12-14 anos, saídos das ruas ou dos baldios de terra onde corriam atrás de bolas de trapos, carregados de sonhos e com um talento em bruto fascinante. Há quem defenda mesmo que nos primeiros doistrês anos, devem mesmo treinar descalços, o ideal para aperfeiçoar os gestos técnicos. Uma

jogadores formados até à idade sénior em terras marfinenses, esconde-se antes um projecto quase «laboratorial» inventado por um missionário do futebol, o francês Jean Marc Guillou.

teoria que faz lembrar o velho treinador brasileiro Telê Santana que um dia disse nenhuma chuteira no mundo ter conseguido reproduzir a mesma intimidade revelada entre a bola e um pé descalço. Só aos 14-15, eles começam a calçar as chuteiras, altura em que o trabalho táctico e físico ganha outra dimensão.

Foi um razoável jogador nos anos 70. Depois, treinou Neuchatel Xamax, Cannes, Mulhouse e Ser-

Beveren «Litlle Costa do Marfim» Para financiar o seu projecto, que foi crescendo no tempo, Guilou, homem de negócios, teve, na hora do arranque, o apoio do AS Monaco e assinou pouco depois um protocolo de cooperação com o ASEC Mimosas, historicamente o grande clube da Costa do Marfim, passando a utilizar também as instalações de Sol Béni, propriedade do ASEC. Ao fim de três anos, a Academia começou a formar os seus primeiros filhos futebolísticos. Assim, em 1999, com a sua cada vez maior influência no país, Guillou tornou-se ele próprio treinador do ASEC Mimosas, formando um onze sénior já com vários jogadores saídos da sua Academia. Quando essa equipa, de quem ao principio os velhos directores do clube desconfiaram, venceu o Esperance da Tunisia por 3-1 e conquistou a Supertaça Africana, todos passaram a querer fazer parte do projecto de Gullou. O que parecia ser maior apoio, rapidamente, porém, tornou-se em acesas discussões, quando começaram a surgir propostas europeias, cada vez maiores, para compra de alguns talentos saídos da Academia. Foi então que Guillou rescindiu, em 2000, o protocolo com o ASEC, abandonou Sol Béni e regressou aos terrenos de origem que sempre conservou em Abidjan e rebaptizou a Academia com o seu próprio nome. Mas, claro que nos horizontes de Guillou, quando iniciou este projecto, também estava o retorno financeiro do investimento em tantos talentos. Era, portanto, necessário criar uma ponte sólida entre todos estes «talentos fabricados» e a Europa, onde

o dinheiro corre no relvado ao lado da bola. Depois de muitas discussões sobre dinheiros com empresários, surgiu o apelo de um histórico clube belga, o Beveren, então a agonizar numa grave crise financeira. Era o ideal. Guillou decide então investir e estabelece um protocolo de cinco anos com o clube para qual traria quatro jogadores da sua Academia todos os anos, passando também a ser uma espécie de manager geral supervisor para todo o futebol do clube. Época após época, foram chegando jogadores da Academia ao Beveren, ao ponto de no jogo inaugural da Liga belga de 2004/05, o Beveren alinhou de inicio com onze jogadores da Costa do Marfim (no ano anterior disputara a Final com 10, sendo o único intruso o lituano Stefanovs, emprestado pelo Arsenal de Wenger, amigo pessoal de Guillou). Entre eles, já estavam muitos que em breve iriam entrar na selecção: Seydou, Boubacar, Mahan, Eboué, Péhé, Romaric, Diawara, Marc Né, Mohamed Diallo, Abdoulaye Jr, Seka, Topka, Sanogo e Kaiper. Não se tratou, no entanto, de um processo fácil. De início, os adeptos recusaram a ideia e, por toda a Bélgica, a equipa era recebida com o público adversário atirando-lhes bananas e imitando gritos de macacos. Insensível a tudo isso, em campo, a equipa jogava um futebol agradável, técnico e ofensivo, que contrastava com os fechados esquemas belgas. O clube estabilizou a meio da tabela e, ao mesmo tempo, o Beveren também criava o seu próprio centro de formação em conjugação com a Academia de Abidjan. 2012

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DESPORTO

Kalou, Koné, Romaric, os irmãos Touré… Aos poucos, os grandes clubes começaram a reparar nos talentos marfinenses de Guillou. Um dos primeiros foi o Arsenal, treinador por Wenger, amigo pessoal de Guillou, que em 2002 contratou Touré, Né e Eboué, despertando a atenção de muitos outros clubes para o que se estava a passar na Costa do Marfim. Hoje, o jogador mais conhecido que saiu da Academia para a Europa é Yaya Touré mas, naqueles tempos de afirmação do sonho de Guillou o grande símbolo internacional foi Aruna Dindane, avançado do Anderlecht. Para quem acompanhou todo o processo desde o inicio, é impossível ver hoje Eboué, os irmão Touré, Klo e Yayá, Dindane,

Romaric, Koné e muitos outros sem recordar aqueles primeiros tempos em que, ainda meninos magros, descalços e franzino, começou a dar os primeiros pontapés na bola nos campos de Guillou, que, ainda hoje, é para eles como um «segundo pai». Muitos confessam que, mesmo já estrelas internacionais, continuavam a telefonarlhe, pedindo conselhos antes de decidir fazer qualquer coisa na sua carreira. Mas, claro que nem todos triunfaram ao mais alto nível. Foi o que sucedeu, por exemplo, Yaya Igor Lolo, que foi com Yaya Touré para a Ucrânia, para Donetsk.

Até essa data a Costa do Marfim nunca estivera sequer na Fase Final de um Mundial. O grande marco explosão deu-se em 2006. O novo e mais fascinante viveiro de talentos do moderno futebol africano chegava ao Mundial. Meite, Zokora, Kalou, os irmãos Touré, Ettien, Drogba, Kalou, Arouna Koné, Romaric, Dindane, Bakari Koné e muitos, muitos outros... É a geração de ouro do futebol da Costa do Marfim. Na base, o «sonhoprojecto» de Guillou. Tal como outras antigas colónias francesas, mantendo a sua ligação com a cultura francófona, a Costa do Marfim continua a ser orientada, ciclicamente, por treinadores gauleses. Depois de Robert

Nouzaret, foi o trota-mundos Henri Michel a pegar na selecção no seu primeiro Mundial. Um treinador, no entanto, demasiado defensivo para a categoria dos avançado o dispor da Costa do Marfim. Talvez influenciado elo facto o sector mais fraco da equipa ser claramente a defesa, opta por posturas demasiado conservadoras que condicionaram a equipa nos jogos decisivos. Hoje, essa tendência está ultrapassada e a selecção da Costa do Marfim vive noutra galáxia dentro do contexto africano. O grande problema agora é motivar essas grandes estrelas que brilham nas grandes Liga europeias para, quando regressam para jogar na selecção, continuaram com a mesma motivação e atitude competitiva.

Abidjan. Quem sabe, pois, se daqui a alguns anos, também não teremos, em qualquer ponto da Europa, uma equipa composta maioritariamente por jovens talentos de Madagascar. São as novas babilónias que o futebol moderno, naturais ou fabricadas. Ness admirável novo mundo, o projecto de Guillou na Costa do Marfim e, sobretu-

do, os frutos futebolísticos que deu, pode ser, no entanto, um excelente espelho e exemplo a seguir por outras paragens africanas, sobretudo a hipnotizante e fascinante áfrica negra das fintas e malabarismos com bola, que, com imensos talentos desse tipo, não encontram depois condições estruturais de os potenciar.

Novas aventuras Sempre em busca de novas aventuras e grandes «negócios de futebol», o missionário Guillou partiu entretanto com outros projectos africanos na mente. Depois da Argélia e Tailândia, onde também criou centros de formação, supremo desafio em Madagascar, outro país de expressão francófona, com cerca de um milhão de

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habitantes, plantado na África Central insular, onde, em 2004, lançou outra Academia, a NyAntsika Jean-Marc Guillou, situada em Antsirabé, no centro do país, em ligação com a capital Tananarive, com um staff de formadores franceses permanentemente a trabalharem com miúdos de 13-15 anos, aplicando os mesmos princípios de


Seleções: “um jogo de egos” ENTRE-LINHAS

— Entre os fantásticos relvados e estádios europeus, em Inglaterra ou Espanha, e os campos de relva queimada e terra revolta do Stade de l`Amitie, em Cotonou, no Benin, ou Complexe Barthélemy Boganda, com relva encharcada, em Bangui, na República Centro Africana, existe um abismo a separar estas duas realidades. Um mundo de contrastes que talvez explique a diferença de brilho exibicional de estrelas como Drogba ou Eto`o, quando abandonam os habitats dos seus grandes clubes europeus onde jogam e regressam à África profunda para jogar pela seleção que os viu nascer. O ego das estrelas é, por vezes tão grande, que quando entram nesses espaços do seu passado, num ápice, crescem e rebentam com o teto do balneário.

Luís Freitas Lobo

Quase como analisando o jogo através de uma ‘bola de cristal’, muitos, a partir de início dos anos 80, passaram a definir o futebol africano como o ‘futebol do futuro’ devido ao enorme potencial que se pressentia estar escondido na natureza fantástica dos seus jogadores. Bastava saber aproveitá-la. Em termos de estruturas de crescimento, evolução de métodos de treino, um cruzamento sócio-desportivo complexo, mas que detetava um embrião de grande talento, sobretudo na chamada África negra. Em pouco tempo, a imagem da ingénua seleção do Zaire, goleada no Mundial 74, com jogadas quase de cartoon, ficaria presa no passado. Em 78, pela primeira vez, uma seleção africana ganhava um jogo na fase final de um Mundial (a Tunisia venceu o México por 3-1). Eram os primeiros passos rumo à ‘independência futebolística’ com qualidade. Quatro anos depois, 82 marcou a grande fronteira. Os Camarões do lendário Roger Milla e o exótico guarda-redes N´Kono que parecia estátua tal a forma como, sempre de calças, esperava imóvel de pé os avançados que se isolavam na sua direção, davam uma dimensão mística ao emergente futebol africano do continente negro. A seleção camaronesa de 90, com Makanaky, Mbouh e sempre Milla, o «jogador sem idade», confirmou essa tendência e esteve muito perto das meias-finais (caiu nos quartos com a Inglaterra); em 94, a Nigéria de Yekini, Amokaci e Okocha, entre outros, assombrou com o seu futebol rápido e ofensivo (mas caiu nos oitavos com a Itália), em 2002, o novo Senegal de Diouf, a face mais tecnicista de África, também esteve quase nas meias-finais (caiu com a Turquia nos quartos) e, por fim, 2010, o Ghana de Gyan Asamoah, Essien e Muntari, entre outros, esteve ainda mais perto, à distância de um simples penalty dessa meia-final (foi eliminado pelo Uruguai).

É difícil detetar um único ponto para dizer o que falta para esse ‘último salto’. Talvez as razões sejam mais fáceis de encontrar (ou perceber) nos jogos que antecedem essas grandes decisões do Mundial, durante as longas fases de apuramento e, até na disputa das diversas CAN, onde, cada vez mais, se nota que a motivação, atitude e aplicação competitiva das grandes estrelas das melhores seleções não é, claramente, a mesma. No fundo, o ego das grandes estrelas africanas internacionais quando chega à seleção sente-se demasiado pequeno que, mal se exterioriza um pouco, cresce e rebenta com o teto do balneário. A principal missão de um treinador (quase sempre ‘europeu beduíno’) nessa África dos gigantes reside em incutir espírito de equipa num grupo de jogadores que, muitas vezes, chegam às seleções sem grande concentração (presos às obrigações com os seus clubes), após longas viagens e com pouco tempo para se inserirem na nova realidade competitiva. O tempo para treinar é, por isso, quase nenhum. É quase chegar e jogar. Perante adversários tecnicamente mais fracos, mas que, hipermotivados por defrontarem grandes estrelas, transformam cada jogo numa verdadeira batalha. É certo que o pobre estado de muitos relvados africanos penalizam as melhores equipas tecnicamente, mas esta quebra exibicional é mais do que um caso de inadaptação ou, até, uma questão de excesso de confiança. Falta personalidade de equipa, individual e coletivamente. Se chegarem à fase final, noutra atmosfera competitiva, têm, no entanto, valor para realizarem grandes exibições e, por fim, meter uma seleção africana na meia-final de um Mundial. Até esse dia, o futebol africano pode ser mesmo definido como o ‘futebol do futuro’ e…sempre o será.

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DESPORTO

Patrícia Alves Tavares

CRUZAMENTO

Entrevista Sec. Estado do Desporto e Juventude Portugal

“Aposta é na transmissão de valores éticos” “Empreendedorismo, emprego, voluntariado, mobilidade, associativismo,

participação cívica, educação e formação” são temas que vão constar do Protocolo de Cooperação bilateral que Angola e Portugal vão assinar em breve. A Angola’in falou com o Secretário de Estado do Desporto e Juventude luso, Alexandre Mestre. Recém-chegado de uma visita à terra vermelha, o responsável falou dos planos governamentais para alargar o atual protocolo de cooperação desportivo.

Quais as razões que fazem de Angola um país prioritário para Portugal no âmbito do desporto? A vontade de estreitar a cooperação entre os dois países é comum a ambas as autoridades nacionais. Portugal tudo fará para incentivar essas relações e o Desporto tem um papel decisivo para marcar positivamente as relações luso-angolanas. Portugal e Angola têm, no domínio desportivo, uma história amplamente reconhecida e, por isso, faz todo o sentido, até pela língua comum, que os vários agentes desportivos dos dois países partilhem a experiência desportiva. Na última visita ao país, reuniu com o seu homólogo e ambos demonstraram interesse em incrementar a cooperação entre as duas nações. De que forma será materializado esse desejo? Existe um protocolo de cooperação entre Portugal e Angola no âmbito do Desporto que está a ser revisto e cuja atualização será assinada à margem da reunião da Conferência de Ministros responsáveis pela Juventude e pelo Desporto, em Mafra, no dia 7 de julho. O entendimento dos dois países é que esta cooperação pode ser melhor concretizada em atos e não apenas com intenções ou palavras. É nesta perspetiva que podemos partilhar competências técnicas, orientações de boas práticas internacionais, infraestruturas desportivas, prestar bilateralmente apoios diversos no âmbito da formação no combate ao doping e aos diversos agentes desportivos, da partilha de experiência legislativa e outros aspetos. É também intenção de Portugal, em ano de Jogos Olímpicos e da VIII Edição dos Jogos Desportivos da CPLP, acolher os atletas angolanos que participam nestas competições e permitir que façam os seus treinos de preparação com as condições necessárias para o seu bom desempenho desportivo.

“É intenção de Portugal, em ano de Jogos Olímpicos e da VIII Edição dos Jogos Desportivos da CPLP, acolher os atletas angolanos que participam nestas competições” 86

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O basquetebol é um dos domínios que terá atenção redobrada. Porquê? Todas as modalidades estão nas preocupações dos dois países. O basquetebol, como todos sabemos, é uma modalidade de referência em Angola e em que este país obtém sempre resultados de alto nível. Inclusivamente, na minha recente deslocação a Angola no âmbito da Supertaça Compal, pude testemunhar, por um lado, o entusiasmo que a modalidade desperta na sociedade angolana e, por outro, a capacidade de organização de um evento desportivo que foi palco de grande atenção. Nesta modalidade, está prevista a realização de torneios, estágios de angolanos em centros portugueses ou de apoio à formação de treinadores? Sim. Está prevista a vinda de atletas angolanos no contexto de vários eventos desportivos que poderão usufruir das instalações desportivas nacionais, como é o caso do Centro Desportivo Nacional do Jamor ou dos Centros de Alto Rendimento.

“A língua portuguesa é uma mais-valia única que facilita a comunicação entre formadores e formandos e permite a disponibilização de documentação técnica atualizada”

Os clubes nacionais e a Federação de Basquetebol estão envolvidos neste projeto? O bom relacionamento entre as federações de Basquetebol de Portugal e de Angola tem contribuído para a dinamização de um maior intercâmbio entre as equipas de clubes dos dois países. Algumas das principais equipas angolanas têm nos últimos anos efetuado estágios de preparação em Portugal. Importa agora que este processo de cooperação se fortaleça e se afirme cada vez mais. Considera que são medidas que vão fortalecer uma modalidade que tem grande notoriedade internacional? Se para isso conseguirmos contribuir, tanto melhor. Importa fundamentalmente explicar que os dois países estão fortemente empenhados em cooperar no setor do Desporto, para além de outras áreas, e que isso tem tradução nas várias modalidades, embora seja natural que aquelas que assumem maior protagonismo consigam uma notoriedade acrescida. Angola é uma potência desportiva. Já acolheu a sede do Campeonato Africano das Nações e, por isso, faz todo o sentido que a cooperação nos termos já concretizados se aplique. Este intercâmbio e apoio técnico e infraestrutural vai aplicar-se às todas as modalidades?

É esse o propósito. Um intercâmbio extensível aos atletas e às modalidades que estejam enquadrados em competições de relevo, como os Jogos Olímpicos. De que forma o know-how português pode ser aplicado no desenvolvimento do desporto angolano? A contribuição de Portugal para o desenvolvimento desportivo de Angola passa essencialmente pela formação de base e pela especialização dos agentes desportivos angolanos. A língua portuguesa é, em si mesma, uma mais-valia única que não só facilita a comunicação entre formadores e formandos como também permite a disponibilização de documentação técnica atualizada.

Quais os principais problemas deste país neste domínio. A ausência de instalações adequadas ou a carência de profissionais qualificados e experientes? O nosso parceiro da CPLP tem vindo a reestruturar e modernizar de forma ampla e profunda este importante setor de atividade que é o desporto e, como tal, o nosso país procura sempre incentivar todo esse processo, nomeadamente no que se refere aos dois importantes fatores de desenvolvimento referidos. O ajustamento do protocolo existente vai indiretamente ter influência nos destinos da juventude, mantendo-a ocupada e distante de problemas sociais? Pretendemos transpor para os jovens o que tem sido a nossa experiência no Desporto em termos de cooperação, estando igualmente prevista, como há muito não acontece no âmbito da Juventude, a assinatura de um Protocolo de Cooperação bilateral entre Portugal e Angola. Neste protocolo serão vertidos temas transversais e transnacionais, comuns aos jovens angolanos e portugueses, tais como, empreendedorismo, emprego, voluntariado, mobilidade, associativismo, participação cívica, educação e formação. O desporto, apesar de poder, além do contexto de alto rendimento, ser uma atividade recreativa e de bem-estar e, por isso, dever ser intergeracional, tem uma forte ligação aos jovens. Nesse sentido, os responsáveis políticos devem preocupar-se com a integração da atividade desportiva junto dos mais novos, algo que já acontece em Portugal no âmbito, por exemplo, do Desporto Escolar. Este Governo lançou recentemente o Plano Nacional de Ética no Desporto que, com especial incidência nas crianças e nos jovens, abrange um conjunto de ações estruturadas e planificadas que promovem os valores inerentes ao desporto consagrados em documentos como a Carta Olímpica (COI) e o Código de Ética do Desporto (Conselho da Europa). É, portanto, um combate a fenómenos como a corrupção, a violência, o doping, a intolerância, o racismo e a xenofobia no contexto da prática desportiva que importa realçar em ano de Jogos Olímpicos e dos VIII Jogos Desportivos da CPLP e que é premente divulgar e levar a cabo junto dos mais novos. É preciso apostar na formação e transmissão de valores éticos para que os futuros protagonistas vivam o Desporto de forma correta e saudável e para que possam, também, dirigir a sua vida para bons exemplos de amizade, entreajuda, carácter e verdade.

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DESPORTO

BLOCO DE NOTAS

Patrícia Alves Tavares

Cooperação

Sudão quer parceria

— Cirino Hiteng Ofuho, ministro da Juventude e dos Desportos do Sudão, visitou o país e reuniu com o homólogo, Gonçalves Muandumba, para discutir uma futura cooperação, nomeadamente ao nível da formação de quadros. O Sudão do Sul está particularmente interessado numa parceria relativa à prática do basquetebol, querendo aprender com os atletas nacionais.

Desporto Adaptado

Talento nacional

— Jacob Cauina, presidente reeleito da associação de Desporto Adaptado do Moxico, quer apostar na captação de novos talentos nos municípios do interior. O responsável acredita que será possível encontrar muitos jovens com potencialidades para a prática do basquetebol de cadeiras de rodas, do futebol com muletas e do atletismo adaptado. Até 2016, o presidente quer organizar uma prova nacional na província, de forma a atrair praticantes e destacar a importância do desporto para deficientes.

INFRAESTRUTURAS

Mais investimento no Kwanza

— O moderno gimnodesportivo de Ndalatando, no Kwanza Norte, foi inaugurado nas comemorações do dia da Paz e marca uma nova etapa na prática do desporto provincial. Adaptado aos padrões internacionais, o pavilhão tem agora capacidade para 2500 pessoas e condições para acolher jogos de andebol, basquetebol, futebol de salão e outras modalidades. A reabilitação custou 800 milhões de kwanzas e insere-se no programa de investimentos públicos da província.

Basquetebol

Novo presidente — Félix de Jesus Cáala é o novo presidente da Associação Provincial de Basquetebol do Moxico. O dirigente vai desempenhar funções até 2016 e promete reformular os programas de massificação da modalidade para retirá-la do atual “marasmo”. Para tal, a nova equipa quer estabelecer parcerias com a direção da Educação, formar árbitros e treinadores e reestruturar a componente administrativa. O programa inclui ainda a formação de núcleos escolares no ensino geral e universitário.

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Boxe

Tony Kicanga revalida título

— O angolano António Pedro Kicanga venceu o pugilista romeno Adrian Corneaga e revalidou o título de meio pesado na versão do Conselho Universal de Boxe. O combate teve 12 rounds e o atleta nacional evidenciou sempre superioridade, conseguindo manter o cinturão.


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eLife&Stylee

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ÍNDICE

{ TURISMO }

Deixe-se conquistar pelo Chile

Deserto, praia, mistério…o Chile oferece uma panóplia de ofertas que conquista o visitante mais exigente. Deserto, gelo, história ou simplesmente absorver uma paisagem de tirar o fôlego, aproveite e viaje desde a Ilha de Páscoa à Patagónia… uma infinidade de propostas para tatuar em si a memória deste país.


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{ BOCA A BOCA } { TURISMO }

Confira as novidades do que de novo o mundo nos oferece e faz sonhar.

E ainda o Chile como proposta para os seus dias de férias. Descubra hotéis paradisíacos num destino único e inesquecível.

{ LUXOS }

Carros Bentley V8 - A magia na estrada. Há carros que falam por si e que provocam emoções fortes e eternas. Gadgets A arte em objetos de uso diário Relógios Horas que fazem a diferença. Relógios que encantam e fazem vibrar. Joias Peças mais-que-perfeitas que conjugam beleza, harmonia e qualidade.

{ ESTILOS }

As cores são quentes, as texturas ricas e os padrões atraentes. Tempo de alegria e boa disposição que a roupa também transmite. Celebrities Styles Jay-Z e Beyoncé: dois rostos conhecidos, dois estilos que são uma referência. Estas são as propostas para este mês. América Latina Beleza e contrastes numa viagem fascinante e que ficará marcada na memória e no coração de quem a fizer.

{ GOURMET }

Gastronomia e Literatura Há palavras que se temperam com requintes gastronómicos. Palavras agri-doces que os escritores captam no quotidiano e transportam para as suas obras.

{ ARTE }

O BESPhoto 2012 é uma iniciativa a nível nacional, mas que já ganhou expressão mundial. Veja quem foi o vencedor da edição 2012.

{ CULTURA & LAZER } Foi há 20 anos que a febre do Break Dance e de artistas como o Michael Jackson influenciaram os jovens nacionais. A Angola’in foi descobrir as raízes do hip hop e do rap, estilos musicais que fazem furor nos dias de hoje e que assinalam este ano duas décadas de evolução

{ PERSONALIDADES }

Adriano Botelho de Vasconcelos, secretário-geral da União dos Escritores Angolanos é a figura em destaque nesta edição. Num mês em que se assinala a importância do livro, a homenagem merecida a um poeta que nunca perdeu a vontade de unir os homens das letras

{ AGENDA }

Música, pintura e memórias que fazem parte da história da humanidade. 2012

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Life&Style

Louis Vuitton e a arte

— Bernard Arnault, diretor do império LVMH (Louis Vuitton e Moet Hennessy) é um conhecido colecionador de arte, prevendo-se que ainda este ano esta marca inaugure a nova sede parisiense da Fondation Louis Vuitton pour la Creation. Projetado para se reinventar constantemente, consoante as suas exposições, o prédio desenhado pelo arquiteto Frank Gehry irá ter por base o espírito da própria Fundação Louis Vuitton para a criação sem perder os traços de outros famosos projetos deste arquiteto. Este pólo artístico irá recriar em vidro as velas de um veleiro ao vento, combinando curvas de resistência e transparência, no Jardin d’Acclimatation, no Bois de Boulogne. Em harmonia com o meio ambiente e inspirado, também, nos jardins botânicos do século XIX e na obra do escritor Marcel Proust, este edifício de sonho, nascido entre a natureza, a madeira, o céu, a cidade e o vidro, combina curvas de resistência e transparência, onde estarão patentes peças de artistas conmceituados, como Damien Hirst, Jeff Koons, Daniel Buren, Dan Graham, Anish Kapoor, Claude Lévêque, Clas Oldenburg, Richard Serra e James Turrel. www.fondationlouisvuitton.fr

Smartphone LG… Prada

— A Prada apresentou a nova campanha publicitária que tem como protagonistas o ator Edward Norton e a modelo Daria Werbowy. Estes dois nomes conceituados são os rostos da campanha publicitária, realizada por David Sims, para lançar o mais recente smartphone da marca em colaboração com a coreana LG. Com um ecrã táctil ,o luxuoso Prada Phone by LG 3.0 é um moderno, sóbrio e elegante, suscetível de conquistar os consumidores mais exigentes. Com um design minimalista, acessórios lindos e ainda com um sistema operacional fabuloso.

Charming Luxury Lodge & Spa

— A magnífica coleção de joias da milionária brasileira Lily Safra, uma das mulheres mais ricas do mundo, será leiloada no dia 14 de maio em Genebra. A Christie`s, leiloeira responsável por esta iniciativa, informou que “os lucros da venda serão totalmente entregues a 20 instituições de caridade”. A coleção, composta de 70 peças, está estimada em cerca de 15,2 milhões de euros. Parte da venda será de um lote de jóias únicas, assinadas por Joël Arthur Rosenthal, famoso joalheiro de origem americana que vive em Paris e que criou especialmente para Safra estas jóias.

— San Carlos de Bariloche está localizada no sudoeste da província de Rio Negro, limítrofe ao Parque Nacional Nahuel Huapi, junto à Cordilheira dos Andes. É uma das cidades mais importantes do país, quer pelo elevado nível de tecnologia nuclear, quer por ser uma das áreas turísticas mais atrativas dos Andes Patagónicos. O hotel Charming - Luxury Lodge & Spa é um complexo onde o luxo e o bom gosto predominam tanto nas residências como nas suites, proporcionando aos seus hóspedes vistas panorâmicas de eleição e um restaurante sobre o lago, onde a gastronomia local é uma forte aposta. Independentemente do local em que se posiciona, o Charming permite que contemple uma majestosa paisagem do lago Nahuel Huapi e das montanhas que o rodeiam.

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Jóias de Lily Safra em leilão


{ BOCA A BOCA } Cores Calvin Klein

— A nova linha de maquilhagem da Calvin Klein, sob o nome de CK One Color, chegou para conquistar os consumidores. Esta extensão da fragrância CK One ao mundo da makeup representa a energia e espírito livre da CK One, que assim pretende conquistar um novo consumidor jovem e independente. Uma campanha publicitária cheia de vida com elementos andróginos, fotografada por David Sims, aposta em produtos de alta precisão para realçar as expressões faciais, e com muita cor que ajudam a acrescentar intensidade e brilho. O Verão CK chegou para vencer.

Hermès d’ouro

Samsung oferece 2 em 1

— Para assinalar o lançamento do seu primeiro smartphone com 2 cartões, o Galaxy Y Duos, a Samsung criou uma surpreendente projeção mapeada na cara de um homem, através do qual se pode ver os lados pessoal e profissional, aparecendo durante alguns minutos várias personagens na face deste homem ‘estatua’. A técnica de vídeo-maping, já experimentada em edifícios e automóveis, utiliza neste vídeo o rosto humano como objeto único de trabalho. Quanto ao Samsung Galaxy Y Duos, o primeiro Android Dual Sim, dirigido a quem precisa de reunir num só telefone tanto a sua vida e agenda profissional como pessoal. No geral caracteriza-se por funcionar com 2 Sim Cards ao mesmo tempo, permite todas as experiências do sistema operativo Android 2.3 Gingerbread com milhares de aplicativos para download na Android Market, para além dos diversos aplicativos Google que o aparelho já traz embarcados de origem.

— As carteiras Hermès são reconhecidas mundialmente pela sua beleza e qualidade. O modelo Kelly, um dos preferidos por todos os clientes desta marca ressurgiu com novo formato. Desta vez a Hermès resolveu relançalo em parceria com o designer Pierre Hardy. Mas, a novidade não se fica por aqui e o já conhecido luxo que a marca ostenta ganhou uma nova forma e uma outra dimensão, já que a referida carteira foi produzida em ouro maciço e tem cerca de 1600 diamantes cravejados. Esta será uma edição limitada, uma vez que a Hermès irá produzir apenas 12 bolsas para distribuir a nível mundial.

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Life&Style

Chile – terras mágicas no “fim do mundo”

A diferença que fascina! Terras remotas, terras de mistério, entre o mar e o deserto o Chile é uma verdadeira caixa de surpresas!

Encravado entre a Cordilheira dos Andes e o Pacífico, o Chile é um país de contrastes e grande beleza, que oferece segurança, natureza indómita e excelentes serviços. Num só país, um deserto de tirar o fôlego ao norte, lagos glaciares e imensas geleiras ao sul, cidades marítimas, ilhas folclóricas, uma metrópole cada vez mais integrada no circuito das grandes cidades internacionais, além de vinhos de primeira e uma culinária tão variada quanto sua paisagem. Com uma população mestiça ,descendente de espanhóis, mas também com grande influência alemã, francesa e italiana, o Chile é também o lugar dos extremos geográficos e climáticos: ao norte encontra-se o deserto de Atacama, o mais árido do mundo, berço de ancestrais civilizações indígenas. As paisagens mediterrâneas do centro dão vida a Santiago - a capital - rodeada de férteis vales vinícolas e modernos centros de esqui, além da Ilha de Páscoa, com uma cultura e um patrimônio arqueológico únicos. 4.300 quilómetros de comprimentos e 175 quilómetros de largura. Um mundo dentro do planeta terra. País da América do Sul ocupa uma longa e estreita faixa costeira encravada entre 94

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a cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico. Faz fronteira ao norte com o Peru, a nordeste com a Bolívia, a leste com a Argentina e a Passagem de Drake, a ponta mais meridional do país.

Deserto Atacama

O deserto do Atacama está localizado na região norte do Chile até a fronteira com o Peru. Com cerca de 1000 km de extensão, é considerado o deserto mais alto e mais árido do mundo, pois chove muito pouco na região, em consequência das correntes marítimas do Pacífico não conseguirem passar para o deserto, por causa de sua altitude. O deserto do norte chileno contém uma grande riqueza mineral, principalmente de cobre. As temperaturas no deserto variam entre 0ºC à noite e 40ºC durante o dia. A área relativamente pequena central domina o país em termos de população e de recursos agrícolas, sendo também o centro cultural e político. O sul do Chile é rico em florestas e pastagens e possui uma cadeia de vulcões e lagos. A costa sul é um labirinto

de penínsulas de fiordes, enseadas, canais e ilhas. A Cordilheira dos Andes está localizada na fronteira oriental.

Patagónia

O nome ‘Patagônia’ vem da palavra patagón usada por Fernão de Magalhães em 1520 para descrever o povo nativo que os membros da sua expedição acreditaram serem gigantes. A parte chilena da Patagónia compreende a extremidade meridional de Valdívia, a região de Los Lagos, no lago Llanquihue, Chiloé, Puerto Montt e o sítio arqueológico de Monte Verde, bem como as ilhas a sul das regiões de Aisén e Magallanes, incluindo o lado ocidental da Terra do Fogo e do Cabo Horn. Nessa região está localizada a cidade mais austral do planeta, Ushuaia, conhecida como “a terra do fim do mundo”. A Patagónia é uma região marcada por ventos fortes e constantes. Dessa região partem as famosas excursões para a Antártica. Além de leões-marinhos, há nesta região uma grande concentração de pinguins.


{ TURISMO } Hotel Explora Rapa Nui

Eleito o melhor da América Latina Mais do que um hotel 5 estrelas, o Explora é uma filosofia de viagem. Este foi o primeiro hotel da América do Sul a receber a certificação LEED (Liderança em Energia e Design Ambiental), outorgado pelo Conselho de Construção Verde dos Estados Unidos (USGBC), tendo sido foi escolhido pelos leitores da revista americana “Travel Leisure” como o sexto melhor hotel do mundo. Inaugurado em dezembro de 2007, este hotel está localizado sobre um terreno de 9,6 hectares, no alto de uma colina no setor de Te Miro Oone em frente ao oceano. Está localizado na região sudeste de Rapa Nui a 8 km da única cidade da ilha, Hanga Roa. Os 30 apartamentos distribuídos ao norte da construção e a nave central ao sul contam com uma privilegiada vista ao mar. Os seus espaços são acolhedores e integram elementos próprios da cultura local. O projeto procurou minimizar a intervenção humana no ambiente. —

www.explora.com/pt/

Ilha da Páscoa

A Ilha de Páscoa está localizada na polinésia oriental, no sul do Oceano Pacífico, a cerca de 3.700 km de distância da costa oeste do Chile. A Ilha de Páscoa é muito famosa pelas suas enormes estátuas de pedra chamadas de Moais, que medem de 10 a 12 metros de altura. Existem espalhadas pela Ilha de Páscoa cerca de mil Moais, o maior deles ainda inacabado, que mede cerca de 20 metros! Envolta num charme especial e em mistério, as estátuas Moai estão localizadas em Rapa Nui, de costas para o oceano. Fabricadas a partir de um bloco de tufo vulcânico, o Moai são estátuas monolíticas que representam figuras humanas. A maioria dessas belas estátuas tem uma cabeça que mede cerca de três quintos do corpo. Possuem todas uma aparência semelhante: os lábios franzidos, queixo para cima e uma atitude hierática e grave aos olhos de quem as vê.

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Life&Style

Hangaroa Eco Village & Spa

Em harmonia com o ambiente O Hangaroa Eco Village & Spa é um dos mais recentes hotéis da Ilha de Páscoa, localizado a apenas 5 minutos da ilha Hanga Roa. O Hangaroa Eco Village & Spa é o resultado de um projecto ambicioso e idealista criado por um grupo de investidores e designers com base num conceito de turismo integrado e na sustentabilidade da rica cultura da Ilha de Páscoa. O Hangaroa Eco Village & Spa dispõe de 75 quartos elegantes e decorados de forma única, o Poerava, o Restaurantes Kaloa, e o restaurante de luxo Manavai Spa, uma piscina exterior e um bar Vaikoa, para além de um espaço para conferências. Fica no Oceano Pacífico, e todos os quartos possuem janelas do chão ao teto e terraços com vista para o mar. Cada detalhe do projeto arquitetónico do hotel visa a funcionalidade e é inspirado na Orongo, uma aldeia cerimonial localizada da ilha do ritual do Homem Pássaro, todas as paredes do Hangaroa são curvilíneas e favorece a iluminação natural e paisagismo da flora locais que permitem que o hotel artisticamente se integre no meio ambiente. —

www.hangaroa.cl/

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{ TURISMO }

The Aubrey

Um design único O Hotel Aubrey foi inaugurado em 2010 e destina-se principalmente a viajantes independentes que procuram um estilo muito próprio, tendo o projeto sido orientado para a oferta de um serviço personalizado, com acesso fácil às melhores atracões que Santiago do Cjile proporciona. Situada no sopé do Parque Metropolitano de Santiago, no colorido bairro Bellavista, o Aubrey está a poucos passos de restaurantes, da vida noturna e demais atividades culturais e recreativas. Localizado dentro de uma mansão completamente restaurada de 1927, o Aubrey é uma homenagem ao passado histórico da Bellavista, deslumbrando com uma estética moderna. Os 15 quartos são de tamanho individual e decorados, com madeira escura e linhas geometricamente padronizadas. O Aubrey atrai pela arquitetura, design, arte e gastronomia, tendo os proprietários conseguido artisticamente misturar o antigo com o moderno. —

www.theaubrey.com/hotel

Hotel Antumalal

Vibrante e contemporâneo A arquitetura e o design deste hoteldeixam uma impressão única. Implantado num ambiente natural, a apenas 2 km de Pucón, o Hotel Antumalal continua a prestar um serviço especial, tendo acomodação para 46 pessoas em quartos com lareiras individuais e janelas panorâmicas sobre o Lago Villarrica, o mesmo acontecendo com o restaurante, jardins, praias e o Spa. O hotel foi projetado para ser vibrante e contemporâneo misturando-se harmoniosamente com o ambiente natural. As principais salas do hotel localizam-se por cim de um penhasco . Os interiores estão decorados com artesanato local, painéis de parede usando faia e madeira de Araucária, macios tapetes brancos e uma lareira imensa que proporciona um ambiente verdadeiramente elegante. —

www.antumalal.com/

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Life&Style

Carla Marques

l GTC conv ersí vel V8

a r r a g m o c o Um carr Bentle y Contin en ta

O novo 4.0 litros, twin turbo Continental GTC V8 e o seu homólogo o coupé Continental GT V8, conseguem alcançar padrões excecionais de potência-emissões no setor de carros de luxo desportivo. Este Bentley novo motor V8 proporciona uma potência máxima de 500 cv (507 PS / 373 kW) a 6000 rev / min e um pico de torque extraordinário de 660 Nm (487 ft-lb), que está disponível praticamente em toda a gama de rotação de 1700 para 5000 rev / min, proporcionando uma performance emocionante e entrega de potência sem esforço na tradição Bentley. Combinado com uma nova relação estreita-8-velocidade transmissão automática, isso se traduz num 0-60 mph tempo sprint de 4,7 segundos para o GTC (0100 km / h em 5,0 segundos) e uma velocidade máxima de 187 mph (301 km / h). Ao mesmo tempo, os novos modelos V8 Continental conseguem atingir excelentes níveis de eficiência de combustível e emissões de CO2 para o desempenho do setor de luxo e são capazes de viajar mais de 500 milhas (800 km) em um único tanque de combustível. Com este compromisso ambiental o novo V8 Continental proporciona uma melhoria de 40 por cento em eficiência de combustível e emissões de CO2. O V8 de alta tecnologia também possui injeção direta de alta pressão, rolamentos de baixo atrito, gerenciamento térmico, recuperação de energia através do sistema de tarifação, e embalagem inovadora carregador turbo para maior eficiência. Ambos os modelos Continental V8 apresentam um estado-da-arte, com todo o sistema de tração integral empregando um diferencial Torsen e um avançado 40:60 traseira divisão de poder tendencioso. Isto assegura uma manipulação segura do carro ao mesmo tempo dinâmica desportiva em todas as condições da estrada.

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entley B e t s E “ otor V8 novo m iona uma c propor a máxima i potênc cv” de 500


{

CARROS LUXOS

GT – V8 246 G/KM EMISSÕES DE CO2

GTC – V8 TORQUE 660 NM/487 LB/FT @ 1700 RPM

4.8 SECS DOS 0–100 KM/H

2470 KG

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}

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Life&Style

Carla Marques

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MERCEDES: “A DE ATAQUE: O CLASSE A É UMA AFIRMAÇÃO DO NOVO DINAMISMO DA MERCEDES-BENZ” — O novo Classe A da Mercedes-Benz abre um capítulo totalmente novo no segmento dos compactos: design emotivo, com potentes motores que debitam entre 80 kW (109 cv) e 155 kW (211 cv) e são, ao mesmo tempo, extremamente eficientes, com emissões de apenas 99 g/CO2/km. Destaque ainda para o capítulo da segurança onde este novo Classe A inclui, de série, o sistema COLLISION PREVENTION ASSIST baseado em radar. “A de Ataque: o Classe A é uma afirmação do novo dinamismo da Mercedes-Benz”, explica o Dr. Dieter Zetsche, Presidente do Conselho de Gestão da Daimler AG e Diretor da Mercedes-Benz Cars. “Trata-se de um modelo completamente novo, até ao mais pequeno pormenor. No desenvolvimento de novos automóveis, não é comum ter a oportunidade de começar com uma folha em branco. Os nossos engenheiros e os designers aproveitaram ao máximo essa oportunidade”. O design e o dinamismo são características óbvias do novo Classe A logo à primeira vista, dado que se encontra 18 cm mais perto do chão do que o seu antecessor. Com uma interpretação renovada do two-box design, os designers da Mercedes criaram um exterior emotivo com um vincado toque desportiv. “As linhas quase esculturais do Classe A são típicas da Mercedes-Benz. As linhas características, sobretudo as laterais, concedem ao Classe A estrutura e tensão”, revela Gorden Wagener, Diretor de Design da Mercedes-Benz. Quanto ao design interior, o objetivo era complementar a aparência desportiva do exterior. Além disso, este automóvel transmite uma sensação de elevada qualidade única neste segmento, resultado do design e da seleção e combinação dos materiais de alta qualidade incorporados no veículo.

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{

CARROS LUXOS

}

CITROEN: “O DS5 ESTREIA A TECNOLOGIA HYBRID4 NA MARCA”

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DS5

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200 CV

A Citroën ampliou a sua oferta na gama DS. O DS5 apresenta-se de um modo assertivo em termos de estilo, arquitetura, sensações e requinte. Esta linha de produtos é destinada a clientes que procuram produtos radicais e marcantes, com uma perspetival vincadamente moderna e ‘premium’. O novo modelo da marca destaca-se pelo seu estilo audacioso que rompe com as normas, tendo no interior recurso a materiais de qualidade, como o couro e o alumínio. O DS5 recorre também à melhor tecnologia da marca, como o controlo de tração inteligente, a comutação automática dos faróis em função do tráfego circundante, a transmissão de informações a cores no pára-brisas, ou a câmara traseira para estacionamento. O DS5 estreia a tecnologia Hybrid4 na Marca, uma corrente de tracção ‘full-hybrid’ que associa as performances em estrada do bloco Diesel HDi à eficácia da propulsão elétrica. Um ‘prazer’ certamente híbrido que oferece enérgicas sensações de condução (200 CV, tração integral, direção elétrica urbana, com função ‘boost’ em aceleração) e emissões de CO2 bastante reduzidas (99g/km). O Citroën DS5 é, um automóvel fora dos habituais padrões de design, onde a conceção permite superar o compromisso tradicional entre prazer de condução, um exercício ousado para um resultado implacável.

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Life&Style

{

H2O LUXOS

Carla Marques

Gamma Yachts lançou 24 Mediterranean — O construtor italiano Gamma Yacht lançou este mês a sua mais recente novidade no encontro de Hainan, na China. O modelo 24 Mediterranean é irmão Gama trendsetting 20 e, mais uma vez, foi desenhado e concebido pelo gabinete holandês Naval Architect Vripack, que procurou dar à linha Gamma uma visão muito notável, com a pura dupla curva, o flybridge foi aumentado para aumentar o espaço de divertimento na parte superior.

Quicksilver Activ 675 Open

Powerboat Europeu do Ano 2011

A Quicksilver recebeu este prestigiado prémio atribuído por um júri constituído por editores-chefe dos sete principais revistas de lanchas europeias. Um mundo de água e diversão. Com o uso inteligente do espaço e um layout bem pensado e com mais conforto a bordo, este é um barco que se adapta facilmente às necessidades, sendo usado para desportos aquáticos, cruzeiro e para relaxar. Estilo e conforto são características de um barco que chegou e convenceu. King Air 250

Rei dos ares —

A Hawker Beechcraft lançou o King Air 250, com um novo motor turbo hélice utilizando tecnologia de ponta. O King Air 250 apresenta winglets e hélices feitas de material composto, bem como mudanças no sistema de indução do motor. Comparado ao B200GT, o 250 ganha uma vantagem de 122m na distância de decolagem com um obstáculo de 50 pés no peso máximo de decolagem, enquanto que num aeródromo localizado a 5.000 pés consegue subir a 25° sobre o mesmo obstáculo com a distância aumentada em 215 metros.

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}


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Life&Style

{

GADGETS LUXOS

Carla Marques

asus Blu-ray BDXL

Inovação

Gravador externo Bluray BDXL premiado com um iF Award. Inovação, design, tecnologia de ponta e velocidade de gravação excecional.

scanomat Top Brewer

strida Modelo LT White

Bicicletas de fácil utilização

Bicicletas especiais e de fácil utilização, usadas nas principais cidades do mundo, devido à sua dimensão e facilidade em montar e desmontar.

O “expresso do futuro

Uma máquina escandinava para simplificar, sem comprometer a qualidade. Eis a máquina expresso tecnologicamente mais avançada do mundo.

apple ipod touch

Gold Supreme Fire Edition hp Notebook Pavilion dm1

Design de Herchcovitch

O ipod mais exclusivo do planeta! Uma obra prima elaborada com ouro e diamantes e com edição limitada.

A HP inova através de uma parceria com Alexandre Herchcovitch, estilista brasileiro um novo e exclusivo design para o notebook Pavilion dm1 da HP.

Philips e Swarovski

apple ipad

…simplesmente! Resolutionary

Ecrã de grande resolução, potente processador de quatro núcleos e o iPhoto, a espantosa app da Apple.

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Pen drive de luxo

Unindo a utilidade ao luxo, as conhecidas marcas Philips e Swarovski conceberam uma pen drive com um design mais delicado e com o famoso cristal.

}


{

RELÓGIOS LUXOS

HORAS que fazem a diferença

}

— As horas podem ser apenas um acumular de minutos sucessivos. Mas para quem vive a vida com qualidade e glamour um relógio é muito mais do que um mero objeto prático. É um acessório de luxo e bom gosto para consumidores de eleição.

Blancpain Villeret Fases de Lua

Omega Sea Planet Ocean Chrono 600M Co Axial

Boutique dos Relógios

Boutique dos Relógios

IWC Yacht Club Ouro Rosa

Porsche

Torres Distribuição

Boutique dos Relógios

Breguet Marine Ladu Chrono

Roger Dubuis Excalibur Lady

Boutique dos Relógios

Boutique dos Relógios

Bulgari Serpenti- 2tours ouro rosa Boutique dos Relógios

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Life&Style

{

JOALHARIA LUXOS HERMÈS

HERMÈS

Pulseiras

Botões de Punho

Cor e detalhes étnicos

Sóbrios e distintos

DINH-VAN Anel

Ouro precioso

BRILHO QUE MARCA A beleza de uma joia afere-se por um conjunto fatores. A preciosidade das pedras que a compõe, o metal que a suporta e, acima de tudo, a elegância de quem a usa. A joia só por si brilha, mas só se impõe verdadeiramente quando usada com distinção.

Bottega Veneta Brincos

Distinção dourada

Montblanc Colar

Uma flor preciosa

Montblanc Pulseira

DINH-VAN Pulseira

Entrelaçar de emoções

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Pulso com recortes elegantes

}


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Life&Style

Carla Marques

Atreva-se

Olhe para o espelho e acredite que é possível mudar. Novas formas, cores mais arrojadas… são a base para a criação de um novo “EU”. E mesmo que seja palavra corrente que não é o exterior que faz uma pessoa, a verdade é que todos gostamos de nos sentir bem, Então, porque não começar já hoje? 07

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1 b Calças G-Star na XN – Brand Dynamics 2 b Blaser Gucci na Fashion Clinic 3 b Casaco Barbour na XN – Brand Dynamics 4 b Camisa Barbour na XN – Brand Dynamics 5 b Chapéu G-STAR na XN – Brand Dynamics 6 b Sapatos HERMÈS na XN – Brand Dynamics 7 b Gravatas HERMÈS na XN – Brand Dynamics 8 b Carteira Paul Smith na Fashion Clinic 9 b Capa iPad Smithson na Fashion Clinic 10 b Cinto Paul Smith na Fashion Clinic 11 b Óculos Thierry Lasry 12 b CUSTO BARCELONA na XN – Brand Dynamics 13 b Saco Barbour na XN – Brand Dynamics

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{

TENDÊNCIAS ESTILOS

}

Red…is magic

E porque não? Hoje a cor predominante é o vermelho. Fogo e mistério num tom que dá vida a qualquer peça de cor neutra que tenhamos guardada no nosso armário. Acredite em si, acredite que a magia pode estar apenas na luz com que se vê! 09

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1 b Cinto Miss Sixty na Sixty Portugal 2 b Carteira Misssanga 3 b Raincoat MISS SIXTY na Sixty Portugal 4 b Vestido CUSTO BARCELONA na XN – Brand Dynamics 5 b Sandálias Missanga 6 b Colar Marina Fossati 7 b Óculos Thierry Lasry na Fashion Clinic 8 b Chapéu G-STAR na XN – Brand Dynamics 9 b Vestido Miu Miu na Fashion Clinic 10 b Sandálias PRADA na Fashion Clinic 11 b Carteira HERMÈS na XN – Brand Dynamics 12 b Sapatilhas MUNICH na XN – Brand Dynamics

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Life&Style

BEYONCÉ Curvas que encantam As palavras são insuficientes para falar desta mulher. Artista, sex symbol, mulher de negócios e agora mãe, Beyoncé assume-se como uma mulher perfeita em qualquer uma destas facetas. Com um estilo próprio que lhe acentua as curvas, Beyoncé é um modelo que todos seguem em termos de moda.

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1 b Vestido ANTONIO BERARDI 2 b Vestido de desile GUCCI 3 b Vestido TOM FORD 4 b Colar GARRARD 5 b Colar REPOSSI 6 b Anel REPOSSI 7 b Clutch JIMMY CHOO 8 b Clutch YSL 9 b Sapatos JIMMY CHOO 10 b Sapatos MIU MIU 11 b MAKRI 12 b Carteira JIMMY CHOO [todos os artigos se encontram à venda na Fashion Clinic]

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{

}

TENDÊNCIAS ESTILOS

JAY-Z Fama e estilo

Rapper, produtor e um dos homens de negócios melhor sucedidos em todo o mundo. Na verdade os adjetivos são escassos quando se pretende definir quem é Jay-Z , um dos homens mais influentes da atualidade. Para lá do rapper há o outro homem cujo estilo aqui delineamos.

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1 b Sapatos PRADA 2 b Sapatos DIOR 3 b Cinto Dolce & Gabbana 4 b Fato DIOR 5 b Camisa Dolce & Gabbana 6 b Camisa Dolce & Gabbana 7 b Fato ETRO 8 b Fato GUCCI 9 b Camisola RalphLauren 10 b Lenço Tom Ford 11 b Camisa Tom FORD 12 b Pólo Tom Ford [todos os artigos se encontram à venda na Fashion Clinic]

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Life&Style

CONTRASTES E FANTASIA

— Viajar pela América Latina é percorrer um universo onde os contrastes nos conquistam e deixam uma vontade imensa de regressar. A praia é uma presença constante no nosso imaginário, mas a verdade é que a América Latina é muito mais que isso. Arrisque e será surpreendido!

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1 b Camisa CAMEL 2 b Blusão CAMEL 3 b Bermudas CAMEL 4 b Cinto BARBOUR 5 b Botas BARBOUR 6 b Chapéu DOLCE & GABBANA 7 b Calças G-STAR 8 b Blusão G-STAR 9 b Sapatilhas MUNICH 10 b Relógio Montblanc 11 b Calças

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DESTINO ESTILOS

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1 b Short CUSTO BARCELONA na XN – Brand Dynamics 2 b Vestido CUSTO BARCELONA na XN – Brand Dynamics 3 b Sapatilhas MUNCH na XN – Brand Dynamics 4 b Blusão CUSTO BARCELONA na XN – Brand Dynamics 5 b Sandálias HERMÈS na XN – Brand Dynamics 6 b Calças Stella McCartney na Fashion Clinic 7 b Clutch Miu Miu na Fashion Clinic 8 b Saco Stella McCartney na Fashion Clinic 9 b Colete CUSTO BARCELONA na XN – Brand Dynamics 10 b Blusa PRADA na Fashion Clinic 11 b Colar DINH-VAN na XN – Brand Dynamics

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Life&Style

Boutique dos Relógios Plus Inaugura flagship store no Colombo Tecnologia de vanguarda, requinte, exclusividade e elegância caracterizam esta nova Boutique. marcas

Breguet, Blancpain, Baume & Mercier, Breitling, Breitling for Bentley, Cartier, Chanel, GirardPerregaux, Glashütte Original, Greubel Forsey, H. Moser & Cie, Hublot, IWC, Jaquet Droz, Longines, Parmigiani, Omega, Richard Mille e Roger Dubuis.

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Abriu a nova e única flagship store da Boutique dos Relógios Plus com uma área de cerca de 270m2 dividida em dois pisos, e que corresponde a um investimento superior a um milhão de euros. Esta nova Boutique já é considerada pelas grandes marcas como uma das Casas europeias de Relojoaria e Luxo. Um espaço dotado de tecnologia de vanguarda, requinte, savoir-faire relojoeiro, elegância e exclusividade, que reúne as melhores marcas da alta relojoaria suíça e algumas edições limitadas de grande prestígio. A nova Boutique dos Relógios Plus apresentase como uma loja que alia design clássico e contemporâneo. Às madeiras nobres intemporais junta-se a modernidade das transparências, oferecidas pela utilização de vidro, dos materiais lacados, das luzes LED e da malha de aço, para dar lugar a um espaço onde predominam os tons quentes e acolhedores, que variam entre os castanhos e os beges. Com uma decoração que combina elementos clássicos e contemporâneos, este piso

{ ESTILOS }

oferece um Champagne Bar que contará com as melhores marcas de champanhe do mundo e permitirá ao cliente entrar num universo de emoções, enquanto folheia um livro especializado em relojoaria, observa o relojoeiro a realizar reparações, ou simplesmente explora os três espaços exclusivos da Cartier, IWC e Omega, e descobre o que de melhor estas três prestigiantes marcas suíças têm para oferecer. Ainda encontra-se uma sala totalmente privada com atendimento personalizado, que garante a privacidade necessária que determinados clientes exigem. Salomão Kolinski, Presidente do Conselho de Administração da Boutique dos Relógios Plus afirma, “após vários anos de dedicação ao Mundo da Relojoaria, achámos que estava na altura de inovar e inaugurar um espaço totalmente remodelado que primasse pela diferença, qualidade, exclusividade e comodidade, a nossa flagship store. Um espaço único e fora do vulgar e que nos posicionasse como uma referência de luxo europeia.”


{

COSMÉTICA ESTILOS

}

Cores quentes

— “Espelho meu haverá alguém mais belo do que eu?” Mesmo que a resposta seja afirmativa, o importante é que o espelho nos ofereça uma imagem que nos deixe felizes e com um sorriso no rosto. Assim sendo porque não recorrer a pequenas ajudas que podem fazer verdadeiros milagres.

Linha Ultra Mat Tratamento

Perfumes e Companhia

FARD MONO Sombra para os olhos

Sephora

Black Up

SNAPSHOTS 6 paletas com 12 tons diferentes cada uma

fragrance

Babaria

Creme anti-idade e contorno de olhos e boca

www.jsantossilva.com

Narciso Rodriguez FOR HER (EDT)

Narciso Rodriguez Perfume FOR HER (EDP)

Babaria

Creme Facial Rosa Mosqueta

www.jsantossilva.com

Lipshine LPS3 blackUp

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Life&Style

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Letras com sabores

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Uma combinação mais-que-perfeita

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“A gente vive numas brenhas danadas, derrubando mata pra plantar cacau, labutando com cada jagunço desgraçado, escapando de mordida de cobra e de tiro de tocaia, se a gente não comer bem, o que é que vai fazer?” Jorge Amado (Terras do Sem Fim)

Literatura e gastronomia, cada vez mais esta é uma combinação perfeita. São tantos os romances e trechos literários onde a gastronomia é uma constante que não é nada estranho pensar-se na criação de ementas com base precisamente em livros ou poemas de autores conceituados. Com uma cozinha rica e diversificada e com um leque de escritores digno de registo a América Latina apresenta-se como o palco ideal para esta parceria feliz entre escrita e culinária. E porque não um pedido “a la carte” tendo por base uma obra de Neruda, de Jorge Amado ou até de Isabel Allende. As opções são tantas e as escolhas de tanta qualidade que o difícil mesmo é escolher. Senão comecemos pelo país onde o português é falado e lembremo-nos de “Gabriela Cravo e Canela”, de Jorge Amado. A memória leva-nos até descrições de pratos saborosos, sempre postos “na mesa, sobre a toalha de linho bordada”. Aliás a própria heroína, Gabriela, é contratada pelo sírio Nacib que procurava “uma boa cozinheira que entendesse de temperos e de pontos de doces” para trabalhar como cozinheira em sua casa, preparando “na pobre cozinha” verdadeiros pitéus como “acarajés de cobre, abarás de prata, o mistério de ouro do vatapá” – a menina com “o cheiro de cravo e a cor de canela” é a heroína deste romance, onde os sabores são “cantados em prosa e verso, onde rimava frigideira com abrideira, cozinheira com faceira”. Mas quase todos os romances de Jorge Amado possuem referências gastronómicas, com especial destaque para a rica e saborosa cozinha da Bahia que chega por exemplo pelas mãos de D. Flor: “Vamos ao fogão: prato de capricho e esmero é o vatapá de peixe (ou de galinha) o mais famoso de toda a culinária da Bahia”. Na hora da sobremesa, “mesa farta de doces, os melhores do mundo” (Tereza Batista, Cansada de Guerra), “com sabores raros: de jaca, carambola, groselha, araçá-mirim, passas de caju e jenipapo” (Tieta do Agreste), “cocada puxa e cocada branca” (O Sumiço da Santa), “de manga, de mangaba” (Tereza Batista, Cansada de Guerra), “de laranja da terra” – servido por D. Milu, na casa de Carmosina (Tieta do Agreste), “doce de banana de rodinha – doce de puta, que tem em tudo


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VIAGEM GOURMET

que é casa de rapariga” (Tieta do Agreste). E “creme de abacate”(Tocaia Grande), “quindim, fios-de-ovos, olhos-de-sogra, bom-bocados, brigadeiro”(Farda, Fardão, Camisola de Dormir), a “umbuzada, a jenipapada, as fatias de parida com leite de coco, o requeijão”( Tereza Batista, Cansada de Guerra) e “creme do homem – musse de coco com calda de chocolate” exibido por Marialva (O Sumiço da Santa) – “ai, creme mais saboroso”(Dona Flor e seus Dois Maridos). “Um pedaço de canjica, de bolo de milho ou de puba, de cuscuz de tapioca (O Capitão de Longo Curso). E aquele doce que, de tão bom, ele compara ao beijo roubado por Patrícia ao Padre Abelardo Galvão, com “sabor de crime e de ambrósia feita em casa” (O Sumiço da Santa). Por fim, só dizendo como o coronel Maneca Dantas, ao Capitão João Magalhães em “Terras do Sem Fim”: “Comer bem é o que se leva do mundo, capitão”. E as bebidas senhor, as bebidas! Aquelas que aquecem a alma e alegram as festas. Nos “Os subterrâneos da liberdade”, dizia: “Os ricos bebem uísque e champanhe, os operários vinho de abacaxi”. Cerveja gelada, cachaça pura e o “grogue”, uma bebida que o marinheiro Vasco Moscoso de Aragão ensinava aos vizinhos de Periperi, no livro “Capitão de Longo Curso”. Havia ainda os sabores especiais dos licores que “Zilda servia às visitas, de jenipapo, de pitanga, de maracujá, todos de fabricação caseira” (Tocaia Grande). E antes de “estenderse na rede”, nada como “acender o charuto, não pensar em nada ”( São Jorge de Ilhéus) . E Vinicius de Moraes, o homem que escreve cantando e que canta com a magia das palavras, no seu livro “Para Viver Um Grande Amor” também nos envolve em iguarias que fazem sonhar. As receitas para o menu foram inspiradas na letra do poema, que mais tarde seria musicado em parceria com Toquinho. A lista de apetitosos petiscos e das recomendadas “comidinhas para depois do amor” é longa e saborosa, incluindo é claro, o inseparável whisky do poeta – ao qual ele se referia como “o cachorro engarrafado – ou o melhor amigo do homem” À mesa também se sentou Isabel Allende com o Livro “Afrodite – Contos, Receitas e Outros Afrodisíacos” que nos fala do puro prazer que comer proporciona.

Um de seus mais famosos poemas, o “Ode ao Caldillo de Congrio”: “No mar Tormentoso do Chile vive o rosado congro, gigante enguia de nevada carne. E nas panelas chilenas, na costa, nasceu o caldo grávido e suculento, proveitoso. [...] Enquanto se cozem com o vapor os régios camarões marinhos e quando já chegaram a seu ponto, quando coalhou o sabor em um caldo formado pelo suco do oceano e pela água clara que desprendeu a luz da cebola, então que entre o congro e se mergulhe na glória, que na panela se azeite, se contraia e se impregne. Já só é necessário deixar no manjar cair o creme como uma rosa espessa, e ao fogo lentamente entregar o tesouro até que no caldo se esquentem as essências do Chile, e à mesa cheguem recém-casados os sabores do mar e da terra para que nesse prato conheças o céu.”

}

E depois há Neruda. O poeta que canta o amor, amando. O poeta que nos deixa a saborear as palavras, como se do mais saboroso chocolate do mundo se tratasse. Este Menu é inspirado em poemas que contêm referências e citações culinárias, da obra do poeta chileno - Pablo Neruda. Nos seus versos o autor exalta frequentemente as artes da boa mesa, os alimentos, os ingredientes providos pela natureza – especialmente em poemas dos livros, “Odes Elementares”, “As Uvas e o Vento”. Como diria Jorge Amado:

“A gastronomia é a mais sublime das artes”, para ele a comida devia

apelar aos cinco sentidos e ser vista, saboreada, cheirada e sentida em pleno. É o sonho tornado realidade à mesa!

Sabores para lembrar

A comida típica da América Central e do Sul caracteriza-se por um aproveitamento das ofertas da terra e do mar. O milho é rei, sendo um dos pratos mais conhecidos o Pastel de Choclo (milho). Também as Cazuelas (caçarolas) de carne ou de aves, as Parrillas (muito conhecidas na Argentina) e o Asado Chileno à la Parrilla são bastante populares. A extensa costa marítima chilena permite que os pratos de peixe sejam ricos e variados, sendo de salientar a Albacora ou Corvina a la mantequilla, o Congrio Frito e os Mariscales. Integrada já na culinária internacional encontra-se a Empanada Chilena, que pode ser frita ou assada, recheada com carne e cebola ou com queijo e mariscos. As empanadas são um prato tradicional da Argentina, do Chile e do Peru conhecidas em todo o mundo. Consistem em pastéis de carne muito picantes, temperados com pimenta-decaiena ou malagueta de piri-piri. No Centro-Sul, dominam as carnes sob todas as formas e para todos os gostos. Alfajor é um doce tradicional da Argentina, Chile, Peru, Uruguai e outros países Iberoamericanos. O doce é composto de duas ou três camadas de massa e com recheio de doce de leite.

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Life&Style

Memórias do paladar {

SHOPPING GOURMET

Carla Marques

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A memória é seletiva e normalmente guarda no seu baú das recordações os melhores momentos. A nossa lista gourmet escolheu uma gama de produtos de qualidade para que o seu paladar não se esqueça desses momentos.

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L’and Vineyards

Vinho - Reserva 2009

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Jubileu

Tea Secrets

Chocolates em três variações Jubileu D’Or D’Or a

Quinta Vale do Conde

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JUBILEU

Azeites e Vinagres

Amêndoas cobertas com Chocolate Jubileu

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The Gourmet Tea

tornar todos os dias especiais 118

o segredo do verdadeiro chá

2012

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Daniel Marshall e Manuel Quesada

DM2 gold cigars

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Genevieve Lethu

Pratos floridos


Decantar ou não decantar?

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CRONICA GOURMET

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Escanções ou sommeliers são profissionais que fazem com que o consumo do vinho seja mais atrativo, harmonioso e, sobretudo, dê maior prazer. Infelizmente, pouco reconhecidos pela maioria dos empregadores, que os consideram um custo acrescido e não uma mais-valia, como de facto são. — Por PAULO LAUREANO, ENÓLOGO

Por outro lado, nós próprios, consumidores, desconfiamos do seu serviço, ou porque achamos que pura e simplesmente nos querem vender aquele vinho ou porque já está a mais na cave ou porque é caro ou porque simplesmente terão uma comissão acrescida por isso (vulgarmente chamada ‘bónus de rolha’). A verdade, é que estes podem-nos conduzir de forma adequada ao consumo do vinho e à sua excelente conjugação com a comida. Responsáveis por termos vinhos adequados à carta do restaurante e servidos às temperaturas corretas nos copos mais apropriados são fundamentais para o nosso prazer com o vinho.

A sua falta ou a sua substituição por pessoas pouco qualificadas cria normalmente situações inexplicáveis e ridículas. Deixando de lado a seleção do vinho, dos copos, das harmonizações vinho-comida ou mesmo a gestão da garrafeira, centremonos numa prática muito simples, mas sempre controversa: a decantação, que consiste na passagem do vinho da garrafa original para uma de vidro, antes de ser bebido. Frequentemente falta um profissional adequado, que saiba indicar se este ou aquele vinho se deve decantar. E sobretudo que

não nos faça esse ritual só porque nos conhece, porque quer levar mais algum dinheiro pela garrafa ou disfarçar a falta de qualidade do vinho e do seu conhecimento sobre o serviço de vinhos. A decantação ultrapassa toda a encenação que a rodeia e deve ser efetuada sempre que ocorra uma de duas situações: a) Vinhos estagiados que apresentam um depósito e que devem ser separados do mesmo, antes de serem consumidos. b) Vinhos jovens ou mais evoluídos que necessitem de um contacto mais prolongado com o oxigénio, para que as suas características sejam mais agradáveis e confiram maior prazer no seu consumo. Se a primeira situação é aceite de forma inquestionável, já a segunda vive envolta nalguma controvérsia. Os seus defensores afirmam que o vinho melhora claramente com a oxigenação sofrida. Os vinhos tintos jovens deverão, quando apresentam um teor de taninos muito elevado e uma estrutura marcante, ser decantados para uma jarra ou garrafa que permita uma boa oxigenação, a qual deve ficar só com metade da capacidade preenchida. Desta forma os aromas e sabores terão tendência a serem mais elegantes e menos adstringentes. Pelo contrário vinhos jovens, de taninos suaves e aromas frutados

devem ser servidos diretamente da sua garrafa original. Os vinhos mais velhos, de aromas perfumados e delicados, se necessitam de decantação, esta deverá ocorrer pouco tempo antes do seu consumo, embora algumas preciosidades do mundo vínico, tendam a demonstrar o contrário, exibindo no último copo um equilíbrio sempre mais perfeito que no primeiro. Ainda quanto a decantações menos convencionais, certos vinhos brancos fermentados em madeira, melhoram imenso com a decantação, para uma garrafa mais ampla. Para decantar o vinho existe uma panóplia de decanters elegantes e atractivos, chegando alguns deles a assumir características de obra de arte. Para ajudar a oxigenação dos vinhos existem também disponíveis no mercado vários “gadgets” que fazem as delicias dos enófilos.

VINHOS RECOMENDADOS

veja sicilia único 1991 www.vinalda.pt

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scion 150 years port wine www.taylor.pt barca velha 1985 www.sograpevinhos.eu cossart gordon madeira wine sercial 1991 single harvest www.madeirawinecompany.com 2012

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Life&Style

BESPhoto 2012

Imagens que falam

— Mauro Pinto é o vencedor da 8ª edição do Prémio BES Photo, uma iniciativa do Banco Espírito Santo (BES) em parceria com o Museu Coleção Berardo, à qual se junta a Pinacoteca do Estado de São Paulo no seu alargamento à lusofonia.

O júri, de composição internacional, com nacionalidade distinta das representadas pelos artistas selecionados, é constituído por: Dominique Fontaine (Montreal), curadora, investigadora e assessora cultural da plataforma POSteRIORI, em Montreal; Dirk Snauwaert (Bruxelas), curador e diretor do Wiels Arts Center for Contemporary Art (Bruxelas), membro do júri do Prémio Edvard Munch Award for Contemporary Art (Nóruega), destacando ainda o cargo que ocupou enquanto curador de arte contemporânea no Palais de Beaux-Arts (Bruxelas) e diretor artístico do IAC - Institut d’Art Contemporain (Villeurbanne/França); e Ulrich Loock (Berlim), professor e curador independente, tendo assumido a direção do Kunsthalle Bern e do Museu de Serralves. Na opinião do júri, a escolha ‘resulta da forma como esta série revela a entrega do artista à realidade das pessoas que habitam os espaços aqui retratados, ao mesmo tempo que transmite uma perspetiva histórica e sociológica da realidade contemporânea moçambicana através deste bairro da capital’. É de destacar a forma como este utiliza a luz dando vida aos elementos pre-

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sentes. Da cor aos objetos, é de realçar a capacidade com que o seu trabalho nos transporta para uma realidade habitada. Sem artifícios na sua essência, a consistência da apresentação do trabalho de Mauro Pinto foi um fator decisivo na escolha do vencedor. Igualmente relevante é o facto de terem sido tiradas cerca de mil fotografias, entre as quais, o artista selecionou o conjunto de doze que deu origem ao projeto expositivo apresentado.” A exposição, promovida pelo Banco Espírito Santo e pelo Museu Coleção Berardo estará patente ao público até 27 de maio e reúne trabalhos inéditos do coletivo CIA de Foto, Duarte Amaral Netto, Mauro Pinto e Rosângela Rennó. Esta é a segunda edição duplamente marcada pela internacionalização do prémio - por via do alargamento do âmbito de seleção dos artistas que podem ser de nacionalidade portuguesa, brasileira ou dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP’s), como pela itinerância da exposição que, após ser apresentada no Museu Berardo, será inaugurada na Pinacoteca do Estado de São Paulo a 16 de junho de 2012.

Promover a cultura Ao promover iniciativas que contribuem para a mais ampla divulgação da excelência da arte suportada por fotografia, o BES pretende ser um agente ativo no desenvolvimento e promoção da arte contemporânea em Portugal e com representatividade internacional. Esta iniciativa vem reforçar o compromisso assumido pelo Banco em promover a cultura, um compromisso antigo no Grupo BES mas que pretende ser

permanentemente renovado, estimulado e alinhado com o posicionamento da marca: moderna, em evolução, abrangente e com projeção junto dos diferentes segmentos da sociedade.


{ ARTE } Mauro Pinto (1974) nasceu em Maputo, onde vive e trabalha. Dos primeiros contactos com o fotógrafo português Alexandre Júnior, durante a sua adolescência, surgem as primeiras experiências no domínio da fotografia. No final dos anos de 1990 fez um curso de fotografia na Monitor Internacional School (Joanesburgo), e, pela mesma altura, um estágio com o fotógrafo José Machado, assumindo desde logo como profissão a atividade fotográfica. Em 2002, integra pela primeira vez a PhotoFesta – Festival Internacional de Fotografia (Maputo), voltando a participar na edição de 2006. Em 2003 participa nos Rencontres de Bamako, Biennale Africaine de la Photographie e na coletiva Saudade de L’espoir (Ilha da Reunião). Em 2004 apresenta o seu trabalho na 35.ª edição de Les Rencontres d’Arles e nas III Jornadas África-Brasil (Brasília), e, no ano seguinte, no Fórum Social Mundial (Porto Alegre). Em 2006 integra a exposição Réplica e rebeldia, apresentada em Maputo, Luanda, Praia, Salvador da Bahia, Brasília e Rio de Janeiro. Participa

ainda na exposição Vers Matola no Espace 1789 Saint-Ouen, em Paris. Em 2008 integra a primeira edição da bienal Picha! Les Rencontres de l’image de Lubumbashi. No ano seguinte, integra a exposição Maputo, a Tale of One City, que inaugura no Oslo Museum e percorre diferentes cidades da Noruega, e a 2.ª Bienal de Arte Contemporânea de Salónica. Já em 2010, participa mna coletiva Ocupações temporárias 20.10 (Maputo), no Festival mondial des arts nègres (Dakar), e na 2.ª edição de El Ojo Salvaje – Segundo Mes de la Fotografia en Paraguay, sendo mo primeiro artista africano a integrar aquela mostra. A sua primeira exposição individual realizou-se em 2002 na Fortaleza de Maputo, destacando-se, das seguintes: Portos de convergência (Centro Cultural Franco-Moçambicano, Maputo, 2005), Lubumbashi interiores – exteriores (Lubumbashi, 2007), Uma questão de Estado (Rua D’Arte, Maputo, 2010); e, em Portugal, Maputo – Luanda – Lubumbashi (Influx Contemporary Art, Lisboa, 2011).

Por unanimidade, o júri escolheu Mauro Pinto para vencedor do BES Photo2012, pela série “Dá Licença”, projeto fotográfico no Bairro da Mafalala, em Maputo. Quatro finalistas Os quatro artistas a concurso para a 8ª edição BES Photo foram previamente nomeados pelos três membros do júri de seleção que acompanharam o panorama expositivo da fotografia no período a que reporta o prémio e que individualmente representam o triângulo geográfico referido – Diógenes Moura, curador de fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo (Brasil); Delfim Sardo, curador, crítico de arte e professor (Portugal) e Bisi Silva, curadora e fundadora/diretora do Centro de Arte Contemporânea de Lagos, CCA Lagos (Nigéria). Sobre a seleção do coletivo CIA de Foto (Brasil), o júri realça “a qualidade da série ‘Carnaval’ (apresentada no âmbito do ‘New York Photo Fest’), num processo de trabalho que revela segurança técnica e, sobretudo, poé-

tica. Trata-se da preparação de uma segunda camada para a memória de cada uma das imagens, ou da série, como um todo. Este exercício estende-se ao vídeo que acompanha o trabalho, ao fazer com que cada personagem avance para o olhar do espectador criando um outro tempo num plano mais

fechado.”Na opinião do Júri, a nomeação de Duarte Amaral Netto (Portugal), “resulta do trabalho que tem vindo a desenvolver ao longo de uma década, e, especificamente, pela qualidade concetual da exposição ‘The Polish Club Case’, apresentada em Lisboa.” A escolha do artista Mauro Pinto (Moçambique) prende-se com “a forma coerente como tem vindo a efetuar o mapeamento e a representação de Moçambique. Destaca-se o trabalho apresentado na exposição ‘Maputo – Luanda – Lubumbashi’, em Lisboa.”A nomeação de Rosângela Rennó (Brasil) prende-se com a “complexidade da forma como tem desenvolvido uma maturada reflexão sobre a natureza do fotográfico, articulada com

o papel da memória. Esta nomeação surge pelas exposições apresentadas na Galeria Vermelho, em São Paulo, e na Galeria La Fábrica, em Madrid.” O BES, Museu Berardo e Pinacoteca do Estado de São Paulo juntam-se assim com o intuito de promover a criatividade e integração dos artistas plásticos contemporâneos de língua portuguesa no panorama internacional e com a ambição de construírem aquele que será o maior prémio de arte contemporânea do Atlântico Sul, no valor de 40 mil euros. Os artistas selecionados apresentarão os seus trabalhos no Museu Coleção Berardo numa primeira exposição que estará patente de 14 de março a 27 de maio de 2012 e que itinera para a Pinacoteca de São Paulo para ser apresentada de 16 de junho a 5 de agosto de 2012.

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Life&Style

{ ARTE }

Dança negra

— O Museu da Escravatura de Angola é uma das instituições mais destacadas do país e foi criado com o objetivo de lembrar a génese da escravatura em Angola. Abriga os testemunhos da história dos seus antepassados, que sentiram na pele as agruras da escravidão e todo o sofrimento a ela inerente.

D. Álvaro, Cavaleiro da Ordem de Cristo foi capitão-mor nas prisões de Ambaca, Muxima e Massangano, em Angola, e um dos mais principais traficantes de escravos. Faleceu na casa que é hoje sede do Museu da Escravatura em Angola. A Capela da Casa Grande, onde se localiza o Museu, é de grande representatividade histórica, pois era o lugar onde os escravos eram batizados antes de embarcar nos navios negreiros que os levavam às colónias. A escravatura, entendida como a sujeição de um ser humano à vontade de outro, continua tão atual nos dias de hoje como o foi no passado. A arte e o artista são muitas vezes reflexo desta realidade. Apesar disso, muitas das obras feitas durante o período da escravatura demonstram força e alegria. Há documentos, textos, poemas e letras de músicas de autores negros ou mestiços que constatam isso mesmo.

De meio de defesa a forma de arte

A dança é uma das vertentes artísticas onde a herança dos escravos foi mais marcante. Com origem no final do século XVI e tendo alcançado o seu auge na segunda metade do século XIX, a Capoeira é uma arte “marcial” brasileira, de origem africana, uma dança-luta, que foi criada e desenvolvida

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pelos negros escravizados, inspirada pela sede de liberdade e justiça social. Logo após a libertação dos escravos, o negro brasileiro que trabalhava na fazenda, desempregado, é joga-

do na mais absoluta miséria, servindo-se da Capoeira como forma de defesa e sobrevivência num meio hostil. O jogo de capoeira primitivo, lúdico era proscrito pela classe dominante e teve em Angola a base da sua criação. A capoeira na época da escravidão preparava o negro para o desigual combate com os capangas dos fazendeiros que utilizavam mão-de-obra escrava. Os capan-

gas eram geralmente homens rudes e bem armados. Para treinar, sem chamar a atenção dos fazendeiros e dos capangas, os escravos

incorporaram instrumentos musicais, como o berimbau, oriundo do povo banto, e outros, de forma a enganar o feitor, pois com a música e os movimentos ritmados, o capataz pensava que os negros estavam a dançar. A capoeira foi uma arte que cresceu com a necessidade de lutar pela vida. A capoeira é luta e defesa pessoal, embora atualmente seja encarada de forma essencialmente lúdica. A capoeira é um processo di-

nâmico, coreográfico, desenvolvido por dois parceiros, caracterizado pela associação de movimentos rituais, simulando intenções de ataque, defesa e esquiva, ao mesmo tempo que exibe habilidade, força e autoconfiança, em colaboração com o parceiro do jogo, pretendendo cada um demonstrar a sua superioridade sobre o outro. A coreografia desenvolve-se a partir de um movimento básico denominado de gingado. A capoeira dá liberdade de criação, mas conserva a estrita obediência aos rituais, a preservação das tradições, o culto dos antepassados e o respeito aos “mais velhos”. A partir do gingado, o capoeira realiza movimentos, manobras, exercícios, evoluções conforme o ritmo, o objetivo ou o contexto a partir de cada um dos segmentos e das múltiplas posturas do corpo. Mas sempre com movimentos ritmados que obedecem ao toque do berimbau, atabaque, pandeiro e agogô. Hoje a capoeira está inserida numa realidade social muito diferente da sua origem; tendo como principal preocupação manifestar-se como forma de arte: na dança, na música, no teatro, cinema e também nas Universidades, onde é objeto de estudos em muitos cursos de pós-graduação.


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Life&Style

Patrícia Alves Tavares

e d a d e i c o s s A t a e b em

ar an d fa z ua r e l m m eu qu e o a s é o I. e i gas o B. n o it aqu va n péa a ma à ar mos o i t H s c e m t Hip não lá e u es ário ion qu e So l de e ário c e i r o t d m y Éo o o on ão um n em n e at ao c raz sar ão v Éa da b éus u n p n é a e a p g u ch o q m H u as et sar Hip zer tr e avr XL u a fa pa l at S ti r r e r s a B a e p o V as é us ça d a nt Hop iz da n às t e fel Hip r d a s ser diz m s so ord i m c a s é p s a a É ce os ngu e smo can s ni p iar ans mai o al s me r s a e t É co s m u o q em i ro ro ao n ti p o nhe Diz e bem car r di á i e t f t s g e a o me um t não É nã m so qu e r lá ir u e a o v u x ã i u r iç de s eg Éo e sta efin e se ua e d ... u r d a q a o e ua r C m d n M u i o É um t n m o n , r r r o e c ia s sa saf de s vo u É pa é de odo sou p m e o , u H da oq Hip e vi ue do d e so o u ês m q u É éo tug por Hop o p c i i s H , mú Bos

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A febre do Break Dance Popular e audível pela maioria da população, são poucos aqueles que conhecem exatamente a história e as raízes do hip hop angolano. Em África, o género tornou-se popular na década de 80, influenciado pelas sonoridades americanas e começou a sua ascensão um pouco por todas as regiões a partir dos anos 90. Foi precisamente nessa altura que surgiram os primeiros movimentos em Angola. São 20 anos de ativismo e intervenção. O hip hop assinala este ano duas décadas e está mais jovem que nunca. Proliferam os artistas que fazem

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do rap e dos beats o seu modo de vida, nas redes sociais criam-se grupos de partilha de músicas e de ideais e não existem mãos suficientes para contar os blogs da especialidade, que vão nascendo em catadupa. Nem sempre foi assim e quando o estilo surgiu eram poucos os que arriscavam este género musical. Talvez por isso ainda hoje os rappers tenham pouca atenção dos meios de comunicação social e exista pouca perceção das raízes do movimento, que é bem mais popular nas ruas e festas juvenis.

Em 1990, os media mostravam forte interesse num movimento novo, que muitos apelidavam de Break Dance. Era a dança do momento e foi a responsável pelo aparecimento do hip hop. Na época, filmes como Flash Dance e as aparições de artistas como Lionel Ritchie, Malcom McLarem ou o inesquecível Michael Jackson influenciaram os rappers de todo o mundo. Angola não foi exceção. As festas deram lugar a espetáculos estonteantes, em que os participantes surgiam com roupas que abusavam da cor, óculos escuros, ténis, luvas e bonés. O you-

tube não passava de uma miragem e eram os gravadores que ditavam as últimas tendências musicais e inspiravam os passos de dança, inspirados nos êxitos cinematográficos. A eclosão do hip hop a nível nacional ocorreu em finais de 1988, mas dois anos antes já muitos tinham adotado o estilo. A massificação do movimento deu-se em 1992, há precisamente 20 anos, quando Big Nelo, Paul G., Jeff Brown e Kudy fizeram história na música angolana ao formarem o primeiro grupo RAP, os SSP (South Side Posse), que significa “bando do lado sul”.


{ CULTURA&LAZER } i ro e m i Pr tival 11 f e se m 2 0 fo i ‘A massificação do movimento deu-se há precisamente 20 anos, quando Big Nelo, Paul G., Jeff Brown e Kudy fizeram história ao formarem o primeiro grupo RAP, os SSP (South Side Posse), que significa “bando do lado sul”’

Influenciados pelo RAP e por géneros como o jazz, o soul, o funk ou o ragga, deram os primeiros passos em concertos em escolas e nas suas comunidades. A simbiose da música com a dança, da cultura africana com as influências ocidentais, abriu as portas a este conjunto de jovens que gravaram o seu primeiro trabalho, “99% de Amor”, em 1996. Seguiram-se êxitos como SSP.ODISSEIA, que foi apresentado durante a primeira digressão internacional do grupo, que passou por Cabo Verde, África do Sul, Inglaterra, Moçambique e Portugal. Aliás, em Moçambique alcançaram o disco de prata. Os SPP foram o único grupo que conseguiu lotar o pavilhão da Cidadela, em Luanda. Além dos prémios e distinções que foram arrecadando, sempre se destacaram pelo papel de intervenção social que assumiram tendo, inclusive, emprestado a sua imagem e reconhecimento a ações de sensibilização nacionais, nomeadamente nas campanhas anti-minas e sensibilização para o flagelo da Sida.

Pendor social

“Juventude em Festa, não ao vandalismo”. Foi com este mote que se assinalaram os 20 anos do RAP e hip hop em Angola. O festival, que teve como palco a Cidadela, homenageou os responsáveis pelas duas décadas de música interventiva. Os SPP e os artistas Phathar Mak, Kool Kleva, Dj Samurai, Nel Boy Dasdaburda e Gangstar foram as figuras do evento, devido à sua persistência e coragem em enveredar por um género musical até então desconhecido.

Em setembro do último ano foi apresentado ao público o primeiro Festival do Hip Hop da Lusofonia. O evento, que decorreu no estádio nacional da Cidadela Desportiva, em Luanda, foi um sucesso e contou com mais de cinco mil pessoas. É um número que agradou aos promotores, a Don King, e que mostrou que o público se identifica com o género musical. O certame juntou artistas nacionais e internacionais, como Kool Kleva, Nga, Boss AC, Dona Kelly, entre outros.

Big Nelo defende aposta na qualidade

“Temos um mercado que está a consumir muita música angolana, razão pela qual os artistas são obrigados a olhar para vários aspetos para não deixar ficar mal os fãs e nem perder terreno”,

afirma Big Nelo. O antigo artista dos SSP, que entretanto se lançou a solo, referiu numa entrevista que o público está cada vez mais exigente, esperando dos cantores uma crescente qualidade rítmica e de conteúdos. Big Nelo tem um novo CD, “À minha maneira”, que segue a mesma linha de trabalhos anteriores como Karga, mistura hip hop com R&B, dance music e zouk.

O espetáculo reuniu 15 mil pessoas e juntou os fundadores e a nova geração do hip hop. Contou ainda com a presença do guineense Allen Halloween e o grupo moçambicano G-Pro. Forma de expressão social, o estilo tem a capacidade de unir as pessoas numa só voz. Existem concertos em que a participação é espontânea e as letras surgem na hora, sendo que muitos espetáculos se transformam em quase comícios, onde o público participa e os MC’s vão diagnosticando os problemas sociológicos e transpondo para a música e dança. O RAP é dos géneros mais inovadores, ao nível de ritmo, atuação e escrita e tem um forte lado social, reivindicativo e por vezes ativista. Afinal, o rappar vai buscar as experiências do dia a dia.

A nova geração

Nelo Boy, SSP, Salabastas e Dc Unity foram os primeiros rappers angolanos. Zona Kid, Warrant Niggas (atualmente Warrant B), Afro Man ou As Golosas são alguns dos nomes que compõem a mesma geração de rappers que se lançaram no mundo do hip hop. Eles abriram caminho para as novas gerações. Abdiel, Extremo Signo, Ready Neutro, Dr. PAM, Reptile, Fly Squad e o Dj Wall Gee têm-se destacado pela sua criatividade e são alguns dos talentos promissores do hip hop nacional. Atualmente o hip hop está mais voltado para o “swagg” e deixou um pouco para segundo plano o lado interventivo. Algo que se mantém duas décadas é o caráter urbano, as calças abaixo da cintura, as sapatilhas “air force” e o mesmo estilo.

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Life&Style

Costumes & Tradições

{ CULTURA&LAZER }

Tradições bantu Angola tem o caminho bem traçado para tornar-se um dragão africano e uma peça essencial no renascimento do continente níger. Deve, por isso, explorar os valores cristalizados pelas suas diferentes componentes etnolinguísticas bantu - maioritárias no território - à volta dos conceitos de paz e reconciliação nacional. O país tem de implementar uma política de promoção civilizacional forte, que pode desembocar numa revolução cultural e constituir uma mudança de sensibilidades. — por Simão Souindoula, Historiador e perito da UNESCO

A noção deve alinhar na sua evolução os trunfos culturais derivados da sua configuração civilizacional, maioritariamente, bantu. O país tem uma dezena de grupos etnolinguísticos que cultiva tradições e privilegia valores como a paz, a reconciliação, a consanguinidade ou a solidariedade. Esses conceitos apresentam os mesmos radicais do bantu comum com uma evolução significativa idêntica e inseridos em ensinamentos orais semelhantes. Os exemplos que apresento são expressos através de adágios, ditados ou provérbios, que contam, muitas vezes, regras lógicas. Dados do corpus verbal que mostram o cruzamento semântico bantu e indicam o radical proto-bantu na base do Comparative Bantu de Malcolm Guthrie. A paz Dois radicais confirmam que há 4000 anos, os Proto-Bantu conheciam bem esta noção. Quietness-pode–podo; become quiet–pod–tadad– tuud. A evolução dará, entre outras fixações, kikongo: lutuluku, luvutamu, luvuvamu, luvu126

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viku, lulembeku; kimbundu: kitululuku. Dentre as centenas de adágios usados pelos Bantu, temos os dos Lunda/Luba/ Cokwe que aconselham ‘se você não quer ter ruídos, não provoca o elefante’. Quantos aos Luvales, descendentes de Tchinhama, certificam que ‘uma povoação sem autoridade, não pode estar tranquila’. A reconciliação Encontra-se no sistema de concordâncias das línguas da áfrica central, oriental e austral esta modalidade no verbo go up, no sentido de aproximar: bat-biit-kued–kuid. Os Bakongo e os Ambundu encheram estes radicais expressando a prática de reconciliação numa perfeita linha sinonímica com o estado da paz. Para indicar a relevância da reconciliação, os Ngoyo comprovaram que ‘a tartaruga e o manatim respeitam-se, ambos coabitam no mar’. A fraternidade Dois radicais foram atestados sobre este género de relacionamento no ur-bantu, irmão

e cunhado. Brother-kudu | brother-in-lawdumu. Mas a evolução em vários falares bantu deu o quadro sinonímico de irmão-amigo, irmão-camarada e irmão-companheiro. Kikongo: mukuetu, mpangi, kamba. Kimbundu: akuetu, nkuame, nkundi, nkundia nzo, nkuanzolani, nkaledi, mpange, kamba, dikamba. Este desenvolvimento indica que os bantu conservaram nas noções de irmandade biológica, consanguínea ou uterina, mas deram a mesma importância aos irmãos assimilados, que em kikongo da ifuanana, fuanana, fuananesa, lufuananu. Produziram, também, o conceito de irmão espiritual, co-afilhado, que, em kikongo e kimbundu, cristalizou-se em mpangi a mungua. A instrução sobre a importância da fraternidade foi nos bantu consignada em vários ditados, tais como os Nganguelas que fazem lembrar que ‘os dentes são condenados a viver juntos’. A solidariedade, a união A proto-língua indica o radical–daakik–unificate, que permitiu a construção posterior nas duas línguas de cannecatim. Em kikongo: iikisa, iikakesa e em kimbundu: sokeka. Notarse-á, sobre esta noção, que os Bakongo fixaram num outro quadro sinonímico esta atitude com a nkanda, a família. Os Ovimbundu opinam no mesmo sentido quando afirmam que ‘a associação prepara a aliança, a amizade origina parentesco’. Eles comprovam, numa asserção historicamente justa, que ‘entre os povos, há pontes’. Por outro lado, notam que ‘se um velho constrói povoação nova, bateram-lhe na cidade’.


{ CULTURA&LAZER } teatro

Massificar a representação

música

Angola em festival argentino de orquestras

— “Kapossoca” é a orquestra sinfónica que vai representar Angola no III Festival Internacional de Orquestras, que decorre na Argentina, em maio. O evento, que dura seis dias, recebe anualmente 700 crianças oriundas dos cinco continentes para participar num festival que celebra a música e a natureza. O palco são as Cataratas de Iguazú e a selva Misionera. As crianças da “Kapossoca” têm este ano a oportunidade de mostrar aquilo que têm aprendido e vão ganhar uma ação de formação ministrada por um maestro experiente.

— Partindo do mote das comemorações do Dia Mundial do Teatro, que se assinalou a 27 de março, o pedagogo do Huambo, Zeferino Sevendo, apelou a todos os grupos de teatro da província que massifiquem esta prática nas escolas. Este defende que as crianças tenham o primeiro contacto com o teatro durante o ensino primário para estimularem o gosto pela arte cénica, que é encarada como uma ferramenta facilitadora da aprendizagem escolar. Para tal, apelou ainda ao envolvimento da sociedade, dos empresários e do ministério da Cultura na promoção do teatro entre os mais pequenos.

artes

Paulo Airosa na PRINT

— O designer Paulo Airosa esteve presente na Expo Portugal PRINT, que decorreu em abril, no Porto. Subjugado ao tema “Artes gráficas mais têxtil profissional”, a exposição reuniu 30 artistas e foi a primeira vez que o angolano participou e representou o seu país. Satisfeito com a oportunidade de mostrar ao mundo as potencialidades angolanas a nível tecnológico e no âmbito do design, Paulo Airosa conseguiu através do evento dar a conhecer o seu trabalho e promover o intercâmbio com outros artistas, convidando os empresários a investir no país.

moda

Fátima Lopes em Luanda cplp

Intercâmbio cultural comunitário

— Os ministros da Cultura dos países membros da CPLP voltaram a reunir-se em Portugal para debater o reforço da cooperação e intercâmbio cultural entre as diferentes nações. A aplicação do acordo ortográfico esteve no centro do debate, uma vez que Angola e Moçambique têm algumas dúvidas e querem uma atenção especial para as suas línguas nacionais. Por outro lado, ficou assente que há que apostar num intercâmbio nos domínios das indústrias culturais, cinema, produção do livro e espetáculos. Existe ainda a vontade de dinamizar as trocas entre as delegações artísticas e os acervos documentais e bibliográficos.

— A estilista portuguesa Fátima Lopes apresentou na capital angolana as suas novas criações de verão. Após os desfiles da semana da moda de Paris, a criadora foi a convidada de honra de um evento que contou com cerca de 800 convidados e juntou na mesma passerelle os principais manequins lusos e angolanos.

infraestruturas

Huíla terá salas de espetáculo

— Durante os próximos quatro anos, o Governo Provincial da Huíla vai construir uma sala de espetáculo em cada município. O objetivo consiste em incentivar as artes cénicas e sensibilizar cada comunidade para a importância da arte de representar. Atualmente decorrem estudos de viabilidade dos projetos de forma a garantir o seu posterior financiamento. A província tem 13 grupos de teatro.

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Life&Style

Patrícia Alves Tavares

{ PERSONALIDADES }

O homem que uniu os escritores

— No mês em que se assinala internacionalmente a importância do livro, a Angola’in elege um poeta como a figura central das letras. Adriano Botelho de Vasconcelos é secretário-geral da União dos Escritores Angolanos e tem uma história de vida marcada pela vontade de unir todos os artistas da escrita.

SABIA QUE… Adriano Botelho de Vasconcelos foi comissário político das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA). Multifacetado, foi o criador do site da União dos Escritores Angolanos. O fundador do Jornal Angolê - Artes e Letras, que circulava nas bancas de Lisboa (Portugal), em 1984, despertou muito cedo para a escrita. Nascido fora da capital, em Malanje, em 1955, Adriano Botelho começou a escrever quando frequentava o quarto ano escolar com apenas dez anos. Foi o início de um percurso que tomou o caminho da poesia, vertente onde o escritor sempre sentiu que podia dar voz ao “outro”. Poeta, ensaísta e político, o atual secretário-geral da União dos Escritores Angolanos passou a juventude em Portugal, onde tirou o curso de Administração e Comércio e foi Adido Cultural de Angola durante seis anos. Foi quase uma década de exílio consentido que influenciou decisivamente a sua técnica de escrita. Durante o período que viveu radicado em Portugal esteve ligado ao desenvolvimento comunitário do país no estrangeiro. No Porto, conseguiu juntar mais de 200 especialistas de literatura angolana com o intuito de compilar vários textos sobre a obra de Agostinho Neto. A missão foi cumprida com êxito e deu lugar ao livro “A Voz Igual, Ensaios sobre Agostinho Neto”, que conta com a participação de cerca de 25 especialistas de diversas universidades internacionais.

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GUIA DE COMPRAS

1974 – Vozes da Terra 1975 – Vidas de Só Revoltar 1983 – Células de Ilusão Armada 1984 – Anamnese 1988 – Emoções 1996 – Abismos de Silêncio 2003 – Tábua (Grande Prémio Sonangol de Literatura Ex-aequo – 2003) 2005 – Boneca de Pano: Coletânea do Conto Infantil 2005 – Caçadores de Sonho: Coletânea do Conto Angolano 2005 – Todos os Sonhos: Antologia da Poesia Moderna Angolana 2005 – Olímias 2007 – Luanary 2009 – O Amor é Sempre Agora

Prémio Sonangol A obra “Tábua” é uma das mais emblemáticas do poeta ensaísta. O livro, em que o escritor surge sob o pseudónimo Aires, valeu-lhe a conquista do grande Prémio Sonangol de Literatura – Ex-aequo, em 2003. Quando questionado pela imprensa sobre os momentos mais marcantes do seu percurso, Botelho de Vasconcelos, lembra o momento em que reuniu estadistas lusos, como Mário Soares, Cavaco Silva e Durão Barroso, no 1º Grande Encontro Internacional sobre Literatura, no Porto. O facto de o jornal “Angolê – artes e letras” ser ainda usado como fonte documental é algo que o orgulha, tal como os primeiros cadernos que elaborou sobre a promoção dos setores diamantífero e petrolífero e sobre as reformas económicas, que eram publicados nos jornais de referência portugueses “Expresso” e “Público”. Conseguiu alcançar os grandes palcos com as obras “Olímias” e “Luanary”, que foram adaptadas para o teatro. “«Olímias» é a obra onde mais expresso o meu gozo pelo risco, trago elementos das dramaturgias, estilizo e desconstruo saberes milenares africanos e, como sabe, sempre que se procura o risco, o trabalho pode ser recebido com alguma aversão”, referiu o poeta, acerca deste livro, numa entrevista a um jornal nacional.


FEVEREIRO2012 2012

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Life&Style

09

até

Agenda

Carla Marques

As exposições e eventos que marcam pelo mundo fora…

Setembro

Damien Hirst

Damien Hirst é um dos principais nomes da arte contemporânea. Até ao próximo dia 9 de Setembro a Tate Modern Gallery, em Londres, expõe 70 peças deste artista britânico. Trata-se de uma exposição que pretende homenagear os 30 anos de carreira deste conceituado pintor. esta primeira retrospetiva de Damien Hirst em Inglaterra integra-se no Festival Londres 2012.

“The Steins Collect: Matisse, Picasso, and the Parisian Avant-Garde”

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Começando com a arte que Leo Stein colecionou quando chegou a Paris em 1903, incluindo pinturas e gravuras de Paul Cézanne, Edgar Degas, Paul Gauguin, Henri de ToulouseLautrec, Manet Édouard, e Auguste Renoir, a exposição traça a evolução do gosto Steins “e examina as relações estreitas formadas entre os membros individuais da família e os artistas patrocinados. Embora voltada para obras de Matisse e Picasso, a exposição também inclui pinturas, esculturas e obras de Pierre Bonnard, Maurice Denis, Juan Gris, Laurencin Marie, Lipchitz Jacques, Henri Manguin, André Masson, Elie Nadelman, Francis Picabia, entre outros. Esta exposição está patente até 3 de Junho no Metropolitan Museum of Art.

até

Junho

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Maio

Festival Internacional da Máscara Ibérica

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De 10 a 13 de Maio 2012, na Praça D. Pedro IV – Rossio em Lisboa está de regresso o Festival Internacional da Máscara Ibérica 2012. Diariamente são apresentados espetáculos de música tradicional e moderna no palco ibérico, arruadas, gastronomia, exposições, artesanato ao vivo, workshops e muito mais. Para esta 7.ª edição são esperados grupos que vêm a Lisboa representar a tradição pagã dos rituais da máscara, raramente vistos fora dos seus contextos de origem.

Cérebro de Einstein em exposição

Um pedaço do cérebro de Albert Einstein é um dos destaques da exposição “Cérebro: A Mente como Matéria” que estará patente no centro de exposições Wellcome Collection, em Londres, até 17 de junho. A mostra tem como objetivo explorar o que os humanos fizeram com cérebros em nome da medicina, da pesquisa científica, das relações sociais e da tecnologia. É a primeira vez que uma parte do cérebro de Einstein é exposta na Grã-Bretanha. O corpo do cientista foi cremado, mas, segundo o jornal ‘The Guardian’, o patologista Thomas Harvey, responsável pela autópsia, disse que o filho de Einstein deu-lhe permissão para preservar o cérebro para pesquisas.

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Estoril Jazz 2012

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até

de

— O Estoril Jazz 2012 vai ter lugar no mês de Maio, de 11 a 20, com a estreia em Portugal do trompetista revelação Ambrose Akinmusire. Com uma programação diversificada, o evento tem a sua génese na tradição do jazz norte-americano. O cartaz do festival, sempre eclético e de excelência musical, apresenta jovens talentos no panorama do Jazz internacional e que atuaram ao lado de ilustres veteranos do jazz mundial.


· Nº04 · 2012

ECONOMIA & NEGÓCIOS · MARCAS ID · SOCIEDADE · FOTOREPORTAGEM · ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO · INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO · DESPORTO · LIFE & STYLE · CULTURA & LAZER · PERSONALIDADES ANO IV - SÉRIE II REVISTA Nº04 - 2012 — 3,50 EUR 450 KWZ 5,00 USD — ISSN 1647-3574

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